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Moção de Estratégia Global ao XX Congresso Nacional da Juventude Popular

Unidos por Portugal

Subscritor: Miguel Pires da Silva

Ao Povo Português

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INDÍCE

Orientações Gerais……………………………………………...2 Acções Especificas para a Juventude………………………….5 Organização Interna……………………………………………8 Economia………………………………………………………...9 Educação……………………………………………………….11 Segurança e Defesa………………………………………....….14 Agricultura e Pescas…………………………………………...21 Política Externa………………………………………………..23

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Orientações Gerais
Termina agora um mandato que se demonstrou determinante na união e crescimento da estrutura da JP. Não podemos deixar de lembrar as circunstâncias em que este mandato se iniciou. É chegada a hora de iniciar um novo fascículo na já longa história da Juventude Popular. Hoje apenas conseguimos acreditar numa JP forte e unida devido ao esforço e dedicação que todos demonstraram durante este tempo tão conturbado.

É assim com renovada energia e com total confiança nas capacidades dos nossos jovens que apresentamos mais um moção repleta de esperança e determinação.

O próximo mandato será determinante na afirmação da Juventude Popular em três momentos chave do destino colectivo Português. Teremos todos de estar à altura dos desafios que nos vão ser colocados.

O empenho da JP nas eleições Europeias será decisivo para que o ideal da Democracia Cristã possa ter a maior representação possível no Parlamento Europeu. Teremos todos de fazer um esforço adicional para juntos dos que nos são próximos relembrar a razão que nos une e os ideais que defendemos para Portugal no seio da União Europeia.

Junho será o mês da restauração da independência financeira de Portugal. Cabe-nos até lá relembrar que os esforços não foram feitos em vão e que mais uma vez o Povo Português, unido e coeso, deu ao Mundo uma lição de humildade, sacrifício e trabalho. Junho será mais uma data histórica em que a JP terá que marcar a sua presença com a apresentação de propostas e alternativas ao novo modelo que inevitavelmente surgirá após a saída da intervenção internacional.

Por último, em 2015 será a altura da legislatura apresentar as suas contas e ser julgada em eleições. Cumpre à JP estar presente e totalmente solidária com as opções que o Governo, em nome da conquista da independência financeira, tomou, apoiando nas acções de campanha e na promoção das soluções para as quais teremos de ativamente contribuir.

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Neste sentido, defendemos que a JP deve debater internamente propostas concretas para a economia, emprego, e segurança social. Teremos de batalhar para que de uma vez seja colocada na agenda mediática a questão do empreendedorismo jovem, onde possam ser equacionadas medidas de apoio fiscal e financeiro para novos negócios desenvolvidos por jovens. Só assim poderá ser combatido o flagelo do desemprego e os números vergonhosos dos emigrantes jovens.

Por outro lado, a JP não deve temer empreender um estudo profundo e consequente de uma solução a longo prazo para a segurança social. Estudo esse que tenha em conta não só a questão de financiamento da segurança social mas que tenha uma visão alargada dos desafios com que os Estados soberanos se confrontam no Séc. XXI para o seu financiamento.

Certos que não há tarefa que possa ficar por fazer quando o alento é firme e autêntico. Estamos confiantes que a JP mais uma vez está do lado da coesão, da justiça e da ética neste exercício que aqui propomos. Hoje, como sempre, Unidos por Portugal !

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Acções Específicas para a Juventude

São várias as ocasiões, os momentos e as oportunidades onde ouvimos e dizemos que as juventudes partidárias, não são apenas meros valores numéricos, traduzidos em bandeiras ou cânticos de campanha. Para tal acontecer, há que ter consciência que, enquanto juventude partidária temos ainda um longo caminho de afirmação e convicção a percorrer. Urge o posicionamento político, pois só através do mesmo podemos credibilizar a nossa instituição. As juventudes partidárias são por si só agentes políticos, que não obstante a responsabilidade que lhes é exigida e esperada, têm pelas idades que englobam e agregam uma maior facilidade na comunicação e abordagem. Todos sabemos que o distanciamento entre jovens e política é avassalador, no entanto esse distanciamento não se verifica quando do lado oposto aos jovens existe uma causa ou um motivo de força maior, nesse caso, assistimos à mobilização. Afinal de contas não deve ser uma juventude partidária uma causa? A resposta é afirmativa, deve ser. Em todo o caso, o simples rótulo de juventude partidária não lhe confere de forma automática motivos mobilizadores. É neste ponto que a Juventude Popular deve crescer, aprender, mas acima de tudo melhorar. As nossas iniciativas, os nossos ideais, os nossos projectos são fortes. No entanto, apenas isso não é suficiente para sermos reconhecidos como alternativa, como opção. Falta à nossa instituição tomada de posição, de opinião, livre e descomplexada. Opinião que transmita efectivamente os anseios e as necessidades da camada mais jovem da nossa sociedade. Queremos ser ouvidos, mas para isso necessitamos de ter opinião sobre o assunto. Queremos ter visibilidade, mas para tal, também precisamos dar nas vistas. Queremos intervir, mas para tal, também devemos ter sugestões válidas, coerentes e exequíveis. Queremos ter representatividade, mas temos de ser merecedores da mesma. Propomos que possa ser equaciono a aplicação das seguintes medidas:

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Criação dos conselhos municipais da juventude por todo o País: Composto por todas as entidades com influência na vida dos jovens, tais como: vereador da juventude, juventudes partidárias, grupos de jovens, associações, etc.

Criação de uma política de diplomacia local: Com esta acção poderíamos, por exemplo, premiar os melhores alunos das escolas locais com um intercâmbio para outro país, ao estilo Erasmus, que permitisse, em termos culturais, dar outra perspectiva de vida aos nossos jovens e, ao mesmo tempo, dar a conhecer o nosso país a estudantes estrangeiros.

Repensar as políticas de ensino local: É crucial adaptar os cursos profissionais e tecnológicos das escolas locais às principais actividades industriais de cada localidade/região, pois, desta forma, será mais fácil promover uma integração mais eficaz dos jovens no tecido empresarial da região, tornando-o mais sustentável e diversificando a indústria nacional.

Isenção ou diminuição do IMI para os jovens que vão comprar casa: Com esta medida seria possível atrair mais jovens famílias para os concelhos mais interiores; a medida deveria ter um intervalo etário definido, por exemplo, entre os 25 e os 32 anos.

Fazer acordos com a banca para conseguir boas condições de financiamento para os jovens que comprem casas degradadas em centros históricos: Dessa forma seria mais fácil reabilitar edifícios degradados, conseguindo simultaneamente estabelecer mais jovens, repovoando as principais cidades e combatendo o chamado efeito “donut”.

Apoiar o associativismo: Os grupos de jovens, os clubes locais e todas as outras entidades que promovam actividades lúdicas aos jovens; estas entidades são cruciais para uma boa formação, complementado a educação dada pela família e pela escola.

Criar programas de saúde nacional específicos, como por exemplo: obesidade O sedentarismo afecta uma grande parte dos jovens e é um problema que pode ser facilmente evitado através de uma maior consciencialização, junto, por exemplo, das escolas e associações locais; Poderia também investir-se em
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aparelhos de manutenção física, que de uma forma gratuita, poderiam ser usados por todos, em parques, zonas verdes.

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Organização Interna

A Juventude Popular, tem de continuar a primar por ser a melhor juventude partidária deste grandioso país. Para que consigamos manter essa liderança, temos de estar na dianteira de todas as bandeiras que defendemos, no apoio dos nossos militantes e, acima de tudo na formação interna e externa.

Como formação estruturada da Juventude Popular temos tido, e bem, as nossas Universidades da JP. Mas não nos podemos acomodar só com este ponto alto da Instituição. Temos que estruturar a nossa formação a todos os níveis. Muitas recém concelhias querem oferecer formação aos seus militantes mas os principais obstáculos à priori são os temas e os oradores. E depois de uma concelhia já ter conseguido realizar essa formação interna passa para uma fase seguinte de querer expor-se à sociedade. Numa primeira fase às escolas do concelho, e mais uma vez se coloca a questão de qual o tema - será um debate ou uma palestra, e quem são os oradores.

A JP tem de organizar programas de formação para os diferentes tipos de target da instituição. Dentro da estrutura temos militantes que são deputados da Assembleia da República. Temos militantes que são muito bons, os melhores, na filiação e até a "vender" o ideal JP e temos militantes que se destacam nas mais variadas áreas da sociedade civil. Fazendo um apanhado, temos concelhias que querem trabalhar para os seus militantes e aumentar as suas influências e temos uma estrutura riquíssima em experiência, só temos de facilitar o trabalho aos nossos militantes para serem as estruturas mais representativas dos seus concelhos.

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Economia

Portugal, ao longo das duas últimas décadas foi acumulando desequilíbrios macroeconómicos gravíssimos, que contribuíram para que na última década o país tivesse das taxas de crescimento mais baixas da OCDE. Para tentar resolver este problema, sucessivos Governos adoptaram programas de índole Keynesiana que apostavam na expansão da procura agregada, contribuindo assim para o aumento do desequilíbrio das contas externas e para o aumento da dívida pública, sem que o PIB registasse sinais de crescimento. Como resultado destas políticas, Portugal foi forçado em 2011 a recorrer a assistência externa e a aplicar o Programa de Assistência Económica e Financeira que tem como objectivo reequilibrar as contas públicas e corrigir os desequilíbrios estruturais do país. Nos últimos dois anos e com base no PAEF, Portugal já aplicou um conjunto de reformas estruturais, das quais se destacam a lei das rendas e a reforma da legislação laboral. Estas reformas têm como objectivo dar um novo dinamismo à economia e restaurar a confiança dos investidores e das empresas na economia nacional. Por outro lado o Governo iniciou um conjunto de programas e de medidas que visam a atracção de investimento, sendo a mais elogiada, quer em termos nacionais quer em termos internacionais, o visto Gold. Estas medidas são importantes, pois estimulam o investimento nacional e estrangeiro, contribuindo assim para um impacto positivo na oferta agregada, o que é fundamental para um crescimento sustentável. Portugal, apesar de todos estes avanços, ainda apresenta uma estrutura macroeconómica bastante débil, apesar dos sinais positivos que a economia tem demostrado. Desta forma é necessário concluir as reformas em curso e avançar com novas medidas, uma vez que é necessário estimular os sinais positivos. Portugal necessita de um Estado qualificado, competente, organizado e

desburocratizado; de forma a quês os investidores e os cidadãos tenham uma resposta rápida e clara, quer seja na aprovação de um projecto, na obtenção de uma licença ou no recurso à justiça. Por outro lado necessitamos de um Estado menos interventivo na actividade económica, deixando aos privados a função empresarial, devendo por isso privatizar ou concessionar uma parte considerável do Sector Empresarial do Estado, no
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qual se destacam as empresas de transporte (CP, Carris-Metro Lisboa; STCP-Metro do Porto, Soflusa-Trastejo e TAP). Ao mesmo tempo, é necessário um Estado que seja um regulador eficiente, devendo para isso dotar as autoridades competentes de quadros qualificados e independentes, de forma a eliminar distorções de mercado abusivas e que prejudicam a actividade dos agentes económicos e a actividade económica no seu todo. O Estado acima de tudo deve ser uma entidade amiga e promotora do investimento e do crescimento económico sustentável, devendo para isso reduzir a sua despesa de forma a garantir o pagamento da divida, a redução da carga fiscal e a realização de investimentos públicos racionais. A adicionar às medidas já anunciadas, e de forma a tornar Portugal numa referência no quadro da OCDE, esta moção propõe:   Redução sustentada da carga fiscal, dando especial destaque ao IRC, de forma a permitir a livre iniciativa; Reforma a lei laboral tornando-a mais flexível e liberalizando o mercado laboral, permitindo assim que o mercado se ajuste e corrija a taxa de desemprego;   Promoção de uma ligação entre a oferta de cursos profissionais e as necessidades das empresas, de forma a reduzir o desemprego jovem; Promoção de um regime de concertação social sectorial, para que cada sector possa determinar o nível salarial de acordo com as suas especificidades, aumentando assim o potencial empregador;  Criação de um programa de atracção de investimento estrangeiro, que se traduza num regimente fiscal, laboral e jurídico mais vantajoso para empresa, devendo seguir-se o exemplo da Autoeuropa; Se Portugal for capaz de concluir o Programa de Ajustamento Economico e Financeiro, se for capaz de avançar com novas reformas e se for capaz de adoptar uma postura agressiva de atracção de investimento teremos todas as condições para termos um crescimento sustentável e sermos um caso de sucesso de recuperação económica e social.

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Educação

A Juventude Popular afirma-se como a única organização política de juventude defensora do mérito, do rigor, de mais autonomia, melhores resultados e mais liberdade no que ao ensino diz respeito. A Educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é uma preparação para a vida, é a própria vida, a base de qualquer sociedade e vai continuar a sê-lo no futuro, pelo que pedimos uma total disrupção com o passado no sentido de

descomprometermos ideologicamente o Ensino em Portugal e darmos mais liberdade às pessoas na escolha da instituição e do projecto educativo que pretendem. Mesmo este governo tendo dado sinais importantes nesse sentido, entendemos que deve ser dada liberdade total às populações de se organizarem em projectos próprios caminhando para mais liberdade nos conteúdos programáticos respeitando padrões de qualidade definidos pelos Ministério. Por outro lado, deve ser dada maior liberdade também às pessoas na escolha da escola ou da universidade que pretendem através da execução do programa do cheque ensino já anunciado pela actual tutela governamental. Esta foi sem dúvida uma das maiores vitórias da nossa estrutura na área da educação, na medida em que devolve autonomia às escolas no seu financiamento, aumenta a competitividade entre elas o que só poderá ser benéfico para os alunos, e devolve também autonomia aos pais na escolha da escola que querem para os seus filhos. Sem menosprezo de todas as outras que tivemos ao longo deste mandato, como sendo o reforço dos exames no final de todos os ciclos, não só nas disciplinas de Português e Matemática, mas em todas como forma de exigência e real avaliação dos conhecimentos dos alunos em matérias essenciais para o seu futuro, com uma cotação de 25% da nota final; Propomos ainda a publicitação de um ranking de empregabilidade por parte das universidades e ao mesmo tempo um aumento de autonomia na sua actuação e capacidade de gerar receitas próprias. Sendo o sector da educação demasiado corporativista a actuação deve ser objectiva e clara, para que não se perca a oportunidade única para aplicar as reformas necessárias e
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obrigatórias no modelo educacional português. Assim sendo é prioritário a redução do número de alunos por turma, seguindo as tendências dos melhores países, melhorando a aproximação do professor aos alunos, e criando menos barreiras à aprendizagem. É essencial que se perceba que as melhores turmas têm, regra geral, menores alunos e um grau maior de aquisição de conhecimento. Assim sendo, consideramos que 15 aluno para o 1º Ciclo será o máximo, 22 alunos no 2º Ciclo, 25 alunos no 3º Ciclo e Secundário; A Alteração da remuneração dos actuais directores de escolas, consideramos exorbitante que recebam por vezes mais 50% acima do salário habitual como professor, tendo em conta a delegação de tarefas que operam e não terem carga lectiva na maioria dos casos. Pensamos que um limite de mais um salário mínimo acima do salário habitual, já é razoável; Consideramos ainda, que na actual estruturação do ensino é necessária a existência de um administrador de recursos, por mega-agrupamento ou por um máximo de 3 escolas, um director pedagógico por escola pertencente ao mesmo. No fundo, a separação entre administração pedagógica e financeira deve ser alvo de profunda reflexão, no sentido de que as escolas sejam mais sustentáveis e tenham uma melhor afectação de recursos; Quanto à autoridade dos professores deve ser dada uma reposta clara, dentro da sala a autoridade máxima deve ser o professor; A retenção deve continuar a existir como modo de salvaguardar que os alunos realmente aprendem e cumprem os objectivos do seu ano, sem nunca deixar de haver um plano, para que se possa identificar a falha do aluno e para o motivar; Os pais são peças fundamentais na construção da educação dos seus filhos e devem ser responsabilizados pelos seus actos, a escola dá a Instrução, mas grande parte da Educação deve ser dada pelos pais; Acreditamos que o prolongamento até ao 12º ano do ensino obrigatório é um erro o que se devia recuar para o 9º ano de escolaridade. A par desta medida a conclusão do Ensino Secundário apenas devia ser possível com nota >9,5 valores no Exame nacional de Português; Quanto ao acesso ao ensino superior deve-se terminar com o acesso por meios menos justos de equivalência com aqueles que fazem o percurso via ensino secundário. Se o quiserem fazer terão que prestar provas a todos os níveis. (ex: ensino recorrente e ensino
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profissional); uma urgente Racionalização e Especialização da Rede de Ensino Superior; Implantação do Contrato de Transparência para o Ensino Superior; Primar pela qualidade nos cursos superiores, e fechar aqueles que se apresentarem em piores condições para serem leccionados; Terminar com os 2º Ciclos no ensino politécnico, e assim começar uma reforma séria em matéria pedagógica do que é Ensino de Investigação (Ensino Universitário) e ensino técnico (Ensino Politécnico);

Reestruturação do modo de financiamento das IES, e incentivar à sua própria autonomia financeira, criando através da produção de conhecimentos receitas. Maior aposta na internacionalização das IES, com programas como o ERASMUS; Maiores aproximações das empresas junto do conhecimento, não só como polo dinamizador do ramo empresarial, bem como do estabelecimento entre o mercado de trabalho e as instituições que formam os quadros superiores e inferiores das empresas; Incentivar aos grupos de empreendedorismo nas IES, e procurar implantação e financiamento nas regiões em que estão inseridas.

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Segurança e Defesa

Como atitude meramente instintiva ou ação planeada, as nações e os Estados caminharam pela História segundo uma ideia clara do seu destino que traduzia, de geração em geração, as suas mais íntimas aspirações, todas elas convergindo, naturalmente, na vontade permanente de sobrevivência e conquista de bem-estar, para tanto desenvolvendo as ações mais adequadas. É ao conjunto desta factualidade que a melhor doutrina chama conceito estratégico nacional. Portugal concretizou, desde a sua fundação, século após século, o seu conceito estratégico nacional - ainda que este nunca tenha sido explicitado num documento formal, com vantagens para a elaboração dos conceitos estratégicos subordinados, como é o caso do CESDN. Começou por ser o da ocupação sucessiva do espaço, revelando então, os nacionais, animados também pelos valores da fé cristã, um apurado instinto territorial, concretizado pela espada e pela diplomacia; depois, foi a expansão marítima e o domínio das rotas comerciais, segundo um plano bem concebido e melhor executado ao longo dos séculos, novamente pela espada e pela diplomacia. Desde 1974, com o fim do império assim construído, Portugal deixou de se orientar segundo esse conceito estratégico nacional. A opção europeia trouxe importantes transformações socioeconómicas, mas também o mito de que a solidariedade comunitária dispensava estratégias nacionais e daria lugar à abolição dos diferenciais de competitividade e de condições de vida. Na realidade, desde 1976, o objetivo de “mais Europa” e o método do “bom aluno” reduziram a ambição e a determinação nacional, conduzindo ao facilitismo e ao endividamento até à dependência, de tutela internacional em 2011. As profundas transformações ocorridas na ordem política e na economia mundial e europeia nos últimos anos, e os insucessos, desorientação e falta de expectativas em Portugal tornaram indispensável a configuração de novo conceito estratégico, capaz de fundamentar a vontade e o orgulho dos portugueses para assumir em toda a sua dimensão, a afirmação do projeto nacional, que os níveis de desemprego, estagnação económica e prolongados desequilíbrios externos tornam inadiável.

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Portugal necessita, por isso, de assumir um novo conceito estratégico, que defina o objetivo nacional e simultaneamente devolva, aos portugueses, o sentido da dignidade da sua nação, o respeito que lhe é devido e também dos pesados sacrifícios que, por ela, devem aceitar fazer. Pesa sobre o país uma descrença pouco saudável sobre os valores nacionais que é indispensável e urgente contrariar. Uma série de qualificativos têm afetado a sua imagem. Quando da adesão à UE correu o conceito de Periférico; depois, à medida que mostrava falta de recursos para realizar os fins do Estado, correu o conceito de Estado Exíguo; e, na entrada deste milénio, é o conceito de Protetorado que se lhe tem aplicado. Ora, a nação não deve continuar a suportar estas lesões à sua dignidade e, por isso, é hora de atacar o problema. Assim, voltámos quase ao princípio. Somos o extremo ocidental da península europeia, com um pequeno território terrestre, mas um dos maiores espaços marítimos do mundo por explorar, submetidos hoje a severas e inaceitáveis restrições de soberania. As dificuldades imensas, algumas geradas por incúria própria, que são o cenário da nossa existência atual, poderão conduzir-nos à finitude, se não formos capazes de entender que o dever primeiro do Estado nacional é garantir não já a existência mas a própria sobrevivência de Portugal. Na realidade crua que é o nosso horizonte imediato resta, a Portugal, lutar inteligentemente por este objetivo; planeando com lucidez e argúcia, e executando com tenacidade, sendo que este objetivo, o da sobrevivência como país independente com liberdade de ação para defender os seus interesses, deverá constituir-se, no presente, como a visão enformadora do nosso conceito estratégico nacional, que urge ser desenvolvido e explicitado num documento estruturante da estratégia do Estado; para ele deve convergir todo o potencial nacional, tangível e intangível, concentrado numa atenção cuidada e pró-ativa sobre os riscos e as ameaças internas e externas que podem ferir a nação impedindo a sua existência; trata-se de um conceito dinâmico, de todos os dias, tornando-se indispensável, por isso, a criação e o desenvolvimento de uma generalizada cultura de segurança nacional, que terá como corolário necessário, a formulação de um conceito que seja um referente ativo para a vida dos portugueses. Questão precípua é a de saber se a Constituição da República Portuguesa consente a transformação e utilização do conceito que, até agora, se tem resumido a ser Conceito Estratégico de Defesa Nacional.
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O

ambiente

estratégico

global

justifica

um

novo

quadro

de

referência,

constitucionalmente adequado, de segurança e defesa. Basicamente, trata-se de uma segurança alargada e abrangente. Alargada em termos de espaços (territoriais ou outros). Abrangente quanto ao objeto, pois além dos esquemas típicos de Defesa Nacional, procura-se uma estratégia de segurança compreensiva que inclua as dimensões política, económica, social, cultural e ecológica. Este conceito pressupõe, no contexto da sociedade mundial de risco, juízos de prognose e estratégias de antevisão, previsão e ação adequadas, necessárias e realistas de uma política de segurança nacional. No contexto histórico português ainda permanece a dicotomia entre segurança interna (CRP, art. 272.º) e segurança externa (art. 273.º) associada à utilização de diferentes forças (forças de polícia de segurança interna e forças armadas para a segurança externa). Acresce que o quadro de referência constitucional, sobretudo o art. 15.º da CRP regulador dos estados de exceção (estados de sítio e de emergência), se caracteriza por uma clara preocupação de garantia de direitos e liberdades, demonstrada na própria epígrafe desse artigo ao dar centralidade à ideia de suspensão do exercício de direitos. A esta perspectiva está associado o princípio do rigoroso apartidarismo das Forças Armadas, a sua vinculação ao serviço do povo português e a proibição de os elementos das Forças Armadas se aproveitarem da arma, do posto e da função para qualquer intervenção política. Isto justifica ainda a natureza complementar e suplementar da referida intervenção bem como a observância das regras constitucionais de competência na utilização das Forças Armadas (Cfr. CRP, art. 275/4 e 6). Dos vários enunciados linguísticos sobre segurança em diversas normas constitucionais é difícil recolher um conceito estratégico coerente, sistemático e operacional. Eis alguns exemplos: “sistema de segurança colectiva” (art. 7.º/2); “direito à liberdade e à segurança” (art. 27.º/1); “segurança interna” (art. 272.º), “segurança das populações contra qualquer agressão ou ameaça externa” (art. 273.º/2). O conceito de segurança transporta sempre uma positividade específica que lhe é conferida pelas várias dimensões de um conceito estratégico de segurança nacional: (i) dimensões materiais (a que questões deve responder); (ii) dimensões referentes ao objecto da segurança propriamente dito (o que é a segurança estratégica); (iii) dimensões espaciais (quais os “territórios” abrangidos pela segurança estrategicamente
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concebida); (iv) dimensões de prognose, de prevenção e de precaução, tendo em conta os perigos e riscos que envolvem a segurança nacional. Todas estas dimensões substantivas de um conceito estratégico convocam princípios constitucionais estruturantes da República Portuguesa: “garantias da independência nacional e das respectivas condições políticas, económicas, sociais e culturais” (art. 9.º); “contribuir para o sistema de segurança colectiva e assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos” (art. 7.º/2); “contribuir para a construção de um espaço de liberdade, segurança e justiça e para a execução de uma política de segurança e defesa comuns no âmbito da União Europeia (art. 7.º/6); “desenvolvimento de relações económicas com todos os povos, salvaguardando sempre a independência nacional e os interesses dos portugueses e a economia do país” (art. 81.º/g); “garantir, no respeito da ordem constitucional, das instituições democráticas e das convenções internacionais, a independência nacional, e integridade do território e a liberdade e a segurança das populações contra qualquer agressão e ameaça externas” (art. 273.º). Perante o exposto, é legítimo concluir que a segurança nacional está estritamente associada a várias "seguranças" que, globalmente consideradas, apontam para: (i) segurança militar (a CRP alude a “defesa militar da República” no art 275.º/1; (ii) segurança de independência e soberania nacionais; (iii) segurança nacional, tomando em consideração os objectivos constitucionais da defesa nacional; (iv) segurança “social” ou “societária” entendida como capacidade de, num ambiente estratégico de alterações profundas socioecónomicas e políticas, garantir a estabilidade dos padrões fundadores do Estado e dos seus símbolos identificadores como a história, a língua e a cultura; (iv) a segurança humanitária e jusfundamental compreendida como a capacidade de participar e cooperar na resolução dos problemas da paz, da segurança das populações, na defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana; (iv) segurança coletiva e cooperativa entendida como a capacidade de mobilizar recursos materiais e humanos, para produzir paz e segurança nos vários espaços de atuação e em cumprimento de missões da ONU, da OTAN e da UE. Tal como está recortado, o conceito de segurança estratégico permite enriquecer o quadro normativo-constitucional de referência em termos de legitimação e de legitimidade das Forças Armadas e das Forças de Segurança portuguesas, as quais, submetidas a duros testes de operacionalidade, competência e proximidade das populações, ganharam dimensão legitimatória internacional no plano da segurança
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colectiva e da segurança cooperativa, legitimando-se elas próprias como forças de produção de paz e de segurança internacional. A articulação das Forças Armadas e das Forças de Segurança na resolução de problemas relevantes para a vida e segurança das populações – desde a colaboração em catástrofes naturais até à segurança durante acontecimentos internacionais de particular complexidade, passando pela cooperação no combate à criminalidade organizada segundo as normas constitucionais e legais de competência –, confere-lhes legitimidade perante a opinião pública como forças ao serviço das populações. A colaboração das Forças Armadas e das Forças de Segurança nas tarefas de auxílio às populações é feita dentro dos quadros do Estado Constitucional Democrático com reforço da própria legitimidade jusfundamental, pois não é necessária qualquer invocação de exceção constitucional (estados de sítio ou de emergência) nem qualquer suspensão de direitos, liberdades e garantias (CRP, art. 19.º). Em muitos sectores, a ação das Forças Armadas e das Forças de Segurança convoca conhecimentos técnicos avançados, legitimando-se como agentes de conhecimento e de inovação no quadro estratégico da segurança nacional. Desimpedido, assim, o caminho para que se adote, com correção jurídica e concetual, a designação de Conceito Estratégico de Segurança e Defesa Nacional (CESDN), o conceito de segurança, mais amplo que o de defesa nacional, permite convocar, com legitimidade, a colaboração dos vários ramos do saber e do agir, pois é pluridisciplinar, englobando tudo o que, em todos os planos, possa contribuir para manter a nação forte e disposta a bater-se pela sua sobrevivência, em ordem ao seu conceito estratégico nacional. Razão bastante para que a adotemos. Os pilares da estratégia de segurança e defesa nacional são o crescimento económico e social, a diplomacia e as forças armadas. Na face interna, a robustez da economia é a principal fonte do poder nacional. Só um país económica e financeiramente saudável, de contas equilibradas, pode suportar a despesa dos outros pilares, além de estimular, positivamente, ao mesmo tempo, o crescimento social e cultural. O crescimento social está de par com o económico, mas tem o seu ritmo dependente deste. É urgente corrigir as profundas assimetrias da sociedade portuguesa, porque só uma sociedade justa e bem organizada pode invocar a coesão nacional. É, assim, da interação séria e equilibrada destas duas faces do

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crescimento, que é possível superar as dificuldades que nos tolhem o caminho para o progresso e debilitam a capacidade de garantir a nossa sobrevivência. No mundo dos nossos dias, um endividamento interno e externo para além dos limites aceitáveis e em rota acelerada atira, inelutavelmente, para a falência, um Pequeno Estado como Portugal; isto é, condena-o no sistema internacional, destrói-lhe a soberania, torna-o incapaz, a prazo, de sobreviver. Por isso mesmo, o primeiro pilar da sua segurança é o crescimento económico e social, sem o que não sobreviverá. Na face externa, a diplomacia tem tido atuação de mérito desde o primeiro dia da nossa História. Pela fortuna das armas, fomos conquistando espaço, no continente europeu e em além-mar, deixando marcas indeléveis por esse mundo fora; mas ao lado, com sabedoria e persistência, argúcia e tenacidade, esteve, sempre, a ação diplomática. Nos primeiros dias do Reino, negociando na Roma Papal, nos centros de poder europeu, a nossa diplomacia conseguiu o reconhecimento oficial da independência do país, e soube, ao longo dos séculos, proteger o Estado. Na primeira dinastia, conseguida a paz, de novo a diplomacia portuguesa não só forçou o reconhecimento da nova dinastia, como acompanhou, diligentemente, os monarcas portugueses na aventura dos Descobrimentos. De 1640 em diante coube, novamente, à diplomacia portuguesa, um papel decisivo no reconhecimento da independência. Muito deve Portugal à sua gesta diplomática, em conjugação com as armas, quando necessário, nessa luta incessante e árdua de um Pequeno Estado, por uma independência com dignidade. Hoje, embora a intervenção direta dos governantes junto dos seus congéneres possa inculcar a ideia de que os diplomatas e a sua ação se tornaram irrelevantes, a verdade é que a diplomacia se tornou ainda mais importante e decisiva. Não é possível substituir o trabalho coordenado, ativo e discreto de uma Embaixada, neste mundo que caminha a grande velocidade e em que os problemas se desmultiplicam e se cruzam incessantemente, na transmissão, defesa e divulgação dos interesses nacionais, políticos ou económicos, junto das entidades que interessa informar; na recolha de informações que ajudam diariamente os governos a formar opinião e a tomar decisões corretas. Além disso, a organização internacional vem-se complexificando, multiplicando os fora multilaterais, onde a diplomacia age com intensidade quotidianamente, contribuindo para a formação do conhecimento que apoia as suas decisões, onde se influencia e protegem os países, sobretudo os mais vulneráveis. Para tanto, temos competências
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acumuladas de séculos. A diplomacia, garantidos que lhe estejam os meios que só uma economia robusta pode satisfazer, é o nosso segundo pilar de segurança e defesa, afastada, como parece estar, qualquer possibilidade de nos defendermos, isoladamente, das armas de outros Estados. Recorde-se a importância histórica das nossas forças armadas, às quais também devemos o país que fomos e somos, e que, no presente, mantêm o importante papel que, em vários domínios, devem desempenhar na garantia da nossa sobrevivência, agindo como terceiro pilar da segurança e defesa do Estado. Desde logo, as forças armadas são, em última instância, o garante da independência nacional, da autoridade do Estado, da segurança dos cidadãos e da plenitude do regime democrático; depois, têm presença ativa em missões internacionais de paz e no amplo quadro de atividades da OTAN onde, essencialmente, se enquadra a nossa defesa militar e em futuros enquadramentos de defesa europeia, ajudando a projetar internacionalmente o Estado e a conferir-lhe peso nos fora multilaterais. Devemos repetir que estes pilares que mantêm a segurança e a defesa nacional encontram-se, por força das coisas, em interação mútua permanente, de forma a poderem corresponder, com êxito, às exigências das sucessivas conjunturas.

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Agricultura e Pescas
No planeta terra, existem cerca 7 biliões de pessoas, com tendência para crescer devido ao aparecimento de novos países emergentes como os BRICS. É segundo alguns especialistas, o momento mais populoso da história da humanidade, o que torna indispensável a produção de alimentos para a alimentação destes seres humanos. Uma vez que a natureza não consegue produzir “sozinha” alimentos para tamanha população, tornou-se então essencial a sua produção em escala, hoje o homem já industrializou a agricultura, a pecuária e no final do último século a pesca. Para Portugal, que actualmente atravessa uma grave crise económica e financeira, a agricultura e as pescas tornam-se fulcrais para a recuperação da nossa economia, isto derivado aos produtos únicos que são próprios da nossa cultura e do nosso clima mediterrânico. É por isso essencial que a aposta na agricultura e nas pescas seja uma das prioridades políticas de qualquer decisor político, pois ao mantermos um deficit alimentar elevado estamos mais dependentes de terceiros, ao termos uma agricultura e pesca fortes conseguimos garantir alguma auto-suficiência e exportar os nossos produtos. É nesta linha que poderemos sair da actual crise que atravessamos, pois com uma agricultura e pescas produtivas vem a elas aliada uma indústria de transformação desses mesmos produtos. É também indispensável saber-se aproveitar os fundos comunitários para estes sectores uma vez que numa situação de crise e em aposta no crescimento económico, não se pode perder uma qualquer oportunidade que seja de investimento. Um dos maiores problemas da agricultura e pescas do nosso país é o envelhecimento populacional da mão-de-obra destes sectores, sendo este o ponto fraco de ambos. Para ser possível o aumento dos produtos provenientes do sector primário em Portugal torna-se então fulcral que haja um rejuvenescimento de trabalhadores neste sector, isto é, em que quem nele trabalha seja mais novo e porventura mais qualificado, pois infelizmente, grande parte dos agricultores em Portugal são analfabetos. É essencial esse rejuvenescimento para se aproveitar o espaço arável que Portugal tem em comparação com outros países europeus e mundiais, uma vez que a nossa dimensão é mais reduzida, portanto a aposta em produtos inovadores e “gourmet”, englobando os nossos produtos tradicionais (enchidos, queijos, vinhos, azeites, carnes, peixe), sob forma de criar valor acrescentado nos mesmo, é fundamental para se fazer a diferença.
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Identifico 5 pontos essências para a inovação e rejuvenescimento do sector agrícola e piscatório em Portugal:  

Incentivo aos jovens para se dedicarem à prática agrícola e piscícola, sob forma de criação do próprio emprego. Dar capacidade às escolas para que possam ter a opção de cursos de educaçãoformação no âmbito do sector primário, de acordo com as preferências e realidades regionais.

Dotar os mecanismos legais existentes de flexibilidade para que seja mais fácil a criação e extinção de empresas relacionadas com o sector primário, tornando-as essencialmente como uma ajuda a novos intervenientes no sector.

Procurar beneficiar a investigação e desenvolvimento no sector agrícola e piscícola, isto é, criar-se novos produtos com capacidade fácil de introdução nos mercados internacionais.

A agricultura e pesca têm de estar relacionadas com o meio ambiente, porque muitos recursos que ambas estão dependentes provêm da natureza, preservar-se a natureza é preservação o futuro, é importante que exista um controlo, bem como uma rede de alertas e sensibilização sobre os riscos que a não preservação de recursos existentes possa ter no futuro.

Um sector primário forte servirá de base de sustento de todos os outros sector produtivos, que poderão trabalhar em escala com este sector, o que possibilitará sem duvido um aumento de novas empresas e por consequência mais empregos. Um país com uma estrutura primária forte, é um caminho que leva à sustentabilidade alimentar. Ter um sector primário forte e produtivo é estar em linha de conta com a evolução do mundo e das suas necessidades, é assumir-se como fundamental e indispensável na produção mundial. É por isso que a agricultura e as pescas continuam a estar na base da vida humana, pois sem alimentos o ser humana jamais continuará a existir.

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Política Externa
Uma política externa dinâmica e forte é a imagem que transparece para aquilo que na realidade somos internamente. É por isso que a nossa política externa acaba por ser tão importante quanto a interna ou doméstica. A diversidade de Organizações Internacionais existentes nos dias de hoje valida então essa importância, até porque Portugal é membro fundador de algumas delas, implicando automaticamente um forte peso negocial. Em pleno processo de globalização é ainda mais responsável o carácter negocial que Portugal deverá ter nessas organizações que pertence, pois uma decisão que o nosso país poderá tomar, terá certamente consequências (positivas ou negativas) em qualquer outro país ou região, é por isso que a política externa deverá basear-se numa vertente unilateral e multilateral. Posto isto, considero que Portugal deverá dividir a sua política externa em duas partes. Uma no seio da União Europeia (UE) e outra num contexto extra UE, como por exemplo na NATO, na CPLP, com os seus aliados estratégicos espalhados por todo o mundo e demais Organizações Internacionais que faz parte. A presença e a participação de Portugal na UE é neste momento condicionada pelo resgate que está a ser alvo, por isso torna-se essencial terminar o nosso programa de ajuda externa para que prossigamos para uma condução diferente da nossa política europeia, pois necessitamos de recuperar o nosso poder negocial sob forma de retomar a nossa credibilidade. Para isso, será fundamental criarmos a nossa própria estratégia para a UE, é essencial para nós sabermos aquilo que queremos beneficiar desta instituição e saber defender as decisões que são certas e erradas para o nosso interesse estratégico nacional. A Juventude Popular faz parte de algumas organizações políticas europeias, pelo que, muitos dos quadros destas instituições vão ser os futuros líderes europeus, é essencial que estas organizações trabalhem em sintonia e que forneçam formação aos seus militantes, sob forma de melhorar a construção do projecto europeu, isto para que os erros que se cometeram no passado não se voltem a cometer no futuro, com o simples objectivo de se chegar a um consenso daquilo que é melhor para os estados membros, uma vez que existem temáticas fracturantes no seio da UE que poderão dar origem a um

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cataclismo, pois é importante conhecer a história de todos os estados membros, para que não se venham a criar antagonismos no futuro. Portugal deve saber beneficiar do mercado único e da moeda única, pois através de ambos poderá melhorar o seu comércio e as relações com os países da comunidade, e se possível realizar-se e tomar-se posições em conjunto com matérias de interesse para a comunidade e para a própria construção europeia, sob forma de melhorar as nossas condições e qualidade de vida ao nível dos melhores países da UE. Portugal beneficia em muito por estar presente na CPLP, é importante para as relações económicas do nosso país pertencer a uma organização entre um conjunto de estados que falam a mesma língua, alguns desses estados são hoje considerados como economias emergentes. Devemos então estudar a hipótese da criação de um acordo comercial com os países da CPLP para que possa melhorar o comércio entre estes países, como por exemplo com o Brasil, que é o país mais populoso da CPLP e aquele que apresente maiores ritmos de crescimento, poderá aqui Portugal ganhar algum peso negocial na UE pela sua proximidade e boas relações com estes países, uma vez que poderá ser uma porta de entrada ao aumento do volume de negócios entre as economias emergentes e a UE, sendo Portugal a porta de entrada e o mediador, ganhando certamente com isso. A nossa posição na NATO é de toda favorecedora, Portugal beneficia então de ser membro fundador e deverá procurar no seio da própria uma forma de inovar a sua defesa, uma vez que é importante para nós, beneficiar desse sistema de defesa, pelo que é a “porta de entrada” de algumas ameaças para a maioria dos membros desta Organização Internacional. Tal como membros da UE deveremos saber aproveitar a nossa participação no FMI, OMC, ONU, OCDE. etc para nos assumirmos na política global, é importante termos uma estratégia de participação nestas Organizações Internacionais, pois daqui poderão sair decisões importantes e que nos beneficiarão de todo, além de se poderem criar parcerias estratégicas obtém-se uma voz e participação activa, apresentando soluções e não se comportar apenas como um membro observador, já que poderemos beneficiar dessa participação, tanto em ganhar credibilidade internacional como recuperar a credibilidade enquanto nação. A presença dos melhores quadros nos órgãos de decisão internacional é fulcral para o nosso país, as decisões externas são, por vezes, mais importantes que as internas, por isso é importante lá estar quem as saiba tomar e claro, negociar. Se Portugal souber
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ocupar a sua posição no sistema internacional, certamente que a sua política a nível interno será mais segura e fiável. Portugal tem uma palavra a dizer no mundo.

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