EVOLUÇÃO DOS FILMES RADIOGRÁFICOS NA AQUISIÇÃO DOS MÉTODOS DE IMAGENS

POR: JOSÉ EVANGELISTA DAMASECENO INTRODUÇÃO

As películas radiográficas estão incluídas entre os insumos radiológicos mais utilizados no serviço de radiologia. É notória, a importância dos filmes radiográficos que veio servir ao radiodiagnóstico com excelentes resultados nas análises e interpretações de imagens há mais de 100 anos. Este recurso possibilitou a impressão, a detecção, a visualização e armazenamento das imagens radiográficas obtidas através dos fótons de Radiação X, ionizante e não ionizante.
Figura 1. Ilustração das camadas do filme radiográfico dupla face.

No início dos estudos radiológicos em meados do século XX com a utilização dos Raios–X, os filmes radiográficos eram poucos utilizados, pois não eram considerados eficientes no processo de captura de imagens radiográficas. As preferências na aquisição dos métodos de imagens ocorriam em torno da fluoroscopia, ou seja, estudo e visualização das estruturas do corpo em movimento. O próprio Roentgen dava preferência aos estudos e análises das estruturas do corpo, realizando o exame de imagem utilizando a fluoroscopia direta. Na descoberta dos Raios-X, Roentgen escreveu um artigo descrevendo a utilização de placas e filmes no registro de imagens produzidas através da nova descoberta. No início dos estudos médicos com a utilização dos RaiosX, os filmes radiográficos eram pouco utilizados. RELATO HISTÓRICO. Em 1906 a Kodak fabricava o filme Transparent Film - New Formula II, com base celulósica, mais ainda pouco utilizada no processo de aquisição de imagens para radiodiagnóstico. As placas utilizadas para aquisição de imagens eram de vidro, quebravam fácil e eram muito pesadas e de difícil transporte e manuseio, diferente das películas radiográfica que são leves e podem ser manipuladas e transportadas facilmente. Com o advento da 1ª guerra mundial, o vidro utilizado nas placas fotográficas era obtido da Bélgica. O ataque alemão a marinha mercante e a invasão da Bélgica inviabilizaram a continuidade da utilização do vidro na produção das placas utilizadas nos estudos radiológicos da época. O cenário frete este contingente tornou-se sóbrio era necessário obter uma nova solução para atender a demanda pelo produto em substituição ao vidro. Em 1914 a Kodak lançou um filme radiográfico de face simples com uma sensibilidade maior que qualquer outro filme ou placa radiográfica até então disponível, mais, o filme ainda não era o ideal e tornava-se difícil seu processamento.

O mercado consumidor de insumos radiológicos necessitava de um produto que proporcionar-se melhor desempenho e qualidade nas aquisições de imagens apresentadas para o diagnóstico. O aumento do uso dos equipamentos portáteis em campo na 1ª guerra mundial acelerou as pesquisas para melhorar o desempenho dos filmes em sensibilidade e em qualidades próximas do ideal. Em 1918 a Kodak lança o filme Dupli-Tize II (dupla emulsão). Este filme de dupla emulsão, deu um salto de qualidade nos métodos de aquisição e processamento de imagens médicas, possibilitando o uso do diafragma de Peter-Bucky (grade anti-difusora) no controle da radiação espalhada sobre o filme radiográfico. A melhoria na qualidade diagnóstica das radiografias resultantes desta nova descoberta foi um fator significante no crescimento da Radiologia em todo o mundo. Os filmes radiográficos emulsionados dos dois lados “dupla face”, transformaram todas as outras formas de registro das imagens radiográficas em obsoletas da noite para o dia. Apesar disso, a introdução do filme não foi tarefa fácil, pois havia anos de preconceito a ser superado e os custos de sua aquisição eram ainda muito elevados. Neste processo de evolução novos métodos de imagens e acessórios, tiveram que ser criados para proporcionar melhor desempenho no método de aquisição das imagens radiográficas. Em 1924 a Kodak lança o filme com base de acetato celulósico mais o custo deste filme era muito elevado. Porém, filmes inflamáveis continuaram a ser amplamente utilizados e acumulando-se em grandes quantidades nos hospitais e clínicas radiológicas. Em 1929 um desastre ocorreu com o incêndio nos filmes da Clínica Cleveland onde ceifou 124 vidas. Desde então, os filmes de acetato celulósico foram implantado e o de base de nitrato descontinuado por ser de maior potencial inflamável. No início dos anos 30, foi introduzido o filme Dk2phax, que era constituído de uma base translúcida com uma emulsão rápida que permitia a visualização da radiografia frente a qualquer fonte luz. Até então, todos os filmes radiográficos eram incolores. Em 1933, a Companhia Produtora de Filmes DuPont adicionou tinta azul a sua base, o que melhorou a qualidade diagnóstica de seus filmes. Desde então, está prática tornou-se padrão por todos os fabricantes de filmes. Em 1936 a Ansco lança o primeiro filme para exposição direta de raios X sem tela intensificadora logo depois, a empresa foi comprada pela Agfa, sendo idealizado para ser utilizado em exposições sem telas fluorescentes, este filme tinha velocidade, contraste e definição de imagens melhores que os filmes que utilizavam telas, e foi designado primeiramente para as radiografias de extremidades. Quatro anos mais tarde, a Kodak introduziu os filmes radiográficos Blue Drand que eram revestidos com um novo tipo de emulsão que lhe conferia maior velocidade e contraste e podia ser utilizado tanto para exposição direta quanto com telas. Em 1960, 10 anos após sua introdução na fotografia geral, o polietileno foi introduzido pela DuPon como uma nova base para filmes de raios X médico, comparado com os ésteres celulósicos, este novo material possui maior rigidez, maior estabilidade dimensional, baixa absorção de água e grande resistência e maior durabilidade. A rigidez do polietileno “teratalato” melhora a segurança no transporte em processadoras automáticas de rolo e também em processamento manual, por apresentar baixa absorção de água simplificando a secagem das radiografias. Ainda na década de 60, as bases de poliéster substituíram os filmes de base celulósica para todos os exames radiográficos para as exposições medicas em radiodiagnóstico por imagem.

CAMADAS DOS FILMES RADIOGRÁFICOS Os filmes utilizados nos estudos radiológicos apresentam aproximadamente 10 nm (nanômetros) de espessura e compreendem quatro componentes básicos: 1. Uma base plástica, de polietileno teratalato (poliéster) ou o arcaico acetato de celulose. Está base é clara e transparente, atua como um suporte para a emulsão, mas não influi na imagem final. 2. Uma fina camada adesiva que fixa a emulsão na base sobre a película. 3. Estar emulsionado em ambos os lados, com exceção dos filmes da mamografia que são emulsionados apenas em um dos lados. A base está composta dos cristas de halogenado de prata geralmente brometo envoltos em uma matriz de gelatina. Os fótons de raios X sensibilizam os cristais de halogenados de prata que são por eles atingidos; estes cristais são sensibilizados, produzindo na película radiográfica a imagem latente que se converte em imagem real após o processo de imersão nas soluções reveladoras e fixadoras “processamento automático ou manual” e posteriormente reduzido à prata negra metálica visível na película radiográfica em diversos tons de cinza, tornando a imagem visível, indo, do preto opacificado, ao branco translucida. 4. Uma camada protetora de gelatina transparente, para proteger a emulsão de acidentes mecânicos ao manusear a película para recarregar o chassi para nova exposição radiográfica. PADRONIZAÇÃO DOS FILMES E CHASSIS Por uma questão de facilidade de manuseio e confecção das telas intensificadoras, chassis, porta - chassi, etc, o tamanho dos filmes radiográficos foram padronizados entre filmes para o uso nos Raios-X Médicos, Veterinários, Industriais e odontológicos. Disponíveis nos tamanhos. a) Formatos básicos - estão acondicionados em caixas com 100 películas e em centímetros. 13 x 18 – 18 x 24 – 20.3 x 25.4 – 24 x 30 – 30 x 40 – 35.6 x 35.6 – 35.6 x 43.2. b) Formatos especiais - estão acondicionados em caixas com 100 películas e em centímetros. 15 x 30 – 15 x 40 – 27.9 x 35.6. c) Formatos especiais panorâmicos - estão acondicionados em caixas com 25 películas e em centímetros. 30 x 90 – 35.6 x 91.4. d) Filmes exclusivos para uso em odontologia. - Periapical adulto Insight IP21: Tamanho 2 (31x41 mm); Periapical adulto E SPEED: Tamanho 2 (30,5x40,5mm); Periapical adulto DF 58: Tamanho 2 (30,5x40,5 mm) cx com 150 películas. Periapical adulto D SPEED: Tamanho 2 (30,5x40,5mm); Periapical Infantil Insight IP 01: Tamanho 0 (22x35 mm); Bitewing Insight IB 31: Tamanho 3 (27x54 mm) cx com 100 películas. Periapical adulto

duplo Insight IP 22: Tamanho 2 (30,5x40,5 mm) cx com 130 películas. Oclusal IO 41: Tamanho 4 (57x76 mm) cx com 25 películas. CONSIDERAÇOES FINAIS A evolução da radiologia convencional levou o sistema filme + ecrã intensificador, que, associado, deu origem à detecção, à visualização e ainda ao armazenamento da informação adquirida através dos Raios-X” (Felício, Rodrigues, 2010). A radiologia convencional com o passar dos tempos veio evoluindo em todos os sentidos, desde o processo para a aquisição de imagem convencional, passando agora pela alta tecnologia mais ainda mantém-se pelo mesmo processo físico de seu descobrimento. O processo para a aquisição de imagem segue hoje duas vertentes, o processamento convencional, onde se utilizam a ampola de Raios-X, meio, objeto, grade anti-difusora, écran, filme. Após o processamento do filme a imagem latente torna-se visível e impressa na película radiográfica. Já o processo por alta tecnologia conhecida como Radiologia Digital (RD) segue estes método. Ampola de Raios-X, meio, objeto , detectores, e sistema computacional que permite tornar a imagem visível na tela do computador, mais os princípios físicos são os mesmos, os feixes de Raios-X interagem com as estruturas e objetos, sendo assim, tendo as mesmas propriedades no processo de aquisição de imagem através das radiações ionizantes e não ionizantes. Considerando a importância dos dois sistemas de aquisição de imagem, tanto o convencional como o digital, o profissional Técnico em Radiodiagnóstico deve estar provido dos conhecimentos inerente a sua profissão, devendo possuir um leque abrangente dos conhecimentos e da aplicabilidade dos processos para a aquisição de imagem em radiodiagnóstico.

Bibliografia
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