CURSO DE DIREITO

Caderno de Exercícios
TEORIA DA ARGUMENTAÇÃO
Professor: Joo N!nes de Cer"!eira #i$%o
CO&A'ORADORES:
Ad(a Andrade )ie*as
C$aire Nei+ G!i(ares
C$,!dia Pessan%a
#ernanda Der(ier
Gerson Rodri*!es
Isa+e$ Arco )erde San-os
Isa+e$ &e.en-o*$!
/,-ia Ara01o
Mara 2a!(
Maria C$,!dia Ri+eiro de Andrade
Maria Tere3a Mo!ra
Mari3a 'a%ia
N4$i Ca.a$ieri
Ne$son Ta.ares
Sa!$o Cr!3 Go(es
)a$"!íria Pa$adino
)i.iane A3e.edo
2
AU&A 5
ASSUNTO A'ORDADO: as condi67es de 8rod!6o do -ex-o ar*!(en-a-i.o9
O'JETI)OS DA AU&A: con-ex-!a$i3ar a disci8$ina Teoria da Argumentação
co(o con-in!idade do -ra+a$%o de 8rod!6o das 8e6as 8rocess!ais iniciado
e( Interpretação e Produção de Textos aplicadas ao Direito9 Co(8reender
as diferen6as en-re -ex-o narra-i.o e -ex-o ar*!(en-a-i.o9 Recon%ecer a
re$e.:ncia da narra6o 8ara a 8rod!6o da ar*!(en-a6o9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 2 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
Compor conflitos de interesses por meio judicial é uma das funções
primordiais do Direito. Tais conflitos advêm de divergentes formas de se interpretar
um determinado fato jurídico. É nessa instância que se legitima o texto
argumentativo.
A argumentação jurídica caracteriza-se, especialmente, por servir de
instrumento para expressar a interpretação sobre uma questão do Direito, que se
desenvolve em um determinado contexto espacial e temporal. Ao operar a
interpretação, impõe-se considerar esses contextos, ater-se aos fatos, às provas e
aos indícios extraídos do caso concreto e sustentá-la nos limites impostos pelas
fontes do Direito.
Parece claro que nenhum juiz pode apreciar um pedido sem conhecer os
fatos que lhe servem de fundamento. A narração ganha status de maior relevância,
porque serve de requisito essencial à produção de uma argumentação eficiente
1
. É
por essa razão que se costuma dizer que a narração está a serviço da
argumentação.
Resumidamente, um profissional do Direito deve recorrer ao texto
argumentativo para defender seu ponto de vista, mas para o sucesso dessa tarefa,
precisa ter, antes, uma boa narração, na qual foram expostos os fatos de maior
relevância sobre o conflito debatido. Na disciplina Interpretação e produção de
textos aplicadas ao Direito, você desenvolveu de forma mais consistente o estudo
da narração (simples e valorada); é chegada a hora de aprofundar o estudo da
argumentação.
Para melhor compreender as características que distinguem narração e
argumentação, observe a tabela.
1
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org.). Lições de argumentação jurídica. Rio de Jaeiro! Fore"e,
2##$, %a&'(ulo II.
)
#ATO
JUR;DICO
In-er8re-a6o A
In-er8re-a6o '
Tese A <a!-or=
Tese ' <r4!=
NARRAÇÃO ARGUMENTAÇÃO
>!a$ o
O+1e-i.o?
Ex8or os fa-os importantes do
caso concreto a ser solucionado
no Judiciário.
Defender !(a -ese (ponto de
vista) compatível com o
interesse da parte que o
advogado representa.
Co(o o fa-o 4
-ra-ado?
Cada fato representa uma
infor(a6o que compõe a
história da lide a ser conhecida
no processo.
O fato (informação) narrado é
aqui retomado com o status de
e$e(en-o de 8ers!aso; é um
e$e(en-o de 8ro.a com o qual
defende a tese.
>!a$ o -e(8o
.er+a$
!-i$i3ado?
Pre-4ri-o - é o mais utilizado,
porque todos os fatos narrados
já ocorreram. (Ex.: o
empregado sofreu um
acidente);
Presen-e - fatos que se
iniciaram no passado e que
perduram até o momento da
narração. (Ex.: o empregado
está sem capacidade
laborativa);
#!-!ro - não é utilizado porque
fatos futuros são incertos.
Presen-e - tempo verbal mais
adequado para sustentar o
ponto de vista. (Ex.: o autor
deve ser indenizado por seu
empregador);
Pre-4ri-o - deve ser usado para
retomar os fatos (provas /
indícios) relevantes da narração,
com os quais defenderá a tese.
(Ex.: o autor deve ser
indenizado por seu empregador
porque sofreu um acidente no
local de trabalho);
#!-!ro - deve ser usado ao
desenvolver as hipóteses
argumentativas. (Ex.: o
trabalhador deve receber o
benefício do INSS, pois, caso
contrário, não terá como se
sustentar).
>!a$ a 8essoa
do disc!rso?
Utiliza-se a @A 8essoa, por
traduzir a imparcialidade
necessária à atividade jurídica.
Também se utiliza a @A 8essoa,
pela mesma razão.
Co(o os fa-os
so
or*ani3ados?
Os fatos são dispostos em
orde( crono$B*ica, ou seja,
na mesma ordem em que
aconteceram no mundo natural.
Os fatos e as idéias são
organizados em orde( $B*ica,
ou seja, da maneira mais
adequada para alcançar a
persuasão do auditório.
>!ais se!s
e$e(en-os
cons-i-!-i.os?
Uma narrativa bem redigida
deve responder, sempre que
possível, às seguintes
perguntas: a) O "!C? (fato
gerador); b) "!e(? (partes);
c) onde? (local do fato); d)
"!ando? (momento do fato);
e) co(o? (maneira como os
fatos ocorreram); f) 8or "!C?
(motivações da lide).
Antes de redigir uma
argumentação consistente, tente
refletir sobre, pelo menos, as
seguintes questões: a) Qual o
fa-o *erador do conf$i-o? b)
qual a -ese que será defendida?
C) com que fa-os sustentará
essa tese? d) Que -i8os de
ar*!(en-o deverá utilizar?
O texto narrativo tem na-!re3a O texto argumentativo tem
*
>!a$ a
na-!re3a do
-ex-o?
8redo(inan-e(en-e
infor(a-i.a. Sua função
persuasiva está atrelada à
fundamentação.
f!n6o 8ers!asi.a por
excelência.
>!an-o D
8arcia$idade999
Uma narrativa pode ser
si(8$es (imparcial) o!
.a$orada, dependendo da peça
a produzir.
Não há como defender uma tese
sem adotar um posicionamento.
Toda argumentação é .a$orada.
>UESTÃO
&eia a 8rod!6o escri-a a+aixo e iden-ifi"!e se 4 !( -ex-o narra-i.o
o! ar*!(en-a-i.o9 A se*!irE iden-ifi"!e ne$e as carac-erís-icas "!e o
8ar-ic!$ari3a(E de acordo co( o con-e0do da -a+e$a 1, a8resen-ada9
J!s-ifi"!e s!a res8os-a co( e$e(en-os re-irados do 8rB8rio -ex-o9
Tex-o
STJ d, a e(8re*ada carro "!e 8a-ro "!eria
F
Parecia a sorte grande, mas um cupom premiado que dava direito a um
carro 0 km trouxe desemprego e um arrastado processo judicial a uma empregada
doméstica do Rio de Janeiro. Seus patrões, casal morador de um dos condomínios
mais luxuosos da cidade, a acusaram de ter obtido os cupons ao fazer compras
para eles e reivindicaram a posse do carro.
Após seis anos de disputa judicial, Marcela de Sousa, 34, recebeu o
Mercedes Classe A que ganhou em um sorteio de um supermercado do Rio, em
1999.
"Após toda a humilhação que passei, vou vendê-lo o mais rápido possível e
comprar minha casa", disse Marcela, que mora de aluguel em uma favela de
Jacarepaguá, zona oeste da cidade.
A humilhação a que se refere teve início no dia em que foi informada pelo
supermercado de que ganhara a Mercedes Classe A.
"A partir daquele dia deixei de ser a empregada de confiança, que
trabalhava havia cinco anos na casa, para virar criminosa. Eles jogaram todas as
minhas roupas no elevador e levaram o caso para a delegacia", diz a mineira
radicada no Rio há cerca de dez anos.
Na ocasião, Anselmo Farias e Sônia Conrado Farias, patrões de Marcela,
alegaram que a empregada tinha obtido os cupons com as compras feitas para
eles. Naquele ano, o casal tinha na garagem quatro carros: um Fiat Coupé, um
Vectra, uma caminhonete e uma Dakota Sportage. Marcela dizia que havia feito
também compras para a sua casa. Não convenceu os patrões.
O casal mora no Golden Green, condomínio onde tem como vizinhos o
atacante Ronaldo, do Real Madrid, e o técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira,
na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
"Conseguimos fazer uma perícia e foi comprovado que os cupons da
família tinham sido depositados. Marcela fez questão de escrever os nomes dos
chefes e dos filhos deles nos recibos. A partir daí, ficou mais fácil provar a inocência
dela", disse o advogado José Augusto Loureiro.
A empregada conseguiu vitória no Tribunal de Justiça do Estado há cerca
de dois anos, mas os ex-patrões recorreram ao Superior Tribunal de Justiça. Há
cerca de seis meses, o STJ manteve a decisão do tribunal fluminense. O casal não
2
RAN+EL ,érgio. Folha Online. Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2007. Disponível em:
<http://www1.olha.!ol."om.#r/olha/"otidiano/!lt9$!11217%.shtml&. '"esso em 22 setem#ro
200$.
(odos os te)tos !tili*ados neste material did+ti"o oram adaptados para preservar, sempre ,!e
possível, a identidade das partes envolvidas.
-
tem mais como recorrer. Os advogados dos ex-chefes de Marcela não foram
encontrados para comentar o caso.
Na época, o Mercedes Classe A valia R$ 29 mil. Atualmente, o carro, que
tinha apenas 18 km rodados, deve ser vendido por cerca de R$ 25 mil. "O pesadelo
chegou ao final. Vou agora limpar meu nome", disse a empregada, referindo-se ao
processo por danos morais contra os ex-chefes.
.
AU&A F
ASSUNTO A'ORDADO: si$o*is(o a ser.i6o da ar*!(en-a6o9
O'JETI)OS DA AU&A: co(8reender "!e a -endCncia +rasi$eira de
.a$ori3a6o excessi.a da nor(a escri-a -e( for-e inf$!Cncia do Posi-i.is(o9
Es-a+e$ecer !(a re$a6o en-re o raciocínio 8osi-i.is-a e o si$o*is(o G
(4-odo 8e$o "!a$ a"!e$e se o8eraciona$i3a9 Recon%ecer a i(8or-:ncia do
raciocínio si$o*ís-ico 8ara a ar*!(en-a6o9 Ponderar so+re a re$e.:ncia da
ra3oa+i$idade 8ara a a-i.idade 1!risdiciona$9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 1 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
O ensino de Direito no Brasil fundou suas raízes em forte influência do
chamado Positivismo jurídico. Segundo essa doutrina, os profissionais que atuam
na solução de conflitos levados ao Judiciário deveriam encontrar o sentido do
direito no sistema de normas escritas (direito positivo) que regulam a vida social de
um determinado povo.
De acordo com os adeptos dessa teoria, portanto, a prática jurídica deveria
limitar-se à aplicação objetiva das normas vigentes ao caso concreto que se
pretendia analisar, por meio de um método denominado silogismo. Esse método
caracteriza-se por uma operação lógica em que compete ao juiz amoldar os
acontecimentos da vida cotidiana à norma proposta pelo Estado.
Na prática, o silogismo
3
apresenta três proposições - premissa maior,
premissa menor e conclusão - que se dispõem de tal forma que a conclusão deriva
de maneira lógica das duas premissas anteriores. Mas será que a lei deve ser
aplicada a qualquer custo, ou cabe ao magistrado interpretar a vontade do
legislador e usar a norma com razoabilidade? Nesse sentido, vamos refletir sobre o
caso concreto que se lê.
Tex-o
&a.rador 4 8reso 8or ras8ar casca de ,r.ore
E$e !sa.a a casca de ,r.ore 8ara fa3er c%, 8ara s!a (!$%erE "!e es-,
doen-e
H
O ministro José Sarney Filho (Meio Ambiente) e as entidades
ambientalistas Greenpeace e ISA (Instituto Socioambiental) criticaram a prisão, em
flagrante, do lavrador José dos Anjos, 58 anos, que, durante dois anos, raspou a
casca de uma árvore para fazer chá para sua mulher, que está doente.
José raspava a casca de uma árvore chamada almesca, em uma área de
preservação permanente que fica às margens do córrego Pindaíba, em Planaltina (a
44 km de Brasília).
O lavrador disse que usava a casca para fazer chá para a mulher, Helena
dos Anjos. Ela tem Doença de Chagas. José conta que soube que o chá melhorava
as condições dos acometidos pela doença.
Em 20 de junho de 2000, José foi surpreendido com um tiro para o alto,
dado por soldados da Polícia Florestal, quando raspava a almesca. Preso em
flagrante delito, algemado e levado para a delegacia, o lavrador foi enquadrado na
)
Leia CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org). Lições de argumentação jurídica. Rio de Jaeiro!
Fore"e, 2##$, %a&'(ulo I.
*
Diário de Cuiabá. -apa. Domingo, 17 de evereiro de 200.. /di01o n2 9341 24/03/2000.
Disponível em: <http://www.diariode"!ia#a."om.#r/detalhe.php5
"od69$9$7edi"ao693417anterior6 1& '"esso em: 17 de evereiro de 200..
/
Lei do Meio Ambiente (Lei 9.605, de 1998). Segundo o delegado Ivanilson Severino
de Melo, José provocou "danos diretos ao patrimônio ambiental¨, crime previsto no
artigo 40 da lei. O delito, inafiançável, é punido com 1 a 5 anos de prisão.
José foi colocado numa cela com outros cinco presos, acusados de
homicídio e roubo.
ESTRUTURA DO SI&OGISMO
Ar-9 HIE &ei J9KILMJN:
causar dano direto ou
indireto às Unidades de
Conservação,
independentemente de sua
localização:
Pena - reclusão, de um a
cinco anos.
§ 1° Entende-se por
Unidades de Conservação
de Proteção Integral as
Estações Ecológicas, as
Reservas Biológicas, os
Parques Nacionais, os
Monumentos Naturais e os
Refúgios de Vida Silvestre.
José raspava a casca de uma
árvore chamada almesca, em
uma área de preservação
permanente que fica às
margens do córrego Pindaíba,
em Planaltina.
José praticou crime
ambiental, previsto no
art. 40 da Lei
9.605/98. Deve ser
punido com reclusão
por um período de um
a cinco anos.
Per*!n-aOse:
a) O procedimento adotado pelos agentes da Polícia Florestal e pelo Delegado
está em conformidade com o que determina a lei?
b) A conduta de José está prevista na lei como crime?
c) A intenção do legislador, quando produziu a norma, era punir casos como o
de José?
d) É justa a sua prisão? Deve ser condenado? Por quê?
$
Pre(issa (aior
<PM=
Nor(a
es-a+e$ecida
8e$o $e*is$ador
Pre(issa (enor
<P(=
#a-os ocorridos
no caso concre-o
ana$isado
Conc$!so <C=
Res!$-ado $B*ico
decorren-e da
1!n6o das d!as
8re(issas
+
AU&A @
ASSUNTO A'ORDADO: de(ons-ra6o e ar*!(en-a6o9
O'JETI)OS DA AU&A: es-a+e$ecer a diferen6a en-re de(ons-ra6o e
ar*!(en-a6o9 Co(8reender a con-ri+!i6o da de(ons-ra6o 8ara a
ar*!(en-a6o 1!rídica9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 1.3 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
Vamos reconhecer uma situação prática em que a demonstração pode
auxiliar a argumentação a alcançar seus objetivos. Não se esqueça de que a
demonstração caracteriza-se por ser um "meio de prova, fundado na proposta de
uma racionalidade matemática¨, a qual é operacionalizada pela lógica formal -
silogismo.
RACIOC;NIO DE NATUREPA ARGUMENTATI)A
>!e( "!er?
Menor representado pela mãe.
Requerente (autor).
O "!C?
Alimentos
(pensão a título de provisão para
mantença do menor).
Pedido.
De "!e(?
Do pai do menor.
Requerido (réu).
Por "!C?
A lei estabelece essa obrigação
Fundamento jurídico do pedido:
Art. 1.696, CC: o direito à prestação de
alimentos é recíproco entre país e filhos, e
extensivo a todos os ascendentes, recaindo
a obrigação nos mais próximos em grau,
uns em falta de outros.
DEMONSTRAÇÃO G MEIOS DE PRO)A
Para desen.o$.er !(a ar*!(en-a6o que convença o magistrado da procedência do
pedido de alimentos, é necessário demonstrar que realmente o requerido tem essa obrigação
de alimentar o requerente, ou seja, 4 f!nda(en-a$ "!e a 8ar-e a!-ora de(ons-re a
8a-ernidade 8ara o 1!i3, sem a qual não tem qualquer serventia o fundamento jurídico
selecionado.
Quais os meios de prova admitidos pelo Direito no tocante à comprovação (demonstração) da
paternidade?
Art. 1605, CC: na falta, ou defeito, do termo de nascimento (certidão), poderá provar-se a
filiação por qualquer modo admissível em direito:
I - quando houver começo de prova por escrito, proveniente dos pais, conjunta ou
separadamente;
II - quando existirem veementes presunções resultantes de fatos já certos."
Conc$!so:
Sem a demonstração da paternidade, não terá sucesso a
argumentação de que o requerido tem a obrigação de
prestar alimentos ao requerente, com fundamento no art.
1696, CC.
S!8er(ercado 4 res8onsa+i$i3ado 8or (or-e de c$ien-e
0
Raimundo Lopes dos Santos moveu ação de indenização por danos morais
e materiais contra o supermercado Bom Apetite, localizado na Avenida Moraes
Filho, 350, em Mesquita, bairro da cidade de Cachoeirinha, no Espírito Santo, por
fato ocorrido em 15 de janeiro de 2008, quando sua esposa Madalena dos Santos,
que fazia compras no estabelecimento, depois de escorregar em alimentos
derramados no chão do supermercado, caiu e veio a falecer.
Ao cair, Madalena esbarrou em uma prateleira e várias latas de azeite
caíram sobre ela, tendo uma delas atingido a sua cabeça. Depois do acidente, ao
tentar levantar-se, sentiu-se desnorteada e com fortes dores na cabeça, não
conseguindo locomover-se. A vítima foi levada, então, para a sala de primeiros
socorros do estabelecimento, onde uma atendente lhe disse que ficasse em repouso
até sentir-se melhor. Vinte minutos depois, vendo que a mãe não melhorava, a
filha que a acompanhava pediu a presença de um médico para examiná-la.
Passadas três horas de espera, e vendo que nenhuma assistência médica havia sido
providenciada pelo supermercado, a filha de Madalena exigiu do gerente que a mãe
fosse levada a um hospital, ao qual, infelizmente, a acidentada já chegou em
estado crítico, em conseqüência da hemorragia cerebral provocada pelo forte
impacto da lata de azeite em sua cabeça.
Segundo os médicos que a atenderam, a demora no atendimento agravou
o quadro hemorrágico e não foi possível salvá-la. Para Raimundo, sua mulher
morreu por dupla negligência do supermercado: primeiro por conta da queda
causada pelos alimentos esparramados no chão e, depois, pela demora em
oferecer-lhe socorro.
De acordo co( o CBdi*o de Defesa do Cons!(idor:
Ar-9 K - São direitos básicos do consumidor:
I O a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas
no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
)I O a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos;
Ar-9 5H9 O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.
De acordo co( o CBdi*o Ci.i$:
Ar-9 59QNH - Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros
legítimos e testamentários.
Ar-9 JFQ - Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.
Par,*rafo 0nico. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de
culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos
de outrem.
Ar-9 5NK - Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.
Ar-9 5NQ - Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela
boa-fé ou pelos bons costumes.
>!es-o
Após a leitura do texto, produza esquema semelhante ao da página anterior. O
objetivo deste exercício é ajudá-lo a compreender a relevância da demonstração
como meio de prova que serve à argumentação.
1#
AU&A H
ASSUNTO A'ORDADO: es-r!-!ra e $in*!a*e( do -ex-o ar*!(en-a-i.o:
si-!a6o de conf$i-oE -ese e con-ex-!a$i3a6o do rea$9
O'JETI)OS DA AU&A: co(8reender "!e a -arefa de 8ers!adir o (a*is-rado
-er, (ais c%ances de s!cesso se for +e( 8$ane1ado o -ex-o ar*!(en-a-i.o9
Desen.o$.er o 8$ane1a(en-o do -ex-o ar*!(en-a-i.o 8e$a se$e6o dos
e$e(en-os: a= si-!a6o de conf$i-oR += -eseR c= con-ex-!a$i3a6o do rea$
<fa-os O 8ro.as e indícios=9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura dos capítulos 5.1.1,
5.1.2 e 5.1.3 de CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson
Carlos; VALVERDE, Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de
Janeiro: Forense, 2008.
A produção do texto argumentativo pressupõe um raciocínio
extremamente complexo, que seleciona e organiza várias informações. O advogado
já experiente realiza esse procedimento mentalmente, mas para o estudante de
Direito, por questões de ordem didática, é importante que essa preparação seja
feita, por escrito, passo a passo. Nesta aula, seguiremos as três primeiras tarefas:
a) identificação da situação de conflito; b) escolha da tese a ser defendida; c)
seleção dos fatos por meio dos quais a tese será defendida.
O conteúdo referente a esse assunto encontra-se disponível em
CAVALIEIRI FETZNER, Néli Luiza; VALVERDE, Alda; TAVARES, Nelson. Lições de
argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense, 2008, capítulo 5.1.
Segundo os autores, na página 100, registrar a si-!a6o de conf$i-o é
fundamental para delimitar a questão sobre a qual se argumentará. Isso porque
serão fornecidos os elementos indispensáveis para compor o caso concreto e inseri-
lo no contexto jurídico. Nesta, o orador definirá a centralidade da questão jurídica
que estará sob apreciação, isto é, o fato jurídico. Em seguida, identificará as partes
envolvidas na lide, devidamente qualificadas, determinando aquele que, em tese,
representa o sujeito passivo e o que será considerado sujeito ativo. Por fim,
estabelecerá quando e onde esta ocorreu.
A -ese representa o ponto de vista a ser defendido, com base em todas as
informações (fatos) disponíveis sobre o caso concreto e nos limites permitidos pela
norma.
Para conseguir sustentar a tese, torna-se necessário extrair do caso
concreto todas as informações que, explícita ou implicitamente, concorrem para
comprová-la. Compreender o caso concreto, interpretar todas as suas sutilezas,
valorá-las, apreender os diversos sentidos que um mesmo fato, prova ou indício
promovem é fundamental para a produção de um texto argumentativo consistente.
É essa seleção de fatos que representa a con-ex-!a$i3a6o do rea$9
Leia o texto e, em seguida, faça o que se pede.
Casa(en-o se( fo-os
Maria Helena Assis e José de Almeida mantiveram um relacionamento
estável durante quase 12 anos, e sempre sonharam em se casar. Por serem
pessoas simples e de poucos recursos, a noiva (doméstica) e o noivo (tecelão)
adiaram o casamento até que pudessem realizá-lo da forma como pretendiam.
A cerimônia foi marcada para o dia 21 de janeiro de 2008 na Igreja de São
Francisco de Assis, em Juiz de Fora, MG. Em maio de 2007, na empresa Cinderela
Modas e Imagens, de propriedade de Joana Araújo, onde Maria Helena alugou um
vestido de noiva, o casal contratou o serviço de filmagem e fotografia com o
estúdio que funciona no mesmo local. O valor da filmagem (R$180,00) e do álbum
11
(R$150,00) começaram a ser pagos em agosto de 2007, em cinco prestações,
juntamente com as prestações relativas ao aluguel do vestido.
No dia do casamento, ao chegarem à igreja, os noivos imediatamente
procuraram pelos contratados para que pudessem iniciar a sessão de fotos e
filmagem, mas eles não haviam chegado. Após 20 minutos de espera, a noiva foi
incentivada pelos familiares a entrar na igreja e não esperar mais pelos
profissionais, que de fato não apareceram.
A noiva alegou ter entrado na igreja atônita, sentindo-se ofendida,
frustrada, envergonhada e triste, pois o momento sonhado há mais de 10 anos
"havia-se tornado um pesadelo¨. Por meio de provas testemunhais, comprovou-se
que os noivos não puderam desfrutar da festa de casamento; saíram mais cedo da
recepção em razão do nervosismo e do constrangimento por que passaram.
Procurada pelo casal, a proprietária da Cinderela Modas e Imagens disse
nada ter com o problema, pois havia cumprido a sua parte que era o aluguel do
vestido, não cabendo a ela responsabilidade pelo estúdio de fotografia, embora ele
funcione no mesmo local, tenha o mesmo telefone de contato e as mesmas
funcionárias de sua empresa.
>!es-o 5
Destaque:
a) o fato gerador do conflito sobre o qual o caso concreto discorre (o "!C?);
b) as partes, devidamente identificadas ("!e(?);
d) "!ando e onde esse fato ocorreu.
Com base nessas informações, produza o parágrafo relativo à si-!a6o de
conf$i-o.
>!es-o F
Decida qual tese pretende defender. Tendo em visa que a tese deve estar
circunscrita pelos limites da norma, caso entenda necessário, recorra aos recortes
abaixo.
De acordo co( o CBdi*o de Defesa do Cons!(idor:
Ar-9 K - São direitos básicos do consumidor:
)I O a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos;
)III O a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da
prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a
alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiência;
Ar-9 5H9 O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.
De acordo co( o CBdi*o Ci.i$:
Ar-9 JFQ - Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.
Par,*rafo 0nico. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de
culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos
de outrem.
Ar-9 5NK - Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.
Ar-9 5NQ - Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela
boa-fé ou pelos bons costumes.
12

AU&A L
ASSUNTO A'ORDADO: Es-ra-4*ias ar*!(en-a-i.as O -4cnicas de e$a+ora6o
de %i8B-eses9
O'JETI)OS DA AU&A: co(8reender "!e as %i8B-eses so ar*!(en-os
8ossí.eis a sere( !-i$i3ados na f!nda(en-a6o9 Desen.o$.er o %,+i-o de
8onderar a for6a 8ers!asi.a do ar*!(en-o an-es (es(o de redi*iO$o9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 5.1.4 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
Hipóteses são raciocínios previamente construídos que poderão ser
utilizados no texto argumentativo como estratégia persuasiva. Partindo de fatos
comprovados, o argumentador tira uma inferência. Há, assim, uma relação lógica
entre as duas partes da hipótese.
Observe o esquema que representa a hipótese causal:
S S
Agora, conheça o esquema que representa a hipótese condicional:
S S
Para esclarecer como são produzidas essas hipóteses, conheça o exemplo
extraído de Lições de argumentação jurídica: imagine que uma casa tenha sido
assaltada. A tese a provar é que houve participação, no assalto, de alguém da
família ou da empregado da casa. Digamos que foram destacados do real os
seguintes elementos:
a) Fato: somente o quarto da dona da casa foi vasculhado;
b) Prova testemunhal (depoimento de Sueli, a dona da residência assaltada):
"No mês passado, trouxe todas as minhas jóias, que guardava no cofre do banco, a
fim de dividi-las com as minhas três filhas¨;
c) Indício: o assaltante sabia o que desejava furtar.
2i8B-eses ca!sais:
5A= !-i$i3andoOse do fa-o:
Já que somente o quarto da dona da casa havia sido vasculhado, o assalto
teria sido planejado.
FT= !-i$i3andoOse da 8ro.a -es-e(!n%a$:
Uma vez que Sueli afirmou que trouxera as jóias para casa a fim de dividi-
las com as filhas, o assaltante teria conhecimento da atual localização das jóias.
@A= !-i$i3andoOse do indício:
1)
conector de
causa: "já
que¨, "uma
vez que¨, etc.
a possibilidade
redigida com o
verbo no futuro
do pretérito.
fato ou prova
extraídos da
contextualização
do real.
conector de
condição:
"se¨, "caso¨,
etc.
a possibilidade
redigida com o
verbo no futuro
do pretérito.
fato ou prova
extraídos da
contextualização
do real.
Tendo em vista que o assaltante sabia o que desejava furtar, seria alguém
íntimo da família.
Com base nessas hipóteses, todas relacionadas pelo mesmo objetivo -
provar que houve a participação, no assalto, de alguém conhecido da família - o
texto argumentativo será estruturado. Nele, as suposições se transformarão em
afirmações, isto é, em inferências das quais não se tem dúvida. Tais afirmações,
ainda, deverão estar acompanhadas das justificativas que representarão como se
processou a conexão entre o fato, a prova ou o indício e a conclusão, que se extraiu
a partir dessa conexão.
>UESTÃO
A8Bs ana$isar a es-r!-!ra das %i8B-eses a8resen-adas <conec-ores e
-e(8os .er+ais=E e$a+ore !(a %i8B-ese ca!sa$ e o!-ra condiciona$ so+re o
caso concre-o a se*!ir9 Considere "!e as %i8B-eses -C( 8or f!n6o
in-ensificar o car,-er 8ers!asi.o de s!a -ese9
Tex-o
A$!no a*ride co$e*a den-ro da sa$a de a!$a
Por pouco um trabalho sobre fraturas, feito em conjunto por cinco alunos da
2ª série do ensino médio do Colégio Novo Horizonte, na Barra da Tijuca, não virou
uma aula prática. No dia 18 de março de 2008, por não ter realizado sua parte no
trabalho e ter sido cobrado pelo grupo, o aluno Marcial Guerra de Brito, de 23 anos,
que é professor de dança, transformou-se num pitboy e agrediu com socos e
pontapés a colega de turma Nair Cristina Oliveira, de 18 anos, dentro da sala de
aula. Depois da agressão, ela ligou para a polícia pelo 190 e, em companhia da
mãe, registrou queixa na 16ª DP.
Nair contou que, além de levar socos e pontapés, foi jogada ao chão e
chutada. Atônitos, 20 colegas que assistiram à agressão tentaram segurar Marcial,
que saiu correndo. O agressor, que tem cerca de 1,80m, será chamado pela polícia
para prestar esclarecimentos nos próximos dias.
- Meus pais nunca me bateram. Eu não fiz nada, só perguntei se ele tinha
feito a parte dele no trabalho. Ele partiu para cima, me agrediu covardemente e
ainda disse que não passava da minha obrigação fazer o trabalho todo - desabafou
a estudante.
Nair foi, na tarde do mesmo dia, ao Instituto Médico Legal fazer exames de
corpo de delito. Ela teve ferimentos na perna e hematomas na cabeça, no pescoço
e no braço direito. A delegada Viviane Carvalho registrou o caso como lesão
corporal.
Para Roberto Barreto, um dos responsáveis pela escola, o caso alcançou
uma proporção que não merecia.
- O rapaz veio falar comigo. Ele disse que as meninas iriam denunciá-lo ao
professor por não ter feito o trabalho. Marcel perdeu a cabeça. Ele disse que ela
deu um tapa em seu ombro e que apenas revidou - afirmou Barreto, adiantando
que o aluno irá para outra unidade do colégio. - Ele ficou sem ambiente.
Nair, que mora na Barra da Tijuca, disse que a confusão começou por volta
das 9h30m. Os alunos tinham sido divididos em quatro grupos para fazer o trabalho
de educação física. O tema para o grupo de Naira era sobre fraturas no corpo
humano.
1*
ASSUNTO A'ORDADO: -i8os de ar*!(en-o O se$e6o e co(+ina6o9
O'JETI)OS DA AU&A: dis-in*!ir os .,rios -i8os de ar*!(en-o dis8oní.eis
ao 8rofissiona$ da ,rea 1!rídica9 Redi*ir 8ar,*rafos ar*!(en-a-i.os
8ers!asi.os9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 4.3 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
Os argumentos são recursos lingüísticos que visam à persuasão, ao
convencimento. O argumento não é uma prova inequívoca da verdade. Argumentar
não significa impor uma forma de demonstração, como nas ciências exatas. O
argumento implica um juízo do quanto é provável ou razoável.
A= ARGUMENTO PRUOTESE
Caracteriza-se por ser extraído dos fatos reais contidos no relatório. Deve ser
o primeiro argumento a compor a fundamentação. A estrutura adequada para
desenvolvê-lo seria: Tese + porque + e também + além disso. Cada um desses
elos coesivos introduzem fatos distintos favoráveis à tese escolhida.
'= DE AUTORIDADE <EV AUCTORITATE OU A' AUCTORITATE=
Argumento constituído com base nas fontes do Direito, em pesquisas
científicas comprovadas.
C= ARGUMENTO DE SENSO COMUM
Consiste no aproveitamento de uma afirmação que goza de consenso geral;
está amplamente difundido na sociedade.
D= ARGUMENTO DE CAUSA E CONSE>WXNCIA
Estabelece a relação de causalidade. São apresentadas as causas e as
conseqüências de um ato praticado.
E= ARGUMENTO DE PRO)A
É construído a partir de um indício extraído de um fato real.
Observe o esquema adiante:
#a-o rea$ Y Indício Y Ar*!(en-o
&eia o -ex-o9
#a$sa en-re.is-a
G!*! res8onder, a a6o na J!s-i6a Es-ad!a$ de So Pa!$o
O apresentador responde a processo civil na 6ª Vara Cível Central por
causa da exibição de uma entrevista, no programa Domingo Legal, do SBT, com
supostos integrantes da organização criminosa PCC -- Primeiro Comando da
Capital.
A promotora de Justiça Déborah Pierri entrou com ação civil pública contra
o apresentador de TV. Na ação, o Ministério Público de São Paulo pede a
condenação de Gugu à indenização por danos morais difusos, no valor mínimo de
R$ 750 mil reais, por causa da exibição da entrevista.
1-
A matéria afirmou que um repórter do SBT, enviado pelo Programa
"Domingo Legal¨, entrevistava integrantes da organização PCC. Denúncias graves
foram feitas pelos supostos traficantes, que apontaram ainda o envolvimento de
policiais e delegados (sem citar nomes) em um esquema de corrupção para fazer
"vistas grossas¨ ao trabalho da organização.
Em estilo sensacionalista, a matéria foi exibida pouco a pouco ao longo de
todo o programa. Descobriu-se, depois, que a farsa havia sido montada pelo diretor
do programa, com a anuência omissiva do apresentador, Augusto Liberato.
Em sua tese, a promotora de Justiça atribui a Gugu prática comercial
abusiva. Pela primeira vez, o Ministério Público paulista imputa responsabilidade
pessoal a um apresentador de TV, não como simples preposto da emissora de
televisão (no caso, o SBT), pelos danos causados à sociedade.
Debora Portinari alega que o apresentador tinha conhecimento do conteúdo
do programa antes mesmo de ser veiculado e com omissão dolosa não tomou
qualquer iniciativa para poupar seus telespectadores, submetendo-os a tamanha
iniqüidade. "Na verdade, desrespeitando os valores mínimos de ética e
solidariedade, autorizou a transmissão da farsa¨, diz o texto da Inicial.
"Ante ao exposto, requer condená-lo como responsável pela indenização
dos danos morais difusos impostos a todos os consumidores, expostos às imagens
indevidamente veiculadas no programa Domingo Legal, em 7 de setembro de 2003,
cujo valor deverá ser o correspondente a totalidade dos valores, percebidos à título
de merchandising no referido programa, mas não inferior a R$ 750 mil, pois esse
foi o seu proveito econômico, além de juros e atualização monetária, cujo produto
ao final deverá ser revertido ao Fundo de Reparação de Interesses Difusos¨, pede a
promotora.
>UESTÃO
Redija três parágrafos argumentativos. Escolha os argumentos dentre as
opções elencadas no início desta aula.
Observação: caso deseje redigir um argumento por autoridade, é possível recorrer
ao Código de Defesa do Consumidor:
Ar-9 KZE CDC - São direitos básicos do consumidor:
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos.
1.
AU&A Q
ASSUNTO A'ORDADO: ar*!(en-o de o8osi6o9
O'JETI)OS DA AU&A: 8erce+er a "!e+ra de ex8ec-a-i.as co(o es-ra-4*ia
disc!rsi.a do ar*!(en-o de o8osi6oE a8oiada no !so dos o8eradores
ar*!(en-a-i.os de concesso e ad.ersidade9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 4.3.5 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
O argumento de oposição serve ao profissional do Direito como uma
estratégia discursiva eficiente para a redação de uma boa fundamentação.
Compõe-se da introdução de uma perspectiva oposta ao ponto de vista defendido
pelo argumentador, admitindo-o como uma possibilidade de conclusão, para depois
apresentar, como argumento decisório, a perspectiva contrária.
Apoiada no uso dos operadores argumentativos concessivos e adversativos,
essa estratégia permite antecipar as possíveis manobras discursivas, que formarão
a argumentação da outra parte durante a busca de solução jurisdicional para o
conflito, enfraquecendo, assim, os fundamentos mais fortes da parte oposta.
Observe o quadro abaixo:
Es-r!-!ra do ar*!(en-o de o8osi6o concessi.a
O8erador
ar*!(en-a-i.o
Concessi.o
Pon-o de .is-a con-r,rio
D -ese defendida
Pon-o de .is-a fa.or,.e$
D -ese defendida
Embora ... ...não exista lei que obrigue
alguém a ser pai, nem que
garanta reaproximações
indesejadas, ...
... a Justiça pode, sim,
fazer valer o direito de um
filho em relação aos
cuidados paternais, por
meio de uma reparação
afetiva.
Conector sintático que põe
em foco a evidência
contrária
Evidência que apóia a
argumentação contrária à
tese em defesa.
Argumento decisório,
contrário à perspectiva
anterior.
Es-r!-!ra do ar*!(en-o de o8osi6o res-ri-i.a
Pon-o de .is-a con-r,rio
D -ese defendida
O8erador ar*!(en-a-i.o
ad.ersa-i.o
Pon-o de .is-a fa.or,.e$
D -ese defendida
Não existe lei que obrigue
alguém a ser pai, nem que
garanta reaproximações
indesejadas, ...
... mas ... ... a Justiça pode, sim,
fazer valer o direito de um
filho em relação aos
cuidados paternais, por
meio de uma reparação
afetiva.
Evidência que apóia a
argumentação contrária à
tese em defesa.
Conector sintático que
permite uma manobra
discursiva, que desarticula
o argumento introdutório.
Argumento que anula a
proposição inicial do
parágrafo, gerando uma
quebra de expectativa.
Para ficar ainda mais clara essa estrutura, os parágrafos anteriores foram
desenvolvidos. Compreenda que as estruturas sugeridas não são, de forma alguma,
instrumentos que impedem a liberdade redacional do argumentador; ao contrário, a
partir delas novas informações podem ser acrescidas - sem descaracterizar a
estratégia.
1/
Ar*!(en-o de o8osi6o concessi.a
E(+ora haja quem argumente ser impossível pensar a afetividade como
valor jurídico, pois não existe lei que obrigue alguém a ser pai, nem garanta
reaproximações indesejadasE a J!s-i6a 8odeE si(E fa3er .a$er o direi-o de !(
fi$%o e( re$a6o aos c!idados 8a-ernaisE 8or (eio de !(a re8ara6o
afe-i.a. Essa reparação André Júlio deve a Alexandre, por sua luta inglória desde
quase os sete anos de idade, a fim de reaver o afeto do pai. Falta de carinho, de
atenção e de presença não se quantifica, mas pode ser compensada para amenizar
o sofrimento de Alexandre, por ter tido um pai ausente.
Também podemos trabalhar dessa maneira:
Ar*!(en-o de o8osi6o res-ri-i.a
Há quem argumente ser impossível pensar a afetividade como valor jurídico,
ou seja, que não existe lei que obrigue alguém a ser pai, nem garanta
reaproximações indesejadas, (as a J!s-i6a 8odeE si(E fa3er .a$er o direi-o de
!( fi$%o e( re$a6o aos c!idados 8a-ernaisE 8or (eio de !(a re8ara6o
afe-i.a. Essa reparação André Júlio deve a Alexandre, por sua luta inglória desde
quase os sete anos de idade, a fim de reaver o afeto do pai. Falta de carinho, de
atenção e de presença não se quantifica, mas pode ser compensada para amenizar
o sofrimento de Alexandre, por ter tido um pai ausente.
>UESTÃO
1. Após a leitura do texto que segue, indique os elementos desfavoráveis e os
favoráveis à tese de não culpabilidade de Antônio Soares dos Santos.
2. Agora, redija dois parágrafos argumentativos, um de oposição concessiva e
outro de oposição restritiva.
TEXTO
5
Na manhã de 23 de fevereiro de 2008, 25 agentes da Delegacia de
Proteção ao Meio Ambiente, acompanhados por agentes do IBAMA, prenderam
Antônio Santos e Silva, por tráfico de aves, em Honório Gurgel, subúrbio do Rio de
Janeiro. Além dele também foi detido Edson Alves da Silva, conhecido comerciante
de aves nas feiras livres da cidade.
Com eles foram apreendidas 90 aves entre curiós, trinca-ferros, coleiros e
canários. Ambos foram levados para a delegacia, de onde Eduardo, que já tinha
sido flagrado no mesmo delito no ano passado, foi liberado duas horas depois. Em
2007, livrou-se do processo pagando cesta básica de R$ 130,00 e prestando um
mês de serviço comunitário numa creche. Agora diz que precisa mudar de vida para
não ficar pagando cesta básica sempre.
Já Antônio, que retirava as gaiolas com os pássaros de uma caminhonete
quando os policiais chegaram ao local, ainda ficou mais algumas horas prestando
esclarecimento sobre a origem dos animais. Servente de pedreiro, analfabeto e
desempregado há um ano, disse que mantém sua família fazendo as entregas e
alega não saber a origem das aves. Declarou ainda que: "faço essas descargas pro
seu Henrique há uns seis meses, o bom é que recebo adiantado, e se não trabalhar
nisso eu e minha família vamos morrer de fome. Se o doutor me arranjar trabalho
certo deixo esse negócio de passarinho de lado¨.
Ao ser perguntado sobre a pessoa para qual trabalhava, respondeu ser um
homem já velho, de nome Henrique, não sabendo dar nenhuma outra informação,
inclusive sobre a origem da caminhonete que utilizava para o transporte. O
-
Adaptação de texto jornalístico, da série de reportagens A I(8!nidade )erde, do Jornal O Globo.
1$
motorista, que conduzia o veículo, não foi encontrado na feira. Segundo
testemunhas, saiu correndo assim que a polícia chegou ao local.
Um agente do IBAMA, que participou da blitz, demonstrou-se decepcionado
com o resultado da investida, pois segundo ele quem é preso nunca é o verdadeiro
responsável pelo tráfico dos animais.
O delegado Luiz Xavier, titular da Delegacia de Meio Ambiente, responsável
pelo inquérito, defende o endurecimento da lei para os traficantes de animais.
Dados da Renctas mostram que o tráfico é o terceiro mais rentável do mundo, atrás
apenas da venda de drogas e armas.
A Lei de Crimes Ambientais não prevê o tráfico. Põe na mesma situação
aquela senhora que cria um pássaro em cativeiro e o traficante. É necessário
agravar a pena nos casos de tráfico, deixando cestas básicas e serviços
comunitários para os pequenos infratores - afirmou Luiz Xavier.
O tenente Érico Santos Cardoso, do Batalhão Florestal, diz que o artigo 29 da
Lei 9.605/98 desestimula a guarda de animais silvestres em cativeiro com penas
para quem não tem autorização legal, mas que as normas do Ibama abrem o leque
da comercialização, já garantida pela Lei 5.197 de 1967, que estabelece que caberá
ao poder público incentivar a construção de criadouros para fins econômicos e
industriais.
G Para se abrir um criadouro, basta ter um CPF. O mercado legal de animais
silvestres acaba estimulando e agregando valores ao tráfico. O xanxão, por
exemplo, chega a custar R$ 500,00 no mercado legal de pets, informou o tenente.
Se*!e (a-eria$ de a8oio 8ara 8rod!3ir os ar*!(en-os9
&ei nZ J9KILE de 5F de fe.ereiro de 5JJN <&ei de Cri(es A(+ien-ais=
CAPITULO V - DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE
Seção I - Dos Crimes contra a Fauna
Ar- FJ9 Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre,
nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da
autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
[ 5Z Incorre nas mesmas penas:
III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou
depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa
ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes
de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização
da autoridade competente.
Ar-9 @F. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres,
domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
10
AU&A N
ASSUNTO A'ORDADO: ex8ress7es in-rod!-Brias de 8ar,*rafos9
O'JETI)OS DA AU&A: a!xi$iar o discen-e na reda6o do -ex-o
ar*!(en-a-i.oE co( a s!*es-o de ex8ress7es in-rod!-Brias de 8ar,*rafos9
Co(8reender os (ecanis(os disc!rsi.os e $in*\ís-icos da coeso
se"\encia$ de 8ar,*rafos9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 3.4 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
Os elos coesivos entre parágrafos reforçam a tessitura do texto,
permitindo uma maior eficiência discursiva por parte do argumentador. Eles podem
ser utilizados de acordo com o objetivo de cada parágrafo elaborado, devendo-se
levar em consideração algumas possibilidades interpretativas:
Por en!(era6o Por o8osi6o Por ca!sa Por conse"\Cncia
Ressalta(m)-se É bem verdade
que...
Como se há
verificar...
Neste sentido, deve-
se dizer...
Além desses
fatores...
Não se pode olvidar
que...
Como se pode
notar...
Oportuno se torna
dizer que...
É de verificar-se
que...
Não há olvidar-se
que...
É de verificar-se
que...
Cumpre-nos
assinalar que...
Registre-se, ainda,
que...
Bom é dizer que... Devido a... Diante do exposto...
Assinale-se, ainda,
que...
Por outro lado... Em virtude de... Diante disso...
Convém ressaltar... Ao contrário do que
foi dito...
Em face de... Em face de tal
situação...
Além desses
fatores...
Conectores de
oposição: conjunções
adversativas e
concessivas.
Substantivos: causa,
motivo, razão,
explicação, pretexto,
base, fundamento,
gênese, origem, o
porquê.
Em virtude desses
fatos...
Soma(m)-se a esses
aspectos o(s)
fato(s)...
Verbos que indicam
oposição (contrariar,
impedir, obstar,
vedar...)
Verbos que indicam
causa (determinar,
permitir, causar,
gerar...)
Em face dessa
questão...
Mister se faz
ressaltar que...
****
Locuções
prepositivas: em
virtude de..., em
razão de..., por
causa de..., em vista
de..., por motivo
de...
Substantivos: efeito,
produto, decorrência,
fruto, reflexo,
desfecho.
Registre-se, ainda,
que... ****
Conjunções: porque,
pois, já que, uma
vez que, porquanto,
como.
Verbos que indicam
conseqüência
(ocasionar, gerar,
provocar...)
É de ser relevado...
**** ****
Locuções e
conjunções: logo,
então, portanto, por
isso, por
conseguinte, pois.
2#
>UESTÃO
Selecione algumas das expressões do quadro anterior e produza três
parágrafos argumentativos que defendam uma tese sobre a situação de conflito
apresentada na matéria jornalística. O tipo de argumento é de sua livre escolha.
Adriana Mendes ajuizou ação indenizatória em face da empresa MC Donald
´s. A autora deseja que a ré seja condenada a lhe pagar R$ 10 mil de indenização
porque encontrou uma formiga grudada na batata frita.
Alega que, ao se deparar com o inseto, experimentou um sentimento de
repugnância e nojo que lhe gerou danos morais. Adriana destacou na Inicial que
houve, também, "violação ao princípio da confiança, outro norte a ser perseguido
nas relações de consumo¨.
A consumidora contou que, ao começar a comer, encontrou um corpo
estranho grudado na batata e, logo depois, constatou que era uma formiga.
Depois do ocorrido, procurou o gerente da loja para reclamar. Como nada foi
feito, tirou uma foto e recorreu à Justiça. No pedido, alegou que tal situação criou
um grande constrangimento de natureza moral.
O MC Donald's, para se defender, alegou que o Juizado não poderia
processar a questão porque era necessária prova pericial e que tal requisito se
torna incompatível com a Lei 9.099/95, que dispõe sobre a competência dos
Juizados Especiais Cíveis e Criminais.
O réu sustentou, ainda, que não existe a menor possibilidade de haver
qualquer tipo de corpo estranho nos lanches da empresa e que não há que se
falar em qualquer tipo de indenização.
Observação: caso deseje redigir um argumento por autoridade, é possível recorrer
aos dispositivos a seguir:
Ar-9 FZE CDC - Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza
produto ou serviço como destinatário final.
Ar-9 @ZE CDC - Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada,
nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem
atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação
de serviços.
§ 2° - Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária,
salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
Ar-9 KE CDC - São direitos básicos do consumidor:
I O a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas
no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
)I O a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos;
)III O a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da
prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a
alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiência;
Ar-9 5HE CDC9 O fornecedor de serviços responde, independentemente da
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes
ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
21
De acordo co( o CBdi*o Ci.i$:
Ar-9 JFQ - Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.
Par,*rafo 0nico. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de
culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos
de outrem.
Ar-9 5NK - Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.
Ar-9 5NQ - Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela
boa-fé ou pelos bons costumes.
Caso entenda adequado, utilize o trecho adiante, retirado de um Acórdão:
Em uma ação de indenização, além da ação ou omissão, há que
se apurar se houve dolo ou culpa do agente no evento danoso,
bem como se houve relação de causalidade entre o ato e o
prejuízo sofrido pela vítima.
(juiz Yale Sabo Mendes, do Juizado Especial Cível de Cuiabá -
MT).
22

AU&A J
ASSUNTO A'ORDADO: 8rod!6o do -ex-o 1!rídico ar*!(en-a-i.o:
f!nda(en-a6o e conc$!so9
O'JETI)OS DA AU&A: Redi*ir a f!nda(en-a6o e a conc$!so de !( -ex-o
1!rídico9 Desen.o$.er a %a+i$idade 8ers!asi.aE (edian-e !-i$i3a6o das
fon-es do direi-o e e( conson:ncia co( a -eoria da ar*!(en-a6o 1!rídica9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 5.2.1 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
>UESTÃO
Após o embasamento teórico e a prática até aqui desenvolvidos, retome os
elementos constitutivos da argumentação jurídica (situação de conflito, tese,
contextualização do real e hipóteses) e produza uma fundamentação e uma
conclusão.
&eia o caso a ser disc!-ido9
Dose de a*ressi.idade
Record se $i.ra de indeni3ar de$e*ado da Po$ícia #edera$
A TV Record foi citada para responder a uma ação de indenização por
danos morais, ajuizada pelo delegado da Polícia Federal, Marcos Von Held. O
delegado pediu indenização por conta da reportagem que divulgou seu
remanejamento do cargo que ocupava na PF em São Paulo e o comentário que
associou sua imagem à corrupção. Von Held foi diretor da Delegacia Marítima,
Aérea e de Fronteira e hoje chefia a Delegacia de Imigração.
Na época, o afastamento do delegado foi provocado por suspeitas do
Ministério Público Federal de envolvimento de agentes da PF com o crime
organizado. As investigações do MPF envolviam uma suposta relação de policiais
com o doleiro Antonio Otávio. Não há confirmação, por sentença judicial, de o
delegado ter cometido improbidade administrativa no exercício do cargo.
Von Held sustentou que a reportagem e o comentário feito por Boris Casoy,
na época âncora do Jornal da Record ofendeu sua honra, imagem e reputação.
Segundo ele, seu remanejamento do posto da PF se deu por questões
administrativas.
A emissora sustenta que as reportagens não extrapolaram o direito de
informar, nem a liberdade de expressão, como alegou o autor. Para a ré, ela
exerceu suas prerrogativas legais sem ultrapassar as barreiras que separam o lícito
daquilo que é abusivo. Afirmou que o Jornal da Record informou o público sobre
acontecimentos que envolviam a rotatividade de delegados, um caso singular que
coincidiu com a divulgação de escândalos envolvendo denúncia de corrupção da PF
paulista.
No final da reportagem, o apresentador Boris Casoy afirmou que seria
preciso uma limpeza nos quadros da Polícia, que estaria falida moralmente. Isso,
segundo a emissora, não é suficiente para exigir o dever de indenizar.
"As expressões contundentes não estão em dissonância com o estado de
coisas que foram relatos, lembrando que o exercício de crítica, por ser um direito,
não constitui um salvo conduto para agredir, contudo, uma certa dose de
agressividade se permite, porque caso não se admita o emprego de linguagem dura
ou ácida, não se atinge o objetivo de criticar, que no fundo, visa alertar, provocar
reflexão e formar opiniões¨, sustentaram os advogados da missora.
2)
Para eles, não cabe reprovar o noticiário por divulgar as denúncias e
investigações deflagradas com os nomes de "Anaconda¨, "Lince¨ e "Shogun¨.
Também não cabe a reprovação por eventual lesão ao direto da personalidade -
honra, imagem e reputação - do delegado, pela forçosa conclusão que se deve
chegar, diante de tudo o que constou, do exercício regular da função social da
imprensa.
Se considerar con.enien-eE !-i$i3e os recor-es a se*!ir:
CBdi*o Ci.i$: CAP;TU&O II
DOS DIREITOS DA PERSONA&IDADE
Ar-9 5F9 Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade,
e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Ar-9 FI9 Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à
manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra,
ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser
proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe
atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins
comerciais.
Ar- LTE I)E CR#'MNN9 É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
anonimato. (Lei de Imprensa nº. 5.250);
V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além de
indenização por dano material, moral ou à imagem (Lei de Imprensa - Lei nº
5.250);
XIV - É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional (Lei de Imprensa - Lei nº 5.250)
&ei de I(8rensa G &ei nTLFLI
Ar-9 5F9 Aqueles que, através dos meios de informação e divulgação, praticarem
abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e informação
ficarão sujeitos às penas desta lei e responderão pelos prejuízos que causarem.
Ar-9 5@9 Constituem crimes na exploração ou utilização dos meios de informação e
divulgação os previstos nos artigos seguintes.
Ar-9 5L9 Publicar ou divulgar: a) segredo de Estado, notícia ou informação relativa
à preparação de defesa interna ou externa do País, desde que o sigilo seja
justificado como necessário, mediante norma ou recomendação prévia
determinando segredo, confidência ou reserva; b) notícia ou informação sigilosa, de
interesse da segurança nacional, desde que exista, igualmente, norma ou
recomendação prévia determinando segredo, confidência ou reserva.
Pena: de 1 (um) a 4 (quatro) anos de detenção.
Ar-9 5K9 Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou
deturpados.
2*

AU&A 5I
ASSUNTO A'ORDADO: P$ane1a(en-o do disc!rso 1!rídico ar*!(en-a-i.o9
O'JETI)OS DA AU&A: 8rod!3ir f!nda(en-a6o e conc$!so do -ex-o 1!rídicoO
ar*!(en-a-i.o9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 5.2.2 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
A argumentação jurídica, para ter sucesso, deve recorrer a estratégias que
expressem a interpretação sobre uma questão do Direito que se desenvolve em
um contexto espacial e temporal. Portanto, antes de argumentar, é necessário
que se proceda a um planejamento, considerando-se os contextos, os fatos, as
provas e os indícios extraídos do caso concreto, sustentando-se sempre nas
fontes do Direito. Torna-se necessário, também, ter em mente os prováveis
argumentos do opositor, a fim de neutralizá-los.
Após a análise minuciosa do caso concreto, são escolhidos os recursos
argumentativos para a produção do texto jurídico. Assim, o texto será construído
não instintiva e espontaneamente, mas apoiado em um planejamento, a fim de
manter a unidade e a coerência necessárias ao convencimento. Somente com
organização é possível traçar estratégias persuasivas capazes de fazer com que a
tese defendida seja aceita.
6
>!es-o
Analise os elementos constitutivos da argumentação jurídica que seguem e
escreva a fundamentação e a conclusão pertinentes.
5O Si-!a6o de conf$i-o
Eneida Santana, babá da filha do médico José Silveira, foi proibida de
entrar na piscina do condomínio Vila Azul, em Vila Isabel, no dia 19 de março
de 2008, para cuidar da menor.
FO #a-o *erador
Impedimento de acesso à piscina do condomínio Vila Azul.
@O Tese
A proibição de a babá freqüentar a piscina representa limitação ao
direito da menor Estela.
HO Con-ex-!a$i3a6o do rea$
• Pro.as fa.or,.eis D -ese:
- A criança está de férias e os pais, não;
- Segundo consta da narrativa dos fatos, a babá não pôde acompanhar a
menor na piscina;
- De acordo com o Regulamento do Condomínio Vila Azul, a freqüência à
piscina restringe-se aos moradores;
- O Regulamento do Condomínio Vila Azul estabelece que crianças de dois
anos não podem freqüentar a piscina desacompanhadas;
.
Para aprofundar seus conhecimentos sobre esse assunto, leia o capítulo 5 de: FETZNER, Néli L.
Cavalieri (Org.); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE, Alda Marques. Lições de argumentação
jurídica. Rio de Janeiro: Forense, 2008.
2-
- José Silveira declarou estar disposto a levar a babá para fazer todos os
exames médicos exigidos pelo condomínio.
• A$e*a67es do condo(ínio:
- De acordo com o síndico, a assembléia decidiu negar o pedido de José
Silveira em obediência ao artigo 18 do Regulamento Interno do Condomínio,
que restringe aos moradores o direito de freqüentar a piscina.
LO 2i8B-eses
#a.or,.eis D -ese:
- Uma vez que a babá fora impedida de acompanhar a criança, este fato não
configuraria uma forma de cercear o direito de a menor freqüentar a piscina
do condomínio?
- Já que José Silveira prontificou-se a levar a babá para realizar exame
médico, sua presença na piscina não constituiria risco maior que o de qualquer
morador à saúde dos freqüentadores da piscina;
Con-r,ria D -ese:
- Se o condomínio autorizasse a presença da babá na piscina, estaria abrindo
um precedente para desrespeito a outros artigos do Regulamento Interno.
2.
AU&A 55
ASSUNTO A'ORDADO: 8rod!6o do -ex-o 1!rídico ar*!(en-a-i.o:
f!nda(en-a6o e conc$!so9
O'JETI)OS DA AU&A: Redi*ir a f!nda(en-a6o e a conc$!so de !( -ex-o
1!rídico9 Desen.o$.er a %a+i$idade 8ers!asi.aE (edian-e !-i$i3a6o das
fon-es do direi-o e e( conson:ncia co( a -eoria da ar*!(en-a6o 1!rídica9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 5.2.3 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
>UESTÃO
Após o embasamento teórico e a prática até aqui desenvolvidos, retome os
elementos constitutivos da argumentação jurídica (situação de conflito, tese,
contextualização do real e hipóteses) e produza uma fundamentação e uma
conclusão.
&eia o caso a ser disc!-ido9
UM CASO DE A'USO SEVUA&
SÃO PAULO - Preso sob acusação de abusar sexualmente de pacientes
dopados em seu consultório, o pediatra Euller Erick, 48 anos, preso na noite de
quarta-feira, admitiu ao delegado Vargas Soares Neto ser ele o homem que
aparece na fita de vídeo divulgada pelas emissoras de TV. A gravação mostra um
adolescente sendo examinado pelo médico, que o adormece com uma injeção para
depois despi-lo e abusar dele. "Ele disse: sou eu mesmo¨, contou o titular do 52
o
.
Distrito Policial, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo. O médico foi transferido para
o 12
o
. DP, onde ficam detidas as pessoas com curso superior.
A conduta do terapeuta especializado em adolescentes chocou os profissionais
que ontem assistiram a algumas das 30 fitas de vídeo apreendidas pela polícia.
Diante das imagens, o presidente de Pediatria de São Paulo, Fábio Ancona Lopes,
não conseguia acreditar no que via. Boca aberta, olhar petrificado, Ancona volta e
meia desviava os olhos da tela, como que para se recuperar. "Ele sedava o menor
e, a partir daí, passava a se comportar de uma forma abominável¨, revelou. "Ele é
um pedófilo que realiza o ato criminoso com meninos jovens¨, contou Ancona.
Acompanhados por integrantes do Ministério Público Federal, policiais
vasculharam o consultório e o apartamento de Erick. Descobriram que as cenas de
abuso foram gravadas em uma das quatro salas do consultório, a mais afastada da
recepção, onde foram apreendidos frascos de sedativo injetável vazios. O sonífero
encontrado age de forma imediata: o paciente dorme rapidamente e não se lembra
de nada ao acordar. O médico dirigia o Instituto São Paulo de adolescência e
cobrava R$ 300,00 por consulta.
No apartamento do pediatra, malas prontas indicavam uma possível fuga. A
polícia apreendeu disquetes e o computador do médico, suspeito de participar de
uma rede internacional de pedófilos. A secretária Cláudia Soares, funcionária de
Erick há 15 anos, depôs e disse nunca ter desconfiado da conduta ilegal do
pediatra.O Conselho Regional de Medicina do Estado abriu uma sindicância e se
reúne extraordinariamente hoje para analisar o caso. Uma junta médica fará exame
de sanidade mental no acusado.
BRASÍLIA - O médico Euller Erick não será julgado por pedofilia. O crime não
está especificado no Código Penal, que é de 1940. O projeto do novo código, que
2/
tramita no Congresso, prevê o delito e estipula pena de oito a doze anos de
reclusão.
A juíza Márcia Lucy explica, porém, que isso não significa impunidade para a
prática de sexo com criança. Relações sexuais com menores de 14 anos, mesmo
consentidas, são consideradas estupro. O entendimento é que os menores não têm
maturidade para consentir a relação sexual. Pelo mesmo motivo, ainda que sem
conjunção carnal, carícias trocadas com menores de 14 anos são caracterizadas
como atentado violento ao pudor. "Presume-se a violência se a vítima: a) não é
maior de 14 anos¨, diz o artigo 224 do Código Penal.
O mesmo artigo, na alínea c, diz que também é presumida a violência se a
vítima "não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência¨. Por isso, Erick
poderá ser acusado de atentado violento ao pudor (artigo 214): "Constranger
alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se
pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal.¨ O médico sedava as vítimas
antes de praticar atos libidinosos, o que impossibilitava a resistência. A pena
prevista é reclusão de seis a dez anos.
No Estatuto da criança e do Adolescente (ECA), dos dezessete "crimes em espécie¨
previstos, só dois têm relação com o sexo. O artigo 240 (ECA), prevê reclusão de
um a quatro anos para quem utilizar crianças e adolescentes em peças, novelas ou
filmes "em cena de sexo explícito ou pornográfica¨. O 241(ECA), estipula a mesma
pena para quem "fotografar ou publicar cena de sexo explícito ou pornográfica
envolvendo criança ou adolescente¨.
O+ser.a6o: se entender adequado, procure na legislação e na doutrina outras
informações, além daquelas presentes no texto, que ajudem a fundamentar sua
tese.
2$

AU&A 5F
ASSUNTO A'ORDADO: 8rod!6o do -ex-o 1!rídico ar*!(en-a-i.o:
f!nda(en-a6o e conc$!so9
O'JETI)OS DA AU&A: Redi*ir a f!nda(en-a6o e a conc$!so de !( -ex-o
1!rídico9 Desen.o$.er a %a+i$idade 8ers!asi.aE (edian-e !-i$i3a6o das
fon-es do direi-o e e( conson:ncia co( a -eoria da ar*!(en-a6o 1!rídica9
Para responder aos exercícios desta aula, sugerimos a leitura do capítulo 6 de
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
"Fundamentar é prestar contas daquilo que se diz. Toda fundamentação está, nesse
sentido, a serviço do mútuo entendimento, o que não exclui a possibilidade de
conflito. Discutir racionalmente significa entender-se mutuamente (...). Assim,
numa discussão-com, o orador fundamenta sua ação lingüística para produzir no
ouvinte um sentimento de convicção em termos de conquistar sua adesão a uma
asserção verdadeira (...). Uma fundamentação convincente produz consenso
porque é capaz de verdade, isto é, a verdade é aí condição de consenso¨.
Tér%io ,a1&aio Ferraz Jr.,
>!es-o
Após o embasamento teórico e a prática até aqui desenvolvidos, retome os
elementos constitutivos da argumentação jurídica (situação de conflito, tese,
contextualização do real e hipóteses) e produza uma fundamentação e uma
conclusão.
&eia o caso a ser disc!-ido9
MU&2ER >UE A'ANDONOU #I&2OS SE ARREPENDE
Nos últimos dois dias, a dona de casa Regina Gomes, 40 anos, passou por
experiências que ficarão marcadas para o resto de sua vida: a decisão cruel de
abandonar os dois filhos - o menino T.L.S., de 7 anos, e a menina M.L.S., de 5
anos - anteontem, nas proximidades da Central do Brasil, e a emoção de
reencontrá-los ontem no Centro Municipal de Assistência à Infância Ayrton Senna
(Comasi), em Vila Isabel. A dor estampada nos olhos revelava o arrependimento de
seu ato. "Fiz isso para chamar a atenção do meu marido, que deixou meus filhos
com fome e não dá notícias há dois meses. Mas estou muito arrependida. Não
pensei nas conseqüências para as crianças.¨
A juíza da 1
a
. Vara da Infância e da Juventude, ficou surpresa com o caso de
Regina. "Ela tem casa, seus filhos eram bem tratados e não possuem o perfil de
crianças de rua. Vamos avaliar essa situação com cuidado, mas de antemão ela
demonstrou com essa atitude que não reúne condições psicológicas para ficar com
as crianças no momento¨. Regina, que já trabalhou como acompanhante de idosos,
vai participar de um programa de atendimento psicológico destinado aos pais, que
será iniciado em breve, no auditório do Juizado da Infância e da Juventude. As
crianças serão mantidas no Comasi, até que apareça algum parente capaz de
assumir a responsabilidade dos menores.
O pai das crianças, o músico José Carlos Gomes, 42 anos, ainda não foi
encontrado. A juíza enviou ofício para a central de Inquérito do Ministério Público,
cujo teor pode acarretar responsabilidades penais para os pais por negligência e
incapacidade de exercer o poder familiar. Regina, que tem mais três irmãos - um
deles mora em uma casa espaçosa, que pode abrigar seus filhos - poderá contar
20
com um advogado da Defensoria Pública a partir de segunda-feira. "Estava
envergonhada de ficar pedindo ajuda aos meus irmãos. Mas acho que não existe
vergonha maior do que esta que estou passando¨, contou.
Seu irmão Manoel, 36 anos, que ganha R$ 120 por semana trabalhando como
vigia em uma loja em Campo Grande (Zona Oeste), prometeu não desamparar as
crianças. "Minha irmã cometeu um ato de desespero, mas não quero condená-la.
Acordar de manhã e não ter um pão para oferecer aos filhos é muito duro. Só não
concordo com o abandono dos filhos desta maneira. Segundo Manoel, José não
demonstrava ser um bom pai. "Ele nunca deu uma boa assistência para os filhos. E
agora desaparece desse jeito¨. Manoel esteve ao lado da irmã durante todo o
tempo, tentando confortá-la.
Regina precisou mesmo de amparo quando viu os filhos brincando pelos
corredores do abrigo, depois de ter recebido autorização judicial para visitá-los em
Vila Isabel. Um pouco mais controlado, T. limitou-se a abraçar a mãe e tio,
indiferente. Regina admite que nada justifica sua atitude de abandonar os filhos
num local onde há focos predominantes de violência, mas afirma que chegou a uma
situação limite. "Estava desempregada. Meu marido desapareceu. Foi o desespero.
Mas nunca mais abandono meus filhos.¨ Ela será beneficiada pelo programa de
bolsa família da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e poderá visitar os
filhos sempre às quartas-feiras e domingo, das 10h às 18h.
Se considerar con.enien-eE !-i$i3e os recor-es a+aixoE ex-raídos do CBdi*o
Pena$ 'rasi$eiro9
A+andono de inca8a3
Ar-9 5@@9 Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou
autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes
do abandono:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos.
[ 5Z - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos.
[ FZ - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
A!(en-o de 8ena
[ @Z - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da
vítima.
)#
AU&A 5@
ASSUNTO A'ORDADO: Re.iso e fixa6o de con-e0do9
O'JETI)O DA AU&A: Re-o(ar as 8rinci8ais "!es-7es desen.o$.idas ao
$on*o do se(es-re9
Vimos, ao longo do semestre, as características do texto jurídico-
argumentativo e suas condições de produção. Refletimos, ainda, sobre as principais
estratégias argumentativas e conhecemos os tipos de argumento disponíveis ao
profissional do direito.
Adiante, você encontrará um texto, disponível no site do Superior Tribunal
de Justiça, que trata da dificuldade de identificar com exatidão os conceitos de caso
fortuito e de força maior.
Esses dois exemplos materializam a subjetividade do processo de
persuasão e a importância da argumentação nessa tarefa.
>!es-o
Leia o material e reflita, em um texto de até 20 linhas, com base em todo
o repertório acumulado ao longo deste curso, qual a importância da argumentação
para a atividade jurídica.
Texto
7
ST J O O Tri+!na$ da Cidadania
O STJ e os 8rocessos en.o$.endo casos for-!i-os o! de for6a (aior
Um buraco no meio da via pública, um assalto à mão armada dentro de um
banco e um urubu sugado pela turbina de avião que atrasou o vôo de centenas de
pessoas. Todas essas situações geram pedidos de indenização, muitos dos quais
chegam ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foram julgados com base num
tema muito comum no Direito: o caso fortuito ou de força maior.
O Código Civil brasileiro diz que o caso fortuito ou de força maior existe
quando uma determinada ação gera conseqüências, efeitos imprevisíveis,
impossíveis de evitar ou impedir: CASO FORTUITO + FORÇA MAIOR =
FATO/OCORRÊNCIA IMPREVISÍVEL OU DIFÍCIL DE PREVER QUE GERA um ou mais
EFEITOS/CONSEQÜÊNCIAS INEVITÁVEIS. Portanto pedidos de indenização devido a
acidentes ou fatalidades causadas por forças da natureza podem ser enquadrados
na tese de caso fortuito ou de força maior.
Vamos imaginar que um motorista está dirigindo em condições normais de
segurança. De repente, um raio atinge o automóvel no meio da rodovia e ele bate
em outro carro. O raio é um fato natural. Se o condutor provar que a batida
aconteceu devido ao raio, que é um acontecimento imprevisível e inevitável, ele
não pode ser punido judicialmente. Ou seja: ele não vai ser obrigado a pagar
indenização ao outro envolvido no acidente.
Ao demonstrar que a causa do acidente não está relacionada com o
/
2i"&o'3el e1! 45((&!66777."(8.go3.9r:. A%e""o e1 1/ de a9ril de 2##$.
)1
veículo, como problemas de manutenção, por exemplo, fica caracterizada a
existência de caso fortuito ou força maior.
Mas nem todas as ações julgadas no STJ são simples de analisar assim. A
maior parte das disputas judiciais sobre indenização envolve situações bem mais
complicadas. Como o processo de uma menina do Rio de Janeiro A garota se
acidentou com um bambo lê no pátio da escola e perdeu a visão do olho direito.
A instituição de ensino deveria ser responsabilizada pelo acidente? Os pais
da menina diziam que sim e exigiram indenização por danos morais e materiais.
Por sua vez, o colégio afirmava que não podia ser responsabilizado porque tudo não
passou de uma fatalidade. O fato de o bambolê se partir e atingir o olho da menina
não podia ser previsto: a chamada tese do caso fortuito. Com essa alegação, a
escola esperava ficar livre da obrigação de indenizar a aluna.
Ao analisar o pedido, o STJ entendeu que a escola devia indenizar a
família. Afinal, o acidente aconteceu por causa de uma falha na prestação dos
serviços prestados pela própria instituição de ensino. Assim como esse, outras
centenas de processos envolvendo caso fortuito e indenizações chegam ao STJ
todos os dias.
Assalto à mão armada no interior de ônibus, trens, metrôs? Para o STJ é
caso fortuito. A jurisprudência do Tribunal afirma que a empresa de transporte não
deve ser punida por um fato inesperado e inevitável que não faz parte da atividade
fim do serviço de condução de passageiros.
Entretanto em situações de assalto à mão armada dentro de agências
bancárias, o STJ entende que o banco deve ser responsabilizado, já que zelar pela
segurança dos clientes é inerente à atividade fim de uma instituição financeira.
E o buraco causado pela chuva numa via pública que acabou matando uma
criança? Caso fortuito? Não. O STJ decidiu que houve omissão do Poder Público,
uma vez que o município não tomou as medidas de segurança necessárias para
isolar a área afetada ou mesmo para consertar a erosão fluvial a tempo de evitar a
tragédia.
E onde entra o urubu nessa matéria? Numa ação de indenização por atraso
de vôo contra uma companhia aérea. A empresa alegou caso fortuito porque um
urubu foi tragado pela turbina do avião durante o vôo. Mas o STJ considerou que
acidentes entre aeronaves e urubus já se tornaram fatos corriqueiros no Brasil,
derrubando a tese do fato imprevisível. Resultado: a companhia aérea foi obrigada
a indenizar o passageiro.
Moral da história: Imprevistos acontecem, mas saber se o caso fortuito ou
de força maior está na raiz de um acidente é uma questão para ser analisada
)2
processo a processo, diante das circunstâncias em que o incidente ocorreu.
))
AU&A 5H
ASSUNTO A'ORDADO: Re.iso e fixa6o de con-e0do9
O'JETI)O DA AU&A: Re-o(ar as 8rinci8ais "!es-7es desen.o$.idas ao
$on*o do se(es-re e es-a+e$ecer !(a re$a6o co( o ASSUNTO A'ORDADO
no se(es-re an-erior9
No segundo período, você estudou, na semana 6 do caderno de exercícios
de Interpretação e produção de textos aplicadas ao texto jurídico, o uso da
modalização no texto jurídico.
A modalização é conteúdo de grande relevância para a produção do texto
jurídico-argumentativo. Sugerimos revisitar esse conteúdo.
>!es-o
Tendo em vista que os modalizadores são marcas disparadoras do
raciocínio jurídico e que, como tal, constituem importante instrumento na produção
do texto argumentativo, comente, em até 15 linhas, a contribuição dos
modalizadores para a produção do texto.
TEXTO
8
Letícia dos Santos Pinho, estudante de administração de empresas, 23 anos,
moveu uma ação de indenização por danos morais e materiais em face da empresa
LKM Contraceptivos, fabricante de uma marca de DIU (Dispositivo Intra-Uterino).
Letícia ficou grávida em fevereiro de 2006, após utilizar o produto defeituoso
fabricado pela empresa ré. Esse fato obrigou a autora a trancar matrícula no meio
do sexto período de seu curso universitário para a realização do parto e posterior
período de resguardo. O bebê nasceu em 11 de novembro de 2006.
Certamente, a falta de anseio por um filho naquele momento evidenciou-se
pela própria atitude da autora em procurar um método contraceptivo para evitar a
gravidez. Tal decisão denota uma conduta consciente, cuidadosa e responsável por
parte da autora. A negligência da empresa-ré, ao fabricar um produto defeituoso,
resultou em transtornos para a vida acadêmica, afetiva e social da requerente, que
pleiteia, além de indenização, pensão alimentícia mensal para a criança até que
esta atinja a maioridade.
A autora recusou a solução, aparentemente mais fácil, de praticar um
aborto, por ser contrária às suas convicções íntimas e criminosa em face da
legislação brasileira. O dano de difícil reparação está ligado ao próprio nascimento
da criança. Isso só faz aumentar a necessidade de pensão fixada, para que fique
garantida uma boa qualidade de vida à criança, além do pagamento dos gastos
com o parto.
Embora a empresa-ré argumente que não haja provas de que o DIU fora de
fato usado, nem mesmo que haja nexo causal entre a utilização o produto e a
$
O texto foi adaptado pela equipe de professores de Português Jurídico.
)*
gravidez, foi comprovada a existência de provas da aplicação do DIU na paciente
em setembro de 2005, fornecidas por depoimento do médico da paciente e por
relatório de médico perito. Além disso, um exame de ultra-sonografia da autora
realizado na Clínica Ecomedical, em maio de 2006, comprovou a gravidez de 13
semanas.
Ainda depõe contra a credibilidade da empresa a publicação, em 14 de
março de 2006, do edital de n° 32 da Consultoria Técnica e Vigilância Sanitária
(COVISA), informando sobre a interdição cautelar de todos os lotes do produto
usado, por causa da presença de reações adversas, como gravidez indesejada.
Basta haver indícios da existência de nexo causal entre a conduta da empresa-ré de
disponibilizar no mercado produto de confiabilidade duvidosa e a gravidez
indesejada pela autora, para se exigir a antecipação dos efeitos de tutela.
Em face do exposto, a empresa LKM Contraceptivos deve ser condenada a
pagar a Letícia dos Santos Pinho uma indenização por danos morais e materiais no
valor de R$ 10.000,00 para ressarcir os gastos com o parto, além de fazer
depósitos mensais equivalentes a dois salários mínimos na conta da autora, como
garantia de pensão para o sustento da criança até que esta atinja a idade de
dezoito anos.
)-
AU&A 5L
ASSUNTO A'ORDADO: Re.iso e fixa6o de con-e0do9
O'JETI)O DA AU&A: Re-o(ar as 8rinci8ais "!es-7es desen.o$.idas ao
$on*o do se(es-re9
O Supremo Tribunal Federal, em 2008, enfrentou, com grande
repercussão, a possibilidade de utilização de células-tronco embrionárias em
pesquisas científicas. Existe, na Internet, farto material disponível sobre o assunto.
A questão é polêmica e, até a decisão final da Corte, muitos argumentos favoráveis
e contrários à autorização dessas pesquisas serão apresentados.
Consulte os textos a que tiver acesso sobre o assunto e debata o tema de
forma ampla. Para auxiliá-lo, oferecemos uma reportagem sobre a questão.
>!es-o
A partir do que sugere o texto, elabore uma dissertação argumentativa
sobre o seguinte tema:
As decisões da Corte Suprema devem ter como parâmetro valorativo apenas a
norma jurídica e os princípios gerais do Direito ou questões outras (comoção
social, interesse político, ciência, valores religiosos etc.) devem influenciar a
opinião dos Ministros?
Recorra a, pelo menos,quatro tipos de argumento diferentes.
Tex-o
9
ST# decide se 8aís de.e !-i$i3ar c4$!$asO-ronco
O Supremo Tribunal Federal (STF) fará um julgamento histórico: decidirá
se o país pode utilizar células-tronco embrionárias (extraídas de embriões
congelados há mais de três anos e com a autorização dos pais) em pesquisas
científicas.
O debate em torno da questão vem gerando polêmica desde que o ex-
procurador geral da República Cláudio Fonteles questionou a constitucionalidade da
Lei de Biossegurança com base no argumento de que se são embriões, têm,
portanto, direito à vida.
Seja qual for a decisão tomada pelos ministros do STF, a resposta à
constitucionalidade do artigo 5º da Lei de Biossegurança, que permite o uso de
células-tronco de embriões em pesquisas, deverá gerar polêmica.
Na opinião do presidente da Comissão de Bioética do Hospital das
Clínicas de São Paulo, Cláudio Cohen, nem o começo e nem o fim da vida têm
momentos exatos. Ao contrário, ambos são processos. Ele cita como exemplo a
morte, que era determinada pela parada cardiorrespiratória do paciente, depois foi
superada pelo conceito de morte cerebral e mais recentemente pelo de morte
encefálica.
Para o bioeticista, a questão deve ser avaliada do ponto de vista da
ciência. "A gente não pode parar o progresso da humanidade simplesmente porque
há um valor que pode estar sendo questionado pela Igreja...não é que você está
matando alguém, se essas células-tronco seriam jogadas fora e se, ao invés disso,
forem feitas pesquisas, isso me parece bastante coerente¨, afirma.
Segundo Cohen, falar de células-tronco não é o mesmo que falar de
embrião. "Assim como eu posso dizer os gametas, o óvulo e o espermatozóide um
dia podem se tornar um embrião e depois ser implantados no útero, é tudo um
processo¨, diz.
0
Fonte: Agência Brasil. Disponível em: < http://www.onorte.com.br/noticias/?79276>.
Acesso em: 14 de abril de 2008.
).
Na opinião do médico, os ministros deverão votar pela continuidade das
pesquisas com células-tronco embrionárias.
"Já existe uma norma da biossegurança que diz que esses óvulos que já
foram fecundados há mais de três anos poderão ser utilizados. Na verdade, estão
querendo voltar atrás, não é nem discutir o que vai ser feito daqui para a
frente...então seria um retrocesso muito grande não permitir nem isso¨,
acrescenta.
)/
RE#ERXNCIAS
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE,
Alda da Graça Marques. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense,
2008.
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org); TAVARES Jr., Nelson Carlos; MACEDO,
Iraélcio Ferreira. Lições de gramática aplicadas ao texto jurídico. 2. ed. Rio de
Janeiro: Forense, 2008.
CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org) et alii. rgumentação jurídica. 2. ed. Rio de
Janeiro: Freitas Bastos, 2008.
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. !ara entender o texto" 19. ed. São
Paulo: Ática, 2005.
GARCIA, Othon M. #omunicação em prosa moderna. 22. ed. Rio de Janeiro: Editora
FGV, 2004.
MENDONÇA, Paulo Roberto Soares. argumentação nas decisões judiciais. 2. ed.
Rio de Janeiro: Renovar.
PERELMAN, Chaïm; TYTECA, Lucie. 2. ed. $ratado da argumentação: a nova
retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
)$