EAD UNITINS - ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO

1º PERÍODO

ANTONIO IANOWICH FILHO CHRISTIANO MOTA E SILVA

PALMAS-TO/ 2005

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APRESENTAÇÃO

Prezado (a) Acadêmico (a),

O objetivo deste material instrucional é acompanhar você nos seus estudos pois, além de ser um material que subsidia o seu curso, é um suporte para você na modalidade de educação à distância. Atenção para a formatação do material e a seqüência de estudos nessa disciplina que estamos sugerindo a você. Os conteúdos estão distribuídos em duas grandes unidades temáticas:

UNIDADE TEMÁTICA I – PRESSUPOSTOS E FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA POLÍTICA. UNIDADE TEMÁTICA II – BASES CONSTITUCIONAIS DO ESTADO MODERNO.

Para sua melhor compreensão, observe que a primeira Unidade Temática vai discutir temas que giram em torno da política enquanto ciência, e das relações da política com outras esferas da experiência humana em mútua interferência.

A segunda Unidade Temática trata do Estado enquanto centro de emanação do poder político, discutindo sua concepção, bem como a sua atividade e a dos cidadãos perante ele, mostrando, ademais, como o direito se vincula à idéia de sociedade política organizada. . Esperamos que você faça boas reflexões, consiga especializar seus conhecimentos e aperfeiçoar a sua prática!

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PLANO DE ENSINO CURSO: Fundamentos e Práticas Judiciárias DISCIPLINA: ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO ANO/SEMESTRE: 2005/2 CH TOTAL: 20 H PROFESSORES: Antonio Ianowich Filho / Christiano Mota e Silva EMENTA A Ciência da Política. A política como Ciência autônoma. Elementos de política. Partidos Políticos. Política e direito constitucional. Moral e Política. Concepção de Estado. O Estado e o Cidadão. Fundamentos do Estado Moderno. Formas de Governo e de Estado. Estado Povo e Nação. O Estado e o Direito. Papel histórico do Estado. Conteúdo Social e Formas de Estado. Soberania e Governo. O Estado e a Ordem Econômica e Social. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO UNIDADE TEMÁTICA I – PRESSUPOSTOS E FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA POLÍTICA. 1.1 – O caráter científico do estudo da política. 1.2 – Perspectivas de análise do fenômeno político. 1.3 – A conexão entre política e direito. 1.4 – A justificação da ação política diante da moral.

UNIDADE TEMÁTICA II – BASES CONSTITUCIONAIS DO ESTADO MODERNO 2.1 – A idéia e concepção de Estado. 2.2 – Perspectivas de atuação estatal na esfera econômico-social. 2.3 – O Estado sob o domínio do Direito. 2.4 – Elementos e Estrutura do Estado. 2.5 – A cidadania e a sua atuação no âmbito do poder político BIBLIOGRAFIA BÁSICA BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. 6ª Edição, São Paulo: Celso Bastos Editora, 2004. BONAVIDES, Paulo. Teoria do Estado. 5ª Edição, São Paulo: Malheiros, 2004. DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado, 25ª Edição, São Paulo: Saraiva. 2005.

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SUMÁRIO

Tema 01 – Os Fundamentos da Ciência Política Tema 02 – Política e Moral Tema 03 – Política e Direito Constitucional Tema 04 – Concepção de Estado Tema 05 –.O Estado e a Ordem Econômica e Social Tema 06 – O Estado e o Direito Tema 07 _ O Estado e o Cidadão Tema 08 – Partidos Políticos Tema 09 – Elementos do Estado

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UNIDADE TEMÁTICA I PRESSUPOSTOS E FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA POLÍTICA

TEMA 01

OS FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA POLÍTICA
Introdução Caro(a) Acadêmico (a), Você está iniciando o Curso Seqüencial em Fundamentos e Práticas Judiciárias e já deve estar pensando: “- Vou ter aulas de política, já não basta encontrar essa palavra todos os dias nas conversas de todos???” Pois bem, este primeiro tema vai trabalhar justamente sobre a Política, enquanto ciência, sua essência, seu caráter científico e os valores que estão ao seu redor. Muitas vezes, na sua prática no Cartório, na Delegacia, nos diversos órgãos do Poder Judiciário ou em outras atividades, você trabalha tão mecanicamente com aspectos legais, que não tem tempo para pensar nesses importantes conceitos. Então, vamos pouco a pouco trabalhando conceitos de suma importância para que você possa integrá-los aos seus conhecimentos do dia a dia no trabalho. Assim, você saberá o que é Política. Objetivos: • Conceituar política e mostrar como ela pode ser uma ciência; • Mostrar aspectos da evolução histórica do estudo da política; • Entender a relação entre política e direito. 1. PODER E POLÍTICA: ESSA DUPLA É COMPLICADA Você pode perceber que a palavra “poder” é empregada em tantas situações, que acaba possuindo várias acepções. Em uma delas, poder é fazer valer, por qualquer meio, a vontade pessoal. E aí, reside um problema, esse Ser está consciente do poder que quer exercer? E quando o tem, exerce-o com equilíbrio, proporção, com justa medida? O poder pode ser exercido por dois meios: a coerção (a obrigação pela força ou imposição sobre outros para que façam aquilo que você deseja) e a influência (a persuasão pela retórica e outros dispositivos voltados para a sociabilidade, capazes de fazer com que os outros ajam como se fosse por vontade própria). Dessa maneira, existe um jogo de dominação incluído no poder. Ter recursos e estratégias são dois outros elementos que se fazem presentes na discussão sobre o poder. Os recursos são as condições imediatas para o exercício do domínio, podendo eles serem simbólicos (imagem pessoal, quantidade de informação, conhecimento, posição ocupada etc.), subjetivos (das qualidades e
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Autoridade O seu poder está baseado em suas qualidades pessoais Carismática e do reconhecimento que possui em meio ao grupo.O seu poder está baseado na lei. Política se refere à vida na e da cidade (polis). coerção e punição). O poder é assimétrico quando nem todas as pessoas compartilhamno na mesma quantidade e intensidade.. ou seja. estudo do poder. não se baseia em valores morais. pois somente uma ética será estabelecida.EAD UNITINS . Veja o quadro abaixo sobre alguns tipos de autoridade: Autoridade Tradicional O seu poder está baseado na tradição. nem influência ou capacidade de resistência).br/especial/socioem/socem/poder. o controle (obter sem resistência da partes. Enquanto o carisma do líder se mantém. heroísmos. as tomadas de decisões pelos cidadãos por meio de seus representantes no governo.rtf) E A POLÍTICA FRENTE AO PODER? A palavra política é filha da civilização grega em seu período clássico. Muitas vezes. E somos nós que damos reconhecimento a isso. descritos e escritos em constituição. exploração e regimes totalitários embasam-se nesse princípio. Situações de opressão. revelações. Por exemplo. ciência do Estado e por aí afora. ele é obedecido. da sociedade racional que se estrutura e permite que um conjunto de valores sejam normatizados. O poder é uma necessidade humana e possui faces do Bem e do Mal.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Você já reparou como muita gente exerce o poder e a autoridade que tem? competências pessoais). isto é. Autoridade Legal. se o indivíduo pensar que os fins justificam os meios. A obediência é exercida por um sentimento de fidelidade. regimentos e outros atos normativos. nos costumes e valores arraigados no modo de viver e de ver o mundo de uma comunidade dada. isto é. mas é competente. A autoridade legal-racional muitas vezes pode ser reconhecida quando se escuta: Não gosto muito daquela pessoa naquele cargo. Mas o termo possui várias interpretações: arte do possível.. Essa autoridade enquanto liderança é estabelecida por faculdades mágicas. vencer e ganhar.politica. poder intelectual ou oratória. 6 . econômicos ( da materialidade dos insumos) e coercitivos (da força da vigilância. carisma. estatutos. (http://www.pro. O poder sem controle gera desequilíbrio na sociedade. O oposto do poder é a impotência (o não ter controle da situação. é técnico. mas percebendo apenas que se deseja dominar. aí reside grande perigo. todo o conjunto de regras de ordenamento que garantem consensualmente a convivência. porque sempre foram assim. O exercício do poder traz a influência (a possibilidade de indicar direcionamentos e intervenções). pode-se perceber a presença dessa concepção de autoridade tradicional quando se escuta: as coisas devem continuar assim. arte e ciência do governo.

Muitos pensadores se referem à finalidade do Estado como sendo o bem comum. p. criando as normas jurídicas que vigoraram na sociedade. p. 552) realça que sempre haverá necessidade da presença do poder político no processo de discussão dos valores e dos fatos. As reflexões da Ciência Política têm como objeto principal o poder político. Vamos focalizar o Estado. Impeachment de presidentes. sendo possível verificar os múltiplos valores que condicionam a escolha dessas regras jurídicas. estudiosos das práticas judiciárias e do Direito. mas eles sempre possuem efeitos na vida das pessoas. com normas. 2.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Contudo. pois ele é referência para nós. dito de forma diferente. vivendo num espaço social sob condições específicas. O caráter científico do Estudo da Política Os fatos políticos podem ser diversos. Vá-se acostumando com este nome. costumes e tradições a observar ou não.EAD UNITINS . 552).. Uma primeira definição de Ciência Política Ciência Política é o ramo do conhecimento humano que tem por objetivo estudar os acontecimentos. Outros preferem levar em conta as funções 7 . por fim. o bem da comunidade. faz a composição desses valores e fatos. o enfoque básico deverá consistir no ser e agir da organização política (Estado). as decisões políticas se traduzem em normas de eficácia obrigatória. E não se esqueça: a política é filha da cidade. Destacaremos agora o caráter científico da política. Reale (1992. Entrou gente no meio. as estruturas e os pensamentos que têm a ver com a política. É esse poder que. dentro da sociedade. Segundo Miguel Reale (1996. legislativo e judiciário. tudo girará ao redor do que se tem chamado de ordem e movimento da coisa pública ou.a política está aí. 4.. não se deve esquecer que a política passa por aquela dimensão que está na organização da sociedade. disputas entre os poderes executivo. garantindo a execução de seus objetivos e funcionamento. como um dos objetos da Ciência Política. 3. suas fontes e suas realizações. por mais amplo que seja o âmbito dos estudos que se realizam em tal área do saber humano. até as conversas dentro de casa entre o casais sobre a vida do país e os projetos de casa própria fazem parte da Ciência Política.. Miguel Reale.. Assim. pelejas eleitorais e eleitoreiras. Comissões Parlamentares de Inquérito. Qual é a essência da Política ? SERÁ QUE A POLÍTICA TEM UM SENTIDO??? VAMOS DAR UMA ESTUDADA !!!! Alguns critérios são utilizados para se chegar à compreensão do que é a essência da política ou poder político.

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS exercidas pelo Estado ou pela comunidade política para o resguardo do bem comum. a qual parte da concepção de que o poder político é uma construção jurídica. eles vislumbram. como educação e saúde e. 6. a moral etc. Perspectivas de Análise do Fenômeno Político São algumas as perspectivas a partir das quais se procura avaliar o fenômeno político. culturais e naturais específicos. lançou os fundamentos teóricos de que os estudiosos até hoje se utilizam para a compreensão da realidade política. todo mundo quer ter a posse e a propriedade sobre ela! E assim aconteceu com a Ciência Política. Assim. no século XX. bem como as políticas públicas. a religião. fundamentos. 216) Perigoso isso. São inúmeros os autores que. A obra Política é composta por oito livros. também. não é? 5. que solucionam os conflitos entre os membros do corpo social. como o direito. (BOBBIO.EAD UNITINS . permitir ou proibir determinados comportamentos. os quais tratam de variados assuntos como a origem do Estado. em sua obra clássica intitulada Política. por exemplo. das comunidades sociais em que se manifesta o poder político. ao exame dos critérios de legitimação do dever de obediência política. Por isso 8 . legitimação e finalidades do Estado ou.C) foi quem lançou as bases de criação da Ciência Política.C) e as passagens de uma forma de governo para outra.A perspectiva sociológica verifica as comunidades políticas e os seus pressupostos históricos. quando menos. surgida com o desenvolvimento das cidades e progresso científico-social. Outros defendem que ela é moderna. sobretudo a do filósofo grego Platão (428347 a. assinala que o uso da força é o que apreende corretamente a essência da política ou do poder político. além de citar as melhores dentre elas. os rumos que os membros da sociedade devem seguir. 2000. p. Como surgiu e progrediu historicamente a Ciência Política? Quando a coisa é boa.A perspectiva jurídica. as idéias políticas anteriores à sua. O intuito aqui não é discutir essas controvérsias. no decorrer dos séculos. jurista e cientista político italiano. Pela filosofia. . na medida em que o seu exercício obedece a princípios e regras que lhe impõem restrições e limites. em alguma medida. de modo obrigatório para todos. mostrando-se apropriado dizer que grandes filósofos da humanidade se lançaram. as leis. as decisões dos tribunais e juízes. se destacaram na avaliação do fenômeno político. uma vez que o seu aspecto mais evidente é o de determinar. o importante é perceber que: Aristóteles. . ou à proposta do que cada um teve como o modelo ideal de Estado ou. Sendo elas: . muitos defendem que o filósofo grego Aristóteles (384 – 322 a. enxergadas na sua função de impor. com os limites entre a política e outros domínios. em outras palavras. E nós nos perguntamos: Será que esses critérios são os melhores para compreender a essência do fenômeno político? Norberto Bobbio.A perspectiva filosófica orienta-se para a busca e o exame das considerações inerentes ao surgimento.

a sociedade corre o perigo de lançar-se na anarquia. Uma sociedade bem organizada necessita dos dois. do despotismo. para que só se ofereça ao público aquilo que se achar de acordo com as suas normas. ou seja. isso traz à nossa mente alguma reflexão? Certamente. ou de uma comunidade política democrática.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS se fala em Direito Político como aquele que é composto de normas que regem a organização das instituições políticas e o seu funcionamento dentro dos parâmetros juridicamente predeterminados. sem distinção de hierarquia. a partir do quadro das características das autoridades. e finalmente. 9 . Onde o direito é fraco. 238). quais os procedimentos a serem empregados para usar do poder e em quais circunstâncias. corre o risco do outro extremo. sala de aula/escola. tudo com o objetivo de impedir o uso arbitrário do poder. procure fazer o seguinte caminho: . ou seja. onde o poder não é incontrolável. sugerimos que você reproduza a tabela numa folha de papel A-3. na relação entre o poder político e o direito é como se o direito fosse um “controle de qualidade” das práticas dos poderes políticos. O direito é responsável por determinar em que ocasiões e em que condições o poder do Estado (poder público) pode e deve ser exercido. expressões como “o ato do governo é ilegal” ou uma certa “lei é inconstitucional porque contraria a dignidade da pessoa humana e os direitos humanos” etc. O melhor modelo é o do casamento entre direito e poder. em determinadas circunstâncias. 7.como você percebe a existência dessas autoridades em sua casa/família. como. Atividades Veja bem. todo poder. sendo controlado pelo direito. ou seja. local de trabalho. país/mundo? Tipo de Casa/família Sala de Rua/bairro/cidade País/mundo Autoridade aula/escola Autoridade Tradicional Autoridade Legal-racional Autoridade Carismática O espaço acima é pequeno para as respostas. segundo a concepção do Estado democrático de Direito. no qual. rua/bairro/cidade. o qual é expressão do comum acordo ativo da generalidade dos cidadãos. a intensidade de poder que se dever utilizar. quem.EAD UNITINS . em nome da coletividade. está sujeito a normas. segue regras e procedimentos legais que controlam e disciplinam a suas atividades. quando nos deparamos com o noticiário. Ora. Política e Direito Ouvimos e lemos comumente. que pessoas podem usá-lo. Em suma. Conforme Norberto Bobbio (2000. poder e direito são duas faces da mesma moeda. p. Todo aquele que exerce o poder político dentro de um Estado. por meio de leis constitucionais.

A Teoria das Formas de Governo. Teoria do Estado. explique-nos. 1996. Norberto. 1997. _____. ed. 10. _____. Ciência Política. 1995. 1997. Tradução de: Sérgio Bath. ed. 2000. Tradução de: Alfredo Fait. pois envolve muitas circunstâncias e detalhes. _____. 10 .) Você pode complementar esta temática. buscando mais conteúdos nas seguintes obras: BOBBIO. 17. O Positivismo Jurídico: Lições de Filosofia do Direito. ed. mesmo assim. São Paulo: Ícone. por que é tão difícil construir comunidade política? (É uma resposta difícil. São Paulo: Malheiros. procure respondê-la. ed. 5. ed. 2004. _____. Teoria do Direito e do Estado. Brasília: Unb.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Frente aos conteúdos construídos. ed.Filosofia do Direito. São Paulo: Malheiros. 4. São Paulo: Saraiva. Teoria Geral da Política. 2004. Paulo. Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani. Brasília: Unb. Miguel. 2000. 5. Rio de Janeiro: Campus. BONAVIDES. Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant. São Paulo: Saraiva. então. REALE.EAD UNITINS . 10. _____.

expressa na compreensão de que a política se satisfaz com a obtenção dos fins buscados pelo governante (príncipe). os fins justificam os meios. por qual razão a política estaria á margem da moral. pelo qual tem responsabilidade e segundo o 11 . Modernamente. o qual tem desafiado. é comum ouvir falar expressões como “isso é uma imoralidade”. A política e a moral têm. já se deparou com cenas de agitação social diante da revelação. seguidas pelo homem em outros campos de sua vivência? Tem sido atribuída a Maquiavel (1469-1527) a distinção entre política e moral. Nesses momentos.EAD UNITINS . A primeira é a ética de quem age segundo critérios pessoais do que admite como certo ou errado. com certeza. Mas. em comum. Objetivos: • Compreender as interrelações entre política e moral.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 02 POLÍTICA E MORAL Introdução Caro (a) Acadêmico (a). o sociólogo Max Weber (1864-1920) fez distinção entre o que chamou de ética da convicção e ética da responsabilidade. enquanto na política tudo se resume em manter e reforçar o próprio domínio exercido pelo detentor do poder. no decorrer dos séculos. ou seja. com eles. Mas. o resultado. principalmente através dos meios de comunicação de massa. Tais manifestações de indignação popular põem em destaque juízos positivos e negativos sobre o agir dos exercentes da função política e. de notícias de corrupção dentro da esfera do poder público. o difícil problema da relação entre política e moral. os mais variados teóricos. o fato de que são ambas ligadas ao domínio da ação humana. A política e a ética social Segundo Maquiavel. alheia à sua influência? Como se têm posicionado os teóricos da política sobre tal questão? O objetivo dessa aula é introduzi-lo nas mais diversas perspectivas de solução da questão das fronteiras entre a política e a moral. a atuação política está sujeita às regras da moral. 1. autor da famosa obra “O Príncipe”. • Estudar as teorias de justificação da ação política. A segunda é a ética de quem age tendo em conta as conseqüências. Você. • Introduzir a concepção filosófica sobre a autonomia da política. “político é tudo sem-vergonha” etc. na moral vale a busca do bem pelo bem.

por exemplo. Outra observação é o fato de que. 12 .EAD UNITINS . ele não morre realmente. o pensamento filosófico. A política é sujeita à moral ou vice-versa? Erasmo de Roterdã (1469-1536). nota-se que o que geralmente conta em política é o que foi feito ou se deixou de fazer. a da convicção... 3. ou seja. Por isso. a ordem pública. sustenta que o príncipe deve se sujeitar aos princípios cristãos para uma atuação política eficaz. teorias de justificação da ação política. no caso da política. 2. a integridade e a ação correta [. relegando-se os princípios ao plano secundário. Assim. é comumente observado que os candidatos a cargos políticos querem fazer com que as obras realizadas sejam uma verdadeira moeda de troca para garantir o voto do eleitorado. em sua obra “Educação de um Príncipe Cristão”. Primeiramente. A segunda delas. corresponde à perspectiva pessoal de agir. teólogo e filósofo holandês. surge a intenção de justificar as ações concretas de exercício e prática do poder político. 1516). ora a moral é obediente aos critérios tidos como próprios da política. no qual se vê com clareza a submissão do exercício do poder político a critérios de moral que qualificariam o príncipe cristão: “O prestígio de um príncipe. Todos esses fatores continuam chamando a atenção ao problema das ligações entre política e religião que têm desafiado. por séculos. chegando a haver uma confusão entre o credo e comunidade política. se preciso for. a relação de profundas ligações entre o Estado e certas visões religiosas. aquela que diz respeito ao agir com objetivos sociais como.” (ROTERDÃ. As várias teorias de justificação da ação política Em virtude da disparidade entre o universo das ações políticas e o que se esperaria como moralmente lícito. podemos ver várias teorias a respeito das fronteiras entre os dois domínios.] O bom príncipe tem a obrigação de cuidar do bem-estar de seu povo. ou adotam como úteis devem ser avaliadas pelo critério único de seu valor moral. Porém. ou seja. mas mediante a sabedoria.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS qual há de responder pelos atos praticados ou de cuja efetivação se absteve. Assim. Ademais. ou respeitam como excelentes. Num primeiro momento. de 1516. sai-se em busca de grandes realizações. ainda é observável. sua grandeza e sua dignidade régia não devem ser estabelecidas e conservadas mediante demonstrações ruidosas de posição privilegiada. o cristianismo se institucionalizou a ponto de ver-se ainda hoje o Vaticano como Estado soberano. a ética da responsabilidade corresponde à ética de grupo. Todas aquelas coisas a que as pessoas comuns se apegam como fonte de prazer. quando o príncipe perde sua vida em tal causa. A primeira das éticas. Pode-se citar como representante do primeiro tipo de monismo rígido o pensamento de Erasmo de Roterdã. Convém dedicar atenção a um trecho da referida obra. até mesmo à custa de sua própria vida. como uma sombra ainda presente do grande domínio exercido pela Igreja durante grande período da Idade Média e da Idade Moderna. principalmente em países de predomínio da fé islâmica. ora a política é submissa à moral. vamos falar da concepção segundo a qual. historicamente.

as coisas do Estado. podemos nos lembrar do pensamento de Thomas Hobbes (1588-1679). o qual não está sujeito às próprias leis que impõe. em situações excepcionais em que se justifiquem ações políticas divorciadas de seus princípios. Estado de Necessidade Nesta corrente teórica. torna-se ele indissolúvel. não é correto dizer que o príncipe é tirânico quando. no qual são conferidos ao que governará. também a ele. para Hobbes. 3) se ao Estado também são proibidas condutas ou atos permitidos aos cidadãos. qual o assunto e até que ponto do assunto se pode conversar com as multidões. ele deve determinar pessoas encarregadas de examinar as doutrinas de todos os livros. antes de serem publicados. a ele se sujeitando. Quanto à concepção de que a moral se submete à política. ficando revogada a norma moral e justificada a ação política. Logo. PRESTE BEM ATENÇÃO NAS TEORIAS DE JUSTIFICAÇÃO POLÍTICA!!!!!! 4. todos os poderes necessários à obtenção da paz e defesa de todos. Na sua obra “Leviatã”. em ocasiões de necessidade extrema. contrariando-as. O costume só se torna lei pela vontade do soberano. e quais lhe são propícias. Partindo da idéia de que o Estado é formado a partir de um pacto inicial. todas as leis derivam de seu governo absoluto. cabendo ao soberano a tarefa de juiz supremo de quais as opiniões e doutrinas são contrárias à paz. ele utiliza meios violentos.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Transparece na leitura do trecho citado que o governante deve ter em mente o bem de todos e que o único critério para julgamento de suas ações é o seu “valor moral”. O pensamento de Hobbes traz a ação política livre de juízos morais. devem ser permitidos atos que são proibidos moralmente. tendo como um de seus representantes Jean Bodin (1530-1596). Segundo ele. para quem somente o soberano (rei. apenas. é o soberano que igualmente escolhe as ocasiões. 13 . inclusive as leis da Igreja. Além disso. o sistema político se submete às regras da moral social. ao tratar da lei civil. Hobbes. 2) há situações que se mostram como um verdadeiro estado de necessidade. Assim. soberanamente. príncipe) julga o que é justo ou injusto. imprescindível para resolver certa situação em que se encontra o Estado ou a comunidade política. uma vez que o soberano detém o poder e a responsabilidade de gerir. em estado de necessidade. expressa por seu silêncio e enquanto durar o seu silêncio ou o seu consentimento. expõe que o único legislador é o soberano. Celebrado o pacto. Além disso. qualquer costume não se torna lei apenas pela prática prolongada no tempo.EAD UNITINS . como melhor entender. São dois os pressupostos básicos do monismo flexível: 1) o sistema moral se compõe de leis universais de conduta.

simplesmente. mas independentes Segundo tal teoria de justificação. não cabe consideração sobre justo e injusto. Maquiavel parte da distinção entre ações finais e ações instrumentais. SUJEITA A REGRAS ESPECIAIS? O pensador Norberto Bobbio (2000.EAD UNITINS . 189) questionou se a atividade política é uma atividade com características específicas que exigem um regime normativo particular e com a mesma razão de ser de qualquer outra ética profissional. que não serve a nenhum outro fim. enquanto ética do político. Segundo o Paulo Bonavides. podemos citar o pensamento de Hegel (1770-1831). a ética do político e. mas que ao filósofo parece. O importante é que o Estado cumpra a sua tarefa. 6. dessa maneira. Para essa teoria de justificação da ação política. ética especial. Ética Especial SERIA A POLÍTICA UMA ATIVIDADE ESPECIAL. o Estado da filosofia hegeliana é um fim em si mesmo. 14 . a necessária conformação do indivíduo-membro à ética do grupo. 7. 3) quando se decide o bem-comum. p. a totalidade moral. Nunca poderemos sujeitar a ação política a imperativos de moral abstrata que se distanciam das exigências que o movimento histórico impõe ao Estado. para refletir sobre a razão do consentimento de práticas especiais aptas a atingir um fim próprio à política. mas não totalmente independentes uma da outra.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 5. 2) é o atingir das finalidades que torna legítimas as ações. semelhante às diversas éticas profissionais. a política e a moral são postas como separadas. para quem o Estado tem uma razão de ser concreta e somente essa existência concreta pode servir e valer como princípio condutor de sua ação. A respeito. Relacionadas. Política e moral totalmente separadas Chegamos aqui ao pensamento de MAQUIAVEL !!!! O pensamento de Maquiavel mostra a mais extrema separação entre a política e a moral. A ética política torna-se. O que está no alicerce desse pensamento? 1) o que importa é atingir as finalidades. Enfim. Enquanto as ações finais são julgadas com base no valor por elas buscado. pode ter os seus motivos justificados para a provação de uma conduta que à pessoa comum pode parecer imoral. há uma distinção necessária entre a moral e a ética de grupo em que se encaixa a práxis política. o terreno da ação política é o lugar onde vigora uma ética especial.

na Constituição. como disse mais acima. Na Constituição da República Federativa do Brasil. o que importa é o êxito bom ou mau. o socorro ao necessitado. encontramos. Mas. não partir do bem. Se é aquele que realiza o bem comum. a religião. É indispensável que a cidadania reflita e distinga a ação política boa da ação política má. por quais critérios se há de fazer essa distinção? É nesse ponto que entra nossa segunda consideração. que possua ânimo disposto a voltar-se para a direção a que os ventos e as variações da sorte o impelirem e. onde não há tribunal para que recorrer. Os meios que empregar serão sempre julgados honrosos e louvados por todos. Primeiro. 15 . então nem toda finalidade é lícita. p. a própria existência de teorias de justificação de exercício do poder político mostram que existem exigências morais. acima de tudo. com o intuito de refrear e impedir os excessos no âmbito do Estado. Quando perdida. ao princípio da moralidade. dentre outros. A política seria o domínio das ações instrumentais. valores e fins dos quais não se pode libertar a prática histórica política. bem como a divisão dos poderes nas mãos de diversos órgãos. é oportuno considerar certos fatores. propôs-se a definição de direitos fundamentais do cidadão.. Para isso. e nem todo resultado é merecedor de aplausos. existe uma moralidade típica de uma república. Logo. e o mundo é constituído pelo vulgo. e não haverá lugar para a minoria se a maioria não tem onde se apoiar. reina apenas a ambição e o tesouro público se torna patrimônio de particulares. por exemplo. O caminho para a resposta pode estar no Estado de Direito. a humanidade. e especialmente um príncipe novo. É necessário. saber entrar para o mal. não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons. na acepção do moderno constitucionalismo. sendo freqüentemente forçado. é a virtude. por exemplo.. porque o vulgo é levado pelas aparências e pelos resultados dos fatos consumados. a fé. vencer e conservar o Estado. 1996. conforme exposto por Montesquieu. a idéia de Estado de Direito. mas. no rumo do constitucionalismo. Como exposto por Maquiavel. Procure. máxime dos príncipes. a agir contra a caridade. as ações instrumentais são julgadas com base no resultado obtido. você pode perguntar. se a isso estiver obrigado [. um príncipe. o qual condiciona a atuação do poder político.EAD UNITINS . Veio então. uma norma que diz que a administração pública obedecerá. para manter o governo. por isso.” (MAQUIAVEL. É possível separar a política e a moral? Embora sejam várias as correntes de pensamento que tentam resolver a questão das relações entre política e moral. que é a lei suprema e fundamental. segundo a qual todas as estruturas do poder político e a organização da sociedade devem observar as normas de direito presentes. 102) 8.] Nas ações de todos os homens. Subsiste ainda o questionamento sobre o que é o bom governo. O constitucionali smo pode ser exposto como uma técnica de rompimento do arbítrio ou do abuso de poder.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS como. impondo diversas normas que vinculam a atividade política. pois. podendo. ao falar do que deve estar na mente do príncipe (do governante): “E há de se entender o seguinte: que um príncipe. a qual.

Para um conhecimento mais aprofundado do assunto tratado na presente aula. Teoria do Estado. 1996. se preciso for. Teoria Geral da Política: a filosofia política e as lições dos clássicos. Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Atividades Relacione as colunas. Rio de Janeiro: Campus. BONAVIDES. MAQUIAVEL.” Comentário: A atividade tem por finalidade reforçar o estudo do texto. sua grandeza e sua dignidade régia não devem ser estabelecidas e conservadas mediante demonstrações ruidosas de posição privilegiada.” ( ) “O prestígio de um príncipe. Nicolau. releia o texto com mais atenção. ficando a segunda coluna assim relacionada C. Paulo. B. se você encontrou alguma dificuldade na resolução deste exercício. CONSELHOS aos Governantes. um príncipe. a integridade e a ação correta. São Paulo: Nova Cultural.EAD UNITINS . Norberto. vencer e conservar o Estado. pois a resposta está na compreensão do mesmo. pois. 2004. ed. ( ) “O bom príncipe tem a obrigação de cuidar do bem-estar de seu povo. você pode consultar as seguintes obras: BOBBIO. O Príncipe. 1998. expressa por seu silêncio e enquanto durar o seu silêncio ou o seu consentimento. até mesmo à custa de sua própria vida.” ( ) “Procure. Portanto. Brasília: Senado Federal. 2000. B e A. São Paulo: Malheiros. associando as idéias a seus respectivos pensadores: ( A ) Maquiavel ( B ) Erasmo de Roterdã ( C ) Thomas Hobbes ( ) O costume só se torna lei pela vontade do soberano. 5. mas mediante a sabedoria. 16 .

tudo visando à responsabilização dos agentes públicos desonestos. os escândalos ligados ao uso indevido do dinheiro público têm gerado o ajuizamento de muitas ações penais e ações civis públicas. como lei fundamental do Estado.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 03 POLÍTICA E DIREITO CONSTITUCIONAL INTRODUÇÃO Caro (a) Acadêmico (a). Objetivos: • Esclarecer que a Constituição. • Entender os diversos aspectos do caráter político da Constituição. Nesta aula. põem-se contra atos dos poderes públicos tidos como ilegais. Você já dever ter notado que a todo momento. ele passa obrigatoriamente pela Comissão de Constituição e Justiça. “o judiciário declarou inconstitucional a lei número tal”. È comum também ouvir expressões como “vou recorrer ao Supremo Tribunal Federal. “o poder judiciário anulou contratação ilegal de pessoal. pessoas vão aos tribunais.EAD UNITINS . se necessário”. para ser avaliado pelo ângulo de sua conformidade com os ditames da Constituição Federal ou Estadual. ou seja. assegurando que o poder político se moverá dentro dos padrões exigidos pelo interesse público. Em todas as situações lembradas. das coisas em seus devidos lugares. 1. por ausência de concurso público”. antes de sua eventual avaliação pelo plenário das casas legislativas. Na tramitação de qualquer projeto de lei. podemos ver que há um conjunto de regras que delimitam a ação do Estado. 17 . exigem o cumprimento das leis e. em ordem a tornar mais clara a sua compreensão. podemos notar também que. reclamam seus direitos. partiremos de algumas informações básicas. sobretudo. interfere na formação de sua estrutura. Por último. • Mostrar aspectos da evolução histórica da idéia de Estado de Direito. as profundas ligações entre política e direito. ESTADO CONSTITUCIONAL A Constituição tem sido definida como a ordem jurídica fundamental do Estado ou como o estatuto jurídico do político. A palavra estatuto faz a gente lembrar que tudo no Estado deve seguir os passos de um sistema de regras criado para facilitar o andar harmonioso das coisas. A palavra “ordem” dá a idéia de organização.

dando-lhe os parâmetros que estabelecem os seus órgãos e as atividades para as quais eles são instituídos. cristalizados principalmente entre o fim da Idade Média e o século XVIII. Mesmo assim. ademais. O constitucionalismo antigo é o conjunto de princípios escritos ou costumeiros. O CONSTITUCIONALISMO Para melhor esclarecer o fato de que a Constituição é uma lei que tem por finalidade fundamental regulamentar o poder político. em constitucionalismo moderno e constitucionalismo antigo. 2. em primeiro lugar. PRESTE ATENÇÃO NO QUE VAI SER DITO !!! Fala-se. submetendo-o ao cumprimento de regras jurídicas. que constavam as limitações do uso do poder pelo monarca soberano. a supremacia do indivíduo. Assim como o arquiteto desenha uma casa. às lutas contra o absolutismo. com a concepção de direitos inatos ao homem e anteriores ao Estado. o uso racional do poder através do cumprimento do poder político. que são vários os momentos e os lugares em que surgiram aspirações no sentido de limitar o exercício do poder. A expressão constitucionalismo moderno designa todo um movimento filosófico e político de questionamento das bases de legitimação do uso tradicional do poder político. 2005. cuidando de cada aspecto dele. os quais são imprescindíveis dentro do Estado. 168) Aos fatores assinalados correspondem três grandes exigências: ao jusnaturalismo.EAD UNITINS . já que só. cuidando dos seus detalhes. a Constituição projeta o Estado. levada a efeito por fortes movimentos de contestação. (DALLARI. cabendo-lhe respeita-los. é possível definir o constitucionalismo como teoria que sustenta o princípio do governo limitado como sendo imprescindível à salvaguarda dos direitos dos cidadãos. e ao iluminismo. Vários fatores se uniram para a formação da idéia moderna de Constituição: jusnaturalismo. Em outras palavras. com a busca pelo uso racional do poder político. era como entregar as chaves do galinheiro nas mãos da raposa. Embora o monarca estivesse sob o dever de observar certos preceitos. 18 . ele era o único legitimado a aferir do seu cumprimento ou não.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS As definições apontadas nos fazem concluir que o objetivo da Constituição é conferir as regras de conduta do poder político. Deve-se deixar claro. a de limitação ao poder político. ao soberano caberia dizer se cometeu ou não abuso de poder. e o iluminismo. a luta contra o absolutismo político. com a finalidade de dar uma estrutura para o funcionamento normal do poder político. é preciso estudar um pouco o constitucionalismo. de nada podendo ser responsabilizado perante seus súditos.

eles foram demasiadamente influenciados pela sua pátria mãe. (CANOTILHO. 2003. Além disso. São bem variados os momentos e condições históricos. as quais são obrigatórias e duradouras. regulamentado pelas leis. para se defenderem contra as ilegalidades praticadas em nome do INGLATERRA Estado ou contra as ações indevidas de outros cidadãos. Partindo-se da constatação de que. criou-se um conjunto de regras jurídicas com a intenção de manter o Estado dentro de limites de atuação justos e razoáveis. Na concepção dos teóricos norte-americanos. Além disso. ou seja. o sistema norte-americano põe grande confiança nos tribunais. os que exercem o poder político têm cometido abusos e excessos. As leis e os costumes do país passaram a estar acima do poder soberano do rei. encarregando-os de fazer valer o império do direito. os cidadãos ingleses têm direito de acesso aos tribunais. o poder legítimo é o que cumpre a obrigação constitucional de governar segundo as normas DA postas na Constituição. Para compreendermos o tamanho do crédito recebido pelos tribunais nos Estados Unidos. basicamente. ESTADOS UNIDOS AMÉRICA 19 .EAD UNITINS . eles podem até declarar que uma lei é nula e sem eficácia em razão de contrariar a Constituição. 52) 3. A partir de então. ESTADO CONSTITUCIONAL E O ESTADO DE DIREITO O que é Estado de Direito? Por Estado de Direito entende-se. todos os atos do poder executivo passaram a ser controlados pelo Parlamento. bem como os padrões culturais. no curso da história. p. de Estado Constitucional. foi imposta a Magna Carta ao rei João Sem Terra.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A Constituição na acepção moderna é a organização sistemática e racional da comunidade política através de um documento escrito no qual se declaram as liberdades e os direito e se fixam os limites do poder político. determinando-se que. que resultaram na formação do Estado de Direito e. Em 1215. pela Inglaterra. E quanto aos Estados Unidos? Como era de se esperar. principalmente a autoridade máxima da Constituição. deveria ser observada a utilização de um processo justo. antes de tirar a liberdade ou os bens de qualquer cidadão. com isso. a limitação do poder político por meio de regras jurídicas. A prática constitucional norte-americana mostrou uma idéia de Constituição como lei fundamental que trazia os esquemas fundamentais do governo e seus respectivos limites.

São características do Estado de Direito alemão: a lei votada pela representação popular deve ser respeitada em qualquer intervenção do Estado na liberdade individual e na propriedade privada. limitação do poder soberano através de regras jurídicas. o Estado de feição liberal substituiu o Estado de Polícia. a administração pública tem o dever de obedecer às leis (princípio da legalidade da administração). o Estado de Direito substituiu o Estado Policial.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS FRANÇA ALEMANHA Na França. para fazer valer as regras do direito. No Estado de Direito há a primazia da lei sobre todo e qualquer ato do poder executivo (princípio da legalidade da administração).EAD UNITINS . enquanto os aspectos econômico e social andariam segundo as regras da liberdade individual e da liberdade de concorrência. O Estado passou a ter a atividade limitada à defesa da ordem e da segurança públicas. Na Alemanha. O Estado de Polícia é aquele que se diz protetor da felicidade e do bem-estar social. Enquanto o chamado Estado de Polícia acabou reforçando a autoridade e a consolidação do poder do rei. Depois. qualquer intervenção do Estado nos direitos individuais deveria ser aceita. Para a teoria do Estado Policial. prevalecendo o Estado sobre o direito. dizendo ter o direito de compreender melhor que as pessoas aquilo que dissesse respeito à sua felicidade. controle dos atos da administração pública pelo poder judiciário. assumindo clara posição de protetor. 20 . durou por muito tempo o chamado Estado de Polícia. atuação do poder político dentro dos limites do necessário e do que for adequado e proporcional para solucionar os problemas. desde que visasse a realização e a proteção do bem social. o Estado de Direito ou “Estado Jurídico” fez regras jurídicas limitadoras dos poderes e definidoras dos direitos dos cidadãos.

1 Fundamentalidade Formal A fundamentalidade formal significa que as normas que estabelecem os direitos fundamentais estão em patamar superior a todas as normas das outras leis. O poder legislativo cria as leis que serão aplicadas a todos os cidadãos. para o filósofo francês. já que o seu objetivo é a descoberta das leis que governam o movimento e as formas das sociedades humanas. 1997. somente o poder pode deter o poder. a qual pode ser considerada uma teoria geral da sociedade. Tais direitos são fundamentais no sentido formal e material. Para assegurar essa liberdade. 128) Os três poderes são o legislativo. de 1748.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 4. ao invés de liberdade. cria-se a limitação do poder como meio. como essencial em todos os sistemas constitucionais. O nome de tal fenômeno é constitucionalização. 4. o poder executivo aplica essas leis com o objetivo de realizar o bem comum. e o poder judiciário aplica as mesmas leis para resolver os conflitos que ocorrem entre os membros do corpo social. ou um juiz com a força de um opressor. (BOBBIO. desde a Declaração dos direitos francesa. de 1789. Montesquieu parte da constatação de que todo aquele que detém o poder tende a dele abusar. 21 . haverá leis tiranas aplicadas tiranicamente. já que teríamos um juiz legislador. O pensador francês Montesquieu (1689-1755) tornou-se famoso por sua notável obra O Espírito das Leis. Inexistirá liberdade se o poder judiciário estiver nas mãos da mesma autoridade que exerce o poder legislativo ou o poder executivo. dandolhes a proteção mais efetiva. para assegurar a liberdade política. indispensável. O ESTADO CONSTITUCIONAL E A SEPARAÇÃO DOS PODERES Para estabelecer a sua doutrina de divisão dos poderes. Logo. sendo tido. o executivo e o judiciário. Assim. p. 4. 5. a separação dos poderes seria o meio indispensável. O princípio da separação dos poderes se transformou numa verdadeira inspiração para as mais diversas Constituições contemporâneas. Podemos resumir o pensamento de Montesquieu da seguinte forma: Se o poder legislativo e o poder executivo forem exercidos pelo mesmo titular. com poder absoluto sobre a vida dos cidadãos. seja um monarca ou um grupo de indivíduos. elas não podem ser revisadas por outras leis e as normas constitucionais que os definem não podem ser alteradas. pelo qual se entende a incorporação de direitos do homem em normas da Constituição. já que a Constituição é a lei de maior hierarquia. Assim.2 Fundamentalidade Material Os direitos fundamentais são materialmente fundamentais no sentido de que por eles se exprime princípios que são básicos no Estado e na sociedade.EAD UNITINS . O ESTADO CONSTITUCIONAL E OS DIREITOS FUNDAMENTAIS A definição na própria Constituição de direitos fundamentais do povo é elemento integrante da noção de Estado Constitucional.

7.3 Função de garantia e proteção A Constituição garante os direitos e liberdades fundamentais. todas as funções conferidas à Constituição dizem à organização e ao exercício do poder político. além das atribuições dos órgãos públicos que compõem a estrutura do Estado. Ou seja. 7. procura estabelecer meios de manifestação de todas as idéias. a força e a eficácia do restante das normas.1 Função de consenso fundamental A Constituição mostra a concordância fundamental dos cidadãos em torno de princípios. 22 . 7. (CANOTILHO.2 Função de legitimidade e legitimação da ordem jurídicoconstitucional A Constituição regulamenta o poder com base em valores jurídicos encontrados na consciência jurídica geral de uma determinada comunidade. obtendo aí a sua legitimidade. todo ele é constituído pela Constituição. com vista a proteger a liberdade dos cidadãos. levando em conta a diversidade de grupos e interesses dentro de uma comunidade. e a dimensão formal. 287) Pluralismo político é a concepção que. na qual é dito ao Estado que se dirija de certa forma.4 Função de ordem e ordenação O Estado é estruturado com órgãos distintos e interdependentes.EAD UNITINS . Já que a Constituição regulamenta o exercício e o uso do poder político. A democracia é. Em um Estado pluralista. 2003. sendo elas a dimensão material. valores e diretrizes que servem de padrões de conduta política em uma determinada comunidade. pela qual o Estado democrático se obriga a perseguir determinados fins como a realização do pluralismo político e dos direitos fundamentais. Com efeito. p. O princípio democrático tem duas espécies básicas de dimensões. (CANOTILHO. essencialmente. Todo poder político é outorgado pelo povo e por ele ou em seu nome será exercido. a Constituição é como uma placa de sinalização de trânsito. sempre em busca do bem comum. 7. É na Constituição que se encontrará também o fundamento de toda ordem jurídico-política. Essa realidade se traduz em verdadeira legitimação do poder político. 1438) 7.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 6. o governo do povo. entendida esta como aquela em que o Estado democrático vincula a legitimação do exercício do poder político à observância das regras e procedimentos estabelecidos pelo direito. 2003. já que a Constituição possui hierarquia superior a todas as demais leis e atos das autoridades estatais (princípio da supremacia da Constituição). a Constituição põe limites à atuação do poder político. FUNÇÕES CLÁSSICAS DA CONSTITUIÇÃO Os laços entre política e direito ficam mais claros quando pensamos sobre a questão das funções da Constituição. A Constituição fixa o valor. procurando atender os anseios e harmonizá-los efetivamente. Vejamos suas funções. os vários grupos ou centros de poder social tem a função de limitar e controlar as vontades isoladas dos detentores do poder político. p. Assim. O ESTADO CONSTITUCIONAL E A DEMOCRACIA Outro traço fundamental da Constituição e da sua ligação com a política é o fato de que ela estabelece um governo democrático. É dever de todas autoridades respeitar os direitos fundamentais do povo.

Atividades Marque V. levando em conta a diversidade de grupos e interesses dentro de uma comunidade. ed. procura estabelecer meios de manifestação de todas as idéias. Tradução de: Sérgio Bath. 10. obtendo aí a sua legitimidade. 1997.25. bem como as relações de convívio entre eles. lendo os seguintes livros: BOBBIO. a Constituição é a lei que trata. Em um Estado pluralista. ed. da determinação das competências. se você teve dúvidas. poder executivo e poder judiciário). J. revise seus estudos. Elementos de Teoria Geral do Estado. 2004. Você poderá obter mais informações sobre o assunto tratado nesta aula. estabelecendo a separação dos poderes ou funções políticas (poder legislativo.EAD UNITINS . 2005. Brasília: UnB. ed. Gomes. J. 7. as quais são somente aquelas postas na própria Constituição (princípio da tipicidade da competência). a título exclusivo. de forma mais atenta. e Teoria da DALLARI. Teoria do Estado. bem como as relações de convívio entre eles. ed. se a afirmativa for verdadeira e F. Teoria das Formas de Governo. Coimbra: Almedina. BONAVIDES. voltando à leitura do texto. ( ) A Constituição regulamenta o poder com base em valores jurídicos encontrados na consciência jurídica geral de uma determinada comunidade. os vários grupos ou centros de poder social tem a função de limitar e controlar as vontades isoladas dos detentores do poder político. 2003. se for falsa ( ) A Constituição tem sido definida como a ordem jurídica fundamental do Estado ou como o estatuto jurídico do político. ( ) Pluralismo político é a concepção que. estabelecendo a separação dos poderes ou funções políticas (poder legislativo. CANOTILHO. Direito Constitucional Constituição. ( )A Constituição define a estrutura de organização do Estado.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 7. poder executivo e poder judiciário). 5. Paulo. Comentário As afirmações acima estão todas corretas. Por último. São Paulo: Saraiva. procurando atender os anseios e harmonizá-los efetivamente. A Constituição define a estrutura de organização do Estado. ( ) É na Constituição que se acha a definição das competências e atribuições dos órgãos que compõem a estrutura do Estado.5 Função de organização do poder político É na Constituição que se acha a definição das competências e atribuições dos órgãos que compõem a estrutura do Estado. 23 . Norberto. São Paulo: Malheiros. Dalmo de Abreu.

(BASTOS. portanto. é um tipo de sociedade criada a partir da vontade do homem e que tem como objetivo a realização dos fins daquelas organizações mais amplas que o homem teve necessidade de criar para enfrentar o desafio da natureza e das outras sociedades rivais. 2004. tecer alguns comentários sobre o moderno conceito de Estado.EAD UNITINS . 42/43) Como vimos. faz-se portanto imprescindível que um único órgão exerça esse poder. ou seja. portanto. • Conceituar Estado. definindo primeiramente o que é Estado e dando a voçês uma noção mais precisa deste e sua importância em nosso cotidiano. na medida em que a própria complexidade da vida social começa a demandar uma maior quantidade de decisões por parte dos poderes existentes. de um ato de vontade do homem que cede seus direitos ao Estado em busca da proteção e para que este possa satisfazer suas necessidades sempre tendo em vista a realização do bem comum. seja pelo conflito 24 . precisamos preliminarmente conhecer o que é Estado. Para isso. • Trabalhar sobre o tema da justificação do Estado. O Estado nasce. Na medida em que começam a se alargar as esferas de atuação do poder coletivo. INTRODUÇÃO Caro (a) acadêmico (a). é dizer. seja pelo meio hostil em que vive. 1. A presente aula tem por finalidade. Objetivos: • Esclarecer a noção de Estado. nos filiamos ao entendimento de Celso Ribeiro Bastos onde diz: O Estado é. uma espécie de sociedade política. a partir de suas origens. O QUE É ESTADO? Para que possamos entender a organização do Estado.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS UNIDADE TEMÁTICA II BASES CONSTITUCIONAIS DO ESTADO MODERNO TEMA 04 CONCEPÇÃO DE ESTADO. o Estado nasce da necessidade do homem diante das dificuldades enfrentadas. p. precisamos conceituálo e para obtermos um Conceito de Estado devemos partir de um questionamento inicial: O que é Estado? Para respondermos a esta questão.

que considera o Estado como uma divergentes sobre o conceito espécie de Sociedade Política. neste sentido manifestou Bastos: No fundo. Assim. Na prática. ao estudar o fenômeno estatal. não é possível se distinguir as duas correntes. no início dos Tempos Modernos. sendo que o de Estado diz respeito a sua Estado Moderno que conhecemos – que relação com a sociedade pode ser definido pelo conjunto de seu povo.EAD UNITINS . é importante haver essa distinção. 2004.. historicamente. considerado o mais importante destas espécies. mas não contemplavam todas as características próprias de Estado que são. de acordo com Bastos: [. (BASTOS. na definição de Celso Ribeiro Bastos: Povo. 2004). no entanto. influenciando esse contexto social e político na sua formação. mas a verdade é que o Estado é simultaneamente um fato social e como tal passível de estudo pela sociologia. que a cada dia se torna mais dinâmica e complexa. A segunda corrente prioriza a organização normativa ou. na Antiguidade Clássica. ter em mente duas correntes diferentes. p. surgindo este num momento histórico bem definido. o homem viu-se compelido a delegar poderes para um órgão abstrato que serviria para dirimir os conflitos e organizar e gerir a sociedade. que o Estado é uma das espécies de Sociedade Política. não se conhecia o Conceito de Estado. considera que não há Estado sem povo ou território. Alguns defendem que território e poder político – é apenas um dos Estado e sociedade política se vários tipos de Estado existentes.. é que se há de reduzí-lo a alguma de suas múltiplas manifestações. política.]que o Estado é a organização política sob a qual vive o homem moderno. Um dos pontos segunda. Mas o homem não viveu sempre em sociedade e. o Estado é simultaneamente as duas coisas e só por conveniência de estudo. mas para fins didáticos. conhecível e estudável pelo Direito. Diante dessas situações e das necessidades da organização da vida em sociedade. mais Entendemos que a corrente mais correta é a precisamente no Século XVI. o surgimento do moderno conceito de Estado fica localizado. uma vez que estas se complementam.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS com outros humanos. podemos dizer. 44) É bom lembrar que o moderno conceito de Estado nasceu na conturbada transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. Devemos portanto. o poder coercitivo que possui o Estado. ou em virtude das limitações da ciência que não se consegue dar conta do real senão secionando-o ou restringindo-o a uma única dimensão. A primeira dá maior importância aos caracteres materiais do Estado: seu povo e seu território. Esta segunda corrente. nessas condições. tendo surgido no século XVI. Não podemos negar que as Cidades Estado Gregas. como tambem é um fenômeno normativo e. Ela caracteriza-se por ser resultante de um povo vivendo sobre um território delimitado e governado 25 . bem como o Império Romano. mesmo nas comunidades primitivas. outros entendem estudaremos nas próximas aulas. Concluindo. conforme identificam. já apresentavam primórdios e indícios de uma organização estatal. Território e Poder Soberano (Bastos. momento de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna.

assim como todas as coisas. o Estado era criação divina. e que ele próprio designaria o homem ou a família que deveria exercer a autoridade estatal”(BASTOS. p. que era quem lhe conferia o poder e só Ele poderia tirá-lo. 2. e portanto. segundo Bastos. (BASTOS. A Outra corrente era a da “Teoria do Direito Divino Providencial” que. os jusnaturalistas defendiam que o Estado surgia da própria necessidade do homem de viver em sociedade e era o aperfeiçoamento natural dessa vida comum.52). ORIGEM DO ESTADO Para que possamos nos aprofundar na origem do Estado. uma vez que buscava separar os valores humanos da religião. Dentro da Doutrina Teleológica. vários foram os autores que discutiram o seu surgimento ou a sua origem. posição e ordem. defendia que o Estado surgia das próprias exigências da natureza humana.1 Doutrina Teleológica: Seus principais estudiosos foram São Tomás de Aquino. dessa forma. (BASTOS. um de seus maiores defensores foi o rei Luís XIV da França. bem como de suas necessidades. o que servia para reforçar a força do rei e das monarquias absolutistas. tal poder não poderia ser contestado e só caberia ao rei (que representava todo o Poder Estatal) prestar contas a Deus. já que os princípios de solidariedade e amizade eram inerentes ao homem. que “o Estado era obra imediata de Deus. uma das social.49).ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS por leis que se fundam num poder não sobrepujado por nenhum outro externamente e supremo internamente. defendia “a idéia de que o estado foi instituído pela providência divina. do poder”. 2. entre elas podemos destacar: 2. Quanto à origem. Já em seu sentido ontológico. ou seja. vinha para contraditar a teoria teleológica. Estado deriva da palavra latina “status”.2 Doutrina Jusnaturalista: Essa teoria surgida no final da Idade Média início da Idade Moderna. a palavra Estado é. p. 2004. começaremos por entender a origem etmológica da palavra Estado. que teve seus maiores defensores na França. Essa doutrina defendia que o poder advinha de Deus e. 26 . de acordo com Bastos: “um organismo próprio dotado de funções próprias. p. Partindo desses pressupostos. 2004.EAD UNITINS . Santo Agostinho e Jaques Bossuet. a maior defensora dessa corrente foi a Igreja Católica. 2004. durante a Idade Média e que defendia. inerente aos seres humanos. haviam duas correntes: a “Teoria Pura do Direito Divino Sobrenatural”. p. sendo que estes autores formularam diversas teorias com a finalidade de explicar o surgimento do Estado. que afirmava que todo Poder advinha de Deus.51). baseando-se no fato de que anterior ao Direito Positivo. o modo de ser da Os povos antigos não utilizavam a palavra sociedade politicamente Estado para definir a sua organização organizada. ela foi introduzida por Maquiavel em formas de manifestação sua obra “O Príncipe” de 1531. servindo o Estado apenas para normatizar aquilo que já era inerente ao ser humano e de tornar exigível esses princípios. que o dirigia de maneira indireta através da direção providencial dos acontecimentos e das vontades humanas (livrearbítrio)”(BASTOS. havia um Direito Natural. 2004. 48). que pode ser traduzida como estado. segundo Bastos.

p.52). simples instrumento de dominação. Segundo Bastos.. 2. Hobbes “[. a condição passa a ser igual para todos e sendo assim ninguém terá interesse em torná-la onerosa aos outros”. Bodin. Os principais defensores desta teoria foram Jean Bodin e Luwig Gumplowicz. admitia a possibilidade de o Estado nascer através de duas formas distintas. Thomas Hobbes e Jonh Locke. onde estes abrem mão de seus interesses pessoais em prol da coletividade. Para os defensores desta doutrina. 2004. 27 .4 Doutrina da Força do Estado: Para os defensores desta teoria o Estado nasce da supremacia dos mais fortes sobre os mais fracos. que teria como base a transferência do poder divino para a pessoa do pai. Diversas são as teorias que buscam explicar a origem do Estado. constituindo-se em uma forma de manutenção dessa soberania.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS servindo o Estado como o meio para se atingir o bem comum. Locke dizia que “[. (BASTOS. segurança e proteção de direitos e bens”(BASTOS. Essa teoria teve como seus principais expoentes. sendo portanto este. em busca de uma formação jurídica que desse ao homem a garantia da proteção a seus direitos individuais dentro da coletividade. p. defendem o progresso do Estado natural para um estado social. que diante das necessidades celebra com a coletividade um pacto com a filnalidade de criar um Estado forte. o Estado surgia por meio de um pacto celebrado entre os homens. E é através destes pactos. 2004.]defendia a idéia de que a sociedade política foi criada a partir da celebração de um contrato social firmado entre os homens.]o homem cede todos os seus direitos naturais em prol da sociedade política.5 Teoria Familiar: Esta teoria defende que o Estado surge diretamente da família que através de sua expansão surge como sociedade política. mas tendo por princípio de que qualquer uma das formas tinha por finalidade principal a manutenção da vida. surgindo naturalmente de forma necessária a continuidade da busca de uma sociedade perfeita. pois dando cada um o todo inteiro. sendo retomada e intesificada na Idade Média. Já para Rousseau. Estes. p.3 Doutrina do Contrato Social: A base desta doutrina se deu com Aristóteles na Grécia Antiga. sendo que os mais fortes impõem sua vontade aos mais fracos através do Estado. em busca de harmonia. sendo portanto um poder patriarcal. dotado de personalidade jurídico política. Já Gunplowicz defendia que o Estado era nascido naturalmente da luta do mais forte para subjugar o mais fraco. que o homem construiu o Estado.. sendo o Estado uma forma de aperfeiçoamento da vida em sociedade.. paz. ou pelo contrato social.]o que instituiu a sociedade política foi o consentimento de todos os homens em unir-se para fundar um só corpo social. o Estado surge da vontade do homem. no contrato social “[.. fundando-se em características divinas. Dessa forma. 2004. 57). 2. Jean Jaques Rousseau. 56). Assim. 2.EAD UNITINS . assim como os jusnaturalistas. capaz de proteger os interesses individuais ao mesmo tempo em que busca o bem comum. através da força do mais forte sobre o mais fraco.. 53).. p. 2004. “No direito natural os princípios que imperavam eram os de que ninguem deve prejudicar nínguem e que deve se dar a cada um o que é seu”(BASTOS. mas nenhuma delas sozinha consegue explicar satisfatoriamente a origem deste. dotado de poder” (Bastos. em que o poder estatal é exercido pelo chefe da família.

(BASTOS. Os interesses do Estado não podem se sobrepor aos valores da pessoa humana. que sempre precisaram destas para garantir a obediência as suas normas. pois o Estado surge de um somátorio de fatores que devem ser estudados juntos para se concluir todo o desenvolvimento. 60) Diante disso. uma vez que todas elas possuem parte da razão. religiosos.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS uma vez que o surgimento do Estado está ligado a ínumeros fatores. pode-se dizer que ele se justifica na segurança jurídica que transmite. p. cabe a ele garantir e proteger o Direito.______________________________________________ ________________________________________________________ ______ Doutrina Jusnaturalista. é dizer. Atividades 1) De acordo com o texto que trata sobre a concepção de Estado. podemos concluir que a origem do Estado deve ser estudada sem nos filiarmos a nenhuma destas teorias. Portando. todavia isso não implica em dizer que está ele restringido a uma mera organização judicial ou até mesmo a simples elaboração de uma legislação.______________________________________ ____________ 28 . econômicos entre outros. 2004. defina em três linhas o que você entende como conceito Estado? ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ 2) Caracterize as cinco doutrinas que tratam sobre a origem do Estado. Na verdade isso significa apenas que o Estado tem como uma de suas funções aplicar e também executar os princípios gerais do direito. desde o seu surgimento até o que ele é atualmente.____________________________________________ ________________________________________________________ Doutrina do Contrato Social. mas sem deixar de valorar os interesses pessoais dos membros da coletividade. Tais teorias serviam como forma de legitimação dos Estados. fica claro que o Direito é inerente ao Estado. a finalidade permanente do Estado. como uma das finalidades do Estado a busca do bem comum. de acordo com texto: Doutrina Teleológica.EAD UNITINS . sendo este um meio para se chegar a um dos fins que é o Direito. portanto. Constitui-se. sociais. Nesse sentido cumpre dizer que o Estado tem como um de seus fins o jurídico. e não há unicamente um destes como defendem as diversas teorias apresentadas. sendo o Bem Comum. e consequentemente a organização da sociedade e o alcançe do bem comum. 3 JUSTIFICAÇÃO DO ESTADO Bastos assim define a justificação do Estado: No que se refere a justificação do Estado.

25ª Edição. Ricardo Luiz. 5ª Edição.jus. Celso Ribeiro. São Paulo: Saraiva. Elementos de Teoria Geral do Estado. assim você fixará melhor os pontos relevantes. ALVES._________________________________________________ ________________________________________________________ Comentários: Faça essa atividade como uma forma de releitura do texto. DALLARI.__________________________________________________ ________________________________________________________ ______ Doutrina Familiar. São Paulo: Malheiros. Acesso em: 26 de junho de 2005. Teoria do Estado. BONAVIDES. A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke. 6ª Edição.EAD UNITINS .br/doutrina/texto. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS BASTOS. Dalmo de Abreu.com. 2004. São Paulo: Celso Bastos Editora. 2005.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS ________________________________________________________ Doutrina Força do Estado. 29 . 2004.asp?id=6181>. Disponível em <http://www1. Paulo. colocando os pontos principais de cada doutrina.

por sua vez. fazendo-se referência à existência de padrões fixados no direito positivo do Estado.EAD UNITINS . O principal meio de produção na agricultura é a terra. está estreitamente ligado às origens do Estado Moderno. Meios de Produção são os meios empregados por qualquer tipo de trabalho para a produção de bens. com aplicação diretiva da movimentação das pessoas no referido plano. ouve-se sempre falar em coisas como reforma previdenciária. ou seja. O poder político se estende por um vasto domínio da atividade humana. pp. Capitalismo é o modo de produção que se baseia na propriedade privada dos meios de produção e distribuição de bens e riquezas. armazéns etc). emenda constitucional do sistema financeiro nacional etc. sendo uma das chaves de compreensão do modo de produção capitalista. ferramentas). 1. por isso se convencionou falar em ordem econômica e social. O jusnaturalismo lockeano O jusnaturalismo lockeano está na base da própria concepção liberal política e econômica. os instrumentos de produção (máquinas. as várias formas de energia e os meios de transporte utilizados na produção de qualquer bem. (OLIVEIRA. Assim. a qual. procurando mostrar aspectos de sua evolução política. Objetivos: • Compreender as bases históricas e filosóficas das diversas posturas de atuação do Estado na ordem econômica e social. • Especificar as formas de Estado Social nas Constituições. bem assim. As instalações (edifícios. é a maneira como a sociedade produz seus bens e serviços. fazendo-se sentir sua ingerência normatizadora inclusive no domínio econômico e social. num mercado em que haja livre concorrência entre as empresas. Fazem parte dos meios de produção também as jazidas e outros recursos naturais. 2004.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 05 O ESTADO E A ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL Introdução Caro (a) Acadêmico (a). 251-252) 30 . nova lei de falências. 242. o modo como os utiliza e a forma como os distribui. Bem. O objetivo da presente aula é refletir sobre o Estado e a ordem econômica e social. Modo de Produção é a totalidade das forças produtivas e das relações de produção de uma certa sociedade. na busca do lucro e no trabalho livre e assalariado. e.

existem limites à sua atuação. Para Locke. o poder que as pessoas tinham sobre as coisas decorria do estado de natureza. a política está a serviço da economia. direitos e deveres naturais. O liberalismo revela uma concepção individualista da sociedade. sem distinção. o poder não pode ser absoluto.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS As diferentes formas de pensamento jusnaturalista têm como ponto em comum a afirmação de que todos os homens. ele sabia que ninguém poderia provocar danos à vida. revelando-se ilegítima qualquer intromissão no âmbito de livre disposição das coisas ou dos bens pelos particulares. independentemente de sua própria vontade. por força da própria natureza e. ao ser governado pela lei da natureza. detentores de certos direitos fundamentais. Deve-se ter em conta que essa limitação dos poderes e funções estatais se desdobra em dois aspectos que precisam ser distinguidos. à liberdade ou à propriedade das outras pessoas. com o objetivo de impedir o abuso e o excesso de poder. protegendo os cidadãos de ilegalidades praticadas por outros. O outro aspecto é o da limitação de atuação do Estado no campo da propriedade privada. bem como zelando pela estabilidade da pátria no plano das relações internacionais. no qual o homem possuía perfeita liberdade e igualdade e. p. inclusive as da livre concorrência econômica. 11) John Locke (1632-1704) parte do estado de natureza. pelo próprio fato de serem derivados de uma lei natural. das quais derivam. como em toda e qualquer lei moral ou jurídica. (BOBBIO. são. no estado de natureza ou na sociedade natural. Em suma. ou seja. o do Estado mínimo. O jusnaturalismo pode ser definido como doutrina segundo a qual existem leis não postas pela vontade humana. ou seja. protegendo a sociedade de danos ao regime de liberdades gozado por ela. nada tinha a ver com o Estado e a instituição da sociedade política. o estado de natureza seria o momento econômico anterior e determinante do poder político. assim. para Locke. direitos e deveres que são. diante do soberano detentor do poder político. Um deles é a distribuição dos poderes entre órgãos políticos diversos. aquele que intervem somente para garantir a ordem pública interna e externa. ou seja. O que é liberalismo? A essência do pensamento liberal ou liberalismo é a limitação do poder do Estado na ordem política e na ordem econômica. Esse mesmo pensamento é que ajuda a construir o pensamento liberal. os homens vivem segundo as leis naturais. Toda uma formulação teórica foi elaborada para justificar a proteção. 31 .EAD UNITINS . O ideal era. A esse primeiro aspecto corresponde a idéia de Estado de Direito. qualquer empecilho ao livre comércio e gozo. à saúde. Em outras palavras. Logo. como sendo aquele em que as decisões políticas se tomam com observância das normas. ou seja. Na compreensão dos liberais. 2. O Estado tem poderes e funções limitados. de cuja observância as autoridades não podem se descuidar. 2005. de esferas pessoais de ação humana e de propriedade privada.

que marcou a ruptura com o Estado absoluto. que não se verificavam nas situações do dia a dia da maior parte da população. inspirada pelos ideais liberais. O que é socialismo? A Revolução Francesa. o resultado das revoluções comandadas por certas forças sociais contra a monarquia foi a celebração de novos acordos ou pactos entre o soberano e os súditos. se constituía num protesto contra a sociedade dividida entre possuidores dos meios de produção e trabalhadores semi-escravizados. então.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O individualismo sugere que primeiro existe o indivíduo isoladamente considerado. levou a um quadro de exploração do proletariado. plena liberdade individual na esfera espiritual e na esfera econômica. Ou seja. transformando homens em máquinas de trabalho e produção. na França. entre outros. no dizer de Bonavides. estabelecendo. em terríveis condições de vida. uma série de limitações ao exercício do poder político. Assim. Assim. de 27 de agosto de 1789. os direitos de liberdade civil e política. Reinvidica-se. Ao lado do prevalecimento das teorias liberais. Babeuf. As Revoluções Liberais A mais notável conseqüência histórica da efetivação da concepção liberal foi o surgimento de revoluções voltadas à derrocada dos regimes monárquicos de poder absoluto. enfim. o indivíduo é considerado na sua capacidade de autoformação. a revolução industrial. com as suas necessidades e os seus interesses e. Owen. 32 . teceu uma série de críticas de cunho negativo. depois. se encontra o da liberdade econômica dos cidadãos. expressas na Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão. O socialismo utópico. Nesse quadro. de progresso intelectual e moral num regime de máxima liberdade em relação a qualquer norma externa que lhe seja imposta pela força. nos quais se vislumbrava um novo sistema de direitos e deveres. visando uma sociedade mais igualitária. No meio dos direitos então assegurados e constitucionalizados. acabou se contentando com uma sociedade dividida em classes e cheia de desigualdades econômicas e culturais. direitos de resistência ou de oposição perante o Estado. a mais famosa revolução liberal se confunde com o maior acontecimento do século XVIII: a Revolução Francesa. direitos de prestação negativa.EAD UNITINS . a liberdade e a propriedade privada. representado por Proudhon. vem a sociedade. muito embora tenha gerado várias transformações na idéia de Estado e de suas relações com os cidadãos. Pelas revoluções liberais veio a se afirmar o rol dos direitos fundamentais de primeira geração ou dimensão. de desenvolvimento. fortalece-se o socialismo utópico o qual. onde se passava a resguardar de abusos do poder a vida. Consoante assinalado por Bobbio. com todas as profundas mudanças por ela operadas nas relações econômicas. criticando a discrepância observável entre liberdade e igualdade formal asseguradas nas Constituições e a liberdade e igualdade reais. Fourier. Revolução Francesa foi um movimento político-social liderado pela burguesia. 3. 4.

que abre caminho à concretização do socialismo. Como proposta política e científica estava a extinção do Estado e. o Estado Social transformador do status quo. cujas bases científicas foram propostas pelos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). cujas Constituições os descrevem como sociais: o Estado Social conservador. embora os proteja. As diversas formas de Estado Social nas Constituições E nos nossos dias. em diversos sistemas constitucionais. tencionando o estabelecimento de condições de vida igualitárias e justas. A grande revolução socialista foi um dos maiores acontecimentos do século XX. Nesses sistemas. os quais acabam por prevalecer na interpretação da Constituição. acabando assim qualquer luta de classe. e o Estado Social das ditaduras.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Com a passagem do tempo. sobreveio o socialismo científico. diante de sua inutilidade. O socialismo científico propunha que. acaba por colocar nas mãos do legislador a definição de 33 . os quais tinham em comum com o socialismo utópico a busca por uma sociedade igualitária. fazendo-a peça decorativa de um Estado conservador de cunho efetivamente liberal. de direitos econômicos. historicamente. em nada orgânica. da opressão de uma classe sobre as outras. a Revolução de Outubro na Rússia. seria automaticamente extinto. o qual agiria na esfera tida até então como privada. As Revoluções Socialistas Os ideais socialistas também se traduziram. entrando em jogo a teoria da superação das classes e a dialética marxista. servindo como instrumento de poder da classe forte e privilegiada. o resultado foi a formação de várias espécies de Estado Social. sociais e culturais. enquanto a sociedade. No pensamento de Marx e Engels. mas o seu compromisso mais profundo é com os princípios do liberalismo econômico. geralmente se deixa ao legislador a tarefa de concretizar os princípios de justiça social e igualdade. é a expressão de classes irreconciliáveis e antagônicas entre si. Estado Social conservador É aquele em que a Constituição o define como social. a qual destronou os czares. cujo cumprimento é reclamado pela ingerência do capital e de seus fatores reais de poder. quais resultados podemos ver do confronto entre os ideais liberal e socialista? Podemos dividir em quatro os Estados. 6. 5. reclamando-se daí em diante um Estado intervencionista. os quais dominaram o cenário principalmente após a segunda guerra mundial. a sociedade é mecanicista.EAD UNITINS . os meios de produção passariam à propriedade estatal. após isso. Pois a Constituição. A obra revolucionária socialista resultou no reconhecimento. bem como de direitos coletivos ou de coletividades. mas deste se diferenciava pelo fato de seguir um método de observação e de avaliação das relações econômico-sociais. em revoluções que mudaram radicalmente a própria concepção de Estado. 7. Assim. e o Estado. portanto. o Estado Social da concretização da igualdade e da justiça social. através da tomada violenta do poder pelo proletariado.

do livre embate e debate das idéias e dos meios constitucionais de ascensão ao poder político. 9. 11. contêm uma imposição obrigatória dirigida aos órgãos de direção política. É. é impedido o retrocesso social. sem que. a afirmação de justiça social e igualdade por parte de regimes totalitários que se querem legitimar no poder através do uso de um aparente compromisso transformador da sociedade. a educação. então. Enquanto as Constituições liberais são marcadas pela falta de alusão aos direitos sociais. saúde. J. sem abrir mão da perspectiva democrática.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS uma política. dando abertura à substituição do sistema capitalista e a adoção estatal de um socialismo. que as normas constitucionais. dos meios necessários. Estado Social transformador do status quo O Estado Social transformador do status quo é uma concepção que. vê-se o compromisso e a prática efetiva. em nome de projetos de justiça social. o Estado não pode criar políticas públicas ou fazer normas que resultem na aniquilação dessas vantagens sociais. entendendo. Sendo assim. Assim. segundo J. Porém. segundo a qual. Em segundo lugar. Significado constitucional do Estado Social Por muito tempo foi sustentada a tese. o moderno constitucionalismo democrático rejeita esse posicionamento. moradia. a eliminação da democracia e do pluralismo político. desde que obtido um certo grau de realização dos direitos sociais e econômicos. propõe que a Constituição não somente enseja a concretização da igualdade. no Estado Social das ditaduras ocorre. Gomes Canotilho. 10.EAD UNITINS . um Estado Social apenas no nome e na proposta. 8. em troca. entra aquela frase de Kelsen. para isso. criando-se condições sociais melhores. mas vai além. referentes ao Estado Social. a qual se torna sem resultado no plano dos anseios populares de igualdade e justiça social. Em primeiro lugar. forneça efetiva e justa compensação ao desgaste criado. no sentido de que a Constituição finge dar com uma das mãos enquanto retira com a outra. nos mais diversos âmbitos: educação. já que somente poderiam servir de conselho ou de regra de boa conduta para os exercentes do poder político. na verdade. usando. ou seja. Desse caráter impositivo derivam várias conseqüências jurídicopolíticas. 34 . as normas constitucionais referentes a direitos sociais como a moradia. Estado Social das ditaduras O Estado Social das ditaduras é. Estado Social da concretização da igualdade Nessa espécie de Estado Social. previdência social etc. o trabalho seriam meramente programáticas. nunca poderia sequer ser ajuizada uma ação para resolver o problema da falta ou omissão do poder público no tocante à concretização desses direitos. destituídas de eficácia. através de políticas públicas da igualdade. o legislador está autorizado a concretizar a transformação e a modernização das estruturas econômicas. trabalho.

Brasília: Unb. São Paulo: Malheiros. ed. o Estado Social da concretização da igualdade e da justiça social. BONAVIDES. Norberto. 6. ed. 1996. 25. Introdução à Sociologia. OLIVEIRA. Comentário As afirmativas acima visam fixar o conteúdo do texto. criticando a discrepância observável entre liberdade e igualdade formal asseguradas nas Constituições e a liberdade e igualdade reais. Teoria do Estado. 2005. São Paulo: Ática. 1997. Liberalismo e Democracia. Paulo. ed. 35 . a afirmação de justiça social e igualdade por parte de regimes totalitários que se querem legitimar no poder através do uso de um aparente compromisso transformador da sociedade. São Paulo: Malheiros. que abre caminho à concretização do socialismo. Atividades Diga se as afirmações são verdadeiras ou se são falsas ( ) O Estado Social das ditaduras é. 5. entre outros.Curso de Direito Constitucional. Owen. de forma que se vocês consideraram difíceis de serem resolvidas leiam mais uma vez o texto.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Em terceiro lugar. são todas verdadeiras. Do Estado Liberal ao Estado Social. Tradução de: Marco Aurélio Nogueira. teceu uma série de críticas de cunho negativo. Babeuf. KELSEN. na verdade. portanto. 2001.EAD UNITINS . representado por Proudhon. e o Estado Social das ditaduras. 7. Você pode complementar seu estudo buscando mais informações nas seguintes obras: BOBBIO. _____. ( ) A mais notável conseqüência histórica da efetivação da concepção liberal foi o surgimento de revoluções voltadas à derrocada dos regimes monárquicos de poder absoluto. _____. São Paulo: Malheiros. o Estado Social transformador do status quo. 2004. Tradução de: Luís Carlos Borges. 2004. 2. visando uma sociedade mais igualitária. ( ) O socialismo utópico. ed. ( ) Podemos dividir em quatro os Estados cujas Constituições os descrevem como sociais: o Estado Social conservador. Pérsio Santos. _____. ed. Teoria Geral do Direito e do Estado. 1995. Locke e o Direito Natural. Hans. São Paulo: Martins Fontes. Tradução de: Sérgio Bath. São Paulo: Brasiliense. que não se verificavam nas situações do dia a dia da maior parte da população. as normas constitucionais asseguradoras do Estado Social devem ser tidas em conta na interpretação da Constituição. levando o poder público a se abster de fazer leis que firam os projetos constitucionais de igualdade e justiça social. Fourier.

p. seria o indivíduo a matriz do Estado e do Direito. que ao contrário do culto antigo. Assim. segundo Jellinek. visto que. a influência do cristianismo. (BONAVIDES. como o Direito para o Jusnaturalismo é um dos fundamentos do Estado e. 2004. 119) Dessa forma. partindo do indivíduo. já não coincide com o Estado. era fruto da ação de alguns fatores: o individualismo germânico. o fim do Estado está diretamente ligado ao individualismo. a concentração da vida política medieval em inúmeras corporações. Introdução Nestas duas próximas aulas iremos discutir a interação e interdependência entre Estado e Direito. era o indivíduo que legitimava a existência do Estado. 36 . que interfere diretamente no cotidiano de todo cidadão mas. E. conforme o afiaçam as lutas do Santo Império Germânico com o Papado.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 06 O ESTADO E O DIREITO. mas o moderno pensamento Jusnaturalista. proporcionando a vocês um maior conhecimento dessa relação. para os jusnaturalistas. não havendo até então uma noção exata de sociedade como a conhecemos. e se torna autônoma. O DIREITO NATURAL E O ESTADO O Direito Natural ou Jusnaturalismo é discutido desde a antiguidade. Objetivos: • Mostrar que a idéia de Estado pressupõe uma ordem jurídica que organiza a vida dentro da sociedade política organizada.EAD UNITINS . baseando-se este em verdades eternas e imutáveis que deveriam nortear todos os Estados de forma semelhante. na Grécia Antiga e em Roma. tutelar ou rivalizante. metendo a personalidade humana em plano significativamente transcendental e lançando as bases ao individualismo da idade moderna. diante desta filosofia individualista do Jusnaturalismo. pelo pensamento jusnaturalista. acima de tudo. entre os operadores do Direito. 1. demonstrando o quanto cada um é importante e necessário para a existência e sobrevivência do outro. e a Igreja. • Introduzir o acadêmico no conhecimento das teorias jusnaturalista e liberal do Estado e do Direito.

ligando a idéia de Jusnaturalismo a natureza humana que seria estável e constante. Conceito de Jusnaturalismo: “Por Jusnaturalismo se entende uma doutrina segundo a qual existe e pode ser conhecido um ‘direito natural’ (ius naturale). portanto. p..”(BONAVIDES.]a doutrina que se identifica com a natureza humana não se sujeita nunca as limitações impostas pelo Estado. “[. 2002.”(BONAVIDES. necessariamente inválida para abranger direito que lhe é anterior e superior.. 2004. 123) O Jusnaturalismo tinha o Estado como contrário a liberdade. esse direito teria validade em qualquer lugar. concluiu-se que “as verdades eternas e os direitos imutáveis seriam sempre divergentes. p. que legitimasse todo o direito positivo com ela acorde”(BONAVIDES. p. 2004. indiferente de suas características culturais.” (BONAVIDES. assim como seus sucessores até o século XIX. Segundo Paulo Bonavides. havendo portanto.. “a determinação dessa essência humana imutável. uma vez que esta seria uma sociedade utópica em virtude de que seria formada apenas por homens redimidos e puros. um sistema de normas de conduta intersubjetiva diversa do sistema de normas fixadas pelo Estado. p. buscando traçar a este. 120) O Jusnaturalismo Escolástico tinha como seus maiores expoentes São Tomás de Aquino e Santo Agostinho. do qual um dos precursores foi Rousseau. pois para este: “[. Torna-se. p. e o Estado um mal necessário. portanto. portanto. sendo a Monarquia a melhor forma de governo. Com isso. o que acabou por desacreditar as teorias de Grotius. outro pensador.EAD UNITINS . 122) Segundo ainda Grotius. limites rígidos de ação.] não passou de um momento na dinâmica do direito. Enquanto durou esse pensamento individualista do Jusnaturalismo. tempo e espaço. 2004. defendendo a idéia de que mesmo para aqueles que não acreditam em Deus havia um Direito Natural inerente. pergunta esta que veio a ser feita pelos empiristas como Savigny. esqueceram-se de determinar a forma de especificar qual seria a natureza humana que serviria de base a suas teorias jusnaturalistas. 34) Mas Grotius. de acordo com a doutrina estatal jusnaturalista. acabou por produzir diversas consequências tanto no campo da política como do direito.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS este direito natural era inerente a todos os homens. o que era inconcebível no plano terreno. havia o Jusnaturalismo Racional. que defendiam que o homem tinha duas faces distintas. principalmente. uma vez que está não é demonstrável e pode portanto ser adaptada conforme as conveniências de quem a estiver interpretando.”(BONAVIDES. uma boa e outra má. ou seja. Hugo Grotius. a jurisprudência deveria estudar. 2004. o maior percalço da teoria jusnaturalista a definição do que seria a “essência humana imutável” que é definida por cada pensador de forma particular. fazendo com que esse intervísse o mínimo possível na liberade dos indivíduos. o Jusnaturalismo.. 124) 37 . outra que entende com a secularização do Sistema Estatal. já havia admitido a possibilidade de se desvincular o direito natural da teologia cristã.”(CORRÊ A. p. E. De outra ponta. mas antes dele. forma jurídica de associação confinada no espaço e. de forma absoluta sendo portanto incontestável. conforme se tomasse por princípio essa ou aquela suposta esência humana. 2004. Para Grotius. 122). negavam a possibilidade da democracia. duas fases distintas do pensamento jusnaturalista: “Uma que corresponde à preponderância do espírito escolástico.

p. por falecer ao positivismo jurídico capacidade criadora ou autonomia para a livre produção de valores. que os defensores do jusnaturalismo. de pesquisa científica e de consciência política. Diante disso. como a lliberdade de confissão religiosa. mas todo o direito que não fosse positivado. p.”(BONAVIDES. delimitando as áreas consideradas imutáveis. nas suas leis e manifestações objetivas. na sua ética e essência.EAD UNITINS . diante das indagações de Rousseau a respeito da liberdade humana. Kelsen contestava não somente o Estado jusnaturalista. uma vez que mesmo nascendo livre. era carente de coação de sua aplicação. anotadas por Max Ernst Mayer. independente da realidade. entre outros por Jellinek. se via preso pela sociedade e por suas regras. teve. segundo Kelsen.”( BONAVIDES. cuja doutrina a esse respeito merece ser atentamente considerada. é. como teoria modificadora da realidade humana e social. dando a estas regras constitucionais o status de direitos inalienáveis da pessoa humana. 2004. 2004. que inteiramente derrogado na esfera política e econômica. 125) Kelsen. constituído por uma ordem jurídica positiva. como: São Tomás de Aquino e Kant “consideravam o direito positivo. “Daí o caráter supostamente revolucionário que teria o direito natural. diz Bonavides: “Nele se esteou o liberalismo individualista. o direito natural não pode ser considerado revolucionário. combatida ao presente por Kelsen. na ocasião em que deixa de possuir o sentido de força estável em que 38 . como queriam alguns de seus defensores. o homem. fazendo com que essas questões acabassem se tornando objeto de estudo da ciência do direito e da filosofia. para o progresso consequências positivas de cunho espiritual. Esses aspectos teleológicos individualistas do direito natural tiveram sua discussão acentuada. sendo que quando se tornasse exigível por meio de imposição estatal estava este automaticamente tornando-se positivado. 124) Essas idéias foram adotadas pelo direito positivo em quase todas as Constituições dos países. essa tese. ainda. necessariamente. oriundo do direito natural e a este subordinado. todavia. nesse sentido manifesta-se Bonavides: O mais profundo na percuciente análise de Kelsen é a verificação feita por este de que. Kelsen afirmava.” (BONAVIDES.126/127) Preocupavam-se estes pensadores em criar métodos para confirmar a superioridade do Direito Natural sobre o Direito Positivo. concluiu que o Estado é.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ainda. vedando expressamente ao poder estatal modificá-las ou revogá-las. em seus estudos. que assevera estarem indescritivelmente vinculados o chamado etado natural e direito de resistência. uma vez que este direito inerente a todos. não admitindo um Estado jusnaturalista. sustentada. 2004. quando se dá a desnaturação conservadora do direito natural. p.

. quanto maior for a liberdade individual dentro da segurança jurídica. ao produzir . o seu valor para a ordem política que o vinha utilizando. partia-se do pressuposto. (BONAVIDES. Para isso. de progresso e revolução. p. deixando de lado as teorias absolutistas. para converter-se. então. uma vez que este era considerado um mal. que deveria ser mantido mediante as garantias legais.1 A proteção do direito como finalidade suprema do Estado Para o Estado kantiano. houve um crescimento exacerbado do individualismo. nacional. dessa forma: 39 . diante das dificuldades conceituais que este apresenta. imperativo era impor-lhe restriçoes constitucionais. estudando o Estado sobre um outro prisma. havia a necessidade de se reavaliar os estudos até então realizados.EAD UNITINS .. 2004. na consciência dos povos. como aconteceu depois da comoção revolucionária do século XVIII. Dessa forma. e a mais defendida e privilegiada era a da separação dos poderes. (BONAVIDES. que negavam a liberdade individual atraves de normas e regulamentos que tinham por finalidade limitar as ações humanas para assim alcançar a felicidade. substiuí-lo a todo transe. 2. Em vez da natureza ou da razão. 132) Neste momento histórico. sendo Kant.] Estado como fato Absoluto e não do Estado como fenômeno histórico e realidade concreta no tempo. 2004. 2. Então. fazendo um estudo do “[. 2004. já que essa ordem era considerada ideal. a ideologia da escola histórica. O ESTADO JURÍDICO SEGUNDO KANT Durante a trasição do mercantilismo para o liberalismo. Urge. perde o mesmo. poderíamos resumir a teoria do estado Jurídico de Kant. presente ou futuro[. que o Estado deveria ser mantido o mais longe possível. p.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS repousam a Sociedade e o Estado por ele tutelados.. em instrumento de transformação e reforma. 128) Com isso. e diante da impossibilidade de sua exigibilidade. dando grande dimensão as liberdades individuais. que defendia a ausência de intervenção do Estado na vida da sociedade. bem como com a Revolução Francesa que modificava os conceitos de Estado então vigentes. 134).]”. segundo Bonavides. que fazia da liberdade o princípio fundamental do Estado. Foi o que fez a reação conservadora. um dos formuladores desta teoria. nem tampouco pode ser considerado como a base da criação do Estado. para assumir uma doutrina mais liberalista. este novo Estado necessitava de uma teoria jurídica que lhe desse a sustentação necessária a sua manutenção. a única finalidade do Estado seria a de manter e estabelecer a ordem jurídica. coube a Kant presidir e direcionar tais pesquisas. p. historicamente. o espírito popular. As idéias de Kant assemelham-se ao Estado Constitucional de Montesquie. dando ao indivíduo total liberdade. pois frente a esse neo-individualismo. concluimos que o direito natural não foi um direito revolucionário. tinha por fonte do novo direito o chamado Volksgeist. segundo Kelsen. segundo afirma Paulsen (Bonavides. a não ser quando adquire característica de direito positivo ao ser aplicado ao caso concreto. Diante disso.. de acordo com Kant.

não refere a fato histórico. Kant não indaga a história da origem do pacto. Seria completa sua função de alheamento. faça um resumo do conteúdo abordado neste. 137) Assim. poder-se ia compará-lo à figura de um inspetor de quarteirão ou guarda de trânsito. Paulsen afirma que: “o contrato social de Kant.”(BONAVIDES. mas em norma para a função estatal.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS “Nega a doutrina de Kant a teoria eudemonística do iluminismo.”(BONAVIDES. servindo este de meio de resolução de conflitos e forma de se alcançar o fim maior do Estado que é a busca do bem comum. 2004. que lhe atribui. segundo Bonavides. o Estado é ordem neutra e.] Em suma. 2004. Atividade De acordo com o texto.EAD UNITINS . a teoria do Estado de kantiano é a expressão jurídica do liberalismo. se anteriormente não houvesse Kant reconhecido por justa alguma participação do direito no progresso espiritual de cada ser humano. e por sua vez o Direito serve de sustentáculo ao Estado. mas a razão de ser do Estado. ao contrário do que preconizava a teoria wolfiana. podemos concluir que a relação entre Estado e direito é muito próxima e interdependente. Consiste a missão do mesmo num protecionismo benigno. mas exprime tão somente uma idéia racional. Abstém-se o Estado de qualquer intervenção a favor da ventura humana que fica de todo arredada de suas cogitações. uma vez que lhe confere autoridade e credibilidade. _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ 40 . [. p. conforme observa judiciosamente Jellinek. a função cpital e única de ‘garantir a coexistência dos homens em sociedade’. tecendo comentário e abordando os pontos que vocês consideram importantes. sendo que. que não se constiui em uma simples manifestação empírica.. p.. se nos for lícita a comparação antropomórfica. Protege os indivíduos contra a violência interna ou externa. Em Kant. 135/136) Um dos principais pontos do pensamento de Kant é a teoria contratual. pois serve o Estado para aplicar o direito e fazer valer as grantias individuais. para derivar do contrato social aquela norma de cunho teleológico (jurídico) a que alude Windelband. ao contrário de Hobbes e Rousseau. paternal.

3ª Edição. 6ª Edição. Paulo. BONAVIDES. A Construção da Cidadania: Reflexões HistóricoPolíticas. 2002.EAD UNITINS . Ijuí: UNIJUI. Teoria do Estado. 2004. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS. Celso Ribeiro. 2004. São Paulo: Malheiros. Darcísio. fixando os pontos importantes e compreendendo melhor este. CORRÊA. 5ª edição. 41 . Curso de Teoria do Estado e Ciência Política.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ Comentário A presente atividade tem por finalidade exercitar a escrita ao mesmo tempo que faz com que vocês retomem o texto. São Paulo: Celso Bastos Editora.

ou seja. uma vez que sua base conceitual começou a ser buscava sair da condição de desenvolvida com o crescimento do servidão característica do mercantilismo. para termos uma visão mais ampla da interação destes. de sua importância bem como de suas funções em nosso cotidiano. e o elemento social. característico da época medieval. uma vez que o sendo esta a base da burguês não se adaptava ao sistema Revolução Francesa. o elemento político. Os direitos civis surgiram no século XVIII. com a criação da feudalismo para uma burguesia é que se começa a formular o condição de liberdade. bem como as suas dimensões e. ORIGEM HISTÓRICA DA CIDADANIA O conceito de cidadania começou a ser formulado na Grécia e Roma antigas. 1. Uma vez que humanos. conceito de cidadão. entrando na discussão e definindo cidadania. vamos agora abordar a o tema referente ao Estado e o cidadão. feudal. sendo É importante ressaltar que a que o moderno conceito de cidadania moderna origem da esta diretamente ligado ao direito. Objetivo: • Mapear as origens históricas do conceito de cidadania. conseqüente. diante da luta da burguesia para sair de seus status de servidão. concernente aos direitos ligados ao bem estar econômico e a herança social.EAD UNITINS . A formação do conceito de cidadania se deu de forma evolutiva.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 07 O ESTADO E O CIDADÃO. consubstanciado pelos direitos ligados à participação no exercício do poder político. Introdução Dando continuidade ao nosso estudo sobre o Estado. relacionado com os direitos civis de liberdade individual. os 42 . em cidadania está diretamente função das idéias jusnaturalistas que ligada à questão dos direitos embasaram as revoluções. mas o conceito moderno de cidadania tem sua origem na revolução francesa. importância no âmbito do Estado. não sendo formulado de forma precisa e definitiva em um dado momento: Segundo autores como Marshall e outros o desenvolvimento histórico da cidadania vem ligado as três fases ou elementos dos direitos humanos: o elemento civil.

Para Sieyes. como a luta por espaços políticos na sociedade a partir da identidade de cada sujeito. então. sendo estes detentores de direitos e deveres. Essa definição de cidadania está diretamente ligada à condição pública do cidadão. havia dois tipos de cidadania. devemos nos ater aos estudos do escritor francês Sieyes. independente de suas condições financeiras. e os econômicos-sociais no século XX.(CORRÊA. que foi um dos protagonistas da revolução francesa. conforme defendia Sieyes. CORRÊA. e esta ligação se dá pela nacionalidade. 2002. Sendo reconhecida a cidadania somente àqueles que estão integralmente ligados a sociedade em que vivem. necessita estar ligado a um Estado. a cidadania. Cidadania civil ou passiva constitui o laço jurídico que liga todos os indivíduos a um Estado. podiam exercer a administração do Estado através da do voto e da elegibilidade que era somente admitida a burguesia. Mas foi o conceito de cidania civil que possibilitou o moderno entendimento da cidadania. uma vez que este é composto por suas particularidades. estendendo esta a todos os membros do Estado. para que o indivíduo seja um cidadão. p. 2002. portanto. ficando estas restritas ao interesse privado. termos uma nacionalidade. indiferente de suas condições pessoais. o status de cidadão e sendo portanto iguais em direitos e deveres. mas para que possamos conceituar. Para isso. devemos necessariamente estar ligados a um Estado e. consequentemente.2 Dimensão Política da Cidadania Para podermos exercer a cidadania. recebendo. 217) 2.1 Dimensão Jurídica da Cidadania Essa conceituação está diretamente ligada à questão dos direitos humanos. como sujeito de direitos. fazendo emergir a autonomia de cada sujeito histórico. CONCEITO DE CIDADANIA A conceituação de cidadania se torna matéria difícil em virtude de sua estreita ligação com o direito. pois que poderia se definir cidadão como o portador de direitos e deveres dentro do Estado. que é um dos pressupostos da cidadania. devemos deixar de adjetivá-la e passar a analisá-la apenas em sua essência. a cidadania civil ou passiva e a cidadania política ou ativa. e partindo-se desse conceito chegaríamos ao conceito de cidadania formulado por Souza Junior: Nesse sentido pode-se falar em cidadania como a representação universal do homem emancipado. Cidadania política ou ativa era aquela exercida pelos membros do Estado que possuiam bens e que. no século XIX. 2. 214) 2. Pois. 43 .ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS políticos. p. visto que estas somente interessam a ele em seu caráter privado. (Apud. de forma mais clara. pois na esfera pública há uma presunção de igualdade entre todos. passando a analisá-la com base em sua concepção jurídica e sua relação com o Estado.EAD UNITINS .

só que esta vinculada a um outro Estado. ou em virtude do jus solis. cidadão aquele indivíduo pertencente a um Estado e que possua o pleno gozo de seus direitos políticos. por força do prinípio denmocrático que estende o exercício do poder ao povo em geral (superadas as fases iniciais em que prevaleceu o voto censitário ou capacitário). para isso.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 3. consiste em reconhecer a todos os nacionais a condição de cidadão. portanto. Parece ser esta a solução do texto constitucional brasileiro. razão de ser filho de pai nacional (paternidade). quando se refere aos cidadãos. Em outras palavras uma pessoa que se encontra vinculada a um Estado e. por quaisquer razões. O estrangeiro é aquela pessoa que se encontra dentro de um determinado Estado. simplesmente fazendo a distinção entre cidadão ativo e passivo. A cidadania implica a nacionalidade. não seriam cidadãos. Cumpre aqui adensar um tanto conceito de nacional. Ainda não é conhecida posição diversa. introduzindo uma distinção usualmente feita entre aqueles que desfrutam dos direitos políticos e aqueles a quem não são conferidas tais prerrogativas. da participação ativa do indivíduo na vida do Estado. Ao assumir esta feição. DIFERENÇA ENTRE CIDADÃO E POVO Para nosso estudo.] Esta é uma distinção importante. Entende-se por nacional aquela pessoa vinculada a um Estado ou em virtude do jus sanguinis. por motivos múltiplos. Nem todo 44 .. 81) É. se encontram privados destes? Aqui podem ocorrer duas posições: os estados que preferem reservar o termo ‘cidadão’ exclusivamente para aqueles que estão no gozo e no exercício dos direitos políticos. consequentemente. muito bem resumiu a questão da cidadania: Antes de mais nada cumpre dizer aqui que diante do Estado. já aqueles que os tivessem cassados. encontres-e reconhecida a universalidade do direito de voto. todos são basicamente nacionais ou estrangeiros. que diz: [. Bastos. Isso de acordo com a Constituição Federal de 1988. (BASTOS. na medida em que todo cidadão é também nacional. vamos nos valer dos ensinamentos de Celso Ribeiro Bastos. Aos primeiros dá-se o nome de cidadãos. 4. 2004.EAD UNITINS . esta a significar o nacional na posse dos direitos políticos. A RELEVÂNCIA DA CIDADANIA PARA O ESTADO Diante do que foi exposto até o momento nesta aula. ou em razão de ter nascido dentro do território daquele Estado. é importante ainda diferenciarmos o cidadão do povo. ou que nunca os tivessem adquirido. e. que estivessem deles destituídos. inclusive por não ter atingido a idade necessária para o exercício dos direitos políticos. deixando no ar a pergunta: e aqueles que. p. embora. vemos a necesidade do exercício efetivo da cidadania para o bom andamento da atividade estatal. ele é tido como cidadão..

quer ativos.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS nacional todavia é cidadão. e não uma forma de alferir ganhos e vantagens pessoais. substanciados na possibilidade de ser eleito. 80/81) A cidadania é a forma de exercício da democracia. mas com a participação efetiva nas decisões. Diante de todo o exposto. como forma de poder político. que denominam cidadãos. sendo que este exercício não se consolida somente através do voto no dia das eleições. É certo que a distinção é ignorada numa linguagem comum e até mesmo por alguns ordenamentos jurídicos. pois sem ela. A melhor doutrina agasalha esta diferenciação. fazendo de seus mandatos um instrumento da busca do bem comum. 45 . assim como nosso direito constitucional. Em outras palavras a cidadania é um estatuto jurídico que contém os direitos e as obrigações da pessoa em relação ao Estado. O exercício da cidadania é fundamental. está demonstrada a importância do exercício diário da Democracia. é o meio pelo qual o cidadão pode interferir na gestão pública.EAD UNITINS . para que isso aconteça. A cidadania consiste na manifestação das prerrogativas políticas que um indivíduo tem dentro de um Estado democrático. todos os que integram o Estado. Somente com a consciência de todos os cidadãos de nossa sociedade e da importância desse exercício efetivo da cidadania. cidadãos enquanto participantes na atividade soberna e súditos enquanto sujeitos às leis do Estado’. no direito de fazer valer as prerrogativas que defluem de um Estado Democrático. p. Rousseau escreveu sobre o cidadão em sua obra O Contrato Social: ‘os associados. uma vez que somente mediante o exercício efetivo e diário da cidadania. consistentes na prerrogativa de eleger seus representantes para integrar órgãos do Estado. dirimindo os conflitos decorrentes da vida em sociedade e com busca do bem comum. atingindo. cobrando e fiscalizando o trabalho daqueles que foram eleitos para representar os cidadãos que neles votaram. Basta que não esteja em gozo dos direitos políticos. os membros de um Estado tomam coletivamente o nome de povo e chamam-se em particular. sem considerar o problema dos direitos políticos. devemos assumir nosso papel de cidadão e tomar as rédeas da democracia em nosso país. é que conseguiremos os avanços necessários. A cidadania. que registra uma nítida separação entre direitos extensíveis a todos os nacionais e direitos restritos ao cidadão. 2004. (BASTOS. é que conseguiremos atingir os fins primordiais do Estado. quer passivos. consiste na expressão dessa qualidade de cidadão. Mas. a mais ampla definição da democracia. não se pode falar em participação política do indivíduo nos negócio dos Estado e mesmo em outras áreas do interesse público. decidir os rumos do Estado e até mesmo fazer valer a sua vontade. dessa forma. Já a palavra ‘cidadão’ é voltada a designar o indivíduo na posse de seus direitos políticos. portanto não há que se falar em democracia. portanto.

comente nas linhas abaixo os aspectos da realidade brasileira que mostram a ineficácia dos direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal. 2004. 21:00 hs. 5. São Paulo: Celso Bastos. Paulo. ed. Ijuí: Unijui. Celso Ribeiro.br. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. 26 de junho de 2005. Levando em conta tal afirmação. 6. ao mesmo tempo em que faz uma comparação crítica entre realidade e teoria.planalto. http://www1. CORRÊA. Teoria do Estado.EAD UNITINS .asp?id=6181. que apenas são garantidos no papel. 2002. ALVES.br/doutrina/texto. nas leis.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Atividade A obra “O Cidadão de Papel”. A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke. principalmente nos seus artigos 6º e 7° (para essa atividade. BONAVIDES. consulte no site: www. São Paulo: Malheiros. 2004. aborda o problema do desrespeito aos direitos dos cidadãos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS. Darcísio. o texto da Constituição Federal). ed.gov. ed. 3.jus.com. 46 . ou seja. _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ Comentários: A atividade em tela tem por finalidade acostumar o aluno no manuseio do texto legal. de Gilberto Dimenstein. Ricardo Luiz. A Construção da Cidadania: Reflexões HistóricoPolíticas.

ou seja. a história de sua institucionalização e o seu lugar no dia a dia da política. 1. Conceito de Partido Político OS PARTIDOS POLÍTICOS SÃO TÃO IMPORTANTES PARA ENTENDER A DEMOCRACIA !!! VAMOS ESTUDAR ATENTAMENTE ESSE ASSUNTO ? Muitas definições têm sido propostas com o intuito de expressar a essência de um partido político. • Compreender o que é sistema partidário e suas formas. Na presente aula. enquanto agremiação de representação de interesses que objetiva conquistar o poder político e influenciar na tomada das decisões estatais. • Classificar os partidos políticos segundo os vários critérios propostos pelos estudiosos. temos como objetivo compreender melhor o que é um partido político. V). § 3º. conforme dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil (art. Eles são como uma ponte de utilização necessária pelos candidatos a cargos políticos eletivos. motivadas por ideais e interesses comuns. tencionam. Objetivos: • Introduzir o acadêmico no conhecimento científico dos partidos políticos.EAD UNITINS . que o poder político é exercido com a mediação dos partidos. notado com muita facilidade. revelar os elementos básicos que o integram e compõem a sua razão de ser. observando 47 . O partido político é uma organização formada por pessoas que. 14. É um dado da vida política moderna. já que uma das condições para ser eleito é estar filiado a algum partido político.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 08 PARTIDOS POLÍTICOS Introdução Caro (a) Acadêmico (a).

2. e sanções positivas. no entanto. Grupos de Pressão e Partido Político Convém distinguir. no intuito determinar em certo sentido os rumos do poder político. 3) enquanto os grupos de pressão exercem uma atividade sem responsabilidade social e com propósitos muitas vezes ocultos. A expressão “grupos de pressão” traz à mente. enquanto os grupos de pressão se restringem aos interesses. p. assim. cujo prevalecimento se dedicam. os elementos básicos de definição de um partido político sempre envolvem: um grupo social organizado. Colocam-se. para evitar confusão. enquanto os grupos de pressão tencionam apenas influir sobre o processo de tomada das decisões políticas. um conjunto de idéias comuns. fazendo-os conhecidos no âmbito do poder político. o intuito de tomada e conservação do poder político. que muitas vezes se confundem as ações e propósitos dos partidos políticos e dos grupos de pressão. pretendendo assegurar os seus interesses. não se podendo furtar ao reconhecimento de que existem verdadeiros grupos de pressão à base de partidos políticos. (BONAVIDES. a um só tempo.EAD UNITINS . conquistar o poder e nele se conservarem. visando a efetivação dos seus objetivos. as quais soam como verdadeiras punições. Por pressão se pode indicar a possibilidade de utilização de sanções negativas. 1) os partidos políticos buscam assumir o poder. vejamos alguns. as noções diversas de grupos de pressão e partido político. 2) os partidos políticos sustentam uma visão global da sociedade e do Estado. de direito e da maneira como as normas jurídicas definem o campo de atuação isolada dos partidos. ou seja. alguns pensadores têm sugerido que as marcas que distinguem os partidos políticos dos grupos de pressão podem ser encontradas somente naquelas atividades que os partidos exercem sozinhos. a título exclusivo. as funções de competição eleitoral e participação direta no poder. 346) Para ele. os grupos de pressão são organismos colocados entre os cidadãos e o Estado. os partidos políticos têm uma responsabilidade política e expõem seus programas aos olhos do todos. você pode se perguntar: o que distingue os grupos de pressão dos partidos políticos? Alguns doutrinadores elencam vários critérios de distinção. 2004. de que são típicos as dádivas e privilégios. O problema passa a ser. Observa-se. bem como representam ambos os interesses dos seus membros. então. Diante desse quadro. Assim como os partidos políticos. através dos titulares cargos políticos neles filiados. 48 .ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS normalmente os meios legais. a existência de uma organização formal de pessoas congregadas em torno de interesses e uma modalidade de ação do próprio grupo em vista da consecução de seus fins: a pressão. Então.

lacuna na literatura política e jurídica. 49 . Thomas Hobbes (1588-1679) via os partidos como fontes geradoras de sedução e violência. Para ele. David Hume (1711-1776) dividiu os partidos políticos em pessoais e reais. compostos de pessoas eleitas pelo povo. 2004. tratando como vício perigoso a tendência de formação de partidos. recusava toda idéia de intermediação de que resultasse empecilho à participação imediata de todo povo no processo de tomada das decisões políticas. vendo-os como causa de constante perigo para a mantença da unidade da comunidade política e subsistência do próprio regime democrático. sendo os verdadeiros responsáveis pelo ódio e violência sociais. Entretanto. 350) 5. os teóricos da democracia representativa acentuavam a necessidade de órgãos de representação da soberania popular. sendo considerável também o silêncio guardado nas Constituições democráticas a respeito de tais agremiações. No capítulo X da obra intitulada “Federalista”. teórico da democracia direta. Classificação dos Partidos Políticos Várias classificações de partidos políticos têm sido esboçadas no âmbito teórico. Rousseau (1712-1778). sempre se teve o cuidado de afirmar que por ela se instauraria o governo da vontade geral. não se poupou palavras duras sobre o que chamou de violência das facções. no sentido de que a concepção originária de democracia nunca admitiu ou levou em conta a existência de partidos políticos. O que nenhuma das perspectivas de governo democrático via com bons olhos era a formação de partidos políticos. p. do interesse de todos e não de alguns. Porém. segundo regras previamente estabelecidas. A admissão doutrinária dos Partidos Políticos Quando se concebeu a democracia. as facções ou os partidos são dirigidos por homens dominados pelos impulsos de paixões contrárias aos direitos dos outros cidadãos e ao interesse constante e geral da sociedade. Tais resistências chamam nossa atenção para uma colocação de Norberto Bobbio. A referida oposição aos partidos políticos gerou. Já os partidos políticos reais são aqueles que se assentam em distinções reais de opinião e interesse político. John Marshall e John Adams se posicionaram contra a instituição de partidos.EAD UNITINS . 4. ou seja. Assim.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 3. Os partidos políticos pessoais são aqueles fundados sobre sentimentos de amizade pessoal ou hostilidade com os membros de partidos diversos. nomes influentes na história da política como Abraham Lincoln. Resistência à criação dos Partidos Políticos A primeira e mais fundamental resistência histórica à criação dos partidos políticos vem dos teóricos do poder político absoluto. (BONAVIDES. por muito tempo. Mas o interessante é que mesmo entre teóricos importantes da democracia representativa. o seu crescimento acompanhou o próprio desenvolvimento da democracia e de suas instituições.

partidos de princípio e partidos de afeição. GUARDE NA CABEÇA AS ESPÉCIES DE SISTEMAS PARTIDÁRIOS !!!! No decorrer da história partidária moderna. Max Weber divide os partidos políticos em dois grupos. Os partidos de opinião são aqueles em que. p. havendo técnicas que possibilitam a alteração das normas e decisões políticas segundo novas composições de força. notadamente empregos públicos para os correligionários e beligerantes. as agremiações políticas são classificadas em partidos políticos de massa e partidos políticos de opinião. pelas mais diversas formas. tudo se assenta na dedicação especial dos homens a certas famílias e indivíduos. a agremiação tem origem em concepções abstratas e especulativas de vida. jamais poderia dar a algum deles uma posição privilegiada ou mesmo um monopólio. Sistemas Partidários Hans Kelsen foi importante jurista e filósofo austríaco. Para Georges Burdeau.EAD UNITINS . 7. Nos partidos de interesse. os partidos de patronagem e os partidos ideológicos. Nos partidos ideológicos. Nos partidos de patronagem. Assim. embora a Constituição pudesse sujeitar a formação e a atividade dos partidos a algum controle do governo. 287). o objetivo é galgar o poder a fim de satisfazer meros interesses de posições políticas e de vantagens materiais. deixou claro que é essencial num regime democrático que seja assegurada liberdade ampla na formação de partidos políticos. a subsistência das coisas como estão. ao falar sobre a importância dos partidos políticos dentro de uma democracia. 6. a tônica de sua ação está em transformar a estrutura estatal e social. o que domina é a busca pelos interesses econômicos dos integrantes de cada uma das agremiações políticas. Nos de princípio. em cujo âmbito as minorias são sempre protegidas contra a maioria. sobretudo através de sua obra Teoria Pura do Direito e de seus estudos em direito internacional e jurisdição constitucional. encontram-se basicamente três sistemas partidários. Essas proposições doutrinárias kelsenianas derivavam de sua sólida convicção democrática e da democracia como relativismo político. se disfarça o mero interesse na mantença do status quo social. Os partidos de massa partem da noção de uma sociedade dividida em classes e da necessidade de participação popular ativa para o refazimento das estruturas de poder. o sistema bipartidário e o sistema multipartidário. no pensamento de Kelsen.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Georges Burdeau – importante constitucionalis ta francês. com base em concepções de cunho filosófico. Nos de afeição. pelos quais desejam ser governados. Além disso. notável pelas suas incursões no campo da Ciência Política. também vemos que. o que neles se busca é a defesa de interesses econômicos e ideologias de transformação social. 50 . Os reais se subdividem em três: partidos de interesse. o qual deixou profundo legado no direito. ou seja. sendo eles o do partido político único. A concepção kelseniana de Partido Político Hans Kelsen (1995.

também há somente a necessidade de dois partidos. comandada por Hitler. havendo respeito mútuo no consenso e no dissenso.No partido único ou totalitário. dada a resistência no reconhecimento dos partidos políticos como algo natural à atividade política num regime democrático. virando uma só realidade de domínio político. que não corresponde à sua transformação em entidade estatal. Na Constituição Federal brasileira. ou seja. já se pode falar numa realidade de constitucionalização dos partidos políticos. passando a ser entidades jurídicoconstitucionais de relevo. também. as Constituições se silenciaram sobre eles. a experiência nacional-socialista alemã. Os partidos gozam de liberdade externa e liberdade interna. parte-se do pressuposto que a sociedade. o qual assegura aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna. Para o sucesso desse sistema. pertencente à estrutura do Estado. tem sempre a tendência de se dividir em duas correntes. organização e funcionamento. que têm autonomia para estruturarem a sua organização externa. quanto a sua atuação. incorporação e extinção dos partidos políticos. Também diz a Constituição brasileira que é livre a criação. 8. quanto à estrutura constitucional do Estado. sugere-se. 2) acordo quanto aos fundamentos básicos de organização da comunidade política. em suas questões políticas fundamentais.No sistema bipartidário. dois pressupostos são necessários. Por isso. 51 . alguns já disseram que os partidos exerciam funções de órgãos do poder político. por causa do reconhecimento constitucional dos partidos políticos e da sua influência para a formação da vontade política. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidárias. sendo que a Constituição da República Federativa do Brasil reserva tratamento especial aos partidos políticos. O sistema do partido único tem sido o preferido dos regimes totalitários. Por liberdade externa. que essas agremiações são livres de qualquer controle ideológico e de qualquer manipulação de seus programas e. que as ditaduras do século XX encontraram nele o mais poderoso instrumento de mantença do poder. 1) acordo quanto às regras básicas do jogo democrático. com Paulo Bonavides. Por liberdade interna dos partidos políticos. a ponto de se poder dizer.EAD UNITINS . A constitucionalização dos partidos políticos ou a sua incorporação constitucional apenas fez com que eles deixassem de ser somente uma realidade sociológica e política. sendo órgãos do Estado. O partido e o Estado se confundem. os partidos políticos são tratados no artigo 17. ou seja. interditando a liberdade e o pluralismo político. Segundo a doutrina lusitana. O reconhecimento constitucional da relevância dos partidos. em primeiro lugar.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS . Os Partidos Políticos nas Constituições modernas Por muito tempo. indica-se que é livre tanto a criação de partidos políticos. O sistema multipartidário se encontra quando três ou mais partidos disputam o domínio do poder político dentro de certo Estado. Contudo. a ordem é imposta de cima e tem a qualidade de ser indiscutível. Como exemplo histórico dessa espécie de sistema partidário. fusão. .

_____. 3. 2004. Teoria Geral da Política: a filosofia política e as lições dos clássicos. BONAVIDES. 10. KELSEN. você pode consultar os seguintes livros: BOBBIO. Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani. Atividade Diferencie de acordo com o texto. ed. São Paulo: Malheiros. 2000.EAD UNITINS . 2000. 1995.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ressalte-se. acostumando-o a analisar criticamente um texto. São Paulo: Malheiros. Paulo. Para complementar as informações expostas na presente aula. ainda. Rio de Janeiro: Campus. São Paulo: Martins Fontes. A Democracia. _____. Teoria do Estado. 5. que os partidos políticos devem ter caráter nacional. Teoria Geral do Direito e do Estado. São Paulo: Malheiros. _____. sendo-lhes vedada a utilização de organização paramilitar.Reflexões: política e direito. ed. ed. Hans. Grupos de Pressão e Partido Político: Grupos de Pressão Partido Político Comentários: Esse exercício visa dar a você uma visão crítica do texto. 1998.Ciência Política. 2004. São Paulo: Martins Fontes. 52 . Norberto. verificando os pontos diferentes de diversas teorias.

pois no território encontramos o poder de imperium. (BASTOS.” Para o Burdeau o Território não passa de um limite natural a ação dos governantes. sendo essa intervenção ilícita. que constitui-se no local onde se encontram os membros do Estado (povo) e onde este exerce sua soberania. não sendo permitido a outros Estados imporem suas legislações fora de suas fronteiras. sendo que dentro deste espaço geográfico. OS FUNDAMENTOS DO ESTADO MODERNO Os principais fundamentos do Estado Moderno são o Povo. O território tem que ser visto sob o prisma de um conceito político-jurídico e não apenas geográfico.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 09 ELEMENTOS DO ESTADO MODERNO. Este espaço físico necessário à existência do Estado não se limita às fronteiras geográficas deste. sendo que passaremos à análise de cada um destes fundamentos. não se configurando em um limite caracterizador do Estado. está a importância da existência do território na concepção do Estado. uma vez que este não existe sem uma localização e um espaço físico. Diante disso. vige apenas a sua ordem jurídica. 2004. compreende ainda o ar. 1. Objetivo: • Compreender quais são os fundamentos do Estado Moderno e o significado de Povo. para isso iremos retomar uma parte do histórico do surgimento do Estado. 70). de forma a conceituá-los e dar uma maior noção de estado.1 Território O território pode ser definido como a base geográfica de um Estado. constitui-se este no elemento material do Estado. 2004) 53 . Hans Kelsen define território como sendo o âmbito de validade da norma jurídica. p. A essa garantia da vigência somente de sua legislação se dá o nome de impenetrabilidade da ordem jurídica estatal (Bastos.EAD UNITINS . o subsolo e suas águas. 1. ou melhor sua competência jurisdicional e na propriedade o poder de domínio. Também não se deve confundir o conceito de território com o de propriedade. o Território e o Poder Soberano. Pois segundo Celso Ribeiro Bastos: “É precisamente a circunstância de dispor ele de uma porção de terra sobre a qual apenas o seu poder é reconhecido que permite ao Estado ser soberano. discorrendo sobre os mesmos e dando a vocês uma noção mais aprofundada dos pilares que sustentam o Estado como o conhecemos. Território e Poder Soberano. trazendo ele desde sua criação no século XVI até a atualidade. Introdução Nesta aula iremos trabalhar os fundamentos do Estado Moderno.

e assim estão submetidos a suas leis. uma vez que essa aplicação se deu por vontade própria do Estado e não por força da lei estrangeira. entre outras e as artificiais são aquelas feitas pelo homem. portanto. sendo que modernamente tem se discutido a extensão deste em virtude do uso de satélites que passam sobre todos os países sem autorização expressa desses. já que essa controvérsia se estende há diversos anos. 54 . existe uma grande discussão a respeito da porção de águas oceânicas que pertencem a estes. não se limitam ao seu espaço físico consistente de sua superfície. 70) 1. tendo que obrigatoriamente todos os indivíduos que alí viverem obedecer a essa ordem jurídica. como por exemplo quando se dá tratamento diferenciado a nacionais e estrangeiros. através da moderna tecnologia. Uma vez que essas divisas. p. ainda não se chegou a um consenso. o território de cada Estado interessado vai até a metade do rio. Sendo. Existe ainda a possibilidade de o Estado. fazer valer um direito estrangeiro. aeronaves e navios.2 Limites Territoriais: Os limites territoriais ao contrário do que se pensa. Demarcado pelo chamados limites que ocorrem ou pelo encontro com outro Estado ou com o mar. altura e profundidade. 1. 1. o território um espaço geográfico formado pela união de sua extensão. como por exemplo uma estrada. sendo este limitado a possibilidade de exploração. independentemente do local em que se encontram. como é o caso do Brasil. 1. o espaço aéreo. conforme já mencionado. mesmo que contrário ao seu próprio. uma vez que estes locais são considerados por tratados internacionais como extensões de seus territórios de origem.EAD UNITINS . uma vez que nestes locais se aplica a legislação de seu país de origem. ou seja. uma vez que essa decisão decorre de um ato de soberamia de cada Estado. sendo que tal situação não fere o princípio da territorialidade. podem ser artificiais ou naturais. sendo que nesse caso não haverá qualquer quebra ao princípio da soberania ou da territorialidade.4 Mar Territorial Nos casos em que os Estados fazem limite com o mar. 2004. montanhas. A exceção a esta regra é a das Embaixadas.3 Espaço Aéreo O espaço aéreo é todo aquele acima de sua extensão geográfica.1 Principio da Territorialidade Pelo princípio da territorialidade se entende que naquele local só vige a legislaçao do Estado ao qual pertence tal espaço físico. lembrando que no caso de fronteira formada por rio. as naturais são rios. alguns não se contentam com as 12 milhas e adotam duzentas milhas. bem como tudo aquilo abaixo do solo. por sua própria vontade.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS (BASTOS. no que diz respeito ao encontro com outro Estado.1. não sendo possível se chegar a um consenso.1.1. mas também a todo o espaço acima do solo. formando o mar territorial. sendo que estes por sua vez não podem se eximir de seguir o ordenamento jurídico do local em que se encontram. sendo que quanto a essa discussão.1. o que não impede de haver algumas distinções.

2004. consolidando-se na busca do bem comum. 90) Na Idade Média não havia o conceito de poder soberano. mas nenhum tinha a condição de fazer valer sua vontade sobre os demais de forma a consolidar a soberania. Uma vez que. grande é a discussão a respeito dos limites da plataforma continental. ou de recursos tenha primeiramente praticado atos de soberania. e é a forma de coesão desta. uma vez que diversoso indivíduos reivindicavam esse poder. não mais o dividindo com outro setores. o conceito de poder estatal. tenha força suficiente para ser obedecido pelos demais”. servindo de forma de organização do Estado. 2004. passaremos a estudar o terceiro fundamento do Estado. que é seu poder soberano. sendo o poder pertencente ao mais forte. de forma incontestável. com o aparecimento do Estado moderno. Chegou-se.EAD UNITINS . é dizer. posteriormente o poder foi vinculado a cpacidade econômica dos individuos. p. ficando também essa definição a cargo de cada Estado.” (BASTOS. que se sobrepõem aos outros poderes sociais. mas podendo ser conceituada a plataforma continental como a “porção de solo marinho que apresenta idêntica constituição geológica à dos terrenos não cobertos pelas águas. indiferente de suas características culturais. p.5 Plataforma Continental Assim como no mar territorial. nas sociedades primitivas o poder era ligado única e exclusivamente a força física. p.1. Surge. e portanto. no relacionamento de pai para filho. então a vinculação do poder às forças divinas. só tinha a posse do poder. 2004. sendo este exercido pelos individuos que serviam de intermediários entre a sociedade e as divindades. com capacidade de coordenação da sociedade e dos interesses individuais. Poder Soberano Em todas as formas de sociedade existe o poder. segundo Bonavides.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 1. primeiramente na sociedade patriarcal o poder estva ligado a pessoa do pai. uma vez que este deriva da organização social. como o religioso.1 Poder Social O poder está inserido em todas as relações humanas. A existência desse poder se desenvolveu de diversas formas dependendo da sociedade em que estava inserido. 75) 2. 3. Povo Enquanto o território é o elemento material de um Estado. portanto. (BASTOS. assumindo assim o poder soberano sobre sua territorialidade. 77). ficando o poder na mão dos detentores do capital. impondo a vontade deste sobre os demais. Dessa forma constituindo esse poder estatal em um ordenamento superior. patrão para empregado. sendo que este 55 . os reis passam a consolidar sua liderança dentro de seus territórios. O Povo é constituído por todas as pessoas que fazem parte de um Estado. manifestado pelo poder do Papa. aquela pessoa “que em razão de sua superioridade de posição social. que aos poucos vai se estendendo as outras famílias. inicialmente. mas a no século XVI. o povo pode ser definido como seu substrato humano (BASTOS. sendo que sobre esse tema iremos nos ater de forma mais aprofundada em uma aula próxima. 3.

Para a compreensão do Estado. que vai de um mínimo. nunca deixa de ser substancialmente político para ser pura e simplesmente jurídico. p. o poder econômico.” Diante disso. preponderando o interesse coletivo sobre o particular. quais sejam. p. até a u máximo. tendo que estes poderes se valer da força coercitiva do poder estatal para alcançar a aplicabilidade de seus conceitos. Esse poder coercitivo não pode ser exercido com base única e exclusiva na força bruta. “O Poder Político é aquele exercido no Estado pelo Estado. Neste sentido o poder político não é outro senão aquele exercícido no Estado e pelo Estado. fazemo-lo relativamente a uma graduação de juridicidade. Há inegavelmente algumas notas individualizadoras do poder estatal. Quando dizemos que o poder é jurídico. uma vez que esse poder pode derivar da simples persuasão daquele que se sujeita. Nesse sentido já manifestou-se Miguel Reale citado por Bastos: O poder. 3. manifesta-se Bastos a respeito do Poder: Assim amplamente estendido o poder extravasa os campos da teoria do Estado para interessar mais a sociologia e até mesmo a psicologia. mas sim alicerçado em fundamentos que demonstrem sua necessidade e convença os indíviduos que compõem o seu povo a respeitá-lo. que é representado pela força ordenadamente exercida como meio de certos fins.EAD UNITINS . Para a inteligência desta urbe lembrar que em toda organização ou sociedade há de comparecer uma certa dose de autoridade para impor aqueles comportamentos que os fins sociais estão a exigir. A que chama mais atenção é a supremacia do poder do Estado sobre todos os demais que se encontram em seu âmbito de jurisdição. 91/92) Esses poderes continuam existindo.2 Poder Jurídico e Político Conforme Bastos (2004. Todavia a criação do Estado não implica na eliminação desses outros poderes sociais. sendo esse de exclusividade do poder estatal. tornando-se um poder jurídico. mas não possuem o poder coercitivo. uma das principais características desse poder é a sua supremacia sobre todos os outros poderes sociais já anteriormente citados. (BASTOS. Essa supremacia se dá em virtude de que é este poder estatal o detentor da força coercitiva. 2004. e é nesse discurso de validação do poder coercitivo que este adquire características de juridicidade. que é a força empregada exclusivamente como meio de realização do Direito e segundo normas de direito. sendo ele quem detém as condições necessárias para fazer respeitar a vontade do Estado. Neste sentido. mas sim em uma relação de respeito as normas. ou pelo menos o temor das consequências de não se sujeitar ao poder. o poder religioso e o poder sindical.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS poder não se resume a mera força física. 92). 56 . interessa mais diretamente o poder político. por conseguinte. mas sempre havendo uma forma de coerção.

mas que o poder. em virtude de sua importância. mas daí não se deve concluir que o poder deva ser puramente jurídico. Atividade Marque V se a afirmativa for verdadeira e F se a afirmativa for falsa. de tanto alcance nas ciências naturai e humanas. De maneira geral não há poder que se exerça sem a presença do Direito. mas sempre havendo uma forma de coerção. no relacionamento de pai para filho. (Apud. ainda não se chegou a um consenso. em regra. que através de seus orgãos fazem valer o poder estatal na busca do bem comum. segundo o princípio da complementariedade. mas em todo o funcionamento do Estado. 53) Importante lembrar que esta vinculação entre poder e direito não ocorre somente com a elaboração do texto constitucional. mas sim em uma relação de respeito as normas. BASTOS. o povo pode ser definido como seu substrato humano. patrão para empregado. assim como poder não existe sem o Direito. 2004. sendo que quanto a essa discussão. ou pelo menos o temor das consequências de não se sujeitar ao poder. ( ) O poder está inserido em todas as relações humanas. uma vez que esse poder pode derivar da simples persuasão daquele que se sujeita. sendo que modernamente tem se discutido a extensão deste em virtude do uso de satélites que passam sobre todos os países sem autorização expressa desses.EAD UNITINS . A questão da soberania do Estado será discutida posteriormente em uma aula específica sobre o tema. Não significa – como pensam alguns – que o poder se torna todo substancialmente jurídico (o que equivaleria a identificar Estado e Direito). A expressão poder de direito é o resultado de uma comparação entre os diversos graus de juridicidade do exercicio do poder. se subordina às normas jurídicas cuja positividade foi por ele mesmo declarada.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Isto quer dizer que o poder não existe sem o Direito. ( ) O espaço aéreo é todo aquele acima de sua extensão geográfica. Por outro lado. sendo que este poder não se resume a mera força física. 57 . um implicando o outro. mas pode existir com maior ou menor grau de juridicidade. tal como é entendido no ‘Estado de Direito’. altura e profundidade. ( ) Sendo portanto o território um espaço geográfico formado pela união de sua extensão. o Direito não se positiva sem o poder. p. ( ) Enquanto o território é o elemento material de um Estado.

ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS.br/doutrina/texto. ALVES. 5. releia o texto de forma mais atenta. Teoria do Estado. 21:00 hs. Ricardo Luiz. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. Paulo. uma vez que a finalidade do presente exercício é a fixação do texto. 6. 58 . ed.asp?id=6181. A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke. Celso Ribeiro.com. São Paulo: Celso Bastos. BONAVIDES. Se você localizou alguma afirmativa que considera incorreta.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Comentários: Todas as afirmativas da questão acima são verdadeiras. 26 de junho de 2005. 2004.jus. São Paulo: Malheiros. 2004. http://www1.EAD UNITINS .

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