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HISTÓRIA GERAL DA CIVll..

IZAÇÃO BRASILEIRA
Sob a direção de BORlS FAUSTO com relação. ao período republicano

TOMO

m

o BRASIL REPUBLICANO
3° Volume

SOCIEDADE E POLÍTICA (1930-1964)
por'

ÂNGElA

MARIA DE CASTRO GOMES, MENDES

Eu

DINIZ,

AWÁsIA

DE ALCÂNTARA CAHaGIO SAES E

MARGO, ANTÔNIO TRINDADE, SERGIO

DE ALMEIDAJR., LEÔNCIO

R1CARDO MARANHÃo, RODHIGUES, DÉCIO

ÍTALO THONCA,

MARTINS

MICEI.I

Yedição

CAPÍ11JLO VI

INTEGRALISMO: TEORIA E PRÁXIs POLÍTICA NOS ANOS 30
por
HElGIO TRINDADE

da Universidade Federal e da Porutjicia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

"1938. Movimento glorioso de uma raça que se affirma". de um inusitado interesse como área de estudo para cientistas políticos. São Paulo. "1935.A Crise do Tenenrísmo". Convergentemente a este esforço iniciou-se 'também. DIFEL. Véspera da Guerra".30. Integralismo enquanto ideologia ou movimento político tem sido alvo. . A Revolução Traída". 1970. No campo da análise das idéias políticas a produção. 1973. DIFEL. da hedionda politica dos Estados. São Paulo. pioneiramente iniciado por Hélio Silva. instituições. DIFEL. para a restauração dos valores intelectuais e moraes da Nacionalidade. DIFEL. 1974. (3) Boris Fausto. a crescente preocupação em torno do estudo do pensamento político autoritário produzido por teóricos. São Paulo. Todos os golpes se parecem". O Tenentismo. para a extincçâo das oligarchias.A Terceira República. provocada por Boris Fausto (3). "1930. desde os primórdios da Primeira República até o final do interregno estadonovista. Nos últimos anos foi escrito um conjunto significativo de teses.A República VeUJa II (Evolução Política). historiodorese filósofos. Essa nova tendência da pesquisa voltada para a "teoria" poJ. ensaios e artigos em torno do tema.Paulo. "1931. "1926.ítica nativa não está desvinculada do esforço de reconstituição histórica do período republicano. 11 vols. 'ensaístas e ideólogos brasileiros. São Paulo. defrontar-se-ia com um número extremamente reduzido de publicações. "O Brasil Republicano" in História Geralda Cirilização Brasileira. Os Tenentes no Poder". São Paulo. 1971. DIFEL. Brasiliense.O Ciclo de Vargas.AConstituinte". pp. Este novo campo de pesquisa articula-se com. DIFEL. desenvolveu-se qualitativamente na última década.AGuerra~aulista". (2) Edgard Carone . (4) Boris Fausto.A Segunda República. as contribuições de historiadores. São Paulo. 1970. São Paulo. DIFEL. 1933. A marcha é fatal. DIFEL.ARepúhlicaNom. em meados de 1975. Terrorismo em Campo Verde". Riode Janeiro. 72e 73. O Brasil vae para uma nova phase de sua História.ARevolta Vermelha". Com exceção de alguns artigos o (1) Hélio Silva . 1969. sociedade e economia de 1889a 1930('). 1976. Marcha da mocidade. O Brasil será integralista. no período em questão. 1976. é inexoravel. para a concepção christã e totalitária da vida."O Brasil vae para' o Estudo IntegraL para a destruição de todos os partidos. Tomos -I e 2. São. embora ainda restrita. historiografia e história. A Reooluçâo de 30.A Primeira República. sociólogos. 1975. "1939. Rio de Janeiro. a partir da década de 70. dos regionalismos. No final dos anos 60 quem pretendesse consultar obras de referências sobre o pensamento político brasileiro. 1975. Civilização Brasileira. num enfoque interdisciplinar. PlínioSalgado in Para onde vae o Brasil?. do trabalho de pesquisa e interpretação históricas realizado por Edgard Carone (2) e da revisão crítica da historiografia sobre a Revolução de .A República VeUJa / (Instituiçôes e Classes Sociais). O Estado Noto. "1932. através da documentação reunida nos volumes do "ciclo de Vargas" (I). São Paulo.Renascença Editora. 19D4-1972 (1922) "Sangue na Areia de Copacabana". cientistas sociais e economistas sobre a estrutura de poder. "1933. para a unidade absoluta da Pátria. "1934. DIFEL. São Paulo. a publicação dos primeiros volumes para o período republicano da clássica História Geral da Civilização Brasileira onde são acolhidos. "1937. A Grande Marcha".

Rio de Janeiro. 1~56~l!amosGuerreiro."A Imaginação Política Brasileira". in Crise do Poder no Brasil. Çivilizaçâo Brasileira. de Alcântara "A Teoria Política de Azevedo Amaral". por autores brasileiros. "Apontamentos para uma crítica da razão integralista" in Ideologia e Mobilização. Olbiano . História das Idéias Filosóficas no Brasil. contemporâneos à sua elaboração. A segunda de Helgio Trindade. "Formação de um pensamento autoritário na Primeira República: uma interpretação" in História Geral da Civilização Brasileira. dos Santos . Contriõuiçãà l:l Mis. • • (6»). Até então a bibliografia existente limitavase a duas teses de doutoramento elaboradas na Europa. Dados 7. sobre o fascfsmo nativo (9). USP. Eli Diniz Cerqueira e M. (10). 1978. e a três estudos sobre a história da AIBelaborados por brasilianistas (10). 1971.1977. Azevedo Amaral. 1971. Rio de Janeiro 1970. Oliveira Viana. (9) Gilberto Vasconcellos. Barbosa Lima Sobrinho. apoiando-se basicamente em textos doutrinários e a análise comparativa.' 1956. utilizando-se simultaneamente da análise de textos dos principais teóricos (Plínio Salgado. de C. três novos estudos incorporaram-se ao reduzido 'acervo de trabalhos' acadêmicos sobre o pensamento político brasileiro na Primeira Repüblica: refiro-me aos ensaios de Wanderley J. O Modelo Político de Oliveira viana. IBGE. Tomo 2. com um interregno entre ambas de mais de três décadas. Regina Soares Lima.1977. as únicas obras abrangentes sobre o período eram os trabalhos clássicos de Fernando Azevedo. Guerreiro Ramos e Cruz Costa e as recentes histórias das idéias religiosas e filosóficas de João Camilo de Oliveira Torres e Antonio Paim (6). O Integralismo de Plínio Salgado (forma de regressividade no capitalismo hipertardio). 1978. (5) Wanderley G. janeiro. Cruz Costa. São Paulo. que se constitui na primeira leitura minuciosa da obra dos principais representantes do pensamento autoritário (Francisco Campos. São Paulo. Riode Janeiro 1967. 1978. Duas Cidade. 1978.José Chasin.Belo Horizonte. As Ciências no Brasil.Paim Filho. 1940. Dep. Ideologia Autoritária no Brasil 1930/1945 (8). Grijalbo. Azevedo Fernando.1932-1938). Paris. 1%8. São Paulo. dos Santos . São Paulo. Ill. apresentada na Sorbonne em 1971. São Paulo. Wanderley G. Dados 213. Guilherme dos Santos "Paradigrna e História: a ordem burguesa na imaginação social brasileira" in Ordem burguesa e liberalismo político. Tese de Doutoramento. FGV. Três Elementos tdeotôgicos do Brasil.São Paulo. díreciona-se para o estudo do movimento político (AIB.300 HISTÓRIA GERAL pA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA isolados e publicações em revistas especializadas ('). embora restrita. Melhoramentos. A Cultura Brasileira (Introdução ao Estudo da Cultura no Brasil. com os movimentos políticos fascistas europeus. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.porém. Rio de Janeiro. . Alceu Amoroso Lima e Plínio Salgado). recentemente. Cabe ainda acrescentar que no campo da ideologia integralista. Sociais.Marinela Chauí. Dados 213. tem aparecido novas pesquisas e interpretações elaboradas no Brasil. (8) jarbas Medeiros. . ed. Aspásia B.t6rla'das Idéias no Brasil. A Presença de A Torres. defendida como tese em Filosofia.Cedec.Bolívar Lamounier. Der Brasilianiscae Integralismus (Geschict und wesender Faschistischen Bewegung Brasileirus. A Ideologia Curupira (análise do discurso integralista). São Paulo. Brasil Republicano. Stuttgart. São Paulo. Gustavo Barroso."AImaginação Político-Social Brasileira". CycJe Superieur D'Etudes Politiques. RBEP. L 'Action Integraliste Brésilienne: un mouoemeru de tyre fasciste de annés 30. Ciências Humanas. José Olympio. A primeira de Karl-Heínrich Hunsche. Rio de Janeiro 1967. 1~68. 1969. Miguel Reale. Grijalbo. 1938).enfatiza o estudo da ideologia. Ideologia Autoritária no Brasil 193011945. Paz e Terra. A partir de 1975. "Pcrodiqmo e História: a ordem burguesa na imaginação social brasileira" e de Bolívar Lamounier: "Formação de um pensamento político autoritário na Primeira República: uma interpretação" (') e o livro de Jarbas Medeiros. dos Santos. DIFEL. (7) W.

Nenhum destes extremos supera contudo a caracterização da ideologia como algo sem vigor. uma avaliação crítica da produçõo recente sobre o integralismo e. dos periódicos integralistas nacionais (A OJJensiva. S. seria relevante estabelecer um primeiro balanço dos estudos sobre a ideologia e o movimento integralista no Brasil no contexto de análises mais amplas sobre o pensamento autoritário brasileiro na Velha e Nova Repúblicas. já que apresenta uma ligação automática e universal com específicos grupos sociais" (11). Recente trabalho sobre o pensamento de Octavio de Faria ao tentar. Columbia University Press. 20. Símbolo. a grosso modo. será desenvolvida. Washington. ou rejeita a discussão sobre a ideologia. Ela é para ambos uma mera questão de imputação.SOCIEDADE E POLÍTICA 301 Em decorrência destas novas contribuições. Tbe vargas Regime: lhe critical years(1934/1938). Hilton. Civilização. Três brasilíanístas se ocupariam também do integralismo numa perspectiva histórica: R Levine. . A Tragédia Oaauiana. Plinio Salgado and Brazilian lntegralism (1932/1938). Rio de Janeiro. . New York. de fato.AMPO IDEOLÓGICO Uma das conseqüências mais positivas da retomada do estudo do pensamento político autoritário do período entre as duas grandes guerras é a valorização da ideologia enquanto campo de pesquisa considerado crucial à compreensão do processo mais amplo de transformações' da sociedade brasileira. The Catholic Universiry of America. Elmer R Broxson. 1977. atitudes ideológicas. por partir de modelos onde este fenômeno não encontra lugar como fonte explicativa. Brasileira. 1978. inspirando-se na perspectiva desenvolvida por Lamounier. as análises tradicionais feitas sobre o . especialmente as diferentes interpretações sobre a Revolução de 3D. em outro extremo. ou.) "A Ação lntegralista Brasileira: Fascism in Brazil (193211938)" in O Brasil e a Crise Internacional (1930/1945). "constituir o campo de estudos sobre o pensamento político e de reconhecê10 como uma problemática". após uma discussão sobre as dificuldades e fatores que explicam a pouca importância atribuída aos estudos ideológicos no Brasil. motivações de adesão. ed. apresentado um modelo de análise alternativo através do qual a ideologia integralista será vista de uma forma mais abrangente do que tem ocorrido nas análises tradicionais de ideologias políticas. L DESCRÉDITO E COMPLEXIDADE DO (. Madnacet. O Monitor Integralista. (1I) M. Geralmente. formas de organização e mobilízação 'políticas do movimento. numa espécie de epifenômeno sem nenhuma autonomia no processo histórico. enfatiza o fato de que "a historiografia brasileira. (S. Macbiaoéis. Tendência oposta à rejeição do papel mediador da ideologia na articulação entre as transformações sócioeconômicas e a mudança politica é a tentativa de conferir ao aparato ideológico uma autonomia tal que' se transforme na explicação central da mudança da sociedade.período. busca nas proposições ideológicas o fundamento social de movimentos políticos. São Paulo. p. 1970. Teresa A Sadek. analisando a origem social. 1972. num primeiro momento. Com este objetivo. de Mello e outros).atribuem um peso secundário ao papel da ideologia no processo de mutação sóciopolítica: a ideologia transforma-se. posteriormente. Anauê e assim como de pesquisas de campo e de entrevistas gravadas com ex-dírígenres e militantes. Panorama).

somente nas últimas décadas. pressupondo-se que as idéias estejam "fora de lugar". Pensar e répresentar são momentos da práxis tanto quanto agir". cito pp. toda uma produção teórica gerada no contexto dos unos 30 em função do "descrédito das idéias autoritárias e notadamente da doutrina fascista do após guerra" (14). n. a carência As explicações acerca da pouca valorização dos estudos sobre as idéias políticas no Brasil. mas acerca de todo e qualquer modo de pensar". na expressão' de Wanderley dos Santos. parte-se do pressuposto de que não existe pensamento político brasileiro e que a história das idéias políticas no Brasil não passa de um processo de imitação. fenômeno político. decorre também de uma dupla conjugação de' fatores: de um lado. tem atraído a atenção dos cientistas sociais brasileiros. de outro lado. indaga Lamouníer. em recente ensaio.v 1. mas também em função dos desafios gerados pelas transformações da sociedade brasileira.listas não só acerca da ideologia. mera importação imitativa disso. sob o efeito da Grande Guerra. no fato de que os sistemas de representação estão implicados em toda práxis comum". radicalizadas. Max Weber e Karl Mqnnheim. Segundo a autora "a produção das representações é uma dimensão da práxis social tanto quanto as oções efetivamente realizadas pelos agentes sociais. se nos obstinarmos em considerar o trabalho' do pensamento como um efeito ou uma variável de economia e da po'lítica teremos preparado o terreno para explicações mecanicistas ou funciona. constituir um objeto de estudo?" B. Les idéotogies politiques. a presença de um campo aberto à investigação e que.de Carvalho Franco "As idéias estão no lugar". duas tendências caracterizam esta evolução intelectual: a utilização de um enfoque sociológico em moda na época estimulará o desenvolvimento de análises mais sistemáticas da sociedade brasileira. com inteira razão. p. E adverte que "perceber o desligamento da noção de ideologia para se cobrir' toda atividade do pensamento é no fundo uma operação ideológica" (12). ainda nõo foi produzida adequadame~te'uma t~oria geral da içleologia: "A ocorrência de uma teoria perfeitamente satisfatória da 'ideologia não é. sem nenhuma originalidade." 3. 1976. fundados em no Brasil razões teórico-ideológicas. a posição dos atores sociais e seus conflitos? Como este trabalho de produção e reprodução simbólica pode engendrar uma ocultação das reJações e das experiências? Como a difusão ideológica consegue modificar e'. uma tal teoria suporia que estivesse concluída uma teoria geral do social. Brastliense. Contribuição à História das Idéias no Brasil. Neste contexto do após guerra. A importância crescente atribuída ao estudo das doutrinas e ideologias políticas no Brasil. M. embora. que estivesse realizada essa interdisciplinaridade entre as ciências sociais onde se formulasse uma teoria englobante da ideologia. mas sobretudo uma forma transversal da estrutura social" . Lamounier op. por quais mecanismos. XIX. e mais crindc. manifesta-se a preocupação com a criação de um pensamento nacional autônomo para solucionar os problemas brasileiros sem recorrer a modelos estrangeiros. Franco (17). Paris. Na realidade. (13) "Como poderia". in Estudos CEBRAP n. idéias políticas A existência de um campo autônomo de especificidade do ideológico supõe a resposta a uma série de questões apenas esboçadas pelas ciências sociais: como os símbolos ideológicos traduzem as estruturas sociais. sociológico e psicossociológico". quando precisamente a práxis redefine como o que não se pode renovar sem a mediação do simbólico. insiste que "se nos obstinarmos em considerar a ideologia como reflexo superestruturol do que se passa efetivamente no plano da infra-estrutura. embora noutra perspectiva teórica. 9·14 e 15. como observa Lamounier. da Revolução Soviética e da ascensão do Fascismo italiano. E. Caderno de Debate.302 HISTÓRIA GERAL ~)A C!"lllZAÇÃO BRASlLETRA INIEGRAllSMO 303 Com a mesma preocupação. pp.355. Brasiliense. bem como as dificuldades da área de estudo em questão. Se da Proclamação da República até a Primeira Guerra nenhuma mudança perceptível ocorre no plano das idéias. Marilena Chauí. ou "no lugar". (15) Pierre Ansart. 1956. 'esse processo de reprodução ao nível das idéias sociais e políticas. Se a ideologia é uma estrutura social (uma instituição) ela não é uma superestrutura separável. Rio de)aneiro. São Paulo. "o pensamento autoritário brasileiro. 347. a pouca importância atribuída ao estudo. (17) Roberto Schwartz . se não foi de inovação intelectual. (14) Ibid. a partir da década de 20.S. os (12) Martleria Chauí op. Em razão da universalidade do problema. alguns dos principais fatores que explicam a pouca importância atribuída ao campo ideológico nas analises tradicionais sobre a sociedade brasileira. Entretanto. 1974. São Paulo. nas primeiras décadas da República. Estudos sobre comportamentos dos agentes sociais? Conclui o autór que "a dificuldade da ideologia (e a dificuldade particular do seu estudo) reside precisamente em sua ubiqüidade. não enfatizam suficientemente a complexidade da área de estudos em questão. como constata Cruz Costa. e. no estágio' atual. (16»)oão Cruz Costa. na ótica de Roberto Schwarz. ao mesmo tempo. janeiro 73. como sugere Maria Sylvia de C. ao menos acabou sendo de reelaboração teórica das idéias dominantes na época.. como observa Píerre Ansart.)osé Olympio. Neste sentido considera que a tentação permanente dos estudiosos da ideologia é a de "introduzir um corte entre a prática (que seria o real) e o imaginário (que _seria o ilusório). da "imaginação social e política brasileira". torna-se indispensável constatar. das doutrinas ou ideologias políticas produzidas nos países centrais ("). - . Apesar das contribuições de Marx. desvaloriza-se. cito p. que permanecem essencialmente as da segunda metade do séc. quando um "sociologismo marcado pela influência positivista spenceriana ou o evolucionismo sucederá ao filosofismo do tempo do Império'{"). PUF. revela. em síntese. surpreendente. 102 e 104. pois.(15) Recuperados. começa a 'esboçar-se uma mutação ideológica. um esforço significativo de produção ideológica. por preconceito ideológico. "As idéias fora do lugar".

) A maior complexidade social ali existente (nas zonas de colonização alemã). de um lado. mas também porque são elididos. OFRGS.majoritariamente localizados no interior do município. Ao contrário... "é que o integralismo. mais interessados na preservação da cultura alemã do que na política hitlerista e. p. a historiografia que assim se desenvolveu há muito vem reclamando uma revisão" (18). Tal paradoxo. A "ideologia curupira" O trabalho de G. os "gerrnanístas''. op.4.Os Teuto-Brasileiros e o Iruegraíismo nq Rio Grande do Sul: Corttribuição para interpretação de um fenômeno polltico controoertido. cidade mais representativa da~~lha colonização . uma vez que o paradigma da "ideologia curupira à luz de hoje. isto é. pp. Vasconcellos. Na sua opinião esta interpretação não responde "a questão de sua . (18) B.se "a uma ambivalência na configuração do discurso integralista: seus principais traços ideológicos teriam sido extraídos tanto do fascismo europeu quanto de uma tradição intelectual autoritária no Brasil" (23). São Paulo. A Ideologia Curupira (análise do discurso integralista). vai ~lém do que o título promete. a existência de três grupos tliferenciados:"os "nazistas". 347. Vasconcellos. Nesta perspectiva. Resultaria desse quadro emaranhado de contradições a resposta fantasmagórica à dependência" (22). 1978. brasileiro. a passagem da agroexportação para a fase em que o setor industrial. a alguma influência ligada ao sistema de valores associados à origem étnica. (René Gertz . que já-não cumpre nenhuma função). a presença dos dois fatores conjugadamente constituíam numa situação apropriada para o seu florescimento. apoiando-se em pesquisa realizada em São Leopoldo. quanto ào' relevância para a situaçãó brasileira e em certos casos até mesmo quanto ào' procedência da inspiração autoritária que aqui vicejoú. não lhe satisfaz a caracterização do integralismo como uma "ideologia eclética para designar o fato de ter ele se abeberado das mais diversas fontes. soa certamente mais derrisório ainda o sonho curupira (bem como sua irmã gêmea a ideologia do desenvolvimento nacional burguês.) "O agente da utopia seria o Estado Integral. Fantasmagoria não só porque é irrealizável o desejo de converter o país numa região apartada do processo civilizatório ocídentcl. todavia. a meu ver. os "íntegralistas" recrutando elementos mais jovens. Ciências Humanas.como conciliar o nacionalismo. finalmente.... ed. Lamouníer. por José Chasin na Escola de Sociologia e Política de São Paulo (O Integralismo de Plínio Salgado: forma de regressividade no capitalismo hipettardio) a) (20). pois. NOVAS ÚITERPRETAÇÕES SOBRE AJDEOLOGIA OOEGRAUSTA malogrado o nacional-populismo. mas no limite inconfesso. uma vez que a análise do discurso deixa a desejar porque centrado em textos preponderantemente do pensamento pré-integralista (anteriores à criação da AlE em 32) não sendo. p. isto é.. Vasconcellos op. No capítulo intitulado "Fontes nacionais do discurso integralista". ainda que abstrata do imperialismo econômico e o arremedo às claras. O Iruegralismo de Plinto Salgado. tornaram o campo especialmente fértil para a penetração do fascismo.especificidade. A primeira delas! foi apresentada ao Departamento de Ciências Sociais da Universidade de 'São Paulo. na exata medida em que a burguesia local se internacionaliza. de outro. em nível local.forma de regressiuidade no capitalismo bipertardio.. A questão principal que procura enfrentar o trabalho de Vasconcellos é buscar a especificídude do integralismo enquanto discurso numa sociedade capitalista periférica.304 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA " SOCIEDADE E POLÍTICA 305 de análises sobre o pensamento político reflete-se na própria interpretação histórica do período: "equivocada.. p. os militantes e dirigentes '-locais do movimento em São Leopoldo. apresentam características em que a variável étnica é de importância relativa. Neste sentido. 131 Vasconcellos. Ilustramos. cit. p."' Porto'. representativo da ideologia considerada globalmente. posto que todo discurso fascista ostenta ineludivelmente . ca. abordando. op. o estudo sociológico dos resultados eleitorais e sua distribuição nos diferentes distritos e sede do município. nessa utopia. que o integralismo conquistava estes adeptos com maior facilidade quando eram dadas certas condições políticas e locais específicas.. a problemática da natureza do integralismo (19).' 11. o discurso ostenta um traço que o diferencia de seus congêneres europeus a saber: a fantasmagoria de uma utopia autonomística em relação às nações capitalistas hegemônicas.' como exemplo. analisando criticamente as interpretações tradicionais. cit. explica o autor. a denúncia. op. 1 e 2 . os fundamentos concretos da dependência". (20) G. cit. cito p. São Paulo. op-cit. deixou perplexos os "camisas verdes". sob diferentes perspectivas analíticas. proteger o Brasil da luta de classes. aliada obviamente." A análise crítica das interpretações tradicionais. quanto à importância teórica. A redefinição da dependência em 1930. dos fascismos europeus. num beco sem scrídc. Vasconcellos. E estas variáveis associadas eventualmente à variável étnica. . passa a ser o pólo dinôrnico da economia brasileira.'\~ . o objetivo. nacionais é estrangeiras" (24). a ausência de grupo social específico e de condiçães locais favoráveis reduziam a força integralista ao mínimo. também foi elaborada uma dissertação de Mestrado em Ciência Política. que é vista como intrusão forasteira. (21) (22) (23) (24) G. não questiona o mérito indiscutível da contribuição do sociólogo paulista que propõe uma interpretação original sobre a natureza da ideologia integralista: "embora de ponta a pónta mimético. Chasin. 1977 e). identificados ao nacional-socialismo e geralmente constituídos "por alemães natos. op. em dezembro. Ciências Sociais da USP.a1emã no Rio Grande do Sul. (19) Em 1977. 61 . explicam o fenômeno ( . (. 1977). "O cerne da nova tese". Dep. subordinando-se aos interesses das corporações multinacionais" (21).quer floresça num país hegemônico ou periférico .. por Gilberto Vasconcellos (A Ideologia Curupira: análise do discurso integralista) e a outra defendida.. valorizam a qualidade acadêmica do estudo em questão. uma ideologia heteróclita em virtude de seu extremo irracionalismo" (25). teuto-brasileíros e . Vasconcellos se. 41 (25) Yasconcellos. inclusive ~ de origem policial: O autor constata.. A partir desta A partir de 1977 a produção acadêmica se enriquece com duas novas teses de doutoramento.uma salada teórica. articulando-se com a análise histórica e com a coleta de depoimentos e de documentação inédita em língua alemã. Alegre. fica aquém. o autor refere-.

com vigência explicativa para os períodos posteriores à década dos 30. (29) Enquanto Plínio desenvolve um modelo de Estado familiar corporauvo . porém. cinco obras importantes para a compreensão de seu pensamento político-ideológico (28). Miguel Recrie:faltam.. . corporauvismo italiano e Barroso por sua vez que era mais influenciado pelo nacional-socialismo. em síntese. teria como objetivo "proteger o Brasil da lutcr' de classes". a discussão em tomo do paradigma analítico subjacente. com exceção do fascismo italiano. a nível ideológico. embora subordinada economicamente. exprimindo "a contradição de uma burguesia que. se reproduz genericamente sob a forma da "ideologia curupírc" (simbolizada pelo "duende de pés voltados para dentro" como expressão da resistência nacionalista à influência estrangeira). A questão que poderia ser posta. prefere a expressão: chamada por ele ~esmo de "Estado social-totalitário Integra!". uma especificidade que. e as ideologias do "desenvolvimento nacional" ou "nccíonal-populísto" difundidas sob a capa protetora da dominação política e econômica dos anos 60 e 70? Deixando de lado. . começa a se apegar à ideologia d~ desenvolvimento nacional" (28). cit. paradoxalmente. seria. . até mesmo. O Operariado e o Integralisrno (1934). a sínçulcrídcde do discurso ideológico fascista se configura. ínspírando-se no. de uma "utopia autonómística" com relação às nações ccrpitcrljstus hegemônicas. p. a expressão do "estágio evolutivo do pensamento'" burguês na periferia". seria interessante centrar as çonsiderações críticas apenas no discurso integralista e em sua interpretação. é desenvolvida essencialmente por Miguel Reale. na medida em que f(~ga no interior do discurso. nã!?podem representar interesses de classe homogêneos. CUJO nucleo de base é a organização dos grupos naturais a partir da_unidade familiar. Teoricamente a hipótese parece fascinante. alguns aspectos merecem ser comentados. embora mereça alguns reparos no que concerne à ideologia integralista. em busca de canais de manifestações políticas e que se exprimem através de uma contra-ideologia que não logra a conquista do poder político. o que existe de consistente na teoria do Estado Integral que. 1933. em' cada sociedade onde ele florescia e a percepção de um sentido da história marchando para o fascismo em ese~la internacional. pois. Caberia perguntar. Neste sentido. um nacionalismo exacerbado e uma influência e. apesar de alguns traços permanentes. VasconceIlos. desde os primeiros escritos no (26) G. p. de um lado. O discurso de'Plinio Salgado ideológico é apresentado estaticamente quando se percebe de forma explícita. sem prejuízo do reconhecimento da fertilidade conceitual da hipótese central do autor. mesmo na Europa. Maiores detalhes sobre a concepçao do Estado Integralista. De outro lado. (1?. ainda que contendo evidentes traços 'comuns. solidariedade ideológicá com o fascismo internacional. i Eoolução do ~mento Outra dimensão que poderia ser questíoncdc é a ausência de uma perspectiva evolutiva da ideologia. respondem a estágios do desenvolvimento capitalista diferenciado e. é a seguinte: até que ponto a redução da especificidade da ideologia à "utopia autonomística" não corresponde na realidade a uma leitura preponderante dos textos pré-integralistas da fase modernista de Plínio? O questionamento se justifica porque se constata na análise a ausência de referências à literatura de conteúdo mimético mais explícito. cit. Aiuaiidade de um mundo antigo (19~6) e ABC do IntegraltsmO. em função da fundamentação empírica da hipótese de Vasconcellos. uma vez que esta é precisamente a especificidade de todo o fascismo que se reproduz. tanto na ideologia do "desenvolvimento nacional" dos anos 50. modalidades de discurso ideológicas. In ? Barroso. vide in Helgio Trindade. A "ideologia curupírc". No nível explicativo global não sutisfoz a crítica à interpretação do ecletismoideológico integralista. não parece caber na mesma categoria de "ideologia curupiro". o autor. Integralismo em Marcha. se poderia ser enquadrado. Rio de janeiro. em conseqüência. Brasil-Colônia de Banqueiros (1934). O próprio nacionalismo que é um dos temas constantes de sua obra. O argumento desdobrado pelo autor como paradigma explicativo da emergência de "ideologias do desenvolvimento nacional" é inteiramente plausível. evolui sensivelmente. . -----cz:7) . porém. Judaísmo. pp. segundo a interpretação contida na tese.37).306 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA lNTEGRAllSMO 307 postura crítica propõe como hipótese central que o traço diferenciador do integralismo com relação aos fascismos europeus foi a elaboração. segundo. 3. O Q~to Império (1935) e A sinagoga paulista (1937). . Em todo fascismo coexistem. quanto do "nacional-populismo dos anos 70". enquanto expressão do "pensamento burguês na periferia". 227-232. o que conduzia necessorícmenfe ao ecletismo do discurso. no tipo de combíncçôo entre o nacionalismo nascente. como manifestação dos mesmos interesses da burguesia. a ideologia integralista preponderantemente associada às camadas médias urbanas dos anos 30. (28) A Formação Política Burguesa (1934). neste caso. cujo objetivo seria o de converter o Brasil num país isolado da civilização ocidental. Schmidt. e do Secretário Nacional da Doutrina. Verifica-se. Reale constrói Q modelo do "Estado-smdical-corporativo". Mesmo o pensamento de Plínio Salgado. 81. O Capitalismo Internacional (1937). \li partir da orgamzaçao sindical. op. inspirada nos fascismos europeus dos anos 30.. com a "ruptura imaginária dos traços de dependência".. a presença de uma transformação dos conteúdos ideológicos através do tempo. raça nova e comunismo (1937). Neste nível. op. ao menos. que se encpntra ausente na análise (29). preciscmente. Noutro nível de análise. uma utilização restritq da literatura integralista produzida no período da vigência da Ação Integralista Brasileira (1932 a 1937): os escritos de Plínio utilizados estão mais direcionados a questões relativas à problemática do modernismo e as suas polêmicas literárias e na bibliografia não aparecem os livros anti-semitas de Gustavo Barroso (7').

O paradoxo da análise decorre da valorização explícita do autor quanto à importância crucial do período histórico no qual se insere o Integralismo para explicar algumas das proposições centrais do trabalho e o fato de que todo o estudo passa-se num limbo societal..a ideologia integralista e o contexto histórico brasileiro. . a referência não diz respeito apenas à ideologia. que cria uma organização pólítícc hierarquizada. Este personagem é obviamente sensível à polarização sertão/litoraL à desagregação cosmopolita. março/abril. mais express. inclusive. que o Integralismo tenha sido exclusivamente um mimetismo ideológico. incorporando ao campo analítico do integra lista a complexa literatura sobre o tema. pp. p. mas a condições históricas que explicam a implantação e expansão de um movimento político-ideológico que se transformou no primeiro movimento político de massa no Brasil.p. fundada no nacionalismo telúrico do futuro chefe integralista do que algo representativo da ideologia considerada em sua totalidade. quando está afirmado na conclusão que não se pode dizer que o "integralismo tenha sido. exclusivamente. referido não era o de determinar a especificidade do discurso integralista. e partindo em viagem pela Europa numa atitude simbólica de ruptura. é diferente da atitude exacerbada da figura visionária do filósofo Morcndubc do Cavaleiro de Itararé. A adesão ao fascismo de setores importantes da população e a aceitação de sua organização paramilitar não se explicam sem condições internas favoráveis. op. Panorama. cit. Riode janeiro. personagem central do romance O Estrangeiro de 1926. não se pode desmerecer a criatividade das suas duas partes centrais que se constituem nas principais contribuições do autor: a primeira oferece uma rica interpretação psicanalítica do discurso ideológico integralista. O Plínio fascista de 1930/32 revela-se insatisfeito coma experiência jomclísticc no Correio Paulistano e. social e político dado.. até os escritos ideológicos do após-3D. . 45 e 219·226. Em conseqüência. de modo sastifatório. mas às condições históricas internas e externas que se conjugam na emergência da Ação Integralista Brasileira. demonstrá-Ia. especialmente no capítulo dedicado à "utopia narcisista". a segunda. aos amigos sobre a obra de Mussolini e. com a impossibilidade de renovar o velho perrepismo paulista. com entusiasmo. as condições internas favoráveis não se referem às fontes ideológicas.iva do discurso pré-integralista. se não se consegue mostrar sua diferença em relação aos fasçismos europeus porque então não reconhecer que o integralismo é inteiramente mimético?" E acrescenta: " Até mesmo a análise de Helgio Trindade se afunda nesse imposse" (32). incorporando a evolução da mesma e suas tendências doutrinárias internas? Outro aspecto que merece um comentário no trabalho de Gilberto Vasconcellos diz respeito à relação entre. pp. ou seja. 203. cit. cit. a ausência de uma análise histórica do período não permite distinguir as mudanças sensíveis no posicionamento ideológico do chefe integralista. um mimetismó ideológico". op. Por sua vez. entretanto. Mesmo questionando-se alguns aspectos da análise do trabalho de Gilberto Vasconcellos. cit. em análises que não conseguem. ed. Yasconcellos.o)deo~ógico. O texto que dá origem à observação supra citada é o seguinte: "E verdade que seu conteúdo ideológico se apoiou amplamente no fascismo europeu. não será homogênea.' Ora. com características fascistas (31). O questionamento subjacÊmte à observação crítica feita anteriormente poderia ser recolocado nos sequintes termos: a "utopia autonomista" enquanto especificidade da ideologia integralista não seria. Constata-se cofínal da leitura que a perspectiva analítica que supõe a incorporação de um contexto econômico. . '0 Plínio chefe da Ação Integralista Brasileira de 1932/1938 terá o comportamento de um dirigente político que definirá sua estratégia política e sua produção ideológica em função dos desafios gerados pelo contexto político posterior à Revolução de 30 e a atitude de Plínio. segundo Vcsconcellos. Na realidade. Evolui igualmente sua atitude em relação ao fascismo: o nacionalismo do professor Juvêncio. mas o de definir a natureza de um movimento político. 66 e 75.289. (31) Helgio Trindade. porque cantavam o hino fascista. 1936 e o artigo "Corno eu vi a Itália". tem redundado em equivocadas deturpações ideológicas ou. na cena em que degola os papagaios. op. publicado em 1932. Retomando em síntese. 59. seu encontro com o Duce (33). H Trindade p. 1932. Não se pode dizer. sociais e políticos com a crise ideológica das elites íntelectuaís. diante dos seus alunos. Neste sentido.ção deste ângulo parece equivocada porque o objetivo do t~abalho (30) Neste particular vide Helgío Trindade. na verdade. ao choque de valores diluidores da identidade nacional e ao mal urbano. Plínio Salgado. A obje.. tais condiç6es surgem durante a evolução histórica entre as duas guerras mundiais pela conjugação dos conflitos econômicos. Uma das implicações desta postura analítica repercute na questão das fontes nacionais do discuF. sobretudo. na 'realidade exclui qualquer referência a espaço histórico na configuração da ideologia. os comentários críticos ao estimulante trabalho desenvolvidp por Gilberto Vasconcellos poder-se-ia dizer que a "ideologia curupirc" em estado puro. Finalmente. (32) G. sofre alterações significativas no conteúdo ("'). Este Plínio sofrerá o fascínio da experiência fascista e escreverá.308 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA SOCIEDADE E POLÍTICA 309 Correio de São Bento em 1916. Esta limitação transparece na re'ferência a um "imposse" na determinoçõodc especificidade da ideologia:/'a busca de especificidade do discurso integraHsta. corresponde mais à fase pré-integralísta centrada na experiência modernista e jornalística de Plínio Salgado do que a fase marcada pelo advento da Revolução de 30 à qual o Manifesto de 32 e a fundação da AIB pretendem ser uma resposta condicionada basicamente por parâmetros históricos nacionais. que denomina "Associação dos Fósforos de Segurança". Hierarcbia. São Paulo." op. (33) Yide cartas de Plínio na obra coletiva. O Plínio modernista de 1922/30 é o intelectual interiorano que se transfere de São Bento de Sapticaí para São Paulo vivenciando o impacto urbano. neste particular. no contexto do período de 1920a 1940.s.

onde. O l~tegrahsmo mantém o princípio da organização sindica~ num r~g. o movimento modernista e. op. os protestos e as afirmações de Sclqcdo a mero resultado de dissimulação tática. cit. ~~~ os aspectos antipluralistas da ideologia fora~. Na r~produçâo ~este texto foi eliminada qualquer referência à umdade ~mdlca~:.lme p~~lhCO onentado por princípios cristãos". E Chasin não concordando com o anéitema de fascismo que.310 HIST6RIA GERAi DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA costumes alienígenas..!~açoes. 6 p. p. 239. n~ hvro refendo aparece apenas esta frase: "no Estado lntegra~.rsl~eU. 131. E conc~ul n~~ tom justiceiro: . favore. . exóticos" (37). Chasin. começa a citar passagens de O Iiüeqralismo perante a Nação. 652.pnmldo~. p.'a nosso ver.. para a formaçao do po~er p~bhco . . classificaram-na como ideologia destruidora da liberdade.su. sensibilizando-se com a autocrítica do chefe da AIB: "Neste livro além 'de recomposição histórica de fatos maldosamente deturpados.ce ~ 'plural~dade sindical dentro do regime liberol vigente. pois: ~ontestar a qualificação de fascista ao discurso pliniano. o que é mais grave. editado em 1950. Chasin.. sobretudo. ano da publicação do primeiro manifesto modernista. e~cri~osno apos s. No texto transcnto.. mas tambem o prmcipro da rrgorosa unidade sindical num regime político. o caráter político da produção literária de 22" CU). Vasconcellos. op. at. E acusa a estes autores de terem considerado "com demosícdc ligeireza a questão que assim definha em simp~es ~~q~iavelismo ~âo sendo efetivamente alçada à condição de Pl12blema científico . mas cinco anos mais velho". defende a tese de que "desde 24. todos os brc. de 1937. já se observa. elinlina-se. Chasin acrescenta o seguinte comentário visivelmente enredado na linguagem de Plínio: "Estes trechos revelam melhor sua intenção se a eles se ocrescentcrr um outro pertencente ao mesmo livro. O ertíqo XXdas Du~trizes lntegralistas". op. Con~ta. poder-se-é apreciar toda a evolução de um pensamento político cristão. afasta-se ao mesmo tempo a posaíbrlidcde de (37)J. injustamente. Este ardor paradoxalmente revi sionista em função da postura teórica do autor írcque]c. cit.e fO. jamais efetivam uma anahse de ~eus textos". com argúcia e sensibilidade literária.?gund~ ~uerra. como documentação de apoio à sua conclusao fmal de q.1 acr~scentada a seguinte frase: "O integralismo é pela or~amzaça? c?rpOra~l~a nao meramente econômica. por ~xemplo. cit.: ~ possibilidade de Idenhf~car o porquê de o ideólogo tanto insistir na brcailidude. Pau Brasil de Oswaldo de Andrade.. 'portanto. sem que ele disto se dê conta. porém. das fona er: tes do pensamento de Salgado. nota 10 .?S co~aborarão. porem economlco-pohhca exprimindo assim a democracia orgânica" (39). op. cit. p. Chasin. nota 4. Penetrado de sentimento brasileiro até a medula e tírnbrcndo em criticar acremente todas as instituições e (34) G. " atribuíram-lhe a vergonha de copiador de regimes ~~l=s Textos irue- Se a tese de Vasconcellos pode ser considerada polêmica em função da diversidade. nas primeiras páginas de sua "Introdução": abstraindo qualquer cronologia histórica e não percebendo a tentativa de Plínio. integro:l" . op. por parte do autor.op. transcreve novamente uma passagem de um Salgado travestido em democrata cristão: "(o integralismo) baluarte do respeito à pessoa humana desde sua primeira hora. o problema crucial da "politização do modernismo". no grupo a que pertencerem. em responder ao apelo do chefe integralista que "reiteradamente afirma a originalidade de seu pensamento. no afã de escamotear a linguagem ícscistc do seu discurso ideológico (menos enfático deve-se reconhecer do qu: transparece na. de enfoques analíticos utilizados para captar multíformes dimensões do discurso pliniano. vide Helgío Trindade. de saída. como que se esquecendo da epígrafe de Marx.ao fere a ~emocracia extinguindo os partidos políticos". Chasin mesclou anahhcamente textos pré-integralistas anteriores ao manifesto de outubro d~ 1932 com textos posteriores ao fechamento da Ação lntegralista. (38)J. e também. 34. justamente no hvro de Plínio Salgado cltad~ antenormente. provocou deliberadamente adulteraçoes nos textos onginais dos documentos oficiais transcritos. Teoricamente monolítico e apoiando-se exclusivamente em textos de Plínio Salgado. pp.ta-se. embora não de forma esccncorcdo. lança-se numa minuciosa e discutível tentativa de penetrar no sentido último da cosmovisão pliniana. E. Decorre que. o chefe integralista. teria sido atribuído ao integralismo. à maneira do fascismo. declara que o mtegrahsmo.ue.. ) O lntegral. Preocupa-se. de suas for~. A preocupação de Chasin com a natureza da ideologia integralista transparece desde as primeiras páginas de seu trabalho. após escolher como epígrafe um texto de Marx ("Toda ciência seria supérflua se a aparência das coisas coincídiase diretamente com sua essência"). INTEGRAllSMO 311 reinterpretando. como se vê dos Estatutos da Sociedade que fundou e do Manifesto com que . A partir desse equívoco iniciaL Chasin começa criticar os autores que "reduzindo.lsmo n. cit. Chasin.rr raiz brasileira de suas idéias e sua distinção do fascismo europeu" (36). o trabalho de José Chasin peca por qualidades inversas..apareceu. . o fio condutor de sua análise é um esforço exaustivo e monocórdio em negar o caráter fascista do integralismo a fim de presérvar sua premissa básica que só admite a existência de fascismo como "um fenômeno de expansão da fase superior do capitalismo" (35). Procurando. no seu interior.. O artigo XXIVfoi tambem modificndo: ~o Est~do Integral tornam-se desnecessários os partidos políticos (. r b) A ideologia do "capitalismo hipertardio".s obras de Miguel Recle).. (36) J. an!olog~c~ e teleologicamente fascismo e integrali~mo se op~e~ como ob)et~vaçoes dls~mtas" (38). democrático e nacionalista" (grifo nosso). de desfazer-se da roupagem fascista em 1950. (39) Maiores detalhes sobre este aspecto. (35) J. 3 e 33 Estes deslizes iniciais poderiam ser irrelevantes no conjunto da obra se eles não prenunciassem uma utilização sistematicamente inadequada.

nem fascista. e as condições do Brasil de 30 são entendidas como fundamentalmente semelhantes às da Itália. Alemanha e outros países da mesma época (").00) o problema central. que é evidentemente fundamental (40). em se. a partir de uma Além disto. (41)]. eu. muita genérica. mas que considerou o integralismo como um movimento político inserido concretamente no processo histórico dos anos 30 (43). Teresa Sadek. Chasin se opõe de forma radical. a possibilidade de vigência de qualquer tipo de fascismo. que muitas vezes afastam-se de tal modo da -orígínal que apenas dificilmente poderia Identificar-secom a que lhe deu vida. o menos fascista dos teóricos integralistas. cit. O caráter extensivo da leitura de Chasin à ideologia pliniana é diretamente proporcional à necessidade de legitimar seu argumento: "o fascismo é uma ideologia da mobilização nacional para a guerra imperialista (40)]. a partir das condições reais nacionais buscar o que faz com que idéias européias desloquem-se de seu lugar e. op. Revista de Ciência Política.. buscar a refutação de estudos de natureza abrangência diferentes ("). do ponto de vista doutrinário.Sadek. de um lado. mas também as condições de sua possibilidade. Apesar de não ser inteiramente convincente 'a classificação do pensamento pliniano como sendo uma visão conservadora do mundo" diferenciada e. ao mesmo tempo. o trabalho tem o mérito de postar-se. "as idéias estão no lugar quando representam abstrações do processo a que se referem". (45) M. a nível de discurso ideológico. deixem de ser abstrações dos processos a que se referem. até mesmo. Não seria o caso de questionar se a viabilidade de um mimetismo ideológico não suporia que as idéias estivessem "fora de lugar". A referida interpretação. no erro de comparar a ideologia int~9lista global com corporíficcções diversas da ideologia pliniana. de sua tentativa em negar o mimetismo ideológico. 24.op: cit. não apenas uma deformação (deslocamento).)uI!Set. justamente. Este equívoco decorre da afirmação mecanicista ao reverso que. Chasin. pp. Se levarmos em consideração que a ciência não é caracterizada pela noção que a produziu.pp. portanto. 1978. mesmo no período da AIB. . "não só o mimetismo é afirmado.. tentar captar. admitir que. que se colocaria para o analista das idéias no Brasil. cujos textos são buscados de forma indiscriminada antes. poderíamos perguntar se não mereceria estudo ou debate sobre o que foi importado. 161-180. parece contestável" a assertiva de que o mimetismo seja um "pressuposto". ela é uma hipótese de trabalho comprovada empiricamente através de uma análise sistemática que não se cingiu ao nível do discurso ideológico. p. citando Schwarz. num trabalho sobre o Integralismo. 34 e 35. como muito bem observa M. como estas idéias conseguem ser importadas e reelaboradas não só pelas elites intelectuais.T. incorporado no movimento integralista. op. metodologicamente. ca. 21 (3). ao fato de que "a crítica ao integralismo tem sucumbido à explicação mimética na medida em que esta tem sido o pressuposto mesmo das análises até hoje realizadas e não o seu produto analítico" ("). 177)." M. a especificidade da ideologia que colocou como problema fundamental "o da relação entre indivíduo e sociedade" (p. op. Em outros termos. acrescenta: "Se no Brasil as 'Idéias estão fora do lugar' é porque delas nos apropriamos. seria o de. e que o objeto da explicação deveria. e Nesta linha de análise.. durante e depois da existência da AIB.si mesmo porque se tenha preferido imponar tal teoria e não outras. tratando de sociedades econômica e socialmente diferentes. Alemanha e outros países de mesma época" (o que seria uma aberração histórica) e. A partir desta perspectiva crítica adotada pelo autor no início de seu trabalho. DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA SOCIEDADE E POLÍTICA 313 determinar a natureza real de sua doutrina. p. p. ao menos no contexto do estudo aludido. endosso os. embora fora de lugar.cornentáríos críticos de M. de Araújo propõe-se a fazer "uma análise sistemática das categorias (no sentido que ele é dado por Durkheim) que formam o discurso íntegralísta". com traços semelhantes ao fascismo ideológico. metodologicamente. Tampouco responde porque. Pois O simples fato da importação de idéias não responde em . A distorção básica da análise de Chasin provém.permitindo que as pessoas se integrem no processo social através de convicções refletidas e não (só através) da força bruta" ("').312 HISTÓRIA GERAÍ. embora tenha permanecido rium nível descritívo. porém. Ora. o chefe integralista foi. Mas.. para rejeitar. transferindo-as para um contexto que tem muito pouco a ver com sua matriz original (. o autor concluísse que o seu conteúdo não seria nem mimético. Poder-se-ia. portanto. Araújo (Ricardo Benzaquende) "As classificaçõesde Plínío: uma análise do pensamento de Plínio Salgado em 1932 a 1938". bem como. com o objetivo de "perceber a lógica própria do pensamento de Plínío". uma vez que ninguém pode negar que. (44) Recente artigo de Ricardo B. desempenha sua função . a análise desenvolvida sobre a sociedade brasileira fundamentasse o mimetismo na existência no Brcsíl da época de condições "semelhantes às da Itália. é misturar níveis analíticos diferentes e. aflora o segundo equívoco que inspira sua revisão da "análise tradicional". estando sua análise centrada tão-somente no pensamento de Plíâío Salgado.. Em conseqüência incorre. Nestas condições o integralismo é um fascismo. esta sofre transformações específicas. como foi utilizado ou deformado. mas também o modo pelo qual aquela ideologia. 34. Chasin. supõe que. de outro lado. a questão análise de conteúdo de textos. a concepção analítica subjacente à abordagem de Chasin. por definição. no trabalho criticado. (42)/bid (43) Com relação à questão do "mímetísmo". na sua ótica. consegue estabelecer um esboço sintético da "lógica específica da reflexão" de Plínío Salgado. evitando as confusões entre análise de ideologia e do movimento. ao ser escolhida determinada ideologia. E nesta busca. já que. mas também como penetram em segmentos mais amplos da sociedade? Na realidade. O que não parece plausível. 26. tenta caracterizar o capitalismo brasileiro da década de 30 como sendo "hipertordio". utilizando-se apenas do discurso de um dos seus teóricos.Teresa Sadek: "A questão da imitação foi com freqüência mal colocada.Teresa A Sadek. procurou o autor dar fundamento de realidade à ope~ação mimética hipoteticamente constatada.

a crítica fundamental: "Negando que seja possível aplicar no Brasil. então Chasin prefere dizer . despreparo. cit. Ch~sin pr~ura. sugerir que a imagem da Crise . Marilena. mesmo porque seria aberrante no contexto d~ se~ quadro teórico. Chasin. no. Sua argumentação apresenta o que há de melhor nesta linha. embora respeitando a abordagem teórica de Chasin. "o mte~rahsmo de Salgado se põe. 39 e 61.. cit. ~onta da stngularízação histórica brasileira isto é das práticas sociais (vale dizer econômicas.t~ de 1928 a 1930. Concordo com Marilena Chauí quando diz que "Se número. onde se entrevistara com Mu~solini. imaturidade. op cit. aliás. 647. ninguém melhor que Antônio Cândido para. a .. espaço e tempo I)ão diferenciam.. como nova abordagem. muitas vezes. . o nosso autor.m. op cit. na prolixo retórica de Salgado. em certa medida e a um tempo dado. caricaturalmente. propõe. se esta perde seu caráter fascista e. Chasin limita-se apenas à obra de Salgado desvinculada de qualquer análise do período histórico em qu~stão. tão caluniada pelos ~bnos d~. mes!D0 quando dela discordo. Chasin. segundo os destínatários que el~gem". de forma elegante. mterpretar as diferenças e conflitos entre os documentos segundo as representaçoes que oferecem do social. apos seu retomo de viagem à Europa. ruralista.~atlca ~o fasc~smo não pode ser dissimulada. 235. brotam perspectivas analíticas novas) "não tomar como critério a adequaçao ?U ínadequação entre o texto e o real. estimulada pela crítica de Chasin à interpretação "tradicional". irracionalista" da ideologia integralista. não a continuidade cultural em relação às matrizes européias. op. porém. 25.Entretonto. a teoria pliniana da história. se não exprimem o proc~o intern_opelo qual aquílo é o mesmo (o modo de produção capitalista) existe engendrando suas díferencíações internas necessárias (no caso os diferentes países capitalistas). do político e da história e. cit. ambos de autoria do futuro chefe íntegralísta. tem um outro mais preciso e que a alimenta. quando se atinge ao final do livro. enfatizados por Chasin ("'). 31' e os discursos do da Câmara dos Dep'1. (53)] Chasin..' próprio prefácio do livro de Chasin. em função do conteúdo "espiritualista. uma proposta de freiagem de desenvolvimento das forças produtivas com um objetivo ruralista" (<6). entao.. (48)]. ~ara dar. a autora dispõe-se a penetrar ~a 'complexa qu~stao do desunatlr!? do discurso" integralista para.34).op.que teve o mérito de tentar uma penetração em profundidade no pensomento de Plínio Salgado e de incorporar ~ anédise. (47)]. ~p. rastreando a composição genética do nacional-socialismo" (48). . porque impede o retomo dialético aos conceitos. o autor se embaraça. p.u!lhzaçao . etc. mas também receio de sucitar confusões ("). Aliás. como no artigo "Como eu vi a Itália".identificaç~o que. nccíonolísto. p. pp.: p. reahzando monótonos 'vaivéns analíticos. ao analisar "o imaginário integralista".. se engrena numa linha de pensamento que prefere salientar a diferença brusíleíro. 149).que o fa~clsm<:. negar a presença de qualquer traço ideolóqíco faSCista no mtegrahsmo.. inclusive documentação inédita (49). porém. Um dos méritos indiscutíveis de Chasin. No longo percurso d~scritivo. os fascismos a manifestações imperfeitas da idéia integralista. tradicionaIisrno e irracíonalísmo . p. em conseqüência vincula-se a um outro universo ideológico. publicado em abnl de 1932. Até mesmo quando Plínio manifesta explícitas slm~tlas pelo foscismo. sendo que o espirítualísmo é a última Instância da ideologia pliníana'' ]. conceitos extraídos de outros contextos históricos e sociais. escrupulosomente. DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA lNTEGRAllSMO 315 que se pôs nas formações de capitalismo tardio quando estas emergem na condição de elos débeis da cadeia imperialista e o integralismq uma manifestação de regressividade nas formações de capitalismo hipert~rdio. op. em diferentes sentidos é o "tema mobilizador dos lntegralistas: "A· dramaturgia da crise. AnaIS . Finalmente. que desperta no autor admiração. contanto que não seja pago o ô~u_sde_um~ . Chasin. dissociá-los é uma empresa nova e arrojada. . mas a representação do real veiculada r:1o texto. polítícas . independentemente do fascls?t0. op. colocar..' op cit. 616. em sua essencialidade. em seu estimulante ensaio sobre a AlB (de cuja leitura. em relação ao integralismo. e. (52)]. A panir desta postura analítica. afirmando. mas este aí se encontra genericamente convertido à fórmula integralista" (52). Divergindo. foi o de ter conseguido estabelecer uma lógica interna na temática ideológica de Salgado que o próprio autor jamais conseguiu ou pretendeu realizar!. ) Em outros termos. pp. a inconsistência maior da' tese de Chasin decorre de . . Penso que o fascismo funciona como um destes.mas que e~te é. mas na realidade sua proposta de análise é bem mais modesta: enquanto o filósofo húngaro percorre "dezenas de autores. e. na última pane de seu ensaio. . para sustentar sua hipótese básica. ~?caín~ literária. 16.e Ideológicas)? In Chauí (Marilena). (49) Por exemplo: o Manifesto da Legião Revolucíonárta de São Paulo de. Chasin. que "Roma fascista. . p. (51)].vazio. . . cit. 462 e 463. Na perspectiva do autor.. da mesma forma em que Gustavo Barroso ao escrever seu livro O Integralismo e o Mundo reduz. Salgado em alguns de seus artigos de A Razao faz a defesa e o elogio do fascismo. conseqüentemente.posltura mte!1ralista( . a tríade . A drarnaturgía da crise é o contraponto necessáno para neutralizar a revolução" (p. Apesar da desproporção entre a ambição teórico-metodológica do autor e o campo da análise efetivamente percorrido. (46)]. 462 e 463. mas também alguma coisa que ela tem de menos seguro. a questão controvertida que per~anece é a de saber. importação de idéias.. (50) Segundo Ch:. além desse papel que permite ~ emergência da ideologia nacionalista e mítica. pp. . .314 HIST6RIA GERAL . sem mais aquela. levando a certo perigo de particularização que' pode comprometer o entendimento adequado dos fatos. por exemplo. ele mterpreta como recurso tático. constitui atualmente a suprema garantia da ~lberda~e ( ).~ndante da ideologia salgadiana" é "Esplritualismo. a partir de uma ordenação discutível dos textos. Em síntese. ""-li\.nao é outra coisa do que uma figura muito próxima à própna pr<:.. Chasin aceita o argumento megalomaníaco de Plínio Salgado de que "o integralismo e fascismo não se confundem na ~edida em que o fascismo é dado como um estágio inferior ao integralismo" ( ). op. cit.. seria improcedente". não se pode negar uma certa frustração. Chasin. um prestigioso porcerro a quem taticamente convém remeter. GOmo explicar que os intérpretes usem categorias como atr~ tardio. O autor propõe-se a oferecer uma "explicação alternativa" a partir de uma "investigação balizada pelo talhe histórico-genético praticado por Luckccs". Quando. Chasin.

cujos escritos reforçaram o conteúdo fascistizante da _ ideologia: o primeiro com a concepção de Estado inspirado no fascismo italiano e a segunda com os componentes anti-semitas do nacional-socialismo. a confusão conceitual geradora de equívocos sob a capa protetora da "científícídode". outras fontes escritas (implensa. além da ideologia do qual ele é porta-voz. o integralismo.n considerar ideologia política como expressão de um grupo social determl~ado . O que tem ocorrido quando estas regras elementares não são seguidas é. a ideologia comunista como uma certa concepção de mundoprópria aos que se reclamam do comunismo" Touchard (jean) lntroduction à l'ideo 10gie du Parti Comuniste Français in Le Comunisme en France. com os estudos que analisam a ideologia de um partido de tal tipo. conforme sua latitude. enfim. a ideologia dos dirigentes políticos. O que acontece.recusando a pno. em princípio. motivações de adesão-de seus militantes e sentimento de solidariedade com o fascismo internacional. mais do que uma ideologia. recusando igualmente empregar o termo ideológico com uma conotaçao pejorauva como o fazem. finalmente. homogêneo. transmitidas pela imprensa partidária ou a percepções de dimensões individualizadas da ideologia a nível dos militantes e eleitores (55). a questão não se restringe ao estudo da ideologia em si. o campo analítico deve abranger também a organização. a caracterização da ideologia integralista seja como "utopia autonomística". sem que se procure penetrar em outras camadas da ideologia. Secretário Nacional de Doutrino e de Gustavo Barroso. mais ou menos conscientemente. . certamente.316 HISTóRiA GERAL DA CIVlUZAÇÃO BRASILEIRA SOCIEDADE E POLÍTICA 317 deficiência ria documentação selecionada que. um ou mais teóricos e. sobretudo. cit. . A ideologia . a ideologia dos militantes de base. tradicionalismo e irracionalismo ideológico" ou seja como "pensamento conservador" seriam consistentes na medida em que refluíssem de uma postura teórica ou metodológica unívocas. nem sempre são homogêneos entre si (54). seja como "espírttuclísmo. Quando. historicamente. a origem social dos dirigentes e militantes. a ideologia dos eleitores ou simpatizantes do movimento. Se esta limita-se ao discurso ideológico. o seu espectro perderíc a conceitualização coerente observável nos textos doutrinários para misturar-se com as questões de táticas ou de estratégia dos documentos produzidos pelos órgãos de decisão do partido e. mais preocupado em combater as "aparências empíricas" da pesquisa do que apresentar uma nova interpretação da sociedade brasileira que gerou e rejeitou. o problema torna-se mais complexo.ou . Neste caso. pela sua forina de organização. panfletos e todo: tipo de material pertinente disponível ao pesquisodor): no entanto. a ideologia e a organização porque existe uma relação explícita entre a estrutura desta e o conteúdo daquela. o estudo sobre a natureza de uma orqcníaoçõo envolve outros aspectos igualmente cruciais. tais como. de uma maneira mútuo geral.) nós pensamos que é possível poupar-se de longas defiOlçcx:s prévias e considerar. IJ' 85. No caso do integralismo não se pode dissociar. reduzir-se a proposições fragmentárias e. Paris. de 'ideologia liberal' ou de 'ideologia de SFIO. essencialmente. As fontes de referê. Chefe Nacional da Milícia.pp. a relação entre o partido e a sociedade no qual está inserido. e. (54) O tema "ideologia" está sendo utilizado no contexto desta discussão no sentido empregado por Jean Touchard no seu estudo sobre a ideologia do Partido Comunista Francês: "considerando de noss~ parte que é tão legítimo falar de 'ideologia gaullísta'. passando por outras corncdos. porque estes só enriquecem o nível de conhecimento sobre o temo). a fim de que sua configuração capte as diferentes dimensões de uma organização política complexa. todos os que consideram a Ideolo~la como uma degração da idéia (. Ao se indagar sobre a natureza do integralismo deve-se definir em que nível a análise está sendo proposta. a Chasin. Neste particular também é relevante o estudo da organização em função do papel que desempenha como instrumento de socialização político-ideológica dos militantes. apesar das aparências. já explicitado na análise crítica de trabalhos anteriores. mas. O primeiro. Neste sentido. a partir desta penetração nas diferentes camadas ideológicas. a ideologia da rmprenso partidária. foi um movímenfo político e que seu caráter fascista provinha não apenas de semelhanças entre sua temática e a dos fascismos europeus. uma vez que a ideologia enquanto doutrina sistemática somente vigora e se reproduz a nível dos ideóloqos ou dos intelectuais do partido. compreendendo. in jean Touchard.hnclusive. Ill. às vezes.ncia serão. é preciso distinguir diferentes níveis do discurso ideológio que. o comunismo dos militantes e. quando o objeto de estudo é o movimento político. sua análise ficou a nível do significado interno dos textos.. op. o comunismo dos intelectuais' cujas obras procedem de uma reflexao ínspirada no pensamento comunista. segundo as interpretações de um teórico ou de diferentes teóricos. acima de tudo. porém.. Mas. é que a análise tem se limitado aos teóricos do movimento. mas poroquilo que elas contêm de iníerêncícrs discutíveis. Assim que. por tratar-se de um movimento de inspiração facista. base social de recrutamento. Além da complexidade da análise da ideologia vinculada a um movimento ou partido político. Provavelmente. as interferências ou conclusões devem permanecer em seu ômbito próprio. geralmente. (55) Touchard propõe a análise da ideologia comunista na França em quatro níveis: o comu~lSmo dos dírígentes do partido. • Estas dimensões cruciais para a elucidação da natureza do integraÜsmo enquanto ideologia e práxis política escaparam.. Parece indispensável conceber diferenciações sob a forma de uma concepção piramidal da ide~logiaem cujo topo estivesse a expressão mais elaborada da ideologia. A CONCEPÇÃO PIRAMIDAL DA IDEOLOGIA INTEGRALISTA As difi~uldades com que se defrontam os estudiosos do integralismo decorrem basicamente de dois tipos de fatores..Colin 1969. de um partido de tal tipo tem que ser examinada sob diferentes dimensões. O comunismo dos eleitores do partido. as críticas referidas aos novos trabalhos sobre' a ideologia integralista são enfáticas não tanto pelo conteúdo interpretativo atribuído ao universo ideológico . em geral. se for o caso. finalmente. mas pretende ser uma interpretação global de uma organização política com características fortemente ideológicas. provém de uma confusão entre níveis analíticos. contraditórias. pretendendo superar d explicação mimético. expurgou do universo ideológico integralista as contribuições relevántes de Miguel Reole. 84/5. os escritos ideológicos ou doutrinários. sem considerar que o integralismo.

Plínio Salgado. Rio dejaneíro. de que elas exprimiam as linhas básicas do corpo ideológico. 1937.correntes metodológícas: O textualísrno e o contextuallsrno". nitidamente. 1977. restringir-se ao estudo da ideologia pliniana.stadoMOderno. . Terra do Sol.ASinagogaPaulisla. A questão básica parece ser: onde se situam as fronteiras da ideologia integralista? O que define o integralismo . em que "o historiador" concentra sua atenção no contexto do autor. Tip. Civilização Brasileira. ' . Análise da ideologia A~segunda questão relaciona-se com a primeira na medida em que a determinação do nível de abrangência da ideologia depénde do grau. pp. 1934. Civilizaçâo Brasileira 1934. a nível de seus militantes. de Gustavo Barroso com seus livros anti-semitas (59). 1936. . as pessoas a quem se dirigia e tentava convencer. Portcmto. Em primeiro lugar. Rio de]aneiro. o tipo de sociedade. em última análise. Civilização Brasileira. Ideologia e Roluica nopensameruo dejosé Bonijâcio deAndrade e Silva.1931: Comunismo ou Fascismo?. antes da AIB. no estudo global de um partido. que já produzira. que não se pode deixar de encarar a ideologia como uma realidade dinâmica em relação à dialética com o contexto societal. (58) Olbiano de Mello. o primeiro "definido como o estudo do pensamento político exclusivamente através dos textos. . articulando o estudo da ideologia dos teóricos e dirigentes com outros níveis de expressão da ideologia associados ao universo ideológico dos militantes de base.1931. Em segundo lugar. (57) Míguel Reale. Esta proposição para ser válida deve também ser contestável a nível empírico através da visão ideológica dos militantes da AlE. O método contextualista requer.318 HISTÓRIA GERAL DA CIvIliZAÇÃO BRASILEIRA INTEGRALISMO 319 Não se pode igualmente. A convergência dessas contribuições sob a forma de livros.Rio de]aneiro. Colônia de Banqueiros. Maçonaria e Comunismo. ou seja. 1934. Assim que não é suficiente uma análise que pretenda inferir conclusões sobre a natureza do discurso integralista. A primeira refere-se à integralista abrangência do campo ideológico _ do integralismo. mas também outras manifestações ideológicas que se incorporaram a partir da reílexõo de diversos teóricos. sem a pretensão de produzir uma análise de conjuntura onde se forma e se estrutura a Am. percebe-se. Rio de]aneiro.(59) G: Barroso. embora este aspecto seja mais importante nos partidos ideológicos.enquanto ideologia não é apenas o discurso doutrinário produzido por seu fundador. 193. Levanta-te Brasil. "A posição do integralísrno" in Estudos lruegratistas.Brasil. . Tip. Rio de]aneiro. captar o processo de formação ou de transformação da ideologia em permanente interação com a estrutura sócio-econômica e com a conjuntura política da sociedade. embora reveladora de tendências internas da AlB nem sempre publicamente explicitadas. p'{ocurando recuperar no estudo da ideologia integralista algumas dimensões não consideradas na análise de textos doutrinários. Tip. Schmidt. o período histórico no qual viveu. EditoraABC. 17. o tipo de pessoa. o movimento da sua estrutura interna. República Sindicalista dos Estados Unidos do Brasil. entre 1935 e 1937.como estratégia para compreender melhor sua natureza e perceber as tendências mais significativas de sua evolução. buscando. é importante conhecer as motivações de adesão dos membros do partido porque -elas podem ser elucidativas 'sobre os aspectos da ideologia que foram mais salientes na decisão de aderir ao movimento. duas questões devem ser enfrentadas. da origem sociol dos dirigentes e militantes a fim de melhor compreender sua inserção na relação de forças políticas da sociedade. Terra do 501. pois. através de uma análise sintética inspirada na abordagem indicada. 1937Judaismo. existam dados disponíves. Rio de]aneiro. a teoria e a práxis do mesmo . Poder-se-ia perfeitamente admitir o caso em que a ideologia produzida pelos teóricos e dirigentes de um movimento político qualquer não se (56) Mesmo na ótica do estudo do pensamento político concordo com Vicente Barreto quando afirma que ele "deveria ser encarado antes de tudo como um pensamento histórico" e que "a análise do pensamento político tem sido realizada' por duas grandes . na análise da ideoloqicr de um partido político. os outros livros de Reale serão posteriores. o segundo.O E:. de tentativas de enfrentar os desafios propostos pela sociedade tornando-se a energia criadora e transformadora da ideologia. Integralismo em Marcha. quando o movimento integralista seria extinto. 24 e 25. 1937. concretamente. isto é. Zahar. ao menos analiticamente. alguns trabalhos para lançar o seu Partido Nacional Sindicalista (58) e. A Formação Política Burguesa.3. Rio de Ianeíro. Finalmente. A formação de tendências. Não seria ocioso insistir. O Integralismo e o Mundo Rio de]aneiro Civilização Brasileira. Neste nível de análise da ideologia integralista. 1931. o que define a amplitude do seu campo ideológico é a visão que dela têm os próprios membros do -movimento. que se aproxima da perspectiva sugerida anteriormente. a ideologia irá incorporar de forma substancial outras contribuições teóricas. provocou a percepção constatada empiricamente. e seus efeitos sobre a sociedade brasileira até o advento do Estado Novo. relacionar o movimento político com o processo histórico em curso. através das obras de Miguel Reale (57). sempre que. etc. c:utigos de jornal e documentos programáticos. as tensões ou conflitos internos resultam. parece legítimo aproximar.José Olympio. caberia tentar explicitá-las. Estabelecidas estas premissas teóricas e metodológicas. Terra do 501. Rio Branco. in Vicente Barreto. prescindir da análise. de propagação da mesma nos diferentes níveis da organização partidária.ino caso do integralismo. de Olbiano de Mel10. internalizando a reprodução doutrinária gerada por diferentes teóricos. isto é. que foi o Secretário Nacional de Doutrina. se o seu alcance dimensiona-se além dos limites da análise convencional de idéias políticas ('"). Típ.. Buscandose. Nesta ótica. considerando-se 0_ próprio texto suficiente para a sua compreensão" e. 22. a AlB do fato político mais relevante do período que foi a Revolução de 30. Mesmo que esta seja a fonte inicial de inspiração do movimento com a divulgação do Manifesto de outubro de 32. Rio dejaneíro. na medida em que se possa obter este tipo de informações através de entrevistas. elaboração teórica sofisticada para evitar a simplificação envolvida na idéia de que a obra intelectual reflete ou espelha a posição ou classe social de seus autores". em função de algumas interpretnçõeasobre a ideologia inteqruliste. a cmálíse da ideologia de um partido político qualquer deve ser mais compreensiva e complexa do que a análise de textos dos seus teóricos. porém. Rio de]aneiro. bem como os interesses que procura agregar ou representar. Portanto. Nesta direção parece indispensável aproximar.

Salgado.DA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA SOCIEDADE E POLÍTICA 321 transmitisse. inspirada num doutrinária humcmísmo espiritualista e numa visõo harmônica da organização da vida em sociedade (cujos lineamentos básicos encontram-se no . ' rÓ. . Flammarion. (66) P. vol. (67) P. forte. humanismo inspirado num retomo ao ideal medieval de uma sociedade harmoniosa ("Os homens e as classes podem e devem viver em harmonia") (••). 129-130.320 HISTÓRIA GERAJ. novas dimensões da ideologia integram as contribuições de outros ideólogos. una. indivisível. O que singulariza o núcleo ideológico básico do inteqrcrlismo. unidade política local) na busca mitológica da "quarta humanidade" (63) e a concepção do Estado Integral que é a forma de (60) P. seria um instrumento para destruir o equilíbrio da sociedade em crise e. da ideologia (65). diferentemente do fascismo italiano onde "o fato precedeu a doutrina". como complementações uma de outra. o integralismo. L . Este ato de fé nos destinos do Brcsfl traduz-se num projeto ambicioso na medida em a) A ideologia dos doutrinadores A análise global dos fundamentos da ideologia integralista. Todos os teóricos integralistas estão de acordo com a idéia de que a evolução da sociedade se faz através dê rupturas e pelo ulterior restabelecimento do equilíbrio. Plínio profetiza que a "Quarta Humanidade terá sua base física na América Latina" e que a "raça cósmica" que fecundará esta nova civilização terá como traços fundamentais: agudeza dos instintos graças a sua origem indígena. organização social e política do integralismo. ao mesmo tempo. ambas. como a Primeira Humanidade. neste sentido. em 28 de outubro de 1925.o judaísmo.. textos doutrinários constata-se uma articulação entre esta concepção provídencícddcr história ("Deus dirige os destinos dos povos") (60). como "fatos naturais" ou como "necessidades históricas". 1953. nascidas da conquista da terra e da luta contra a exploração econõrníca. v. que são o liberalismo. p. a concepçõo de Estado-Sindical-Corporativo inspirado em Miguel Reale. das Américas. Salgado. "Manifesto de Outubro" de Plínio Salgado). localiza-se um dos aspectos centrais de inspiração fascista do integralismo. Salgado expõe no livro Psicologia da Revolução a posição integralista face ao fato revolucionário na história. p. Paris. (64) Barroso prefere a expressão "Estado social-totalitário integral". Liv. o nacionalismo éa dimensão mais abrangente da ideologia integralista. Embora as duas concepções de Estado Integral ofereçam diferenciações na forma básica de sua estruturação política e social (enquanto a idéia de Estado no Manifesto é a de uma superestrutura autoritária. p. elas circulam amplamente. 1955. senhor dos elementos. estrutura. bondade extrema que caracteriza os povos infantes. p. como a Segunda. seja na concepção migueliana do Estado SindicalCorporativo (64). seria percebido através de alguns dos seus comp~mentes ou idéias-forças. sob a égide do Departamento Nacional de Doutrina e. .Clássíca Brasileira. Manifesto. fonte geradora de um novo equilíbrio social. cit. apesar das tensões internas latentes. Nossa fórmula é a seguinte: tudo no Estado. in Oeuvres Completes. A revolução. é que a decorrência de sua difusão através da estrutura cutoritéricr do movímento e dos meios internos de transmissão do seu conteúdo. enquanto que a de Reale repousa na versão italiana do fascismo. nada contra o Estado". inserida numa perspectiva espiritual nacionalista. Além disto. "A Quarta Humanidade" Obras Completas. (65) Aliás. ".) "Discurse du Theâtre de Ia Scala à Milan". no entanto. poderosa. sob a mediação dos conceitos de "revolução integral" e de nacionalismo. profunda espiritualidade e tenacidade na luta. que procura "afirmar o valor do Brasil". O fundamento dessa interpretação do fato revolucionário está na noção de equilíbrio social.. nada fora do Estado. p. a ideologia. Neste caso. (61) Ibid. A concepção de Salgado busca inspiração no tradícíonalísrno tomista. . Psicologia da Revolução. ligação entre a filosofia da história e a concepção do homem e da sociedade se estabelece através da idéia de "Revolução". Além da concepção espiri tua lista da história. baseada na crença do proqresso-morcl do ser humano ("0 homem deve praticar sobre a terra as virtudes que o aperfeiçoam") (6') e' num . op. fazendo ROrte. seja na variante pliniana do Estado familial-corporativo. em conseqüência. . anatematiza os seus adversários. como toda a ideologia que pretende opor-se à ordem vigente de forma combativa. provavelmente buscada em Pareto. até definir uma concepção de organização social e política da sociedade através do Estado integral-corporativo. especialmente. (62) Ibid. pp. interpreta-os sem nenhum juízo de valor. em 1925: "A idéia central de nosso movimento é o Estado. Rio de Janeiro. Ele parte da premisse que "o progresso do Espírito Humano realiza-se ao ritmo das revoluções" (66).se. in Mussolini (B. no interior da AIB. neste nível teórico de exaltaçâo do Estado. Salgado. em todas as suas dimensões. Considerando esses acontecimentos como um dado da evolução histórica. A partir da leitura dê. sindicato e. iluminado pelo Verbo Divino. o capitalismo internacional. na proposição de Reale o Estado é o princípio e o fim do universo ideológico integralista). o socialismo e. Se a concepção doutrinária do integralismo repousa numa Concepção concepção do homem e da sociedade. O Manifesto Integralista· de 32 atribui uma posição central à idéia nacionalista. Salgado. como a Terceira" in P.T. "Manifesto de Outubro de 1932". fundiu-se.- (63) Onde "se realize o Homem Integral penetrado do sentido profundo do Cosmos. in Barroso (Gustavo) Integralismo em Marcha. 13. revela um arcabouço doutrinário que. 33. unindo todos os brasileiros num só espírito para construir uma Nação "organizada. apoiado numa concepção do universo do homem. do qual resulta a organização hierárquica da sociedade através dos grupos naturais (família. segundo a concepção difundida pelo próprio Mussolini em discurso pronunciado no Scala de Milão. mas não através de todas as suas manifestações mais significativas. aos seus aderentes. o Estado é a organização política e jurídica das sociedades nacionais e se manifesta por uma série de instituições de natureza diferente.. num único corpo ideoiógico e percebido como tal pelos militantes de base. definindo sua concepção de "revolução integral". ed. rica e feliz" (67). A. 81. o campo da ideologia concreta embora mais diversificada no plano das contribuições teóricas.

Entretanto. Iivre de todo e qualquer princípio de divisão: partidos políticos. Entretanto.322 HISTÓRIA GERAL DA ClV/UZAÇÃO BRASILEIRA lNTEGRAUSMO 323 que o integralismo se propõe a criar "uma cultura. No mundo ocidental ela ainda existe. saídos também do Partido Único que é a concretização de todas as classes proftssíoncns'{").175. Salgado. Quero que esta idéia se irradie por toda a América do Sul (. 1935. as mais graves dificuldades internas" (69). Se estes-aspectos não predominam nos escritos de Salgado. (74) M. mas há outra força. dt..hora . de fundamentos jurídicos" (75).Ed. (71) P. Salgado.O Estado Moderno. (69) P. p. Esta palavra de ordem integralista estabelecerá a transição' entre o nacionalismo lírico de Salgado e outras formas mais agressivas de nacionalismo que irão desenvolver-se. A idéia-força central do Manifesto é. afirmará. apesar da presença de uma dimensão econômica.. vindo seus nomes indicados pelos Conselhos Municipais. . percebe-se uma preocupação econômica subjacente ao criticar a influência negativa do capitalismo internacional:· "O controle de nossa vida financeira. sempre exercido pelos bancos estrangeiros.. Resta acrescentar que o nacionalismo integralista possui também um conteúdo econômico e antiimperialista.. inspirado no título de um dos livros de Salgado. bem mais poderosa.D~emos a Nação. o nacionalismo de Plínio permanece essencialmente literário e romântico. que é considerada como um dos traços essenciais da ideologia (70). 246. Rea1e. é explícita: "O Imperialismo não é a última fase do capitalismo. "Palavra Nova dos Tempos Novos". 1935. Contudo. A idéia central é de que a "revolução integralista" realiza-se pela transformação do Estado. Rio de)aneiro. . Com Barroso o nacionalismo econômico adquire um conteúdo anti-semita. Civilização Brasileira. ) Quando todos os países da 'América do Sul entrarem neste mesmo ritmo. preponderantemente cultural. O Quarto Império. Como no contexto brasileiro o teIn:a do ex~~~o imperialista não tinha razão de ser em função dos espaços vaZIOSdo terntono brasileiro. 94. 1934. indiscutivelmen~e. um modo de vida genuinamente brasileiro" (68). op. p.)osé Olympio. de política econômica. sob o título O Integralismo em Marcha. ) Não dá batalhas. . por sua vez. Explicitando o imperialismo ideológico de' Salgado. Mesmo no seu nacionalismo cntícosmopolítc. terá chegc. 119. seus representantes nas Câmaras Municipais. que pode ser simbolizada pelo slogan "Despertemos a Nação!". nos Congressos Provinciais e nos Congressos Gerais C . . um grande Império Cristão e sua doutrina integral influenciará os destinos da humanidade" (72). Segundo Barroso. Barroso. toma-se interessante analisar como Salgado justifica sua concepção imperialista. Barroso. Estas classes devem eleger.'. 6. p. (76)lbid. a otitude de Reale com reloçôo ao imperialismo econômico.. p. (72) G. como pensou Lenine. realiza empréstimos" (73). in Obras Completas. do chefe integralista incorporará mcds tarde outras dimensões reveladoras de sua evolução ideológica. ' O próprio nacionalism~. (68) Ibid. uma grande República Impérinl. 124. "Manifesto de Outubro". A partir desse fundamento. também em 1935. mais ambiciosamente. Este último qualificativo produzirá na imaginação ideológica de Salgado uma nova dimensão: o sonho do Império inspirado no mito da civilização desaparecida da Atlântida. cada um por si. à leitura dos documentos e obras integralistas revela uma defasagem entre o grau de elaboração da teoria do Estado e o papel que a ele é atribuído na sociedade integralista. a qual não pertence à Nação alguma e está acima das Nações: o supercs>italismo financeiro" (74). op. Salgado. Gustavo Barroso. criou. Com exceção do conjunto de conferências públicas em 1933. o nacionalismo ~ujo conteúdo é mais cultural do que econômico.que o "Integralismo brasileiro constituirá um grande Império. p. Por sua vez. o judaísmo apátrida "é um conquistudor e um colonizador dos povos C . Cada brasileiro se inscreverá na sua classe. contida no Manifesto: "A Nação tem necessidade de se reorganizar em classes profissionais. todos os teóricos do integralismo concordam que o objetivo principal do movimento é a implantação do EstadoInteqral. estadualismo em luta pela O tema aparece claramente na idéia de expansão doutrinária do integralismo sobre o continente latino-americano: "Não me contento co~ a implantação do Estado Integral no Brasil. (75) P.ido a . 1935. (73) G. Seu conteúdo básico é um apelo à tomada de consciência nacional. Provinciais e Nacionais. Daí decorre a sua vaga concepção sobre a estrutura do Estado Integral. Nesse contexto o papel principal do Estado é o de promover a unidade nacional: "Pretendemos realizar o Estado Integralista. Rio de )aneiro. Esta Revolução Inteqrcrlisto é a Revolução do Continente" (71). . Rio de janeíro. geográfica e econômica". os livros posteriores estão impregnados de anti-semitismo. de pedagogia.da grande atitude. cit. na sua realidade histórica. pois. das Américas. com normas seguras de direito. A concepção estatal de Salgado busca suas raízes na realidade nacional adaptada às necessidades do homem brasileiro: "Pretendemos tomar como base o homem de nossa terra. aparecem explicitamente nos livros de Miguel Reale e Gustavo Barroso. deduziremos as relações sociais. numa ótica diferente de Barroso. VII.josé Olympio. ele procura inferir o modelo familiar-corporativo compatível com sua visão nacionalista: "Desse elemento biológico e psicológico. p. 98. " _ (70) Mussolini proclamou em discurso pronunciado em junho de 1925 que A concepçao do Império é a base da nossa doutrina" in Mussolini. . O Espírito do Século xx. p.. Rio de Janeiro.)osé Olympío. outro teórico integralista. uma civilização. ) Esses representantes todos devem ser de absoluta confiança de cada classe. 1934.

in P. Salgado. o capitalismo internacional e as . em suas linhas gerais. 29..sário . de fato. Tip. sob a imediata fiscalizaçôo e proteçõo do Estado" (00). p. a unidade básiCa dos adversários do integralismo provém do fato de que estõo vinculados à domínnçõo judaica. A partir da contribuíçôo de Barroso.. Cartilha do Integralismo Brasileiro. uma atitude de "alerta ao socialismo" (85). mas o resultado natural de sua solução. o socialismo. São Paulo. ao passo que a posiçõo de Redle-o:proximava-se mais da dé Olbiano de Mello. Salgado. ) E um órqõo de direito público. 1933. A Cartilba do (82) (83) (84) (85) P. em seguida. . sociedades secretas vinculadas ao judaísmo e à maçonaria. Os textos dos principais teóricos utilizam uma I hnguagem muitns vezes fortemente crítica ao sistema capitalista. A única dimensõo do capitalismo condenado por todos é o capitalismo financeiro internacional. O que é o Integralismo. De outro lado.. uma íedercçõo de sindicatos". Nesta perspectiva. (79) Ibid. porque ambos se apóiam na mesma concepção materialista da sociedade. tempo que a organizaçôo proposta pela ideologia nõo põe em questõo os princípios básicos do sistema. porém. a propriedade privada e o princípio do lucro. P. pretende. "Novos Rumos". O que é o lntegralismo. I A concepção anticapitalista da ideologia integralista apresenta uma' ~mbigüidade ~undamental. porque sua concepçõo é a causa primeira do advento do socialismo. do ponto de vista econômico. os dois modelos de Estado desenvolvidos. Estado liberal diante do desenvolvimento da sociedade. Outros ensaios. criou condições favoráveis à cçôo do capitalismo internacional e ao desenvolvimento do segundo socialismo. O principal teórico do Estado. porém. de Mello. O essencial do sistema capitalista. .. Salgado. p. Além disso. p.irtude de sua íormcçõo jurídicç e posição de Secretário Nacional de Doutrina.. colocando-o "acima das classes ". dirige-se mais contra o liberalismo do que contra o socialismo. São Paulo. que preferia a assertiva: "quem diz Integralismo. 'os princípios de sua organizaçôo. 6. mais a expressão de uma atitude reflexa e preventiva diante da importância dos movimentos socialistas europeus contra os quais se onfrontaram os fascismos. ) Pretendemos criar a Suprema autoridade N~ô~r~. lendo sua posiçõo reforçada em . sendo superior a todas elas "pelas forças de que deve dispor e pelos fins que deve realizar" (18i. O integralismo. A posiçõo antiliberal do integralismo transparece no título de um dos capítulos do livro O que é o Integralismo. como toda ideologia em oçõo. Salgado. Salgado.iguel Reale no Abecedário Integralista. (81) Olbiano de Mello. ao mesmo tempo. neste particular: mant~'ve sempre uma linguagem mais vaga e imprecisa. J. Star. mas a unidade das classes produtivas organizadas: "só quem produz tem direito de votar e de ser votcdo".C Mendes de Almeida e J. Reale. 29. 53. ed. São Paulo. O "Manifesto" e o Abecedário referem-se vagamente ao socialismo e ao comunismo. P. publicado em 1933: "Guerra de morte à liberal' democracia !"(82) A hostilidade principal. São Paulo. em linguagem jurídica. Reale proclama que o Estado nõo é a soma de indivíduos isolados. políticas. p. O anti-socialismo manifesta-se de três maneiras na ideologia integra lista: primeiramente. o combate ao ~~~ o (77) P. Reole considera o Estado como a Noçõo organizada. permanece intangível na medida em que o inteqrcdismo não põe em questõo a iniciativa privada ("o integralismo é contra o controle dos capitais da indústria") (83). Rio Branco. Salgado que declara "guerra de morte ao liberalismo". Dentro do modelo sindiccl-ínteqmlistc de Heole. porém. Ibid. Leão Sobrinho lntegralismo Brasileiro. o Abecedário nõo se limita apenas a apresentar o sindicato como uma das células do organismo nacionaL mas afirma que "o Estado é. Só a representnçõo dos trabalhadores é representaçôo popular" ('9). contentase em anunciar no mesmo livro. Salgado. finalmente.0) Ibid. a cara~terizaçôo do Estado Integral feita por ro.' . p. Em síntese. op. diz sindicalismo corporativo-nacionalista" (81). P 8. A lógica desta concepçõo impõe que as forças políticas organizadas da Ncçõo nõo sejam mais os partidos vinculados à democracia liberaL mas os "trabalhadores intelectuais e manuais..324 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA da SOCIEDADE E POLÍTICA 325 heqemonic: luta de classes (. Estudos . mais imediato mas. Se para Salgado o Estado confunde-se com a Nnçõo. mesmo quando aprofundam a análise sobre a natureza e o conteúdo do Estado IntegraL nõo superam a clivagem fundamental dos dois primeiros textos integralistas. na medida em que se propôs a com bater o integralismo liberalismo. 9. torna-se Miguel Reale.j. "Manifesto de Outubro". Noutra perspectiva. M. pois. ed. que a "técnica capitalista assuma uma funçõo eminentemente social" (84). ao mesmo . define de maneira mais precisa. 1 e 2 (78) P. cit. (8. no "Manifesto" e no Abecedário deram origem a estudos mais elaborados. 11. Reale. Reale e Olbiano lruegralistas (1' série). econômicas e cultUrais (. O integralismo. em última análise. no início dó Integralismo. o socialismo encontra-se atrelado às doutrinas "fragmentárias do século passado e que foram superadas pela experiência fascista integral". "o sindicato é um órqôo de finalidades éticas. 1933. M. Salgado. os integralistas consideram que o socialismo nõo seria a antítese do capitalismo. 1937. transformar o capitalismo liberal clássico' num capitalismo nacional e social controlado pelo Estado Integral. textos ideológicos é paradoxalmente pequena comparada àquela do liberalismo. definiu seus inimigos. p. 1933. A importância atribuída ao anti-socialismo no conjunto dos. Este paradoxo se explica nôo somente porque o liberalismo é o adver. porém. o anti-socialismo 'que se desenvolveu antes da expcnsôo da Aliança Nacional Libertadora e da rebeliôo I comunista de 35 era. Star. A neutralidade do . pp. M. O objetivo do integralismo é. em concreto. socialismo e liberalismo sôo consideradas expressões diferentes da concepçõo filosófica materialista.

Anti-semitismo procurando provocar o O último inimigo 'do integralismo é o judaísmo. sem negar aspectos nocivos de ação judaica. o quarto tipo de "motívcçõo" é a oposição ao sistema político. tendo um papel central na radicalização nacionalista dos anos 30. mas de explorar sistematicamente uma série de informações transmitidas diretamente pelos integralistas e que permitem reconstituii as principais razões que condicionaram os militantes a inscreverem-se' na AIB. não existe contradição com a importôncio prioritária atribuída aos dois motivos anteriores. da Aliança Nacional Libertadora. Enfim. urna das preocupações principais do integralismo era a de combater o retomo ao sistema (86) G.qA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA INTEGRAllSMO 327 comunismo reveste-se de uma linguagem primária. O primeiro aspecto relevante a considerar é a análise das "motivações da adesão" ao movimento no contexto dos anos 30. Civilização Brasileira. na realidade. desenvolvimento do país e simpatia pelos movimen_tos fascistas europeus. cit. ao menos. reforçando a hipótese do parentesco ideológico entre o integralismo e o fascismo. determinou-se a relação entre o motivo considerado pelo entrevistado como principal e os outros indicados na resposta.enriquecem a compreensão da natureza do partido político em questão conhecimentos sobre as razões de adesão ao movimento. além da análise da lógica interna da ideologia dos teóricos e' dirigentes da cúpula do partido. de um anticomunismo reflexo. toda a civilização do século XX" (86). incorporou-se à ideologia integralista em razão da grande receptívidade das idéias antijudaicas dos militantes de base. Toma-se necessário. que supostamente poderia ser considerado como o motivo provavelmente o mais freqüente.poís. Barroso. . Colônia de Banqueiros.326 HISTÓRIA GERAL . penetrar nos aspectos mobilizadores dos apelos ideológicos dirigidos aos militantes captados através das motivações de adesão. Realizada uma' pesquisa junto a um grupO selecionado de ex-militantes. Neste sentido. 1934. a entrevístcr'e a pesquisa por questionário junto aos aderentes do movimento incorporam novas informações capazes' de' eluddar questões que podem dar origem' a interpretações não circunscritas ao compo -doutrínério dos intelectúais 'do movimento. _uma gradação nas formas do anti-semitismo integralista. ao posso que os outros doutrinádores. valores autoritários. o tema. considerou-se a freqüência relativa de cada motivo tomado isoladamente no complexo de motivos mencionados. Colônia de Banqueiros: "Trotski e Rothschild marcam a amplitude das oscilações do espírito judaico. mostravam-se. . porque nem sempre o primeiro motivo referido revelava necessariamente a razão principal de sua adesão ao movimento (87).. estes dois extremos abrangem toda a sociedade. de influenciar o Governo Provisório de Vargas. anticomunismo. Embora seja possível estabelecer. através das "Notas Políticas" publicadas em A Razão. analiticamente. embora o anti-semitismo não seja um tema ideológico que estabeleça consenso entre os ideólogos integralistas. porque o nacionalismo é mais um estado de espírito e urna atitude afetiva do que uma dimensão ideológica. O estudo desenvolveu-se 'em dois níveis: no primeiro. op. anti-semitismo. O tema do nacionalismo está sempre presente na ideologia tanto no plano afetivo como no intelectual. pp. vide em Helgio Trindade. foi mencionado apenas pela metade da amostra. de uma corrente anti-semita radical. assim como a percepção' dos . 158 e 168. O nacionalismo. corporativismo. grande parte da importância atribuída a este motivo provém provavelmente da inspiração anticomunista dos movimentos fascistas europeus. Gustavo Barroso é praticamente o único representante. em 1935. Barroso proclama em seus livros panfletários que o integralismo deve afirmar-se ànti-semita e a abrangência de seu preconceito é bastante ampla como se pode deduzir da epígrafe que ele escolheu para seu ensaio histórico Brasil. bem como no grau de assimilação dos militantes com relação ao universo ideológico proposto pela doutrina. estrutura ideológica de um movimento político toma-se indispensável penetrar no universo ideológico dos militantes. Brasil. sensíveis à luta desencadeada pelos movimentos fascistas contra o liberalismo e o comunismo. medo nos militares e simpatizantes do integralismo. especialmente no campo das finanças internacionais. Considerando-se que a força do PCB era muito secundária até o surgimento. valores espirituais. parecem mais reticentes em aceitar a tese de que se pode reduzir o conjunto dos adversários ao judaísmo. Nesta perspectiva. p. ao mesmo tempo. Rio de)aneiro. Após a tentativa de Salgado. (87) Maiores detalhes sobre a metodologia do trabalho.mesmos com rekrçõo às principais dimensões teóricas da ideologia. Nestes casos. em 1931. O conjunto de respostas foi agrupado em nove categorias em função do tipo de motivos indicados:' nacionalismo. oposição ao sistema político vigente. b) A ideologia dos militantes Na análise da. . sem considerar a ordem em que as respostas foram dadas. Quando não havia uma atração pelos regimes fascistas. no segundo. e. O termo "motivação" está provavelmente sendo utilizado abusivamente. a fim de que a ideologia efetivamente praticada não se reduza a uma mera retórica dos seus principais dirigentes e teóricos. O nacionalismo literário provocado pelo modernismo da década de 20 politiza-se rapidamente e o integralismO torna-se a sua encarnação na extrema-direita após a década de 30. 9. a análise foi conduzida com o objetivo de determinar a freqüência relativa de cada motivo indicado. A proporção de respostas concentradas neste motivo (56%)é superior a qualquer previsão a priori. O segundo motivo era a simpatia pelo fascismo europeu: a mcíoríe absoluta das respostas confirma a influência sobre os aderentes integralistas da ascensão dos movimentos fascistas. de vez que não se trata de proceder a um estudo de motivações no sentido psicológico do termo. Os resultados mostraram que a "motivação" principal que ocasionou a adesão de cerca de dois terços dos integralistas foi o anticomunismo.

328 HISr6RIA. amizade. As. Neste contexto um outro aspecto cr-scrlientor e que reforça as observações anteriores refere-se à determinação do grau de homogeneidade ideolóqicodos militantes comparando-se as atitudes dos que têm responsabilidades nas direções nacional e regional com a dos militantes das bases locais. . as relações entre o Chefe e os diversos órgãos estabelecem as bases de uma estrutura estatal. Os outros motivos indicados são representativos do universo ideólógico integralista. A organização integralista. quando o objetivo é determinar a natureza de um movimento de aparência fascista. (88) Maiores detalhes vide in Helgio Trindade. simbolizado pela convocação da Constituinte. Tratava-se. O instrumento de medida das atitudes foi estabelecido ci partir do núcleo de proposições ideológicas que tentava reduzir a ideologici fascista às dimensões básicas presentes no modelo fascista italiano. sem descaracterizar a linguagem fascista. a organização daAIB é não somente um meio eficaz. anticapitalismo internacional. já que 75% das respostas foram consistentes com o padrão esperado e somente em 15%dos casos ocorreu uma discrepância entre a ideologia da cúpula com relação à base da AIB (89). o nível de adesão dos integralistas às dimensões fundamentais da ideologia fascista. antiplutocratismo. a mística da transformação social e a solidariedade face aos fascismos europeus. . O segundo aspecto da análise pretendeu ultrapassar a mera descríçõo dos. das virtudes militares). do discurso ideológico ou da organização fascistas. Os resultados da pesquisa revelaram um alto grau de identificação dos militantes da AIBcom relação às diferentes dimensões do fascismo ideolóqico (em quase 2/3 dos casos o grau de concordênÍcia com cada questão era superior a 75%). entretanto.' determinar o teor do fcscismo. do Estado Integralista. anti-socialismo. As principais obros sobre o fascismo europeu se limitam ao estudo da história. como algumas dimensões do nacionalsocialismo alemão. A determinação do índice de uniformidade ideológica demonstrou que o grau de homogeneidade ideológica dos integralistas era bastante elevado. supera esta função meramente instrumental: além da estrutura vertical e rígida. O pre~s~posto r~!?"ionalera uma o:~anização a~toritári~ dis?o~do de m~os de sociclizor pohhcamente seus militcmtes. a determinar. disciplina. exaltação dos valores autoritários. Este enfoque tradicional pode ser suficiente para o estudo dos movimentos cuja natureza ideológica era indiscutível. tradicionais. ética fascista (fidelidade. pp. 264-280. o que está a demonstrar o quanto o integralismo deixou-se penetrar por um alto teor de conteúdo fascista em sua ideologia a ponto de ser assimilada por seus próprios aderentes em todos os níveis (88). mas influenciam pouco significativamente nas adesões: apenas um quarto dos integralistas aderiram por 'identificação a valores autoritários (disciplina. 281-282. Os dados revelaram que as motivações mais fortemente associadas eram o anticomunismo e a simpatia para com os fascismos: dois terços dos que fizeram referências ao anticomunismo mostraram-se também favoráveis ao fascismo e a recíproca também era verdadeira para os três quartos de pró-fascistas.. (89) Informações sobre o cálculo do Índice de Uniformidade podem ser encontradas Helgio Trindade. visão pessimista da história. em escala reduzida. cit. O tipo de organização. na realidade tratava-se de uma hostilidade generalizada com relação a todos os regimes políticos republicanos. mas um instrumento de elaboração e experimentação. A análise do grau de identificação entre os ideólogos integralista e fascista não implicava em julgamento de valor sobre as relações porventura existentes entre a AIB e os movimentos fascistas europeus. espirituais. sacrifícios). Desta forma tornou-se imperiosa a ampliação do campo de abrangência do trabalho: possibilitando. Neste sentido. "motivações" individualmente consideradas para estudar sua articulação com o conjunto de motivos indicados em cada resposta. Portanto. socialismo-nacional. valores e preconceitos (antisemitismo. No entanto. implantado num país periférico.GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA t. op.. antiliberalismo) ou a valores espirituais. SOCIEDADE E POLÍTICA 329 liberal. a simpatia pelo fascismo e o nacionalismo). mas procurava apenas verificar a existência ou não de um parentesco entre os dois universos ideológicos independentemente de qualquer relacionamento institucional. antimaçonaria. pois. formulando proposições capazes de exprimir os temas e valores fascistas e de os introduzir em uma linguagem que levasse em consideração o vocabulário ideológico atual. parece indispensável integrar uma nova dimensão: a análise das atitudes ideológicas dos militantes. através de distribuições das respostas a cada uma das 71 questões. Com este objetivo elaborou-se um conjunto de proposições visand~ an~lisor as atitudes dos militantes através de oomportamentos verbais. voltado para a ação política. A análise propunha-se. dimensões ideológicas selecionadas foram as seguintes: nacionalismo. comparou-se a importância relativa de cada "motivação" com relação às três dominantes. corporativismo. cit. valorização dos grupos naturais. através de análises estatísticas. antiliberalismo. de construir questões referentes a cada dimensão ideológica. op. sob o controle de organismos de enquadramento e socialização ideolóqico.nc ídeoloqío integralista 'vivenciada individualmente pelos militantes. portanto. agrupadas segundo as diferentes dimensões referidas. ordem. apesar da importância relativa da oposição ao governo atribuída pelos respondentes explicar-se pela conjuntura política. Estrutura daNB O tipo de estrutura organizativa do integralismo é outra característica importante para definir a natureza do movimento. a AlB incorporou uma nova dimensão capaz de transformar a organização na pré-figuração do Estado integral. _ . pp. visão hierárquica da sociedade. O discurso ideolóqico tenderia a se propagar deuma maneira homogênea entre os diferentes níveis de militância. in . A partir desta primeira observação. Geralmente as organizações políticas autoritárias se estruturam hierarquicamente com o objetivo de enquadrar eficazmente seus militantes. O que se observou nas constelações de "motívoções" foi que elas se organizavam em torno de três núcleos principais constituídos pelos motivos mais freqüentes considerados isolcidamente (o anticomunismo.

O novo nacionalismo associado a certos setores da sociedade. sobre o caráter fascista do Integralismo ("!). comportamentos previstos minuciosamente pelos estatutos. sob liderança burguesa. inclusive regimes com essas características". por sua vez. (91) Juan Linz. Revista IFOI. Surpreendentemente na Argentina. Segundo o autor. Não deve ser esquecido que. Integral. a certas idéias fascistas. réforçando a linha"d~ interpretação.o estilo característicos de seus correspondentes europeus. contra o qual os fascistas tentaram mobilizar certos setores da sociedade.cdemões (em parte identificados com os movimentos dominantes em seus países de origem) contribuíram para um conhecimento considerável do fascismo. trabalhadores em empresas sob o controle estrangeiro. devido à falta de pesquisas monográficas sobre o tema. apesar' de seus componentes extraídos da tradição autoritária brasileira dos anos 30. como estudantes. FASCISMO E A SOCIEDADE BRASILEIRA DOS " ANos 30 Juan Linz. Linz afirma que "sem a presença política organizada de seus tradicionais immiqos. forma uma organização burocrática e totnlitórío. INTEGRALISMO. "Certamente. realizar uma experiência pré-estcrtnl ao nível da organização. nenhum grande partido fascista vingou na década de 30". intelectuais e mesmo burguesias nacionais ri Portanto. A organização integralista desempenha. pois." Prosseguindo sua análise. sobre o fascismo 'numa perspectiva compcrctívu. incluindo alguns partidos populistas. Fascism a Reader's Cuide (Analyses.. não se tornaram uma grsrnde força polítíccr?"]") Entretanto. tomou-se o primeiro partido de massa no Brasil. Indubitavelmente. possivelmente ter-se-iam identificado com a ideologia. inspirada no modelo teórico do 'Estado. transmitida através dos mecanismos de socialização política. 1976. Interpretations. inserese no universo ideológico' do fascismo europeu. ) e. O autor acrescenta que. a despeito e talvez por causa da força das ideologias da ala direita e grupelhos. com exceção do Integralismo de Plínio (embora sem alcançar o poder político). In: W. a explicação deve ser buscada em função de uma série de fatores que ele procura detectar no processo histórico latino-americano da época. . com exceção do Intregralismo. resoluções do Chefe e rituais: o caráter totalitário. em outras circunstâncias. em obra coletiva publicada em 1976. O Partido Nazista do Chile aparentemente não teve o sucesso comparável ao do Integralismo. através das relações rígidas entre os órgãos de enquadramento disciplinado dos milítontes (desde as organizações dajuventude até a milícia) e da submissão autoritária e fidelidade aos superiores hierárquicos. a Falange Socialista Boliviana. Porto Alegre. a partir dos dados sobre as motivações de adesão. com organização e. os escandinavos ou os cidadãos do Reino Unido." Poder-se-ia também argumentar que algumas das revoluções nacionais populistas. esvaziaram as oportunidades para tais movimentos. antidemocráticos. um movimento trabalhista proletário. a presença de colônias de italianos e. . somente em uma democracia poderiam crescer e tornar-se ameaçadoras algumas das forças políticas. não apenas pelos seus componentes teóricos constatáveis na literatura doutrinária. base nas massas. mas por sua presença explícita na visão ideológica dos militantes de base. reacionários ou populistas) (. o contacto constante de intelectuais da América Latina com a Europa. Num texto posterior discútirú algumas questões mais amplas referentes ao fascismo na América Latina onde. ria sua opinião qualificada. desde o Chefe até os militantes de base. governos autoritários já no poder ou a perspectiva de intervenção militar na política para assegurar algumas das metas perseguidas em outros lugares pelos fascistas. "Some Notes Toward a Comparative Study of Fascism" in Sociological Histortcal Perspeaioe. e partidos como o APRA. IV. uma tríplice função: fornecer oocheíe meios poderosos para dirigir o movimento. A burocracia da organização mcnííestcse através de Um complexo dê órgãos. Neste sentido. Bibliograpby). "houve certamente muitos outros movimentos (antiliberais. INTEGRAllSMO 331 que na América Latina movimentos fascistas.' houve relativamente poucos.. constituir-se num instrumento de socialização político-ideológica dos aderentes. como a mexicana.330 HISTÓRIA GERAL DA CNIllZAÇÃO BRASILEIRA " A estrutura da AIB. podemos apenas indagar mas não responder "por 'j (90) juan Linz. o grau de homogeneidade da difusão da ideologia entre cúpula e base do movimento e a estrutura rígida da organização. as atitudes ideológicas dos militantes. no Peru. Laqueur. como exemplifica o destino de Codreanu sob a real ditadura do rei Carol da Romênia. o fascismo desenvolveu-se melhor sob condições de liberdade política e encontrou sempre sérias dificuldades em alguns regimes autoritários da Europa Oriental. mas. incorpora a Ação Integralista Brasileira em' sua análise. apesar das limitações de dados disponíveis sobre os movimentos de tipo fascista do continente sul-americano. centralização personalizada no chefe e os elos burocráticos da estrutura vertical são elementos indissociáveis na organização do integralismo. a ligação da direita católica com o universo de idéias da Ação Francesa e a receptividade de muitos homens do governo às ideologias antidemocráticas européiastornasself mais difícil o surgimento de um verdadeiro movimento fascista em muitos países ibero-americanos. a retórica e os símbolos do fascismo. funções. Talvez a suscetibilidade de outros grupos políticos. Não pode haver muita dúvida de que as idéias fascistas não enfrentaram democracias bem estabelecidas e sucedidas ou de que os latino-americanos não se sentiam tão comprometidos com os valores liberais-democráticos como. Em muitos países. como o partido comunista. papéis.. 1976. foram capazes de alcançar alguns dos' setores da sociedade que. deve receber alguma atenção neste contexto. Linz procura determinar os fatores explicativos do pouco sucesso desses movimentos que. Unív. California Press. pp. por exemplo. 138-139 V. o fascismo não tinha razão de ser. Um deles. "O Integralismo e o Fascismo Internacional". que "movimentos fascistas capazes de alcançar uma. podese concluir que a natureza da ideologia integra lista. .

Juan Linz salienta o papel da crise político-cultural dos anos 30. profissionais e militares. As tensões na sociedade brasileira levaram aquela geração para diferentes canais políticos. sob uma bandeira antidemocrática. (93) juan Linz. um novo programa de integração nacional e de reforma. e quando não tem um forte pensamento nacionalista. da Guarda de Ferro. tivesse observado que "no Espanha. . onde o . 14~ . Eles não eram capazes da mórbida e romântica violência da Guarda de Ferro.. Neste caso.muitos aspectos essencialmente antifascista. como é o caso aqui. a' qual tentara implantar.. instítucionalízada num movimento populista nacional. p. . ele escreve: "O fascismo que a pequena burguesia esquerdista pode desenvolver quando está cercada pelo marxismo. sob o Rei Carol e. Este texto escrito em 1935. mesmo ao fascismo italiano quando de seu surgimento. No contexto desta paradoxal análise. o Integralismo nasceu em meio católico. de alguma forma. de maneira mais trágica e sangrenta. com a vinda da Rep6blica. a AIB teve o mesmo destino de muitos outros movimentos fascistas. cit. Ele atrai mais. nisso.o líder da JONS. somentevpode ser feita em uma perspectiva sistemática compcrcrtívc". em muitos aspectos e aspirações. a direita era aparentex. seu destino' estava selado. Como o Fascismo Italiano e. enquanto a hegemonia econômica era exercida pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido. 139-140. o autor sugere uma interpretação capaz de explicar a significativa ascensão da AIB e seu posterior fracasso.. Sem dúvida. SOCIEDADE E POLfrlCA 333 emergentes poderiam encontrar outros canais. e. neste contexto caiba apenas "esboçar algumas poucas idéias que podem ser discutíveis. a revolução mexitana. com a visco do movimento integralista inscrita na conclusão de meu trabalho de tese. Eslováquia e Croácia. do que uma pequena burguesia de negociantes. na ótica do autor. explica o fascinio de cunho religioso do movimento" (94). artesãos ou agricultores. ) talvez o fato de que o poder da hegemonia intelectual na América Latina dos anos 30 estivesse ainda sob a influência da França. num contexto um tanto estranho. a ala esquerda do foscismo espanhol. op. dos movimentos fascistas do Báltico e. cit. Neste contexto é interessante que Ramiro Ledesma Ramos. ainda que ele considere que. a Falange Espanhola. chama-se México". referindo-se à peguena burguesia republicana. em 1931. mais tarde. Uma vez que o autoritário regime de Vargas foi institucionalizado no Estado Novo. Certamente nunca tomou os temas neopagãos que encontraríamos na Alemanha e nos fascismos do Norte da Europa . Estes tensões poderiam mobilizar muitos brasileiros. Tampouco no contexto de um regime semi-autoritário. É preciso ressaltar que alguns dos temas que acabamos de apontar.nente fascista" e em . como é o caso da Espanha.. mas possuía certas possibilidades de fazer carreira política dentro do sistema. sobre como Inserir o Integralismo no amplo panorama dos movimentos fascistas. esse fascismo tem um nome que não é invejável. como na Romênia. cujo sucesso foi interrompido por regimes autoritários: o destino do sindicalismo nacional português. enquanto a esquerda era aparentemente antifascista. dificultasse a união do nacionalismo cultural e econômico. intelectual e atraiu forças sociais. o que poderia' contribuir para explicar seu aparecimento e relativo sucesso't. como uma alternativa funcional ao fascismo. requeririam pesquisas mais sérias antes de poderem ser admitidos mesmo como hipóteses (92). é um movimento que responde mais a uma crise política e cultural do que a uma crise econômica. considera. (95) Juan Linz. embora marginal ao sistema. (.I") Análise de [uan Linz Estabelecidas as limitações de sua análise. excluídos os do sudeste da Europa. em consequência disso. pp. um núcleo inicial de intelectuais. A análise de Linz coincide. sucesso eleitoral e alianças com a situação para alcançar o poder esteve fechado a eles. Seu líder. de certa forma. afirmando que a Ação Integralista "semelhante a outros fascismos da Europa ocidental. a ausência de um partido católico. antes de tornar-se fascista. p. Deslocando-se da análise comparativa para o contexto brasileiro dos anos 30.nacionalismo e a religião podiam fundir-se devido às singulares circunstâncias históricas. particularmente o da Espanha.. 141. cit. A partir destas reflexões sobre a fraqueza de movimentos de. sob o Marechal Antonescu" (95). com o advento do Estado Novo: "O Integralismo foi uma resposta generacional à crise da Velha República e às revoluções do início dos anos 30. não era um estranho ao processo político.inspiração fascista na América Latina. Línz procura explicar as' razões do sucesso relativo do Integralismo e lança explicitamente a questão "Por que o fcrscismo no Brasil?" A busca de uma resposta' a esta questão.332 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA t. em que o foco da explicação procura mostrar que na AlB se interpenetram a influêricia do modelo de referência externo do fascismo europeu com as condições favoráveis presentes no 'processo histórico brasileiro dos anos 30: "A ideologia integralista se elaborou num período de transição da evolução (92) juan Linz. e talvez o fato de que na República os católicos ocuparam relativamente uma posição marginal. Tratava-se mais de úma resposta cultural e política do que de uma expressão de interesses sócioeconômicos específicos. começando a ser mobilizado pelo catolicismo. Em contraste com outros fascismos. essencialmente fascista.. A combinação da violência política. e a alguns da França e. em suas linhas 'gerais. op. é bem diferente da atmosfera em que emergiu o Nacional-Socialismo Afemão. poderiam transformar-se em um partido eleitoral de massa. mas não encontraram o tipo de camadas sociais em crise e desesperados violentos que a guerra tinha criado na Europa. como na Legião Cearense do Trabalho. op. (94) Ibid. o movimento surge em meio modernista e intelectual e.

teria podido se desenvolver no Brasil. A fascinação pela experiência fascista na Europa e o surgimento dos movimentos de extrema-direita no Brasil conduzirão Salgado a fundar a Ação Integralista com o objetivo de influir 'sobre os rumos ideológicos da Revolução de 1930. sob diversas formas. católico e republicano desde sua juventude. O chefe integralista emergia do confronto dessas contradições. mesmo que fosse um visionário. à insatisfação das classes médias civis e militares em ascensão provocaram crises sucessivas no sístemo político da Primeira República. que conduziu à crise ídeolóqícc dos 'elites intelectuais. engendrou novas contradições entre as Classes sociais em ascensão. Contudo. que o Integralismo tenha sido exclusivamente um mimetismo)deológico. mas nasceu de uma sociedade' em transição. o tradicionalismo social e religioso do Integralismo lusitano e do salazarismo.u~ jovem país e aberto às influências . associados à luta contra u~ i~imi. A consciência nacionalista. o estatismo romano e o corporativismo do fascismo italiano.:!lcas existentes desde seu nascimento até sua dissolução.. op.se explicam sem condições internas ícvoróveísr-Nc realidade. anos 30" (95). incorpora numa nova síntese. A rápida ascensão do integralismo e sua penetração ideológica no seio das classes médias. a ideologia·integra. a análise da Ação Inteqrclístcr nos leva a concluir que sua natureza. A formação de. com um discurso ideológico e uma organização nacionais. Desta forma. pode ser considerado na ccepçõo ampla do termo (como todo movimento de reação contrarevolucionária tendendo a impor uma estrutura de dominação totalitária).: o anti-semitismo de inspiração nccíoncl-socíohstc. Enraizado num nacionalismo telúrico. ctt. . foi outra. nesta época. porém. (95) Helgio Trindade. A adesão ao fascismo de setores importantes da população e a aceitação de sua organização paramilitar. colocou sua energia ao serviço da revolução literária que o incitará ao engajamento político. A mutação da sociedade brasileira. tais condições surgem durante a evolução histórica entre duas guerras mundiais pela conjugação dos conflitos econômicos.. Não foi obra de um só homem. o Integralismo . um proletariado industrial. entretanto. a revolução . Não se pode dizer. . Ação Integrafista: O fenômeno fascista. estilo do Chefe e rituais não se podem explicar sem levar em consideração a influência do modelo de referência externo. transformará esse movimento na primeira orqcmízoçõo de ~~~sa no BrasiL É verdade que seu conteúdo ideológico se apoiou amplamente no Icscísmo europeu. . Desiludido da República liberal.um. sob o impacto de uma nova situação internacional. apesar das chvagens ldeolo!. Nacionalista. marcada 'pela revolução soviética e a contra-revolução fascista. como também entre certos segmentos da classe trabalhadora. Os conflitos sociais do após Primeira Guerra e o ciclo de insurreições 'tenêntístcs' constituíram a infra-estrutura. permitiram a coexistência num único movimento de tendêncios ld~l~glcas justapostas.go c~m. p. mer~to. 288·289. como um pesadelo dos. a influência dos fascismos europeus é essencial para explicar a natureza da. desenvolveu-se. Sem excluir a existência de outras formas possíveis do' fascismo latu sensu na América Latina.334 HISTÓRIA GERAL qA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA INTEGRALlSMO 335 político-econômica e cultural da sociedade brasileira. esses dois elementos doutnnanos de convergência do Integralismo. que se acentuou no após gúerra. organização hierárquica. A realidade. faz do Integralismo uma ideologia eclética. de salvaguardar a unidade do Integralismo. O papel conciliador do chefe integralist~ teve o. encontrava-se no centro dessas tensões sócio-políticas e dessas inquietudes ideológicas.foi rejeitado pela história brcsíleírc. pois.que acreditava responder às as~ir~~ões de . sociais e políticos com a crise ideológica das elites intelectuais. entre as duas guerras. nõo. A diversidade de movimentos autoritários na Europa influenciando o Brasil.modernista pôs em questõo os valores estéticos tradicionais e a renovação católica atingiu amplas camadas intelectuais. fundado sobre o messianismo místico " do destino histórico da nova raça mestiça. O nacionalismo e o espiritucrlismo. .