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A paixão pelo desenho

Teresa Poester Z H, 1996
O desenho, alicerce para a construção das mais variadas áreas do conhecimento, sempre teve di iculdade em impor!se como lin"ua"em art#stica aut$noma% Aparece com mais orça a partir do s&culo '(' com a valori)ação do artista como criador *nico e ori"inal% A"ora, no momento em +ue os ,lo"s e os suportes virtuais via -e, tra)em possi,ilidades de divul"ação imediata, proli eram alternativas de intervenção no espaço p*,lico e privado atrav&s do desenho, como os "ra ites e os an)ines e as tatua"ens no corpo suporte% Aumenta tam,&m, de uns anos para cá, o n*mero de exposiç.es de desenho, em +uase todos os pa#ses% /sse interesse se deve so,retudo 0s especi icidades da lin"ua"em +ue se a1usta ,em ao momento presente e 0s caracter#sticas, inclusive mercadol2"icas, +ue marcam a arte contempor3nea% 4eu ,aixo custo permite uma rotação e uma ampliação do mercado% 5m desenho pode ser acilmente transportado e adaptar! se a am,ientes ur,anos dos mais variados, dos mais redu)idos% O desenho & um meio rápido, instant3neo, portátil e provis2rio, como são os valores contempor3neos% 4ua t&cnica privile"ia o processo em detrimento do produto ,em aca,ado% 4eu aspecto intimista e revelador v6m ao encontro do caráter auto,io"rá ico +ue caracteri)a in*meras tend6ncias art#sticas atuais% /m Porto Ale"re, no m6s de a,ril, duas exposiç.es de 1ovens artistas apresentaram interessantes propostas "rá icas7 na 8asa de 8ultura 9ário :uintana e no 9useu do Tra,alho% /, na semana passada, iniciaram ainda duas exposiç.es imperd#veis, am,as exclusivamente de desenho% A ;aleria <olsa de Arte, entre suas ,oas escolhas, mostra tra,alhos de 8arlos Pas+uetti +ue, para os entendedores de arte "a*cha, dispensa apresentaç.es, e o 9useu do Tra,alho, novamente en ati)ado o lápis e o papel, exp.e uma s&rie de apontamentos do 1ovem, 1á conhecido, =enato ;arcia% Ainda nesta semana, a "aleria 9allmann e 9allmann, +ue se esta,elece na Hilário =i,eiro, re*ne, em torno do desenho, um "rupo de artistas de tend6ncias e "eraç.es ,astante di erentes% ;alerias mais alternativas, como a Adesivo, vem tam,&m mostrando constantemente novas propostas de intervenção "rá ica% >a sala Au"usto 9a?er da 889:, ;a,riel >etto, Adauan? Zimovs@i e 8amila 9ello mostraram uma pes+uisa ousada na experimentação de materiais como lápis "ra ite, pastel ou ita durex , desenhando diretamente no local A in situB% Tra,alhos em "randes dimens.es traçados no papel, no chão e nas paredes, desenhos +ue se trans ormam em o,1etos e nos demonstram +ue uma exposição &, antes de tudo, uma instalação num espaço determinante% Cor"e 4oledar, inte"rando o "rupo com suas otos tam,&m reali)adas no local, sinteti)ou a esp#rito da experi6ncia e completou oportunamente a exposição Ambientes Mesuráveis% /m Fissuras por desenho, no 9useu do Tra,alhoD1ED1E, o tra,alho de Cames Zort&a mostrou +ue as mãos t6m vontade pr2pria, poros a,ertos, inteli"6ncia e sensi,ilidade% >a sala menor, o artista

surpreendente. tensas linhas de ta+uara apoiadas na ar+uitetura interior.alho. 4ão es.alhos enormes. atelier desordenado com cola"ens. desde o inal dos anos setenta. entretanto são poucos ainda os desenhistas +ue exploraram a linha como meio e im em si mesma.es "rá icas +ue poderiam se chamar desenhos de agenda. em direção ao desconhecido. metá ora do instante do +ual nada sa. no mesmo espaço.emos% >este sentido. distra#dos.es. mostra a"ora. como escritura do "esto. continua em 2tima orma% A linha & a pura a. vindo dos /5A com as in lu6ncias da pattern-painting. +ue muito in luenciou o tra. impensados. são desenhos automáticos. a princ#pio.alho de 1ovens artistas "a*chos. +ue.stração. caneta ou o +ue or. e nunca a. devolve ao desenho a "rande)a normalmente associada 0 pintura numa s&rie de tra. passo ap2s passo. . a exposição Só desenhos mostra +ue o pro essor 8arlos Pas+uetti.inete.alhos t6m cor de su1eira.oços +ue reali)a durante sua rotina de reuni.andonou o desenho% >o inal dos anos oitenta. não oram eitos para ser mostrados% 8arlos Pas+uetti. a intenção apa)i"uadora ameni)a os "olpes e trans orma o desenho num outro corpo +ue ad+uire orça #sica e passa a pulsar entre n2s% =enato . ur"ente e necessário% Teresa Poester .alha com instalaç. uma s&rie de pe+uenas anotaç.es são especialmente importantes% >uma &poca de automati)ação em +ue o corpo cada ve) & menos solicitado como instrumento de tra.alho não i"urativo. o desenho.es como 8oordenador do curso de Ficenciatura em Artes Gisuais da 5F<=A% Heitos com o material +ue estiver mais 0 mão.astidores dos desenhos recentes% 4eus tra. +ue tra. cheiro de piche e o icina mec3nica% O material & lançado na tela a "olpes de aca% Há uma necessidade de luta e con+uista% 9as. na mesma <olsa de Arte.oços. sem compromisso com a representação da i"ura% O movimento +ue "era a linha & eito do ponto +ue sucede o anterior. vi"orosos% / com esta nova s&rie. estas exposiç. pouco a pouco. representa um "rito de alerta.montou uma esp&cie de "a. inusitado entre n2s. v#deos e es. lápis.arcia Ao TatoB. 1á undia "esto e "eometria num tra.