You are on page 1of 86

Aula 02

CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 1 de 86
AULA 02

Olá caros(as) amigos(as),

Como foram na aula 01? É uma aula um pouco pesada, não?
Concordo com vocês, mas saibam que ela é importante para o
prosseguimento do curso, especialmente a parte de derivadas e as suas
aplicações (inclinação da curva, determinação do máximo ou mínimo
valor de uma função, cálculo da receita marginal, etc) serão vistas em
várias passagens de nosso curso. Se você teve dificuldades, leia-a
novamente até entender o assunto.

Hoje, estudaremos a Teoria do Consumidor.

E aí, todos prontos?! Aos estudos!

1. TEORIA DO CONSUMIDOR

Generalidades

Sem muitos rodeios, vamos direto ao ponto: do que trata a teoria
do consumidor? É a parte da ciência econômica que estuda o
comportamento do consumidor durante as suas decisões de consumo.
Para isso, os economistas partem do pressuposto de que os consumidores
escolhem as melhores coisas dentro daquilo que eles podem adquirir.

Para sustentar essa teoria, nossa atenção estará voltada para o que
queremos dizer quando falamos em “melhores coisas” e “podem adquirir”.
Inicialmente, descreveremos o que o consumidor pode adquirir. Depois,
veremos como o consumidor escolhe o que é melhor (escolhe a melhor
coisa). No primeiro caso, torna-se importante o estudo do conceito de
restrição orçamentária, ao passo que, no segundo caso, o estudo das
preferências. Iniciaremos pelo primeiro caso. No entanto, antes,
devemos aprender o que são cestas de consumo.

Cestas de consumo

Antes de definirmos o que é restrição orçamentária, é importante
falarmos sobre cesta de consumo ou cesta de mercadorias do
consumidor. Uma cesta de consumo nada mais é do que uma combinação
de diversas mercadorias, cada uma em uma quantidade.

Em nosso estudo (e também para concursos públicos), pela
facilidade de argumentação e pela maior viabilidade de visualização dos
fenômenos no gráfico, nós supomos que existem apenas dois bens (ou
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 2 de 86
Q
2
 quantidade do bem 2
Fig. 1
B (2, 5) 5
C(0,4) 4
A (2, 3) 3
2
1
D (6, 0)
0
6 4 2 Q
1
 quantidade do bem 1
duas mercadorias) disponíveis para os consumidores. Nós representamos
a cesta de consumo do consumidor por (q
1
, q
2
), onde q
1
representa as
quantidades do bem 1 e q
2
as quantidades do bem 2. Às vezes, ainda,
podemos representar a cesta do consumidor por um único símbolo, como
Q (é só um exemplo), onde Q representa a cesta (q
1
, q
2
).

Imagine as cestas abaixo:
Cesta Q
1
Q
2

A 2 3
B 2 5
C 0 4
D 6 0

As cestas A(2,3), B(2,5), C(0,4) e D(6,0) encontram-se
representadas no gráfico abaixo:














Veja que a suposição da existência de apenas dois bens para cada
cesta (bens 1 e 2) torna possível a representação das cestas no gráfico
bidimensional, de dois eixos (o eixo X e Y, onde temos, respectivamente,
Q
1
e Q
2
). Este gráfico é chamado de espaço-mercadoria.

Muitos devem estar pensando que essa hipótese é muito
simplificadora e não se aplicaria à vida prática. No entanto, a hipótese de
dois bens é mais factível do que se pode imaginar. Isso porque, na
maioria das vezes, podemos tomar um dos bens como uma representação
de todas as outras coisas que o consumidor desejasse consumir.

Por exemplo, se quisermos estudar a demanda de carne do
consumidor, podemos fazer com que q
1
represente o consumo de carne
ao passo que q
2
represente tudo mais que o consumidor gostaria de
consumir.


Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 3 de 86
Preço do bem 1
Renda (money)
Quantidade do bem 1
Quantidade do bem 2
Preço do bem 2
1.1. RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA

Nós vimos que a teoria do consumidor parte do pressuposto de que
os consumidores escolhem a melhor cesta de bens que podem adquirir.
Neste item, veremos o significado deste “podem adquirir”.

Os consumidores não podem consumir tudo o que querem de todos
os bens e isso acontece porque eles são limitados pela sua renda. Assim,
qualquer consumidor só consegue comprar as quantidades de bens que a
sua renda ou orçamento permite.

Essa limitação imposta ao consumidor, que limita o seu poder de
compra, é chamada de restrição orçamentária ou limitação orçamentária.
Ela nos diz basicamente que o consumidor não pode gastar mais do que
ele possui. Suponha, por exemplo, que o consumidor ganhe uma renda de
R$ 1.000,00 e não tenha outros meios de conseguir dinheiro (não há
empréstimos, financiamentos, compras à fiado, etc). A restrição
orçamentária deste consumidor diz que ele não poderá gastar mais que a
sua renda, isto é, não poderá gastar mais que esses R$ 1000.

Nota  neste item, a partir de agora, eu optei por, inicialmente,
fazer uma abordagem mais algébrica. Caso, em algum momento, fique
difícil de entender, parta para o exemplo numérico que está na página 11
e depois retorne à leitura do item. No exemplo numérico, acredito que os
conceitos estão mais visíveis.

Suponhamos que o consumidor tenha uma renda m e queira
consumir os bens 1 e 2, onde p
1
e p
2
são os preços, e q
1
e q
2
são as
quantidades, respectivamente. Com estes dados, podemos escrever
matematicamente a restrição orçamentária:



m ≥ p
1
.q
1
+ p
2
.q
2




Nesta equação, p
1
.q
1
é a quantidade de dinheiro que o consumidor
gasta com o bem 1, e p
2
.q
2
a quantidade que ele gasta com o bem 2. A
restrição orçamentária do consumidor, representada pela sua renda m,
impõe que a quantidade de dinheiro gasta nos dois bens não exceda a
quantidade total de dinheiro que o consumidor tem para gastar (a renda
R). As cestas de consumo (q
1
, q
2
) que o consumidor pode adquirir são
aquelas cujo custo não ultrapassa o valor de m. Esse conjunto de cestas
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 4 de 86
de consumo que o consumidor pode adquirir aos preços (p
1
, p
2
) e renda
m é denominado o conjunto orçamentário do consumidor, ou
conjunto de oportunidade (no sentido de que há a oportunidade de
consumir as cestas que fazem parte deste conjunto).


1.1.1. A reta orçamentária

A reta orçamentária é o conjunto de cestas que custam exatamente
m. Em outras palavras, é o conjunto de cestas que esgotam a renda do
consumidor. Matematicamente, segue a representação da reta
orçamentária:

p
1
.q
1
+ p
2
.q
2
= m (1)

No segundo grau ou colegial, nas aulas de matemática, aprendemos
a construir gráficos a partir das funções. Estas funções são representadas
pela letra y e a variável da função geralmente é x, então,
conseqüentemente, os gráficos destas funções normalmente apresentam
o y no eixo das ordenadas do gráfico (eixo vertical) e o x no eixo das
abscissas (horizontal). Nota  na aula 02, figura 06, nós construímos um
gráfico nesta situação. Naquele caso, a função era y=x+1.

O que nós faremos agora é rearrumar a equação (1), de forma a
isolar alguma das quantidades (q
1
e q
2
). Isolemos então a variável q
2
:

Fingindo que o q
2
faz o papel do y de uma função qualquer e o q
1

faz o papel do x, podemos construir o gráfico com a reta de restrição
orçamentária, tendo q
2
no eixo vertical e q
1
no eixo horizontal:










Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 5 de 86
q
2

A
Intercepto
vertical = m/p
2

Inclinação da reta
orçamentária:

Fig. 2
Intercepto
horizontal = m/p
1

B
q
1












Na figura 2, o segmento de reta AB representa a reta orçamentária.
Qualquer cesta de consumo que esteja sobre a reta AB exaurirá a renda
m. Por outro lado, as cestas de consumo localizadas dentro da área cinza
(incluindo o segmento AB) representarão o conjunto orçamentário do
consumidor (ou o seu conjunto de oportunidade).

Nota: Não confunda conjunto orçamentário com reta orçamentária.
Qualquer cesta de consumo ao longo desta representa uma situação em
que a renda é totalmente gasta, já uma cesta dentro do conjunto
orçamentário representa uma situação em que a renda é maior ou igual
ao que é gasto. Na figura 02, a reta orçamentária é a reta AB, já o
conjunto orçamentário é a área cinza, que contém a reta AB.

Vejamos agora a interpretação dos interceptos (vertical e
horizontal) e da inclinação da reta orçamentária.

O ponto A (intercepto vertical) representa o ponto em que o
consumidor gasta toda a sua renda com o bem 2, ou seja, é o ponto em
que, dada a renda m, q
2
é máxima e q
1
=0. Para descobrirmos o valor de
q
2
no ponto A, basta fazermos q
1
=0 na equação (2), obtendo, assim,
q
2
=m/p
2
. O raciocínio é este: qual a quantidade do bem 2 o consumidor
poderia comprar se gastasse todo o seu dinheiro no bem 2. A resposta é,
naturalmente, a sua renda dividida pelo preço do bem 2, logo, q
2
=m/p
2
.

O ponto B (intercepto horizontal) representa o ponto em que o
consumidor gasta toda a sua renda com o bem 1, ou seja, é o ponto em
que, dada a renda m, q
1
é máxima e q
2
=0. Para descobrirmos o valor de
q
1
no ponto B, basta fazermos q
2
=0 na equação (2), obtendo, assim,
q
1
=m/p
1
. O raciocínio é este: qual a quantidade do bem 1 o consumidor
poderia comprar se gastasse todo o seu dinheiro no bem 1. A resposta é a
sua renda dividida pelo preço do bem 1, logo, q
1
=m/p
1
.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 6 de 86

A inclinação da reta orçamentária é –p
1
/p
2
. Na aula 02, páginas 17
a 19, nós vimos que a inclinação de qualquer função é dada pela sua
derivada. Assim, para sabermos a inclinação da reta orçamentária, basta
calcularmos a derivada de q
2
(variável do eixo y do gráfico) em função de
q
1
(variável do eixo x do gráfico). Vejamos:

Mais tarde, veremos que essa inclinação da reta orçamentária
representa um dado importante para a teoria do consumidor. Ademais,
essa inclinação tem uma relevante interpretação econômica. Ela mede a
taxa à qual o consumidor está disposto a “substituir” o bem 1 pelo bem 2.

Por exemplo, suponha que o bem 1 custe R$ 100,00 e o bem 2
custe R$ 50,00. A inclinação da reta orçamentária será -2, o que nos
indica que o consumidor troca 01 unidade do bem 1 por 02 unidades do
bem 2. Veja que essa taxa de “troca” de 02 é exatamente o valor da
inclinação da reta orçamentária (a inclinação para p
1
=100 e p
2
=50 será
igual a –p
1
/p
2
= -2). O sinal negativo da inclinação se justifica pelo fato de
haver uma relação inversa entre as variações nas quantidades (para o
consumo de um bem aumentar, necessariamente, o consumo do outro
bem deve diminuir, e vice-versa).

Às vezes, também é dito que a inclinação da reta orçamentária
mede o custo de oportunidade de consumir o bem 1. Deixe-me, agora,
explicar o que é custo de oportunidade. Tudo que deixamos ou abrimos
mão de fazer ao realizar uma escolha é chamado de custo de
oportunidade. Por exemplo, ao comprar o curso de Economia e Finanças
Públicas (ao preço de R$ 264,00), você deixou de comprar cerca de 6
DVDs. Neste caso, podemos dizer que o custo de oportunidade do curso
regular de Microeconomia foi de 6 DVDs (estou utilizando o DVD apenas
como exemplo. Mas também podemos dizer que o custo de oportunidade
deste curso é, digamos, de 02 ou 03 livros de Economia em uma livraria).

Outro exemplo: ao decidir ler esta aula de Microeconomia, você
está deixando de aprender vários assuntos de Contabilidade. Neste caso,
o custo de oportunidade de ler esta aula de Microeconomia é o que você
deixou de aprender de Contabilidade. Veja que o conceito de custo de
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 7 de 86
q
2

m'/p
2

O aumento da renda desloca a
reta orçamentária para fora.
m/p
2

Fig. 3
q
1

m'/p
1
m/p
1

oportunidade é bastante amplo e aceita inúmeras situações, desde que, é
claro, tenhamos um caso em que se abre mão de algo ao realizar uma
escolha.

No caso da reta de restrição orçamentária, ao consumir mais do
bem 1, é preciso deixar de consumir um pouco do bem 2. Este custo de
oportunidade do consumo do bem 1 é representado pelo que se deixou de
consumir do bem 2. No caso do bem 1 custar R$ 100 e o bem 2 custar R$
50, o custo de oportunidade do consumo do bem 1 é o valor de 02
unidades de consumo do bem 2, ou seja, o mesmo valor da inclinação da
reta orçamentária. Assim: custo de oportunidade do bem 1 = inclinação
da reta orçamentária.

Nota  A reta orçamentária também é chamada, em inúmeras
obras, de linha do orçamento ou ainda reta de restrição orçamentária.


1.1.2. Mudando a reta orçamentária

A reta orçamentária poderá variar em função de dois fatores:

 Mudanças na renda
 Mudanças nos preços dos bens


1.1.2.1. Mudanças na renda

Verifiquemos o primeiro caso: mudanças na renda. Os interceptos
das reta orçamentária são m/p
2
e m/p
1
. Caso m aumente para m’, os
interceptos aumentarão respectivamente para m’/p
2
e m’/p
1
. Veja no
gráfico:











Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 8 de 86
q
2

m/p
2

O aumento de p
1
fez a reta
orçamentária ficar mais
inclinada (ou mais vertical).
Fig. 4
q
1
m/p
1
m/p’
1


Veja que o aumento da renda de m para m’ aumentou os
interceptos deslocando a linha de orçamento para fora. É importante que
fique claro que, no caso de aumento de renda, não existe alteração da
inclinação da linha de orçamento. A inclinação é dada por –p
1
/p
2
, ou seja,
nota-se que ela não depende da renda, mas tão somente dos preços dos
bens.

Por fim, vale ressaltar que, caso haja redução da renda, os
interceptos diminuirão e a reta orçamentária será deslocada para dentro.


1.1.2.2. Mudanças nos preços

Suponha que o preço do bem 1 aumente de p
1
para p’
1
, enquanto o
preço do bem 2, p
2
, e a renda, m, permaneçam constantes. De acordo
com o gráfico da figura 2, o aumento de p
1
não alterará o intercepto
vertical, mas reduzirá o intercepto horizontal, fazendo a reta
orçamentária se mover ou rotacionar para dentro, conforme vemos na
figura 4:













O aumento de p
1
, ao reduzir o intercepto do eixo horizontal, faz a
reta orçamentária mover-se para dentro. O raciocínio é este: ao aumentar
o preço do bem 1, o consumidor, mantendo a renda constante,
conseguirá consumir menos unidades do bem 1. Antes do aumento de
preços, o consumidor conseguia consumir, no máximo, m/p
1
unidades do
bem 1; após o aumento de preços, conseguirá consumir m/p’
1
. Como p’
1

é maior que p
1
, haverá redução no consumo.

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 9 de 86
q
2

O aumento de p
2
fez a reta
orçamentária ficar menos
inclinada (ou mais deitada).
m/p
2

m/p’
2

Fig. 5
q
1

m/p
1

Veja que a lógica é simples. Se você estiver gastando todo o seu
dinheiro no bem 2, o aumento no preço do bem 1 não mudará a
quantidade máxima do bem 2 que você poderia consumir – logo, o
intercepto vertical da reta orçamentária não muda. Por outro lado, se
você estiver gastando toda a renda no bem 1, e ele aumentar de preço,
seu consumo com este bem deve diminuir. Assim, o intercepto horizontal
da reta orçamentária deve mover-se para dentro, conforme vimos na
figura 4.

Caso o preço do bem 2 aumentasse de p
2
para p’
2
, ocorreria o
seguinte: o valor do intercepto no eixo vertical seria reduzido e o valor do
intercepto no eixo horizontal não mudaria. O raciocínio é idêntico ao caso
anterior. O aumento de p
2
faz reduzir o consumo máximo do bem 2 ao
passo que o consumo máximo do bem 1 não é alterado. Acompanhe no
gráfico:













A inclinação da reta orçamentária, conforme já sabemos, é dada por
–p
1
/p
2
. Assim, somente mudanças no preço relativo
1
dos bens 1 e 2
poderão provocar alteração da inclinação da reta orçamentária. Enfim, a
inclinação mudará somente quando a relação –p
1
/p
2
mudar.

Imaginemos o caso em que os preços dos bens 1 e 2 variem ao
mesmo tempo. Suponha que p
1
e p
2
sejam duplicados. Neste caso, não
haverá mudança na inclinação, pois a relação –p
1
/p
2
continuará a mesma.
Os valores dos dois interceptos serão reduzidos pela metade (m/2p
1
e
m/2p
2
) e a reta orçamentária será deslocada de forma paralela para
dentro, sem mudança na inclinação. Na prática, quando duplicamos os

1
Diz-se preço relativo tendo em vista que a expressão –p
1
/p
2
nos mostra a relação p
1
/p
2
.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 10 de 86
preços dos dois bens ao mesmo tempo, estamos, na verdade, fazendo o
mesmo que dividir a renda por dois. Vejamos:

Agora, dobramos os preços:

Manipulando algebricamente, chegamos a:

Assim, multiplicar ambos os preços por dois teve o mesmo efeito
que dividir a renda por dois. Podemos concluir, então, que ao multiplicar
ambos os preços por uma quantidade qualquer t, isso será
equivalente a manter os preços no mesmo patamar anterior, só
que dividindo a renda pelo valor da mesma constante t. Em outras
palavras, aumentar todos os preços em, digamos, 100% (multiplicá-los
por 2) tem o mesmo efeito de reduzir a renda em 50% (dividir a renda
por 2).

Se os preços dos bens 1 e 2 variam ao mesmo tempo e a variação
em p
1
é diferente da variação em p
2
, aí sim haverá mudança na inclinação
da reta orçamentária, tendo em vista que a relação –p
1
/p
2
mudará.

E se os preços variarem de forma diferente e, ao mesmo tempo,
houver variação na renda. Suponha que a renda diminua e os preços dos
bens 1 e 2 aumentem. Se m diminui e p
1
e p
2
aumentam, os interceptos
m/p
1
e m/p
2
devem diminuir. Isso indica que a reta orçamentária será
deslocada para dentro. E a inclinação? Ela dependerá somente dos preços
p
1
e p
2
. Se p
2
aumentar mais que p
1
, de tal modo que –p
1
/p
2
diminua
(considerando o valor absoluto ou o módulo), a inclinação será reduzida
(a reta ficará mais deitada ou menos inclinada); se p
2
aumentar menos
que p
1
, a reta orçamentária ficará mais inclinada.

Se tivermos um ambiente de inflação perfeitamente estável, onde a
renda e os preços variam exatamente na mesma proporção, a reta
orçamentária não será deslocada, nem rotacionada. Veja por quê:

Conforme sabemos, a equação da linha de orçamento é:

p
1
.q
1
+ p
2
.q
2
= m
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 11 de 86
Vestuário
Figura 06
A
Linha de orçamento: renda=R$1000
50
Y
35
X
Z
25
20
A’
Alimentos
60
30 50 100
Linha de orçamento (Preço do vestuário (P
V
)=20; preço do alimento (P
C
)=10; Renda=R$ 1000)

Se você aumentar a renda e os preços na mesma proporção, a
equação não mudará em nada, de tal forma que a linha de orçamento do
consumidor permanecerá na mesma posição. Por exemplo, suponha que
os preços e a renda sejam aumentados em 10% (inflação perfeitamente
estável de 10%). A equação da linha de orçamento, após o aumento de
10%, será:

1,1p
1
.q
1
+ 1,1p
2
.q
2
= 1,1m

Observe que as equações antes e depois do aumento são iguais.
Basta simplificar a equação depois do aumento, dividindo todos os termos
por 1,1. Assim, percebe-se que o aumento proporcional de preços e renda
não altera (não desloca, nem rotaciona) a linha de orçamento. A
inclinação não mudará, nem o valor dos interceptos.

A ideia é que você pegue o jeito de manipular as informações, sem
precisar decorar. Segue agora um exemplo numérico que, de certa forma,
reafirma de modo mais claro e menos algébrico o assunto.


Exemplo numérico:

Suponha que um consumidor possua renda total de R$1000 e sua cesta
de consumo seja composta pelos bens vestuário e alimentos. O preço da
unidade de alimento é R$10 e o preço da unidade de vestuário a ser
consumida é R$20. Veja, na fig. 06, a reta de restrição orçamentária:
















Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 12 de 86
Vestuário Figura 07
Renda=R$1500
C
75
Renda=R$1000
A
Renda=R$ 500
50
B
25
C’ A’ B’
Alimentos
150
100
50
Linhas de orçamento (P
V
=20 e P
A
=10)
A linha AA’ representa renda total de R$1000. Isto significa que
qualquer combinação de consumo entre vestuário e alimentos que esteja
sob esta linha representará a utilização total da renda de R$1000 do
consumidor. No ponto A’, o consumidor pode comprar 100 unidades de
alimentos e nenhuma unidade de vestuário. No ponto A, o consumidor
pode comprar 50 unidades de vestuário (R$1000/20) e nenhuma unidade
de alimento. Nos pontos X, Y e Z temos outras combinações de vestuário
e alimentos que exaurem os mesmos R$1000 da renda do consumidor.

Caso haja aumento de renda, a linha de orçamento será deslocada
inteiramente para a direita. Caso haja redução de renda, a linha de
orçamento será deslocada para a esquerda. Veja, na figura 07, as linhas
de orçamento para as rendas de R$ 500 e R$ 1500:

















A linha BB’ representa todas as combinações de consumo de
vestuário e alimentos que exaurem a renda de R$ 500. A linha CC’, todas
as combinações de que exaurem a renda de R$ 1500. Observe que
quanto mais alta a linha de orçamento, maior será o consumo do
consumidor. Quanto mais baixa a linha, menor o consumo.

Para este exemplo, em que estamos trabalhando com os bens
vestuário (V) e alimentos (A), a equação da reta orçamentária será:




Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 13 de 86
Preço do vestuário
Renda
Quantidade de vestuário
Quantidade de alimentos
Preço do alimento



m = P
V
.V + P
A
.A



m é a renda total. V é a quantidade de vestuário. P
V
é o preço do
vestuário. P
A
é o custo/preço do alimento. A é a quantidade de consumo
de alimentos. Vejamos quais as equações das linhas de orçamento (LO)
AA’, BB’, CC’:

LO
AA’
: 1000 = 20V + 10A  20V = 1000 – 10A  V = 50 – ½.A
LO
BB’
: 500 = 20V + 10A  20V = 500 – 10A  V = 25 – ½.A
LO
CC’
: 1500 = 20V + 10A  20V = 1500 – 10A  V = 75 – ½.A
 (Para P
A
=10 e P
V
=20)

A inclinação para as três linhas de orçamento é encontrada fazendo
ΔV/ΔA = dV/dA (derivada de V na variável A). Nos três casos, dV/dA = -
½. Este termo, ½, significa a inclinação da linha de orçamento. Note que
todas as linhas de orçamento do nosso gráfico são paralelas, isto é,
possuem a mesma inclinação. Desta forma, o valor de dV/dA deve ser
igual para todas elas. Ao mesmo tempo, o valor de dV/dA representa a
relação entre os preços das mercadorias. Veja que -1/2 é o preço do
alimento dividido pelo preço do vestuário. Isso não é mera coincidência e,
em todos os casos, essa regra valerá. Assim, concluímos que a inclinação
da linha de orçamento é igual à divisão do preço do alimento (P
A
) pelo
preço do vestuário (P
V
).

Nota  a inclinação possui sinal negativo (-1/2), pois há uma
relação inversa entre as variações nas quantidades consumidas dos bens
vestuário e alimentos.


1.2. UTILIDADE E UTILIDADE MARGINAL

Apenas relembrando: os pressupostos da teoria do consumidor são
de que o consumidor escolhe o melhor possível que ele pode adquirir. No
item passado, vimos a explicação do “pode adquirir”, explicando o que é a
restrição orçamentária. Agora, voltaremos nossos fogos para a análise do
“melhor possível”. Para isso, é necessário que entendamos os conceitos
de utilidade e utilidade marginal. Vejamos o raciocínio:
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 14 de 86

Imagine que você passou a semana toda trabalhando 15 horas por
dia e, quando chega o fim de semana, tudo o que você quer é tomar
um(as) cerveja(s) gelada(s) para relaxar. Ou, no caso das mulheres, ir ao
shopping fazer compras, com o cartão de crédito do marido, obviamente.

Ao tomar o primeiro copo de cerveja, certamente este copo trará
uma grande satisfação/utilidade ao homem. Ao mesmo tempo, a primeira
compra no shopping trará bastante utilidade/prazer à mulher. No segundo
copo de cerveja, ainda haverá bastante utilidade adicional para o homem.
Igualmente, a segunda compra também agregará satisfação adicional à
mulher.

Se formos aumentando a quantidade de cervejas, no caso dos
homens, e bugigangas compradas, no caso das mulheres, chegaremos ao
ponto em que um copo adicional de cerveja e uma bugiganga a mais
comprada representarão para o homem e a mulher, respectivamente, um
benefício adicional tão pequeno que, para eles, será quase indiferente
adquirir ou não esta unidade adicional de consumo.

Com este exemplo prático, podemos dizer que a utilidade total
cresce com o aumento do consumo (por exemplo: quanto mais cervejas
se toma, maior é a utilidade total do homem. Ao mesmo tempo, quanto
mais bugigangas se compra, maior é a utilidade da mulher..rsrs).
Todavia, o valor acrescentado à utilidade total pela última unidade de
consumo (último copo de cerveja, por exemplo) é tão menor quanto
maior for o total consumido.

Em outras palavras, quanto mais se consome de um bem, maior é a
utilidade total. Ao mesmo tempo, quanto mais se consome de um bem,
menor é o acréscimo de utilidade. Daí, surge o conceito de utilidade
marginal:

Utilidade marginal (Umg): é o acréscimo de utilidade (U) em
virtude do acréscimo de uma unidade de consumo (q) de um
bem qualquer. De forma matemática:

À medida que aumentamos o consumo de um bem qualquer, a sua
utilidade marginal, isto é, a utilidade ou benefício adicional de seu
consumo vai diminuindo. Daí, concluímos que a utilidade marginal é
decrescente. Em outras palavras, quanto mais temos de um bem, menos
útil ele se torna. Isso acontece porque a sua utilidade marginal é
decrescente.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 15 de 86

Isto que eu acabei de falar é chamado de lei da utilidade
marginal decrescente: à medida que aumentamos o consumo de
determinada mercadoria, a utilidade marginal dessa mercadoria diminui.

Então, ficamos assim:

 Quanto maior é o consumo de um bem, maior será a utilidade
(total);

 Quanto maior o consumo de um bem, menor a utilidade
marginal.

De forma matemática, a Umg é definida como sendo a derivada da
utilidade (U) em relação ao consumo (q) de determinada mercadoria
(Umg=ΔU/Δq=dU/dq). Na aula passada, nós vimos que uma das
aplicações da derivada é a possibilidade de calcularmos o valor máximo
de uma função. Para isso, basta derivarmos a função e igualar o resultado
a ZERO. Pois bem, como a utilidade marginal é derivada da utilidade, nós
podemos concluir que a utilidade máxima será atingida quando a
utilidade marginal de determinado bem for igual a ZERO. Ou seja, é
a mesma linha de pensamento da receita marginal (lembra da aula
passada? A receita total é máxima quando a receita marginal é igual
ZERO, sendo que a receita marginal é derivada da receita total). Assim:

U
MÁX
 quando Umg=0

Também podemos chegar a esta conclusão intuitivamente: ao
consumirmos mais e mais de um bem, estaremos aumentando a utilidade
total. Ao mesmo tempo, estaremos decrescendo o valor da utilidade
marginal. Quando esta atingir o valor NULO, se continuarmos a aumentar
o consumo, a utilidade marginal passará a assumir valores negativos.
Neste caso, o aumento de consumo reduzirá a utilidade total. Assim, o
momento em que a utilidade é máxima acaba sendo quando a
utilidade marginal é NULA.

Se, a partir do momento em que atingimos a utilidade total
máxima, continuarmos a consumir mais o bem, a utilidade marginal
continuará decrescendo (em virtude da lei da utilidade marginal
decrescente). Como ela é igual a zero neste ponto de U
MÁX
, então, a partir
daí, a utilidade marginal passa a ser negativa, de tal forma que o
aumento de consumo irá trazer um acréscimo de utilidade negativo
(utilidade marginal negativa), e irá reduzir a utilidade total.

Vale ainda ressaltar que, em concursos, a banca pode usar com o
mesmo significado os termos: prazer, benefício, felicidade, satisfação e
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 16 de 86
utilidade. Assim, benefício marginal é o mesmo que utilidade marginal,
que é o mesmo que prazer adicional, e assim por diante.


1.3. PREFERÊNCIAS

Apenas relembrando, mais uma vez: os pressupostos da teoria do
consumidor são de que o consumidor escolhe o melhor possível que ele
pode adquirir. No item 1.1, vimos a explicação do “pode adquirir”,
explicando o que é a restrição orçamentária. No item 1.2, tivemos a
noção de dois importantes conceitos que nos serão bastante úteis. Agora,
iremos nos concentrar no estudo das preferências do consumidor, que é
uma tentativa de verificar como ocorre a “escolha do melhor possível”.

No estudo das preferências, a todo momento, nós comparamos as
cestas de consumo, de modo que o consumidor tenha a possibilidade de
classificar as cestas de consumo de acordo com o grau de satisfação que
cada uma delas traz. Nesse sentido, será bastante comum ouvirmos, por
exemplo, que a cesta X é preferível à cesta Y, ou ainda que o consumidor
é indiferente
2
entre o consumo da cesta X e o consumo da cesta Y. No
primeiro caso, o consumo da cesta X traz maior prazer ou utilidade ao
consumidor do que o consumo da cesta Y. No segundo caso, o consumo
de X ou Y traz o mesmo grau de satisfação ou utilidade.

Antes de adentrarmos no assunto, devemos saber que a teoria do
comportamento do consumidor inicia-se com quatro premissas básicas a
respeito das preferências das pessoas por determinada cesta de mercado
em relação a outra. Essas premissas nos fazem supor a racionalidade
das preferências:

1. Integralidade ou exaustividade: as preferências são
completas. Isso quer dizer que os consumidores podem
comparar e ordenar todas as cestas de mercado. Assim, para
quaisquer cestas que existam, o consumidor é capaz de ordená-
las em uma ordem de preferência e dizer se ele prefere uma ou
outra ou, ainda, se ele é indiferente a qualquer uma delas em
relação à outra.

2. Transitividade: as preferências são transitivas. Transitividade
quer dizer que, se um consumidor prefere a cesta de mercado A
à cesta B e prefere B a C, então ele também prefere A a C. Por
exemplo, se ele prefere picanha a alcatra e prefere alcatra a

2
Por indiferente indicamos que qualquer uma das cestas deixaria o indivíduo com a mesma
utilidade/satisfação.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 17 de 86
coxão duro, também, necessariamente, prefere picanha a coxão
duro.

3. Quanto mais melhor: a maior quantidade de um bem é sempre
preferível à menor quantidade do mesmo. Este princípio também
é chamado de princípio da não saciedade. Essa suposição
também é às vezes chamada de monotonicidade de
preferências, o que significa dizer que as preferências são
monotônicas (mais é melhor).

4. Reflexividade: as preferências são reflexivas. Em outras
palavras, uma cesta de mercadorias é tão boa quanto ela
mesma. Isto quer dizer que uma cesta A proporciona o mesmo
prazer que outra cesta que seja exatamente igual à cesta A.

Essas premissas constituem um embasamento para a teoria do
consumidor.

Agora, prosseguindo em nossa aula, para tornar o estudo das
preferências viável, partimos da premissa de que o consumidor tem à sua
disposição apenas duas mercadorias. Adotaremos como exemplo a
alimentação e o vestuário. Ou seja, a utilidade ou a satisfação deste
consumidor é função da alimentação e vestuário. Algebricamente, isso é
representado assim: U = f (A, V)  (lê-se: a utilidade é função de
alimento e vestuário).

Pois bem, agora que sabemos que a utilidade do consumidor é
dependente do vestuário e da alimentação (apenas exemplo), podemos
traçar um gráfico de modo semelhante ao que fizemos no item da
restrição orçamentária. Neste gráfico, colocaremos no eixo das abscissas
o consumo de alimentos. No eixo das ordenadas, colocaremos o consumo
de vestuário.

É neste diagrama vestuário/alimentos que colocaremos as
preferências do consumidor. Para compreender como elas podem ser
dispostas no gráfico, suponha que um trabalhador que consumisse 50
unidades de vestuário e demandasse, ao mesmo tempo, 8 unidades de
alimentos, estivesse com o nível de utilidade U
1
, no ponto A, da figura 08.








Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 18 de 86
Vestuário

C
Figura 8
120
50
A
30
B
U
1

4 12 8
Alimento











Obs: esta ordenação de preferências traçada na figura 08 é um mero exemplo, serve
apenas para elucidação da teoria.

Este nível de satisfação ou utilidade está sendo chamado de nível de
utilidade U
1
. Note que é perfeitamente possível que este trabalhador
tenha outras combinações de vestuário e alimentos que também
proporcionem o mesmo nível de utilidade U
1
apresentado no ponto A.

Assim, caso o trabalhador passe a consumir, por exemplo, 30
unidades de vestuário, ele certamente consumirá mais unidades de
alimentos se quiser manter o mesmo nível de utilidade apresentado no
ponto A. De outra forma, se for obrigado a consumir menos alimentos,
será exigido um maior consumo de vestuário para, assim, manter-se no
mesmo nível de satisfação.

No ponto A do gráfico, consumindo 50 de vestuário e 08 de
alimentos, o nível de utilidade é U
1
. No ponto B, o consumo de vestuário
foi reduzido em 20 (50–30=20). Para se manter no mesmo nível de
utilidade U
1
, foi necessário aumentar em 4 o consumo de alimentos.
Observe que a nova quantidade consumida de alimentos passou para 12.

No ponto C, este indivíduo consumiu poucas unidades de
alimentação (4 unidades). Para se alimentar menos e manter a mesma
satisfação, será necessário consumir mais vestuário. No exemplo acima, o
consumo de 120 unidades de vestuário garantirá a permanência do
consumidor no nível de utilidade U
1
.

Se unirmos os pontos A, B, C e qualquer outro ponto que gere o
nível de utilidade U
1
, traçaremos uma curva denominada curva de
indiferença. Assim, podemos definir curva de indiferença: é uma curva
que liga as várias combinações de consumo de vestuário e alimentos que
proporcionam igual utilidade. (a expressão curva de indiferença deriva do
fato de que cada ponto na curva rende a mesma utilidade, logo, o
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 19 de 86
Vestuário

Figura 9
D
C
120
U
2

50
A
30
B
U
1

4 12 8
Alimento
consumidor será indiferente sobre qualquer cesta de consumo ao longo da
curva.)

Nota  existe também o conceito de mapa de indiferença, que é o
gráfico que contém um conjunto de curvas de indiferença mostrando as
cestas de mercado cuja escolha é indiferente para o consumidor.

Observe também que nosso consumidor poderia atingir um nível de
satisfação mais elevado se pudesse combinar, por exemplo, 08 unidades
de alimentos com 120 unidades de vestuário, em vez de apenas 50. Neste
caso, representado pelo ponto D, figura 9, estaríamos em um nível de
satisfação mais alto, U
2
. Da mesma forma que acontece ao nível de
satisfação U
1
, o consumidor poderia designar inúmeras combinações de
vestuário e alimento que também renderiam o nível de utilidade U
2
. Essas
combinações são designadas pelos s na figura 9, que são ligados por
uma segunda curva de indiferença, U
2
.















A curva de indiferença, portanto, consiste em todas as cestas de
bens que deixam o consumidor indiferente à cesta dada. Assim, uma
curva de indiferença mostra apenas as cestas que o consumidor percebe
como indiferentes entre si – a curva de indiferença, sozinha, não
distingue as cestas melhores das piores.


1.3.1. Propriedades das curvas de indiferença (bem-
comportadas)

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 20 de 86
Vestuário
Figura 10
U
3
> U
2
> U
1

3
V
3

V
2

2
U
3

U
2

1
V
1

U
1

A
Alimentos
As curvas de indiferença têm algumas propriedades que são refletidas
no jeito pelo qual são traçadas. Veremos agora o caso geral que se
aplica na maioria dos casos e das questões de concursos. Essas
propriedades que refletem o caso geral nos remetem ao que chamamos
de curvas de indiferença bem-comportadas. Vejamos quais são estas
propriedades:

1. Curvas mais altas são preferíveis. O nível de utilidade U
2

representa mais satisfação que o nível U
1
, pois para a mesma
quantidade de alimentos, o vestuário é maior em U
2
. Assim, quanto
mais alta a curva, melhor. Em virtude disto, qualquer ponto na
curva U
2
será, obrigatoriamente, preferível a qualquer outro da
curva U
1
. Conseqüentemente, qualquer curva de indiferença mais
alta que U
2
também será preferível a U
2
, e assim por diante.














Essa suposição de que mais é melhor é chamada, conforme já
explicamos nas premissas das preferências, de monotonicidade
de preferências. A monotonicidade das preferências implica
que as curvas de indiferença tenham, obrigatoriamente,
inclinação negativa. Se mais é melhor, então, ao reduzirmos o
consumo de um bem, devemos, com certeza, aumentar o consumo
do outro bem para que nos mantenhamos indiferentes entre duas
cestas de consumo. Isso só é possível se as curvas de indiferença
tiverem inclinação negativa.

Acompanhe na figura 11. Se partirmos de uma cesta (q
1
, q
2
) e nos
movermos para algum uma posição que seja indiferente, devemos
nos mover para a esquerda e para cima (aumenta o consumo do
bem 2, aumentando q
2
, e reduz o consumo do bem 1, reduzindo q
1
)
ou para a direita e para baixo (aumenta q
1
e reduz q
2
).
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 21 de 86
Figura 11
q
2


Cestas
melhores

Preferências monotônicas:
- mais de ambos os bens é melhor;
- menos de ambos os bens é pior;
- Inclinação negativa da curva de indiferença
(q
1
, q
2
)
Cestas
piores

q
1

Figura 12
Vestuário
C
B
A
U
2

U
1

A
Alimentos















2. Curvas de indiferença não se cruzam. Esta é uma reafirmação
da premissa da transitividade. Adotando o exemplo das cestas de
consumo com vestuário e alimentos, nós temos que se as curvas de
indiferença se cruzassem, o ponto de intersecção representaria uma
combinação de vestuário e alimentos que proporcionaria dois níveis
de utilidade diferentes ao mesmo tempo, o que seria um absurdo,
veja na figura 12:















As curvas de indiferença U
1
e U
2
têm uma cesta vestuário/alimentos
em comum (cesta A). Sendo assim, o consumidor seria indiferente
às cestas A e C (por pertencerem a curva de indiferença U
1
) e às
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 22 de 86
q
2

Figura 13
A
A
Cesta média não
é preferível
Cesta média é
preferível
C
C
B B
A cesta C, neste caso, não será preferível
às cestas A e B, uma vez que ela está em
uma curva de indiferença mais baixa
(curva de indiferença cinza claro). Isto
ocorre porque as curvas de indiferenças
são côncavas. Assim, para obedecermos
à premissa de que as médias são
preferíveis aos extremos, as curvas
devem ser convexas e não côncavas
como no caso acima.
A cesta C (com valores médios das
quantidades dos bens 1 e 2 nas
cestas A e B) é preferível às cestas
A e B, uma vez que ela está em uma
curva de indiferença mais alta
(curva de indiferença cinza claro).
Isto ocorre porque as curvas de
indiferenças são convexas.
q
1

cestas A e B (por pertencerem a curva de indiferença U
2
). Logo,
pela lógica, o consumidor deveria ser indiferente também às cestas
B e C. Entretanto, isso é impossível, já que C implica maior
vestuário que B, mantendo a mesma quantidade de alimentos. Ou
seja, chegamos à conclusão de que é impossível duas curvas de
indiferença se cruzarem.

3. As médias são preferidas aos extremos. Se pegarmos duas
cestas de bens A (x
1
, x
2
) e B (y
1
, y
2
) e adotarmos uma terceira
cesta C cujas quantidades de consumo dos bens 1 e 2 valham
valores intermediários entre x
1
e y
1
e x
2
e y
2
, esta terceira cesta
será preferível a (x
1
, x
2
) e (y
1
, y
2
). Por exemplo, suponha as cestas
A e B com as quantidades dos bens 1 e 2: A (2, 6) e B (8, 10). Se
pegamos uma cesta C cuja quantidade do bem 1 esteja entre 2 e 8
e cuja quantidade do bem 2 esteja entre 6 e 10, esta cesta C será
preferível às cestas A e B. Assim, uma cesta C, digamos, com 5
unidades do bem 1 e 8 unidades do bem 2, C (5, 8), será preferível
às cestas A e B, uma vez que 5 está entre 2 e 8, e 8 está entre 6 e
10.

Do ponto de vista geométrico, essa suposição de que as médias são
preferidas aos extremos implica que essas curvas de indiferença
serão convexas. Ou seja, a convexidade da curva é voltada para a
origem do gráfico. Observe a figura 13:
















Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 23 de 86
Vestuário
Figura 14
A
V
A

A inclinação da curva de
indiferença em todos os
pontos é dada por ΔV/ΔA.
ΔV
B
ΔA
V
B

ΔV
ΔA
V
C

C
ΔV
D
ΔA
V
D

ΔV
ΔA
E
V
E

U
1

A
A
A
B
A
E
A
D
A
C

Alimentos
A explicação intuitiva para este fenômeno reside no fato de que os
consumidores preferem consumir cestas mais diversificadas, isto é,
tendo quantidades equilibradas de cada bem. Para eles, é melhor
um consumo mais diversificado de bens em vez de consumir cestas
que tenham determinados bens em excesso. Por isso, a cesta C,
para curvas bem-comportadas, que é o nosso caso normal, é
preferível às cestas A e B. Ou seja, a diversificação é preferível à
especialização (consumo de determinado bem em excesso).


1.3.1.1. Taxa marginal de substituição (TMgS)

 A TMgS como inclinação negativa da curva de indiferença:

Nós vimos que, em virtude da premissa do quanto mais melhor
(preferências monotônicas), as curvas de indiferença bem-comportadas
3

são inclinadas negativamente. Veremos agora outra explicação para essa
inclinação negativa. Voltemos, então, ao exemplo em que o consumidor
possui cestas de consumo de alimentos e vestuário:

Se o consumo de vestuário aumenta, o consumo de alimentos é
reduzido a fim de se preservar a mesma utilidade, e vice-versa. Veja a
figura 14:
















3
Em questões de concursos, quando é falado genericamente somente em “curvas de
indiferença”, devemos considerar que se trata, na verdade, das curvas de indiferença bem-
comportadas. Daqui a pouco, em nossa aula, exemplos de curvas de indiferença que fogem
a essa regra.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 24 de 86
Inclinação da curva de indiferença

Observe que quando nos movemos do ponto A para o ponto B, a
diminuição do consumo de vestuário (ΔV=V
B
-V
A
) foi compensada por um
pequeno aumento no consumo de alimentos (ΔA=A
B
-A
A
), para que nos
mantivéssemos no mesmo nível de utilidade (mesma curva de
indiferença). Quando nos movemos do ponto B para o C, ocorre a mesma
coisa, só que, desta vez, precisamos de mais alimentos (ΔA=A
C
-A
B
) para
compensar uma perda até menor de vestuário (ΔV=V
C
-V
B
). Do ponto C
para o D, ocorre o mesmo fenômeno. Do ponto D para o ponto E,
precisamos de um grande aumento de alimentos para compensar uma
pequena perda de vestuário, de forma que ΔV/ΔA será um número bem
pequeno (veja que do ponto A ao B, ΔV/ΔA é um número mais alto que o
ΔV/ΔA do ponto D ao E).

Em primeira instância, o que ocasiona estas mudanças ao longo
da curva de indiferença e a sua própria inclinação é o princípio da
utilidade marginal decrescente. Quando nos movemos para a direita,
aumentando o consumo de alimentos, por exemplo, a sua utilidade
marginal decresce, fazendo com que o consumidor queira abrir mão cada
vez menos de vestuário em troca de alimentos.

O declínio no consumo de vestuário permitido por um aumento no
consumo de alimentos a fim de que a utilidade mantenha-se constante é
chamado de taxa marginal de substituição (TMgS) entre vestuário e
alimentos. É esta TMgS que determina a inclinação da curva de
indiferença. Algebricamente, a TMgS pode ser definida como:



TMgS = ΔV  com a utilidade (U) constante
ΔA

Veja que a TMgS será sempre negativa. Isto porque o numerador
ΔV (V
FINAL
– V
INICIAL
) é sempre negativo quando caminhamos da esquerda
para a direita na curva de indiferença. Se caminharmos da direita para a
esquerda, o denominador, ΔA (A
FINAL
– A
INICIAL
), será sempre negativo.
Assim, a TMgS sempre será negativa e, por conseguinte, a
inclinação da curva de indiferença também será.


 A TMgS explicando a convexidade:

A TMgS também nos ajuda a entender por que as curvas de
indiferença são convexas. A convexidade das curvas de indiferença é
plenamente visualizada ao notarmos o fato da curva ser bem mais
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 25 de 86
íngreme à esquerda do que à direita. No ponto A (figura 14), onde a
curva de indiferença é bastante acentuada, ou vertical, um grande
declínio no consumo de vestuário pode ser acompanhado por um modesto
aumento no consumo de alimentos. Ou seja, quando o consumo de
vestuário é relativamente elevado e o consumo de alimentos é
relativamente baixo, o alimento é mais altamente valorizado do que
quando este é abundante e o vestuário relativamente escasso (precisa-se
abrir mão de bastante vestuário para um ganho pequeno de alimentos, ou
seja, o alimento é mais valorizado). Colocada dessa forma, a convexidade
das curvas de indiferença parece algo natural: ela diz que quanto mais
temos de um bem, mais propensos estaremos a abrir mão de alguma
quantidade dele em troca de outro bem.

No ponto E (figura 14), inversamente, a curva de indiferença é
relativamente plana. Essa inclinação mais plana significa que um mesmo
declínio no vestuário requer um aumento bem maior no consumo de
alimentos para que a utilidade permaneça constante. Isto é, quando o
consumo de vestuário é baixo e os alimentos são abundantes, o vestuário
é altamente valorizado (a perda do vestuário requer um enorme aumento
no alimento para que a utilidade permaneça constante). O princípio
norteador do raciocínio é o mesmo em todas as situações: o que é
escasso é mais valorizado (neste caso, precisa-se de bastante alimento
para compensar uma pequena perda de vestuário). Ver questão 35.


 A TMgS é decrescente:

Do ponto A ao B (figura 14), temos uma TMgS certamente maior
que 1 (ΔV>ΔA) em valores absolutos (módulo). Do ponto D ao E,
entretanto, temos o módulo da TMgS certamente menor que 1 (ΔV<ΔA).
Podemos perceber que do ponto A ao ponto E, o valor da TMgS diminui à
medida que nos deslocamos para baixo e para a direita ao longo da curva
de indiferença. Desta forma, a TMgS, além de ser negativa, possui o seu
valor declinante ou decrescente quando se substitui, progressivamente,
unidades de vestuário por alimentos. Concluindo: a TMgS é
decrescente.


1.3.2. Preferências “mal” comportadas (casos especiais)

No item 1.3.1, nós vimos algumas premissas que nos remetem a
preferências bem-comportadas e monotônicas. Vale ressaltar que o que
foi visto no item passado deve ser considerado sempre quando falamos
em preferências ou curvas de indiferença de modo genérico, sem
especificar se são preferências bem-comportadas, monotônicas ou não.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 26 de 86
Pepsi
Figura 15
Sapato
esquerdo
3
2
1
Sapato direito
3
Coca-cola
2 1

Neste item, veremos alguns casos de preferências que não seguem
o comportamento padrão estudado no item passado. Ou seja, são curvas
de indiferença que seguem as premissas das preferências
(monotonicidade, reflexividade, transitividade, integralidade), mas não
seguem o comportamento das curvas bem-comportadas (TmgS
decrescente e negativa, convexidade). Assim, você deve ter em mente
que apesar destes casos especiais não seguirem o comportamento
padrão de uma curva de indiferença bem-comportada, isto não
significa, entretanto, que elas não obedeçam às premissas das
preferências, vistas logo no início do item 1.3. Elas obedecem às
premissas básicas das preferências, apenas não seguem o caso geral (as
curvas de indiferença não têm o formato de curvas bem-comportadas).

Comecemos pelo caso em que os bens integrantes da cesta de
consumo são bens substitutos ou complementos perfeitos:


1.3.2.1. O caso dos substitutos e complementos perfeitos

A figura 15 apresenta, no gráfico da esquerda, as preferências de
um consumidor por coca-cola e pepsi. Para este consumidor, estas duas
mercadorias são substitutos perfeitos. Dizemos que dois bens são
substitutos perfeitos quando a taxa marginal de substituição de
um bem pelo outro é constante. Nesse caso, as curvas de
indiferença que descrevem a permuta entre o consumo das
mercadorias se apresentam como linhas retas (a inclinação de retas
é uma constante – ou seja, um número que não muda. Assim, a TmgS
também será constante, já que a inclinação da curva de indiferença é
dada pela TmgS).









No gráfico da esquerda, a TmgS é -1, pois o consumidor substitui o
consumo de uma lata de pepsi por uma lata de coca-cola em qualquer
lugar da curva de indiferença. Mas, tome cuidado! A inclinação das curvas
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 27 de 86
de indiferença (TmgS) não precisa ser igual a -1 para que os bens sejam
substitutos perfeitos. Para que os sejam, basta que as curvas de
indiferença sejam representadas por retas e tenham, portanto, a
inclinação constante. Por exemplo, caso o consumidor acredite que uma
lata de pepsi equivalha a duas latas de coca-cola (TmgS=ΔPepsi/Δcoca=-
1/2), a inclinação das curvas de indiferença será -1/2, e os bens serão
substitutos perfeitos pois a inclinação das curvas será constante (-1/2).

O gráfico da direita, na figura 15, ilustra as preferências de um
consumidor por sapatos esquerdos e direitos. Para este consumidor, os
dois bens são complementos perfeitos (ou complementares), uma vez que
um sapato esquerdo não aumentará seu grau de satisfação ou utilidade, a
menos que ele possa obter também o sapato direito como
correspondente. Assim, a cesta (1 sapato direito, 1 sapato esquerdo)
apresenta a mesma utilidade da cesta (1 sapato direito, 3 sapatos
esquerdos). Ou seja, só haverá benefício adicional quando houver
acréscimo na proporção no consumo dos dois bens, sendo que qualquer
bem em excesso a essa proporção não gera nenhum benefício adicional.

Percebemos, então, que, no caso dos complementos perfeitos,
as curvas de indiferença terão formato de um L, cujo vértice ocorre
onde o número de pés esquerdos iguala o de pés direitos. Na parte
vertical do L, a TMgS será igual a infinito (o Δ
SAPATO_ESQUERDO
será um valor
qualquer, enquanto o Δ
SAPATO_DIREITO
será igual a 0. Como qualquer
número dividido por 0 é igual a infinito, a TMgS na parte vertical do L
também será infinita). Na parte horizontal do L, a TMgS será igual a 0 (o
Δ
SAPATO_ESQUERDO
será igual a 0, enquanto o Δ
SAPATO_DIREITO
será igual a um
valor qualquer. Como ZERO dividido por qualquer número é igual a ZERO,
a TMgS na parte horizontal do L também será sempre igual a 0).

Por fim, note que, no caso dos complementos perfeitos, o
consumidor prefere consumi-los em proporções fixas, não havendo
necessidade de que a proporção seja 1 por 1, como no caso do exemplo
dos sapatos direito e esquerdo. Por exemplo, se um consumidor consome
sempre dois refrigerantes para cada sanduíche, e não consome
refrigerante para mais nada, neste caso, os bens refrigerante e sanduíche
serão complementos perfeitos e as curvas de indiferença terão o formato
de L. Neste caso, as cestas que estarão nos vértices de cada L terão
sempre o dobro de refrigerantes em relação aos sanduíches. A proporção
no consumo dos bens será fixa, no entanto, teremos uma proporção de 2
para 1, em vez de 1 para 1, como no caso dos sapatos direito e esquerdo.

Nota  os bens podem ser substitutos imperfeitos (o consumidor
percebe alguma diferença entre eles) ou complementos imperfeitos (o
consumo não será feito em proporções fixas). Neste caso, as curvas de
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 28 de 86
Figura 16
salada

Aqui, as curvas de indiferença têm
inclinação positiva. Para mantermos o
mesmo nível de utilidade, à medida que
aumentamos o consumo do mal salada,
devemos consumir mais o bem carne.
carne
indiferença tenderão ao formato convencional, apresentando algum
grau de convexidade.


1.3.2.2. Quando um bem é um mal

Quando um bem é uma mercadoria que o consumidor não gosta,
dizemos que este bem, na verdade, é um “mal”. Se tivermos uma cesta
com dois bens, um sendo um bem e outro sendo um mal, as curvas de
indiferença serão positivamente inclinadas. Isto é, para se manter na
mesma utilidade, ao aumentar o consumo do mal, deve-se também
aumentar o consumo do bem.

Peguemos uma cesta que consista de duas mercadorias: o bem
carne e o mal salada. Supondo que este consumidor não goste deste
último (para este consumidor, o consumo de salada não traz utilidade ou
prazer, logo, é um mal, e não um bem), se dermos a ele mais salada, o
que deveríamos fazer para mantê-lo com o mesmo nível de satisfação (ou
para que ele permaneça na mesma curva de indiferença)? Para mantê-lo
na mesma curva de indiferença, será necessário mais carne para
compensá-lo por ter de aturar a salada. Assim, este consumidor, que não
gosta de salada e adora carne, terá de ter curvas de indiferença que se
inclinem para cima e para a direita, conforme vemos na figura 16.













Neste caso, as curvas de indiferença mais para baixo e para a
direita serão as curvas preferíveis, no sentido da redução do consumo de
salada e do aumento do consumo de carne.

Uma importante observação a se fazer neste caso é em relação ao
comportamento do “mal” (o bem que não traz utilidade). O consumo
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 29 de 86
Figura 17
vassoura

Aqui, somente o aumento do consumo de
cerveja conseguirá aumentar o nível de
utilidade do consumidor. O aumento do
consumo de vassouras não terá qualquer
efeito sobre a utilidade.
desta mercadoria não traz acréscimo de utilidade ao consumidor. Pelo
contrário, o aumento de consumo do “mal” faz decrescer a utilidade do
consumidor. Isto quer dizer que a utilidade marginal de uma mercadoria
com esta característica será sempre negativa. Daí, podemos concluir que
quando temos um bem que é um “mal”, que apresenta, para
qualquer nível de consumo, utilidade marginal negativa (faz
decrescer a utilidade do consumidor), então, as curvas de
indiferença deste consumidor serão positivamente inclinadas,
exatamente como mostrado na figura 16.

Esta conclusão não se confunde com aquela que foi inferida para as
curvas de indiferença bem-comportadas, que possuem inclinação
decrescente e negativa. Naquelas, o princípio da utilidade marginal
decrescente (decrescente é diferente de negativa) faz com que a
inclinação da curva seja decrescente e negativa. Neste caso da curva
bem-comportada, a utilidade marginal, apesar de decrescente, não será
negativa. Entretanto, se a utilidade marginal for negativa, então, a curva
de indiferença será positivamente inclinada.

Nota  no exemplo, desenhei curvas de indiferença representadas por
retas, mas poderíamos também desenhar curvas convexas ou côncavas.
O importante aqui é que as curvas que representam uma cesta composta
por um bem e por um mal terão inclinação positiva.


1.3.2.3. Bens neutros

Quando temos uma cesta composta por um bem neutro, isto é, um
bem que o consumidor não se importa em ter ou não ter, as curvas de
indiferença serão linhas verticais. Por exemplo, imagine um típico homem
solteiro que mora sozinho e sua cesta de consumo seja composta do bem
vassoura e do bem cerveja. Levando-se em conta que o típico homem
solteiro que mora sozinho não varre o seu domicílio, nunca, podemos
concluir que o bem vassoura é neutro, o consumidor pouco importa em
tê-lo ou não. Isso quer dizer que o aumento do consumo de vassoura não
aumenta a utilidade desta consumidor, apenas o aumento do consumo de
cervejas terá este efeito. Veja na figura 17:







Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 30 de 86
Curvas de indiferença
cerveja
A (1, 7)
Figura 18
Q
2


Quando a curva de indiferença é côncava, o
consumo das cestas A e B traz maior
utilidade que o consumo da cesta C. Note
que, nas cestas A e B, o consumidor se
especializa no consumo de uma
determinada mercadoria.
C (4, 4)
B (7, 1)
Q
1







1.3.2.4. Curvas de indiferença côncavas

No item 1.3.1, premissa 3 das curvas de indiferença bem
comportadas (figura 13), nós vimos que os consumidores preferem as
cestas médias porque elas representam cestas mais diversificadas de
consumo. Essa premissa, por sua vez, era responsável pela convexidade
das curvas de indiferença.

Quando temos uma situação oposta, ou seja, os consumidores
preferem a especialização à diversificação no consumo, as curvas de
indiferença serão côncavas, ou seja, teremos a concavidade da curva
voltada para a origem do gráfico. Assim, quando temos uma curva de
indiferença côncava, isto quer dizer que este consumidor prefere se
especializar no consumo de uma única mercadoria, em detrimento do
consumo diversificado das duas mercadorias da cesta de consumo.















1.4. FUNÇÕES UTILIDADE (ordinal x cardinal)

Uma função de utilidade é uma expressão algébrica que atribui um
valor ou um nível e utilidade a cada cesta de mercado. Suponha, por
exemplo, que consumidor possua a seguinte função utilidade:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 31 de 86
U (q
1
, q
2
) = q
1
+ q
2


O termo U (q
1
, q
2
) está dizendo apenas que a utilidade é função (ou
depende) das quantidades consumidas dos bens 1 e 2. Essas quantidades
são representadas por q
1
e q
2
. Neste caso, uma cesta de mercado que
tenha 5 unidades do bem 1 (q
1
=5) e 4 unidades do bem 2 (q
2
=4), terá
uma utilidade de 5+4=9. Caso este consumidor, em outro momento,
consuma 7 unidades do bem 1 (q
1
=7) e 2 unidades do bem 2 (q
2
=2), a
utilidade também será igual a 9. Ou seja, as cestas (5,4) e (7,2) possuem
a mesma utilidade e estarão, portanto, na mesma curva de indiferença
deste consumidor. E como sabemos disso? Sabemos porque a função
utilidade deste consumidor nos disse!

Nota  esta função utilidade que eu utilizei é apenas um exemplo.
Veremos mais tarde outros formatos para a função utilidade.

Suponha agora que este consumidor consumo 2 unidades do bem 1
(q
1
=2) e 1 unidade do bem 2 (q
2
=1). A utilidade será igual a 2+1=3.
Assim, esta cesta (2,1) não será preferível às cestas (5,4) e (7,2) uma
vez que a utilidade daquela foi menor que a utilidade destas últimas.
Logo, a cesta (2,1) estará em uma curva de indiferença mais baixa que as
cestas (5,4) e (7,2).

Assim, veja que a função utilidade fornece a mesma informação
sobre as preferências que o conjunto de curvas de indiferença (mapa de
indiferença): ambos ordenam as escolhas do consumidor em termos de
níveis de satisfação/utilidade.

Vale ressaltar que a função de utilidade apenas serve para ordenar
as preferências. Ela não nos dá uma medida, um valor de utilidade.
Deixe-me explicar melhor. Imagine que tenhamos uma função utilidade
para um consumidor e, calculando diversas utilidades para diversas
cestas, encontremos os valores de utilidades de 5, 10, 1000 e 2300 para
as cestas A, B, C e D, respectivamente. O que estes números querem
dizer? Eles querem dizer apenas que a ordem de preferência, da mais
baixa para a mais alta, é A, B, C e D. Apenas isso! Assim, não podemos
dizer que a cesta B tem o dobro de utilidade da cesta A, nem dizer que a
cesta C é muito mais preferível à cesta B do que a cesta B é preferível à
cesta A. Enfim, repetindo, os valores de utilidade que encontramos em
funções de utilidade serve apenas para ordenar as preferências.

O mesmo vale para comparações entre consumidores diferentes.
Por exemplo, suponhamos que a cesta A, na função de utilidade do
consumidor Teodósio, tenha nível de utilidade igual a 10. Agora suponha
que esta mesma cesta A, na função de utilidade da consumidora
Jucicleide, tenha nível de utilidade igual a 100. Será que Jucicleide ficará
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 32 de 86
mais feliz (terá mais utilidade) do que Teodósio se cada um deles
consumisse a cesta A? Não temos como saber a resposta. Os valores
numéricos servem apenas para ordenar as preferências de cada
consumidor, não são medidas acuradas do quantum uma cesta torna uma
pessoa feliz (apenas ordena, não quantifica).

Esta ordenação de preferências em que as utilidades são
simplesmente ordenadas de modo a mostrar apenas a ordem de
preferência é chamada de teoria ordinal. Caso a preocupação realmente
fosse informar em valor numérico qual o grau de utilidade do consumidor,
estaríamos trabalhando com a teoria cardinal. Assim, esta teoria do
consumidor que estamos estudando, baseada na ordenação de
preferências, é pautada em funções de utilidades ordinais, pois
verificamos apenas a ordem das utilidades e não o seu cálculo numérico
propriamente dito.

Diferentemente das funções ordinais, uma função de utilidade
cardinal atribui às cestas de mercado valores numéricos que realmente
indicam o quantum de satisfação; elas, ao contrário das funções ordinais,
não são apenas meios de ordenar as preferências. Por exemplo, se
tivermos uma função de utilidade cardinal que indique que o consumo de
uma cesta A nos remeta a uma utilidade de valor 10, enquanto a utilidade
da cesta B é de valor 20, podemos afirmar que a cesta B traz o dobro de
utilidade/felicidade ao consumidor. Se a função de utilidade fosse ordinal,
poderíamos somente afirmar que B é preferível a A, nada além disso.

Dentro do estudo da teoria do consumidor, o objetivo é entender o
comportamento dos consumidores, bastando saber como eles classificam
ou ordenam as diferentes cestas. Assim, as funções utilidade com as
quais trabalharemos serão do tipo ordinal. Essa é a abordagem
padrão e é ela que é adotada pelos livros e pelas bancas de concurso.

Dependendo do formato da função utilidade, podemos inferir
importantes conclusões sobre os bens da cesta de consumo e/ou sobre as
preferências do consumidor. Vejamos então algumas funções de utilidade
típicas:


1.4.1. Função utilidade para bens substitutos perfeitos

A função utilidade para bens substitutos perfeitos, em geral, pode
ser representada por uma função de utilidade da forma:

U (q
1
, q
2
) = a.q
1
+ b.q
2
(1)

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 33 de 86
Onde a e b são números positivos. Veja que esta função utilidade
nos diz que o que interessa para o consumidor é o número total de bens
que ele possui. Ao mesmo tempo, note que esta função satisfaz a
condição para a montagem da curva de indiferença para os bens
substitutos perfeitos (a condição é a inclinação da curva de indiferença
ser constante).

A curva de indiferença para bens substitutos perfeitos tem TMgS
constante. Como a TMgS é a própria inclinação da curva de indiferença,
então, a inclinação da curva de indiferença para bens substitutos perfeitos
também é constante. Pois bem, se resolvermos para q
2
a equação
apresentada, teremos:

Repare que se fossemos montar o gráfico de q
2
em função de q
1
(o
gráfico da curva de indiferença), a inclinação deste gráfico seria constante
(a inclinação seria dq
2
/dq
1
=-a/b). Portanto, a função com o formato
colocado em (1) obedece à condição para os bens substitutos perfeitos:
TMgS e/ou inclinação da curva de indiferença constante.


1.4.2. Função utilidade para bens complementares
perfeitos

Esse é o exemplo dos sapatos direito e esquerdo, lembra? Para
estes tipos bens, o consumidor só se importa com o número de bens que
ele possa consumir simultaneamente dentro da cesta (uma vez que os
bens se complementam). Assim, ele só se importa com o número de
pares de sapatos que possui. Uma função utilidade que traduz essa
condição é:

U (q
1
, q
2
) = mín {q
1
, q
2
} (1)

Para verificar se esta função realmente atende ao caso dos bens
complementares perfeitos, vejamos um exemplo numérico. Imagine que o
consumidor tenha uma cesta de bens como, por exemplo, (3, 3). Se
acrescentarmos uma unidade do bem 1, obteremos (4, 3). Mas como os
bens são complementares, o acréscimo de somente uma unidade do bem
1 não aumenta a utilidade, de forma que o consumidor estará na mesma
curva de indiferença. Assim, a utilidade das cestas (3, 3) e (4, 3) é o
mesma. Vejamos:

U (3, 3) = mín {3, 3} = 3
U (4, 3) = mín {4, 3} = 3
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 34 de 86

Se o consumidor consumisse os bens numa proporção diferente de
1 por 1, a função utilidade teria o mesmo formato. Por exemplo, o
consumidor que toma dois refrigerantes para cada sanduíche consumido
(e não usa o refrigerante para mais nada) terá uma função utilidade do
tipo mín{q
1
,½q
2
}, onde q
1
é o número de sanduíches e q
2
é o número de
refrigerantes.

Assim, acredito que a representação mais fidedigna do que seja
uma função utilidade para bens complementares será:

U (q
1
, q
2
) = mín {a.q
1
, b.q
2
}


1.4.3. Preferências Cobb-Douglas
4


Este é tipo de função utilidade mais usado em provas. Tem o
seguinte formato:

Onde q
1
e q
2
representam as quantidades consumidas dos bens 1 e
2, a e b, os expoentes de q
1
e q
2
, e K são números positivos (a maioria
das questões de prova coloca K=1, de tal forma que a função Cobb-
Douglas tenha o formato:

).

As funções Cobb-Douglas são o exemplo típico de curvas de
indiferença bem-comportadas. Por isso, são as mais utilizadas nos
livros e nas provas, pois representam o caso geral das preferências,
justamente quando elas são representadas por curvas de indiferença
bem-comportadas (curvas convexas, negativamente inclinadas, com
TMgS decrescente, etc).


1.5. A ESCOLHA ÓTIMA DO CONSUMIDOR

Agora que já analisamos as preferências, a restrição orçamentária e
a utilidade podemos falar da escolha ótima
5
do consumidor.

4
Paul Douglas era economista e também foi senador dos EUA. Charles Cobb era
matemático. Esta forma de função foi desenvolvida inicialmente para explicar por que os
ganhos entre as rendas dos donos do capital (empresários) e os donos da mão-de-obra
(trabalhadores) apresentavam rendimentos constantes ao longo do tempo. Assim, a função
Cobb-Douglas foi desenvolvida com o objetivo de explicar o comportamento da produção,
mas hoje também é muito usada nas funções utilidade do consumidor. Maiores detalhes
serão vistos na próxima aula, onde estudaremos a produção.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 35 de 86
Q
1

m/p
1

m/p
2

q
1
*

A
U
2

A’
X
Y
Figura 19
Z
U
1

U
1

U
2

U
3

U
3

Q
2

q
2
*


Supondo um nível de renda (m) de um consumidor que nos remeta
a uma reta de restrição orçamentária, o consumidor encontrará seu
equilíbrio no ponto em que esta linha de orçamento encontrar a curva de
indiferença mais alta possível.

Assim, ele estará encontrando a maior utilidade possível, dada a
sua restrição de renda. Graficamente, isto ocorre quando a reta de
restrição orçamentária toca/tangencia a curva de indiferença mais alta:
















Onde q
2
e q
1
são as quantidades consumidas dos bens 2 e 1,
respectivamente; q
2
* e q
1
* são as quantidades consumidas dos bens 2 e
1 no ponto ótimo (consumo ótimo); m/p
2
é o intercepto da reta
orçamentária no eixo vertical e m/p
1
o intercepto no eixo horizontal.

Dada a reta de restrição orçamentária AA’ (que representa a
restrição de renda), o consumidor escolherá a combinação de consumo
dos bens 1 e 2 que proporcione a maior utilidade possível. Isto acontece
no ponto X. Veja que nos pontos Y e Z, apesar de obedecermos à
restrição de renda, estamos em nível de utilidade menor (curva de
indiferença cinza clara - U
2
- mais baixa). Veja também que, apesar da
curva de indiferença U
3
(curva tracejada) apresentar um nível de utilidade
maior, ela não é viável para este consumidor, pois sua linha de orçamento

5
Uma nomenclatura bastante comum também é: o equilíbrio do consumidor, tendo em
vista que quando ele está no ótimo, não haverá tendência para mudar (ou seja, está em
equilíbrio).
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 36 de 86
Ao invés de multiplicarmos,
invertemos a fração e a operação
(multiplicação por divisão).
Umg1
Umg2
Preço do bem 1
Preço do bem 2

Inclinação da LINHA DE ORÇAMENTO
Inclinação da CURVA DE INDIFERENÇA
ÓTIMO DO CONSUMIDOR,
envolvendo o consumo dos
bens 1 e 2.
AA’ não a toca em nenhum ponto, sendo impossível ter utilidade U
3
com a
restrição de renda deste consumidor.

Desta forma, atingido o ponto X, o consumidor demandará q
2
*
unidades do bem 2 e q
1
* unidades do bem 1. Bem, agora já entendemos
que o consumidor toma a sua decisão de consumo a partir do ponto X,
certo!? Agora, representaremos esta situação matematicamente.

No ponto X, a inclinação da curva de indiferença é igual à inclinação
da linha de orçamento. Assim, basta igualarmos as expressões que
determinam a inclinação de ambas. Esta igualdade nos dará o equilíbrio
do consumidor e, por conseguinte, a quantidade de consumo ótimo dos
bens 1 e 2:



TMgS = Δq
2
= p
1
 equilíbrio do consumidor
Δq
1
p
2



Observe que podemos manipular o Δq
2
/Δq
1
, de forma que, ainda
assim, manteremos a igualdade:



Δq
2
= Δq
2
/ΔU = Δq
2
. ΔU = ΔU . Δq
2
= ΔU / ΔU
Δq
1
Δq
1
/ΔU ΔU Δq
1
Δq
1
ΔU Δq
1
Δq
2






Concluímos então que a TMgS, que é igual a (Δq
2
/Δq
1
), é a razão
entre as utilidades marginais dos bens 1 e 2. Isto porque ΔU/Δq
1
é a
utilidade marginal do bem 1 (Umg1) e ΔU/Δq
2
é a utilidade marginal do
bem 2 (Umg2). Assim, podemos reescrever a condição de equilíbrio do
consumidor, dada uma renda (m) e os preços dos bens 1 e 2 (p
1
e p
2
):


Umg1 = p
1

Umg2 p
2


Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 37 de 86
Utilidade marginal do
bem 2 por R$
Utilidade marginal do
bem 1 por R$

Assim, as pessoas irão escolher as unidades de consumo dos
bens 1 e 2 a serem demandadas de tal modo que a razão das
utilidades marginais seja igual à razão dos seus preços/custos. Ou
ainda, podemos dizer que os benefícios marginais (utilidades marginais)
sejam iguais aos custos marginais (preços).

É interessante prestar atenção na maneira como é montada a
expressão. Se tivermos a taxa marginal de substituição do bem 2 pelo
bem 1, então, teremos:

(observe que temos 2 sobre 1 no lado esquerdo da equação da TmgS, e 1
sobre 2 no lado direito. Não vá se confundir!)

Outro exemplo: se tivermos a taxa marginal de substituição do
bem L pelo bem B, basta fazer a razão das suas utilidades marginais, da
seguinte maneira:

Também devemos estar atentos pois a mesma coisa pode ser dita
de inúmeras maneiras diferentes, de tal forma que é mais sábio tentar
entender o real significado de uma expressão a simplesmente decorá-la.
Por exemplo, se manipularmos a expressão do ótimo do consumidor,
envolvendo o consumo dos bens 1 e 2, chegaremos ao exposto abaixo:



Umg1 = Umg2
P
1
P
2


A expressão acima nos diz que a maximização da utilidade é obtida
quando a restrição orçamentária é alocada de tal forma que a razão
entre as utilidades marginais dos bens em relação aos seus
respectivos custos sejam iguais. Podemos dizer também que a
utilidade marginal por R$ despendido é igual para o bem 1 e para o bem
2 (mencionamos o termo utilidade marginal por R$, pois estamos
dividindo a Umg por uma medida de preço, expressa em R$, que, no
caso, será P
1
ou P
2
).

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 38 de 86
Nota  para compreendermos o fundamento desse princípio, suponhamos
que os preços dos bens 1 e 2 seja iguais e que o consumidor obtenha
mais utilidade gastando R$ 1,00 a mais com o bem 1 do que com o bem 2
(o lado esquerdo da equação ficará maior que o lado direito, pois
Umg1>Umg2). Nesse caso, o consumidor continuará gastando com o bem
1 em vez de gastar com o bem 2. Enquanto a utilidade marginal obtida ao
gastar uma unidade monetária a mais com o bem 1 for maior que a
utilidade marginal obtida ao gastar uma unidade monetária a mais com o
bem 2, este consumidor pode aumentar a utilidade direcionando seu
orçamento para o bem 1 e afastando-se do consumo do bem 2 (veja que
ele não está em equilíbrio). Por fim, à medida que ele adquire mais e
mais o bem 1, a utilidade marginal do bem 1 vai acabar se tornando
menor (porque a utilidade marginal é decrescente
6
, isto é, quanto mais
consumimos do bem 1, menor será a utilidade marginal), até que os dois
lados da equação fiquem iguais. Neste ponto, o consumidor estará em
equilíbrio, pois a utilidade marginal por R$ despendido será igual para os
bens 1 e 2. Este princípio é chamado de princípio da igualdade marginal e
também será seguido quando estudarmos outros assuntos em nosso
curso, só que em situações um pouco diferentes.


1.5.1. Calculando as quantidades ótimas

Em muitas questões de prova, é exigido que consigamos dizer as
quantidades ótimas de consumo a partir das restrições de renda e da
função utilidade. Ou seja, nestes casos, temos que encontrar a maior
utilidade possível (curva de indiferença mais alta) dada a restrição de
renda do consumidor (reta orçamentária). Matematicamente, isso
equivale a dizer que temos que maximizar a função utilidade, que é
sujeita à restrição de orçamento.

Para conseguir realizar esse cálculo, existem duas maneiras.
Resolveremos uma questão de concurso expondo as duas formas de
cálculo:

Exemplo numérico: Considere o seguinte problema de
otimização condicionada em Teoria do Consumidor:
Maximizar U = X.Y
Sujeito à restrição 2.X + 4.Y = 10
Onde U = função utilidade;
X = quantidade consumida do bem X;
Y = quantidade consumida do bem Y.

6
Para relembrar o porquê, veja o item 1.2.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 39 de 86
Com base nessas informações, as quantidades do bem X e Y
que maximizam a utilidade do consumidor são,
respectivamente:
a) 8 e 0,5
b) 1 e 2
c) 2 e 1
d) 1,25 e 2,0
e) 2,5 e 1,25

Resolução:

Em primeiro lugar, a questão nos deu uma função de utilidade do
tipo Cobb-Douglas. Como eu falei, ela é o principal tipo de função
utilidade e é a mais abordada em provas, pelo fato de ela representar
curvas de indiferença bem-comportadas (convexas, inclinação
decrescente, etc).

Na função utilidade da questão, temos X (que é a quantidade
consumida do bem X) e Y (que é a quantidade consumida do bem Y). Na
restrição orçamentária, podemos identificar que P
X
=2 e P
Y
=4, enquanto
a renda m=10. Veja que o formato da restrição orçamentária para o
nosso problema é este: P
X
.X + P
Y
.Y = m

Utilizando o método dos multiplicadores de Lagrange:

Nota: para concursos, é o pior método, pois é o mais trabalhoso.

A primeira maneira de resolvermos o problema é através do uso do
multiplicador de Lagrange. O teorema de Lagrange é demonstrado nos
livros de Matemática aplicada à Economia. Para os nossos objetivos, só
precisamos saber como utilizá-lo.

Primeiro, escrevemos o lagrangiano do problema. O lagrangiano é a
função a ser maximizada (neste caso, queremos maximizar a utilidade)
mais uma variável (que chamaremos de λ  lê-se lambda) multiplicada
pela restrição (aqui, a restrição orçamentária). Então, o lagrangiano será:

L = U(X,Y) – λ.(P
X
.X + P
Y
.Y – m)

Nota  a restrição orçamentária é P
X
.X + P
Y
.Y = m. Se colocarmos
todas as variáveis do mesmo lado, temos P
X
.X + P
Y
.Y – m = 0 (é a parte
esquerda da equação que irá para a fórmula do lagrangiano)

Assim, para a nossa questão, teremos que maximizar L. Segue o
nosso lagrangiano (L) já com os dados da questão:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 40 de 86
L = XY - λ.(2X + 4Y - 10)

Segundo, para resolver, devemos derivar L em função de X, derivar
L em função de Y e derivar L em função de λ. Devemos igualar todas
essas derivadas a 0. Assim:


Se simplificarmos as equações (2), (3) e (4), teremos:



Terceiro, substituímos os valores de X e Y na equação 4 para
acharmos o valor de λ:





Quarto, substituímos o valor de λ nas equações (2) e (3), achando,
assim, finalmente, as quantidades de X e Y que representam a cesta
ótima deste consumidor:





Assim, a cesta ótima é (2,5; 1,25).


Utilizando a condição de equilíbrio do consumidor:

Outra maneira de resolvermos a questão é através da condição de
equilíbrio do consumidor, onde sabemos que a inclinação da curva de
indiferença é igual à inclinação da reta orçamentária. Assim:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 41 de 86

Façamos os cálculos para calcular as utilidades marginas de X e Y
(lembre que U=XY):

Substituindo os valores das utilidades marginais e os preços em (1),
teremos:

Substituindo o valor de X na equação da restrição orçamentária,
teremos:





Como X=2Y, então X=2,5. Assim, a cesta ótima será (2,5; 1,25).

Veja que encontramos a mesma cesta utilizando o método do
lagrangiano. A forma de calcular na hora da prova é sua. Eu,
particularmente, prefiro o segundo método, comparando com o método
do langrangiano. Existe ainda um outro método que se aplica somente
quando temos funções utilidade Cobb-Douglas. Uma vez que a
avassaladora maioria das questões de concurso trazem utilidades
do tipo Cobb-Douglas (preferências bem-comportadas), é
interessante também aprender este método (é o mais rápido e
fácil!), que está exposto no item 1.5.2, letra d.


1.5.2. A escolha do consumidor nos casos especiais das
preferências

a) Substitutos perfeitos

Se os bens forem substitutos perfeitos, isto é, se um bem substituir
o outro com perfeição, é natural que o consumidor tenda a gastar toda a
sua renda com o bem que esteja mais barato. Assim, o bem que tiver o
menor preço será consumido ao passo que o bem mais caro não terá
qualquer consumo. Desta forma, a escolha ótima do consumidor se
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 42 de 86
q
1

q
2

Fig. 20
Quando os dois bens são
substitutos perfeitos, o
consumidor opta por
consumir apenas aquele que
está mais barato. Neste caso,
só consumirá o bem 1.
O
SOLUÇÃO DE CANTO
Curvas de
indiferença
Linha do orçamento
situará na “fronteira” (dizemos também que temos uma solução “de
canto”):



















Nota: em soluções de canto, a inclinação da curva de
indiferença não é igual à inclinação da linha do orçamento.

No gráfico acima, as linhas escuras são as curvas de indiferença ao
passo que a reta cinza claro é reta orçamentária. O ponto O é o ótimo do
consumidor, em que ele consumirá apenas o bem 1. Assim, temos o
seguinte para os bens substitutos perfeitos: se p1<p2, então o
consumidor gastará toda a renda com o bem 1. Se p1>p2, o consumidor
gastará toda a renda com o bem 2.

Se p
1
<p
2
=> q
1
=m/p
1
e q
2
=0

Se p
1
>p
2
=> q
2
=m/p
2
e q
1
=0

Lembre que, ao dizer que q
1
=m/p
1
, estamos dizendo que o
consumidor estará gastando toda a sua renda com o bem 1. Quando
q
2
=m/p
2
, estará gastando toda a renda com o bem 2.

Por fim, ressalto que quando temos uma solução de canto, o
ótimo do consumidor não representa uma situação em que TMgS
= p
1
/p
2
. Logo, para soluções de canto, no equilíbrio, as inclinações da
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 43 de 86
q
1

q
2

Fig. 21
Quando os dois bens são
complementos perfeitos,
o consumidor deverá
manter a mesma
proporção em seu
consumo.
O
curva de indiferença e da reta orçamentária não são iguais. Assim,
podemos concluir que não é em todos os casos que a expressão TMgS =
p
1
/p
2
será representativa do ótimo de um consumidor. Ela se aplicará no
caso geral (preferências bem-comportadas), mas não em todos os casos.


b) Complementos perfeitos

Quando os bens são complementos perfeitos, o consumidor buscará
consumi-los na mesma proporção. Pegando o exemplo dos sapatos direito
e esquerdo, sabemos que as cestas ótimas de consumo terão sempre
q
1
=q
2
. Assim, teremos o seguinte:

q
1
= q
2
(1)
p
1
q
1
+ p
2
q
2
= m (2)

Substituindo q
2
na equação (2):

p
1
q
2
+ p
2
q
2
= m => q
2
(p
1
+ p
2
) = m

q
1
= q
2
= m/(p
1
+p
2
)

Graficamente, o equilíbrio será atingido nos vértices dos L:











Por fim, ressalto que aqui, neste caso, no equilíbrio, NÃO temos
TMgS = p
1
/p
2
.


c) Preferências côncavas

Quando a preferência for côncava, teremos uma solução de canto
(uma escolha de fronteira). Para estas preferências, o consumidor prefere
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 44 de 86
Q
1

Q
2


Figura 22
Veja que o ponto ótimo (O) é uma solução de
canto. Não podemos dizer que o ponto X é o
equilíbrio, uma vez que há uma curva de
indiferença mais alta para a mesma reta
orçamentária.
O
X
Escolha ótima é uma
SOLUÇÃO DE CANTO Escolha
NÃO ótima
Reta
orçamentária
se especializar no consumo de um bem a diversificar a sua cesta de
consumo.




















No ponto O, a exemplo do que acontece para os bens substitutos e
complementos perfeitos, TMgS ≠ p
1
/p
2
.


d) Preferências Cobb-Douglas

Em primeiro lugar, devemos ter ciência que as preferências Cobb-
Douglas indicam o caso geral das preferências. Ou seja, temos curvas de
indiferença bem comportadas (convexas). Quando temos este tipo de
preferência (que é a que mais aparece em provas), existe uma fórmula
para encontrar os valores da cesta ótima.

Supondo uma função de utilidade Cobb-Douglas do tipo u(X,
Y)=X
a
.Y
b
 os consumos ótimos dos bens X e Y serão:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 45 de 86
Ou seja, o consumo ótimo de X será o expoente de X sobre a soma
dos expoentes de X e Y multiplicado pela renda dividida pelo preço de X.
O mesmo raciocínio se aplica ao Y. A quantidade ótima de Y será o
expoente de Y sobre a soma dos expoentes de X e Y multiplicado pela
renda dividida pelo preço de Y.

Lembra a questão resolvida no item 1.5.1? Tentemos resolver
utilizando esse bizú. Sabemos, pelos dados da questão, que P
X
=2, P
Y
=4,
m=10, a=1 e b=1 (a é o expoente de X e b é o expoente de Y). Vejamos:

A cesta ótima será (2,5; 1,25), assim como foi encontrada nos
cálculos do exercício resolvido no item 1.5.1. Essa fórmula pode facilitar
bastante a nossa vida nestas questões, mas lembre-se que, para isso, a
função utilidade deve ser do tipo Cobb-Douglas.

Nota importante: é interessante que você saiba que quando
temos uma função utilidade e uma restrição orçamentária e, a partir
delas, calculamos as quantidades ótimas de consumo dos bens, na
verdade, nós estamos extraindo a sua expressão da demanda (afinal, o
consumo ótimo indica qual será a demanda ou quantidade consumida do
bem). Por exemplo, suponha a função utilidade Cobb-Douglas U=X
a
Y
1-a
e
seja P
X
o preço do bem X, P
Y
o preço do bem Y, X a quantidade
consumida do bem X, Y a quantidade do bem Y, “a” uma constante
positiva, e considerando que a renda é “m”, diga-me: qual será a
expressão da demanda (consumo ótimo) dos bens X e Y?

Ora, não é difícil! Como a utilidade é Cobb-Douglas, basta fazer o
bizú aprendido, sem maiores dificuldades.

A demanda de X (consumo ótimo de X) será o expoente de X sobre
a soma dos expoentes de X e Y multiplicado pela renda dividida pelo
preço de X:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 46 de 86
A demanda de Y (consumo ótimo de Y) será o expoente de Y sobre
a soma dos expoentes de X e Y multiplicado pela renda dividida pelo
preço de Y:



Veja que as demandas encontradas também nos permitem inferir
conclusões adicionais. Estas funções seguem o formato de demanda
apresentado no item 1.11, página 23, da aula 01. Assim, para os bens X e
Y, nós podemos concluir que as elasticidades preço da demanda serão
igual a 1 (módulo do expoente do preço do bem nas funções demanda).
As elasticidades renda serão igual a 1 (expoente da variável renda, que é
“m”). Para entender por que (caso não tenha entendido), releia o referido
item na aula 01.



1.6. EFEITOS RENDA E SUBSTITUIÇÃO

Verificaremos agora o que acontece quando variamos os preços de
um bem. No caso da redução de preço, por exemplo, acontecerão duas
coisas quando um bem fica mais barato: primeiro, indiretamente,
podemos falar que as pessoas terão ficado mais ricas, uma vez que
poderão comprar mais do bem; segundo, muitas pessoas deixarão de
consumir outros bens para consumir o bem que ora se torna mais barato.
No primeiro caso, temos o chamado efeito renda, enquanto, no segundo
caso, temos o efeito substituição. Vejamos as definições:

Efeito renda: quando o preço do bem X é reduzido, o consumidor
fica mais “rico” e, portanto, irá aumentar o consumo do bem; o inverso
ocorrerá se o preço do bem X aumentar.

Efeito substituição: se o preço do bem X diminui e o de outros
bens fica constante, o consumidor procurará substituir o consumo destes
outros bens pelo consumo do bem X, que agora está relativamente mais
barato em relação aos outros bens. O inverso ocorrerá se o preço do bem
X aumentar. Em outras palavras, uma alteração do preço de X muda o
preço relativo (relação de preços) do bem X em relação a outro bem.
Assim, o efeito substituição está associado à mudança no custo de
oportunidade do bem X.

A soma dos efeitos renda e substituição nos dá o efeito preço ou
efeito total. Assim:
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 47 de 86
X
1

R
1

U
1

Figura 23 Y
X
A
R
2

R
3

B
C
U
2

X
2
X
3

Efeito total
Efeito renda Efeito substituição

efeito preço (total) = efeito renda + efeito substituição

Vejamos agora como esses efeitos interferem na demanda
(quantidade consumida) de um bem. Aqui, inicialmente, estaremos
considerando um bem normal (preço diminui, demanda aumenta; renda
aumenta, demanda aumenta). Acompanhe tudo pela figura 23,
considerando os bens X e Y.























Vejamos o que ocorre em caso de redução de preço do bem X. A
situação inicial é a seguinte: o consumidor está em equilíbrio no ponto A,
na cesta (X
1
, Y
1
), curva de indiferença U
1
e reta orçamentária R
1
. Após a
redução no preço de X, a reta orçamentária será rotacionada para a
direita, onde estará na nova posição R
2
. Agora, o equilíbrio do consumidor
é a cesta B, onde o consumo do bem é X
2
. A variação total do consumo
de X será representada pelo segmento X
1
X
2
. Como fomos da situação
inicial X
1
para a situação X
2
, o efeito preço total (X
2
–X
1
) indica aumento
de demanda ou consumo, uma vez que X
2
>X
1
.

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 48 de 86
Conforme sabemos, esse efeito preço é dividido em efeito renda e
efeito substituição. Devemos começar nossa análise pelo efeito
substituição. Ele corresponde à modificação no consumo de X
associada a uma variação em seu preço, mantendo-se constante o
nível de utilidade. Assim, para mensurar o efeito substituição, devemos,
no final, permanecer na mesma curva de indiferença inicial (uma vez que
devemos focar somente a alteração dos preços relativos. Para isso, nós
verificamos qual é a mudança decorrente do consumo de X a partir da
mudança da inclinação da reta orçamentária, mantendo o nível de
utilidade constante – ou seja, mudamos a inclinação da reta orçamentária
para simularmos a mudança de preços relativos e mantemos o ótimo do
consumidor na mesma curva de indiferença para simularmos a
manutenção do mesmo nível de utilidade). Para nos mantermos na
mesma curva de indiferença inicial U
1
, traçamos uma reta paralela a R
2
e
que tangencia a curva de indiferença inicial, U
1
. A nova e imaginária reta
orçamentária R
3
(paralela a R
2
) reflete o fato de que a renda foi reduzida
para que atingíssemos nosso objetivo de isolar o efeito substituição. Dada
essa linha de orçamento R
3
, o consumidor escolhe a cesta C, obtendo X
3

unidades do bem X. Dessa forma, o segmento X
1
X
3
representa o efeito
substituição. Como houve variação positiva, uma vez que X
3
>X
1
, temos
que o efeito substituição indica aumento de consumo a partir da redução
de preços.

Nota importante  o efeito substituição indicará uma alteração de
consumo que será sempre na direção contrária da variação do preço.
Assim, se reduzimos o preço do bem (variação negativa do preço), o
efeito substituição sempre indicará aumento de consumo. Se
aumentarmos o preço do bem (variação positiva), o efeito substituição
indicará redução de consumo. Por existir essa relação inversa ou negativa
entre o efeito substituição e a variação de preços, nós dizemos que o
efeito substituição é sempre negativo, no sentido de que ele é
sempre relacionado negativamente com a variação de preços.

A ordem é essa: depois de analisarmos o efeito substituição,
podemos agora considerar o efeito renda. Ele é a variação no
consumo de X ocasionada pelo aumento do poder aquisitivo
(renda), mantendo-se os preços relativos. Para vermos o efeito
renda, devemos partir da situação original deixada após a análise do
efeito substituição. Ou seja, estamos no ponto C, reta orçamentária R
3
,
curva de indiferença U
1
e consumo X
3
. Para mantermos os preços
relativos e expressarmos o aumento de renda (isolando o efeito renda),
devemos ir para a reta orçamentária R
2
, onde estaremos, no fim, no
ponto B. O aumento no consumo de X, passando de X
3
para X
2
, é a
medida do efeito renda. Como X
2
>X
3
, então, o efeito renda é positivo,
indicando que X é um bem normal (o aumento de poder aquisitivo
decorrente da redução de preços provocou aumento de quantidades
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 49 de 86
consumidas). Por refletir o movimento feito pelo consumidor de uma
curva de indiferença para outra, sem alterar a relação de preços entre X e
Y, o efeito renda mede somente a influência da variação do poder
aquisitivo (variação da renda) sobre as quantidades consumidas de X.

Para o nosso exemplo, tivemos então o seguinte: redução de
preços, efeito preço total indicando aumento de demanda/consumo, efeito
substituição indicando aumento de consumo (efeito substituição negativo)
e efeito renda também indicando aumento de consumo (efeito renda
positivo).

Você certamente deve estar estranhando o fato de os dois efeitos
terem apontado aumento de consumo e, inadvertidamente, um ser
negativo (o efeito substituição é negativo) e o outro ser positivo (o efeito
renda é positivo). A explicação é que o seu sinal é analisado a partir da
relação entre as variáveis “em jogo” quando se analisa cada efeito. E
essas variáveis são diferentes para cada efeito.

O efeito substituição é a mudança de consumo a partir da mudança
de preço do bem, a partir de uma visão de que o consumidor tende a
substituir o consumo de um bem que fica mais caro pelo consumo de
outro que bem que está relativamente mais barato, e vice-versa. Então,
as variáveis “em jogo” ao se analisar o efeito substituição são: preço do
bem e consumo do bem. Como elas variam sempre em sentido contrário,
nós dizemos que o efeito substituição é sempre negativo.

O efeito renda é a mudança de consumo a partir da mudança de
renda do consumidor, a partir de uma visão de que a mudança de preço
tende a alterar o poder aquisitivo (renda real) dos indivíduos. Então, as
variáveis em jogo ao se analisar o efeito renda são: renda do consumidor
e consumo do bem. No nosso exemplo acima, a redução de preço tem o
mesmo significado que um aumento de renda, e nós vimos que isso
provocou aumento de consumo. Ou seja, houve aumento de renda (via
redução de preço) e aumento de consumo. Como as variáveis em análise
caminharam no mesmo sentido, dizemos que o efeito renda foi positivo. O
cuidado que devemos ter neste caso é que o efeito renda não é como o
efeito substituição (que tem sempre o mesmo sinal – é negativo), ele será
positivo ou negativo, dependendo do bem em análise e das preferências
do consumidor.

Existe uma regra que sempre deve ser seguida quando analisamos
os efeitos renda e substituição. A variação do efeito substituição é sempre
a mesma e aponta na direção contrária à variação do preço: o efeito
substituição decorrente de uma redução de preço provoca aumento de
consumo (por isso, nós dizemos que o efeito substituição é sempre
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 50 de 86
negativo) e o efeito substituição decorrente do aumento de preço
provoca redução de consumo.

Já em relação ao efeito renda, isso não acontece. Pode haver três
situações para o efeito renda, e cada uma delas nos dirá sobre que tipo
de bem estamos tratando:


Situação 1 (BEM NORMAL) – Se houver redução de preços (=aumento
de renda) e o efeito renda (ER) indicar aumento de consumo (efeito renda
positivo, uma vez que renda e consumo caminham no mesmo sentido),
então, podemos dizer que o bem é normal, uma vez que o aumento da
renda (provocado pela redução de preços) provocou aumento nas
quantidades consumidas/demandadas. De forma inversa, se houver
aumento de preços (=redução de renda) e o efeito renda indicar redução
no consumo (efeito renda positivo, uma vez que renda e consumo
caminham no mesmo sentido), então, podemos dizer que o bem é
normal, uma vez que a redução da renda (causada pelo aumento de
preços) provocou redução nas quantidades consumidas. Assim:

Redução de preços  Renda aumenta  Consumo aumenta  ER+ 
Bem normal

Aumento de preços  Renda diminui  Consumo diminui  ER+  Bem
normal

Dica: quando o bem é normal, o efeito renda sempre será positivo
(renda aumenta, consumo aumenta; renda diminui, consumo diminui).

Nesta situação 1, onde temos um bem normal, o efeito renda sempre
reforçará o efeito substituição. Se houver redução de preços, temos a
certeza que o efeito substituição provocará aumento de consumo (pois o
efeito substituição é sempre negativo). Ao mesmo tempo, essa redução
de preços significa aumento de renda e este provoca aumento do
consumo (pois o efeito renda é positivo).


Situação 2 (BEM INFERIOR) – Se houver redução de preços
(=aumento de renda) e o efeito renda (ER) indicar redução de consumo
(efeito renda negativo, pois renda e consumo caminham em sentido
contrário), então, podemos dizer que o bem é inferior
7
, uma vez que o
aumento de renda (provocado pela redução de preços) provocou redução
das quantidades consumidas.

7
Por definição, o bem inferior é o bem que tem sua demanda reduzida em virtude do
aumento de renda.

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 51 de 86

Redução de preços  Renda aumenta  Consumo diminui  ER-  Bem
inferior

Aumento de preços  Renda diminui  Consumo aumenta  ER-  Bem
inferior

Dica: quando o bem é inferior, o efeito renda será sempre
negativo.


Situação 3 (BEM DE GIFFEN) – A terceira situação é um caso especial
da situação 2 retratada acima. Quando há redução de preços, o efeito
substituição (ES) será negativo, indicando aumento de consumo. Se o
bem for inferior, no entanto, nós vimos acima que o efeito renda (ER)
será negativo, indicando, portanto, que a redução de preço (=aumento de
renda) provoca redução no consumo. Existe o caso de um bem em que,
havendo redução de preços, a redução de consumo provocada pelo
efeito renda negativo, em valor absoluto, é maior ou mais forte que o
aumento de consumo provocado pelo efeito substituição negativo. Neste
caso, a consequência da redução de preços será a redução nas
quantidades consumidas, uma vez que o efeito renda suplanta o efeito
substituição. Esse é o bem de Giffen, um caso particular de bem
inferior, e que contraria a lei da demanda (é a única exceção à lei
da demanda
8
). Assim, para o bem de Giffen, o efeito renda
suplanta o efeito substituição.

Se houver aumento de preços, o efeito substituição será negativo,
indicando redução no consumo. Se o bem for inferior, o efeito renda será
negativo, indicando que a redução de renda (provocada pelo aumento de
preços) provocará aumento de consumo. Se o efeito renda (que aponta
aumento de consumo) suplantar o efeito substituição (que aponta
redução de consumo), haverá aumento de consumo, contrariando a lei da
demanda, logo, teremos também neste caso um bem de Giffen, já que o
aumento de preços provoca aumento no consumo (efeito renda é maior,
em valor absoluto supera o efeito substituição).

Arrematando o raciocínio: se os ER e ES apontarem variações distintas no
consumo, o bem, obrigatoriamente, será inferior; e se, além disso,
ER>ES, então, o bem, além de ser inferior, será de Giffen (lembre então
que o bem de Giffen é um caso especial do bem inferior. Logo,
todo bem de Giffen é também um bem inferior, mas nem todo bem
inferior será bem de Giffen).


8
Lei da demanda: preço aumenta, quantidade demanda diminui, e vice-versa.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 52 de 86
Y

Figura 24
Ao mudarmos os preços de X, rotacionamos
as retas orçamentárias de modo a atingir
novas cestas de consumo ótimo em outras
curvas de indiferença. A interligação destas
cestas nos dá a CPC.
CPC
Por fim, podemos concluir que (neste item da aula, o mais
importante é que você grave estas conclusões, pois são elas que caem na
prova, especialmente as que estão em negrito):

 O efeito substituição é sempre negativo;

 Para bens normais, o efeito renda é positivo;

 Para bens inferiores, o efeito renda é negativo;

 Para bens normais, o efeito renda positivo sempre reforça o efeito
substituição negativo, pois ambos apontam para aumento de
consumo no caso de redução de preços, e para redução no consumo
no caso de aumento de preços;

 O bem de Giffen é um tipo de bem inferior, em que o efeito
renda suplanta o efeito substituição;

 Todo bem de Giffen é um bem inferior, mas nem todo bem inferior
é um bem de Giffen.


1.7. CONCEITOS ADICIONAIS

Seguem alguns conceitos que, embora não tenham aqueeeela
importância para concursos, sempre é bom sabê-los, vai que a Funiversa
resolve cobrar nesta prova. Como são fáceis, e de simples memorização,
não custa nada o esforço.


1.7.1. Curva preço-consumo (CPC)

A CPC (ou trajetória preço-consumo) do bem X é a curva obtida
pela interligação das cestas de consumo ótimo correspondentes a
mudanças no preço de X.









Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 53 de 86
X
R
3

R
2
R
1

X
Y

Figura 25
Ao mudarmos a renda do consumidor,
deslocamos paralelamente várias retas
orçamentárias de modo a atingir novas cestas
de consumo ótimo em outras curvas de
indiferença. A interligação destas cestas nos
dá a CRC.
R
2
R
1

CRC
Y

Figura 26




1.7.2. Curva renda-consumo (CRC)

A ideia é a mesma da CPC, só que, aqui, em vez de mudarmos os
preços de X, mudamos a renda do consumidor. O resultado será vários
deslocamentos paralelos da reta orçamentária. A interligação das cestas
ótimas nos dará a CRC.


















Como se vê na CRC acima, sua inclinação é positiva. Isto é, à
medida que aumentamos a renda do consumidor e fomos deslocando as
retas orçamentárias para a direita (R
1
 R
2
 R
3
), as quantidades
consumidas de X foram aumentando (X
1
 X
2
 X
3
). Assim, podemos
concluir que se um bem possui a trajetória renda-consumo (curva CRC)
positivamente inclinada, ele será um bem normal, em que o aumento de
renda provoca aumento de consumo.

Por outro lado, se a trajetória consumo é negativamente inclinada,
o bem será inferior, pois o aumento de renda provoca redução do
consumo. É o caso do bem X na figura 26:



R
3

X
1
X
2
X
3

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 54 de 86
Quantidade do bem
Renda
Figura 27
Curva de Engel
para o bem normal
Curva de Engel
para o bem inferior
X
Neste caso, a trajetória renda-consumo é
inclinada negativamente, indicando que o bem é
inferior. Ou seja, aumentos de renda (R
1
R
2
R
3
)
indicam quantidades ótimas consumidas cada
vez menores (X
1
>X
2
>X
3
).
R
2

R
1

CRC










Nota: além de trajetória renda consumo, a CRC pode ser
chamada também de caminho de expansão da renda (a Funiversa já
chamou por esse nome!).


1.7.3. Curva de Engel

A curva de Engel relaciona a demanda (as quantidades) do bem X
em relação à renda do consumidor, enquanto todo o restante (incluindo o
preço do bem) permanece constante. É bastante semelhante à curva de
demanda tradicional em que temos os preços no eixo vertical e as
quantidades no eixo horizontal, enquanto a renda permanece constante.
A diferença reside no fato de que na curva de Engel, no eixo vertical,
teremos a renda em vez dos preços.

Como, geralmente, a demanda aumenta quando a renda aumenta,
a curva de Engel terá inclinação positiva. Exceção ocorre quando temos
um bem inferior, caso em que o aumento de renda provoca redução da
demanda.










R
3

X
1
X
2
X
3

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 55 de 86
















Sugestão de tema para a PROVA DISCURSIVA:

Um consumidor gosta de consumir determinado produto. No
processo de escolha deste bem, ele se depara com inúmeras
marcas e empresas que vendem o mesmo bem. Todas as
empresas, apesar do esforço no sentido de diferenciar a sua
mercadoria, oferecem o produto com características bastante
semelhantes. Baseado nisso, elabore um texto, de no mínimo 25 e
no máximo 50 linhas, onde você deverá comentar como será a
estrutura de preferências deste consumidor levando-se em conta
os seguintes aspectos:

 Qual o formato das curvas de indiferença desse consumidor;
 Quais as características da taxa marginal de substituição
deste consumidor;
 Um exemplo real da situação exposta no enunciado.

 Dica: um exemplo de tal situação seria o mercado de cervejas, onde
há inúmeras marcas (Brahma, Skol, Antarctica, Boehmia, etc) com
preços e características bastante semelhantes. Como os bens são
muito parecidos, a taxa marginal de substituição será constante (ou
quase constante!) e, provavelmente, próxima de 1, já que o
consumidor abre mão de 01 copo de cerveja da marca A para
consumir 01 copo de cerveja da marca B. Como a TmgS tende a ser
constante, as curvas de indiferença tendem a ser linhas retas, com
inclinação constante.


Bem pessoal, por hoje é só!

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 56 de 86
O assunto teoria do consumidor, mas acredito que isto que nós
estudamos nesta aula seja suficiente para ir muito bem na prova, mesmo
se o nível de dificuldade for alto.

Seguem agora algumas questões para fixação do conteúdo. Ainda
coloquei 02 questões sobre assuntos de aulas passadas (questões 01 e
02), tendo em vista eu ter achado mais questões da Funiversa
disponíveis, então, não podemos deixar passar a oportunidade de
comentar estas questões, ainda que sejam sobre temas já esgotados em
aulas anteriores.

Abraços e bons estudos!

Heber Carvalho
hebercarvalho@pontodosconcursos.com.br

EXERCÍCIOS COMENTADOS

01. (FUNIVERSA – COFECON – 2010)



A demanda reflete o comportamento dos consumidores diante das
condições de mercado, da renda, das preferências e das
possibilidades de consumo. A oferta, por outro lado, espelha o
comportamento ou intenções dos produtores ou das firmas. O
cerne do estudo de fenômenos econômicos é a análise das
interações entre vendedores e compradores em uma economia de
mercado, conforme representada no diagrama a seguir,
representativo do equilíbrio no mercado do bem X. A respeito
desse assunto, é correto afirmar que
a) a curva de demanda representa a relação, geralmente inversa, entre o
preço de um bem e a quantidade demandada deste, e aumentos nos
preços provocam o deslocamento da curva de demanda, refletindo a
queda na quantidade demandada.
b) um relatório de mercado revelou que, em determinado período,
ocorreu aumento no preço do álcool e redução na oferta de açúcar, tudo o
mais constante. É correto concluir que esses bens são complementares na
oferta.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 57 de 86
c) o diagrama representa o equilíbrio no mercado do bem X. Tudo o mais
constante, uma elevação da renda dos consumidores levaria a um
aumento no preço de equilíbrio do bem X, caso o bem X fosse inferior.
d) no diagrama representativo do mercado de X, um aumento no preço
de Y, substituto de X, implicará um aumento no preço de equilíbrio do
bem X, tudo o mais constante.
e) com a suposição de que o governo tenha implantado uma política de
preço mínimo para o bem X, caso o preço mínimo estipulado fosse maior
que o preço de equilíbrio de mercado, o resultado da política seria um
excesso de demanda do bem X.

COMENTÁRIOS:
Vamos às alternativas,

a) Incorreta. Aumentos nos preços provocam o deslocamento AO LONGO
DA curva de demanda.

b) Incorreta. A análise de bens complementares envolve a demanda, e
não a oferta.

c) Incorreta. Se o bem fosse inferior, haveria redução no preço de
equilíbrio (em virtude do deslocamento da curva de demanda para a
esquerda e para baixo).

d) Correta. O aumento do preço de Y, substituto de X, aumentará a
demanda de X (deslocando a curva de demanda de X para a direita). O
novo equilíbrio mostrará um preço de X maior.

e) Incorreta. Se o preço mínimo estipulado for maior que o preço de
equilíbrio de mercado, haverá excesso de oferta (e não de demanda).
Esta situação de preço mínimo acima do equilíbrio pode ser visualizada
graficamente na figura 13 da aula 00, página 19 (o excesso de oferta é o
traço azul).

GABARITO: D

02. (FUNIVERSA – COFECON – 2010) – A respeito das medidas de
comportamento da demanda e da oferta, tais como elasticidade
preço da demanda, elasticidade renda, e os fatores que afetam as
respostas dos demandantes e produtores diante de variações nos
preços dos produtos, nos preços de seus substitutos e de seus
complementares, ou na renda é correto afirmar que
a) seja a função demanda pelo bem X dada por X=M/2P
X
, onde M é a
renda e P
X
é o preço do bem X. Então, para M=4 e P
X
=1, a elasticidade
renda é 0,25 e a elasticidade preço é igual a -2.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 58 de 86
b) operando em concorrência perfeita e diante de uma curva de demanda
elástica, um comerciante poderá elevar sua receita caso ele aumente o
preço do produto, tudo o mais constante.
c) seja q
x
=10+0,5.m.p
x
-0,5
.p
y
0,5
, a função de demanda por um bem X de
um consumidor, onde q
x
é a quantidade demandada, m é a renda, p
x
é o
preço do bem x, p
y
é o preço do bem y. Então, podemos afirmar que x e y
são bens complementares.
d) ainda com base na função de demanda da letra “D”, acima, podemos
afirmar que o bem é inferior.
e) se um bem tem a demanda elástica com relação a variações em seu
preço, um aumento no preço desse bem, tudo o mais constante, provoca
aumento no dispêndio do consumidor.

COMENTÁRIOS:

a) Incorreta. A função é uma demanda tipo “potência” [X=(M.P
X
-1
)/2].
Logo, a elasticidade preço da demanda é, em valor absoluto, igual a 1,
que é o expoente da variável preço do bem X. A elasticidade renda da
demanda é o expoente da variável renda. Logo, ela é igual 1, que é o
expoente de M.

Os valores destas elasticidades também podem ser calculados pelo
método “manual”. Como M=4 e P
X
=1, então, X=2. Se, por exemplo,
aumentarmos o preço em 100% (P
X
aumenta

de 1 para 2), a demanda
(valor de X) reduzirá também em 100% (reduzirá de 2 para 1). Como a
elastcidade preço da demanda é a variação percentual da quantidade
demandada sobre a variação percentual de preço (E
PD
=Δ%X/Δ%P
X
),
então, ela, em valor absoluto, será igual a 1.

A elasticidade renda da demanda é igual à variação percentual da
quantidade demandada sobre a variação percentual da renda (E
RD
=
Δ%X/Δ%M). Se M=4, PX=1, então, X=2. Se, por exemplo, aumentarmos
a renda em 100% (M aumenta de 4 para 8), a demanda (valor de X)
aumentará também em 100% (aumentará de 2 para 4). Ou seja, a E
RD

também é igual a 1.

A assertiva, portanto, é acintosamente errada. No entanto, a banca
considerou-a como correta!

A não anulação da questão talvez tenha ocorrido pela não impetração de
recursos ou pela pequena envergadura do concurso. O fato é que,
absurdamente, a questão não foi anulada e o gabarito foi mantido!

b) Incorreta. Se a demanda é elástica, e o produtor aumenta o preço,
haverá redução das quantidades transacionadas em proporção maior que
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 59 de 86
o aumento de preço. Assim, haverá redução da receita do produtor (que é
igual ao dispêndio do consumidor).

c) Incorreta. Para verificarmos se os bens x e y são bens
complementares, devemos checar se o aumento do preço de y fará
reduzir a demanda de x. Se isto for verdade, eles serão complementares.
Analisando a expressão da demanda, percebemos que o aumento de p
y

faz com que q
x
aumente. Logo, os bens não são complementares (são
substitutos).

Outra maneira de raciocinar é analisando o valor da elasticidade cruzada
da demanda. Ela será o expoente de p
y
. Ou seja, a elasticidade cruzada é
igual a 0,5 (é, portanto, positiva). Como a elasticidade é positiva, os bens
são substitutos.

d) Incorreta. Veja que a banca errou ao falar letra “D”. O correto seria
letra “C”. Mas o fato de ela ter utilizado a palavra acima resolve o
problema, de forma que é possível entender que ela quer se referir à
assertiva C.

Para verificarmos se o bem é inferior, devemos analisar entre demanda e
renda. Se esta aumenta e aquela diminui, então, o bem é inferior. Pela
análise da função de demanda da letra “C”, vemos que o aumento de
renda provoca aumento de demanda (m aumenta, q
x
também aumenta).
Logo, o bem é normal.

e) Incorreta. Se a demanda é elástica, o aumento de preço provocará
uma redução de quantidade transacionada mais que proporcional ao
aumento de preço. Assim, haverá redução de dispêndio do consumidor
(pois dispêndio é igual a Disp = P x Q).

GABARITO: A (a meu ver, não possui resposta)

03. (FUNIVERSA – ECONOMISTA – PREF. PALMAS – 2005) -
Assinale a alternativa correta:
(A) Se a utilidade marginal de um produto é negativa, então pode-se
afirmar que a curva de indiferença é positivamente inclinada (Na sua
resposta considere um mundo com apenas dois bens).
(B) Aumentos simultâneos na quantidade e no preço de seguros-saúde
nos últimos anos não podem ser explicados pela teoria econômica.
(C) Tributar um bem elástico proporciona ao governo uma receita maior
que tributar um bem inelástico.
(D) Uma redução de 50% na renda nominal do consumidor terá o mesmo
efeito sobre o conjunto de oportunidade do consumidor que uma redução
de 50% em todos os preços nominais.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 60 de 86
(E) Se a função de utilidade de um consumidor é especificada por
U=2x
1
x
2
, e ele gasta toda sua renda com apenas dois bens, cujos preços
são p
1
=2 e p
2
=1, então pode-se afirmar que ele consome iguais
quantidades desses bens.

COMENTÁRIOS:

a) Correta. Se a utilidade marginal de um produto é negativa, isto
significa que este produto é um “mal”. Neste caso, a curva de indiferença
é positivamente inclinada.

b) Incorreta. Explicado na aula passada, página 33.

c) Incorreta. Idem letra C.

d) Incorreta. Uma redução de 50% na renda nominal equivale a um
AUMENTO (e não a uma redução) de 100% em todos os preços nominais.
Suponha a restrição orçamentária:

Agora, reduzimos a renda em 50% (é o mesmo que dividir por 2):

Manipulando algebricamente, chegamos a:

As expressões em negrito se equivalem. Veja que os preços
dobraram. Ou seja, reduzir a renda em 50% (dividi-la por 2) tem o
mesmo significado que aumentar os preços em 100% (multiplicá-los por
2).

e) Incorreta. A partir da função utilidade (que é Cobb-Douglas), e dos
preços, podemos montar a demanda (consumo ótimo) dos bens x
1
e x
2
(para isso, vamos supor a renda seja m):

Demanda de x
1
:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 61 de 86
Demanda de x
2
:

Pela análise das demandas (consumos ótimos), percebe-se que os
consumos não serão iguais.

GABARITO: A

04. (FUNIVERSA – ECONOMISTA – TERRACAP – 2010) - Com
relação à Teoria do Consumidor, assinale a alternativa correta.
(A) Considere uma curva de demanda linear e negativamente inclinada.
Então a elasticidade-preço é constante.
(B) O efeito-substituição será positivo para os bens que têm efeito-renda
positivo.
(C) Nos bens de Giffen, o valor absoluto do efeito-renda domina o valor
absoluto do efeito-substituição.
(D) Se a curva de demanda de X for X=0,5mp
-a
, em que a=0,5, então a
elasticidade-preço será -1/4.
(E) O gráfico a seguir representa o caminho de expansão da renda para
um bem inferior.


COMENTÁRIOS:

a) Incorreta. EPD é variável, se demanda é linear.

b) Incorreta. O efeito substituição é sempre negativo.

c) Correta. Nos bens de Giffen, o efeito renda suplanta, em valor
absoluto, o efeito substituição.

d) Incorreta. |E
PD
|=a=0,5.

e) Incorreta. O gráfico mostra uma curva de Engel para um bem normal.

GABARITO: C
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www pontodosconcursos.com.br 62 de 86
x
2

A
Curva fracamente
convexa
Curva
estritamente
convexa

05. (FUNIVERSA – ECONOMISTA – TERRACAP – 2010) - As curvas
de indiferença são formadas pelo conjunto de cestas (x
1
, x
2
), no
espaço mercadorias, para as quais o consumidor prefere
fracamente uma cesta à outra e vice-versa. A respeito do assunto,
assinale a alternativa correta.
(A) Caso o consumidor apresente preferências estritamente convexas e,
dadas as cestas A(X
1
A
, X
2
A
), B(X
1
B
, X
2
B
) pertencentes ao mesmo conjunto
indiferença, é correto afirmar que a cesta C = λA + (1–λ)B, com 0<λ<1 ,
também pertence à mesma curva de indiferença.
(B) As curvas de indiferença no mapa de curvas de indiferença nunca se
cruzam, mesmo quando as preferências do consumidor não são
transitivas.
(C) Se as preferências entre dois bens para um consumidor são
monotônicas e racionais (completas, reflexivas, transitivas), então o
módulo da taxa marginal de substituição será decrescente ao longo de
suas curvas de indiferença.
(D) Se a função utilidade for do tipo U(x,y)=x
a
y
b
, em que x e y são
quantidades dos bens, a e b são parâmetros positivos. Então a taxa
marginal de substituição será –ay/bx.
(E) Exceto para os bens “males”, definindo um bem mau como sendo
aquela mercadoria que o consumidor não gosta, a taxa marginal de
substituição terá inclinação negativa.

COMENTÁRIOS:
Essa questão tem o nível bastante elevado. Será muito difícil a Funiversa
cobrar uma questão desse padrão na nossa prova. Quando pegamos
questões de concursos voltados para economistas, às vezes, isso
acontece. O nível ultrapassa os nossos objetivos. Mesmo assim, vamos
tentar explicar as assertivas. Espero que as explanações fiquem claras,
pois não são tão simples no caso específico desta questão que, repito,
tem exigências maiores:

a) Incorreta. Primeiro, eu tenho que falar o que significa uma curva de
indiferença estritamente convexa. O termo “estritamente” nos sugere que
a curva é convexa em toda a sua extensão, isto é, ela é arredondada em
toda a sua extensão. Isto é importante mencionar neste caso, pois
podemos encontrar curvas de indiferença que são retilíneas em algum
trecho. Veja:





Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 63 de 86
A
C
C
B
B
x
1





No diagrama da esquerda, temos uma curva estritamente convexa, isto é,
ela é arredondada em toda a sua extensão. No diagrama da direita, o
segmento AB é retilíneo, o que implica dizer que, pelo menos neste
trecho, a curva de indiferença não é arredondada.

Mas o que significa uma curva estritamente convexa em termos de
escolhas das cestas de consumo? Isto implica que, dadas duas cestas A e
B (como as que estão nos gráficos, por exemplo), uma cesta C que
contenha uma média entre as quantidades consumidas de x
1
e x
2
(das
cestas A e B) estará, obrigatoriamente, em uma curva de indiferença
mais alta (curva de indiferença cinza-claro) e será, portanto, preferível.
Isto quer dizer que se a curva é estritamente convexa, as médias, em
toda a extensão da curva, serão preferidas aos extremos. Vamos fazer
um exemplo numérico para ficar mais claro:

Suponha as cestas A(2,10) e B(10,2). Ou seja, na cesta A, consumimos 2
unidades de x
1
, e 10 unidades de x
2
. Na cesta B, consumimos 10
unidades de x
1
e 2 unidades de x
2
. Se pensarmos, por exemplo, em uma
terceira cesta C(6,6), cujas quantidades consumidas de x
1
e x
2
se situem
entre os valores consumidos nas cestas A e B e, ao mesmo tempo, a
curva seja estritamente convexa, então, necessariamente esta cesta C
será preferível às cestas A e B, pois estará em uma curva de indiferença
mais alta. Matematicamente, a combinação convexa de uma cesta é
definida exatamente da forma como foi feita na assertiva.

Se tivermos duas cestas quaisquer na curva de indiferença, digamos A e
B, e formamos uma nova cesta C que seja a combinação convexa,
faremos como se segue:

C = t.A + (1 – t).B (1)

Onde t é qualquer número maior que 0 e menor que 1. Por exemplo,
suponha que A(2,4), B(4,0) e t=1/2, a combinação convexa é

C [½.2 + (1–½).4 ; ½.4 + (1–½).0] 
C (1 + 2 ; 2 + 0) 
C (3, 2)  combinação convexa considerando t=1/2

Se a curva de indiferença é estritamente convexa, temos a certeza
absoluta que esta cesta C(3,2), extraída a partir da definição colocada na
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 64 de 86
expressão (1), estará em uma curva de indiferença mais alta (será
preferível às cestas A e B), e NÃO NA MESMA CURVA DE INDIFERENÇA,
como foi afirmado na assertiva. Portanto, está errada a assertiva.

Se a curva de indiferença não for estritamente convexa (diagrama à
direita), se ela for, por exemplo, fracamente convexa, nós poderemos (é
uma possibilidade apenas) ter uma combinação convexa das cestas A e B
que esteja na mesma curva de indiferença. No diagrama da direita, por
exemplo, a cesta C obedece à regra de formação da expressão (1), mas
em virtude da curva não ser estritamente convexa, ela poderá não ser
estritamente preferível às cestas A e B, estando, assim, na mesma curva
de indiferença (como está na mesma curva de indiferença, então, não
será estritamente preferível, será indiferente).

b) Incorreta. A premissa de que as curvas de indiferença nunca se cruzam
deve-se ao princípio da transitividade. Assim, se as preferências são
transitivas, as curvas nunca podem se tocar. Por outro lado, se as
preferências não são transitivas, elas poderão se tocar.

c) Incorreta. A monotonicidade e a racionalidade (preferências completas,
reflexivas, transitivas) são premissas de todas as curvas de indiferença.
No entanto, a taxa marginal de substituição ser decrescente é premissa
apenas da curva de indiferença bem-comportada.

Assim, se as preferências forem monotônicas e racionais (completas,
reflexivas, transitivas), isto ainda não quer dizer que teremos curvas de
indiferença bem-comportadas (com TmgS decrescente). Por exemplo, os
bens substitutos perfeitos possuem curvas de indiferença retilíneas (com
TmgS constante) e ao mesmo tempo, tais preferências são monotônicas e
racionais. Desta forma, o fato de a preferência obedecer às premissas
básicas não implica que a curva de indiferença seja bem-comportada
(com TmgS decrescente).

d) Correta. A taxa marginal de substituição é a razão das utilidades
marginais. Então:

Façamos os cálculos para calcular cada utilidade marginal:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 65 de 86

Substituindo os valores das utilidades marginais em (1), teremos:

A função apresentada pela assertiva é do tipo Cobb-Douglas, então,
sabemos que a curva de indiferença é bem-comportada e, nesse tipo de
curva de indiferença, a TmgS é negativa. Geralmente, pela TmgS ser
sempre negativa para esse tipo de curva, nós utilizamos sempre o valor
absoluto (o módulo), para não ficar aquela chatice de, a todo o momento,
a TmgS é menos alguma coisa. No entanto, o fato de a banca ser mais
criteriosa e colocar o sinal negativo na frente do valor não torna a
assertiva errada (se a banca tivesse omitido o sinal, também
consideraríamos como certa a assertiva, a menos que houvesse outra
alternativa na questão que fosse muito “mais certa”).

e) Incorreta. Realmente, os bens “males” são o único caso de inclinação
positiva da curva de indiferença. A assertiva está errada por questões
meramente semânticas. A taxa marginal de substituição é a inclinação da
curva de indiferença. Portanto, quem tem inclinação positiva (no caso dos
bens “males”) é a curva de indiferença, e não a taxa marginal de
substituição. Esta é positiva, pois a inclinação da curva de indiferença (e
não a inclinação da TmgS) é positiva.

GABARITO: D

06. (FUNIVERSA – ECONOMISTA – TERRACAP – 2010) - Considere
um consumidor com a função utilidade dada por U(x,y)=x
a
y
1-a
,
com 0<a<1, em que x e y são quantidades dos bens. Os preços
dos bens x e y são, respectivamente, p e q, e seja m a renda do
consumidor. Com base nessas informações, assinale a alternativa
correta.
(A) A demanda pelo bem y será [(1–a)mq
-1
]/a.
(B) Um aumento em qualquer um dos preços, p ou q causa elevação no
dispêndio do consumidor.
(C) Para qualquer nível de renda m e a=0,5, as quantidades demandadas
dos bens x e y serão iguais.
(D) Para m=100, q=1 e a=0,5, serão consumidas 25 unidades do bem y.
(E) A demanda marshalliana pelo bem x será de 50 unidades, para
m=100, p=1 e a=0,5.

COMENTÁRIOS:
a) Incorreta. A demanda de y será o consumo ótimo de y:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 66 de 86


Nota: nesta expressão, “q” significa o preço de y, conforme enunciado da
questão.

b) Incorreta. Analisando a demanda do bem y (que é uma função tipo
“potência”), vemos que a demanda tem elasticidade unitária (E
PD
=1).
Logo, o aumento de preço não altera o dispêndio do consumidor.

Se fizermos a demanda de x, encontraremos:

A demanda do bem x também é unitária (E
PD
=1). Logo, o aumento de
preço não altera o dispêndio do consumidor.

c) Incorreta. Se a=0,5, as duas demandas (consumos ótimos) ficarão
assim:

Analisando os consumos ótimos, vemos que eles dependerão dos preços
de x e y (que são p e q, respectivamente). Como não estes preços não
foram informados, não podemos afirmar que as quantidades consumidas
serão as mesmas.

d) Incorreta.

e) Correta. Agora, não vou explicar o que é uma demanda marshalliana,
pois eu teria que começar a explicar muita coisa (compensação de Hicks,
de Slutsky, etc) e levaria muitas páginas e muitos gráficos (muitos
mesmo!). Mesmo em concurso para economista, é bem difícil de isso cair.

A demanda pelo bem X será (façamos a questão como se a palavra
“marshalliana” não tivesse sido pronunciada):

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 67 de 86

GABARITO: E

07. (ESAF - ANA - Analista Administrativo – ECONOMIA - 2009)
Considere um consumidor cuja função utilidade é dada pela
função U(x, y)=x
0,4
y
0,6
. Se o preço do bem x for igual a quatro
reais, o preço do bem y igual a doze reais e a renda for igual a
cem reais, então o consumidor maximiza utilidade escolhendo a
seguinte cesta de consumo:
a) x = 10, y = 5
b) x = 10, y = 10
c) x = 5, y = 10
d) x = 5, y = 5
e) x = 4, y = 12

COMENTÁRIOS:
Foram dados:
U=x
0,4
y
0,6

P
X
=4
P
Y
=12
M=100
Restrição orçamentária: 4X + 12Y = 100

Utilizando o bizú para as funções Cobb-Douglas:

Consumo de X:

Consumo de Y:

Vamos fazer também de outra maneira, apenas para checar,

Utilizando a condição de equilíbrio do consumidor: através da condição de
equilíbrio do consumidor, onde sabemos que a inclinação da curva de
indiferença é igual à inclinação da reta orçamentária, conseguimos fazer a
questão. Assim:

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 68 de 86
Façamos os cálculos para calcular as utilidades marginas de X e Y
(lembre que U= x
0,4
y
0,6
):

Substituindo os valores das utilidades marginais e os preços em (1),
teremos:

Substituindo o valor de X na equação da restrição orçamentária,
teremos:





Como X=2Y, então X=10. Assim, a cesta ótima será (10; 5).

GABARITO: A

08. (ESAF - AFC/STN - 2005) Considere o seguinte problema de
otimização condicionada em Teoria do Consumidor:
Maximizar U = X.Y
Sujeito à restrição 2.X + 4.Y = 10
Onde U = função utilidade;
X = quantidade consumida do bem X;
Y = quantidade consumida do bem Y.
Com base nessas informações, as quantidades do bem X e Y que
maximizam a utilidade do consumidor são, respectivamente:
a) 8 e 0,5
b) 1 e 2
c) 2 e 1
d) 1,25 e 2,0
e) 2,5 e 1,25

COMENTÁRIOS: Questão resolvida no item 1.5.1.
GABARITO: E

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 69 de 86
09. (ESAF - AFC/STN - 2005) Considere a forma geral de uma
função utilidade: U = U(X,Y) onde X representa a quantidade
demandada do bem X e Y a quantidade demandada do bem Y,
sendo X >= 0 e Y >= 0. A função utilidade que gera curvas de
indiferença que possuem convexidade voltada para a origem é
dada por:
a) U = X - Y
b) U = X + Y
c) U = X.Y
d) U = - X - Y
e) U = X/Y

COMENTÁRIOS: A função utilidade do tipo Cobb-Douglas é a função que
apresenta curvas de indiferença bem-comportadas, convexas
(convexidade voltada para a origem), TMgS decrescente e inclinação
negativa. Dentre as alternativas, a única que apresenta uma função do
tipo Cobb-Douglas é a letra C.
Nota  vale destacar que, nas funções Cobb-Douglas, os expoentes das
quantidades dos bens devem ser positivos. Neste ponto, a alternativa E
não é função Cobb-Douglas, pois o expoente do Y é negativo (U=X.Y
-1
)

GABARITO: C

10. (FCC - ANALISTA BACEN - 2006) As preferências de um
consumidor que adquire apenas dois bens são representadas pela
função utilidade U (x, y) = X
2/3
y
1/3
.
Caso a renda do consumidor seja 300, o preço do bem X seja 5 e o
do bem Y igual a 10, no equilíbrio do consumidor,
a) a quantidade consumida do bem X corresponderá a 40 unidades.
b) a quantidade consumida do bem Y corresponderá a 20 unidades.
c) o dispêndio efetuado pelo consumidor com o bem X será 100.
d) o dispêndio efetuado pelo consumidor com o bem Y será 200.
e) o dispêndio efetuado pelo consumidor com cada um dos dois bens será
igual.

COMENTÁRIOS:
Foram dados:

U = X
2/3
y
1/3
M=300
P
X
=5
P
Y
=10

Temos uma função utilidade do tipo Cobb-Douglas. Assim, para esta
questão, vou utilizar o bizú aprendido no item 1.5.2, d.

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 70 de 86
Consumo de X:

Consumo de Y:

Por aqui, já sabemos que a alternativa correta é a letra A. Mas, mesmo
assim, vamos calcular o dispêndio do consumidor com os bens X e Y:

Dispêndio com X = P
X
.X = 5.40 = 200
Dispêndio com Y = P
Y
.Y = 10.10 = 100

GABARITO: A

11. (FGV – ICMS/RJ – 2010) - A respeito das propriedades das
curvas de indiferença e sua relação com as hipóteses de
preferências dos consumidores, considere as afirmativas a seguir.
I. As curvas de indiferença mais elevadas são preferíveis às mais
baixas porque o consumidor tem preferências monotônicas.
II. As curvas de indiferença se inclinam para baixo porque o
consumidor está disposto a trocar um bem pelo outro de modo a
não alterar o seu nível de utilidade.
III. As curvas de indiferença não se cruzam porque as
preferências são transitivas.
Assinale:
(A) se somente a afirmativa I estiver correta.
(B) se somente a afirmativa II estiver correta.
(C) se somente a afirmativa III estiver correta.
(D) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
(E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

COMENTÁRIOS:
I. Correta. A monotonicidade de preferências significa a suposição de que
mais é melhor. Logo, curvas de indiferença mais elevadas são preferíveis
em razão da existência de preferências monotônicas.

II. Correta. A inclinação para baixo (inclinação negativa) da curva de
indiferença implica que, para se manter no mesmo nível de utilidade, o
consumidor, ao deixar de consumir alguma unidade de um bem, deve
consumir alguma unidade a mais de outro bem. Ou seja, para se manter
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 71 de 86
no mesmo nível de utilidade (mesma curva de indiferença), o consumidor
troca um bem pelo outro.

III. Correta. É justamente a premissa da transitividade que impede que
as curvas de indiferença se cruzem.

GABARITO: E

12. (FGV – ICMS/RJ – 2009) - A tabela a seguir mostra as
preferências de Manoel por cestas de consumo compostas por
caquis e tomates.

A partir dos dados da tabela e supondo que suas preferências são
bem comportadas em relação a esses bens de consumo, ou seja,
que esses bens são tidos como bens normais, é correto concluir
que:
(A) Manoel prefere a cesta A à cesta B, e a cesta D à cesta C.
(B) Manoel é indiferente entre A e C e suas preferências são tais que a
taxa marginal de substituição entre tomates por caquis é crescente.
(C) A taxa marginal de substituição de tomates por caquis em C indica
que Manoel quer trocar mais caquis por tomates que em A.
(D) Manoel é indiferente entre B e uma cesta composta por 3 caquis e 1
tomate.
(E) Manoel tem preferências que permitem que as curvas de indiferença
se cruzem.

COMENTÁRIOS:

a) Incorreta. Pela análise das utilidades das cestas, vemos que o
consumidor prefere B a todas as outras cestas (a cesta B tem a maior
utilidade). Daí, incorreta a letra A.

b) Incorreta. Como o enunciado fala que as preferências de Manoel são
bem comportadas, a TMgS deve ser DESCRESCENTE.

c) Correta. A regra é a seguinte: aquilo que temos em maior número é
menos valorizado. Assim, quando temos mais de um bem, é natural que
queiramos trocá-lo por outro bem que possuímos em menor quantidade.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 72 de 86
Em C, Manoel tem mais caquis e menos tomates, logo, ele quer trocar
caquis por tomates.

d) Incorreta. Uma cesta composta por 3 caquis e 1 tomate (cesta C) tem
utilidade 6, ao passo que a cesta B tem utilidade 10. Logo, ele não será
indiferente entre essas cestas, dada que as utilidade não são iguais.

e) Incorreta. As curvas de indiferença devem seguir a premissa da
transitividade, isto é, nunca se cruzam. Ademais, é importante lembrar
que essa premissa (transitividade) deve ser seguida mesmo no caso de
preferências que não sejam bem comportadas.

GABARITO: C

13. (FGV – ICMS/RJ – 2008) - A respeito das curvas de
indiferença com relação aos bens X e Y, analise as afirmativas a
seguir:
I. Caso os consumidores prefiram ter mais dos bens X e Y a ter
menos, as curvas de indiferença mais afastadas da origem são
preferíveis às mais baixas.
II. As curvas de indiferença convexas em relação à origem
indicam uma preferência dos consumidores com relação à
variedade de bens.
III. As curvas de indiferença possuem inclinação positiva
indicando que o consumidor está disposto a substituir um bem por
outro.
Assinale:
(A) se somente a afirmativa I estiver correta.
(B) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
(C) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
(D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
(E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

COMENTÁRIOS: Vamos às alternativas,

I. Correta. Curvas mais altas são preferíveis, caso tenhamos a premissa
do “ter mais é melhor”.

II. Correta. A convexidade das curvas de indiferença é explicada pela
preferência dos consumidores em consumir cestas diversificadas. É a
premissa de que “as médias são preferíveis aos extremos”. Caso os
consumidores prefiram consumir cestas especializadas no consumo de
determinado bem, em vez de cestas diversificadas, as curvas de
indiferença serão côncavas em vez de convexas.

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 73 de 86
III. Incorreta. As curvas de indiferença (no caso geral, que é o das curvas
bem-comportadas) possuem inclinação negativa. Ou seja, a inclinação
negativa é a regra geral (apenas quando temos bens “males”, elas terão
inclinação positiva).

GABARITO: B

14. (FGV – ICMS/RJ – 2007) - A teoria do consumidor modela a
escolha ótima de um consumidor face a diferentes cestas factíveis
de bens. Nesse contexto, a escolha ótima do consumidor deverá
ser:
(A) a curva de indiferença que se situar no ponto médio da restrição
orçamentária.
(B) a cesta de bens que conferir o maior nível de utilidade ao consumidor
e que estiver fora do conjunto orçamentário do consumidor.
(C) a cesta de bens, pertencente ao conjunto orçamentário do
consumidor, que se situar na curva de indiferença mais alta.
(D) a curva de indiferença que estiver mais inclinada positivamente.
(E) a curva de indiferença que possuir o maior número de cestas
indiferentes.

COMENTÁRIOS:
Questão bastante simples! O ótimo do consumidor ocorre quando ele
alcançar a curva de indiferença mais alta e, ao mesmo tempo, essa cesta
esteja dentro da sua restrição orçamentária.

GABARITO: C

15. (FCC - ANALISTA DE PLANEJAMENTO – SEFAZ/SP – 2010) É
correto afirmar:
(A) Para uma variação no preço do bem de Giffen, o efeito-substituição é
menor, em valor absoluto, que o efeito-renda.
(B) Dois bens são substitutos quando apresentam elasticidade-preço
cruzada da demanda positiva.
(C) A elasticidade-renda de um bem mostra a variação na renda
decorrente do acréscimo de 1% no consumo desse bem.
(D) A classificação em bens normais, inferiores e superiores diz respeito à
essencialidade dos bens.
(E) Demandas de mercado que possam ser expressas por funções
lineares possuem elasticidade-preço constante.

COMENTÁRIOS:
a) Correta. Para bens de Giffen, o efeito renda supera (é maior em valor
absoluto) o efeito substituição.

b) Correta (como há duas corretas, a questão foi anulada).
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 74 de 86

c) Incorreta. A E
RD
mostra a variação percentual da quantidade
demandada em virtude da variação percentual de 1% na renda do
consumidor.

d) Incorreta. A classificação em bens normais, inferiores e superiores (de
luxo) é dada pelo valor da ERD e diz respeito à qualidade e o padrão do
bem. Já essencialidade do bem está relacionada à elasticidade preço da
demanda, onde, quanto maior a essencialidade, menor a E
PD
.

e) Incorreta. Se a demanda é linear, a E
PD
é variável.

GABARITO: ANULADA

16. (FCC - AUDITOR - TCE-SP - 2008) Considere as seguintes
proposições em relação à teoria do consumidor, supondo-se uma
cesta constituída de apenas dois bens, X e Y:
I. A inclinação da curva de restrição orçamentária depende da
renda do consumidor e dos preços relativos dos bens X e Y.
II. O efeito total de uma variação de preços na escolha ótima do
consumidor pode ser decomposto em dois efeitos: efeito-renda e
efeito-substituição.
III. Se X for um bem de Giffen, o efeito-substituição é maior, em
valor absoluto, que o efeito-renda.
IV. No ponto de escolha ótima do consumidor, a taxa marginal de
substituição entre dois bens X e Y é igual à razão entre seus
preços.
V. As curvas de indiferença têm sua concavidade voltada para
baixo.
Está correto o que se afirma em
a) I e II, apenas.
b) I, II e III, apenas.
c) I, II, III, IV e V.
d) II e IV, apenas.
e) II, III e IV, apenas.

COMENTÁRIOS: Vamos às assertivas,

I. Incorreta. A inclinação da reta orçamentária depende somente dos
preços relativos. Lembre que a inclinação é –p
x
/p
y
. Logo, não depende da
renda. Esta irá somente interferir nos interceptos, mas não na inclinação.

II. Correta.

III. Incorreta. Se X for um bem de Giffen, o efeito substituição é MENOR,
em valor absoluto, que o efeito renda.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 75 de 86

IV. Correta.

V. Incorreta. As curvas de indiferença (o caso geral) são convexas em
relação à origem. Assim, a concavidade (o buraco) da curva é voltada
para cima ao passo que a convexidade é voltada para baixo (para a
origem).

GABARITO: D

17. (FCC - TÉCNICO DE CONTROLE EXTERNO – ECONOMIA - TCE-
MG - 2007) Considere as seguintes proposições em relação à
teoria do consumidor:
I. No ponto de escolha ótima do consumidor, a taxa marginal de
substituição entre dois bens X e Y é igual à razão entre seus
preços.
II. As curvas de indiferença são geralmente côncavas em relação
à origem dos eixos porque a taxa marginal de substituição é
crescente ao longo da curva.
III. O efeito total de uma variação de preços na escolha ótima do
consumidor pode ser decomposto em dois efeitos: efeito-renda e
efeito-substituição.
IV. Os interceptos e a inclinação da curva de restrição
orçamentária dependem apenas dos preços relativos dos bens X e
Y.
V. Quando a taxa marginal de substituição entre dois bens X e Y é
constante ao longo da curva de indiferença, os dois bens são
complementares perfeitos.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I e II.
b) I e III.
c) I, II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e V.

COMENTÁRIOS:
I. Correta.

II. Incorreta. As curvas de indiferença são CONVEXAS em relação à
origem porque a TMgS é DECRESCENTE ao longo da curva.

III. Correta.

IV. Incorreta. A inclinação da reta orçamentária é –p
X
/p
Y
, logo, depende
apenas dos preços. No entanto, os interceptos são m/p
X
e m/p
Y
, assim,
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 76 de 86
vemos que os interceptos não dependem apenas dos preços, dependem
também da renda m.

V. Incorreta. Quando a TMgS é constante, os dois bens são substitutos
perfeitos.

GABARITO: B

18. (FCC - ANALISTA - ECONOMIA- MPU-2007) Pode-se dizer que
o efeito-substituição entre bens normais corresponde ao fato de o
consumidor
a) aumentar a quantidade adquirida do bem cujo preço decresce em
relação ao preço de outro bem.
b) ter sua renda aumentada, sem alteração no preço relativo entre os
bens.
c) aumentar a quantidade adquirida do bem cujo preço se eleva em
relação ao preço de outro bem.
d) reduzir a quantidade adquirida do bem cujo preço decresce em relação
ao preço de outro bem.
e) ter sua renda reduzida, sem alteração no preço relativo entre os bens.

COMENTÁRIOS:
Efeito substituição: quando o preço de um bem é reduzido, ele se torna
mais barato em relação aos outros bens. Assim, o consumidor tenderá a
substituir o consumo destes outros bens pelo bem que teve seu preço
reduzido.
GABARITO: A

19. (FCC - ANALISTA DE REGULAÇÃO – ECONOMISTA – ARCE -
2006) A curva de demanda tem normalmente declividade
negativa, porque, dada uma diminuição do preço do bem,
a) o efeito-renda é positivo e o efeito-substituição, negativo.
b) mesmo que o efeito-substituição seja negativo, raramente seu valor
absoluto é menor que o do efeito renda.
c) ambos os efeitos, renda e substituição, são negativos.
d) mesmo que o efeito-renda seja negativo, raramente seu valor absoluto
é maior que o do efeito-substituição.
e) o consumidor ficou mais pobre em termos reais.

COMENTÁRIOS: A curva de demanda tem inclinação negativa porque,
dada uma diminuição do preço do bem, ocorre aumento das quantidades
demandadas. Essa é a lei da demanda e é responsável pela inclinação
negativa.

Ao mesmo tempo, quando temos uma diminuição do preço do bem,
teremos necessariamente efeito substituição indicando aumento de
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 77 de 86
quantidades demandadas (ou consumidas) do bem (pois o efeito
substituição é sempre negativo). Se o efeito renda for positivo, ele irá
reforçar o efeito substituição, aumentando ainda mais as quantidades
demandadas e, assim, a inclinação negativa da curva de demanda será
negativa, isto é, a redução de preço causa aumento de quantidades
consumidas.

Por outro lado, se o efeito renda for negativo, o resultado da redução de
preços sobre as quantidades consumidas dependerá do tamanho dos
efeitos renda (negativo) e substituição (positivo). Como na maioria dos
casos em que o efeito renda é negativo, ele é menor em valor absoluto
que o efeito substituição (isto é, supondo uma diminuição de preços, a
redução de consumo provocada pelo efeito renda negativo será, na
maioria dos casos, menor que o aumento de consumo provocado pelo
efeito substituição), normalmente, a redução de preços provocará
aumento de quantidades demandadas (já que, para a maioria dos casos,
o efeito substituição supera o efeito renda).

Nota: entretanto, nos casos em que o efeito renda negativo supera em
valor absoluto o efeito substituição, temos uma situação em que a
redução de preço vai provocar aumento da quantidade demandada, e a
curva de demanda será positivamente inclinada (caso do bem de Giffen).
GABARITO: D

20. (NCE-UFRJ/Eletronorte/Economista/2006) – Considerando os
efeitos renda e substituição, é correto afirmar que:
a) o sinal do efeito-renda depende do sinal do efeito-substituição;
b) nada se pode afirmar com respeito ao sinal do efeito-substituição, mas
o efeito renda é sempre positivo;
c) o sinal do efeito-renda não depende do nível de renda, assim como o
sinal do efeito substituição também não depende do nível de renda do
consumidor;
d) o efeito-renda é positivo em um bem normal e o efeito-substituição é
sempre negativo independentemente do tipo de bem;
e) o efeito-renda e o efeito-substituição se anulam mutuamente no caso
de um bem normal.

COMENTÁRIOS:
a) Incorreta.

b) Incorreta. O efeito substituição é sempre negativo.

c) Incorreta. O sinal do efeito renda depende do nível de renda. Quando
analisamos um bem, não podemos dizer se um bem é inferior ou normal,
se não levarmos em conta o nível de renda do consumidor. Por exemplo,
suponha o bem “carne de segunda”. Para a classe média, tal bem pode
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 78 de 86
ser definido como um bem inferior, tendo em vista que o aumento de
renda provoca redução de consumo. Por outro lado, se você analisar do
ponto de vista de uma pessoa extremamente pobre, provavelmente, se
ela tiver um aumento de renda, a carne de segunda será para ela um bem
normal. Então, o efeito renda (e consequentemente a classificação de um
bem como normal ou inferior) depende do nível de renda.

d) Correta.

e) Incorreta. No caso de um bem normal, os dois efeitos se reforçam (o
efeito renda positivo reforça o efeito renda negativo).

GABARITO: D
LISTA DE QUESTÕES

01. (FUNIVERSA – COFECON – 2010)



A demanda reflete o comportamento dos consumidores diante das
condições de mercado, da renda, das preferências e das
possibilidades de consumo. A oferta, por outro lado, espelha o
comportamento ou intenções dos produtores ou das firmas. O
cerne do estudo de fenômenos econômicos é a análise das
interações entre vendedores e compradores em uma economia de
mercado, conforme representada no diagrama a seguir,
representativo do equilíbrio no mercado do bem X. A respeito
desse assunto, é correto afirmar que
a) a curva de demanda representa a relação, geralmente inversa, entre o
preço de um bem e a quantidade demandada deste, e aumentos nos
preços provocam o deslocamento da curva de demanda, refletindo a
queda na quantidade demandada.
b) um relatório de mercado revelou que, em determinado período,
ocorreu aumento no preço do álcool e redução na oferta de açúcar, tudo o
mais constante. É correto concluir que esses bens são complementares na
oferta.
c) o diagrama representa o equilíbrio no mercado do bem X. Tudo o mais
constante, uma elevação da renda dos consumidores levaria a um
aumento no preço de equilíbrio do bem X, caso o bem X fosse inferior.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 79 de 86
d) no diagrama representativo do mercado de X, um aumento no preço
de Y, substituto de X, implicará um aumento no preço de equilíbrio do
bem X, tudo o mais constante.
e) com a suposição de que o governo tenha implantado uma política de
preço mínimo para o bem X, caso o preço mínimo estipulado fosse maior
que o preço de equilíbrio de mercado, o resultado da política seria um
excesso de demanda do bem X.

02. (FUNIVERSA – COFECON – 2010) – A respeito das medidas de
comportamento da demanda e da oferta, tais como elasticidade
preço da demanda, elasticidade renda, e os fatores que afetam as
respostas dos demandantes e produtores diante de variações nos
preços dos produtos, nos preços de seus substitutos e de seus
complementares, ou na renda é correto afirmar que
a) seja a função demanda pelo bem X dada por X=M/2P
X
, onde M é a
renda e P
X
é o preço do bem X. Então, para M=4 e P
X
=1, a elasticidade
renda é 0,25 e a elasticidade preço é igual a -2.
b) operando em concorrência perfeita e diante de uma curva de demanda
elástica, um comerciante poderá elevar sua receita caso ele aumente o
preço do produto, tudo o mais constante.
c) seja q
x
=10+0,5.m.p
x
-0,5
.p
y
0,5
, a função de demanda por um bem X de
um consumidor, onde q
x
é a quantidade demandada, m é a renda, p
x
é o
preço do bem x, p
y
é o preço do bem y. Então, podemos afirmar que x e y
são bens complementares.
d) ainda com base na função de demanda da letra “D”, acima, podemos
afirmar que o bem é inferior.
e) se um bem tem a demanda elástica com relação a variações em seu
preço, um aumento no preço desse bem, tudo o mais constante, provoca
aumento no dispêndio do consumidor.

03. (FUNIVERSA – ECONOMISTA – PREF. PALMAS – 2005) -
Assinale a alternativa correta:
(A) Se a utilidade marginal de um produto é negativa, então pode-se
afirmar que a curva de indiferença é positivamente inclinada (Na sua
resposta considere um mundo com apenas dois bens).
(B) Aumentos simultâneos na quantidade e no preço de seguros-saúde
nos últimos anos não podem ser explicados pela teoria econômica.
(C) Tributar um bem elástico proporciona ao governo uma receita maior
que tributar um bem inelástico.
(D) Uma redução de 50% na renda nominal do consumidor terá o mesmo
efeito sobre o conjunto de oportunidade do consumidor que uma redução
de 50% em todos os preços nominais.
(E) Se a função de utilidade de um consumidor é especificada por
U=2x
1
x
2
, e ele gasta toda sua renda com apenas dois bens, cujos preços
são p
1
=2 e p
2
=1, então pode-se afirmar que ele consome iguais
quantidades desses bens.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 80 de 86

04. (FUNIVERSA – ECONOMISTA – TERRACAP – 2010) - Com
relação à Teoria do Consumidor, assinale a alternativa correta.
(A) Considere uma curva de demanda linear e negativamente inclinada.
Então a elasticidade-preço é constante.
(B) O efeito-substituição será positivo para os bens que têm efeito-renda
positivo.
(C) Nos bens de Giffen, o valor absoluto do efeito-renda domina o valor
absoluto do efeito-substituição.
(D) Se a curva de demanda de X for X=0,5mp
-a
, em que a=0,5, então a
elasticidade-preço será -1/4.
(E) O gráfico a seguir representa o caminho de expansão da renda para
um bem inferior.


05. (FUNIVERSA – ECONOMISTA – TERRACAP – 2010) - As curvas
de indiferença são formadas pelo conjunto de cestas (x
1
, x
2
), no
espaço mercadorias, para as quais o consumidor prefere
fracamente uma cesta à outra e vice-versa. A respeito do assunto,
assinale a alternativa correta.
(A) Caso o consumidor apresente preferências estritamente convexas e,
dadas as cestas A(X
1
A
, X
2
A
), B(X
1
B
, X
2
B
) pertencentes ao mesmo conjunto
indiferença, é correto afirmar que a cesta C = λA + (1–λ)B, com 0<λ<1 ,
também pertence à mesma curva de indiferença.
(B) As curvas de indiferença no mapa de curvas de indiferença nunca se
cruzam, mesmo quando as preferências do consumidor não são
transitivas.
(C) Se as preferências entre dois bens para um consumidor são
monotônicas e racionais (completas, reflexivas, transitivas), então o
módulo da taxa marginal de substituição será decrescente ao longo de
suas curvas de indiferença.
(D) Se a função utilidade for do tipo U(x,y)=x
a
y
b
, em que x e y são
quantidades dos bens, a e b são parâmetros positivos. Então a taxa
marginal de substituição será –ay/bx.
(E) Exceto para os bens “males”, definindo um bem mau como sendo
aquela mercadoria que o consumidor não gosta, a taxa marginal de
substituição terá inclinação negativa.

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 81 de 86
06. (FUNIVERSA – ECONOMISTA – TERRACAP – 2010) - Considere
um consumidor com a função utilidade dada por U(x,y)=x
a
y
1-a
,
com 0<a<1, em que x e y são quantidades dos bens. Os preços
dos bens x e y são, respectivamente, p e q, e seja m a renda do
consumidor. Com base nessas informações, assinale a alternativa
correta.
(A) A demanda pelo bem y será [(1–a)mq
-1
]/a.
(B) Um aumento em qualquer um dos preços, p ou q causa elevação no
dispêndio do consumidor.
(C) Para qualquer nível de renda m e a=0,5, as quantidades demandadas
dos bens x e y serão iguais.
(D) Para m=100, q=1 e a=0,5, serão consumidas 25 unidades do bem y.
(E) A demanda marshalliana pelo bem x será de 50 unidades, para
m=100, p=1 e a=0,5.

07. (ESAF - ANA - Analista Administrativo – ECONOMIA - 2009)
Considere um consumidor cuja função utilidade é dada pela
função U(x, y)=x
0,4
y
0,6
. Se o preço do bem x for igual a quatro
reais, o preço do bem y igual a doze reais e a renda for igual a
cem reais, então o consumidor maximiza utilidade escolhendo a
seguinte cesta de consumo:
a) x = 10, y = 5
b) x = 10, y = 10
c) x = 5, y = 10
d) x = 5, y = 5
e) x = 4, y = 12

08. (ESAF - AFC/STN - 2005) Considere o seguinte problema de
otimização condicionada em Teoria do Consumidor:
Maximizar U = X.Y
Sujeito à restrição 2.X + 4.Y = 10
Onde U = função utilidade;
X = quantidade consumida do bem X;
Y = quantidade consumida do bem Y.
Com base nessas informações, as quantidades do bem X e Y que
maximizam a utilidade do consumidor são, respectivamente:
a) 8 e 0,5
b) 1 e 2
c) 2 e 1
d) 1,25 e 2,0
e) 2,5 e 1,25

09. (ESAF - AFC/STN - 2005) Considere a forma geral de uma
função utilidade: U = U(X,Y) onde X representa a quantidade
demandada do bem X e Y a quantidade demandada do bem Y,
sendo X >= 0 e Y >= 0. A função utilidade que gera curvas de
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 82 de 86
indiferença que possuem convexidade voltada para a origem é
dada por:
a) U = X - Y
b) U = X + Y
c) U = X.Y
d) U = - X - Y
e) U = X/Y

10. (FCC - ANALISTA BACEN - 2006) As preferências de um
consumidor que adquire apenas dois bens são representadas pela
função utilidade U (x, y) = X
2/3
y
1/3
.
Caso a renda do consumidor seja 300, o preço do bem X seja 5 e o
do bem Y igual a 10, no equilíbrio do consumidor,
a) a quantidade consumida do bem X corresponderá a 40 unidades.
b) a quantidade consumida do bem Y corresponderá a 20 unidades.
c) o dispêndio efetuado pelo consumidor com o bem X será 100.
d) o dispêndio efetuado pelo consumidor com o bem Y será 200.
e) o dispêndio efetuado pelo consumidor com cada um dos dois bens será
igual.

11. (FGV – ICMS/RJ – 2010) - A respeito das propriedades das
curvas de indiferença e sua relação com as hipóteses de
preferências dos consumidores, considere as afirmativas a seguir.
I. As curvas de indiferença mais elevadas são preferíveis às mais
baixas porque o consumidor tem preferências monotônicas.
II. As curvas de indiferença se inclinam para baixo porque o
consumidor está disposto a trocar um bem pelo outro de modo a
não alterar o seu nível de utilidade.
III. As curvas de indiferença não se cruzam porque as
preferências são transitivas.
Assinale:
(A) se somente a afirmativa I estiver correta.
(B) se somente a afirmativa II estiver correta.
(C) se somente a afirmativa III estiver correta.
(D) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
(E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

12. (FGV – ICMS/RJ – 2009) - A tabela a seguir mostra as
preferências de Manoel por cestas de consumo compostas por
caquis e tomates.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 83 de 86

A partir dos dados da tabela e supondo que suas preferências são
bem comportadas em relação a esses bens de consumo, ou seja,
que esses bens são tidos como bens normais, é correto concluir
que:
(A) Manoel prefere a cesta A à cesta B, e a cesta D à cesta C.
(B) Manoel é indiferente entre A e C e suas preferências são tais que a
taxa marginal de substituição entre tomates por caquis é crescente.
(C) A taxa marginal de substituição de tomates por caquis em C indica
que Manoel quer trocar mais caquis por tomates que em A.
(D) Manoel é indiferente entre B e uma cesta composta por 3 caquis e 1
tomate.
(E) Manoel tem preferências que permitem que as curvas de indiferença
se cruzem.

13. (FGV – ICMS/RJ – 2008) - A respeito das curvas de
indiferença com relação aos bens X e Y, analise as afirmativas a
seguir:
I. Caso os consumidores prefiram ter mais dos bens X e Y a ter
menos, as curvas de indiferença mais afastadas da origem são
preferíveis às mais baixas.
II. As curvas de indiferença convexas em relação à origem
indicam uma preferência dos consumidores com relação à
variedade de bens.
III. As curvas de indiferença possuem inclinação positiva
indicando que o consumidor está disposto a substituir um bem por
outro.
Assinale:
(A) se somente a afirmativa I estiver correta.
(B) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
(C) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
(D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
(E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

14. (FGV – ICMS/RJ – 2007) - A teoria do consumidor modela a
escolha ótima de um consumidor face a diferentes cestas factíveis
de bens. Nesse contexto, a escolha ótima do consumidor deverá
ser:
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 84 de 86
(A) a curva de indiferença que se situar no ponto médio da restrição
orçamentária.
(B) a cesta de bens que conferir o maior nível de utilidade ao consumidor
e que estiver fora do conjunto orçamentário do consumidor.
(C) a cesta de bens, pertencente ao conjunto orçamentário do
consumidor, que se situar na curva de indiferença mais alta.
(D) a curva de indiferença que estiver mais inclinada positivamente.
(E) a curva de indiferença que possuir o maior número de cestas
indiferentes.

15. (FCC - ANALISTA DE PLANEJAMENTO – SEFAZ/SP – 2010) É
correto afirmar:
(A) Para uma variação no preço do bem de Giffen, o efeito-substituição é
menor, em valor absoluto, que o efeito-renda.
(B) Dois bens são substitutos quando apresentam elasticidade-preço
cruzada da demanda positiva.
(C) A elasticidade-renda de um bem mostra a variação na renda
decorrente do acréscimo de 1% no consumo desse bem.
(D) A classificação em bens normais, inferiores e superiores diz respeito à
essencialidade dos bens.
(E) Demandas de mercado que possam ser expressas por funções
lineares possuem elasticidade-preço constante.

16. (FCC - AUDITOR - TCE-SP - 2008) Considere as seguintes
proposições em relação à teoria do consumidor, supondo-se uma
cesta constituída de apenas dois bens, X e Y:
I. A inclinação da curva de restrição orçamentária depende da
renda do consumidor e dos preços relativos dos bens X e Y.
II. O efeito total de uma variação de preços na escolha ótima do
consumidor pode ser decomposto em dois efeitos: efeito-renda e
efeito-substituição.
III. Se X for um bem de Giffen, o efeito-substituição é maior, em
valor absoluto, que o efeito-renda.
IV. No ponto de escolha ótima do consumidor, a taxa marginal de
substituição entre dois bens X e Y é igual à razão entre seus
preços.
V. As curvas de indiferença têm sua concavidade voltada para
baixo.
Está correto o que se afirma em
a) I e II, apenas.
b) I, II e III, apenas.
c) I, II, III, IV e V.
d) II e IV, apenas.
e) II, III e IV, apenas.

Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 85 de 86
17. (FCC - TÉCNICO DE CONTROLE EXTERNO – ECONOMIA - TCE-
MG - 2007) Considere as seguintes proposições em relação à
teoria do consumidor:
I. No ponto de escolha ótima do consumidor, a taxa marginal de
substituição entre dois bens X e Y é igual à razão entre seus
preços.
II. As curvas de indiferença são geralmente côncavas em relação
à origem dos eixos porque a taxa marginal de substituição é
crescente ao longo da curva.
III. O efeito total de uma variação de preços na escolha ótima do
consumidor pode ser decomposto em dois efeitos: efeito-renda e
efeito-substituição.
IV. Os interceptos e a inclinação da curva de restrição
orçamentária dependem apenas dos preços relativos dos bens X e
Y.
V. Quando a taxa marginal de substituição entre dois bens X e Y é
constante ao longo da curva de indiferença, os dois bens são
complementares perfeitos.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I e II.
b) I e III.
c) I, II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e V.

18. (FCC - ANALISTA - ECONOMIA- MPU-2007) Pode-se dizer que
o efeito-substituição entre bens normais corresponde ao fato de o
consumidor
a) aumentar a quantidade adquirida do bem cujo preço decresce em
relação ao preço de outro bem.
b) ter sua renda aumentada, sem alteração no preço relativo entre os
bens.
c) aumentar a quantidade adquirida do bem cujo preço se eleva em
relação ao preço de outro bem.
d) reduzir a quantidade adquirida do bem cujo preço decresce em relação
ao preço de outro bem.
e) ter sua renda reduzida, sem alteração no preço relativo entre os bens.

19. (FCC - ANALISTA DE REGULAÇÃO – ECONOMISTA – ARCE -
2006) A curva de demanda tem normalmente declividade
negativa, porque, dada uma diminuição do preço do bem,
a) o efeito-renda é positivo e o efeito-substituição, negativo.
b) mesmo que o efeito-substituição seja negativo, raramente seu valor
absoluto é menor que o do efeito renda.
c) ambos os efeitos, renda e substituição, são negativos.
Aula 02
CURSO ON-LINE – ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS
AUDITOR TRIBUTÁRIO DA SEFAZ/DF – (ICMS/DF)
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
PROFESSORES HEBER CARVALHO E SÉRGIO MENDES
Profs. Heber e Sérgio www.pontodosconcursos.com.br 86 de 86
d) mesmo que o efeito-renda seja negativo, raramente seu valor absoluto
é maior que o do efeito-substituição.
e) o consumidor ficou mais pobre em termos reais.

20. (NCE-UFRJ/Eletronorte/Economista/2006) – Considerando os
efeitos renda e substituição, é correto afirmar que:
a) o sinal do efeito-renda depende do sinal do efeito-substituição;
b) nada se pode afirmar com respeito ao sinal do efeito-substituição, mas
o efeito renda é sempre positivo;
c) o sinal do efeito-renda não depende do nível de renda, assim como o
sinal do efeito substituição também não depende do nível de renda do
consumidor;
d) o efeito-renda é positivo em um bem normal e o efeito-substituição é
sempre negativo independentemente do tipo de bem;
e) o efeito-renda e o efeito-substituição se anulam mutuamente no caso
de um bem normal.







GABARITO
01 D 02 A 03 A 04 C 05 D 06 E 07 A
08 E 09 C 10 A 11 E 12 C 13 B 14 C
15 An 16 D 17 B 18 A 19 D 20 D