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XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN

MODULO 1

AS TRANSFORMAÇÖES DA AVENIDA RIO BRANCO E A PRESERVAÇÄO DA ARQUITETURA ECLÉTICA DO RIO DE JANEIRO
J. S. Pavan (1), R. T. M. Ribeiro (2) Programa de Pós Graduação em Arquitetura. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Campus Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, Brasil. jupavan@globo.com
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rosinatrevisan@gmail.com

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RESUMO No início do século XX a cidade do Rio de Janeiro, ainda capital da república, passou por um processo de remodelação urbana de intenção higienista e plástica, denominada “Embelezamento e Saneamento da Cidade”. Esta reforma, administrada pelo prefeito Francisco Pereira Passos, alterou profundamente a conformação urbana e arquitetônica do centro e de outras regiões da cidade, pela necessidade de combater a insalubridade e em razão de expressar a importância do Brasil no contexto internacional, renegando o passado de colônia portuguesa. A proposta de Passos foi transformar a capital de acordo com a

modernidade europeia do século que se iniciava, com inspiração principalmente na Belle Époque Parisiense, utilizando a arquitetura eclética para marcar este novo período da Capital carioca. Diversas foram às intervenções na cidade, porém, a mais importante em termos de transformação da forma urbana foi, sem dúvida, a abertura da Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco. A Av. Central não era apenas uma via de circulação da cidade, tornou-se um lugar de passeio e cultura gerando um novo estilo de vida moldado nos costumes franceses, simbolizando a Belle Époque Carioca. Localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, a Av.

 

de Santo Antônio e da Conceição. PALAVRAS CHAVE: Preservação. Porém. 2008. A vinda da Família Real Portuguesa (1808). e essa herança. o Museu de Belas Artes e a Biblioteca Nacional). A história e a identidade da população carioca . e ideológicas que a cidade passou a exercer. a arquitetura do passado nos permite relacionar as edificações com o processo de desenvolvimento cultural da sociedade. no século XIX. “A lâmpada da memória”. mas não o suficiente para atender a demanda de uma capital. Avenida Rio Branco. Trad. Ateliê Editorial.                                                         [25] J. Sua importância não é resumida à economia. cultura e história. INTRODUÇÃO O Rio de Janeiro. simboliza uma importante parte da história do Brasil. de São Bento. junto com uma classe social praticamente inexistente até então. políticas. Desde sua inauguração a Avenida é uma das vias mais importantes da cidade. Ecletismo. e a Avenida Beira Mar (Praça Cinelândia). hoje restam apenas dez. época que a arquitetura e a reurbanização da capital foram pensadas com o intuito de representar a modernidade do ‘novo’ país Republicano e sua importância no contexto internacional. e muito insalubre.e brasileira . transfere ao espaço construído os sentimentos de pertencimento e de memória. A arquitetura eclética da cidade do Rio de Janeiro. nela estão construídos os edifícios que movimentam o setor econômico. contribuíram para que ocorressem diversas modificações urbanas e de infraestrutura. era uma cidade com características coloniais. que possui enorme carga de valor histórico e cultural. limitada pelos morros do Castelo. e o desempenho das atividades econômicas. mas também pela arquitetura. A Avenida preserva os mais representativos exemplares da arquitetura eclética do país (como o Teatro Municipal. Cotia – SP. Maria Lucia Bressan Pinheiro. teve sua configuração arquitetônica original muito alterada nesses mais de 100 anos de história: dos mais de setenta edifícios ecléticos que a constituíam inicialmente.necessitam da valorização de seus exemplares arquitetônicos e de acordo com Ruskin [25]. e principalmente da Avenida Rio Branco. Ruskin.XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN 224 MODULO 1 Rio Branco conecta dois extremos do centro da cidade: o porto da cidade (Praça Mauá).   .

para tentar resolver as contradições que a cidade apresentava: capital de um país capitalista ainda com características coloniais. saneamento. porém. A reforma modificou radicalmente a cidade. Após a Proclamação da República. a fim de solucionar os problemas de circulação e.   . sem dúvidas. O presidente da República Rodrigues Alves indicou o engenheiro Francisco Pereira Passos para o cargo de prefeito do Distrito Federal. realizada pelo barão Georges Eugène Haussmann. a criação e reforma de praças. Diversas intervenções ocorreram em toda a cidade: a reforma do porto. em 15 de novembro de 1889. porém. em especial no Rio de Janeiro. A primeira década do século XX foi marcada pelas grandes transformações ocorridas. Este artigo tem como objetivo principal refletir sobre a introdução da arquitetura eclética no país. foi implantada uma reforma modernizadora na Capital da República dos Estados Unidos do Brasil. que assolavam a capital devido às inúmeras epidemias geradas pela insalubridade. a obra mais importante e com maior visibilidade foi.225 XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN MODULO 1 Desde a segunda metade do século XIX os governantes tinham a ideia de formular uma ação urbanística para a cidade. motivadas pela necessidade de adequar a forma urbana aos interesses econômicos e político-ideológicos da República Brasileira e integrar o país no contexto capitalista internacional. na época do imperador Napoleão III (entre 1850 e 1860). significativa de um período da história do Brasil. Era preciso criar uma nova capital que simbolizasse o progresso e a importância do país como principal produtor e exportador de café e. e a necessidade de preservação desta tipologia. a abertura da Avenida Central. que comandou a maior transformação urbana no Rio de Janeiro. apesar das tentativas durante o Governo Imperial não houve um real interesse em investir grandes capitais em áreas urbanas da cidade. para isso. utilizando a área da Avenida Rio Branco como foco de estudo. Os planos de reurbanização apresentados por Passos inspiravam-se na reforma de Paris. Diversos planos foram formulados para ordenar a ocupação do solo urbano da capital. o alargamento e a abertura de ruas e avenidas. até então. Pereira Passos implantou a reforma urbana denominada “Embelezamento e Saneamento da Cidade”. desmonte de parte do Morro do Castelo. etc. e somente no governo de Rodrigues Alves (1903-1907). principalmente.

25 e até 35m de largura. atual Floriano Peixoto . elevadores. Utilizavam também novos e variados materiais de acabamento. segundo Kok [26]. fez instalações de esgoto. É a partir daí que os morros situados no centro da cidade passam a ser rapidamente ocupados. Pereira Passos conseguiu concluir a construção da Avenida em vinte meses.. água e eletricidade (que foi inaugurada na cidade). ação que ficou conhecida como “bota-abaixo”. 1). além do uso de asfalto na via pública. 2005.800 metros de comprimento. o térreo destinado a lojas comerciais.   . como: papéis de parede. a maioria ainda em construção e raros lotes à venda que. e fachadas de 10. mármores. com a proposta de ligar dois extremos do centro da cidade (Fig. Bei Comunicação. Na sua inauguração (15 de novembro de 1905) existiam poucos prédios prontos. porém. já que pouquíssimas foram as habitações populares construídas pelo Estado. 15. que também sofreram intervenções: o novo Porto da cidade (Praça Mauá) até a Avenida Beira Mar (Praça Ferreira Viana. “Rio de Janeiro na época da Av. dando origem à favela. entre outros equipamentos construtivos. As fachadas para os novos edifícios da Avenida foram escolhidas em concurso criado pela Comissão Construtora da Avenida Central.ABERTURA DA AVENIDA ARQUITETURA ECLÉTICA CENTRAL E A As obras da Avenida Central foram iniciadas em 1904. em grande parte importados. etc. que dividia a avenida em duas mãos. representaram ótimos negócios para as empresas imobiliárias que participaram                                                         [26] G. o estilo que predominou na construção da Avenida foi o ecletismo. a Avenida exigiu para sua abertura a demolição de mais de 500 prédios do centro da cidade. torneiras. ladrilhos. Central”. vidros. clarabóias. em substituição às que foram destruídas.Cinelândia). As novas edificações utilizavam técnicas modernas à época como: estruturas metálicas. São Paulo. Com 33 metros de largura e 1. Grande parte da população ficou sem moradia.XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN 226 MODULO 1 1. maçanetas. A comissão não fez restrições em relação ao estilo arquitetônico das novas fachadas. espelhos. cujas normas estabeleciam que os projetos tivessem um mínimo de três pavimentos. Kok. calçamento em mosaico de pedras portuguesas e o canteiro central. 20. enfeitado por árvores de pau-brasil.

[28]                                                         [27] E. 1910. vista para a Avenida Beira Mar. Após a sua inauguração. jornais. a reforma afetou inúmeros proprietários de cortiços. Em oposição ao lucro gerado.   . F. Editora UFRJ. Foto de Marc Ferrez. já que todos foram expulsos do centro da cidade. 2005. 1 . sedes de empresas. ligando a Praça Ferreira Viana ao novo porto da Cidade. inúmeros prédios de grande beleza arquitetônica foram surgindo ao longo da avenida (Fig. Lima. “Arquitetura do Espetáculo. “O Brasil de Marc Ferrez”. Fig. São Paulo. clubes. 2). Rio de Janeiro. 2000.227 XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN MODULO 1 de sua abertura na construção dos novos prédios. hotéis. pequenos comerciantes e famílias pobres. [28] Vários.2 – Avenida Central já concluída. edifícios governamentais. Instituto Moreira Salles. biblioteca.Proposta de Abertura da Avenida Central. [27] Fig. W. etc. teatros. Teatros e cinemas na formação da Praça Tiradentes e da Cinelândia”.

previam a construção de um cais acostável desde a Praça Mauá até o canal do Mangue (3. Em 1917. como o Parisiense.. imaginando construir um centro de lazer no local. parte do morro do Castelo (desmonte parcial para a abertura da Avenida) e entulho das casas derrubadas para a abertura da Avenida. R. a Avenida Central simbolizaram o início da Belle Époque Carioca. o Pathé. III CIRMRE. 2010.500m). Rio de Janeiro. comercial e residencial. Pavan. a Praça Mauá. era o ponto de partida da Avenida Central: lugar de chegada dos produtos vindos da Europa que “abasteciam” as novas necessidades dos cariocas. bonboniéres. Cinelândia: preservação e história. como Praça Cinelândia. também foi foco da reforma de Pereira Passos. cafés. suas lojas de artigos de luxo importados. trazendo o estilo de vida Europeu para a Capital do Brasil. T. restaurantes. o espanhol Francisco Serrador comprou o terreno onde se localizava o antigo Convento da Ajuda na Praça Floriano. que se desenvolvia em um trecho do litoral do centro da cidade a partir da Praça Mauá. A Reforma e. etc.   . Manutenção e Restauração de Edifícios”. A inauguração oficial do novo porto ocorreu em julho de 1910.XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN 228 MODULO 1   Um dos extremos da Avenida. a cargo do engenheiro Francisco Bicalho. localizado em uma das extremidades da Avenida Rio Branco (A Avenida Central passou a se chamar Avenida Rio Branco em 12 de fevereiro de 1912. Outra opção de lazer muito característica deste período foram os diversos cinematógrafos inaugurados a partir de 1907. localizados na Praça Floriano (conhecida. sendo a maior parte dos edifícios de uso misto. M. a partir da década de 1930. modificando os hábitos dos moradores. Ribeiro. para glorificar o chanceler falecido dois dias antes).                                                         [29] J. As obras do porto. O antigo Cais do Porto. In: “III Congresso Internacional na Recuperação. com cinemas. principalmente. teatros e artes em geral. Graças a Serrador. no governo do presidente Afonso Penna. O aterro do porto foi feito com terras do morro do Senado (completamente arrasado). entre outros na própria Avenida e nas redondezas. a década de 1920 foi marcada pela construção de inúmeros cinemas nos primeiros “arranhacéus” da cidade. S. que passaram a frequentar intensamente as ruas do centro da cidade. devido a concentração de cinemas) e em suas redondezas [29].

2005. Os arquitetos e técnicos responsáveis pela direção do SPHAN. 3) e pertencia à associação de Eduardo Palassin Guinle. original (foto de 1915) e o atual (foto de [ 30 ] 2005). indicaram a arquitetura colonial como símbolo de uma arquitetura genuinamente brasileira. 4). Desta forma. desprezando a arquitetura eclética. destoando com o restante das edificações originais da Avenida.                                                         [30] E. um século em movimento”. DEMOLIÇÕES NA AVENIDA RIO BRANCO A arquitetura eclética. Buenas Idéias. que tinham gabaritos mais baixos e de estilo arquitetônico diferente. Bueno. Entre as décadas de 1930 e 40 diversos prédios ecléticos foram substituídos por prédios comerciais com até 18 andares. órgão responsável pela preservação do patrimônio cultural brasileiro). que faziam parte do movimento modernista. ou foram demolidas. representativa da Capital da Primeira República Brasileira ou República Velha (1989-1930). 3 e 4 – Edifício número 2. Foi demolido no final da década de 1940 e substituído por um edifício de 18 andares de inspiração art déco (Fig. que foi o primeiro prédio na Avenida a ficar pronto (Fig. Fig. a partir de sua criação em 1937. Um exemplo de demolição desta época foi o edifício eclético de influência italiana. foi inicialmente relegada a segundo plano pelos criadores do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.   . as edificações ecléticas não foram inicialmente preservadas e sofreram grandes transformações ao longo de sua existência. estilo bastante utilizado nas novas construções da Avenida desta época. atual IPHAN.229 XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN MODULO 1 2. Porto Alegre. Infelizmente. o número 2 da Avenida. “Avenida Rio Branco. o descaso pela história da Avenida e de sua arquitetura eclética foi igual ao que aconteceu em toda a cidade: a partir da década de 1930 diversos edifícios ecléticos foram demolidos.

possui 34 andares e foi projetado por Henrique Mindlin. op. porém. modificou completamente a avenida e. inaugurado em 1908. Apesar de ter sido o motivo da demolição do antigo hotel. 5). 1983. 10) feito na América do Sul à época. 5 e 6 Edifício número 22. por exemplo. original (foto de 1910) [31]. São Paulo. foi marcado pela substituição do ecletismo por uma arquitetura moderna. característicos de sua fachada foram retirados. cit. era o maior estabelecimento hoteleiro da época e primeiro prédio com elevador da cidade. que pertencia a família Guinle. RJ (1903-1906)”. Marquês de Herval (Fig. Outro caso de demolição deste período foi o antigo Hotel Avenida (Fig. sua qualidade arquitetônica incontestável foi o motivo de seu tombamento em 2002. As edificações ecléticas que conseguiram sobreviver a este período de demolições tinham sua relação com o entorno e o contexto completamente modificada devido à escala dos novos edifícios que aumentava a cada nova construção. Bueno. Ex Libris Ltda. que em 1937 foi demolido e substituído por um edifício de influência também art déco. sede das empresas Percival Farguhar. batizado de Edifício Unidos (Fig. 9). Essas edificações e seus gabaritos ainda maiores que o período citado anteriormente. Fig. 8).   . Rio Branco. "O álbum da Avenida Central: um documento fotográfico da construção da Av. [32] O período entre o final da década de 1940 e o final da década de 1970. Um dos casos foi o luxuoso Palace Hotel (Fig. Foi demolido em 1957 e em 1961 foi inaugurado o primeiro e maior prédio em estrutura metálica (Fig. 6). demolido e substituído em 1952 pelo edifício                                                         [31] M. e o atual (foto de 2005). Em seu térreo funcionava uma estação dos bondes que ligavam o centro à zona sul da cidade (as antigas linhas de bonde que conectavam a cidade não existem mais). edificação modernista projetada pelo escritório MMM Roberto. número 156. Ferrez. número 185. 7). retirou o efeito suntuoso que as edificações originais tinham. principalmente. atualmente está muito modificado: os brise-soleis.XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN 230 MODULO 1 Outro exemplo deste período foi o edifício eclético número 22 (Fig. [32] E.

original (foto de 1910) [33] e o atual (foto de 2007) [34].almacarioca.com.br. 9 e 10 – Edifício número 156. 7 e 9: sítio eletrônico: www. original (foto de 1910) e o atual (foto de 2007).                                                         [33] Fonte das Fig. acesso em: abril de 2007.   . [34] Fonte das Fig. 7 e 8 – Edifício número 185. 8 e 10: Foto da autora.231 XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN MODULO 1 Fig. Fig. 2007.

quase não conseguimos enxergar a beleza e suntuosidade da antiga Avenida Central. a antiga Casa Mauá. com as grandes torres pós-modernas. com fachadas em vidro. 13 e 14 – Avenida Central (foto de 1910) e a Avenida Rio Branco atual (foto de 2005). 11 a 14: E. foi o primeiro edifício exclusivamente comercial da cidade (Fig. inaugurado em 1990. Fig.XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN 232 MODULO 1 A terceira fase de novas construções iniciou-se na década de 1980. original (foto de 1980) e o atual (foto de 2005). op. 13). cit. foi construído em seu lugar o edifício RB1. edifício eclético com influência neogótica projetado por Gastão Bahiana. 11 e 12 – Edifício número 1. com seus novos prédios modernos e altos. Fig. Demolido na década de 1980. 12).   . 14) está muito diferente da original (Fig. Bueno. [35]                                                         [35] Fonte das Fig. 32 pavimentos e mais de 71 mil m2 de área total (Fig. Um exemplo é o edifício número 1 da Avenida. Atualmente a Avenida Rio Branco (Fig. 11).

Hotel São Bento (nº19)                                                         Fig. preservam ainda um pouco o espírito da antiga Boulevard da Belle Époque Carioca. somente dez prédios originais da construção da Avenida. que junto com outros prédios ecléticos da Praça Floriano Peixoto (o Palácio Pedro Ernesto e os prédios ecléticos dos antigos cinemas). estadual e/ou municipal). 16 .nº28)   . atualmente. São eles [36]: Fig. as antigas edificações ecléticas parecem estar perdidas em meio às altas edificações que interferem na paisagem e no antigo contexto local. Apesar de atualmente a Avenida Rio Branco estar muito diferente da sua configuração original.Caixa de Amortização (atual Banco Central . No restante da Avenida. sendo quatro deles presentes no reduto da Cinelândia. 15 . as dez edificações remanescentes de sua inauguração são preservadas por tombamentos (de esfera federal.233 XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN MODULO 1 Existem.

20 Fig. 21 Fig.Casa Simpatia (nº88) Fig.XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN 234 MODULO 1 Fig. 19 Fig. 17 .Companhia Docas (atual sede do IPHAN . 17 Fig. nº199)   . 19 .Clube Naval (nº180) Fig.A.Edifício número 155.nº 44) Fig. 18 Fig. 20 . 18 . Fig. 21 .Escola de Belas-Artes (atual Museu B.

talvez. pedindo o fim da censura e a liberdade de expressão. blocos e desfiles de carnaval. A importância da Avenida Rio Branco para a cidade do Rio de Janeiro. sociais e culturais. 22 . e assim.   . 24 .Supremo tribunal Federal (atual Centro Cultural – nº241) Fig. e para o Brasil. intelectuais. 23 . a mais famosa de todas tenha sido a "Passeata dos Cem mil". a Avenida Rio Branco ainda preserva importantes exemplares da arquitetura eclética brasileira.235 XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN MODULO 1 Fig. teatros. uma parte da memória e história do Brasil. sendo a Praça Cinelândia o principal reduto deste estilo arquitetônica da cidade. com seus cinemas. a Avenida foi palco de importantes manifestações políticas. no dia 26 de junho de 1968.Biblioteca Nacional (nº 219) Fig. não se resume às características arquitetônicas. envolvendo artistas. A cultura também sempre esteve presente. Apesar das drásticas perdas e transformações ocorridas nesses mais de cem anos de história.Teatro Municipal (s/ número) CONCLUSÕES Durante anos a desvalorização da arquitetura eclética fez com que a cidade do Rio de Janeiro perdesse diversos exemplares arquitetônicos do período da Primeira República Brasileira. A década de 1960 foi marcada por diversas passeatas e. museus. estudantes e trabalhadores numa grande manifestação contra a violência do governo.

Cotia – SP. Universidade de Goiás. 211. 2006. Cotia – SP. M. op. são testemunhos do nosso passado e símbolos da identidade cultural carioca. Le Goff. e também. Rio de Janeiro. Cury. Ateliê Editorial. Estação Liberdade: UNESP. Kühl. “História e Memória”.. A arquitetura do passado nos permite relacionar a edificação com o processo de desenvolvimento cultural da sociedade. Ruskin. transfere ao espaço construído os sentimentos de pertencimento e de memória. “A alegoria do patrimônio”. p. IPHAN/ministério da Cultura. cit. 2000. op. op. [ 1 ] A. Riegl. 2008. op. cit. p. Campinas. Choay. [ 1 ] I. Ateliê Editorial. Brandi. cit. cit. (org. Kühl. Choay. [1] J. [1] C. [1] C. Unicamp. 2008. M. [1] B. que possui enorme carga de valor histórico e cultural.). O patrimônio cultural herdado serve como fonte da memória coletiva que junto da história apresenta-se sob forma de documentos e monumentos [37]. e em especial os exemplares da Avenida Rio Branco. [1] F. São Paulo. Brandi. “A lâmpada da memória”. “Teoria da Restauração”. Ateliê Editorial. [ 1 ] J.. brasileira. Goiás. cit. [ 1 ] F.XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN 236 MODULO 1 REFERÊNCIAS O patrimônio cultural de uma nação engloba elementos materiais e imateriais que são reconhecidos como símbolos de identidade atuais. Brandi. 209. 217. Cotia – SP. Cartas Patrimoniais. p. ou herdados do passado. Ed. [1] J. 2004. [1] J. 2006. op. “O Culto Moderno dos Monumentos: sua essência e sua gênese”. p. “Preservação do Patrimônio Arquitetônico da Industrialização: Problemas teóricos de restauro”. [ 1 ] Carta de Restauração. Le Goff.                                                           . “Teoria da Restauração”. São Paulo. 1992. Torna-se então necessário manter ‘vivos’ os testemunhos do passado e passarmos a valorizálos. Ed. 221. Ateliê Editorial. In: C. [1] B. e trad. e essa herança. Concluímos que a arquitetura eclética. Le Goff. 2004.

São Paulo. Cotia – SP. acesso em: abril de 2011.rj. Heslington. Tese (Doutorado em Arquitetura). Lima. T. op. Ferrez. [1] Fonte das Fig. Instituto Moreira Salles. reformar ou construir seu imóvel no Corredor Cultural” Rio de Janeiro. Bueno. Department of Archaeology. São Paulo.gov. 8 e 10: Foto da autora. [1] Fonte das Fig. Bueno. um século em movimento”. Teatros e cinemas na formação da Praça Tiradentes e da Cinelândia”. Maria Lucia Bressan Pinheiro. 1983. Campinas. Trad. “The Persistent Underutilization of Brazilian City Centers With special reference to the Cultural Corridor of Rio de Janeiro”. Rio Branco. [ 1 ] E. Manutenção e Restauração de Edifícios”. “Rio de Janeiro na época da Av. "O álbum da Avenida Central: um documento fotográfico da construção da Av. Ribeiro. 2005. Cinelândia: preservação e história. Rio de Janeiro. “A lâmpada da memória”. Editora UFRJ. Ateliê Editorial. UK.   .inepac. 11 a 14: E. 15 a 24: Foto da autora. 1992.com. Porto Alegre. Ed. Le Goff. W. cit. M. Rio de Janeiro. [1] J. [ 1 ] Fonte das figuras 3 e 4: sítio eletrônico: http://www. Kok. 2002. S. III CIRMRE. [1] Vários. op. R. Sampaio. [1] J. “Avenida Rio Branco. 2008. “Arquitetura do Espetáculo. [ 1 ] J. 2010. 1985. [1] S/A. [1] E. Bei Comunicação. [1] M. 2007.237 XI CONGRESO INTERNACIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN MODULO 1 [1] D. [1] Fonte das figuras 1 e 2: G. Kok. Bueno. cit. “Rio de Janeiro na época da Av. F. [1] J. Unicamp.br. York.almacarioca. 2007. Programa de Pós-Graduação em Arquitetura. RIOARTE/IPLANRIO. Buenas Idéias. São Paulo. “História e Memória”. Central”. acesso em: abril de 2007. “Como recuperar. Central”. [1] G. Bei Comunicação. [1] Fonte das Fig. 2005. 2005. Thesis (DPhil in Architecture). Ruskin.br/. RJ (19031906)”. 7 e 9: sítio eletrônico: www. The University of York. “Abordagem Experiencial e Revitalização de Centros Históricos: Os casos do Corredor Cultural do Rio de Janeiro e do Gaslamp Quarter em San Diego”. Rio de Janeiro. [ 1 ] Fonte das Fig. 2000. In: “III Congresso Internacional na Recuperação. “O Brasil de Marc Ferrez”. Universidade Federal do Rio de Janeiro. [1] E. 2005. 2008. Ex Libris Ltda. Alcantara. Pavan. São Paulo.