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Psicologia

da idade pré-escolar MukhinaNeste livro, a autora procura alertar os

educadores em geral a respeito dos dados obtidos em sua pesquisa sobre o desenvolvimento psíquico de crianças em idade pré-escolar, nos dias atuais. Constata que elas vêm apresentando uma inteligência mais rápida, são mais independentes, provocando uma aceleração física, psíquica e intelectual, devido às constantes motivações e estímulos de vida. Por isso, enfatiza que se deve ter o cuidado suficiente para que não ocorra a queima de etapas de interesses e necessidades do pré-escolar, mas, o direcionamento e enriquecimento desse desenvolvimento. Daí, a importância do conhecimento das leis do desenvolvimento psíquico, das causas que determinam as diferenças de desenvolvimento, priorizando, sempre, o brincar, essencial para a passagem da ação para o raciocínio intelectual. Tais embasamentos são oferecidos pela Psicologia Infantil, ciência que estuda os fatos e as leis do desenvolvimento psíquico da criança, suas atividades, os processos e qualidades psíquicas, formação da personalidade e identificação das circunstâncias que influem no desenvolvimento e que refletem na estruturação cerebral, fornecendo, pois, bases para a Pedagogia. O conhecimento dessas leis facilita o contato do educador com as crianças, evitando erros educacionais, já que as auxilia em seu desenvolvimento psíquico, na superação de dificuldades, favorece o surgimento da consciência gradativa de que não são somente naturais, mas membros da sociedade, do mundo, visto que o pensamento e ação humanos são condicionados ao social. A experiência e a herança social passadas pelos adultos são fontes de desenvolvimento psíquico da criança, devendo ser os mediadores da qualidade da construção psíquica e propriedades da personalidade: elas não surgem espontaneamente, mas, são frutos de um processo educacional. É importante que os educadores façam uso de dois métodos: a observação, em que é feito o levantamento inicial dos dados, aguardando o momento da manifestação espontânea de uma ou mais crianças, para identificar aspectos múltiplos da suas condutas, durante certo tempo: a experimentação, que auxilia na observação da criança, propiciando a coleta de informações e conhecimentos gerais sobre seu desenvolvimento psíquico, interesses, relações com outras crianças, etc. Todo registro detalhado das atividades e manifestações de cada criança deve ser juntado ao depoimento dos pais, para verificar e comparar como a criança age na escola e em casa. No 1º ano de vida, o recém-nascido age por reflexos não condicionados, inatos, etc. Depende, exclusivamente, do adulto para sobreviver, adquirindo com ele formas de comportamento e de relacionamento com o mundo externo, promovendo a maturação do sistema nervoso (cérebro) e dos reflexos não condicionados. A orientação espacial depende do desenvolvimento sensório-motor, que se inicia através da visão: a criança adapta os movimentos e ação às propriedades do espaço e dos objetos que nele se encontram. O andar ereto a conduz à autonomia, orientação espacial e compreensão do mundo dos objetos. Age movida por desejos e sentimentos do momento; deve ser ensinada a respeitar as demais pessoas, identificando as

o conteúdo dos jogos adultos. Usa o pensamento ativo para investigar o mundo em que vive: início do desejo de independência. Os padrões sensoriais. A formação de conceitos é uma operação concreta que é substituída por um raciocínio verbal. Necessita de elogios e busca a avaliação do adulto sobre seu comportamento. O pré-escolar não se orienta tão bem no tempo como no espaço: o hoje é sua referência. que deve ser baseado mais em imagens. forma inicial de assimilação das relações mútuas. Compreende melhor as funções sociais: amplia o conhecimento sobre o mundo além dos familiares. a vivência dessas atividades proporciona oportunidades para as crianças conhecerem a história de gerações . nas diferentes idades. Através das regras éticas adquire as morais e aprende a avaliar suas ações. compara – tudo isto aprofundado através do ensino sistemático. assimilando-os através da imitação. imagina uma operação real e lógica com o objeto – é a inteligência imaginativa. devido ao contato com novos objetivos. fracassos. a aprovação de suas ações desperta nela o amor-próprio. Raciocinando mentalmente. a construção . Compreende o significado das palavras. internalizando os conteúdos. que desencadeia a crise dos 3 anos (teimosia). a evolução mental depende diretamente do ensino. analisa seus sucessos. que dá início à inteligência lógica. No término da 1ª infância (3 anos) aparecem os jogos e as formas produtivas de ação: o desenho. introduzindo a lógica apenas no que for necessário (ex: números). relações entre o todo e as partes e conexões entre os elementos principais de uma construção. sem a qual não é possível o desenvolvimento científico .A memória do pré-escolar é involuntária: só se lembra do que lhe causou interesse. A inteligência esquemática é mais flexível e intuitiva: favorece a generalização. aumenta o domínio dos meios de comunicação: a riqueza de vocabulário está relacionada a um trabalho intelectual. a criança toma consciência da linguagem que se torna um meio de planejamento e regulação de sua conduta. causa vergonha. prescreve a Teoria Histórico Cultural que o jogo e a brincadeira são atividades principais no período pré-escolar. Aos 5/6 anos. para não comprometer o desenvolvimento da formação de conceitos. principalmente através dos jogos. O desenho é uma atividade representativa: começa a perceber que deve haver semelhança entre o nome dado ao objeto que desenhou para ser compreendido pelos demais. sendo estes. associa. mudam durante a idade pré-escolar. e também porque a inteligência imaginativa faz parte da intuição. pela auto-avaliação. Sendo assim. incorporando-se à sua inteligência. Com o aumento das relações sociais. a memória voluntária é desenvolvida. onde concentrou maior atenção e o que mais lhe impressionou. A expressão dos sentimentos é de natureza social. modelos para sua conduta. a reprovação.regras que regem a vida dos adultos. etc. Quando a criança brinca.a criança copia no jogo. age acima de sua idade habitual assumindo diversos papéis sociais. diretamente relacionados ao desenvolvimento das operações perceptivas. adquirindo conhecimentos diversificados e exercitando suas funções psicológicas superiores.

os educadores necessitam de fundamentação sólida dos valores e propósitos do jogo para defender sua posição no sentido de que na idade pré-escolar as atividades de jogo são necessárias e importantes. Sendo assim. assumindo ações. Ao mesmo tempo.166) Estudos como de Mukhina (1995). os valores. . Durante a fase pré-escolar. Elkonin (1998) e Senna (2007) comprovam que o desenvolvimento infantil é um processo que para se constituir depende: das experiências anteriores das crianças. Ao representar as ações dos adultos assumindo seus papéis em um plano imaginário. é preciso que as atividades sejam centradas nos interesses e possibilidades das crianças. os objetos e os valores que regem a nossa sociedade. A criança assimila sem se dar conta. pois o adulto atuando na zona de desenvolvimento proximal é capaz de oferecer as oportunidades para que isso ocorra. Suas ações imaginárias possibilitam atuações acima de sua idade cronológica.passadas. p. o jogo e a brincadeira são formas de aprendizagem peculiar da criança. o jogo e a brincadeira se constituem no recurso que o adulto utiliza para que sua mediação amplie a imaginação e o desenvolvimento das crianças. (MUKHINA. Para que o jogo constitua em um importante meio de educação. cresce sua capacidade de estudar. E compreender que o processo de desenvolvimento ocorre de forma diferente em cada criança e cada uma alcança determinados estágios em momentos diferentes. no enfoque Histórico-Cultural. as relações e os papéis sociais por meio do jogo e assim constrói sua personalidade.Influenciada pelo adulto a criança vai mudando de atitude: o estudo passa a ser algo desejado. O pré-escolar começa a estudar brincando. os papéis sociais. p. o que não deixa de ser verdade. a criança é capaz de aprender normas de conduta e comportamentos sociais bem como desenvolver suas qualidades psíquicas. organizadas adequadamente pela educadora de modo a respeitar as condições de realização de cada uma delas. originando-se aí uma nova atividade principal: o jogo e a brincadeira. conhecendo a si mesmo e a realidade que a cerca. a cultura. É importante salientar que. mas porque o jogo dá origem a mudanças qualitativas na psique infantil (MUKHINA. Deve-se conceber a criança como um sujeito em desenvolvimento que explora as situações eformula significados. as normas de conduta. os conhecimentos elementares. É por intermédio dessas atividades que a criança aprende sobre o mundo que a rodeia e constrói a sua personalidade. do ambiente em que vive e de suas relações com esse ambiente e com as pessoas. não porque a criança de hoje passa a maior parte do tempo se divertindo.155) A criança interage com o meio. Após esse momento a criança começa a se interessar pelas atividades e ações dos adultos. 1995. o estudo é algo muito diferente do jogo. O jogo é a atividade principal. criando uma zona de desenvolvimento proximal que com a mediação do adulto ou do parceiro mais experiente colaboram na resolução de problemas que na realidade não realizariam sozinhas. o mundo onde estão inseridas. 1995. Para o adulto. mantendo o equilíbrio entre a atividade a ser desenvolvida pela educadora e a iniciativa das crianças. O estudo é para ele uma espécie de jogo dramático com determinadas regras.