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Aline Leão do Nascimento m. 75281 – Vespertino – 4° termo - Lit.

Brasileira III

Sucinta relação entre os acontecimentos histórico-sociais e acontecimentos literários de 1945 aos nossos dias.

1945-1960 Até 1945 a política getuliana do Estado Novo teve como expoente o interesse pelas classes populares: o campesino e o operariado. Essas figuras se tornaram recorrentes no romance da época que privilegiaram como espaço as regiões afastadas e interioranas do país. Os projetos do governo abrangiam o fim às oligarquias agropecuárias, o incentivo à industrialização do país, o estabelecimento de uma legislação trabalhista/previdenciária, dentro de um contexto em que passava a surgir a repressão à constitucionalistas e comunistas. A partir do fim do Estado Novo, numa atmosfera de pós-guerra, o Brasil engata uma ideologia do desenvolvimento sob influxos do governo de Juscelino Kubitschek marcada pela transferência da capital do Rio de Janeiro à Brasília. Na estância educacional e cultural, marca o período a proliferação das instituições de ensino superior em todo país e inauguração de diversos órgãos de cultura. É a era de ouro do rádio, a exibição de telenovelas, expansão da imprensa e das revistas. Bossa Nova, na música e o Cinema Novo, na cultura cinematográfica. Na literatura, a poesia concreta e o “novo romance” oferecem novas perspectivas de pensar a realidade brasileira iminentemente urbana – dentro de uma dinâmica de consumo estimulado pelo modo de vida norte-americano –, os usos das tecnologias e os mecanismos de comunicação de massa. Ter esperança tornou-se possível nesse contexto de desenvolvimento e modernização sugerido pelo governo de Kubitschek. 1960-1990 O Brasil já se admitia essencialmente urbano. A industrialização e o aumento populacional dava o aspecto de metrópole às grandes cidades. Por outro lado, esse crescimento deu condições para que as classes médias se desenvolvessem, porém receosas à violência que já alcançava altos índices de ocorrência. A temática da violência tornou-se recorrente nas obras desse estágio social conferindo força ao

Os jornais alternativos passam a ser o lugar no qual a literatura assume um tom de registro social. Qualquer expressão suspeita era submetida a uma espécie de moderação ou rejeição. Por outro lado. observa-se nesse estágio político um silêncio assumido pelos movimentos sociais. desencadeou um desestímulo por parte da classe literata. Além disso. a liberdade da fala do artista estava sob avaliação de censores que admitiam apenas aquilo que fosse favorável ao regime. pós Collor. no plano musical o contexto militar não impediu que movimentos culturais e musicais como a Tropicália tomassem corpo. a democracia recuperada oferece uma estabilização econômica que dá condições de crescimento ao mercado editorial. Todavia.romance policial. Desse modo. logo. não encontrando possibilidades de circulação dentro do mercado editorial. a prática alterativa de produção se estendia para o jornalismo. A expressão artística censurada tinha seu teor de crítica comprometido. São esses os anos de crise econômica no país. ação antes restrita apenas ao amparo editorial. economia de caráter sobretudo assistencialista e a solidificação do mercado editorial que já anuncia uma possível profissionalização do escritor. A censura torna-se prática corriqueira. 1990 – aos dias atuais Numa guinada pós regime militar. na década de 70. a Era Lula – assim chamado o nosso tempo – é marcado pelo fortalecimento da democracia. nutriam-se da liberdade de explorar a linguagem e o conteúdo sob o tom de paródia. A internet proporciona uma possibilidade de divulgação independente e captação de público por parte do autor. que refletiu na crise de mercado editorial e por conseguinte. Mais próximo aos dias atuais. O regime militar inaugura na sociedade brasileira uma atmosfera em que medo e pessimismo são sintomáticos do autoritarismo deflagrado pelo movimento político consolidado sobretudo pela implantação do Ato Institucional n°5. Itamar Franco e FHC. deboche e crítica social. Essa crise cultural resultou num movimento de produção literária intitulado “poesia marginal”. De tal maneira. escritores das mais diversas classes sociais e lugares do pais passam a se manifestar e encontrar espaço de . Essa medida autoritária está marcada pela perseguição a tudo que fosse oposição ao regime. A marginalidade estava na condição independente e artesanal de produção do material literário uma vez que não encontravam espaços no mercado editorial do país. e uma sublimação de correntes e filiações estéticas. A partir do ano de 2003 surge diversos eventos e premiações oficiais direcionadas ao nicho do escritor.

2002 ___________. A literatura marginal. Rio de Janeiro: Rocco. Paulo. 1994 FRANCHETTI. Configura-se como representação da voz da periferia através de uma linguagem e temática aliada ao tom de protesto social tributário ao gênero RAP. produto dessa visibilidade alcançada por meio da internet e pela proliferação dos saraus. “Pós tudo: a poesia brasileira depois de João Cabral”. Silviano. “Tendências contemporâneas” In: História concisa da Literatura Brasileira. “Poder e Alegria” In: Nas Malhas da Letra. “Prosa literária atual no Brasil” In: Nas Malhas da Letra.divulgação de suas obras. em nosso tempo tem um componente de classe aliada também à produção independente. Cotia: Ateliê. SANTIAGO. In: Estudos da Literatura Brasileira e portuguesa”. 2002 . Rio de Janeiro: Rocco. 2007. Alfredo. Bibliografia BOSI. São Paulo: Cultrix.