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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE CENTRO DE ESTUDOS GERAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA E DIREITO

JOICE CRISTINA DE CAMPOS

Os moradores do Ri iera Dei Fiori! um estudo sobre as representações sociais da moradia em um condomínio da Barra da Tijuca

NITERÓI 2010

2 JOICE CRISTINA DE CAMPOS

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Os moradores do Ri iera Dei Fiori! "m es#"do so$re as re%rese&#a'(es so)iais da moradia em "m )o&dom*&io da +arra da Ti,")a

A%rese&#a'-o %ar)ia. da disser#a'-o de mes#rado do Pro/rama de P0s-Grad"a'-o em So)io.o/ia e Direi#o da U&i ersidade Federa. F."mi&e&se1 %r2-re3"isi#o %ara a 3"a.i4i)a'-o5

Pro4essor orie&#ador! L"*s Car.os Fridma& Pro4essora Co-orie&#adora! 67#ia Se&#o S2 Me..o Pro4essor a a.iador! Mar)e.o Me..o

Ni#er0i 89 de ,".:o de ;<8<

&

SUM=RIO

I&#rod"'-o ………………………………………………………………………... Me#odo.o/ia …………………………………………………………………….…. Ca%*#".o 8- A rele !ncia da tem"tica ……………...…………………….....……... Ca%*#".o ;- # campo …………………………………………….....................…… 2.2 - $ma micro-sociedade% ……......................................................………….. 2.& - 'oradores% anti(os e no os - A distinç)o e o status dentro e *ora dos limites condominiais% ………...............................................……………..

0 4 0 7 1 4 2 0 2 0 2 2 -

2.4 - Al+m muros% crianças, adolescentes e idosos.…………………………..... 2 Ca%*#".o > - .em construç)o/. Ca%*#".o ? @ .em construç)o/. 4.1 0 .em construç)o/. 4.2 .em construç)o/. 4.& .em construç)o/. 4.4 .em construç)o/ Co&sidera'(es Fi&ais .em construç)o/. +i$.io/ra4ias e Re4erA&)ias ……………………………………………………….

& 4 ANEBOS …………................................................................................................... & 1

:ntretanto. para onde tudo de e con*luir. o presente estudo se propõe a apreender a dimens)o das representações sociais con*rontando-as na *orma com 3ue estes moradores con*erem sentido @s e6peri2ncias indi iduais e coleti as a partir de seus relatos selecionados e de ritmos i idos na sua trajet9ria e 5ist9ria pessoais de *amília e redes di ersas.onsideramos 3ue 3ualidade de ida. 7a busca de compreens)o da produç)o e reproduç)o destes espaços encontramos uma (ama ariada de moti ações em 3ue redu8i-las apenas no campo das representações sociais da iol2ncia urbana seria super*icial e e6cludente. # e6ame da literatura especiali8ada sobre iol2ncia e criminalidade tem despertado especial atenç)o. ri3ue8a material. empreenderemos obser aç)o participante no . mais precisamente no local de moradia. o presente estudo. etc. 4ois o mundo social n)o + um todo 5omo(2neo suas particularidades e6istentes compõem suas e6plicações mais pro*undas. ou seja. Acredito 3ue as representações destes moradores em torno da iol2ncia n)o s)o si(ni*icati as na escol5a de onde morar tampouco em como morar. sobretudo no 3ue di8 respeito a seu desdobramento nas representações sociais da iol2ncia e as escol5as indi iduais do local de moradia dos sujeitos 3ue 5abitam as (randes metr9poles. . supostas ou reais. n)o + no idade para ci2ncias sociais. 4ara tanto. pri ati8aç)o e iol2ncia n)o e6plicam completamente a 3uest)o. s)o.4 INTRODUÇÃO #bser ar como os indi íduos em sociedades ou (rupos sociais especí*icos ordenam e si(ni*icam o seu mundo social. re*er2ncias prim"rias. pretende analisar os si(ni*icados atribuídos ao *lu6o de e6peri2ncias. e n)o seu ponto de c5e(ada. este tipo de obser aç)o j" se constitui como parte do o*ício do cientista 3ue empreita pes3uisa social. con*orto. muito pelo contr"rio. notadamente. Auestões como status. A 5ip9tese apresentada neste estudo *oi a de 3ue a representaç)o em torno da iol2ncia urbana n)o inter*ere na opç)o do local de moradia. sucesso pro*issional. :m outras pala ras. se(urança. pontos de partida para 3ue se estabeleçam as mais di ersas cone6ões de sentido a prop9sito do modelo residencial in esti(ado neste estudo. 4artindo desta premissa di ersos estudos 2m abordando o no o modelo residencial ertical e seus moradores. 3ue esses moradores i enciam em seus cotidianos. . ele ado padr)o cultural. se(re(aç)o.ondomínio <i iera =ei >iori no bairro da Barra da Tijuca na cidade do <io de ?aneiro. procurando con5ecer de *orma mais detida as representações sociais desses moradores em relaç)o ao local onde moram. antes de tudo.

7o li ro . antes de tudo. se(urança pri ada. estudos procuram interpretar ou entender este no o modelo residencial. meu espírito in esti(ador percebeu a e6ist2ncia de lacunas. $ma das 3uestões 3ue mais se destacou em campo *oi a obser aç)o de um tipo de marketing. “Riviera Dei Fiori. restrin(e mo imentos e multiplica re(ras de e6clus)o. 4ouco *oi dito sobre as representações sociais dos moradores de condomínios *ec5ados e como estes con*erem sentido ao modo de ida marcada por uma l9(ica pr9pria de i8in5ança e redes di ersas. $ma (ama ariada de 3uestões e considerações j" *oi apresentada. discutida e analisada sob di*erentes en*o3ues. A autora Teresa .ontudo. um local 3ue se(re(a.idade de 'uros ela retrata os condomínios e apresenta-os como local de moradia marcado por uma pri ati8aç)o da ida com (rades. con i 2ncia e i8in5ança. uma 3uest)o de status e di*erenciaç)o social.ristina 4atriota de 'oura apresentou seu estudo dos condomínios de Coi!nia.opacabana. concluindo 3ue a proli*eraç)o dos condomínios *ec5ados se justi*ica pelos anseios. Apresentando o tipo de moradia como uma alternati a @s pessoas de uma situaç)o de ida pri ile(iada. 3ue nascem políticas cada e8 mais se(re(acionistas e prejudiciais aos pobres. medos e son5os de bem. muros. em 3ue os moradores buscam a construç)o de uma realidade 3ue eles pr9prios pretendem ne(ar. . comodidade. :m torno da tem"tica representaç)o social e iol2ncia os mitos relati os @ 3uest)o ser)o in esti(ados. lugar de ser feliz” 1.aldeira no *inal da d+cada de 1BB0 estudou a l9(ica de moradia na cidade de E)o 4aulo. 4rospectando as di*erentes representações sustentadas pelos di ersos moradores em torno do la8er. # presente estudo procurou in esti(ar a escol5a em 5abitar um condomínio como o <i iera =ei >iori.i er. di*erencia. Di emos em uma +poca na 3ual. (rande parte das 3uestões sociais (ira em torno da iol2ncia.H 7a d+cada de 1B-0 em estudos pioneiros como o de Cilberto Del5o 3ue pes3uisou o :di*ício :strela no <io de ?aneiro no bairro de . =esta *orma. se sobrepõe a presença de amenidades de la8er e ser iços e no caso em particular do <i iera a (arantia de contato 1 >rase pro*erida pelo síndico (eral e presente nos murais de a iso dos condGminos . 7o ano de 2001 a pes3uisadora . se(urança e locali8aç)o. F desta *alsa premissa. =o <io Crande do Eul ao <io Crande do 7orte. buscando re elar 3ue a iol2ncia urbana n)o justi*ica o modo como as classes mais abastadas constroem seu cotidiano de ida. demonstrando 3ue morar em um edi*ício neste bairro seria. destacando uma reali8aç)o do ideal de moradia.

7este conte6to pode ser de*inida como um con5ecimento elaborado e partil5ado por um (rupo social. ?. caso seja utili8ado e3ui ocadamente. a uma Lsociolo(ia espont!neaM 2. dentre outras coisas.1 com a nature8a. pois se trata de discursos de um Lobjeto 3ue *alaM e 3ue. A *ecundidade do conceito de representaç)o social como marco analítico em ao lon(o de d+cadas persistindo. :m outras pala ras.. Eendo por isso de *undamental import!ncia a an"lise da representaç)o social destes indi íduos. por conse(uinte pode *ormar a base da an"lise atra +s de uma apreens)o imediata. ser" neste objeti ismo pro is9rio 3ue 2 4. econGmica e social est)o intera(indo numa perspecti a 5ist9rica. 3ue tem como *unç)o a orientaç)o das pr"ticas e a construç)o de uma realidade comum deste (rupo. os bairros da Iona Eul do <io de ?aneiro. :ste conceito. nature8a esta rein entada por uma ar3uitetura e paisa(ismo de per*eita padroni8aç)o dos espaços remetendo-se a um tipo de 5armonia construída em 3ue desabroc5a um sentimento de proteç)o *rente @ iol2ncia do <io de ?aneiro 3ue n)o se eri*ica na comple6a realidade da se(unda maior metr9pole do país. as opiniões e as aspirações. etc. 4ara e itar os Lperi(osM da sociolo(ia espont!nea torna-se necess"rio. os re*er2ncias a partir dos 3uais s)o (eradas as in*ormações sobre a3uilo 3ue se de*ine en3uanto opç)o no estilo de ida podem *acilmente n)o ser mais os mesmos. Aual3uer tentati a de e6plicaç)o sobre as decisões tomadas no !mbito pessoal 3ue repercutem social e espacialmente re3uer atenç)o ao *ato de 3ue. A representaç)o social tamb+m possibilita a inte(raç)o do objeto @s e6peri2ncias pr+ ias do indi íduo. 2007.reescre er/ . espont!nea.. situar o indi íduo dentro de um conte6to social no 3ual.5amboredon.opacabana. se(undo Bourdieu. Bourdieu. entretanto. constituindo um saber *uncional 3ue articula e d" sentido aos comportamentos.abe ressaltar 3ue em nen5um momento a escol5a da moradia adjeti ou-se entre certo ou errado e sim as opções indi iduais pelo local em detrimento de outros como. :ditora Do8es. nem para o indi íduo nem para o (rupo em 3uest)o. por e6emplo. ari" eis de ordem política. 4asseron e . .5amboredon em #*ício de Eoci9lo(o. se ater @ apreens)o da l9(ica objeti a da or(ani8aç)o 3ue condu8 ao princípio capa8 de e6plicar as atitudes. 4or representaç)o social se entender" a3ui uma rede de relações estabelecidas por sujeitos socialmente situados e 3ue supõe um interesse para sua i 2ncia. pode nos remeter. Ainda se(undo estes autores.. tais como% . . Jpanema. 4asseron e ?. .. saberes e comunicaç)o de indi íduos e (rupos. Keblon. Eendo estes locais tamb+m presti(iados por este se(mento social.

um uni erso recortado pelo condomínio. Tendo como re*er2ncia o estudo de Oilliam >oot O5Pte. <essalta-se tamb+m 3ue a conduç)o do trabal5o de campo + baseada no pressuposto b"sico da e6ist2ncia de um processo absolutamente interati o entre sujeito e objeto. en ol endo períodos distintos de obser aç)o e an"lise. Eendo a conduç)o do campo um processo cumulati o com contínuas idas e indas 3ue marcam a tentati a de e6aminar as con enções datadas em seu conte6to social especí*ico. discursos e en*o3ues. Ainda de acordo com Oilliam >oot O5ite a obser aç)o participante + um m+todo relati amente lon(o.omo resultado esperamos um produto de criaç)o 3ue en ol e um processo contínuo e dial+tico de interaç)o. as sin(ularidades indi iduais ser)o apenas ilustrati as para compor este uni erso em 3uest)o. tampouco uma uni)o sociopolítica dos moradores. Eem com isso. . 7o entanto.ondomínio <i iera =ei >iori.om uma bre e di(ress)o e de ida licença po+tica. pois o padr)o (eral de ida + de suma import!ncia nesta an"lise. no li ro “Sociedade de Esquina” obser a-se 3ue o autor ao de*inir seu m+todo atenta para o *ato de n)o se ater @s pessoas em (eral e sim a pessoas particulares 3ue *a8em coisas particulares. . considerações e reconsiderações de pr"ticas. optou-se por uma se(unda aborda(em 3ue ser" a 3uantitati a atra +s da aplicaç)o de 3uestion"rios com os moradores do <i iera. estipular um nNmero m"6imo ou mínimo de pessoas para a obser aç)o. 4eríodo 3ue uma dissertaç)o de mestrado n)o comporta pela bre idade de tempo entre campo e dissertaç)o propriamente dita. com um pra8o e6í(uo para a obser aç)o participante. de um estilo de ida Nnico 3ue se compartil5a. an"lise. METODOLOGIA A metodolo(ia central para a reali8aç)o deste trabal5o *oi a obser aç)o participante com o prop9sito descriti o e e6plorat9rio do . =esta maneira. e3ui ocar-se em a*irmar 3ue o estilo de ida destes moradores seja oltado para uma mesma l9(ica pelos simples *ato destes residirem em um mesmo condomínio. pois isto n)o (arante uma e6peri2ncia sociocultural concreta en3uanto uma comunidade de (osto. sem. . contudo. crítica. :m outras pala ras. nesta dissertaç)o abordaremos os moradores como um todo.7 possibilitar" a compreens)o completa da relaç)o i ida 3ue os sujeitos t2m com sua erdade objeti ada num sistema de relações objeti as.

*urto. respira. tropeça em si mesmo. alidade e objeti idade das t+cnicas te9rico-metodol9(icas dos tempos em 3ue as ci2ncias sociais debatiam-se nos dilemas colocados entre o desejo de n)o ser uma Sci2ncia menorS e as possibilidades de ade3uaç)o ao 4aradi(ma 4ositi ista. ocupaç)o.ondomínio em especial o <i iera =ei >iori. para outro e n)o tem certe8a se o camin5o se(uido + o mais correto ou se3uer sabe ao certo onde ai c5e(ar. ! soci"logo nunca conseguir# aca$ar com a sociologia es%ont&nea e deve se im%or uma %olemica incessante contra as evidencias ofuscantes que %ro%orcionam. ri(or. Auando nos diri(imos da ida QcotidianaR para a ati idade cientí*ica. H&/ A*astar os *antasmas da erdade. dos políticos para os especialistas. ou seja. *idedi(nidade.. nNmero de pessoa por *amília. 2007/.. . 5omicídio na *amília e tamb+m per(untas a respeito da3uilo 3ue o morador identi*ica & erdadeiramente cientí*ico. dito de outra *orma% L. As contro +rsias metodol9(icas e6istentes nos apontam camin5os di*íceis de serem percorridos. 3ue dita a o 3ue era ser procedimentos metodol9(icos nas ci2ncias sociais. a identi*icaç)o de itimi8aç)o real durante a trajet9ria de ida como. a escol5a de residir em . desta *orma. 5oje + 5ist9rica e recon5ecida @s di*iculdades de sistemati8ar os 7o li ro A 4ro*iss)o de soci9lo(o os autores% Bourdieu. tempo de moradia. Assim como.podemos a*irmar 3ue a metodolo(ia empreitada neste estudo seria um denso camin5ar de um +brio 3ue p"ra. a ilus(o do sa$er imediato e de sua riqueza insu%er#vel..2&.. p. Damos de contro +rsias para mais contro +rsias. ter sido ítima de roubo. A t+cnica 3ualitati a de obser aç)o participante ser" utili8ada em aberto.. pois a *u(a completa da ortodo6ia das pr"ticas metodol9(icas + um camin5o peri(oso e por demais complicado para o pes3uisador. no entanto.KAT#$<.5amboredon e 4asseronT apresentam 3ue L(. (.Bourdieu. M p"(. (uina para um lado. prosse(ue.M . do calor para o *rio. adentrar neste desa*io com re*er2ncias te9ricas 3ue permitam ao pes3uisador re*letir sobre seus meios in esti(ati os atentando-os para seus limites e possibilidades. por e6emplo. 2000. n)o nos diri(imos do barul5o para o sil2ncio. como processo contínuo de in esti(aç)o e tamb+m as t+cnicas 3uantitati as como a aplicaç)o de 3uestion"rios 3ue poder)o atender a uma aborda(em mais (eral dos moradores le antando 3uestões como o per*il social se(undo renda. . pois permite o erro do saber imediato ou o da sociolo(ia espont!nea& 3ue nada acrescenta ao uni erso cientí*ico . n)o 5" como escapar. >a8-se mister. do 5omem comum para o de ci2ncia.. se3uestro. Eua Nnica certe8a + a recorrente ajuda dos cl"ssicos na conduç)o do lon(o e di*ícil camin5ar. da pai6)o para a ra8)o. sem grandes esfor'os.

a multiplicidade de ol5ares sobre o mesmo objeto. mais %rofessada do que concretizada. t(o forte que todas as t. %#g. . . os resultados da medida estat.cnicas de o$-etiva'(o devem ser utilizadas efetivamente. iol2ncia e seus desdobramentos 3uanto a escol5a do local de “) influ*ncia das no'+es comuns . :m suma. ou mel5or. a simetria busca a relati i8aç)o dos ol5ares.23 #s m+todos 3uantitati os e 3ualitati os n)o se e6cluem. As entre istas permitir)o ir al+m das apar2ncias e identi*icar c9di(os nem sempre e6plicitados pelo campo em obser aç)o possibilitando assim uma LamostraM do uni erso pes3uisado no 3ue se re*ere a representaç)o da moradia. os m+todos 3ualitati os tra8em como contribuiç)o ao trabal5o de pes3uisa uma mistura de procedimentos de cun5o racional e induti o capa8es de contribuir para a mel5or compreens)o dos *enGmenos. mesmo *alida para Katour.B ser se(uro ou inse(uro nas pr"ticas rotineiras do seu dia a dia. 4odem-se distin(uir claramente os m+todos 3ualitati os dos 3uantitati os. :mbora se di*erenciem 3uanto @ *orma e a 2n*ase.:a do $airro e do )o&dom*&io! 4 # conceito de simetria utili8ado por Katour aceita e introdu8 na compreens)o do pes3uisador as mais distintas ari" eis.ompreendemos ent)o 3ue a construç)o do con5ecimento sobre um dado *enGmeno social se estabelece na tens)o entre a no idade e a sin(ularidade de cada e6ercício de in esti(aç)o.” (/!0RD1E0. n)o-5umanos e 5umanos. dos saberes e das pr"ticas. A es)o. )ssim. A an"lise conjunta destes procedimentos de pes3uisa coloca em pauta duas *erramentas de (rande utilidade nas ci2ncias sociais contempor!neas. procura *u(ir dos juí8os morali8antes e de aloraç)o 3ue a modernidade. in*li(e a seus constituintes. . mostrando 3ue as ariadas modalidades metodol9(icas nos ajudam a aper*eiçoar e superar os limites encontrados nas pes3uisas sociol9(icas ou como a*irma Katour.stica %odem. %elo menos. sejam 5umanos ou objetos. relati i8ando suas presenças e compondo uma conjuntura mais ampla da pes3uisa. mas n)o seria correto a*irmar 3ue eles (uardam uma relaç)o de oposiç)o entre eles. ter a virtude negativa de desconcertar as im%ress+es %rimeiras. mediante o conceito de simetria4. na maior %arte das vezes. uma ru%tura que. buscar.

Crumari. na 8ona #este do município do <io de ?aneiro.osta . a A enida APrton Eenna . . # (rande marco do início de seu desen ol imento deu-se na administraç)o do (o erno do estado da Cuanabara 7e(r)o de Kima.on5ecida popularmente como o centro econGmico da "rea administrati a 3ue compreende o*icialmente oito distritos sendo% Barra da Tijuca.principal ia da re(i)o com 40 3uilGmetros de e6tens)o/.XiYipedia.anti(a Eernambetiba ao lon(o do litoral/. <ecreio dos Bandeirantes. com (randes a enidas e (randes espaços abertos. .J=V/.amorim.li(ando o bairro @ lin5a Amarela/ e a A enida KNcio . Dar(em Crande. # 4lano 4iloto da Barra de 1B1B *oi muito similar ao 4lano de Brasília. A Barra da Tijuca + con5ecida como uma re(i)o relati amente no a e com um alto Undice de =esen ol imento Vumano . marcando de*initi amente o estilo do bairroH. a Tijuca e ?acarepa(u". Dar(em 4e3uena.10 A Barra da Tijuca + uma re(i)o locali8ada entre o oceano Atl!ntico.osta um projeto urbanístico para a re(i)o. ?o" e Jtan5an(". sendo% a A enida das Am+ricas . o maciço da 4edra Branca.or(WXiYiWBarraZdaZTijuca . # bairro da Barra da Tijuca + uma re(i)o cortada por tr2s ias principais. 3ue encomendou do urbanista KNcio . uma das re(iões do <io de ?aneiro 3ue mais cresceu na d+cada de B0 e continua crescendo como apresenta o (r"*ico abai6o% H Der site 5ttp%WWpt.

J44. permitindo assim uma maior di ersidade de alores atribuídos tanto aos condomínios como aos apartamentos propriamente ditos. . sendo% bloco 01. Card2niaT bloco 02. :ste Jnstituto + uma autar3uia inculada @ Eecretaria 'unicipal de =esen ol imento do <io de ?aneiro. ?ardim Bot!nico e . $ma "rea residencial com uma populaç)o de apro6imadamente 220 mil pessoas. 4etNniaT e bloco 07 Cladíolo. se(uindo a perspecti a do modelo ar3uitetGnico proposto @ +poca.# . com uma ta6a relati a de crescimento de 21[.ada um com 2H andares. 'ios9tisT bloco 0&.721 mil no os residentes 1. # bairro + tamb+m + con5ecido como o local dos Lno os ricosM da sociedade carioca apresentando uma ariedade si(ni*icati a de condomínios. A escol5a do condomínio <i iera =ei >iori se deu pelo *ato deste ter sido um dos primeiros condomínios a ser construído na Barra no ano de 1B7B. Cer!nioT bloco 04. cercados com ariações relati as aos nNmeros de *amílias por edi*ício. # estilo residencial urbano se constituí de condomínios pri ados. Ci(lioT bloco 01.>onte% JBC: 0 censo 2000.opacabana. ou 4H. # Bairro da Barra da Tijuca tem uma "rea total de 11H. . 'ar(5eritaT bloco 0H. 7o (r"*ico eri*ica-se um maior aumento populacional entre os anos 1BB1 a 1BB1. Keblon. J44 0 Anu"rio estatístico de 1BB1.11 4KA7# :ET<ATFCJ. 7este bairro seus moradores s)o recon5ecidos como os mais abastados da sociedade com renda per capita comparati a aos outros bairros tamb+m considerados de elite como Jpanema.HB Ym\. # <i iera =ei >iori possui sete edi*ícios. sendo seis apartamentos por andar o 3ue 1 =ados do Jnstituto 4ereira 4assos.

Lsobrin5a da Kia Dassimon da cobertura do 4etNniaM. piscinas. somando os sete edi*ícios. 3uadras de Glei. o m+todo em 3uest)o n)o pGde ser desen ol ido. no 5or"rio da pr"tica de la8er.000 m\ de jardins. saunas.ondomínio. como parte da metodolo(ia incorreu a tentati a de entre istar 40 apartamentos por pr+dio o 3ue totali8aria 240 3uestion"rios aplicados em todo o condomínio. abri(a um total de 1.:scre er mel5or 3ual a import!ncia disso na pes3uisa/ :ntre os dias 14 a 20 de jun5o de 2010 *i3uei 5ospedada na casa de min5a in*ormante. .000 m\ de "rea. =i ersos empecil5os sur(iram sendo o primeiro e mais rele ante a n)o autori8aç)o da administraç)o do <i iera =ei >iori 3ue se desdobra em sete síndicos. dos esportes e no entrar e sair dos pr+dios. n)o abordar os moradores em seus apartamentos ou se3uer me posicionar do lado de dentro dos pr+dios. passei a intera(ir com as pessoas nos seus passeios com as crianças. em campo.3uando remar o campo colocar as no as datas 0 =iscorrer sobre a entre ista da Kia Tere8a narrando como c5e(uei a ela 'ediante a mudança de estrat+(ia na aborda(em. . acarretou a necessidade de pensar uma aborda(em 3ue suprisse a 3uantidade de moradores e as di*erenças entre eles.12 contabili8a 1H0 apartamentos por edi*ício com 200. dos 3uais 10. 3ue 5" 20 anos reside no . 'unida de um 3uestion"rio com seis p"(inas . bas3uete. um por pr+dio. *utebol de sal)o. Assim. =esta *orma. n)o *oi possí el ter acesso aos apartamentos selecionados.onsiderando estas 3uestões e ainda o nNmero de apartamentos. 3ue seus moradores atribuem @ obra de <oberto Burle 'ar6. 7 7a amostra aleat9ria simples todos os elementos 3ue compõem o uni erso pes3uisado t2m a mesma probabilidade de *a8er parte da amostra. passei a abordar as pessoas sempre me apresentando como estudante de 49s Craduaç)o da $ni ersidade >ederal >luminense e 3uando necess"rio. cantina. Jnicialmente *oi necess"ria a elaboraç)o de uma amostra aleat9ria simples 7 em 3ue o LcomputadorM sorteou os 240 apartamentos aleatoriamente para compor a amostra. Kia Teresa.0H2 como j" mencionado. renomado ar3uiteto-paisa(ista. # condomínio. sal)o de bele8a. 3ual seja. . 7os dias de 6666 6666 . 7o entanto. :m outras pala ras. todos os apartamentos teriam as mesmas c5ances de serem selecionados na amostra. padaria. e o síndico (eral cuja ordem era incomodar o mínimo possí el os moradores e de *orma al(uma inter*onar ou bater na porta do apartamento. :stes espaços s)o considerados como "reas comuns aos condGminos.1H2 apartamentos e os espaços de la8er tais comoT restaurante. lin5a de Gnibus pr9pria etc. er ane6o J/ e (ra ador. 3uadras de t2nis. cac5orros. 1.

síndicos e empre(adas dom+sticas. =i ersas e8es al(uns 3uestion"rios renderam lon(as con ersas. temas. 7o total *oram -0 3uestion"rios aplicados.o I . apenas 1H minutos ou simplesmente uma resposta *ria “n(o ten4o tem%o” ou “n(o ten4o interesse”. permitiu min5a circulaç)o pelo . Ca%*#". discorrendo li remente no assunto de maior a*inidade. mul5eres.1& um parentesco *orjado 3ue *acilitou meu acesso ao síndico (eral 3ue s9 ocorreu depois de inNmeras tentati as. o 3uestion"rio ser iu tamb+m como estrat+(ia de aborda(em e contato prim"rio com os moradores. =urante a min5a estadia n)o ocorreu Lescol5aM na aborda(em dos entre istados. porteiros. se(uidos de lon(as con ersas. :sta iniciati a se deu pela necessidade de n)o me apro6imar da in esti(aç)o munida com um arcabouço j" es3uemati8ado e *ec5ado e assim poder perceber a multiplicidade de interpretações e dar lu(ar aos di*erentes en*o3ues. Abordei as pessoas dos sete edi*ícios e de di*erentes andares. outros no entanto.ondomínio e *a8ia com 3ue as pessoas parassem para dar atenç)o. idosos. al(umas c5e(aram a mais de 2 ou & 5oras. assim. A aplicaç)o do 3uestion"rio. al+m de permitir responder ao 3uestion"rio estas pessoas passaram a con5ecer um pouco mais sobre meu trabal5o e con ersar mais detal5adamente. os assuntos abordados na en3uete da am inicio a di ersas associações de ideias em 3ue os entre istados da am continuidade a al(uns pontos. adolescentes. anotações e (ra ações. assim como. A ordem dos temas e a *orma de abordar as 3uestões se se(uiram por meio da pr+-estruturaç)o do 3uestion"rio. =entre elas 5omens. mais precisamente ap9s min5a in*ormante passar a se re*erir como min5a tia. propriamente dito. :ntretanto. apenas ser morador do condomínio.

tamb+m pri ile(iam.e C&)ia do es#"do A import!ncia de se estudar (rupos ou classes politicamente pri ile(iadas e atuantes nos permitir" compreender as representações e e6peri2ncias cotidianas destes (rupos.&/. a escol5a do bairro Barra da Tijuca como local a ser estudado se deu de ido ser o local de moradia um potenciali8ador das redes de relações e6perimentadas entre as pessoas. as (rades e muros podem tamb+m ser di*erencia os de dentro em relaç)o com os de *ora. 4ara tanto. e6iste. para os pro*issionais empreendedores do ramo da construç)o ci il.14 A re.opacabana dentre os "rios resultados apresentados ressalta 3ue% “) cria'(o do mito 78o%aca$ana9. assim como 71%anema9 ou 7/arra9 s" . 7uma tend2ncia crescente os condomínios *ec5ados eem trans*ormando si(ni*icati amente o cen"rio urbano. a construç)o de condomínios *ec5ados. %oss. al+m do capital especulati o 3ue est" en ol ido na produç)o deste tipo de empreendimento. uma dimens)o li(ada ao capital social.nios. simb9lico e pro*issional.=acanal. F interessante essa constataç)o por3ue nos mostra 3ue. $m bairro com uma in*ra-estrutura 3ue se(ue no no o modelo de 5abitaç)o de condomínios pri ados da continuidade a proposta de identi*icar como estes sujeitos d)o sentido ao seu cotidiano construindo interpretações e percepções da iol2ncia real ou ima(in"ria. 4or parte dos moradores. A partir dos anos 70 e em especial os anos -0 operam-se no Brasil este modelo residencial 3ue de *orma consciente ou n)o para a3ueles 3ue 5abitam estes espaços. e 3ue se desdobram nas representações objeti adas. # local de moradia se apresenta atualmente em di ersos estudos como elemento si(ni*icati o. 5" uma busca por Lum lugar que %ro%orcione uma mel4or qualidade de vidaM e. p. Ee(undo Cilberto Del5o ao analisar um condomínio de . destinados 5 classe alta M. em detrimento dos loteamentos em *unç)o do maior lucro 3ue podem obter Lcom a venda de 4a$ita'+es em condom. 200H. na atual conjuntura. con*rontando-as na *orma com 3ue estes desdobram suas pr"ticas concretas de ida. pois estes pro*issionais 2m nesses empreendimentos Luma nova o%ortunidade de %ro-eto 6 tra$al4oM .vel em um ti%o de sociedade em que e:ista uma identifica'(o entre local de resid*ncia e %restigio social de tal forma acentuada istas como local 3ue se(re(a e . em termos de interesse e bene*ício.

Ee(undo o autor estes moradores% (> devem tam$. mesmo n(o 4avendo altera'+es na ocu%a'(o ou na renda das %essoas em %auta”. (%#g.5ile.<. por classes sociais. BB. A mudança do local de resid2ncia con*ere um *ator real locali8ando o indi íduo num conte6to social especí*ico o 3ue l5e proporcionar" presti(io e distinç)o social. # autor classi*ica tal modelo 5abitacional como S$razilianizationS.1H que a sim%les mudan'a de $airro %ossa ser inter%retada como ascens(o social. mas al(o 3ue con*ere de *ato uma mudança de status. cantegril no $ru(uai ou ainda ranc4o na Dene8uela. (%#g. !s 8ondenados da 8idade.idadeM. 2==2 . . em marginalidade e em degenera'(o moral. 2==C Eeria de e6trema in(enuidade n)o atentar para o *ato de 3ue apenas uma *amília ne(ra reside um dos 10H2 apartamentos do <i iera e 3ue nesta *amília a Nnica criança ne(ra n)o intera(iu durante toda a semana com as demais crianças brancas na "rea in*antil. Eendo prematura ou n)o a obser aç)o. ) 0to%ia 0r$ana.m su%ortar o des%rezo %?$lico associado ao fato de morarem em locais am%lamente %erce$idos como @#reas a serem evitadas@ (noAgo areas . dado coletado nos -0 3uestion"rios aplicados. 4ara tal a*irmati a ser" utili8ado a3ui o autor Ko]c Oac3uant em L#s condenados da .ria na Ar(entina. :m LD4e Ee:t )merican EationM um estudo de 'ic5ael Kind ele obser a um nNmero crescente de norte americanos. villa mis. . o condomínio <i iera tem uma populaç)o de brancos com uma renda m+dia de 20 sal"rios mínimos. brancos 3ue est)o buscando 5abitar comunidades *ec5adas (gated enclave communities . %rofusas em crimes. este autor apresenta sob outro prisma o desprestí(io dos indi íduos 3ue 5abitam "reas des*a orecidas tais como as denominadas *a elas no Brasil. %o%ulacione no . onde se %ressu%+e que 4a$item a%enas mem$ros inferiores da sociedade. e n)o de culturas por raça. pois ele obser ou este *enGmeno durante sua estadia no Brasil. Kind em seu li ro demonstra (rande preocupaç)o ao obser ar um di isor de raças. (> ) realidade e a for'a do estigma territorial im%osto aos novos @%arias ur$anos@ da sociedade avan'ada n(o devem ser su$estimados. assim estes bairros n)o seriam LmitosM.

3ue se eri*ica em 3uase todo o mundo. $ma particularidade apresentada no . independentemente de sua classe social. (eraç)o. # soci9lo(o Bauman . demonstrar as di*erenças entre o <i iera sendo este muito mel5or 3ue os demais condomínios da Barra. A demonstraç)o de estar prote(ido + muito (rande.2000/ em 3ue ela a*irma ser este tipo residencial uma *orma de se(re(aç)o.200B/ a*irma 3ue o condomínio seria al(o construído dentro da cidade. Auestionamos no sentido de serem estas interpretações uma leitura super*icial e simpli*icadora dos processos sociais 3ue en ol em este modelo de 5abitaç)o. A se(urança 3ue eles consideram (o8ar + tamb+m um *ator alarmante. ou ainda.aldeira . $ma necessidade latente demonstrada nos discursos em di*erenciar a3ueles 3ue possuem din5eiro. nos relatos obser a-se 3ue todos os lu(ares da cidade do <io de ?aneiro s)o istos como peri(osos. proibiç)o etc. cultura ou 3ual3uer outra cli a(em social. se(re(aç)o. >rança e Jt"lia t2m indicado um sentimento crescente do medo e da inse(urança pelos cidad)os diante do crime . nas narrati as dos moradores encontramos uma necessidade de distinç)o entre eles mesmos. Cr)Bretan5a. #bser ando os apontamentos como status. Aleman5a. =esta *orma. tais como os condomínios *ec5ados permitem di ersas interpretações tais como o da antrop9lo(a Teresa . pode ser e6plorada de *orma mais pertinente 3uando - :6press)o ou ida di ersas e8es nas entre istas. o local de moradia (an5a (randes proporções e os no os modelos residenciais. etc. (2nero. etnia. mas n)o possuem Lberço-M. local ideal ou ainda medo e inse(urança seriam *atores determinantes 3ue le ariam os citadinos a este tipo residencial^ Acreditamos ser oportuno nesta dissertaç)o de mestrado 3uestionar a crença pr+e6istente de 3ue muros s)o construídos sob o prisma dos acirramentos das desi(ualdades sociais ou ainda 3ue o sentimento de inse(urança e ulnerabilidade *rente ao crime le aria os indi íduos a buscar por maior proteç)o.ondomínio <i iera na Barra da Tijuca *oi 3ue o distanciamento e as separações com os pobres podem ser eri*icados no tipo do condomínio. a inse(urança ci il em ao encontro da l9(ica 3ue con*ere sentido a busca pelo modelo de condomínios residenciais erticais^ Deri*ica-se. da renda *amiliar. A l9(ica associada a este modelo. :ntretanto. . mas social e idealmente. 4aíses Bai6os. =i ersas pes3uisas de opini)o popular reali8adas periodicamente nos :$A. portanto a necessidade de se con5ecer mais precisamente as ra8ões associadas a este *enGmeno.11 7esta perspecti a. 1BB-/.A=#<7#. distanciamento. separaç)o. locali8ado *ora dela.

4odemos compreender tamb+m as anta(ens de morar em um condomínio *ec5ado como um conjunto de escol5as. 3ue a construç)o do espaço + re eladora ou espel5a as relações sociais. # medo da iol2ncia e da criminalidade entrou na pauta das (randes cidades.17 analisado de perto o cotidiano de ida destes moradores e atentando para os desdobramentos e as ações 3ue s)o construídas em torno das representações destes indi íduos. 1BB-/. # crescimento do crime e da iol2ncia. de um lado. *ato este 3ue acarreta "rias conse3u2ncias.2001/. sendo amplamente obser ado como um problema social. $ma restriç)o da circulaç)o nos locais urbanos e tamb+m o in estimento de tempo e din5eiro em busca da auto-proteç)o em detrimento de outras ati idades sociais tamb+m s)o obser adas. como tal. Tal urbani8aç)o *eita de encla es pri ados + ainda entendida como uma secess)o de elites 3ue se opõem ao sistema de redistribuiç)o 3ue caracteri8aria uma sociedade de Lbem-estarM. uma simbiose entre aspectos simb9licos e realidade social. sob ariadas modalidades. . 2m tra8endo em pauta 3ue a iol2ncia n)o seria a causa dos condomínios 5ori8ontais e sim uma lin(ua(em simpli*icadora 3ue locali8a medos di*usos e a pr9pria reproduç)o de um no o tipo de 5abitaç)o 3ue apresenta L anta(ensM a seus moradores. 3ue a pro is)o pNblica de ser iços + ine*iciente e. tais como o Les*riamentoM nas relações entre i8in5os. consumo e 3ualidade de ida em associadas a des anta(em 3ue o desencadeou como o medo e a inse(urança destes (rupos sociais. :m (eral estas anta(ens. ou seja. 'as como compreender e interpretar estas representações frente às ameaças (supostas ou reais) da iol2ncia^ As pr"ticas de interaç)o e sociabilidade na sociedade moderna 2m despertando os pes3uisadores para a compreens)o do cotidiano da3ueles 3ue 5abitam o urbano. de outro. 4odemos obser ar atualmente certa mudança na rotina de ida de al(uns moradores. # cercamento olunt"rio 3ue ocorre nos condomínios *ec5ados seria uma resposta ao declínio dos espaços pNblicos nas cidades contempor!neas. n)o + *enGmeno recente. 4ara prosse(uir com esta a*irmati a lançaremos m)o @s contribuições de Bourdieu 3ue possui asto estudo 3uanto @s pr"ticas culturais e sua relaç)o com a estrutura social. As pes3uisas recentes como a da pes3uisadora 'oura . se3uer e6clusi amente típico da sociedade brasileira . assim ser" tratado. $m crescente medo da iol2ncia urbana tomou de assalto os cidad)os comuns e passou a *a8er parte do cotidiano de suas idas.Adorno. tais como local de la8er. tendo como pressuposto. pois este + sempre um estran5o 3ue mora ao lado e.

o poder simb9lico + di*uso. pois este conceito pode ser isto como um princípio (erador de todas as pr"ticas. . bem como a capacidade para di*erenciar e apreciar estas pr"ticas 3ue permeiam o mundo social e seus espaços em 3ue o estilo de ida + constituído. Ao mesmo tempo em 3ue 4a$itus + um conjunto de princípios 3ue (eram a or(ani8aç)o pr"tica e representações + tamb+m um processo de a(entes 3ue s)o (o ernados por um conjunto de relações sociais objeti as. torna-se de *undamental import!ncia dialo(ar com o conceito de 4a$itus de Bourdieu. 4. 4ara Bourdieu. de certa *orma. permitindo uma percepç)o e jul(amento em um sistema de marcas de distinç)o. tra8endo @ discuss)o o conceito de a(ente e. # autor introdu8 o conceito de 4a$itus. e o capital cultural.:KKJ. como a um conjunto de escol5as. Jntroduç)o% a *orça do sentido. impre(nando-o com um aspecto de normalidade. Eer" no 4a$itus 3ue encontraremos um re*erencial 3ue abarca as pr"ticas e produtos classi*icat9rios.1:ntre uma concepç)o e an"lise su$-etivistas 3ue n)o con5ecem o papel da realidade social de dar *orma @ consci2ncia e uma concepç)o e an"lise o$-etivista 3ue. # bom (osto esta associado aos es3uemas classi*icat9rios de*inidos e ai (erar pr"ticas ajustadas tanto @s re(ularidades de uma condiç)o determinada. #s aspectos simb9licos s)o imbricados nas condições materiais de e6ist2ncia. E. situações concretas. 5" di ersas *ormas de capital em 3ue nen5uma delas + redutí el ao capital econGmico. 1B74.onsiderando este estudo como uma tentati a de dia(nostico das representações sociais da iol2ncia em um condomínio da Barra da Tijuca. o autor distin(ue como particularmente importante duas *ormas% o capital simb9lico. 4ara o autor. :ssas duas *ormas de capital instrumentam o a(ente e os tornam aptos a deci*rar os c9di(os embutidos em B Jmportante contribuiç)o de 'J. uns n)o est)o redu8idos aos outros. ultrapassando a dicotomia idealismo W determinismoB. 3ue se re*ere ao (rau de prestí(io. A economia das trocas simb9licas. Bourdieu a*irma a simbiose entre os aspectos simb9licos e realidade social. ne(am 3ue os indi íduos d)o *orma ao mundo social a partir de suas concepções e representações.onsiderando especialmente o campo da produç)o cultural. Jn% B#$<=J:$. acumulados. mas amal(amado a poder econGmico e político acaba por le(itimar representações e classi*icações cotidianas de desi(ualdade. . E)o 4aulo% :d. =entro desta perspecti a encontraremos as cate(orias de Sbom (ostoS e escol5a. incluindo tanto a capacidade de produ8ir pr"ticas classi*ic" eis. 3ue se re*ere @s di ersas *ormas de con5ecimento e compet2ncias. 4erspecti a. portanto. 5onra etc. . n)o a(indo num a8io.

! . Ca%*#".1B relações e objetos culturais. Bourdieu permite uma an"lise bastante insti(ante de aspectos da ida cotidiana.o . Assim.

o ol5ar de dentro das (rades (an5a no os contornos. este nNmero ainda n)o + representati o para uma an"lise 3uantitati a onde se *alar" dos moradores traçando seu per*il (eral. 4ara tanto. o positi o de morar neste condomínio^ e &/ .a/ Er. 7esta perspecti a o ..a/ Er. . preocupações. 5a endo assim.omo o.a/ a alia o tipo de con í io entre os moradores deste condomínio^ A parte 3uantitati a ser" abordada em outro capítulo ap9s o t+rmino na aplicaç)o dos 3uestion"rios.. con*litos e costumes. n)o apenas para os de *ora das (rades. no entanto as sin(ularidades destes moradores s)o obser adas sobremaneira na *orma como eles intera(em entre si e as isões de mundo 3ue cada um abarca. a aborda(em deste capítulo ser" a 3ualitati a. (ostos. esta 5omo(eneidade n)o se con*ere numa an"lise mais apro*undada destes moradores. 7o entanto. pois at+ o momento *oram aplicados -0 3uestion"rios. mas tamb+m uma di*erenciaç)o entre eles pr9prios 3ue se apresenta de di*erentes *ormas e conteNdos. *ocando nas con ersas com os moradores e em especial abordando & per(untas basilares para a aborda(em% 1/ Costaria de saber 3uais *oram os moti os 3ue le aram o.abordar mel5or a noç)o de comunidade e micro sociedade/ :ntende-se por sociedade um coleti o de pessoas 3ue compartil5am prop9sitos.20 O CAMPO 7este capítulo discutiremos al(umas 3uestões le antadas e consideradas importantes para a compreens)o do cotidiano de ida destes moradores e suas relações com os i8in5os.58 Uma mi)ro-so)iedade @ a$orda/em 3"a. Eer)o aplicados 2H0 3uestion"rios ao lon(o do campo.a/ considera como *ator ne(ati o. consumo e renda *amiliar.ondomínio <i iera =ei >iori se apresenta como uma microsociedade e notadamente um ol5ar de *ora das (rades do condomínio se obser a uma 5omo(eneidade da3ueles 3ue ali residem. :ntre os moradores anti(os e os no os. # estilo de ida muito embora possam ser descrito com certo (rau de semel5anças 3uando relacionados @s pr"ticas de la8er. relaç)o com a administraç)o (eral rec+m-eleita e outras pr"ticas 3ue se relacionam nas 3uestões comuns entre eles. assim como.a/ Er. . uma interaç)o entre elas.. *ormas de pensamento. =entro das (rades se obser a uma busca incans" el por distinç)o.i#a#i a .a/ residir neste condomínio^ 2/ # 3ue o.

7esta microsociedade encontramos a3ueles 3ue nasceram ricos. insustent" el. #bser amos 3ue o 3ue moti a a e6ist2ncia do (rupo residencial e sua coes)o n)o + al(o permanentemente presente e in ari" el entre eles. somos obri(ados a pensar indi íduos e (rupos de um ponto de ista *le6í el e relacional em 3ue as (enerali8ações ou a*irmações de 5omo(eneidade podem prejudicar a an"lise.H00. n)o pela concepç)o 3ue t2m a seu respeito os 3ue 10 ressalta-se 3ue um sal"rio mínimo esta no alor de <_ H&0. :m uma an"lise 3ue i(nora a l9(ica orientadora da *ormaç)o do (rupo 3ue + al(o *u(a8 e. E)o. 11 . Ee(undo Bourdieu% L?ul(amos ser *ecunda a ideia de 3ue a ida social de e ser e6plicada. mNsica alta. cin8as de ci(arro. arrombamento de apartamento. #u ainda. prisões e alto custo da ta6a condominial para al(uns 11 s)o parte da rede de con*litos 3ue se con*i(uram num local 3ue isto de lon(e se apresenta em plena ordem e 5armonia. A administraç)o do condomínio tem em m+dia <_ 10. A di ersidade de indi íduos 3ue residem neste condomínio permite traçar aspectos de uma micro-sociedade 3ue embora em sua maioria branca e com renda acima de 20 sal"rios mínimos10. atendendo demandas comuns e tamb+m pela satis*aç)o 3ue ad +m do encontro com o outro. moradores 3ue n)o optaram por este modelo residencial ou de*inem sua situaç)o de mordia como um acaso. rotati idade de moradores. Assim. 3ue ne(a toda e 3ual3uer a(itaç)o interna e 3ue in*eli8mente encontramos em di ersos trabal5ados 3ue acabam tra8endo a crença e3uí oca de uma 5omo(eneidade de pensamento e conduta de ida propriamente dita. a renda m+dia por *amília (ira A ta6a condominial "ria entre <_ 1. entorno de <_ 10. Assim.00 reais mensais. s)o pessoas com pensamentos di ersi*icados.00 e 1. 3ue nele se reali8a. nas inda(ações e anseios de di*erentes m)es ao proporcionarem aos seus *il5os este modelo residencial. por+m. animais dom+sticos.000. 4roblemas de inadimpl2ncia.00 reais. es3uece-se da instabilidade das pro6imidades% d)ose por moti os especí*icos 3ue permitem a a(lutinaç)o de pessoas em torno de 3uestões pontuais.00 reais. *icaram ricos e eram ricos e *icaram pobres. aos di*erentes idosos solit"rios ou Lsoci" eisM.21 entre a concepç)o de educado e mal educado. dro(as.100. cristali8adas pelo corte analítico 3ue as toma como re*er2ncia. a8amento de "(ua. eri*ica-se 3ue n)o e6iste uma estabilidade basilar contínua.H20. essas relações duram o período 3ue de em durar. por isso. despejos. nem mais nem menos.00 reais para a manutenç)o mensal. Ko(o. *urtos.

oc2 iu o taman5o dos apartamentos^ As arandas^ Doc2 iu o taman5o das arandas^ #s jardins. 'as + *ato 3ue o <i iera 3ue nunca *oi local dos no os ricos da Barra e começou a ser. mas at+ pai de jo(ador de *utebol *amoso eio parar a3ui. (osto muito da3ui. $m tremendo mal educado.M . entende^M . di(amos.Card2nia/ L:u ti e um en*arte e o m+dico me recomendou estas camin5adas matinais. entende^ Eem *alar das pessoas sem berço 3ue t)o c5e(ando.'ios9tis/ LAdoro o <i iera.. podem descer pra brincar sem medo. nem todos. mas erdade seja dita% os no os moradores s)o muitas e8es muito mal educados.. meus netos est)o muito bem ser idos de con*orto. # Nnico problema 3ue n)o +. 3uer i er bem. Moradores! a&#i/os e &o os . la8er. 5oje com &1 anos de *ormaç)o ainda e6istem moradores 3ue residem nele desde o início de sua construç)o.ondomínio <i iera =ei >iori *oi construído em 1B7B. al(uns moradores 3ue se denominar)o Lanti(osM no condomínio. estamos passando por um momento de pro*undas trans*ormações por a3ui.imi#es )o&domi&iais # .M . mas por causas pro*undas 3ue escapam @ consci2ncia. . te6to n` 0-/. .5.A dis#i&'-o e o status de&#ro e 4ora dos . . l9(ico 3ue tem muita (ente boa indo tamb+m. 7)o ten5o preconceito. :u n)o 3uero dei6ar o <i iera. tem muita (ente sem (rana. n)o *ica muito tempo. alco9latra. n)o " pensando oc2 3ue a3ui s9 tem rico 3ue n)o + erdade n)o.22 participam nela. Bloco 1 . pois o ser iço de limpe8a + muito bom.on*esso 3ue um belo dia eu desci pra camin5ar e percebi 3ue eu n)o con5ecia mais nin(u+m. #s moradores anti(os est)o dei6ando o condomínio e no os moradores tem c5e(ado. lon(e disso. t)o problema + o *ato de eles terem 3ue se misturar. Voje oc2 2 lata de cer eja na (rama. as "reas de la8er. =urante as entre istas.. #l5a. o <i iera n)o + mais como anti(amente. sem instruç)o. ou seja.. Bloco 2 .Bourdieu in =urY5eim. moradores 5" mais de 20 anos con*idenciaram 3ue o condomínio passa por um momento conturbado em 3ue muitos moradores anti(os est)o dei6ando o condomínio% L. As crianças circulam li remente. mas esta pelo pescoço. os espaços s)o (randes.moradora de 10 anos. adoro tudo isto a3ui.moradora de 1H anos.

uma e8 ser outra o *oco central do estudo. os no os descon5ecem esta perspecti a. pois esta am aí instalados 5a ia duas ou tr2s (erações. no entanto. eu (osto e me dou com todo mundo. educaç)o. do outro. $m bre e resumo do li ro de 7orbert :lias nota-se 3ue embora a comunidade de Oinston 4ar a *osse relati amente 5omo(2nea de acordo com seus indicadores. n)o 3uero meu nome e nem meu apartamento citado no seu estudo . contudo sem muita pro*undidade. de um lado entre o (rupo residente no bairro denominado aaldeiaa. A despeito de serem uns e outros trabal5adores. eja nosso atual presidente era um p+ rapado 3ual3uerM. #s alores ne(ati os aos no os moradores circulam apenas nos meios comuns dos anti(os. no <i iera =ei >iori n)o e6iste um ol5ar recon5ecido de superioridade de anti(os para com os no os.morador de 70 anos. Bloco 7 0 Cladíolo/ #utros relatos se se(uiram nesta mesma perspecti a.*orasteiros/. 3ue se iam e eram considerados como QoutsidersR . . #s anti(os apontam para uma mudança de status da3ueles 3ue ieram recentemente. consideram os moradores tantos anti(os como os no os como pessoas educadas e corteses.2& e6celente. Ao contr"rio de Oinston 4ar a. sua populaç)o esta a di idida. ascend2ncia a+tnicaa ou araciala. :6iste certo cuidado ao *alar des alori8ando os no os% LDoc2 n)o ai di8er em seu trabal5o 3ue eu disse isso. 3ue se auto en6er(a am e eram recon5ecidos pelos demais como o 7esta$lis4ment9 local e. ocupaç)o. reli(i)o. mas e6empli*ic"-los com tr2s discursos de tr2s moradores de di*erentes blocos j" atentam para obser ar a e6ist2ncia de um desprestí(io de al(uns moradores anti(os para com os no os. n+^ :stou con ersando com oc2 acreditando na sua +tica pro*issional. # local onde as casas dos QoutsidersR *oram construídas era antes um terreno ala(adiço o 3ue tamb+m ser ia para des3uali*ic"-los. os primeiros justi*ica am sua asuperioridadea e poder com base num princípio de anti(uidade. lín(ua e nacionalidade. tais como% renda. mas as coisas a3ui est)o mudando. Bloco 7 0 Cladíolo/ . na erdade o Brasil todo t" mudando. as *amílias moradoras do rele(ado aloteamentoa. portanto pertencentes @ mesma classe social. # 3ue nos remete a cl"ssica in esti(aç)o de 7orbet :lias. en3uanto os demais eram rec+mc5e(ados @ comunidade.…/ Jma(ina oc2 descer e um morador no o apontar o dedo e di8er% A3uele ali n)o (osta da (enteb Jsso n)o + erdade.morador de 70 anos. 'as 3uem + o boçal 3ue jo(a uma lata de cer eja na (rama com tanta li6eira espal5ada pelo condomínio^ Anti(amente oc2 n)o ia este tipo de coisaM .

para a 4raça 'au" e tamb+m atendem o trajeto de al(umas escolas particulares. LE(o seria -usto uma %essoa querer vir %ara o condom. Bloco 04 .nio sem querer usar os recursos que ele oferece e com isso %agar menos %elo servi'o que esta a dis%osi'(o dele. as coisas aqui est(o mudando. sendo% 4 Gnibus (randes e 2 micro-Gnibus.'ar(5erita/. D)o para a estaç)o do metrG de Bota*o(o.onsideram altas demais. :les relatam e6cessi amente o con*orto 3ue est)o proporcionando aos seus *il5os.24 # relato mencionado aponta um despresti(io n)o apenas para os no os moradores. acreditam 3ue a administraç)o de eria mudar a ta6a de acordo com o 3ue o morador utili8a de *ato. . Ee(undo o síndico (eral do <i iera os moradores s)o alertados para todas as comodidades 3ue o condomínio o*erece se ele n)o usa os ser iços o*erecido + por3ue n)o 3uer.. 7a política obser amos um descontentamento para o *ato de um e6-sindicalista e oper"rio estar presidindo o país e embora o presidente Kui8 Jn"cio Kula da Eil a estar no *inal de seu se(undo mandato ele ainda + isto como al(o no o e 3ue represente mudança. :ntretanto. “se:taAfeira do %ei:e” e assim por diante. #s no os moradores n)o mencionaram 3ual3uer posicionamento sobre os demais moradores e 3uando s)o insti(ados di8em n)o saber 3uem + no o ou anti(o no <i iera. # condomínio o*erece uma lin5a de Gnibus pr9pria. . :les transitam em di ersos 5or"rios *a8endo di*erentes trajetos..M . principalmente entre no os e anti(os. 'uitos se lamentam pelo apartamento n)o ser pr9prio e consideram o <i iera =ei >iori um local per*eito para se morar e criar os *il5os. A ta6a para a lin5a do Gnibus + inclusa na ta6a condominial o 3ue (era atritos.M a*irma o síndico. mas para tudo a3uilo 3ue apresenta mudança. na verdade o /rasil todo t# mudando (> ”. :m dias especí*icos na semana le am os moradores ou empre(adas dom+sticas para a *eira e para os supermercados em dias 3ue estes o*erecem o*erta do tipo “quartaAfeira da carne e ave”. s)o os no os moradores 3ue mais 3uestionam as ta6as condominiais. “(. L. # primeiro + o transito. t" insuport" el. todo dia tem en(arra*amento e o se(undo + o alor do condomínio.onsidero apenas dois *atores ne(ati os de morar a3ui. 7)o entendo por3ue 3ue eu ten5o 3ue pa(ar o Gnibus se eu n)o uso o Gnibus e "rias outras ta6as de coisas 3ue eu n)o uso e nunca irei usar. :sta muito mal di idida as ta6as.moradora de 47 anos.

LA Barra + o Nnico lu(ar 3ue ainda d" para crescer a3ui no <io. #s moradores com di*iculdades *inanceiras e 3uando ele tem certa intimidade. s)o apartamentos bem pe3uenos. n)o no estilo do <i iera. uma e8 3ue o <i iera o*erece de tudo aos seus moradores. 7)o + o acr+scimo do Gnibus o problema real. em especial ressaltando os condomínios rec+m-construídos e os condomínios de *rente para o mar. como tamb+m uma distinç)o para os moradores de outros condomínios. outros c5e(am a a*irmar 3ue a ta6a de eria ser mais alta para selecionar mel5or as pessoas% “quanto maior o valor do condom. Tem (ente perdendo seus apartamentos em leil)o por *alta de pa(amento e isso s9 tem aumentado. + o Nnico lu(ar com espaço. 'uitos 3uerem *icar. + 5orrí el isto. mas muitas e8es + Nnica coisa 3ue a pessoa tem e se perder perde tudo. acredito 3ue seja por status. mesmo apertado *inanceiramente. L'uitos reclamam do alor do condomínio.nio menor o n?mero de %essoas sem condi'+es reais de morar aqui. j" al(uns no os moradores a*irmam 3ue a lin5a de Gnibus n)o atende aos 5or"rios de sua necessidade e 3ue se os moradores *ossem de *ato usar este meio de transporte ele n)o seria su*iciente para atender a demanda real o 3ue *a8 dele pri il+(io de al(uns e aumento si(ni*icati o na ta6a condominial para todos.'orador H7 anos.M .. Tem muito condomínio pipocando por toda a Barra. # síndico (eral atenta para o *ato de ser impossí el a(radar a todos.2H #s anti(os por serem j" idosos necessitam do Gnibus para suas saídas e compras. tr2s meses a *rente da administraç)o/ #utros moradores a*irmaram 3ue consideram a ta6a condominial bai6a. Tanto os no os como os anti(os moradores do <i iera demonstram uma necessidade de se di*erenciar dos demais moradores da Barra da Tijuca.Cer!nio/.moradora H1 anos do Bloco 1 0 4etNnia/. esta al+m do orçamento *amiliar as pessoas t2m 3ue entender 3ue n)o d" pra continuar. se o alor + caro.Eíndico (eral.M . . os aconsel5a a buscar outro lu(ar para morar.” . Auando o morador + uma pessoa mais pr96ima eu aconsel5o a ender o apartamento antes de perd2-lo.. 7ota-se 3ue dentro do condomínio e6iste a l9(ica de distinç)o entre os moradores. Bloco 0& .

morreu ano passado. #s 3uartos sempre nos lon(os corredores dando uma noç)o de espaço in iol" el. 4re*erem os clic52s esta coisa sem cultura..moradora de 47 anos../. n)o o*erece nada . 3ueria ter aranda. n)o importa como. LDoc2 j" de e ter ou ido 3ue a Barra + um lu(ar dos no os ricos. etc. Bloco 04 'ar(5erita/. 3uerem os apartamentos pe3uenos e de pre*er2ncia de *rente para o mar.opa depois *oi para o Keblon onde eu nasci e *ui criada. res(uardando a intimidade da *amília.…/. por ter um jardim (rande e *oi projetado por Burle 'ar6. pois a Iona Eul *icou impratic" el. em pra c" s9 com+dia boba e *ilme bom *ica em carta8 no m"6imo & dias. mas eu im do Keblonb 'in5a m)e nasceu e *oi criada em . =entre os di ersos trabal5os brasileiros 3ue assinalam a import!ncia do estudo do espaço e sua in*lu2ncia na or(ani8aç)o social + de import!ncia citar S.+ este 3ue eu 3uerob :u preso pelo con*orto. a sen8ala como a outra realidade 3ue di ide social e espacialmente os indi íduos.M . a Barra + *raca nisso. a3ui eles (entendeAse moradores da /arra n)o s)o muito de teatro bom. Bloco 01Card2nia/.moradora H0 anos.21 LAuando eu entrei no apartamento e i o taman5o da aranda eu pensei% . n)o j"^ A Barra tem de tudo. # emaran5ado das relações sociais no li ro de Cilberto >rePre se re ela na pr9pria ar3uitetura. Aueria espaço dentro e *ora do apartamento. n)o importa se o apartamento + pe3ueno. 'uitos jo(adores de *utebol e pa(odeiro 2m pra Barra procurando *icar de *rente para o mar. #s no os condomínios da Barra n)o alori8am mais por este modelo. . A 3uest)o toda *oi o espaço. por e6emplo% as co8in5as (randes e as astas salas de jantar S*alamS da ri3ue8a dos c5eiros e da comodidade o*erecida aos isitantes. # 3ue mais sinto *alta da Iona Eul + a parte cultural.. Aueria se(urança.asa Crande e Een8alaS no 3ual Cilberto >rePre apresenta como o entendimento do espaço ocupado isto + as relações do SmorarS )o implicar num con5ecimento mais pro*undo das características da ida social. ent)o compramos os apartamentos no mesmo bloco. con*orto.ompramos os apartamentos a3ui por ser (rande. 7o condomínio <i iera tamb+m obser amos uma l9(ica de*inidora da3ueles 3ue nele residem e seu ol5ar 3ue estes t2m para com os 3ue moram em outros condomínios . na +poca eu 3ueria ser m)e sem preocupações e tamb+m 3ueria *icar perto da min5a. la8er . 3ueria um apartamento (rande. . 79s iemos pra c".

no os ricos e possi elmente e6-*a elados. :sta necessidade dos moradores em atentarem para os espaços do <i iera s9 *icou claro 3uando passou a e6istir uma comparaç)o com os demais condomínios. distin(uindo-os de todos a3ueles 3ue. # esteticamente admir" el como o taman5o de uma aranda. para estes moradores. #s outros s)o pe3uenos.Bourdieu. uma recomendaç)o ou um con ite. “Riviera lugar de ser feliz” começou a (an5ar *orte contorno. os outros s)o no os e se(uem outros interesses. estar de *rente para o mar.1B&0 . por meio da l9(ica do campo de poder. . :m outras pala ras. se(undo Bourdieu . Jmperati o no sentido de sempre e6pressar uma ordem. Eer" nas imposições positi as de alores 3ue os indi íduos (an5ar)o aptid)o para adotar a certas disposições est+ticas associadas a uma ori(em social. o produto dos condicionamentos associados a uma classe ou *raç)o de classe.27 da Barra da Tijuca. apresentando-se como um elemento importante na escol5a do condomínio. Eer morador do <i iera começou a se apresentar em di ersos (raus de distinç)o e separaç)o onde a *orça do marketing. dos jardins de Burle 'ar6 ou o con*orto de um apartamento + t)o somente. #s outros s)o de apreciados por jo(adores de *utebol. at+ ent)o n)o me 5a ia ocorrido 3ue o *ato de mencionar o taman5o do apartamento e jardim j" esta a inculcado um elemento de (osto e distinç)o. :m di ersas narrati as o taman5o dos apartamentos *oi mencionado. as pr"ticas culturais incenti adas pela escola e pela *amília dar)o a distinç)o 3ue ser" recon5ecida como (osto le(ítimo bur(u2s. de classe m+dia ou popular. um pedido. t)o.2002/. como por e6emplo. s)o estruturadas nos a(entes sociais atra +s da transmiss)o do capital cultural inculcado no aprendi8ado escolar e na *amília. 'orar em um condomínio *ec5ado n)o os torna por si Sdi*erenciadosS. # campo de estrutura das relações objeti as 3ue distin(uir" as disposições e6i(idas pelo consumo le(ítimo das di*erentes classes ser" sempre de e6tremo imperati o. isso n)o basta o 3ue acarreta outras *ormas de distinç)o entre eles mesmos e entre eles e os moradores de outros condomínios da Barra. As pre*er2ncias de um se(mento social 3ue se desdobra em um consumo de classe ou ainda 3ue de*ina as semel5anças de um (rupo. Tais pre*er2ncias t2m o poder de unir todos a3ueles 3ue s)o o produto de condições objeti as parecidas. ou seja. estando *ora do campo socialmente . Ee(undo Bourdieu o (osto ou as pre*er2ncias atra +s das pr"ticas de consumo +. o socialmente construído pelos capitais acumulados em uma 5ist9ria relati amente autGnoma 3ue aprenderam a recon5ecer os si(nos do admir" el. 1B&0 0 2002/.

eu inda(a a a m)e no sentido de per(untar% . o c5)o + liso e pintado onde se locali8am os escorre(as. L %laF”. considera mel5or ou pior^ . brinca. te e e a in*!ncia 3ue seuWsua *il5o.Ci(lio/ Ao entre istar uma a 9 peda(o(a aposentada. + a intoler!ncia @s pre*er2ncias dos outros.D. ..M . :sta "rea comum para as crianças + cercada por uma bai6a (rade. ela apontou 3uestões at+ a3uele momento ausente nos discursos das outras m)es. balanças. 7)o teria um lu(ar para ele intera(ir com outras crianças. :sta a 9 demonstrou em sua narrati a muita preocupaç)o com a criaç)o 3ue seu *il5o esta a dando ao neto. etc. bri(a . pois permitia tamb+m o contato com outras crianças.5> A.es)e&#es e idosos5 7o período da man5) di ersos beb2s e crianças acompan5adas de suas bab"s estidas de branco ou com suas m)es *a8em o mesmo trajeto o de saída do bloco em direç)o ao par3uin5o in*antil ou. criar seu *il5o no ambiente do condomínio^ Al(umas justi*icaram sua moradia justamente para proporcionar ao *il5o a3uele con*orto e se(urança. a3ui ele corre. o (osto + a a ers)o. #utras disseram estar dispostas a o*erecer o 3ue 5" de mel5or aos seus *il5os e por isso a3uele ambiente era importante. :le adora descer pra brincar.a/ esta tendo a Era. o c5)o re estido com tapetes coloridos e peda(9(icos com letras al*ab+ticas e nNmeros..omo + para a Een5ora en3uanto m)e. 4ara o autor./.moradora de &H anos. como c5amado no <io de ?aneiro.. . 3ue precisaram do au6ilio de outras pessoas para cuidar da criança en3uanto elas da am atenç)o a mim. Ee eu continuasse morando no >lamen(o muito pro a elmente ele s9 iria *a8er ami(uin5os na escola. endo al(um desen5o animado . casin5as.2m m"ros! )ria&'as1 ado. 7a mesma "rea tem uma esp+cie de sala para beb2s.…/. Bloco 04 . as paredes s)o desen5adas. L#nde eu mora a antes de ir pra c" n)o da a pra proporcionar este la8er a ele. Ap9s a aplicaç)o do 3uestion"rio. 7este momento da ida dele estaria limitado a mim e a bab". 4ro a elmente 5oje ele estaria na *rente da T. 7este local abordei al(umas m)es. 3uando ele *osse para a escola. propa(am di*erenças ine it" eis.om relaç)o a in*!ncia 3ue a Era. pula.2instituído das semel5anças.

obri(ações e interesses a 3uestões meramente t+cnicas. Eei 3ue tem muita criança com problemas maiores 3ue o %laF do condomínio e isso n)o a dei6ar" burra ou al(o assim. 7o caso das (rades do condomínio e a possibilidade de seus *il5os se relacionarem apenas com os de dentro. oc2 escol5e este modelo de educaç)o e isso + muito s+rio. 3ue di ersidade ela 2 a3ui^ E)o eles mesmos para eles mesmos. A ontade de proporcionar ao *il5o uma criaç)oWin*!ncia saud" el e correta n)o + no idade para nen5um estudo. Assim. As crianças do <i iera simbolicamente est)o mais pr96imas do Galt DisneF do 3ue de outras crianças com menos recurso de seu bairro ou cidade. t" tudo dado. >ico preocupada. 7)o ejo criança ousar subir numa "r ore. A Nnica preocupaç)o com o estilo de ida 3ue esta sendo proporcionado @s crianças do condomínio partiu de uma a 9 peda(o(a. Bloco 02. comportamento. min5a nora *ala 3ue a3ui + um espaço de interaç)o com a di ersidade. mas e depois^ . na realidade n)o s)o le ados em conta. ne(ociaç)o necess"ria para o di"lo(o. cercadin5o. representa o desejo 3ue ultrapassa a se(urança e o 8elo e no amente recaí nas perspecti as de (osto de um (rupo. . en*im s)o *undamentais na educaç)o com ista a uma noç)o de cidadania. meus *il5os sempre *oram e6postos aos peri(os da ida e meu neto n)o.ontudo. A n)o distinç)o entre certe8as e ambi(uidades redu8 3uestões sobre direitos. no m"6imo elas tenta sair do cercadin5o.. de*inir o 3ue + mel5or ou pior sempre ser" a (rande dN ida de 3ual3uer m)e. di*erentes interesses e e6plicações aparecem i(ualados e.2B LEou peda(o(a aposentada.'ios9tis/ A comple6idade da sociedade atual (era e6pectati as nas m)es e estas se di idem entre a dN ida e a certe8a.om relaç)o @ di ersidade. n)o incenti a a criati idade da criança.. Ac5o 3ue al(umas m)es t2m di*iculdade em entender este espaço como al(o 3ue pode alijar a criança. aponta-se a descontinuidade e6istente entre as ruas do condomínio e as ruas de erdade do mundo . . =e *orma n)o e6plicita a a 9 3uestionou a t"tica de se(re(aç)o 5abitacional e a considerou noci a. sei 3ue este espaço n)o proporciona a criati idade da criança. pois ao contr"rio do aprendi8ado de comportamento e toler!ncia para as di*erenças. redu8ir a escol5a da moradia na perspecti a de proporcionar ao *il5o a mel5or 3ualidade ida. # ambiente + t)o certin5o. 'as a 3uest)o 3ue se *a8 a3ui + a escol5a. E)o tantos ol5os encima dele. temos 3ue re*letir sobre estas escol5as 3ue *a8emos. ele *ica a3ui nesta redoma.moradora 70 anos.

. :ntre istei uma m)e 3ue disse ter sido alertada por di ersos ami(os nos anos de 1B-0 3ue o modelo de ida 3ue ela estaria proporcionando ao *il5o *aria dele um bob)o. le antando tamb+m as possibilidades reais de uma cidadania aberta para as crianças. onde oc2 mora tem (rade.BB . ten5o (randes ami(os 12 Jl5a do >und)o + o maior campus uni ersit"rio da $><?. bus3uei identi*icar as m)es de adolescentes 3ue criaram seus *il5os no condomínio. ele aprendeu a se irar muito bem. mas 3uem sabe se comportar numa situaç)o destas^ 7)o 3ueria 3ue ele ti esse medo de tudo. n)o ol5a a pra atra essar uma rua. 3ue m)e n)o *ica^ 'eus ami(os di8iam 3ue meu *il5o seria limitado.. n)o sabia o 3ue era o . Bloco 7 0 Cladíolo/ #utra narrati a 3ue merece atenç)o *oi a de um jo em de 22 anos. mas ele n)o.moradora H1 anos. casas com jardins na *rente e apena isso. Iona 7orte do <io de ?aneiro. n)o du ida a do 3ue os outros di8iam. #s jo ens 5oje s)o meio bobões mesmo. LAcredito 3ue as (rades s)o como os portões de todas as casas.entro . . mas 3uando eu percebi 3ue ele n)o con5ecia a praia de . 'eus ami(os di8iam 3ue meu *il5o n)o saberia se comportar durante um assalto. mas a *amília. *e8 "rios ami(os . :u s9 c5e(o ao >und)o 12 de carro. :ste jo em mencionou 3ue o problema n)o s)o as (rades do condomínio. 5a eria uma 5ora certa pra ele saber destas coisas e 5oje ele sabe.. 7o Brasil todas as resid2ncias t2m (rades./. .&0 LrealM. 4ercebi. acredita a piamente em tudo. seria um bob)o.. . como os de 3ual3uer outro lu(ar.resci a3ui. 7o começo n)o dei tanta import!ncia.om a tril5a dei6ada pela a a 9 paterna. bem como os pr9prios adolescentes. atualmente estudante de direito da $:<?.opacabana. <ealmente ele era in(2nuo. 4ercebi depois 3ue isto n)o + característica de crianças e jo ens de condomínio. 3ue os jo ens do <i iera s)o apenas jo ens. E9 nos :stados $nidos eu i casas sem (rades.. n)o sei por 3ue as pessoas se incomodam com as (rades do condomínio se no Brasil o 3ue predomina + a proteç)o e6cessi a da propriedade pri ada. t)o sempre L iajandoM. sem e6peri2ncia de ida% L>i3uei preocupada com a criaç)o do meu *il5o. n)o prestam muita atenç)o em nada. em menos de um m2s ele aprendeu a se irar muito bem. Eituado na Jl5a do >und)o. com surpresa. . ocupando 3uase toda a e6tens)o da Jl5a. >i3uei mais tran3uila e 3uando ele passou na $><?.ultural Banco do Brasil/ comecei a *icar preocupada.

Bloco & 0 Cer!nio/ A an(Nstia desta m)e em n)o er os *il5os com autonomia *inanceira e tampouco responsabilidades 3ue ela acredita n)o estar compatí el com a idade. pois se torna de *undamental import!ncia considerar as di ersas *aculdades instaladas na Barra da Tijuca e o nNmero (rande de jo ens 3ue saem do ensino m+dio e )o estudar em *aculdades particulares pr96imo ao seu condomínio.&1 a3ui. # mais el5o j" esta com &2 anos e se comporta como um adolescente. 7ota-se neste . #utra narrati a 3ue merece ser apresentada + a de uma m)e de tr2s jo ens. antes eu iaja a.moradora HB anos. ele ai sur*ar mais. mas a(ora aposentada eu n)o ten5o din5eiro pra nada e pensei 3ue 3uando eles crescessem *ossem me ajudar.morador 22 anos. 7o caso do *il5o mais el5o. 7o entanto. Eei 3ue se ele lar(ar o est"(io ele n)o ai estudar mais. *icar mais tempo na internet . atribui o SerroS em parte ao condomínio e as *acilidades 3ue ele o*ereceu aos *il5os. L# 3ue mais eu me per(unto + onde *oi 3ue eu errei^ Ten5o certe8a 3ue no *undo eu sei . # mais no o com 24 anos di8 n)o poder estudar para concurso por causa do est"(io.…/ 3uis dar tudo 3ue eu n)o ti e aos meus *il5os. 5oje eles n)o alori8am nada do 3ue tem..…/. 'in5a m)e n)o se limitou ao condomínio.. a *amília cerca oc2 independente da onde oc2 more. . eles sempre 3uerem o 3ue n)o t2m . acreditei 3ue a3ui *osse o lu(ar ideal pra eles crescerem. nada est" bom... Al(uns ami(os a3ui do condomínio n)o podiam descer a noite pra jo(ar Glei os pais n)o (osta am. 'in5a aposentadoria *e8 meu orçamento cair muito. Bloco 1 0 Card2nia/ As preocupações da a 9 paterna com relaç)o ao seu neto podem ser ameni8adas nas narrati as subse3uentes. :stou com c!ncer na *arin(e e ten5o medo de morrer e eles n)o se de*inirem. 7ota-se 3ue nestes dois casos especí*icos. a *aculdade ele n)o termina./. n)o sei como + i er em outro lu(ar. 3uando ti eram 3ue sair do condomínio assim o *i8eram.…/. Costaria 3ue eles *ossem mais maduros. tal e8 esta ida de condomínio os dei6ou ce(os. muda toda 5ora. cada semana uma namorada.. sempre ti emos ati idades *ora da3ui . . *a8 com 3ue ela 3uestione a ida 3ue proporcionou a todos eles e em meio @ an(Nstia. Ac5o 3ue as (rades est)o mais na cabeça dos pais do 3ue nas do jo em. *a8 dela e6tremamente pessimista com relaç)o aos *il5os. podem representar uma minoria. mas at+ a(ora eles *icam na depend2ncia total. Eempre tendo de tudo.

“quis dar tudo que eu n(o tive aos meus fil4os”. A no a administraç)o do condomínio pretende proporcionar ati idades para este se(mento. 'in5a irm) te e Al85eimer. o maior nNmero de indi íduos do <i iera. #utros disseram 3ue n)o recebem isitas dos *il5os 5" mais de um ano ou 3ue nem se recordam 3uanto tempo *a8 a Nltima isita. 'eu *il5o administra min5as 3uestões *inanceiras. di8em dentre outras 3uei6as. L:u (osto de morar a3ui. con*litos atuais ….. n)o 3ueria *icar como ela .. sinto *alta da min5a *il5a. a *alta de acompan5ar o crescimento dos netos. #s idosos reclamam do abandono parental. er biblio(ra*ia 3ue *ala dos jo ens. mas n)o me isitam. =ai8P EtepansYP . 3ue disseram ser mel5or morar na Barra para *acilitar o contato.…/. 2m uma e8 ou outra.…/ mas *icar lNcida na min5a idade tamb+m n)o + al(o muito bom. sen)o. participam de . cresce um a8io no peito./ Al+m das 3uestões relati as as crianças e jo ens do condomínio. mas desencadeada.moradora -1 anos Bloco 2 0 'ios9tis/ er com pro*. a(remiações. $m relato de uma moradora representa bem a situaç)o de al(uns idosos do <i iera. s)o dançarinos etc.. sinto *alta dos meus netos. correndo + tudo t)o r"pido 3ue eu *ico cansada. n)o preciso me preocupar com estas coisas .literatura a respeito 0 acrescentar a discuss)o do curso cidadania e en el5ecimento o*erecido pela pro*essora =ai8P. no ponto de ista dela. mas a (ente n)o es3uece nada. Al(uns a*irmaram n)o (ostar de morar no condomínio. mas morar a3ui + um pouco isso . su*oca . os idosos representam uma parcela si(ni*icati a de moradores. Einto *alta dele. . A5. E9 ten5o lembranças e muitas n)o s)o boas. o condomínio se apresenta como seu maior al(o8. eles entram *alam sem parar e somem de repente. *ica tudo (uardado. . ./.…/. n)o 3uero *alar disso oc2 n)o esta a3ui para ou ir isto .omunit"rios.&2 ponto um di isor de culpas em 3ue a responsabilidade + somente dela.…/. 7o condomínio encontramos tamb+m os idosos mais associati os.…/. poderia estar num asilo. F not" el o nNmero de idosos solit"rios e melanc9licos. :les moram todos a3ui na Barra. pelo condomínio.onsel5os . F muito triste er uma pessoa 3ue oc2 tem a*eto *icar na3uele estado . mas sempre com pressa. propondo uma sociali8aç)o e ati idade 3ue en5am a preenc5er o tempo destes idosos. sendo a ideia dos *il5os. 'uitos se declaram iN os.

rsss/. Jnteressante dei6ar re(istrado 3ue das -0 pessoas 3ue con ersei nen5uma me con idou para con5ecer o apartamento ou me con idou para tomar um ca*+ ou uma "(ua. estou el5a. 7o entanto. no ano passado ti e dois. relatam 3ue 3uando o <i iera passou a ser 5abitado eles tin5am um sentimento de comunidade muito *orte. atualmente as pessoas est)o mais reser adas somente os jo ens *re3uentam a casa do outro. se(uindo eles.M . Bloco 1 0 4etNnia/ 4arte dos idosos. estou na mel5or idade. i er bem . mas n)o estou morta. Ten5o um affair. L7)o estou na terceira idade. >a8iam c5urrasco na aranda e a *re3u2ncia na casa dos i8in5os era intensa. sou muito comunicati a. . . a*irmam tamb+m 3ue muitos j" morreram e muitos outros n)o moram mais no <i iera. #s demais se 2m nos espaços comuns do condomínio.…/.&& mas con*essam um “ticoAtico no fu$#” ou um “affair” e6pressões usadas por eles para di8er 3ue est)o namorando ou at+ mesmo i endo junto. Adoro dançar. Auero i er.moradora 74 anos. s)o moradores anti(os.

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