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AULA 17 CAPÍTULOS 17 E 18

Autor: Tom Bradford


Tradutor: Christiano Lopes

Hoje começamos Gênesis capítulo 17. É um capítulo muito longo, então nós vamos quebrá-lo um
pouco. Vamos começar pela leitura dos primeiros 14 versos.

LEIA GEN 17:1-14

Na primeira parte do capítulo 17, temos um ponto de referência: Avraham está com 99 anos de idade
quando ocorre esta aparição de Deus a Abraão. Então, 13 anos se passaram entre as palavras finais do
capítulo 16, e estas primeiras palavras do capítulo 17. Tudo o que aconteceu naquele período de 13
anos não nos é relatado.

Mas, há algumas poucas coisas que nós podemos saber: 1) Hagar teve seu filho, Ismael, e ele agora está
com aproximadamente 13 anos. 2) Sarai AINDA está sem filho. Ela não está estéril apenas de um filho
VARÃO, mas de qualquer criança. 3) O clã ainda está vivendo em Canaã. 4) Muito provavelmente, não
houve qualquer contacto entre Deus e Abraão, durante esse período de 13 anos. 5) O primeiro pacto
que o Senhor fez com Abraão, permanece intacto.

E, nesta nova aparição, Deus acrescenta uma aliança à anterior que Ele já fizera com ele, ao declarar que
Abraão será o pai de muitas nações. E, a propósito, isto não significa necessariamente só nações
hebraicas NEM que, mais importante ainda, será cada
uma dessas nações da linha da promessa da aliança.

A palavra hebraica usada aqui para "nações" é goyim O


uso da palavra "goyim" mudou um pouco ao longo do
tempo, mas manteve basicamente o mesmo significado:
goyim significa nações ou pessoas que NÃO são de
ascendência hebraica. Agora, ela também pode ter o
sentido literal de qualquer nação, hebraica ou não, a
chave é o contexto. Hoje, o uso mais comum de goyim
quando se aplica a uma pessoa é "gentio"...um não-
hebreu, ou um não-judeu.

Agora, Abraão tomou a palavra "goyim", nação, no


sentido de povos "não-hebreus"? Não. Abraão estava
justamente, ele mesmo, tornando-se o primeiro hebreu.
Para Abraão, isso simplesmente significava que não só a Figura 1- Deus mudou o nome de abrão para abraão
sua prole seria numerosa, mas também que eles seriam
separados em vários grupos de pessoas, e tornar-se-iam várias nações distintas e separadas. No
entanto, como temos a vantagem de olhar para trás 4000 anos, o que vamos ver é que, de fato, Abraão
foi pai de ambos os hebreus e não hebreus. Abraão foi pai do povo judeu, bem como de vários grupos
de povos gentios. Vamos ver isto dentro em breve.

No Vs.5, vemos Deus mudar o nome de Abraão (esta não será a última vez em que o nome de uma
pessoa é alterado): ele deixa de ser chamado Avram, e passa a ser chamado de AvraHAM. Ou seja, de
ser chamado de pai exaltado, para ser chamado de o pai de muitos...ou, numa tradução melhor, pai de
multidões. Este é também o ponto em que seria razoável dizer que Abraão se tornou um Hebreu. Agora
exatamente em que ponto, no tempo Abraão começou a chamar-se, e alguns descendentes ", hebreu",
não sabemos. De fato, há ainda discordância sobre o que "hebreu" quer dizer. É geralmente aceito na
comunidade de estudiosos da Bíblia, que esta palavra significa "aquele que atravessou". Antropólogos e
arqueólogos bíblicos, no entanto, dirão que é provável que a palavra hebreu não surgiu até muito
tempo mais tarde. E, ela teria vindo de uma palavra oriental, Ipuru. Ipuru era um termo utilizado em
Canaã e outras áreas próximas significando apenas os estrangeiros, ou errantes que não tinham
nenhuma nação específica com a qual poderiam ser identificados. Certamente, no ponto da história
sobre o qual estamos a falar, Abraão e seu clã estavam inseridos: Embora eles viessem de Ur, já não se
consideravam Ur-Chasdim, isto é, sua casa já não era Ur, da Caldéia na Mesopotâmia . Contudo, o clã de
Abraão certamente ainda não tinha estabelecido uma identidade separada, nem poderia apontar para
um lugar em Canaã ao qual eles poderiam dizer que a ele pertenciam. Pois embora Deus tenha lhes
prometido a Terra de Canaã como sua herança, eles ainda tinham que reclamar esta herança.

Agora, esta aliança no Vs6 sobre a paternidade de muitas nações é outro daqueles concertos
permanentes, incondicionais; tudo o que Abraão poderia fazer é ser abençoado por ele, pois ele não
tinha obrigação real dentro da aliança. Mas, Deus estava prestes a fazer ainda uma outra aliança com
Abraão, e conquanto este concerto seguinte seria permanente, perpétuo, era definitivamente
condicional. Era também bi-lateral, oposto ao unilateral, isto é, Abraão e seus descendentes, tinham
obrigações a realizar para manter intacta esta aliança. No entanto, este concerto também era individual,
cada pessoa da linha de Abraão tinha a responsabilidade de aceitar esse pacto para si mesmo, ou não.
Em outras palavras, a pessoa que rompesse a aliança que
só prejudicava as disposições do pacto concernentes a ele
mesmo, o concerto ainda permaneceria em vigor para
cada indivíduo que optou por aceitá-lo. Este pacto os
judeus chamam B'rít milah: nós chamamos de
circuncisão.

Antes de discutirmos a circuncisão, vamos dar uma


olhada no versículo 8. Ele diz que Deus está dando a terra
a Abraão e à sua descendência para sempre. Eu sei que
nós já conversamos bastante sobre isso, e eu não quero

Figura 2- Deus deu a terra à abrão e sua descendência


me repetir. No entanto, preciso esclarecer uma coisa que
para sempre é muitas vezes esquecida: há uma diferença entre a terra
ter sido dada a Israel, e Israel viver na terra. O termo bíblico que nós encontramos geralmente
referindo-se a Israel vivendo na terra é "possuir". Possuir não significa exatamente a mesma coisa que
costumamos pensar, possuir significa mais "ocupar". Realmente não se refere à propriedade. Deixe-me
dar-lhe uma analogia. Você compra um carro. O banco local financia-o. Até que você o pague
totalmente, ELES possuem o carro. Certo? Ele NÃO é legalmente seu carro, você está apenas usando-o.
Assim, o Banco possui o carro, mas ele é colocado em sua posse até que você termine de pagá-lo, ou
deixe de fazê-lo. Se você deixar de pagar, o banco retoma o carro...ou seja, eles sempre o possuíram,
mas agora o tiram de seu poder e tomam posse do mesmo para si próprios. É por isso que é chamado
RE-possuir. No entanto, note que, em todos os casos, ELES têm a propriedade do carro. É só que
ocasionalmente você tinha a posse, e agora eles a têm!

A partir do momento em que Deus fez a aliança com Abraão, a terra pertence aos Hebreus, mas o
tempo ainda não havia chegado para eles a possuírem. Mesmo durante os 400 anos que passou no
Egito, Israel já possuía a terra de Canaã...eles simplesmente não a possuíam...não a ocupavam. As
pessoas tendem a confundir as coisas e dizer que Israel perdeu a posse da terra, quando Deus os
removeu para a Babilônia por causa dos pecados deles. E mais uma vez, quando os romanos dominaram
e destruíram Jerusalém em 70 d.C. Não é assim. A propriedade permaneceu com Israel. Deus
simplesmente se recusou a permitir a Israel ocupar a terra...possuí-la....por um tempo prolongado. Isto
são favas contadas, é apenas a compreensão da diferença entre ocupar e possuir. E, é bastante
pertinente para aqueles que dizem, também que Israel perdeu a posse da terra por 1900 anos, porisso
eles não têm mais direito a ela. Errado. Eles são os ÚNICOS que têm direito a ela, porque apesar de não
possuí-la, às vezes, eles NUNCA deixaram de possuí-la. Espero que você veja essa diferença bastante
crítica.

Além disso, a expressão da promessa no versículo 7 de que a aliança entre Deus e Abraão continuará...e
então diz..."e sua descendência depois de ti, como uma aliança eterna"...a parte sobre a descendência
não é uma reposição na declaração. Isso era pura terminologia jurídica daquela época. Códigos de
Direito daquela época foram encontrados, e entendeu-se que há limitações quanto à forma como a
propriedade poderia ser transferida, antes de ser revertida para algum rei ou príncipe que reivindicasse
essa área. Pela inclusão das palavras "e sua descendência depois de ti, como uma aliança
eterna"...LEGALMENTE significava que a partir daquele dia os descendentes de Abraão, mantinham
aquela propriedade, e poderiam continuar a passá-la de geração em geração, sem qualquer restrição.
Assim, entenda, esta era a terminologia jurídica, não hipérbole.

Agora, entenda o que este novo pacto de circuncisão significa. Na primeira aliança com Abraão....a qual
Deus disse apenas que continua totalmente intacta...Abraão era apenas um participante passivo. Ele
não precisava fazer nada. Mas, na nova aliança, significava que para a descendência de Abraão, HAVIA
uma obrigação: a circuncisão, como um SINAL de que eles escolheram participar da aliança Abrâmica, o
que significava que eles deram a sua lealdade ao Deus de Abraão. Agora, como vamos ver como o
passar do tempo, esta aliança da circuncisão segue apenas uma determinada linha de descendência de
Abraão. Não significa que TODOS os seus filhos serão elegíveis. Então "quem" será parte do que será
chamado de "a linha da promessa"? Os Hebreus, o que acabará por levar aos israelitas.
Basicamente, todo macho seguinte a Abraão, que espera ser capaz de participar nas bênçãos dos
concertos que Deus deu a Abraão deve, COMO UMA OBRIGAÇÃO ser circuncidado. Isto é, a participação
ATIVA é necessária.

Agora, eu não preciso aprofundar muito sobre a circuncisão, porque esse procedimento de remoção do
prepúcio genital dos machos é uma prática comum hoje em dia na maioria das sociedades, e o
conhecimento, portanto, é comum. E, geralmente é feito por famílias não-judaicas, simplesmente por
razões médicas, e assim mesmo a necessidade disso é contestada. Os Judeus, até hoje, têm uma bris,
uma cerimônia de circuncisão, para cada criança do sexo masculino, no 8º dia após seu nascimento.

A prática da circuncisão masculina existia muito antes desta instrução de Deus a Abraão....não era uma
invenção nova, nem mesmo a cerimônia da aliança que vimos Deus participar com Abraão era uma nova
invenção. Pelo contrário, ela era empregada em muitas culturas daqueles dias ou como parte da
cerimônia de casamento ou, mais geralmente, como sinal de entrada na puberdade. Uma coisa que
Deus fez foi tirar o trauma do processo não realizando-o em um jovem adolescente, mas em um bebê
de apenas 8 dias. Além disso, Deus empregou este rito existente como uma espécie de juramento de
fidelidade; e acrescentou grande significado a ele. Assim
como com as estrelas e planetas, Deus usou as coisas da
natureza, quando Ele escolhe criar um sinal para Seus
bons propósitos. Afinal, cada uma dessas coisas naturais
deve sua existência a Deus...o triste fato de que muitos,
então como agora, decidiram criar seus próprios
significados, como a astrologia, para as coisas que Deus
fez foi simplesmente uma perversão.

Mas, eis o ponto: lembre-se que o protocolo padrão de


concerto exigia derramamento de sangue, geralmente
de origem animal, e do corte de carne, geralmente carne Figura 3- a circuncisão
animal, e a separação da carne em dois grupos. Aqui,
com a circuncisão, o processo de aliança ocorreu usando o corpo masculino como a carne do sacrifício, a
carne foi cortada, o sangue derramado, e a carne separada em pedaços, uma parte enterrada no chão, a
outra permanecendo no corpo. Literalmente, Abraão e seus descendentes do sexo masculino USAVAM a
aliança, e ERAM a aliança. A pena para a recusa da aliança da circuncisão era dura: você era cortado do
seu povo. Isto era tanto espiritual como literal. Quando um macho descendente de Abraão recusava-se
a ser circuncidado, ou quando um pai se recusava a que seu filho tivesse uma B'rít Milah no 8º dia após
o nascimento, eles eram fisicamente separado do clã, e eles estavam espiritualmente separados de
Deus. Eles não eram mais hebreus e nem poderiam reivindicar o direito de qualquer uma das promessas
de Deus.

É por isso que Deus, através de Paulo, explicou que o que Deus realmente queria era corações
circuncidados, não carne circuncidada. Deus queria que o nosso coração aceitasse e vestisse a aliança
que veio até nós a um preço tão alto. Ao aceitar Cristo, Paulo diz que nós temos os nossos corações
circuncidados, estamos literalmente aceitando o protocolo da aliança de Deus sobre nós. E, desde o
advento de Yeshua e a Nova Aliança, que Ele estabeleceu, nos encontramos na mesma posição, como
Abraão: ou somos circuncidados por aceitar a Nova Aliança, que é o sangue de Cristo, ou podemos
recusá-la. Se aceitarmos isso, nos tornamos perpetuamente uma parte dos escolhidos de Deus. Se
recusarmos, estamos cortados… separados do povo de Deus, e do próprio Deus. Enquanto isto pode
surpreender alguns de vocês, as palavras de Paulo, provavelmente, derrubaram alguns desses judeus
aos quais ele estava falando, de joelhos. Porque eles compreendiam muito bem todos os prós e contras
da cerimônia e o simbolismo da aliança. Mas, porque a Igreja tem, por tanto tempo, virado as costas à
natureza judaica da Bíblia, o impacto de coisas como o ato de fazer aliança não tem sido compreendido.

Agora, há um princípio e um padrão contidos no versículo 12 que precisamos estar cientes: de que NÃO
eram apenas os descendentes genéticos de Abraão que poderiam tornar-se parte desta aliança. Aqui, o
escravo nascido em casa ou o escravo comprado, de um hebreu…que é um estrangeiro....podia ser
incluído no pacto da circuncisão. Compreenda, por lei, um escravo comprado TORNAVA-SE membro da
família. Eles tinham quase todos os direitos de um membro da família....quase, mas não
completamente. Portanto, um bebê nascido de uma escrava comprada TAMBÉM tornava-se um
membro da família. Isso é bastante estranho à imagem habitual que temos do que a escravidão atingiu
nos tempos bíblicos, entre os hebreus. Os escravos estrangeiros de Hebreus geralmente não eram
maltratados...porque eles eram da família! O conceito de propriedade escrava entre os Hebreus é muito
próximo ao nosso conceito moderno de adoção. E, não confunda a propriedade de escravos com a
servidão por contrato. Ser um servo...alguém que é seu servo apenas por um período de tempo,
enquanto reembolsa uma dívida para com você…NÃO qualificava essa pessoa como um membro da
família. SOMENTE um escravo comprado era um membro da família. É o tipo de inversão do que
poderia parecer lógico para nós.

Assim, desde muito cedo foi estabelecida a idéia de que a genética…linhagem de sangue…não era o
único fator determinante para a adesão à comunidade santa. Aqui, começando com Abraão, um
estrangeiro que estava disposto a seguir os caminhos hebreus e do Deus hebreu, poderia receber plena
cidadania como hebreu, e com ele todos os direitos de qualquer aliança que um hebreu nato teria. Este
é o mesmo princípio do qual nós, como gentios, dependemos sendo enxertados em concertos dados por
meio de Abraão, Moisés, e Yeshua…concertos que foram dados a Israel, e a mais ninguém.

LEIA GEN 17:15-27

Nestas poucas palavras que acabei de ler, temos a base para a hostilidade que mais cedo ou mais tarde
levará o mundo a um conflito global.

Os primeiros versos são, basicamente, Deus transmitindo a Abraão que Sara, sua esposa,
milagrosamente vai dar à luz uma criança. Por milagre? Ela tinha um ventre morto. Ela era incapaz de
produzir filhos e foi por isso que ela deu sua serva Hagar a Abraão para ter uma criança em seu lugar. E,
mesmo que seu corpo estivesse sido funcionando corretamente, ela estava muito além da idade fértil,
como atesta o próprio Abraão, pois, nesta época, Sarah era da idade de 90 anos.

Quando Deus diz a Abraão que Sara vai dar-lhe um filho, Abraão responde com estas palavras infames
do Vs.18: "Tomara que viva Ismael perante Ti!" Espero que todos ouçam a dor, choque e desespero com
que Abraão soltou este apelo. Abraão estava feliz com Ismael. Ele amava Ismael. Ele considerava Ismael,
seu filho primogênito. Ele NUNCA, mesmo remotamente, pensou em Ismael como algo diferente de seu
legítimo, muito amado, herdeiro. E, mesmo antes que Deus emitisse Sua resposta, Abraão sabia o que
estava por vir. No Vs.19, Deus diz "NÃO!" ao apelo de Abraão. Que a criança que Sarah estava prestes a
produzir seria o herdeiro de Abraão, e além disso, que este filho varão seria aquele com o qual Deus iria
estabelecer, e continuar, a Sua aliança. E, que o nome desta criança seria Yitzchak, que significa riso,
porque tanto Abraão como Sara riram da noção surpreendente de que, em sua idade avançada, teriam
um filho.

Agora, vamos ser muito claros aqui: Deus rejeitou enfaticamente Ismael, como aquele que iria continuar
a linha da promessa da aliança que Deus fez com Abraão. Isso não é conjectura. Em vez disso, seria
Isaac, Yitzchak, que seria o escolhido. Hoje, os muçulmanos afirmam que as escrituras foram
modificadas para refletir Isaque como o filho favorecido, quando deveria ter sido Ismael. Aqui está outra
divisão feita por Deus, uma separação, e uma eleição. Veja você, Isaac seria o avô dos israelitas, que
acabaria por trazer o Salvador ao mundo, ao passo que Ismael seria avô dos árabes. Entenda, o Islã não
é uma raça de pessoas, mas sim a religião dos árabes adotada cerca de 6 séculos depois da morte e
ressurreição de Cristo. Mas, os muçulmanos não vêem nenhuma diferença pois eles chamam tanto
Ismael, como Abraão, de pai do islamismo.

No entanto, com que rapidez tendemos a ignorar o que Deus diz a Abraão no Vs.20. Referindo-se a
Ismael, Deus diz: "Eu o tenho abençoado". Ou, em uma tradução melhor, "eu estou abençoando-o".
Isaac é a linha da promessa. Mas, Ismael também é abençoado…só não como sendo a linha da
promessa. Assim como Israel seria composto por 12 príncipes…ou seja, 12 tribos…assim os
descendentes de Ismael também seriam constituídos por 12 tribos.

É importante lembrar que não só é Abraão, o verdadeiro pai dos árabes, assim como ele é o verdadeiro
pai de Israel, mas que Shem, a bendita linha do bem, é o antepassado de árabes e judeus. Ambos os
grupos são semitas.

Ismael foi abençoado? Bem, não só os árabes têm crescido e se tornado uma população enorme,
ultrapassando largamente o número de israelitas, mas veja no nosso tempo como eles foram
abençoados. 100 anos atrás o Oriente Médio era encarado como talvez a mais inútil extensão de terra
em todo o planeta. No entanto, sob a areia seca, eles também descobriram cerca de metade das
reservas de petróleo do planeta, que fizeram os árabes entre as pessoas mais ricas do mundo.
Infelizmente, a cultura árabe manteve-se tribal, e da mesma forma alguns dos benefícios mais
poderosos desta imensa riqueza.

Em qualquer caso, Ismael, 13 anos de idade no momento da benção, é circuncidado, juntamente com
Abraão, e todos os homens, livres e escravos, na casa de Abraão.
LEIA GEN 18: 1 - 15

Este capítulo é um bom lembrete do caráter e


da essência de todo o livro de Gênesis, o livro
dos começos. Ou, de uma forma similar, é o
livro dos fundamentos…alicerces de princípios,
e tipos e leis de Deus.
Figura 4- " E o Senhor apareceu..."
Poderíamos avançar velozmente através deste
capítulo, mas perderíamos o começo de vários
princípios de Deus enunciados para nós. E, estes princípios servirão de base para a forma como a Bíblia
inteira se desenvolve.

A cena que testemunhamos neste capítulo, realiza-se nas montanhas de Hebron, de onde se pode obter
uma vista maravilhosa de praticamente a totalidade do Mar Morto. E, nós começamos já com um
mistério que provavelmente não podemos responder. No versículo 1, diz que "o Senhor" apareceu a
Abraão, ou talvez em sua Bíblia, como na minha, diz que "Adonai" apareceu.... E, é importante manter
isso tão simples quanto pudermos, porque impacta todo o resto do capítulo. A palavra "Adonai" é uma
palavra em hebraico, que é traduzida por Senhor ou Mestre. Então, isso certamente é muito corrreto.
Há apenas um problema, esta não é a palavra usada nos manuscritos hebraico originais do AT. A palavra
é realmente Yôd-Heh-Vav-Heh no alfabeto hebraico...Yhwh no alfabeto português...e nós normalmente
traduzimos como Senhor, ou em hebraico diríamos Yahveh ou Jeová. Duas coisas: primeiro, a razão pela
qual a vemos da forma como está em nossas Bíblias é devido a uma tradição entre os judeus. E, esta
tradição é que é proibido dizer o nome de Deus. Ela evolu até ao ponto de que entre os judeus mais
atentos, você também não pode dizer a palavra "Deus", ou mesmo soletrá-la. Assim, muitas vezes, se
você ler algo a respeito de Deus, escrito por um judeu, Deus estará escrito D, traço, U, S (D-US, às vezes
também D’US – N. do T.). A propósito: em nenhum lugar nas Sagradas Escrituras existe uma proibição de
dizer o nome de Deus, o Senhor, exceto quanto a utilizá-lo em vão. Dito isto, a tradição judaica diz que
simplesmente pronunciar o nome de Deus é usá-lo em vão. Não quero entrar em nenhuma disputa
teológica sobre isso, mas eu não consigo achar que é vaidade pronunciar o nome de Deus. Se Deus não
nos quisesse que pronunciássemos seu nome por que o daria a nós? Por que nos é DITO para invocar o
nome do Senhor, e então, se fizermos isso é pecado?

Posso também dizer-lhe que conheci vários judeus que sentem que não é tanto uma questão de ofensa
contra Deus usar Seu Santo Nome, mas sim uma questão de respeito que se abstenha de utilizá-lo.

Portanto, vou dizer-lhes, como Paulo aconselhou, seja sensível às coisas que ofendem os outros, mesmo
se você não consegue compreender por que razão, ou mesmo se discordar deles. Portanto, como sei
muito bem que praticamente todos os judeus religiosos, e alguns judeus simplesmente tradicionais,
acham a utilização da palavra "Deus", ou "Jeová", ofensiva para eles, eu faço o meu melhor para dizer
HaShem, ou o Senhor em sua presença, por respeito a eles. Quando vou a Israel, fico particularmente
atento. Vamos encarar o fato, certamente NÃO é ofensivo, para nós, que não vemos nenhum pecado
em usar o nome de Deus, ouvi-lo sendo chamado de HaShem ou Senhor, então não é uma mudança
difícil.

Nesta classe, vou usar muitos nomes para Deus: Deus, Jeová, Adonai, Senhor...e para Jesus: Cristo,
Jesus, Yeshua, Yeshua HaMashiach, Senhor, Salvador, e mais alguns. Peço-lhes para tentar entender que
esta é uma sala de aula e estou a falar para um público bastante variado. Além disso, a maioria das
Bíblias usam esses nomes. E, se eu usar as palavras de código para Deus e para Jesus, que são
totalmente desconhecidas para muitos aqui, então eu não estarei comunicando ou ensinando...estarei
apenas dizendo palavras. Então saiba que eu respeito sua opinião não tenho a intenção de fazer
nenhuma ofensa.

Agora, de volta a esta estranha cena que abre o capítulo


18, a coisa é, um dos 3 assim chamados "homens" que
apareceu a Abraão, parece que deve realmente ter sido
o Senhor, o Senhor, Ele mesmo. Nós vamos chegar aos
outros dois "homens" em um minuto. A coisa é, não há
dúvida de que era alguma manifestação de Deus Todo-
Poderoso, porque a Escritura diz isso diretamente. Ela
diz que Yôd-Heh-Vav-Heh, Yahveh, apareceu a Abraão.
Por outro lado, é-nos dito insistentemente, que nenhum
homem pode olhar para Deus, o Pai e viver. Nem mesmo
a Moisés foi permitida esta honra, ainda que ele pediu Figura 5- 3 homens apareceram a abraão

por ela.

Agora, muitas vezes, somos informados de que o que isto realmente significa é que este homem
"chamado de Senhor era Jesus. Certo? Porque aqui era Deus, em algum tipo de forma visível, que
apareceu como um homem. E, a regra geral na Igreja evangélica é, se Deus tem características físicas, é
Jesus. Mas, espera, quando você já ouviu falar de Jesus referido pelo nome próprio do Pai, Senhor? Mais
certamente nós regularmente o chamaríamos de "Senhor" (que poderia ser uma tradução da palavra
Adonai). Mas, novamente, no original hebraico a palavra usada para abrir o capítulo 18 é Yahveh, NÃO
Adonai. No Vs.3 no entanto, depois que nos é dito que Abraão olhou e viu 3 homens, é que
ENCONTRAMOS a palavra Adonai. Aqui está a coisa, Adonai é plural...Adon é singular. Adonai, um plural,
é por vezes utilizado para se referir a Deus, e isso é referido como um plural de majestade. Em outras
palavras, quando Adonai está se referindo a Deus não denota mais do que um, simplesmente denota
grandeza. Aqui, no entanto, o contexto indica que Abraão dirigiu-se a todos os 3 chamados "homens" e,
portanto, o versículo 3 provavelmente deve ler-se: "...ele (ou seja, Abraão) disse, meu senhores rogo-te
que não passes do seu servo ... "

Essa coisa toda é complicada pelo fato de que no verso 2, diz, "e ele viu 3 homens que estavam perto
dele." A palavra hebraica usada para homens, aqui, é enosh...que significa especificamente homens,
seres humanos; Às vezes é usada para indicar a humanidade em geral. Mas, a palavra enosh NUNCA se
refere aos seres espirituais. Os rabinos e sábios são bastante divididos sobre esta questão, alguns
pensam que um dos "homens" é uma manifestação de Deus, e os outros dois são apenas seres
humanos. pensam que é uma manifestação de Deus e os outros dois são os anjos.

Agora, deixe-me trabalhar outro ponto. Tudo isto que Abraão está fazendo se curvando e prostando em
terra...chamando-os de senhores...dizendo a sua esposa para se apressar e trazer comida lavando pés,
etc...é apenas a típica e tradicional hospitalidade do Médio Oriente da época e, até certo ponto ela
existe até hoje. Abraão não está fazendo nada fora do normal para cumprimentar hóspedes muito bem-
vindos., suas ações não nos ajudam a determinar que que estes 3 indivíduos realmente são.

Ah, fica pior. Sarai faz como Abraão a instruiu...ela traz comida e água, leite e coalhada, até mesmo
algumas carnes...e como diz o versículo 8: "Ele (Abraão) tomou também coalhada e leite e o novilho que
mandara preparar e pôs tudo diante deles (os 3 homens); e permaneceu de pé junto a eles debaixo da
árvore enquanto comiam! "

Não só é difícil imaginar o Senhor comendo comida, como é muito difícil para nós imaginar anjos
comendo. Josefo, o Targum de Jônatas, e o Talmude simplesmente não podem aceitar que temos aqui
uma cena de Deus e os anjos a jantar, comendo pão, carne e leite. Então, eles dizem que as 3 pessoas só
deram a impressão de comer , mas eles realmente não comeram.

No final, é muito difícil saber o que fazer de tudo isto, no entanto, é inegável que algo sobrenatural está
ocorrendo aqui, porque nos é dito diretamente e sem dúvida que esta era uma aparição de Javé, e que
estes 3 indivíduos tinham autoridade , e sabiam coisas que não deveriam ter sido capazes de saber de
outra maneira...tal como o nome de Sarah ou o fato de que ela era estéril.