EDUCAÇÃO E O PROJETO DE FORMAÇÃO NA NAÇÃO BRASILEIRA NA ATUALIDADE

POR: ANTÔNIA JOSILENE PINHEIRO ROCHA E JOSÉ EVANGELISTA DAMASCENO O estudo relata as prerrogativas relativas à educação brasileira para formação da nação na atualidade, mediante a Lei nº. 10.172, de 9 de janeiro de 2001, que aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) e dá outras providências para o decênio 2011-2020.

Para entender o PNE torna-se necessário realizar uma breve contextualização da educação brasileira neste terceiro milênio. O redimensionamento da educação brasileira se assenta na Lei de Diretrizes e bases da Educação nacional (LDB) nº 9.394/96. Ressalta-se, porém, que para o estabelecimento do PNE para a vigência relativa ao período 2011-2020 a LDB teve que ser redimensionada em face das reivindicações que emergiram da sociedade civil, mediante as demandas dos segmentos educativos, trabalhistas, empresariais, das associações de classe e as demandas inerentes à globalização científica, tecnológica e humanística que norteiam a mundialização dos saberes e conhecimentos mediante a educação.

Em face do novo delineamento da educação nacional prescritas nas disposições transitórias preconizadas na LDB que expressa o compromisso do governo em relação às diversas metas reivindicadas nacionalmente é que este estudo se fundamenta através de uma pesquisa bibliográfica em livros, periódicos e legislação relativa à educação brasileira que ensejou o Plano Nacional da Educação Brasileira.

RESSIGNIFICANDO O PNE BRASILEIRO MEDIANTE A LDB Nº. 9.394/1996

Para estabelecer as diretrizes do PNE da educação brasileira, tornou-se necessário redimensionar a LDB de 1996, mediante disposições transitórias inerentes as reivindicações nacionais e as recomendações da conferência de Jomtiem sobre Educação para Todos no Ano Internacional de Alfabetização, em 1990, na Tailândia, tendo com meta primordial a revitalização do

compromisso mundial de educar todos os cidadãos do planeta. As disposições transitórias instituídas modificaram artigos, parágrafos, incisos e alíneas que foram regulamentados por intermédio de leis que alteram: - a idade de acesso a educação básica que passa ser quatro anos de idade cronológica (Lei nº. 11.700/2008), a composição dos níveis escolares em educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e educação superior. Inúmeras são as leis que regulamentam a LDB a guisa de exemplo cita-se: matrícula dos menores de seis anos de idade (Lei nº. 11.114/2005); oferta ensino médio gratuito a todos que demandarem (Lei nº. 12.061/2009); educação profissional e tecnológica (Lei nº. 11.741/2008), entre outras leis pertinentes a efetivação da educação nacional. (BRASIL, 2012).

Em face da reformulação, criaram-se várias estratégias e metas para estabelecer normas institucionais visando a um novo rumo na educação brasileira. Foram elaboradas, em um primeiro momento, algumas reformas educacionais que não resolveram e tampouco atenuaram problemas graves na educação brasileira. O artigo 1º da Lei nº. 10.172/2001 prescreve que “fica aprovado o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011-2020”. (BRASIL, 2001).

O PNE 2011-2020 tem como objetivos fundamentais: - a elevação global do nível de escolaridade da população; - a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis; - a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública e, democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

As diretrizes educacionais prescritas no PNE são: I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - superação das desigualdades educacionais; IV - melhoria da qualidade do ensino; V formação para o trabalho; VI - promoção da sustentabilidade sócio-ambiental; VII - promoção humanística, científica e tecnológica do País; VIII estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto; IX - valorização dos profissionais da educação; X - difusão dos princípios da equidade, do respeito à diversidade e à gestão. Essas diretrizes devem ser operacionalizadas mediante 20 metas a serem cumpridas até 2020.

Cada meta é acompanha de estratégias para que se atinjam os objetivos delimitados. Algumas determinações já foram previstas em leis aprovadas, no entanto assevera que: pelo menos 20% das metas tratem diretamente da valorização e formação dos profissionais do magistério. Entre elas a garantia de que todos os sistemas de ensino elaborem planos de carreira no prazo de dois anos, que todos os professores da educação básica tenham nível superior

e metade deles formação continuada com pós-graduação - com a previsão de licenças para qualificação. O PNE ainda determina que o rendimento médio do profissional da educação não seja inferior ao dos demais trabalhadores com escolaridade equivalente.

Ademais, o plano inclui metas de acesso à educação infantil e aos ensinos médio e superior. Ele reafirma a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada e determina a universalização da pré-escola até 2016 e acrescenta que 50% das crianças de até 3 anos devam ter acesso à creche até 2020, patamar que já estava apontado no atual PNE, mas não foi atingido. Hoje, esse atendimento é inferior a 20% da população infantil.

No ensino superior, o PNE estabelece que 33% dos jovens de 18 a 24 anos estejam matriculados nesta etapa - hoje esse percentual é inferior a 15%, longe da meta de 30% que havia sido estabelecida no plano aprovado em 2001. Considerando toda a população, a taxa de matrícula deverá atingir 50% até 2020. No ensino técnico, a matrícula deverá ser duplicada. O plano também determina que se atinja a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Outra meta é que todas as crianças sejam alfabetizadas até os 8 anos de idade e o analfabetismo na população com mais de 15 anos erradicado até o fim da década - essa última também já estava prevista no PNE em vigor, mas a taxa ainda é de 9,7%. A educação em tempo integral deverá ser oferecida em 50% das escolas públicas e os cargos de direção ocupados mediante critérios técnicos e mérito. Hoje é comum que os diretores sejam indicações políticas das secretarias de educação.

O documento também incluiu as metas de crescimento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que funciona como um termômetro da qualidade da educação. Até 2021, o País deverá atingir média 6 em uma escala de 0 a 10; em 2009 a nota foi 4,6. O PNE estabelece a meta de investimento de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na área.

Embora haja vários problemas estruturais na educação no Brasil, o PNE trouxe um avanço significante à educação profissional, que ganhou nova configuração (MANFREDI, 2003, p. 79). Se antes eram incipientes e se dedicavam ao ensino de ofícios artesanais e manufatureiros, agora expressam redes de escolas dirigidas para essa “nova” sociedade que desponta como sendo industrializada, sob as diretrizes impostas pelo capital, organizadas pelo Governo Federal e Governos Estaduais.

ESTRATÉGIAS EDUCATIVAS PRESCRITAS NO PNE As estratégias preconizadas no PNE são: - definir, em regime de colaboração

entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, metas de expansão das respectivas redes públicas de educação infantil segundo padrão nacional de qualidade compatível com peculiaridades locais; -manter e aprofundar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para a rede escolar pública de educação infantil, voltado à expansão e à melhoria da rede física de creches e pré-escolas públicas; - avaliar a educação infantil com base em instrumentos nacionais, a fim de aferir a infra-estrutura física, o quadro de pessoal e os recursos pedagógicos e de acessibilidade empregados na creche e na pré-escola; - estimular a oferta de matrículas gratuitas em creches por meio da concessão de certificado de entidade beneficente de assistência social na educação; - fomentar a formação inicial e continuada de profissionais do magistério para a educação infantil; estimular a articulação entre programas de pós-graduação stricto sensu e cursos de formação de professores para a educação infantil, de modo a garantir a construção de currículos capazes de incorporar os avanços das ciências no atendimento da população de quatro e cinco anos; - fomentar o atendimento das crianças do campo na educação infantil por meio do redimensionamento da distribuição territorial da oferta, limitando a nucleação de escolas e o deslocamento das crianças, de forma a atender às especificidades das comunidades rurais; -respeitar a opção dos povos indígenas quanto à oferta de educação infantil, por meio de mecanismos de consulta prévia e informada; fomentar o acesso à creche e à pré-escola e a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, assegurando a transversalidade da educação especial na educação infantil.

EMPREENDER NA EDUCAÇÃO INTEGRAL

No âmbito da educação formula-se, portanto, a tese da educação como instrumento de desenvolvimento social e, para tanto, o ponto de partida está na educação integral. No entender de Prebisch (1963), a educação enquanto um elemento dinâmico do processo de desenvolvimento, não se limita ao campo estrito da economia, mas alcança todo o horizonte da sociedade. Deste ponto de vista, a primeira expressão tangível da política redistributiva da renda deverá começar pelo investimento social nos recursos humanos e pela efetiva oportunidade de acesso a educação. Sob o influxo dessa concepção de Educação, passa-se então a admitir a idéia de planejamento impondo dessa forma ao Estado funções complexas.

CONCLUSÃO

À luz destas considerações, a finalidade deste artigo é contribuir para a discussão em torno das seguintes questões: como se desenvolve neste momento histórico a relação entre educação e desenvolvimento numa sociedade marcada pela exacerbada concentração de renda e sem ruptura de sua estrutura social? Qual o papel que cabe ao Estado brasileiro face à

evolução do capitalismo em sua fase monopolista e sua relação com a Educação?

Neste sentido, é desafiante observar na sociedade brasileira que os postulados constitucionais que garantem a educação como um bem da civilização indispensável para a cidadania não são concretizados, tendo este impasse alcançado o século XXI. Em face desta debilidade crônica do Estado Brasileiro, questiona-se: como ultrapassar os obstáculos estruturais que tornam inatingível a universalização de uma escola pública de qualidade?

Diante do atual cenário político que se apresenta no Brasil, é necessário termos perspectivas históricas para enfrentá-lo, a fim de que se possa contribuir, na qualidade de educadores e pesquisadores, para que se abram às novas gerações infinitas possibilidades que viabilizem a sua inserção no mundo contemporâneo.

REFERÊNCIAS

1. BRASIL. Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996: estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10172.htm. Acesso: 01/07/2012.

2. ______. Lei nº. 10.172, de 09 de janeiro de 2001: aprova o plano nacional de educação e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10172.htm. Acesso: 01/07/2012.

3. ______http://www.camara.gov.br/sileg/integras/831421.pdf ACESSADO 08 07 2012.

4. LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira; TOSCHI, Mirza Seabra. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2009.

5. MANFREDI, Silvia Maria. Educação profissional no Brasil. São Paulo: Cortez, 2003.

6. PREBISCH, Raúl. Dinâmica do desenvolvimento latino-americano. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1964.