TEORIAS EDUCATIVAS CONTEMPORÂNEAS: UMA VISÃO FUTURISTA

Autores: JOSÉ EVANGELISTA DAMASCENO E ANTÔNIA JOSILENE PINHEIRO ROCHA “Uma vez me perguntaram se seria possível mudar as pessoas... Eu respondi que não! As pessoas você não muda, mais sim, suas atitudes e comportamentos”. Damasceno J. E.

RESUMO A educação na contemporaneidade deve ser pensada e entendida como fenômeno intelectual que possa contribui para o desenvolvimento social, cultural, econômico, científico, filosófico e político da sociedade. Portanto, há uma correlação de como se educa, para que se educa e que tipo de sociedade está sendo educada e construída na contemporaneidade. Entretanto, está relação de múltiplos saberes, está recebendo e percebendo influências de vários pensadores, daquela época. Estas correlações influenciam e possibilitam um novo paradigma no contexto social para o atual modelo de “ensino aprendizagem”. Nesta perspectiva, pretendemos evidenciar e projetar no futuro, as teorias educativas, através das transformações evolutivas dos sistemas educacionais, disseminando e ampliando as diversas escalas de saberes, através dos conhecimentos críticos, intelectuais e filosóficos dos pensadores, que levam a evolução educacional e social de uma sociedade. Podendo assim, direcionar a atuação educacional para o processo de desenvolvimento humano mais harmonioso, que contemple as múltiplas dimensões educativas e evolutivas, em uma condição permanente das correntes filosóficas do conhecimento mais também, como via de informações das pessoas e nas relações entre os indivíduos, meio ambiente, sociedade e planeta. Propõe-se ainda, uma reflexão sobre os contextos que se inserem na necessidade educacional, promovendo a utilização dos métodos e das tecnologias presente nos sistemas educativos em evolução continua, para que todos os indivíduos possam construir juntos os caminhos que levam as concepções, ampliações dos recursos educacionais globalizados no contexto histórico atual.

INTRODUÇÃO O artigo faz uma abordagem sobre a escola, como o espaço de formação educacional entre o educando, meio social e educador, todavia percebe-se que

este espaço vem sendo fragmentada no processo “de ensinar e de aprender”.

Por muito tempo, a escola perdeu o espaço de afluência e tornou o educando uma ferramenta isolada, aprisionando seus saberes, em detrimento de um saber centrado no professor, sendo o educador em muitas vezes, tido como o centro dos saberes e das atenções, e não como facilitador e propulsor de conhecimentos, e aprendizados sistemáticos. Para (Libâneo, 1983 e Silva, 1984).

Educação é um conceito amplo que se refere ao processo de desenvolvimento da personalidade, envolvendo a formação de qualidades humanas – físicas, morais, intelectuais, estéticas – tendo em vista a orientação da atividade humana na sua relação com o meio social, num determinado contexto de relações sociais.

No pensamento filosófico educacional contemporâneo escolanovista, o indivíduo deve ser visto e pensado como um todo, diferido do método tradicional onde, o ser era educado de forma isolada e passiva. Segundo Freire (1980). A educação para ser válida precisa considerar a vocação ontológica do homem, vocação de ser sujeito e as condições em que vive: neste exato lugar, neste momento, neste determinado contexto.

Porém, no contexto filosófico, Platão pode ser considerado como o primeiro pedagogo porque concebeu um modelo de ensino que mobilizava a sociedade de sua época integrando e interagindo o sujeito a uma dimensão ética e política. . O objetivo final da educação, para o filósofo, era a formação do homem moral, vivendo em um Estado justo. Platão foi o segundo da tríade dos grandes filósofos clássicos, sucedendo Sócrates (399-469- a. C.) e precedendo Aristóteles (322-384 a. C.), seu discípulo. Para Platão a educação deve ser entendida como tarefa de toda a sociedade.

Para Platão, as pessoas têm saberes inatos que estão adormecidos, e que estes saberes só precisam ser organizados para que se tornem conhecimentos verdadeiros sem abstração do grau de pensamentos. Já Sócrates, afirmou que as pessoas já dominam determinados conceitos desde que nascem. Os saberes estão postos desde antiguidade, modernidade e atualidade. No modelo pedagógico atual, o professor deve auxiliar o aluno a acessar as informações prévias que estão adormecidas no seu inconsciente, na busca de evidenciar o saber, pois palavras e ideias podem mudar o mundo. O desafio agora é reorganizar estes saberes como instrumentos éticos na construção de possibilidades e no desenvolvimento do pensamento humano, sem a alienação dos saberes do educando em detrimento do educador ou vise e versa.

O professor não deve abstrai-se do convívio social, da interação do educando

com comunidade e escola, quando ele esquiva-se deste entendimento, acercase da alienação do saber e passa a tornar a escola um espaço de alienação quando não transforma estes saberes. A escola deve ser entendida como ferramenta propulsora de solução sem ausências de atitudes éticas que viabilizem mudanças conceituais como: forma de pensar, ensinar, aprender e agir.

A educação é um instrumento que forma para o futuro, a escola é o lugar de “aprender a aprender”, o professor deve assumir o papel de facilitador, orientador e ou tutor. O educador não deve (ensinar), precisa estimular o educando a fomentar uma tempestade ou chuva de ideias, para que juntos “educando e educador” possam, realizar a síntese das questões levantadas em torno da sistematização dos conteúdos, possibilitando uma abrangência de situações para a resolução das questões levantadas, estimulando o aprendizado e deixando de lado o abismo criado entre educando e educador como se posiciona Viviane Mosé “o professor deve Parar de ser professor para ser educador, quem acumula conteúdo não pensa” o educador deve discutir o processo de inclusão e exclusão social e digital na atual problemática, pensar não é dar respostas prontas,” a escola, não é um problema da escola, é um problema social”, e tudo isso reflete direto e indiretamente na figura do educando e perpassa pelo educador governos e sociedade. O educador deve estimular o educando a procurar respostas para as suas inquietações interferindo o mínimo possível, mas trazendo a linha de frentes às inquietações do educando de forma organizada coordenada para construir uma condição na contextualização das ideias, pois a mente deve estar sempre vazia para aprender.

Para se compreender melhor o processo socrático de educação, Sócrates dizia que o professor é semelhante a um parteiro. O parteiro tira de dento do humano o humano. Assim deve ser o educador: aquele que tira de dentro das pessoas aquilo que existe de humano dentro destas pessoas. A esse processo Sócrates chamou de Maiêutica, que consistia em fazer perguntas ao invés de dar respostas prontas fazendo o individuo pensar até que ele mesmo se desse conta de suas próprias contradições e compreendesse a totalidade dos fenômenos. Com está filosofia educacional Sócrates foi acusado, de corromper a juventude e colocar “minhocas” na cabeça dos joven s, estabeleceu-se uma grande perseguição contra a pessoa e o método, levando Sócrates a tomar cicuta.

Através da historia a escola era usada enquanto trouxesse proveito para os grupos que detinham o poder. Segundo La Chalotais na França em 1766 afirmava que:

“nunca houve tantos estudantes como hoje. Inclusive gente do povo quer estudar... Ensinar a ler e a escrever a gente que só deveria aprender a manejar

instrumentos... O bem da cidade exige que o conhecimento das gentes não vá mais longe do que é necessário para a sua própria ocupação diária. Todo homem que sabia além de sua rotina diária, não será nunca capaz de continuar paciente e atentamente esta rotina...”.Nesta concepção, podemos perceber que ao longo da história, a escola poderia e pode atrapalhar os planos de quem estar no poder, pois ela sempre foi usada como ferramenta de interesses de uma minoria, sendo em muitas vezes fabricas de soldados obedientes à medida que ela se torna necessária ao sistema.

Aristóteles (384-322 a. C.) para ele, embora as pessoas nascessem com capacidade de aprender, elas precisariam de experiências ao longo da vida, para que, se desenvolva o senso crítico intelectualizado para o dimensionamento equânime da resolução das questões apresentadas. Neste pensamento, podemos discorrer que o indivíduo deve estar inserido no meio, e que este meio deve favorecer as condições e os mecanismos necessários para o seu desenvolvimento intelectual, filosófico e crítico. O conhecimento estar posto em todas as partes do Globo, ele é percebido e ensinado por todos os sentidos do corpo, do meio interior para o exterior ou vise e versa. Aristóteles ressalta ainda que os conhecimentos sejam absorvidos como resultado da prática quando estes se tornam hábito. A EDUCAÇÃO DE PLATÃO Educação – Plantão dá muita ênfase à educação dos futuros cidadãos. Já Jean Jacques Rousseau (dos tempos modernos) que diz que todo homem é bom por natureza e que a educação, a sociedade, é que o corrompeu (cf. Mênon, 89, in Diálogos, vol. I Edição de Ouro, Rio de Janeiro, 1969). Naquela época, Platão já pensava em métodos educacionais diferentes para aquele povo, o modelo de educação almejado por ele, era o que pudesse contempla a aprendizagem geral que envolvia a Música e a Ginástica. Platão já tinha uma visão futurista quando adotou esses dois modelos de educação, visando deixar as crianças prontas não só para assimilar conteúdos mais para uma abordagem que envolvia a saúde física e psíquica do alunato.

Platão concebe a educação como um instrumento de descobrir as vocações individuais, procurando estimular o desenvolvimento de cada indivíduo conforme as tendências naturais das propriedades de suas almas, quer dizer, procura desenvolver nos indivíduos as suas vocações naturais.

Em sua tarefa educativa, Platão começa por afastar as crianças de aproximadamente dez anos do convívio de seus familiares, convívio este contaminado pelas endemias de preconceitos malignos e tradições perniciosas. Neste contexto, as crianças seriam educadas a partir de um novo modelo de vida, baseado na filosofia Platonista.

A educação de Platão começa pela a Música, que não terá outro fim senão o

amor ao belo. As doses de músicas, entretanto, serão controladas para evitarem-se extravios perigosos. Nesta contextualização deve-se estabelecer uma rede de controle sistemática sobre todos os meios de informações e de educação do povo para impedir a degenerescência moral. Isto na realidade é o estabelecimento da censura sobre o sistema educacional e sobre os meios de comunicação. Não existe liberdade de expressão na cidade de Platão, a não ser para a camada dominante, que decreta o que dever ser o certo e o errado.

Em seguida, vem a Ginástica, como outra parte da educação. A ginástica não só vista como um corpo atlético, mais também como alma sadia. Mente sã em corpo são, pode ser entendido como o “equilíbrio entre o corpo e a mente”. Os educandos terão um regime alimentar regiamente estabelecidos, de onde se excluirão os manjares requintados e guloseimas efeminadas, que de modo algum poderão contribuir para a formação de uma constituição física e emocional, forte e sadia. Ambas devem contempla homens e mulheres, pois Platão já dizia que, o homem só difere da mulher apenas quanto ao sexo e não quanto à natureza. Portanto, ambos terão os mesmos direitos e serão educados juntos, podendo as mulheres atingir os mais altos postos do Estado, já que irão governa com a sua capacidade intelectual e não com o sexo.

Existem incontáveis definições de educação, propostas pelos especialistas no assunto. Émile Durkheim, por exemplo, em sua obra “Educação e Sociedade”, oferece sobre educação a seguinte definição: a educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estado físico, intelectuais e morais reclamados pela sociedade no seu conjunto e pelo meio especial a que a criança particularmente se destina. Já o dicionário Aurélio, define educação como o “processo de des envolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social”. Num entanto, Paulo Freire diz que, “a educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados, estamos todos nos educando. Existem graus de educação, mas estes não são absolutos”.

Para Oliveira (2009) a afirmação de Paulo Freire é tão coerente que nos faz refletir sobre o processo educativo contínuo, como base de uma constante busca pela melhoria da qualidade da formação docente e discente. A ação educativa implica em um conceito de homem e de mundo concomitante, é preciso não apenas estar no mundo e sim estar aberto ao mundo. Captar e compreender as finalidades deste a fim de transformá-lo, responder não só aos estímulos e sim aos desafios que este nos propõe. Não posso querer transmitir conhecimento, pois este já existe, posso orientar tal indivíduo a buscar esse

conhecimento existente, determinadas áreas.

estimular

a

descobrir

suas

afinidades

em

A educação não tem uma fórmula pronta a seguir, a fórmula é criada, desvendada a cada passo em que estimulamos os nossos educandos, estes por sua vez têm seus conhecimentos prévios que devemos levar em consideração para acrescentar nessa “fórmula” do ed ucar, inserir a história da comunidade no currículo da escola para que estas se incluam na educação trazendo assim motivação necessária ao processo de ensino-aprendizagem. “Educação é um processo contínuo que orienta e conduz o indivíduo a novas descobertas a fim de tomar suas próprias decisões, dentro de suas capacidades”. (OLIVEIRA 2009). A EDUCAÇÃO ARISTÓTELES Aristóteles foi precursor dos ensinamentos como aluno e estagiário de Platão, mesmo assim não se intimidava para fazer críticas ao modelo de educação platônica. Entretanto, naquela época Aristóteles compreendia a importância da educação e o quanto é necessário que ele esteja de acordo com o tipo de regime vigente (de acordo com a “ideologia oficial”, diríamos hoje) – como se isto não tivesse sido proposto por Platão, até com maior ênfase. Na verdade Aristóteles não trás em seu arcabouço educacional, muitas modificações em relação a Platão, de quem recebeu forte influência de seus ensinamentos, não só no que se refere à educação, como de modo geral. Aristóteles faz uma antropologia com visão futurista no âmbito educacional, onde ele expressava, “que o cidadão deve aprender tanto a mandar como a obedecer, conforme as circunstâncias exijam, e que a educação apropriada tornará isso possível”. Aristóteles diverge que a mulher não deve ter uma educação igualitária entre ambos os sexos, como já defendia Platão. Conforme os modelos de educação aristotélica e platônica, ambos os filósofos já pensavam em métodos de ensino e educação eficaz para aqueles indivíduos e que o ambiente escolar contribuísse para os educandos.

Uma educação deve ser pensada como fenômeno social que contribui para o desenvolvimento social, econômico, científico, político e cultural de uma sociedade. Portanto há uma correlação de como se educa e que tipo de sociedade se constrói, sendo ela de múltiplas visões, e que recebe influencias de vários pensadores épocas e contexto social. Nesta perspectiva pretendemos evidenciar e projetar no futuro as teorias educativas através das transformações evolutivas do processo educacional, disseminando e ampliando as diversas escalas de saberes através do processo evolutivo. Assim, direcionar a atuação educacional para o processo do desenvolvimento humano mais harmonioso, que contempla as múltiplas dimensões educativas e evolutivas, que é um processo permanente filosófico dos conhecimentos, mais também como via de construção da pessoa, das relações entre os indivíduos, meio ambiente, sociedade e planeta. Propõe uma reflexão sobre o contexto em que se inserem as necessidades educacionais, promovendo a utilização de processos, métodos e tecnologias educacionais, para que todos possam

construir juntos os caminhos para a aplicação dessa concepção da informação, cultura globalizada inversões tecnologias no momento histórico atual.

O

NASCIMENTO

DO

PENSAMENTO

PEDAGÓGICO

MODERNO

Educação, instrumento condicionante, formador, propulsor, locomotor, que dar forma, vida e curso a construção do ser. Possibilita ao indivíduo, transcender o seu próprio universo e adentrar na estrutura dos conhecimentos universais, para formar e construir um novo pensar, um novo fazer, para um novo entender e um existir da filosofia pedagógica moderna no processo de ensino e aprendizagem como elementos para a construção de uma nova sociedade.

Marco Fábio Quintiliano (Quintilianus, 35 d. C - 95 d.C.), tratava a educação como instrumento fundamental na vida do ser. Orientava, que se possível fosse ensinado simultaneamente os nomes das letras e as suas formas. Era contrário a qualquer tipo de submissão do ser, a opressão e ou imposição de algo para o aprender. Ressaltava a importância dos estímulos ao aprendizado através da emulação como incentivo ao estudo, advertia ainda que. O tempo que o educando estiver na escolar deve ser interrompido por recreios, hoje descritos como intervalos, já que o descanso em sua opinião é propício à aprendizagem do educando. Os conceitos filosóficos pedagógicos de Quintiliano, descrito há quase dois mil anos, permanecem ativos no presente, irá permear no futuro e retornar ao passado como instrumento e ferramenta pedagógica extremamente atual. Entre os anos (1548 – 1637), surgirão vários pensadores com a intenção de produzir obras científicas que pudesse contribuir com uma educação moderna. O Primeiro escritor foi Giordano Bruno (1548-1600), precursor da filosofia moderna, em seus estudos e análises sobre cosmologia, estar à tese do universo infinito povoado por uma infinidade de estrelas e planetas. Porém, as suas ideias sobre a relatividade anteciparam-se as ideias de Galileu. Mais tarde o pensamento filosófico de Bruno veio a impulsionar a Teoria da Evolução de Darwin. Este filósofo acreditava na potencialidade humana, como instrumento de construir, desconstruir e reconstruir o pensamento filosófico universal, prova disso, é que estamos vivenciando suas descobertas no século XXI. Suas ideias, filosofia e achados planetários. Fica aqui, um pensamento de Giordano Bruno, Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos, (1584). "Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite." O pensar ciências, métodos, filosofias para educação no processo de ensino e aprendizado, alinhado ao pensamento de Bruno (1584) não há, e nem existe limites, o pensar, o fazer e o existir devem ser entendido na razão como conveniência e possibilidade para o aprender e o ensinar sem limites.

Galileu Galilei (1564-1642) considerado personalidade fundamental na revolução científica. Descobriu a lei dos corpos, e enunciou, o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, estes achados possibilitaram as

ideias precursoras da mecânica newtoniana. Aperfeiçoou o método do telescópio refratário e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vênus, quatro dos satélites de Júpiter, os anéis de Saturno, as estrelas da Via Láctea. Sendo considerado o "pai da ciência moderna”. Johannes Kepler (1571- 1630) trouxe grande contribuição para as ciências, foi astrônomo, matemático e astrólogo considerado peça-chave na revolução científica do século XVII.

William Harvey (1578-1657) constatou a circulação do sangue, onde este processo era realizado de forma sistêmica por todo o corpo através do coração. Para Harvey, em seu livro de 72 páginas Exercitatio anatômica de motu cordis et sanguinis in animalibus (1628) “... Achei esta tarefa verdadeiramente árdua... que quase me levou a pensar que os movimentos do coração só poderiam ser entendidos por Deus. Pois sequer eu podia perceber de início da diferença entre a sístole e a diástole dada à rapidez dos movimentos.”.

Francis Bacon (1561-1626), conselheiro da Rainha Isabel da Inglaterra, deu um novo ordenamento as ciências e propôs a distinção entre a fé e a razão para não se cair nos preconceitos religiosos que distorcem a compreensão da realidade; criou o método indutivo da investigação, opondo-se o método aristotélico de educação. Francis Bacon pode ser considerado o fundador do método científico moderno. Já René Descartes (1596-1650), descreveu o famoso Discurso do método. No Discurso do método, René Descartes apresenta os quatro grandes princípios do seu método científico: 1º) O primeiro era o de jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal; isto é, de evitar, cuidadosamente, a precipitação e a prevenção, e de nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão clara e tão distintamente a meu espírito, que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida. 2º) O segundo, dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvêlas. 3º) O terceiro, conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. 4º) E o último, o de fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir".

Descarte foi considerado o pai da filosofia moderna, escreveu sua obra principal em francês, a língua popular da época, possibilitando o acesso de um maior número de pessoas.

Vinte anos depois da publicação do Discurso do método, João Amos Comênio (1592-1670) escreveu a Didática magna (1657), considerada como método pedagógico para ensinar com rapidez, economia de tempo e sem fadiga. Ao invés de ensinar palavras, "sombras das coisas", dizia Comênio, “a escola deve ensinar o conhecimento das coisas”. O pensamento pedagógico moderno caracteriza-se pelo realismo, John Locke (1632-1704) perguntava-se de que serviria o latim para os homens que vão trabalhar nas fábricas. Talvez fosse melhor ensinar mecânica e cálculo. Mas as classes dirigentes continuavam aprendendo latim e grego: um "bom cidadão" deveria recitar algum verso de Horácio ou Ovídio aos ouvidos apaixonados de sua namorada. Locke, em seu Ensaio sobre o entendimento humano, combateu o inatismo antepondo a ideia da experiência sensorial: nada existe em nossa mente que não tenha sua origem nos sentidos.

A pedagogia realista insurgiu-se contra o formalismo humanista pregando a superioridade do domínio do mundo exterior sobre o domínio do mundo interior, a supremacia das coisas sobre as palavras. Desenvolveu a paixão pela razão (Descartes) e o estudo da natureza (Bacon). De humanista, a educação tornase científica. O conhecimento só possuía valor quando preparava para a vida e para a ação.

O surto das ciências naturais, da física, da química, da biologia, suscitou interesse pelos estudos científicos e o abandono progressivo dos estudos de autores clássicos e das línguas da cultura greco-latina. Até a moral e a política deveriam ser modeladas pelas ciências da natureza. A educação não era mais considerada um meio para aperfeiçoar o homem. A educação e a ciências eram consideradas um fim em si mesmo. O cristianismo afirmava que era preciso saber para amar (Pascal). Ao contrário, dizia Bacon, saber é poder, sobretudo poder sobre a natureza.

Bacon divide as ciências em: ciência da memória ou ciência histórica; ciência da imaginação, ou poética; e ciência da razão ou filosófica. Já Locke empresta à educação uma importância extraordinária. A criança, ao nascer, era, segundo ele, uma tabula rasa, um papel em branco sobre o qual o professor podia tudo escrever.

João Amos Comênio é considerado o grande educador e pedagogo moderno e um dos maiores reformadores sociais de sua época. Foi o primeiro a propor um sistema articulado de ensino, reconhecendo o igual direito de todos os homens ao saber. Para ele, a educação deveria ser permanente, isto é, acontecer durante toda a vida humana. Afirmava que a educação do homem nunca

termina porque nós sempre estamos sendo homens e, portanto, estamos sempre nos formando.

UM NOVO OLHAR, UMA NOVA PERSPECTIVA, PARA AS TEORIAS DE APREDIZAGENS NOS TEMPOS MODERNOS

Todos nós temos nossa teoria de como se aprende e de como se educa. Mesmo que não sejamos professores ou mesmo que nunca tenhamos pensado em ser educador, dentro de nós possuímos teorias de como se ensina e de como se aprende. Diante do proposto pelo os autores do artigo o pensar, enquanto discutimos as diversas teorias de aprendizagem foram baseadas nas visões contemporâneas dos filósofos, podemos nos questionar as seguintes indagações. 1. Quais as suas ideologias? 2. Qual a sua teoria de aprendizagem? 3. Para que ela serve? 4. Qual sua linha pedagógica? 5. Que métodos são adequados? 6. Que respostas e estímulos esperam dos educandos? 7. Qual tua proposta pedagógica? 8. O educando compreendeu sua linha de pensamento raciocínio? 9. A aprendizagem foi estabelecida? 10. O entendimento é coletivo parcial ou fragmentado? Refletindo sobre os dez questionamentos referenciados pelo os autores do artigo: sobre as teorias de aprendizagem que devem ser aplicadas como ferramentas para adequação dos saberes no processo de ensinar e aprender, buscamos respostas no relatório final da pesquisa (Junior e Silva. 2004), “Como me fiz professor notável” para tornar-se um “notável docente” é preciso emponderar-se dos seguintes métodos de ensino e aprendizagem do docente e discente. 1. Ensinar com humor; 2. Valorizar o aprendente como estrela principal; 3. Apresentar transparências de sentimentos;

4. Aprender com o aprendente; 5. Exigir e ser flexível; 6. Avaliar positivamente; 7. Incentivar a aprendizagem em grupo; 8. Utilizar as tecnologias na educação; 9. Conceber a aprendizagem de forma vivencial; 10. Conservar a empatia vertical e horizontal na evolução dos conhecimentos filosóficos científicos e pedagógicos.

O processo de ensinar, não estar dissociado do aprender, a técnica de ensinar e aprender é neutra, mais estar associada ao contexto social. É preciso utilizarse de diversos mecanismos para mobilizar saberes. O que está posto não estar acabado é preciso reprocessar, retransformar, readequar ao novo formato em vigência. Ensinar, valorizar, incentivar, aprender, conceber, vivenciar, são instrumentos de referência para o entendimento de uma coletividade observando as peculiaridades ideológicas de cada ser, vivenciando através do dialogo, como este educando percebe o mundo e qual a sua visão prognóstica para o seu futuro e para a coletividade.

Dentro do aprender e do ensinar para uma contextualização social no entendimento coletivo, é preciso saber conviver sem deixar de lado os valores éticos e condição moral que norteia a filosofia pedagógica. Para Toro (1993), existem sete processos de aprendizagem básicos para a convivência social. 1. Aprender não é agredir o semelhante; 2. Aprender a comunicar-se; 3. Aprender a interagir; 4. Aprender a decidir em grupo; 5. Aprender a cuidar de si; 6. Aprender a cuidar do outro; 7. Aprender a valorizar o saber social.

A educação para o século XXI estar condicionada a globalização do planeta e dos recursos tecnológicos disponíveis na rede mundial de informação (internet e intranets), e passa a ser construída, sobre estes quatro pilares Educacionais que estão baseado no Relatório da UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors, contudo, são indispensáveis ao processo educacional no planeta: 1) Aprender a conhecer. 2) Aprender a fazer. 3) Aprender a viver com os outros. 4) Aprender a ser. CONSIDERAÇÕES FINAIS Se estivermos a viver as condições Pós-moderna, o pensar, o fazer e o entender do Educador e do educando deve estar alinhados ao pensamento de liberdade para que este pensamento seja capaz de atender a diversidade do pensamento e da filosofia Pós-moderna, pois, a Pós-Modernidade questiona a validade do projeto pedagógico unitário.

Segundo Lampert (2007), Esse processo exige professores preparados, pois os recursos humanos são de capital importância em qualquer organização. Na escola, os professores são capazes de provocar mudanças significativas no cenário escolar e, conseqüentemente, melhorar a qualidade de ensino, o que é indispensável para o progresso do país. Daí a importância da formação docente coerente com o momento histórico e contexto político e econômicocultural.

Nesta contextualização seguindo o pensamento de Lampert, a formação adequada do educador provoca mudanças na estruturação da comunidade e no contexto social da vivência educacional. Nesta concepção, a formação profissional deve considera a visão e a conotação do ter, (o saber) como política de formação, e dentro desta linha de pensamento a diversidade do conhecimento como instrumento gerador de progresso na construção de um pensar, e um ser pensante integral, valorizando os aspectos culturais, intelectuais na busca da construção e integração das diversas formas de saberes. A escola como instrumento gerador de conhecimento precisa encontrar alternativas que equacionem e possibilite a transformação ideológica nos diversos cenários do saber. Para Fazenda (1994), Lück (2000), Doll Jr (1977), Santomé (1998), Demo (2004) apostam na interdisciplinaridade e/ou transdisciplinaridade e Freire, na educação problematizadora; como saída para a transformação do cenário educacional e para a construção de um novo pensar. Já Dutra diz que “a interdisciplinaridade p rocura a globalidade, o debate, a dialética, a participação, o envolvimento e a integração entre membros da comunidade. Estabelece a possibilidade de um novo repensar da

sociedade, tendo em vista que a pós-modernidade exige a produção de saberes que desmantele o paradigma da fragmentação curricular e a visão de mundo, dando a noção da realidade como um todo, que se encontra em constante movimento”. Num entanto, Lück (1994) salienta que a interdisciplinaridade, processo de integração e engajamento de educadores, num trabalho conjunto, que objetiva a integração de disciplinas entre si e com a realidade para superar a fragmentação do ensino, possibilita a formação integral do educando com o intuito de exercer criticamente a cidadania, mediante uma visão global de mundo e a capacidade de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da realidade atual. Freitag (1994) salienta que uma pedagogia pós-moderna, de qualidade, deveria revelar o outro lado da modernidade e pós-modernidade, a capacidade de síntese, de integração, ordenando impressões e sensações aparentemente desconexas, fragmentadas e desintegradas.

A importância de uma educação moldada na interdisciplinaridade e multidisciplinaridade e na ação problematizadora deverá ser instrumento epistemológico de construção e formatação, para possibilitar um novo olhar para o entendimento e a compreensão ética de uma nova realidade educacional que atenda o processo de globalização dos saberes na busca de um construir pedagógico onde educando, educador, escola e sociedade possam partilhar e vivenciar o intercâmbio de aprendizado para desenvolver a sociedade e o meio ao qual, estamos inseridos.

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