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Da Fiscalização contábil, financeira e orçamentária e dos Tribunais de Contas
Sem dúvida, a Constituição de 1988 traz a previsão de dois grandes sistemas de controle e fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das entidades federadas e de suas respectivas
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administrações direta e indireta. Nesse sentido, temos um sistema interno (1) e um sistema externo de controle (2). (1) Se o art. 2º da CR/88 estabelece que são Poderes da União independentes e harmônicos entre si o Legislativo, Executivo e o Judiciário, temos que cada um desses Poderes estabelecidos constitucionalmente terá um sistema interno de controle, por meio de órgãos próprios dentro de suas respetivas estruturas e que irão aferir a legalidade, economicidade, aplicação de subvenções e renúncia de receitas. Nesses termos, a CR/88 no seu art. 74 corrobora com essa assertiva, afirmando que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno[1842] com a finalidade de: • Avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; • Comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado; • Exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União; • Apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. Temos, ainda, que os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. (2) Já o sistema externo é exercido (conforme aqui já citado) pelo Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas. Nesse sentido, a
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Constituição estabelece que, no âmbito federal, o controle externo será de competência do Congresso Nacional e será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União. Podemos definir o Tribunal de Contas da União como um órgão de natureza técnica que tem por objetivo auxiliar o Poder Legislativo na atividade de controle e fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União tanto entidades da administração direta quanto da indireta. Certo é que, embora auxilie o Poder Legislativo, ele não integra o Poder Legislativo nem mesmo é subordinado a ele, mantendo apenas um vínculo institucional por disposição eminentemente constitucional. Portanto, o TCU é um órgão autônomo e independente. É mister ainda salientar que ele goza das mesmas garantias institucionais do Pode Judiciário, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 96 da CR/88 (artigo que diz respeito à autonomia administrativa e ao autogoverno dos Tribunais do Poder Judiciário). Nesse sentido, compete ao Tribunal de Contas da União: • Apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; • Julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal,[1843] e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; • Apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias,
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reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório; • Realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II (em nosso texto, segundo item explicitado de cima para baixo); • Fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;

quanto à aposentadoria e pensão. c) notórios conhecimentos jurídicos. Na segunda hipótese. essa Súmula vem sendo relativizada (não entendida de forma absoluta) pelo STF. (2) dois terços (seis) pelo Congresso Nacional. no caso de contrato. 2) e a competência para julgar as contas dos demais administradores e responsáveis.[1846] Algumas observações finais sobre o TCU são pertinentes: 1) A Súmula nº 347 do STF preleciona que: o Tribunal de Contas. operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas. especificada no art. contábeis. entre outras cominações. Os Ministros do Tribunal de Contas serão escolhidos: (1) um terço (três) pelo Presidente da República. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público. ao Distrito Federal ou a Município. financeira. acordo. que os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias. ainda. • Aplicar aos responsáveis. as decisões do Tribunal de Contas de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo. Segundo a Constituição. excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria. para suspender os efeitos da decisão proferida pelo Tribunal de Contas da União (Acórdão nº 39/2006) que impedia a Petrobras de realizar o chamado processo licitatório simplificado.2006 de medida cautelar na ADI nº 3.[1845] temos também que.• Fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio.[ 1844] • Prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional. em posicionamentos monocráticos. se verificada ilegalidade. o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional. inciso II. 71. por qualquer de suas Casas. Assim sendo. que solicitará. orçamentária. Precedentes. no prazo de noventa dias. 687/1445 • Representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados. em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas. trimestral e anualmente. 3) Conforme o posicionamento do STF exarado no julgamento em 24. de imediato. 5. inciso I. Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo. Temos. indicados em lista tríplice pelo Tribunal. com aprovação do Senado Federal. vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça. se não atendido. conforme o Ministro Gilmar Mendes: “No âmbito das competências institucionais do Tribunal de Contas. b) idoneidade moral e reputação ilibada. multa proporcional ao dano causado ao erário. aplicando-se688/1445 lhes. segundo os critérios de antiguidade e merecimento. não efetivar as medidas previstas necessárias e cabíveis. conforme a decisão liminar do MS nº 25. reforma e pensão. No que tange à sua composição. • Sustar. CR/88. sendo dois alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal. prerrogativas. relatório de suas atividades. será composto por nove Ministros. a Estado. ao Poder Executivo as medidas cabíveis. Além disso. CR/88. definida no art. o Supremo Tribunal Federal tem reconhecido a clara distinção entre: 1) a competência para apreciar e emitir parecer prévio sobre as contas prestadas anualmente pelo Chefe do Poder Executivo.888 exarada pelo Ministro Gilmar Mendes que deferiu o pedido de medida liminar. sobre a fiscalização contábil. econômicos e financeiros ou de administração pública. as normas constantes do art. a execução do ato impugnado. a normativa constitucional estabelece que o Tribunal de Contas da União. no exercício de suas atribuições. Porém. quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional. impedimentos. que terá sede no Distrito Federal. ou por qualquer das respectivas Comissões. 2) Conforme a Súmula Vinculante nº 3 do STF temos que: nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado. 40 da CR/88. que estabelecerá. e d) mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados no inciso anterior. o Tribunal decidirá a respeito. ajuste ou outros instrumentos congêneres. 71. comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. as sanções previstas em lei.05. Certo é que o Tribunal de Contas encaminhará ao Congresso Nacional.715 temos a diferenciação entre dois tipos de competências institucionais do Tribunal de Contas. Os requisitos para o brasileiro ser Ministro do Tribunal de Constas são os seguintes: a) mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade. o exercício da competência de julgamento pelo Tribunal . • Assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei.

da licitação de que se originou. Resta agora analisar o controle externo realizado pelos Estados. não há proibição para que os Estados criem órgão estadual denominado Conselho ou Tribunal de Contas dos Municípios. onde houver. na forma da lei. 5) Lembramos. a competência para o julgamento das contas do chefe do Executivo é exclusiva do Poder Legislativo (Congresso Nacional com base no art. O parecer prévio.[1852] esses Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios. só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal. Porém. que serão integrados por sete Conselheiros. atuam no logradouro no qual tenham sido instituídos como órgãos auxiliares e de cooperação técnica das Câmaras dos Vereadores. 71. 49 da CR/88).[ 1851] 690/1445 Conforme o nosso diploma constitucional. Sem dúvida. o qual poderá questionar-lhes a legitimidade.04.de Contas não fica subordinado ao crivo posterior do Poder Legislativo. ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios. composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados[ 1849] e do Distrito Federal. por último. Nesses termos. bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.550 exarou que: o Tribunal de Contas da União. que à luz da Constituição de 1988 qualquer cidadão. conforme o STF. à disposição de qualquer contribuinte. IX. a própria Constituição da República prescreve[1848] que as normas estabelecidas para a fiscalização contábil. o controle externo dos Municípios de competência das Câmaras Municipais será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município. com a incumbência de auxiliar as Câmaras Municipais no exercício de sua competência de controle externo. conforme o art.2001 do MS nº 23.[ 1850] É importante ressaltar que os Estados devem seguir o modelo federal em relação à composição e modo de investidura dos conselheiros. Conselhos ou órgãos de Contas Municipais. mesmo sendo órgãos estaduais. DF e Municípios será de competência do Poder Legislativo (respectivamente: Assembléias Legislativas. resta que a função do Tribunal de Contas da União é (com já dito) opinativa. É mister observarmos que a Constituição de 1988 proíbe a criação de Tribunais. Câmara Legislativa e Câmaras Municipais) a realização do controle com auxílio dos Tribunais de Contas. denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. as Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos. à organização.” 689/1445 Nesses moldes. Nesses termos. partido político. . sem dúvida. tem competência. emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar. nos termos da lei. para exame e apreciação. Sobre os Municípios. Ora.[1847] 4) O STF no julgamento em 04. embora não tenha poder para anular ou sustar contratos administrativos. financeira e orçamentária e as que digam respeito ao Tribunal de Contas da União se aplicam. temos ainda que suas contas ficarão durante sessenta dias. no que couber. se for o caso. Com isso. atuando com auxiliar do parlamento. para determinar à autoridade administrativa que promova a anulação do contrato e. anualmente. Distrito Federal e Municípios. associação ou sindicato é parte legítima para. no âmbito dos Estados-membros.