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INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLIACADA

Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas

MISSÃO Produzir, articular e disseminar conhecimento para aperfeiçoar as políticas públicas e contribuir para o planejamento do desenvolvimento brasileiro

Eduardo A. C. Grcia

Governo Federal Ministro de Estado Extraordinário de Assusntos Estratégicos – Roberto Mangabeira Unger Secretaria de Assuntos Estratégicos

Ipea Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Presidente Márcio Pochmann Diretor de Administra e Finanças Fernand Fewrreira Diretor de Assuntos Macroeconômicos João Sicsú Diretor de Estudos Sociais Jorge Abrahão de Castro Diretora de Estudos Regionais e Urbanos Liana Maria da Frota Carleial Diretor de Estudos Setoriais Márcio Wohlers de Almeida Diretor de Cooperação e Desenvolvimento Márcio Lisboa Theodoro Chefe de Gabinete Persío Marco Antônio Davison Secretário Exewcutivo do Conselho Editorial Daniel Castro

GARCIA, EAC Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas. Brasília: Ipea, 2009. 356 p. gráf. tab. fig e quad. ISBN 1. Economia recursos naturais. 2. Desertificação. 3. Erosão 1. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

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Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 Conceitos e Contextualizações 2.1.1 Desertificação: o problema central 2.1.2 Combate à desertificação 2.1.3 Degradação de recursos da terra 2.1.4 Desenvolvimento sustentável 2.1.5 Convivência com a seca: ações integradas em planos 2.1.6 Erosão dos solos 2.1.7 Conservação e manejo integrado de ambientes e recursos naturais 2.1.8 Agricultura: destaque para a sustentabilidade agrícola 1 11 14 15 29 37 39 49 57 61 62

2.1.9 Participação e ação solidária da comunidade no controle da desertificação e convívio com a seca 65 2.1.10 Educação ambiental e capacitação para o planejamento e gestão 2.1.11 Cenários e estudos prospectivos 2.1.12 Políticas públicas para o combate à desertificação e comv[ivio com a seca 2.2 O Problema da Desertificação 2.3 O Objetivos e Metas 2.4 Procedimentos, Técnicas e Métodos paea o Controle da Derertificaçõa e Convívio com a Seca 2.4.1 Fontes de Dados e Informações 2.4.2 Aspectos Metodológicos Gerais 2.4.2.1 Técnicas e métodos de síntese e de análise de dados 2.4.2.2 Síntese e análise de agrupamento de dados 2.4.2.2.1 Séries temporais 57 86 94 98 99 100 102 104 67 68 74

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Eduardo A. C. Grcia

2.4.2.2.2 Relações entre variáveis que definem tanto o problema da desertificação como aspectos do controle 105 2.5 Principais Resultados: Discussão 108

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de meios materiais e humanos de controle e de objetivos a alcançar Figura 14 Exemplos de relações de fatores causais.degradação da biodiversidade (processo local.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas LISTA DE FIGURAS Figura 1 “Trilha” da degradação que leva a desertificação Figura 2 Elementos de um plano de combate à desertificação indicados pela Convenção das Nações Unidas de Combate à desertificação Figura 3 Relações entre desertificação (fenômeno local). regional e global) Figura 4 Ciclos da degradação da terra Figura 5 Ilustração de cinco dimensões em dois cenários: presente e ffuturo Figura 6 Cisternas do semiárido Figura 7 Cistrenas de placas pré-moldadas Figura 8 Tipos frequentes de erosões dos solos no semiárido e Planos Nacionais de Combate à Desertificação Figura 9 Ciclos simplificados de políticas públicas no combate à desertificação Figura 4 Áreas susceptíveis à desertificação e áreas afetadas pela desertificação Figura 5 Núcleos de desertificação na Região Nordeste Figura 6 Percentual de dias com déficit hídrico estimado pelo CPTE / INPE (complementado). em cascata com indicações v 18 24 27 38 43 51 52 59 76 62 63 69 70 71 72 73 74 76 80 . para um período de dez anos Figura 7 Níveis de potencialidades agrícolas dos solos do Nordeste Figura 8 Mapa de cobertura vegetal do Nordeste Figura 9 O bioma Caatinga e delimitação de oito ecorregiões Figura 10 Divisão hidrográfica da Região Nordeste Figura 11 Tipos de solos da Região Nordeste Figura 12 Ilustração de integração de componentes físicos no zoneamento ambiental Figura 13 Diagramas de Ishikawa para indicar arranjos de causas do problema da desertificação. mudança climática (fenômeno regional e global) e perda .

) Figura 16 Indicações de causas e correspondentes efeitos no problema de desertificação Figura 17 Ilustração do controle de causas e de seus efeitos que evitam a desertificação Figura 18 Causas e sinais de degradação na atividade pecuária: sistema de pastejo Figura 19 Processos naturais (gestão integral) e processos antrópicos (conservação) no controle da desertificação e mitigação – convívio com a seca Figura 20 Processo de desertificação e exemplos de indicadores desse processo Figura 21 Política de informação: relações entre dado. t .Eduardo A. t + j etc. indicador e índice 82 83 91 92 93 107 108 vi . naturais e antrópicos. com indicações de taxas ( ) em diferentes períodos (t.i. variável. de degradação ambiental. C. Grcia de taxas ( ) 81 Figura 15 Exemplos de relações de fatores.

condições e possíveis contribuições que determinam a erosão dos solos Quadro 4 Elementos do conceito de conservação.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas LISTA DE QUADROS Quadro 1 Sequência e inter-relacionamento de componentes em abordagem sistêmica Quadro 2 Pontos de reflexão que poderão auxiliar a definição de ações e estratégias em um plano ou projeto de combate à desertificação Quadro 3 Fatores. isto é. 1995 Quadro 8 Escala de inter-relacionamentos forte (f). moderado (m) e leve (l) entre variáveis Quadro 9 Exemplo de indicadores e de índice da desertificação e convivência com a seca Quadro 10 Indicadores descritivos e índice da desertificação e convivência com a seca 22 32 60 63 72 73 59 75 102 110 113 vii . utilização reacional Quadro 5 Tipos de cenários que podem ser utilizados para auxiliar a elaboração de um plano de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca no Nordeste Quadro 6 Possíveis cenários sobre um futuro esperado sem redução das emissões de CO2 à atmosfera Quadro 6 Classificação das terras susceptíveis a desertificação de acordo com o índice de aridez e grau de susceptibilidade à erosão Quadro 7 Níveis de degradação por tipos de solos no Nordeste.

1998 Tabela 3 Número de municípios compreendidos pelo semi —árido brasileiro segundo áreas delimitadas pelo Polígono das Secas (traço verde) e Região Semiárido do FNE (traço – pontilhado – azul) Tabela 4 Estados do Nordeste com áreas susceptíveis à desertificação.Eduardo A. 2004 39 64 65 67 viii . índice de aridez e terras afetadas (mil km2) pela desertificação nos continentes Tabela 2 Núcleos de desertificação na Região Nordeste. C. Grcia LISTA DE TABELAS Tabela 1 Clima.

Os equilíbrios instáveis e. com maior frequência. muitos com incertezas e outros em riscos de processos de degradações e perdas de suas funções. reservas – estoques e ciclos naturais para manterem os fluxos desses bens e serviços. os adequados. comprometendo ou agravando a continuidade de atendimentos de necessidades que passam. interrelações e interdependências ecossistêmicas que afetavam a qualidade e quantidade dos recursos da terra e. excedentes) de fontes. a capacidade e limites dos ecossistemas. continuam sendo submetidos a crescentes pressões e em processos elevados e acelerados de degradações. ao não serem atendidas as condições de usos dessas fontes e respeitados os limites de suporte determinam crescimentos insustentáveis. extensão e intensidade. as situações eram de deteriorações de estruturas. no final do século XX. inclusive quanto ao futuro do homem no planeta. geravam incertezas quanto ao futuro de ambientes e da biota. além da capacidade de suporte de ecossistemas para fornecer esses bens e tolerar-assimilar poluições-rejeitos. reservas. constantes ou decrescentes. ainda. como resultados desses impactos negativos. Os ambientes e recursos naturais. comprometiam as condições naturais para se recomporem de intervenções humanas e continuarem oferecendo bens. provoca desastres naturais como a erosão de solos e biológica. Por vezes e em certos locais. ciclos e processos naturais. Crescimentos atendidos sem critérios físicos e socioeconômicos. deveriam condicionar. como os técnico-científicos de conservação e manejo e com notáveis incompatibilidades com a preservação e proteção de fontes. com 1. Processos que respondem por fluxos produtivos. Tais desequilíbrios formalizam novas “ordens” (desordens) de ambientes e sistemas naturais cada vez mais empobrecidos.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas 1 INTRODUÇÃO mbientes e recursos naturais no mundo se encontravam.02 bilhões de subnutridos..ex. a serem insatisfeitas para uns e ix . que. por excedentes econômicos. segundo dados da FAO (2009). A Eram situações que ocorriam (continuam ocorrendo no início do novo milênio) por causa de manejos inadequados e excessivos usos e consumos. impostos pelos crescimentos da população e de suas necessidades sem reconhecimentos de. e gera como conflitos como os de posse e uso desses recursos. atributos e capacidades como as de produção e sustentação à vida. os desequilíbrios persistentes (romperam-se equilíbrios de dinâmicas de forças em tensão pelo esgotamento do leque de realizações) entre necessidades (expressões “incontroláveis” de desejos e demandas humanas) de consumos desses bens e serviços ambientais em aceleradas expansões e disponibilidades (expressões naturais que condicionam. ameaçados. p. essa formalização vem ocorrendo pela trilha da desertificação que acentua a escassez de recursos naturais pelo consumo irresponsável. i no início do novo milênio. serviços e informações para o desenvolvimento.

É a pavimentação da trilha da desertificação feita pelo consumismo. no sentido de reduzirem em 40. devidamente (re)conhecida pela sua natureza. 2009). Conferencia das Partes da Convenção (7 – 18. São processos destrutivos. ii economicismo” iii e “tecnologismo” / tecnologicismo. até 2020. para a sobrevivência de comunidades vulneráveis à desertificação. Eram evidências e sinais. em especial nos estados mais pobres.Eduardo A. b) a social. Pelo desenvolvimento sustentável a tratar e integrar dimensões. secas e inundações catastróficas. estados insustentáveis para o fornecimento de bens ambientais valiosos e imprescindíveis para o desenvolvimento sustentável. omissas na proteção de fontes. imprevisível e dessa forma permaneça. Copenhague). Grcia insustentáveis para todos. p. no início do novo milênio. de continuarem ampliando condições e fortalecendo estados precários para a sobrevivência da humanidade e. e as ações humanas. pressões com impactos negativos e comportamentos “irracionais” a se constituírem sérios entraves para a harmonização e equilíbrio exigidos por esse desenvolvimento. reservas estoques e ciclos naturais de renovação de recursos como os hídricos. em 2009. 2009.. c) a econômica.ex. por vezes incidentais v e. enquanto não sejam devidamente: x . dez. em Poznan. tais países. para agirem (até jul/2009). com tais sinais. As ameaças. no mediano prazo. estratégias e decisões exequíveis e práticas para combater o aquecimento global que aprofunda desigualdades econômicas e sociais associadas às perdas ambientais (resultados de simulações indicam um elevado potencial de perdas econômicas no Nordeste. a ser indicada. Reunião de 2008. ao preparar a 15ª. gerar e gerir resultados evidenciados no crescimento “limpo” e com benefícios e oportunidades socialmente distribuídas e ambientalmente consistentes. de países industrializados não estarem dispostos a. internalizada e respeitada em planos que tenham como alvo o desenvolvimento integral do ser humano. propósitos da 14ª.0%. realizarem contribuições substanciais para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa – GEE: não conseguirem atender expectativas do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática – IPCC. iv Os processos de degradação ambiental. as emissões desse GEE. com freqüência. a ser (re)pensada em novas bases e com novos paradigmas para preparar. com ações. pela sua capacidade de sustentação dos ecossistemas e pela necessidade de ser valorizada em sistemas contáveis e em políticas públicas. nem se dispuserem. reais ou aparentes. MAGALHÃES E RUÍZ. C. tais como: a) a ambiental. determinam que esse meio seja inseguro.. as pressões antrópicas sobre os recursos naturais e os riscos de perdas dessas riquezas davam claros sinais. Frustravam-se. incertezas e excessivas pressões que geram respostas como as das desertificações (ambiental e humana). DOMINGUES.

em dimensões. sociais e culturais que rodeiam o indivíduo e com os quais deve interagir. arados com bois e com canais para levar água.000 anos atrás. o que se conhece da degradação são manifestações que afetam determinados setores. nessa apresentação. Diamond (2006. a intensidade e a extensão de sua ocorrência tanto em países e regiões desenvolvidas como em regiões e países em diversos estágios de desenvolvimentos. interpretadas em ações. os menos influentes. complementado).parte (lendária) do Crescente Fértil da Antiguidade e verso da primeira grande civilização mundial. xi . no problema da desertificação.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas a) Conhecidas. Propostas com a efetiva e oportuna participação da comunidade informada e conscientizada da necessidade do combate à desertificação e convívio com as secas. É oportuno indicar que a desertificação no mundo e no Brasil não é um processo novo. porém sem suficientes informações de interrelações. e causas gerais do problema. com ações e estratégias dentro de riscos calculados e aceitáveis por todos. equacionadas em políticas públicas e tratadas devidamente as causas da degradação e de perdas de bens e serviços ambientais. Um processo dinâmico e complexo de eventos muitos deles em estruturas cíclicas ou espirais de causas  efeitos. efeitos/causas  novos efeitos etc. em seu livro Collapse: how societies choose to fail or to survive. verificou-se a substituição de grandes bosques por cidades e campos agrícolas irrigados (desenvolveu-se um sistema sofisticado de irrigação). 2008). diretrizes e instrumentos dessas políticas. b) Definidos os limites da capacidade de suporte ambiental e as condições de conservação e manejo que considerem “reais” potencialidades e limitações reconhecidas. conforme sejam as condições regionais. do conjunto de fatores naturais. . influenciando-o e sendo influenciado) e os efeitos de escolhas individuais para o futuro das sociedades e descreve como várias civilizações foram destruídas por causa do uso insustentável dos recursos naturais e decorrentes processos de desertificação. dinâmicas e importâncias relativas dessas causas no agregado. pela viabilidade operacional e pela consistência social.a antiga Suméria. Com frequência.ex. além da ambiental) e orientações de políticas para recompor e/ou buscar o equilíbrio. enfatiza a fragilidade do meio ambiente (isto é. c) Formuladas propostas exequíveis (p. internalizadas e viabilizadas em políticas públicas consistentes e com legitimidade pela coerência técnico-científica. tais como a técnico-científica. Campos que gradativamente foram transformados em terras afetadas por fortes ventos que varrem as várzeas dos rios Tigres e Eufrates (LARSEN. apresenta uma análise das causas de ascensão e colapso de muitas civilizações. Em cidades – estados da Mesopotâmia.. a econômico-financeira. O relativamente novo é a velocidade. . com registros de mais de 5. a sociocultural e a política.

dos consumidores e de governos. estavam dando origem à atual [no início do novo milênio] desolação dessas terras ao despojá-las de seus bosques”.C). mas à questão de não ser feita a “otimização” compatível com preocupações ambientais o ocorrer se não houver condição para isso.43 a. algumas com origem histórica como é a concentração de recursos da terra que centraliza poder. barreiras de recuperação de áreas ocupadas no norte da África (UNEP. cit. em relação à natureza (DIAMOND. a estrutura montada para a acumulação do capital esteve (está) diretamente relacionada com a concentração de recursos da terra. uma forma que determinou características da territorialidade. mediante concessões Sesmarias aos “filhos do Rei”. erosão dos solos e desmatamentos da vegetação natural (gramíneas). entre outros aspectos. op. descreve “Os homens que na Mesopotâmia. 1992.Eduardo A. em áreas de climas semiáridos de quatro estados (Oklahoma. dessa forma. na Grécia e na Ásia Menor. a partir dos anos 30. em sua obra Dialética da natureza. provocados por tais mudanças. destruíram os bosques para obter terra arável. Relatos do senador romano Cícero (106 . A ideia da sensibilização da sociedade para a importância das boas práticas ambientais é um fator que permeia à empresa para adotar boas práticas com evidências de que as que provocam (provocarem) danos são (serão) penalizadas pelos mercados. Foi a observação do fenômeno conhecido como Dust Bowl por causa de três anos de secas que foram agravados pela degradação da terra. entre outras regiões. a colocação de que os problemas ambientais não estão exclusiva ou necessariamente ligados ao sistema capitalista e ao objetivo da empresa de “maximizar” lucros. No sistema capitalista e democrático é possível gerar incentivos e induzir mudanças de comportamento. não podiam imaginar que. Eram “poeiras de areias” que afetaram aproximadamente 380 mil km2. A concentração fundiária está associada à própria forma como o Estado se organizou no País. Caso não seja alcançada essa compatibilização. São atitudes e comportamentos. compatíveis com a proteção ambiental. C. Grcia Oportuno complementar que esses processos. Kansas. continuam sendo provocados por diversas causas conhecidas. 2002). A desertificação era. no início. sem preocupações vi diretas com o ambiente. Novo México e Colorado). Desde o início. no caso do Brasil. no meio oeste americano dos Estados Unidos da América. É importante destacar para reflexão. um processo lento e silencioso que pela intensificação de fatores responsáveis pela sua ocorrência passou a ser observado. quanto à proteção e preservação de fontes e reservas. após secas. destacam. Foram impactos que dizimaram a produção agrícola e provocaram a emigração coletiva para o oeste nortexii . entre outros aspectos. com preocupação. com violentas tempestades de poeiras.). será difícil [se não impossível] manter por muito tempo o meio ambiente sadio. Friedrich Engels. SANTO e LIMA. São ajustes que dependem de escolhas certas feitas no presente. com efeitos notáveis e douradores.

Estados Unidos e a China. por fome.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas americano. Segundo a ONU. mas é observado e registrado em países como. com urgência. dominada pela tecnologia e o conhecimento. no início do novo milênio. o 5º. incertezas e perdas de riquezas naturais. a desertificação não se limita às regiões em desenvolvimento.0% das terras do planeta. aproximadamente 13. 69. o ciclo da água. a desertificação “progressivamente vai rompendo cada vez mais o equilíbrio entre as associações vegetais. entre os mais de 110 países afetados por esse fenômeno. é notável a degradação e a ameaça que afeta 66. Fórum entre xiii . a 1482 municípios. de políticos e legisladores. a economia e o aspecto social”. respostas com efetividade. Segundo Duque (2004).0% das terras estão degradas (solo e vegetação) das zonas áridas do mundo. Austrália. Em um deles. Essa seca provocou a morte. ainda em países em desenvolvimento. zonas semiáridas que afetam vários países.5 bilhões de pessoas. há registros da “saarização do Nordeste” . com freqüência. a produção agrícola. recompor. O problema da desertificação. Na era moderna. e de organizações públicas e privadas efetivamente engajadas no controle de causas para amenizar efeitos. de interlocutores: instituições e fóruns de cientistas – pesquisadores. 33. 2002).0% do território e mais de 32 milhões de pessoas. manejos. um processo que se intensificou.os Estados Unidos da América. que despertaram pesquisadores para orientar suas ações de investigação em ecossistemas frágeis marcados pelas intempéries do clima e sob forte pressão antrópica de seus ambientes. No Brasil. com ações públicas consistentes e aplicáveis às diversas realidades afetadas. De acordo com o Centro Internacional para o Estuda das Terras Áridas e Semiáridas da Universidade de Texas. por um deles ter afetado. porém sem o suficiente despertar e a necessária resposta para assumirem os desafios de frear. No período 1967/68 a 1973. deturpadas. afetando.9% da superfície seca do planeta e mais de 2. migração e efeitos decorrentes da intensa e desordenada exploração dos recursos naturais da terra. um dos países mais desenvolvidos. incentivos. por exemplo. planos e políticas orientadas para o controle da desertificação e a busca da convivência com a seca. ocorreu uma grande seca na Região do Sahel. espera. disciplinar e tratar necessidades. expansões. retardado e desuniforme de atores com visões. por vezes. Tem sido. na década de 30. interlocutores consultados. com grandes impactos. tem sido destacado em fóruns internacionais como os promovidos pelas Nações Unidas. na década de 70 e começou a se manifestar em núcleos de desertificação (JALFIM. O despertar lento. entre outros e. . possivelmente. na década de 50 do século XX. Foram fatos. África Subsahariana. da mais de 200 mil pessoas e milhões de animais. com soluções sustentáveis e legitimadas pela sociedade.

por certo especiais.conscientizada. por vezes particulares. água. com graves conseqüências para a segurança de ecossistemas. Grcia América Latina. Reunião do CRI / CCD realizada em Roma. destacou-se a notável falta de conscientização de lideres mundiais no combate a desertificação como parte do combate ao problema da pobreza. nestes instrumentos. em 2008. a religião e aspectos político-institucionais com feições. Ipea. as expressões artísticas e socioculturais. o aquecimento global e a perda da diversidade biológica não se restringem às terras secas. Com isso se terão consideráveis perdas da capacidade de reserva. há evidências do impacto negativo do aquecimento global na desertificação. uma região que não pode ser resumida às variáveis como clima. para o fato de a desertificação ser um problema global. A condição sine qua non é conhecer esses elementos e componentes. mas afetam a todos. acordar. pela coerência de estratégias e ações com os elementos e componentes e a participação efetiva da comunidade devidamente informada . Este documento é parte inicial desse propósito. a estabilidade socioeconômica e o desenvolvimento sustentável em níveis nacional e local. para auxiliar a “garimpagem” de dados e informações que permitam ter o conhecimento da realidade do semiárido e sintetizá-lo em diretrizes. exigindo-se. complexas e dinâmicas interações de elementos e componentes e. critérios e instrumentos de políticas públicas. definir e implementar políticas e planos para o combate a desertificação e convívio com a seca. No acordaram para o fato de efeitos de a desertificação. É nesse contexto abrangente e de múltiplas. Caribe e África para a Luta contra a Desertificação . 2007. definem-se diagnósticos. em torno de 40 t/ha/ano. de regulação e de filtração. quanto possível. integrá-los no nível regional e traduzi-los em políticas viabilizadas em diversas dimensões e instâncias. Pelas posições conflitantes e a pouca percepção do problema da desertificação podese concluir que esses líderes não acordaram o necessário. em 2002. A “saarização” do Nordeste e os seus expansivos núcleos de desertificação afetam o semiárido. devidamente caracterizados que se devem discutir. são contribuições significativas e em acelerados processos de fortalecimentos para a desertificação.Eduardo A. deverá compreender comunidades em interações com o meio. será liberada na atmosfera. mas. Se essas terras úmidas continuarem a secar o efeito será catastrófico: grande quantidade de carbono. estudos e o propósito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. solos e vegetação. xiv . C. concluiu-se que a Região Latino-americana apresentava severos processos de desertificação não percebidos realmente por tomadores de decisão nem a sociedade. de identidade que retratam e interagem com esse ambiente. em Santo Domingo. realizada em Cuiabá. a consistência e legitimidade. Segundo a Conferência Internacional da INTECOL sobre zonas úmidas. Nesse contexto. jun. Na 1ª.

em média de 3. . entre eles a irrigação agrícola não-apropriada às realidades físicas e socioeconômicas da Caatinga. registram-se processos de degradação dos recursos da terra que respondem pela desertificação e limita ou dificultam a convivência no semiárido. eficiência e objetividade na proteção de comunidades frágeis e potencialmente vulneráveis. entre outras. xv . b) utilizar os recursos de forma racional e com garantia de proteção de fontes. mas buscar a articulação com o órgão responsável para atender objetivos e metas comuns como são as de promover a inclusão social com a geração de emprego e renda na agricultura irrigada e de contribuir para superar degradantes e insustentáveis índices impostos por perdas provocadas pelas deficiências na prática da irrigação no semiárido. com um regime de “normais” pluviométricas que varia entre 250 mm/ano e 800 mm/ano. o mais chuvoso do planeta. O semiárido é.000 mm/ano. Isso não significa excluir um dos mais importantes recursos da agricultura. as fragilidades e medidas de proteção com as atividades de aproveitamentos possíveis e sustentáveis de suas potencialidades e limitações. por causa da excessiva pressão humana (em relação à capacidade de suporte desses ecossistemas) sobre o meio ambiente. O estudo dessa causa da desertificação é omitido neste documento. com base nesse conhecimento dar a necessária fundamentação às políticas públicas e agir com oportunidades. para a desertificação e limitam ou dificultam a convivência com a seca. quase sempre (por enquanto: início do milênio) com possibilidades de preveni-lo ao conhecê-lo (identificá-lo e caracterizá-lo por indicadores. irregularmente distribuída no tempo e no espaço. mediante a recuperação de terras parcialmente degradadas. em níveis e riscos toleráveis por essas comunidades. vii de gestão ambiental viii e de tomada de decisões) e. A desertificação é um processo difícil de reverter. Uma região que se caracteriza por acentuado déficit hídrico: 750 mm/ano como média de precipitação. o que corresponde a aproximadamente um terço da evaporação. . de forma significativa. incorporando-as ao processo produtivo. as de controle de causas da desertificação e melhorias sociais para “garantir” a convivência com a seca. nessa tipologia. como instrumentos chaves de planejamento. no saber tradicional de comunidades (a potencializar com os novos conhecimentos). reservas e ciclos. em contextos como os de conservação e manejo integrado e onde se possam tratar e internalizar. Aspectos “tecnológicos” inadequados para o semiárido contribuem. porém.pelo sertanejo. Conhecimentos que permitam: a) aliviar pressões.a irrigação. também. Nessa região.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas O semiárido nordestino é. a mais populosa região do mundo e com condições propícias de vida se atendidas certas condições.

define-se um espaço para o Ipea dentro de sua missão de produzir. A segunda parte apresenta o desdobramento de um dos aspectos críticos mais importantes da desertificação. prevenção e controle. que se apresentam na forma de “núcleos” (hot spot). Deve-se adiantar que o documento é simples. desenvolvidos no longo prazo. objetivos e procedimentos metodológicos de um plano para tratar as informações primárias e se ter bases consistidas de auxílio às propostas de políticas. nem sempre evidentes em suas origens). Com base nessa flexibilidade. avaliação. porém com flexibilidade para acolher e integrar outros aspectos em um plano de combate à desertificação. controla. por vezes complementares. com ações e estratégias consistentes com a realidade. de controle da desertificação em várias abordagens.Eduardo A. em geral. A terceira parte sintetiza inferências e as traduzem em conclusões e recomendações como orientações explícitas para auxiliar políticas públicas de combate à desertificação e definir ações de fortalecimento institucional considerando essas recomendações. com sentidos de crescimento e níveis. para ser uma referência de ensino. em primeiro lugar. A caracterização do problema de degradação dos recursos da terra é uma das referências para se definir fontes de dados. com indicações para o controle orientado pela importância das causas. omissa em assuntos importantes. monitora. um fim didático. na forma de um desafio para contribuir na formulação de planos e estratégias de desenvolvimento regional. segundo seja o caso. de fortalecer a integração institucional e de ampliar a participação no debate a ser orientado para definir ações e estratégias exequíveis. ilustrativo e preparado para atender. que precisa de discussão. proporcionais às contribuições de fatores causais na quantificação do problema. O documento está composto de três partes. bem definidos e com evidências no curto e meio prazos. planos e projetos no monitoramento. de perdas irreversíveis. reutilização e reciclagem. adequação e legitimação. prognostica e avalia) em perdas por erosão. articular e disseminar informações para aperfeiçoar políticas públicas. de programas. apresenta conceitos e contextualizações do problema no Mundo e no Brasil. em outros. A primeira parte. em alguns aspectos simplista e sempre bem intencionada. tanto técnico-científicas como prático-operacionais. com o propósito de xvi . Grcia c) novas informações e serviços da educação para a sustentabilidade que permita incorporar e promover o uso e consumo responsáveis e com práticas de redução. O documento é uma proposta e provocação. C. mitigação de efeitos e convívio com a seca. b) um conjunto de processos concentrados e localizados. a do desenvolvimento. o da erosão dos solos. com ajustes quantitativos preliminares para definir a contribuição de cada variável (atributo que se mede. uma proposta elaborada com viés para aspectos técnicos. Essa definição permite destacar esforços. agrupadas em: a) um conjunto de processos difusos (isto é.

participante e responsável) na criação do futuro. dessa forma. o propósito de auxiliar. ampliada pela capacitação. ampliar e enriquecer o debate de um dos temas prioritários de governos em várias instâncias da administração pública. dentro do tema proposto de combate à desertificação e convívio com a seca. também. para descobrir e se inserir em processos. segundo conceito de Capra) e ser ator (ativo.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas contribuir em cursos como os de capacitação e educação ambiental: habilidade. cumprindo. xvii . Por essa incitação. como processos (não são instrumentos fixos nem modelos) preparados e orientados para esse combate. É. de conexões – interrelações nem sempre explícitas (pensamento sistêmico com o desenvolvimento da teoria da complexidade ou dinâmica não-linear. em lugar de simples e omisso expectador que observa como se perdem riquezas naturais essenciais. o da desertificação ambiental e humana: sua prevenção e controle com o engajamento consciente e responsável de comunidades em políticas e planos. alguns de ajustes e mudanças. espera o maior número de críticas e sugestões. um documento que incita à reflexão em termos de como se preparar e agir.

deveria ensejar (uma atitude racional. por vezes irrecuperáveis. Ban Ki-Moon (informe na 1ª. Planos e políticas devidamente orientadas para gerar resultados com efetividade (proporcional ao empenho na preparação e desenvolução) no combate à desertificação e amenização dos efeitos das secas em comunidades vulneráveis de terras secas. zonas e áreas de mais de 110 países em todos os continentes e mais de 1. os mais vulneráveis e os de menores capacidades e recursos para o combate. set.0 bilhões de pessoas que vivem em terras secas. A desertificação é um fenômeno que se refere a um processo de mudança ou. xviii . frágeis e facilmente desertificadas. Grcia 2 DESENVOLVIMENTO nível avançado e crítico de desertificação. durante as duas últimas décadas. era um dos mais graves problemas do meio ambiente. Transformações com elevados passivos ambientais. reunião de cientistas da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação. UNCCD. classificadas como pobres. tanto em escala mundial como regional. o resultado final de processos de mudanças que afeta tanto países e regiões desenvolvidas como países e regiões em desenvolvimento. em especial. de matas e terras com potencial produtivo. na transição para o novo milênio. governos e setores públicos e privado. os que carregam o “peso” de mudanças dessas transformações. conforme dados das Nações Unidas/ UNESCO. afetando em torno de um terço do total das terras do planeta. segundo informações do secretário das Nações Unidas. 23 de 2009). C. de forma grave. Um fenômeno destrutivo de riquezas potenciais e de ativos naturais dos recursos da terra. capaz de superar ou de ameaçar superar ganhos do desenvolvimento e desestabilizar sociedades por afetar. diante o desafio) uma ação conjunta e integrada de todos e em todos os níveis. dentro de um contingente de aproximadamente de 2. A desertificação nesses níveis e escalas de extensões e perdas. discutidos e legitimados por todos. em terras inférteis e recursos hídricos poluídos e reduzidos que perderam seu potencial econômico e se orientam para a desertificação. porem. provocou perdas estimadas em 24 bilhões de toneladas de solos férteis por anos. comunidades. por vezes irreversível.2 bilhões de pessoas. aquelas que abrigam os mais pobres. O Um processo de degradação em terras férteis que.Eduardo A. segundo outro conceito. com seus correspondentes desafios. em Buenos Aires. Um problema preeminente. de solos férteis e recursos hídricos com qualidade em sistemas simplificados com reduzida ou sem diversidade biológica. com programas e planos propostos. os passivos decorrentes da artificialização de ecossistemas em zonas secas. com variações (escalas e intensidade) nas transformações de florestas nativas com biodiversidade por vezes não conhecida e em geral não-valorizada.

semiáridas e subúmidas secas. Nessas zonas. 2007 e 2008).5 bilhões de pessoas. situações graves. por causa de estiagem que afetaram a produção agrícola. em especial. “depende diretamente de solos que estão sendo degradados” e que. São prejuízos (perdas valiosas). incalculáveis. de forma significativa. como conseqüência dessa degradação. teria migrado do sertão nordestino. durante o período 1970 a 2005. São fatores que em geral contribuem para que as terras xix . Configuram-se.0% das terras agrícolas. definidas por: a) A degradação ambiental (efeito significativo e determinante da migração humana). compreende “o declínio em longo prazo na função e na produtividade de um ecossistema” ix. perdas da biodiversidade. a migração da população. que. A degradação do solo. de 31 ago. na economia e no meio ambiente. segundo o Centro de Estudo Refugiados (2008). a partir desses fenômenos. com maior freqüência e intensidade. Para o caso do Brasil. de 1981. com incidência em mais de 20. Essa queda se intensificou. índice que define. tem sido definida como uma crise silenciosa. as chamadas de terras secas. 6938.65. portanto uma causa na dimensão ambiental. em torno de um quarto da população mundial. c) As mudanças climáticas com impactos negativos dessas variações na população. essas zonas como muito vulneráveis e frágeis.0 milhões de pessoas.05 e 0. Aproximadamente 1. . em gravidade e extensão. caracterizado pelo empobrecimento da capacidade de renovação biológica da terra e por perdas de produtividades bioeconômicas que ocorrem. segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO. respondem por quedas de produtividades e produções agrícolas e pecuárias significativas e por migrações de produtores de seu meio rural. apesar de ter sido definido como importante instrumento da política do meio ambiente brasileira (pela Lei no. sem o necessário atendimento em intervenções humanas. econômicos e sociais e onde predomina a pobreza.a desertificação. em zonas áridas. 30. acusando-se na elevação de problemas como os da pobreza e desnutrição.0% das florestas e 10. entre outras. por inseguranças alimentares e por significativas. também. nas últimas décadas do século passado. em torno de 60.0% de toda a superfície. e adotado como objetivo da Política Nacional de Controle da Desertificação). como síndrome de diversas carências. afetando comunidades que vivem às margens de domínios ecológicos.0% das áreas de pastagens no mundo. aproximadamente 37. b) O “ordenamento” territorial insustentável dos recursos da terra . segundo a FAO (2008). São fenômenos de degradações responsáveis. no processo de desertificação. que determinam. na capacidade produtiva do solo e na qualidade– disponibilidade de água nesses locais. recepcionado pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. a razão precipitação anual / evapotranspiração potencial está compreendida entre 0.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Um problema.

Parte da evidência dos efeitos negativos da desertificação está na perda de cerca de 6.0% com baixa capacidade de sobrevivência. é a degradação de aproximadamente 3. em aproximadamente 22. No Brasil. inadequados às realidades locais.Eduardo A.0% da superfície total (51. sejam. No caso do Nordeste. Têm-se registros e. revela que a principal causa da degradação do solo é a má gestão da terra. de 2008.0% de áreas secas com alto potencial de irrigação e alta densidade demográfica. financiado por Global Environment Facility. A evidência do impacto da desertificação. áreas desertificadas no mundo. Minas Gerais. semiáridas e subúmidas secas.0 a 80. portanto. de acordo com Magalhães (2007). afrontam 75.3 milhões de km 2 da área total de campo: 73. entre outros. Paraná. O estudo da FAO Avaliação da degradação do solo em zonas áridas. em estados como os de Rio Grande do Sul. substituição da vegetação nativa por outras típicas de zonas áridas. tais como: muito alta (24.3% da área total susceptível de 980.5% da área total susceptível) (PROGRAMA DE COMBATE À DESERTIFICAÇÃO E MITIGAÇÃO DOS EFEITOS DA SECA. São Paulo e xx . salinização e aumentos de fatores que levam à redução na capacidade de suporte para manter a população. com várias categorias de susceptibilidade. mais incertezas para a agricultura de sequeiro e crises sociais devidas às secas mais frequentes e severas.72 milhões de km2) e 70.0 mil km2 por causa do sobrepastoreio e da salinização de solos por irrigação com praticas e tecnologias impróprias às condições locais e usos intensivos dos recursos da terra.0% de queda na fertilidade dos solos de áreas secas. São terras com riscos de desertificação em aproximadamente 33.7% da superfície total do território. alta (39. com relativa facilidade e notável rapidez. a má gestão dos recursos da terra. poderão representar impactos como decréscimos na disponibilidade de água. Os países em processo de desenvolvimento e mais afetados pela pobreza e fome. dos recursos hídricos. áreas áridas e semiáridas) e moderada (36. não se limitam às regiões semiáridas ou subúmidas secas do Nordeste.0% dos danos potenciais das mudanças climáticas. IICA. sob pressão antrópica e formas de uso e manejo inadequados. são terras que correspondem a aproximadamente 15.0% da produção de alimentos do mundo. além da capacidade de suporte de ecossistemas e manejos. C. Grcia áridas. 47. junto com a difusão da pobreza. É oportuno esclarecer que as áreas susceptíveis à degradação dos solos. tais mudanças.7 mil km2). da vegetação e biodiversidade e à redução da qualidade de vida de populações afetadas pelo fenômeno.0% das terras sujeitas a esse processo.2% do total da área susceptível. terras agricultáveis sujeitas à desertificação. por vezes com melhores avaliações desses processos negativos. e 30. segundo o Informe do Desenvolvimento Mundial do Banco Mundial para 2010. 2008).00% de todas as terras das zonas áridas. Essa causa se destaca pelo fato de as terras secas serem responsáveis por aproximadamente 22.

tais como: desertificação. que procura mostrar a necessidade de entendimento do problema. Para facilitar a comunicação e entendimento do texto se apresentam. com viés ou certo enfoque para a questão técnico-científica. de conceituar. da comunicação e do conhecimento. complexidade e dinâmica ambiental. diversos conceitos baços diretamente relacionados com o assunto (omitindo-se. com frequência. combate à desertificação. preâmbulo de outros.tecnológicas e se limita a um número reduzido de assuntos. participação social em todos os níveis e cenários do semiárido para orientar boas práticas e sustentar diretrizes e instrumentos de políticas públicas que. . agricultura sustentável. conservação e manejo dos recursos da terra. por vezes eventualmente provisório e. públicas e privadas.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Rondônia. erosão dos solos. desenvolvimento sustentável. define-se o conceito como sendo uma entidade abstrata do pensamento. pela concisão e clareza do texto uniformizado sobre uma base.a conceitual. A explicitação ou desdobramento de conceitos relacionados em estudos da desertificação é orientado para questões técnicas . facilita o entendimento. 2. Admitindo-se a má gestão dos recursos da terra como principal causa da degradação do solo e esta como o principal fator da desertificação (omitem-se as controvérsias). com detalhes e sugestões (parcerias) obtidas de organizações e instituições. Daí a sua importância e a necessidade de se explicitar. Este documento. nesta publicação. de um evento ou fenômeno a ser destacado por determinados atributos representados pelo conceito ou uma relação entre variáveis de uma proposição. o da desertificação. Uma entidade utilizada para designar uma categoria ou atributo de algo. a seguir. independente da linguagem. colocase em evidência desafios do Ipea como os de organizar uma rede de produção em novas bases da sustentabilidade e de gestão pública de conhecimento. escolhem e apresentam conceitos. também. a acenar para ações de proteção e de conservação e manejo dos recursos da terra. em qualquer documento técnico. sintetiza o esforço de coleta. sistematização e análise de dados em um campo. gestores e políticas públicas no combate à desertificação. dentro da amplitude. Em posteriores publicações do Ipea. plano de convivência com a seca. degradação dos recursos da terra. O conceito. serão apresentados novos documentos com semelhante propósito de auxiliar planejadores. entre outros.1 Conceitos e Contextualizações Pelo cumprimento às exigências de um propósito didático proposto neste documento. portadora de significados. as controvérsias conceituais: é apenas uma referência situada em determinado contexto). xxi .

análise e síntese de dados. diferenciando-se de enfoques tradicionais não apenas pelo tratamento isolado de cada componente. ao fenômeno da desertificação. com freqüência. Os diversos enfoques e. de atividades humanas inadequadas para o local ou região e que é influenciado por variações climáticas. que resulta de ações (as que se definem como sendo predatórias ou que excedem à capacidade de suporte e recomposição de ecossistemas) de vários fatores. em especial. semiáridas e subúmidas secas. de degradação dos recursos da terra (sistema bioprodutivo terrestre que compreende o solo. a vegetação. ainda que de forma implícita. na inferência e apresentação de resultados sistematizados em conceitos como os da ABNT e ISO. socioculturais econômicos e político-institucionais. outros componentes da biota. C. as chamadas “terras secas”. destacada em regiões ou zonas áridas. um processo que resulta. o da Convenção. São fatores como os físicos. seja da ação conjunta de fatores ou de atividades humanas influenciadas por variações climáticas. segundo a visão da Convenção das Nações Unidas de combate à Desertificação x Conforme outros enfoques. com seus maiores impactos na diversidade biológica e em perdas da capacidade produtiva dos ecossistemas. 2. em especial e como síntese e final de uma cadeia de destruição. incluindo.Eduardo A. as variações bioclimáticas (“induzidas” ou potencializadas por atividades antrópicas) e as atividades humanas insustentáveis. prioritariamente. demográficos e institucionais. como resultado. associados. conceito de terra segundo a Convenção) e. a degradação humana. além de processos ecológicos e hidrológicos desenvolvido nesse sistema. a abordagem sistêmica e integradora de um conjunto de elementos em um componente e de diversos componentes em um sistema. Grcia A metodologia relaciona outros conceitos e desdobramentos como os de indicadores e os pertinentes às técnicas e métodos utilizados na coleta. entre eles. destacam.1. o da desertificação. Esse resultado. é um da degradação dos recursos da terra que transforma florestas e solos férteis em áreas desertificadas (com o xxii . Um processo. simultaneamente. biológicos. mas por incorporar processos como os econômico-sociais. agindo isoladamente ou.1 Desertificação: o problema central A desertificação pode ser definida como um processo de destruição ou de perda do potencial produtivo da terra.

rompem tais equilíbrios porque superam. porque os usos e manejos de seus recursos não atendem às características (como. na visão econômico-ecológica. reduzem ou eliminam as condições de vida nesses ambientes. entre outras. à capacidade dos organismos se adaptarem ao novo meio. ainda. principalmente. exigentes por técnicas – tecnologias e práticas de proteção e manejo que. p. com fluxos de bens e serviços ambientais excedentes limitados ou. xxiii . os de sustentabilidade) as artificializações e incorporações desses ambientes aos sistemas produtivos. em muito. desertos) e onde os elevados níveis de hostilidade limitam. escassez de água e biota adaptada às condições do meio alterado) e. ainda que não intencionalmente. Mas. As atividades humanas. realizadas sem cuidados de proteção e conservação. em “terras secas” de ecossistemas frágeis e com “limitadas” capacidades de recomposição de suas fontes. da vegetação típica de caatinga por vegetação de zonas áridas) associadas às simplificações de ecossistemas e às perdas de suporte ambiental para atividades humanas. humanas) como de substituições (p. São ecossistemas. à capacidade de suporte (poucos excedentes de recursos naturais.ex.. São desequilíbrios com graves implicações (efeitos) que se manifestam pelo desaparecimento (riscos. Essas “orientações” provocam impactos ou alterações em processos e dinâmicas que caracterizam os ecossistemas como susceptíveis à desertificação. genéticas e ambientais: processos que se acompanham e refletem harmonias e equilíbrios alcançados no transcurso de longos períodos de evoluções e adaptações. configuram-se causas que levam à desertificação. em um ou outro enfoque e com impactos negativos sobre o meio ambiente. a acelerada velocidade de simplificações ou artificializações excessivas e a intensidade do processo de degradação dos recursos da terra.ex. As adaptações de plantas e animais que sobrevivem em ambientes especiais como os do semiárido e subsumido estão (são) determinadas por características. grandes variações e irregulares distribuições de “normais” climáticas. orientam-se para provocar a desertificação.. Isto.ex. migrações e substituições: perdas da biodiversidade e riquezas naturais. solos pobres em matéria orgânica. reservas e ciclos. em ausências delas.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas tempo. Nas práticas frequentes de simplificações. sem “suportáveis” excedentes. perigos ou ameaças de extinção de espécies). No semiárido nordestino há evidências tanto de migrações (p. em particular. de usos e manejos de ecossistemas do semiárido. limitam (deveriam limitar ou até impedir com base em critérios. os das terras secas. da desertificação. dado o estado das artes e ciência tecnologia para evidenciá-los com sustentabilidade. dado o instável equilíbrio interno desses sistemas) desses ecossistemas.

ao solo da região e que ao não considerar riquezas naturais.. e) A mineração desenvolvida sem adequados critérios e com a utilização de recursos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana. Em alguns casos. com danos muitas vezes irreversíveis no meio ambiente. é o extrativismo vegetal e mineral.ex. processos e comprometem reservas e fontes de recursos naturais como as de águas.. sem preços nem mercado) no suporte a um excedente econômico.Eduardo A. Grcia São diversas as atividades de simplificações ou artificializações a que são submetidos. destroem nichos. endemismos e fatores indispensáveis (no conceito de “demanda derivada” de bens ou serviços indevidamente considerados livres. sobrepastoreio.0 a 14.5 ha / caprino. tem experimentado significativos e evidentes aumentos da densidade populacional de 50. b) A introdução de novas espécies de monocultura de plantas cultivadas e proliferação “anormal” (apenas para a atividade. alteram ou eliminam importantes habitats. uma das causas mais importante.ex. provocada pela simplificação.0 ha / unidade animal de bovino ou 1. no ecossistema.. associada ao desflorestamento.0 a 1. modificam condições indispensáveis para a manutenção e expressão da biodiversidade (p. A capacidade de suporte da Caatinga de 8. além da destruição. a introdução de novas espécies.0% ou mais. relaciona-se com o desenvolvimento de culturas de exportação que não estão devidamente adaptadas ao clima. com a extração intensiva de plantas medicinais e de vegetais fontes de alimentos) e de riquezas culturais (p. destroem a base ou sustentação dessas mesmas culturas. c) As queimadas indiscriminadas que alteram ciclos. No caso da desertificação no Nordeste. xxiv . os ecossistemas de térreas secas. ainda que sem uma base técnica. rompem cadeias alimentares. para o agente econômico que faz essa introdução) de espécies de insetos nocivos: ciclo curto dos cultivos introduzidos e que substituem a vegetação nativa. C. e da caça e pesca excessiva) de ecossistemas em níveis que excedem à capacidade auto-regeneradora desses sistemas naturais. d) As sobre-explorações (p. abundância de alimentos e ausência de predadores das “pragas”.ex. tais como: a) O desflorestamento e desmatamento desordenado e praticado sem critérios técnicos consistentes (para as condições locais e regionais) que interfere no equilíbrio ecológico. porém mantida e tida no limite de tolerância (?. com frequência. em geral. o desflorestamento que desqualifica a identidade natureza – homem e parte de saberes tradicionais) com prejuízos. a intensidade na exploração agrícola e pecuária. suposto ou admitido). habitats. não-compensados pelos ganhos tecnológicos na produtividade agrícola e em outras intervenções humanas que realizam tais práticas com impactos ambientais negativos.

com a liberação de subprodutos responsáveis pela Natureza física do Taxa de local poluição e com as mudanças Degradação Função Intensidade de uso climáticas: esse é o sentido da “trilha” Forma de manejo que encurta o tempo para a desertificação. ocorre a detenção no Área não-degradada: Jaguaribara (CE) tempo. Figura 1) em um “estado” culminante de degradação dos recursos da terra. de caça e pesca). é determinada pela intensidade de uso e as formas de manejo.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas f) As atividades ceramistas que utilizam lenha retirada da caatinga e emitem poluentes na atmosfera (p. riachos. se tudo se transforma e é auxiliado por atividades antrópicas. OLIVEI-RA e BEZERRA. erosão laminar. uma área não degradada de Jabariguara. São simplificação e mudanças de cenários primários com perdas de características geoecológicas que se traduzem em perdas econômicas e sociais. além de alterações da dinâmica dos solos e da biodiversidade (TRIGUEIRO.ex. açudes etc. entre outras consequências da simplificação da Caatinga. para ambientes abióticos empobrecidos e sem água (sem capacidade para manter a biota original que é substituída nem um excedente econômico de água. acelera-se esse processo e se rompem equilíbrios dinâmicos. óxido de nitrogênio etc.). (p. neste caso.. CE. de hábitos de consumo e de formas de manejo. ocorre com o uso (intensivo e além da capacidade de suporte ambiental) de práticas e técnicastecnologias inadequadas de produção. Jaguaribara (CE) Figura 1 “Trilha” da degradação que leva a desertificação . da trilha que representa xxv Trilha Área degradada. 2009). dióxido de enxofre. a paisagem e provocam mudanças de ambientes bióticos com determinadas riquezas dominantes na Caatinga.. atividades que poluem fontes de água e com a extração de argila (em locais de várzeas. da desertificação ou de um estado muito próximo dela. quando alterarem. de forma significativa. O auxílio. Um estado irreversível que provoca ou favorece desequilíbrios de sistemas naturais como os dos ciclos hidrológicos e climáticos. poucas décadas depois. Essa “trilha” representa uma nova dimensão temporal O tempo pode ser medido pela capacidade de transformação da matéria: sem transformação.ex. favorecem a desertificação quando aceleram ou incentivam processos como os de erosão geológica (desertização). nas exageradas simplificações ou artificializações de ecossistemas da Caatinga. As atividades humanas. de vegetação. A “trilha” frequente da degradação que leva à desertificação ao transformar um estado natural inicial.) desmatam e degradam o solo.

agindo nos fatores e condições que definem a trilha de desertificação. procedimentos e técnicas de usosutilizações indevidas e de práticas de manejos inadequadas de recursos como água. mediante: a) Substituição criteriosa e oportuna de formas. um espaço para empresas como as de pesquisas e institutos como os de auxílio à formulação de políticas públicas contribuírem para o desvio. pode ser reduzida. agindo com efetividade em fatores controláveis (atividades humanas) que levam à degradação e eliminar a potenciação de efeitos negativos como os de variações bioclimáticas: é. no processo de degradação ambiental ilustrado na figura acima. da pressão sobre o meio ambiente. monitoramento e controle. C. Técnicas e procedimentos de conservação e manejo integrado. testadas e adequadas às condições físicas como. para agirem. A desertificação é considerada como um dos problemas mais graves do meio ambiente. p. no início do novo milênio. antes de tudo. É preciso identificar nós e elos. quando convenientes) experiências e saberes tradicional. nessa proposta.Eduardo A.ex. com objetividade e efetividade nos componentes causas que definem essa trilha. Grcia o aumento de perdas ambientais. as de disponibilidades de águas combinando diversas fontes desses recursos. romper esses ciclos e espirais. um problema que passou a ser internalizado (?) no Brasil em 1988. a iniciar ou acelerar com os melhores endereçamentos para a educação socializada. em níveis (riscos) toleráveis (os mínimos. com base nesse conhecimento. inter-relações (internas e externas) e dinâmica. Devem ser alternativas que incorporem critérios técnicos “facilmente” adotáveis por terem viabilidades técnica. São impactos mais ou menos graves que podem levar à desertificação em maior ou menor tempo: detê-la é um compromisso de todos. A taxa de deterioração. mais de um bilhão de pessoas de regiões áridas. econômica e operacional. Surge. semiáridas e subúmidas secas do mundo. retroalimentadas em ciclos ou espirais perversas. ineficiências e efeitos negativos ou consequências das práticas de uso e manejo atuais e. baseado na racionalidade e efetividade de instrumentos definidos e integrados em políticas públicas. o ideal seria eliminálo). xi decorrente da degradação do solo (dos recursos da terra) que afetava. Um problema complexo e dinâmico composto por diversos ciclos e/ou espirais e onde efeitos de uma fase podem ser causas de outras. um processo de prevenção. conscientização e responsabilidade – comprometimento de todos nesse combate. Alternativas que possam utilizar (incorporar. de forma negativa. afetando-o. no combate às causas da desertificação. caracterizá-los e. buscar alternativas para se realizarem tais substituições.. com propostas “consistentes. A condição para fazer essas substituições é conhecer as deficiências. redução ou eliminação de fatores e condições da degradação. em termos de quantidade e qualidade e características xxvi . em sua estrutura. solo e vegetação.

b) Eliminação de tecnologias impróprias como as de irrigação. diversos critérios.ex... alterações físicas do solo. dos impactos das tecnologias no meio ambiente e de necessidades de suas substituições deve ser utilizada para orientar a busca de alternativas dessas tecnologias. cit..ex. é preciso definir as impropriedades ou os impactos negativos das tecnologias. e. c) Períodos de pousios insuficientes (muito curtos ou épocas na adequadas). por: a) o enriquecimento [reintrodução] de espécies nativas e pela recuperação e manutenção da biodiversidade de componentes florísticos em áreas degradadas.ex. econômicas e socioculturais desses ambientes. A semelhança do caso anterior. Parte dos estudos das consequências. pelo crescimento da pobreza urbana devido às migrações. pela diminuição da qualidade de vida.organização. As consequência de técnicas. poderá combinar períodos de descansos com formas de manejo como as de pastoreio. como unidades produtivas. segundo Trigueiro. dadas as condições locais e regionais não atendidas com essas tecnologias.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas físicas e químicas dos solos.. além de se integrarem aos aspectos socioeconômicos locais e regionais que possam se relacionar com as substituições de usos e manejos. também. dadas as condições físicas. Na suficiência de atendimento. recuperação. ao aumento da poluição e aos problemas ambientais urbanos provocados por essas migrações. Oliveira (op. observando a preservação do componente arbóreo nativo. no local.aeração. salinização dos solos) e custos de perdas.). e. A mudança (redução ou eliminação) da taxa de degradação ambiental pode ser alcançada. entre outras. as dos sistemas de irrigação e drenagens com a salinização). pelo abandono das terras por partes das populações mais pobres. composição e interação de sistemas) reservas como as de nutrientes dos solos e biomassas de espécies nativas e disponibilidades sazonais de águas. rotações de culturas e plantios diretos. considerando-se. c) xxvii . nessas estimativas. consequências (p.a alternativa para reduzir ou eliminar esse fator de deterioração. os sociais e ecológicos. em especial. . além dos econômicos de prevenção. A insuficiência de um período de descanso e recomposição deve ser considerada à luz de indicadores e condições locais e regionais para. repor (pela atividade cíclica em cada caso) e manter (conforme indicações dadas pela estrutura . . seja de maneira direta ou indireta. as de inundações de áreas mal drenadas. a desorganização de cidades. etc. p. pela desestruturação das famílias. em termos de (relação preliminar): bases “técnicas” (p. b) com a aplicação de técnicas de cultivo mínimo e de raleamento quando necessário. Trata-se de uma orientação de especial utilidade em delineamentos de políticas de pesquisa e extensão. aumento da mortalidade infantil e diminuição da expectativa de vida dessas populações. procedimentos e tecnologias impróprias se manifestam.

O atendimento a tais exigências impõem outras como as de bases de dados “consistidas” e novas abordagens como as sistêmicas. o papel da educação ambiental: mudanças de hábitos e orientação do produtor e de comunidades para adotarem princípios de convívio ambientalmente sustentável. tais como ( Quadro 1): saúde (saneamento básico) para a preparação na educação e educação para garantir a saúde (esse serviço básico). dinâmicas e de riscos. competências e oportunidades de todos os envolvidos e interessados) detalhado e criterioso aprofundamento em seus aspectos teórico-científicos e metodológicos necessariamente adaptados e aplicáveis às condições ambientais. institucionais (regionais) e econômicos (desde locais até globais em mercados conectados). os de vantagens do conhecimento e da tecnologia para a proteção. regionais e globais). o binômio saúde . em especial. manejo integrado e valorização internalizada na conservação. Quais são esses princípios? Do ponto de vista tecnológico em sua real dimensão e significado. tais como: climatológica. d) pelo uso racional e a conscientização de que é necessário preservar ambientes e condições para as futuras gerações. entre outras não menos importantes. biológicos (locais e territoriais). de moradia. conservação). uso sustentável (vale dizer. Exigências para romper abordagens de análises e interpretações temáticas. entre outros. pedológicas. evidenciando. Grcia pelo aprimoramento tecnológico da agricultura de sequeiro. dinâmicos e de “naturais” ou lógicos desdobramentos e ciclos. segurança alimentar etc. A degradação da terra é um problema em escala mundial que requer (exigências.Eduardo A. de habilidades. com isso. biológica e antrópica ou de apenas conteúdos tecnológicos. São exigências como as de entender impactos. e. tratando-as em contextos sistêmicos interdisciplinares.). hidrológica.educação para se ter justiça social (inclusão social e oportunidades de trabalhos. socioculturais (locais e regionais). no tratamento e formulação de planos. desdobramentos e complexas interações de fatores físicos (locais. socioculturais e econômicas do local ou região. C. Quadro 1 Sequência e inter-relacionamento de componentes em abordagem sistêmica Interdisciplinaridad e saúde  educação saúde  educação  justiça social saúde  educação  justiça social  médio ambiente xxviii Dinâmica saúdeeducaçãojustiça social médio ambiente  desenvolvimento sustentável .

para identificar áreas que ficavam parecidas com desertos: “para expressar a regressão da selva equatorial africana pelo corte abusivo. ainda que com diversidade de enfoques e interpretações de fatos. incêndios e roças para a transformação em campos de cultivo e pastiçais. as associações e interações de fatores.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Os impactos e ameaças. COUTINHO E SELVA. por vezes característicos de cada local ou região. os inter-relacionamentos de pobreza. aos comportamentos de agentes ou às ações de controle: são os cenários) para compreender a desertificação. complexos e dinâmicos. na Figura 2. Projeções preliminares apontam tendências de maiores variações climáticas para regiões áridas e semiáridas: épocas de inverno com muita chuva e épocas secas com xxix . manejo e acesso aos recursos naturais. 2006). caso não sejam tomadas as devidas medidas) com tendências e projeções (previsões de agravamento ou de solução do problema da desertificação associadas às mudanças climáticas e às perdas da diversidade biológica. O problema da diminuição ou da destruição do potencial biológico dos recursos da terra que pode levar ambientes a condições semelhantes a desertos está associado com outros problemas não menos graves xii com inter-relacionamentos. a erosão hídrica. desertificação e degradação dos recursos da terra. variando desde ocorrências de fenômenos que definem secas até processos institucionais. A comunidade científica aceita. por vezes de causa e outras como efeito. século XX. as causas e projeções da desertificação possuem origens e desdobramentos diferenciados ou diferentes. de infraestrutura e organização e de uso. em função de naturezas e situações específicas de ecossistemas naturais. com os hábitos de consumo que provocaram a degradação da capacidade de resiliência do ecossistema. que afetou o homem nos níveis registrados no presente e que poderão se agravar no futuro. citado por CAVALCANTI. o resultado dessa prática não era outro senão a exposição do solo. conforme se indica. de forma simplista. no final da década de 40. inclusive com fontes variáveis de dados. O termo desertificação surgiu. da desertificação com a perda da diversidade biológica e com as mudanças climáticas. eólica e conversão de terras biologicamente produtivas em desertos” (AUBRAVILLE. Na perspectiva de sequência e inter-relacionamento de componentes é preciso combinar elementos da história – evolução ambiental no local ou região (como surgiu o problema com os processos de ocupação e uso econômico.

As Nações Unidas. são “fatos.. 2008). são manifestações notáveis que aparecem na África e na América Latina (NOBRES. Inclusão do xxx ABORDAGEM Integrada [sistêmica].). de determinados setores e países e pelas implicações que se depreendem com a internalização de passivos ambientais em contabilidades públicas e privadas desses atores. com a participação da população e de comunidades (. Essas variações. AÇÕES Elaborar e implementar um programa de ação nacional de combate à desertificação. Um programa com flexibilidade para se ajustar às mudanças. Grcia maiores secas. Acrescenta-se o fato de determinados acordos e mercados internacionais estimularem a sobre-exploração de recursos da terra que levam ou favorecem à desertificação. considerando aspectos físicos. biológicos e socioeconômicos do problema para acenar nas ações de solução. COMBATE À DESERTIFICAÇÃO E AOS EFEITOS DE SECAS RECOMENDA Recomenda a criação de sistemas de alerta precoce e a preparação da sociedade com planos de contingências para lidar com a seca.Eduardo A. entre outros. cooperações e coordenações. e os países ricos e desenvolvidos. através de suas representações econômicas e políticas nesses fóruns. dados e projeções” questionáveis e até “rejeitáveis”. OBJETIVOS Combater a desertificação e os efeitos da seca. C. com parcerias.. por “conveniências” e acomodações com viés. por acordos. respondem com grande defasagem (à despeito de fatos e evidências das consequências da desertificação no econômico. apesar da polêmica ter sido “aparentemente” resolvida quando aprovada a Agenda 21 e acordada a sua implementação na Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação. ações e estratégias de combate à desertificação. . no social e no ambiental) e se “recusam” em acatar compromissos e a se comprometerem a alcançarem metas que possam reduzir causas como as de mudanças climáticas. mediante suas convenções que pactuam. de perdas da biodiversidade e das desertificações ambiental e humana. Entretanto. com ênfase em medidas preventivas e com possibilidades de revisões periódicas. em abordagens consistentes com a Agenda 21 PROBLEMA Identificar fatores contribuintes * à desertificação e definir-especificar obrigações ** dos envolvidos (…). em função dessas “conveniências” e acomodações.

mas pelas interações e sinergias desses elementos ou variáveis. com possibilidade para acenarem.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas A definição da desertificação tem como base a proposta apresentada na Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e “acatada”. entre outros o Brasil. que tal incorporação. as relevantes. no local ou região e as interações. possa ser socializada e acrescida de novos valores com os conhecimentos adicionais.as de saberes e experiências de comunidades no combate à desertificação e convivência com a seca em planos. em tese. pelos países signatários. valorizada e legitimada. de objetivos e meios necessários para serem alcançados. evoluções (históricas) e perspectivas socioculturais de comunidades vulneráveis ou susceptíveis à desertificação. Estabelece-se como hipótese. a busca de fontes de dados na complementação do estado inicial de conhecimentos. A caracterização e análise de causas não apenas pelos efeitos diretos. com desdobramentos e ênfases. tais como: a) A definição da desertificação pelas suas causas. b) A incorporação de saberes tradicionais. os de convivência –ajuste ao meio e de gestão e ordenamento do território) e definir brechas para que tal incorporação. as significativas. de fatores naturais e antrópicos que determinam a complexidade e dinâmica desse fenômeno. dá xxxi . entre outros. em aspectos. com objetividade. A incorporação de intangíveis como saberes e experiências de comunidades no convívio com o semiárido e em políticas de combate à desertificação requer o necessário conhecimento desses ativos (precedida do resgate e valorização de sistemas tradicionais. .

Em muitos casos são fatores de incertezas como as que ocorrem em projeções de causas e efeitos em horizontes de curto. na tomada de decisão e em políticas públicas. pela acumulação de gases de efeito estufa. Por vezes. o comprometimento da sustentabilidade de fontes do meio ambiente como sistema de suporte à vida. d) Os fatores de riscos no planejamento. com a instituição da cobrança do uso de recursos hídricos. Recursos valiosos. oportunidades para rompê-los e evitar retro-alimentações viciosas. C. elos críticos. Essa permissão favorece ou se orienta para a sobre-utilização que responde por externalidades cruzadas negativas e implica.ainda mais distante. do uso comum de recursos naturais. são dominados por incertezas que favorecem efeitos negativos como os de mudanças climáticas originadas. Reconhece-se que são estruturas sedimentadas e com lastros históricos e socioculturais e onde esforços de mudanças encontram grandes resistências por parte de setores influentes e dominantes. xiii Mas. em tese. porém sem preços nem mercados e com acessos.do valor de bens e serviços ambientais. omitidos em planos de combate a desertificação e convivência com a seca. Grcia legitimidade à ação política e facilita a definição e implantação desses planos quando neles se identifiquem poderes e desejos sociais. Contudo. na gestão integrada. e de internalização desse valor em atividades produtivas. que favorecem a exclusão social e a sobre-exploração de recursos com a concentração de recursos e benefícios. não há razões nem desculpas para ignorá-los. dominadas e concentradas por setores. seja como provável (riscos) ou como xxxii . médio e longo prazos. de uso comum e disponibilidade ilimitada para bens escassos e com valor econômico. em geral. como as de posse da terra e recursos hídricos. É relativamente claro para. por parte da teoria econômica que tem permeado políticas e comportamentos de agentes econômicos. em parte. dada a gravidade e extensão do problema. e adotar a procedimentos simplistas ou relações estáticas e bem definidas. no longo prazo. os recursos naturais passaram. permitidos a todas as atividades econômicas. em alguns casos. no contexto da pesquisa e a ciência. os processos de reconhecimento. que o potencial de mudança climática é muito grande e que a omissão ou o desinteresse para tratar o assunto relacionado com a desertificação. por vezes.Eduardo A. . . como é o caso da água. são estruturas institucionalizadas. quando possam interpretar a vontade popular e a ação comunitária integrada – potencializada nesses planos. Grande parte das incertezas está associada à consideração. c) A natureza dinâmica e complexa da desertificação que em seu componente antrópico responde aos arranjos que se fecham em ciclos ou se mantém em esperais e onde é preciso encontrar pontos de tensão. No contexto de “bens livres”. devido às dificuldades de representar a dinâmica e complexidade desses processos.

com redução. também. graves problemas ambientais. mesmo com incertezas. com queda na produtividade. na biodiversidade. Por isso. aumento da área semiárida e avanço da mata seca em áreas de Ceará e Bahia. com a extinção ou ameaça de extinção de espécies. O problema da desertificação pode ser muito mais complexo do que a ação combinada de fatores naturais e antrópicos em determinada região ou local em desacordos com a capacidade de suporte e com acentuados desequilíbrios em processos naturais. socializar evidencias empíricas que foram fortalecidas nos últimos anos acerca de mudanças climáticas pela acumulação de GEE provocada por atividades humanas e com prováveis efeitos na elevação de temperatura. tais como: aumentos de temperatura e decréscimo associado de água no solo. mudanças no padrão de chuvas.ex. Desse ciclo. poderão ser feitos ajustes e correções necessárias. perda de biodiversidade com a extinção de diversas espécies.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas possível (incertezas). erodidas para manter a renda. A mudança climática está associada à maior evapotranspiração potencial (feito da elevação da temperatura) o que se traduz em “normais” de chuvas menores e mais “erráticas” sua distribuição. baseadas em novos dados e evidências. em estágios avançados. um é considerado: xxxiii . com danos e riscos pelo aumento da incidência de doenças efeitos e relacionamentos importantes. de forma significativa. alteração do sistema climático com diversos impactos no Nordeste: na agricultura. A mudança climática e a desertificação são dois aspectos. de fatores naturais (objeto de gestão integrada) e antrópicos (objetos de conservação e manejo integrado) é. provocará conseqüências negativas para todos. com fieis e consistentes indicadores. Gerenciar esses fatores implica conhecê-los e nessa tarefa é destacado o papel do Ipea para. e na saúde humana. e tendência de quedas na produtividade de alguns cultivos agrícolas com implicações graves na segurança alimentar em determinados setores da população. e) Os relacionamentos. Um resultado “inicial” é a menor produtividade agrícola e pecuária que pressiona para incorporar novas áreas da caatinga a serem desmatadas. p. A desertificação ilustrada na Figura 3 com o processo de erosão dos solos. Poderá compreender. com substituição da vegetação do semiárido por vegetação típica de zonas áridas.. conforme se ilustra na Figura 3. é preciso construir cenários e fazer projeções para planejar e agir no combate à desertificação: durante os processos. em reservas de água. complexos e estreitamente interrelacionados de um mesmo problema e tais fenômenos requerem ações e estratégias combinadas para o controle. com o destaque de uns poucos exemplos de ciclos e interações. ações e estratégias do combate. O relatório do IPCC (2007) projetou para a América Latina alguns impactos. a perda ou redução da diversidade biológica e a mudança climática são (cada um deles) grandes e complexos problemas de um único fenômeno que. parte da desertificação. queimadas. provoca a desertificação humana.

de “combate” à desertificação. subemprego.. segundo projeções do IPCC (op. o aquecimento global pode resultar em acentuada redução da pluviosidade média. reconhecendo -se que é preciso. não são consideradas neste documento. um assunto relacionado com outros problemas ambientais não menos graves como. por vegetação de regiões áridas.ex. O entendimento do problema da desertificação é condição necessária (a suficiente depende da vontade. C. integradas em políticas públicas. Desertificação Reduções da produção primária e de ciclos de nutrientes Redução do sequestro de carbono em (…) Reduções de plantas e da diversidade de organismos do solo Redução (perda): Não-conservação do solo Erosão do solo Aumentos de eventos extremos: secas. cit. ser essa deterioração responsável. como efeito direto. pressupondo-se que o fato e a evidência sejam argumentos para despertar. inviabilizar a agricultura familiar e de subsistência. públicas e privadas. também. insegurança etc. decisão e ação de resultados com efetividade) para acordar com os interessados a definição de um plano com ações e estratégias a desenvolver. e até reduzir o volume de água do rio São Francisco. aumentar a emigração humana que na última década do século XX atingiu em torno de um milhão de pessoas das áreas rurais do semiárido nordestino. vontade e decisão política para que esse combate possa ter efetividade em seu resultado. O semiárido nordestino pode ser considerado uma das regiões mais vulneráveis à desertificação do Brasil que. em mais de 30%. substituída.). provavelmente. Grcia erosão do solo  redução da capacidade de produção dos recursos da terra  fome  êxodo: mais pobreza.Eduardo A. com efeitos na vegetação típica da caatinga. pela emissão de gases do “efeito estufa”: as perdas de biomassa e matéria orgânica liberam carbono na atmosfera. antes de tudo. xxxiv Reduções de reservas de carbono e aumentos de emissões de CO2 Perdas de nutrientes e da umidade do solo Reduções da diversidade na estrutura de coberturas vegetais e nos microorganismos do solo Mudança Perda da . também. implicações nas perdas da biodiversidade. p. as de suficiência. no aspecto social. Essas condições. destinadas ao controle. enchentes etc. O aquecimento global pode. com possíveis implicações em projetos como o da Transposição desse rio. no contexto do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Septentrional. A degradação pela a erosão do solo é. com implicações na redução e adaptação às mudanças climáticas e. motivar e orientar ações combinadas.

por ações e intervenções humanas imprevidentes e irresponsáveis nos ecossistemas. fortalecido e evidenciado em grande parte.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Parte de condições necessárias como. Fica claro. em seu aparecimento. tem sido “criado”. que o conhecimento do problema se coloca como condição indispensável não apenas para entendê-lo..ex.1. paradoxalmente. sobre- xxxv . p. pelo exposto anteriormente. Isto porque sucessivos desflorestamentos. Uma síntese conceitual desse assunto é apresentada na próxima seção.2 Combate à desertificação A desertificação é um inimigo não mais silencioso. nem visível apenas no longo prazo e defasado de atividades causais. Contudo. que. queimadas. são prováveis alguns impactos e possíveis outros. as consequências regionais do aquecimento global por ações antropogênicas ainda não podem ser previstas com níveis de confiança desejáveis. mas para procurar os meios de combate ao preparar e direcionar ações e estratégias. 2. como os de elevação de temperatura e aumento da evapotranspiração e mudanças em regimes de outras “normais” climáticas.

Esse direcionamento. definir estratégias e ações integradas em planos de desenvolvimento sustentável. O controle de causas da desertificação e. um tema recorrente tanto na Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação como em outras convenções. provocam ou aceleram a degradação dos recursos da terra e levam à desertificação. as mais importantes) e estratégias que podem melhorar as fontes . em setores expressivos da população. em particular. O combate à desertificação com objetividade. integradas e viabilizadas (viabilizáveis por todos) em planos e políticas com atividades conjuntas público –privadas e com recursos e estratégias nacionais – internacionais direcionadas.reservas e os fluxos de recursos naturais em zonas semiáridas e subumidas (terra secas: caso do semiárido nordestino) tendo como referência o desenvolvimento sustentável. Significa relacionar e compreender todas as atividades (no início do combate. desde o monitoramento até a avaliação e propostas de medidas sem. Grcia explorações e artificializações auxiliadas por tecnológicas impróprias rompem ciclos e exaurem fontes: a trilha da desertificação é pavimentada por essa tecnologia. C. motivou novas preocupações. fatores. também. Portanto. o estado atual e os possíveis desdobramentos de fatores. tanto diretos como indiretos – associados. a partir de 2007/08. em níveis toleráveis pelos sistemas ambientais. orientado para o desenvolvimento sustentável e com objetivos de prevenção e/ou redução da degradação e de recuperação de terras em vários níveis de degradação. as tendências desse fenômeno dentro de condições estabelecidas em cenários prospectivos de desenvolvimento para.Eduardo A. nesse combate há. e de xxxvi . sociais e econômicos. alcançar (até início do novo milênio) os objetivos propostos nessas convenções e planos. a evolução. planos e proposições em vários níveis e frentes. Dessa forma. Um combate com visão e cenário “definidos” e interpretados – viabilizados em políticas públicas. significa evitar ou minimizar. agendas. conhecer as interações de fatores em um conjunto (físico e antrópico) e de conjuntos ou sistemas em um local ou região. contudo. O combate pressupõe definir (conhecer) o inimigo da forma mais completa e objetiva possível: identificar e caracterizar os fatores ou condições que impedem ou limitam o aproveitamento integrado do solo. pelas relações diretas com a produção de alimentos significativamente reduzida em zonas afetadas. o combate aos fatores e condições de aceleração e intensificação desse fenômeno. um interesse e foco no aproveitamento integrado dos recursos e ambientes da terra em zonas áridas. Um combate que exige ações e estratégias acordadas. além de conhecer a origem. com objetividade. Um tema em destaque que. com base nesses conhecimentos. condições e atitudes que estimulam ou favorecem. combater à desertificação implica (condição necessária) conhecer as causas da degradação pelos seus efeitos significativos. diante as frustrações de controle e combate desse fenômeno. semiáridas e subúmidas secas. Controlar a degradação de recursos da terra com efetividade esperada em resultados de planos pressupõe. dos recursos hídricos e dos recursos florestais em áreas susceptíveis à desertificação. conhecer os fatores e condições que levam à degradação. realismo e legitimidade é condição de sucesso. tem sido para a agricultura sustentável.

Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas fontes afetadas biorenováveis de energia passando a se constituir um problema ambiental, social e econômico nacional e global. O combate à desertificação deve considerar, no tratamento proposto em políticas públicas, as causas e os fatores condicionantes que as favorecem; considerar, em especial, evitar esses fatores ou reduzi-los em níveis ou riscos toleráveis pelo ecossistema, bem como eliminar ou reduzir as condições que aceleram ou agravam esse problema. Há princípios, recomendados pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação que, quanto possível e sempre adequados às condições locais (processo e estratégia que o País tem adotado), devem orientar e fundamentar programas de combate à desertificação, tais como: a) as decisões relativas à concepção e implementação desses programas serão tomadas com a participação das comunidades locais afetadas – interessadas; nas instâncias superiores de decisão, será criado um ambiente propício para facilitar a realização das ações nos níveis nacional e local; b) devem ser melhoradas a cooperação e coordenação, no contexto de solidariedade e parceria, e os recursos humanos, organizacionais e técnicos alocados onde forem mais necessários; c) a natureza e o valor dos recursos da terra devem ser mais bem compreendidas e promovidas conservações, usos com tecnologias e praticas sustentáveis; d) as necessidades e circunstâncias particulares devem ser evidenciadas e plenamente consideradas nos programas. São recomendações que destacam a necessidade de se ter “pleno” conhecimento de condições que facilitam a participação e cooperação – coordenação; da internalização da natureza e valor dos recursos em políticas e programas; e de circunstâncias particulares a serem atendidas em planos e projetos, como as do ser humano em seu meio e estado de evolução. O Quadro 2 sintetiza aspectos, relacionados com a pesquisa e desenvolvimento (P&D), para reflexão ao se definirem ações e estratégias de um plano de combate à desertificação e convivência com a seca, considerando, em parte, recomendações da Convenção.
Quadro 2 Pontos de reflexão que podem auxiliar a definição de ações e estratégias em um plano projeto de combate à desertificação e convívio com a seca PONTOS Foco: o ser humano DESDOBRAMENTOS Em seu meio sociocultural, econômico e ambiental; com a sua história, perspectivas e possibilidades, dentro de contextos realistas. - A implementação de programas de ação local e regional: motivação para a participação. - Necessidade de cooperação internacional e parceria: troca de experiências e aporte de recursos financeiros. - Participação plena: da mulher, do homem, de associações em planos. - Imprescindível engajamento da comunidade em políticas públicas. - Conhecer o problema por suas causas, efeitos e importâncias. xxxvii

O progresso, com objetividade no foco, depende de:

Condições

Eduardo A. C. Grcia
necessárias objetos de atendimentos - Ordenar / priorizar as causas com base em indicadores, critérios, diretrizes, objetivos e recursos disponíveis. - Relacionar e avaliar as causas em lógicas estruturas. - Alocar recursos suficientes e com objetividade. - Encorajar a participação: motivar, educar, conscientizar (...) - Melhorar o conhecimento do problema e os meios (...). - Atender objetivos e metas conforme diretrizes (…). - Projetar/integrar/valorizar o conhec. novo e tradicional - Fortalecer a P&D para gerar / adaptar e levar / difundir informações e tecnologias para esse combate e convívio. - Definir relações: pobreza– migração–desertificação como elementos de subsídios para formular políticas públicas. - Agir, com objetividade e oportunidades, em redes, parcerias (…), tanto públicas como privadas: organizações.

Papel da P&D no combate à desertificação

INFORMAR PARA EDUCAR. EDUCAR PARA CONHECER E VALORIZAR. CONHECER PARA PREVENIR. E PROTEGER. CAPACITAR PARA AGIR NA CONSERVAÇÃO E MANEJO INTEGRADO DE RIQUEZAS E NO COMBATE À DESERTIFICAÇÃO E CONVÍVIO COM A SECA

Quais são as causas que devem ser colocadas em destaque em uma proposta de combate à desertificação? As manifestações dessas causas, em níveis variáveis de região para região, podem ser sintetizadas como segue: a) Intensivos e indiscriminados desmatamentos feitos sem critérios técnicos nem opções econômicas em áreas frágeis; práticas de queimadas constantes; e ocupação desordenada do solo, com redução e/ou extinção de espécies da vegetação nativa, uma das formas do empobrecimento do solo e do favorecimento da erosão. b) Utilização de tecnologias agropecuárias, entre outras e para outros setores, inadequadas para as condições do semiárido e uso abusivo na aplicação de agrotóxicos e praticas de irrigação que poluem fontes de água e provocam salinizações nos solos.

c) Práticas tradicionais de uso e manejo inadequados dos recursos solo, água e vegetação; são, com frequência, práticas associadas a um sistema de propriedade da terra concentrador de benefícios e de arranjos produtivos com externalidades negativas, agravados pela existência de secas periódicas. d) Exploração intensiva (sobrepastoreio e cultivo excessivo ou sobre-exploração), além da capacidade de suporte ambiental em áreas frágeis e de equilíbrios “considerados” instáveis; na abordagem de sistema não se tem essas considerações, pois são equilíbrios que respondem às estruturas e “idades” de seus processos de desenvolvimento determinantes de níveis de resiliência. Ecossistemas, no semiárido, apresentam baixa capacidade de suportar as perturbações antrópicas e ambientais e de manter sua estrutura e padrão de comportamento e resposta diante de mudanças das condições de equilíbrio. Não reconhecida essa capacidade é fator contrário às ações e estratégias de combate da desertificação.
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Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas e) Mineração sem cuidados adequados com o meio ambiente; o pouco ou o desconhecimento desse meio na intervenção mineraria é condição favorável à desertificação. Relaciona-se, também, o escasso conhecimento do valor “real” d os recursos naturais e da necessidade, não reconhecida, de proteger as fontes como condição necessária para se ter um fluxo produtivo objeto de manejo e conservação; essa valoração deve considerar a capacidade do sistema e o custo de oportunidade da reserva a proteger. A negligência ou a total omissão na preparação e desenvolvimento de atividades para se ter a preservação e proteção de fontes é comum em modelos de crescimentos regionais imediatistas e com padrões economicistas. No texto se alerta sobre essa padronização e se valoriza o esforço de adaptação e aplicação de um padrão à condição local, com a definição de um critério. O combate à desertificação precisa, com suficiente antecedência da implementação de programas, do entendimento profundo, além de simples ”leituras” de manifestações ou sintomas de fenômenos naturais. Requer informações e conhecimentos para fundamentar atividades do aproveitamento racional, sustentável e integrado de ambientes e recursos das zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas. São ecossistemas tidos como frágeis (indicações dessa fragilidade) e de limitada capacidade (indicações de tolerância) de sustentação e regeneração – recuperação às intervenções antrópicas. Precisa, - esse combate, do entendimento de relações, tais como dos solos rasos e de rochas aflorantes; da existência de aquíferos e de suas características físicas e químicas; de tipos de recargas de lençóis freáticos; de “normais” como as de temperatura, evaporação e precipitação pluviométrica; de aspectos socioculturais e econômicos, históricos de políticas públicas, de planejamentos e de gestões, entre outros fatores que devem ser considerados, em abordagens sistêmicas e com base em critérios representados por dados consistidos e sintetizados por indicadores. O conceito de indicador que permeia todos os demais conceitos é destacado e indicado tanto na metodologia como na apresentação e discussão de resultados. É com base no entendimento e na informação e conhecimento necessário do valor econômico, social e estratégico dessas zonas e de seus serviços e recursos naturais que se definem, em grande parte, estratégias e atividades orientadas para o desenvolvimento sustentável em formulações de políticas públicas: é o instrumento que se destaca nesta publicação. Valorizar esses ambientes significa conhecê-los para apreciá-los e com base nessa avaliação ambiental xiv valorativa, conservá-los, tendo como objetivos: a prevenção e/ou redução da degradação de suas fontes; a reabilitação de terras parcialmente degradadas; e a recuperação de terras degradadas, entre outros. Aliado ou concomitante com o combate a desertificação se tem a mitigação dos efeitos da seca (entendida, conforme a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, como as “atividades relacionadas com a previsão da seca e dirigidas à redução da vulnerabilidade da
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Eduardo A. C. Grcia sociedade e dos sistemas naturais aquele fenômeno no que se refere ao combate à desertificação ”) para auxiliar às comunidades no convívio com a seca, não por pretendidos e frustrados controles diretos desse fenômeno natural, mas mediante ações que impeçam seu agravamento ao preservarem equilíbrios ecológicos, matas ciliares preservadas e fontes de água conservadas, entre outras. Ações que permitam “melhor” reconhecer e gerenciar esse fenômeno, inclusive com potencial de oportunidades de fontes alternativas de energia. Ações que possibilitem amenizar seus efeitos, tornando-os toleráveis, como é o caso da previsão da seca, dirigida, em parte, à redução da vulnerabilidade, isto é, à diminuição do grau de susceptibilidade de sistemas físicos, biológicos e socioeconômicos de comunidades não mais surpreendidas pela seca. Pela avaliação de previsões de secas com a máxima confiabilidade possível e decorrente implantação de ações (p.ex., emergenciais, transitórias e permanentes, segundo seja o caso) e seus monitoramentos oportunos é possível, em tese, minimizar-se-ão danos de “secas anunciáveis”. Gerar e divulgar informações de previsões sobre as características de secas, formas de proteção em cada período do ano, mudanças de comportamento das comunidades, alternativas de produção e consumo, entre outras, que possam estar contribuindo para efetivar o convívio com a seca. O combate à desertificação, para que seja eficiente deve ter objetividade em seu foco, consistência em suas ações propostas e desenvolvidas e efetividade nas estratégias, parcerias e resultados como síntese e fruto da objetividade e efetividade. Isso significa: a) Definir as vulnerabilidades, isto é, os níveis de susceptibilidades abióticas, bióticas e socioeconômicas das zonas relacionadas com as práticas agrícolas de uso e manejo dos recursos naturais; conhecer a capacidade de reorganizar, de regeneração dos ecossistemas (resiliência) e de estrutura produtiva nesses ambientes. Trata-se de um conhecimento básico para desenvolver ações de conservação com relações simbióticas com as previsões / prognósticos do clima, com a recomposição de sistemas hídricos e com a proteção da diversidade biológica. É oportuno destacar o sentido de vulnerabilidade que, segundo Kasperson e Turner (2001), quando associado aos riscos, perigos e danos, evidenciam fatores naturais e sociais e facilitam a compreensão de interações entre o homem e o- ambiente. Na especificação de indicadores para a sustentabilidade de unidades geoambientais, feita com base no potencial e limitações de uso dos recursos naturais, em condições ecodinâmicas, vulnerabilidades ambientais e compatibilidades de uso do solo, relacionam-se vários níveis de sustentabilidade e vulnerabilidades a serem considerados, se necessário, em políticas e planos. b) Entender, por diagnósticos e análises de causas, a lógica e racionalidade de ações, de resultados e de padrões de pressões da agricultura e pecuária extensiva, da exploração madeireira e com fins energéticos, da erosão dos solos, da concentração de recursos como terra e hídricos por distorções estruturais e institucionais como as de posse desses recursos e de arranjos capital–trabalho, entre outros aspectos, que agem sobre o meio ambiente e seus recursos.
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que poderá esclarecer fatores e racionalidades que levam ao desmatamento da vegetação nativa. faz parte de um plano de educação e de manejo e conservação. d) Avaliar os fatores causais e suas inter-relações. e) Reconhecer as deficiências de dados e informações com qualidade. de ordenamentos e da importância dessas variáveis podem oferecer elementos para a gestão e tomada de decisão e para orientar estratégias e ações em condições de limitações de recursos financeiros. A explicação da falta de opções econômicas para substituir os “benefícios” de derrubar queimar poderá acenar para a pesquisa buscar alternativas em contextos como os da proteção dessas fontes em cenários com novos fundamentos de políticas e legislações. com base em resultados dessas análises. as perdas acentuadas de produtividade agrícola e pecuária. os problemas de desnutrição. mas que complementam ou potencializam efeitos de outros fatores. limpar áreas para o plantio e renovar pastagens. naturais e antrópicas. a gestão e a tomada de decisões. como impactos. da salinização que decorre da irrigação de terras para fins de exploração agrícola. Reconhecer. manejo e conservação. A vegetação desempenha importante papel no equilíbrio da água no solo ao permitir que parte da chuva se infiltre através das raízes para a recarga do lençol freático. as perdas de biodiversidade e da dinâmica do ecossistema. poderá apontar e/ou destacar fatores aparentemente sem importância. Essa compreensão deve. Parte dessa função está compreendida pelo manejo florestal na conservação do solo. quanto possível. à desertificação. entre outras. que provocam a erosão de solos. fatores que precisam tratamentos conjuntos. também.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas É um entendimento básico para auxiliar e fundamentar a formulação de políticas públicas e de um plano de combate à desertificação e convívio com a seca. e. incentivos econômicos que resultam da omissão de valores de bens e serviços ambientais dessa vegetação. o favorecimento à erosão. Evidenciar a importância das funções da vegetação e atribuir valor às mesmas. A queimada que segue ao desmatamento é uma prática rudimentar e tradicional que o agricultor utiliza para controlar pragas. xli . de perdas da diversidade biológica pelos usos e manejos impróprios desses recursos. Evidenciar esses efeitos faz parte da educação. da diversidade biológica do bioma Caatinga. Em tese. portanto. Uma prática sustentada no “economicismo” e em modelos regionais imediatistas. estar baseada em indicadores. em parte. valor e utilidade para o planejamento. Análises de inter-relações de variáveis. as fragilidades de órgãos e instituições encarregadas do controle da desertificação e indicar meios para fortalecê-las no cumprimento de suas missões. além de outros efeitos negativos como incêndios. c) Compreender efeitos negativos de sobre-utilizações de ambientes e recursos naturais. O entendimento. química e biológica do solo. além de se constituir proteção natural do solo contra a erosão. são. fome e doenças nas comunidades afetadas. Com as sucessivas queimadas se tem a degradação física. são.

das pastagens naturais e semeadas.Eduardo A. c) Estimar os indicadores de síntese de dados e informações. d) Orientar o atendimento às demandas por soluções conforme indicações do problema.. tratamento e difusão de dados. no uso e manejo de recursos como solos pela erosão e deterioração de propriedades físicas. hídricos pela poluição e esgotamento de fontes. de combate à desertificação. Grcia Definir. um passo intermediário no caminho para a desertificação. da gestão e dos resultados propostos e esperados. em documentos como o da Carta da Terra ao acordar acatar respeitar.vegetação na região. informações e tecnologias necessárias para esse combate e convívio com a seca. um deles o da degradação dos recursos da terra. com origem no conceito de desertificação capaz de acenar e se constituir ponto de partida para: a) Estabelecer objetivos e metas desse combate ou controle: a prevenção e/ou redução da degradação de recursos da terra. favorecer. O conceito de desertificação destaca outros conceitos. avaliação e (re)orientações.3 Degradação de recursos da terra São perdas ou reduções significativas de produtividades econômicas e biológicas dos recursos da terra em zonas áridas. úteis e valiosas. a prevenção. químicas e biológicas ou econômicas. avaliar e reconhecer fases de um processo de controle. e a recuperação de terras degradadas. b) Testar / validar e escolher os procedimentos metodológicos necessários na obtenção. entre outros que fazem parte de objetivos de políticas públicas e de aprimoramento de capacidades institucionais. e) Definir procedimentos como os de acompanhamento (monitoramento). provocadas pelas frequentes e crescentes alterações. de gestão dos recursos hídricos (. por intervenções sem critérios adequados. a reabilitação de terras parcialmente degradadas. dos objetivos propostas. semiáridas e subúmidas secas e da complexidade (simplificações de ecossistemas dessas zonas) das terras agrícolas de sequeiro e irrigadas. das florestas e das matas nativas. proteger e xlii .. para a gestão ambiental e para a educação da conservação e manejo integrado solo – água . dos recursos alocados para alcançar os propósitos. compreender.).1. se for o caso. nesse combate e convívio. e vegetação pelo desmatamento e queimada. C. O conhecimento da degradação de ambientes e recursos da terra é fundamental não apenas para dar sentido a princípios estabelecidos em instrumentos como os de políticas de conservação ambiental. Efeitos negativos e perdas incalculáveis dessa degradação que se traduz em perdas da qualidade de vida de comunidades vulneráveis e dependentes desses ecossistemas. incluindo. 2. em especial. entender.

Como conceito teórico. perda de bem-estar romper elos de componentes e ciclos de comunidades perversos de estruturas como as indicadas na Figura 4. vegetação (. políticas de combate às causas da desertificação e convívio com a seca. Pressões como as de altas dos preços dos alimentos e dos combustíveis. portanto.). São estruturas e pontos que levam à insegurança alimentar.. Isso poderá acontecer.. e os de garantir que os processos de decisão e seus critérios de sustentação sejam definidos de formas transparentes. Sobre-utilizações de fontes(. das terras agrícolas irrigadas (.. ponto de partida de raciocínio e fundamento de políticas públicas e à despeito do princípio ser indemonstrável. neste caso particular. à alta de preços de bens agrícolas..ambientes bióticos: flora e fauna planos de conservação e manejo capazes de .. mas.. entre outros fatores e condições que compõem um mosaico Perda fertilidade solo fragmentado de mais de uma centena de unidades do semiárido.recursos naturais: água. solo.) deverá considerar. Degradação Migração… Fome. econômicos e políticoinstitucionais. Mas. explícitos e equitativos. Isso significa Degradação da terra: considerar ações e estratégias integradas em .) Degradação Mudança climática xliii Figura 4 Ciclos da degradação da terra . o aumento da produtividade biológica ou econômica das terras agrícolas de sequeiros. solos. se tais aumentos não forem devidamente planejados.sustentação ao uso e manejo conforme a aceitação e conveniência em determinada região. A sustentabilidade de aumentos. Perda da biodiversidade em termos (.) Usos-manejos inadequados Tecnologias inapropriadas Simplificação. ele procura orientar uma conduta e maneira de fazer e dar garantia . geridos e gerados em bases tecnológicas e procedimentos operacionais sustentáveis no local.. vegetações. geomorfologias. Essa conformidade ou parecer de aceitação e conveniência ou adequação que traz o princípio determina a legitimidade de uma ação ou plano. para o caso do semiárido do Nordeste. apesar de possíveis mitigações temporárias por novas tecnológicas e de fontes biorenováveis de energia. a grande diversidade de climas.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas restaurar ecossistemas para assegurar a diversidade biológica e sociocultural. à fome. medidas que tem alicerce em princípios. densidade populacional e sistemas Desequilíbrio ciclo água socioculturais. Degradação..) de uso e manejo dos recursos da terra.. Agrícola (. sistemas Queda Prod. poderão ser insuficientes para deter a degradação.. para acenar e indicar que medidas devem ser aplicadas. o princípio deve ser complementado com outros conceitos e fatores para se definirem políticas como as de desenvolvimento e. à instabilidade e à migração rural-urbana.

21  0. com possíveis implicações em projetos como o da Transposição desse rio.690 ÁSIA AUSTRÁLIA 2.Eduardo A.430 xliv . delimitadas conforme descritores e indicadores. inviabilizar a agricultura familiar e de subsistência. as de suficiência. pressupondo-se que o fato e a evidência sejam argumentos para despertar.140 2. não são consideradas neste documento.630 3.590 19.070 2 TOTAL - 19.05  0. A degradação dos recursos da terra se relaciona com diversos ciclos. destinadas ao controle.21  0. Essa consistência é parte do alicerce de processos como os de desenvolvimento sustentável em terras secas. reconhecendo -se que é preciso. um deles é o índice de aridez (Chuva/Evaporação + transpiração ou evapotranspiração potencial) na classificação climática de Thorthwaite. motivar e orientar ações combinadas.030 3. Essas condições. procurar rompê-los ao controlar as causas quando se possa agir contra as forças ou fatores de manutenção ou propulsão.490 6.040 5. C. de “combate” à desertificação. provocados por uma população migrante e sem recursos nem habilidades – competências para se desenvolver nesse meio.650 2. têm-se novos e graves problemas urbanos. problemas em setores básicos como de emprego. habitação – moradia.360 5.530 0 3.260 6. O entendimento do problema da desertificação é condição necessária (a suficiente depende da vontade. Tabela 1 Clima. SUL 260 450 2. vontade e decisão política para que esse combate possa ter efetividade em seu resultado. serviços de saneamento. índice de aridez e terras afetadas (mil km ) pela desertificação nos continentes a CLIMA Hiperárido Árido Semiárido Subúmido Seco Subúmido e úmido ÍNDICE < 0.770 6.840 30 820 4. públicas e privadas. As terras secas podem ser consideradas ecossistemas frágeis e vulneráveis. decisão e ação de resultados com efetividade) para acordar com os interessados a definição de um plano com ações e estratégias a desenvolver.20 0. e até reduzir o volume de água do rio São Francisco. no contexto do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Septentrional.930 3.NORTE 0 110 1. com instrumentos de políticas locais e regionais consistentes e integráveis.000 7.190 2.65 >0.320 A. que precisam de estudos para entender suas lógicas e. integradas em políticas públicas. Grcia Nos lugares de destino do migrante da desertificação.720 5. antes de tudo.05 0. também.65 ÁFRICA 6.050 1.50 0. aumentar a emigração humana que na última década do século XX atingiu em torno de um milhão de pessoas das áreas rurais do semiárido nordestino. em seguida. O aquecimento global pode. conforme ilustrado na Figura 4.090 510 EUROPA A. variações de intervalos e terras afetadas por continentes apresentadas na Tabela 1. com valores. saúde e alimentação.

no Relatório Brundtland na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento . pela análise de causas. desdobramentos etc. poluem ou destroem reservas e fontes com a aceleração da extração e exploração dos recursos naturais.) e equilibrar essa conta. nesta publicação.o da oferta. Observe-se que na busca e manutenção de equilíbrios entre “desenvolver” e “sustentar” há implícitos fatores causais. interações. com extensão e/ou explicitação de pressupostos básicos ao se reconhecer a finitude de estoques e fontes de recursos naturais. comprometimentos de fluxos produtivos. nem útil por ser vago e abstrato. que enfraquecem. uma formulação ampla ou vaga de uma meta necessária. ao final.. mitigação de efeitos d clima e convívio com a seca. prévias as especificações de objetivos e metas. no outro sentido. atividades muitas vezes favorecidas por avanços tecnológicos. e. esses princípios devem acenar para buscar a adequação e passar da ideia de compatibilizar desenvolvimento e sustentabilidade. portanto.1. que contribuem para aumentar. de meios e recursos definidos para alcançar os propósitos desse combate e de ações. O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu em 1987. condições de atendimento. as pressões. para um local ou região. Atlas Mundial Times (1995). em ritmo acelerado. No balanço e equilíbrio de contas surgem fatores como os de ameaças. níveis de exigências. linear e para qualquer situação.e assim deve ser entendido. e.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas a Fonte. possibilidades de atendimento (. também de origem antrópica. conforme às decisões de planejadores. não mais sustentados em suas fontes. definir o problema da desertificação (bem como as oportunidades não-aproveitadas da região para se desenvolver). É claro. os de esgotamento de fontes e reservas. . o conceito não é operacional. entre outros. do crescimento. como efeitos diretos. criada pela ONU em 1983.4 Desenvolvimento sustentável Conceito fundamental. que passa a se constituir necessária referência xv em todas as fases de um plano de combate à desertificação. gestores e políticos.. de perturbações de ciclos etc. para buscar e aplicar soluções (aproveitar oportunidades na desenvolução). aqueles cujos estoques são passíveis de recomposição (diferente dos não-renováveis que tendem a se exaurir. xlv . independente da forma em que são explorados: a ideia é substituição e a tecnologia é um dos meios) e a imprescindibilidade de harmonizar necessidades e crescimentos com obrigações e disponibilidades. e é considerado. estratégias e atividades que permitam alcançar os objetivos conforme seja à alocação criteriosa de recursos.. de origem antrópica (é o destaque neste documento). de forma simples e “operacional”. composto por dois termos (subconceitos). pelo lado da demanda.. há fatores. no início. ainda que algumas sejam ciclicamente renováveis. que a sustentação do conceito desenvolvimento sustentável em princípios não permite a sua aplicação direta. Referência para. Sem tais explicitações e diante de acomodações. para entender. o que determina. necessidades. 2. . sobre os recursos e. Contudo. incertezas e riscos.

O conceito desenvolvimento como uma referência em determinado território e. período de tempo e condições. para alguns.a de desenvolvimento capaz de prover as necessidades da geração atual. . Entenda-se crescer com responsabilidade social compartilhar meios como são os técnicocientíficos (p. temse pressupostos e implicações nem sempre facilmente aceitos. vaga e abstrata. A definição desse processo não é um modelo nem algo que possa ser definido.. de acordos com expressão. verificáveis e atingíveis. mas. procedimentos de um processo de negociação. mediante indicadores de ordenamento e imprescindibilidade de atendimento. repetindo. capazes de definirem uma agenda com as ações e estratégia a implementar na construção de uma sociedade sustentável. coloca-se em evidência outro fator: a informação para um novo conhecimento. São pressupostos e implicações como os de abertura e disposição de todos os atores e interessados para o diálogo de partes diferentes em seus objetivos e meios. a ser construído pelos atores de cada território com base em planos. priorizáveis e viabilizadas.Eduardo A. generalizado e aplicado de qualquer forma e para qualquer situação. conscientização e mudanças – ajustes. informações para novos conhecimentos. entre outros. Grcia A operacionalização do conceito deve explicitar os fatores causais que perturbam o equilíbrio entre desenvolver e sustentar em um determinado território. O contexto abrangente em que se define o desenvolvimento sustentável compreende atividades. ao comprometimento social e participação etc. seguindo semelhante esquema indicado para o desenvolvimento sustentável. políticas e legislações propiciadoras da desenvolução. a decisão e disposição por todos para acordos numa agenda aceitável. e que compreende vários eixos (ver parte desses xlvi . definido (repetindo. trata-se de uma definição falha. uma delas é a do combate à desertificação e convívio com a seca. entre outros meios de síntese. Na formulação inicial do conceito. apresentando-os. socioculturais.) a sustentabilidade do crescer com responsabilidade e consciência de limites das fontes. Nesses acordos. planos e políticas orientadas em diversas frentes. Um plano a ser definido. como um processo de acordo e sucessivas fases) para um conjunto de fatores físicos. C. portanto. Acordos. sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações. se o desejado for buscar soluções consistentes e exequíveis. renovar fontes e tolerar intervenções: riscos conhecidos e suportáveis. atividade de capacitação e educação) para a construção de uma sociedade sustentável e evidenciar a necessidade de buscar e manter o equilíbrio entre desenvolver e sustentar. sobre conceitos claros de “necessidades” e formas de atendê -las: ordenadas. e assegurar com “certa” garantia (proporcional à consistência técnico -científica da solução. em cada fase e para os contínuos progressos e melhorias de resultados no horizonte de longo prazo.ex. ao empenho e vontade política em buscá-la e aplicá-la. econômicos e institucionais e de condições e atitudes como vontadedisposição à discussão e ao entendimento entre interessados. aplicar essas soluções visando a efetividade de resultados nessa delimitação espaço-temporal. identidade e representatividade da região. de disponibilidades de recursos e formas de geri-los conforme indicadores como os de capacidade de manter fluxos.

tais como: incorreto. de forma exagerada. também. Um conceito. fluxos de bens e serviços devidamente reconhecidos pelos mercados em seus valores reais como parte desse desenvolvimento. segundo outros críticos. segundo tais enfoques. de outros planos e. ao definí-lo para atender às necessidades das presentes gerações: condição sine qua non para se chegar à futuras gerações. complementando-se. admitindo-se a viabilidade de intenções da ECO-92 ao aceitá-lo como um processo que “atenda [ao poder garantir: uma questão de operacionalização] às necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades”. parte da operacionalização e contextualização do conceito.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas planos e programas no final da Figura 9). básicas para criar e manter comunidades sustentáveis. de competição (concorrência) e “sustentável”  manter ou suportar. por sua vez. um plano que depende. reservas e ciclos naturais : é o espaço da tecnologia “conveniente” (conservação) e internalizada no setor produtivo contribuinte desse desenvolvimento. São críticas nem sempre “sustentáveis” e/ou com parciais fundamentos e notáveis exageros. Um conceito. com viés e. com lógicas diferentes ao aduzir como causa aquilo que é efeito. os condicionam. propositadamente não-consideradas neste documento. Esse xlvii . artificioso e capcioso. impreciso. também. Um conceito formado por dois. insustentável. combinar-se-ão o crescimento de “fluxos” possíveis com a preservação . não deixar nem eliminar oportunidades de riquezas naturais portadores de um futuro imediato para o caso do Brasil. Implícito nessa aceitação. incompossível e ambíguo. interromper causas de problemas como os da degradação dos recursos da terra e desertificaçãoes ambientais e humanas e. Portanto. com frequência. equilíbrios dinâmicos para atenderem às necessidades de atuais e futuras gerações. utópico. possibilitando seu uso no discurso com objetivos e meios diferentes de países “desenvolvidos” e países “em desenvolvimento”. o conceito de desenvolvimento sustentável estará propiciando melhorias na capacidade de ciclos e reservas que permitam continuar fornecendo bens e serviços para o crescimento “responsável” e inclusivo. como a desenvolução ecologicamente sustentável com um benefício para as futuras gerações. O conceito original de desenvolvimento sustentável tem sido utilizado. negando-se mutuamente. contraditório em seus termos “desenvolvimento”  fazer crescer no sentido econômico.proteção “melhorada” de “estoques”. Observe-se que tal resultado é uma condição necessária para. ambos complexos e em construções sistêmicas com relações interdependentes. inútil.desenvolver e sustentar. no sentido biológico como equilíbrio dinâmico de cooperação. propício. pelo outro. com interpretações erradas. discriminadas e banalizadas que o reduzem ou tornam “vazio” e objeto de críticas. propiciando. “para defender” interesses contrários à essência original desse conceito. sem sobrevalorizar a capacidade moralista para decidir nem subestimar a dinâmica que tornariam assimétricas as situações intertemporais comparadas. Assim admitido e viabilizado. por um lado. por vezes. portanto. . Um conceito que não coloque a equidade intergeração por cima da equidade intrageração.

em benefícios de gerações presentes e futuras. O desenvolvimento sustentável pode ser visto (essa é a visão inicial neste documento: críticas para adequá-la) e considerado como um conjunto harmônico e integrado – complementar de processos que passam por sucessivas aproximações de atores definidos e identificados em um espaço e período de tempo determinados. excessivos ou superfluos (desperdícios). o esgotamento de fontes. 0% 100% Situação inicial Ecológica SA2 Prejuízos sociais e ambientais SP1 P o l í t i c aSP2 100% 0% SA1 0% 100% Social SS2 ST1 Situação Melhorada ST Espacia l2 100% 0% SS1 Negociação-acordo Imposiçãoregulamentação Gestão-manejo Educação SE2  0% 100% SE1 Econô mica Figura 5 Ilustração de cinco dimensões em dois cenários: presente e futuro O próprio reconhecimento do valor de bens e serviços ambientais pelo mercado como parte da desenvolução deverá contribuir para eliminar (ou reduzir) usos e consumos indevidos. a econômica (pela otimização) e a político-institucional (viável). Grcia reconhecimento e. a rejeição de um bem livre. de xlviii . Parte desse reconhecimento tem efeitos no monitoramento de equilíbrios que possam assegurar o atendimento às necessidades disciplinadas na “otimização condicionada” às capacidades de suporte de uma “função objetiva” com limitações impostas pelas dimensões que ali se integram.Eduardo A. C. de negociações e “confluências” (ou tolerâncias) de interesses desses atores. conju gam e definem: a ecológica (pela capacidade de suporte). a social (pela inclusão). portanto. entre outras. capaz de compreender. é um fator que inibe a sobreexploração de recursos.

na Figura 5. Em que ponto da Figura 5 se encontra a sustentabilidade da dimensão econômica? No indicado por SE1 que representa: produtividade (rentabilidade.. Aceite-se (uma hipótese) que pela disposição à negociação. entre outros.. articulada (porque a todos convém a participação nesse processo) e transparente xvi (pela legitimidade do acordo na participação social e discussão de o que fazer? Para responder por que e como fazer. produção agricola – pecuária da agricultura familiar para o mercado local: y4. sociais e institucionais. consistentes e úteis – aplicáveis. com o destaque de cinco dimensões.. limitado desenvolvimento social e ineficiências espaciais e de instrumentos de políticas públicas de desenvolvimento) e esperados (futuros) em dimensões: a) A econômica. para: representar a complexidade do problema e comunicar e informar. p.. As dimensões ilustradas na Figura 5 apresentam estados iniciais (presentes: baixa sustentabilidade ambiental. a alocação eficiente de recursos. transita e se sustenta (pelo que se informa e comunica. programas.. xlix .) no tipo de solo (.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas forma integrada (porque resulta de transações e acordos entre os interessados que se aproximam). como.) no período (.) da cultura (. e para alertar e prognosticar realidades em diversas dimensões. . p4.as indicadas pelas correspondentes setas nessas dimensões na Figura 5. p2.. para se adequar à realidade) em várias dimensões que buscam soluções e equilíbrios.) em INDICADORES confiáveis.ex. baseadas em critérios como os de proteção de fontes e riquezas naturais e conservação e manejo dessas reservas. em atividades de produção e hábitos de consumo melhorados e sustentáveis na região..): y1 com a importância relativa p1. A busca desse atendimento coletivo que é facilitado pela educação ambiental.. em um local: sem desperdício. consumo local de (. planos e recursos consistentes para se definirem atividades sustentadas em bases (integráveis) ambientais. crédito agrícola para agricultura familiar: y2. pelo que orienta e fundamenta. É a transferência de lucros e benefícios que poderá ocorrer com políticas e seus instrumentos de distribuição e compensação. custo etc. sem poluição etc.. em níveis macroeconômico e micro-econômico. ao disciplinar o crescimento econômico e internalizar passivos ambientais em suas fontes.. transferir parte dos benefícios econômicos para as dimensões social e meio ambiente – ecológica. com melhorias. a gestão criteriosa de processos e resultados. p3. e retração “imposta” na dimensão econômica. É possível alcançar (hipótese) a sustentabilidade econômica mediante o planejamento. pela transparência e sentido ético etc. em termos gerais (apenas conceituais). ao acordo e à observância legal de instrumentos como os de políticas públicas é possível (assim se espera). e com políticas. Essas realidades e os direcionamentos para buscar soluções compatíveis e equilíbrios são ilustrados.): y3.

a concentração e a exclusão social de riquezas. A efetividade na aplicação de leis de proteção ambiental e de conservação e manejo poderão. agricultura familiar e gestão integradas dos recursos da terra. agindo em estruturas.. sem viés para a “quantidade” e o “ter” quando se privilegia a maximização. sem considerar potencialidades e possibilidades da extração de excedentes econômicos do ecossistema. do crescimento e de melhorias sociais: uma forma de desertificação antrópica. Deixar de incorporar um potencial ambiental em um projeto de crescimentos é omitir um custo de oportunidade. C. considerada “alta” (de maximização de lucros). inclusive para a própria dimensão econômica: o empresário. 2. a sensibilidade de limites do potencial de crescimento. auxiliar esse ajuste conveniente para todos.Eduardo A. ao recuar (flexa branca). O resultado dessas atividades econômica é dado por: SE1 =  yi pi (i = 1. entre outros aspectos. É necessário considerar na sustentabilidade da dimensão econômica. para o caso cnsiderado neste documento. portanto. Que ponto poderia ser alcançado no período (x anos)? O indicado por SA2 e proposto por estudos prospectivos e cenários traduzidos em planos. O extremo. . necessariamente sustentado em critérios. portanto. devendo se ajustar. Grcia índices de ganhos de empresas locais com substituição de mão-de-obra: y5. Parte da sustentabilidade econômica com a otimização condicionada às limitações “impostas” tem implicações em outras dimensões (ou se relaciona) como a institucional e legal. etc. p5. essa possibilidade e destaca a conservação e manejo de recursos naturais em perspectivas como as da agricultura sustentável. 3. como hipótese. Esse é o ponto esperado de equilíbrio que dependerá da efetividade de ações e estratégias propostas e implementadas. para uma posição de otimização definida por SE2 =  y’i pi. com efeitos negativos ao retardar o desenvolvimento que seria viabilizado ou agilizado por esse potencial. Um desses processos é o do licenciamento ambiental mais ágil e consistente. como as de posse da terra e acessibilidade social aos recursos hídricos.uso com base em indicadores da capacidade de suporte ambiental. Mecanismos de mercado com a valorização – internalização de preços de bens e serviços ambientais e com projeto como os de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) e de créditos de carbono poderão facilitar essa mudança. Mas o combate à desertificação com foco no ser humano elimina. ao exagerar o disciplinar a atividade econômica com instrumentos punitivos e impositivos poderá se traduzir em preservacionismo.. e a necessidade de disciplinamento do consumo . também. porém insustentável. n). de produção (de produtividade). excludente. É preciso agilizar processos que possam potencializar o crescimento econômico ao incorporar potencialidades de ambientes e recursos naturais. l .

desse índice.. envolvimento. reservas e ciclos como os dos recusrsos hídricos e da biodiversidade. a conservação e o manejo integrado de ambientes e recursos naturais.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas b) A sociocultural. p3. taxa de crescimento de áreas degradadas: x2. p7. Indica-se a proposta de melhorias em SS2. de saberes tradicionais e de perspectivas sociais no desenvolvimento sustentável: foco na “qualidade” de vida e no “ser”. p5. com a observância do equilíbrio de ecossistemas submetidos à intervenções antrópicas e com a preservando – protegendo de fontes. A nova perspectiva ambiental que o conceito traz é a de conscientização social. taxa de salinização dos solos por li . portanto. expressa por p1. práticas de conservação utilizadas: x5. entre outros. assistência técnica (. tais como: construir um ambiente social no local ou regional com a maior eqüidade – justica possível no acesso a oportunidades. educação. na distribuição de bens e benefícios com equidade e. vida útil de ecossistemas simplificados: x4. como. sem a polarização de visões estreitas do economicismo maximizador e concentrador de benefícios materializados nem a intransigência de percepções não menos estreitas do preservacionismo que nega melhorias econômicas e oportunidades de crescimento...ex. A sustentabilidade ecológica. criação de fontes de emprego e renda. com objetivos. Em que ponto da Figura 5 se encontra essa dimensão? O indicado por SS1 que representa deficiências no atendimento de políticas públicas como as de saneamento básico. participação e consideração de valores humanos. por isso. quando o econômico e social possam efetivamente consultar e respeitar a capacidade de suporte dos ecossistemas na região. da diversidade biológica. socializam externalidades e pobres que concentram misérias e pagam parte da contam de externalidades da degradação dos recursos da terra. com a importância relativa. sobre esses sistemas. tais como: desmatamento da floresta caatinga / área total inicial: x1.). taxa de crescimento de áreas recuperadas: x3.ex.. p6. p. c) A ambiental. A sustentabilidade social pressupõe compreensão. como. emissão de substâncias poluentes em sistemas hídricos: x6. p2. Em que ponto da Figura 5 se encontra a sustentabilidade da dimensão ecológica? Esse ponto é indicado por SA1 e representa determinado “estado” e condição do ambiente no local ou região dado por indicadores. socialmente inclusivos. na solidariedade. fruto da educação e capacitação. p4. de modo a reduzir as diferenças criadas – insustentáveis entre padrões de vida de ricos ou desenvolvidos que concentram riquezas. p. da taxa de eroção dos solos: x7. com relação às limitações e fragilidades de sistemas naturais como os do semiárido e dos efeitos de atividades não-planejadas nem desenvolvidas conforme critérios técnicos adequados à região. obtida pela combinação de diversos meios.

legislação (institucional – política) para gerir.política. lii . de notável importância no tecido do processo de desenvolvimento e de inexplicável omissão em ações e estratégias de planos passados. representa a efetividade de instrumentos de planejamento e gestão e da participação – comprometimento das comunidades em definições e execuções de planos como os de combate à desertificação. Em que ponto da Figura 5 se encontra essa dimensão? Em ST1 e representa desorganização da ocupação territorial. É imprescindível considerar a conscientização social. p9.). Deve-se acrescentar que na sustentabilidade. Grcia efeito de irrigação. fortalecimento e integração rural – urbana (espacial) para desenvolver etc. emissão de gases efeito estufa: x9. Em que ponto do gráfico se encontra essa dimensão? Esse ponto é indicado por SP1 e representa deficiências e ineficiências de instrumentos. Na ilustração da Figura 5 se destaca propositadamente o suporte técnico-científico e operacional (baseado na racionalidade e pertinência de critérios ou padrões adequados à realidade para proteger.. nesta dimensão. tais como: valorização (econômica) para proteger. e) A sustentabilidade espacial determinada pela configuração rural – urbana mais equilibrada e com função social de fatores como terra e água. formulador de políticas e planos deve conhecer e gerenciar. C. sem a polarização de visões estreitas nem a intransigência do preservacionismo. 3. A sustentabilidade institucional . “molhamento”: x8. n). São fatores com importâncias relativas variáveis e com efeitos isolados ou combinados que o planejador. fruto da educação e capacitação. d) A político-institucional. potencializadas pelas sustentabilidades em outras dimensões. para que a efetividade os resultados obtidos sejam muito próximos (ou ainda maiores) dos esperados quando se cenariza. reciclar etc.. p8. 2. É importante especificar possíveis formas de distribuição dos benefícios com as melhorias provenientes da conservação e manejo. O resultado define o estado de sustentabilidade inicial: SA1 =  xi pi (i=1. da fragilidade de sistemas naturais e dos efeitos antrópicos de atividades sobre esses ecisistemas. etc. educação (social) para conservar. Mas. com destaque para o zoneamento econômico – ecológico para ordenar e priorizar a ocupação. consumir. anos: fase 2) agindo nos fatores críticos? Esse ponto é indicado por SA2 =  x’i pi e espera-se seja determinado pela eficácia do controle dos fatores – causais que definem o “estado” inicial..Eduardo A. Que ponto poderia ser atingido no período de (. não há resíduos nem desperdícios e a diversidade assegura a resiliência do sistema. em SA2 =  xi pi. prever – prognosticar. Vários instrumentos são propostos para alcançar o nível ST2. produzir.. gestão. para o futuro.. Melhorias em estruturas como as de posse de recursos e de instrumentos como os das políticas públicas permitirão alcançar o estado SP2.

como o aumento da complexidade e maturidade para se aperfeiçoar a qualidade de vida. em tese. apesar dos desgastes e deturpações. do disciplinar do crescimento da polpulação e de suas atividades transformadas em desertificação humana. desmaterializando a economia. conflitantes interesses. os éticos e os princípios da transparência (ver nota 11). pois a economia global [que interfere na economia regional] foi desenhada sem nehuma dimensão ética. há condições para criar novas oportunidades e para que “todos” sejam capazes de optar (para uns. de construção evolutiva. condições e estruturas negativas para a transformação e a construção do desenvolvimento. O conceito de desenvolvimento sustentável conforme sintetizado não permite. posições intransigentes. à despeito de fatores. É o caso do semiárido. Destaca-se o desafio de como adaptar-se de um sistema baseado na ideia de crescimento ilimitado para uma outra que seja simultaneamente sustentável no social e justa-equilibrada no econômico. em exclusão social de benefícios (. para essa desmaterilaização? Provavelmente sim. porque não são inerentes ao capitalismo moderno a expansão permanente de capital em sistemas concentrados. ambos como preços da sustentabilidade : Figura 5) e escolher os liii .Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas outros fatores e condições de suporte são tão importantes ou mais notáveis para o desenvolvimento. Há lugar. recursos e possibilidades. para ser sustentado em uma região. culturais e institucionais que colocam múltiplos e. a ampliação de mercados socialmente excludentes e a produção contínua e crescente de bens e serviços sem comprometimento com as fontes. mas. O exposto acima expressa certo otimismo. sociais. com frequência. egoístas e o predomínio de interesses de grupos sobre o bemestar coletivo. No conceito. de terras degradas transformadas em desertos. Por outro lado exige legislações e planos no concerto de dimensões para espaços e condições que o determinam. a economia que se integra.. dentro de arranjos que refletem desigualdades e situações complexas de acomodações como as de estrutura de posse de recursos da terra (um processo histórico-cultural). A economia moderna. O conceito de desenvolvimento sustentável e seu processo de criação endógeno e legítima. em desperdícios. também problemas político-institucionais com desdobramentos legais. harmoniza e potencializa no desenvolvimento sustentável não se sustenta em falsas necessidades. Implícitos nos desdobramentos anteriores se têm outros conceitos como os de solidariedade e ético com problemas. com espaços geográficos diversos. “ceder”. segundo Capra (2003). mas qualitativo. como são vontade e decisão política. sem necessariamente ser compelido pela conversão de problemas solucionáveis em calamidades irreparáveis. objetivos. um crescimento não-linear nem ilimitado.). ainda para situações específicas ou limitadas de um local ou região: um processo de acordos cimentados em cada fase. não compreendem apenas problemas técnico-científicos físicos. responsabilidade social e para outros “aceitar”. no contexto da economia capitalista. para poucos e de exclusão e miséria social para muitos..

2. nessa minimização. É preciso entender os princípios e a lógica do desenvolvimento da cultura de convivência adequada ao meio ambiente.5 Convivência com a seca: ações integradas em planos Na linguagem comum se encontram associações e equívocos em significados de termos como desertificação e seca que podem confundir e até desorientar planejadores. principalmente. na definição de convivência com o semiárido. seus efeitos. São possibilidades a considerar no semiárido dotado de especiais recursos de seu bioma. a caatinga. condições climáticas. de solos estorricados. . provocando sérios desequilíbrios hidrológicos e afetando. há espaços para acordar planos de sustentação consistentes para o suporte ao desenvolvimento em uma região. de vantagens comparativas. em níveis toleráveis. A desertificação entendida conforme anteriormente apresentada. de animais mortos nos campos.1. de capital humano e de instituições econômicas e públicas de qualidade-efetividade. porém incompletas ou com viés. da solidariedade. para solucionar conflitos com eficácia. quanto de violência implícita que discrimina e exclui. Conceitos errados. Outro conceito importante a considerar nesta síntese é o da convivência com a seca em planos que considerem esse fenômeno natural da região e que permitam minimizar. de acordo com a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação. a combinação de dotações de recursos naturais com a criação de aptidões modernas de conhecimento e tecnologia. vontade e perseverança.). vontade e decisão política para perceber como agir com ecoeficiência. como sendo um fenômeno natural que ocorre quando a precipitação diminui significativamente em relação às normais de um local ou região. evidenciando-se. como visões ideológicas e parcialmente realistas. entre outras figuras e expressões presentes na música de Luís Gonzaga.interação de processos complexos. mas complementações e sinergias ao se definirem novas vantagens da competitividade. em qualquer nível de abrangência. a seca. reservas subterrâneas de água e. O desenvolvimento poderá compreender. sem que haja superposição à ideia estática de dotação de recursos. de forma negativa. diretrizes e instrumentos. de seus habitantes especiais por sua cultura. de crianças raquíticas. orientações. tomadores de decisão e órgãos de financiamento e desenvolvimento. na literatura de Graciliano Ramos (. Nessa escolha se evidenciam fatores do combate à desertificação e mitigação de efeitos das secas. com a imagem e clima da região. ao trata o assunto da convivência. Por corolário.. à semelhança de culturas desenvolvidas pelos povos como os do ártico e deserto naquelas condições ambientais. recursos necessários a oferecer para desenvolver com eficiência. o sertanejo tem sua cultura de convivência e adaptação ao maio. entre outras de políticas públicas. também. de retirantes nas estradas. na pintura de Portinari.Eduardo A. C. Grcia melhores caminhos por meio do diálogo. distorcidas e associadas ao de uma região árida. sistemas produtivos.. tanto os que resultam de violência explicita da marginalização. liv . de açudes secos. o potencial da tecnologia.

respeitando leis naturais e permitam explorar riquezas contidas nesses frágeis ecossistemas. em geral. comprometê-la nessa participação. complexos do semiárido. entre outras. os recursos hídricos e a vegetação funcionam e se relacionam estruturam e adequar-se a eles. Conhecer a capacidade de tolerância de ecossistemas às intervenções humanas e ampliar os estreitos limites. fazem parte dos elementos para definir um plano de convivência com a seca no semiárido. compreende um forte e imprescindível componente político agindo na geração e disponibilização dessas opções. No entendimento da realidade física e antrópica se destaca o combate à desertificação. com especificações baseadas em critérios e evidências de fragilidades. sem interferir. crédito. ainda que adequada às condições. o da convivência.. lv . portanto. pela instrução e conscientização. Parte dos fundamentos de um plano de convivência com a seca compreende (relação preliminar) ou implica: a) Oferecer opções tecnológicas para amenizar a escassez de água e as limitações da capacidade produtiva do solo. Figura 6 Cisternas do semiárido ainda. assistência técnica. em ciclos e processos como os hidrológicos e de recomposição de fontes. com foco no ser humano em seu meio. porém sem meios de implantação (p. o re-ordenamento de espaços agro-econômicos diversos e. A imprescindível da participação da comunidade em planos e propostas de convivência é fortalecida com a educação e capacitação para. sem pretender acabar com a seca ou importar vegetações e tecnologias forâneas.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Compreender como o clima. de forma destrutiva. mas com intervenções inteligentes que. É oportuno destacar que esse plano. nas atividades econômicas locais e regionais. descontinuar e reverter processos como os de degradação e qual é o papel (imprescindível) do engajamento da comunidade nessa prevenção e na reversão. limitações e potencialidades a serem internalizadas. entre outras ações importantes. entender como prevenir. com sustentação. Uma tecnologia.ex. gerar perdas e provocar frustrações e descrédito de um dos instrumentos mais importantes do desenvolvimento. O plano de convivência com a seca deve compreender ou prever. monitoramento etc. com “garantias” como as que possam se derivar da tecnologia adequada às condições da região. dessa capacidade.) poderá não alcançar os rendimentos que dela se esperam e.

aprimorar e disponibilizar procedimentos e técnicas de dimensionamento. há mais de 35 anos). solo e vegetação. Figura 7) para captação de água de chuva para o consumo humano. Figura 6). d) Motivar – mobilizar as comunidades para participar e usufruir dos benefícios de projetos como os de educação ambiental. A convivência com a seca. O desmatamento facilita o escoamento e as “perdas” tanto de água como da capa agricultável do solo. Formas tradicionais de armazenamento como as de grandes reservatórios não atendem às exigências do meio ambiente: quanto mais extensa a superfície de um reservatório. para produzir etc. Grcia b) Desenvolver. C..ex. capacitação e valorização de ambientes e recurso a serem protegidos. que é preciso aproveitar com o armazenamento e gestão criteriosos da água para superar notáveis déficits hídricos. tanto maior será a evaporação pelo efeito da insolação e ventos e da transpiração de plantas ao redor dessas construções. levando saber e a experiência para o Nordeste. Por isso. p. barragens subterrâneas e poços com dessalinizadores. assim.Eduardo A. cisternas rurais (para beber. como alternativas “simples” e economicamente viáveis para a captação e armazenamento da água de chuva. o resultado de um processo de educação para tratar. em parte. construção e uso–manejo de sistemas de abastecimento de água como. mas é preciso limitar a sua perda por evapotranspiração e assegurar a sua qualidade. A própria natureza de solos do semiárido sob cristalinos limitam a infiltração e recargas de lençóis freáticos. solo e vegetação com a introdução de adequadas práticas de uso desses recursos. aprendeu a utilizar placas de cimento pré-moldadas. c) Disponibilizar critérios técnicos e operacionais para a conservação e manejo integrado do de água. em outros contextos.. em o São as chamadas cisternas de placas Figura 7 Cisterna de placas pré-moldadas (pré-moldadas curvadas. com o semiárido. mesmo irregular no tempo e no espaço. que depois de vários anos construindo piscinas São Paulo. a água armazenada a céu aberto em reservatórios rasos se “perde” com facilidade e rapidez. Do saber tradicional xvii se destaca e exemplifica a tecnologia “inventada” por um pedreiro (conhecido por Nel. é. município Simão Dias. não é suficiente armazenar água de qualquer forma. No semiárido se tem um regime de chuva. fatores limitantes como água. Sergipe. pequenos reservatórios de forma oval lvi .

ao lidar com a seca. no convívio com a seca. possíveis de serem melhoradas. precisa de estímulos e atrativos de melhorias sustentáveis na dimensão econômica. dos solos e da vegetação. São atividades e experiências. Um plano capaz de compreender aspectos. de conhecimento e divulgação de saberes tradicionais e de medidas sociais para a melhoria do bem-estar. que precisam de divulgação. tais como: a) Os econômicos: apoio à agricultura familiar e ao desenvolvimento com base em novos critérios. ao possibilitar difundir (aprimorar) experiências e saberes bem-sucedido. Deve-se observar que a legitimidade de um plano é proporcional à representatividade sociocultural e histórica que ele traduza da comunidade e seu meio. O atendimento às exigências como as de estruturação e (re)composição do meio natural. uma delas acima citada. b) Os sociais: infraestruturas para melhorar o atendimento à saúde. lvii . integráveis com seus saberes. às condições de comunidades e. práticas e tecnologias que possam “garantir” a segurança alimentar e gerar excedentes para o mercado com valores agregados no local. d) Os físicos. com suas naturais limitações e possibilidades ou potencialidades. São conhecimentos que tem como argumentos informações. Tais melhorias no semiárido não podem ignorar a seca. tecnologias do manejo e conservação no contexto de unidade de planejamento como o de uma bacia (sub-bacia) hidrográfica e o município. incentivos e mobilização social. monitoramento e avaliação social. entre outras. individuais ou coletivas. caracterização e disponibilidade de fontes de águas superficiais e subterrâneas.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas ou cilíndrica. Um plano de convivência. à educação e ao saneamento básico no contexto da qualidade e segurança social que esse meio permita desenvolver. os conhecimentos básicos sobre a localização. A exigência não é apenas de infraestrutura. São construções fechadas e variáveis conforme o número de pessoas a serem atendidas e o tamanho do telhado das casas. no acesso aos recursos e serviços de bem-estar social que possam compensar efeitos “negativos” da seca. é imprescindível na formulação de um plano de convivência com a seca. c) Os culturais e históricos como saberes tradicionais e experiências. portanto. construídos em proximidades das casas que usam calhas para colher a água de chuva dos telhados. A água depositada ali durante os períodos chuvosos fica armazenada para atender necessidades nos períodos em que normalmente não chove. mas compreende a dotação de recursos para gerar e manter os serviços. serviços e tecnologias adequadas à região. como comportamentos induzidos. A convivência. coberto e com metade de suas dimensões encravadas no chão. exige infraestruturas para se fundamentar. tais como. em parte. direcionando-a para essas cisternas. A valorização de tais saberes e o resgate da identidade cultural de comunidades é um propósito a ser colocado em um plano de convivência com a seca. Compreende planos de educação. com possibilidades de “previsão” e alerta contra ocorrências “anormais” desse fenômeno.

h) Os planos de contingências e de alertas de fenômenos com antecedências suficientes. dentro do plano de convivência com a seca. como fator produtivo e chefe da família desestruturada com a emigração do homem do semiárido. i) Os sistemas de informações com dados de todas as dimensões integráveis e sintetizáveis em INDICADORES. sistemas que permitam gerenciar e disponibilizar. de economias e mercados. transporte e comunicação. k) E. de infraestruturas básicas como as de energia. lviii . f) Os de planejamento estratégico e gestão integrada que permita combinar estratégias e atividades públicas e privadas para a harmonização da eficiência econômica e a sustentabilidade social e ambiental na região dentro de contextualizações e arranjos ou cadeias produtivas típicas da região. com garantias de integridade e oportunidade. significa acabar com a desertificação (S  D). seja para o atendimento às demandas por capacitação. da água e dos meios de produção. É possível definir. conforme seja o entendimento e aceitação do conceito seca por parte de formuladores desse plano. Alguns poderão identificar a seca (S) e a desertificação (D). Podem ser ajustes gradativos e mudanças que obedecem a processos como os de conscientização coletiva. educação e autonomia com responsabilidade. entre outros. entre outros a compor um plano de convívio com a seca. C. como um único e mesmo fenômeno (S = D) e. os aspectos de educação . além de seu papel. portanto.conservação de seus fluxos com melhorias de bem-estar: conscientização e educação. em quase todos os aspectos anteriormente relacionados. seja para contribuir diretamente na formulação de políticas públicas orientadas para o apoio a esses planos. poderão ter definições e enfoque diferentes. dada a sua missão institucional. a informação para todos. Os aspectos acima indicados. estruturas cooperativas e associações de classes e civis para agregar valor no local aos bens e serviços com novas formas de organização e integração de esforços e recursos. admitem que a eliminação dos efeitos da seca pelo controle de suas causas. para mitigar efeitos e preparar auxiliar à população diante de previsões. Outros.Eduardo A. g) Os institucionais: de descentralização de investimentos. um espaço a ser legitimado em planos de convivência e desafios em campos de estrita e direta competência do Ipea. em muitos casos. entre outros requisitos. solicitados por órgãos e entidades públicas e privadas engajadas no desenvolvimento do semiárido. de interesses e objetivos das comunidades. j) O gênero e o semiárido. formulação de cenários e estudos. e de mudanças em estruturas socioculturais e históricas relativas à pose da terra.capacitação para a proteção de fontes e para o manejo . entre outros os prospectivos. principalmente. destacando-se a estreita relação entre a mulher e a sua função mulher de abastecer o lar com água (como uma extensão do trabalho doméstico). Grcia e) Os organizacionais incluindo.

entre outras posições. para facilitar a comunicação e entendimento da mensagem que se propõe neste documento. como normais. Os termos ou conceitos implícitos em abaixo. sem admitir que sejam definições necessariamente corretas e/ou de aceitações unânimes entre os cientistas. a “má” distribuição das chuvas.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas pressupõem que a desertificação é um processo que pode aumentar o rigor das secas (D  S) e. O conceito compreende: a) Seca meteorológica: precipitação abaixo das normais de precipitações pluviométricas esperadas em uma região e para determinado período. de indicadores para expressar esse fenômeno. insuficientes para atender demandas consuntivas. conforme sejam as tipologias de cultivos e sistemas de produção.ex. b) Seca hidrológica: níveis de rios e reservatórios abaixo de normais esperadas em pontos – chaves de locais significativos em uma bacia hidrográfica e região para determinado período. concluem que combater a desertificação é evitar a mudança climática. supridos por diversas fontes naturais de água como as superficiais. é preciso diferenciar conceitos. sua severidade. ainda que não façam parte de abordagens sistêmicas. sociocultural. subterrâneas e meteóricas. O conceito de seca. como um fenômeno climático mais antigo e visível do que a desertificação caracteriza-se por normais pluviométricas (ou outras fontes naturais de água) insuficientes (em relação a um padrão) em uma determinada região e período de tempo. xviii e relacioná-lo com diversos efeitos. além de referências para suas definições. claras e objetivas. Pelo exposto e para se ter uma orientação objetiva na formulação de um plano de coexistência com a seca.. de acordo com o que segue. d) Seca econômica: quando o déficit de água provoca a falta de bens e serviços em uma determinada região e período. as condições de adoção dessas medidas o que significa auscultar aspectos socioculturais lix . dessa forma. básicos para a formulação. apenas referências conceituais necessárias. ao aumento no consumo de água e ao mau gerenciamento dos recursos hídricos. precisam. Há aqueles que associam as secas como causas da desertificação (S  D) e. (p. entre outras causas desse déficit. conforme anteriormente apresentado e o da seca. as normais de longo prazo da região por período). histórico. c) Seca agrícola: níveis de umidade do solo. São fatores. refletem comportamentos de longos períodos. Essas expressões e relações são fundamentais em um plano de convivência com a seca. econômico e físico (ambiental ou ecossistêmico) amplo e realista de um local e região. tais como: as medidas que devem ser consideradas e para quem devem ser propostas. O da desertificação. assim. alimentos e energia hidrelétrica devido ao volume insuficiente. aplicação e monitoramento de políticas públicas. Por outro lado ou de forma concomitante. como os de dessedentação. gerenciá-las significaria impedir a desertificação. insuficiente e déficit qualificadores do fenômeno das secas. é preciso entender os fatores que determinam (poderão determinar) essa convivência em um contexto político-institucional.

limitações e potencialidades a serem internalizadas. c) Disponibilizar critérios técnicos e operacionais para a conservação e manejo integrado do solo – vegetação. de ciclos em ambientes do semiárido (INDICADORES e referências). de reservas. entre outros aspectos: a) O regime pluvial médio de 750 mm com grande potencial (perspectiva) de armazenamento de parte desses 750 bilhões de m3/ano de água para uso e manejo criteriosos. implícitas nessa convivência. Essa perspectiva parece ser interpretada no projeto de construção de um milhão de cisternas. lx .. devem ser integradas com as da transposição do rio São Francisco. O plano de convivência da seca no semiárido começa e se desenvolve com base no potencial dessas zonas. com especificações baseadas em critérios e evidências de fragilidades. com sustentabilidade. incluindo. Nesse contexto há importantes lições a serem devidamente estudadas e atualizadas para aplicá-las na formulação de novos planos. capacitação e valorização de ambientes e recurso a serem protegidos. uma dessas lições é a do Projeto Áridas. C. tem-se os fundamentos. p. para produzir etc. gestão administrativo-financeira de cisternas em nível de comunidades e capacitação de pedreiros. Relacionado com os aspectos básicos de um plano de convivência com a seca. multidisciplinares e multiinstitucionais. os de políticas públicas e do próprio plano da convivência a compreender (relação para reflexão): a) Opções tecnológicas para amenizar a escassez de água e as limitações da capacidade produtiva do solo por insuficiente umidade para os cultivos. instrumentos e recursos..ex. entre outros. b) Desenvolver e disponibilizar técnicas de dimensionamento.Eduardo A. e a especificação do que se busca em cada fase e é possível alcançar em um plano estruturado e com visão de longo prazo. nas atividades econômicas e na convivência. Algumas dessas ações e se oportunas e/ou convenientes. figura ao lado). a procura da harmonia entre as atividades econômicas e a proteção – preservação de fontes. as condições necessárias para se ter a conservação – manejo de fluxos de bens e serviços ambientais e o que é preciso fazer para garantilas no local. barragens e poços com dessalinizadores etc. Grcia e históricos das comunidades vulneráveis e afetadas pelo fenômeno da seca. incluindo. entre outras atividades: a implantação de projetos demonstrativos e capacitações em gerenciamento de recursos hídricos. as exigências de ações e estratégias cooperativas. cisternas rurais (para beber. d) Motivar e mobilizar as comunidades para participar e usufruir de projetos como os de educação ambiental. construção e uso – manejo de sistemas de abastecimento de água como. O plano de convivência com a seca deve compreender ou prever o re-ordenamento de espaços agro-econômicos do semiárido.

proteger encostas. destaca-se a erosão. Um processo favorecido pela perda da cobertura vegetal que serve de proteção à superfície do solo contra a ação da água (erosão hídrica) e do vento (erosão eólica). o sobre-pastoreio e excessivo uso lxi .tecnologias de uso do solo. procedimentos e recursos para operacionalizá-la. de transporte do material desagregado pelo escoamento superficial de partículas da capa agricultável em processos laminares e voçorocas.6 Erosão dos solos Na degradação dos recursos da terra. da desertificação é o da erosão dos solos dentro de uma ampla diversidade de clima. Esses propósitos. o sertanejo: suas experiências. geomorfologia e tipologias pedológicas. entre outros fatores. por fim. além de projetos de capacitações e de educação ambiental. É um fator que faz parte de um ciclo perverso da desertificação: “desmatamento – queimada”  “simplificação ecossistêmica”  “degradação ambiental/erosão”  “redução da produção agrícola”  incorporação de novas áreas de “proteção” “piora de condições econômicas e sociais”  fome “emigração” . saberes tradicionais e organizações – movimentos sociais a serem resgatados. Várias formas de uso e manejo tradicionais dos solos podem resultar em degradação ambiental. tais como: o extrativismo vegetal e mineral. aumentar a produção. da biota e humana.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas b) A diversidade de plantas e animais do bioma da caatinga que deve ser conhecida e valorizada: proteção de habitats e possíveis melhorias para gerar excedentes econômicos sustentáveis. O plano deverá transcender a conceituação com a especificação de meios.. um processo natural de desagregação da massa do solo provocada pelo impacto das gotas de chuva numa superfície livre ou pela ação do vento.. 2.. à jusante da área afetada. e de deposição. entre outros. Um dos conceitos básicos do processo de desertificação no semiárido nordestino é a erosão de solos. de materiais da rocha e solos. da água e da vegetação. c) O ser humano. diversificar ecossistemas e reflorestar – regenerar coberturas nativas de vales e áreas úmidas desmatadas e preservar as reservas de proteção ambiental. Romper esses ciclos pressupõe conhecer as fases que os definem e gerar – oferecer alternativas para evitar a emigração ao melhorar condições socioeconômicas. valorizados e internalizados em ações de planos de convivência com a seca. recompor áreas. Um processo acelerado por inadequadas práticas de manejo e técnicas .1. caminho para a desertificação. Um dos fatores mais importantes no processo de degradação dos recursos da terra e. fazem parte do conceito de convivência em seus desdobramentos.

ex. com alterações de processos microbianos refletidos na fertilidade dos solos e na produtividade que se perdem com a erosão. A análise da ação ou impacto de cada um e do conjunto. de água e de nutrientes são responsáveis pelo decréscimo na produtividade agrícola e pecuária. materiais orgânicos e. agentes passivos e agentes dinâmicos. As perdas ocorrem pela remoção da camada superficial que contém a matéria orgânica. no final dessa cadeia. ilustradas nas Figuras 8 e 9 e na Tabela 2. insumos agrícolas como fertilizantes. observam-se variações (em função de diferenciações ambientais e de usos e manejo dor recursos da terra). na África e as calculadas. a laminar predominante em Irauçuba (CE). As perdas de solo. p. Grcia agrícola. submetidos a intensos desmatamentos. na flora. Quanto às perdas de solo. para certas condições tanto físicas como de uso e manejo dos recursos da terra. em parte. Que fatores determinam a erosão? O Quadro 3 relaciona alguns desses fatores e exemplos de contribuições. e a erosão em voçorocas (crateras) e grandes dunas (erosão hídrica: inverno e eólica: época das secas. na fauna e. a mais prejudicial.. potencializando o efeito negativo de cada fator. no homem. com a combinação de dois processos (desagregação e transporte de materiais). com sinais mais notáveis registrados em solos arenosos de Gilbués (PI). com interações a serem conhecidas e tratadas em planos de conservação e manejo do solo conforme as lxii . com possibilidades de se ter estimativas ou aproximações como as apresentadas pelo PNUMA. com destaque para a erosão entressulcos. sob determinadas condições do semiárido é fundamental para definir práticas e tecnologias de manejo integrado e de conservação desses ecossistemas. práticas de queimadas e ocupação desordenada do solo. com solos esturricados). lenta e quase imperceptível em solos rasos e pedregosos. A erosão depende de um conjunto de fatores que agem tanto de forma isolada como conjunta (mais freqüente). Na caracterização da erosão no semiárido se podem identificar várias formas como.Eduardo A. C. Em termos econômicos são perdas quase que incalculáveis pela “impossibilidade” de reparar totalmente os ambientes danificados. No processo de erosão há causas físicas e causas mecânicas. os nutrientes inorgânicos. mas. neste documento. fatores controláveis e fatores naturais. formas de manejo e técnicas de produção que expõem os solos aos agentes erosivos. por vezes. pela eutrofização de corpos de água e pela degradação do solo com impactos nos recursos hídricos. determinantes das perdas do solo por erosão.

facilita-se a degradação do solo Se destruída essa borda e proteção natural de matas ciliares. facilita-se a degradação do solo Bordas protegidas/ vegetação: mata ciliar Borda de rio desprotegida: erosão Irrigação / inundação de campo aberto Sulcos rasos: Picui (PB) Aspecto erosivo: núcleo de Cabrobó (PE) Aspecto erosivo: núcleo de Gulbués (PI) Erosão laminar Área rural de Cabrobó (PE) Caprino pastando na caatinga lxiii . Se destruída essa borda e proteção natural de matas ciliares. tecnologias a introduzir conforme saberes. aumento no consumo de fertilizantes e nos custos de produção. entre outros impactos. açudes e barragens. Perdas pela erosão do solo representam redução da fertilidade natural do solo e seguida queda da produtividade agrícola e pecuária. eutroficação e assoreamentos de rios.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas características e condições da região: práticas a melhorar.

erodibilidade elevada Acentua degradação Relevos suaves – forte ondulação.5 salário mínimo per capita. C. Grcia Aspecto erosivo: frequente PLANOS E ESTRATÉGIAS NACIONAIS. barragens e extração subterrânea. NO COMBATE À DESERTIFICAÇÃO 1) Programa Alimentação saudável: famílias carentes com renda inferior a 0.Eduardo A.4%) Tipo de solo erodibilidade Neossolos Lit. condições e possíveis contribuições que determinam a erosão dos solos. mais de 2.0%) Argisolos Topografia Cumprimento Perdas do solo diretamente proporcionais Declividade EFEITOS e EXEMPLOS DE INDICADORES A quantidade erodida de solo é diretamente proporcional a quantidade de chuva: intensidade e concentração Quanto maior  maior o potencial de desagregação Maior potencial de erodibilidade no verão Pouco desenvolvido. a FATOR CONDIÇÃO OU SITUAÇÃO Quantidade Chuva erosividade Intensidade Distribuição Luvissolos (18. 10) Programa proágua gestão: combate à desertificação mediante estudos para disponibilizar água no semiárido 11) Programa de expansão e consolidação do conhecimento científico e tecnológico 12) Programa de desenvolvimento sustentável de mesorregiões diferenciadas 13 Projeto desenvolvimento sustentável para assentamento de reforma agrária no semiárido 14) PROGRAMA NACIONAL DE COMBATE À DESERTIFICAÇÃO Figura 8 Tipos frequentes de erosões dos solos no semiárido e Planos Nacionais no combate à desertificação Quadro 3 Fatores.6 milhões de crianças do semiárido. 6) Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura – Pronaf. (10. 2) Programa Educação de jovens e adultos: reduzir os índices de analfabetismo 3) Programa toda criança na escola: ação de “bolsa escola”. pouca água disponível. relevo suave ondulado. canais. água e mecanização 5) Programa jovem empreendedor: organização e capacitação do jovem do meio rural / Projeto Amanhã. EM 2008. boa drenagem Perdas do solo proporcionais à inclinação da rampa lxiv . aça\o: Seguro Renda. famílias de produtores rurais 7) Programa Bolsa-renda: concessão financeira sazonal para auxiliar famílias carentes atingidas pela seca 8) Programa desenvolvimento da fruticultura: geração de inovações tecnológicas para aumentar produtividades 9) Programa proágua infraestrutura: ampliar a oferta mediante com obras: adutoras. 4) Programa desenvolvimento da Região Nordeste: provimento de infraestrutura como eletrificação.

9 0. 2. < 0.5 – 0.5 C > 0. em níveis e riscos aceitáveis.1 ( 0 < P < 1. com o auxílio da estatística e matemática.2 – 0. quanto possível.0) O fator de conservação poderá variar entre 0. é “conhecida” e “garantida”.ex. é compreendida como sendo a exploração agrícola que adota técnicas. lxv .> 0. São usos dentro de limites “seguros”. nessa consideração. equilíbrio.3.7 < P < 0. para determinar a contribuição de cada uma dessas variáveis nas perdas totais de solo por erosão.1 Tipo de uso C=fator de proteção a Pastagem não-degradada Queimada e superpastoreio Os fatores são analisados conjuntamente. dessa forma.2 < C < 0. na parte de apresentação de resultados.3 < P < 0. de modo a obter um rendimento considerado satisfatório porque.. a conservação do solo.9 0.9 0.2 a 0. garantindo-se a manutenção (por vezes melhorias) de “estados” d e qualidade e quantidade. sociais e culturais ao tempo em que admitem fluxos de matéria e energia renovados: fluxos econômicos excedentes. com danos irreversíveis.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Tipo de vegetação P = fator de conservação Tipo de manejo Pastagem Cultivos. com crescimento médio a alto Fator de crescimento baixo: C . a renovação do ecossistema em função dessa utilização não exceder a capacidade nem alterar. sociais e culturais humanas. mantida.1. as características do sistema.7 P . mediante a conciliação da proteção do ecossistema com atividades humanas orientadas para o atendimento de necessidades econômicas. Analogamente. Dessa forma. p.7 Conservação e manejo integrado de ambientes e recursos naturais A conservação é entendida como a utilização racional de um ambiente ou de um recurso natural qualquer.7 P > 0. as de proteção contra erosão e faz a devida reposição de fertilidade do solo conforme seja a extração de nutrientes pelas culturas. a conservação ambiental quer dizer o uso apropriado. a proteção da fonte e do ciclo responsáveis (adequada substituição ou reposição) pelo fluxo nessa utilização. com/práticas Cultivos sem/ práticas Plantio morro abaixo Plantio / nivelamento Plantio / barreira Solo desnudo Menos de 0. integridade e capacidade de atendimento às necessidades econômicas. entre outras.

d) Os limites de tolerância. da região. dos solos e das plantas. as locais. São definições básicas implícitas nos conceitos de conservação e manejo integrado que. capinas. O Nordeste é uma região pobre.. c) A capacidade de sustentação do sistema à intervenção. dependendo da forma. b) O rendimento satisfatório.ex. C.. modelos de países e regiões desenvolvidas e industrializadas não poderão servir de referências.Eduardo A. sob determinadas condições. p. reservas e ciclos lxvi . manejo e intensidade conformada às características do local. com limitações de seus recursos naturais. à exploração. sem prévias avaliações. e) Os níveis e “riscos” aceitáveis. expressos por indicadores capazes de manterem estados como os de qualidade. adequação e conveniência devem ter como referência as características conhecidas do local ou região. Dessa forma entendido. adubação em cobertura. O Quadro 4 sintetiza o conceito de conservação no sentido em que se utiliza neste documento.8 Agricultura: destaque para a sustentabilidade agrícola Atividade econômica que se define com bases em procedimentos. com indicações de processos e decisões baseadas em dados confiáveis e indicadores consistidos. e pela proteção de fontes. manejo integrado de pragas. não serão consideradas neste documento simples. quantidade e equilíbrio do ecossistema e de outros sistemas do local ou região. O manejo pode ser conceitualizado como um conjunto de práticas culturais como. pulverização. 2. mas socioculturais e econômicas. apesar de serem importantes. tais como: xix e de manejo integrados de ambientes e recursos há a) A utilização racional com práticas “adequadas” de manejo e com as tecnologias convenientes de conservação. considerando determinadas referências. Diretamente relacionado com os conceitos de conservação e manejo se tem o conceito de agricultura. para explicar problemas e delinear políticas públicas. de elasticidade ou de resiliência. experiências e lições de regiões com semelhantes condições e precedidas de avaliações poderão ser úteis. mas com oportunidades a desvendar.1. Grcia Nos conceitos de conservação definições básicas. técnicas e métodos de conservação e manejo integrado dos recursos naturais. com perspectivas de mudanças pela gestão e por inovações tecnológicas apropriadas e convenientes. irrigação considerando características das fontes de água. Dessa forma. Mas. testes e possíveis ajustes ou adequações. altura de corte. porém com potencialidades para “superar” níveis críticos. rotações ou cultivos alternados etc. no caso da agricultura. no cultivo de uma espécie. a conservação e manejo integrado devem refletir tais características não apenas físicas. entre outras as ambientais e socioeconômicas próprias do local. da região.

constituindo-se atividade contra a degradação. também.. em arranjos e destinos de produtos como feijão.. mas em áreas secas com possibilidades de incorporar procedimentos de irrigação adequada: técnicas e condições como as de financiamento (crédito). aos elevados índices de evaporação e evapotranspiração durante todo o ano. às formas de uso e manejo desses recursos e a organização e estruturação em unidades de agricultura familiar (destacado papel da mulher). atividade de sobrevivência e em pequena escala. e à vegetação da caatinga com a sua diversidade e potencialidade. etc. entre outros os da agricultura sustentável. Afeiçoada. de utilização racional REALIDADE Usos e manejos. Em diagnósticos e análises detalhadas determinar-se-ão as brechas para melhorias de sistemas produtivos. Preservação Unidade de Conservação Avaliação Decisão Desenvolver Sustentável Crítica Consistência Esperada  Avaliação Realidade: análise Potencialidade: indicador Restrição/ limitação: indicador Capacidade de suporte: indicador Avaliação Risco CONSERVAÇÃO Nova realidade.. Caso não  Taxa . adequada aos tipos de solos de fácil ressecamento nos períodos de estiagem. milho e mandioca para consumo e mercadorias como valor de troca em mercados locais.  Utilização racional Sistemas de produção adequados ao local Tecnologias para inovações Práticas para manejo integrado Avaliação Econômica Educação Capacitação   Saberes tradicionais: resgate e valorização Alternativas de utilização Motivação/ participar Recursos / agir Infraestrutura Legislação $ $ lxvii $ $ $ $ $ $ $ $ $ $$ Campos pilotos e demonstrativos Cursos teórico-práticos Seminários e fóruns de trabalhos Programas de rádios e TV Extensão-assistência técnica  Avaliação geralDecisão e decisão: Se existem potenciais /capacidade de suportes suficientes?  Usos com base em princípios e critérios racionais e de suporte. Quadro 4 Elementos do conceito de conservação. ao clima tropical quente definido pelas suas “normais”. assistência técnica. ainda com áreas improdutivas.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas com práticas e sistemas de inovações que permitam o “melhor” aproveitamento de potencialidades no longo prazo. aos lençóis de águas com frequências salinizáveis. Caso não  preservação  Avaliação de riscos e decisão: Se mínivos e aceitáveis?  Utilização racional.. não apenas em áreas de vazantes. Uma atividade planejada e desenvolvida dentro da tipicidade de fatores do semiárido. com grandes variações pluviométricas.

fazendo da degradação dos recursos da terra uma parte central desse plano e evidenciando que a degradação leva a uma competição maior por esses recursos cada vez mais escassos e determinantes da sobrevivência das comunidades rurais nesse ambiente. sem consulta.. a melhorar. entendimento e acordo solidário com esses atores. do sertanejo. por que é que preciso mudar? Configuram-se estruturas tradicionais e resistentes ao progresso. bem como condições de vida na região. Grcia É preciso considerar. como garantia para manter a produção por longo prazo ao proteger reservas como as de nutrientes do solo. também. Por fim.. meu pai. Considerar. como e a intensidade de formas alternativas de uso com proteção ambiental e de manejo com integração dos recursos. sem sustentabilidade. no conceito de agricultura sustentável. C.Eduardo A. O conhecimento de condições em que se desenvolve. a capacidade de manter pelo menos estáveis as fontes de recursos da terra do semiárido. se não melhoradas. fontes de recursos hídricos e estados da diversidade biológica. ao meio ambiente. a agricultura no semiárido poderá determinar onde. evitando-se a sua expulsão do campo.. são arranjos tradicionais que contribuem para o estado crítico da agricultura com efeitos sobre o meio ambiente. Parte da resistência à tecnologia decorre de experiências passadas que não tiveram sucessos e geraram problemas ao produtor. Isso. lxviii . faziam assim e dava certo. formas de arranjos entre trabalhadores e proprietários dos recursos da terra. meu tio . na agricultura com sustentabilidade. quando definido e implantado. Um dos propósitos das ações e estratégias de um plano de combate à desertificação e convívio com a seca é capacitar lideranças de associações rurais para sair da pobreza. que possibilidades de inovações tecnológicas se encontram atreladas ao sistema tradicional de trabalho: “meu avô. considerar.

Tais transformações colocam em destaque a participação da comunidade na discussão e elaboração de políticas e planos como os de controle da desertificação e convívio com a seca. produção e consumo caracterizado por critérios a serem internalizados nas práticas de uso e manejo dos recursos da terra.1. culturais. que eles sejam mínimos e. quando não bem escolhidos e aplicados. utilizá-los de forma criteriosa e observar. políticos. dentro da unidade produtiva e em arranjos ou cadeias próximas ao produtor. entre outros os naturais. lxix . conclui-se que a agricultura sustentável é mais do que novas práticas e tecnologias de manejo e conservação de recursos. principalmente. políticos. como.9 Participação e ação solidária da comunidade no controle da desertificação e convívio com a seca Com base em considerandos e disposições da Convenção Internacional de Combate à Desertificação nos Países Afetados por Secas Graves e/ou a Desertificação aceitos pelo Brasil. biológicos.é o ideia da convivência induzida. dentro da agricultura sustentável.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Dessa forma entendido o conceito amplo de agricultura sustentável. São transformações sociais. outros aspectos básicos como os socioculturais. pela agregação de utilidades dos produtos primários. protegê-lo e utilizá-lo de forma racional. equilíbrio entre extração. econômicos. toleráveis por esse meio: esse é o sentido de sustentação e de riscos aceitos na atividade produtiva no semiárido. mas fazer escolhas “certas”. para as comunidades vulneráveis que se engajam e apóiam um plano de combate à desertificação e convivência com a seca. entre outros: a) a desertificação é causada por uma interação complexa de fatores físicos. Não é suficiente proteger e melhorar os recursos da terra se tais melhorias não são traduzidas em melhorias sociais. biológicos. 2. b) o crescimento econômico sustentado. não se traduz em benefícios sociais. econômicos e de novos relacionamentos com o meio ambiente. Essas considerações colocam o sentido da sustentabilidade agrícola várias dimensões a serem compatibilizadas e integradas. se o controle da desertificação. em bem-estar. Para que a atividade agrícola – pecuária seja sustentável é preciso que considere. Que incorporem possibilidades de mercados com acréscimos de valor. c) dispõem adotar uma abordagem integrada que considere os aspectos físicos. o desenvolvimento social e a erradicação da pobreza são prioridades dos países em desenvolvimento afetados. além de aspectos físicos técnicos. sociais e econômicos dos processos de desertificação e seca. Pelo exposto. históricos e institucionais que representem as comunidades e ambientes nessas atividades. ao não ser possível evitar esses impactos. com certo equilíbrio energético. sociais e econômicos. Não significa dispensar modernas tecnologias e insumos que degradam o meio ambiente. propiciados por projetos como os de educação e conscientização para valorizar esse meio. tende-se ou se espera fechar um ciclo produtivo “virtuoso” dentro da propriedade. . acessíveis e operacionais para o sertanejo.

por distorções institucionais como as de posse e concentração desses recursos e pela característica de fungibilidade.. pela ausência de um direito de propriedade.Eduardo A. de diálogo. do combate à desertificação é uma situação (provocada pelo homem) do ambiente que afeta negativamente o ser humano e que esse ambiente compreende fontes de bens e serviços ambientais ameaçados. isto é. a democracia.ex. quantidade valor. As propostas de ações e estratégias. O conceito de solidariedade entendido como o ato de amparar. g) cooperar com as organizações intergovernamentais. e) promover a cooperação de proteção ambiental e de conservação em terra e hídricos. Grcia d) integrar as estratégias de erradicação da pobreza nos esforços de combate à desertificação e de mitigação dos efeitos da seca. a realidade problematizada. em parte. adequações das propostas da Convenção e de compromissos do País com o desenvolvimento sustentável. orientam-se em quatro eixos básicos (Figura 10): a redução da pobreza e desigualdades sociais. entre outro o da solidariedade. É fácil entender a necessidade da participação da comunidade e de ações solidárias quando se considera que o foco. pela produtividade nem assistencialismo e paternalismo associado a outro conceito. colocam em evidência a imprescindível participação das comunidades nesse combate. de modo responsável. e a gestão democrática e fortalecimento institucional que. aquelas afetadas. a ampliação sustentável da capacidade produtiva mediante a conservação e manejo integrado de recursos da terra. de labor conjunta. p. a ação ou a vida de outrem.. não pertencem a ninguém em particular: é a tragédia dos bens comuns. Nessas considerações e disposições se destacam o papel da participação e de estratégias e ações solidárias das comunidades. a liberdade e o entendimento da diversidade sociocultural. de certa forma. ao mesmo tempo em que pertencem a todos (p. Como princípio e ao lado de a justiça. C. A degradação dos recursos da terra que leva à desertificação ocorre. em riscos e/ou em processos de degradação / perdas. o pensamento. o da ajuda (este pressupõe menoridade ou precariedade daquele a ser ajudado). aliados aos considerando anteriores. a solidariedade é básica no diálogo para construir um plano de combate à desertificação e convívio com a seca. f) reforçar a cooperação subregional e regional. sem controle ou viés como. implica a ideia de cooperação e compromisso. em especial. Ao combater as causas profundas da desertificação e dar especial ênfase aos fatores socioeconômicos que contribuem para esse fenômeno. compreendem e integram princípios.ex. florestas públicas e recursos hídricos). de serem bens e serviços que não podem ser substituídos por outros da mesma espécie. nesse controle e convívio. São bens essenciais submetidos a utilizações desordenadas e competitivas desses recursos que. com implicações negativas para todos. agravadas por distorções ou lxx . qualidade. a preservação e a conservação – manejo dos recursos da terra.

Processos notáveis de degradação que destroem.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas favorecimentos legais – institucionais como os de posse da terra e por formas insustentáveis de usos e manejos de seus recursos. democracia. Pelo Decreto 4. Como pode ser definida a educação ambiental que possa auxiliar planos de combate à desertificação e convívio com a seca? É. ao considerar a construção de uma consciência crítica – realista do processo das relações sociedade – natureza e. com as suas formas artesanais como os de garimpagens áreas vegetadas e corpos de água. com novas informações.281 de 2002. segurança. o enfoque ou abordagem da educação ambiental deve ser interdisciplinaridade possibilitando que os processos interativos lxxi . fome e degradação dos recursos da terra. Reverter esse processo coloca em destaque a educação ambiental e a instrução . 2.assegurar o comprometimento. responsabilidade e participação da comunidade educada. trata-se de um processo que deve proporcionar as condições para o desenvolvimento de capacidades necessárias que grupos sociais. por considerá-las essenciais para a conscientização cidadão e para buscar. tenham legitimidade quando internalizadas e sustentação social com a participação das comunidades e sejam devidamente consideradas e implementadas com os recursos necessários. em diferentes contextos socioambientais. erosão-assoreamento e uso de substâncias tóxicas como o mercúrio. promover a transformação de hábitos. em maior ou menor intensidade. segundo Fritjof Capra) e leva à reflexão e formação de uma consciência crítica pelo conhecimento de causas e interrelações de questões. direitos humanos. Pela multiciplicidade de disciplinas que convergem e se integram. A educação e capacitação são as ações que mais se destacam. Tais ações serão concretas na medida em que consultem e se adaptem à realidade física e humana local e regional. tais como: saúde.1. o sertanejo do semiárido é um desses grupos. que se internaliza (processo pedagógico centralizado na compreensão da vida. seja ele físico-natural ou construído. inclusive com orientações explícitas do documento para atendê-las. influenciados e determinados pela educação ambiental para que as ações sejam concretas. instrução.10 Educação ambiental e capacitação para o planejamento e a gestão Todos os conceitos acima apresentados e contextualizados são. como reflexão que a educação produz. ao considerar aspectos primordiais do desenvolvimento. sem esperar acontecer os fatos para depois decidir o que fazer. tanto no planejamento e gestão do uso dos recursos ambientais xx quanto na concepção e aplicação de decisões que afetam a qualidade do ambiente. mediante desmatamentos.capacitação para proteger e conservar. tanto globais como locais. intervenham de modo qualificado e com motivações. conscientizada. em planos de combate à desertificação e convívio com a seca: são eles os principais atores. eficazes e permanentes e os planos produzam seus efeitos positivos. permeados. em primeira instância. antes de tudo. numa perspectiva sistêmica. atitudes e valores.

gestores e tomadores de decisão em diversos níveis e. de atendimento às demandas. propor planejamentos estratégicos de tratamentos de problemas como os de mudanças climáticas e desertificações. um deles é a adequabilidade de conteúdos. de procedimentos metodológicos. Um deles é o de previsão de mudanças. com criatividade. da produção agrícola e da perda da biodiversidade. evoluções e prospecções de fatores portadores de futuros. No conceito de educação para o desenvolvimento há elementos e condições que o tornam sustentável. Dessa forma sistêmica. de oportunidade. nesse contexto. na busca de um ambiente saudável e ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações. Em outro sentido complementar. em quanto e como preparar administrações regionais do semiárido na previsão de desastres naturais como secas e enchentes. de formas de monitoramento e avaliação. Essa base informacional compila. a educação ambiental deve desenvolver o espírito crítico e a criatividade do cidadão quanto às alternativas locais de desenvolvimento sustentável. Parte dos cenários deve se orientar para definir planos de redução de vulnerabilidades de ecossistemas e fundamentar o que se pode fazer para amenizar ou evitar efeitos negativos como os de secas. dispensar. É notável o empenho do Ipea para auxiliar tanto planos de educação ambiental como programas de capacitação orientados para o planejamento.1. etc. ao fazê-lo quando se pensa e planeja essa criação. nessa criação. tendências e cenários prospectivos. de tratamento de fatores críticos. expectativas. à despeito de avanços científicos. sem. A prática de exploração do futuro é tão antiga quanto à própria humanidade sem. diversidade e singularidades culturais e resgatando saberes e experiências locais em educação ambiental. 2. É preciso “pensar”. entre outras previsões. lxxii . É importante. para auxiliar projetos de educação ambiental. contudo. gestão e elaboração de políticas públicas de desenvolvimento regional. buscando os fatores e condicionantes que levam ao progresso.11 Cenários e estudos prospectivos A prospecção e a construção de cenários facilitam a reflexão e tomada de consciência sobre o desenvolvimento que se quer e pode construir ao transformar a visão de futuro em possíveis (em alguns casos prováveis) realidades. de planos e projetos de educação e capacitação em sintonia com outros planos. Apenas tem sido possível antecipá-los. o passado com suas lições e experiências. Este documento é um primeiro esboço na definição de uma estrutura e base de dados e de estudos para fins educativos.Eduardo A. C. respeitando-se a pluralidade. integra e procura gerir dados de várias fontes para o atendimento às necessidades de planejadores. em especial. Grcia entre as diferentes áreas do conhecimento permitam uma melhor compreensão da totalidade.. conforme trajetórias. tal prática. procura-se uma abordagem metodológica capaz de integrar os conhecimentos entre as ciências naturais e sociais. contudo. compreendendo atividades de pesquisa. conseguir gerar respostas satisfatórias em previsões de eventos.

prováveis) impactos negativos em sistemas. de um cenário futuro provável. p.ex. A complexidade de entrelaçamentos de fatores determina que o tratamento de apenas um deles apresente um valor explicativo reduzido ou inexpressivo. de insegurança alimentar e de problemas na saúde e saneamento básico. com antecipação.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Um exemplo de antecipação. p. construídas com a finalidade de focalizar as atenções em processos causais e pontos de decisão”. intensidade de uso. entre outras. estresse (mudanças inesperadas e rupturas em sistemas vitais) e redução na disponibilidade de água por causa. da realidade que se impõe na medida em que se observam efeitos e interdependências entre fatores causais ou correlacionais. entre outros fatores portadores desse futuro. b) climáticos. supressão da matas ciliares.. p. d) agricultura. O conceito de cenário pode ser o de “uma a seqüência de eventos hipotéticos de situações complexas. uma “boa” prática de manejo e uso do solo sem uma alternativa exequível de substituição de lxxiii . de práticas de uso e manejo não-sustentáveis (degradação de recursos da terra causada pela perda da capacidade produtiva de ecossistemas) e de atitudes imediatistas que levam ao empobrecimento do solo e potencializam variações climáticas. é o da desertificação por causa de desmatamentos e queimadas sem controles.ex.ex. c) vegetação. p. tais como os físicos (ambientais). sistêmica..efeitos e a emigração se nada efetivo for feito. no combate e para o convívio. por causa de degradações nos recursos hídricos. entre outros. redução e/ou substituição de espécies da Caatinga. As condições são as de caracterizar a realidade. A abordagem de cenários compreende: 1 Uma visão global. segundo Kahn e Weiner (1969). Assim. No caso considerado neste documento. definir propósitos (desejos e expectativas) e controlar (poder de agir) as causas da desertificação.. do semiárido. tornando-o vulnerável às perdas (um exemplo na Paraíba é apresentado por SOUZA et alii.. por espécies do árido. tornar mais árido o Nordeste por causa de mudanças em frequências e severidades de eventos extremos. Uma morte anunciada e agravada pelo aquecimento global / mudanças climáticas no semiárido com seus possíveis (por vezes. a fim de demonstrar como uma meta determinada pode ser atingida se atendidas certas condições. tais como: a) recursos hídricos. 2007). na vegetação e no solo com aumentos de marginalização.ex. essa meta é controlar os fatores causais dessa construção antes que os mesmos ocorram e produzam seus efeitos e buscar o convívio com a seca antes que ocorram as emigrações. desmatamentos e exposição do solo. É impossível antecipar as causas . além de sua capacidade de suporte e inadequado manejo para as condições locais. econômicos. e) degradação humana. sociais e político-institucionais.

Adoção de modelos conceituais. 3 As relações entre variáveis e atores são vistas como estruturas dinâmicas . Grcia desmatamentos e queimadas na agricultura do sertanejo não será benéfica o suficientes no controle da desertificação. hipóteses e contribuições de múltiplos fatores. 4 O futuro é concebido como a motivação básica de ações e decisões do presente . e não como um prolongamento inevitável da dinâmica do passado. as mudanças políticas. à criação de cenários. procura-se que a dimensão política tenha como foco o interesse e as ações do coletivo e que determinados grupos influentes sejam engajados no combate à desertificação. 7. que comportam mudanças qualitativas ao longo do horizonte de “projeção” de um fator do plano de combate à desertificação. em geral. prognósticos. comportar e articular – integrar opções. tecnológicas. o futuro “previsível” é múltiplo e incerto. ou a prestação de serviços como os de crédito rural sem um acompanhamento de sua aplicação poderá ser até prejudicial por comprometer o patrimônio do sertanejo. Para tal propósito considera estruturas flexíveis pela sua capacidade de se ajustar e acompanhar evoluções e tendências. lxxiv . a construção do futuro se explica mais pela ação humana do que pelo jogo ou imposição do determinismo. 5. porque resulta da confrontação ou cooperação de diferentes atores sociais em torno de determinados interesses. 2 Ênfase em aspectos qualitativos da realidade e onde cada cenário possa caracterizar um futuro qualitativamente diferente. Neste caso. do jogo de coalizões e de conflitos dos grupos ou instituições intervenientes em cada situação. 6. Essa visão de futuro deve-se ao fato (ou ao pressuposto: uma hipótese de trabalho) de as pessoas. culturais ou mesmo ecológicas não ocorrem ao acaso. Conhecer essa capacidade dentro de um quadro de oportunidades e limitações é um dos aspectos básicos na formulação de um plano de combate à desertificação. Cada cenário representa. organizações ou classes sociais são capazes de influenciar o seu próprio destino dentro de um quadro de oportunidades e restrições concretas. porém manejável por elas. C. Uma visão plural do futuro. considerar a dimensão política como um forte condicionante do futuro. econômicas. Isso significa. na prática.Eduardo A. Por fim. métodos qualitativos e quantitativos e de uma visão probabilística (quando possível: associada ao risco) dos fenômenos. A consideração explícita dos atores envolvidos. objetivos e recursos. Uma das características básicas de cenários é a capacidade de reunir. Em cada momento. sociais. uma particular hegemonia ou o predomínio de uma aliança de determinados atores em torno de um conjunto de interesses. mas resultam. Dessa forma. Esta característica é consequência das anteriores que incluem a incerteza (a ser reduzida) e a pluralidade (opções de escolha) como algo inerente à exploração do futuro. grupos. em parte.

os normativos ou de situações esperadas e desejadas. e. a Declaração do Semi-árido – DAS. entre outros. Em alguns casos não são apenas possibilidades. A preocupação com o realismo e com a eficácia. fatores e condições. possibilidade.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas 8. em termos da realidade. inclusive para as condições do Nordeste (colchetes). relacionados como o tema. os possíveis dentro de um determinado contexto. sem especificações. entre outras. e assegurar a coerência e plausibilidade das combinações possíveis em torno de um plano de combate à desertificação. que podem para auxiliar a formulação um plano de combate à desertificação. Um cenário não é a realidade futura e sim um meio de orientar a ação presente à luz de futuros possíveis e desejáveis. grupos e organizações para completar uma base de informação das regiões vulneráveis e afetadas. mas evidências probabilísticas sobre tais futuros. conforme se indica. da governabilidade (. os mais prováveis ou cenários de referências para determinadas regiões. tais como: os imagináveis ou hipotéticos. 2004). desejos e poder.). lxxv .200 organizações (BRASIL. Há vários tipos de cenários. neste boletim. As fontes de dados e informações para essas construções compreendem. formular hipóteses-chave sobre o futuro. O Quadro 6 indica possíveis cenários de futuros construídos sem os necessários cuidados que demanda a redução de emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa e por mudanças climáticas. e os cenários extrapolativos. documento da sociedade civil que compreende mais de 1. coerência.. O Quadro 5 sintetiza conceitos de alguns cenários. os objetivos de planos estratégicos governamentais dos entes federativos. Os cenários devem focar assuntos relevantes da realidade. Pertinência. com ênfase em os normativos e exploratórios. principalmente dados a serem obtidos diretamente de comunidades. de desejos. plausibilidade e credibilidade .. de poderes. devem guiar a reflexão prospectiva visando um melhor domínio da história na construção do futuro.

Situações atuais e desejáveis. Recursos. a partir do presente: diagnósticos Exploratório Caracteriza futuros possíveis ou prováveis. ESTUDOS PROSPECTIVOS Histórico e evolução de fatores. C. Diagnósticos temáticos integrados. sem assumir opção ou preferência E xt r a p o l a t i v o O futuro como prolongamento do passado e presente Mú l t i p l o Pressupõem-se rupturas nas trajetórias de futuro: Plausíveis ou prováveis Livre de surpresa Variações canônicas Referência Evolução futura suposta como mais provável em função de mudanças e tendências latentes Alternativos Cenários com menor probabilidade. porém ampliando o leque de futuros lxxvi . mediante simulações e desdobramentos de condições iniciais diferenciadas. A lógica é estabelecer o que se deseja e logo agir para alcançá-lo. Grcia Quadro 5 Tipos de cenários que podem ser utilizados para auxiliar a elaboração de um plano de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca no Nordeste CENÁRIO.Eduardo A. Normati vo Futuro desejado como vontade ou compromisso de coalizões e objetivos específicos. Metodologia etc.possíveis.

com ou sem redução das emissões de CO2. devido à redução de mortes induzidas por invernos rigorosos. África e Oriente Médio).1. considerado um limite perigoso. o nível dos oceanos deverá subir.). Em todos os cenários estudados. Possíveis cenários de um futuro sem redução de emissões de CO2 à atmosfera a IMPACTO DO AQUECIMENTO GLOBAL EXEMPLOS DE PROVÁVEIS IMPLICAÇÕES Redução do número de espécies: menor biodiversidade. América do Norte. Mudança de características climáticas. provocando seca em algumas regiões (por exemplo. o que possibilitaria.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas Quadro 6. A diferença poderá ser na velocidade. População em risco de inundações passará de 13 milhões para 94 milhões. China e Argentina) e ser reduzida em outros (por exemplo.12 Políticas públicas para o combate à desertificação e convívio com a seca O conceito de políticas públicas pode ser entendido como um conjunto de diretrizes gerais definidas e voltadas para a concretização de certos objetivos em determinada lxxvii . em especial (…. de acordo a essa velocidade. Vegetação Recursos hídricos Agricultura (alimentos) Nível dos oceanos Saúde humana a Fonte: adaptado do Hadley. com possíveis implicações em fluxos dos rios. A fome poderá ser agravada em várias regiões da África. com um aumento dos níveis dos oceanos de 40 cm. na América do Sul) e enchentes em outras (por exemplo. Mais de 70% ocorrerão na Ásia. um adicional de 290 milhões de pessoas poderá estar sob o risco da malária. na China) Maior número de países utilizando mais de 20% dos seus recursos de água doce por ano. algumas adaptações. especialmente na China e Ásia central. segundo estimativas da FAO. Com as atuais previsões para o ano de 2080. Emissões de CO2 por morte da biomassa do solo: possível ciclo retroalimentado entre emissões desse gás e aquecimento global. A mortalidade poderá ser reduzida em regiões de clima temperado. 2. Apenas considerando o aumento da temperatura (sem apreciar a falta de água) a produtividade de grãos poderá aumentar em alguns países (por exemplo.

no final. criticamente avaliar e lxxviii . espaço geográfico e condições socioculturais econômicas e ambientais. Estas. xxi em Copenhague. planos e projetos. reservas e ciclos de renovação natural. conforme sejam as avaliações de resultados intermediários. poderão não apenas reforçar a resiliência. Um conceito a destacar na formulação de políticas públicas é o da análise. podem ser sintetizadas como um ciclo. envidando capacidades e recursos na gestão integrada da terra em temas como os de seqüestro do carbono para aliviar o efeito estufa. É o ordenamento de práticas. no sentido de o que o governo faz. programas. colocando-as no sistema ao definir ações e estratégias em instrumentos como leis. recorrentes. C. mas contribuir para aumentar a produção agrícola. na elaboração e implementação de políticas públicas de combate à desertificação. É preciso entender a dimensão. As políticas devem interpretar tais orientações. Daí a importância de monitorar e de avaliar – ajustar (quando necessário) os instrumentos componentes das relações de poder entre os membros de uma sociedade. agravando-se. pois os problemas da desertificação continuam sem solução e. Grcia sociedade. reprimidas. conforme entendimento de Dunn (2008) adotado neste documento.Eduardo A. entre outras medidas. a segurança alimentar e. dessas políticas. orientadas para a resolução pacífica de conflitos como os que se geram em torno de bens públicos mais escassos e disputados. entre outros. o desenvolvimento. proteção e prevenção de fontes. mitigação de efeitos climáticos adversos e convívio com a seca. Um ciclo que não segue uma lógica linear e que se retroalimenta em cada fase. Na análise (avaliação) de políticas públicas. conforme se ilustra na Figura 9. ainda. ações e estratégias para se alcançar fins estabelecidos de um bem comum. As políticas públicas. como um processo de inquérito (testar e buscar soluções) multidisciplinar definido para gerar soluções de problemas práticos. para orientar mudanças de paradigmas que se exigem. São instrumentos das políticas públicas para gerar resultados: é a síntese da formulação de políticas públicas (revestidas de autoridade soberana do poder público) e não de resultados privados ou apenas resultados coletivos. de avaliação. Tais resultados poderão determinar ajustes e/ou novas demandas (novas. por que faz (ou porque não faz) e de como são interpretadas causas e efeitos ao se processarem demandas e apoios do ambiente externo. aspecto enfatizado neste documento. pela não-decisão ou pela incapacidade de políticas e programas. a complexidade e a gravidade do problema da desertificação. É nesse sentido que se preparam os participantes para agirem na definição de propostas na agenda da terra. como as de controle de fatores de mudanças climáticas. recuperação de terras e combate às perdas de solo e vegetação. a iniciar com a identificação de problemas. para o caso do combate à desertificação.

de ideias e de instituições (nem sempre conciliáveis) que se refletem em agendas governamentais. é função da educação e conscientização para escolher esses representantes. entre outros. mudanças climáticas e biodiversidade. da motivação e engajamento da sociedade. relações de causalidade entre um programa e os resultados alcançados. e) as relações ente o Estado e a sociedade. os mercados e organismos internacionais. o compromisso assumido pelo País em convenções como as de combate à desertificação. g) decisão e vontade política que se mede. b) as relações que se estabelecem entre atores-chaves e entre atores e fatores importantes. d) os grupos de pressão e as relações de poder que se expressam ou sintetizam na vontade e decisão política traduzida em planos. destaca-se. a avaliação trata da relação entre esses grupos e os objetivos das políticas. a avaliação poderá tratar. são considerados (devem ser consideradas) diversos aspectos.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas informar – comunicar para o entendimento e melhoria de políticas. por isso. seus problemas (por que acontecem) e oportunidades. captada pelos representantes. ingressam na agenda pública: a avaliação compreende a caracterização desses atores. o resultado. programas e projetos. para o caso em estudo. lógica e equilíbrios entre esses contextos. são relações dispostas ou ordenadas de acordo com determinados critérios e referências como são os indicadores. lxxix . entre outros: a) os atores de maior relevância: aqueles significativos e com problemas importantes que demandam soluções e. c) os propósitos (objetivos) e meios (recursos) dos atores em contextos como os de interesses. seja ele direto ou indireto. da solidariedade e comprometimento em planos e projetos. pela aplicação de recursos e outros meios de viabilização (operacionalização) das políticas públicas. em parte. f) a formulação de políticas públicas como expressão da vontade popular. entre outras. a avaliação poderá tratar a coerência.

e reivindicações por melhores condições ambientais e de qualidade de vida. avaliar-intervir Educação Recursos. necessidade de assegurar níveis de produção e consumo para o desenvolvimento. instituir mecanismos de proteção. C. Gestão Viabilização (. Municipais Leis. entre outros. vegetações e solos degradados. perdas ambientais que afetam o homem Vontades. preferências Ideias. Grcia Ciclos-espirais de políticas públicas t0 t1 Fase I t2 Fase II Fase III Interesses Surgem (problemas) como: tensões existentes entre a sociedade civil e o Estado. paradigmas Contexto Instituições. programas e projetos Compatível? IMPLEMENTAÇÃO Monitorar. Compatível? Compatível? Efetividade Eficiência Eficácia Agendas governamentais: Nacional. de conservação e de recuperação de mananciais. visão. planos.Eduardo A..) Participação Solidariedade Comprometimento Responsabilidade Conscientização Figura 9 Ciclos-espirais (parte superior) simplificados de políticas públicas no combate à desertificação lxxx . valores Vontade Decisão Pol. econômicas e de oportunidades. AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS Objetivos de Políticas Públicas: Apoiar o desenvolvimento sustentável nas áreas suscetíveis a desertificação. Estaduais. normas.. desigualdades sociais. e integrar a gestão de recursos hídricos com as ações de prevenção e combate à desertificação. causadas por precárias condições de vida.

objetivos e instrumentos.. esses princípios podem ser: democratização do acesso à terra e à água. Os objetivos gerais que se esperam da política pública e que dada a sua abrangência só podem ser alcançados com a efetivação de objetivos específicos colocados na prática da política mediante planos (conjunto de ações a ser adotado para se atingir determinado objetivo). definidas para assegurar direitos como os de solidariedade que englobam o direito a um meio ambiente equilibrado (competência do Estado: “proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas” e “preservar as florestas. as fauna e a flora”).) lxxxi . ilustrado na Figura 9. e a atividade (conjunto de atividades correlatas) que se desenvolve conforme a estratégia e tática: é a parte operacional que se indica em um projeto. a uma saudável qualidade de vida. e incorporação do conhecimento tradicional sobre uso sustentável de recursos. potencializado por novos conhecimentos como os tecnológicos.financeiras. entre outros. no monitoramento e avaliação de resultados das políticas públicas. contendo. i) o final de um ciclo de políticas públicas. programas (detalhamento de planos com a exposição de linhas e regras a serem seguidas: exemplo o PAN-Brasil) e projetos (atividade ou conjunto de atividades correlatas. isto é. participação das comunidades no processo de elaboração e de implantação de ações e estratégias de combate à desertificação. também. políticas e institucionais que viabilizarão a concretização dos objetivos da política (. Na criação de um conjunto de ações e serviços adotados pelo Estado. conceitos (princípios). em parte. No caso considerado. São princípios ou preceitos que se fixam para servirem de normas e traçado de orientações norteadoras de conduta da sociedade diante uma situação. o detalhamento do plano ao expor as linhas e regras a serem seguidas nos projetos: é a tática adotada. como expressão ou desdobramento operacional de um programa).Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas h) empenho e participação da sociedade na formulação de políticas pública que se mede.. nas políticas públicas. Os instrumentos são as ferramentas econômicas . É a parte relativa à avaliação de resultados da ação política orientada para alcançar o objetivo: é a estratégia de um plano. de políticas públicas. compreende aspectos do ajuizamento dessas políticas. deve abordar diretrizes gerais para a implementação dessas políticas. ao progresso e a existência digna. além de garantir direitos difusos como os de grupos menos determinados de pessoas de acordo com os ditames da justiça social.

sociais e culturais. de poder. A própria relação (real ou pretendida.. Grcia NOTAS i Os recursos naturais podem ser conceituados como os elementos naturais bióticos e abióticos de que dispõe o homem para satisfazer suas necessidades econômicas. de explicar (economia positiva) e justificar (economia normativa) mudanças: a economia ensina: mudança por mudar é irrelevante ou nada representa. causal ou não) entre pobreza e degradação ambiental é intensificada pelo contínuo domínio de riqueza. com a inclusão do passivo ambiental. é para aquilo que seja necessário para a sobrevivência) e supérfluo. quando racional no consumo indispensável. Em ambos os casos. em parte. tanto dos solos como as biológicas. Em outras oportunidades. Consumismo é o ato de consumir bens e serviços.Eduardo A. de perdas de atributos dos recursos hídricos (. relegando a planos inferiores outros aspectos ou dimensões como a social e ambiental. Até ii iii iv v lxxxii . invertendo-se a lógica do processo: atendimento ao alvo. o ator que passa a ser um simples aplicador de procedimentos. no processo tecnicista. é uma e necessária. No tecnicismo.. explícitas ou não.). C. muitas vezes de forma irracional e sem consciência. induzido por meios como os da propaganda e publicidade. inseguranças e instabilidades em relação ao meio ambiente e seus recursos naturais não foram (até o início do novo milênio) tão imprevisíveis nem desprovidas de intencionalidades danosas. Economicismo no sentido de reducionismo de fatos como os sociais à dimensão econômica ou como uma ideologia que coloca a oferta e demanda como únicos fatores na tomada de decisões. entendido como a supervalorização e crença da autossuficiência da tecnologia em sua capacidade de mudanças. em certo sentido. com opções a serem complementas por outras. sem responsabilidade social. Tal viés. de poluições. com a tecnologia que possa interpretar e se adaptar às condições e exigências desse cliente. de legislações omissas e tendenciosas carregadas dessas intencionalidades. A criatividade. Tecnicismo. ficar restrito aos limites. técnicas e tecnologias. pressupõe ou implica a sobrevalorização dos aspectos econômicos. de erosões induzidas. com exclusão de benefícios de muitos e a socialização de custos de externalidades do crescimento econômico. nega a essência da própria economia como ciência de escolhas.ex.condições e exigências. São custos não-internalizados em sistemas contáveis das fontes que o geraram e continuam gerando-o. como se verifica com a concentração de riquezas naturais por poucos. a tecnofobia. de privilégios de setores. sem excluir análises (p.. orientando-o para um consumo desnecessário (esse ato. Um passivo de desmatamentos – queimadas indiscriminadas. no social. . experiência e saber do agente (cliente que não é alvo). tais respostas. do que se pretende impor. de custos e benefícios de diferentes opções que possam melhorar políticas públicas e o bem-estar social) e impactos de quem ganha e perde. Afastar-se do outro extremo. negligenciado.

à água em condições de uso ou excluído pela localização da fonte em terra particular. ex –antes. possibilidades e perspectivas. pela conveniência e necessidade. o que deve ser feito. e para avaliar. Lma. Essas Ordenações. tal vez inadvertidas ou omissas em descrições históricas. Parte dessa conscientização está na informação para a educação e na responsabilidade social do empresário. que para a maioria dos países é relativamente recente. em parte. Em termos formais.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas relações aceitas e círculos viciosos como os de pobreza-degradação são. por exemplo. entre eles cortar árvores de fruto. é oportuno citar algumas ações. à informação que valorize – potencialize seus saberes tradicionais. Se o pobre agride-degrada o meio ambiente porque não tem acesso a outras terras limitadas por instrumentos legais. Assim. durante no reinado de D. do legislador. social. do tomador de decisão. do político. constituindo-se um elemento crucial da teoria e da prática da administração. pela oportunidade. As Ordenações Filipinas são precursoras de princípios como o de proteção das águas ao fornecer o conceito de poluição (GARCIA. pela habilidade e competrência. compreende: a) uma reflexão sobre eventos prováveis ou possíveis e cenários alternativos. em elaboração). de natureza econômica. de desertificações socioculturais e econômicas que precisam de soluções antes de reflexões filosóficas: conscientização. Leguminosae). cursos de ações alternativas de um processo racional pelo qual se decide antecipadamente. quando fazer. intencionadas. 2009. em cerca de 200 delitos. sem considerá-las em suas reais e efetivas necessidades. supor ou esperar. e qem o fará. Problemas complexos como o da luta contra a desertificação. junto com as Ordenações Filipinas estabeleceram regras e limites para exploração e usos de terras. a pesar de terem motivações diferentes como as de proteção do comércio. como será feito. com origem no período colonial. com a necessária antecipação. o faz pressionado por circunstâncias. o que deve ser feito. ambiental. ao crédito oportuno e acessível. mitigação de efeitos e convívio com a seca não podem ser resolvidos com vii lxxxiii . institucional e política. com penas de degredos aos contraventores. resultaram benéficas para a mata nativa. estabeleceram o escambo do “pau-brasil” (Caesalpinia achinata. As Ordenações Manuelinas. o Venturoso (1495 – 1521). metodológica: analítico-racional). c) a tomada de decisãoes que possam viabilizar a obtenção desses objetivos de forma mais eficiente e rápida. no Brasil é de longa data. As forças externas dessa pressão são. para “assegurar” a sua sobrevivência.. b) uma base informacional “robusta” para sustentar essa reflexão e a definição de objetivos e meios. a proteção do meio ambiente. pela exequibilidade e efetividade esperada de resultados. protegidas por lei. que. Manuel I. vi Contudo. à tecnologia viável e operacional ou da tecnologia que o marginaliza da competitividade por questões de escalas como as de produção e consumo. entre outras. Nesse ambiente. Planejamento como a aplicação sistemática de informações e conhecimentos para conceber. entre outros. tal formação é utópica ou muito limitada porque não se pode supor e esperar a conscientização em alicerces de escombros de pobreza e miséria. o planejamento é um instrumeno de gestão e abordagem racional para a solução de problemas (dimensão ciêntifica. em parte. formar uma consciência social de proteção. águas e vegetação com listas de árvores reais. os de posse. intencionais. valorização e conservação em comunidades que lutam pela sobrevivência. Em sua forma reduzida. o que deu origem à expressão “madeira de lei”. No texto se enfatiza a necessidade de buscar e entender as causas do problema para não pretender.

ocorre quando se modificam as características físicas. igualmente ordenadas. o planejamento. mas exigem detalhados desdobramentos do problema em suas causas. dos recursos hídricos (perda da água de chuva. morais e individuais. Ainda com todos esses cuidados no desdobramento e remontagens. Geórgia.Eduardo A. ao estabelecer a Política Nacional de Educação Ambiental. pouca ou nenhuma água na estiagem e perdas de quantidade e qualidade da água). e remontagens de partes com o auxílio de técnicas de simulação. naturais e antrópicas como a sobreexploração e sobrepastoreio. improvisadas ou aleatórias. ocorrem sem essa necessária integração. de 27 de abr. Grcia decisões simplistas. ix O declínio em longo prazo. não garante o sucesso em alcançar os objetivos com as ações preestabelecidas para criar um futuro desejado. interações e efeitos ordenados e hierarquizados. C. organizada pelas Nações Unidas e UNESCO. Define-o como um bem de uso comum do povo e determina ao Poder Público. menor porte e mais demorado crescimento). com seus planos que refletem estágios de um processo. essencial para qualidade de vida. em Tbilisi. as intervenções tem-se dados em ausência de um plano integrado de gestão e a implementação de instrumentos como os de licenciamento e avaliação de impactos (reativa). pois ele é de uso e bem comum de todos os povos. de 1999. compactação e salinização).795. identificação de relações funcionais. da biodiversidades (perdas de atributos e menor capacidade de regeneração) por múltiplas e complexas causas. 9. conforme se constata no PAN-Brasil. A Constituição Federal do Brasil de 1988 tratou o termo meio ambiente. a partir de comportamentos reativos e intuitivos – empíricos. além de relações interpessoais no trabalho e em atividades de tempo livre. da vegetação (rala. em 1977. considerando que é dever do Poder Público e da coletividade preservar e conservar o meio ambiente. na função e na produtividade de um ecossistema. assinala que o conceito de meio ambiente compreende elementos naturais e sociais criados pelo homem como os valores culturais. constituindo-se uma referência importante para o Brasil. quando se dá a degradação da terra: do solo (por erosão. no caput do artigo 225. químicas e biológicas do solo por causa do esgotamento. Essa Convenção é um instrumento de acordo internacional ratificado por países que estabelece diretrizes para o combate à desertificação em escala global. o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Na Lei no. viii A gestão ambiental pode ser definida como intervenções que incorporam medidas necessárias à otimização de benefícios econômicos e sociais e garantem a manutenção da qualidade e da sustentabilidade de um ecossistema. Na Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. define o meio ambiente como o conjunto de processos abióticos e bióticos existentes na terra passíveis da influência das ações humanas. x xi lxxxiv . Com frequência. dinâmica e riscos. bem como a toda a população.

critérios e conceitos. contudo. g) as avaliações eliminam incertezas. entre outros instrumentos. o volume lançado. Há proposições. a natureza e seus domínios obedece a outros critérios. e de ordem humana: insensibilidade para considerá-lo. com frequência não-compatíveis com divisões geoplíticas. os impactos podem ser diferentes em suas causas e efeitos e devem ser ordenados. 9. de acompanharem dinâmicas e tendências. é preciso que esse instrumento considere a diversidade de interesses e objetivos de diferentes segmentos sociais. fatores comuns de pressão e lições de um local que podem testadas e adequadas para outros. possibilitando fazer previsões com níveis de confiabilidade razoável. f) a divisão e estruturação geopolítica e institucional não são norteadores suficientes. a questão é de qualidade e capacidade desses estudos fornecerem dados consistidos de estados e evoluções possíveis de serem sintetizados em indicadores abióticos. também. a vontade e decisão política. bióticos e socioeconômicos. que é preciso considerar. evitando-se redundâncias. químicas e biológicas e a toxicidade do efluente. c) a necessidade de elaboração de diagnósticos em cada caso.433. captações e extrações e o regime de variação da disponibilidade de água na fonte. com poucas contribuições quando entendidos e elaborados como inventários. a cobrança do uso de recursos hídricos (art. 19). apesar de seus domínios na conformação de planos e recursos. d) estudos descritivos a serem integrados mediante abordagens sistêmicas para o entendimento de processos. de 1997. quanto à avaliação ambiental. pouca ou falta de decisão e vontade política etc. e) qualquer “bom” estudo técnico-científico é suficiente para o suporte à tomada de decisões. há. colocam-se questões como as de incertezas e racionalidade na tomada de decisão. interesses econômicos imediatistas. com os objetivos de “reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu valor” e “incentivar a racionalização do uso da água”. A relação que segue sintetiza alguns deles: a) considerar todos os possíveis impactos de intervenções: além da impossibilidade de previsão. considera. classificados e hierarquizados conforme determinadas referência. Define. é preciso entender que a incerteza é um fator dominante e que as avaliações poderão reduzi-las a fatores de riscos com possibilidades de se ter um melhor controle e suporte xiii xiv lxxxv . tanto na perspectiva técnica e tecnológica – científica. porém não suficiente. seu regime de variação. o lançamento de esgoto e demais resíduos líquidos ou gasosos. de 8 de jan. A Lei no. as características físicas. o volume retirado em derivações. ao instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos e criar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas xii Tais como os de ordem física-natural: mudanças climáticas e perdas da diversidade biológica. no texto se coloca a contribuição da pesquisa e ciência – tecnologia como instrumento importante. na fixação do valor a ser cobrado. a questão se coloca na qualidade do fator que se analisa e no ajuste do sistema que está operando para se ter uma indicação consistente de como ele operaria sob outras circunstâncias: fatores de risco e simulação de estudos prospectivos que possam ampliar ou flexibilizar a capacidade de “modelos” complexos de sistemas para situações nem sempre bem definidas e comportadas. as escalas e níveis de abordagens transdisciplinares. Considera. quanto prática – operacional. b) cada avaliação é distinta em função de especificidades de fatores e condições.

os chihuahuas e apaches do México. exemplos de povos que adaptaram seus estilos de vida às condições do ambiente. Como corolário dessa definição se tem: a solução ao problema da degradação dos recursos da terra que xvi xvii lxxxvi . possibilitando um maior grau de correspondência entre as demandas sociais [ordenadas e hierarquizadas] e as estratégias e ações que se definem em instrumentos como os de políticas públicas. Grcia à tomada de decisões. A relação homem – natureza. leis e planos: uma questão de legitimidade do uso do poder. agricultura familiar e educação. entre outras civilizações que nasceram. O processo de desertificação é o resultado do empobrecimento de uma cultura material. segurança alimentar. É possível encontrar em áreas como as de saúde pública. de qualquer dos Poderes da União. h) a análise com abordagens sistêmicas assegura a seleção de melhores alternativas de ações em planos. lições e experiências de comunidades podem ser importantes referências para melhorias. comunidades como as israelitas em condições próximas as do deserto. do Distrito Federal e dos Municípios. demonstrando grande capacidade inventiva de resolverem seus problemas. publicidade. setores ou atividades. organizações sociais e saberes. A utilização dos princípios da publicidade. porém importantes. em especial (para o caso considerado nesta publicação). em especial. de simulação. motivação e participação popular apontam para a transparência a orientar todas as atividades.. proporcionalidade e eficiência. influenciado e sendo influenciados pela natureza. Os san do Kalahari e aborigens autralianos. do afastamento de leis naturais e da alienação de comunidades que perdem a capacidade de conhecimento e controle do meio ambiente. os watussi da savana. direta e indireta. compreende sucessivos aportes de culturas. etc. diretrizes e instrumentos que podem auxiliar as diretrizes e instrumentos de planos de combate à desertificação e convívio com a seca. Recentemente. conflitosa em alguns casos e complexa em geral. Entenda-se por transparência a adoção de preceitos básicos do direito administrativo. xv A falta de um plano de desenvolvimento sustentável para a região não significa desconsiderar outras referências por vezes limitadas a programas. para buscar e assegurar a participação da comunidade [condição: informação e educação] na tomada de decisões em aspectos como são os de convivência com a seca. mediante mudanças tecnológicas adequadas às condições. relativos aos princípios de legalidade. os semíticos e camíticos do Oriente Médio. dos Estados. C. São princípios relevantes [e com efetividade quando sustentados em critérios de exequibilidade técnico-científica e operacional] para alcançar uma clara definição de interesse público e. são. com pontos críticos. no campo tecnológico – científico e nas abordagens sistêmicas. Troca de informações e. os mongóis da estepa. adotados na administração pública. dinâmica e risco apenas se tem aproximações tanto mais confiáveis quanto sejam as representações de atributos e componentes. os tuaregs e beduínos do norte da África. A lógica e entendimento contextualizado dessas interações são importantes na formulação de planos para a convivência som a seca em zonas semiáridas. moralidade. adaptaram-se e se desenvolveram em meios caracterizados pela escassez de água. impessoalidade. adaptam-se e utilizam os recursos da terra. daí a necessidade e destaque do dado e do indicador na gestão integrada.Eduardo A. os chimus paracas e moches do Peru.

Essa nova agenda da terra a ser acordada na 15ª. recarga de água no solo. xviii Um dos índices mais utilizados e reconhecidos para a qualificação da seca é o Índice de Severidade de Seca de Palmer (PALMER. que tem como argumentos. de 31 de ago. pelo conhecimento e observância de leis naturais e pela reorientação para fundamentar as atividades na capacidade de suporte ambiental e na proteção e recuperação de ambientes. a compreensão do problema e o tratamento e procura de soluções com ações e estratégias para melhorar a subsistência de mais de dois bilhões de pessoas que vivem em zonas áridas. os estuários. Segundo a Lei 6. sem recursos nem capacidades. semiáridas e subúmidas secas do mundo. o mar territorial. 2009. de proteção. nos meios onde tenham desenvolvido suas propriedades características: o sentido de racionalidade de uso. pressupondo-se que a solução seja a de melhorar. sem conhecimentos nem habilidades (. as águas interiores. a fauna e a floras. está na mensurabilidade de causas (e efeitos) e interações da desertificação e na síntese do processo. Assim. em dez. para esses pobres e excluídos. os elementos da biosfera. especialmente notáveis em zonas vulneráveis como são as de terras secas. Esse total depende da média de ocorrência de fatores meteorológicos e das condições meteorologias dos meses precedentes. o subsolo. em sua definição. mediante indicadores. 1965). o conceito tem o sentido de manejo de recursos naturais. no caso de espécies domesticadas ou cultivadas. o solo. considerar o problema da degradação dos recursos da terra e seus nexos com outros problemas que levam à desertificação.) precisariam ser integrados. outras referências quando se valorizam experiências. com um sentido próximo ao do conceito de preservação.938. de 1981. Em outro contexto como os de unidades de conservação. para xx xxi lxxxvii . escoamento superficial e umidade do solo. saberes e convivências. conforme se indica neste documento. Tem como base as estimativas de médias históricas de evapotranspiração. o conceito de conservação se define em consonância com a Convenção sobre Diversidade Biológica. em Copenhague. bem como a manutenção e recuperação de populações viáveis de espécies em seus meios. o total de precipitação requerida para manter uma área em um determinado período sob condições estável da economia. as condições de integração no sistema socioeconômico dominante. superficiais e subterrâneas. xix No contexto da Política Nacional da Biodiversidade. Ao longo dessa passagem se rompem círculos viciosos como o de pobreza – degradação e seu efeito de exclusão social.. os recursos ambientais compreendem a atmosfera. Essa passagem destaca a recuperação. Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação.. Outra parte está na abordagem da mudança climática e seus efeitos. Parte do desafio para o entendimento da crise ambiental.Desertificação no Nordeste: subsídios para a formulação de políticas públicas leva à desertificação passa necessariamente pelo enriquecimento da cultura material. Trata-se de uma visão parcial que precisa compreender outros elementos. incorporando-os em planos e políticas de prevenção e controle da degradação. na forma in situ significa conservação de ecossistemas e habitats. avaliação e potencialização de saberes tradicionais. deverá enfatizar. os pobres. nessa melhoria.

são dois lados de uma mesma moeda e. C. as mudanças climáticas e a degradação do solo. aspectos que devem ser considerados conjuntamente em políticas públicas. Há outra parte. lxxxviii . nessa nova agenda da terra. portanto. que se refere às parcerias e empenhos institucionais de combate à desertificação pelo tratamento de fatores causais da degradação de ambientes e recursos da terra e pela procura de ações que possam mitigar efeitos de impactos das secas e . Grcia alguns.Eduardo A.