You are on page 1of 53

Cumprimento de sentença

- Pagamento de quantia

1. Procedimento
2. Multa
a. Natureza
b. Dispensa
c. Termo “a quo” do prazo para pagar
d. Arquivamento

CONTINUAÇÃO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

- Pagamento de quantia
1. Procedimento
O procedimento previsto pelo legislador é bastante simples, e aplicam-
se, subsidiariamente, aquelas regras da execução fundada em título
extrajudicial – art. 475-R/CPC.
Estudaremos, portanto, aquilo que for específico em relação ao
cumprimento de sentença.

O que o legislador disse objetivamente sobre o procedimento?


Proferida a sentença, seja ela transitada em julgado ou não, se esta for
proferida no processo civil, o cumprimento de sentença acontecerá de
forma sincrética.
O autor/credor, no mesmo processo, irá atravessar uma petição
simples requerendo o início da execução (execução se inicia por
requerimento da parte e não de ofício!). Nesta petição o credor deve
apresentar a sua memória de cálculos, se for o caso de liquidação por
cálculos, e deve também indicar os bens do devedor que deseja que sejam
penhorados.
Apresentada a petição simples, o legislador afirma que será realizada a
penhora, na forma requerida pelo credor, e da penhora será intimado o
devedor para que ele possa, querendo, oferecer impugnação.
Essa intimação do devedor para que ele apresente a impugnação,
poderá se dar através do advogado. Caso não haja advogado constituído
nos autos, ela se dará pessoalmente ao devedor, por oficial ou por AR.
Oferecida ou não a impugnação, o processo seguirá em frente para que
haja os atos de expropriação e satisfação.
O processo segue com as regras da execução fundada em título
extrajudicial.

Aí o processo procede regularmente com a aplicação subsidiária da


regulamentação relativa ao titulo extrajudicial.

*Sentença arbitral/penal/estrangeira
A execução se dará através de um processo autônomo.
Temos a sentença e o credor vai através de uma petição iniciar um
novo processo (de execução).
Nessa petição pode apresentar a memória e indicar bens a serem
penhorados (tem que atender aos requisitos de uma petição inicial).
Será realizada uma penhora, e, ao invés do devedor ser intimado para
impugnar, ele será citadopara impugnar.
Depois disso o processo continuará tramitando segundo as regras do
titulo extrajudicial.
Diferença do procedimento do título extrajudicial: O que há de
diferente é a fase postulatória e constritiva. A fase expropriatória e
satisfativa é igual.

2. Multa
Multa art. 475-J. Esse artigo diz que, caso o executado não pague a
obrigação no prazo de 15 dias, incidirá multa de 10% sobre a obrigação.
Essa multa é imposta pela lei. Como essa é uma multa legal, não
precisa ser pedido pelo autor na petição inicial. Por esse mesmo motivo o
juiz não precisa fazer constar essa multa na sentença, ela incidirá na
execução mesmo não constando na sentença.

2.1 Natureza da multa


- Coercitiva
Para alguns doutrinadores essa multa tem natureza coercitiva, foi
imposta pelo legislador para que o executado possa cumprir a obrigação
espontaneamente. Não é uma punição. Sabendo que existe uma multa, o
executado vai cumprir a obrigação para não arcar com a multa.
- Punitiva
Para outros doutrinadores, essa multa tem caráter punitivo. Ou seja, é
uma punição para o executado que não paga num prazo de 15 dias.
Essa distinção é importante para entender se a multa pode ou não ser
dispensada, e qual o termo inicial para que o executado pague.

2.2 Dispensa
- Se coercitiva
Se entendermos que a multa é coercitiva a intenção do legislador é
fazer com que não haja a execução. O executado vai se sentir pressionado a
cumprir a obrigação.
Antes não havia nenhum meio de coerção, atualmente tem-se, ele
sabe que se não cumprir incidirá essa multa!
Só faz sentido coagir se o executado tiver como pagar, se ele
demonstrar que não tem como pagar, essa multa não incidirá. Então,
quando o executado fosse insolvente, não estaria ele sujeito a multa,pois
que, por mais que exercesse essa pressão, ele não teria como pagar. O
mesmo se ele é solvente, mas o seu patrimônio está representando por
imóveis e não tem dinheiro em espécie para pagar aquela condenação. Ele
então tentará alienará os imóveis para converter em dinheiro fazendo o
pagamento da dívida. Essa corrente então concebe hipóteses de dispensa
da multa: quando o executado demonstra que é insolvente, ou sendo
solvente, demonstra que o seu patrimônio esta imobilizado, e, sabendo da
condenação, pratica atos para converter esse patrimônio em dinheiro.
- Se punitiva
Para a corrente que entende que a multa é punitiva, não há porque
deixar de incidir a multa. Ela é uma sanção pelo inadimplemento e incidirá
em qualquer hipótese, independente dele tentar pagar.
Tem prevalecido a corrente que diz que a multa é coercitiva.

2.3 Termo “a quo” do prazo para pagar


Momento inicial em que flui esse prazo para que o executado pague
sem essa multa.
Pela interpretação literal do CPC, tem se uma sentença, não precisa
intimar o executado, ele tem que pagar em 15 dias sob pena de incidir a
multa. Se não paga, a requerimento do credor, será expedido mandado de
penhora e depois o executado será intimado para poder impugnar.

Existe uma discussão se essa multa somente pode ser cobrada na


execução definitiva ou também na execução provisória.
O legislador silenciou nesse ponto.
- Cabe na execução provisória
De um lado, o STJ já proferiu decisão afirmando que é possível a
incidência da multa na execução provisória. O argumento é que, no
momento em que temos a execução provisória, essa somente é possível se
a sentença foi impugnada por recurso recebido apenas com efeito
devolutivo. A obrigação já se torna exigível, então começa o prazo para que
o executado seja compelido a pagar. De acordo com esse entendimento, em
2007, o STJ entendeu que a multa de 10% incide sobre a execução
provisória.
Ele entendeu também que a execução provisória somente é executada
sobre conta e risco do autor, o executado não tem como saber se a
execução provisória vai ser ou não iniciada (o autor pode aguardar o
transito em julgado ou pode iniciar a execução assumindo a
responsabilidade objetiva em reparar os danos causados ao executado).
Portanto, para o STJ, essa multa incidirá a partir da intimação para pagar.
Ex. O exequente atravessa petição simples e começa a execução
provisória. O executado é intimado, e aí sim teria o prazo de 15 dias para
que pudesse pagar voluntariamente. Feito o pagamento voluntariamente, já
teríamos a satisfação enquanto corre o recurso. Caso seja mantida a
sentença, o pagamento já estaria feito. Caso não fosse mantida, teríamos a
inversão da execução, o executado teria direito de reaver o valor. Ai o
exequente seria intimado para pagar sob pena de incidir a multa de 10%.
Caso ele não pague é que teremos a penhora, incidirá a multa, etc.
- Não Cabe na execução provisória
Para a outra corrente doutrinaria, essa multa de 10% não incide na
execução provisória. Se a execução é provisória, é porque houve
interposição de recurso pelo réu, e no recurso ele quer justamente a
modificação dessa decisão.
Esse ato de inconformismo é incongruente com o ato de pagamento.
Haveria preclusão lógica se ele paga, ele não poderia mais recorrer. Se ele
recorre e depois cumpre, o recurso perderia o seu objeto.
Se o executado recorreu da decisão que o condenou, e o exequente
começa a execução provisória, seria incongruente ele ser intimado a pagar
sob pena dessa multa já que ele ainda está discutindo. Se ele pagar ele
adotaria uma conduta oposta ao interesse de recorrer.
Poderia sim ser compelido a pagar, havendo penhora de bens, etc, mas
não poderia ter a incidência da multa já que a obrigação ainda não se
consolidou.
Se a execução provisória finda antes do recurso, já teria a satisfação do
credor antes de ser definida a obrigação.
Para essa corrente então, ele não pode ser pressionado a pagar
(incidência de multa) enquanto não houver o transito em julgado, até
porque ele está se insurgindo contra essa obrigação.

Fluência do prazo na execução definitiva.


O CPC não prevê uma intimação previa do executado para que haja a
incidência da multa. Bastaria ele ser condenado, incidindo a multa no prazo
de 15 dias, caso em que o credor poderia requer a penhora sobre os seus
bens.
A dúvida é o lapso entre a sentença e a petição inicial.
1ª Corrente. Diz que o termo a quo seria a partir do transito em
julgado. No momento em que a decisão transita em julgado começaria a
fluir o prazo para que o executado pagasse a divida sem incidência da
multa. Essa doutrina é minoritária. Não existe ato de intimação do transito
em julgado. O legislador não determina que o judiciário intime as partes do
transito em julgado. Para que o termo a quo fosse esse, teria que haver a
intimação das partes acerca do transito em julgado, sobre tudo porque o
transito em julgado pode ser na comarca de origem, ou até nos tribunais
superiores. O executado não teria como saber, portanto, quando ocorreu o
transito em julgado. Isso também porque, muitas vezes, a certificação do
transito em julgado ocorre após já ocorrido o transito em julgado.
2ª Corrente. Defende que após o transito em julgado a decisão,
independentemente de requerimento do credor, haveria uma intimação de
ofício realizada pelo judiciário.
Ex. Autos no STF, foram baixados ao juiz da 1ª instancia. O juiz então
intimará.
Essa não é a corrente majoritária. O legislador deixa claro que a
execução não começa de oficio, mas a requerimento do credor, então o juiz
não poderia agir de oficio. Mesmo porque existe o principio da
disponibilidade, o credor poderia querer dispor de uma parte dessa multa.
3ª Corrente. O credor iniciaria a atividade executiva através de uma
petição simples requerendo ao juiz que intime o executado a pagar sob
pena de incidência da multa de 10%. Par essa corrente o procedimento não
é aquele previsto pela lei. Haveria então uma petição simples, a intimação
do executado, e caso ele pagasse, estaria tudo resolvido, não haveria outro
ato a ser praticado. Essa doutrina conjuga o principio da disponibilidade com
o caráter coercitivo (tanto que não seria necessário praticar atos de
penhora, constrição, etc). Caso ele não pague em 15 dias o judiciário
intimaria ele para pagar sob pena de penhora.

Realizada a penhora, o executado é intimado na pessoa do seu


advogado, ou não tendo esse, pessoalmente para oferecer a impugnação.
Isso porque a impugnação é um ato processual.
O legislador não dispôs sobre a intimação para pagar (Seja ela de oficio
ou a requerimento do credor).
Já que o CPC não regula essa intimação, existem controvérsias se ela
deveria ser feita na pessoa do advogado ou do próprio devedor.
A corrente majoritária afirma que essa intimação para pagamento
deve ser feita na pessoa do devedor. Isso porque esse é um ato de direito
material, de satisfação da divida, e essa obrigação não é do advogado, mas
do próprio executado. Então, para haver plena segurança jurídica, seria
necessário intimar o executado, já que poderia haver falha de comunicação
com o advogado, ou até litígio com este. Ele não poderia então ser
sancionado com a multa sem que tivesse sido intimado pessoalmente. Os
atos de cumprimento de obrigação, todos, são feitos na pessoa do
executado. Veja que isso acontece na obrigação de fazer ou entregar coisa,
e aqui não deveria ser diferente.
O STJ em 2007 proferiu decisão dizendo que a intimação pode ser feita
na pessoa do advogado. A OAB promoveu uma ADIN para dar uma
interpretação conforme a CF. O pedido é que o STF declare que a única
interpretação possível seria a intimação pessoal do devedor, não sendo
possível a intimação para pagara através do advogado, até porque surgiria
uma obrigação do advogado não prevista em lei (se o advogado não
conseguisse se comunicar com o cliente, ele teria que pagar essa multa de
10%?!).

2.4 Arquivamento
Por fim, o art. 475- J, no seu último parágrafo, prevê o arquivamento
dos autos caso a execução não seja requerida num prazo de 6 meses do
transito em julgado.
Esse dispositivo é importante por que:
- Deixa claro que a execução começa a requerimento do credor. Se ele
não inicia, os autos são arquivados.
- Se os autos vão ser arquivados em 6 meses, é porque a incidência da
multa somente pode ocorrer depois que o credor requerer o início da
execução.
- Esse arquivamento é de natureza meramente administrativa, com
fins de organizar o órgão jurisdicional. Isso significa que o arquivamento não
implica em preclusão/prescrição/decadência. Somente quer dizer que, se os
autos estão parados, eles tem que ir para o arquivo provisória.
A prescrição para executar tem o mesmo prazo em relação a ação de
conhecimento.
Prescrição: no momento em que ajuíza a ação, o prazo para prescrição
volta do zero somente voltando a correr após o transito em julgado.
O STF e STJ têm súmula dizendo que o prazo para propor a execução
é o mesmo para propor a ação de conhecimento. Antes ficava claro já que o
procedimento era autônomo.
Esses 6 meses não serve para mensurar a prescrição.
Ele pode desarquivar para prosseguir a execução.
Se já estiver prescrito, e ele requerer o desarquivamento, como a
prescrição incide sobre a ação de execução e não ao direito de ação, o juiz
terá que desarquivar os autos e aí o executado, na hora de se defender,
alegará que aconteceu a prescrição para a execução.
Há quem diga que a prescrição somente pode ser conhecida de oficio
no procedimento de conhecimento. Até mesmo quem acredita que pode ser
na execução diz que o juiz tem que desarquivar para que possa decidir
sobre a prescrição.

Pode o credor dispensar a multa voluntariamente? Se entende que sim,


pela disponibilidade, como ele pode abrir mão de parte da execução, ele
também poderia abrir mão dessa multa. O juiz não tem essa
disponibilidade. O único que pode dispensar parte da multa ou a totalidade
desta é o credor.
15/06
Execução de Prestação Alimentícia
1. Natureza da Obrigação
2. Execução
2.1 Procedimento
2.2 “Desconto em Folha”
2.3 Liberação da Penhora
2.4 Prisão Civil
2.4.1 Natureza

EXECUÇÃO DE PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA

Tem em vista o pagamento de certa quantia.


No entanto, não foi reformada pelo CPC.
Para entender esse tipo de execução, temos que estudar o que são
alimentos e a natureza destes.

1. Natureza da Obrigação
Temos 3 formas de alimentos:
Provisionais, provisórios e “definitivos”.
Toda prestação com natureza de alimentos tem finalidade de propiciar
o sustento do alimentante. Esses alimentos não são alimentos
necessariamente in natura (pode ser alimentação, educação, vestuários –
bens da vida indispensáveis para a sobrevivência de qualquer pessoa).
Essa execução tem um procedimento especial, o legislador determinou
esse procedimento especial pelo fato da verba ser indispensável para a
sobrevivência.
Os alimentos em sentido estrito se diferenciam do em sentido lato.
Os alimentos, em sentido lato podem decorrer, por ex, de uma
indenização. Essa indenização pode ter como fato, a pessoa que faleceu que
sustentava a família, e, a família, não tendo mais como se sustentar, terá
uma indenização daquele que causou o acidente.
As verbas trabalhistas têm natureza alimentar, mas tem um
procedimento de execução próprio.
Aqui trataremos de execução alimentar que decorre de filiação ou da
relação entre cônjuges.

* Provisionais:
Estão previstos no livro II do CPC (livro das cautelares). Apesar de estar
nesse livro, tem natureza satisfativa.
Até 1994, o art. 273/CPC não previa a antecipação dos efeitos da
tutela. Então, numa ação de divorcio (alimentos), pelo rito ordinário, o autor
pleiteava divórcio e o pagamento de alimentos ao final.
Tendo em vista a natureza da verba, é possível que o alimentando, ou
autor, não tenha como sobreviver até o final do processo.
O legislador então criou essa ação cautelar.
O autor faz uma prova sumaria do seu direito de receber os alimentos.
Ex. Tem um laudo de DNA realizado extrajudicialmente.
Esse procedimento é mais célere. O réu é citado para em 5 dias se
manifestar, depois disso o juiz determina as provas e sentencia.
Antes, quando não existia a antecipação dos efeitos da tutela, era
necessário promover essa ação.
Esses alimentos são devidos no curso do processo principal. Por isso
está no livro das cautelares, serve para garantir a efetividade do
procedimento principal.
É satisfativa porque os alimentos têm uma característica que é a
irrepetibilidade. Uma vez recebidos os alimentos, ainda que de forma
injusta, não estará obrigado a devolvê-los. Tudo isso em razão da natureza
da verba.
É uma satisfação, portanto, provisória. São concedidos estes alimentos
enquanto durar o processo principal.
O juiz na sentença deverá decidir se há ou não o direito de receber os
alimentos.
Esses alimentos provisionais, no entanto, se tornaram obsoletos.
*Provisório:
Em 1994 o legislador sistematizou no processo civil a antecipação dos
efeitos da tutela. Assim, o autor ajuíza a ação de divorcio/investigação de
paternidade cumulada com alimentos, e faz a prova de verossimilhança no
inicio do processo. O juiz na ação principal concede a antecipação dos
efeitos da tutela. O réu terá que pagar os alimentos provisórios ao longo do
processo até que o juiz profira a sentença.
*Definitivos:
São aqueles concedidos na sentença do processo principal. Definitivos
“entre aspas” visto que, como é de trato sucessivo a obrigação, ocorrendo
fato superveniente (que impossibilite, por ex, o pagamento dos alimentos)
pode haver uma alteração daquela obrigação.
Os alimentos provisórios e definitivos podem ser concedidos em dois
ritos diferentes: ordinário e especial.
Na ação de rito especial, o autor faz prova da paternidade através da
certidão de nascimento na sua petição inicial. Veja, ele ajuíza a ação, não
precisa sequer de advogado para isso, e a esse pedido irá acostar a certidão
de nascimento. O juiz, se deparando com a prova da paternidade, fixa os
alimentos provisórios logo no inicio da ação e na sentença irá conceder em
caráter definitivo.
Se o autor não tiver prova, ele ira interpor uma ação ordinária,
provando ao longo do processo. É possível ainda, aqui, a antecipação dos
efeitos da tutela (por ex, ele pode juntar um laudo de DNA).
Sendo os alimentos provisórios, provisionais ou definitivos, estes
decorrerão de uma decisão judicial (lembrar que passível de modificação),
com essa natureza especial de subsistência.
O legislador então criou uma execução especifica.

Tratamos de titulo judicial proferido em processo civil: sentença ou


decisão interlocutória.
Pelo CPC, haveria o sincretismo, proferida a sentença/decisão
interlocutória, avançaríamos para o cumprimento de sentença.
A maior parte da doutrina acredita que esse procedimento não foi
atingido pela reforma. Após a sentença, inicia-se um novo processo, que é o
processo de execução de alimentos, prevista nos art. 732 a 735. Para eles
então seria necessário um procedimento autônomo.
O art. 732 diz que a execução de sentença que condena ao pagamento
de prestação alimentícia far-se-á de acordo com o capitulo 4(esse capitulo
trata de execução por titulo extrajudicial para pagamento de quantia, antes
da reforma, era para qualquer titulo, judicial ou extrajudicial). A doutrina
então diz que, por conta disso, é uma execução autônoma.
Isso leva a crer que somente existe execução quando o titulo é judicial.
No entanto a doutrina é pacifica, dizendo que será possível também no caso
de titulo extrajudicial.

2. Execução
2.1 Procedimento
Se entendendo que o regime é autônomo, começa com uma petição
inicial, e o juiz cita o executado para que em 3 dias possa:
- Começar a pagar. Efetuando o pagamento, já está adimplido a
obrigação. Se ele pagar, temos uma situação que estava inadimplente até
então, e se torna adimplente. Para isso tem que se atentar para os
alimentos vencidos e vincendos. Veja que o prazo prescricional é de 2 anos.
Com a execução poderá obter as verbas vencidas.
- Provar a impossibilidade de pagar. Existe um procedimento de
cognição que acontece incidentalmente. Provar que existe a impossibilidade
é diferente de provar que não existe a obrigação. A hipótese aqui é a que
existe a obrigação, mas não tem como pagar. Se a obrigação não existir,
terá que promover uma ação de Exoneração de Alimentos. A cognição aqui
então não é sobre qualquer coisa, mas apenas para demonstrar a
impossibilidade de pagar. A prova terá que ser feita por escrito (a prova
será, portanto, sempre documental).
Provada a impossibilidade ajustaremos o valor da obrigação.
- Prova que já está fazendo o pagamento. Se o executado prova
que vem pagando, ele continuará pagando, mas as prestações vencidas já
estarão satisfeitas. Se as verbas vencidas ultrapassarem o prazo de 2 anos,
elas serão extintas.

Todas essas medias são voltadas para os valores vincendos. No


entanto é necessário pagar ainda os alimentos vencidos.
O juiz vai citar o executado nesse mesmo processo para pagar as
verbas vencidas. Caso não pague, acontecerá a penhora em relação às
verbas vencidas.
Uma vez realizada a penhora, os bens que foram expropriados serão
penhorados, etc (mesmo procedimento para pagamento de quantia).

2.2 “Desconto em Folha”


Em relação aos alimentos vincendos, é possível que o juiz determine, se o
executado for empregado, o desconto em folha. O juiz oficia o empregador,
ou a administração publica, para que efetue o pagamento mediante
desconto em folha, depositando em uma conta judicial.

2.3 Liberação da Penhora


Nessa situação, o legislador permite que, se a penhora cair sobre
dinheiro, se for imposto embargos, mesmo que suspensivos, o exequente
poderá ir levantando gradativamente o valor (não é necessário aguardar o
julgamento dos embargos, nem transferir o dinheiro integralmente) para
satisfação do direito do alimentando.

2.4 Prisão Civil


A prisão civil é voltada para os alimentos vincendos.
A doutrina entende que a prisão tem que se dar mediante requerimento
expresso do exequente.
É uma forma de execução indireta. Por mais que ele fique preso por um
prazo de 3 meses, ainda assim continuará devendo.
O executado é citada para pagar os 3 meses, mas não para a prisão.
Terá cabimento quando foi descumprida a 3 parcela vincenda (somente
ocorre se o executado queda-se inerte).
Tão logo ele pague a divida, prove a impossibilidade em cumprir, ou
demonstre que já houve o pagamento, a prisão vai cessar.
Ex. Se a prestação de alimentos é de R$600, ele pode pagar R$200 e
dizer que não tem condições de pagar o resto.
É considerada a ultima ratio. O juiz vai determinar quando não houver
outra solução.
Ex. Havendo desconto em folha, a prisão não será decretada.

Havendo penhora em relação aos bens vencidos, e começar a haver a


liberação gradativa destes alimentos, não caberá prisão civil.
A prisão civil serve para os alimentos futuros.
Havendo a satisfação integral ou parcial dos vincendos, não será cabível
a prisão civil.
No caso das parcelas vencidas, o que ocorrerá é a penhora de bens para
satisfação.
Há quem defenda que não pagamento dos 3 últimos meses vencidos gera
a prisão, no entanto há julgados que dizem que somente é para as
prestações vincendas.

2.4.1 Natureza
Não tem natureza punitiva, visa exercer uma pressão sobre ele para
que ele pague os alimentos. Tanto é assim que somente será decretada a
sua prisão se quedar-se inerte (se não assumir nenhuma daquelas 3
condutas) e o juiz entender que não há motivo para não pagar.

As peculiaridades dessa modalidade de execução são, portanto, o


desconto em folha, a liberação da penhora e a prisão civil.

O meio de defesa do executado, para quem entende que não há o


procedimento sincrético, mesmo sendo sentença, serão os embargos.
O art. 732 §único diz que a interposição de “embargos” não impede
que o executado levante. Então, como não houve alteração desse
procedimento, se daria através de embargos.
A doutrina que acredita se tratar de procedimento sincrético diz que a
defesa se dará através de impugnação.
No entanto, em relação à matéria, sendo de titulo judicial, será da
impugnação, e, em sendo titulo extrajudicial, será de embargos.

O CC diz que as obrigações alimentares vão até avós (ascendentes e


descendentes. Irmão não. Filho para pai e neto para Avó, avó para neto.
16/06

Execução Contra a Fazenda Pública


1. Indisponibilidade de Bens
2. Procedimento
2.1 Precatório
2.2 Sequestro

EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA


Esse é o segundo modelo de execução que difere daquele modelo
geral.
No pólo passivo está o Estado, seja a Fazenda publica
federal/municipal/estadual.
A finalidade dessa execução é a obtenção de quantia que deve ser
paga pela Fazenda.
Tem um modelo diferenciado por conta da indisponibilidade dos bens
da Fazenda.

1. Indisponibilidade de Bens
Quando estudamos o outro modelo vimos que a execução se inicia, e
depois temos a penhora de bens do particular, já que os bens deste são
disponíveis. Depois disso teremos a expropriação, tendo a satisfação do
direito de crédito do exequente.
Esta lógica pressupõe a disponibilidade dos bens.
Não poderá então se aplicar a Fazenda, já que os seus bens não podem
ser alienados. Temos a premissa que é a indisponibilidade de bens, esses
bens, portanto, não poderão ser nem alienados nem penhorados, não
havendo que se falar em expropriação.
O legislador criou um procedimento que leva em conta a
indisponibilidade dos bens da Fazenda Pública.
Essa execução se desenvolve sobre uma outra perspectiva.

Art. 100/CF/88: a fazenda publica somente pode ser executada


mediante sentença judiciária transitada em julgada.
- então o primeiro requisito é uma sentença judicial que já tenha
transitado em julgado.
Não cabe execução provisória quanto a Fazenda Pública. Se a CF exige
a sentença, quer dizer que a execução será por titulo judicial, a rigor, pelo
CPC, seria ela então pelo procedimento sincrético (no momento do transito
em julgado começaria o procedimento de execução). No entanto aqui não é
assim. Temos um processo de conhecimento que chega ao final e depois
disso temos um processo de execução, o processo é autônomo (!), mesmo
se tratando de execução de sentença. A Fazenda Publica será citada.
Essa sentença tem que ter transitado em julgado, portanto, somente
cabe execução definitiva.
Sabemos que proferida sentença condenando a Fazenda em valor
superior a 60 salários mínimos, essa sentença se submete ao reexame
necessário (ela então não se submeterá ao transito em julgado antes de se
ter esse reexame). Mesmo pendendo recurso que não tenha efeito
suspensivo, não cabe execução contra a Fazenda Publica. Somente cabe a
execução definitiva, em razão do principio da segurança jurídica, e da
impessoalidade, que regem a Fazenda Publica.
Em que pese o art. 100 dizer que só cabe execução fundada em
sentença transitada em julgada, os tribunais, principalmente o STJ tem
entendido que cabe sobre titulo extrajudiciais.
Se o Estado pode emitir títulos extrajudiciais, não teria sentido que
este não tivesse eficácia executiva. A finalidade de criação destes títulos é o
exequente poder chegar na execução sem passar por um prévio
procedimento de conhecimento.
Esse procedimento então se aplica a execução contra a Fazenda
Publica fundada em titulo judicial ou extrajudicial. A diferença estará nos
embargos: titulo extrajudicial – a matéria é mais ampla que nos embargos.

2. Procedimento
Seja titulo judicial ou extrajudicial, se processará sempre pelo regime
autônomo.
A Fazenda Pública será citada. De acordo com o CPC, ela não é citada
para pagar, ou indicar bens a penhora, isso porque, tendo em vista o
principio da impessoalidade e igualdade, o administrador público não pode
escolher se vai pagar para um particular e para outro não, e, se existe essa
execução, é porque a administração acredita que não deve ocorrer aquele
pagamento. Em relação àadministração publica, somente pode agir quando
há determinação na lei, ainda que haja uma margem de discricionariedade,
ela somente pode agir nos limites da lei. Ele não paga porque quer pagar,
somente procede nos termos da lei. Ela não indica bens a penhora porque
seus bens são inalienáveis.
Ela é citada para defender-se, para embargar a execução, se não
feriria-se o principio da isonomia e da legalidade.

A citação, de acordo com o CPC, é para embargar no prazo de 10 dias,


art. 730/CPC. Contudo, por uma série de medidas provisórias que vêm
sendo renovadas, esse prazo é de 30 dias (no momento em que essa
medida for convertida em lei, continuará sendo de 30 dias, se ela não for
reeditada, nem convertida em lei, será de 10 dias).

A defesa do executado vai acontecer sempre através de embargos.


Não se fala em impugnação da Fazenda Pública. Mesmo se a execução for
por titulo judicial, a defesa é mediante embargos. Os embargos têm
natureza de ação.
Existe uma diferença, quando a execução é de titulo judicial, a matéria
esta regulada pelo art. 741/CPC, e a matéria é muito mais restrita do que
aquela execução fundada em titulo extrajudicial, art. 745/CPC.

Questão controvertida:
Os embargos atualmente não possuem efeito suspensivo como regra
geral. Daí surge a discussão: se os embargos não são recebidos com efeitos
suspensivo, por mais que a Fazenda Pública os propunha, o processo de
execução poderia prosseguir.
- Mas uma parte da doutrina, principalmente os procuradores, dizem
que os embargos devem ser recebidos com efeito suspensivo. Isso porque,
se falamos em embargos, e este tem natureza de ação, serão eles
resolvidos por sentença (art. 100/CF). No momento em que se diz que a
execução contra a Fazenda Pública somente pode se proceder contra
sentença transitada em julgado, quando há oposição de embargos temos
que suspender a execução já que esses embargos serão resolvidos por
sentença, somente podendo a execução voltar a fluir quando há o transito
em julgado da sentença.
- Não esta se executando a sentença que resolve os embargos, mas o
titulo que emanou do processo de conhecimento ou o titulo extrajudicial. Em
relação ao primeiro, realmente tem que ocorrer o transito em julgado para
ocorrer a execução. Imagine o quanto demoraria se tivesse que esperar o
transito em julgado da sentença de conhecimento e execução. Então, para
esta parte da doutrina, os embargos, via de regra, são recebidos sem efeito
suspensivo.

2.1 Precatório
Não opostos os embargos, ou tendo sido opostos e julgados
improcedentes, o próximo ato que se praticará é a expedição de um
precatório.
Precatório é a ordem de pagamento voltado contra a Fazenda Pública.
Tem em vista a preservação do principio da igualdade.
Existe uma ordem de precatórios. Existe uma dotação orçamentária.
Uma parte é reservada para o pagamento das dividas da Fazenda Pública
(representada através do precatório).
O juiz expede o precatório e encaminha para a presidência do tribunal,
o presidente do tribunal encaminha à Fazenda Pública competente para que
haja a inscrição deste crédito na ordem dos precatórios. Se este for inscrito
até junho de determinado ano, será pago no exercício financeiro seguinte.
Se inscrito no 2º semestre, deve ser pago no exercício financeiro posterior
ao subseqüente.
Como a Fazenda Pública não tem verba para pagar todas as suas
dividas, uma parte da doutrina diz que essa previsão do art. 100/CF acaba
ficando sem eficácia. Preserva-se a ordem de precatório, mas não se
obedece aocritério temporal.

*Precatório de alimentos
Além da ordem de precatórios, temos a ordem de precatórios de
alimentos.
Se a verba a ser executada é alimentar (ex. servidor publico entra com
a ação pedindo a diferença de alimentos, ou pleiteia que foi exonerado
indevidamente).
Existe uma ordem paralela a ordem dos precatórios comuns que é a
ordem dos precatórios de alimentos.
Essa ordem tem uma dotação orçamentária diferenciada. Não é que
vai se pagar todos os precatórios de alimentos para depois pagar os
comuns. Então, ao dotar o orçamento, se reserva X reais para alimentos e Y
para precatórios comuns.
O juiz de 1ª instancia expede o precatório, passa para o tribunal que
vai passar para a fazenda.
P. Alimentos 1
P. Alimentos 2
P. Alimentos 3
(...)

*Requisições de Pequeno Valor


Também tem uma dotação orçamentária própria. Serve para os
processos que tramitam no juizado, ou aquelas condenações que vão até 60
salários mínimos (podendo também, então, tramitar na justiça comum).
Também temos uma ordem.
Requisição 1
Requisição 2
Requisição 3
(...)

Na pratica, essas são pagas com mais rapidez que os precatórios de


alimentos e os comuns. Isso porque são de pequeno valor, e tem uma
dotação orçamentária própria.
Importante! É vedado a divisão dos precatórios em parcelas para que
se formem diversas requisições de pequeno valor! Ou a pessoa renuncia,
para poder se obter a uma requisição de pequeno valor, ou vai aguardar a
ordem de pagamento dos precatórios.

Obs. O direito pode ser transmitido por força da morte ou por atos
entre vivos. Se antes da expedição do precatório, temos uma sucessão
processual, se depois, teremos a alteração do titular.
É possível também a compensação, desde que a obrigação
possua a mesma natureza. Será requerido nos embargos.

Os honorários advocatícios sucumbênciais podem eventualmente cair


nas Requisições de Pequeno Valor. Então podemos ter uma expedição de
precatório para o exequente e para o advogado. Se a verba honorária for
inferior a 60 salários mínimos, teremos uma RPV para o advogado. O
entendimento do STJ e STF, atualmente, é que os honorários
sucumbênciais tem natureza de alimentos. Antes se considerava que
apenas os honorários contratuais tinham natureza de alimentos. Em relação
a verba sucumbêncial, era dito que não havia essa natureza. Do ano
passado para cá os tribunais tem entendido que as verbas sucumbênciais
também têm natureza alimentar. Se isso for mantido, esses honorários,
mesmo que a verba principal não tenha caráter alimentar, entrarão na fila
dos precatórios de alimentos.

- Se houver o pagamento integral do precatório, teremos a extinção do


processo de execução.
- Se houver o pagamento parcial, terá que pagar o resto no outro
exercício financeiro.
Ex. não houve dotação orçamentária para pagar naquele ano. Terá que
pagar então no subseqüente. Mesmo assim, não caí nas Requisições de
Pequeno Valor!
- Se o credor for preterido na ordem do precatório, o juiz, a
requerimento da parte, pode determinar o seqüestro de bens. Art. 731/CPC.
Ex. Pagou-se o precatório 3 antes do 2.

2.2 Sequestro
O juiz de 1ª instancia, após ouvir as partes e o MP (indispensável!),
determina um seqüestro de valores da Fazenda Pública. Essa negociação é
feita com mediação do tribunal. Teremos um ato de força, de invasão no
patrimônio da Fazenda Pública.

A CF diz que o juiz que retardar de maneira injustificada a expedição de


precatório responde por crime de irresponsabilidade, o mesmo se diga se o
presidente do tribunal retardar.

03/08

Defesa do Executado
1. Espécies
2. Embargos à execução
2.1 Natureza jurídica
2.2 Legitimidade
2.3 Competência
2.4 Intervenção de 3º
2.5 Tempestividade
2.6 Rejeição Liminar
2.7 Efeito Suspensivo
2.8 Procedimento

DEFESA DO EXECUTADO

Vimos até agora a atividade executiva do ponto de vista atividade


satisfativa.
A defesa do executado, nesta execução, tem um regime diferenciado
do regime da defesa do réu nas ações de conhecimento.

Toda vez que o legislador tipifica a defesa do executado, ele o faz em


capitulo apartado. Na ação de conhecimento autor e réu demonstram que
possuem o direito. Na execução não, o autor já demonstrou que existe o
direito, através da juntada do titulo, ou dos próprios autos no caso do
procedimento sincrético. A defesa do executado possui então características
próprias que a diferenciam da defesa do réu.

1. Espécies
Essa defesa do executado pode ser diferenciada segundo as seguintes
espécies:
* Típicas: expressamente criadas pelo legislador para servir de defesa
do executado.
- Embargos: para titulo extrajudicial, salvo quando hovuer
disposição de lei prevendo o contrario: ex. na execução contra a Fazenda
Publica, mesmo que o titulo seja judicial, utilizaremos os embargos; ex.Ação
de alimentos (alguns dizem que aqui também).
- Impugnação: titulo judicial, seja o regime sincrético ou
autônomo.
O legislador desde 2005 criou uma distinção, quanto a espécie de
defesa cabível, em razão do titulo que fundamenta a execução.

* Atípicas: são aquelas que, ou não estão previstas em lei, ou,


embora previstas em lei, não foram criadas com a função de servir como
defesa do executado.
- Exceção de pré-executividade: ela não está prevista no
ordenamento. Até 2005 a defesa típica do executado era somente os
embargos e estes sempre pressupunham previa garantia.
Existiam situações em que a execução começava, sendo ela fundada
em titulo judicial ou extrajudicial, o réu era citado e realizava-se a penhora.
Sem que houvesse a penhora o executado não tinha como se defender. Uma
parte da doutrina começou a afirmar que há matérias que podem ser
apreciadas de oficio pelo juiz e não precisam ser alegadas nos embargos. Já
que o juiz poderia analisar de oficio, poderiam estas serem alegadas em
petição simples, nos próprios autos das execução.
Ex. decadência.
Então, através dessa petição simples, que não esta prevista
expressamente como defesa do executado, se alegavam matérias de ordem
publica, e o juiz tinha que apreciar. A matéria era então alegada antes da
penhora. Até porque, assim, se evitava uma penhora indevida. A finalidade
da exceção de pré executividade era essa, permitir a defesa do executado
antes da penhora.
A defesa do executado não pressupõe mais a previa constrição, então
uma parte da doutrina vem afirmando que a exceção de pré executividade
não é mais aplicada ao nosso ordenamento.
- Defesa heterotópica– consiste numa outra ação. Existe no
ordenamento, mas não foi criada com o objetivo de defesa do executado.
Ex. ação rescisória. A finalidade do réu não é defender-se em relação à
execução, ele move essa ação com finalidade de desconstituir a coisa
julgada material, e, com isso, desconstituir o próprio titulo executivo.
Veja que essa ação foi criada com a finalidade de desconstituir a coisa
julgada material, no entanto, ela pode ser manejada para desconstituir a
execução.
Não há uma teoria geral sobre esse tipo de defesa, já que ela é
utilizada indiretamente na execução.
Se existe um traço comum entre esses tipos de defesa é que a mera
propositura de uma ação de conhecimento que ataque essa execução não
irá suspender a execução, nem impedir de propor (salvo se o juiz antecipar
os efeitos da tutela ou conceder um provimento cautelar). Presume-se que o
credor tem o direito.

2. Embargos à execução
Previstos a partir do art. 736/CPC.
Se aplica sempre à execução fundada em titulo extrajudicial.

2.1 Natureza jurídica


Possui natureza jurídica de ação de conhecimento e tem um processo
autônomo.
Temos os autos da execução, o executado é citado e tem o prazo de 15
dias para mover os embargos. A defesa se dá, portanto, em outros autos.
Na ação de conhecimento o réu é citado para, querendo, contestar. Como
não há presunção de que o autor está correto, o juiz cita para que o réu se
defenda.
Aqui o executado é citado para pagar, e não se defender. Presume-se que
existe o direito do autor que está representando no titulo.

A defesa do executado é de iniciativa do executado. Ele não é provocado


para se defender, mas para pagar. Se ele não promover os embargos o juiz
vai entender que o autor realmente tem razão.

Com a proposição dos embargos teremos a formação de uma nova


relação processual que não é necessariamente a mesma relação da
execução.
Todo processo necessita de relação processual e procedimento. O
procedimento dos embargos é próprio, até porque, sendo uma ação de
conhecimento, muitas vezes é necessário produzir provas, e, como vimos,
na execução não há espaço para a produção de provas, mas apenas atos
concretos que visam chegar à satisfação. Por conta disso o procedimento
aqui é próprio.

Os embargos visam atacar:


- Título
Ex. O executado alega que a assinatura do cheque é falsa. O cheque em
si será nulo, em que pese a obrigação possa existir no contrato.
Ex. É possível a prescrição do titulo sem a prescrição da obrigação. A
prescrição do cheque se dá num prazo de 6 meses. O titulo em si perdeu a
sua eficácia executiva, mas é possível que a obrigação continue existindo.
Teremos uma sentença de embargos que, sendo julgados procedentes,
tirará a eficácia executiva do titulo ou dirá que ele é nulo.
- Obrigação
Ex. Já houve o pagamento.
Ex. prescrição da obrigação.
Se os embargos forem julgados procedentes, afirmando que não existe
mais a obrigação, não tem como sequer se propor uma ação de
conhecimento.
- Atos processuais da execução
O executado pode atacar a execução em si.
Ex. Pode entender que a inicial é inepta, levando à extinção da execução.
Ex. penhora nula. Recaiu sobre um bem impenhorável.
Ex. Incompetência.
Quando o executado impugna os atos processuais, podemos ter duas
situações: ou o ato processual desconstituído será realizado novamente; ou
haverá a repropositura da ação.

Há quem afirme, por conta destes objetos, que a natureza dos embargos
é de ação declaratória. Outros afirmam que a natureza é constitutiva.
Outros afirmam que a depender da matéria será constitutiva/declaratória.

- Natureza declaratória: Somente dá segurança jurídica, mas não


altera nenhuma relação jurídica.
Ex. A contrata com B, surgindo um vinculo jurídico entre eles. Se B realiza
o pagamento, teremos a extinção da obrigação. Desaparece a relação
jurídica entre eles, não há mais a obrigação de pagar. Embora já haja o
pagamento, A entra com execução contra B, e B defende-se com embargos
dizendo que já houve o pagamento, e, como a obrigação já foi extinta, os
embargos teriam que ser extintos também. O juiz então reconhece que não
há mais obrigação entre as partes, e, portanto não há mais obrigação de
pagar quantia. Veja que o fato que extinguiu a relação jurídica ocorreu antes
dos embargos, os embargos somente comprovaram. A situação existente
antes e depois não foi alterada. Essa é uma hipótese em que os embargos
têm natureza declaratória.
- Natureza desconstitutiva negativa:
Ex. A contrata com B, e B, para fazer o pagamento da quantia, emite um
cheque. A partir deste momento temos um titulo que fundamentará a
execução. Pode ser que a obrigação exista, mas o titulo seja nulo, ou esteja
prescrito. Nessa situação, quando A executar B, este promoverá os
embargos dizendo que foi coagido a assinar o cheque. Se o juiz reconhecer
que houve a coação, ele dirá que a relação jurídica material ainda existe,
mas não está mais representada pelo titulo, que não tem validade. A
relação é alterada, não decorre mais do titulo e isso se deu em virtude dos
embargos, teria este, portanto, natureza desconstitutiva negativa.
- Natureza desconstitutiva/declaratória: A 3ª corrente (para o
professor parece ser a mais acertada) diz que, se os embargos querem
atacar o titulo/atos processuais, os embargos terão natureza
desconstitutiva. Quando os embargos atacam a obrigação, possuem
natureza declaratória.

2.2 Legitimidade
Há uma imprecisão na nomeclatura utilizada pelo legislador. O CPC fala
em “embargos do devedor”, na verdade são “embargos do executado” já
que nem sempre o executado é o devedor.
A legitimidade então é de qualquer dos executados, sendo ou não
devedor, qualquer pessoa que figure no pólo passivo da execução tem
legitimidade passiva.
O autor será o embargante e o réu o embargado.

Quando existir litisconsórcio entre os executados não haverá


necessariamente litisconsórcio entre os embargantes, já que é possível que
um se defenda e os outros não. O litisconsórcio poderá existir ou não.
Havendo litisconsórcio, o prazo para embargos conta-se da juntada do
mandado de cada um deles. Não se aplica a regra do processo de
conhecimento. Ou seja, independe se o outro executado foi citado ou não. A
lei deixa claro que não se aplicam o prazo em dobro mesmo que os
litisconsortes tenham advogados distintos.

Tem legitimidade ainda o cônjuge. Embora o cônjuge não seja parte na


execução.
Ex. cheque emitido pela esposa para obrigação em prol da família. A
responsabilidade do cônjuge é solidária. A penhora pode recair sobre o
patrimônio do outro cônjuge, apesar dele não ser parte na execução (não
ter legitimidade passiva), tem ele responsabilidade patrimonial.
O cônjuge não é parte da execução, mas, em que pese não seja
executado, o entendimento pacifico na doutrina é que o cônjuge tem
legitimidade para promover embargos quando a divida foi contraída em prol
da família.
Se a execução recair sobre o patrimônio do cônjuge, sendo que a
obrigação não foi contraída em prol da família, o cônjuge poderá se insurgir
contra a penhora, através dos embargos de 3º, já que ele não teria
responsabilidade patrimonial. Como ele não visa atacar o titulo ou a
execução (quer apenas atacar a penhora), ele se utilizará dos embargos de
3º.
Nas dividas contraídas em prol da família, alem do interesse em discutir a
penhora, o cônjuge pode querer provar que houve pagamento, etc,ele passa
então a ter legitimidade não somente para questionar a penhora, mas a
execução/título/obrigação, embora não seja executado.

A legitimidade passiva será de qualquer dos exequentes. Havendo


litisconsórcio ativo na execução, pode haver litisconsórcio passivo dos
executados. (Pode!)

Quando os cônjuges figuram em litisconsórcio passivo na execução, os


dois poderão embargar, daí o prazo será comum, da juntada do ultimo
mandado de citação deles.

2.3 Competência
A competência é funcional do juízo que processa a execução. Se os
embargos forem opostos em outra comarca, a competência não será
somente relativa, territorial, mas como é funcional, a competência será
absoluta (declinável de oficio).

Na execução por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecante


ou deprecado. A execução por carta é aquela em que os atos processuais
são feitos através de carta precatória.
Ex. Réu citado em feira. Pode oferecer os embargos em Feira ou em
Salvador.
Essa é a regra de representação que não é a regra de competência de
processamento. A competência será do juízo deprecante. O juízo de Feira
enviará os embargos para Salvador, salvo se os embargos versarem sobre:
- Vícios ou defeitos da penhora
- Atos de avaliação e alienação de bens
Isso se os embargos versarem exclusivamente sobre isso. Neste caso, a
competência será do juízo deprecado.
Se versar sobre outra coisa a competência será do juízo deprecante.
04.08
2.4 Intervenção de 3º
Quando falamos dos embargos, falamos de defesa do executado. Embora
seja ventilada através de uma ação autônoma, essa ação tem uma
finalidade especifica que é impedir que a execução chegue à satisfação.
Essa é a diferença entre os embargos e por ex, as ações heterotópicas. A
finalidade dos embargos é impedir a satisfação da execução, funciona
sempre como defesa do executado.
Isso interfere na modalidade de embargos de terceiro.
O pedido do embargante é de que os embargos sejam julgados
procedentes para que a execução não tenha êxito (seja extinta ou prossiga
em valor inferior). Temos um objeto especifico. Por isso a doutrina diz que
não cabe nenhuma forma de intervenção de 3º, salvo a assistência.
Já na execução não cabe nenhuma intervenção e quanto à assistência há
divergência.

*Assistência
Pode haver um assistente que auxilia o embargante/embargado.
Ex. Quando o credor entra com a execução, o devedor pode embargar e
também o fiador. Mas é possível que apenas um deles embargue, o outro
perdendo o prazo para os embargos. O fiador tem interesse nesse litígio já
que, se o juiz reconhecer que o titulo é nulo, ou que o contrato é nulo,
desaparecerá a obrigação para o devedor e também para o fiador. Por isso
o fiador pode atuar como assistente.
Da mesma forma, o devedor também pode atuar como assistente do
fiador.

A assistência é simples ou litisconsorcial? Art. 50 e 54/CPC.


Ex.Contrato de locação entre locador e locatário e uma sublocação. Se
houver uma ação entre locador e locatário, o sub-locatário poderia intervir
para auxiliar o locatário. Esse interesse é indireto: o assistente possui
relação com o assistido, mas não com a outra parte, é, portanto, uma
assistência simples. Aqui, o assistente será subordinado ao assistido.
Na assistência litisconsorcial, o assistente tem relação também com a
outra parte. A relação do assistente será interferida. O assistente
litisconsorcial é autônomo.
Nos embargos o fiador atuará como assistente litisconsorcial. Havendo a
desistência do assistido ele poderá continuar.

Podemos ter dois credores solidários contra um único devedor. Pode ser
que o devedor embargue somente em relação a um credor. O credor poderá
ingressar como assistente do credor embargado.

*Outras formas de assistência


Porque não cabe as outras formas de assistência?
- Oposição: 3º ingressa para postular direito sobre o qual litigam autor e
réu, como os embargos é para obstar a execução, não há interesse, não há
bem da vida para ele postular para si.

- Nomeação: não poderia ocorrer, esta ocorre no caso de teoria da


aparência, e aqui o embargante que figurará é um dos exeqüentes, então
não há como incorrer nesse equivoco.

- Denunciação e chamamento: Na vigência do CPC/39 chegou a se pensar


que seria possível essas modalidades de intervenção.
Nesses casos temos a lide de regresso. Seria possível trazer 3º para
funcionar como litisconsorte respondendo regressivamente? No âmbito do
direito material poderia ser possível – um dos devedores solidários sendo
compelido a pagar.
Nesse caso o vinculo de garantia é entre o denunciante e o denunciado e
entre o denunciado e o autor não haveria relação.
O embargante poderia querer embargar e dizer que, na eventualidade
dele perder, ele quer que a seguradora pague. Nos embargos, sendo uma
ação de conhecimento, a priori, poderia caber a denunciação. O mesmo se
diga no caso de haver um devedor solidário.
Ambas representam um direito de regresso – denunciação e
chamamento.

Se fosse uma defesa heterotópica caberia, mas, sendo embargos à


execução, como este tem finalidade de impedir a execução, não seria
possível. Por mais que seja uma ação de conhecimento, há um fim.
Julgando improcedentes os embargos, o juiz não está afirmando nenhum
direito novo. Não há uma discussão sobre a existência ou não do direito já
que ele já foi certificado, mas sim a sua confirmação ou não. Os embargos
poderão desconstituir o direito, ou declarar que ele existe, mas a
improcedência não constitui um direito, o devedor já está obrigado por força
do titulo. Não vai declarar então se existe o direito de regresso. O devedor
vai ter que pagar sozinho e depois, se ele quiser, ele vai entrar com uma
ação de regresso.
Não se admite, portanto, por conta da finalidade dos embargos.

2.5 Tempestividade
*Mandado Judicial
Os embargos são opostos num prazo de 15 dias da juntada do mandado
de citação de executado.
Mesmo havendo litisconsórcio passivo o prazo será o mesmo.
Também, havendo procuradores distintos, o prazo não será em dobro.
No caso de cônjuges o prazo é comum, somente após citado o 2º cônjuge
começa o prazo para que ambos os cônjuges possam embargar (exceção).

Essa é a citação feita por mandado, é possível, no entanto, pensar na


citação feita por carta precatória e por edital.
Veremos a seguir as outras modalidade.

*Carta precatória
Na citação feita por precatória, será expedida carta precatória e o juiz
deprecado vai realizar a citação.
No processo de conhecimento, expedida a precatória, e cumprida, junta-
se o mandado de citação aos autos e devolve-se a precatória ao juízo
deprecante.
A regra aqui na execução é diferente. O juízo deprecado cumpre a
precatória, e, em seguida, informa ao deprecante que o réu foi citado. Essa
informação pode ser através de meio eletrônico ou qualquer meio. O prazo
para que o executado mova os embargos não será contado da juntada do
mandado à carta precatória, nem da juntada desta aos autos, mas da
informação do juízo deprecado ao deprecante do cumprimento da citação.

*Edital
Quando localiza os bens do executado, mas não localiza o executado. Art.
653 e 654/CPC permite que o oficial de justiça faça o arresto. Feito o arresto,
e não localizado o executado, faz-se a citação por edital.
O edital tem um prazo. O prazo para pagar começaria a contar depois de
findo o prazo do edital. Findo o prazo do edital, o prazo será de 3 dias para
pagar ou 15 dias para oferecer os embargos.

2.6 Rejeição Liminar


O art. 739/CPC regula a hipótese de rejeição liminar dos embargos. Em
algumas situações previstas pela lei os embargos devem ser rejeitados
liminarmente.
Então, nestes casos, ao ser atravessada a petição inicial dos embargos, o
juiz não dará prosseguimento aos embargos.

Hipóteses (Art. 739/CPC):


* 1 - Quando forem Intempestivos:
Ao se verificar que os embargos foram interpostos depois do prazo, serão
estes rejeitados liminarmente.
Parte da jurisprudência diz que isso implicaria na extinção dos embargos
sem resolução do mérito. Mas veja, quando falamos nesse prazo para
embargar, boa parte da doutrina diz que esse prazo é preclusivo. Mas outra
parte da doutrina questiona que a preclusão é um efeito endoprocessual (se
perde o direito de praticar o ato naquele(!) processo), mas se esse processo
for extinto sem resolução do mérito, interpondo outro processo, ele será
citado e poderá contestar.
Se temos dois processos, um de execução, e há um prazo p/ embargar de
15 dias, não poderia extinguir sem resolução do mérito, não poderia ser
preclusivo já o prazo serve para interpor outro processo (embargos).
O sujeito poderia promover ação antes da execução, ou até no curso
desta. Esse prazo de 15 dias é na verdade para demonstrar o cabimento da
ação de embargos (o embargo tem um procedimento próprio, é mais rápido,
tem um rito mais abreviado).
Essa parte da doutrina diz então que o prazo não é para permitir que o
devedor mova uma ação, mas que ele possa se valer do rito dos embargos.
Se o executado não move os embargos em 15 dias, ele continuaria com o
direito de mover outra ação, a qualquer momento (mas não com o nome de
embargos).
Parte da doutrina diz então que a intempestividade não é hipótese de
rejeição liminar, de extinção sem analise do mérito. A hipótese seria de o
juiz intimar o embargante para adequar a ação ao rito. Então não seria uma
hipótese de preclusão. Feita a conversão do rito, a ação será processada no
rito ordinário.

Obs. Nesse rito ordinário poderá se ter a antecipação dos efeitos da


tutela, desde que presentes os requisitos. Quando existe uma execução
pendente, e o devedor promove uma ação anulatória, ele tem que prestar
uma caução para ter a antecipação da tutela (salvo se já houve penhora).

* 2 - Quando inepta a petição inicial:


Os embargos, como uma ação, tem que iniciar com uma petição inicial,
respeitando todos os seus requisitos.
Tem que respeitar também o requisito de trazer cópias das peças que
instruem a execução.

Nas duas hipóteses anteriores, podemos ter a extinção dos embargos


sem resolução do mérito. Na hipótese seguinte não é assim.

* 3 - Quando manifestadamente protelatórios:


A doutrina diz que nessa situação os embargos são extintos com
resolução do mérito.
O CPC diz que, neste caso, o juiz pode, havendo intenção
manifestadamente protelatória, fixar multa em até 20% do valor da causa.
Isso porque se trata de um abuso de direito, de uma tentativa de prejudicar
a execução.

É uma situação em que o juiz está analisando o conteúdo dos embargos.


Reconhecendo que são protelatórios, ele reconhece que o embargante não
tem razão. Julga então improcedente (mérito).

É essa uma rejeição liminar, já que ocorre no inicio do processo, e que


implica na aplicação da multa de 20% e da extinção do processo com
resolução do mérito.

Uma parte da doutrina diz que é uma das hipóteses de julgamento prima
facie (são 3 hipóteses: prescrição e decadência da ação de conhecimento;
causas repetitivas; e essa situação). Examina o teor dos embargos e vê que
são manifestadamente protelatórios, não precisaria então sequer citar o
embargado.

Para serem considerados protelatórios, não é necessário que o juiz tenha


atribuído aos embargos efeito suspensivo (até porque o efeito suspensivo
somente é atribuído quando os embargos são admitidos), mas que aquele
que interpôs os embargos não tenha nenhum substrato que leve à
procedência dos embargos.

Se houver qualquer dúvida sobre serem os embargos protelatórios o juiz


tem que admitir estes por conta do direito de ação.
10.03
2.7 Efeito Suspensivo art. 739-A/CPC
Consiste na eficácia de sobrestar o processo de execução.
Temos então dois processos autônomos: a execução por titulo judicial e o
processo incidental proposto no curso da execução, que são os embargos.
Até a lei X os embargos somente poderiam ser propostos quando
houvesse a penhora. Os embargos sempre tinham o efeito suspensivo.
Dizia-se então que o efeito suspensivo era ope legis, decorria da autorização
do legislador. Não havia discricionariedade do juiz sobre a concessão ou não
do efeito suspensivo.
Chegou-se a cogitar na época a possibilidade do juiz antecipar os efeitos
da execução. A tutela que ele obteria no final do processo, ele poderia obter
no começo. Isso poderia acontecer no processo de conhecimento, mas não
teria cabimento no processo de execução. Como o legislador previu o efeito
suspensivo ope legis, alguns doutrinadores naquela época começaram a
conceber a antecipação dos efeitos da tutela executiva, para poder proceder
a execução mesmo com os embargos. Depois da penhora teríamos a
expropriação de bens. Então, quando o autor requeria a antecipação e o juiz
entendia que havia verossimilhança e risco, ele podia antecipar os efeitos.
Essa corrente não foi majoritária, e atualmente não tem mais aplicação
como regra geral, já que os embargos não possuem mais efeito suspensivo
como regra geral. Propostos os embargos, a execução continua tramitando.
Essa corrente tem importância em algumas execuções especificas. Ex.
execução fiscal. Esta é regulada por lei própria. Os embargos aqui ainda tem
efeitos suspensivo. É possível antecipar os efeitos da tutela.
No entanto, para o regime geral da execução, a suspensão do processo
passou a ser ope iudicis, o juiz tem que examinar se existem requisitos,
podendo conceder o efeito suspensivo.

A penhora, que anteriormente era requisito para a propositura dos


embargos, não é mais. O executado, uma vez citado, e, juntado esse
mandado aos autos, tem 15 dias para propor os embargos. A propositura
destes embargos não suspende a execução. Se o autor da execução juntou
o titulo, demonstrou que ele possui o direito. De outro lado, as alegações do
executado não conseguem por si só desconstituir essa presunção, de forma
a suspender a execução. Para que haja a suspensão, o juiz tem que
examinar, no caso concreto, o preenchimento de certos requisitos, quais
sejam:
- Requerimento do executado;
- Exista fundamento relevante (o executado tem que demonstrar
na petição inicial dos seus embargos que o bem da vida que está em
jogo tem uma importância jurídica, que é mais importante que o direito
do credor);
- Penhora (a penhora deixou de ser requisito para a propositura
dos embargos e passou a ser requisito para a concessão da
suspensão);
- Risco de dano de difícil ou incerta reparação;

A penhora e o risco de danos estão intimamente ligados. O dano que


pode advir para o executado é a alienação do bem penhorado. Toda
execução provoca danos ao executado, resta saber se este é licito ou não.
Não pode haver o risco de dano sem a prévia penhora. Enquanto não há
penhora não há riscos de alienação, não há como se praticar atos
expropriatórios. O risco de dano tem que ser analisado com o fundamento
relevante.
Ex. alegação de que a penhora recaiu sobre um bem de família. Se
terceiro adquirir esse bem de boa fé, não teria como restituir o bem.
Veja então que disso pode advir um dano que é irreversível para o
executado.

O juiz não tem discricionariedade. Ele pode entender que não existem os
requisitos e contra essa sentença interlocutória caberá agravo (de
Instrumento, devolve automaticamente para o tribunal está matéria, já que
há risco). No entanto, havendo os requisitos o juiz tem o dever de suspender
a execução.

Se os embargos forem oferecidos antes da penhora, preenchido os


demais requisitos, pode o juiz, a posteriori, quando houver penhora,
conceder efeito suspensivo? Nós sabemos que a penhora é um ato
complexo (indicação, manifestação, avaliação e se perecer o bem tem a
substituição). Uma vez realizada a penhora superveniente, o juiz verificando
que estão preenchidos os outros requisitos, ele pode conceder o efeito
suspensivo superveniente. O efeito suspensivo pode ser concedido ao longo
dos embargos, e não somente no começo deste. É possível a concessão
durante todo o processamento na 1ª instancia. Também, após concedido, o
juiz pode tirar essa suspensão (ex. tinha caído sobre bem de família e
depois indica-se um novo bem a penhora).
Realizada a penhora, como poderia atacar? Em termos de efeito
suspensivo, acontecida a penhora, pode logo requerer a suspensão. O juiz
pode conceder. O juiz pode depois também tirar os efeitos dessa suspensão.

Quando temos os efeitos suspensivos, pode se praticar atos de avaliação,


etc, o que não se pode é avançar a fase da penhora.

Esses 4 requisitos tem que ser analisados pelo juiz.

Em relação a natureza jurídica dessa suspensão:


- Parte da doutrina entende que esta possui efeito cautelar. A tutela
cautelar visa proteger a eficácia da prestação jurisdicional. A prestação
jurisdicional dos embargos pode ficar comprometida se a execução for
levada a diante. Não adianta nada o juiz processar os embargos se este
restar ineficaz em face da alienação do bem. Por mais que o juiz sentencie
no futuro, a sentença dos embargos não será eficaz caso o bem de família
do executado já tenha sido alienado.
- Para outra parte não tem efeito cautelar. Na realidade existe aqui duas
prestações jurisdicionais: a executiva e a dos embargos. Quando falamos
em tutela cautelar, se sabe que ela pode ser concedida de oficio, já que está
em jogo não é o interesse do autor/réu, mas da prestação eficaz. O que está
em risco é o labor jurisdicional. O juiz sabe que se não for concedida a
cautelar o seu trabalho ficará comprometido. Essa tutela não entrega o bem
para o autor, mas para 3º depositário, não visa satisfazer o direito do
credor, mas garantir a prestação jurisdicional. A ineficácia dessa sentença
pode provocar a ineficácia da execução.
Havendo a suspensão, o direito do credor pode ser prejudicado, pode
sofrer um risco de dano. Não havendo a suspensão, o direito do devedor
estará prejudicado. Veja então que o risco é para autor e réu. Por isso essa
doutrina diz que pretende defender o interesse da parte. Tanto é assim que
tem que haver requerimento da parte, não tem então efeito cautelar.

Duvida aluno: aqueles que afirmam que os embargos não tem efeito
coercitivo, dizem que ele tem natureza de que?
Os embargos embora tenham natureza de ação, funcionam como
defesa do executado. Não cabe intervenção de terceiros, já que é voltada
para a defesa.
A conseqüência da procedência dos embargos é extinguir a execução
ou conseguir que se processe com um valor menor.
Então, quem defende que não tem natureza cautelar, afirma que a
natureza é satisfativa de antecipação dos efeitos da tutela.

O efeito suspensivo tem limites objetivos e subjetivos:


Subjetivos: somente atinge o executado que embargou a execução,
salvo se o fundamento relevante e a penhora forem comuns a todos os
executados. Se forem todos eles donos de um bem de família, a alienação
irá prejudicar todos eles, irá aproveitar a todos então.
Objetivos: se restringe ao bem penhorado e cuja alienação provoca o
risco de dano. É possível que a penhora recaia sobre uma pluralidade de
bens. O juiz determina a suspensão em parte da execução.

Por conta desse efeito suspensivo pode-se ter a mudança do regime da


execução. Se concedido o efeito suspensivo, e o juiz julgar ao final os
embargos improcedentes, tendo uma apelação contra essa sentença, a
execução definitiva se converte em execução provisória. A concessão de
efeito suspensivo é um dos requisitos da conversão da execução definitiva
para provisória, quando o titula é extrajudicial.

Se o juiz concede efeito suspensivo e depois retira, acontece ou não a


conversão da execução definitiva em provisória?
- Havendo risco de dano, se a execução prosseguir adiante é
necessário que o credor preste uma caução para poder indenizá-lo. Para
essa corrente, o que provoca a conversão é a existência do risco de dano.
Desaparecendo esse requisito, a execução volta a tramitar. e não teria
porque converter a execução definitiva em provisória. Se foi tirado o
efeito suspensivo é porque não há mais o risco de dano.
- Para conceder o efeito suspensivo tem que ter requerimento, mas
para retirar não é necessário, o juiz poderia fazer de oficio. Então,
imagine que nos embargos o juiz profere uma decisão interlocutória
retirando o efeito suspensivo, e logo depois tivesse uma sentença. O juiz
atuaria de forma discricionária, driblando a determinação do legislador de
que se deve converter a execução definitiva em provisória. Para essa 2ª
corrente doutrinaria, ainda neste caso a apelação faria com que a
execução fosse convertida em provisória.

2.8. Conteúdo
Art. 745/CPC
Os embargos podem atacar: o titulo, a obrigação ou os atos processuais
da execução.
O art. 745/CPC traz as hipóteses :
I - nulidade da execução, por não ser executivo o título
apresentado;
Essa hipótese trata da execução (o documento não pode ensejar o juiz a
praticar atos executivos).
Ex. no caso de prescrição do cheque, o que está se atacando é o
procedimento, o cheque ainda é um titulo, mas não tem a eficácia
executiva, poderá ser utilizado num procedimento de conhecimento como
prova. Diferente é quando se diz que foi coagido a assinar o cheque, neste
ultimo caso, alega-se que o título é nulo, esse documento não poderá ser
utilizado sequer como prova.
II – penhora incorreta ou avaliação errônea;
Se ataca também os atos processuais: penhora e avaliação mais
especificamente.
A penhora é nula, por ex, quando recai sobre bem de família, quando
recai sobre bem distinto do indicado. Em relação a avaliação, será nula
quando estima valor de bem a maior ou a menor.
Provoca a nulidade destes atos processuais.

Aqui temos a regra do aditamento.


Se a penhora é nula, se já havia a penhora, pode pedir efeito suspensivo
e atacar a própria penhora. Imagineque o juiz julgue procedente estes
embargos dizendo que a penhora é nula. A penhora será considerada nula,
não terá como expropriar e se realizará outra penhora. Realizada a outra
penhora, ela pode ser nula. O executado pode embargar novamente, mas
neste caso os embargos versariam somente sobre a penhora. Mesmo antes
da reforma já se admitia vários embargos, mas o momento para atacar o
titulo se dará somente nos 1os embargos. Nos embargos subseqüentes
somente se pode alegar a nulidade da penhora ou da avaliação.
Com o novo sistema surge o problema da penhora superveniente. Citado
o executado, ele promove os embargos. Realizada a penhora, como o
executado se defende em relação à nulidade desta penhora?
- Fredie defende o aditamento dos embargos em qualquer fase.
Realizada a penhora,o executado estaria autorizado a aditar os
embargos.
- Roberto Teodoro Junior diz que deveria ser alegada através de
petição simples na própria execução. Essa corrente não admite o
aditamento aos embargos.
- Adonias, Alexandre Câmara. É possível o aditamento até o
momento em que o embargado é citado para se defender os
embargos. A partir daí caberia novos embargos. Os embargos
temnatureza de processo de conhecimento. Sendo assim, é possível
que a nulidade da penhora precise de prova. Em alguns casos é
necessário que se produza provas na audiência para se verificar a
nulidade da penhora. Mas já vimos que a execução não é voltada para
a cognição. Então o juiz não tem como fazer essa dilação probatória na
execução. A prova na execução é feita no título. A doutrina diz para o
juiz não receber a exceção de pré executividade, e o executado terá
que oferecer embargos. Não deve ser feita através de petição simples,
mas sempre através de embargos. E quanto ao aditamento? Como os
embargos são um processo de conhecimento, o legislador não o
regulou comexaustão, no mais se aplica o art. 598/CPC. O art. 294/CPC
só permite o aditamento no processo de conhecimento até a citação.
Feita a citação o autor não pode mais aditar o pedido. Isso para que se
possa organizar o processo.
Ex. embargante diz que o titulo é nulo porque foi coagido a assinar o
cheque. Terá que se ouvir testemunhas em audiência. Se após isso,
quase no final do processo, houvesse a penhora, e o embargante
alegasse a nulidade da penhora, requerendo a produção de prova, isso
retardaria o andamento do processo. Teria que citar novamente o
exequente para contestar um novo pedido de nulidade da penhora,
produzindo prova novamente para depois julgar os embargos. Por isso
o aditamento somente poderia ser feito até a citação dos embargos.
Caso já houvesse a citação, teria que haver a proposição de novos
embargos.

Não é nenhuma novidade ter 2os embargos. Isso já era possível no


sistema antigo, quando havia a nulidade da penhora, tinha que ser realizada
nova penhora, podendo haver novos embargos exclusivamente versando
sobre a penhora.
Os novos embargos só podem versar sobre a nulidade da penhora.

O valor da causa desta nova penhora será o valor do bem penhorado.


Quando ataca o titulo o valor da causa dos embargos equivale ao valor da
execução.

III - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;


O excesso de execução está definido no art. 743/CPC. Este ocorre
quando:
*I - quando o credor pleiteia quantia superior à do título;
Art. 739-A, §5º diz que quando os embargos forem fundados em excesso
de execução, o embargante tem que tornar uma parte incontroversa, sob
pena dos embargos não serem apreciados. Isso é importante já que, em
relação a parte incontroversa a execução irá prosseguir.
Caso ele não faça isso, os embargos não serão recebidos, ou aquela
alegação não será apreciada (caso os embargos não versem somente sobre
isso). Tem que se analisar se os outros argumentos são prejudiciais à estes
(ex. titulo nulo, titulo não tem eficácia executiva).
Somente suspende em relação à matéria controvertida, caso não haja
outras questões prejudiciais.
*II - quando recai sobre coisa diversa daquela declarada no título;
Para parte da doutrina diz que essa hipótese é aplicada somente
quando a execução versa sobre entrega de bem.
Ex. há constrição sobre um bem, e a penhora recai sobre outro.
Se a execução for de pagar quantia, teremos uma nulidade da
penhora.
*III - quando se processa de modo diferente do que foi determinado na
sentença;
O legislador está tratando de execução de titulo judicial, sentença. A
sentença era de entregar e ele entrou com o procedimento de pagar
quantia. O credor utilizou o procedimento inadequado, falta interesse
processual na modalidade adequação
*IV - quando o credor, sem cumprir a prestação que lhe corresponde,
exige o adimplemento da do devedor;
O credor não prova que cumpriu a sua prestação. Teria que realizar a
sua. É a exceção do contrato não cumprido. Esta é uma condição.
*V - se o credor não provar que a condição se realizou.
Falta resultado útil para o credor nesta situação. Não pode o credor
buscar a satisfação sem demonstrar que a condição se perfez.
Nessas ultimas 3 não é excesso de execução. Falta sim interesse
processual.
Excesso de execução temos somente nos incisos I e no II, no caso de
entrega de bem.

11.08
Cumulação indevida de execuções.
Essa teoria segue a mesma teoria da cumulação de pedidos do
processo de conhecimento. Art. 292/CPC, poderá haver a cumulação desde
que o juiz seja competente, os pedidos sejam compatíveis entre si, haja
compatibilidade de procedimento, e seja contra o mesmo réu. Não se exige
a conexão.
Temos aqui um artigo parecido, art. 573/CPC. A disposição desse artigo
é idêntico a do art. 292, só que para a execução. O juiz tem que ser
competente e o procedimento adequado.
Mesmo réu
Não é necessário o mesmo título
Juízo competente
Mesmo procedimento (este se dará de acordo com o tipo de obrigação)
Não é possível cumular perante juízes que tem competências distintas.

Ex. casados. Pode haver titulo para pagamento de alimentos. Pode


haver também, por serem sócios, títulos no âmbito civil. Aqui não poderia
cumular, as competências são distintas (família x cível).
Ex. obrigação de pagar e de entregar coisa. Mesmo que seja um único
titulo, por mais que o juiz tenha competência para processar os dois, não
poderá se cumular, já que o procedimento é diferente.

O autor junta vários títulos e quer a satisfação em um único processo.


Neste caso, se o procedimento for distinto, não poderá fazer a cumulação.
Caberá ao executado, havendo a cumulação indevida, embargar. A
conseqüência destes embargos não será a extinção da execução.
- Sendo o caso de competências distintas (ex. família x cível), ou juiz
dirá que não tem competência para processar em relação à matéria que
fosse de competência da outra vara. Um pedido será extinto, e continuará a
ação em relação ao outro pedido.
- Se a impossibilidade decorre do fato de que os procedimentos são
distintos (não há incompatibilidade de pedidos, mas de procedimento).
Com a reforma do CPC, se o devedor é citado, e ainda não aconteceu
nenhum ato de constrição, e embarga dizendo que o procedimento não é
compatível (temos uma obrigação de pagar e uma de entregar coisa), como
ainda não teve um ato de constrição, e como o ato citatório é comum a
qualquer procedimento, embargada a execução, o credor pode escolher
prosseguir a execução em relação a uma obrigação ou a outra.
O fato do processo ser extinto não impede que o credor promova uma
outra execução cujo objeto seja a outra obrigação.

A alegação de cumulação indevida não implica na extinção, mas na


possibilidade de escolha da obrigação a ser cumprida. No caso de
incompetência, o juiz continua processando o pedido que tem competência,
e extingue em relação àquele que não tem competência. Não há remessa
dos autos, ele tem que continuar para que seja satisfeita a obrigação que há
competência.

Os requisitos do art. 292/CPC se aplicam a qualquer cumulação de


ação.

IV – retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos


de título para entrega de coisa certa;
Embargos de retenção. Regulado pelos §§ 1º e 2º do art. 725/CPC.
A execução é especificamente para entrega de coisa. O devedor é
citado para entrega da coisa sob pena da coisa ser apreendida, ou haver a
imissão na posse (constrição). Está se disputando, portanto, a posse da
coisa.
Às vezes o possuidor de boa fé tem o direito de retenção. Se este tiver
benfeitorias necessárias, ou, no caso de uma locação, o locatário possuidor
tiver realizado benfeitorias úteis, e o contrato de locação mencionar que ele
pode realizar o direito de retenção em relação a estas, ele dirá que não tem
o dever de devolver enquanto não for ressarcido das benfeitorias.
Nos embargos então pedirá o direito de retenção, não poderá entregar
a coisa senão depois da indenização. Diante dessa alegação, que deve vir
acompanhada da especificação destas benfeitorias, tem que se juntar os
documentos que comprovem a realização destas despesas.
Quando traz essa alegação, é possível que o embargado exequente,
citado, impugne os embargos, dizendo que as benfeitorias não foram
realizadas. O juiz determinará a produção de provas. Se ele verifica que
houve a realização as benfeitorias necessárias/úteis, que ensejam o direito
de retenção, ele determinará que o credor faça o ressarcimento, e,
enquanto não o fizer, não poderá ter o bem de volta.
Professor Paulo Furtado diz que essa é a única hipótese em que os
embargos possuem natureza condenatória. Determina que o credor
indenize. Via de regra a natureza é constitutiva ou declaratória.
O credor pode também contestar os embargos e, querendo reaver a
coisa imediatamente, deposita o valor requerido pelo embargante. Se no
final o devedor vencer, ele saca esse valor, se ele perder, o credor levantará
o valor. O fato de depositar o valor em juízo, já autoriza ele a levantar a
coisa imediatamente.
O embargado pode alegar que sofreu prejuízos por conta da retenção
indevida da coisa, ou dilapidação indevida da coisa. Ou seja, pode ser que
essas benfeitorias tenham destruído uma parte do imóvel. O credor sofreu
um prejuízo de um lado, portanto, tem direito de ser indenizado, e por outro
lado o devedor realizou benfeitorias necessárias, cabendo também
indenização. Pode então haver uma compensação. O credor alegará os
prejuízos, provando, e ao final pode requerer a compensação. Se o saldo for
positivo para o exequente, terá o direito de receber a coisa e de reaver o
salvo. Se positivo para o embargante, o credor terá que pagar a diferença,
e, enquanto não pagar, o credor não poderá reaver a coisa.

Somente é possível compensar obrigações entre os mesmos sujeitos,


sendo obrigações da mesma natureza. Ex, não pode querer compensar
divida tributária contra a União, com uma verba da qual é credor do estado.
Aqui temos uma posse de uma coisa, a verba que pode ser compensada são
benfeitorias ou danos oriundos da coisa. Se não for oriundo da coisa, não
poderá haver a compensação.

Estamos vendo aqui a execução por titulo extrajudicial. Se judicial, a


compensação teria que ser alegada na cognição.
Na execução é feita de forma inversa, temos primeiro a atividade
executiva e depois a cognitiva, onde será alegada a compensação.

O exequente quer a devolução da coisa e indenização decorrente dos


danos que o executado causou sobre a coisa. O executado requer a
indenização pelas benfeitorias.
Não havendo danos, o saldo é positivo para o executado, o exequente
deposita em juízo, ou paga quantia.
Havendo danos, haverá uma compensação. Se o valor dos danos for
inferior, o exequente tem que pagar ou depositar em juízo. Se os danos
forem superiores, o exequente tem direito à imediata devolução da coisa e
poderá executar o devedor em relação à diferença.
Se os danos equivalem às benfeitorias, terá um saldo nulo e se
devolverá a coisa.

Essa sentença dos embargos faz coisa julgada material.


Até a reforma de 2005 que sistematizou o cumprimento de sentença, a
sentença que funcionava como título executivo era a condenatória. Hoje
não, será qualquer sentença que tem uma obrigação.
Essa sentença reconhece uma obrigação do embargante (danos).

VI – qualquer matéria que lhe seria licito deduzir como defesa


em processo de conhecimento;
Esse dispositivo tem função de deixar claro que, como não houve
prévio processo conhecimento, a atividade de cognição nos embargos é
ampla. O devedor pode alegar qualquer matéria que poderia alegar no
processo de conhecimento.
Veremos que na impugnação não é assim, já que já houve o devido
processo legal e as atividade de conhecimento.
Embora não esteja estipulado expressamente no art. 745/CPC, doutrina
e jurisprudência defendem que a incompetência pode ser alegada nos
embargos.
Ex. exequente promove a execução e o embargante alega a
incompetência/impedimento/suspeição do juiz. Aplica-se de forma análoga o
art. 741/CPC. Esse artigo regula os embargos movidos pela Fazenda Pública.
Nos embargos movidos Fazenda Pública, somente se pode alegar
incompetência/impedimento/suspeição, então a doutrina e jurisprudência
dizem que se aplicaria também ao particular. O art. 742/CPC diz que será
oferecida junto com os embargos a incompetência/impedimento/suspeição.
Teria então uma aparente incompatibilidade. Um artigo diz que a matéria
tem que ser alegada em embargos, e a outra em exceção. Como resolver?

Há distinção entre competência relativa e absoluta. A absoluta tem que


ser sempre matéria de embargos, e nunca de exceção. A absoluta é
matéria de ordem publica e pode ser conhecida de oficio pelo juiz.
De acordo com o processo de conhecimento, as outras (incompetência
relativa/impedimento/suspeição) seriam objeto de exceção. A exceção é um
espécie de incidente processual. O incidente processual não diz respeito ao
mérito, mas a uma questão processual. Mas a incompetência absoluta
também é uma questão processual. Por que então tem que ser alegada nos
embargos? A exceção é um incidente processual e serve para resolver um
incidente que pode, em tese, precisar de prova. Incompetência absoluta não
precisa de prova. Mas quando precisar produzir prova em audiência sobre
questão processual, forma-se um procedimento destacado.

No processo de conhecimento o réu citado pode contestar e opor a


exceção.
Nos embargos, como funciona isso? A jurisprudência pacificou o
entendimento de que, se a matéria dos embargos for exclusivamente sobre
a incompetência relativa, suspeição, ou impedimento, estes deverão ser
alegados nos embargos. Isso porque, sendo estas as únicas matérias, a
instrução dos embargos versará sobre esse tema. Mas, se além destes
houver outra matéria sendo alegada, terá que ser feita duas instruções
diferentes.
Ex. diz que foi coagido a assinar o titulo. Terá que ouvir testemunhas
para ver se houve coação. Terá que alegar a incompetência através de uma
exceção de incompetência, já que teria que fazer uma instrução distinta.
A exceção suspenderá os embargos e a execução, já que não pode se
admitir que um juiz imparcial, ou um órgão incompetente processem os
embargos.

17.08
2.9 Procedimento
Os embargos começam por iniciativa do executado, portanto começam
com uma petição inicial, tem que atender aos requisitos do art. 282/CPC. A
jurisprudência tem admitido que a qualificação das partes não precisa ser
exaustiva já que as partes já foram qualificadas na petição inicial da
execução.

O valor da causa dos embargos equivale ao valor econômico do proveito


que o embargante pretende ter (equivale ao valor da execução). Quando o
embargante pleiteia o excesso na execução, o valor da causa será essa
diferença. Se o embargante sair vencedor, ele terá essa vantagem (a
diferença). Se busca a desconstituição de um ato processual, ex. penhora,
será o valor do bem penhorado.

O legislador trouxe um requisito especifico para essa petição inicial. Tem


que estar acompanhado das copias das peças da execução.
Os embargos são resolvidos por sentença. Como é sentença, o recurso
cabível é o de apelação. Mas a apelação faz com que os autos sejam
remetidos para a 2ª instância. O credor vai ter interesse de que a execução
prossiga. Mas de outro lado, interposta a execução, o embargante tem
interesse que o processo suba.
Antes das reformas, não era necessário ao embargante trazer copias, daí
tinha o problema de que, para os autos dos embargos subirem, os da
execução teriam também que subir. Aguardava o tribunal julgar para a
execução retomar o seu curso, embora os embargos não tenham efeito
suspensivo.

Quando os embargos são improcedentes, o embargante pode apelar, mas


a apelação é julgada pelo tribunal, este então não poderia julgar sem as
peças da execução.
O legislador então determina a junção da copia dos atos praticados na
execução à petição inicial dos embargos. De modo que, sentenciado os
embargos, sendo interposta a apelação, basta que subam os autos dos
embargos.
Isso então permite a autonomia, os autos dos embargos podem subir e a
execução continua na 1ª instancia. Também o embargo do devedor pode
subir o do fiador continuar.
Estes documentos são considerados indispensáveis à propositura da
causa. Se não traz, tem que ser intimado. Se intimado não traz, os
embargos serão extintos sem resolução do mérito.

Propostos os embargos o juiz irá analisar a admissibilidade da petição


inicial. Estando apta, ele determinará a citação do embargado.

A citação, via de regra, é pessoal, dirigida ao réu, não podendo ser feita
na figura de terceiro. Mas aqui é diferente. O advogado foi constituído (autor
- para a execução, e réu - para os embargos).
Tem-se aqui uma nova relação processual, tem que se dar ciência ao
embargado, podendo ser feito na pessoa do advogado do exequente. O
embargado então não é citado pessoalmente, mas na pessoa do seu
advogado, tendo 15 dias para se defender. Não há citação por edital, hora
certa.

Esse ato é de citação porque se tem um novo processo.

A citação serve para se ter: ciência da demanda, do conteúdo da


demanda e do prazo para defesa.
Nesse caso é o momento que se tringulariza a relação processual (antes
era só o embargante e o juiz, o juiz poderia ter extinto sem resolução do
mérito, sem sequer citar).
Como o CPC não dispôs sobre a forma, a jurisprudência entende que, se
as duas partes tem advogados constituídos nos autos, é possível citar
através do advogado.
É o mesmo que acontece na reconvenção.

Em 15 dias o embargado poderá apresentar a sua resposta:


-Contestar. Aplica-se as mesma regras da contestação do processo
de conhecimento. Pode-se trazer preliminar, argüir a intempestividade,
coisa julgada, etc.
- Exceção. Suspeição, impedimento, incompetência.
Essa exceção é voltada para a competência para processar e julgar
os embargos, e não a execução.
Se a execução é proposta em foro diverso daquele onde deveria ter
sido proposta, o executado, ao embargar, tem que alegar a exceção (ou nos
embargos - se única matéria – ou na exceção).
Aqui estamos tratando da exceção alegada pelo embargado, os
embargos que estão tramitando em foro equivocado. Mas a competência é
absoluta do juízo que procede a execução, então, via de regra, a alegação
se dá na contestação dos embargos.
Na execução por carta precatória o embargante pode apresentar os
embargos no juízo deprecante/deprecado. Cabe ao juízo que recebe os
embargos examinar se tem competência e reter/remeter. Mas esse ato é do
juiz, e não da parte, não foi ela que escolheu um local equivocado. Nessa
hipótese, o embargado pode apresentar a exceção de incompetência. Alem
da contestação, se apresentaria também a exceção.
-Reconvenção. É vedada a propositura de reconvenção nos
embargos! A reconvenção tem natureza de ação de conhecimento que vai
postular uma tutela para o réu. A tutela do exequente é uma tutela
satisfativa, então não pode ter nos embargos uma reconvenção. Somente
pode contestar ou mover a exceção.

Revelia é a falta de contestação. Ela vai acontecer nos embargos, se


o embargado não apresenta a contestação, mas teremos os efeitos da
revelia?
Os efeitos da revelia são: presunção dos fatos alegados pelo autor e
prosseguimento da ação sem intimação do réu.
O efeito processual não existe porque o réu exequente já tem
advogado (constituído para propor a execução), e o art. 322, §único/CPC diz
que o réu tem direito de ser intimado, mesmo revel, quando constitui
advogado nos autos.
O efeito material faz com que o juiz presuma que os fatos alegados
pelo autor sejam verdadeiros. Não se aplica nos embargos por conta da
existência do titulo, dos efeitos do titulo.
Se o autor promoveu a execução e juntou o titulo, tem-se uma
presunção de que há um direito, trazida pelo título. É diferente num
processo de conhecimento em que não se sabe se o autor tem ou não
razão.
Por mais que o embargante diga que foi coagido, que a assinatura é
falsa, que houve pagamento, ainda teremos a presunção de que o
exequente tem razão já que estes fatos são constitutivos. O juiz continua
presumindo que não houve coação, pagamento. Isso quer dizer então que o
ônus da prova nos embargos é sempre do embargante.
O fato de ele não contestar não inibe a pratica de atos invasivos, já
que há a presunção. Como a falta de contestação não tira a eficácia do
titulo, continuaremos com a presunção.
No processo de conhecimento não temos o problema dessa eficácia
executiva. O juiz então não tem que praticar atos satisfativos, não tem a
presunção.
Essa eficácia pode ser desconstituída pelo embargante através de
uma defesa heterotópica ou embargos.

Apresentada a resposta, o processo prossegue. Se necessário o juiz


vai designar uma audiência de instrução (prova testemunhal, oral) e depois
teremos uma sentença extinguindo com ou sem resolução do mérito os
embargos.
O recurso contra a sentença é a apelação, proposta num prazo de 15
dias, que não possui efeito suspensivo.
Art. 520/CPC diz que a apelação somente tem efeito devolutivo.

Impugnação
1. Conceito
2. Natureza Jurídica
3. Efeito Suspensivo
4. Conteúdo
5. Procedimento

3. Impugnação
3.1 Conceito
Para cumprimento de sentença quando a execução é fundada em titulo
judicial.
Independentemente do regime ser sincrético/autônomo.
Civil : execução sincrética
Arbitral/penal/estrangeiro: execução autônoma de titulo judicial.
Nas duas circunstancia a defesa é a impugnação.

A diferença entre embargos e impugnação é que nesta última se ataca


uma execução fundada em titulo judicial, já houve prévio processo de
conhecimento. Art. 474/CPC. Uma vez transitada em julgado a decisão,
reputa-se deduzido em juízo todas as alegações para a acatar/rejeitar a
pretensão do autor.
Ocorre então a preclusão máxima.
No momento em que a decisão transita em julgado não pode mais
rediscutir ex. a legitimidade, etc.
No momento em que o credor começa o cumprimento de sentença ele
começa a partir de uma certeza que está acobertada pela coisa julgada
material, tem, portanto, uma presunção maior que a decorrente do titulo
extrajudicial.
Disso não se pode querer discutir pela primeira vez algo que poderia
ser discutido no processo de conhecimento. Se era ilegítimo, e não alegou,
não poderá mais suscitar, passará a ser parte legitima no processo de
execução.
Nos embargos ainda não houve o conhecimento, primeiro executa-se e
a cognição é posterior.

A impugnação tem uma limitação que os embargos não têm. Não pode
se discutir algo que já foi discutido, nem discutir pela primeira vez algo que
poderia ter sido discutido na ação de conhecimento – não se pode violar a
coisa julgada.
A impugnação vai discutir a formação do titulo para frente. Então,
todos os argumentos que o executado quiser opor terão que ser sobre fatos
supervenientes à formação do título.
Ex. se o réu na ação de conhecimento sabe que fez o pagamento antes
do processo, cabe a ele alegar o pagamento na sua contestação, provando.
Se não consegue provar que pagou antes do processo o juiz irá obrigá-lo a
pagar. O pagamento somente poderia ser discutido se feito após a formação
do titulo.

Isso faz com que a impugnação possa versar somente sobre a


obrigação ou sobre os atos processuais executivos, diferente do que
acontece nos embargos que podem versar sobre o próprio titulo.
Tem-se ações especificas para discutir o titulo (ex. revisão criminal,
ação rescisória), se discutisse isso na impugnação, se estaria violando a
coisa julgada, a segurança jurídica, a rescisória é de 2 anos, e a impugnação
tem o prazo de acordo com a obrigação, se a obrigação prescreve em 10
anos, teria 10 anos para impugnar.

3.2 Natureza Jurídica


A doutrina discute se tem natureza de ação ou defesa.
1ª corrente. Tem natureza jurídica de mera defesa, mera resistência do
executado para que a execução não tenha êxito.
Não visa atutela de uma pretensão jurídica. Quando o réu diz que não
pagou, ele quer apenas a declaração de que o autor não tem o direito. É um
mero argumento para que a pretensão do autor seja rejeitada. O réu não
quer um titulo para si, a alteração da relação jurídica, a condenação do
autor (para isso teria q reconvir e a reconvenção tem natureza de ação).
É diferente dos embargos em que se quer alterar a situação jurídica,
existe um cheque que demonstra que ele é devedor, mas a assinatura é
falsa, quer-se alterar a relação jurídica.
Ex. na ação de conhecimento, uma coisa é dizer que não é pai, e outra é
dizer que não é pai e pedir os efeitos da coisa jurídica material – neste
ultimo caso teríamos os efeitos.
É então uma mera resistência. O réu não vai obter nenhuma tutela para
si, não vai alterar a relação jurídica que existe entre ele e o exequente.
Funciona apenas como defesa, justamente porque não pode atacar o titulo.
Se pudesse atacar o titulo, se alteraria a relação jurídica e teria natureza de
ação.

2ª corrente. Natureza de ação. Apegada ao sistema anterior as


reformas.
Antes da reforma de 2005, sendo a execução para titulo
judicial/extrajudicial o procedimento era sempre autônomo. O meio de
defesa era sempre os embargos. A diferença era apenas a matéria que
poderia se alegar (as mesmas que a impugnação traz hoje). Esses embargos
teriam natureza de ação. Já que não foi alterada a matéria, se podia ser
alegada nos embargos, e estes tem natureza de ação, a impugnação teria
essa natureza também.
Mas esta matéria era alegada em embargos e este tinha natureza de
ação porque o sistema tinha sido unificado.
18.08
Antes da reforma, independente do titulo, o procedimento da execução
era o mesmo. A defesa do executado também era mesma. A única distinção
é que a matéria dos embargos na execução por titulo judicial era mais
restrita, já que tínhamos o prévio processo de conhecimento, em que já
tinha ocorrido o devido processo legal. A única diferença, portanto, era a
matéria, que, àquela época, estava regulada no art. 741/CPC (hoje está no
art. 475-I).
As mesmas matérias podem ser alegadas hoje na impugnação, podiam
ser alegadas antes (obrigação ou atos executivos). A doutrina então dizia
que os embargos tinham natureza de ação, já que era o único meio de
defesa seja para titulo judicial ou extrajudicial (sendo extrajudicial, poderia
também atacar o titulo, que representa uma alteração na relação jurídica).
Os embargos então teriam natureza de ação porque poderiam alterar a
relação jurídica.
Sendo assim, já que os embargos tinham natureza de ação, e sendo a
matéria de defesa tanto para títulos judiciais quanto extrajudiciais, teria ele
natureza de ação.
Quando os embargos são voltados contra o titulo, temos uma ação, mas
quando voltados, por ex, para a penhora, temos uma mera defesa do
executado (uma resistência, não quer se alterar a relação jurídica que se dá
no âmbito de direito material). Nos embargos que tratavam do titulo judicial
não se podia desconstituir o titulo, mas como os embargos eram o único
meio de defesa, se disse que tinha natureza de ação.
Dizia essa doutrina que, se a matéria que pode se alegar na impugnação
é a mesma dos antigos embargos, então o legislador não alterou a sua
natureza, mas apenas o nome da defesa, a sua forma de apresentação,
antes se falava em embargos e hoje se fala em impugnação. Na essência,
continua sendo ação. Assim, a natureza dos embargos e da impugnação
continua sendo a mesma.

3ª corrente. Depende da matéria que é alegada na impugnação.


O art. 475-L/CPC traz o rol de matérias que podem ser alegadas na
impugnação.
Em determinados casos é apenas defesa (pagamento, ilegitimidade).

Há uma hipótese no art. 475-L (inciso I) que diz que o devedor pode
alegar a inexistência de citação no processo de conhecimento (não
participou do processo de conhecimento e ao final foi condenado). Ele
poderia dizer que, como não foi citado, o titulo não existe.
Uma parte da doutrina diz que a citação é questão de validade, no
entanto, outra parte da doutrina diz que a citação é questão de existência.
Segundo esta ultima doutrina (existência), essa sentença então não
existiria. Aqui ele apenas visa uma declaração de que nunca houve a
sentença, portanto, nunca houve a relação jurídica. Se entender que é
eficácia, seria também defesa.
Se entendendo que a citação é questão de validade, a impugnação teria
natureza de ação porque estaria alterando a relação anteriormente
constituída (ataca-se o título). Serviria para desconstituir o titulo. Os vícios
de nulidade tem que ser alegados em um determinado momento. Ainda que
a pessoa não tivesse conhecimento do processo de conhecimento, ao ser
citado na execução ela teve o conhecimento, então teria que alegar a não
citação na impugnação, sob pena de preclusão.
Para quem defende que é questão de existência, a sentença sequer
existe, então não teria alteração entre autor e réu, a impugnação faria as
vezes da querella nulitatis, para dizer que nunca houve relação entre autor
e réu. Para esta corrente doutrinaria não há preclusão já que a querella
nulitatis é imprescritível, podendo ser alegada a qualquer tempo.

Nas outras hipóteses teria natureza de defesa. Somente nesta hipótese


seria ação.
Outro inciso trata da Inexigibilidade do titulo. Existe uma relação
jurídica entre autor e réu, e somente se quer retirar essa eficácia. Não esta
se alterando a relação, diz que existe, é valida e não opera seus efeitos.

4ª corrente. Diz que é um instituto sui generis.


A impugnação foi criada pelo legislador e não poderia ser analisada a luz
de outros critérios. Teria natureza de impugnação, seria um novo instituto.

A lei 11232/05 reformou o CPC e trouxe a impugnação como meio de


defesa.
Em 2005 os artigos 461 e 461-A já tinham a redação que possuem hoje, e
a obrigação de fazer/não fazer/entregar coisa já eram regidas pelo regime
sincrético. Somente as obrigações de pagar ainda não tramitavam nesse
regime.
O STJ em inúmeros acórdãos disse que essa fase de cumprimento de
sentença é executiva, mas não é um processo autônomo da execução,
portanto não cabe embargos à execução. Dizia que o meio de defesa do
executado no regime sincrético para aquelas 3 primeiras obrigações era
uma simples petição. Querendo se defender, bastaria que o executado
atravessasse uma petição simples, sem os requisitos da petição inicial,
dizendo porque não deveria continuar a execução. Essa petição simples é
que se transformou na impugnação.
Isso reforça a natureza de defesa já que, sendo ação, teria que preencher
os requisitos de uma petição inicial. Também, se essa é uma petição simples
como outra qualquer, independente do nome jurídico (coloque impugnação
ou coloque nada) que se dê, essa petição será recebida como defesa do
executado. Isso faz como que se reforce a natureza de defesa da
impugnação.

A doutrina é pacifica então que, se for atravessada uma petição simples,


tem essa natureza de defesa já que o nome jurídico não altera a natureza
do ato. Uma parte da doutrina que vem se firmando diz então que tem
natureza de defesa.

3.3 Efeito Suspensivo


Até ai a defesa era os embargos que sempre tinham efeito suspensivo. A
retirada dos efeitos dos embargos veio em 2006. Em 2005 isso já era um
realidade para a execução do titulo judicial. Portanto, essa lei que
regulamentou a impugnação afirma expressamente que não tem efeito
suspensivo, salvo se preenchidos os requisitos:
Requerimento da parte
Fundamento relevante
Risco de dano e difícil reparação
São os mesmo requisitos dos embargos, exceto a penhora. O legislador
não falou da penhora porque, de acordo com a interpretação literal do CPC,
art. 475-J e §1º, a penhora é um requisito para a impugnação. Realiza-se a
penhora, e depois disso intima-se para que o executado ofereça a
impugnação. A penhora para a impugnação é um requisito, não é possível
oferecer a impugnação sem prévia penhora.
Então a doutrina em um 1º momento disse que os requisitos para o
oferecimento dos Embargos/Impugnação seriam os mesmos.
Só que quando cai na discussão da natureza jurídica da impugnação, se
admite que é mera defesa, e é uma petição simples, independentemente de
se ter a penhora, poderia atravessar a petição simples, e o juiz teria que
analisar essa petição (ex. quisesse alegar prescrição, ilegitimidade). A
doutrina com um tempo, e essa é a corrente majoritária, diz que a penhora
não é mais requisito para a impugnação, já que se pode alegar numa
petição simples. Isso fez com que, depois da lei de 2006, a doutrina dissesse
que a penhora não é requisito para a impugnação, mas para a concessão do
efeito suspensivo(!).
Então os requisitos seriam os mesmos, teria que ter a penhora para a
concessão do efeito suspensivo.

Diferente do que acontece nos embargos, o autor, mesmo tendo sido a


impugnação recebida com efeito suspensivo, pode prestar caução para que
a execução volte a tramitar.
Porque isso não ocorre nos embargos? Se temosimpugnação é porque o
titulo é judicial, há uma presunção maior de que o autor tem razão, já que
houve o devido processo legal prévio. A probabilidade do autor ter êxito
aqui é maior. Então, mesmo tendo efeito suspensivo, o autor pode prestar a
garantia e o juiz vai retirar o efeito suspensivo.
Nos embargos, mesmo que fosse oferecida a garantia, os embargos
continuariam suspensos.

Na pratica acaba havendo conversão da execução definitiva em


provisória. Assim, se os atos forem indevidos, vai responder pelos danos que
causar.
O mesmo, se tiver embargos recebidos com efeito suspensivo e apelação,
tem que se prestar caução para poder prosseguir.
24/08
3.4 Conteúdo
Não pode versar sobre fatos anteriores à formação do titulo.
Poderá versar sobre obrigação/atos processuais, mas não sobre o
titulo, até porque os meios de desconstituição deste são autônomos. Não
pode querer discutir aquilo que deveria ter sido objeto na ação de
conhecimento, ou que já foi discutido.

O art. 475-L regula quais as matérias que a impugnação pode ter.


Importante ter essa concepção para interpretar o caput deste artigo.
- Existe uma interpretação, mais antiga, mas que ainda prevalece,de
que o rol deste artigo seria taxativo. O rol não seria explicativo, então não
poderia alegar outra matéria que não as previstas ali.
- Outra interpretação mais sistemática diz que não é taxativo. O ultimo
inciso diz “qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da
obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou
prescrição, desde que superveniente à sentença”. Esse rol do ultimo inciso
então não é taxativo, mas exemplificativo.
Podemos ter 2 execução idênticas tramitando ao mesmo tempo. É
possível alegar a litispendência! Pode ser também que o devedor tenha se
tornando insolvente, o juízo da insolvência vai atrair a execução. As outras
execuções serão extintas para que possam tramitar juntas na execução
contra devedor insolvente. Isto também não está previsto e é passível de
alegação.
O marco temporal será a formação do titulo. É lícito ao executado
alegar qualquer matéria, desde que seja superveniente à formação do titulo.
A única exceção versa sobre a inexistência de titulo (inexistência de
sentença).

Matérias da impugnação:
I. Falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia;
Essa citação a que se refere é a do processo de conhecimento. Se
tivermos um processo sincrético, teremos uma citação no processo de
conhecimento, e não teremos outra na fase executiva, nesta ele será
intimado para cumprir a obrigação. Se tivermos uma execução por processo
autônomo, teríamos um outro processo de execução, e ele seria citado
novamente. Quando o inciso I fala da citação, fala da do processo de
conhecimento.
Ele pode alegar a falta de citação se o processo correu a revelia. Mas
na verdade não se pode falar em revelia se não houve citação. O que se
aqui é quando não há citação e ele não compareceu espontaneamente. A
revelia somente ocorre quando a citação é valida.
Para uma parte da doutrina isso não seria desconstituição do titulo, já
que citação é questão de existência do processo. A sentença não existe do
ponto de vista jurídico. Para os que entendem que se trata de pressuposto
de existência, o que se está fazendo é alegar que não houve sentença, que
não há titulo executivo. O titulo é requisito para a execução. Ele então não
quer atacar a sentença, mas o processo de conhecimento, que provoca a
inexistência da sentença. Isso seria então uma hipótese de querella
nulitatis. A querella é uma ação declaratória da inexistência de processo.
Serve para quando aparentemente existe um processo. A querella nulitatis
é utilizada para atacar a falta de algum pressuposto de existência do
processo. Para alguns doutrinadores então implica em inexistência do
processo e da sentença, não sendo um ataque ao titulo, mas alegação da
inexistência de titulo.
Para quem acredita que é pressuposto e validade, a sentença existiria,
mas seria passível de desconstituição. Então, se não ocorreu a citação, e o
executado não participou do processo, seria essa uma hipótese excepcional
de impugnação ao titulo. Esse vício seria transrescisório, ou seja, nunca se
convalida. Para essa corrente, que é minoritária, essa seria a única hipótese
de desconstituição do titulo. O titulo existiria masseria nulo.

II. Inexigibilidade do título.


O executado pode alegar que o titulo é inexigível. Neste sentido, não
se busca desconstituir o titulo, trata-se do ponto de vista da eficácia. A
sentença existe, é valida, mas ainda não começou a produzir os seus
efeitos.
A sentença é inexigível quando não está operando os seus efeitos.
Quando a sentença é proferida e é interposta apelação com efeitos
suspensivos, a sentença existe, é válida, mas ainda não começou a operar
os seus efeitos. Não é possível começar uma execução provisória ou
definitiva. Caso se comece, pode alegar a inexigibilidade.

A sentença também pode estipular uma relação condicionada. O CPC


proíbe a sentença sob condição, mas não com uma relação condicionada.
Ex. somente terá a obrigação do réu no momento em que determinada
condição for implementada. A sentença certifica a existência de uma
obrigação condicionada, e não é possível executá-la antes do implemento
da condição.

§1º Também será inexigível título judicial fundado em leis ou atos


normativos considerados inconstitucionais pelo STF. É uma hipótese
especifica de inexigibilidade.
O autor invoca uma pretensão no processo de conhecimentolastreada
em determinada lei/ato normativo. O réu pode contestar essa demanda
alegando a inconstitucionalidade da lei. O juiz terá que suscitar o controle
difuso de constitucionalidade. Considerando constitucional, o juiz vai acatar
a pretensão do autor. Se o STF já tiver declarado, pela via abstrata, a
inconstitucionalidade anteriormente, o juiz terá que considerar a lei
inconstitucional. Não havendo pronunciamento, o juiz fará o controle difuso.
Posteriormente a isso o STF pode declarar a lei inconstitucional. Havendo
uma declaração superveniente, teremos uma sentença que está baseada
em uma lei inconstitucional. O titulo seria inexigível.
No momento que temos a inconstitucionalidade declarada pelo STF
temos que pensar se esta decorre do controle difuso ou concentrado. O
difuso/concreto se dá a luz de um caso concreto, através do julgamento de
um REX, e opera efeito entre as partes. O controle concentrado/abstrato se
dá com analise da lei em tese, dizendo que a lei é inconstitucional, ou que
determinada interpretação é inconstitucional.
Se o controle for concentrado, teremos efeito erga omnes. A hipótese
então é de controle concentrado. Esses efeitos retroagem ou serão a partir
da declaração de inconstitucionalidade? A lei já era inconstitucional desde o
momento da sua vigência. Então, via de regra, se o STF não modular os
efeitos da inconstitucionalidade, o controle concentrado faz com que a lei
não tivesse existido no ordenamento jurídico. Não se pode confundir com, o
fato da lei não ter sido recepcionada (as leis anteriores à CF são “não
recepcionadas”, as posteriores “inconstitucionais”). Então, via de regra,
teremos efeitos retroativos ao momento em que alei começou a viger.
Tendo em vista a segurança jurídica o STF pode modular os efeitos. Ele tem
que ser expresso na sua decisão dizendo que os efeitos começam a operar a
partir de um determinado momento, senão retroagirá.
Se ele não define expressamente na sua decisão, esta sentença
baseada nesta lei inconstitucional será atingida pela declaração de
inconstitucionalidade. Se ele define a partir de qual momento opera os
efeitos a sua decisão, tem que ver quando a sentença transitou em julgado,
para ver se a sentença será atingida ou não pela declaração de
inconstitucionalidade.
Ex. diz que opera efeitos em até 3 anos anteriores, e a sentença
transitou em julgado dentro destes 3 anos. A sentença então não operará os
efeitos. No entanto, se proferida antes destes 3 anos, ela operará os efeitos.

O executado não pede para que a sentença seja revista. O vicio não é
no ponto da validade/existência, mas da eficácia.
A sentença é perfeita. Foi proferida quando a norma ainda era
constitucional.
No momento em que a lei adentra no ordenamento, se presume a sua
constitucionalidade, já que é feito o controle de constitucionalidade.

Se o executado demonstra isso, as custas serão impostas ao


exequente.
A OAB entende que o art. 475-L §1º viola a segurança jurídica. Por
conta disto foi interposta ADIN.
A rigor são raros os casos em que o juiz profere sentença contra o
dispositivo de lei. Então raramente tem-se rescisória por ofensa literal a
disposição de lei. O prazo que teríamos aqui é o da ação rescisória, 2 anos.
A OAB diz que o vicio poderia ser alegado em até 2 anos, já que o prazo da
rescisória é de 2 anos. Admitir que o executado poderia alegar isso na
impugnação seria permitir um prazo maior. Como ficaria a segurança
jurídica então se o executado pudesse alegar? A OAB entrou com uma ADIN
para que o STF se manifestasse sobre isso.

E no controle difuso?
Pode suspender os efeitos da lei. Havendo controle difuso, se o senado
suspender os efeitos da lei, teremos o efeito erga omnes e será possível
aplicar essa disposição. Essa suspensão dos efeitos pelo senado não
retroage.
Então, não é em todos os caso que poderá impugnar a sentença, tem
que se verificar o momento do transito em julgado.
O STF, embora não haja previsão legal, tem determinado os efeitos do
controle difuso. O REX é julgado por uma turma do STF, e não pelo plenário.
É possível que uma turma julgue de forma contrária ao que julgou a outra
turma, teremos então uma divergência no STF, cabendo o recurso de
Embargos de Divergência. É possível, a depender da situação, que esses
embargos de divergência sejam julgados pelo pleno do STF. Se o pleno
considerar inconstitucional, tem entendido o STF que essa decisão opera
efeitos erga omnes. Isso porque, se foi o pleno que julgou, quer dizer que
todos os ministros apreciaram aquela matéria. Quando todos os ministros se
manifestam, mesmo pelo controle difuso, é o mesmo que propor uma ADIN
ou uma ADC (que é exigido que todos se manifestem). Então, se todos os
ministros se manifestaram através do controle difuso, não teria porque eles
mudarem de entendimento.
Operando efeitos erga omnes poderia ser utilizada na impugnação da
sentença.

III. Penhora incorreta ou avaliação errônea;


Vimos essa hipótese quando tratamos do titulo extrajudicial.
É hipótese de ataque dos atos processuais.

IV. Ilegitimidade das partes.


A ilegitimidade é hipótese de condição da ação. As condições da ação
podem ser apreciadas de oficio em qualquer fase do processo, enquanto
não tiver encerrada a fase de conhecimento. Mesmo as questões de ordem
pública, no momento do transito em julgado, sofrem os efeitos da preclusão.
Então, se o executado considerasse que não tinha legitimidade, teria
que ter alegado isso até o transito em julgado da fase de conhecimento.
Se mesmo alegando era ilegítimo, o juiz considerasse que ele era
legitimo, condenado ao pagamento, ele será parte legitima já que o juiz terá
imposto a obrigação a ele.
Então a legitimidade de uma fase é independente da legitimidade da
fase anterior.
Se depois da sentença outra pessoa tenha assumido a obrigação do
devedor, com a anuência do credor, o credor poderá demandar quanto ao
novo devedor, e, se demandar contra o velho, este poderá alegar a
ilegitimidade.
A ilegitimidade para a fase de conhecimento não poderá mais ser
alegada, mas apenas para a fase de cumprimento de sentença.

V. Excesso de execução;
Vimos que duas são efetivamente execução, e as outras não são .

VI. Qualquer causa extintiva/modificativa/impeditivadesde que


superveniente a sentença.
Pode então alegar qualquer matéria desde que superveniente à
formação do título.

3.5 Procedimento
Via de regra não é recebida com efeito suspensivo. O CPC diz que no
momento em que a impugnação é recebida sem efeito suspensivo, ela deve
ser autuada em apartado.
Vão se formar novos autos (distinguir atos da execução – impugnação). A
execução vai prosseguir, logo terá que praticar vários atos executivos.
Também terá que praticar atos da impugnação. Se não fosse separado,
teríamos um tumulto.
Se recebida com efeitos suspensivo, será autuada nos autos da própria
execução. As partes e o juiz sabem que os atos subseqüentes serão atos da
defesa, até que esta seja resolvida.
O legislador não tratou da suspensão parcial (ex. excesso de execução,
somente é suspensa naquilo que é controvertido). Terá que ser autuada em
apartado. Prosseguirá a execução em relação a parte incontroversa. Terá
então que praticar atos executivos e da impugnação.

Será oferecida em petição simples, sem os requisitos do art. 282 (Petição


Inicial), e, oferecida a impugnação, intima-se o exequente para poder
manifestar-se sobre essa impugnação.

A lei não diz o prazo para manifestação da impugnação. Doutrina:


- Se o legislador não estipula prazo, serão de 5 dias (prazo legal). Essa é a
corrente minoritária.
- Prazo de 10 dias. Para esta corrente, temos a execução, a impugnação
tem natureza de defesa, e a manifestação do exequente tem natureza de
réplica, que deve ser oferecida num prazo de 10 dias. Mas quando o
exequente iniciou a execução não apresentou documentos, fatos novos,
apenas disse que existe uma condenação contra o réu. Na réplica o autor já
apresentou fatos, documentos e alegações sobre o mérito.
- A corrente majoritária então, pelo principio inclusive da isonomia, diz
que o prazo será de 15 dias, se o executado tem o prazo de 15 dias, o
exequente também teria esse prazo.

Se for necessário produz prova em audiência. O juiz designa uma


audiência de instrução e depois profere uma decisão em relação à
impugnação.
Diz o legislador que contra essa decisão pode caber Agravo de
Instrumentou ou Apelação.
Toda vez que o juiz profere uma decisão em impugnação, regra geral, o
recuso cabível é o Agravo, salvo quando a decisão provoca a extinção da
execução.
Ex. excesso de execução – Agravo.
Ex. parte ilegítima, pagamento integral (extingue a execução) – Apelação.

Se não põe fim, o recurso é o Agravo para se ter novos autos enquanto
pende a execução na primeira instância.
Se a execução foi extinta, não tem motivo para que os autos continuem
na 1ª instância, por isso teremos a apelação.
Independente da natureza jurídica da decisão, podemos ter um recurso
ou outro.
A doutrina diz que a decisão da impugnação é uma sentença porque
resolve o conflito, é de mérito, que excepcionalmente poderia ser
impugnada por Agravo de Instrumento por conta de expressa previsão legal.
Em hipótese alguma cabe agravo retido, já que este não devolve a
matéria de forma imediata ao tribunal.

25.08
1. Embargos de 2ª Fase
1.1 Objeto
1.2 Procedimento
2. Embargos da Fazenda Pública
2.1 Matéria
2.2 Efeito suspensivo
3. Exceção de pré executividade
3.1 Objeto
3.2 Cabimento no sistema atual
4. Parcelamento da Dívida
4.1 Requisitos
4.2 Inadimplemento

1. Embargos de 2ª Fase
1.1 Objeto
Na execução por titulo judicial, vimos que, tanto no regime sincrético
quanto autônomo, o devedor é citado para pagar, não pagando há a
penhora, e, depois de feita a penhora, ele terá o prazo para oferecer a
impugnação.

Essa impugnação é oposta depois da penhora. Quem faz a


interpretação literal do CPC, diz que a penhora é requisito para a
impugnação, para os que defendem que a impugnação tem natureza de
defesa, poderia esta ser interposta antes da penhora, e a penhora serviria
apenas para suspender os efeitos da execução.
Os atos atacados na impugnação/embargos serve para atacar o
processo até a penhora. Por este motivo parte da doutrina denomina esses
de embargos de 1ª fase.
A diferença dos impugnação/embargos está apenas na 1ª fase.
De acordo com o art. 475-R, no cumprimento de sentença aplica-se
subsidiariamente o procedimento relativo ao titulo extrajudicial.
No art. 746 (título extrajudicial) foi disciplinado os embargos de 2ª
fase. Como não há previsão para o titulo judicial, se aplica aos dois.
A impugnação/embargos de 1ª fase serve para a relação de direito
material, titulo e obrigação, e somente dos atos executivos acontecido até a
penhora. Mas pode ser que mesmo julgado improcedentes os
impugnação/embargos a execução tenha continuidade. A continuação vai
implicar na expropriação do bem penhorado.
Há um lapso de tempo entre a penhora e os atos de expropriação.
Diante da continuidade da execução pode acontecer algum ato
superveniente, antes da hasta publica, como o pagamento.
O pagamento poderia ter sido alegado, se antes dos
embargos/impugnação. Mas ele poderia acontecer depois da penhora e
antes da alienação. Se espera então que a expropriação não ocorra já que o
processo executivo não serve para punir o executado. Se a alienação ocorre,
ela será nula. Outra hipótese de nulidade é quando a alienação é por preço
vil, quando o credor não foi intimado, quando o credor com garantia real
não é intimado.
Nas hipóteses em que há nulidade, é possível ao devedor embargar a
execução. São os embargos de 2ª fase. O objeto é a nulidade dos atos
expropriatórios. Se aplica tanto ao titulo judicial quanto ao extrajudicial.
A causa de pedir é um ato superveniente à penhora.
Ex. poderia haver uma transação alterando a data, ou o objeto.
Também é chamado de embargos a
adjudicação/arrematação/alienação.
Esses embargos devem ser propostos num prazo de 5 dias a contar da
ciência do ato expropriatório.
Esses embargos tem natureza jurídica de ação, e aplicam-se todas as
regras dos embargos de 1ª fase. Somente pode discutir a nulidade da
expropriação.

1.2 Procedimento
O procedimento é o mesmo, a única diferença é:
Proposto os embargos, intima-se o arrematante para que possa
manifestar-se, e, querendo, desistir da aquisição. O legislador pensou que,
se existe os embargos de 2ª fase, existe um risco para o arrematante. É
possível haver a procedência, e ele perderia a a coisa. Se ele perde a coisa,
a conseqüência seria buscar os direitos que resultam da evicção. Após
arrematar, o adquirente deposita em juízo o valor, e depois passa para a
fase de entrega do dinheiro para o credor. O adquirente sabe que o seu
dinheiro ainda está depositado em juízo, então ele pode desistir da
aquisição e levantar esse valor. Neste momento a alienação se desfaz, os
embargos de 2ª fase perdem então o seu objeto, já que a finalidade é
reconhecer a nulidade do ato expropriatório. Não quer dizer que estarão
extintos. A nulidade pode estar num ato anterior, que diz respeito a relação
de direito material, ou em relação à expropriação:
Ex. preço vil. A alienação se desfaz, não tem porque continuar com os
embargos. Relação processual.
Ex. houve o pagamento. Ainda existe interesse em agir para que o
judiciário reconheça que já houve pagamento, porque, se o judiciário
reconhece que o pagamento foi válido, ele extingue a execução. Questão
material.
Se em relação a questão processual, faz com que os embargos sejam
extintos,.
Se o vicio estiver em aspecto de direito material, os embargos perdem
seu objeto, mas ainda tem interesse de agir para reconhecer, ex, o
pagamento, transação válida.
O adquirente então tem opção de desistir da aquisição. Se ele não
desiste, os embargos e execução prosseguem (os embargos não tem efeito
suspensivo). O dinheiro será entregue ao credor, e, se no futuro os
embargos forem julgados procedentes, o adquirente tem direito de regresso
em face do credor que recebeu indevidamente, e do executado (adquirente
e exequente?!).

2. Embargos da Fazenda Pública


2.1 Matéria
Disciplinado pelo art. 741/CPC
Embora o legislador tenha alterado os regimes da execução, a
execução perante a Fazenda Pública, seja fundada em titulo
judicial/extrajudicial, permanece no regime autônomo.
Já vimos o procedimento da execução da Fazenda Pública. Ela não é
citada para pagar (por conta do principio da isonomia) ou citar bens a
penhora (seus bens são impenhoráveis), mas para que num prazo de 30
dias oponha embargos a execução. Depois de julgados os embargos, a
execução continua para que seja expedido o precatório.

2.2 Efeito suspensivo


De acordo com o art. 100/CF, a execução da Fazenda Pública somente
pode estar calcada em sentença judicial transitado em julgado. Seria
execução definitiva de titulo judicial.
Em 2005, com a Lei 11.232, o legislador transformou a defesa do titulo
judicial em impugnação, retirando o efeito suspensivo. Não havia ainda a lei
11.382/2006 que foi a lei que tirou o efeito suspensivo dos embargos a
execução.
Antes de 2005 a defesa era sempre os embargos, mudando apenas a
matéria que poderia ser alegada, independente se ser titulo
judicial/extrajudicial. Em 2005 passa a ser a impugnação, sem efeitos
suspensivo, para titulo judicial, e embargos, com efeito suspensivo, para
titulo extrajudicial, apenas sendo sem efeito suspensivo em 2006.
A defesa da Fazenda Pública foi mantida como embargos, já que eles
ainda tinham efeito suspensivo. Se observarmos a matéria que a Fazenda
Pública pode alegar nos embargos, veremos que é idêntica à do art. 745-
L/CPC. A matéria da impugnação então seria igual adestes embargos a
Fazenda Publica, já que o titulo é judicial. Qual o motivo então para o
legislador distinguir? Não foi a matéria, como já vimos. Quando o legislador
criou a impugnação, ele retirou o efeito suspensivo, pela primeira vez no
sistema, da defesa do executado. Só que os embargos não tinha ainda sido
alterado (somente alterado em 2006). Em 2005 então, quando o particular
estava sendo executado por titulo judicial, utilizava a impugnação, sem
efeito suspensivo, e se titulo extrajudicial, se defendia através dos
embargos com efeito suspensivo. Então, a finalidade do legislador foi
atribuir efeito suspensivo.
Dá-se uma prerrogativa À Fazenda Pública, ela terá os efeitos
suspensivos.
O problema que surgiu supervenientemente foi que, com a entrada do
vigor da Lei em 2006, os embargos também perderam o efeito suspensivo,
como regra geral.
Hoje então há discussão se os embargos da Fazenda Pública possuem
efeito suspensivo ope legis.
- Uma parte da doutrina diz que recebe sim c/ efeito suspensivo
porque esse foi o objetivo do legislador. Além disso, o art. 100/CF diz que a
Fazenda Pública somente pode ser julgada por sentença transitada em
julgado. Se os embargos tem natureza de ação, e o ato que a resolve é a
sentença, apresentando os embargos, suspende a execução que somente
continuará quando os embargos transitarem em julgado. Para esta corrente
também existe reexame necessário em relação a estes embargos (nas
hipóteses de cabimento do reexame necessário). Então essa decisão nunca
transitaria em julgado na 1ª instancia, já que teria que ter a remessa. A
partir do acórdão do tribunal que teria o transito em julgado.
- Outra parte da doutrina diz que não recebe com efeito suspensivo.
Com a superveniência da lei de 2006 os embargos deixaram de ter efeito
suspensivo, então os embargos da Fazenda Pública também não teriam. O
particular já aguardou o transito em julgado da sentença de conhecimento,
já houve o reexame, recursos, etc., não cabe execução provisória contra a
Fazenda Pública. Quem suporta o ônus do tempo no processo de
conhecimento foi o particular, e ele ainda vai ter que arcar com o ônus do
tempo da inscrição do precatório. Não teria mais base legal para a
concessão do efeito suspenso.
No entanto, permanece o efeito suspensivo no caso concreto, que,
na realidade, não será possível, já que a penhora é um critério para o efeito
suspensivo.
Não teria reexame necessário. Não é a sentença de embargos que
condena a fazer, mas a da ação de conhecimento. O transito em julgado
então se refere ao titulo executivo. A sentença de embargos somente
confirma que não houve fato superveniente de forma a retirar o direito do
exequente. A Fazenda Pública já tem a prerrogativa de ser executada por
sentença judicial transitada em julgado, e que esta somente transite em
julgado, pelo menos, depois do reexame necessário. Tem também a
prerrogativa o precatório. Então já existe um rol de prerrogativas que
justificam o comportamento da Fazenda Pública. Outra prerrogativa já
oneraria demais o particular que já tem o direito certificado em sentença.
Não faz sentido exigir o reexame necessário e o transito em julgado.

Embora somente haja tipificação para titulo judicial, o STJ e


jurisprudência admitem também para titulo extrajudicial. Se a Fazenda
Pública pode emitir titulo de credito, títulos da divida publica, cheques, que
são títulos executivos extrajudiciais, não teria sentido no ordenamento
jurídico brasileiro admitir que estes são títulos extrajudicial, mas não contra
a Fazenda Pública. Então cabe sim execução fundada em titulo extrajudicial
contra a Fazenda Pública.
A Fazenda Pública será citada para embargar em 30 dias e depois a
execução prossegue para expedição de precatório. A diferença destes
embargos estará na matéria. Não restringe-se a matéria do art. 741, que
exige o transito em julgado da sentença. Poderá versar sobre qualquer
matéria que fosse licito ao executado alegar se houvesse o processo de
conhecimento, aplica-se o art. 745/CPC.
Não há reexame, se ela emitiu um cheque é porque ela entende que é
devedora. O administrador não pode praticar atos senão por determinação
da lei. Há quem entenda que cabe.

3. Exceção de pré executividade


3.1 Objeto
Muitos autores atribuem a criação desta exceção de pré executividade
a Pontes de Miranda. No império se encontra algumas previsões em relação
a esta, mas pontes de Miranda fez um parecer que exprime toda a teoria
desta.
Tanto a execução fundada em titulo judicial, quanto extrajudicial, a
defesa do executado pressupunha a penhora. A penhora tradicionalmente
no nosso ordenamento era pressuposto para os embargos. O exequente
começava a execução, se o executado já tinha pagado, ainda assim tinha
que submeter o seu patrimônio à penhora.
Pontes de Miranda criou uma tese no Caso da Siderúrgica
Mannesmann. Pessoas fraudaram títulos extrajudiciais contra essa empresa.
Comercializavam os títulos, e começaram a executar. A siderúrgica disse
que não reconhecia o titulo e que não ia pagar, os credores então passaram
a executar. Foi tão grande a fraude que a soma destes títulos levariam à
falência da empresa, o seu patrimônio não era suficiente para garantira
todas as execuções.
Pontes de Miranda disse que, se o titulo é falso, e a execução tem que
ser fundada em título executivo, o juiz tem que apreciar de oficio se a
execução esta provida de titulo. Então, a rigor, o executado não precisaria
alegar isso nos embargos. Podendo o juiz apreciar de officio, nada impede
que o executado atravesse uma petição simples alegando a mesma matéria
para que o juiz aprecie. Nessa petição simples, que não tinha nome à época,
poderia se alegar as questões de ordem publica, que podem ser apreciada
pelos juiz de oficio, sem necessidade de penhora. Ele criou então essa
defesa atípica. Não havia previsão no ordenamento.
Ele alegava uma objeção (versa sobre questões de ordem publica).
Essa exceção que temos hoje então nasceu como “objeção de não
executividade”. Uma matéria de ordem publica que evita a execução.
Podem ser alegadas as matérias de ordem publica e
independentemente da penhora.

Com o passar do tempo a jurisprudência admitiu a ampliação deste


objeto. Além das matérias de ordem pública, a parte poderia apresentar
matérias de seu interesse. Ai passou a se falar em exceção, em seu sentido
lato, que comporta a objeção e a exceção em sentido estrito (ex.
pagamento, transação). Para tanto, a prova teria que ser documental e pré-
constituída (ex. trazer o recibo).

Hoje o objeto é então as questões de ordem pública, que podem ser


apreciadas de oficio, e as exceções, desde que documentadas.

Apresentada a exceção, o credor tem que ser intimado para que em 5


dias se manifeste acerca daquelas alegações. Se o executado alega o
pagamento e junta o recibo, é possível que, intimado, o exequente não se
oponha, neste caso o juiz apreciará essa ação. É possível também que ele
diga que o recibo é falso. Surge uma alegação de imprestabilidade daquela
prova, e tem que haver a dilação probatória para ver a veracidade daquele
recibo. Para que a exceção tenha o seu mérito julgado então não pode ter a
necessidade de dilação probatória.

3.2 Cabimento no sistema atual


* Titulo extrajudicial
- No sistema atual, boa parte da doutrina diz que não cabe mais
essa exceção na atual execução por titulo extrajudicial. Isso porque os
embargos podem ser oferecidos num prazo de 5 dias a contar da citação. O
interesse de agir era poder defender-se sem a prévia constrição, como os
embargos não pressupõe mais a constrição, toda a matéria de defesa pode
ser apresentada nos próprios embargos.
- Outra corrente diz que cabe depois dos embargos. Os embargos
podem ser movidos e vai haver uma oportunidade do executado se
defender em relação as questões de ordem pública e de interessa da parte.
As questões de ordem publica não estão sujeitas à preclusão ao longo da
execução. Então pode ser que o executado se defenda e não coloque algo
relativo a ordem publica. Então, em qualquer fase/grau de jurisdição, ele
pode alegar uma objeção (questão de ordem publica). Para esta corrente ela
voltou a ser uma objeção, e pode ser alegada em qualquer momento. Mas
as questões de interesse das partes teria que ser apresentada nos
embargos.
A exceção então voltou a ser objeção de não executividade.
*Titulo Judicial
- Esse mesmo raciocínio se aplica para a execução fundada em titulo
judicial para os que entendem que a penhora não é requisito para a
impugnação. Ele poderia se defender antes da penhora, alegando matéria
de interesse das partes ou ordem publica. Mas as matéria de ordem publica
poderiam ainda ser alegadas em qualquer momento.,
- Para os que entendem que a penhora é pressuposto para a
impugnação, a exceção de pré executividade continua com a mesa feição,
questão de ordem publica, ou interesse das partes (desde que com prova
documental pré- constituída).

4. Parcelamento da Dívida
4.1 Requisitos
4.2 Inadimplemento