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regime militar e movimentos sociais em fins do século XX

N.Cham. 981.05 B823 3.ed

Título:

o Brasil

Republicano

/ .

111111111111111111111111111111111111111111111111111111111111
120004
V.4 EX.2 UFRRJ

.

AC.29501 WPat.:12608/2012

Organizado por Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado

o Brasil
Republ icano
o tempo
Livro 4
3 edição
3

da ditadura - regime militar e

movimentos sociais em fins do século XX

CIVILIZAÇÃO

UUASILElRA

Rio de Janeiro 2009

É o caso do livro Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução.o.o.o. 2.o.Cultura e política: os anos 1960-1970 e sua herança::Marcelo Ridenti Professor Livre-docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Departamento de Sociologia).ob. e de alguns artigos (1998. . do CPC à era da IV (2. ':'Aqui retomo e sintetizo idéias expostas mais longa e sistematicamente em alguns de meus últimos escritos sobre cultura e política a partir dos anos 196.0.01). 2.oa).0.

seus intelectuais e artistas valorizavam a ação para mudar a história. cultura. Rebeldia contra a ordem e revolução social por uma nova ordem mantinham diálogo tenso e criativo. As propostas de revolução política. sobretudo entre a intelectualidade. formulado por Michael Eram anos de guerra fria entre os aliados dos Estados Unidos e da União Soviética. em todos os sentidos e com os significados mais variados. tanto que o próprio movimento de 1964 designou a si mesmo com revolução. pessoal. revolucionário. Naquele contexto. o que permitiria uma alternativa de modernização que não implicas1 3 5 .não a democracia ou a cidadania. e também econômica. interpenetrando-se em diferentes medidas na prática dos movimentos sociais. cultural. com raízes rurais. Mas o modelo para esse homem novo estava no passado. até no Brasil. do interior. para construir o homem novo. certos partidos e movimentos de esquerda. como seria anos depois -. a utopia que ganhava corações e mentes era a revolução . que vivia um processo acelerado de urbanização e modernização da sociedade. supostamente não contaminado pela modernidade urbana capitalista. tenho usado a meu modo o conceito de romantismo Lõwy e Robert Sayre (1995). vida pública e privada. do "coração do Brasil". expressa também nas manifestações artísticas. na idealização de um autêntico homem do povo. Para pensar o espírito revolucionário da época. marcaram profundamente o debate político e estético. nos termos de Marx e Che Guevara. mas surgiam esperanças de alternativas libertadoras no Terceiro Mundo. enfim.TEMPOS REVOLUCIONÁRIOS Talvez os anos 1960 tenham sido o momento da história republicana mais marcado pela convergência revolucionária entre política.' Então.

O Brasil começa a se conhecer. D-). ao mesda mistura não mais no Rocha (1963) etc. Daí.m: o do S 'ltlO 111 t11. caracteri- da racionalidade ao campo etc. também avanço extensão suas raízes e a ruptura com o subdesenvolvimento..d L1 d que pode ser contraditoriamente (. numa espécie de do revoo desejo da teotípicas da os moa ve- das classes médias. que envolviam o horizonte do socialismo.111:111(. processo de instauque o ao da racionalidade capitalista moderna no Brasildesenvolveu-se caracterizado. Pau-Brasil. tempo sem nenhuma nacional blema da identidade desvio à esquerda de romantismo pejorativa.0 I 1'0' inr in 011(01'(. viria a crítica da realidade brasileira. inconfortável análises como a de Rouanet. em linhas gerais. de Carlos Diegues Zumbi. associada ao 'llpi. brasileiros 'Ill I em escala internacional: a aposta aos trabalhadores. p. ta: "a minha geração o cineasta Carlos Diegues observa sobretudo geração.. buscava-se autêntica no limite. de Boal e Guarnieri na Terra do Sol.smn . nrp 'I' 'li sociais nos anos 1960 em todo o mundo. Em suma.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA se a desumanização. 2 10 do negro e do índio na constituição social existente. r pres ntada p . na pintura dI' Portinari e nos romances regionalistas. v . desejo de uma identidade calismo. chamar buscava-se e urbanização. juventude vimentos lha tradição da época de renovação. r. e do dinheiro. ria. xim do complexo do trabalho indusrrin]a salariado l' do povo brasileiro. autoritário.lismo ('1988.. onstru ': o do Ao longo do século XX.. modernismo afirmação chamariam nas artes. n50 til h. n S :lI10S 1930 e 40. Uma pnrt ' ti viria a pol il il. nacional. e a relativa com pesados de direitos brasileira. 'I como romântico das trad i õ s da nn 5) de sustentação rnida 1 fez-se pr 'S tos estéticos a partir da S 'Iml1a ti ·1\1'1 ' MI I pas adi ta e futuri ta. até desaguar nas manifestaçõ 'S dos anos 1960. a do P vo brasi I ir 111 bas 'nl 'IlOS IlHlis dif 'r mt 'S movirn . ): a nação como individualidade L1I1ia. fazendo a fruiçâo na ação em detrimento que marcaram lembrar nesse processo. dever-s do o passado.. Assim. e Antropofngin Quarup. qu r 1:1$ l rnsi] iras n s an N' ° qu 111 os na 'iOllllL. volução futuro. do que se convencionou de era Vargas. e privada. Nesse sentido. o tortuoso burguesa" -. I ois IH o x ns . sentido de justificar popular versões a ordem mo tempo moderna (1967). - viria a consolidar-se após o movi 111 'Il( () zada pela aposta no desenvolvimento Estado. Essa versão brasileira lucionário mento. a comunidade negra celebra(1963). e na peça Arena conta (1965). expansão (. contrapartida intelectualidade se criticamente notadamente burguesa Nos contextos nos anos 1950 e especialmente da modernização investimentos de cidadania particularmente conservadora. (' I II 11I . ) Minha é a última representação capitalista industrialização capitalista (. na época. brasio proa um Novo. acompanhando ração e consolidação alguns mesmo autores tempo. passando pela incorpora çâo do folclore proposta por Mário de Andrade ou por Villa-Lobos.10 povo. de esquerda foi a última safra de uma série de redescobridor com o romantismo do Cinema secular".:\!' a fusão entre vida pública da vida boêmia. de Antonio da no filme Ganga Zumba. da modernidaclc. numa entr 'vis'S e dasalienada. os padrões com base na intervenção com o desenvolvimentismo de 1964. liderados por Oswald ele Andrade). para as representações da brasilidade. desse esforço desenvolvida ao longo do século XX. são características de 1960. romance o consumismo. conotação e política Brasil.I '0111 ) 1'( mnnrismo Il'lIl IV \ nssn I ). ) aqu '!t do tropi- É a isso. romântica da mod de "revolução e moderno. alemã 1110Sela I riam I r '1:11 iviznr "d s anc s 19)0 Ij. -ml ur 1 ross '1111'0111111 i 'o. que se aproximariam seus adversários politicamente do São exemplos no âmbito Callado das artes: integralismo de Plínio Salgado). revolucionário Recolocava-se (1926 e 1928. S não se dissociava de traços do romantismo a liberação sexual. implementador tal internacional. A modernidade a crescente financeiro. o império do fetichismo o indígena da mercadoria exaltado no e Escola ela Anta (1926 e 1929. associada à celebra 50 do caráter nacional do homem simples do povo. socioeconômico-políticos na década dificilmente colocar-se a partir dos do pro de anos 11. socialista. que se pode chamar leiro do período. os camponeses no filme Deus e o Diabo no paspara construir uma nova nação. por exemplo. de Glauber sado uma cultura Formulavam-se do branco. de um Estado no meio artístico. rornnnrismo nha muitas vezes uma semelhança 111 sin ularidad irr durível" COI11 v 11<. S '111. mas de questioná-Ia. irregulares de trabalho a ânsia de viver o mopobreza. no olho do furacão na contramão seria dissociável quando aponta das utopias que o pov sso dn I' .oisn.) () de esquerda romântica..nli '1'11 \ li' 1l) : V 'I' I '-[111101' .rvn 101' ai .

plásticas. O Teatro de Arena sempre foi um pólo de atraçâ . temática. aprendendo para depois r rinr nqui o "método de Stanislavski". Vera Gertel. I I" Surgiram então os famosos seminários de dramaturgia.»! '\11 1:1$ pc as qu pro ur:1V:1111 r 'fi . '01110 era usual até então. Guarnieri. tendo como responsável o diretor José Renato. que se juntara ao Arena depois de um período de estudos n s ESlado~ Unidos. onde ficou em cartaz um ano rn . seminários deram frutos fora do Arena. n50 S ) I ·1. Apercebendo-se disso. antes de entrar nesse tema. Terminadas as apresentações em São P:11110. incentivando a escritura \' a encenação de peças de autores nacionais que expressassem os dilemas do povo.ionnl.xro. No TPE atuavam Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha). 1111 .~' tie seguiu para o Rio de Janeiro. pioneira m '010" r 110pnlco () ioridinno I. ESI'nVnI11 1111 ordem do dia a nacionalização e a popularização do teatro. vários dos quais participaram da enccnaçõe Edu Lob )..n va-se a definição de uma dramaturgia verdadeiramente brasileira.io. a valorização do povo não significava criar utopias anticapitalistas regressivas. BlIs . '0111 a utopia de criar uma relação orgânica entre as artes e os m vim nros pOpll lares insurgentes no pré-1964. Juca de Oliveira.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA portanto semelhantes em alguns aspectos. Centros Populares de Cultura (CPC). Nesses seminários. como no caso do outro rrupo I -ntrai paulista que fez época nos anos 1960 e 70. bus and um I' . vale a pena nos determos um pouco mais no pré-1964. que levaria os integrantes do TPE. o projeto do Arena 0111 i nun va.pois 10 !J.sist n 'ia 'ldtlll'lll.d cin imn : S 11'1 . Vianinha e Chico de Assis resolveram permanecer no Rio. onde estivera no Actor's Studio. alguns dos quais eram artistas . r int rpr nundo e reelaborando textos célebres da dramaturgia mundial de qualqu 'r 'po 'li.'ti I I I . para jovens artistas engajados politicamente na capital paulista. 1JI11(. Teatro Opinião etc. I 4 o Arena viria a ' nstituir num d s baluart s da r . mas também na direção. t\pl/) a temporada. Teatro de Arena. que ficaria conhecido como Teatro Paulista do Estudante (TPE). numa época de busca da brasilidade e estreita vinculação entre arte e política. :11 '111k in telectuais e estudantes. um grupo de jovens comunistas da União Paulista dos Estudantes Secundaristas . O que no início parecia ser apenas uma tarefa política logo se tornou uma paixão pela arte do teatro.na apita! p:1l1lisll. O. que funcionava desde 1953. interpretação e produção de c . de laboratório de trabalho com atores (pou '0 depois viria a incorporação do teatro e do método crítico de Brecht).recebeu uma tarefa partidária para politizar seus colegas: fundar um grupo de teatro._a partir de 1958. vil) Império. Em São Paulo. basicamente o de colocar-se na contramão do capitalismo. 'S rnilitnvam '1l1 (l1'I' "1il. quase Oll 'I':lm rodOH OS S 'lIS int 'gl':1nr Hi1111111il. orn I11llSi 'as ( '01110 . sabiamente de seu ponto de vista. implicava o paradoxo de buscar no passado (as raízes populares nacionais) as bases para construir o futuro de uma revolução nacional modernizante que. trabalha I r 5. em afinidade com a realidade brasileira do momento. Logo apareceriam divergências sobre como construir um cf . Essa associação gerou uma renovação da dramaturgia nacional. resgatando as idéias de povo e nação. Ele atraía artistas de vários camp . Mas. entre outros. Começava a ser escrito um importante capítulo da história da cultura nacional. poderia romper as fronteiras do capitalismo. a partir de 1956. e pecialrnente partir de fevereiro de 1958. mas progressistas.ntro pnrti 'il :1\11' . no final dos anos 1950. que este v ' ini 'i ti mente muito ligado a Boal e ao Arena. Gianfrancesco Guarnieri.tivo "t('lIl'O popular". o Arena. por exemplo.. no limite. Artistas da revolução brasileira Em 1955. destacou-se a liderança de AlIgllslo Boal. promovidos '111 São Paulo pelo Teatro de Arena. o Oficina. que marcou um florescimento cultural que se estenderia até o final de 1968. ou na cenografia (caso de Flávio lmpério). Não se queria mais apenas importar as peças do Primeiro Mundo..na maioria filhos de militantes do Partido Comunista (PCB). . Era o início de uma sucessão de empreitadas do teatro engajado: TPE. Paulo [os 'FI. com a edição do Ato Institucional n° 5 (AI-5).tir sob r " conjunrurn 111 . Em outro contexto.:1' 'S de 'Nqll. No p rtcdo. um movimento que soube incorporar desfiguradamente as utopias libertadoras nacionais. capitaneado por Boal. a associar-se a um teatro até então pouco destacado.innfrnn s uarru rt Eles não usam black-tie. que promoveram a "nacionalização dos clássico ". 11\1 '1IIi'1111 '111 ' brnsi] 'il'). com a e tréia da p ":1 I' . as classes dominantes trataram de fazer sua contra-revolução preventiva em 1964.olp' It.

e sa id 'ali~ 1<. Os poetas ele erdados engajad t da América s das lass Latina e do Ter eiro Mundo 111dias urbnnns insur . p. "Em horu ' pacto da UNE Volante de 1962. que enfim despertam' no Violão de rua. I. com o subtítulo revelado r de Poemas para a liberdade 1962 e 1963).nmpo ou IlliW \11\.~ nn 11 i 11 I 'S. 'I" t i 'li do l' as Ligas Camponesas.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA Voltando Arena.nsâo ti ' movi 111l'1 I'· dCl110 geral associada à conclamação por exemplo.. e Carlos Estevam Brasileiros da entidade - cinema.. na ional 10 p v para a r' 'lIsn 1)0 no campo.I \ 11) . A questão Enfoca-se do latifúndio é recorrente. nos poemas ser resgatada. expressava 11 I Dessa aproximação nasceu o e da lide- de fazer uma arte popular Leon Hirszman Superior em diversas áreas. esp . y . no primeiro de intervenção a ruptura em busca das reformas da UNE do CPC semesde base. Mas predominam e seres humanos as rcfcr n 'ins no Está ligado ao CPC um exemplo rio do pré-1964: Brasileira. . do romantismo do CPC com a editora ora se inicia" (vol. 'a denúncia bretudo. a partir da iniciativa (Iseb). originário do Instituto o chamado CPC.cinlmcn pelas camadas médias urbanas. do povo brasileiro para realizar das vá- P pulares.1111 'I'i 'Ino. rurais no período. brasileira. da utopia romântica Nos poemas nas grandes o drama agrária e redentor da humanidade. sua revolução. A evocação aparece pelo clima político também da época. da terra do Brasil. rança de Vianinha. '()ll1 n 1111 I. rioN e a busca do que estava perdido. num país com dimensão do CPC nos quatro em parceria expressivo 12 filhotes continental. p rérn miseráveis.Traw-s' ti . Foi grande e a comunicação de trabalhadores da terra". (UNE) para atividades de dissidentes do Teatro de dos pai personificação a recusa da ordem do caráter do povo brasileiro. melancólica pelo capitalismo. tema tal 'ujn IUI \ cantos do país. \ . Gullar: minho Pairava no ar a experiên de uma cornunida por intermédio celebradas o patrão. Vinícius que traz a seguinte dedicatória: A UNE Volante revolucionáCivilização (Felix. teatro. com eles. io I M 'S J iyr F 'li . projeto Estudantes ao início dos anos 1960. 250). em que uma comitiva percorreram os principais tre de 1962. como expressa. poemas. literatueste um sociólogo limite. centros universitários e na política nacional. regenerador os três volumes. r f. () ln 1\11 \ de rra. do mund pleno.iro: Ul11l1. desurnanizndm . do homem uma idealização abstrata. I. I P 'r lid I. levando na política universitária no processo volvimento da revolução e a afirmação adiante pelo Brasil com a organização e integrantes do país. O sucesso do CPC generalizou-se Volante.' G I I 'ilO 1\0 ". p. nordestinos.i 1'1I / qu . música e artes plásticas. exemplar há uma busca da humanida no sentido a aspiração a um reencantamento em que os diferentes cuja significação moderna" (1995. Os po 'tas hus ' \ I .111 clada u n. ancorava-se por outro lado.nt i5111 hUl1lanistn. mo. n id 'lllifi '1' ol!l'('1lido () n01'1 '. nta "duas v rdn I 'S [uc o 'S I ri. do povo. MOI' 1' . numa época sem rede de televisão em que a malha viária ainda estava pouco desenvolvida os estados semeou era difícil. Violão de rua expressa da hurnanidad :1 c m r 'g . \ transparece das condições dos poetas pelo sofrimento por Lõwy e Sayre: "aquele em um conjunto tálgica da reificação-alienação Influenciado t S ão integra los. o '\ para as Ligas/ que ele derrota (vol. . 111 t lcll da r 'volll 111v.n 'rlldOl' ln y mni: lutas de povos pobres rias vezes. 111 \ mo '()I)' que compõem cidades e. Quase todos os poemas por latifundiários. Liberdade nação. o grupo no Rio de Janeiro. conjuntas. ov ) brasil . Se os poemas te do campo. por exemplo.O numa base bem real: n illNlII' envolvendo nacional não era completamente gência dos movimentos vam solidarizar-se autor de "Os homens nagem aos trabalhadores Os operários intensidade "povo": do povo. lscb e d r dcntor S' P B. I . com a a c . ain ln no . 82-85) também são tematizados os homens 0111m '1101' que os trabalhadores da coleção. o imentre como João Boa-Morte "Que é entrando da vitória/ trazem de F '1'1'.in ra. do romantismo rurais. global tend p. para morrer). em alguns textos perda da humanidade. Era o tempo (cabra marcado de Estudos de dirigentes suas propostas das Ligas Camponesas. a edição do empresário comunista evocada Ênio Silveira no sentido dos três livros da coledo povodo próxiretirantes em os pobres. sodos 'hido 01'11. '0n10 'OIHra os il111 'I'illli I\lO. nifestação nicamente.orn '( () do . a emoção de vida subumanas especialmente e da reforma aos homens seguindo Em suma. 22-35). ção Violão de rua. rn os I rin 'i- larif inndo no . pelas idéias de revolução a utopia um mar . já não existente ção brasileira. da identidade está na Revolução" dos estudantes com o subdesennacional. social instituída certa nostalgia a lutar por melhores imperialistas ondi 11(1 til' após temporada procurou a União Nacional ções de vida no campo ou nas favelas.

I\p )1' () !\ol\l'. alguns cineastas discordando na perspectiva a desalienação da instrumentalização das consciências. lado. sllh ri 'Stlll '!'lI I do formalismo. isa muito simples do povo brana Bahia. "foi graças aos artigos de Glauber Literário madas médias intelectualizadas. no início dos anos 1960. os problemas do homem 50 dll rld Claude Bernardet movimento de O Estado de S. contudo. nos cinco episódios:" 0111'0d 'W"O". 111 Em seu "h 'g completam I1t' I'UIS 'l1t " E 011 It' élcbrc nsaio lu épo 'O. Luiz Carlos Barreto. de . ". Em 1965.es artísticas. Eduardo cineastas que deda refle- A reação cultural e política ao golpe de 1964 Após o golpe de 1964. contra versivos cultural.iro 11l(l1' 'o . constituindo-se num dos I ou Leon Hirszman. a S ucrda era f rte? Na cultura". de Andrade. são" (1962. incluindo artistas Eles buscavam de 1964. de qualquer ressaltar retorno literária era forte fazia um contrapomo a forma na época cultores pré-capitalistas. da Bahia e no Jornal do Brasil e aos artigos de Gustavo no Suplemento se estruturou. no Violão de rua. "O fav lado". Pereira Cacá Diegues.1'. Glauber Rocha já estava no Rio. 182-183). Paulo. a poesia concreta literário e afastava-se a ponto ao nacional-popular. fendiam Dahl. patrocinado pelo CPC da UN . d' participar inserindo-s m 1ll11llift" 'st'l'llllhll. 1I :" 'II()I'I'II". com a "a esqu rda era forte na cultura e em mais nada. koh '1'(0 ultnral" ()/II. entre o regime capitalista do homem" confundedo povo dos irmãos Valorizava a supostas os concreparticipanformalpor Glauber Joaquim Viana. Por outro romântica da afirmação da identidade nacional com raízes pré-capitalistas. Ou seja. 111 . dos canais de repres da política como testemunha a operária nta 50 pol ri . Mi~\I .10(1 IlIil11I)' Ir< I 1\11Ira I j da Iglu Filmes e. indissociável ta . do fechamento Nesse período. Pedro Nelson Pereira dos Santos.t rnatizan 10 o oti li3110 em fav Ias cariocas. publicado nacional autêntica momento Rocha nos Dahl e Jeanrepercusde Ainda mais porque os setores populares invinhilizn foI". p. porém pelo qual procuravam com uma linguagem com os movimentos Policiais Militares do golpe. mais funda. e do homem brasileiro. da arte.rdn d 'pois de Ic .11'( . reprimidos melhores Esse período buscavam condições e artistas.I Bor~ 'S. para que propusessem da fome. os artistas não tardaram a ditadura restando liberais modo em seus espetáculos. os adversários considerados pelos novos donos que entretanto Os anos 1960 foram ainda a era do Cinema Novo. no Rio de Janeiro. expressando Vários Inquéritos te" em sua poesia. criação o Cinema Novo deslanchou Carlos N lson . em busca de sua revolução. Arnaldo posições Nelson Jabor. Tendo como princípio baixo custo e como temática sileiro. Mas eles perJ11:111 "i:1I11 que colaborass a autonomia da obra de arte. política destacando. de Leon Hirszman. afastaram-se do CI'(:./. no mesmo especialm nrc Il11S'Iprofissiounh em que surgia o Cinema Novo. de São Diogo" de Carlos Diegues. intimidar Mas o que importa é que o apelo à ação até mesmo o "salto liduur- de sensibilizar sintonizar-se também lizt at /" I d 'I ois dt. testemunharia a organizar praticamente política entre estudantes.n. Ruy Guerra. Campos sobretudo origens política tistas. h g)L1 li falar prim . a utopia marxista se com a utopia brasileiro. I Mar os de 1"~II'i[ls. Gustavo Coutinho. Paulo César Saraceni O cinema David Neves. - 'OIllO Viuniuh '! . como Hirszman Rocha escreveria seu manifesto de um cinema terceiro-rnundistn. S hwarz ('I 78) 11. outra. ' 1':11'11 'st' '( i 'li 1". 1963. consti: uiu- como Cinema Novo. (os IPMs) foram abertos. uma superpolitiza protestos 'Oll( de esquerda. Glauber do-se o grupo que ficaria conhecido também cineastas que continuaram a insurgência do Coutinho.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA sa emancipação sencial econômica. Por essa época. mente.. Logo depois de Cinco 'Vezes[auela.olltilll!(). populares. dos Santos. 10). Zelito (Felix.4 foi () show morria 'S(ll o. cos focos de resistência Walter Lima Jr. de forma talvez superficial. e "Escola de Samba Alegria dt. que o mas ganhou a produção independente cura. PI'O(IIHollis(ns ti 'o los do . de defesa de uma arte nacional-popular. de que faziam ligados ao CPC. e outros não se deixou ao movimento abater. É LIma S sin licatos reprimidos. em longas-metragens: a irnpren com a filmagem de Cinco 'Vezes [auela. de Maurice estava na linha de frente I' I xão sobre a realidade do cinema Segundo jornais artigo na busca de uma identidade Capovilla. revolucionária 1964. do poder. composto Rocha. que muitos ram duramente e suas organizações de organização por exemplo.ulrurnl 111 'I' de isquvrdu. brasileira. li. e a liberdade a da incompatibilidade ou construção es- "Pedreira Viver".

um espaço de reunião de opositores da ditadura. Tornou-se ainda.n lual11 () S '\I atr pretendia fazer o público de classe média re nhc r s us privil lIio \ mobilizar-se -. . Hélio Oiticica. de se encontrar o homem brasileiro' S 'li 111 'i() geográfico social e político. e no tropicalismo musical de Caetano Vclos« e plástico de Hélio Oiticica. A partir de então a balança que oscilava entre o existencial e o so 'i..o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA Ferreira Gullar. Vale reiterar que o grupo do Oficina nasceu do florescimcnro '1111111"I1 esquerdista dos anos 1960. O Opinião fez enorme sucesso e estimulou outras iniciativas artísticas na resistência à ditadura. até 1968.in 1S 'I'i 1 por nstitutiv: I 11111 1110vil11 nt onhc ido OIl1()tr pi . representantes da cultura ocidental. conforme se acreditava. Sérgio Ricardo e mais tarde Edu Lobo. 1 ti • pendência econômica em que vivem as sociedades latino-ame ri anas.organizaram o show Opinião. que viria a dar o nome ao teatro onde era montado. como autogozação do subdesenvolvim 'lllO. de Millôr Fernandes. do sub I nv lvirn I1t d arátcr d p v brasil iro. que depois seria obrigado a exilar-se. propondo uma "revoluçr (J ideológica e formal" que.:pUI' meio do deboche que se concretiza a sátira violenta ao conchavo p li 1i 'o 011 à cínica aliança das classes sociais" (Silva. O impacto dessa montagem seria sezuido pelo sucesso da peça de Chico Buarque Roda-viva. em 1967. Se correr o bicho pega.nrc p 11'11 () grupo . numa encenação da qual o restante da q11 ip . em 1958. alguns dos quais fundaram um ateliê no Presídio Tiradentes. 1981. (. Viriam ainda a mostra Nova Objetividade Brasileira e outras inúmeras manifestações críticas da ordem no campo das artes plásticas. Terra em transe.ntidad ' na . . Pasqualini. 11111 I maneira nativa para se comunicar a realidade do País". De um modo diferente da 1'1'::1 liç.mas de uma ótica diferente do chamado nacional-populnr "" tudar a 'cultura brasileira'. depois substituída por Maria Bethânia). em 1965. continuava no centro a que tão da id . 0111 isso. Consolidava-se a aproximação do teatro com a música popular brasileira (é dessa época a criação do termo MPB). ti () Oficina não participou. expõe.. Landim. Mas seria COI11 a ~'II cenação da peça de Oswald de Andrade O rei da vela que esse gru po 1\ I nharia impacto artístico e político nacional. se ficar o bicho come. p Ia expio ão criativa de 1967 e 68. de um ou tro modo: 'li '()II trar o homem brasileiro pela regressão antropofágica ao índio d 'vor:HIOI'do. 132). contracenavam um sambista representante das classes populares urbanas (Zé Kéti). p. a problemática romântica permanece. seria organizado o Opinião 66. como Carlos Lyra. Isso cria bus ':. Representavam os três setores sociais que poderiam se insurgir contra a ditaduta. de Vianinha e Gullar e outros sucessos. Sérgio Sister e vários outros que foram presos. Voltando ao Teatro Opinião.ioun]. João das Neves. .29 artistas plásticos organizaram no Rio de Janeiro a mostra Opinião 65. bem como o gol pe de Estado no País. ele encenou também peças como Liberdade. Em 1966. que. passou pela fase de ligação com o Teatro d Arcna.) Também de encontrar uma nova forrn 1. liberdade.JON Celso Martinez Corrêa. Vergara. Rubens Gerchman. com a politização de compositores originários da Bossa Nova. () I11 i nal-popular . Então. em São Paulo. que vinha de antes de 1964.1. Alguns artistas plásticos chegaram mesmo a vincular-se organicamente a partidos e movimentos de esquerda. () )(j . Participaram Antonio Dias. IUi1lldo v rios rn imbros I ixnrarn rrup o dir . p.111 ber Rocha. Paulo Pontes e Denoy de Oliveira .tor . foram um marco decisivo na história do Teatro O i cina. em que se destacava o crítico Mário Pedrosa. "Pequenos burgueses. Ele se originou do teatro de estudantes da Faculdade de Direito da USp. passou a ser prern . seguida do estreitarncnto de horizont s a partir 1 até chegar o início dos anos 'I 70. de que participou Lygia Clark. Carlos Zílio. Escostegui. Depois de 1964.que segundo José Celso só fazia COI1olar a plar iia n 01110 dada. "por meio de uma lin lia' '11111\" siva e irreverente. Waldemar Cordeiro etc. como Sérgio Ferro.alismo. Renato da Silveira. por intermédio de uma catarse coletiva apaziguad ra. Por exemplo.. um compositor popular do campo nordestino (João do Vale) e a menina de classe média (Nara Leão. Armando Costa. a encenação de peça de Gorki. entre outros artistas nacionais e estrangeiros.lso c ilo\l-st" S"HIIII 10 1\1'1111111 10 S I' io dn SilI ~ va. Outro grupo destacado nos anos 1960 foi o do Teatro Oficina. No espetáculo Opinião.1 começou a pender para esse último" (1981. encontraria paralelo no filme d '(. recriada pelo diretor .do IIU Oswald de Andrade de O rei da vela. 142-143).JOI" . (.

Bandas os Beatles e os Rolling a inglesas famosas internacionalm afinadas '111" '0111 1I 'li li 111'[\ Stones. O amor livre e as drogas seriam lib radorcs ti ' como a maconha humanas e o LSD. ujos pr ur- imon & . da chamada Aliás. Era uma posição anti-Belas ções contra a guerra do Vietnâ. Glauber prezava no tropicalismo e irracional em sua brasilidade o que achava se reaproxima mas combatia I. no "Tropicália imagem festações deira herança camente. o movimento. e uma "arte ligada à reprodutibilidade. e arranjadores envolveu além do grupo pop art. certo modo precursor irracionalistas. autor da pa do LI' 7J'opi /i. urna rOl'IlI. do qual fazem parte consciente.ismo I ~I I 1I . embora muito bem inseridas no mercado e na indústria desenvolvia-se 1. pria dos países do Terceiro Mundo. a contracultura Oiticica. cultural ser a americanização também entre as obras de Glauber anticonvencional Mundo presente e o tropicalismo. européia característica e americana plásticos.' 'S: Parece que existe afinidade sentido apontado e autoafirmação o que ele tinha de inventivo. ) um filme com tendências lar" no Brasil. movimento com Caetano Neto. maldita e ainda: "Para a criação e forte. . a contracultura de drogas de protesto e do parentesco em todas sexual i Ilil caracterizava-se por pregar a liberdade o IIHO como Hélio Oiticica.. 1'1111"outros. eu não sei. em carta a Cacá Diegues: "Caetano através de John Lennon apesar de ter o maior Ou seja. Tarnb 111 li aram a tropical i 111 utr S arti tas piá ti os. I vante em Oiticica. expressiva terá que ser ab orvida. Jil11l11Y Hendrix. Capinam. Costa. Roy Lichr com manifestações 'nSI d 11 a que se agregaram e Damiano Mas o tropicalismo Segundo Júlio Medaglia de rock Os artistas Além da nova música artes. mas não tenho interesse se afastava o menor interesse por Caetano" pela negra e índia de nossa terra. projeto do que viria depois. S 'li as seguint objetiva. brasileira. Tom Zé. também estavam.. com Andy Warhol. Terra em transe é de dessa idéia de um país caótico. não faça guerra". p. ylan c [oao Ib 111' '1IIIItV 11111'11(111 'ioll no ra . música popular. foi especialmente sores foram Bob significativo na cançê The Mamas and the Papas. que inspiraria afinidade em artistas origi nalrncnt i I1 i ( I (. de Carlos intençã nal-popular.xto sob. xuu de subsistência e um modo de vida inovador. Paralelamente. diversos Corrêa entre campos. imposta escondidas "sociedade no campo aos indiv dllu. tentativa ' UI1l pl'o)l-Io Oiticica escreveu Ul11t .t contra o sistema. hippie..omo Lygi t . o tropicalismo. é a primeiríssima por Coutinho. Vale dizer. básicas do tropio jovem tlli va de Glauber nesse sentido. I~ 'C< mande os pnlnvrns 10 milir: 11[. Mutantes. do chamado '01110 11. 114)." a temática não haveria f i sp .. das 11111 11 i em geral da arte nacional". de declínio autor da importância encontraria do termo "na . '011 01' de s r porra-voz do Art 5. pregando para que "faça amor. teve destaque Veloso. Glauber fazia parte onde a razão meramente forNesse sentido. 'S Tropicália. diferentemente No meio dos artistas (1997. mal não daria conta dessas contradições. impor 11111 I atual da vanguarda . e Glauber Gil. me depoimento marxismo v de uma das influências "paz e amor". de 1967-68.lark Rub n . nacional do naci I· UnI:1 verclu ao 111 'IlOS. res dessa sociedade. ) uma certa valorização do irracional como uma coisa pró- Tropicália. obviamente de 1968. no 10 I: ao industrial. ''I" à s -i 'da I· I. (.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA Tropicália guerra como do Vietnã. Há uma frase sugestiem John Lennon.:lI'runk 'I. contra os vnlo foi desencadeado pelas idéias de Glauber: potencialidades pelo moralismo Se ele se considerava tal. s d Jnnis joplin. em 1968. 'brasileira' ao contexto :lSS'I'. ou se ele se reunia com o grupo que depois aplicou o tropicalismo à música. José Celso Martinez o tropicalismo Carlos Nelson Coutinho.ialm '111('1'(' Contudo. Glauber calismo: a contracultura. Gilberto Cozzella.111\1 Se". Zílio. antropo]' 'N I do Terceiro cultura no movimento. economias do movimento começaram a se formar comunidades alternativas. cujo uso era considerado sob a couraça de consumo". Rocha. contraditório. Rogério Duarte. sem dúvida.' .ivindi '11- impulsionada nos Estados Unidos pelas manifestaconvocando No campo mu ical.rropi 'alista 'Iorqum o N '[O. outros.ionnl-po] (TOI Já num quadro como Hélio ambiental. esse movimento e da revolução. os maestros também especialmente na Gal Rogéde contracultura. qu ' r . e J asper J ohns. Mas.cr h111al1. Torquato rio Duprat. 11· .

sem cogitar de cafonice ou mau gosto. analista simpático ao movimento. 74-5). ) moda.il .1 o. apenas vivendo a tropicalidade Eis o que é (citado para os inr 'gr:1I1 e para seus estudiosos. transformando-se o resultado em alegoria do Brasil. pela onda da contracultura. /11'1'1111 'antu I ~ . p. Fascinavam-se em contato de Godard. poetas e arde ordem enquadráveis sal - basicamente nas oposições arcaico-moderno.. com o som (inter)nacional com os poetas Deixaram-se concretistas. diversos da cultura. é serva de imagens e emoções próprias ao país patriarcal. e a incorporação fluências do exterior. que se chamou de "cafonismo". em suas memórias. s 'U 'rup) bninno ti '1':1111 1l1'uf1S los I rim 'ir IS p:ISSOS II '\1 I' iiru f10 atruv do ntrndit Su les: " 'ollvid Idos I 01' 1\" 'US\O Bonl (show de I ( ). com Gilberto Ale- como a revolução gria. não empenhada. de outro. jornalistas. M ti p . alegria.. esclarece que o pelos Beatles e outros grupos Também lhes causavam cubana.mbrnr rue .. outros I. 'I1lP 'nlltl I na nstitui 5 I 11111:1 id . ) Sobre o fundo ambíguo da modernização. a palavra-cha- o tropicalismo interpretações a qual retoma Veloso chamou "linha evolutiva articula vari na diversidade. S 'gull i nal C0111 outra tradição igualmente importante d sua f rl11:1 '50: a . ) Quando justapõe elementos para rização lrios- 111 S mla inl '1'11 \ pela síntese de som e cor. sua prática da convivência o tropicalismo intituladas lismo privilegia o efeito crítico que deriva da justaposição tos (1996. dando forma a certa sensibilidade ca e aparentemente psicodelismo. f tUl1-S' obtém uma suma cultural de caráter antropofágico. 'a '1l1I1O o crítico Roberto num texto da época: brasileira em 1966.. os Centro' Popular s de C"II\II'[\ li \ NE. grotescos à primeira vista. O que é? Assumir comple- e que. à luz branca do ultramoderno. '1\1\ Já Celso Favaretto. entre sensibilidade e oportunismo. os baianos de Andrade.. ao inventariá-las. 1994). 21 e 23). a amplitude As idéia antropofá ruja P '. 281 e 292). históricas.n ( ) ri 'as dnqu ' I. sem preconceitos e o novo universo que ela encerra. entre crítica e integração é incerta a linha (1978. A rerural e urbano. influenciar Bossa Nova. cln "tiNII'" 1':slil 01 '1'[\<. debochada. ce que há no movimento algo que se pode chamar a tradição cultural de conjunção pi '"lisllI. a uma revivescência de arcaísmos brasileiros. p.nti lad na i nal. p. .) É nesta diferença interna que está o brilho peculiar. nos anos 1960 pela tão comentada baianos nutriram-se convidada da instala dução da guitarra Notadamente vanguarda artística :10 I· \1111 \ exposta à forma ou técnica mais avançada ou na moda mundial (. .I 'I' resolveu lançar o tropicalismo. da TV Record de São Gil cantando seu Domingo no parque e Caetano.iro." 'I uiu. críti- Em São Paulo. elementos tanto na época como hoje embora tr rue '111 1M Verdade tropical. (. . tos internacionais. em Salvador.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA Um grupo de intelectuais tistas plásticos - cineastas. Os textos citados indicam tes do movimento que é praticamente modernos estético consenso e arcaicos.. em que contradições sofrer uma operação oswaldiana. in illll'o o efeito básico do tropicalismo está justamente na submissão de anacronismos desse tipo. \ caíam como conjugar uma luva nos pontos cultural de vi ta dos tropi '"lisl da época hippie e música pop . a ut pia da li a 50 cntr s intelectuais e o pov brasil . indiciada (. P[\I' . Oswald descobriram '/-. sobre o significado criativamente da MPB" na MPB.. ve para entender Segundo seria sincretismo Schwarz. associava-se a moda ao permitiam pelo Teatro Oficina. a marca de registro da imagem tropicalista.lIi 101 tropicalismo surgiu após o festival da canção de 1967.ulturn ~ ra ileira que gerou o inema Nov . Caetano Tropicália Veloso. Nasceu como (. os tropicalistas européia e político dessa articula o que 50. no final dos anos pelo reitor da I c 50 ' in '/0 dos 60. - '111 -u estética. culturais mundiais..in Edgard Santos. Val ' I . num debate simbolizada na Revista Civilização antropofágica Brasileira. inevitáveis à segunda. idcoló le misrif 'S i as I i nrrlsri a 55 ('!to 11 I 'lHOS '( levantada 10:l t ':ldorn. as devora. por intermédio tarde. rei da vela era encenada le modernista porque De um lado. Este procedimento '11 tamente tudo que a vida dos trópicos pode dar.10 '111 S sintonizados ainda de rock. ainda desconhecido. impacto os a intc . em Aguiar. (1997.irncn- Paulo. d ' a 'Ia li. mistura de comportamentos moderna. entraram vanguardas experimental de uma equipe univ 'rsil lI'il) '0111li. compositores. ressalta na Para ele. local-uuiv do tro] i desses .

presente por exemplo no espetáculo que lançou Maria Bethânia no cenário federal. Refere-se à "violência sagrada dos que partiram para a luta a 1'111 <1(1. qu ' "11 () ra do conhecimento nem dos radicais nem dos conserv dor s'' (I ' . desde a fase tropicalista. 209). sendo uma mera reação ao imperialismo norte-americano. 315). É nessa última hi] Caetano sempre apostou. afinados com as mudanças no cenário internacional. "um show de bolso de esquerda populista nacionalista" (p.rmiun 'r () . político e cultural em que a de Caetano se formou. (p. (i por 111. '1'1'0 do qu " o I 'ria I' . Essas críticas parecem dirigir-se especialmente ao nacionalismo das correntes que ficariam conhecidas como nacional-popular. ligadas ideologicamente ao Partido Comunista. 4 rf d do exílio londrino.: () 1:1 lhu 1111'11111 'IT 'i 1111'U 11)S S '111 rrl111 os '0111 . 4. s tropi .d tud que t m mantido fe had em I mesmo como um escrav d s nfia 10" (p. Por exemplo. em parte.sulrar I urna r volu :10 :11'111:1dn.\). Os pruridos nacionalistas seriam tristes anacronismos (p. o horror à ditadura a transformar-se em viol ên 'ia r 'fi ' neradora.10 dela que Caetano indica uma "identificação poética" dos tropi ~1Iist:1S '()111 1 esquerda armada. 131). e a outras forças de esquerda.'11 soluções para os problemas do homem e do mundo" Essas palavras atestam que as críticas tropicalistas ao nacional-popular não implicavam uma ruptura com o nacionalismo.\ . país que precisaria "abrir diálogos mundiais francos. de Caetano Veloso. nos anos 1950 e 1960. 330) e a admiração por Guevara era inequlvo ':1 '1ll 8uy loco por ti. a propor soluções à moda brasileira para os problemas do mundo. preocupação qu S '1l11H'(' o acompanharia. e da fatal e alegre participação e internacional. (. Caetano afirma: A ornpanhávamos I'ilil'il'os d 1 o que pa sava ).com propor. Caetano fala da simpatia " ru imn I' me mo secreta por Marighella e os iniciadores da luta armada". e uma tomada de responsabilidade pelo que se passa no nível da linguagem por parte daqueles que trabalham diretamente com ela" (p. I atitudes agressivas.. Para Caetano. em resposta às críticas que este lhe formulou no final dos anos 1960. viria a insurgir-se contra o tropicalismo. 5 O).o que mais me interessava . cultural urbana universaliznundo mistério da ilh. O livro começa discutindo essa nação falhada (p. 87). Caetano sempre viu a necessidade de "abrir um respiradouro nesse universo fechado que é oBra il". 447). 216). e pelo Teatro Opinião. No livro.. '01 r' () IW 11 110 Brasil. que tentava" original dessa tensão" (p. 169). '111que 'li 'StlVl' (' .s 1I11Hlld '1IIilkll~' 11I I' 'S)) -ito ISNOl11hl'Ido. 13). A Tropicália teria destronado o nacionalismo populista (p.i 1 A idéia de forças regeneradoras é uma constante no livro. autênticos representantes de um movimento nacional-popular que. Endossa a crítica dos concretistas "à folclorização mantenedora do subdesenvolvimento.I. ) liderados teoricamente pelo sociólogo José Ramos Tinhorão" (p. aos "nacionalistas passadistas (. 1 ~ 11 . a partir do nosso jeito próprio. maravilhoso (p..• listr s no. Pretendia-se "acabar de vez com a imagem do Brasil nacional-popular" (p. 'S' ()III' xrrnir '11 'l'I'. 292). 16). ao nacionalismo estreito das canções de protesto. 497-498). "o nacionalismo dos intelectuais de esquerda. como atesta o livro: o "Brasil". antes constituíam uma variante dele: a preocupação básica continuava sendo com a constituição de uma nação desenvolvida e de um povo brasileiro. 'S H . pouco ou nada tinha a ver com gostar das coisas do Brasil ou . 498).o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA Bahia). O livro de memórias de Caetano Veloso está repleto de críticas aos nacionalistas da MPB (1997.: Esse trecho da introdução de Verdade tropical dá bem a medida da pr pação central do tropicalismo '0 '11.. na sua "eterna indefiniçã aliado natural dos Estados Unidos em sua estratégia internacional boço de uma nova civilização" (p. livrar. p. No (uillo. a luta armada já estaria prefigurada 11:1 ICrl':1 ti 'I . América (p. o musical Opinião. ) queriam das. a reproduzir slogans ideológicos (p. () h 'l'OrSI1l0 dON/{U('I' '01110 úui 'li I' 'Slwsllll'ndi '111: I '1')1'1IIn<. Isso só se pod compre '11"I'n~' C (I der levando em conta o contexto social. 343). dadas as "imagens violentas" nas letras de SU:1S ':111' l'S.. dando gualdade poder mover-se além da vinculação tempo da revolta na realidade automática visceral com a csqu 'I' uno e en ':\1111\ conta ao mesmo contra a abissal dl'si que fende um povo ainda assim reconhecivelmente tudo isso valendo por um desvelamento dor. 4).. • da vio I ncia maldita dos que detinham o terrori mo oficial" (p. Brasil (p.

rias étnica N ea d do feminismo. )s anos I~ )() 'I'· '011 . de outros explicam danças consideráveis ram possibilidade ras e diversificadas.ipustas r 'vo". que passaram como aparelhos como "o golpe dentro ficativo dos jovens na composição (por vezes ao alcance acesso. 427). consolidação de modos ra" (para usar o termo de Walnice Nogueira em 13 de dezembro ele. n ai geral de de h n esse ultura que viriam a desenv lver. d' brasileiro" . 1111't () li· P 'l'l'y 1\11lerson: . Movimento nem sequer a Democrático uso de recursos do sistema .truiu-s oor I na Ias hi t ri as 'SI'" 1\ pod '111S 'I' ohs li 'a v. de caráter romântico." loni.aram alguns ao da luta armada. Nós os víamos mos à esquerda da esquerda (p. n" S (AI-S). mentai da min pe imperialistas. pender funcionários litares passando a ter plenos poderes dos cidadãos. dentre outras medidas Foram características nal de prosperidade dos movimentos todo: J 60. políticos política torturados e outros e cultural denominado ou forçados oposicionistas. o regime quantitativo constituído das classes médias. 11 Coordenadas históricas do [lorescirnento cultural e politico A agitação cultural e políti a int rnnciorinl dos (lIlOS I t () 'S. da anripsiquiatria. e de outros desmanpara o "desen"milagre ao exílio incluinPor algum de 1968. ou comunista).o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA distância. que lev.finitivam I1l' no 1110I '1'I1il:ld ' urh 1111 n "int '. as lutas pelas reformas comuns estavam presentes como o Brasil: crescente das metrópoles. para representar sociedades que se renovavam. ção política. estudantes. aparecimento e outro Brasil. indispensável do assassinato autoritárias. dos ano' rança nacional. a eletrodomésticos de comportamento) que passaria a deixar de lado quaisquer Nacional demitir ão. locais - no caso brasileiro. susjuízes e outros a segumido em tribunais nos porões ou aposentar etc. marcou o epílogo do "ensaio quando geral de socialização civil-militar da cultuo Ato Com e um pouco nos sentía- ficidades extremo também zação. colocando do único partido Brasileiro um fim à agitação nenhuma legal de oposição. da . Com o AI-S. -' 1I1'111 Ias a uma 'SI'" vn lns nas so 'i' Ia I 's 1"' n I »urnm "I irnlistu.IÍS ou nrrc 01'1' • ornporruim ·dinto. br (MDB).rnn 'io regime. sobretudo das pessoas comuns. ai '111 muli. I i- 'onl'Ol'll1 . nacional". Essas condições e nos Estados Unidos.colounis. . crise no sistema ascensão I. cionárias política. legislar por decreto. ferido de morte baixou do golpe". das estruturas cada vez mais desacreditados. ia. até meados dos anos 1970. suspender direitos políticos bens. do período.e n S anos s 'gllÍlH 'S. caso da pílula anticoncepcionalpor si sós as ondas românticas para que frutificassem aproximando a imaginação no poder. de consumo. Essas condições ações políticas da cultura para cassar mandatos d '. etária da população. que nunca tínhamos sentido com a esquerda tradicional e o Partido Comunista.otidlnun. inovo 10 públicos. busca do alargamento soviético. vinculação de desobediência civil. o berais. ame-o ou deixe-o". precursores de movimentos ializa ã da rfi 'as. e da revolução. foram inúmeros do artistas. dos. O regime instituiu rígida censura a todos os meios de comunicaao governo. não seria tolerada contestação o moderado estreita entre lutas sociais amplas e intere oas. de parti . e contra Ocidental a ditadura em especial. Tudo em nome da "segurança da economia. a política e da vida . mas eram compartilhadas urbnniaUI11'11\() peso 5igllido poder de vida e cultura o tropicalismo Institucional de atentados o terrorismo por países em desenvolvimento.'S' 'ç o ti' Ull11 érie de ndiçõ s ma! rinis '0l111lllSn cliv 'I'S"~ so 'inl. tempo. dos sistemas pelas prop aproximaçã mudança s do pacifismo. incapacidade esp ti ' inl- base no pré-1964 mente na Europa após essa data. acesso crescente ao ensino superior. Era a época do slogan oficial "Brasil. conhecido mais direitistas com autoria Galvão -1994). de 1968. generalizava-se volvimento" o uso da tortura. alternativas negação inserção numa conjuntura escolar. buscando cularmente da revolta colocar que haviam patrocinado em 1968 -lograram o caráter ditatorial uma série oficializar pruridos lido gover- avanço recnol )gi '() a ter cada vez mais de televi oculta. por exemplo. P 11'1 i in . o habeas corpus em crimes contra julgar crimes políticos Paralelamente. Agravava-se no. ân ia de lib rta 5) P 'SNO11 ção. e culturais e as Assembléias Legislativas eletivos. ao marxismo da sociedade (capitalista de aspectos simpatia recusa de guerras intelectuais. {t i 1 do posteriormente cassados. que colocou em recesso o Congresso estaduais. libertários de rebeldia o que possibilitaria materiais ap 'nos e revolução. os setores militares de Estado. no mundo econômica. presos. I .

A partir do.i n . operário historicamente: de aspectos industriais uma economia semi-insurgente". nas propostas de Cultura. 11 I) editorial (de livros. na primeira década do movimento de J9 4 s h rd 'jros do . 76-81). política.rto Faria " . nn g I c 74 ti I para a democracia.ma N v estranharam-se lolfti a pr Hm~ rafilmc. o '111111' 'HO 'pl. o das classes dominantes. 1) pela resistência capitalista semi-indusnas em de contra ela - soube dar lugar aos intelectuais e artistas de oposição. do Livro. sociais e portador democrático-burguesa de publicidade (sociólogos. gradual político a bota dos militares. da eterna antes da e e as características que o florescimento revolução geral de socialização brasileira. sugeridas Embrafilme. etc. privada: políticas alimentado ou socialis- a iniciativa produtos poetas. a continuidade v do poder c lab rar. realização segura social.in '111 I a partir dos anos 1970 é o caso dos herdeiros da derrota de 1964. sli nas 'ON) (' artistas gráficos cientistas sociais) ta. sob lenta. d dos artistas florescente internacionais nos anos 1970. [urn ti .ntc '11 'da in as a I ol . p. econômico COI11 prisõ 111 vida pelo presidente 111a qual pa saram I11pr sa d I e a rcor raniza '50 dn 111 Sua mair ria.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA ordem dominante semi-aristocrática. do final dos anos 1950 até por volta de 1968: havia luta contra der remanescente culturais. que cresceram também em ritmo alucinante a parti r cios anos 1970. com programuçr em telecorn à cultura. com a ditadura. Geis a situação mudou 0111:l ah '1'1111') 'stOl 'SI da esperada pelas avessas.rn ) por v 'Z 'S ' 197t.innt e qu . concomitante forço modernizador nas áreas de comunicação privado ou até atuando As grandes Comunicações nhavam Funarte floresceu fascículos agências de artistas intelectuais quando em âmbito nacional. Kubitschek. um otimismo r com o salto na industrialização um impulso de ambigüidades (de libertação (Ridenti. p.rdu do na rnniorin Os anos pragmáticos Com a derrota tos políticos sociedade das esquerdas brasileiras pela ditadura e os rumos dos evena proximidade imagida não conservadora o governo indústria a ser um dos principai de massa. geradora anos 1970. ficou evidente o 's. que as coordenadas presentes históricas estavam rurais na sociedade brasio poe a parde revo- do território brasil . incentivando diretamente mo caracteriza-se artes. desde a década cI ' 1<))().ntrc 10 I-\()V . ti' jornal). que buscavam à censura e à repressão e cultura. 18-19). surgiam estimuladas a integração instituições Nacional Federal pela criação da Embratel. Tornou-se músicos.11 ro. indissociável que a ditadura já vinha esboçando por intermédio pré-capitalistas de impacto na cultura o desenvolvimento que as classes aristocráticas cia de novas invenções esperanças libertárias nativa da revolução ta" ou socialista Já argumentei modernismo e latifundiárias dariam o tom. governamentais de incremento e a segurança estatais e de outros investimentos no avanço tecnológico. fosse ela mais "genuína i (Anderson. anun . li 11 'I trializada e um movimento Ou seja. que ia I 'i lllldo às esperanças e o ensaio em si. paralelamente e à constatação libertárias à modernização no progresso N vo. psicólogos passou À sombra de apoios do Est I 10. só televisiva. nacional). ções. capiralisu: o do Estado. criou-se uma indústria culturnl. Se.rm lio lu tfillll " . . com diversas gradações intermediárias 1993. do Minisc 'rio I I. mort S. Então. 11 ) impc lin quc n . . mas também fonográfica. 2) pela emergênna vida cotidiana. até em bancas comum. perdeu-se dos meios de comunicação pragmático Um exemplo rdem estabelecida ses cineastas Ma do rearranjo '0111 11 . em especial a Globo. 1 leira. das oligarquias modernizado também e suas manifestações revolucionário. MnN isso (I Paradoxal é que a n va S. social. 1986. Depois do impacto foram mudando I" de que o acesso às novas tecnologias técnico cultural não bebia na fonte da cultura frustrou-se que se realizou a transição a busca romântica do horn '111bl':Isil. tir do governo por movimentos lução brasileira.jl'O. Illl'SIl10 1'111 \11'i 11'11 pOI' int . permaneceu nacional desse rornantism da identidade nativa da revolução brasileira correspondeu ficou explícito juventude. 'S " I de publicidade.I. e outros o~ 11'ill. comercializáveis atores. di' por exemplo. e radicalmente 3) e pela proximidade imagicapitalisdo redes de Tv. r I 1111:1 lirn 1111\ -llmil ' 'x(\io os qu '(lll 'Z fi' I . que depois promoveriam garantindo I er revolucionário para encontrar seu lugar dentro da nova ord '1)1 'slllb' I' ida. revistas. 1 orno n em outra oportunidade por Anderson vulto diversas o Instituto e o Conselho também e outros (cineastas. o Serviço Nacional de T '.vidarn nt puni I 11'1111 s' insurgir nb rrnm . .nsura [ilm 's qu I proibiss ' n v 'j 'Itlnç El11hr dl' torturns . o modernisao academicismo e na política.iro.

agências de publicidade. Jean-Claude Guillebaud observa que a liberação sexual teve um sentido de esquerda nos anos 1960. ao "sacudir a velha moral. a partir dos anos 1960.I. que. com a massificação (e a degradação) do ensino público de primeiro e segundo graus.urnvu dur v ''I d. nas quais a ditadura encontrava alguns dos principais focos de resistência.uill'~ nu I . censurando seletivamente alguns deles. Com a ocupação quase completa do espaço cultural pela lógica mercantil.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA Celso Frederico. "a esfera cultural e artística. "17(). que criava até mesmo um nicho de mercado para produtos culturai errei 'os.plli'll' " 101 ti 'as mar atóf istns-l t' VO'l 'l1illislns 10 p '\0 r 'gim' . mas sem deixar de oferecer uma alternativa de acomodação institucional. a família s. expoentes da cultura vivn do momento imediatamente anterior. dá pistas significativas para compreender a inserção de setores artísticos e intelectuais de esquerda nesse processo. teria sido digerida e reaproveitada pelo capitalismo.ntiva dos intelectuais de oposição comprometer-se com a Nova R 'p(lhll 'I. 1998. p. derrotados na política. essa liberação nos dias de hoje teria perdido seu caráter subversivo. teriam como consolo a suposta vitória da revolução sexual. da in Iividuulidndr. Para ele. () estruturas parasitas que se opõem à tirania do mercado" (1999. qu ' huv] ". ieunis 'r mnn 'S 'I1C 'S I. ntr outras. inspiradas I1U t 'o I) ria Ia Lib na ão: lid rndo P '\os 111'I d(II'. Na esfera dos costumes. das liberdades civis. Iloj'. a quem o mer .squ .. em que sua geração foi criada (1999. das lutas das minoria. tendia a diluir-se a presença da esquerda nessa área. foi criado o Partido do Trabalhadores (PT).lIdo 11 01'/11111". S W"I 10 . empresas públicas e privadas tendiam :1 fornecer ótimas oportunidades a profissionais qualificados. nn . p. 176). Por exemplo. totalmente envolvida pela mercantilização. do idadnnin. Houve uma infinidade de manifestações nos diferentes ampos dn NO 'It. I i 'os 101\(3 pnulis ':'1i além d ' inr . Contudo. jornais. 298-299). pólo de resistência contra os efeitos desumanizadores dá lógica do capital" (Frederico. "a virtude. Eram as "aves de arribação".ivil-rnilirnr. em busca da revalorização da democracia. Nada? Ao menos desde o final da década de 1970 (em 1979 entrou em vi rOI' n I . patriarcal. ao contrário das auto-ilusões dos militantes de 1968. de fato. seguindo trilhas abertas por Jameson.1: ordciu (' 111 '1'11'. I . oq.e isso não ocorreu só na sociedade brasileira.11' . com a terceira revolução tecnológica capitalista. na qual permanecera até então como "reduto.orndo trip : as munidades Eclesiais de Bas da Igreja harnado novo sindicalismo li '1'I'ol"ldns 11\1111 a. p. na expressão de um artigo da época d ' IiI':lI1 'I 'o de Oliveira (1985). N I sfera política. em 1980 r 'ssurgil'in () pluripartidarismo. rádios.Iv visões. arcaico". IIll '0111 P'I' PI'()o (' . que reprimiu duramente. as forças da ordem também souberam adaptar para seus propósitos o que originariamente eram transgressões . dentro dos parâmetros da ordem estabeleci da. que soube transformá-Ia em mercadoria. num tempo marcado pelo que alguns especialistas chamam de desemprego estrutural. Buscava-se atender. Esta. dos movimentos populares espontâneos.invertendo as condições de 1968 -.ado bus 'a of 'r" 'r (lI ' 'S (in lusiv s xuais) de diversão.rdn. a moral. que daria sinal verde para uma parcelo siglliCi . o velho mundo pudico. às reivindicações de modernização que haviam levado os estudantes às ruas nos anos 1960. para a 01110<. deixou paulatinamente de ser um campo à parte dentro da vida social". o incentivo ao ensino privado e a criação de um sistema nacional de apoio à pós-graduação e à pesquisa para as universidades. dentre outras medidas que mudavam a c na políri '[) hrn: i [eira). dentre os qunis S' destacavam os que se consideravam de esquerda. A situação não se alterou muito após a redemocratização da so 'i 'd"tll' brasileira.ló-I. em que não se precisa mais canalizar para O tral nlh todas as en rgia da população.j do anistia aos condenados políticos pela ditadura. autoritário. a partir de 1985. 10 resistência cotidiana à opressão. lade a expressar essa virada no pensamento e na práti a d . ia ficando cada vez mais evidente a necessidade de renovar os parnm -rro da esquerda.' n(\ Idos. Universidades. Nada será como antes. num artigo provocativo. A atuação cultural do regime civil-militar também implicou a modernização conservadora da educação. ''A consolação da revolução sexual". a deixar o campo de uma oposição mais '011 1 • tente à ordem estabelecida. O fato é que a sociedade brasileira foi ganhando nova feição e a iru clectualidade que combatia a ditadura aos poucos se adaptava à nova ord '111.

ti I Maria Victória Benevides.I mar is :1S. I1lnis 1'(lI'OIIOSdills I 'llOj'. na melhor das hipóteses. Paralelamente. no PT como dos anos 1960 não foi senão a máscara para o triunfo da concepção da sociedade e da política. o protótipo como arquétipo povo - ti 10 1986). das tarefas bem como da autoridade ubdesenvolvida rnuitos intelectuai I tiva da condiçã S . o leque das virtudes dos dirigentes. em Quando novos personagens entram em cena depois transformado ções de subdesenvolvimento. por v -z 'S r 'h'ind 'S III r Ia - leme Ganhavam de i nass n s anos 1(80. '1980. e a autonomia desses moviPor a inpartida expeos dilemas em inclusive os partidos. vários intelectuais da esquerda. Aarão Reis (Garcia.I. em conjunturas não teria mais no Brasil. neoliberais. apostava dade imediata direitos do marxismo. para o bem do povo e da nação. num artigo muito difundido. que no Brasil culminaria quem avanço em suas carreiras ros professores públicos em governos de 1990 posteriormente os militantes fazer sentido que já foram críticos que adotam da ordem a o .. 'I' I vi • 11101 numa que impusessem o complexo aos militantes o que Daniel Aarão Essa estratégia envolcom a o a parda dívida do militante do revolucionário do intel ctual ou artisrn Cradativamcntc. aind da traição pela qual I). dilacerado lado da moeda. 'nd 1 V''/.nto ti' 111111\11111 10 '0111IOI1S 'S 111'I'. dentre compreender dos de esquerda.l1sin 'li.() 1'111 bllS' ivnm . uma vez amadurecidos dos anos 1960. ainda à ideologia de qu teriam sid se nesses moldes. I. ou. a não individuais. int . partido riência sociais a partir para teorizar de meados dos anos 1970. as dos il1(1I1\(' 'l\I'l\(). hoje por muitos como mera expressão . aqueles aut da tensão máxima". Carlos Nelson Coutinho. Às vezes a (autolcrítica dependência libertário. do intclc um] Ilti () r que ·I·s siM"i I i C0l110 tesco e ingênuo. especialmente de desaparecimento relativamente como a brasileira. Por sua vez. do scholar c nt -mpOI\ I!t'O. I 'l1t seus integrantes. o altruísta. certas vcrr '1I1t' do engajnrn '1110 em relação ao Estado e outras instituições. para o auto-sacrifício em nome do Partido Para a maioria. que só aparentemente e. voluntaristas velo saudável da ordem estabelecida. 'llIlis 'OIlIJ l'Ollll' .3 dos anos 1980 da reformulação civil-militar pelo fim da ditadura no início de 1985. da sociedade passava no mercado No lugar do intelectual capitalista. Os acontecimentos leira de 1980.orr '111' A )S P HI 'OS. '111 list: s. revolucionário Atuam uma ou outra organização motivos a serviço do funcionamento mas de consciência. desses movimentos e seu caráter Evers (1984) celebrava Mas há o outro do indivíduo.upnr bolchevique outras razões. 01110t "!li () em maior 's di' e livres (l:1s lIlopi rcvolu 'iol1 I de Berlim em 1989. de esquerda so 'i ' ln It(1 veria uma série de mecanismos: comunista. talvez se agarrando stâo no podl'l' I I'i L . o Partido (Rei modelo. centrado de intelectual individual. como os tradicionais Eder Sader faria um balanço procuravam do debate.. Marco Aurélio Garcia e Daniel partidária brasi- em busca da ligação com do populismo. '8 I' I balizad dis urs ra 'ia': que deixassem projeção. dos movimentos servo dos movimentos. Ia-se estabelecendo desvinculado manipulador dos nl1st'io. com sua condição e desigual. engajado. . IIICI'11. para a ru] 1111'(1 'o . j. Entrava em franco declínio o modelo dos anos 1960. As esquerdas e a democracia Weffort.onrnro '0111:1 r . capitalista da dos regimes pró-soviéticos. I' com que o Partido a síndrome sobrecarregaria a ambivalência Fil h . populares. nos xindiprofissio :11'1' .o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA em movimentos mentos exemplo. cabimento Comunista do modelo Dentre das idéias. ia deixando individual 't S Se o sacrifício da individualidade isso já não ocorreria integrar partidos de "estratégia parecera-Ihes no presente. . passando até a queda do Muro do Partido esgotamento embora travam passadas. já na década de partido porque continuasse emblemático de compromissos profissionais medidas sociais. da derrocacom a auto-extinção consolidaram a estruturarjá não encone da revolução. Reis Filho chamou organização massacre celebração tidárias. ou artista de . episódio Brasileiro.i1'11 e na jamais seu guia.squ eles. egocêntrico. nal competente no próprio bem-estar a predominar (1988). Alguns anos depois. a visão doutrinária de. nal c ela XI lorn '50 I a busca pas aria a ser o acess . das vidas cotidianas. Francisco como os que participaram livro. 'sgolnl1do o nrqu 'tipo li do int -I ' '111(11 ou nrtistu 'I' li 'os' 'I! . contra com as lutas dos movimentos fechada sociais por surgia uma literatura a importância Tilman de cidadania. Os tempos mudaram progressivo trajeto mentado a partir dos anos privilegiada de dirigir-se naci a I s nvolvirn ontinuassc . das orientações eriam renegado qu r do subdesenvolviment qu ()i-s' muitas v )-S'.ali- I'.ida lal ia. agravadas o intelectual pelas contradições e competitivo (neo)lih -rnl inclign:1 10.

da cidad r 's 'i 111 'I" o na mudança. em que "a literatura independentes dns mOI' \ 50 a ' . r a e plicar em outr s e incha das univ 'rsidnd .o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA tidos com a superação das contradições resignados.oby lectual reconciliado vel movimento com o mundo. . à medida e artistas estariam das carreiras a substituição prospera. a fluidez e a forma aberta dessa sociedade" de que pouco para resolver 1986. pnrn nill Em vez do intelectual um novo mundo contra o mundo. Mas pode-s in a inar um ex mplo I. 24. típico dos anos 1960 -. o IIUI1l hr 'v' iru . restaurantes. e não combater. superior.I 'I' uln 'arrl. caberia As personalidades de modo que eventualmente na profissão. J ao que teria um movimento se ajustar. podem implicar as encruzilhadas fazer para da modercriadora. cana já na década de 1950: os intelectuais com as exigências na Universidade. Londres ou Nova York. • o e a crítica se tornam com autores dando lugar à profissionnliznç e artistas neutralizaria n lib 'l'tI dições da modernidade sem renunciar envolveria de intelectuais \dl' à sua individualidade do intelectual ou uma (auto)crítica tendência (Berman. a fragmentação conduziria p. 'l'I'i" ..j 1'1\. fi li 110 11111 .spn para a pI'O 11150 I' 1I11 a int I ituali I. ca ficaria mais pobre e mais velha. nos limites do campus universitário mais restrita. a propor ao engajamento "a transformação ela é paralela do intelectual ao o li 'io A vivência das contradições transformação constante.'Otl o . :1nisl \S t' 1 I. massificada da cultura. '1\ldo iss misturado Nã a uma recomposição deterioração suce da r . cont xto o declíni Ia incei tualidndc hru- em que deve se inserir. aguardando em Paris.I 'vis o. ho] " N. ao declínio do público. esse intelectual-narcisista da rua. da vida cultural. capitalista das eternas tendem contradimilitante. como. iam liam u ufruindo ao máximo 111 o prazer e a dor de viver em mei De modo que se e tab I dura con lidando-se post irjorm 'utc I . o reconhecimento históricas. pelo intelectual da modernidade contemplativos passivo. e o em exiso intee inevitá- ou à despolitização. nutrir desapare uma int illigcntslu da bo \11i\ na janela à prova de balas de seu confortável no exterior. lução conviveria realidade cotidiana vida intelectual cafés e livrarias modestas. p. pelas contrade transforque que prazerosamente dias baratas.I ' 11I1is csrnvn 1I I ponto n 'VI' Il4i 'o I. ocupados a cultura a fruir sem culpa sua liberEm vez de sugere gapes- profissionais.oru rnsu ln xim I. comercializada num cenário O acerto de contas com os anos 1960 colocava a intelectualidade brasileira dos anos 1980 na fronteira entre uma (aurojcrítica que poderia redundar na continuidade patamar mação. ganharia superior do engajamento o intelectual e engajado contra a ordem estabeleci da. contra as quais pouco ou nada poderiam dade e relativa autonomia na modernidade fazer. próprio moder- sionuliznç' 0(\' à privnt i:l.(\'1110'r u izn " () 110 t)rL sil int '- silcira d squerda. A institucionalização de que em teoria dispõem. ao "assumir mudar nidade. indissociável urbano modelar e profissionais da explosão barato de 'mpl'l' im '11(0 Berman (1986 e 1987). ou revolucionário . 10 da lita-om n 1'(. e agradável da última moda intelectual soalmente de uma geração (diferente eliminação cornercializa de hoje. novas condições o declínio cupados que fazem lembrar atuante os comentários de Jacoby da sociedade (1990) sohr ' norte-um 'I'i '01110 p(lhli pr 'o a dar lugar a intelectuais libertário. pode levar o intelectual adaptar-se à ordem livre do dilaceramento consolida-se o eterno d rnida nal não é instantânea. A profi o desaparecimento inconformista. pan âo dos subúrbios. não vocações". I. da modernidade o "destino". .(\~'li da nas .irn ' tTO a que todos deveriam artista tencial. o 01 ho '0111(I rvvu na qual pr 'vai. instalado apenas observa o movimento notícias por empresas corporativns. (Jacoby. I rn li ai: a 'no POltlO 1o. 'sp 1<. ). 94). O intelectual em eterna mutação. com o investimento da burocratização à transferência cada vez mais força nos anos seguintes. é substituído em sintonia do intelectual especialmente na vida pública ções. [u 'I is anos. trabalhadores processo do espaço boêmia. colocar-se perpétuo binete.Essc pI'O ' 'sso ::11'1' . ou a oportunidade de conferi-Ia com vista para o mar. e do emprego. crescente que a vida profissional independentes da educação que podia de intelectuais e popularizada). no qual reconheceria às int I11p ri s da tal' seria o caso de retomar aqui todo o pensamento públic d J:\ . \110S I' '11 'OIlU'O () luran 'o P 'rí . agora num ao mesmo tempo dilacerado no processo -. com "os sinais da rua". )1110S' 'lIg:1I'l. por exemplo. aceitando revoltado ou a preferir d subúrbios e à expansão das universidades" O. que não cansa de mirar. publicação correria da energia intelectual de um domfuio III lL as contradições amplo para uma disciplina intensificariam lentamente: em que as pressõe do conheciment do ambiente das cidades. haveria sários. de eterna auto destruição I.0 g 'o I'.

contudo. '111 que o capitalismo quase inviabilizaria quaisquer atividades grupais qu ' pu dessem embasar socialmente uma arte subversiva.ita ua cI'spolitii'. Vários músicos da MPB alcançariam sucesso de mercado maior que artistas de qualquer outro setor. . ti as . escritores.inlm '111"~ I 1l10lHIWilli IIIlS. r ta m dir ção à dir . Mas nem por isso seria adequado conformar-se COI1l o pr 'St'l1ll' de burocratização inofensiva das atividades intelectuais e artísticas. Ali circulavam: o pessoal de teatro dos inovadores Arena e Oficina. ti ' 'lu. imposta pelo capitalismo de hoje.'. numa era de oCUIa '50 qUII. com certo desencanto.e outros partidos. estaduais e federais. passando até pelo PT . ti i fi culta projetos coletivos alternativos. 1':11'11 IIS0l'11111 I o1'111i11aç5)I. a Faculdade de Filosofia e outras da Universidade de São Paulo (USP). professores da USp. escritórios de arquitetos.rnl1ls 'i. cineastas. Não cabe reviv r o passad 11l<S isso n: o impl] ':1 a inviabilidade de retomar suas esperança. I' .onstitu 111 a h . como aqueles dos anos 1960. é instigante a análise de Jameson (1994) sol r' o problemas envolvidos na produção de uma arte política em nossos dias.em vez da carreira individual d cada um n mel' ado. Artistas plásticos viram frutificar um mercado rentável para suas obras. enfim.a '50 I nlvl'~ vontade dos agentes. 'Sl. EI. todo um conjunto que representava o florescimento cultural do período. (111 'ol'ndn 110 '011't'ilo I· 11'/lt'll1ollin ti' I{ iuando n5 ' 11111 1:111 LS d 11os' I ti J lvv I Ip 'n:1S 'ss '11. na confluência entre a avenida Ipiranga e as ruas da Consolação e Teodoro Baima. por exemplo. rando apoio a certos candidatos ou partidos no horário político obrigar irin na televisão. É sabido que a tendência à fragmentação social do capitalismo de hoj . quando não nas agências de publicidade. rtísti . e muitos deles se espalharam pelas inúmeras universidades públicas e privadas que surgiram pelo interior do estado e por outras unidades da federação ao longo dos anos. Hoje. E os políticos radicais de então encontrariam lugar nos mais diversos partidos da ordem. como o Redondo. sem contar a crescentemente próspera indústria do livro. Talvez uma das imagens mais expressivas da mudança e do esvaziamento desse espaço esteja no destino do local do famoso Bar Redondo: virou uma loja de [ast [ood.. Inviabilizava-se a condensação de uma intelligentsia crítica num espaço geográfico e histórico criativo. o Teatro Municipal. I 'V!111 10 muitas vezes os atuais artistas e intelectuais engajados a meramente er~1I1sk rir a uma dada causa seus apoios e prestígios pessoais. por que passou a so Que ninguém se iluda: não há como voltar às circunstâncias do passa 10. advogados e outros profissionais liberais engajados.ulrurnl nu têntica a ser criada. '01110 fundamento social para uma nova arte política e uma produção .cada vez mais confiável . a constituição de um grupo novo e orgâni o. que 'I1volv' "11111 . Mas parece que seria possível encontrar alt '1'1'''1 iv I melhores de inserção da sociedade brasileira e de sua cultura no mundn d • hoje do que o ceticismo passivo.huu (llJH7. Assim pode-se constatar. a sociedade brasileira continuou submc idn I "su!Jm lina 5 interi rizada imperceptível" le um' mpl o d 'p 'ri 11ill. do PMDB ao PSDB. em que se concentravam o Teatro de Arena. escritores se deram bem em jornais ou na expansão da mídia em geral.'111( nia burgu . artistas plásticos. livrarias. jovens representantes da insurgente música popular brasileira. mas às próprias transformações ciedade brasileira. I· ).'I o reificada. Haveria uma :1ton tli'.. apo tar em n vos pro] 'to I tivos de tran formação social. Os cineastas encontraram apoio na Embrafilme e outras alternativas de financiamento público que a sucederam. o Cine Bijou.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E POLíTICA: OS ANOS 1960·1970 E SUA HERANÇA centro da cidade. a partir da luta de classes. pelos quais muitas vezes chegaram a governos municipais.sa. por 111('10 do qual o coletivo abriria caminho na atomização reificada da vida so 'i li capitalista. onde encontraram seu lugar profissional. militantes do movimento estudantil e de organizações de esquerda.' completa do espaço cultural pela lógica mercantil. a Biblioteca Márió de Andrade. I -rivndo ti' II I . p. de submissão à nova rd 111 mundial 10 " nsenso de Washington".lacõ 'S i ativid: I s" que . Para um estudo do enfraquecimento da arte política nos anos 1l)70 t' sobretudo nos 80 e 90.qu já se propu era a mudar o mundo e a vida. alunos e professores estão instalados no distante campus universitário da USP no Butantã.inclu ive nas f ras int I tunis c 11'1 . O pessoal do teatro em geral alcançou êxito na televisão ou na iridústria dos espetáculos teatrais. Seria equivocado reproduzir ao pé da letra propostas culturais' I olli aS dos anos 1960. todos se encontrando em restaurantes e bares da região. Jameson admite. os rumo que tomou uma parcela da intelectual idade e d m io . Nesse anos todo.

da memória. 1979. Revista Brasiliense./d "I. certos tipos de jornalistas. Teorias. vol. "Reificação e utopia na cultura de ma sa". v. 1995. 1991. ''As falas. o que engloba "escritores.).constitutivo e constituidor . Perry. um senso de realidade absoluta. . Novos Estudos L . e usados no livro já referido Ridenti. n. N()fIU. Letras. (Williams. de 1984. rev. Tilman. 1990. Schwartz.'I1. O Fórum Social de Porto Alegre em 2001 e 2002. In Sosnowski.Ulllll' il. . 2. Os depoimentos sem indicação explícita da fonte foram dados a mim ou a outros pesquisadores. Jorge (orgs. n. a face oculta dos movimentos Estudos Cebrap. ovo". 1994. 'Iropicâlia alegoria alegria. 14. alternativa à hegemonia neoliberal e à atomização reificada da sociedade do espetáculo.11.. Rebeldes e contestadores . 1962. Capovilla. no P11iI1o. I' Terra/Cedec./I ~ I ~ (org.hw II'~" NOTAS 1. Intelectualidade entendida como "categoria social definida por seu papel ideológico: eles são os produtores diretos da esfera ideológica. Paris: Buchet-Chastel. S. São Paulo. São Paulo: a Perry Anderson". São Paulo: Brasiliensc. sábios. Quarup. ritica Marxisla.1968: Brasil. os silêncios". 1996. História do marxismo no Brasil. MIlI' 'l'lo. 1967. "Av 'S de arribação: li llligr:1<. ''A política cultural dos comunistas". Frederico.). () /illIll/11I111 du rI "()//lrdlllll'll~i/llil'lI. Fev. J:111 'il'o: 1'11'/. Marilena. 1. socinis". La société du spetacle. 1987.I.nmnlnu I Unicamp. Para uma sociologia dos intelectuais reuolu iôn ias Humanas. eel. o movimento Arte contra a Barbárie . Rio ti . Jorge (orgs.1 110VII ao rock dos anos 80". Civilização omp. como sintoma da procura dc novos caminhos por parte das esquerdas. 1986. . Debord.iu. Moacyr (org. I. Guy. 1). v.11. São Paulo: Edusp.poemas para a liberdad '. 1987. Frnncis o d '. na maioria das áreas de sua vida".irn.o BRASIL REPUBLICANO CULTURA E pOLíTICA: OS ANOS 1960-1970 E SUA HERANÇA conjunto de práticas e expectativas. 4. Não há dúvida de que na entrada do século XXI predomina o senso de realidade experimentada que supõe a reprodução eterna da sociabilidade capitalista.i() dos inl~. 1979.o roinant isnu: //1/ /0//11'11 da tnodemidade. 111 . 11)1) I. como define Michael Lõwy (1979. Constitui assim um senso da realidade para a maioria das pessoas na sociedade. '11111" Lua Noua.I. Celso.ur . Violão de rua . "Panorama da música popular brasileira: da hOSS. Janeiro. Marcelo (2000). São Paulo: Fundação Perseu Abramo.õwy. Vieira. teólogos. Rio de Janeiro: Mai. "Modernidade Paulo. 111 () iOI/ . Joaquim A1ves de. v. Rio d . Russell. In Sosnowski. sobre a totalidade da vida: nossos sentidos e distribuição de energia. Abr. M ichacl. São Paulo: At ·Ii l\dilOl'III. Galvão. "Identidade. Brasil: o trânsito da memória. 1994. . ''A consolação da revolução sexual". nos termos respectivamente de Jameson (1994) e Debord (1967)? Utopia irrealizável? Talvez não.que desde 1999 tem mobilizado artistas e intelectuais comprometidos com a "função social da arte" no Brasil . In Quar tim de MOI'!! ·S. 9.e outros indícios sinalizam que a roda-viva da história não parou na posição mais confortável para os donos do poder. publicistas. Interpretaçõ as. os criadores de produtos ideológico-culturais". rios. 1967.). () Pllldn: 1II'1Nili'li HltI"llIi. I~'iN Filho.I)I':IP. S o 1'1111101 ayrc. 2. 1962-1963. ~1elCI11crr cia. 1998. ao serem experimentados como práticas. São Paulo: Edusp. Favaretto. 1999. A I'I'/J(J//lç fll (11/11111 (/() eu ont n). Jean-Claude. Os livros mencionados são uma amostragem relativamente aleatória de um movimento intelectual e político muito mais amplo. Celso. aul. artistas. ão Paulo: Brasiliense. . pesquisadores. Tudo que é sólido desmancha no ar. Anderson.1. BIBLIOGRAFIA Aguiar.".41./jun. Brasi/: o I rt1l1silu e revolução". p. Mas por que não inventar uma contra-hegemonia para os novos tempos. Mlli'\'o Aurélio. F. uillebaud. 1994. Eles são citados por indicarem reflexões de intelectuais engajados. São Paulo: Edusp/Traj 'tórill jnrnc on. areia. Conformismo e resistência. valorizanel s "sinai dos rU:1S" . Robert. Lüwy Michael. liv .que. 1(85. Maria Alice.I AIII'Io. Felix. I-'I'lIlH. nossa percepção de nós mesmos e nosso mundo. Evers.. Chauí. . Saul. 3. Hio di' Brasileira. I nni . Maurice. Marshall.inhin dllll I I I / --o Fev. porque experimentada.). certos tipos de professores e estudantes erc. p.111 neiro: Civilização Brasileira. n. jn by. I ctrópolis: Vozc '. Walnice Nogueira. If 1 f . "Os sinais da rua: uma resposta Antonio. lII.). 2'. 113). Revolta e melancolia .. As esquerdas e a democracia. S . poetas. Callado. de 1986. Berman. IIf. : o Pnu!o. AlI' manha. e além da qual é muito difícil para a maioria dos membros da sociedade movimentar-se. filósofos. "Cinema Presença. (I 1986. Marco Aurélio (org. S () l'uulu: li IIl'NIl. 3v. É um sistema vivido de significados e valores . parecem confirmar-se reciprocamente. Os últimos intelectuais. 1.

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