VENTILAÇÃO

Ventilação

Ventilação

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o controle da forma como estes resíduos são jogados ao meio é tarefa importante das autoridades locais. em uma sala de estar se reuniram oito pessoas. além do que é produzido para o cozimento dos alimentos e pelo banho.7 25. necessitam uma ventilação que assegure sua eliminação direta ao exterior. segundo experiências realizadas.6 Tabela 1. não será quando se trata do meio interior. Espaço disponível por pessoa (m³) 3 6 9 12 Ar fresco requerido por pessoa (m³/h) Mínimo 40. Ao renovar o ar.4 61. Os locais. colocando o alerta para muitas cidades e regiões do mundo. como o querosene. Se evitamos todo o tipo de ventilação. Ao nível urbano a contaminação atmosférica criada pelos gases e partículas despejadas pelas indústrias e automotores. sendo a temperatura inferior a 20ºC. o qual também é contaminado de diversas maneiras durante o uso normal do espaço. somente o vapor de água proveniente das pessoas fará com que no decurso de duas horas a UR suba aos 80% provocando seguramente sua condensação em algumas superfícies.4 28. bem como propiciam a proliferação de microorganismos nocivos para a saúde.7 14. incorporam ao meio ambiente importante quantidade de vapor de água. regionais e nacionais. Ventilação -2- . As próprias pessoas. chegou a provocar verdadeiras catástrofes. que não tem um duto de chaminé de ventilação direta ao exterior .6 18. o somente admite a presença de pequenas quantidades desse gás.5 37. a maior temperatura interior faz com que a umidade relativa desça aos 42% . Os aquecedores a base de combustíveis líquidos.2 51. A simples atividade biológica provoca um consumo de oxigênio e um desprendimento de anidrido carbônico. afastando-a da que sua composição biológica necessita. Se a responsabilidade do arquiteto em relação a esse problema é limitada. que devem arbitrar as medidas condizentes para preservar o meio ambiente necessário aos seres vivos. sendo vital e renovação do ar para seu organismo. expelem odores que. que produzem muito vapor de água e que além disto são fontes importante de fumaça e odores. Estas considerações nos permitem concluir que com relação ao conteúdo de umidade sempre teremos um meio interior mais seco no inverno se mantivermos uma pequena ventilação permanente.8 21. Quando estudamos o conforto térmico vimos que as pessoas perdem uma importante quantidade de calor por evaporação. deve ser eliminado pois é a causa principal das condensações nos fechamentos que provocam a destruição de pinturas e outros materiais.1: Ventilação mínima necessária O vapor de água originado pela transpiração das pessoas.4 Valores recomendáveis Fumando Sem fumar 81. O projeto da cidade só pode contribuir parcialmente para a sua solução.VENTILAÇÃO A INTRODUÇÃO Exigências higiênicas ventilação Muitas das atividades que o homem realiza produzem alterações na composição do ar que o envolve. em razão de sua atividade biológica e ainda em condições de higiene normais. Suponhamos que em um dia de inverno o ar exterior tenha uma temperatura de 10ºC e uma UR de 80%. como cozinhas.1 28.1 38.

com uma espessura média de 7. diminuindo assim a temperatura superficial. a eficiência do resfriamento não é total. o que eleva consideravelmente a quantidade de calor a extrair. ºC)] x 40(m²) x 0. Tudo isto faz aumentar muito a vazão de ar requerida. com a ventilação procuramos sua eliminação. Este benefício se estende também a todos os elementos que compõe o espaço interior. o que supõe um pouco mais de uma renovação por hora do ar de todo o local.ºc) 0. Se estabelecemos que o meio interior tem uma temperatura de 28ºC e o ar exterior. tomamos o tijolo como o único material que acumula calor. 1971).5cm. de 20ºC. Exigências térmicas No capítulo referente ao conforto térmico observamos que nas regiões com períodos quentes o movimento do ar é uma variável muito importante para o bem-estar do indivíduo. Tratando-se de um dormitório de 24 m3.1 são dados os valores mínimos de ventilação por razões higiênicas (IHVE. já que uma parte do ar retorna ao espaço exterior sem ter alcançado os 28ºC possíveis.92 1. por exemplo. para simplificar. Na tabela 1. habitado por duas pessoas. é necessário 1.VENTILAÇÃO exercem uma influência nociva sobre a saúde e o apetite.00 densidade kg/m³ 1600 1. a quantidade mínima admissível seria de 14. Disto concluímos que: Va = 4416/9.6 = 460m³/ºC Isto significa que necessitamos 460m³ de ar a 20ºC para diminuirmos 1ºC a temperatura dos fechamentos do exemplo tomado.6kJ para elevar a temperautura de 1m³ de ar de 20ºC para 28ºC. que são sempre grandes depósitos de calor.4m3/h por pessoa. Este processo requer grandes quantidades de ar. Devemos levar em conta que na realidade o problema é um pouco mais complexo pois o ar.6 kJ/m³ ou seja que se requer 9.ºc) 1472 1.20 Suponhamos agora que o local tem um total de 40m² de fechamentos de tijolos. Os dados básicos são: material tijolo ar calor específico kJ/ (kg. a qual nos dá uma idéia clara de que precisamos uma ventilação muito abundante e mantida durante várias horas para reduzir substancialmente a temperatura média Ventilação -3- . Além do mais. exercendo sua influência no espaço. kJ/ (m³. teremos: qa = 1.20(28-20) = 9. Estima-se que a ventilação necessária para a eliminação destes odores é maior do que a requerida para renovar o oxigênio e diminuir o conteúdo de gás carbônico. A energia que podem armazenar estes materiais (qc) será: qc = 1472 [ kJ/(m³ .d. antes de sair ao exterior de um edifício comum tem de atravessar dois ou mais ambientes.20 kJ para elevar em 1ºC um volume de 1m³ de ar. por outro lado. e que. Vejamos um caso concreto onde.075 (m) = 4416 kJ/ºC Quer dizer que é necessário extrair destes fechamentos 4416 kJ para diminuir sua temperatura em 1ºC. como fechamentos e os móveis.20 c.

ao fato de que não recebemos o efeito direto do fluxo de ar sobre o corpo que acelerava as perdas de calor por convecção e por evaporação. também se apresenta um objetivo definido. e a ventilação de verão. pisos. e também a não ter sido produzido um esfriamento sensível dos elementos que compõe o espaço interior. Isto se deve. onde a única preocupação são as exigências higiênicas. deve permanecer uma ventilação baseada em razão térmica estando o projeto dos dispositivos orientado por esta necessidade. com baixas temperaturas.2 e 1. nas quais a temperatura se mantém sempre por cima da requerida pelo conforto. de maneira que no inverno (figura 1. Esta dupla condição vai se refletir na localização. o importante é que o fluxo de ar não incida diretamente sobre as pessoas. Se as fechamos após duas ou três horas.3. em parte. que deverá satisfazer tanto as higiênicas quanto as térmicas. Ventilação -4- . enquanto que as segundas só importam quando o microclima interno é quente e o ar exterior tem uma temperatura menor que o interior. que têm um período frio e outro quente. Figuras 1. já que as primeiras têm caráter permanente e devem ser satisfeitas a qualquer hora e época do ano. Nas regiões quentes ou frias só há um tipo de ventilação.3) o fluxo se desloque pela zona superior A. Para o arquiteto. a situação mais complexa se dá nas zonas temperadas. teto e mobília.2 e 1. As exigências higiênicas e térmicas estão indicando que a ventilação A VENTILAÇÃO DE INVERNO E A DE VERÃO obedece a necessidades diferentes. Nas regiões frias. A ventilação diferenciada para verão e inverno é própria dos climas temperados.1) sendo necessárias apenas superfícies reduzidas de entrada e saída. sua velocidade deve estar sempre sob um estrito controle que será mais severo na medida em que o ar exterior tenha uma temperatura menor. sendo que a ventilação se deve a razões higiênicas exclusivamente.VENTILAÇÃO radiante. A circulação do ar no inverno afeta também a zona B por indução. Todos experimentamos abrir as janelas durante as noites quentes do verão para aproveitar a fresca brisa noturna. área e forma de abrir os dispositivos. A arquitetura deve adaptar-se a necessidades diferentes originando o que chamaremos ventilação de inverno. Esta colocação nos leva a dizer que nas regiões de clima tropical. A quantidade de ar a renovar no inverno por uma razão higiênica é pequena (ver tabela 1. voltamos a sentir a sensação de calor dentro da edificação. enquanto que no verão a massa de ar se movimentará por todo o espaço A e B. exercendo uma influência direta sobre o conforto e simultaneamente eliminando parte do calor acumulado em paredes. para evitar o efeito direto sobre as pessoas.

baseada na diferença das pressões causada pela ação dinâmica do vento ou pelas temperaturas diferentes dos dois meios. por este precisamente o princípio que rege o seu funcionamento. Daí a conveniência de colocar portas duplas nos acessos dos edifícios e de enclausurar. isto é. VENTILAÇÃO NATURAL DINÂMICA Princípios Elementares Quando temos uma placa em frente ao vento (figura 1. O mesmo pode ser dito de outras funções que estuda o arquiteto como as salas de cinema. A velocidade do ar depende. oficinas de pintura e certos locais hospitalares. por ser a mais adequada nas regiões tropicais e temperadas e. porque tem maior repercussão no projeto arquitetônico. denominada de efeito chaminé. Quando nessas condições existem duas aberturas em diferentes alturas. há alguma janela aberta nos pavimentos superiores. Dá origem a duas maneiras de ventilar : uma delas é mediante planos móveis cuja. A primeira se baseia na diferença entre as temperaturas do ar interior e exterior que origina pressões distintas. A ventilação artificial é imprescindível em todos os casos em que a natural não é possível. Nesta primeira parte do processo. se nesses momentos. Nesta apostila trataremos somente a primeira dessas formas de ventilar. deixaremos para comentá-la mais adiante.4) se forma na face AB um tipo de colchão de ar pressionado. Este efeito provoca ainda a infiltração de ar pelas juntas de portas e janelas. É bastante conhecido o problema causado pelas intensas correntes de ar que se observam no inverno em certos edifícios altos quando se abrem as portas exteriores do pavimento térreo. forma e área permitirão cumprir os objetivos perseguidos. necessária a certas funções. e a ventilação artificial. provocando um deslocamento da massa de ar da zona de maior para a zona de menor pressão. produzida por equipamentos ou aparelhos que requerem energia elétrica ou algum tipo de combustível. também com portas as circulações verticais.VENTILAÇÃO FORMAS DE VENTILAR As formas de ventilar se classificam em dois grandes grupos segundo a origem da energia utilizada para movimentar a massa de ar: a ventilação natural. necessita um sistema mecânico de exaustão que impeça a contaminação do espaço interior. a cozinha. A ventilação natural dinâmica é causada pelas pressões e depressões que se geram nos volumes como conseqüência da ação dinâmica do vento. nas bordas da placa a velocidade do ar será maior do que no espaço livre. -5- Ventilação . mas este fenômeno também é produzido pela pressão do vento. a outra é por aspiradores fixos ou rotatórios colocados nas coberturas dos edifícios. é insuficiente. da diferença entre as alturas dos vãos. que aproveitam o efeito do vento para produzir uma depressão ou efeito de sucção que promove a saída do ar por estes aparelhos. por exemplo. se estabelece uma circulação de ar de uma até a outra. localização. temos alguns fenômenos a destacar: sobre a superfície AB haverá uma pressão positiva. pois o obstáculo faz com que pela área ao seu redor passe uma maior quantidade de ar. principalmente. estabelece-se uma violenta circulação de ar. odores e vapor de água. A ventilação natural pode ser térmica ou dinâmica. a que aproveita a ação do vento. entre outras coisas. na caixa da escada ou de elevadores. Assim. maior que a pressão atmosférica normal. teatro. ou não oferece garantia de efetividade permanente. sobre o qual escorrega a massa de ar para depois escapar pelas extremidades. com sua elevada produção de fumaça.

12) o desvio dependerá da velocidade com que o ar incide no obstáculo. por fricção.10) o fluxo de ar estará comandando por esta diferença de pressões.5. além de complexas turbulências.8) a maior parte dos planos tem pressões negativas. a massa de ar incidente escapará pelas bordas A. Isto significa que para ter uma ventilação verdadeiramente efetiva devemos ter abertura em paredes opostas. Ventilação -6- . Se a obstrução estivesse apoiada no chão (figura 11. não provocam a circulação do ar. sendo iguais.5) os fenômenos seriam muito similares. Para terminar este ponto assinalaremos outros dois comportamentos do fluxo de ar: quando encontra algum tipo de placa defletora (figura 11. esta é a causa de que na superfície CD se produzam pressões negativas. B.VENTILAÇÃO nas bordas o ar segue uma direção oblíqua como resultado do encontro do fluxo original com aquele que escorrega pelo colchão de ar. como se mostra na figura 1.11 já que as pressões. Se a abertura da placa estivesse deslocada. Como o ar se desloca desde os pontos de maior aos de menor pressão. o ar que atravessa a ranhura manterá a mesma direção que o fluxo incidente.4 e 1. Em conseqüência. ou um efeito de sucção. Quando a massa de ar escapa pelos lados da placa produz. Vão se formar nela dois colchões de ar. já que as duas partes AB e CD da placa são iguais.6) com uma abertura ou ranhura na parte central. Nada adianta abrir duas janelas sobre um mesmo plano. um sobre AB e outro sobre CD. É fácil ver que os filetes de ar que saem por B e C têm a mesma força e direção. Este tipo de ventilação natural é conhecido como ventilação cruzada. Quando o vento incide contra um volume (figura 1. C e D. de maneira que a direção do ar que atravessa a ranhura será descendente. Efeito aerodinâmico produzido pelo enfrentamento de uma placa ao vento. o deslocamento do ar situado na parte posterior tendendo a arrastá-lo consigo.9 e 1. onde AB > CD. se abrirmos aberturas num edifício (figura 1. Figura 1. O filete de ar que sai pela borda B teria uma velocidade maior que o que passa por C. na forma indicada na figura 1. Tomemos agora uma placa (figura 1.7. aproximando-se a uma das extremidades.

9 Figura 1.10 Figura 1. A direção do fluxo de ar que passa por uma abertura BC depende das dimensões AB e CD.VENTILAÇÃO quando penetra num local (figura 1.13) sua própria inércia faz com que mantenha a direção originária até encontrar um elemento que o detenha. somente então se desvia em direção à abertura de saída.14) a direção muda no momento em que a pressão negativa prevalece. Se não houver aberturas tanto na superfície com pressão positiva quanto na negativa.11. Figuras 1.7.8 Figura 1.6 e 1. Ventilação -7- . Em outros casos (figura 1. Figura 1. não se produz uma ventilação eficaz.

VENTILAÇÃO Figura 1.44m/s (16km/h).15 estão representadas as velocidades do vento quando incide frontalmente contra uma barreira de árvores cuja folhagem tem a densidade média que corresponde a várias espécies comuns. entre as quais se incluem correntes ascendentes e descendentes que fazem inoperante qualquer esquema de ventilação baseado em dados proporcionados pelos serviços metereológicos. enquanto que em outra.78m/s (28km/h). Também é possível encontrar situações como a apresentada na figura 1. A direção e a velocidade do vento proporcionados por serviços metereológicos são dados sempre importantes como guia na solução de muitos problemas. como conseqüência da presença da massa de ar pressionado que se forma nessa face.19) o ar não tem outra possibilidade senão a de canalizar por estes espaços. com ruas que são verdadeiros corredores (figura 1. que nos casos semelhantes ao apresentado na figura 1. por experiência própria . a escala em abscissas tem valores múltiplos de H. a maior proteção possível se alcança a uma distância compreendida entre quatro e cinco vezes a altura da obstrução.16 completamos a informação com as maneiras de compor algumas barreiras de árvores em função da altura necessária (Caborn. Porém isto não pode ser generalizado para qualquer situação. Não obstante eles são de valor quando se trata do estudo de edifícios ou espaços que pelas suas dimensões e localização estão menos expostos às influências das obstruções vizinhas.18. Numa quadra urbana. em ordenadas se lêem as velocidades do vento nas proximidades da barreira. A explicação reside na fricção do ar em todos os obstáculos que encontra no deslocamento o que reduz a velocidade das camadas próximas do solo. brincar ou simplesmente transitar. é importante ter uma idéia da proteção que uma barreira ou obstáculo oferece contra o vento. Em Montevidéu. tem-se uma média de 4. Mas a principal conclusão é que a menor velocidade. a velocidade média anual do vento registrada numa estação metereológica situada a beira do mar. mas é necessário ter presente que às vezes no espaço urbano os edifícios os modificam totalmente. a uns 5000m ao interior. Note-se que se altura das árvores é H. originamse fluxos de ar. onde dois edifícios enfrentam o vento. ao mesmo tempo em que se geram turbulências de toda ordem.17. ou seja. originam-se no espaço A rajadas de uma velocidade muito maior pelas razões já comentadas.13 Figura 1. a direção do ar está então determinada pelas ruas. passear. é de 7.14 O espaço exterior No desenho dos espaços exteriores onde se efetuam funções como as de estar. Na figura 1. 1957). por exemplo. sabemos.12 Figura 1. Na figura 1. Ventilação -8- . de direções contrárias. É interessante notar que a velocidade do vento começa diminuir antes de chegar ao obstáculo. A e B. ainda quando o vento incide obliquamente sobre o volume.

Efetividade das barreiras frente à ação do vento. Sua composição depende da proteção desejada. a de maior altura requer espécies de folhagem baixa. A velocidade mínima se mede a uma distância de quatro a cinco vezes a altura do obstáculo Figura 1. média e alta.17.16. produzem-se neste rajadas de maior velocidade.VENTILAÇÃO Figura 1. Quando na cidade se tem dois volumes altos. enfrentados ao vento e separados por um espaço reduzido. Tipos de barreiras de árvores. não pode manter a direção que tem no espaço livre. Figura 1. O vento. pois os volumes edificados canalizam-no obrigatoriamente em outras direções. Ventilação -9- . Figura 1.18 Figura 1.19.15. na cidade.

Na figura 1. impõe a necessidade (no caso de volumes sobre pilotis ) de projetar proteções adequadas no térreo. o S. no qual tenhamos direções diferentes no fluxo de ar interior segundo a altura do local em relação ao solo. Figura 1. seu efeito chega. de maneira que permitam uma graduação precisa da abertura e impeçam ademais as infiltrações exageradas de ar. Ventilação . em certas ocasiões.21.22 são apresentados casos que mostram até que ponto a realidade urbana se encarrega de modificar as previsões feitas com base nos dados do clima do lugar. É óbvio dizer que o projeto desses edifícios altos requer precauções muito especiais na seleção dos dispositivos de fechamento. a romper vidros ou curva-los o suficiente para faze-los sair dos baguetes de fixação.VENTILAÇÃO Vejamos outros casos que se apresentam nas cidades com relação a este ponto. as duas fachadas têm pressões negativas porém de diferente valor o que gera uma inversão no sentido da ventilação. situado na zona de turbulência geradas por A. verifica-se uma enorme pressão sobre os fechamentos do edifício. quando é obrigado a cisrcular pelos espaços de dimensões mais reduzidas. A disposição dos volumes e a direção e velocidade do vento fazem. mas no B. O aumento da velocidade do vento.10 - .21 e 1. Figura 1.20. Na outra figura observamos que pode ocorrer o caso de um edifício. que a ventilação entre eles tenha sentidos diferentes. que aumenta com área exposta e a velocidade do ar. muitas vezes. os principais problemas que se colocam são os seguintes: no pavimento térreo teremos uma grande velocidade do ar que faz necessária a construção de quebra-ventos adequados. Quando o vento incide normalmente sobre o plano maior. No edifício A a ventilação se realiza normalmente na mesma direção que o vento. Nas figuras 1.20 representamos um edifício alto cujo pavimento térreo permite uma livre circulação do ar.

24) não somente aumenta a velocidade do fluxo. Caudill.26 a ventilação se realiza corretamente. quando as cercas se dispõe segundo a figura 1. mas também lhe imprime uma direção ascendente no momento de entrar pelo vão. A presença de árvores próximas ao edifício (figura 1.VENTILAÇÃO Figura 1.25) não cria condições favoráveis de ventilação quando a direção do vento é transversal. White.26 . 1952. 1952.11 - .23 Figura 1. No entanto.23 vemos o efeito de uma cerca vegetal alta cujas conseqüências. Figura 1. Uma dupla cerca sobre um dos lados do edifício (figura 1. 1954).24 Figura 1. Na figura 1.21.22 A vegetação ou obstáculos próximos ao edifício provocam também direções particulares aos fluxos de ar (Reed.25 Ventilação Figura 1. similares às estudadas na figura 1. são as de provocar uma corrente de ar induzida de sentido inverso. qualquer que seja a direção do vento.

33 temos duas plantas baixas exatamente iguais. Os edifícios de vários andares acarretam algumas surpresas quando se estuda a direção dos fluxos de ar. pela sua dimensão.27 Figura 1.12 - . Na figura 1. Desta maneira (figura 1.31) se a abertura de saída estivesse mais abaixo. quando o vento sopra obliquamente a placa defletora central cria uma entrada de ar cuja profundidade dependerá principalmente da direção e velocidade do vento. e o trecho AB não fosse bastante maior que o CD. Isto se resolve facilmente (figura 1. porém as ventilações são diferentes porque a superfície AB é a que determinará.29 onde o beiral construído sobre a abertura anula a influência da corrente descendente. Se não existisse essa pequena saliência da cobertura que detém em parte o escape do ar para cima. Estes dois exemplos nos assinalam as precauções a adotar para assegurar as ventilações de verão e inverno a que nos referimos antes.28 Figura 1. significando que o filete de ar que escorrega pela borda B tem uma força superior ao que entra por C. Como já dissemos a inércia do ar faz com que mantenha sua direção até encontrar um obstáculo. que o fluxo seja descendente no nível térreo e ascendente no pavimento superior.28 representa o caso inverso onde o ar circula principalmente pela parte superior do espaço.34) com pequenas saliências sobre a fachada. Se o beiral estivesse um pouco separado do plano vertical (figura 1. o fluxo seguiria a trajetória ali indicada. Figura 1.30) se restabeleceriam as condições originais.32 na qual temos um local sem possibilidades de ventilação cruzada. É o que apreciamos na figura 1. Qualquer saliência nos planos de fachada é capaz de modificar a direção do ar. A direção da corrente de ar no espaço interior está governada pelos princípios gerais que estudamos.VENTILAÇÃO O espaço interior Direção do fluxo de ar. imprimindo ao ar uma direção descendente.27 mostramos um caso onde o ar se desloca pela parte inferior do local.29 Ventilação . fato importante no período quente. se observamos a representação esquemática do exemplo veremos que o fechamento inferior CD é menor do que o superior AB. Na figura 1. A disposição das saliências capazes de modificar a direção do fluxo de ar também pode ser estudada em uma seção horizontal do edifício. o fluxo poderia adquirir outra direção. A figura 1. Isto é o que se vê na figura 1.

é aconselhável que as habitações sejam projetadas de maneira que o fluxo de ar se desloque desde os dormitórios e o estar em direção à cozinha e o banheiro para eliminar os problemas gerados pelo vapor de água e os odores. como acontece em algumas escolas.35 Figura 1.36) para corrigir a trajetória do ar.13 - .30 Figura 1. Uma última recomendação: na medida que o espaço urbano ao redor do edifício permita que o vento mantenha uma direção dominante.35) já que a disposição que normalmente se estabelece para uma ventilação cruzada não permite que o fluxo de ar se comporte igual nos dois ambientes para um regime de verão.32 Figura 1.34 Nos edifícios que têm locais com orientações opostas.VENTILAÇÃO Figura 1.33 Figura 1. Figura 1. Convém advertir a conveniência de que a ventilação natural seja estudada conjuntamente com as exigências acústicas para evitar sérias interferências. É necessário então dispor placas defletoras (figura 1. a solução se complica um pouco (figura 1.36 Ventilação .31 Figura 1.

VENTILAÇÃO Velocidade e quantidade de ar. essa vazão de ar significaria quase 20 renovações por hora.1 Va = Ae . No inverno. Os resultados põe em evidência também um aspecto que comentamos anteriormente: se chegamos a 20 renovações por hora nos locais de referência sabe-se que uma parte do ar não terá tempo suficiente para adquirir a temperatura do meio interior e alcançar a máxima efetividade no processo de esfriamento dos materiais embora chegue a melhorar o conforto térmico das pessoas. Para ter uma idéia da influência de cada variável na vazão de ar que circula pelo espaço vejamos a equação que nos permite efetuar seu cálculo aproximado.37 se colocam três casos. modificando-se somente a de saída. o volume de ar renovado seria: Va3 = 600 x 0. quanto à sua localização adequada e à operacionalidade do seu plano móvel. N . Ae à área da abertura por onde entra o ar (m²) As à área da abertura por onde sai o ar (m²) N a um valor que depende da relação As/Ae. de 10m² de superfície cada um e uma altura de 2. Estes dois parâmetros dependem da dimensão do vão de entrada e saída e da velocidade com que o vento incide na janela.14 - . As = 0. Va2 = 600 x 0.4m/s). o que supõe termos janelas de 1m de comprimento abertas somente 2cm. Val = 380 x 0. Neste caso.50m². Ventilação . Na figura 1.50 x 5 = 950m³/h Se o espaço compreendesse dois locais contíguos facilmente comunicáveis. o que deve compreender o arquiteto.50 x 5 = 1500m³/h Demonstra-se assim que os vãos de saída do ar têm tanta importância como os de entrada quanto ao volume de ar que se renova.25 0.75 1 N 210 380 510 600 As / Ae 2 3 4 5 N 760 805 825 835 Suponhamos que Ae = 0. as exigências higiênicas se cumprem com as aberturas pequenas.40m. Observa-se a importância do vão de saída para incrementar a velocidade do ar no espaço interior. cujos valores foram determinados pela experiência. v (m³/h) Onde chamamos: Va ao volume total de ar renovado (m³/h). v à velocidade inicial do ar (km/h). As / Ae 0. de forma que a ventilação se realize sem produzir problemas térmicos no inverno. A velocidade relativa inicial será igual a 100.50 0. No caso em que a superfície de saída se duplique até ser igual a Ae. Se Ae = As = 0.02 x 5 = 60m³/h O importante.02m².25m² e v = 5km/h (1. equação 1. é que estas pequenas aberturas devem ser previstas no projeto. onde a área de entrada do fluxo se mantém constante.

As infiltrações de ar se produzem pelas juntas e interstícios das portas e janelas do edifício independente da vontade do usuário. onde a temperatura desce às vezes a -20ºC ou menos .VENTILAÇÃO Figura 1. As infiltrações adquirem importância na medida em que a temperatura do meio exterior se afasta das exigências do conforto térmico. Infiltrações.15 - . da imperfeição dos contatos entre as partes móveis e as fixas das aberturas. A velocidade do ar no espaço interior depende principalmente da área da abertura de saída. Torna-se difícil calcular com exatidão a importância deste fenômeno.5 renovações por hora Segundo vimos nas exigências higiênicas esta quantidade é quase suficiente para manter um ambiente com baixa densidade de ocupação em condições mínimas de higiene. A quantidade de ar que penetra ou sai do espaço interior depende: do comprimento total das juntas que apresenta o local em seus fechamentos exteriores.37. da diferença de pressões entre os dois meios devido a temperaturas desiguais e à ação mecânica do vento. especialmente porque há um fator local de quantificação incerta que é a precisão com que se executam os caixilhos de metal e madeira. Isto é válido nos climas quentes nos quais a temperatura do ar atinge normalmente no verão os 45ºC. Quando não se tem uma informação segura sobre estas variáveis é comum adotar os seguintes valores: locais com janelas sobre 1 lado 1 renovação por hora locais com janelas sobre 2 lados 1. mas se converte num problema relevante nos climas frios. as portas e janelas exteriores se constroem então com até três contatos entre as folhas e os Ventilação .

incluindo dispositivos especiais para evitar toda infiltração. trata-se de uma janela de guilhotina com duas folhas que se movimentam de forma independente: se descemos P teremos uma ventilação de inverno. as partes móveis terão ferragens convenientes para graduar a intensidade do fluxo de ar. a circulação do ar satisfaz as condições de inverno e em D. como mostra o desenho.41 separa claramente as duas funções: um plano M para o inverno e outro N para o verão que pode abrir-se como batente. pintura ou outros trabalhos de manutenção. Este tipo permite uma graduação perfeita das aberturas. O problema colocado pelo objeto dos dispositivos é mais complexo nas zonas temperadas onde devem satisfazer as exigências das ventilações de verão e de inverno. Vejamos. Ambos os dispositivos são muito particulares. É bom destacar que a maioria dos edifícios atualmente construídos na região Sul de nossa América tem este tipo de janela com folhas batentes. só uma parte do volume interno terá uma renovação adequada de ar. e que ambos os planos possam movimentar-se de maneira independente sem dificultar um ao outro. mas sem a parte M com o que é impossível ter uma ventilação de inverna correta. A solução da figura 1. Os fechamentos interiores (figura 1. isto é absolutamente indispensável em zonas de ventos fortes ou em edifícios expostos a altas pressões.39 mostra um fechamento que se desloca sobre os umbrais até projetar-se totalmente para fora. ou correr um sobre o outro. sobre os eixos verticais. O exemplo da figura 1. Este aspecto é especialmente importante nas regiões com um período quente prolongado. o lado exterior dos vidros e suas correspondentes estruturas devem ser facilmente acessíveis à limpeza. Além do mais não contam com dispositivos de segurança tornando quase impossível assegurar uma ventilação contínua em condições satisfatórias. ainda nos casos onde as portas estão fechadas por razões de intimidade. Na figura 1. as de verão. forma e área dos sistemas internos dependerão das exigências colocadas pelo clima e a função do espaço.38 representamos uma janela que gira sobre um eixo permitindo. em primeiro lugar. O fato de que nessas regiões tanto as temperaturas de verão quanto as de inverno são elevadas. a ventilação de inverno e na B a de verão. enquanto que ao subir Q obteremos a de verão. em C. é um requisito indispensável do conforto. Nas casas antigas era comum ver portas interiores com aberturas nas partes altas que facilitavam a ventilação interior. uma ventilação de verão realmente eficaz se obtém quando os vãos permitem que todo o espaço interior se beneficie por igual com a circulação do ar. Se a abertura da ventilação é pequena com relação à superfície do fechamento exterior onde se encontra. Na figura 1. No trópico úmido a ventilação fluida de todo o espaço interior. as possibilidades que se apresentam de solucionar estas necessidades com uma só superfície móvel. Comecemos por estabelecer algumas condições gerais que devem cumprir: qualquer superfície móvel de ventilação deverá ser projetada considerando que formará uma unidade com as proteções de radiação solar o que significa que estes dois sistemas permitirão a livre circulação do ar nos momentos do dia em que seja necessário.16 - .40 é representada uma solução com duas partes móveis. Os dispositivos. na posição A.VENTILAÇÃO marcos. exigem uma construção cuidadosa e só podem ser utilizados em casos muito especiais. quer dizer. dá à arquitetura Ventilação . A localização.42) devem ter um desenho que permita cumprir com os objetivos da ventilação cruzada.

44) que permitem a fácil passagem do ar. Nos climas frios o problema principal é a ventilação por razões de higiene. aproveitando os princípios da ventilação térmica. sempre quente. em muitos casos.42. . em muitos casos. devem ser construídas com precauções particulares. dispõem-se fechamentos interiores apropriados para permitir a circulação do ar por todo o espaço. como já comentamos.39 Figura 1. com venezianas (figura 1. Em muitos países a ventilação se resolve por meio de pequenas aberturas reguláveis sobre a fachada. mantendo entretanto um severo controle do volume de ar renovado para evitar inconvenientes no conforto e nas perdas de grandes quantidades de calor.41 Figura 1. tem divisões que não chegam até o teto ou. Figura 1.44. constroem-se às vezes venezianas ou persianas de madeira ou metal (figura 1.43) na parte inferior dos fechamentos com elementos reguláveis e as naturais proteções contra insetos. melhor ainda. Os fechamentos exteriores. por sua vez. Figura 1. com cerca de 1dm² de área.VENTILAÇÃO características muito particulares. O espaço interior. Como o ar deve circular por todo o espaço. carecem de vidros quando estão protegidos de outra forma das chuvas. construídas. e nos dormitórios é essencial que incida sobre a cama. tanto nas partes móveis quanto nas fixas. elementos adequados que permitam a circulação do ar no espaço interior.40 Figura 1. Devem-se prever. As juntas. fazendo-se a exaustão do ar por meio de canos ou dutos que chegam até o terraço.38 Figura 1. No trópico úmido.43 Figura 1.17 - Ventilação .