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LEIS EXTRAVAGANTES – PROF.

SILVIO MACIEL
AULA 11 – 10/12/2010
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (Lei 8069/90)
CRIMES CONTRA CRIANÇA E ADOLESCENTE
244-B – CORRUPÇÃO DE MENORES
Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando
infração penal ou induzindo-o a praticá-la:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 1- Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas
utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet.
§ 2- As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração
cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990.

Condutas: corromper (material) ou facilitar (formal de conduta antecipada).

Sujeitos do crime:
 Sujeito ativo: qualquer pessoa.
 Sujeito passivo: menor de 18 anos.

O crime ocorre se o corruptor de menor pratica infração (crime ou contravenção) com o
menor ou induz o menor a praticar (crime ou contravenção).
 Crime do art. 244-B mais o crime praticado com o menor ou a que induziu a cometer.
Ex: “A” corrompeu o menor para praticar latrocínio. “A” responderá pelo crime de
latrocínio e pelo crime de corrupção de menores.

Elemento subjetivo: dolo.
Ex: um indivíduo com 25 anos instiga o menor a dirigir em excesso de velocidade e o
adolescente acaba atropelando culposamente e matando alguém. Neste caso ele não responderá
pelo art. 244-B, pois ele induziu o menor a praticar uma infração culposamente. Responderá
somente pelo homicídio culposo.

Prevalece no STJ e no STF que não é necessário provar que o adolescente ficou comrrompido
com o crime, ou seja, a simples prática da conduta criminosa pelo menor ou a simples indução já
configura o crime de corrupção de menores.
LEI AMBIENTAL (Lei 9.605/98)

Parte geral: art. 2 ao 28.
Parte especial: art. 29 e seguintes (crimes em espécies).

ART. 2 – RESPONSABILIDADE PENAL DE PESSOAS FÍSICAS
Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide
nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o
administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou
mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a
sua prática, quando podia agir para evitá-la.

Existe concurso de pessoas em crimes ambientais e adota a teoria unitária e monista, tal como
o art. 29, caput, CP.
 Teoria unitária: autores e participes respondem todos pelos mesmos crimes na medida de
sua culpabilidade.
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potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa). sem estabelecer o mínimo vínculo entre essa pessoa e o fato criminoso narrado na denúncia. A constituição prevê a possibilidade de prever a dupla subjetividade jurídica nos dois crimes. Ela não responderá penalmente. só civilmente.  Tem culpabilidade social (não no sentido humano). o gerente. 173. pois ela tem vontade não no sentido humano. Parágrafo único. etc.  Art. dois administradores e a presidente da empresa que fica em um escritório em São Paulo. 13. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa. no interesse ou benefício da sua entidade. § 3: crimes ambientais. ART. mas no sentido pragmático sociológico. 225.  Pessoas jurídicas: exerce atividade e sofre sanção administrativa.  O art. § 3:  Pessoas físicas: pratica conduta criminosa e sofre sanção penal. XLVI. LA. Ex: a filial da empresa Matarazzo no Rio Grande do Sul está emitindo poluente acima dos níveis permitidos. CP). respondem pelos crimes ambientais tanto por ação. porém hoje só é possível nos crimes ambientais. • CF: prevê duas responsabilidades penais da pessoa jurídica.  Foi regulamentado pelo art.. proíbe que a pena ultrapasse a pessoa do infrator. 3 – RESPONSABILIDADE PENAL DAS PESSOAS JURÍDICAS Art. § 2. O MP inclui a presidente apenas porque ela era dona da empresa. o auditor. § 5: crimes contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular. 3.  Corrente 1 (não prevalece): a CF não prevê a responsabilidade penal da Pessoa Jurídica.10/12/10 .• Prevê que diretor.  Pratica conduta criminosa. o preposto ou mandatário da pessoa jurídica.  Pessoa jurídica não pratica conduta (dolo ou culpa) criminosa. respondem quando praticam o crime ambiental e também quando não evita o crime ambiental. não incluindo qual foi a omissão ou a ação. porque elas impedem o exercício do contraditório e da ampla defesa e porque atribui responsabilidade penal objetiva. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. • Muito ainda se discute se existe responsabilidade penal jurídica: três correntes.  Ainda não foi regulamentado.  Pessoa jurídica não tem culpabilidade (não tem imputabilidade. membro de conselho e de órgão técnico. • Denuncia genérica: é a que inclui a pessoa como ré da infração penal apenas em razão da sua condição de diretor.  Não pode sofrer pena de prisão. 5. ou seja. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. autoras.  Essas pessoas responderão pela omissão desde que tenham ciência do crime e possam agir para evitá-lo e não evita. a. administrador. ou de seu órgão colegiado.  Corrente 2 (entendimento majoritário na doutrina): pessoa jurídica não comete crime. 2 Aula 11 . nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. da pessoa jurídica. O MP denuncia o gerente dessa filial.  O art.  Corrente 3 (STF e STJ): pessoa jurídica pode ser sujeito ativo de crime. 225.  Foi criado para essas pessoas o dever jurídico de agir (art. administrador. Esses requisitos impedem a chamada responsabilidade penal objetiva (não existe responsabilidade objetiva em nosso direito). ou seja. a pessoa jurídica não pode ser responsabilizada pela pessoa física.  Art. quanto pro omissão. O STF e STJ não admitem denúncia genérica.

 Corrente 2: é possível punir pessoa jurídica da Administração Pública.  2º Aplica a atenuantes e agravantes genéricas. • Dupla imputação (imputação paralela): é possível punir a pessoa física ou a pessoa física e jurídica (art.a situação econômica do infrator. 1º Etapa: calcula a quantidade de pena seguindo o critério trifásico do art. § único. Ele só admite denuncia contra pessoa jurídica se for denunciada também as pessoas físicas que a praticaram. Ex: o funcionário da moto serra por sua conta e risco resolve cortar arvore em área proibida.  Art. OU  Conceder sursis. • De acordo com a lei a pessoa jurídica só pode ser punida se presente os dois requisitos: a) Responsabilidade penal por ricochete (de empréstimo ou por mandato): crime pratica por decisão de seu representante legal ou contratual ou órgão colegiado. CF e o art. o Pena-base: art. Aplicação da pena para pessoa física:  1º etapa: calcula a quantidade de pena.  De substituída a prisão. 68. 6 • • • • • Art.  O STF decidiu que não é bis in idem. APLICAÇÃO DA PENA NOS CRIMES AMBIENTAIS ART. por pena restritiva de direito ou multa.  1º Fixa a pena-base. 6. • Responsabilidade penal da Administração Pública Direta ou Indireta: o art. tendo em vista os motivos da infração e suas conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente. II . quais pessoas jurídicas.10/12/10 . A empresa não será responsabilizada. Podem sofrer penais restritivas de direitos e multa. 6º Para imposição e gradação da penalidade. § 3. Pessoa jurídica adota apenas a primeira etapa. + b) Se o crime foi praticado no interesse ou benefício da pessoa jurídica. a autoridade competente observará: I . LA. 2º Etapa: fixa o regime inicial de cumprimento da pena. 68. apenas mencionam pessoas jurídicas sem especificar. há duas correntes (não há posição do STF. Ex: o gerente da empresa toma uma decisão que acaba causando um acidente na empresa e vazamento de óleo no mar. Assim sendo.  3º Causas de aumento e de diminuição de pena. CP. 225.a gravidade do fato. 3º Etapa: verifica a possibilidade. 3. CP. Pessoa física: o juiz adota as três etapas. nem do STJ. LA).  O STJ apesar de adotar a terceira corrente. 3.os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental. e não há corrente majoritária):  Corrente 1: não é possível punir pessoa jurídica da Administração Pública. I e III a) Gravidade b) Antecedentes 3 Aula 11 . pelo contrário ele causou prejuízo. pois não tem aplicação de prisão. no caso de multa. não admite denúncia apenas contra pessoas jurídica. III . Neste caso o crime não foi praticado nem no interesse nem em benefício da empresa.

m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais. São circunstâncias que agravam a pena. 15. d) concorrendo para danos à propriedade alheia. não existe a reincidência genérica. por ato do Poder Público. e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas. 14.colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental  Inciso I: se esse baixo grau retirar a conduta do agente de saber que sua conduta é criminosa haverá erro de proibição. q) atingindo espécies ameaçadas. manifestado pela espontânea reparação do dano. o) mediante abuso do direito de licença. a saúde pública ou o meio ambiente. c) afetando ou expondo a perigo.10/12/10 . g) em período de defeso à fauna.  Atenuantes: Art. 14 e 15. total ou parcialmente.arrependimento do infrator. j) em épocas de seca ou inundações.comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental. II . IV .  Causas de diminuição ou aumento de pena. III . r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. São circunstâncias que atenuam a pena: I . p) no interesse de pessoa jurídica mantida. II . a regime especial de uso. quando não constituem ou qualificam o crime: I . permissão ou autorização ambiental. i) à noite. por verbas públicas ou beneficiada por incentivos fiscais.  Agravantes: Art.  Na lei ambienta só existe a reincidência específica. f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos. Ex: condenação por furto e pratica crime ambiental não é reincidente. n) mediante fraude ou abuso de confiança. l) no interior do espaço territorial especialmente protegido. de maneira grave. b) coagindo outrem para a execução material da infração.c) Situação econômica. ou limitação significativa da degradação ambiental causada.baixo grau de instrução ou escolaridade do agente.reincidência nos crimes de natureza ambiental.ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária. listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes. 4 Aula 11 . o Atenuantes e agravantes: art. h) em domingos ou feriados.

 3º etapa: possibilidade de substituir a pena de prisão por restritiva de direito ou multa. Ex: o juiz condenou a três anos de prisão.  No CP cabe a substituição igual ou inferior.  Exceção (art. LA): Art. 2º etapa: fixa o regime inicial de cumprimento da prisão (o juiz aplica o CP. na LA só na inferior. II . no caso de crimes dolosos. de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios. As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar com o Poder Público. LA): autonomia (não são penas acessórias) e substitutiva (não são pans principais). III . ou suspender a pena de prisão. I e II. 8 a 13. o Duração da pena restritiva de direitos: terá o mesmo prazo da pena de prisão substituída. o Características da pena restritiva de direitos (art. 9. V . As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar com o Poder Público. se possível. e de três anos. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades de conservação. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.interdição temporária de direitos. o Espécies (art. na restauração desta.prestação pecuniária. LA): Art. subsidiariamente).a culpabilidade.recolhimento domiciliar.10/12/10 . 8º As penas restritivas de direito são: I .prestação de serviços à comunidade. IV . e. II . b) Circunstâncias judiciais favoráveis. Prestação de serviços a comunidade (art. caput. 10. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando: I . 7. no caso de dano da coisa particular. os antecedentes. 7. a conduta social e a personalidade do condenado. 10. Interdição temporária de direitos (art. pelo prazo de cinco anos. Parágrafo único. 10. II.  O CP exige dois requisitos (não se aplica a esta lei): que o condenado não seja reincidente em crime doloso e que seja crime sem violência ou grave ameaça. 10. I.tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos. LA): a) Se for crime culposo ou. o Requisitos (art. de receber incentivos 5 Aula 11 .  Possibilidade de substituir a pena de prisão por restritiva de direito ou multa. se for crime doloso com condenação inferior a 4 anos. bem como de participar de licitações. LA): Art. bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. pública ou tombada. Art. ele substituirá a 3 anos de penas restritiva de direito.suspensão parcial ou total de atividades. no de crimes culposos. LA): Art.

de importância. LA) Art.fiscais ou quaisquer outros benefícios. fixada pelo juiz. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada com fim social. IV. permanecendo recolhido nos dias e horários de folga em residência ou em qualquer local destinado a sua moradia habitual. e de três anos. 12. Recolhimento domiciliar (art. no de crimes culposos. sem vigilância.10/12/10 . no caso de crimes dolosos. Suspensão parcial ou total de atividade (art. LA) Art. III. que deverá. pelo prazo de cinco anos. bem como de participar de licitações. não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator. 11. freqüentar curso ou exercer atividade autorizada.  Verificar a possibilidade de suspender a pena de prisão. trabalhar. V. conforme estabelecido na sentença condenatória. Prestação pecuniária (art. O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado. A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às prescrições legais. 13. LA) Art. 13. 12. 6 Aula 11 . 11.