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SUMÁRIO

7 ASPECTOS GERAIS DE UM SISTEMA DE PLANEJAMENTO 3
Esclarecimentos 3
Conceitos do sistema de planejamento 4
Restrições operacionais no conceito de potencialidade 6
Uma alternativa de operacionalização de potencialidades 6
7.1 Sistema de Planejamento de Projetos por Objetivos 6
Etapas do planejamento de projetos por objetivos 6
7.1.1 Diagnóstico do(s) Problema(s) 7
O problema central 8
Causas que geram o problema central 8
7.1.2 Formulação de Objetivos 12
Objetivo Central 13
Objetivos intermediários e operacionais 14
7.1.3 Contexto Geral do Processo 16
Geopolítico 16
Atributos básicos do processo 17
Restrições e condicionantes do modelo 20
Restrições legais 21
Restrições doutrinárias 22
Indicadores de Síntese e Coeficientes de Desenvolvimento 22
Especificação de Variáveis e Indicadores 24
7.3 Técnicas, Métodos e Modelos para Caracterizar as Potencialidades Regionais da Amazônia
Ocidental 41







Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





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7 ASPECTOS GERAIS DE UM SISTEMA DE PLANEJAMENTO
Nos aspectos gerais da terceira parte se apresentam rudimentos de sistemas de planejamento de
projetos por problemas e objetivos que, pelos seus aspectos práticos e diretamente relacionados com
o assunto tratado neste documento, são pertinentes por quanto complementam, servem de referência
e dão conteúdo aplicativo às técnicas e métodos para a prospecção de potencialidades da Amazônia.
Na parte contextual do modelo de avaliação dos potenciais regionais se destacam os aspectos
geopolíticos explícitos pelo SUFRAMA e vistos como necessárias referências para desenvolver esses
modelos quanto a seus atributos e fundamentos doutrinários, estes constituídos em outros aspectos
importantes dessa contextualização modelar.
Esclarecimentos
Os elementos centrais da terceira parte se referem à apresentação e ilustração de técnicas e
modelos, dentro da abordagem de análise numérica, que, em princípio, são consistentes entre eles e
atendem a diferentes aspectos da necessidade de identificar, quantificar e relacionar potencialidades
para o desenvolvimento. A ilustração dessas técnicas e modelos é feita com amostras pilotos,
portanto, desprovidas de conteúdo normativo e aplicativo, mas apenas suficiente para a
demonstração e indicação de posterior ajuste e implementação em cada caso.
Tanto na apresentação de cenários e diagnósticos das duas primeiras partes do documento quanto
na definição de técnicas e modelos há dados e informações de pesquisa documental necessárias para
dar a credibilidade, robustez e efetividade desta análise numérica, sem que isto signifique minorar ou
ocultar as deficiências e limitações das técnicas e métodos propostos. Tal tarefa, por certo fácil e de
grande conteúdo, deve corresponder aos críticos que devem procurar alternativas e/ou correções para
aprimorar estas técnicas e métodos.
É oportuno indicar e repetir que os dados e informação utilizadas para ilustrar as técnicas e
métodos propostas neste documento, complementares de outras técnicas e métodos, analíticas ou
não, não são suficientes para se definir um “estudo de casos”, nem para se utilizar tais resultados
com fins de aplicação. Entretanto, esses resultados podem ser considerados como o início de um
processo de pesquisa orientado para o levantamento de dados e informações necessárias para definir
um estudo de caso e para desenvolver, testar e adaptar técnicas e métodos à realidade e conveniência
das vocações e potencialidades de recursos da Amazônia.
As técnicas e métodos que se apresentam complementam aspectos descritivos dos diagnósticos e
de outros modelos, sendo que as informações de uns e outros, em hipótese, permitirão atingir
melhores resultados.



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Conceitos do sistema de planejamento
Muitas definições de projetos podem ser encontradas na literatura pertinente destacando um ou
outro(s) aspecto(s) nessa unidade (microeconômica e microsocial) operacional de desenvolvimento.
Essas conceitualizações variáveis dependem da estratégia geral de desenvolvimento, cujos elementos
são os projetos, e do enfoque ou orientação das ações planejadas dependente de diretrizes,
fundamentos e objetivos de políticas de desenvolvimento.
São as estratégias, critérios, fundamentos e princípios, muitos deles considerados na legislação
pertinente e que se aplica a cada caso, as que pautam a definição operacional do projeto o qual
responde, na visão tradicional, a determinada(s) necessidade(s) de um setor específico. Na visão
merológico-holística proposta no Manual de pesquisa: uma introdução a metodologia científica.
essa resposta deve considerar necessidades e possibilidades, interesses e limitações de diversos
setores e clientes.
Na visão tradicional, a eficiência de um projeto é diferente da estratégia da qual faz parte. Essa
estratégia reflete, através da normalização legal, o sistema político, econômico, ambiental e social
em vigência. Numa visão mais ampla, de integração/harmonização e balanceamento de necessidades
e possibilidades, o projeto poderá afetar positivamente a mais de um setor sem que, em geral, possa
responder às necessidades de todo um sistema político-administrativo ou de toda uma região
enquanto unidade ou o todo sistêmico.
Entretanto, é desejável que as externalidade negativas do projeto em outros setores não
ultrapassem determinados níveis ou estejam definidas dentro de adequados indicadores de resiliência
característicos, conhecidos e aplicados para o sistema (que contém as potencialidades) que é afetado
pelo projeto. Neste sentido e apenas considerando custos do meio ambiente socializados por projetos
sem a preocupação com a qualidade do meio ambiente, a formulação de projetos passa a requerem
estudos de impacto ambiental (EIA) com seus respectivos relatório na forma da lei.
Na avaliação (pré-viabilidade, entre outras) de projetos se procura fornecer argumentos, de
preferência quantitativos em numerários econômicos (R$, US$ de custos e benefícios atualizado) ou
proxies dos componentes social e meio ambiente-ecológico, capazes de tornar claras e convincentes
as relações entre escolhas, evidenciando a interdependência dessa unidade operacional conforme se
ilustra, de maneira simples e objetiva, a seguir:



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As relações econômicas entre os custos do problema (C
1
) e da solução do problema com a
implantação do projeto (C
2
), e os benefícios esperados (B) dessa solução, na relação de
economicidade, aliado às taxas de retorno ex antes dos investimentos, foram os critério mais
freqüente de avaliação de projetos.
Contudo, uma relação positiva ou favorável entre custos e benefícios, não foi suficiente para
assegurar a atratividade econômica indicada em grande parte dos projetos implantados como fatores
de desenvolvimento.
Parte da frustração do projeto como instrumento de desenvolvimento possivelmente se deveu a
omissão de importantes elementos nessas contas, às distorções de preços pelos subsídios implícitos e
outras interferências na atualização econômica de fluxos financeiros, para fins de comparação, dessa
contas, bem como ao tratamento ineficiente de problemas (não houve prospecção, apenas
determinação de necessidades setoriais, ou não houve adequada tradução do problema para pesquisa
em problema de pesquisa...), além de outros entraves operacionais e administrativos que incidiram
nessas estimativas, muitas vezes apresentadas para favorecer determinada previsão de resultado.
Alguns desses entraves, quando trazidos e definidos em novos conceitos do eco-desenvolvimento,
vieram a se constituir restrições à exploração de potencialidades regionais.
PROBLEMAS
( C
2
)
OBJETIVOS
METAS
RECURSOS
Financeiros e
Outros
MÉTODOS
( C
1
)
RESULTADOS
( B )
D E C I S Ã O
C1+C2=C
B > C
B = C e = B/C
B < C
P
r
o
s
p
e
c
ç
ã
o

O
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d
e
n
a
m
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T
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o
/
p
e
s
q
u
i
s
a





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Restrições operacionais no conceito de potencialidade
Antes de se configurar as restrições da figura programática operacional do projeto, surgiu o
conceito de Programa, com maior abrangência que o da unidade operativa do projeto e com a
síntese, num único módulo conceitual-operacional, de ações e estratégias, objetivos e finalidades,
metas e meios, infra-estruturas e produtos/serviços etc., comportando diversas dimensões nem
sempre bem delimitadas e caracterizadas.
Mas a complexidade de implantação, implementação e operacionalização desse novo conceito e a
falta de uma cultura de planejamento integrado dos diversos elementos componentes do Programa
(persistência do planejamento no curto prazo, dominância de um setor, falta de integração
interinstitucional etc.), mostraram resultados ineficientes e ineficazes dessa hibridação operacional.
Tanto no projeto como uma unidade de ação quanto no programa como um módulo conceitual-
operacional mais abrangente, é possível identificar falhas e erros comuns, alguns possíveis de
minorar com um sistema de planejamento por objetivo.
Alternativa de operacionalização do conceito de potencialidade
É desejável ter uma técnica, no processo de planejamento, capaz de caracterizar quais são os
problemas mais importantes, como eles podem ser ordenados e hierarquizados com base em critérios
(e não padrões generalistas) e quais são os objetivos que apresentam as maiores probabilidades de
multiplicação de efeitos positivos (geração de emprega, aumenta de renda, fixação do homem no seu
meio etc.), com menores custos e menores intervenções sobre o meio ambiente que possam vir a
afetá-lo. Uma dessas técnicas é baseada na filosofia de Sistemas de Planejamento de Projetos por
Objetivos.
7.1 Sistema de Planejamento de Projetos por Objetivos
São identificadas e especificadas, com alguns detalhes gerais, para os propósitos ilustrativos deste
documento, diversas etapas integráveis e seqüências do sistema de planejamento por objetivos. Uma
descrição detalhada dessas etapas, para o processo de pesquisa aplicada, pode ser encontrada no
Manual de Pesquisa: introdução aos fundamentos da metodologia científica.
Etapas do planejamento de projetos por objetivos
Destacam-se as seguintes etapas no sistema de planejamento de projetos por objetivos:
a) Definir o(s) problema(s) central(ais) que melhor caracteriza(m) as dificuldades de



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determinação (identificação, avaliação, valoração, localização, “estado”, qualidade, quantidade
etc.) das potencialidades regionais; essa definição deverá, quanto possível, conter descritores e
indicadores de ordenamento que permitam, com objetividade, estabelecer escalas de
preferências diante de recursos financeiros que se apresentam com elevados custos de
oportunidade.
b) Identificar as causas, evoluções e conseqüências das dificuldades que definem o problema
para pesquisa de maneira ordenada e hierarquizada, de modo a estabelecer uma “arvore de
problemas”. Se a essas dificuldades ordenadas e/ou estratificadas podem se associar níveis de
probabilidade de ocorrência para qualquer de seus desatributos, os dados e informações do
problema possibilitará um tratamento técnico mais adequado (?), em termos de probabilidade,
o que facilita o tratamento de assuntos com incertezas reduzidos a problemas com riscos.
c) Inverter a “arvore de problemas”, de maneira a se obter uma “arvore de objetivos” relacionados
entre si por causas, efeitos ou qualquer outros fator de associação ou inter-relação entre
problemas ou entre elementos de um problema.
d) Identificar e caracterizar na “árvore de objetivos” aqueles que podem ser objeto de diferentes
ações orientadas para a solução, identificando os meios para se atingir tais objetivos,
ordenados em forma crescente, dos mais simples, circunstanciais e imediatos até os mais
complexos, estruturais e de longo prazo.
e) Traduzir os objetivos e os meios necessários para atingi-los, em projetos integrados em
programas e consistentes com os recursos disponíveis para caracterizar as potencialidades e
procurar viabiliza-las nos processos produtivos sustentáveis que incorporarão essas
potencialidades.
f) Estabelecer a ordem de prioridade dos projetos e dos programas, de acordo com a sua
importância estratégica, social, econômica, ecológica, disponibilidade de recursos e
capacidade executiva dos agentes do desenvolvimento nas diversas esferas da administração
pública.
A parte que segue introduz aspectos conceituais fundamentais de algumas das etapas do
planejamento de projetos por objetivos. Esses aspectos foram obtidos do Manual de pesquisa:
introdução a metodologia científica.
7.1.1 Diagnóstico do(s) Problema(s)
Os problemas identificados, delimitados e caracterizados deverão corresponder àqueles mais
freqüentemente encontrados ou que se apresentam com maior intensidade nos fatores que se



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constituem potencialidades do crescimento nos locais objeto de pesquisa.
Várias técnicas complementares estarão sendo indicadas, esquematizadas e testadas para o
levantamento de dados e informações, envolvendo diversos setores desde a fonte e/ou estoque do
recursos natural até a perspectiva de comércio, passando pela incorporação nos processos produtivos,
sob diversos cenários prospectivos em que as oportunidades para evidenciar potencialidades esteja
em evidência.
O problema central
Em maior ou menor intensidade, as informações técnicas e econômicas sobre os potenciais dos
recursos e ambientes naturais da Amazônia são incompletas ou parciais, imprecisas e insuficientes
para atender adequadamente às necessidades de investidores, e de formulação projetos, programas e
políticas de desenvolvimento sustentável da região que tenham como base aptidões e potencialidades
regionais.
Causas que geram o problema central
Um exemplo de hierarquia de problemas que origina o problema central pode ser visualizado na
Figura 1, onde se apresentam três conjuntos principais de estrangulamento ou situações críticas que
definem, para os propósitos ilustrativos do documento, o problema central. Em sua forma descritiva,
as causas do problema central podem ser agrupadas, sem considerações da seguinte forma
(agrupamento apenas ilustrativo):
a) Quadro institucional deficiente e sem a capacidade e a habilidade técnico-científica necessárias
para identificar, caracterizar, avaliar e monitorar a riqueza atual e potencial, bem como para
definir os condicionantes da externalização de aptidões e potencialidades nos processos
produtivos (fluxos econômicos). Esse quadro critico do “capital social”, aliado às deficiências
em infra-estrutura da P&D para gerar a informação necessária do conhecimento que se quer e
as tecnologias precisas da inovação possível na revelação das potencialidades amazônicas,
parecem inspirar, sem justificar, idéias como a de que os países detentores de florestas
equatoriais úmidas deviam compreender que sua soberania sobre elas é relativa.



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Figura 1 “Árvore de problemas” na identificação e caracterização de potencialidades da Amazônia


ÁRVODE DE PROBLEMAS
PROBLEMAS NA IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DAS POTECIALIDADES REGIONAIS DA AMAZÔNIA
Ações das intervenções desordenadas, desarticuladas, sem
planejamentos nem estruturas de gestão adequadas
Quadro institucional deficiente
para identificar, caracterizar,
avaliar e monitorar a riqueza
atual e o potencial
Os processos (modelos) de geração,
coleta, tratamento, armazenamento
e transferência de informação do
meio ambiente e sobre as
potencialidades regionais são
inadequados à realidade
Deficiências nos critérios da
sustentabilidade do
desenvolvimento, substituídos
por padrões não adequados à
realidade local e regional
Falta de diretrizes, fundamentos
e instrumentos para a atuação,
explícitos em políticas e leis
Falta de definições técnicas e
operacionais dos órgãos da
administração

Dificuldades de acesso ás áreas
com potencialidades
Pouco conhecimento dos
potenciais regionais
Falta de valorização do potencial
para a conservação

Falta de recursos humanos para
tratar do planejamento e
gestão dos recursos naturais



Falta de iniciativas privadas
Falta de motivações para a
participação da comunidade
Modelos inadequados

Infra-estrutura inadequada

Desarticulação de técnicas e ações


Falta de dados e informações sobre o
potencial
Falta de informações para o
aproveitamento desses recursos
Falta de coordenação na implantação
de modelos
Falta de integração dos modelos
Tecnologias não acessível
Tecnologias não adequadas à
realidade física e sócioeconômica
Pouca participação e integração dos
centros de pesquisa e universidades
Os padrões são gerais e
inadequados à
realidade
Não existem critérios de
conservação e manejo
Comportamento
inadequado
Falta de conscientização
Baixo nível de educação
Pouca informação
Falta de treinamento e
capacitação
Falta de conscientização



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a.1) Instituições públicas com atuação e interesses na Região com baixa eficácia operacional,
em conseqüência de:
a1.1) organização e administração centralizada e segmenta por temas, sem
interdependência ou associação positiva e sinérgica numa mesma esfera administrativa
(federal, estadual ou municipal) e entre os níveis de administração para um mesmo
tema;
a.1.2) informações incompletas, pontuais, desatualizadas e pouco difundidas sobre as
características dos recursos naturais e suas potencialidades na região. As poucas
informações disponíveis foram geradas sob condições e metodologias diferentes para
propósitos diferentes sendo, portanto, de difícil, limitada ou impossível integração,
complementação e tratamento conjunto gerenciado por sistemas de dados e informações
inter-operativos amigáveis;
a.1.3) infra-estrutura insuficiente e inadequadas para identificar, caracterizar e avaliar a
riqueza potencial, suas limitações e perspectivas perante as possibilidades de cenários
que a abertura da economia e a globalização possam oferecer;
a.1.4) a falta de informações ou informações incompletas, pontuais e desatualizadas e não
consistidas, constituem entraves para definir planos de gestão territorial na procura da
conservação e manejo integrado da riqueza natural;
a.1.5) baixo ou inexistente nível de interação entre organizações públicas, privadas e a
comunidade. No setor público, a atuação desagregada, portanto não-coordenada nem
integrada, é responsável, em grande parte, pela inefetividade de ações e estratégias, pela
atomicidade de aplicações financeiras para apenas marcar presença do Estado, pelo
início de obras sem concluir etc., conforme consta em relatórios;
a.2) Pouco interesse e pouca participação da iniciativa privada local na identificação, avaliação
e conservação do potencial, em conseqüência de:
a.2.1) delimitação pouco clara (difusa) da ação pública quanto à iniciativa privada;
a.2.2) pouca participação da comunidade quanto ao potencial da região em
conseqüência da falta de informações, sobre os potenciais, necessárias para que se
possa definir a motivação de participação e de conscientização para a conservação.
b) Os modelos de geração, tratamento, armazenamento e transferência de informação do meio
ambiente e sobre as potencialidades regionais são inadequados à realidade, rígidos e
obsoletos, entre outras causas, porque:



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b.1) desconsideram a realidade da demanda local, regional e nacional, bem como
negligenciam as perspectivas em torno dos recursos naturais em processos de
verticalização e outros que podem definir novas vantagens; estas se fundamentam em
critérios de competitividade em que o conhecimento e a tecnologia são fatores
fundamentais;
b.2) dissociam conceitualmente a mudança tecnológica da lógica da competitividade
econômica; neste sentido, o problema pode ser definido como um círculo viciosos: não
existem indicadores que definam a orientação e condições de adoção dos fatores
tecnológicos da mudança, porque não há informações sobre as potencialidades e os
entraves para evidenciar essa perspectiva, porque não se conhece o valor da riqueza a
conservar nem a metodologia para avaliar e apreça-la; não sendo conhecida a riqueza
natural não há incentivos suficientes para definir ações e estratégias de conservação;
sem conservação e manejo integrado não há como garantir uma base de sustentabilidade
nem uma plataforma de competitividade a partir do uso dos recursos e ambientes
naturais amazônicos com potencialidades;
b.2) não reconhece a importância e o valor da informação nos processos de tomada de
decisão.
c) Deficiências nos critérios da sustentabilidade do desenvolvimento, com destaque para os
seguintes aspectos:
c.1) Não existem adequados critérios de sustentabilidade ambiental, porque:
c.1.1) os indicadores de qualidade do meio ambiente propostos em alguns poucos planos
são padrões (gerados em outras e para outras realidades ambientais e sócioeconômicas)
que não são (não foram) adequados à realidade local e que se apresentam sem condições
de operacionalização;
c.1.2) os padrões de qualidade ambiental não forma implementados nem complementados
com outros instrumentos do gerenciamento, portanto, perderam seu limitado poder de
normalização e/ou referencia para a prática da gestão da qualidade ambiental.
c.2) Não existem adequados critérios de sustentabilidade social, entre outras causas:
c.2.1) os indicadores de sustentabilidade social propostos são padrões ou protótipos que
não são (não foram) adequados à realidade social e cultural dessas regiões; em alguns
casos, tais padrões desqualificam e sub-estimam valores sociais e culturais com
importantes relações positivas com a biodiversidade, conforme foi indicado no
diagnóstico;



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c.2.2) os padrões de sustentabilidade social não forma implementados nem
complementados com outros instrumentos do gerenciamento ambiental, portanto, não
cumpriram os objetivos de seu estabelecimento;
c.2.3) pouca participação da comunidade na formulação e acompanhamento de planos e
gestões orientados para a conservação e manejo integrado dos recursos naturais, entre
outras razões porque não tiveram a informação sobre o valor e a importância estratégica
desses recursos e porque não houve um processo de conscientização e educação
ambiental orientado para esses fins.
c.3) Não existem adequados critérios de sustentabilidade econômica, devido, entre outros causas:
c.3.1) pela falta de informações técnico-científicas, critérios e fundamento de uma política
de crescimento disciplinadora e que atendesse às possibilidades econômicas e a
capacidade de suporte do meio ambiente pautada pelo conhecimento e tecnologias de
conservação, manejo integrado, proteção...;
c.3.2) os padrões que pautam a atividade econômica são orientados pelo imedatismo de
maximizações economicistas e por indicadores técnicos-tecnológicos não testados nem
adequados às condições regionais, baseados em aparentes ou supostas potencialidades
como a de fertilidade dos solos;
c.3.3) em grande parte, não são conhecidas cientificamente as inter-relações que governam
a estrutura e funcionamento dos diversos e complexos ecossistemas que compõem a
Amazonas e se relacionam, em parte, com sua posição no trópico úmido; isto, porque
não se têm as informações e os critérios técnicos-tecnológicos que deveriam pautar
muitas das atividades econômicas ali desenvolvidas; em conseqüência, a intensidade da
simplificação de ecossistemas (desmatamento, p. ex.), com possíveis influencias nos
balanços globais de energia e gases (atmosfera) e nutrientes (água e solo), não podem
ser adequadamente consideradas; por isso, é elevada a incerteza de degradação e de
perdas de atributos econômicos implícitos na riqueza e recursos naturais da Amazônia.
7.1.2 Formulação de Objetivos
Da inversão da “árvore de problemas”, identificados e caracterizados no local ou região, resultam
os objetivos, igualmente classificados conforme a natureza do problema e os recursos disponíveis
(importância e viabilidade). Nessa classificação poderão se ter objetivos gerais e objetivos
específicos, objetivos de longo e objetivos curto prazos, objetivos estruturais e objetivos
conjunturais, objetivos estratégicos e objetivos táticos etc. Parte desses objetivos deve ser
especificada em termos de metas possíveis nos cenários escolhidas ordenadas e hierarquizadas.



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Para operacionalizar essa estrutura interdependente de problemas · objetivos é necessário
definir indicadores de controle e monitoramento.
Objetivo Central
O objetivo central, no sistema de planejamento de projetos por objetivo, está diretamente
relacionado e responde aos propósitos do problema central. Se o problema for a falta de informações
“consistidas”, completas e integráveis dispostas em sistemas que possam atender, com segurança e
efetividade, às necessidades de investidores e à formulação de planos de desenvolvimento baseados
em potencialidades, então o objetivo central, deverá ser o de identificação e caracterização das
potencialidades regionais de forma que permita definir programas de conservação e implantar os
instrumentos, ações e estratégias que viabilizarão a incorporação racional e eficiente dessas
potencialidades no crescimento regional.
O princípio que deverá nortear o processo consistente de ocupação da Amazônia deverá conciliar
a preservação de “estados” de qualidade e quantidade com o desenvolvimento. Em muitos casos essa
relação de qualidade-quantidade é crucial para definir sustentabilidade do excedente possível de
incorporação ao crescimento econômico, na intensidade e na oportunidade determinadas pela
capacidade de suporte ambiental.
Neste contexto é importante observar que muitas vezes o excedente de produtividade possível de
retirar como potencial do ecossistema e incorporar no sistema econômico, requer o concurso de
muitos fatores que aparentemente se apresentam como ociosos (bens livres) do ponto de vista
econômico.
Claros exemplos e algumas experiências deste caso se observam na Amazonas onde determinadas
atividades intensivas do extrativismo (madereira, caça e pesca, por exemplo) provocam um
desequilíbrio no ecossistema, de tal forma que o conceito de sustentabilidade desenvolvido a partir
da noção de estoque físico aplicado ao recurso com o atributo econômico, tal como previsto na
análise econômica, não é consistente com a dimensão de sustentabilidade meio ambiente - ecológica.
Na análise econômica de pesca, caça ou de exploração florestal seletiva, ao estabelecer uma
estratégia de uso do recurso que ao final da cadeia natural produtiva apresenta o tributo econômico,
os critérios usados deverão levar em conta a capacidade de absorção ou a capacidade do ecossistema,
como um todo, de prover aquele recursos específico mediante o concursos de outros recursos não
mais definidos como bens livres. Para essa grande maioria de recursos desprovidos de valor
econômico em um determinado “estado” das artes tecnológicas, há uma demanda derivada através
do excedente econômico possível de aproveitamento. Esse conceito técnico é ilustrado em Economia
de recursos naturais (DPD/Embrapa).



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Objetivos intermediários e operacionais
Seguindo a mesma lógica da hierarquia de problemas, existem objetivos que, quando alcançados,
contribuirão para atingir o objetivo central. Esses objetivos deverão estar especificados, como causa
e efeito ou por qualquer outro tipo de relacionamento consistente, definido na “árvore de objetivos”.
Essa árvore (Figura 2) deve constituir os alvos para os programas e projetos das instituições
envolvidas no processo de conservação e manejo integrado de ambientes e recursos naturais.
Uma especificação completa na árvores de problemas e na arvore objetivos poderá definir os
problemas e correspondentes objetivos afetos à esfera federal, problemas e objetivos na esfera
estadual e problemas e objetivos na esfera municipal. Portanto, esta técnica ilustrativa pode ser
também utilizada na organização e gestão administrativa.
Como técnica ilustrativa da análise numérica, na estratificação apresentada pelas arvores de
problemas e objetivos se especificarão os aspectos metodológicos correspondentes (técnicas
associadas aos correspondentes problemas e objetivos).
Parte desses aspectos apontam para a especificação de indicadores e critérios, necessários para
atingir os objetivos. Este documento trata, em parte, dessa especificação na abordagem de análise
numérica, para dar conteúdo à integralidade de coeficientes técnicos.
A parte que segue apresenta uma relação ilustrativa de indicadores, critérios e coeficientes do
desenvolvimento, considerados e ilustrados em algumas de suas dimensões, a partir de um contexto
geral proposto no início do processo.



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Figura 3 Árvore de objetivos na caracterização de potencialidades regionais

ÁRVORE DE OBJETIVOS
IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS
POTENCIALIDADES REGIONAIS DE FORMA QUE
PERMITA DEFINIR PROGRAMAS DE CONSERVAÇÃO
Ações do planejamento integradas em planos, ordenadas e estruturadas
Instituições públicas com maior
eficiência operacional para
identificar e caracterizar as
potencialidades de cada local
Metodologias e sistemas de
obtenção e tratamento da
informação (inter-operativo)
mais adequados à realidade
Modernização e adequação dos
critérios de sustentabilidade com
mecanismos de operacionalização
na região
Realizar diagnósticos integrados
para definir diretrizes e
instrumentos T&C básicos às
políticas e leis/conservação
Investir, com critérios, na
formação do “capital
social” e na gestão de P&D
Definir formas integradas e
fáceis de operacionalizar de
gestão, baseada no atrativo e
possibilidades do potencial
Definir descritores e
indicadores de
conservação, manejo
integrado e proteção
Gerar informações para
definir programas como os
de educação ambiental e o
ecoturismo
Gerar informações para
o conhecimento e
tecnologias para a
inovação
Fortalecer as instituições, re-
orientado-as e com condições
para o trabalho em...
Procurar a eficiência
tecnológica para o
desenvolvimento
sustentável
Cidadania /conhecimento
Desenvolvimento/P&D
Mudança imagem
Soberania
Teste, validação e
adequação de modelos
às condições e às
possibilidades da região
Condições propícias para
exercitar a parceria e a
cooperação
Definir estruturas
operacionais e exeqüíveis



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7.1.3 Contexto Geral do Processo
Dos diversos aspectos do processo em que se encontram inseridas as potencialidades da
Amazônia ou que podem ser afetadas, são destacados apenas uns poucos: o geopolítico e seus
atributos básicos, as restrições, os aspectos legais e determinados aspectos doutrinários.
Geopolítico
Conforme contextualizado em documento da SUFRAMA, o modelo (vale dizer, o processo) de
conhecimento e avaliação das Potencialidades Regionais se fundamenta no conceito geopolítico,
assim definido:

“O modelo básico é de natureza geopolítica, o qual consiste na identificação e análise, num
espaço geográfico bem definido, da dinâmica de origem e destino dos principais fluxos de
qualquer natureza, inter-regionalmente, permitindo hierarquiza-las no conjunto e avaliar o grau
de sensibilização de intervenções ao equilíbrio do todo”

Apesar de a base territorial apresentar-se como um pré-requisito para os estudos de regionalização
e, naturalmente, de potencialidades regionais, há certo preconceito de considerar os modelos
geopolíticos nessa regionalização, talvez por sua gênese no meio militar.
Do contexto castrense, e como parte da “Expressão Política do Poder Nacional”, a situação
geopolítica de uma região condiciona seus interesses, podendo ser um dos fatores de harmonia ou de
conflito com regiões vizinhas.
A base da territorialidade está estreitamente relacionada a uma expressão do Poder Nacional: a
expressão econômica. Dessa expressão cabe destacar:
- a aplicação eficiente e eficaz dos recursos, o que pressupõe sejam conhecidos em suas
potencialidades e restrições para fundamentar a alocação na melhor opção;
- a criação e aperfeiçoamento de instituições econômicas para orientar o processo de exploração
dos ambientes e recursos com potencialidades (não supostas ou virtuais, mas reais e
exequíveis);
- a melhoria na distribuição de renda e, como efeito, a elevação do bem-estar para atender uma
dimensão da sustentabilidade: a dimensão social;



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- a aplicação ou aproveitamento de oportunidades econômicas (ESG, 1983), não mais sustentadas
em vantagens da dotação de recursos (vantagens comparativas), mas, em vantagens
competitivas.
Diversos atributos de natureza estática e dinâmica dão funcionalidade heurística ao modelo
(processo) geopolítico, tendo como base o território e a fronteira, sendo que cada uma dessas
variáveis, com características próprias, compreende diversos elementos que marcam o conjunto
território e fronteira de uma determinada região.
É importante notar que a caracterização dos diversos elementos compreendidos no território
limitado, é condição sine qua non para definir as atividades permanentes e continuadas, que se
desenvolvem de modo ordenado e racional, sistematizando os processos de tomada de decisões, na
solução de problemas.
Nesse processo que define o planejamento, coexistem as ações políticas e as ações estratégicas,
com base em informações. Parte dessas informações utilizadas na determinação das finalidades dos
esforços (ação política) e na definição dos meios para se atingir os fins (ação estratégica) está no
conhecimento das potencialidades regionais que a P&D deve evidenciar para coloca-las no fluxo
econômico sustentável.
Atributos básicos do processo
A parte que segue relaciona diversos atributos agrupados, os quais, quando ordenados e inter-
relacionados, poderão definir impulsos, tendências, perspectivas, linhas de movimentos,
oportunidades, novas vantagens, restrições e limitações. A ação estratégica eficiente de uma política
está, em parte, em determinar esses atributos e, conforme seja a natureza do fenômeno implícito no
atributo, preparar os cenários, ora para enfrentar os desafios, ora para aproveitar as oportunidades.
Nesta fase é fundamental o alicerce da P&D.
Parte das técnicas e modelos propostos se orienta para avaliar o sinergismo de possíveis
combinações à luz de cenários prospectivos que resultam dos atributos do modelo.
Um percentual elevado de urbanização, juntamente com a facilidade de transporte e programas
como os de segurança alimentar, agricultura familiar e comunidade solidária, entre outros, podem
incentivar a emigração do meio rural com o agravamento de condições de vida nos pólos de atração
(urbanos).
A reversão de tal tendência requer de políticas bem estruturadas de incentivo ao equilíbrio
territorial.
No caso especifico do modelo proposto de definição e avaliação de potencialidades regionais, os



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18
dados e informações a serem coletados deverão ter como referências (origem nos problemas
regionais e destino, com as soluções geradas a partir da caracterização –prospecção- dos problemas,
para essa mesma referência, no caso da P&D) as situações reais dos cenários atuais, bem como as
situações possíveis e esperadas (mais prováveis; prospectivos) nos cenários futuros, suficientes para
que possam tornar adequadas e oportunas as ações programáticas de governos, seja na formulação de
políticas de planejamento, seja na concretização (concretização) de programas e projetos executados
no gerenciamento, conforme conceitualizado neste documento.
Quais são componentes e, dentro de cada componente, os elementos básicos para a caracterização
de potencialidades e para o reordenamento territorial?
Em termos gerais a relação que segue apresenta os componentes e elementos para esses estudos:







1) Componentes físicos













Território
Fronteiras
Conspícuas
Inconspícuas
Presumidas
Desejadas
De Proteção
Forma geométrica
Relevo
Hidrografia
Solo e subsolo
Vegetação
Clima



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





19











2) Componentes das
riquezas naturais
e potenciais










3 Componentes
sistêmicos











Saúde
Previdência
Habitação
Urbanização
Segurança Alimentar
Geração de Emprego e Renda
Qualidade de vida
Qualidade de Governo
Coesão Social
Sociais
Riquezas
Produção com elevado valor agregado
Tecnologia, com testada adequabilidade
Pesquisa com objetividade e continuidade
Agrobusiness
Parque Industrial Básico
Parque Industrial de Ponta
Capital Social: qualificação
Domínio de mercados
Potenciais
Hidrelétrico
Minerais
Hidrológicos
Vegetais
Florístico
Faunístico
Animais
Turístico
Comunicação extraterritorial
Biodiversidade
Navegabilidade



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20
Restrições e condicionantes das técnicas e métodos propostos
Além das restrições endógenas impostas pelas limitações naturais dos ecossistemas e pelo meio
ambiente às atividades econômicas e socioculturais, as técnicas e métodos de identificação e
avaliação de potencialidades regionais estão condicionados às restrições exógenas, absolutas e
relativas, decorrentes de fatores jurídico-institucionais e transnacionais, além de restrições teóricas.
Tais restrições poderão limitar a adoção de programas e projetos em sub-regiões, por não permitirem
a utilização dos recursos, suas potencialidades ou tornarem sua exploração não econômica.
Como restrições absolutas da ocupação de áreas externas da Amazônia Ocidental se relaciona a
criação e existência de Unidades de Conservação, de áreas estratégicas e outras que sejam
determinadas por lei.
A proteção ou a preservação de ecossistemas em estado de clímax ou de áreas que englobam
vários ecossistemas no seu estado natural e primitivo, onde os recursos naturais são possíveis de uso
indireto, sem consumo, é basicamente realizada pelo Poder Público, mediante as unidades de
conservação. Essas unidades ou frações do território nacional,
1
incluindo as águas territoriais, com
características naturais de significativo valor, de domínio público ou propriedade privada, definidas
com objetivos e limites específicos e sob regimes especiais de administração e de garantias de
proteção. Essas áreas, algumas com potencialidades econômicas, visam:
a) Identificar, caracterizar e manter a diversidade biológica e as condições necessárias de sua
existência, mediante inventários e a escolha de critérios técnicos e científicos aplicados em
áreas de potencial interesse.
É mediante a caracterização de áreas pelos critérios técnicos (endógenos) que se promove a
proteção de espécies raras, endêmicas, vulneráveis ou em risco e perigo de extinção; que se
preserva ou restaura a diversidade de ecossistemas e de seus ambientes naturais (habitats), e
que poderá estimular-se a conservação e manejo integrado dos recursos naturais, pelo
conhecimento do excedente economicamente aproveitável;
b) Estimular o desenvolvimento regional sustentável, com base na conservação e no manejo
integrado de recursos e ambientes naturais. O conceito de conservação, neste objetivo, é
amplo porém bem definido.
Nos campos da economia, da ciência política e do direito, o novo paradigma da conservação
significa uso criterioso, parcimonioso, sensato e moderado de ambientes e recursos naturais
simples e complexos, como os florestais, os solos, a biodiversidade e os rios, ou a preservação

1
O Brasil possui 24 Parques Nacionais e 10 Reservas Biológicas, que representam uma área total de aproximadamente 10
milhões de ha ou cerca de 1,2% do território nacional



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





21
contra os usos e consumos ou influências desnecessárias, excessivas, destrutivas e perdulárias.
Ao mesmo tempo, conservação significa usos e consumos, que não sejam proibidos, desde que
necessários e realizados de maneira racional, prudente e apropriada, derivados em benefício
da comunidade e geralmente dentro da visão de longo prazo (Cadavid Garcia, 1997).
O conceito de manejo integrado, também é amplo e bem definido, orientado por critérios
técnicos e operacionais que complementam o conceito de conservação.
c) Proteger paisagens naturais, belezas cênicas notáveis e resguardar características excepcionais
de natureza geológica, geomorfológica, paleontológica, arqueológica e histórica, bem como
áreas de valor estratégico como mananciais, matas ciliares, e reservas genéticas.
d) Incentivar as atividades de pesquisa científica e aplicada para gerar os critérios de
conservação, manejo integrado, proteção, recuperação, monitoramento, controle, valoração de
potenciais, educação ambiental e conscientização.
No tocante às restrições relativas, sobressaem-se aquelas de natureza financeira, onde recursos
públicos, com alto custo de oportunidade, e recursos particulares são insuficientes para implantar e
assegurar o pleno e sustentado funcionamento de programas e projetos em áreas liberadas das
restrições e com potencialidades para o crescimento econômico.
Pela importância das restrições legais e doutrinária no contexto de definição do modelo de
identificação e caracterização de potencialidades, estas foram destacadas em subtítulos próprios, com
algumas considerações gerais relacionados como tema do documento, sintetizadas na parte que
segue.
Restrições legais
Em todos os níveis da administração pública as restrições de natureza legal são muitas, complexas
e por vezes até contraditórias, quando comparadas nas esferas federal e estadual.
Em alguns casos, a parte operacional ou de aplicação do instrumento legal é desprovida dos
meios e da base técnica e científica necessária para a sua implementação. Em outros casos, o nível de
abstração e a falta de instrumentos complementares legais e outros para efetivar a prescrição,
resultam em omissão de ações de controle e de reparação/restauração de recursos e ambientes
danificados pela intervenção antrópica. No Manual de pesquisa: introdução aos fundamentos da
metodologia científica se apresentam textos que relacionam restrições legais e que requerem de
complementações de resultados aplicados da P&D com vistas a implementação nos próprios termos
desses instrumentos.



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22
Restrições doutrinárias
As restrições doutrinárias são freqüentes e estão em evidência quando se trata da Amazônica.
Foram iniciadas na década de 60 com os movimentos em favor da preservação do meio ambiente que
organizados e com força política em alguns países, transformaram-se em Organizações Nõa-
governamentais (OGN) com influência nas agendas de organizações como as Agências
Internacionais de Financiamento BIRD e BID e a OCM.
As pressões dessas organizações tem-se manifestado em fóruns como os da ECO-92 onde o
Brasil assumiu definidos compromissos quanto à preservação do meio ambiente.
O esquema doutrinário, em geral, tem-se manifestado como restritivo em tentativas de exploração
de ambientes e recursos naturais, inclusive contrariando tendências e pressões sociais e econômicas.
Indicadores de síntese e coeficientes de desenvolvimento
Em cada sub-região da Amazônia e para cada conjunto de situações e condicionantes de cenários
onde se apresentam as potencialidades, é possível definir indicadores de monitoramento e avaliação
dos processos componentes do desenvolvimento dependente de ambientes e recursos naturais, nos
seguintes termos (relação preliminar e apenas com propósitos ilustrativos):
a) Indicador de sustentabilidade econômica, tais como:
a.1) valor agregado bruto com indicadores do grau de diversificação dos produtos
componentes e das vantagens, entre outros aspectos, desse valor;
a.2) valor da produção em diferentes níveis ou possibilidades de acabamento no local ou
região (integração vertical e horizontal: insumos, processos semi-acabados, processos
industriais, agroindústrias, processos finais etc.);
a.3) vertente interna de mercado com base na dotação, potencialidade e outras características
desses mercados, identificados ou não com os recursos e produtos da Amazônia;
a.4) vertente de abertura nacional com base nos eixos e pólos de desenvolvimento;
a.5) vertente de abertura internacional.
a.6) indicadores de estrutura e infra-estrutura de produção, distribuição e consumo, com seus
respectivos indicadores de eficiência.
Alguns coeficientes técnicos que definem eficiência poderão ser o coeficientes de



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





23
concentração da terra, o coeficientes de concentração da renda, os coeficientes de
concentração da riqueza e do capital, e o nível de automação nos processos de transformação,
entre outros;
b) Indicadores de sustentabilidade social, tais como:
b.1) população economicamente ativa e seus indicadores de evolução, tendência, composição
e qualificação técnica, entre outros;
b.2) taxa de ocupação ou nível de desemprego e evolução da oferta de emprego, com a
caracterização dessa oferta: sazonal, técnica etc.;
b.3) indicadores da demanda por serviços: evolução por setores, tendências, exigências,
sazonalidade etc.;
b.4) indicadores da dinâmica da população (migração, centros de expulsão, pólos de atração) e
da estrutura organizacional no conceito de Cernea (1996)
b.5) nível de escolaridade e indicadores de desempenho escolar, entre outros.
b.5) indicadores de qualidade de vida, tais como os eletrificação per capita, número de
eletrodomésticos per capita, automóvel per capita e índice de escolaridade (Haller, 1992),
entre outros;
c) Indicadores da sustentabilidade meio ambiente-ecológica, tais como:
c.1) Indicadores de eficiência na distribuição e alocação dos recursos especificados por setores
(madereiro, pesqueiro, industrial, florestal, serviços –transporte, energia, comunicações -:
desperdícios na utilização de recursos, subprodutos, disseminação de efluentes e resíduos,
coeficientes de qualidade, coeficientes de saturação, coeficientes de depleção de ambientes,
taxas de ameaças, riscos e perdas da biodiversidade e de habitats, entre outros indicadores
da sustentabilidade meio ambiente-ecológica;
d) Indicadores definidos com base em informações da estrutura e desempenho institucional na
região, tais como:
d.1) organizações não-governamentais de defesa do meio ambiente: área de atuação, tempo de
atuação, resultados efetivamente atingidos etc.;
d.2) programas de financiamento, crédito, assistência técnica e capacitação/ treinamento, entre
outros;



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24
d.3) capacidade de organização e associação da comunidade vista em termos de clubes,
sindicatos e cooperativa, entre outras organizações, com especificações dos setores onde
atuam, resultados atingidos e outros;
d.4) índices de receptividade ou de aversão ao risco, nível de associação e de trabalho em
parceria, definido pelos indicadores próprios; estes índices são importantes para se definir
aspectos da gestão ambiental compartilhada, envolvendo, em grandes linhas, diversos
protagonistas (atores institucionais das esferas federal, estaduais e municipais; atores das
ONG, sindicatos, cooperativas, comunidades indígenas, associações empresariais,
comunidade acadêmica e científica, universidades, centros de pesquisa etc.; os parceiros
internacionais como o grupo dos países do G-7, agências e organismos multilaterais).
Outros aspecto da importância desses indicadores refere-se a viabilização de movimentos de
descentralização como um dos processos mais importantes das transformações políticas explícitas na
gestão ambiental, onde novos atores têm adquirido ou espera-se adquiram papeis fundamentais no
monitoramento, controle e fiscalização de produtos e processos consistentes com a conservação e
manejo integrado dos recursos na região.
Especificação de Variáveis e Indicadores
Para efeitos ilustrativos e de aplicação de técnicas e modelos foram predefinidos três grandes
conjuntos de indicadores, correspondentes aos três grupos de atributos básicos acima relacionados.
Esses atributos são representados pelo conceito operacional de variável que comportam:
a) a representação imaginária ou projetada de um “estado” em termos de certa regularidade
observável do objeto;
b) a especificação de dimensões aplicável a regularidade observável, possibilitando obter dos
valores uma classificação ou ordenamento, com informações de “estados”;
c) a escolha apropriada de indicadores observáveis que venha a traduzir a pluralidade dos
atributos do objeto de conhecimento em suas várias dimensões e aspectos relevantes;
d) a síntese e análise desses indicadores para os propósitos de inferência.
A tipologia de variáveis têm diversas fontes [por exemplo: gênero (dicotômicas, contínuas e
descontínuas), espécie (independente, dependente e interveniente), categorias (quantitativa, de
contagem ou medição/mensuração e qualitativa] e determina, em parte, a natureza dos modelos de
síntese e tratamento dos dados, conforme seja a classificação dessas variáveis.
Nesta proposta as propriedades dos atributos (variáveis) são definidas por indicadores



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





25
quantitativos e qualificativos cujos efeitos-causais ou de outra ordem são ponderados (escores
2
)
conforme as características dos cenários.
A simplificação amostral proposta a seguir é feita de várias formas, de acordo com a natureza do
atributo, uma delas é mediante estratificações na comparação de níveis de qualidades ao longo de
determinadas escalas, a despeito de aspectos técnicos críticos que possa suscitar essa técnica.
A aplicação de ponderações às dimensões das variáveis para definir aspectos da dominância
(suposta ou comprovada) de fatores na construção de cenários, também pode constituir um aspecto
crítico da modelagem vista como limitada quando procura interrelacionar (causal, correlacional ou
de outra forma) os atributos e evidenciar características de intensidade ou duração, direção,
freqüência, ocorrência espaçotemporal, sinergismos, antagonismos, complementaridades,
interdependências, independências relativas, etc., dos elementos de um componente que são
variáveis em sua natureza.
A redução de uma variável intervalar (caracterizada por unidades constantes e comuns de
mensuração) permite um tratamento conjunto com variáveis nominal e ordinal Assim, a
diferenciação dos elementos entre atributos de mensurações variáveis possibilita fazer análises numa
escala por posto (escala ordinal).
A relação de atributos, e sua expressão em variáveis, apresentada a seguir é preliminar e
consistente com a pré-definição (“amostra-piloto”) dos argumentos dos modelos propostos na
próxima seção:
1) Atributos físicos do território a partir dos quais se definem as variáveis (X
i
) e os
correspondentes indicadores (Z
i
) a serem ponderados (escores.)
1.1) Formas geométricas (X
1
). Esta variável pode ser definida em vários níveis de escala –
micro e macro- e diversos propósitos. Para o caso da caracterização física de uma
microbacia a variável pode ser discretizada para definir coeficientes de compacidade (Z
1Kc
)
e coeficientes de forma de uso (Z
1Kf
).
O coeficiente de compacidade (Z
1Kc
) é dado pela relação entre o perímetro da bacia
hidrográfica e a circunferência de um círculo de área igual à da bacia. Portanto, esse

2
Um dos processos utilizados para fundamentar a tomada de decisões multicriterial-multiobjetivos, na qual intervém
diversos critérios de natureza variável, é a técnica de escore (“scoring”). Por ela se define um peso relativo dos diferentes
critérios (atributos), qualificando-os na alternativas ou cenários. A definição desses pesos deverá ser determinada pelo
concurso de especialistas, com base nas suas experiências, conhecimentos e perspectivas, bem como pelos indicadores
propostos na política de desenvolvimento. Escores e hierarquias poderão indicar o potencial relativo de resposta dos fatores
físicos e não-físicos a uma ação pretendida.



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26
coeficiente se define no domínio (Z
1Kc
> 1,00), sendo que quanto maior for a proximidade
da unidade maior será a probabilidade de ocorrer enchentes.
A estratificação dos valores da variável (intervalar), para dois cenários A e B, poderia
representado por valores como:







10 6  Z
1Kc
>5,00
Não estão sujeita a enchentes
6 6  2,50 s Z1
Kc
< 5,00

4 2  2,50 s Z
1Kc
< 1,50
Sujeita a enchentes
2 2  Z
1Kc
s 1,50


O coeficiente de forma de uso (Z
1Kf
) é um demonstrativo da maior ou menor tendência de uma
microbacia sofrer enchentes, sendo que uma microbacia com um fator de forma baixo é menos
sujeita a enchentes em relação a outra, do mesmo tamanho, e com um valor deste índice superior.
A configuração geométrica da bacia hidrográfica da forma como ela é projetada num plano
horizontal é condicionante, junto com a rede de drenagem, do tipo de hidrograma, com efeitos no uso
e manejo de outros recursos naturais (p. ex., solo).
A estratificação e designação de escore aos valores da variável (Z
1Kf
) poderia ser:

2 = Z
1Kf
s 0,75
Sujeitos a enchentes
4 = 0,75 < Z
1Kf
s 0,4

6 = 0, 40 < Z
1Kf
s 0,20
Não estão sujeito a enchentes
10 = Z
1Kf
s 0,25
Escores/A) Escores/B
Coeficientes e níveis críticos determinados
pelos correspondentes profissionais



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





27

1.2) Relevo ( X
2
). Esta variável refere-se à topografia predominante na superfície de ocorrência
do solo, definida, pela declividade do terreno, em classes de relevo, podendo-se constituir a
seguinte tipologia conforme a natureza do local em que se aplica:





10 (Plano)  menos de 3,0% de declividade
8 (Suave ondulado)  de 3,0 a 8,0% de declividade
6 (Ondulado)  de 8,0 a 20,0% de declividade
4 (Forte ondulado)  de 20 a 45,0% de declividade
2 (Montanhosos)  de 45,0 a 75,0% de declividade
0 (Escarpado)  maior de 75,0% de declividade

Em geral, é possível definir variáveis mensuráveis (escalar intervalar, p. ex.) e índices, em
termos estratificados (para simplificar e permitir contrastes, relações, hierarquizações etc.),
atribuindo pesos relativos a essas variáveis (escores), de tal forma que permitam ordenar,
classificar, agrupar e analisar o atributo do relevo ou de seus componentes (pedregosidade e
rochosidades, p. ex.), utilizando uma referência adequada à Região para esta característica-
atributo, conforme se ilustra na seguinte expressão:
Z
2
= X
2
/RBR, onde RBR = é a referência básica do relevo na sub-unidade territorial, nas
mesmas unidades da variável X
2
, para definir possibilidades de uso (conservação) e de manejo
do recurso X
4
, consistente com a sua natureza determinante/condicionante em determinado
processo ou fenômeno de interesse no estudo.
Conforme seja o contexto em que este recurso natural participa (dado pela aptidão e
potencialidade), seu efeito poderá variar. Esta informação ex-ante pode ser utilizada para
definir o peso relativo em determinado nível da hierarquização.
No caso exemplificado, o fator relevo está diretamente relacionado com outros, tais como o
sistema ou rede de drenagem da bacia hidrográfica, o sistema hidroviário e o potencial
Escore Variável Especificação técnica (IBGE (1996)



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28
agrícola do solo.
1.3) Hidrográfico (X
3
). Este componente faz parte da ciência (hidrologia) que estuda as águas
superficiais, origem, movimento, distribuição espacial e temporal, propriedades físicas e
químicas, interações com o meio ambiente físico e biológico e influência nas atividades
humanas (Llamas, 1993).
Em cada uma destas partes e de acordo com o problema e objetivos propostos, há importantes
fatores e atributos que devem ser considerados quando se estuda o potencial regional na
perspectiva do desenvolvimento sustentável.
Para os fins ilustrativos do documento e apenas exemplificando um caso diretamente
relacionado com o componente do potencial agrícola dos solos, se relacionam dois indicadores
hidrográficos:
- a densidade de drenagem (Z
3dd
);
- o escoamento superficial (Z
3es
), como um indicadores de eficiência da drenagem.
A ilustração de uma matriz de valores, para este atributo físico, com seus correspondentes
escores é dada por:




6 = Z
3dd
> 10,0 km/km
2
Bom drenagem
4 = 10,0 s Z
3dd
< 4 Deficiente drenagem
2 = Z
3dd
s 4,0




1.4) Solo (X
4
). A aptidão agrícola está relacionada a vários fatores intrínsecos e extrínsecos desse
recurso natural, que viabilizam ou restringem a utilização da terra. Esses fatores podem ser
agrupados em: fertilidade natural (Z
4fertilidade
), deficiência (excesso) de água (Z
4água
),
susceptibilidade à erosão (Z
4erosão
) e facilidades (impedimentos) à mecanização (Z
4mecaniz
).
Para o caso da potencialidade agrícola do solo vista pelo atributo de fertilidade natural
(Z
4fertilidade
), é possível estabelecer pelo menos oito classes:


Escore



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





29



Z
4fertilidade
= 20 ¬ Boa

Z
4fertilidade
= 16 ¬ Boa a regular

Z
4fertilidade
= 12 ¬ Regular a boa

Z
4fertilidade
= 10 ¬ Regular

Z
4fertilidade
= 8 ¬ Regular a restrita

Z
4fertilidade
= 6 ¬ Restrita


Z
4fertilidade
= 4 ¬ Restrita a desfavorável

Z
4fertilidade
= 0 ¬ Com muitas limitações










Ainda dentro de cada classe se definem subclasses em função de restrições e deficiências
impostas por atributos como topografia, drenagem e altitude em relação a fonte hídrica.
Outras características do solo (profundidade, física, química, riscos de inundação etc.) poderão
concorrer para a tipificação do seu potencial agrícola, definidas em escalas de detalhamento para as
quais se estabelecem escores variáveis em função da finalidade do estudo e da disponibilidade de
dados.
Num mapeamento de solo cada unidade amostral pode ser representada por símbolos, conforme
se ilustra a seguir:
Praticamente sem limitações
Deficiências de nutrientes
Riscos de inundação. Deficiências de drenagem
Deficiências de nutrientes
Deficiências de nutrientes
Teores elevados de alumínio
Deficiências de nutrientes. Teores elevados de
alumínio. Pequena profundidade. Fortes declives
Fortes declives. Susceptibilidade à erosão
Deficiências de drenagem e nutrientes
Teores elevados de alumínio
Teores elevados de sódio. Deficiências de
drenagem. Riscos de inundação
Escore no cenário de
potencialidade agrícola
Estratificação dos
valores da variável
Referências técnicas
de avaliação



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30


















1.5) Clima ( X
5
). O componente climático contém diversos atributos determinantes/
condicionantes da distribuição dos biomas e do desenvolvimento de atividades humanas.
Há, por exemplos, evidências de que a fronteira Floresta Tropical-Cerrado, no sul da Amazônia,
seja, principalmente, uma resposta desses biomas à existência de estação seca pronunciada no
Cerrado, o que limita a ocorrência do bioma floresta que não resiste às deficiências hídricas (Nobre e
Meira Filho, 1995).
Essa interação pode ser vista em outro sentido. Estudos de simulação das alterações de vegetação
da Amazônia, com modelos físico-matemáticos do clima, indicam que haveria uma redução das
chuvas e um aumento da temperatura na superfície se grande parte da floresta fosse substituída por
pastagens.
Esse “novo clima” poderia ter um impacto adverso para a manutenção da biodiversidade (Nobre e
Meira Filho, op. cit.) e, consequentemente, sobre as potencialidades que esse recursos natural
representa no desenvolvimento da Região.
Deficiência do solo
Deficiência topográfica Deficiência de drenagem
Condutividade hidráulica
p
2
u
2
f
2

Classe de terra Necessidade de nivelamento
Risco de inundação
Grau de deficiência
(Importância relativa ¬ escore)
Uso da terra
Produtividade
Desenvolvimento da terra
Necessidade de água
Permeabilidade do substrato



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





31
A caracterização deste componente é fundamental para delinear uma proposta de gestão
ambiental. Essa caracterização pode ser feita pela análise numérica (zoneamento econômico-
ecológico), com coeficientes e indicadores técnicos, utilizando variáveis intervalar e razão.
A análise pode ser definida em vários níveis de abstração/agregação e escalas geográfica e
temporal.
Em escala macroclimática e global, por exemplo, é importante conceitualizar e definir os
atributos de sensibilidade (as variáveis das atividades humanas que podem alterar a circulação
atmosférica e os balanços de energia e água da atmosfera) e vulnerabilidade do fator natural clima da
Amazônia.
Por exemplo:







10 ÷ Z
5global
> a
1


5 ÷ a
1
s Z
5global
s a
2


0 ÷ Z
5global
< a
2





Em escala microclimática os valores de normais climáticas (temperatura, chuva, radiação solar,
umidade relativa etc.) estão relacionados ou determinam processos, funções e estruturas, sendo
necessário conhece-los para pautar as ações e estratégias do desenvolvimento que integra esses
fatores.
Conforme seja a importância relativa dessas normais em termos de valores ou intensidade,
distribuição espacial - temporal e freqüência de ocorrência, em cada uma das atividades, é possível
definir pesos dos atributos para estabelecer hierarquias, definir prioridades e orientar a intervenção.
As normais climáticas podem ser definidas por espaços (sub-regiões) e períodos de tempo
variáveis, como se ilustra no seguinte exemplo:
Escores Valor da variável
Nível crítico de desflorestamento, lançamento de
CO2, CH4, N2, CFCs etc., na atmosfera causador
do “efeito estufa” com mudança climática global
Estado crítico
Risco de perturbações climáticas em nível
regional
“Estado” dentro dos limites de
estabilidade do fator natural



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32




JANEIRO FEVEREIRO .... DEZEMBRO TOTAL

Z
5 CHUVA

86 ± 32mm
80% (10anos)
112 ± 26mm
80% (10anos)

...
76 ± 12mm
80% (10anos)
1886 ± 132mm
189% (10anos)
Z
5 CHUVA

45 ± 40mm
80% (10anos)
80 ± 42mm
80% (10anos)

....
36 ± 32mm
80% (10anos)
396 ± 32mm
276% (10anos)
Z
5 CHUVA

28 ± 39mm
80% (10anos)
16 ± 22mm
80% (10anos)

....
16 ± 24mm
80% (10anos)
133 ± 32mm
280% (10anos)



Z
5 TEMP

26,5 ±1,7
º
C 23,5 ±1,8
º
C 28,9 ±1,3
º
C 26,9 ±1,6
º
C
Z
5 TEMP

24,5 ±1,9
º
C 22,5 ±1,3
º
C 27,5 ±1,7
º
C 24,5 ±1,8
º
C


Valor médio (µ) no período de uma série temporal mais ou menos o desvio-padrão (o)
para níveis de probabilidade (p=m/n) em períodos de retorno(T=1/p), em anos calculados
para determinada sub-região definida como relativamente homogênea no zoneamento
climatológico


1.6) Vegetação = X
6
. Muitos atributos do sistema ecológico da área equatorial ombrófila
amazônica deverão ser estudados para se definir fontes fornec3edoras de matérias-primas,
ocorrência das espécies e potencialidades, sem comprometer a importância fundamental de
cada planta na biocenose, participando com maior ou menor intensidade de diferentes cadeias
tróficas.
Grande parte das características da flora está associada a fatores físicos abióticos, a serem
estudados de forma concomitante com a flora.
As florestas, apesar de heterogêneas sob múltiplos aspectos, apresenta características
relativamente homogêneas em relação a determinadas variáveis. Entretanto, uma mesma região
fitoecológica pode apresentar acentuadas variações (setentrional e meridional, ocidental e oriental)
quanto aos aspectos qualitativo e comercial.


20


12

6



10


8



8


12

10



10


12
Escore/Agricultura
Escore/ecoturismo



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





33
Essas variações ocorrem dentro de cada estrato, quando se procura qualificar o potencial
volumétrico para fins comerciais: exploração da madeira, produção de alimentos, fibra, celulose,
fármacos, taninos/corantes, óleos/gorduras etc.
2) Atributos de potenciais e riquezas:
2.1) Hidrelétricos = X
7
;
2.2) Minerais = X
8
;
2.3) Solos = X
9
;
2.4) Florístico = X
10
;
2.5) Faunístico = X
11
;
2.6) Turístico = X
12
;
2.7) Navegabilidade = X
13
;
2.8) Sistema de produção agrícola = X
14
;
2.9) Sistema de produção pecuária = X
15
;
2.10) Sistema de produção industrial = X
16
;
2.11) Outros sistemas de produção = X
17
;
2.12) Estado da arte nos sistemas de produção e distribuição = X
18
;
2.13) Infra-estrutura para pesquisa-difusão = X
19
;
2.14) Infra-estrutura nos sistemas de produção = X
20
;
3) Atributos sistêmicos econômicos e sociais:
3.1) Transporte = X
21
;

Z
21
= (X
21
/ MD) x 100. (MD = maior distância). Este indicador, para
determinado município, área ou pólo (por exemplo Sub-região que envolve a
Zona Franca de Manaus), define a proximidade relativa dos eixos ou



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34
corredores Nordeste, Noroeste e outros, atribuindo prioridade conforme
indicações no PDA 1994-1997 da SUDAM.


Prioridade 01:
Prioridade 02: Sub-regiões classificadas como de Prioridade 1 no PDA
1994-1997 da SUDAM ou com municípios pertencentes à área de
influência do Corredor Noroeste;
Prioridade 03: demais Sub-regiões.


3.2) Energia = X
22
;

Prioridade 01;
Prioridade 02: Sub-regiões classificadas como de Prioridade 1 no PDA
1994-1997 da SUDAM ou com municípios pertencentes à área de
influência do Corredor Noroeste;
Prioridade 03: demais Sub-regiões.


3.3) Comunicações = X
23
;

Prioridade 01;
Prioridade 02: Sub-regiões classificadas como de Prioridade 1 no PDA
1994-1997 da SUDAM ou com municípios pertencentes à área de
influência do Corredor Noroeste;
Prioridade 03: demais Sub-regiões.


3.4) Infraestrutura de transporte = X
24
;

Prioridade 01;
Prioridade 02: Sub-regiões classificadas como de Prioridade 1 no PDA
1994-1997 da SUDAM ou com municípios pertencentes à área de
influência do Corredor Noroeste;
Prioridade 03: demais Sub-regiões.

3.5) Infraestrutura de energia = X
25
;





Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





35
(3.6) infraestrutura de comunicações = X
26
;


3.7) Reservas naturais = X
27
;

Frutas nativas com potencial para os mercados
Frutas nativas para consumo in natura
Fruticultura
Frutas nativas com potencial para a industrialização
Frutas exóticas com potencial na Região
Outras frutas


Consumo local
Granicultura
Potencial de mercado externo
Agroindustrializável

3.8) Atividades produtivas primárias = X
28

(Divisão de setores para análise de seus perfis)

Extração e tratamento mineral

Produção agrícola: Dendê, Pau-rosa

Produção pecuária

Movelaria

Artesanais: couro

Indústrias/recursos naturais

3.9) Indústria – Comercio (Varejista e Atacadista) = X
29
;
(Atividades produtivas secundárias)

Número de estabelecimentos comerciais, industriais etc.

Mercado local

Mercado regional



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36

Mercado nacional

Mercado internacional

3.10) Ecoturismo = X
30
;

Serviços:
3.11) Saúde = X
31
;

Indicadores de saúde pública: infraestrutura física, dotação de pessoal, número de
atendimentos etc.

3.12) Saneamento básico = X
32
;

População urbana com abastecimento de água potável (número de domicílios
com ligação de água), coleta de lixo etc.

3.13) Habitação = X
33
;

Indicadores próprios desta variável

3.14) Educação = X
34
;

Infra-estrutura física (número de salas de aula/1000 habitantes etc.)

Dotação de pessoal para atender a comunidade

Indicadores de desempenho do setor.


População:

3.15) Composição da população = X
35
;

3.16) Dinâmica da população = X
36
;

3.17) Estrutura e organização social = X
37
;

3.18) Qualidade de vida = X
38
;



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





37

Outros:

3.19) Emprego = X
39
;

3.20) Fontes de geração de renda e evolução

3.20) Tendências = X
40
.

Na divisão preliminar de setores para análise de seus perfis se observa que segmentos de
importância, como a indústria de material elétrico e de comunicações, e a indústria de material de
transporte, entre outras, estão colocados em conjunto. Isto se deve a tais segmentos estarem
amplamente vinculados à dinâmica do Parque Industrial de Manaus, sendo, portanto, específicos
dessa sub-região.
Para efeito da análise das potencialidades regionais, é possível considerar os setores produtivos
com maior factibilidade de ativação em determinadas sub-regiões. Nessa análise é importantes
considerar os aspectos de ligação entre as atividades econômicas típicas do Parque Industrial de
Manaus e aquelas realizadas e/ou com potencial de serem ativadas no restante da Amazônia
Ocidental e na Área de Livre Comércio de Macapá-Santana.
Por esta relação preliminar é possível observar que é grande o número de variáveis contendo
informação primárias e secundárias obtidas de diversas fontes complementares, para cada um dos
municípios e/ou conjunto de municípios componentes do pólos.
Após o tratamento de consistência (para detectar possíveis incoerências e investigar o padrão de
comportamento e relacionamento entre os atributos) segue o pre-tratamento para definir amostras
robusta.
Os métodos estatísticos da análise multivariada poderão reduzir essa base amostral, isto é, a
dimensão do espaço das variáveis, facilitando, assim a subseqüente definição de índices sintéticos,
sem perder a informação básica. Isto, admitido-se que um considerável número de variáveis
guardam, entre si, correlações causais, podendo-se optar pela técnica da análise fatorial.
Um fator importante de aglutinamento de variáveis é constituído pelos eixos, naturais com o
sistema hidroviário, e artificiais, com facilidades ou potencialidades intermodais.
Em termos agregados a Figura 7 apresenta as principais sub-regiões propostas para o Projeto de
Potencialidades Regionais da Amazônia Ocidental, destacando-se os eixos de desenvolvimento que
poderão influenciar diretamente o processo de desenvolvimento. Esta divisão, não obedece à divisão
geopolítica e de outra natureza realizada por instituições como o IBGE e CNAE.



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38
Os eixos de integração para a Amazônia, contemplados no Programa Brasil em Ação, são
definidos como:





















































VENEZUELA
GUYANA
COLÔMBIA
PERÚ
Figura 7 Sub-regiões da Amazônia Ocidental e eixos de desenvolvimento
Sub-região 17
Sub-região 18
Sub-região 13
Sub-região 9
Sub-região 8
Sub-região 11
Sub-região 10
Sub-região 14
Sub-região 7
Sub-região 6
Sub-região 5
Sub-região 2
Sub-região 3
Sub-região 1
Sub-região 4
Sub-região 12
Sub-região 15
Sub-região 16
EIXOS OBJETO DO PROJETO
1 Corredor Manaus – Marco BV-8
2 Corretos Noroeste
3 Corredor Cuiabá Santarém
4 Corredor Centro-Norte
5 Corredor Litorâneo-Norte
6 Corredor da Calha do rio Amazonas


 





Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





39


“ o conjunto de investimentos básicos em infra-estrutura econômica e desenvolvimento social
selecionados em função de seus aspectos peculiares de redução de custos de produção e
comercialização, de complementação dos elos de infra-estrutura e de melhoria das condições
sistemáticas da economia, capazes de estimular uma multiplicidade de outros investimentos e
sustentar a dinâmica do desenvolvimento econômico-social nas próximas décadas ...”



Estes eixos são importantes referências para a caracterização de ações e estratégias de projetos
como ponto de apoio a infra-estrutura de transporte e suas conexões com outros sub-regiões, regiões
e países estrangeiros.
Um primeira análise de ordenamento de atividades, confrontando “estados” e potencialidades
agrupadas em quatro dimensões, com possibilidades, pode ser obtida com atribuições de pesos aos
fatores, dentro de cada conjunto, gerando um índice de importância relativa, definido sob dois
conjuntos de hipóteses: um cenário prospectivo otimista e um cenário pessimista.
Estas informações, apenas ilustrativas, são apresentadas no Quadro 4 como um esquema
preliminar de pré-avaliação de projetos que incorporam potencialidades regionais ao
desenvolvimento, constituindo-se um passo inicial para a especificação de modelos de análise
hierárquica de ordenamento de fatores, atividades e projetos, apresentados no próximo capítulo.










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40

Quadro 4 Relação de elementos de pré-avaliação de projetos utilizando escores para dois cenários, otimista e
pessimista

ATIVIDADE
C O N J U N T O D E F A T O R E S
Escores definidos para um cenário otimista
Escores definidos para um cenário pessimista
ESCORES
0 até 30
ESCORES
0 até 20
ESCORES
0 até 20
ESCORES
0 até 10
ESCORES
0 até 20


RECURSOS
NATURAIS
- Clima: normais de
ocorrência e
distribuição espacial e
temporal
- Água: qualidade e
quantidade
- Terra: índice agronômico
- Floresta: espécies
dominantes
OUTROS: Potencial
- Hidrelétrico
- Pesqueiro
- Mineral
- Florestal
- Ecoturístico

MERCADO
ECONÔMICO
- Preços
- Financiamento
- Geração renda
- Geração emprego
- Aumento PIB
- Integração atividades
- Acréscimo produção
- Utiliza PEA
- Utiliza recursos local
- Gera outros benefício
- Não é agressivo a
natureza e sociedade
- Consistente tendência
- Consistente ISO
- Oferece vantagens
competitiva e outras

INFRA-
ESTRUTURA
- Integração eixo
- Transporte
- Armazenamento
- Energia
- Comunicação
- Serviços como: banco,
hotel, segurança,
extensão, pesquisa etc.






PROCESSO
PRODUTIVO
Disponibilidade de:
- Tecnologia adequada
- Insumos
- Serviços/produção
Mercados de insumo
Mercado de produtos
Integração de processos








INDICADORES
SOCIAIS
- Vitais
- Demográficos:
composição,
dinâmica etc.
- Culturais: infra-estrutura
educação,
desempenho,
- Econômicos: PEA por
setores, distribuição
renda/famílias etc.
- Bem-estar: saúde,
saneamento,
educação, segurança,
lazer etc.


E
Madeireira

25
12

18
8
15
10
8
6
15
10
81
46
Extrativismo/
industrias
30
15

20
10
10
5
5
5
15
10
80
45

Extrativismo

25
25

15
15
15
10
10
5
10
10
75
65
Prod. Grãos 30
20

10
5
15
10
10
8
15
10
80
53
Prod. /consumo

20
15

20
15
15
10
8
5
15
15
78
60
Pecuária

25
10

15
12
18
10
7
5
12
10
77
47
Ecoturismo

25
10
20
10
15
7
10
7
20
10
90
44
A caracterização das relações entre atividades e os fatores é essencial para a análise e síntese do sistema, mostrando, em uma primeira
visão, as interseções, interdependências e outras formas de relacionamento (análise estrutural), em cenários definidos para projetos e
programas (influencia direta de variáveis sobre as atividades) em torno de eixos e/ou zonas de polarização atual ou potencial. Pela
interdependência entre as variáveis, esta influência não é necessariamente direta. Vários aspectos que se depreendem desta representação
gráfica são abordados nas próximas seções, enfatizando, dentro do marco conceitual, as análises hierárquicas numéricas e as estimativas de
efeitos correlacionais e indiretos dentro de cada atividade.




Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





41
7.3 Técnicas, Métodos e Modelos para Caracterizar as
Potencialidades Regionais da Amazônia Ocidental
Em condições ideais, portanto teórica de um modelo, a técnica deverá avaliar/considerar
equivalência de valores de atributos de componentes do cenário atual, definidos em varias escalas,
tipos de variáveis e unidades de medida como nominais (contagem do número de casos no interior de
cada categoria ou classe, sem hierarquia, apenas classificação), ordinais (ordem hierárquica por
posto, em função do maior ou menor grau com que possuem determinado atributo: classifica e define
ordem) e intervalares (distâncias iguais entre os intervalos sobre o atributo), entre outras.
Assim, a técnica deverá tratar:
a) Com valores de mercado de um bem econômico, definido em termos R$ ou US$ constantes,
portanto com variáveis especificadas em unidades intervalares, tais como produção (kg/ha),
preço (R$58,50/kg), contaminação ambiental (32,5ppm/litro), distância (3,8km) etc.
b) Valores estéticos de um potencial ecoturístico, em termos de satisfação de um cliente, o turista,
portanto, como variável nominal;
c) Valor ecológico com referências na resiliência e outros indicadores ecológico-ambientais do
local ou região, portanto variáveis ordinal e/ou intervalar, conforme seja o indicador proposto;
d) Atributos sociais ou de bem-estar da população, com variáveis definidas em diversos domínios,
conforme seja o atributo considerado. Exemplo:







e) Emprego como variável intervalar;
Y
1

Y
2

Y
3

Y
4

Y
5

Y
6

...
...

Alimentação: intervalar e/ou nominal
Habitação: ordinal
Saúde: nominal e/ou intervalar
Saneamento: intervalar
Educação: nominal e/ou intervalar
Lazer/recreação: nominal
...
....
Y =



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42
As técnicas se aplicam ao sistema, caracterizado por:
a) Estruturas definidas por seus componentes: físico, biológico, social, cultural, econômico-
financeiro, institucional etc., e as interdependências características dos componentes da
estrutura-organização. Essa caracterização define a dinâmica do sistema;
b) Função, sejam animadas ou inanimadas, em termos de importância relativa, interdependências,
caracterização, imprescindibilidade, usos alternativos e concorrentes, conflitos nesses usos,
custo de oportunidade conservar vs. preservar etc.
Tanto estrutura como função de um sistema objeto de análise, são, em geral, entidades
inseparáveis (esta indissociabilidade é muito forte em casos como os dos recursos hídricos e
biodiversidade), devendo ser analisadas simultaneamente, onde a análise da estrutura é um meio para
estudar a função. Esta função, por sua vez, modifica a dinâmica da estrutura.
A condição necessária para se iniciar o processo de definição metodológica é o conhecimento
satisfatório da estrutura e da função do sistema.
Quais são esses sistemas?
Quais são as funções relevantes?
A pesquisa exploratória em repositórios bibliográficos e documentário, auxiliada por técnicas de
síntese e análise preliminar de dados, poderá indicar quais são esses sistemas e suas funções.
Os diagnósticos preliminares, diagnósticos temáticos e o diagnóstico integrado, bem como os
estudos de ordenamento e zoneamento territorial, com informações complementadas e consistidas,
evidenciam os sistemas e suas funções.
Em qualquer que seja o procedimento adotado para responder a essas questões, deve-se contar
com as experiências e conhecimentos (“estado” da arte) locais e regionais. Para esse propósito se
indicam várias técnica, uma delas é a Delphi.
Sendo impossível estudar toda a estrutura e função reais, é necessário uma abstração do sistema
(modelo) para estudar as principais interações funcionais dos componentes mais importantes e seus
impactos notáveis no sistema.




Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





43
Essa abstração
3
pode tomar várias formas inter-relacionadas, descendentes de um objetivo geral
até os objetivos específicos, com várias questões básicas, algumas relacionadas a seguir na forma de
questionamentos:
a) Como estruturar as funções do sistema de forma hierárquica?
b) Como medir os efeitos ou a importância relativa de cada elemento na hierarquização?
c) Como otimizar o processo tendo em vista uma função objetiva de desenvolvimento sustentável
com diversas restrições multidimensionais?
Para medir os efeitos é preciso definir uma escala com consistência cardinal na força de
preferências revelada no ordenamento. A parte que segue trata desse enfoque metodológico
Processo de análise hierárquico
Trata-se de uma ferramenta baseada e critérios múltiplos apropriada para problemas complexos,
que auxilia a tomada de decisões.
Esse ordenamento se manifesta na hierarquização do(s) sistema(s) por níveis, conforme se ilustra
na Figura 6, na qual o interesse é o desenvolvimento sustentável regional, procurando determinar o
cenário (nível 6) que assegurará esse tipo de desenvolvimento, evidenciando, para o caso ilustrado,
quatro componentes (nível 3) de dois sistemas (nível 2).
Esses componentes são determinantes do estabelecimento de atividades e atuação de atores (nível
4), omitindo-se neste exercício, a realimentação e interação entre atores-atividades, bem como os
objetivos nos componentes, nas atividades e nos atores (alguns desses objetivos são conflitantes).
No texto foram relacionados diversos objetivos de atividades e atores, e indicada técnicas de
análise, uma delas é a multicriterial, para contornar ou mitigar os atritos e conflitos que surgem com
a demanda de recursos naturais não controlados pelas forças de mercado (em muitos casos não são
bens econômicos, em outros, a pesar de reconhecido seu valor econômico –o caso dos recursos
hídricos- ainda não são disciplinados pelas forças de mercado, não estão no rol dos mercados e são

3
O modelo é uma representação simplificada da realidade, mediante a qual se procura identificar e destacar os elementos dessa realidade
que sejam os mais importantes para a decisão. No processo de modelagem, troca-se a riqueza e abrangência espacial e temporal da
realidade por poder de análise. Os elementos de um modelo são: variáveis de controle ou de decisão sobre as quais se pode atuar, variáveis
de “estado” sobre as quais não se pode atuar mas que afetam os resultados de uma decisão, estrutura do modelo que define, com base no
conhecimento da realidade modelada, as relações entre as variáveis, parâmetros, critérios de decisão e objetivos definidos em contextos de
cenários.




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44
indevidamente considerados bens livres).



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





45

















































Figura 6 Hierarquização de componentes, setores, objetivos e cenários da análise dos recursos naturais

ABIÓTICOS BIÓTICOS
NÍVEL 1
Amazônia
NÍVEL 2
Sistemas naturais
CLIMÁTICOS SOLOS FLORESTAS ANTROPIZADOS
NÍVEL 3
Componentes
- Tipificar/planejar
- Planejar/gestão
- Conhecer/potencializar
- Potencial/conservar-manejo
- Otimização resiliente
AGRICULTURA
ECOTURISMO EXTRATIVISMO MADEREIRA
NÍVEL 4
Atividades dos
Atores
- Garantir bases da sustentabilidade
- Integração: agrobusiness, cadeia
- Eficiência técnica, econômica e
ambiente
- Desenvolvimento rural
NÍVEL 5
Objetivos
NÍVEL 6
Cenários
- Conhecer/gestão
- Conservação
- Manejo racional
- Industrialização
- Integração
- Conhecer/potencializar
- Mudança tecnológica/conservar-
manejo racional e integrado
- Otimizar e socializar
- Integrar à economia
- Exploração racional
- Integração outras atividades
- Preservação ambiental
- Geração emprego, renda divisa
- Valorização para proteção
- Garantir bases da
sustentabilidade
- Integração a economia
formal
- Integração outras ativid.
- Garantir bases
sustentabilidade
- Opção rentável e sustentável
- Descentralização –novos pólos
- Integração com outras
atividades e geração emprego

- Garantir bases
sustentabilidade
- Integração outras atividades
- Exploração sistemática
- Alternativa de crescimento
- Ocupação da Região racional
RECURSOS NATURAIS



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46
Entre atividades-atores é possível identificar objetivos específicos, conforme se ilustra com os
exemplos que seguem (neles não se procura destacar apenas os aspectos negativos e conflituosos das
atividades e atores):
a) Setor agrícola: desflorestamento, queimadas, simplificação da biota, agricultura intensiva
durante 4 a 7 anos determinada pela vida útil do componente solo, e estabelecimento da áreas
de pastagens, com rendimentos decrescentes até a exaustão econômica dos recursos naturais.
b) Setor turismo: implantação de uma infra-estrutura mínima, sem base técnica, sem critérios,
nem regulamentações e incentivos que orientem ao empresário para a exploração do potencial
das belezas naturais e valores culturais. Assim, sua atividade é predatória ou perturbadora da
fonte que motiva o turismo sem orientação nem estratificação.
Na Figura 6 foram considerados somente elementos ou características de um cenário prospectivo
–fase final.
O cenário de referência e a continuação da situação atual, como uma hipótese, constituem,
conforme, conceitualizado no texto, pontos básicos, da fase inicial, para definir e
operacionalizar/implementar as ações e estratégias da sustentabilidade em suas diversas dimensões.
O conjunto de ações e estratégicas em cada momento do processo pressupõe a existência de um
órgão ou instituição coordenadora e integradora de ações e estratégias em nível regional que possuía
as bases, critérios e fundamentos necessários e suficientes para elaborar cenários, portanto, um órgão
fortalecido e com profissionais capacitados para coordenar e elaborar cenários.
Qual é a metodologia para a elaboração de cenários?
Não existe um método geral que se aplique indiscriminadamente na construção de cenários. O
que existe são orientações para captar as peculiaridades de cada caso e, mediante estudos
devidamente planejados e executados na visão merológico-holística, apreender as principais
características do universo multidimensional de investigação e trabalho.
Nesses estudos deverão estar compreendidas atividades:
a) Identificação e definição do escopo do trabalho multidisciplinar, com especificação de
parâmetros para balizar os estudos interdisciplinares, tais como:
a.1) O objeto: de que tratam os cenários;
a.2) Os objetivos: qual é a finalidade, para que? e para quem? se destinam os resultados dos
cenários;



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





47
b) Estudos retrospectivos dos sistemas e dos seus respectivos contextos, para fornecer uma
compreensão ampla e identificar os principais mecanismos de regulação e transformação.
Em muitos casos, a compreensão dos fenômenos da dinâmica dos sistemas exige diagnósticos
profundos para entender como tensões, conflitos e desafios foram resolvidos no passado e seus
resultados no presente, pois isso facilita a identificação dos reguladores e dos processos do
sistema.
Por outro lado, os estudos retrospectivos evita que se privilegie a situação atual, cujo
conhecimento poderá estar com viés por fenômenos conjunturais.
No caso de um estudo retrospectivo da Amazônia, o objetivo poderá ser o de identificar e
caracterizar os principais determinantes das transformações recentes e daí partir para projeções
dos possíveis e até prováveis condicionantes do futuro da região, em fatores (setores)
fundamentais como os da demanda de energia e da oferta potencial de bens, serviços e valores
turísticos da biodiversidade e do ecoturismo.
Nos estudos retrospectivos se analisa o marco geral dos determinantes exógenos que se
geraram e amadureceram a nível mundial, pan-amazônico e nacional, para em seguida,
configurar as possíveis grandes transformações e seus elementos centrais.
c) Análise estrutural dos sistemas e seus correspondentes contextos, desenvolvido em quatro
etapas, caracterizadas como segue:
c.1) Delimitação e caracterização dos sistemas mediante listagem exaustiva das variáveis, com
uma distinção preliminar (variáveis internas ou endógenas e variáveis externas ou
exógenas) tendo em vista o objetivo da análise;
c.2) Estabelecimento de relações entre as variáveis (cruzamento variáveis x variáveis), entre as
variáveis e os atores (cruzamento variáveis x atores) e entre atores e atores (cruzamento
atores x atores), conforme se ilustra, para os dois primeiros casos, nas Figuras 7 e 8.



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48











VARIÁVEIS
ENDÓGENAS


VARIÁVEIS
EXÓGENAS



X
1





X
2




X
3




X
4




Y
1




Y
2




Y
3




Y
4




E

| | | |
4
|

|

|

3


| | | | |
5

| | | | |
5
| | | | |
5
| | | | | |
6
| | | | | |
6
6

6 2 6 4 1 6 4 35


Figura 7 Exemplo de uma matriz de análise estrutural na fase de variáveis x variáveis para a definição de
cenários do ecoturismo na Amazônia Ocidental

Variáveis internas ou
variáveis do sistema
Variáveis externas ou
variáveis do ambiente

Ação das variáveis internas Ação das variáveis internas
sobre elas mesmas sobre as variáveis externas


Ação das variáveis externas Ação das variáveis externas
sobre as variáveis do sistema sobre as variáveis do ambiente
Variáveis internas ou
variáveis do sistemas
Variáveis externas ou
variáveis do ambiente
SOBRE
AÇÃO DE
Belezas escênicas, infra-estrutura ...... (X1)

Capac. gerência, pessoal treinado ....... (X2)

Serviços: transporte, comunicação, hotel.. (X3)

Informação, marketing ......(X4)
Regime hidrológico, “estado” da biota ......Y1)

Critérios, normas legais, “estados”
a
..... . (Y2)

Setores e atividades produtivas correlatas
b
(Y3)

Informações, marketing .............................(Y4)

a
“Estados” como econômico, social, segurança .....
b
Atividades como artesanato, pesqueira, folclórica....





Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





49




ENDÓGENOS

EXÓGENOS

Setor
Privado
AGENTES
Transporte
Comunicação
Hotéis
Restaurante
Artesanato
Folclore
Comercio
Industria
Serviço
Emprego
Renda
Consumidor
Investidor
Sindicato
ONG
Setor
Público
AGENTES
Contas Públicas:
tributos, renda ....
Secret. Turismo
Secret. Desenvol.
Secret. Meio Amb.
Secret. Educação
Secret. Saúde
Secret. Saneamento
Secret. Segurança
Universidade
Atores/Serviços
Atores/Infra-estrut.
Monitoramento
Avaliação



O
u
t
r
o
s


A
t
o
r
e
s
Setor
Privado
AGENTES
Transporte
Comunicação
Investidor:
nacional
internacional
ONG:
nacional
internacional







Setor
Público
AGENTES
Contas
Públicas
Poder
Legislador
Poder
Judiciário
Poder
Executivo










O
u
t
r
o
s

A
t
o
r
e
s
| | |
| | | |
|
| |
| | | |

| | | | | |

| |


| |

| | | | | |




Figura 8 Exemplo de uma matriz de análise estrutural na fase de variáveis x atores para a definição de
cenários do ecoturismo na Amazônia Ocidental



ATORES QUE EXERCEN
OU RECEBEM
INFLUENCIAS SOBRE
AS VARIÁVEIS
Investimento federal no setor ecoturístico

Políticas de incentivo ao turismo

Estratégias de marketing, imagens do setor ....

Incentivos: econômicos, segurança, satisfação
VARIÁVEIS
ENDÓGENAS E
EXÓGENAS QUE
INFLUENCIAM/SÃO
INFLUENCIADAS
Investimentos estaduais no setor ecoturístico
Fundamentos e critérios para o setor (políticas)

Infra-estrutura: transporte, comunicação, hotéis...

Treinamento, capacitação, educação ambiental ...

Marketing: sistema de informação, imagens ......
E
N
D
Ó
G
E
N
A
S
E
X
Ó
G
E
N
A
S




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50
c.3) Análise das relações estabelecidas, com base no conhecimento que se têm, mediante
estimativas da influência de cada variável no sistema.
A partir da matriz da análise estrutural, somem-se os cruzamentos na linha considerada da
variável (E da FIGURA 7) e obtém-se indicadores da importância relativa ou motricidade
(número de vezes que a variável interage com o sistema) dessa variável.
De modo semelhante procede-se a soma da coluna da variável considerada e determina-se um
indicador da dependência (expresso pelo número de vezes que a variável é influenciada por
outras) dessa variável.
Dessa forma, obtém-se, para as variáveis, indicadores de motricidade e de dependência, os
quais permitem a seguinte tipologia direta de variáveis em um plano cartesiano (FIGURA 8):















Figura 9 Esquema simplificado de classificação de variáveis
conforme a natureza



Outra forma de classificação e tratamento das variáveis são apresentadas neste documento.
d) Estudos setoriais, conjunturais e de atores específicos baseado no estudo retrospectivo e na
análise estrutural, compreendendo aspectos físicos (ecológicos e do meio ambiente), sociais,
culturais, econômicos, tecnológicos e políticos, em contextos de escala, nível de detalhamento
M
O
T
R
I
C
I
D
A
D
E
D E P E N D Ê N C I A
Conjunto de variáveis
motrizes e dependentes
DE LIGAÇÃO
Conjunto de variáveis
pouco motrizes e pouco
dependentes
AUTÔNOMAS

Conjunto de variáveis
pouco motrizes e
dependentes
RESULTADOS
Conjunto de variáveis
motrizes e pouco
dependentes
EXPLICATIVAS



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





51
e horizontes de planejamento que possibilitem a integração dos resultados temáticos e
setoriais.
A proposta de análise numérica para ordenamento e zoneamento apresentada no ANEXO C,
está orientada para auxiliar os estudos setoriais visando a integração para gerar resultados
transdisciplinares do planejamento, tomada de decisão e gestão ambiental.
A caracterização dos cenários (variáveis relevantes, estudos retrospectivos, análise estrutural,
estudos setoriais etc.) é auxiliada por técnicas e modelos de análise numérica.
Parte desse auxilio é para determinar a probabilidade de se atingirem os objetivos e metas em
bases técnicas e modernas, possibilitando a redução de tomada de decisões aleatórias e de incerteza.
Em seu lugar, as decisões são tomadas com base em riscos calculados e toleráveis pelo meio
ambiente, dosados pelo critérios de capacidade de suporte e outros fatores da sustentabilidade.
Nesse processo e conforme o estabelecimento de relações entre as variáveis (cruzamento
variáveis x variáveis) e entre as variáveis e os atores (cruzamento variáveis x atores) e entre atores e
atores, os objetivos influenciam os atores (processo de negociação indicado nas estratégias do
planejamento (Figura 2). Os atores são responsáveis pelas forças sob a coordenação de políticas de
desenvolvimento que, finalmente, possibilitarão atingir/satisfazer as condições dos cenários
prospectivos.
Esta técnica, aliada a técnica de construção de “árvores de problemas”, “árvores de objetivos”,
“árvores de efeitos-causas” e “árvores de técnicas-objetivos-problemas” (??), em claros
encadeamentos (para a complexidade da Amazônia tais “árvores” temáticas/setoriais constituem,
também, uma “floresta metodológica”), tem a vantagem de procurar o entendimento de seus níveis
mais altos a partir das interações entre os níveis da hierarquia, em lugar de diretamente entre os
elementos dos níveis.
Nesse processo, a confrontação de grandes e pequenos atores e/ou /atividades, pode ser evitada ou
reduzida mediante o uso de ligações hierárquicas, conforme ilustrado por Simon (1962) e Whyte
(1969), entre outros. Esta parte que precede a apresentação e ilustração de técnicas de
hierarquização, termina com um exemplo ilustrativo de cenários descritivos da Amazônia, definidos
para três perspectivas, sintetizada no QUADRO 4.
A parte que segue ilustra, com base em “amostras pilotos”, a estruturação hierárquica,
adiantando-se que não existe um procedimento para gerar objetivos, critérios e atividades a serem
incluídas numa hierarquia. Criticismo e revisões são fatores necessários antes que um plano
metodológico, nesta trilha da modelagem, seja bem definido, formulado e aceito para analisar
distintos cenários, obter subsídios para uma tomada de decisões e verificar a utilidade e consistência
dos resultados de uma análise de sensibilidade.



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52
QUADRO 4 Exemplo de três cenários de uma situação de origem e dos acontecimentos
(dois conjuntos) que podem conduzir a situações futuras. Amazônia. 1997
CENÁRIO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
Status quo
- Projeção do passado
- Crescimento populacional a taxas relativamente elevadas, mantendo-se o fluxo migratório, com concentração nos
pólos
- Ampliação das cidades de médio e grande porte
- Tendência a concentração de fatores e produção
- Expansão de atividades como madereira, extrativismo e agricultura / pecuária extensivas sem muitas preocupações
com a qualidade ambiental
- Contas públicas sobre “algum” tipo de controle
- Inflação estabilizada nos patamares de 6 – 10% ao ano
- Relativa consolidação e crescimento da produção industrial nos setores minero-metalúrgico, madeireiro, eletro-
intensivo e eletroeletrônico sem grandes novidades, limitado por fatores como a falta de conhecimento, o
desestímulo a pesquisa e extensão, o alto custo de oportunidade do capital, o descumprimento de normas e critérios
desqualificando produtos e processos
Otimista
- Avanços na normalização e sistematização de processos e produtos, auxiliados pela P&D
- Diagnósticos profundos e integrados para evidenciar vocação, potencial e limitações
- Avanças na legislação de proteção ambiental, com instrumentos integrados aos instrumentos econômicos e dentro
de concepções operacionais - administrativas
- Estabelecimento de critérios e indicadores para valorar a riqueza e patrimônio natural; apreçamento dessa riqueza
para sua conservação
- Preços dos bens e serviços, devidamente internalizados na contabilidade social e privada, e colocados em mercados
como commodities econômicos para a seu disciplinamento no uso e manejo
- Potencialidades produtivas acrescidas pelas mudanças tecnológicas e colocadas em sistemas econômicos
sustentáveis
- Internalização dos efeitos do sistema produtivo já montado
- Novas vantagens derivadas dos potenciais e da P&D em novos sistema sem efeitos negativos de externalidades ou
elas internalizadas na contabilidade dos processos
- Despolarização do crescimento com a interiorização do desenvolvimento
- Integração amazônica iniciada com o fortalecimento e integração dos eixos de desenvolvimento
- Uma nova cultura e comportamento em relação aos problemas do meio ambiente
- Descentralização e exercício pleno da democracia nas atividades de planejamento e gestão ambiental, com a
intensificação da parceria e cooperação em todos os níveis
- Incorporação gradativa e sustentável da Amazônia ao processo de desenvolvimento e a globalização
Pessimista
- Intensificação do descontrole na gestão ambiental sem planejamento tático-estratégico
- Tratamento pelo sintoma; diagnóstico superficial e desintegrado
- Velhos problemas sem solução. Novos problemas
- Propostas sem exequibilidade técnica, econômica, social, econômico-financeira ....
- Intensificação de ações agressivas e descoordenadas de ONG
- Retorno a inflação e ao descontrole político administrativo
- Intensificação, pela pressão demográfica, do desflorestamento, queimadas, garimpagem, agricultura e pecuária
extensivas
- Agravamento da desintegração inter e intra-institucional das esferas municipal, estadual e nacional
- Aumento das ameaças externas e aumento do risco de perda do controle territorial




Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





53
A proposta de definição de cenários para equacionar um modelo de desenvolvimento deve ser
definida de forma gradativa e poderá ser viável com o enriquecimento de idéias, com a parceria entre
agentes e com reuniões ou sessões brainstorm para listar os conceitos relevantes de problemas, sem
nenhuma relação de ordem, estabelecer bases realistas para especificar objetivos/metas e relacionar
as variáveis e os atores dentro de seus correspondentes cenários.
Essa informação é prévia à definição de um modelo de hierarquização com características
normativas e prescritivas, sendo que a pré-definição desse modelo aponta um roteiro e urge pela
geração de dados e informações necessárias para o ordenamento que se espera desse modelo.
Uma observação sobre a abordagem hierárquica para a solução de problemas é que a
representação funcional de um sistema pode diferir de pessoa para pessoa, devido ao foto do
ordenamento estar baseado nas experiências de cada um. Contudo há certa concordância, num nível
mais alto, das ações alternativas a serem tomadas e que se espera desse modelo de análise
hierárquica.
O processo de modelagem se inicia pela identificação das variáveis de decisão –atividades - e das
variáveis de estado – potencialidades, limitações legais e doutrinárias etc.- (nota de rodapé 13),
conforme se ilustra no seguinte exemplo:



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54



Atividades













Fatores de
mensuração









Para o caso simples, dentro de determinado setor, por exemplo, ecoturismo, a situação poderia
corresponder a:







A combinação entre a variável de “estado”, com dois valores, potencial e restrições, e a variável
de decisão também com dois valores, produz quatro situações que são valorizadas, onde investir em
A Produção madereira em função de possibilidades técnicas, legais, econômicas, sociais, mercado etc.
B Ecoturismo em função da disponibilidade de atrativos e dos efeitos positivos que tal atividade pode gerar
C Extrativismo em função da vocação e/ou possibilidades de exploração sustentável
D Produção moveleira, pela possibilidade de integração com outros setores e das vantagens nos
mercados
E Centro de produção pesqueira/agrobusiness/biotecnologia, pelo imenso potencial que se
abre com a agroindustrrialização


Recursos naturais


Mercado regional

Mercado nacional




Infra-estrutura física



Recursos econômicos: setores privado e público
Recursos financeiros: setores público e privado: crédito, financiamento
“Estado da arte”/critérios tecnológicos: sistemas de informação
Vantagens sociais e outras vantagens associadas à tecnologia
Restrições do meio ambiente-ecológicas, socioculturais e outras
Paradigmas e tendências: regionais, nacionais e internacionais
DECISÃO NATUREZA
Potencial Restrições
Investir em ecoturismo 85 25
Não investir 10 5







“Estados” físicos e bióticos: Inter-relação, sinergismo
Potencialidades econômicas: bases da sustentabilidade; mercados
Tecnologias: sistemas e práticas de uso e manejo, possibilidades de melhoria
Produtos primários; possibilidades de acréscimo de utilidades na região
Produtos industrializados:
Local
Regional
Nacional
Transporte
Armazenamento
Outra



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





55
ecoturismo com o mínimo de restrições seria a situação ideal [85, 5], em contraste com a decisão de
não investir e ter-se a maior restrição [10, 25]. Situações intermediária seriam investir com a maior
restrição [85 25] e não investir com a menor restrição [10 5]. Essa estrutura, trivial no exemplo,
pode ser representada por um diagrama de “árvore de decisão”:


Potencial
Investe
Restrição
Decisão
Potencial
Não investe
Restrição


A atribuição de um peso às ocorrências de “potencial” e de “restrição” para a tomada de decisões
quanto a esta atividade, é auxiliada pela informação sobre as variáveis de “estado”.
O seguinte exemplo permite determinar uma escala de prioridades para cinco atividades em um
local e/ou cinco locais para uma mesma atividade [A, B, C, D e E] que se encontram ao longo de
um determinado eixo de desenvolvimento, tendo como referência, neste exemplo, a influência do
pólo situado em um extremo desse eixo.
Com as informações dos agentes de desenvolvimento é possível ter-se indicadores da importância
de cada uma dessas atividades, bem como da influência ou do relacionamento com o pólo. Estes
resultados são representados por valores, refletindo as comparações entre as atividades numa matriz
Por convenção, a matriz é preenchida comparando-se a característica que aparece na coluna à
esquerda com a característica que aparece na linha superior, em associações dois a dois.



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56


A B C D E


A

B

C

D

E



Para o caso das atividades A e B, por exemplo, os valores de referência são:
a) Se a influência do pólo sobre as atividades A e B, ao longo do eixo, for estatisticamente igual
(sem diferença significativa), então o valor é de 1;
b) Se essa influência beneficiar um pouco mais a A do que a B, então o valor poderá ser 4. Por
que 4 e não outro número que defina igualmente a preferência ordinal?
A escala poderá ser definida no levantamento da informação ou como um escore já dado pela
política com base em determinados critérios;
c) Se a atividade A se apresentar de forma definida como mais importante do que a atividade B,
em função de condicionantes como vantagens no transporte (proximidade ao pólo) ou pelo
potencial e perspectiva de sua incorporação à atividade A, então o valor poderá ser 6.
d) Se as vantagens de A em relação a B forem muito fortes para aproveitar fatores positivos do
pólo, então o valor é 8.

e) Se A for absolutamente mais importante do que B, então o valor é 12.
Influência
do pólo



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





57
Referências para os contrastes entre [A e C], [A e D], [A e E], [B e C], [B e D], [B e E], [C e D],
[D e E] deverão ser estabelecidos para atribuir os valores nas correspondentes casas da matriz de
hierarquização.
A importância de cada uma dessas atividades são idênticas, quando comparadas com elas
próprias, definindo, assim, a diagonal principal da matriz com valores de 1.
Das 20 possibilidades restantes, 10 delas deverão ser definidas utilizando como referência os
critérios acima relacionados. As outras são, por comparação reversa, os recíprocos dos 10 valores
definidos em escores.
Se para um dado conjunto de fatores (cenário) a atividade A for um “pouco” preferida em relação
a atividade B, então seu valor, na matriz, será 4. Sob outras condições, o escore médio poderá ser 3,
por exemplo.
Os outros valores, escolhidos com base em suas respectivas escalas de referência, para a primeira
linha são: [A, C] = (5), [A, D] = (7), [A, E] = (8).
Para ilustrar a técnica de hierarquização, os valores de ordenamento das atividades comparadas de
uma a uma, são apresentados no seguinte quadro (matriz):
O vetor coluna das prioridades define, para determinado cenário, a prioridade de cada uma das
atividades, observando-se, no caso exemplificado e utilizando a técnica mais grosseira, que a
atividade A deverá ser preferida as outras.
O quarto e quinto valor [0,05] indicam que as atividades D e E são equivalentes, quanto a sua
preferência, para o discriminante de atração/influência do pólo, considerado neste exemplo.



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A

B C D E E
i
E
i
/E
A
1
[A, A]


4

5

7

8

25,00
0,48
B

1/4

1
[B, B]


3

5

6

15,25
0,29
C

1/5


1/3
1
[C, C]


2

3

6,53
0,12
D

1/7


1/5

1/2
1
[D, D]

1
[D, E] são
equivalente
s

2,84

0,05
E


1/8

1/6

1/3

1
1
[E, E]


2,63
0,05

E
j


1,718

5,697

9,833

16,000

19,000

52.25

0,99





Existem várias técnicas, além da técnica mais simplificada acima apresentada, para calcular o
vetor coluna das prioridades, entre elas a “normalização” (bia aproximação) dos escores e o das
médias geométricas (exato), gerando os seguintes resultados:

Vetor coluna das
prioridades



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





59





Atividade A 0,530 0,538
Atividade B 0,224 0,246
Atividade C 0,112 0,109
Atividade D 0,057 0,057
Atividade E 0,050 0,049



Onde, para ambos técnicas, a atividade D se apresenta com um valor ligeiramente superior,
portanto um pouco preferida, em relação a atividade E.
Para o caso de um novo cenário e considerando as mesmas atividades, porém com escores
diferentes, retratando uma nova realidade que evidencia potencialidades ou que destaque qualquer
outra preferência de ordenamento, com mudanças de [A, C] = (2), [A, D] = (2), [A, E] = 3, [B, D] =
(8) e [B, E] = (6), o novo arranjo de hierarquização se apresenta da seguinte forma:




Atividade A 0,538 0,323
Atividade B 0,246 0,342
Atividade C 0,109 0,201
Atividade D 0,057 0,078
Atividade E 0,049 0,058


Onde a atividade B se mostra, em média, prioritária com relação a atividade A, destacando, nesse
ordenamento relativo, a atividade C. As atividades D e E continuam sendo, com aproximados
valores relativos, as menos preferidas.
A parte que segue apresenta e ilustra, com o mesmo exemplo, estatísticas da técnica de
hierarquização, tais como o índice de consistência (IC) e a razão de consistência (RC).
Valor aproximado
Do vetor coluna das
prioridades
Estimativa exata do vetor
coluna das prioridades
“Estado” inicial
Vetor coluna das prioridades
exatas para o novo cenário



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60
O IC representa importância relativa das preferências, disposto num vetor do qual se deriva o
autovalor principal ou máximo(ì
max
). Esta estimativa de consistência pode ser utilizado com um
reflexo da proporcionalidade das preferências, sendo que quanto mais próximo for do número de
atividades consideradas na matriz (n) mais consistente será o resultado.
Outra estatística utilizada para avaliar a técnica de hierarquização numérica é o desvio da
consistência, definido por:

DC = [(ì
max
. – n) / (n – 1)] (1)

Para o exemplo ilustrativo, com n = 5 e com uma estimativa do autovalor principal (ì
max
= 5,16),
se determinou o IC = 0,039. A razão de consistência (DC/0,90) foi estimada em 0,04, considerado
excelente (Uma razão de consistência de 0,1 ou menos é considerada aceitável).
No exemplo que segue se apresentam outras estatísticas da análise hierárquica, estimadas com
base em “amostras simuladas”, correspondente a quatro atividades (setores representados por EM,
EF, EA e EI), de um sistema (agroecológico), consideradas sob o enfoque de seis conjuntos de
fatores [representados por X
i
, i= 1 (Solo), 2 (Clima), 3 (Água), 4 (Tecnologia), 5 (Acesso a um eixo
de desenvolvimento) e 6 (Mercados)] de ordenamento ou priorização, ilustrados na FIGURA 20.




Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





61



































FIGURA 20 Hierarquia de potencialidades considerando apenas um sistema (agroecológico), quatro
setores (madeireiro, frutas, agricultura e extrativismo) e seis componentes de fatores (solo, clima, água,
tecnologia, eixo de desenvolvimento e mercado) definidos por índices técnicos



Os seis conjuntos de fatores considerados na FIGURA 20 são interdependentes, definidos por
coeficientes técnicos, entre outros critérios, os quais, por sua vez, são indicativos de aptidão,
potencialidades e limitações de uso e manejo desses recursos.
PRIORIZAÇÃO DE
POTENCIALIDADE
S
SOLO
Índice agronômico
CLIMA
Índice agro-
climático
ÁGUA
Disponibilidade
TECNOLOGIA
- Atual
- Potencial (Perspectiva)
EIXO (Acesso)
- Atual
- Potencial
MERCADO
- Preço (atual)
- Perspectivas
Extrativismo:
- Madeira
Extrativismo:
- Frutas tropicais
Extrativismo:
- Agricultura
Extrativismo:
- Produtos

X1
X2 X3 X4 X5
X6
X 1/EM X 2/EM X 3/EM X 4/EM X 5/EM X 6/EM
X 6/EP X 5/EP X 4/EP
X 3/EP X 2/EP X 1/EP
CENÁRIO
- Certificação –ISSO: vantagens
- Integração: móveis
- Exportação
- Geração emprego/renda
CENÁRIO
- Agroindústria
- Exportação
- Geração emprego/renda
CENÁRIO
- Mudança tecnológica
- Desconcentração urbana
- Geração emprego/renda

CENÁRIO
- Fármacos
- Óleos e resinas
- Ampliação pólo industrial
- Novas industrias



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62
As perspectivas/limitações técnicas, em relação às atividades econômicas propostas neste
exemplo, são traduzidas por índices:
a) Solo definido como um índice agronômico de fertilidade, entre outros, capaz de gerar um
excedente econômico agrícola, sem comprometer o ecossistema;
b) Água, dada pela disponibilidade hídricas regular em quantidade, qualidade e oportunidade para
os fins agronômico deste caso;
c) Clima definido por elementos como temperatura, regime pluvial (intensidade, distribuição etc.,
de normais), luminosidade, umidade relativa etc., integrados em índices agro-climatológicos
característicos das culturas.
A proximidade de valores observados em determinado local às exigências de determinada cultura
ou atividade, aliado à consistência edáfica e hídrica, definem a potencialidade dessa cultura ou
atividade nesse local.
Estas potencialidades físicas deverão ser (re)definidas por outros condicionantes, entre eles, a
tecnologia, os eixos e seus elos de integração ou as influências positivas dos pólos e as oportunidades
que se apresentam no mercado nacional e internacional para os recursos e produtos da Região, com
preços ou perspectivas de preços das culturas ou das atividades que incorporarão os recursos
naturais.
Esta conceituação permite desenvolver julgamentos sobre a importância relativa das culturas ou
das atividades que se propõem para a Região, com a incorporação de potencialidades.
Os julgamentos podem ser baseados nas perspectivas/limitações técnicas, como medidas físicas
precisas (coeficientes técnicos). Neste caso, ao comparar-se, EM com EF, com indicadores técnicos
de w
EM
= 36 e w
EF
= 24, por exemplo, poderia concluir-se:

o
EM, EF
= w
EM
/ w
EF
= 1,5 (2)

Que a atividade madereira é 1,5 vezes mais importante que a atividade de extrativismo de frutas
tropicais para a agroindústria.
Para este caso ideal de medidas exatas, as relações entre os pesos (w
i, j
) e os julgamentos (o
i j
) são
definidas por:



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





63


o
ij
= w
i
/ w
j


que satisfaz duas regras:
(4)
a) Se o
i j
= o, então o
j i
= 1 / o

b) Se uma atividade Z
i
é julgada de igual
importância relativa a atividade Z
j
,
então
o
j i
= o
i j
= 1 e o
i i
= o
j j
= 1.



w
1
/ w
1
w
1
/ w
2
w
1
/ w
n
w
2
/ w
1
w
2
/ w
2
w
2
/ w
n

A = ... ... ... (5)
... ... ...
w
n
/ w
1
w
n
/ w
2
w
n
/ w
n


Estas soluções são particulares e aplicáveis a poucos casos, em geral sem consistência e sem
unicidade na solução.
O conjunto de indicadores técnicos, definidos em escalas, nível de detalhamento e especificações
geográficas e temporais a serem integráveis, são representados por variáveis intervalares, as quais
serão reduzidas, quanto as informações que tais conjuntos possam apresentar, para permitir a
integração na análise hierárquica.
Essa redução (com perda de informação) poderá ser indicada através de modelos multivariados
(ANEXO A) ou por arbitrários intervalos dos atributos em níveis de correspondência ou
equivalência integráveis, conforme conceitualização apresentada neste documento.
Este processo, que antecede à análise hierárquica, deverá ser realizado por uma equipe
multidisciplinar devidamente coordenada e integrada para o trabalho interdisciplinar. Os resultados
transdisciplinares correspondem a indicadores numéricos dos aspectos técnicos objeto da análise
hierárquica.
Conforme sejam as características dos cenários e os fatores de peso considerados neles
(tendências, oportunidades, riscos, experiências etc.), a cada um dos indicadores físicos técnicos,



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64
pela sua importância relativa no processo e pela probabilidade de sucesso, se atribuem pesos de um
julgamento, quando considerados num contexto maior.
Essa atribuição de pesos aos fatores deverá ser orientada por pré-definidas escalas de referência,
conforme se ilustra na página 174 para o caso das atividades A e B.
Entretanto, com a “deformação” da escala aparentemente “bem comportada” do vetor de
prioridades de medida exata, a solução que se gera é particular e sem consistência.
O tratamento matricial do conjunto de dados técnicos e de julgamento, implícito na
hierarquização, apresenta uma solução em termos de autovalor para uma matriz consistente que
satisfaz as regras acima indicadas (relações 4).
O ponto inicial é a definição de uma matriz contendo diferentes elementos comparáveis, técnicos
e de julgamento, componentes de um conceito complexo como é o da potencialidade territorial da
Amazônia. O ponto de partida é a TABELAS 7.



TABELA 7 Comparação das potencialidades (seis componentes) do sistema
agroecológico para quatro setores produtivos

SOLO

CLIMA ÁGUA TECNOLOGIA EIXO MERCADO
E
SOLO

1 0,5 1,25 0,75 2,5 3 0,20
CLIMA

2 1 0,75 0,5 0,33 1,5 0,15
ÁGUA

0,8 1,33 1 2 1,5 3
0,22
TECNOLOGIA

1,33 2 0,5 1 2 2,5 0,20
EIXO

0,4 3 0,67 0,5 1 0,8 0,14
MERCADO

0,33 0,67 0,33 0,4 1,25 1 0,09
O vetor prioridade (E) para o conjunto de fatores = [ 0,20, 0,15, 0,22, 0,20, 0,14, 0,09] que estabelece as
prioridades dos conjuntos de fatores de um nível de uma hierarquia com respeito ao conjunto de
fatores do nível seguinte
Autovalor correspondente de ì
max
. = 6,75 que está relativamente do valor consistente que é 6,0
Índice de consistência é IC = 0,15 e a razão de consistência RC = 0,17, indicando ajuste e resultados
aceitáveis para este primeiro cenário (cenário atual).







Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





65


Na primeira linha e de acordo com os critérios técnicos de ordenamento (julgamento) da
importância relativa dos conjuntos de fatores considerados no exemplo, o solo é menos importante
que o clima (o clima é duas vezes mais importante que o solo, logo a relação Solo  Clima é 0,5).
O fator Solo é ligeiramente mias importantes do que o fator Água, com um valor médio do
julgamento de 1,25.
O fator Tecnológico, no atual “estado” das artes, é um pouco mais importante que o fator Solo.
Com o desenvolvimento tecnológico este fator deverá aumentar sua importância relativa,
contribuindo para a substituição física do fator Solo aumentando sua produtividade. Para o caso
inicial a relação Solo  Temperatuta é 0,75.
Apesar das vantagens que o fator Eixo possa apresentar para o desenvolvimento da Região, o
fator Solo continua sendo mais importante. Portanto, seu valor de julgamento é 2,5.
Os mercados se apresentam com grandes perspectivas quando atendidas determinadas condições
que favorecerão as potencialidades regionais na exportação de produtos intensivos em recursos
naturais, porém com utilidades acrescidas, configurando as novas vantagens competitivas.
Entretanto, no cenário atual, os mercado não favorecem à economia regional, a qual continua
dependendo de suas vantagens comparativas. Desta forma, o conjunto de fatores Solo se apresentam
muito mais importante do que Mercados, sendo , portanto, a relação Solo  Mercado = 4.
Na segunda linha se têm o Clima como um conjunto de fatores abióticos um pouco menos
importante que a Água, isto é, se destaca, por seus efeitos sobre as atividades consideradas no
exemplo, a Água, sendo a relação Clima  Água = 0,75.
Essa menor importância relativa do Clima também é observada no julgamento das relações com
Tecnologia (Clima  Tecnologia = 0,5 e Eixo (Clima  Eixo = 0,33);
Para o caso da relação com o conjunto de fatores Mercado, o Clima é um pouco mais
importante (Clima Mercado = 1,5).
Essa maior importância relativa também com relação ao Mercado é observada para o conjunto
de fatores hídricos (terceira linha e última coluna da TABELA 17; Água  Mercado = 3) e
tecnologia (quarta linha e última coluna; Tecnologia  Mercado = 2,5). Já o Mercado tem maior
influência do que Eixo (Eixo  Mercado = 0,8).
A comparação dos seis conjuntos de fatores da TABELA 7 teve como referência as possíveis
potencialidades definidas por indicadores ou coeficientes técnicos e por critérios que se definem no



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66
contexto de cenários, atual e prospectivos, conforme metodologia indicada neste documento
(conceitualização, QUADRO 4 e ANEXO A).
A comparação das quatro atividades indicadas no exemplo acima em relação aos conjuntos de
fatores, segue um procedimento semelhante, colocando em evidência, para cada conjunto de fatores
e dentro de cada cenário, o ordenamento dessas atividades pelas estimativas dos autovalores e suas
estatísticas. Esta síntese dos contrastes é apresentada na TABELA 8.


TABELA 8 Comparação das atividades propostas em relação aos conjuntos de fatores

SOLO CLIMA
EM EF EA EI EM EF EA EI
EM 1 1 0,5 2 1 2 0,6 1
EF 1 0,75 3 1 0,8 0,5
EA 11 4 1 3
EI 1 1

Autovetor = [0,22, 0,27, 0,24, 0,24]
para as atividades ordenadas em
relação ao fator Solo
ì max. = 4,65; IC = 0,22 e RC = 0,24


ÁGUA TECNOLOGIA
EM EF EA EI EM EF EA EI
EM
1 2 3 1 1 0,5 0,70 1,25
EF
0,5 1 0,7 2 2 1 0,6 2
EA
0,33 1,43 1 2 1,43 1,67 1 0,8
EI
1 0,5 0,5 1 0,8 0,5 0,5 1

Autovetor = [0,38, 0,57, 0,23, 0,10] para as atividades ordenadas
em relação ao fator Água
ì max. = 5,12; IC = 0,37 ; RC = 0,41


EIXO MERCADO
EM EF EA EI EM EF EA EI
EM
1 2 3 5 1 0,8 2 3
EF
0,5 1 0,7 1,25 1,25 1 3 0,8
EA
0,33 1,43 1 2 0,5 0,33 1 0,75
EI
0,2 0,8 0,5 1 0,33 1,25 1,33 1

Autovetor = [0,50, 0,18, 0,21, 0,12] para as atividades ordenadas
em relação ao fator Eixo
ì
max.
= 4,09; IC = 0,33 ; RC = 03

Autovetor = [0,24, 0,17, 0,38, 0,32] para as
atividades ordenadas em relação ao fator Clima
ì max. = 4,24; IC = 0,08; RC = 0,09
Autovetor = [0,21, 0,32, 0,31, 0,17] para as
atividades em relação ao fator Tecnologia
ì max. = 3,96; IC = 0,01; RC = 0,01
Autovetor = [0,34, 0,32, 0,14, 0,21] para as
atividades em relação ao fator Mercado
ì max. = 4,24; IC = 0,08; RC = 0,9



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





67
A comparação de atividades econômicas por grupo de fatores, ambientais físicos ou não, indicada
na TABELA 8, faz sentido quando referida a determinada região, esteja baseada em informações
técnico-científicas do cenário atual dessas região e consulte/internalize os diversos condicionantes de
potencialidades/oportunidades, perspectivas/tendências e limitações/restrições nas dimensões do
desenvolvimento sustentável endógeno. Um exemplo desta adequação é apresentado na parte que
segue.
Para o primeiro caso das atividades que têm como referência o conjunto de fatores Solo, é
oportuno indicar que, em geral, para a Amazônia trata-se de solos arenosos e pobres em nutrientes,
sendo que a sobrevivência da floresta está diretamente relacionada com a camada de húmus que
recobre a superfície. Outras informações gerais que servem de marco para melhor definir o cenário
deste conjunto de fatores, são apresentadas na TABELA 3, FIGURA 10 e páginas 78-83, onde se
observam locais com potenciais para a agricultura e pecuária, como parte de uma solução ao
crescimento da Amazonas.
Ao comparar as atividades Madereira com o extrativismo de Frutas, correspondentes a um
mesmo habitat, é possível concluir que a importância relativa dessas atividades, tendo com
referência o Solo, seja equivalente, portanto o
i j
= o
j i
= 1.
Para o caso da Agricultura e em função da intensidade da simplificação biológica (alteração de
habitat) e das maiores exigências em termos de qualidade do Solo, a importância relativa será
menor. Assim, a relação, tendo como referência o Solo, poderá ser: Madereira ÷ Agricultura =
0,5.
A atividade madeireira está mais fortemente relacionada com a industria quando se tem como
referência o conjunto de fatores Solo. Dessa forma, a relação poderia definir-se como Madereira
÷ Industria = 2.
Para o caso de cenários prospectivos e tendo como referência determinada área, é necessário
considerar como a atividade biológica primária é um fator limitante, definido por diversos fatores,
igualmente limitantes/condicionantes, do desenvolvimento. Em geral, este processo poderá ser
definido por:


Q
t
= f(A
t-j
, L
t-j
, Ei
t-j
, Eo t-j ...e
t-j
) (6)




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68
Para (t – j) períodos, de j = 0 (período atual) até n (ciclo produtivo de 15 a 30 anos, conforme seja
a espécie madeireira e o manejo
Q
t
é produção primária no t-ésimo período, por exemplo 20 a 45m
3
/ha (ou 0,8 a 1,6m
3
/ha/ano.
A meta, nessa função de produção, estabelecida em virtude de fatores como fertilidade do
solo, luminosidade, disponibilidade de água e espécies vegetais consideradas, poderia ser
(hipótese) de 20 a 26m
3
/ha com as espécies vegetais atuais; 27 a 32m
3
/ha, com um manejo
mais adequado e 33 a 38m
3
/ha, com um maior número de espécies objeto de exploração, sem
ultrapassar os limites de áreas de clareiras na floresta (por exemplo 22%) que venha a
comprometer sus estabilidade e, portanto, a sustentabilidade do processo de exploração;
A
t - j
é a disponibilidade de água no solo nos (t - j)- ésimos períodos que antecedem à extração
madeireira, ou uma estimativa de normais da curva de retenção hídrica desse solo,
determinada conforme metodologia própria e ajustada às formas de conservação e manejo da
floresta (compactação nas estradas de acesso, clareiras etc.);
L
t - j
é a uma estimativa da normal de luminosidade afetando/determinando os processos naturais
de fotosíntese e de crescimento da floresta;
Ei
t – j
são os elementos químicos inorgânicos ou parte da fertilidade natural do solo, definida
mediante apropriado índice agronômico;
Eo
t – j
são os elementos orgânicos do solo, relacionados por um ciclo especial, com os processos
de fotosíntese e outros da floresta;
e
t - j
compreende todos os demais fatores que definem esse processo porém não são conhecidos
e/ou escapam do “controle” da função de produção.
O conhecimento da relação funcional ( f ) e, principalmente, as informações quanto as
interdependência dos fatores (variáveis motrizes pouco dependentes), é fundamental para definir a
conservação e o manejo integrado visando o uso múltiplo possível e sustentável das florestas.
Qual é a pressuposição fundamental, implícita nesse manejo sustentável de uso múltiplo das
florestas?
Informações e conhecimentos sobre os cenários, atual e prospectivo.
Se têm essa informação e o conhecimento sobre a floresta para o uso e manejo sustentáveis da
mesma? Não.



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





69
Então, como proceder para estabelecer uma base técnica e econômico-social necessária para a
Utilizar as informações e conhecimentos disponíveis e simular, com base em resultados pontuais de
pesquisas e experiências, situações de “estudos de casos”, “protótipos” e “áreas de demonstração”,
por ambientes e cenários, que gerem as informações necessárias para a conservação e manejo
integrado dos recursos florestais em sua vocação madeireira e de extrativismo de outros produtos
como sementes, resinas, óleos etc. Para este propósito inicial, a ferramenta de análise hierárquica que
se propõe é ideal (esta parte não será considerada neste documento preliminar).
Por outro lado, esta proposta é consistente com parte das atividade indicadas e em fase de
implementação-implantação por órgãos federais e empresas privadas (ainda em número muito
reduzido, requerendo, portanto, estímulos para esse setor), sintonizadas com a conservação e o
manejo sustentável endógenos da Amazônia.
Um exemplo dessas proposta poderia ser as “flonas” como áreas pilotos para testar técnicas e
métodos de conservação e manejo da floresta, incorporar coeficientes técnicos gerados pela pesquisa
e para definir modelos regionais (“áreas demonstrativas” para determinado conjunto de condições e
determinantes).
Nessas áreas demonstrativas “flonas”, além de evidenciar resultados de pesquisa obtidos sob
condições de controle experimental, portanto com possíveis diferenças nas respostas quando aberto o
sistema às condições naturais, se esperam modelos que não gerem pobreza (adequados às
características socioculturais e econômicas do local) e destruição ambiental.
Uma possível primeira área demonstrativa (com a concessão a iniciativa privada do direito de
exploração de recursos naturais públicos) está sendo proposta no maciço florestal dos Tapajós, como
uma área de 1.000ha, dentro de um processo de cinco fases cada uma de 1.000ha, indicada em
função do nível “razoável” de conhecimentos que se tem nessa área.
Outros processos de áreas demonstrativas possivelmente serão desencadeados em outras regiões
com Tefé que apresenta novas características técnicas e de organização econômico-social.
Os resultados desta primeira fase de estruturação e aperfeiçoamento do modelo deverão conjugar
coeficientes técnicos, gerados em áreas de pesquisa, portanto, sob controle experimental, com fatores
de mercado, preços e novos paradigmas que se apresentam para o setor, face os ajustes e
movimentos da industria madeireira mundial, com as estratégias de países produtores (asiáticos) e de
consumidores.
Nesse ajuste, que deverá evidenciar como as características da região definem as práticas de
manejo e as técnicas de exploração, (processo endógeno), surgirão os condicionantes da exploração
sustentável.



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70
Na forma de hipótese se relacionam alguns possíveis condicionantes do setor:
a) A sustentabilidade econômica da industria madeireira do País depende:
a.1) Novas vantagens e ajustes do setor aos mercados internacionais;
a.2) Certificação (“selo ecológico”, “selo verde” etc.) e normalização (convênios, acordos,
ISO etc.) de processos produtivos, insumos - fatores de produção e produtos com qualidade
total;
a.3) Exportação de produtos com o máximo valor agregado e com efeitos positivos no local:
que gere renda, emprego e riqueza no capital social;
a.4) Integração de atividades como industria madeireira – outras industrias (fármacos, resinas,
óleos etc.) - artesanato - pesca - ecoturismo etc.
b) Preço e sustentabilidade são fatores indissociáveis que têm permanecido inversamente
relacionados, os quais deverão apresentar definidos pontos de equilíbrio “economológicos”;
c) A relação entre intensidade de exploração e período de retorno das novas safras (explorações
no futuro) é diretamente relacionada por mecanismos técnicos da conservação – estratégias de
manejo, tais como:
c.1) De 18 a 22m
3
/ha de biomassa econômica ÷ Exploração cada 20 anos ¬ Menos de 15%
de clareiras na floresta;
c.2) De 23 a 30m
3
/ha de biomassa econômica ÷ Exploração cada 25 anos ¬ Menos de 20%
de clareiras na floresta;
c.3) De 31 a 40 m
3
/ha de biomassa econômica ÷ Exploração cada 30 anos ¬ Menos de 25%
de clareiras na floresta;
A exploração seletiva de espécies madeireiras, apesar de não constituir um desmatamento, tem
contribuído, em maior escala, para alteração da cobertura florestal e para a erosão genética e
mesmo extinção de populações de algumas espécies de interesse econômico (Yared &
Brienza, 1989).
Os indicadores técnicos de intensidade e seletividade de espécies florestais a serem exploradas
próprios ou adequados a cada região, deverão pautar as práticas de conservação e manejo.



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





71
O novo modelo deverá considerar este quadro e internalizar o ônus –externalidades -,
mediante instrumentos econômicos e legais, para evitar os efeitos perversos de perda da
biodiversidade e erosão genética.
d) A conservação e o manejo integrado para uso múltiplo da floresta deverão estar fundadas em
informações técnicas, de mercado e dos ambientes externos, integradas em sistemas de
informações modernos e inter-operativos.
Essa necessidade surge com o novo inventário das reservas e com a definição de novas
práticas de conservação e manejo, ajustadas aos condicionantes legais, econômicos, sociais, de
mercado etc., característicos do setor madeireiro e do local de exploração - industrialização.
Com essa modernização, técnicas de relativo domínio brasileiro como o sensoreamento
remoto (INPA, GIS, ARCO-INFO etc.) e informática – informação, deverão ser amplamente
utilizadas e integradas para auxiliar o planejamento e gestão das firmas componentes do setor
industrial madeireiro.
e) As estruturas e organizações sociais (ONG, seringueiros organizados em cooperativas e outras,
entidades locais organizadas, comunidades indígenas etc.), bem como a estruturação de fatores
(terra: particular, públicas (União e Estado) e organização fundiária; crédito; tecnologia -
assistência técnica - extensão florestal; entre outros), são importantes fatores condicionantes,
que deverão aparecer com a modernização do setor revertendo o atual quadro.
Apesar do dinamismo da atividade madeireira ela tem sido desenvolvida por segmentos
econômicos com limitados reflexos sociais positivos, em função do número restrito de
empresas sem integração com o setor industrial, o reduzido número de centros de
convergência da produção, o baixo aproveitamento de resíduos e subprodutos e o limitado
número de trabalhadores engajados na atividade, esparsos ou em grupos na floresta de várzeas
ou em terra firme. Esse quadro deverá mudar procurando a sustentabilidade em um novo
modelo.
f) Os instrumentos de desenvolvimento contemplados na legislação de conservação e proteção
das florestas são importantes condicionantes, cuja eficiência requer de:
f.1) Adequação à realidade com simplificação e operacionalização;
f.2) Integrabilidade a outros instrumentos como os econômicos, técnicos e administrativos,
para viabilizar ações tais como as de monitoramento ambiental, visando manter “estados”
desejáveis e possíveis de qualidade e competitividade do setor madeireiro a ser definido
como indústria “limpa”;



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72
f.3) Integrabilidade no âmbito da aplicação dos diversos instrumentos do desenvolvimento
sustentável: federal – estadual e nacional – internacional.
A Partir da década de 80, houve um incremento na utilização de madeiras procedente de floresta
de terra-firme, face à abertura de eixos viários. No entanto, a várzea ainda responde por cerca de
90% (Cruz, 1991) da matéria-prima destinada à atividade madeireira.
Os novos sistemas de conservação e manejo da floresta poderão incorporar gradativamente novas
espécies da terra-firme, diversificando o alvo da exploração das apenas menos de dez espécies sob
pressão.
Toda as informações técnicas-científicas e conhecimentos locais e regionais, devidamente
organizados, complementados e integrados, deverão ser utilizados nas análises de potencialidades.
A técnica de análise hierárquica e a formulação funcional (6) relacionam fatores técnicos
(coeficientes e indicadores físicos, bióticos e sócioeconômicos) com fatores, alguns subjetivos,
internos e externos, dos cenários, os quais são sintetizados nos correspondentes valores do vetor de
prioridades da analise hierárquica e nos coeficientes técnicos de elasticidade de resposta dos
argumentos da função de produção.
Neste contexto, quais são as perspectivas de cenários para o futuro do setor madeireiro,
estabelecido como indústria competitiva integrada a outras, com efeitos sociais sustentáveis?
Qualquer que sejam esses cenários, o sistema de informação sobre a floresta é fundamental para
definir seletividade e intensidade de uso, forma de reflorestamento, manejo do solo, tipificação e
certificação da madeira, relações climo-edáfico-biomas para o manejo integrado dos recursos
abióticos e bióticos, e tecnologias apropriadas de uso e manejo desses recursos.
Retornando a parte de conceitualização de modelos para analisar as potencialidades regionais, é
oportuna a complementação que segue:
A forma funcional indicada na expressão (6), em geral, tem sido considerada como potencial
recursiva que, pelas especiais condições do relacionamento das variáveis explicativas e pelas
limitações impostas ao setor com relação ao uso dos fatores e insumos, é singular. Assim, o modelo
potencial recursivo específico, parte de:


(7)
Q X x
t t
= o | u
|
[ | ( ), ]



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





73

onde,
Q
2 x n
é a matriz constituída dos argumentos das funções de custo e benefícios do setor,
definidas como variáveis endógenas registradas no t-ésimo período, ou diretamente pela
produção (um vetor: Q
1 x n
), em termos de valor físico ou monetário, desse processo;

X
n x m
é a matriz composta de n variáveis com m observações cada uma, expressas em unidades
físicas transformadas em unidades monetárias US$ quando pertinente;
No caso da variável produção defasada (Q
t-j
)em m
3
/ha, por exemplo, é possível observar,
conforme as informações técnicas disponíveis, efeitos na produção atual, os quais poderão
definir “padrões” de produção;
| é o vetor de coeficientes de regressão da análise multivariada que define as elasticidades ou os
efeitos relativos dimensionais das AX ÷ AQ, dados como constantes, neste modelo;
u
t
é o vetor de erros aleatórios que satisfazem, em hipótese de estudo, as condições para estimar a
função (7) pelo método estatístico dos mínimos quadrados;
A violação de um ou mais dos seis principais pressupostos em u
t
leva a tratamentos
específicos no campo da econometria que serão omitidos nesta conceitualização inicial
proposta para discussão;
|(x) são as funções que definem os efeitos dos argumentos na projeção das variáveis X,
considerando as características locais e as defasagens, quando pertinente, nesses argumentos
Um aspecto teórico crítico da forma potencial (7) é o fato de apresentar retornos constantes da
contribuição dos fatores no processo produtivo.
Na prática tais retornos são variáveis, determinando ou influenciando o relacionamento das
variáveis exógenas sobre as variáveis endógenas. Para este caso, a forma funcional de
relacionamento das variáveis poderia ser:

(8)
Q
t
X
t
u
t
Z
t
= o
|
[ , ]
( )




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74


onde,

|(Z
t
) é uma função que determina o valor particular do coeficiente de regressão para a
circunstância particular do local;
Z
t
é o argumento da função podendo ser definido por variáveis binárias, as quais condicionarão o
valor da variável endógena;
µ
t
é o termo de erro aleatório que em princípio é pressuposto satisfaz as condições necessárias
para a aplicação com eficiência do método estatístico dos mínimos quadrados.
Ainda as formas funcionais (6: genérica), 7 (potencial recursiva) e (8) (potencial com retornos
variáveis) tem pressuposições teóricas muito forte e que não se coadunam com as características do
processo em que se aplica essa técnica: uma delas é suposta independência dos argumentos motrizes,
exemplificados por cinco grandes conjuntos das variáveis exógenas ou explicativas do processo
produtivo.
Na escassa revisão de literatura quanto a natureza dos fatores determinantes das potencialidades
regionais, colocou-se em evidência o forte inter-relacionamento desses argumentos e a necessidade
de se conhecer essa interdependência como condição sine-qua-non para ter-se as informações
técnicas necessárias da conservação e manejo desejáveis e possíveis desses recursos no visão
sistêmica-holística.
Para determinar as inter-relações implícitas na matriz de variáveis independentes e logo seus
efeitos numa matriz de variáveis endógenas ou dependentes (exploração da floresta, madeira, e
outros produtos), propõe-se a técnica path analysis.
A forma geral desta técnica é ilustrada na FIGURA 21, que serve como referência para a reflexão
das propriedades do sistema. Em geral esse sistema consiste em q fatores os causas primárias e p
efeitos resultantes, sendo (q + p) o número de variáveis mutuamente associadas por uma rede de
trajetórias causais fracas.



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





75

































FIGURA 21 Diagrama Path-analysis aplicado à solução do problema físico da
exploração madeireira da Amazônia considerando, apenas cinco conjunto de
variáveis




Quando ordenadas as atividades em função das potencialidades regionais, conforme a análise
hierárquica, surge a questão de como devem ser conduzidos os processos, dentro de cada setor, de tal
forma que sejam otimizados os resultados em definidas condições locais da sustentabilidade, em suas
múltiplas dimensões.
Solo ( S t-j )
Indicadores:
- Elementos químicos
- Elementos orgânicos
- Propriedades físicas:
topografia, erosividade,
erodibilidade, profundidade
Vegetação ( V t-j)
Indicadores:
- Espécies / merc. exportação
- Espécies / merc. nacional
- Espécies / indústrias
Clima ( C t-j)
Indicadores:
- Temperatura
- Luminosidade
- Umidade relativa
Água ( A t-j)
Indicadores:
- Qualidade & quantidade
- Oportunidade temporoespacial
Tecnologia ( T
t-j
)
- Conservação /firma
- Manejo / firma
- Industrialização

PRODUÇÃO
( Q
t
)
µ
SC

µ
SV

µ
VC

µ
AT

µ
AV

µ
VT

µ
SA

µ
TC

r
S÷Q

r
C÷Q|

r
A÷Q

r
T÷Q

r
V÷Q

Mercados
Insumos
Preços
Leis/acordos
Tendências
µ
i, j
é o coeficiente de correlação simples entre as variáveis i-ésima e j-ésima,
indicando as relações funcionais simétricas
r
i, j
é o coeficiente de “path”, indicando as relações funcionais assimétricas

relação bivariada, com orientação definida pela seta

covariação pode ser causal ou espúria, com direção em ambos sentidos



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76
A resposta a essa questão poderá ser iniciada com a aplicação de uma técnica que evidencia a
importância relativa dos fatores e insumos em cada um dos processos, onde se admite, pelo
conhecimento do fenômeno que se estuda, a existência de causação, bem como a existência de
outros relacionamentos entre as variáveis motrizes. Para este propósito, se indica e ilustra com
exemplos, a técnica path analysis (análise de trajetória),
A análise de trajetória é uma técnica de decomposição e interpretação de relações lineares,
aditivas e unidirecionais
15
em um grupo de variáveis que se admite serem mensuráveis em um escala
de intervalos (não necessariamente as variáveis consideras neste documento são intervalares),
apresentam uma ordem causal (fraca) e as relações entre as variáveis são de causas fechadas (para
simplificação do modelo).
O objetivo principal da análise de trajetória é a estimação de efeitos de variações em um conjunto
de variáveis interrelacionadas. Os feitos podem ser diretos, brutos e líquidos, ou indiretos, definidos
por relações lineares que constituem um sistema recursivo de equações de regressão linear.
A análise de trajetória não é um procedimento para a demonstração da existência de causação
entre variáveis. Trata-se de um método de estimação das conseqüências de um conjunto de
suposições causais que se impõem ao sistema de relações para ter-se a informação dessa
interdependência básica no planejamento e gestão ambiental.
A definição operacional de efeito causal entre duas variáveis X
0
e X
1
, poderia ser:
X
1
é causa de X
0
se e somente se X
0
possa ser mudada
pela manipulação de X
1
, e somente X
1.


O conceito somente da definição acima, compreende a noção de hierarquia causal e a noção de
controle.

___________________
15
No mundo real estas relações não são necessariamente lineares, aditivas e unidirecionais. Admita-se, entretanto, que
na especificação de um modelo esta simplificação é plausível. Por outro lado, quando o estudo é preliminar ou exploratório,
como é no presente caso, tal pressuposição é plenamente sustentável




Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





77
Conforme estas noções, a manipulação sozinha de X
1
não implicam que todas as outras causas de
variação de X
0
estejam sob controle ou permaneçam constantes.
Pela noção de hierarquia, o conceito de causa sugere o critério de causação e o meio de medir o
efeito causal (prioritário) sobre X
0
.
A mudança direta (no caso de insumos produtivos) ou indireta (no caso de fatores produtivos
como os climático, edáfico e água, na função de produção representada pela expressão 6) de X
1

sozinha provocará alterações em muitas outras variáveis (que não poderiam ser consideradas
constantes) que são afetadas por X
1
.
Este critério de causação pode ser representado por:
X
0
= c
01
X
1
(9)
onde “c
01
” é uma constante que representa as mudanças em X
0
provocada pelas mudanças
unitárias de X
1
, definida como coeficiente linear do efeito causal ou coeficiente do efeito, diferente
do coeficiente de regressão.
A primeira suposição de uma análise de trajetória é a de uma ordenação causal fraca definida em
sua direção.
A segunda suposição da análise, é a relativa ao fechamento causal, com diversas estruturas,
conforme se ilustra nos seguintes exemplos:
a) Covariação de causação fechada a influência externa














Clima Vegetação
Mercado Clima
Mercado não está conectado
com clima ou vegetação
Manejo
Solo
Clima é causa do
manejo mas não do solo
Clima Vegetação Produção
Clima é causa de vegetação e da produção, mas
o efeito do clima sobre a produção está contido
na vegetação ou é exercido através dela



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78





b) Covariação distribuída e Covariação comum




















O princípio que fundamenta um sistema recursivo é o de que a correlação entre um dado par de
variáveis pode ser definida em termos de trajetória, a partir das variáveis antecedentes, com o auxílio
do coeficiente de Pearson, definido por (Duncan, 1966):


r
i j
= (1/n) E X
i k
X
j k



onde n representa o número de observações.

Os descritores são correlacionados linearmente e a matriz-correlação simples é dada
por:
Clima Manejo
Conservação
Clima
Manejo
Conservação
A covariação entre manejo e conservação é
devida, em parte, à dependência causal de
conservação em manejo e em parte devida a uma
causa comum proveniente do clima
A covariação entre manejo e conservação é
totalmente devida a uma dependência comum e
direta de uma causa externa: o clima
(10)
n

k=1



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





79


R
n
= [ r
ij
] =
(11)





Para i = C, S, V, A e T
Verificando-se R = R´| r
ij
= r
ji
; r
ii
= 1 ∀ i = 1, 5 no exemplo considerado
Na FIGURA 21 se admitiu que a covariação entre Solo ( S ) e Clima ( C ) é exógena (trajetória
ambígua que pode ser de C ÷ S ou C ÷ S) e desconhecida a verdadeira (se existir?) relação causal
(essa relação, em hipótese, é correlacional).
Um modelo geral de análise de trajetória, com esta pressuposição e para o caso de duas variáveis
exógenas (A e V), sendo os demais relacionamentos entre as variáveis definidos, pode ser descrito
como segue:

















S
C
A
V
r
sc

S e C são variáveis exógenas
As equações recursivas do modelo são:
A = p
AS
S + p
AC
C + p
AE
e
V = pVS S + pVC C + pVA A + p VE e
T = pTS S + pTC C + pTA A + pTV V + p TE e
e
Resíduo aleatórios
r
11
r
12
r
13
r
14
r
15

r
21
r
22
r
23
r
24
r
25

r
31
r
32
r
33
r
34
r
35

r
41
r
42
r
43
r
44
r
45

r
51
r
52
r
53
r
54
r
55

T
pAS
pVS

pAC

pTS
pTC
pVC
pTV
pTA
e
e
pVA
Produção
madeireira
Variável resultado
ou endógena
Va r i á ve i s de co nt r o l e
I ndi r e t o e di r et o ( f
n
. do Ma ne j o )
 



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80





onde os coeficientes p
ij
são os coeficientes de “path” que, pela assimetria do sistema, em geral p
ij

= p
ji
, e onde a presença de um fator impede a presença do outro, sendo a ordenação convencionada
pela orientação do segmento (flecha).

Para os propósitos do manejo integrado desse conjunto de recursos (combinados com insumos de
produção), visando a sustentabilidade do processo extrativista madeireiro, interessa à firma ou
empresa, ao setor (industria) e às entidades governamentais-privadas de monitoramento e controle
ambiental da Região, conhecer qual é a natureza e a intensidade do relacionamento de causalidade
fraca entre as variáveis motrizes, bem como quais são os mecanismos indutores da mudança desses
fatores.
Para este propósito se utilizam estatísticas da decomposição dos efeitos de variação, conforme o
seguinte esquema teórico-aplicativo ao caso em análise:

Var(A)=1=p
2
AS
+ p
2
AC
+ p
2
Ac
+ 2r
SC
p
AS
p
AC
(12a)


Var(V) = 1 = p
2
VS
+ p
2
VC
+ p
2
VA
+ p
2
Ec
+ 2r
SC
p
VS
p
VC
+
2r
SA
p
VS
p
VA
+ 2r
CA
p
VC
p
VA
(12b)


Var(T) = 1 =p
2
TS
+ p
2
TC
+ + p
2
TA
+p
2
TV
+2r
SC
p
TS
p
TC
+
2r
SA
p
TS
p
TA
+ 2r
SV
p
TS
p
TV
+ 2r
CA
p
TC
p
TA
+
2r
CV
p
TC
p
TV
+ 2r
AV
p
TA
p
TV
(12b)


Para o caso de três fatores (A, V e T) sob relativo controle, e dois fatores exógenos,
o coeficiente de correlação parcial r
i j
é derivado das expressões (12a-c) como:






Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





81

r
AS
= r
SA
= p
AS
+ p
AC
r
SC


Desta forma:

p
AS
= (r
AS
– r
AC
r
CS
) / (1 – r
2
CS
)

p
AC
= (r
AC
– r
AS
r
CS
) / (1 – r
2
CS
)

De forma semelhante, derivar-se-ão os coeficientes de correlação para os outros
fatores.

Das relações funcionais acima descritas se obtém os feitos das variações
classificadas:

Bruto
Direto
Líquido
Efeito de
Variação
Indireto Obtidos por diferença (r
ij
– p
ij
)




O exemplo numérico que segue procura uma aplicação da técnica “path analysis” ao caso de
cinco conjunto de fatores considerados na exploração da floresta para a produção de madeira,
estimando a contribuição de cada um desses conjuntos no processo, a interdependência entre
variáveis motrizes e a decomposição dos efeitos de variação, com significados práticos para a
conservação e o manejo.
Por que o setor madeireiro?
Porque a Amazônia Ocidental possui um grande potencial produtivo madeireiro que é
subutilizado (ou utilizado de forma ineficiente e sobre padrões de exploração pouco técnicos,
13



Eduar do AG Gar c i a





82
agressivos aos ecossistemas e de incerteza) e que poderia contribuir para a despolarização e a
manutenção do homem no interior.
Para este propósito, é necessário considerar as reais perspectivas de crescimento, com base nas
potencialidades regionais, e a consolidação da atividade madeireira como um setor que se
desenvolva com ações “limpas” e sustentáveis, e de efeitos sociais positivos e distribuídos.
Pela análise hierárquica se estabelecem aspectos dos cenários sobre os quais se definem as ações
e estratégias dos planejamentos setoriais integrados nos planos de desenvolvimento regional,
executados durante a gestão realizada por órgãos e instituições fortalecidas e com os recursos
necessários.
Esses planos, a implementação/implantação dos mesmos e diversas atividades de monitoramento
e avaliação de sus resultados, são auxiliados pela iniciativa privada e a participação da comunidade
organizada.
Em todo esse processo é fundamental conhecer a inter-relação entre as variáveis e o nível de
eficiência relativa no uso atual de uma das atividades que por vocação e grande potencial se
apresenta com grandes perspectiva. O manejo integrado dos recursos naturais considerados na
perspectiva de uso múltiplo, não poderia ser realizado, de forma eficiente, sem essa informação.
O setor madeireiro, que compreende as atividades desenvolvidas pelas serrarias, laminados e
compensados, apresenta as seguintes características gerais (Hummel et alii, 1994):
a) Alta dependência de floresta nativa, com reposição florestal incipiente ou inexistente;
b) Atividade itinerante das serrarias [realizada sem assistência técnica nem monitoramento];
c) Elevado atraso tecnológico, em conseqüência, em parte, da atitude avessa dos empresários as
inovações tecnológicas;
d) Pequeno investimento em pesquisa [e difusão de tecnologia], sendo que o setor privado pouco
ou nada investe;
e) Estreita vinculação com os setores da construção civil e moveleiro [sem aproveitar as possíveis
vantagens que essa vinculação/complementação pode oferecer ao setor].
No Plano Nacional de Conservação e Desenvolvimento Florestal, citado por Hummel et alii (op.
cit.), são relacionados alguns dos graves problemas do setor madeireiro, com destaque para:
a) Ineficiência técnica e de organização da mão-de-obra, formada dentro da própria indústria,
perpetuando, assim, vícios e erros;



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





83
b) Dificuldades de suprimento de matéria-prima face à dificuldade de aceitação de espécies
vegetais menos conhecidas e à desorganização da exploração florestal;
c) Falta de integração florestal – industrial [que essa estratégia pode oferecer, com novas
vantagens para o setor];
d) Baixo aproveitamento de resíduos e subprodutos [em processos produtivos de integração, com
geração de emprego e renda no local];
e) Baixa ou inexistente transferência de tecnologia, em decorrência do baixo nível de
investimento nos setores de pesquisa e extensão florestal, portanto, pouco conhecimento
nesses setor e pouca atividade na extensão florestal. Portanto, baixa competitividade e escassa
organização do setor.
Em conseqüência, o setor primário apresenta baixa produtividade e baixa eficiência técnica na
produção florestal, com graves perturbações que comprometem a sustentabilidade ambiental
desse processo.
É oportuno indicar que a não-sustentabilidade ecológico-meio ambiente de parte significativa da
produção madeireira na Região, orientada por metas “economicistas”, poderá ser modificada pela
tecnologia, incorporada na conservação e no manejo integrado desses recursos.
Como? Mediante a elaboração de Planos de Conservação e Manejo Floresta com características
endógenas (locais) e visão de longo prazo, onde se evidenciem normas, indicadores e critérios
integrados/complementares/ sinérgicos das áreas jurídico-legal, econômico/financeira,
administrativa/ gerencial, educação ambiental e pesquisa/extensão (nas esferas federal e estadual),
bem como a integração vertical e outras, de setores madeireiro-construção civil-industria-artesanato-
ecoturismo-extrativismo etc.
Cabe, ainda, acrescentar, que a conservação e o manejo integrado, para fins múltiplos da floresta,
de que trata esses Planos, não é apenas uma exigência ecológico-meio ambiente, mas comporta,
também, fundamentalmente, razões de ordem econômica, social e estratégica, para a legitimação da
ocupação racional dessas reservas. Ao final, esses Planos visam o desenvolvimento sustentável na
parte que a eles cabe.
f) Consumo nacional pouco exigente à qualidade de produtos e processos, o que não estimula,
pela diferença de preços de mercado, a melhoria do processo, nem incorpora tendências
internacionais nesse sentido.




Eduar do AG Gar c i a





84
Assim, o reflexo do mercado internacional no setor madeireiro regional, quanto às exigências de
qualidade total em produtos e processos, e quanto ao estímulo de mercado via preços é, em hipótese
deste documento, minorada e distorcida, em conseqüência da inexistência ou deficiência de critérios
de normalização e sistematização aplicados ao setor com realismo técnico e operacional-
administrativo;
A caracterização técnica e operacional do imenso potencial das florestas tropicais da Amazônia
Ocidental, nos Planos, é condição sine-qua-non para que esse potencial passivo, sem liquidez atual,
seja viabilizado, em bases sustentáveis, com a incorporação gradativa e estratégica ao processo
econômico.
Parte da definição de ações e estratégias de incorporação gradativa do potencial passivo ao
processo com liquidez econômica-social e sustentabilidade ambiental, é orientada pela análise que se
apresenta a seguir.
A amostra piloto, considerada para os propósitos ilustrativos das técnicas de análises de dados,
foi obtida de dez sub-regiões que apresentam as seguintes características gerais:
a) Sub-região 14 (quatro elementos amostrais). O relevo predominante é de Planícies Interioranas,
suave ondulado a ondulado, textura argilosa, bem drenado, fertilidade de média a muito baixa,
com isoietas entre de 2.200 a 2.400 mm.
O tipo climático é o Equatorial Quente Úmido, com pouco a moderado déficit de água, ao sul
da sub-região, e com pouco ou nenhum déficit de água, ao norte. Na parte ocidental, se
observa o clima Equatorial Subquente Úmido.
Os tipos de florestas predominante são: Floresta equatorial perenifólia, Floresta equatorial
perúmida, Floresta equatorial subcaducifólia e Floresta subperenifólia. Nesta tipologia
florística é possível identificar e caracterizar espécies madeireiras com potencial econômico
sustentável quando definido um manejo integrado.
A Sub-região possui rede de escoamento (drenagem) e as condições sócioeconômicas, pela
influência direta do Pólo de Manaus, são boas, no contexto da Amazônia.
Com base nesta informação, certamente preliminar e agregada, complementadas com
informações pontuais, foram definidos os fatores de mensuração, nas seguintes faixas de
variação:
a.1) Distância da empresa madeireira ao eixo de escoamento determinante de custos de
produção: 20 a 100km, definido na escala de 1 a 10 (10 ÷ 20km até 1÷100km);



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





85
a.2) Solos planos a suavemente ondulados, com baixa fertilidade natural, deficiências de
nutrientes e teores elevados de alumínio trocável, definidos na escala de 3 a 7 (3 ÷ inferior
qualidade e 7 ÷ maior qualidade);
a.3) As condições climáticas e de disponibilidade de águas são consideradas típicas da floresta,
sendo definidas, em relação à atividade que se exemplifica, numa escala em torno de 7 (5
÷ condição menos favorável até 9 ÷ condição mais favorável);
a.4) A vegetação, conforme descrição geral, é típica da floresta amazônica, sendo definida
numa escala em torno de 8 [com variações entre o menor valor da escala (5) até seu maior
valor (10)];
a.5) Os índices de produtividade são considerados relativamente altos, variando entre 18 a
28m
3
/ha.
a.6) O fator de tecnologia que inclui insumos e práticas de manejo dos recursos naturais foi
considerado baixo-médio, numa escala definida entre 5 e 7.
b) Sub-região 15 (dois elementos amostrais). O processo de definição e mensuração dos fatores
de produção para a atividade que se está exemplificando, foi semelhante ao aplicado na Sub-
região 14, com seus correspondentes valores apresentados na TABELA 9;
c) Sub-região 16 (dois elementos amostrais) (TABELA 9);
d) Sub-região 12 (dois elementos amostrais) (TABELA 9);
e) Sub-região 9 (três elementos amostrais) (TABELA 9);
f) Sub-região 12 (dois elementos amostrais) (TABELA 9);
g) Sub-região 9 (três elementos amostrais) (TABELA 9);
h) Sub-região 6 (três elementos amostrais) (TABELA 9);
i) Sub-região 11 (quatro elementos amostrais) (TABELA 9);
j) Sub-região 18 (três elementos amostrais) (TABELA 9);
Para simplificar o problema de inter-relacionamento de variáveis no processo primário de
produção madeireira se define o seguinte esquema:



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86





















CLIMA
( C )

SOLO
( S )
VEGETAÇÃO
( V )
TECNOLOGIA
( T )
PRODUÇÃO
( Q )
r CS
pVC
pTS
pVS pTV
pQV
pQT
pQS
pQC



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





87

TABELA 9 “Amostra piloto” de grupo de fatores físicos ordenados numa escala de referência de 1 a
10 com equivalente ponderação ou importância relativa

SUB
REG
CUSTO
DISTÂNCIA
EIXO

TECNOL SOLO CLIMA VEGETAÇÂO PRODUÇ.
14 24 4 6 4 5 10 18
14 32 1 7 3 9 8 22
14 28 2 5 7 7 7 28
14 34 4 5 3 8 8 26
15 36 2 4 4 7 8 24
15 38 2 3 5 7 8 22
16 33 2 3 4 6 8 22
16 38 4 4 6 8 8 20
12 38 3 2 5 7 6 19
12 37 3 1 6 7 7 20
9 36 2 2 4 7 7 19
9 33 4 3 5 8 9 22
9 36 1 2 4 7 8 20
11 37 1 2 6 5 4 16
11 33 2 2 5 6 5 17
11 34 2 3 6 6 6 16
11 35 1 2 4 5 5 15
6 28 4 3 5 6 7 22
6 26 3 5 5 7 8 24
6 30 1 2 4 5 7 20
18 29 2 3 4 4 5 18
18 33 1 2 5 6 7 22
18 35 1 1 6 6 8 17







Onde o CLIMA e SOLO, como conjunto de variáveis exógenas, se manifestam na PRODUÇÃO
primária, através da VEGETAÇÃO, enquanto que SOLO e VEGETAÇÃO, o fazem por intermédio
da TECNOLOGIA.



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88
Dessa forma colocada, a inter-relação entre C e S é de correlação, e entre os demais fatores é
mediante o coeficiente de “path”.
Para este exercício inicial, as estimativas dos coeficientes de correlação de Pearson, com seus
correspondente níveis de probabilidade (em termos de nível mínimo de significância), são
apresentados na TABELA 10.



TABELA 10 Matriz de correlação dos fatores intervenientes na produção
madeireira da Amazônia Ocidental, baseado em “amostra-piloto”.
CUSTO SOLO VEGETAÇÃO TECNOLOGIA PRODUÇÃO
CLIMA
(C)
1,000
(0,0)


SOLO
(S)

0,26
(0,23)
1,000
(0,0)

VEGETÇÃO
(V)

0,17
(0,42)
0,23
(0,29)
1,000
(0,0)

TECNOLOGIA
(T ou I)

0,36
(0,09)
0,42
(0,05)
0,30
(0,16)
1,000
(0,0)

PRODUÇÃO
(Q)

0,11
(0,60)
0,34
(0,11)
0,42
(0,04)
0,47
(0,02)
1,000
(0,0)




O problema consiste no cálculo, a partir da formulação metodológica acima indicada,
de:
a) Os coeficientes de “path” (p
ij
);
b) Os coeficientes de determinação do sistema recursivo definido a partir do esquema gráfico [r
2
];
c) Os efeitos indiretos, estimados por diferença (r
i j
– p
i j
).
Para o caso das estimativas dos coeficiente de “path”, têm-se as seguintes relações funcionais:




Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





89
R
TS
= p
IS
+ p
IC
r
SC
¬ p
IS
= [(r
VI
– r
VI
r
CS
) / (1 – r
2
SC
) = 0,12
R
TV
= p
TV
+ p
VC
r
CS
¬ p
TV
= [(r
TV
– r
VC
r
CS
) / (1 – r
2
SC
) = 0,20

r
VC
= p
VC
+ p
TD
r
CT
¬ p
VC
=0,37
r
TV
= p
IV
+ p
IS
r
VS
¬ p
IV
=0,21

r
QV
= p
VP
+ p
PI
r
VI
¬ p
PV
= 0,31
r
QT
= p
PI
+ p
PV
r
IV
¬ p
PI
= 0,38

Com esta informação, o diagrama de “path” é redesenhado com a especificação dos valores dos
respectivos coeficientes, assim:



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90














As estimativas dos coeficientes de determinação do sistema recursivo formado pelas variáveis
motrizes, com seu melhor ajuste pela transformação em logaritmo, são:

logV = f(logS, logC)
logV = 0,899 + 0,335 logC + 0,239 logS
(15)
t 2,21 1,71 1,34
r
2
= 0,24 e F = 3,19

logI = f(logS, logV)
logI = 0,166 + 0,157logS + 0,600logV (16)
t 0,16 0,34 1,18
r
2
= 0,10 e F = 1,12

logQ = f(logV, logI)
logQ = 1,95 + 0,459 logV + 0,167 logI
(17)
t 4,51 1,97 1,61
r
2
= 0,31 F = 4,54

Conforme os resultados obtidos no sistema recursivo de equações, é possível inferir:

CLIMA
( C )

SOLO
( S )
VEGETAÇÃO
( V )
TECNOLOGIA
( T )
PRODUÇÃO
( Q )
0,26
0,37
0,12
0,20 0,21
0,31
0,38



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





91
O modelo (15), em função de variáveis exógenas, explica 24% da variação no fator de
VEGETAÇÂO. Desta forma, 76% da variação em VEGETAÇÃO será a contribuição do resíduo
aleatório.
Em (16), o modelo regressivo explica apenas 10% da variação de TECNOLOGIA, aqui
considerada como um índice de aplicação de insumos “modernos”. Pela estimativa da estatística de
Student (t), apenas a variável VEGETAÇÃO foi estatisticamente significativa, sendo em torno de
90% a contribuição do resíduo aleatório
Em (17), o modelo regressivo explica 31% da variação da PRODUÇÃO, (vale dizer,
produtividade definida em m
3
/ha) pela mudanças dos fatores VEGETAÇÃO e INSUMO ou
TECNOLOGIA.
Quanto aos efeitos diretos de variação, especificados por unidade de referência nos fatores de:
a) VEGETAÇÃO, tem-se:
a.1) A contribuição direta de SOLO, para uma mudança de 10% na VEGETAÇÃO, foi
estimada em 2,5%. Pela forma potencial de especificação do modelo, este coeficiente de
regressão representa o coeficiente de elasticidade da função de produção, com argumentos
estatisticamente significativos ao nível de 10%.
a.2) A contribuição do CLIMA para uma mudança de 10% na VEGETAÇÃO é significativa e
estimada em 3,3%.
Nesta especificação, há uma interação entre os fatores SOLO x CLIMA, definida pela
diferença entre a soma das contribuições marginais dos fatores e o efeito total explicado por
esses fatores nessa função.
Pela estimativa do coeficiente de determinação múltipla (r
2
= 0,24) se sabe que 76% da
variação total do fator VEGETAÇÃO está sendo explicada pelos argumentos considerados
nesta equação do sistema.
Assim, de uma mudança relativa de 10% em VEGETEÇÃO, 6,0% é devida diretamente pelas
diferenças no fator CLIMA e SOLO, sendo o restante atribuída a interação deles, entre outras
causas.
Esta interação define, por sua vez, as ações integradas do manejo conforme a direção da
causalidade e a intensidade da mesma.



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92
A importância relativa dos fatores CLIMA e SOLO sobre VEGETAÇÃO, aqui considerada
como um efeito das diferenças locais registradas na “amostra piloto”, pode ser considerada
para avaliar os efeitos das mudanças desses fatores em um dado local.
b) Para o caso da variável TECNOLOGIA (expressa pela intensidade de uso de insumos
“modernos” ??), os resultados do exercício mostram:
b.1) A contribuição direta do fator SOLO e do fator VEGETAÇÃO, para uma mudança de
10% no fator TECNOLOGIA ou INSUMO, foi estimada em 1,6% e 6,0%,
respectivamente, sendo que a ação do fator SOLO, para este caso, não foi estatisticamente
significativa. Assim, somente o fator VEGETAÇÃO estará determinando variações no
conjunto de fatores TECNOLOGIA ou INSUMO.
c) No caso da variável PRODUÇÃO, Q (definida por um índice de produtividade em termos de
m
3
/ha), tem-se uma explicação razoável da variação em função de apenas dois argumentos:
VEGETAÇÃO e INSUMO, em torno de 31%, com contribuições marginais de 4,7% e 1,6%
na variável endógena.
É importante observar que os efeitos induzidos nos fatores VEGETAÇÃO e INSUMO sobre a
PRODUÇÃO, incluem outros que se acusam mediante os efeitos indiretos.
Qual é a importância desta informação técnica para definir conservação e manejo integrado dos
recursos potencializados no modelo anterior?
Essa importância está definida em função da relação e interdependência entre fenômenos como
desflorestamento – mudança climática – alteração de regime hídrico e hidrológico – “estados” do
solo – perdas da biodiversidade – etc.
As estimativas dos efeitos indiretos são:

r
IS
– p
IS
= 0,17 – 0,12 = 0,05

r
IC
– p
IC
= 0,23 – 0,19 = 0,04

r
VC
– p
VC
= 0,42 – 0,37 = 0,05



Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





93

r
VI
– p
VI
= 0,30 – 0,21 = 0,09

r
QV
– p
QV
= 0,47 – 0,38 = 0,09

r
QI
– p
QI
= 0,42 – 0,31 = 0,11

r
VS
= 0,36

r
QS
= 0,11

r
QC
= 0,34

Da matriz de correlação simples (TABELA 10) é possível estimar a contribuição de cada um dos
fatores

















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94






















Técnicas e métodos para a análise numérica de potencialidades





95

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