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AULA 16 CAPÍTULOS 15 E 16

Autor: Tom Bradford


Tradutor: Christiano Lopes

Lição 16 - capítulos 15 e 16
LEIA GENESIS CAPÍTULO 15:12 até o fim

Vejamos os versos 15 e 16 um pouco mais de


perto. Como já lhes ensinei em algumas ocasiões, não
havia noção de "morrer e ir para o céu" na época de
Abraão, de fato, esse conceito está longe de ser
encontrado em todo o AT Pelo contrário, em geral, a
vida terminava no túmulo, sendo a típica palavra
hebraica Sheol. O que existiria após a morte corporal
é muito vago no AT, e o número de referências à
morte, e as diferentes descrições do que a morte
significava torna claro que, pelo menos para os
hebreus, não havia uma clara doutrina de pós-vida.
Especialmente na era dos Patriarcas, e, portanto, na
era da Torah, talvez o termo mais comum utilizado é
Figura 1- Não havia noção de "morrer e ir
"ir para os seus pais em paz", ou alguma variação do para o céu" na época de Abraão
mesmo tema. O quê exatamente, isso significa? Isto
não está explicado, e eu não consigo encontrar nenhuma fonte antiga que me dê
alguma confiança de que o povo daqueles dias sabia o que isto significava além de um
sentido muito geral, de qualquer modo. Parece-me que "ir para os seus pais em paz",
nada mais era do que uma maneira suave e menos onerosa de falar sobre a morte.
Hoje, temos a tendência de falar de alguém querido que morreu como tendo
"passado", ou "partido". Sublinho QUERIDO.....porque, quando estamos falando de um
ímpio, temos tendência a não utilizar a expressão "passou ou faleceu". Eu garanto que,
quando chegar o dia em que Saddam Hussein provavelmente será executado, não será
relatado que ele "partiu". No entanto, no sentido mais literal das palavras passar ou
partir, não há muito que podemos tomar como exatamente o que a "partida" implica.
Em geral, viver até uma idade avançada e madura e, em seguida, ir ao encontro
dos seus pais em paz era o melhor que qualquer um esperava nos tempos da Bíblia.
Isto simplesmente indicava que tinham vivido uma vida plena, e que eles morreram
mais ou menos naturalmente de velhice. Isto, em oposição a serem mortos, o que
significa que eles morreram mais cedo, ou foram assassinados, ou executados por um
crime, ou que foi determinado que sua morte foi uma decisão do Senhor por causa de
uma transgressão
Será que eles realmente esperavam encontrar os seus antepassados de alguma
forma ou de outra, quando eles morressem? Acho que de maneira vaga, talvez. Era
uma esperança. Era o melhor resultado que alguém poderia sempre esperar do
indesejável-final da vida. Assim, na nossa história, a Abraão foi essencialmente
prometido que ele iria viver uma vida plena, e que sua morte seria de velhice, e que
ele iria morrer em paz com Deus, não de julgamento ou ira ou violência às mãos de
outro.
Vamos voltar em poucos minutos a alguns outros importantes fundamentos
relativos a gerações, bem como a identidade "dos amorreus", mas prefiro terminar o
processo de formação de aliança, a fim de manter uma certa continuidade.
Então, a parte mais importante desta
cerimônia de pacto terá lugar: no vs. 17, os
tomadores da aliança passavam, como era
costume, entre as partes separadas do animal.
Mas, espere, o que, na verdade, passa entre as
partes do animal é um forno de fumaça e uma
tocha de fogo. Fumaça e fogo normalmente
representam a presença de Deus na Bíblia. Deus
andou entre as partes significando Seu acordo e
palavra de manter os termos do pacto. Aviso:
Abraão não caminhou entre as peças. Por quê?
Porque este foi um pacto unilateral, não foi um
acordo bilateral. Este pacto estava inteiramente
em Deus. Deus havia feito promessas e tinha
obrigações.....Abraão, NÃO! Tudo o que estava
prometido neste pacto estava na dependência
de Deus fazer acontecer.
Figura 2- O concerto Nos Vs. 18-20, quando Yahweh está no
meio dos pedaços de carne animal partidos,
Deus recita os termos do pacto, e isto inclui a chamada para fora dos limites da terra
que Ele está dando a Abraão e à sua descendência para sempre. Embora a localização
exata desses limites pode ser contestada em um pequeno grau, o fato é que eles vão
para muito além daquilo que Israel, os descendentes de Abraão, já ocuparam até hoje.
Israel esteve no pico de sua extensão territorial durante o tempo dos Reis David e
Salomão, e seu território foi significativamente maior do que Israel é hoje, mas ainda
não chegou às proporções enumeradas nesta passagem. Algures, num futuro próximo,
Israel será ainda maior do que jamais foi.
Deixe-me ser muito claro; para aqueles
que querem dizer que a Bíblia não DIZ qual
massa terrestre constitui "a terra prometida", ou
que este pacto tenha terminado, basta ler este
pacto. Ele é bastante literal; ao sul, a fronteira é
o "rio do Egito". Este não é o Nilo. Pelo
contrário, é identificado com Wadi el-'Arish, no
Sinai. Após identificar a fronteira sul, a fronteira
norte é dito ser o "grande rio". O grande rio é,
desde há muito, um epíteto para o rio Eufrates
que flui até hoje desde a moderna Síria até ao
Iraque. As fronteiras orientais e ocidentais são
um pouco menos explícitas, já que apontam
para a localização por meio de áreas ocupadas Figura 3- Israel esteve no pico de sua extensão
por certas tribos. No entanto, a fronteira ocidental territorial durante o tempo dos Reis David e
é o Mar Mediterrâneo, pois esse é o fim da massa Salomão
de terra de Canaã, e a localização destas tribos é
bastante comprovada como incluindo as terras a leste do rio Jordão, em curso no
Reino da Jordânia, e provavelmente uma pequena parte do oeste da Arábia Saudita.
Agora, antes de passarmos ao capítulo 16, precisamos enfrentar as dificuldades
associadas com a definição do termo "geração" e com o tempo que Israel estaria no
Egito.
Em primeiro lugar, a palavra hebraica para geração é dor. E, apesar do que
alguns possam pensar, este termo não é assim tão concreto. Pois ele, embora
certamente POSSA significar o modo como imaginamos uma geração....significando o
lapso de tempo entre o nascimento da criança e do nascimento de seus pais...também
pode referir-se a uma vida completa. Pode ainda referir-se a todas as pessoas que
vivem durante um determinado evento. Mais tarde, em Números, a palavra dor será
utilizada para referir-se a todos aqueles que abandonaram o Egito em Êxodo. Nós
também achamos que a vida tradicional das pessoas varia muito. Portanto, os
argumentos como "quanto tempo dura" uma geração bíblica, provavelmente nunca
serão solucionados, porque é uma maneira geral e não um termo específico. Então,
quanto a resposta do que uma "geração" significa, na Bíblia, temos de dizer que
significa coisas diferentes em momentos diferentes e que transporta um significado
muito fluido e indeterminado.
O próximo ponto que gostaria de abordar é o tempo que Israel irá passar no
Egito. Estudos honestos revelam que não é fácil dizer 4 séculos e deixá-lo só nisso.
Aqui, em Gênesis 15, o tempo é designado por 4 gerações .... O que leva alguns a dizer
que, nos dias de Abraão, uma geração era um período de tempo de cerca de 100 anos.
No entanto, Êxodo 12:40 diz que o tempo no Egito foi de 430 anos. Além disso,
sabemos que houve um tempo, antes da morte de José, que Israel era um honrado
hóspede do Egito, e não sob subjugação. Mas, não há nenhuma informação sólida
sobre o tempo que decorreu entre a morte de José e o início da opressão de Israel.
De modo geral, a tradição Rabínica é que os 400 anos começam com o
nascimento de Isaque, e que o número de 430 anos começa a partir do dia em que
esta aliança com Abraão foi tornada oficial. A Bíblia nos diz que passaram-se 190 anos
desde o nascimento de Isaac até Jacó descer com sua pequena família para o Egito.
Portanto, se os rabinos estão certos, então Israel não esteve no Egito por 400 anos,
mas apenas 210 (190 + 210 = 400). Para explicar este problema, eles dizem que estar
em uma terra estrangeira INCUÍA algum do tempo gasto em Canaã ANTES de descer
para o Egito. E, se observarmos na Septuaginta (a tradução grega do AT), ou a versão
Samaritana da Torah, vamos descobrir que esses manuscritos afirmam
especificamente que o período de 430 anos incluía o tempo em Canaã.
Obviamente, temos um problema com a determinação com certeza da real
quantidade de tempo gasto por Israel no Egito, mas NÃO há desacordo em lembrar
que eles realmente foram para o Egito, estiveram lá um tempo MUITO longo, e foram
subjugados e oprimidos.
É por isso que eu falei no capítulo 14, acerca de revisão...edição. Os principais
problemas com o tempo ocorrem quando a Torah é traduzida para línguas
estrangeiras, o que é em si uma revisão. E, no entanto, também sabemos que, até a
invenção da imprensa, por volta de 1400 da EC, a cópia de todos os livros e, portanto,
Bíblias, era feita à mão. Então, sem dúvida, algum tipo de erro numérico foi
introduzido, quer através de inocente engano, ou...mais provável, na minha
opinião....alguma alma mal orientada que tentou conciliar o que lhe parecia fossem
conflitos cronológicos. E, uma vez que isto acontece, é difícil recuperar o original até
que uma versão anterior seja encontrada.
Vou lhes dizer de antemão que, devido a falta de alternativa, vou seguir com o
ensino de que Israel esteve 400 anos no Egito até que algo possa provar que isto é
incorreto.
Por último, o que essa declaração no final do versículo 16 significa? A que diz "e
eles devem voltar aqui na quarta geração, pois a iniqüidade dos amorreus ainda não
está completa". Em primeiro lugar, os amorreus se tornaram sinônimo do termo
cananeus. A cultura dos amorreus tornou-se a cultura dominante na terra de Canaã, e
assim o termo geral para as pessoas que viviam em Canaã tornou-se, por um tempo,
amorreus.
A parte sobre a iniqüidade dos amorreus não estar completa significa
simplesmente que o tempo da volta de Israel para tomar a terra de Canaã tem muito a
ver com quando os moradores de Canaã, finalmente tivessem cruzado algumas linhas
do mal que só Deus sabe...seus caminhos maus se tinham tornado demasiados... e
Yahweh estava, então, pronto para mandar Israel expulsá-los de suas terras como
sentença divina por sua maldade. Esta é uma dica interessante sobre como Yahweh
opera. De alguma forma intrincada, que está além do entendimento dos seres
humanos, Deus usa os atos dos ímpios para atingir Seus fins, inclusive para o máximo
benefício de seu povo. Além disso, isto também indica presciência absoluta de Deus de
todas as coisas. Ele SABE de antemão quando esta maldade dos amorreus atingirá o
ponto crítico, e, ao mesmo tempo, Ele sabe de antemão quando o Seu povo Israel
estará pronto para sair do Egito, e Ele sabe de antemão quando os Faraós do Egito
terão oprimido Sua gente demais, então Deus será justificado ao castigá-los. E, então,
todas essas coisas vão convergir em algum momento preciso em que a história do
Êxodo irá ocorrer e, em seguida, um pouco mais tarde Josué levará Israel a conquistar
a terra de Canaã e torná-la deles.

Figura 4- A terra prometida a Abraão


LEIA todo o capítulo 16 de Gênesis

Estamos agora num momento 10 anos após Abraão haver deixado seu pai e
irmão em Harã da Mesopotâmia, e empreendido uma jornada para o sul até a Terra
Prometida. Muita coisa aconteceu, naqueles 10 anos; Avram e sua família foram
obrigados a ficar por um tempo no Egito, porque a terra de Canaã começou a
experimentar uma terrível fome. Enquanto no Egito, a esposa de Avram, Sarai, foi
tomada pelo Faraó para fazer parte de seu harém, mas mais tarde ela foi devolvida
quando Faraó descobriu que Sarai era a mulher de Abraão, e NÃO apenas a sua irmã
como Abraão e Sarai tinha insinuado.
Abraão e sua família foram expulsos do Egito, e assim eles voltaram para
Canaã, muito ricos, e em seguida desfizeram a sociedade com seu sobrinho, Ló, e a
família de Ló quando os rebanhos de seus animais haviam crescido tanto que
ultrapassavam as pastagens que eles compartilhavam, e isto estava criando problemas
entre os pastores.
Ló mudou-se para Sodoma, perto do Mar Morto. E, algum tempo depois, vários
reis aliados vieram do norte com os seus exércitos para derrubar uma rebelião contra
impostos na região onde Ló morava. Ló e sua família foram seqüestrados no processo
e, como prisioneiros em seu caminho de volta para o norte para se tornarem escravos
permanentes destes reis da Mesopotâmia, eles foram resgatados por Abraão e 318
homens do clã de Abraão.
Após o seu retorno triunfal da libertação de Ló, Avram encontra o misterioso
Melquisedeque. Pouco tempo depois, Yahweh, usando as habituais cerimônias de
pacto do Oriente Médio, confirma o pacto com Abraão, prometendo a Abraão
proteção, riquezas, terras, e um herdeiro....por definição, um filho.
Mas a este ponto Sarai, a mulher estéril de Abraão AINDA era estéril, ela não
tinha tido filhos. Sarai tinha sua serva particular, uma egípcia chamada Hagar, e Sarai
estava decidida a resolver o problema de ter filhos usando Hagar como uma mãe de
aluguel. A tradição hebraica é que Hagar foi presente de Faraó quando Abraão fez sua
pequena excursão no Egito alguns anos antes, na verdade, ela supostamente era uma
princesa da própria família do Faraó. Em uma tradição completamente normal e usual
para a época, Sarai ofereceu Hagar a Abraão como uma substituta, ou seja, Hagar teria
de Abraão uma criança, mas tecnicamente,
pela tradição da época, a criança pertenceria
realmente a Abraão e Sarai.
Agora, observe que a escritura NÃO
diz que Abraão casou com Hagar, ela diz que
Sarai a deu a ele COMO, ou EM FORMA DE,
uma esposa. Em outras palavras, ela era uma
substituta, uma concubina. Ela era uma
ferramenta de fazer bebês. Mas, não há
casamento envolvido aqui, o que não é
apenas o ponto de vista hebraico antigo, isto
faz sentido dentro do contexto dos versos,
onde algumas traduções que a rotulam como
esposa de Abraão, não o fazem. Ela
PERMANECEU sendo uma serva de Sarai,
Figura 5- Sarai entrega sua serva Hagar a Abraão
como Abraão afirma no Vs.6, e no Vs.9 o Anjo do Senhor diz para ela voltar e
apresentar-se à sua senhora, Sarai. Se Hagar fosse realmente uma esposa, ela deixaria
de estar sob Sarai, ela poderia ter-se tornado uma igual, ainda mais, ela não
pertenceria de modo algum a Sarai, ela pertenceria a Abraão.
Embora a Bíblia não dê muitos detalhes sobre como todas estas coisas de
concubina/mulher/mãe-substituta funcionava, é evidente a partir de registros de
outras culturas do Oriente Médio do tempo de Abraão, que o que lemos nesta história
segue leis e tradições. Os Códigos da Lei de Ur-Nammu que datam de 2100 a.C. lidam
com esta questão de forma muito concreta, tal como a Lei de Hamurabi por volta de
1800 a.C. E, essas leis deixam claro que a mulher estéril, que toma essa séria decisão
de tornar a sua serva uma concubina para seu marido, coloca a mulher....Sarai, neste
caso...em uma posição social inferior aos olhos do povo. Legalmente nada muda...a
concubina NÃO ganha direitos extras, nem legalmente igualdade com ela, ou a
autoridade de suplantar a mulher estéril. E, tal como vemos nesta história, deve ter
acontecido regularmente que esta tradição de utilização de uma serva como uma mãe-
substituta tenha criado todos os tipos de problemas. Ouça esta lei diretamente da lei
código de Ur-Nammu "...se a serva, comparando-se a sua senhora, falar
insolentemente com ela..." Isto não soa exatamente como o que está acontecendo
aqui com Sarai e Hagar ? Permitam-me ainda salientar que era também habitual que a
serva de uma mulher PERTENCIA exclusivamente à mulher, ela era propriedade da
mulher, não do marido. O marido não era PROPRIETÁRIO da serva e, então, apenas
permitia que a mulher a usasse. Isto é importante para compreender a nossa história.
Porque quando a mulher, Sarai, disse: "Eu quero esta serva fora daqui", era isso
mesmo. Ela não precisava da aprovação do seu marido, para isto.
Foi a tentativa da agora grávida Hagar de se comportar como uma igual que
levou Sarai a literalmente mandar Hagar embora...algo perfeitamente dentro da
competência jurídica e social de Sarai decidir. Então, no versículo 6, quando Sarai vai
até Abraão, irritada como um vespão, e lhe diz que ela NÃO está satisfeita com esta
situação, a resposta de Abraão é..."Sua serva está em suas mãos, faça com ela como
você achar certo". Sarai não foi à procura de Abraão pedir permissão, nem ele naquele
momento deu Hagar a Sarai; Sarai só queria alfinetar; ela estava informando Abraão o
que ela estava prestes a fazer. Era seu direito e privilégio pessoal mandar Hagar
embora...com ou sem o consentimento de Avram
E mandar Hagar embora foi o que ela fez, até que o Anjo do Senhor encontrou
Hagar e disse-lhe para voltar para DEBAIXO DA AUTORIDADE DE SARAI. Os versos 11 e
12 dizem que a Hagar foi dito que ela teria um filho menino, e que o seu filho iria
produzir um enorme número de descendentes. E, Ishmael, que significa, "Deus presta
atenção", ou "Deus deu ouvidos", seria o nome da criança.
Então, Deus decreta o que o destino da criança deve ser. Evidentemente, isso
se refere não só à criança, mas também aos descendentes da criança. E, este destino é
que Ishmael, vai ser entre os homens como um jumento selvagem, que se voltará
contra todos, e que ele vai viver na presença de seus parentes. Embora Ismael seja o
patriarca de várias raças e linhagens, principalmente, ele é lembrado por gerar os
árabes. E, note aonde finalmente veio a ser a terra dos árabes, a Arábia: LESTE de
Israel.
É importante lembrarmos
hoje, em nosso tempo, que
Abraão é o verdadeiro pai de
ambos árabes e israelitas, ou,
como já comecei a gostar de
chamá-los, os Ismaelitas e os
israelitas. E, que ambos os povos
árabes E os israelitas descendem
da linha de Shem, o que significa
que eles são semitas. Mas,
mesmo assim, outra das divisões
de Deus irá realizar-se, e vamos
ver isto acontecer no próximo
capítulo. Vamos lembrar
também, que no nosso tempo,
aqueles que os âncoras da TV
Figura 6- Abraão é o verdadeiro pai de ambos árabes e israelitas
chamam de árabes realmente
raramente o são. A maioria
destes supostos árabes são realmente persas, egípcios, e outros a partir da linha de
Ham...totalmente diferente dos VERDADEIROS árabes que descendem a partir da linha
de Shem. O que os noticiários tendem a fazer é identificar todos os muçulmanos (o
que é uma religião), como árabes (o que é uma linhagem familiar), o que é
completamente incorreto.
Agora, antes de avançarmos, vamos ter um momento com esta expressão, "O
Anjo do Senhor" que vimos no versículo 11. Eu quase preferiria não fazer isso, mas sei
que muitos de vocês provavelmente estão ansiosos sobre este tópico. O fato é que,
Anjos, e principalmente "O Anjo do Senhor", é um conceito difícil e uma questão
teológica, pois há muitas pessoas razoáveis que discordam sobre o que isso significa.
Mas, o estudo do original hebraico contribui para acabar com toda a fantasia.
Em primeiro lugar, a palavra hebraica que muitos vão dizer que é a palavra
para Anjo é "Mal'ach". Mas, na verdade, anjo é um erro de tradução, o termo mal'ach
significa simplesmente mensageiro, e por si só, poderia ser qualquer tipo de
mensageiro ou agente, e na Bíblia, ele é freqüentemente usado dessa forma. É quando
o termo Adonai, ou Yahweh, é acrescentado à palavra...como em "Mal'ach Adonai" ou
"Mal'ach Yahweh", que os hebreus consideram que a palavra Mal'ach já não mais
significa mensageiro no sentido humano, mas sim Anjo no sentido espiritual. Em
outras palavras, ao associar o nome de Deus (Adonai) com a palavra mensageiro
(Mal'ach), obtemos anjo...um espírito, mensageiro de Deus.
Agora, em grego, a palavra para Anjo é Angelos, que, como no hebraico,
tecnicamente significa mensageiro. E, tal como em hebraico, angeloi pode significar
simplesmente qualquer espécie de mensageiro, não necessariamente um mensageiro
celeste. Mas, como acontece com as palavras ao longo dos séculos, o seu significado e
uso pode mudar. Com o advento do cristianismo gentio, angeloi, quando usado nas
Escrituras, chegou a significar, em cada caso, um "mensageiro de Deus"...um anjo. O
problema aqui é que há vários lugares onde as nossas bíblias em português dizem
anjo, e que provavelmente, dentro do contexto cultural, não significava realmente
Anjo, mas estava simplesmente referindo-se a
um agente ou mensageiro humano, mesmo que
o mensageiro fosse misterioso.
Então, a partir do ponto de vista
hebraico, se a palavra Mal'ach, mensageiro, é
utilizada por si só, é algo diferente de um
mensageiro celestial...normalmente é apenas
um homem. Adicione a palavra Adonai ou
Yahweh a ela, e este mensageiro se torna o que
chamamos de um anjo. O problema é, a
abordagem da tradução portuguesa habitual é
que os tradutores tomam a palavra Mal'ach
quando usada por si só e a transformam em
Figura 7- O anjo do Senhor
anjo e, em seguida, quando Adonai é
acrescentado torna-se um anjo do Senhor, o
qual foi tomado no sentido de algum tipo de anjo muito elevado ou especial.
O que estou lhes dizendo é que, como resultado de uma alegoria, hipérbole,
fantasia e simplesmente erro, escritores cristãos têm tomado todas as instâncias da
palavra Mal'ach nas Escrituras e transformado-as em um mensageiro celestial, um
anjo, o que em muitos casos, não é. Ainda mais, como resultado desta abordagem
errada, quando viram a expressão "Mal'ach Yahweh"...eles a traduziram para o Anjo
do Senhor, e assumiram que era algum tipo ESPECIAL de anjo, ou talvez mesmo um
outro tipo de manifestação do próprio Deus. Na verdade, em geral, a ÚNICA vez em
que a palavra "anjo" (significando um ser espiritual enviado de Deus) deve aparecer
em nossas Bíblias é QUANDO as palavras "anjo do Senhor" estão escritas. Na realidade,
anjos são apenas raramente mencionados nas Escrituras, é que as nossas tradições
têm multiplicado sua presença, ampliado a sua finalidade, a e humanizado a sua
forma. Portanto, a busca do ilusório Anjo do Senhor é brincadeira de criança.... É uma
falsa questão.
Digo-lhe isto, não tanto para dar uma boa explicação do que este Anjo do
Senhor é, mas sim para chamar a atenção de porque isso tem sido uma fonte de
discórdia e discussões acadêmicas. E, este não é um argumento novo. Voltando para
antes da época de Cristo, os fariseus tinham trabalhado para elaborar uma hierarquia
de anjos, pouco daquilo vem das Escrituras, e, por conseguinte, é principalmente
Tradição. Os saduceus, contemporâneos dos fariseus, nem sequer acreditavam na
existência de anjos. Os Essênios tinham sua própria compreensão dos anjos, muito
diferente dos fariseus, e a teologia dos Essênios tornou-se a base para o sistema de
angelologia cristão que temos hoje.
Em qualquer caso, não sabemos o que é exatamente o Anjo do Senhor. Era um
tipo especial de anjo? Era outra manifestação de Deus, como o Logos, ou como o
Espírito Santo? Era um anjo específico que Deus enviava para determinadas tarefas?
Era Deus assumindo a forma de um anjo? Provavelmente na maioria das vezes um
Mal'ach nem sequer é um anjo, exceto quando a palavra Adonai é ligada a ele, o que
significa que todos os verdadeiros anjos devem ser chamados Anjos do Senhor.
Uma coisa, porém, parece certa: o ser que falara a Hagar, se era uma forma
normal de anjo, ou se era um anjo mais especial, ou o próprio Deus, ERA um ser
espiritual e NÃO um mensageiro humano.