PRIVACIDADE NA ERA DIGITAL

Autor: José Evangelista Damasceno e Antônia Josilene Pinheiro Rocha A privacidade na era digital é algo questionável. Até que pondo devo exigir na Web ou rede de comunicação livre digital, que meus dados pessoais ou profissionais não sejam expostos ao público, em público, com o público e para o público? Como garantir a confidencialidade dos dados e das informações na rede planetária de comunicação se existem leis que garante está privacidade, e ao mesmo tempo colocam disponíveis estas informações? Como proteger e coibir o acesso por terceiros se as garantias de proteção são falhas, e as características de neutralidade dos dados na internet promovem está liberdade? Em fim, a privacidade deve ser garantida pelo estado como direito de todos e para todos, em todos os seguimentos da sociedade brasileira e no mundo da comunicação cibernética.

LEGISLAÇÃO BRASILEIRA E O ACESSO AS INFORMAÇÕES PESSOAIS

A lei Nº 12.527, de 18 de Novembro de 2011 que regula o acesso informação prevista no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 e no § 2o do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; Capítulo IV, Seção V, que trata das informações pessoais disserta.

Artigo. 31. O tratamento das informações pessoais deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais.

§ 1o As informações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem:

I - terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem; e II - poderão ter autorizada sua divulgação ou acesso por terceiros diante de

previsão legal ou consentimento expresso da pessoa a que elas se referirem. § 2o Aquele que obtiver acesso às informações de que trata este artigo será responsabilizado por seu uso indevido.

§ 3o O consentimento referido no inciso II do § 1o não será exigido quando as informações forem necessárias:

I - à prevenção e diagnóstico médico, quando a pessoa estiver física ou legalmente incapaz, e para utilização única e exclusivamente para o tratamento médico; II - à realização de estatísticas e pesquisas científicas de evidente interesse público ou geral, previstos em lei, sendo vedada a identificação da pessoa a que as informações se referirem;

III - ao cumprimento de ordem judicial;

IV - à defesa de direitos humanos; ou

V - à proteção do interesse público e geral preponderante.

§ 4oA restrição de acesso à informação relativa à vida privada, honra e imagem de pessoa não poderá ser invocada com o intuito de prejudicar processo de apuração de irregularidades em que o titular das informações estiver envolvido, bem como em ações voltadas para a recuperação de fatos históricos de maior relevância. § 5o Regulamento disporá sobre os procedimentos para tratamento de informação pessoal.

O direito à privacidade deve ser entendido e compreendido como algo inviolável. Este primado é garantido em lei e descrito na Carta Magna da República Federativa do Brasil. Não podemos adentrar de forma invasiva a privacidade do indivíduo sem o seu consentimento legal e constitucional com fins avessos, ou por mero ato de expô-lo a constrangimentos de qualquer ordem.

ESPIONAGEM NACIONAL E INTERNACIONAL

O caso de espionagem da Presidente Dilma Rousseff e da chanceler alemã

Angela Merkel, que foi um dos alvos de da agência de segurança norteamericana, revelado pelo ex-agente Edward Snowden da Agência Nacional de Segurança NSA, colocou o mundo e as pessoas em estado de alerta máxima sobre o sigilo das suas comunicações e de suas informações pessoais na rede de comunicação planetária.

Este incidente levou o Brasil e Alemanha a Protocolar na ONU proposta sobre o direito à privacidade na era digital. O documento foi enviado na sexta-feira 01 de Novembro de 2013, observando que: “o ritmo dos avanços tecnológicos permite tanto a expansão do uso das novas tecnologias quanto o aumento da capacidade dos governos de vigiarem, interceptarem e coletarem dados – o que os dois países consideram uma violação dos direitos humanos.

Num entanto, os dois países Brasil e Alemanha, reafirmaram que a privacidade é um direito de todos e que ela “é um requisito essencial à realização do direito à liberdade de opinião e de expressão sem ingerências e um dos pilares de uma sociedade democrática”.

Neste documento as duas Nações pedem que todos os Estados-membros da ONU respeitem e protejam o direito à privacidade, tomem medidas para acabar com a violação à liberdade de opinião e expressão e revejam suas políticas de vigilância das comunicações e coleta de dados pessoais. Vejamos na integra o teor do documento de solicitação das duas nações a Organização das Nações Unidas – ONU. O texto será considerado pela III Comissão da Assembleia Geral e, posteriormente, pelo plenário da própria Assembleia.

A Assembleia Geral,

PP1. Reafirmando os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, PP2. Reafirmando também os direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados na Declaração Universal de Direitos Humanos e tratados internacionais relevantes sobre direitos humanos, inclusive o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais,

PP3. Reafirmando, ainda, a Declaração de Viena e seu Programa de Ação, PP4. Observando que o ritmo acelerado do desenvolvimento tecnológico permite aos indivíduos em todas as regiões utilizarem novas tecnologias de informação e comunicação e, ao mesmo tempo, aumenta a capacidade de governos, empresas e indivíduos de vigiar, interceptar e coletar dados, o que pode violar os direitos humanos, em particular o direito à privacidade, tal como

consagrado no artigo 12 da Declaração Universal de Direitos Humanos e no artigo 17 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e constitui, portanto, tema de preocupação crescente,

PP5. Reafirmando o direito humano dos indivíduos à privacidade e a não ser submetido a ingerências arbitrárias ou ilegais em sua vida privada, em sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência, bem como o direito à proteção da lei contra tais ingerências ou ofensas, e reconhecendo que o exercício do direito à privacidade constitui requisito essencial à realização do direito à liberdade de opinião e de expressão sem ingerências e um dos pilares de uma sociedade democrática,

PP6. Salientando a importância do pleno respeito à liberdade de buscar, receber e difundir informações, inclusive a importância fundamental do acesso à informação e da participação democrática,

PP7. Acolhendo o relatório do Relator Especial sobre a Promoção e a Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em sua vigésima terceira sessão, o qual trata das implicações da vigilância das comunicações e da interceptação de dados levada a cabo por Estados sobre o exercício do direito humano à privacidade,

PP8. Enfatizando que a vigilância ilegal das comunicações, sua interceptação, bem como a coleta ilegal de dados pessoais constituem atos altamente intrusivos que violam o direito à privacidade e à liberdade de expressão e que podem ameaçar os fundamentos de uma sociedade democrática,

PP9. Observando que, embora preocupações com a segurança pública possam justificar a coleta e a proteção de certas informações confidenciais, os Estados devem assegurar o pleno cumprimento de suas obrigações no âmbito do direito internacional dos direitos humanos,

PP10. Profundamente preocupada com violações e abusos dos direitos humanos que podem resultar de qualquer vigilância, inclusive extraterritorial, das comunicações, sua interceptação, bem como da coleta de dados pessoais, em particular da vigilância, interceptação e coleta de dados em massa,

PP11. Recordando que os Estados devem assegurar que medidas para combater o terrorismo estejam de acordo com o direito internacional, em particular o direito internacional dos direitos humanos, o direito dos refugiados e o direito internacional humanitário,

1. Reafirma os direitos previstos no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, em particular o direito à privacidade e a não ser submetido a ingerências arbitrárias ou ilegais em sua vida privada, em sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência, bem como o direito à proteção da lei contra essas ingerências ou ofensas, de acordo com o artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e artigo 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos;

2. Reconhece que o rápido avanço das tecnologias da informação e da comunicação, inclusive a natureza global e aberta da Internet, constitui força motriz da aceleração do progresso para o desenvolvimento em suas várias formas;

3. Afirma que os mesmos direitos que as pessoas possuem fora da rede ("offline") devem ser protegidos em rede ("online"), em particular o direito à privacidade;

4. Conclama os Estados a: (a) respeitarem e protegerem os direitos referidos no parágrafo 1 acima, inclusive no contexto das comunicações digitais;

(b) adotarem medidas com vistas à cessação das violações de tais direitos e a criarem condições para a prevenção de tais violações, inclusive assegurando que a legislação nacional relevante esteja em conformidade com suas obrigações no âmbito do direito internacional dos direitos humanos;

(c) revisarem seus procedimentos, práticas e legislação no que tange à vigilância das comunicações, sua interceptação e coleta de dados pessoais, inclusive a vigilância, interceptação e coleta em massa, com vistas a assegurar o direito à privacidade e garantir a plena e eficaz implementação de todas suas obrigações no âmbito do direito internacional dos direitos humanos;

(d) estabelecerem mecanismos nacionais independentes de supervisão, capazes de assegurar a transparência do Estado e sua responsabilização em atividades relacionadas à vigilância das comunicações, sua interceptação e coleta de dados pessoais; 5. Solicita à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos que apresente à Assembleia Geral, em sua sexagésima nona sessão, relatório preliminar sobre a proteção do direito à privacidade no contexto da vigilância nacional e extraterritorial das comunicações, sua interceptação e coleta de dados pessoais, inclusive sobre a vigilância das comunicações, sua interceptação e coleta de dados pessoais em massa, bem como relatório final, em sua septuagésima sessão, com opiniões e recomendações, a serem consideradas pelos Estados-membros, com o

objetivo de identificar e esclarecer princípios, padrões de conduta e melhores práticas sobre como lidar com preocupações relativas à segurança de modo compatível com as obrigações dos Estados no âmbito do direito internacional dos direitos humanos e em pleno respeito pelos direitos humanos, em particular com relação à vigilância das comunicações digitais e o uso de outras tecnologias de inteligência que podem violar o direito humano à privacidade, à liberdade de expressão e opinião.

6. Decide examinar a questão de forma prioritária por ocasião da sexagésima nona sessão, sob o sub-item "Questões de direitos humanos, inclusive enfoques alternativos para aperfeiçoar o efetivo exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais" do item intitulado "Promoção e proteção dos direitos humanos".

Para que esta resolução seja aprovação é necessário obter a maioria dos votos dos 193 participantes dos Estados-membros da ONU.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Artigo 12daDeclaração o Universal dos Direitos Humanos de10 de Dezembro de 1948 disserta “Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques” .

Toda via, estes mesmos preceitos legais também estão expressos no Artigo 17 do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos de 16 de Dezembro de 1966. “Ninguém será objeto de ingerências arbitrárias ou ilegais na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem de ataques ilegais à sua honra e reputação”. “Toda a pessoa tem direito a proteção da lei contra essas ingerências ou esses ataques”.

Vivemos na era planetária da informação, e da globalização dos conhecimentos. Somos bombardeados constantemente por milhares de informações em todos os Webs Sites e redes sociais presente na rede mundial de comunicação livre. E como proteger a privacidade dos individuais se a exposição é massificante! Não podemos engessar a rede de comunicação (internet) com restrições, como se à Web fosse a culpada pelo uso desregrado do sistema. Não basta apenas criar leis e dispositivos para suprimir o acesso ao sistema, é preciso coibir e punir na forma da lei já existente os culpados pelo uso desregrado dos dados e imagens pessoais obtidos de forma ilícita.

Uma sociedade livre também passa pela comunicação livre, restrugir o que já é de certa forma restrita não solucionará o fortuito sem a punição dos culpados. O nosso país é um celeiro de leis, existem leis para tudo, mais o seu cumprimento fica a quem do esperado. Existe literatura legal de mais, e aplicabilidade das leis já existentes menos.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

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