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MOÇÃO DE ESTRATÉGIA SECTORIAL

Uma Questão de Identidade – Pela continuidade do Colégio Militar

CONCELHIA DE LISBOA DA JUVENTUDE POPULAR

Francisco Rodrigues dos Santos Bernardo Serrão Brochado Tomás Pegado João Lorena

XX Congresso Nacional da Juventude Popular Uma Questão de Identidade

Índice

Âmbito ..................................................................................................................... 3

Sobre o Colégio Militar ............................................................................................ 4

Uma Questão de Identidade.................................................................................... 5

Conclusões.............................................................................................................. 8

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XX Congresso Nacional da Juventude Popular Uma Questão de Identidade

Âmbito
Nos termos do disposto na alínea d) do Artigo 49º dos Estatutos da Juventude Popular, bem como no nº 2 do Artigo 23º e no Artigo 22º do Regulamento do XX Congresso Nacional da Juventude Popular vêm os subscritores deste documento apresentar ao Congresso Nacional da Juventude Popular uma Moção de Estratégia Sectorial intitulada de Uma Questão de Identidade. Esta moção incide sobre o processo de reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino não superior - que tem sido levado a cabo pelo Ministro da Defesa Nacional (MDN) – em particular, no que ao Colégio Militar (CM) diz respeito. Os subscritores desta moção puderam verificar que não há uma posição clara e pública da Juventude Popular (JP) sobre esta matéra. Como instituição respeitadora da tradição, da cultura e da história de Portugal, a JP não pode permanecer alheia ao flagelo a que instituições como o Colégio Militar estão a ser sujeitas.

Dezembro de 2013

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Sobre o Colégio Militar
Tendo sido fundado pelo então Coronel António Teixeira Rebello, o Colégio Militar nasceu oficialmente a 3 de Março de 1803 na Feitoria, num quartel anexo ao Regimento de Aquilharia da Corte, à data instalado no Forte de S. Julião da Barra, em Oeiras. Inicialmente direcionado para filhos de oficiais e órfãos que perderam os pais na guerra, entre 1825 e 1837, o Colégio Militar transformou-se numa Escola de ensino universal, embora regimentado por uma educação militar, que admite quer filhos de militares e de civis. Este Colégio atravessou os mais conturbados períodos da nossa história recente, tendo, aqui e ali, deixado a sua marca, através de antigos alunos que se tornaram ícones da sua geração. Destes períodos, podem destacar-se a Guerra Peninsular, Invasões Francesas, Implantação da República e os conturbados anos da 1ª República, a primeira Grande Guerra, o Estado Novo, a segunda Grande Guerra, a Guerra de África, o 25 de Abril, o PREC e as duas vindas do FMI ao nosso país. Os alunos, desde o momento em que entram no CM, começam a ser formados nos valores, para os valores, através de uma formação escolar de excelência, complementada com o cultivo e a prática de uma actividade física intensa que só é possibilitada pela diversidade de infraestruturas que o campus do CM agrega. Aparte as componentes física e intelectual, existe ainda uma preocupação com a dimensão cultural e, naturalmente, com a componente militar, que dá nome à instituição. O sucesso da receita aplicada pelo CM é atestada pela longa lista de Antigos Alunos ilustres, onde se incluem cinco Chefes de Estado e também pelas condecorações e prémios com que tem vindo a ser galardoado ao longo dos anos ao ponto de ser a unidade militar mais condecorada das Forças Armadas.

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Uma Questão de Identidade
É certo que Portugal atravessa uma crise financeira de grande intensidade que tem ditado alterações estruturais em variadas áreas da sociedade, mas em tempos de ajustamento – ao contrário do que, por vezes, parece – não vale tudo, sendo que o bom senso e a inteligência não devem ser alvos, também, de um “corte”. Em causa está o despacho 4785/2013 de 8 de Abril do Ministro da Defesa Nacional que dita que, de forma abrupta, se altere em grande medida aquele que é o ethos do Colégio Militar sem nenhuma justificação razoável. Entre outras medidas, este despacho dita a construção imediata de um edifício inicialmente orçado em cerca de € 6.000.000, para acolher um internato feminino, que deverá igualmente começar a funcionar logo no ano lectivo de 2014/2015 sem que tivesse havido qualquer preparação para tal acontecer. Ora, se a motivação para esta descaracterização repentina do Colégio Militar é financeira, por que motivo se gasta este montante na construção de um edifício? Mesmo que se invocasse que se trata de um “investimento inicial” que poderia gerar poupanças no futuro (mesmo tendo em conta que tanto se diz que não há capacidade para investir…), certo é que a Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) e a Associação de Pais e Encarregados de Educação há muito que realizam estudos e apresentam propostas à Tutela que, sem prejuízo da identidade de uma instituição com 210 anos, permitiam no médio prazo tornar o Colégio Militar sustentável, ou ter um custo por aluno igual ou inferior ao das restantes escolas públicas. Destaque ainda para a comissão liderada pelo Prof. Eduardo Marçal Grilo cujo relatório final aconselhava ponderação e uma análise cuidada às implicações que uma restruturação de fundo no CM implicariam. Esta comissão, mesmo criada pelo Ministro da Defesa Nacional, foi ignorada na hora de grafar o despacho já citado. Desde então, muitos foram os apelos vindos das mais diversas entidades para que o Ministro reconsiderasse a sua opção. Em particular destaca-se o trabalho da AAACM cujas audiências com o Ministro referido foram totalmente ignoradas, para além das diligências junto do Sr. Primeiro Ministro e das recomendações das várias entidades políticas, militares e da sociedade civil.

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Não é possível compreender esta arrogância e desrespeito pelas instituições demonstrados pelo MDN. Como é que é possível, em democracia, não escutar as partes interessadas antes de se tomar uma decisão que as afecta de forma permanente e irremediável? Não é difícil compreender por que é que os pais ficam relutantes em colocar os filhos no Colégio Militar após esta medida. Tirar a diferenciação histórica que o CM tem vai fazer com que, quem encontrasse vantagens no modelo educativo do CM, deixe, em grande medida, de as encontrar. E com esta diminuição do número de alunos, o desfecho a médio/longo prazo é adivinhável: o encerramento da instituição. O Colégio Militar é uma Escola que, em virtude da matriz educativa a que permanece fiel há 210 anos, ministra aos seus alunos muito mais do que singelos e insípidos saberes técnico-científicos, e se intromete com humanidade e de forma estrutural na educação moral e ética dos seus educandos. CM é a segunda Escola mais antiga de Portugal, logo após a Universidade de Coimbra, possuí o estandarte mais galardoado das Forças Armadas e é a Instituição de Ensino que mais chefes de Estado deu à Nação. Este elenco resulta de uma apreciação meramente factual e objetiva do historial do CM, escusando-se a enumerar um sem número de personalidades distintas que por lá passaram, figuras marcantes da vida do País e/ou do Mundo, nas mais diversas áreas do conhecimento, que deram nome a mais de 2.000 ruas. O segredo da longevidade do CM está nas virtualidades do seu modelo educativo, cuja preocupação se insere não só no domínio académico – onde congrega um corpo docente qualificado e multidisciplinar – mas, especialmente, na ação direta no crescimento dos “Meninos da Luz”, na pedagogia que assiste a sua formação nos valores para os valores, que resume a realização plena de uma cadeia de liderança, mérito e disciplina, com identidade e sentido de Serviço a Portugal. Não pode – nem deve - um País como o nosso, comprometer o investimento numa Escola que criou doutrina na metodologia de ensino há mais de 2 séculos e que coloca os seus proventos à disposição da comunidade. Leiase, no entanto, que o lucro desta Instituição não se refere a um montante suscetível de avaliação pecuniária, mas antes ao valor imaterial do contributo -

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inestimável e inquantificável - que a grande maioria dos seus Antigos Alunos deram e continuarão a dar à sociedade civil. Num período em que vivemos sob assistência financeira, onde o risco da eminente insolubilidade do Estado é condição suficiente e bastante para se cortar a direito na despesa, o modelo contabilístico do merceeiro revela-se dantesco, quando se coloca em equação não apenas a frieza da matemática dos números, como também os ganhos mediatos que vão muito para além de mais uma moeda na algibeira. Outrossim, se o âmago da problema é a auto-suficiência do CM –e fazendo de conta que existe alguma Escola Pública no mundo que o seja – então, exige-se aos decisores políticos que tenham a inteligência e sensibilidade de resolver o problema sem matarem a essência do CM, tão só, sem aniquilarem os seus traços identitários e que justificam a sua diferença, porquanto a razão da sua existência!

Desiderato que se compadece, por exemplo, com a adopção de medidas concretas atinentes à ocupação plena do CM, que neste momento ronda a meia Casa – o que aumentaria em dobro a receita proveniente das mensalidades dos alunos - e à rentabilização das suas magníficas infra-estruturas, abrindo-as à comunidade, cobrando pela sua utilização. Soluções que, no limite, criariam condições para o CM gerar, inclusivamente, lucro. Posto isto, que outra motivação sobra para não se fazer convergir a natureza do CM com uma proposta financeiramente sustentável? Que agenda haverá por trás deste ataque sob a égide de reforma?

Não se queira, agora, passados 210 anos da sua fundação, desvirtuar as bases programáticas sobre as quais se ergueu, ao longo da História, todo o edifício ideológico que rege o plano educacional dos alunos do CM. Isso seria matá-lo ou, caso prefiram, transformá-lo num colégio travestido, que rejeitaria liminarmente as competências de oficina de humanidade, que aperfeiçoa o artista e o educa para fazer a diferença no mundo. Os subscritores desta moção não conseguem encontrar, no quadro do razoável, nenhuma justificação para uma medida que tem fortes hipóteses de acabar com um estabelecimento de ensino cuja história se confunde com a história de Portugal.

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Conclusões

A questão exposta já tem vindo a motivar grades declarações de apoio à continuidade do Colégio Militar, da esquerda à direita política, nas empresas e nas universidades, entre especialistas em educação e da parte de especialistas em finanças… É verdadeiramente eclético o leque de personalidades que estão solidárias com os alunos do Colégio Militar e com o projecto que a tanto sobreviveu ao longo de 210 anos. Entre elas, gostaríamos de destacar o Prof. Adriano Moreira, o Almirante Nuno Vieira Matias, o Prof. António Bagão Félix, Prof. António Cruz Serra, o Dr. Bayão Horta, o Prof. Braga da Cruz e até um governante como é o caso de Rui Machete, actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, que subscreveram, com muitas outras, o apelo enviado ao Presidente da República pela Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Face ao exposto, consideramos que a Juventude Popular, instituição cujos pilares são a Democracia-Cristã, o Liberalismo e o Conservadorismo, não pode deixar de se mostrar solidária com esta casa centenária, formadora de jovens com valores, aliás, muito próximos aos da própria JP: respeito pelas instituições, patriotismo, sentido de Estado e a abnegação, por exemplo. Esta solidariedade por parte da JP deverá passar, pelo menos, por dois pontos: 1. Tomada de posição pública, mostrando-se solidária com a causa do Colégio Militar. 2. Intervenção junto do partido no sentido deste efectivar o apoio que de maneira geral tem mostrado nesta matéria, mas de forma pouco consistente e logo com pouco impacto efectivo.

Do ponto de vista dos subscritores, com esta tomada de posição num assunto que é da maior actualidade e relevância, a Juventude Popular mostraria a Portugal que não está adormecida, que não é comprometida e que não se conforma com atentados não justificados ao património histórico e cultural da nossa Nação.

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