O CRITÉRIO DA RECIPROCIDADE COMO FUNDAMENTO DE UM DIREITO INTERNACIONAL JUSTO E DA COMPREENÇÂO ACERCA DO CONCEITO DE POVO EM “O DIREITO DOS POVOS”

Fernando Nunes Oliveira

Resumo: em O Direito dos Povos Rawls tem o objetivo de apresentar uma teoria que seja eficiente na elaboração de princípios de justiça que sirvam como norteadores para uma sociedade internacional. Rawls transpõe sua teoria desenvolvida para sociedades liberais nacionais para um plano internacional com o intuito de demonstrar, nesse mbito, a possibilidade de uma utopia realista com uma estabilidade internacional por motivos corretos !morais e justos", não apenas baseados no mero interesse dos #stados. O crit$rio de reciprocidade entendida como a disposição de a%ir ra&oavelmente apresenta uma função fundamental na teoria de Rawls, que pretende apresentar uma alternativa ao realismo nas relações internacionais, sem recair em crit$rios etnoc'ntricos de um cosmopolitismo em sentido mais radical, buscando, baseado em um crit$rio de dar o respeito devido aos que merecem uma inte%ração de sociedades não(liberais, mas decentes, em uma )ociedade de *ovos.

Pala !as"C#a e: +ireito dos *ovos, Relações ,nternacionais, -on. Rawls, Ra&oabilidade, Reciprocidade.

#m O Direito dos Povos Rawls parte do pressuposto que as relações internacionais são atualmente dominadas pelo realismo político, que por sua ve& defende que as relações no mbito supra(estatal não teriam evoluído de maneira si%nificativa desde a anti%uidade e que os #stados ainda vivem, no mbito internacional, em um estado de nature&a uns para com os outros, com constante risco de %uerra. / pa&, para os que se%uem a corrente realista, $ de car0ter tempor0rio e ocorre por mero interesse dos #stados, seja devido ao seu custo elevado ou aos problemas que pode tra&er para sua estabilidade nacional. O presente arti%o tem como objetivo apresentar a alternativa de Rawls ao realismo nas relações internacionais. 1al alternativa consiste em uma pa& democr0tica baseada no crit$rio da reciprocidade !que ser0 adequadamente apresentado ao lon%o do desenvolvimento do presente te2to". O presente trabal.o pretende mostrar ainda como a teoria apresentada pelo

*or um lon%o 7 /s abreviações usadas no presente arti%o. 6.raque pelos #stados 9nidos". mais de uma ve&. individuais. 1ais princípios deveriam ser utili&ados por instituições de uma sociedade nacional liberal soberana !entretanto demonstra sua teoria de justiça como eqAidade em uma forma estendida ao direito internacional com o prop3sito limitado de jul%ar os objetivos e limites da %uerra justa" ! LP. com princípios de justiça dedu&idos por um m$todo filos3fico coerentista.? p. introdução? p.nverno 5676 autor se diferencia do cosmopolitismo !em determinadas acepções. C . como na concepção de pessoa e no jul%amento de como o mundo deve ser para que seja justo.<7" ainda em sua primeira parte. ou seja. a menos que seja mencionado especificamente al%o diferente.)eara Filos3fica 4 . denominada =1eoria>. *ara que nossos objetivos sejam alcançados começaremos o presente arti%o por uma breve apresentação das obras de Rawls anteriores : O Direito dos Povos e de seu m$todo justificacional conforme fora nelas apresentado. bem como não aspirava apresentar uma teoria $tica normativa para ser aplicada em questões particulares. capítulo . lo%o ap3s o pref0cio. apresentando crit$rios de direito !fundamentados politicamente em seu m$todo justificacional. pelos motivos certos. são as se%uintes? TJ para A Theory of Jjustiçe !Uma teoria da Justiça". PL para Political Liberalism !O Liberalismo Político" e LP para The Law of Peoples !O Direito dos Povos". serviu como justificativa cínica para os realistas em ações políticas moralmente duvidosas !veja as intervenções da 8. desenvolvido nas obras anteriores a O Direito dos Povos" que limitam o poder e alteram as faculdades morais dos #stados como a%entes internacionais transfi%urando(os em povos !de que maneira isso ocorre e qual sua import ncia ficar0 claro ao lon%o do te2to"./ na política de v0rios paises durante a %uerra fria 4 planejando e patrocinando %olpes militares em diversas nações da am$rica latina 4 e o relativamente recente caso da invasão do . 6B". normalmente identificando justiça com um conceito de direitos liberais" que. /s citações que fi%uram no te2to referem(se :s versões das obras tradu&idas para o portu%u's cujas edições constam nas refer'ncias biblio%r0ficas. / preocupação de Rawls $ a de uma pa& internacional justa."7. sobretudo daquelas que apresentam uma visão liberal em v0rios mbitos. *retendia sim uma teoria normativa p@blica. #m Uma Teoria da Justiça !de 7. Rawls dei2a claro que não era o seu objetivo apresentar nessa obra uma teoria da justiça para uma sociedade internacional !TJ.

por e2emplo" por sua universalidade e possibilidade de mel.Fernando Nunes Oliveira período. #sses princípios são os objetos do consenso ori%inal !TJ.a deve ser feita pelas partes descon.. capítulo . Rawls concebe então o que denomina =posição ori%inal sob o v$u da i%nor ncia>. Rawls continua a desenvolver. basicamente. dois princípios de justiça o princípio da i%ual liberdade e o princípio da i%ualdade !diferença e i%ualdade eqAitativa de oportunidades". respondendo :s criticas sofridas por 9ma Teoria da Justiça. . que a justiça $ a finalidade a ser buscada pelas instituições sociais assim como a verdade o $ para os sistemas de pensamento !TJ. posição social. Rawls publica sua se%unda obra intitulada O Liberalismo Político Eais uma ve& a finalidade principal das teorias e conceitos e2postos por Rawls não era apresentar uma teoria normativa para uma sociedade de nações. 1al escol. em outros momentos posteriores ao consenso ori%inal. 6D e 6B". em 7. devido :s situações pr0ticas contin%entes.? p. #stes por sua ve&. Neste estado puramente te3rico as partes !aqui representantes ideais de cidadãos" devem decidir que princípios aplicariam a estrutura b0sica da sociedade com a finalidade de re%ular a distribuição dos bens prim0rios.? p. 8apítulo . 9m se%undo crit$rio re%ulador e justificador das decisões políticas $ o =equilíbrio refle2ivo>. condição financeira. um sistema filos3fico que tra& conceitos de justiça para uma sociedade soberana nacional. dons físicos e intelectuais etc". selecionados outros princípios. .or %arantir uma estabilidade social justa. #stabelecidos os princípios da liberdade e da i%ualdade seriam. O construtivismo de Rawls $ político. 8omo resultado destes estudos. Na posição ori%inal Rawls acredita que seriam selecionados !a partir de uma lista que incluiria os princípios normalmente associados :s sociedades e culturas democr0ticas como o do utilitarismo m$dio. em Uma teoria da Justiça.ecendo al%umas de suas pr3prias particularidades !como etnia. fundamentado em uma ra&ão pr0tica p@blica.75". 1emos desta maneira. #m Uma Teoria da Justiça e O liberalismo Político Rawls vale(se do de um construtivismo filos3fico contendo uma s$rie de cate%orias.D. as quais são utili&adas como m$todo de justificação para obtenção de princípios de justiça que deverão ser aplicados : estrutura b0sica da sociedade.

le%islativo e e2ecutivo e candidatos em campan.a política a%issem de acordo com uma ra&ão p@blica e nos seus limites.a e adequação de princípios de justiça possibilitando que as partes entrem na posição ori%inal a qualquer momento permitindo que as posições morais sejam revisadas.or do que a competição para que cada um atinja os fins que busca e que os princípios que re%em a distribuição de bens prim0rios terão mais sucesso em %arantir a estabilidade da sociedade por ra&ões justas se forem baseados na reciprocidade e civilidade. O m$todo justificacional de Rawls $ por e2cel'ncia um modo de justificação p@blico para as decisões e ao fa&erem uso da ra&ão para justificarem as teorias e ar%umentos que embasam suas crenças e ar%umentos a fim de influenciarem as decisões. Não . O .0 em uma justificação política p@blica como a de Rawls valores metafísicos @ltimos.amar Fernandes de Oliveira O e!uilíbrio refle"ivo # um m#todo adaptado por $awls da epistemolo%ia a&alítica para a ar%ume&taç'o moral com o i&tuito de estabelecer uma coer(&cia e&tre os juí)os po&derados sobre casos particulares* de um lado* e o co&ju&to de pri&cípios #ticos e seus pressupostos te+ricos de outro !OG. sabem que todos con.deal de ra&ão p@blica estaria satisfeito sempre que membros dos poderes judici0rio. ser adequados ao pacto ori%inal ou descartados.7I". 9m =jo%o(limpo> $ aquele onde os participantes con.ecem todas as re%ras e dispõe(se a a%ir de acordo com elas. $ de uma ra&ão voltada 0s questões p@blicas que as partes devem fa&er uso. no ori%inal !em in%l's" $ =justice as fairness>. O equilíbrio refle2ivo $ o recuo ou avanço na escol. +efendendo !a partir de teorias matem0ticas de conjuntos" a tese de que a cooperação $ socialmente mel. p.ecem todas as re%ras. #m Uma Teoria da Justiça a teoria de justiça apresentada por Rawls $ denominada =justiça como equidade>.)eara Filos3fica 4 . 1al termo fica bem esclarecido se analisado : partir da e2pressão =fair plaF> ou =jo%o(limpo>.ada por Rawls em O Liberalismo Político como a id$ia de ra&ão p@blica. 566D.H#. #ssas cate%orias desenvolvidas por Rawls são levadas do plano de uma sociedade democr0tica nacional para o de uma sociedade internacional 76 . essa id$ia de publicidade $ trabal.R/. 8omo e2plicitado por NFt.nverno 5676 precisam em determinados momentos.

D7". J 5? p.. #m O Direito dos Povos Rawls fa& uma opção não por uma sociedade mundial de cidadãos. mas por uma confederação de nações. / primeira delas $ a de que os %randes males da . /o conte@do dessas confer'ncias fora acrescentado uma conclusão versando sobre o uso da ra&ão p@blica pelos povos..umanidade !como o %enocídio. 6< e 6C"." Direito dos povos co&cebe os povos democr-ticos liberais . a%ora !na acepção de O Direito dos Povos" com a finalidade de estabelecer princípios para as relações entre os diferentes povos.D !fi%urando cada qual como uma parte das partes da obra". em que o autor trabal. J B? p. LP. a fome e a pobre&a" t'm sua ori%em na injustiça política !cf.uma das duas formas for apresentada. )e%undo o autor =!." consiste na publicação e compilação de tr's confer'ncias apresentadas em 7. 1rata(se de uma aplicação diversa de um mesmo m$todo justificacional.e povos dece&tes/ como os atores &a 0ociedade dos Povos* e"atame&te como os cidad'os s'o os atores &a sociedade &acio&al > !LP. +essa escol.avia sido feita por Kant em Para a Pa) Perp#tua em seu se%undo arti%o definitivo !Para a Pa) Perp#tua p. estaremos nos referindo de uma maneira %eral a um direito internacional que trate das relações entre estados. BL". 77 . introdução? p.ar0 as questões de justiça internacional e de uma relação entre diferentes nações. 6C". introdução? p.. / obra !que foi publicada em 7.. Opção semel. a %uerra injusta. O escrito foi publicado juntamente com um ensaio sobre a id$ia de ra&ão p@blica revista. #m O Direito 5 9saremos O Direito dos Povos !em it0lico" para nos referirmos a obra e o +ireito dos *ovos !sem it0lico e com iniciais mai@sculas" para nos referirmos a teoria de justiça internacional desenvolvida por Rawls nela.. LP. LP.ante j0 . / se%unda id$ia e que com a adoção de políticas sociais justas ou decentes esses males causados pela injustiça tendem a desaparecer com o tempo !cf.a decorrem princípios diferentes daqueles a serem aplicados a estrutura b0sica de uma sociedade nacional !como veremos mais adiante". O +ireito dos *ovos se%ue duas id$ias principais. a perse%uição reli%iosa. <D a <<" e por ra&ões semel.antes !um %overno mundial terminaria por tornar(se um re%ime um re%ime desp3tico por ser muito centrali&ador ou demasiado fr0%il com constantes %uerras civis por independ'ncia por sua falta de capacidade de %erenciamento de questões locais" !cf.Fernando Nunes Oliveira em O Direito dos Povos . Muando nen.

baseada na reciprocidade e recon. introdução? p.5? p.ist3rico !cf. mas somente como aquela advinda de um equilíbrio de forças ou decorrendo de um custo elevado de um conflito para obtenção de al%o que se pode obter de outra forma. introdução? p. J 5.ipot$tico e não( . 6L". sendo . mediante a formulação de imperativos . presentes nos povos tais como Rawls os caracteri&a devem(se justamente aos princípios acordados em uma )ociedade de *ovos.5? p. / reciprocidade $ o fundamento das normas e princípios que re%ulamentam as relações entre os povos.nverno 5676 dos Povos Rawls pretende apresentar uma teoria que %aranta uma pa& democr0tica. mediante o com$rcio. #la $ realista. *ara ele uma filosofia pode ser entendida como realisticamente ut3pica !ua&do e"pa&de a!uilo em !ue %eralme&te se pe&sa como os limites da possibilidade jurídica pr-tica !LP. LP. J 5. DD a DL". Rawls tem a intenção que o +ireito dos *ovos seja uma utopia realista !cf. 75 . O uso do termo povos no lu%ar de #stados $ feito. LP.ipot$tica. introdução? p.)eara Filos3fica 4 . DL" e são capa&es de a%ir reciprocamente reservando aos outros povos um respeito adequado. pois pretende apresentar teorias que podem ser aplicadas no mundo. mas ut3pica no sentido de que tais teorias são baseadas em id$ias que ampliam aquilo que se tem como possível.ipot$ticos. 6L". LP. pois Rawls concebe os povos em sua teoria como a%entes internacionais capa&es de fa&erem uso de uma ra&ão p@blica e como escreve ao referir(se as diferenças entre ambos. Os #stados a%iriam sempre conforme o que para Kant seria uma ra&ão pr0tica . os povos = 1'o s'o movidos u&icame&te por seus i&teresses prude&tes ou racio&ais* as chamadas ra)2es de 3stado4 !LP. Rawls possui o intento de que O Direito dos Povos seja o modelo de contrato ori%in0rio para a sociedade dos povos. 75". +e tal maneira a pa& seria possível.ecimento. uma que di& respeito a sua possibilidade de ir : %uerra e outra na autonomia ao lidar com seus cidadãos !cf. como por e2emplo. 8omo outra distinção entre os povos e os #stados deve(se di&er que os povos t'm poderes de soberania distintos daqueles tradicionalmente atribuídos aos #stados possuindo duas restrições específicas. #ssas restrições aos poderes estatais.

sem nen.uma restrição em suas ações a não ser os pr3prios interesses nacionais. /l%uns tipos limitam(se a isso. o #stado numa teoria realista não possui nen.umanos !i%ualdade e 7D . O realismo nas relações internacionais não concede nen.e%am a defender a e2ist'ncia de um %overno mundial ou pelo menos que os %overnos #statais estejam limitados e re%ulados por um 3r%ão soberano internacional. fins pr0ticos. #m comum eles atribuem al%um limite a autonomia dos #stados em relação : sua soberania no trato com seus cidadãos e . por um equilíbrio de forças ou pelo alto custo econNmico dos conflitos armados. que não devem ter nen. deve ser mencionado que e2istem v0rios tipos dele !e em diferentes mbitos". Eaquiavel e Oobbes.um limite em seus poderes de soberania em relação a aqueles que .abitam seu territ3rio. #ssa estabilidade poderia ser buscada pelos #stados por seus resultados pr0ticos. /l$m disso. 8ertas concepções de cosmopolitismo atribuem determinadas características ontol3%icas aos seres .a na atualidade buscando seus fundamentos sobretudo nas ci'ncias sociais políticas.abitantes em ra&ão de acordos internacionais de defesa dos direitos . mas não pelos motivos certos.Fernando Nunes Oliveira /o conceber O Direito dos Povos. 1odas as ações dos #stados visariam dessa maneira.um compromisso definitivo por parte dos estados com a pa& e com ações políticas para tra&er fim aos %randes males do mundo !como as %uerras o arma&enamento de armas de destruição em massa e os motivos das %randes imi%rações". #mbora tal teoria ven. /dotando(se tal teoria a pa& e a estabilidade internacionais seriam possíveis. Muanto ao cosmopolitismo. Rawls pretende oferecer uma terceira via entre duas correntes de relações internacionais e2istentes na contemporaneidade. outros c. Os a%entes nas relações internacionais são os #stados. ela encontra fundamentos filos3ficos em 1ucídides.umanos e outras políticas p@blicas mundiais.uma import ncia ao papel do individuo e defende que em questões de relações internacionais os #stados vivem em um estado de nature&a em relação uns para com os outros. O realismo e o cosmopolitismo !ambas com fundamentações filos3ficas".

a situação. fa&endo uso de uma ra&ão p@blica.abitantes que possuir" que atuaria nesta se%unda posição ori%inal sob um v$u de como i%nor ncia e2tensão adequado territorial. baseado na cooperação" que pode para al%uns. /%ora passaremos a analisar como se d0 a obtenção dos princípios de justiça para um +ireito dos *ovos. Nesta se%unda posição ori%inal as partes não dispõem de uma lista de princípios !embora possam variar as interpretações a respeito dos princípios D )obre a defesa de Rawls contra a ale%ação etnocentrismo do crit$rio de reciprocidade nas relações entre os povos falaremos mais adiante. aplicando(o a uma finalidade específica e a partir de um ponto específico !contrato ori%in0rio de uma )ociedade de *ovos.H#. não uma sociedade mundial de indivíduos". ser considerado etnoc'ntrico. da descon. por tra&er implícito um crit$rio de i%ualdade que teria nature&a tipicamente liberal(ocidental D tenta estender o pacto ori%in0rio de uma sociedade de povos a povos não liberais. 8ada sociedade liberal teria um representante !independente de sua e2tensão territorial e do n@mero de . B6". O Direito dos Povos. p. rique&as naturais e bens prim0rios produ&idos pela cooperação social. NFt. por e2emplo" e direitos inerentes !decorrentes ou não destas características".R/. 566D. 8omo dito anteriormente Rawls fa& uso do mesmo m$todo justificacional desenvolvido por ele em suas obras anteriores. embora encontre fundamentos no crit$rio da reciprocidade !entendido como a disposição em conceder aos outros o respeito merecido. Neste conte2to Rawls recorre uma se%unda ve& ao procedimento da posição ori%inal sob o v$u da i%nor ncia.amar Fernandes de Oliveira define os povos liberais ra&o0veis como a!ueles !ue aderem* &uma maior ou me&or proporç'o* ao modelo descrito pela justiça como e!uidade* porta&to as democracias co&stitucio&ais ocide&tais e a!ueles !ue subscrevem aos pri&cípios do 3stado democr-tico de direito !OG. No primeiro capítulo de O Direito dos Povos participam desta posição ori%inal as sociedades liberais !posteriormente. Rawls dei2a claro que pretende incluir outros tipos de povos.nverno 5676 liberdade.ecendo características taman.)eara Filos3fica 4 .o população. mas como ele o fa& e que povos são estes ser0 tratado mais adiante". 7B .

*ara tanto $ necess0rio estabelecer determinados crit$rios com que todos possam concordar. professam ou de qualquer maneira filiam(se a uma doutrina em particular. cuja lista reprodu&imos aqui? 7. mas nen. em um primeiro momento. Rawls entende !apelando para as características da posição ori%inal" que seriam selecionados. B. 5.ama doutrinas abran%entes !concepções de valores a respeitos das mais diversas questões e temas.idos" e em tal situação ideal. uma pluralidade do que ele c. J B. <.Fernando Nunes Oliveira que são escol. devem tolerar a e2ist'ncia de indivíduos que se%uem outra doutrina e respeit0( los como participantes.7? p. tão di%nos quanto eles. a id$ia de toler ncia : e2ist'ncia de outros %rupos. então quando tem condições deve prestar au2ilio aos outros. do%mas reli%iosos. Os povos t'm o dever de assistir a outros povos vivendo sob condições desfavor0veis que os impeçam de ter um re%ime político e social justo ou decente. teríamos.onrar os direitos . Os povos são i%uais e são partes em acordos que os obri%am. valores políticos e etc. !G*. mas como precisam co(e2istir os que praticam. de uma determinada sociedade. L. D. Os povos devem . I." convivendo entre si. Os povos t'm o direito de autodefesa. baseados na reciprocidade e no respeito devido a outros povos.umanos. Rawls arrisca acrescentar o oitavo princípio a lista baseando(se na universalidade e reciprocidade. como por e2emplo. Os povos devem observar tratados e compromissos. Os povos sujeitam(se ao dever de não(intervenção.B<(BC" )amuel Freeman em seu verbete caracteri&ando a posição ori%inal para a enciclop$dia On(line de filosofia da universidade de )tanford esclarece que estes são princípios de uso tradicional e amplamente aceitos pela comunidade internacional. . 7I . oito princípios. C. Os povos são livres e independentes. Os povos devem observar certas condutas especificadas na conduta da %uerra. #m uma sociedade liberal nacional.um direito de insti%ar a %uerra por outras ra&ões que não a autodefesa. pois qualquer um quando enfrenta dificuldades espera ser au2iliado. para Rawls.sso não implica que concordem com qualquer id$ia de outra doutrina abran%ente. com ori%ens diversas como teorias filos3ficas. e sua liberdade e independ'ncia devem ser respeitadas por outros povos. cr'em.

/ %uerra s3 $ justificada !al$m da autodefesa" para intervir em um #stado que os ten.umanos por um #stado torna possível que a comunidade internacional !sociedade dos povos" aplique uma sanção a este. Rawls classifica os povos de outras quatro maneiras? !i" #stados fora da leiP !ii" sociedades sob Nnus de condições desfavor0veisP !iii" absolutismos benevolentesP !iv" povos decentes. uma lista com os direitos . 7LD" e $ fa&endo uso de uma ra&ão p@blica que sur%e a id$ia de toler ncia como um valor a ser cultivado. a ser jul%ado justamente por um tribunal imparcial. dadas as características dos povos bem(ordenados. direito de não perder sua nacionalidade e de mudar de nacionalidade. #ntretanto.umanos que podem ser acordados em um plano e2terno mas como limitadores de autonomia interna. em p@blico ou em particular. Os #stados fora da lei não participariam da )ociedade de *ovos.onrar seus preceitos seriam povos liberais.umanosB eQou não a%em reciprocamente em relação a outros povos podendo ser a%ressivos e terem tend'ncias e2pansionistas. a liberdade. / não observação por um %overno dos direitos . / esta multiplicidade de doutrinas abran%entes no plano nacional das sociedades liberais corresponderia uma diversidade ainda maior de culturas p@blicas em um nível internacional. de não ser considerado culpado at$ prova em contrario.umanos de 7. direito de ser recon. direito de não ser arbitrariamente preso. direito a não ser arbitrariamente destituído da propriedade de um bem.nverno 5676 #sse $ para Rawls o fato do pluralismo ra&o0vel ! LP. pela pr0tica. eles devem ser observados". pelo culto e pela observ ncia. pelo ensino.)eara Filos3fica 4 . este direito incluindo a liberdade de mudar de reli%ião ou crença e a liberdade de manifestar essa reli%ião ou crença. direito a não(escravidão e não(servidão. a se%urança pessoal.BC e seria a se%uinte? direito a vida.7? p. detido ou e2ilado. /penas a violação dos direitos . consci'ncia e reli%ião. /l$m de em sociedades liberais. cujas características n3s vimos anteriormente. *ara Rawls nem todos os povos di%nos de fa&erem parte da )ociedade de *ovos e dispostos a . mas não liberais.umanos torna esse ile%ítimo e justifica tamb$m uma resist'ncia por parte do povo de determinado estado e a deposição de tal %overno. J 7C. direito a contrair matrimonio e constituir uma família. B O respeito aos direitos . pela correta conduta nestes casos. 9ma lista inicial estaria restrin%ida aos direitos %arantidos nos arti%os D a 7C da declaração universal de direitos . 7L . direito : liberdade de pensamento. direito de ir e vir dentro de seu país e o direito de dele sair. #les violam os direitos .a violado severamente !e mesmo na %uerra. de não ser condenado senão por delito previsto em lei no momento em que ocorreu o fato de que al%u$m $ acusado. rep@dio a tortura e tratamento desumano ou cruel. não pode ser tão ampla como aquela que seria tradicionalmente atribuída a povos liberais.umanos !o se2to princípio" tem fundamental import ncia na obra O Direito dos Povos. direito a privacidade e proteção contra ataques a sua .onra e di%nidade particular.ecido como pessoa perante a lei.

mas limita(se a caracteri&ar os povos decentes . C5". /penas as sociedades oneradas precisam de au2ílio.7D.umanos Rawls refere(se a povos bem ordenados como a cate%oria que cont$m os povos di%nos de fa&erem parte da sociedade dos povos.ier0rquicos decentes respeitam os direitos . mas ajustar esses níveis não $ o objetivo do dever de assist'ncia. p. Os povos decentes são como os liberais.Fernando Nunes Oliveira #sses povos devem sofrer intervenção dos povos bem ordenados I se violarem os direitos . juntamente com as crenças morais e reli%iosas e a cultura subjacentes.". são tais que sustentem uma sociedade liberal ou decente. /l$m disso.umanos daqueles que . !G*. não mais do que são ricas todas as sociedades bem ordenadas. bem(ordenados e. /ssim As sociedades o&eradas* embora &'o sejam e"pa&sio&istas &em a%ressivas* carecem de tradiç2es políticas e culturais* de capital huma&o e co&hecime&to t#c&ico e* muitas ve)es* dos recursos materiais e tec&ol+%icos &ecess-rios para !ue sejam bem orde&adas !LP. 7< .B(I. nem todas essas sociedades são pobres.ier0rquicos decentes !LP.umanos em sua lista mínimaL entretanto diferem(se um do outro pois os absolutismos benevolentes não concedem aos seus .es permitem ter re%imes s3cio(políticos bem(ordenados. portanto di%nos de fa&erem parte de uma )ociedade de *ovos. O au2ilio as sociedades oneradas $ um dos princípios que re%em as relações entre os povos bem ordenados. referindo(se coletivamente aos povos liberais ra&o0veis e povos decentes !G*. J 7I? p.7D. mas não si%nifica necessariamente que tais povos ten. 9ma sociedade com poucos recursos naturais e pouca rique&a pode ser bem ordenada se as suas tradições políticas.abitam seu territ3rio.(B6" Os absolutismos benevolentes e os povos decentes . mas sim que por motivos variados não tem uma estrutura política que sustente instituições como devem ter as sociedades bem ordenadas.onram os direitos . C5". J C? p. Rawls admite a possibilidade da e2ist'ncia de mais de um tipo de povo decente. /s sociedades sob Nnus de condições desfavor0veis são influenciadas por fatores que não l. não são entendidos por Rawls como sociedades bem(ordenadas. sua lei e sua estrutura de propriedade e classe.ier0rquicos ou povos . J 7I? p. I L 8onforme nota de rodap$ B. / respeito de tal questão citamos Rawls? Os níveis de rique&a e bem(estar entre as sociedades podem variar e presume(se que o façam.abitantes uma participação efetiva mínima nas decisões políticas e portanto. Os povos .am %rande escasse& de rique&as.

5? p.5? p. +eterminados %rupos podem ter maior poder de decisão do que outros. Os povos . CD".ier0rquicos decentes a%em de acordo com a id$ia de cooperação social. reli%ião etc. de acordo com o seu senso de justiça. como i%uais na tomada de determinadas decisões. associativas na forma !LP. entretanto o sistema jurídico $ constituído de maneira que os membros desses povos podem.5? p.)eara Filos3fica 4 . )eu sistema de direitos não d0 ori%em a direitos para al%uns e apenas obri%ações para outros. 1ais povos acreditam que podem satisfa&er todas as suas necessidades atrav$s da diplomacia e do com$rcio e estão dispostos a a%ir de acordo." ou pertençam a determinado %rupo associativo. J C. #ssa %arantia de consulta e e2pressão mant$m uma determinada possibilidade participativa !ainda que limitada" e uma capacidade transformadora. CB".nverno 5676 em sua lista mínima e são capa&es de a%ir reciprocamente com relação aos outros povos. mas todos os indivíduos.ier0rquicos decentes frequentemente adotam uma doutrina abran%ente !política. 7C . CL". #stes povos não são %uiados por uma concepção democr0tica de cidadania !em que todos participam individualmente. e cada %rupo $ represe&tado &o sistema jurídico por um corpo &uma hierar!uia de co&sulta dece&te !LP. Os povos . e tem os mesmos direitos quanto ao acesso a todos os bens". Os membros desses povos decentes reco&hecem !ue esses deveres e obri%aç2es ajustam5se 6 sua id#ia de justiça e do bem comum e &'o v(em seus deveres e obri%aç2es como meros coma&dos impostos pela força !LP J C. de al%uma maneira. 8ada individuo $ membro de um %rupo. filos3fica ou mesmo reli%iosa" e vinculam a ela uma id$ia de bem predominante. como membros de al%um %rupo. J C. abstendo(se de praticarem ações a%ressivas injustas e e2pansionismo territorial com qualquer finalidade. concedendo aos outros povos decentes e aos povos liberais respeito merecido. assim determinados car%os podem estar reservados a indivíduos que atendam uma determinada condição !de se2o. %erando direitos e obri%ações para todos os seus membros. concordar com sua le%itimidade ainda que discordem de pontos específicos. como Rawls denomina. #stas sociedades são. etnia. possuem pelo menos o direito a ter suas reivindicações e questionamentos ouvidos e de obter uma resposta para eles.

Fernando Nunes Oliveira *ara Rawls esta possibilidade de inclusão de povos não(liberais em uma )ociedade de *ovos não $ insi%nificante !cf. $ necess0rio que os povos possam a%ir se%undo um crit$rio moral de reciprocidade. e aumentar sua força econNmica relativa 4 então a diferença entre povos e #stados $ enorme.idos.". 9ma ve& estabelecidos os tipos de povos voltemos então a e2por as diferenças entre povos e #stados.D? p. . a preocupação com o poder e os interesses b0sicos do #stado são preenc. que os povos !tanto liberais quanto < Reprodu&imos aqui a nota de rodap$ nR 5I locali&ada : pa%ina DL de O Direito dos Povos. Os povos decentes estariam dispostos. Ou ainda mais claramente? /t$ que ponto os #stados diferem(se dos povos fundamenta(se em at$ que ponto a racionalidade. sendo. ao lidarem com outros povos. aumentar o seu imp$rio e conquistar territ3rio. portanto capa&es de uma moralidade.D? p. com justiça.&%laterra &'o tem &e&hum ami%o eter&o e &e&hum i&imi%o eter&o* ape&as i&teresses eter&os 4 <er Do&ald =a%a&* :Ori%i&s of >ar a&d Preservatio& of Peace4 . Resta claro que os povos diferenciam(se dos #stados por sua capacidade de conceder aos outros povos o respeito devido.ar prestí%io e %l3ria din0stica. na forma classicamente teori&ada como ra&ões de #stado"<. %an. com uma estabilidade internacional pelas ra&ões certas.1ova ?or@* Doubleday* ABBC/* p ADD 7. se um #stado $ movido pelos objetivos que tem e i%nora o crit$rio da reciprocidade no trato com outras sociedades". que de forma al%uma pode ser reali&ada por estados como classicamente concebidos !que. mediante c0lculos prud'ncias. seriam capa&es e estariam dispostos a a%irem apenas se%undo uma ra&ão instrumental. )e a racionalidade e2clui o ra&o0vel !isto $. DC". que refere(se a moralidade e interesses de #stado e que pode ser @til para a compreensão do ponto de vista de Rawls? Lord Palmerso& disse9 :A .D? p. se a preocupação de um #stado com o poder $ predominante e se os interesses incluem coisas como converter outras sociedades : reli%ião do #stado. LP J <. por sua ve&. *ara atin%ir uma utopia realista. 8omo citado por Rawls? o co&te8do dos i&teresses dos 3stados &'o permitem !ue sejam est-veis pelas ra)2es certas9 isto #* por aceitarem e a%irem com firme)a com base em um direito dos povos justo !LP J 5. <. <. a a%irem se%undo a id$ia liberal de i%ualdade e respeito mutuo. a%indo de acordo com a reciprocidade. imperial ou nacional."? 7 um ar%ume&to a favor da preservaç'o de um espaço releva&te para a id#ia da autodetermi&aç'o de um povo e para al%um tipo de forma mais solta ou co&federada de 0ociedade de Povos !LP J <.

#ste crit$rio decorre da publicidade.ist3ria e cultura. DD". 56 .aver re%imes constitucionais liberais !e decentes" ra&o0veis suficientemente instalados e efica&es para resultar em uma )ociedade dos *ovos vi0vel. recon.amos de c.7? p. <5 e J C. Os povos podem ter or%ul. e o respeito que pedem $ compatível com a i%ualdade de todos os povos !cf. DC". sabendo que os outros oferecem e a%em de acordo com esses mesmos termos. mas sim de representantes de povos como tais !cf. C Her o que fora anteriormente e2posto a respeito da ra&ão p@blica. LP J L. <7".D? p.o manifesta(se como um patriotismo adequado. DC".)eara Filos3fica 4 . ou seja. mas tal or%ul. como aconteceria com as pessoas no caso das sociedades nacionais.ecer a sua moralidade baseada no crit$rio da reciprocidade !cf. como vimos anteriormente ao nos referirmos ao uso da ra&ão p@blica feita por cidadãos em sociedades nacionais C.D? p.or satisfação do +ireito dos *ovos como uma utopia realista.nverno 5676 decentes" sejam capa&es de ra&oabilidade.abitantes de povos liberais e de povos decentes. entretanto um direito dos povos deve ser tal que os cidadãos de povos liberais e os .e%ar a uma utopia realista baseia(se em . não de representes de cidadãos. LP J 5.5? p. I<". tanto os . LP J I? p. para uma mel. Eais uma ve& citamos Rawls? uma difere&ça e&tre povos liberais e 3stados # !ue ape&as os povos liberais limitam os seus i&teresses b-sicos como e"i%ido pelo ra)o-vel !LP J 5. CL". $ que com o tempo.o de sua . !G* J 5. / ra&oabilidade $ justamente a capacidade e disposição de conceder aos outros termos justos para a cooperação. I<".abitantes de territ3rios %overnados por povos decentes possam. LP J I? p.5? p. O objetivo de Rawls. # ainda? Mualquer esperança que ten. Os princípios são elaborados e acordados por representantes de povos. oferecerem termos de cooperação justos a outros povos !cf. tendam a desenvolverem um senso de justiça baseado na confiança em relação aos outros povos e aos princípios de justiça endossados por todos dentro de uma )ociedade de *ovos !cf. No plano internacional trata(se de uma ra&ão p@blica. pelo uso de uma ra&ão p@blica e de um senso de justiça. quanto os povos como povos. LP J L? p.

arles Seit& e 1. ou seja.Fernando Nunes Oliveira / partir dessas perspectivas podemos analisar o modo como o +ireito dos *ovos contrapõem(se ao realismo e ao cosmopolitismo nas relações internacionais. p. O Direito dos Povos %uardaria muitas semel. /l$m disso.umanos e princípios de justiça acordados internacionalmente como limitadores dos poderes de um #stado !FR##E/N.ecem essas mesmas normas e dispõe( se a a%irem de acordo com elas. -ustamente a partir dessas diferenças conceituais $ que Rawls pretende diferenciar povos de #stados !como tamb$m fora mencionado anteriormente".". p. 8omo j0 ficou claro Rawls recusa o realismo por buscar uma estabilidade internacional pelas ra&ões corretas.N. todos a%indo conforme uma ra&ão p@blica. Seit& e *o%%e fa&em esse uso da teoria de Rawls e defendem um cosmopolitismo mais amplo do que o apresentado por Rawls em O Direito dos Povos )e%undo )amuel Freeman em sua obra $awls. con. / teoria de Rawls entretanto não apresenta uma visão particular da nature&a .6L e 6<" antes da publicação de O Direito dos Povos ou mesmo antes da apresentação de qualquer das confer'ncias que compõem a obra.ecimento de uma moralidade do +ireito dos *ovos a teoria de Rawls acaba por distanciar(se de um realismo político nas relações internacionais. o que não $ problema. 566<. / relação de Rawls com o cosmopolitismo $ um pouco mais complicada.umana ou direitos racionais inerentes baseados em al%uma condição comum a todos !como o 57 .ecendo as normas que re%em as relações internacionais !que eles mesmos acordaram" dispondo(se a a%irem de acordo com elas e sabendo que os outros con. / estabilidade internacional pode ser ainda maior se os povos a%irem reciprocamente. como j0 vimos os princípios de justiça de uma )ociedade de *ovos põe limites a autonomia de um #stado. B7.anças com um cosmopolitismo em um determinado sentido. pois concebe os direitos . 566<. /l%uns comentadores como 8.omas *o%%e desenvolveram ensaios em que utili&avam a 1eoria da -ustiça de Rawls para tratar de questões de cun. pois $ justamente esta a sua intenção. concedendo aos outros povos o respeito devido e merecido. *ela busca de o recon.o internacional !E/R1. por ra&ões justas !conforme esclarece no J I de O Direito dos Povos ".

O0 aqueles para quem a id$ia de toler ncia pode ser contr0ria a sua visão de mundo. 7L6".)eara Filos3fica 4 . +e fato uma das principais críticas a O Direito dos Povos $ que muitos o consideram tolerante demais com os povos não liberais !E/R1. 7L7". pois muitas pessoas professam doutrinas abran%entes que não estão de acordo com a concepção liberal de pessoa. LP J 7<? p. que endossaria a e2ist'ncia de um %overno mundial $ recusado por Rawls. LP J 7<? p. 8omo descrito por Rawls? Euitas pessoas 4 vamos c. um tipo mais amplo de cosmopolitismo. a estabilidade internacional !ou mesmo local em caso de um %overno mundial" estaria abalada. *or outro lado o +ireito dos *ovos poderia sofrer a acusação de ser etnoc'ntrico. por tentar e2pandir a todos uma defesa liberal de qualidades .ospitalidade presente em A Pa) Perp#tua de Kant. 7L7".or e mais eficiente.umanas. / escol.istoricamente dominantes 4 poderiam não se reconciliar com um mundo social como descrevi. 8ontra essa acusação Rawls oferece a defesa de que não a possibilidade de estabelecer outro tipo de relação que seja considerada ra&o0vel entre diferentes povos !cf. Eais uma ve&. !G* J 7C. / relação recíproca baseada na confiança seria a mel. Rawls admite a impossibilidade de sua teoria de alcançar essas pessoas.uma relação.am0(las =fundamentalistas> de v0rias reli%iões ou de doutrinas seculares que foram . p. LP J 7<? p.N. /l$m disso. com predomin ncia de um povo sobre outro !o que $ injusto" ou não manter com os povos uns com os outros nen. ou por uma confederação de povos e não de um %overno 55 . 566<. *ara elas.5? p. com fundamento em uma posse comum da superfície da terra" . 6B a 6<". /s alternativas seriam ou estabelecer relações desi%uais. dada a e2ist'ncia de povos não liberais. pois para ser aceita sua ela deve pressupor a ra&oabilidade e a racionalidade !cf. o mundo social almejado pelo liberalismo político $ um pesadelo de fra%mentação social e doutrinas falsas. por basear(se num valor de i%ualdade e respeito que $ ponto de partida para que se aplique crit$rio da reciprocidade !cf. O cosmopolitismo não estaria ainda disposto a conceder aos povos não(liberais um respeito que pode ser devido. quando não positivamente m0s.a de Rawls por uma sociedade internacional de povos e não de indivíduos.nverno 5676 direito de . 7LL".

sobretudo na possibilidade de um %overno local justo lidar mel. /o apoiar(se na reciprocidade para ne%ar a efetividade de determinadas características do cosmopolitismo. o que estaria de acordo com o crit$rio da reciprocidade. que com a transformação das culturas p@blicas nacionais passa a encontrar bases internamente nos povos que inte%ram a sociedade de povos. acaba por transformar uma pa& entre i%uais em um valor a ser buscado.or com as necessidades de seu povo por uma pro2imidade maior e por pertencerem a uma mesma cultura p@blica !possuírem valores p@blicos semel. uma inclusão de povos não(liberais proporciona uma maior possibilidade de implementação da teoria de Rawls em relação ao cosmopolitismo. / escol. tornando(a mais pr32ima de uma utopia realista. Rawls asse%ura a inclusão de povos não(liberais mas decentes em uma )ociedade dos *ovos. que desta maneira seriam mais inclusivas. propondo um crit$rio de reciprocidade baseado numa ra&oabilidade !que terminam por serem um crit$rio moral" e limitar os poderes dos #stados transfi%urando(os em povos. /o contrapor(se ao realismo. 5D .a por uma )ociedade de *ovos ap3ia(se ainda na autodeterminação dos povos. %arantindo a esses povos um respeito merecido. e uma maior estabilidade nas relações internacionais.Fernando Nunes Oliveira mundial $ ra&oavelmente sustentada em seus fins pra%m0ticos.antes". /l$m disso. tornando uma estabilidade internacional ainda mais eficiente do que a baseada em um equilíbrio de forças. a pa& %an.a um suporte moral.

8at.o$ Peo0les: a !eal(s. Uma Teo!(a 3a Jus.GH#.(o&2 New VorW.(o&14O!(PosLa-Peo5 consultado em < de jul. 8( 567LQ566L.a&$o!32e3u1e&. !or%".umanos.nstituto Tale%o de #studos de )e%urança . Eartins Fontes. +avid /. T#e La. o$ Jus. Ra-ls. 8ambridi%e. Jo&# Ra-ls. 566DP R/\G). -or%e [a.ar #ditor.o0(a 8 5Z edition. Oavard 9niversitF *ress.os#uma&os20#05 /cesso em 7 nov 566C e salvo em O+.R/.(' u. introduction p. Re2.0:11---2o&u" *!as(l2o!+2*!13o'ume&.o 3os Po os . *ublicado simultaneamente em toda /m$rica do Norte. /cumen *ublis. 566<. 566<P YYYYYYYYYYYYYYYYY.# “. 566IP YYYYYYYYYYYY.('al L(*e!al(sm < E>0a&3e3 e3(. H". Ra-ls"F(loso$(a 0asso a 0asso 9: . Herbete para a encFclopedia on(line de Filosofia da 9niversidade de )tanford. G. . Pa!a a Pa6 Pe!07. EcTill(MueenUs 9niversitF *ress. 5B .0:110la. O D(!e(. +isponível em /#.a 3os D(!e(. 5667P ). +eclaração 9niversal de +ireitos . 4 .$('as: /9+/R+.6(65<.nternacional e da *a& 4 !#nsaios sobre *a& e 8onflitosP Hol. 1rad. O!(+(&al Pos(. 566LP E/R1. A T#eo!. . Ra-ls La.erine. 566<P FR##E/N. )ão *aulo. -o. 4 +. de ^lvaro de Hita.N.a. O L(*e!al(smo Pol?.in%. 1rad.)SN CB(L.o de 566. Routled%e !1aFlor X Francis %roup". 566.amar Fernandes de. O2ford.in% Gimited. 8olumbia 9niversitF *ress.($('a=Ao Coe!e&. Pol(. 566IP YYYYYYYYYYYY. R#. )amuel. 1rad.H#. Uma Jus. New VorW. NFt. +enis 8oitin.ua.(=a. *elotas.)eara Filos3fica 4 .#e (3ea o$ Pu*l(' Reaso& Re (se3 .nverno 5676 Re$e!%&'(as )(*l(o+!.osC3(!e(.!(es1o!(+(&al" 0os(. Gondon.. 5665P YYYYYYYYYYYY. )$r%io )$rvulo da 8un.o2s. Oavard 9niversitF *ress.(o&. 5666P YYYYYYYYYYYY. 6D(IIP OG. /lmiro *isetta e Genita #steves.('e < O!(+(&al e3(.. )ão *aulo. Rio de -aneiro. de /breu /&evedo e Rev. +ina.(7.n.(o&2 8ambridi%e. Eaterial cedido pelo autor.o. ^tica.os Buma&os em Ra-ls.mmanuel. Guís 8arlos Sor%es e Her. S0rbara Kristesen.(s. )ão *aulo. Eartins Fontes.('o. e salvo em O+P K/N1. 5666P YYYYYYYYYYYY.+V. SlacWwell *ublis. 5] edição.o$ Peo0les < @(.. 1rad.R/. +isponível em /#.