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Real Arco...O que é?

Seja qual for seu Rito de Origem, o Maçom que chega ao Grau de Mestre pode ascender aos
Altos Graus por duas escadas para completar sua educação: a escada do Rito Escocês Antigo e
Aceito ou a escada do Rito de Emulação. Os Altos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito,
amplamente conhecidos no Brasil, vão do 4°,Mestre Secreto, ao 33°, Grande Inspetor Geral. Os
Altos Graus do Rito de York dividem-se em três etapas. Na primeira, Maçonaria Capitular, estão
os Graus ministrados nos Capítulos do Real Arco. Na segunda. Maçonaria Críptica, estão os
Graus ministrados nos Conselhos Crípticos. E na terceira, estão os Graus das Ordens de
Cavalaria.

Nos Estados Unidos, usualmente os Maçons de destaque fizeram questão de ascender a pirâmide
do conhecimento pêlos dois lados. O Past Grande Sumo Sacerdote William Schoene f r., tão
representativo e tão querido por nós, também é Grau 33° no Rito Escocês Antigo e Aceito. Sua
biografia Maçónica demonstra essa representatividade.

Os Graus da Maçonaria Capitular Americana

Os Graus no Rito de York não são conhecidos por números, mas por nome. São cerimônias que
têm sido praticadas por mais de duzentos anos, de grande beleza, significado moral e fortemente
evocativas da mais pura Tradição Maçônica. Ao ser adiantado ao Grau de Mestre de Marca, você
estará resgatando algumas das tradições operativas mais singelas e tocantes dos pedreiros livres
na Idade Média, recebendo sua Marca, uma identificação que carregará consigo por toda a vida,
exatamente como faziam nossos antepassados que construíram as magníficas catedrais góticas.
Induzido na Cadeira do Oriente, ao receber o Grau de Past Master, você estará recebendo um
privilégio reservado no passado somente a Mestres Eleitos ou Instalados. Este Grau, embora
breve, foi a fonte de inspiração de uma cerimônia hoje estendida a praticamente todos os Ritos, a
de Instalação. Ao ser recebido e reconhecido Mui Excelente Mestre, você terá uma experiência
emocionante, de grande nobreza e carga emocional. De todos os Graus Maçônicos de qualquer
Rito, este é o único que revive o momento do término e da dedicação do Templo de Salomão. Ao
ser exaltado Maçom do Real Arco, você terá, finalmente, plena consciência do que significa ser
Mestre Maçom, ao ver concluída a Lenda de Hiram , em magnífico porém humilde esplendor. O
Real Arco traz, a Maçons de todos os Ritos, uma nova compreensão do Simbolismo. Leva-nos a
pensar, a comparar e a entender. Eleva-nos, cada um de nós, a uma dimensão inteiramente nova.
Entendendo as origens Mas de onde surgiu tudo isso? Certamente não do dia para a noite.As
tradições são como o vinho: melhoram com o tempo. O Real Arco é uma tradição que remonta a
tempos em que o Brasil nem existia como nação. O histórico que se segue é uma tentativa de
explicar, de forma sucinta, o que chegou até nós intacto, mantido que foi, zelosamente, pêlos
Irmãos e Companheiros que nos precederam nos milhares de Capítulos de todo o mundo. E um
lembrete do dever que temos de assim manter para as futuras gerações. Pedimos, mesmo aqueles
que não gostem de história (que pena!...j, a paciência para uma breve viagem ao passado. Porque
só pelo conhecimento desse passado é possível entender o imenso apreço que temos do presente,
o orgulho de pertencer ao Real Arco.

O cenário político
Em 1603, Elizabeth I, Rainha da Inglaterra, indicou o filho de sua grande rival, Mary Stuart,
rainha da Escócia, como seu sucessor. James I, que era Rei da Escócia como f ames VI, passa a
governar também a Inglaterra e a Irlanda, dando início à dinastia dos Stuarts. Foi sucedido por
seu filho, Charles I. Embora Inglaterra e Escócia fossem protestantes. Charles casou-se com uma
princesa francesa e católica, Henrietta Maria. Influenciado pelo poder real absoluto na França,
tentou impor um governo sem Parlamento. Acabou por levar seus súditos a uma série de
conflitos fratricidas (1639-1660). Perdeu a luta e foi executado em 1649. Sua Rainha e seu filho,
o Príncipe Charles, exilaram-se na França, en- quanto a Inglaterra tornava-se uma república,
dirigida com mão de ferro por Oliver Cromwell. Muitas foram as tentativas de reconduzir os
Stuarts ao trono britânico no período de Cromwell, mas todas fracassaram.

Em 1660, cansado da intolerância religiosa e da ditadura republicana puritana, o povo traz a


monarquia de volta à Inglaterra. O Príncipe exilado assume o trono como Charles II e tenta
reconciliar diferenças políticas e religiosas. Esse é justamente o período em que emerge das
sombras a Franco-Maçonaria. Entretanto, Charles, apesar dos muitos filhos naturais, morre sem
deixar um herdeiro ao trono. Foi sucedido por seu irmão, James II, que não tinha o seu tato.
James convertera-se ao catolicismo. Embora desagradando ingleses e escoceses, essa conversão
não teria maiores conseqüências se, em 1688, não tivesse nascido um filho homem, James
Edward Stewart. Um acontecimento na França veio reacender entre os ingleses a antipatia pelo
catolicismo. Quase cem anos antes, em 1598, o Rei Henri IV havia posto fim às terríveis lutas
político-religiosas entre católicos e protestantes, que enlutaram a França do século XVI. ao
promulgar o Edito de Nantes, Henri garantia liberdades civis e de culto aos protestantes. Mas,
em 1685, Louis XIV, o Rei Sol, figura máxima do absolutismo, revogou o Edito de Nautas. A
liberdade religiosa chegava ao fim na França católica, onde também já não mais existia
liberdade política. Ingleses e escoceses, fartos de lutas religiosas, passaram a considerar
inaceitável uma sucessão católica ao trono britânico, uma ameaça real às suas próprias
liberdades. O trono foi então oferecido à filha de James II, Mary, casada com William, chefe de
estado da Holanda. James foi praticamente deposto e exilou-se na França. Infelizmente, William
e Mary faleceram sem deixar herdeiros. A irmã de Mary, a Rainha Anne, que a sucedeu, também
não deixou herdeiros.

O trono foi então oferecido a um Príncipe alemão, bisneto de James I, que iniciou a dinastia de
Hanoverno trono britânico, sob o nome de George I. Mas os Stuarts tinham muitos partidários
dos dois lados do canal. Até a derrota final dos stuartistas ou jacobitas (defacobus, forma latina
de James), na batalha de Culloden, em 1745, o movimento de restauração da dinastia Stuart
ameaçou seriamente a estabilidade da dinastia Hanover A Maioria dos Maçons ignora, mas é
nessa rivalidade entre as duas dinastias rivais, Hanover e Stuart, que serão desenhados os Graus
Simbólicos e os Altos Graus Maçônicos.

O Cenário Maçônico

Londres, após o grande incêndio de 1666, teve que ser reconstruída. Mas de alvenaria, não mais
de madeira e estuque. A grande demanda de pedreiros fez crescer o status e despertou o interesse
do público em geral pelo ofício. Ao mesmo tempo, o clima de distensão, abertura e tolerância
atraiu imigração seleta, grandes inteligências, in- capazes de aceitar a opressão, como os
huguenotes franceses. E permitiu que fossem criadas agremiações onde podiam reunir-se as
cabeças pensantes, muitas delas envolvidas no processo londrino de reconstrução geral. Talvez
somente na Inglaterra daquela época seria tolerado que um grupo se reunisse a portas fechadas.
Em qualquer outro lugar, isso despertaria suspeitas das autoridades. A Royal Society, os clubes,
as sociedades e a Franco-Maçonaria afloraram justamente nessa época Nada mais natural que os
Maçons de então fossem dedicados à dinastia Stuart. Como vimos, os Stuarts foram afastados do
trono em 1688. Bons monarcas ou não, o fato é que else ganharam uma aura romântica no
exílio. Em contrapartida, o novo Rei britânico, George I, era insípido, grosseiro e impopular.
Jamais falou inglês. Seus descendentes foram insípidos e impopulares, quando não
escandalosos. Bem, dirá você, mas o que tem isso tudo a ver com a Maçonaria? Aqui é preciso
levar um fator muito importante em consideração. Nestes tempos de comunicação fácil, não
avaliamos o papel das Lojas como centros de irradiação de ideias. Mas as autoridades da época
sabiam muito bem. As Lojas e os Maçons, com seus juramentos e segredos, pareciam uma
ameaça potencial intolerável. Como aceitar uma sociedade secreta, sabidamente composta por
partidários do Cfficien regime e dispostos a reconduzir ao trono a dinastia Stuart?

Vamos acabar com essa subversão!

Muitos historiadores acham que a própria fundação da Primeira Grande Loja teria sido uma
estratégia para trazer a Franco-Maçonaria à esfera da nova dinastia alemã. Mas, mesmo que não
tenha sido este o motivo, que a coisa estava fervilhando nas Lojas, não há dúvida alguma. A ata
inicial da Primeira Grande Loja, datada de 1723, demonstra nitidamente a tensão existente entre
as duas facções na Primeira Grande Loja! E se quisermos pesquisar, há outros indícios, como a
criação do Terceiro Grau ou as Constituições de Anderson. O primeiro Livro das Constituições,
de 1723, era indubitavelmente cristão. Já o segundo, de 1738, tinha trazido a Maçonaria para
uma visão muito mais ecumênica. Decididamente, por influência dos humanistas da Royal
Society e por necessidade política, a Maçonaria dos Graus Simbólicos, controlada pela Primeira
Grande Loja, mudara consideravel mente. A religião, em cujo nome se praticou muitas
atrocidades e se exerceu muita opressão, não mais seria um foco de intolerância. Mas o mundo
gira. A Maçonaria, fora da influência da corte inglesa, ganhara ou, quem sabe, revivera outros
princípios. Isso pode ter acontecido na França, onde estavam os monarcas britânicos exilados,
ou na Escócia, de forte influência Templária. Ou, quem sabe, em ambos os lugares estão
envolvidos na sua genese. Pouco importa. O fato é que, em poucos anos, lá por 1740, osAltos
Graus assumiram uma preeminência avassaladora. E, é claro, para a Primeira Grande Loja, esses
Altos Graus, temperados com uma boa dose do romantismo Stuartista, decididamente cheiravam
a subversão!

Mais lenha na fogueira

Em 1730, Samuel Prichard publicou sua Maçonaria Dissecada, espalhando aos quatro ventos os
supostos segredos maçônicos, o que levou a Primeira Grande Loja a alterar os rituais,
desagradando os puristas - é claro que os puristas já existiam, naquela época! Em 1751, Maçons
irlandeses solicitaram ingresso na Primeira Grande Loja e foram solenemente esnobados. A
Grande Loja se eletrizara e não estava interessada em pés-rapados. Estes resolveram fazer sua
própria Grande Loja. E dream a sorte de ter um Grande Secretário, Laurence Dermott, que era
terrivelmente indigesto. Ele passou à ofensiva aberta contra a Primeira Grande Loja, apelidando
seus afiliados de "moderninhos", pejorativamente, acusando-os de terem alterado os rituais e por
não praticarem a verdadeira Maçonaria de York. Sim, de York, por causa da tradição implícita
nas Antigas Obrigações (Oíd Charges). Já else, os irlandeses e ingleses descontentes,
consideravam-se Antigos (Antients, com t, à latina!), os fiéis depositários das verdadeiras
tradições. Como não davam a mínima para os tabus da Primeira Grande Loja e reconhecendo a
atração potencial dos altos Graus, adotaram o mais notável deles, o Real Arco, considerando-o
um complemento indispensável à educação do Mestre Maçom, "o cerne, a raiz, o coração da
Franco-Maçonaria". E o Real Arco foi um diferencial tão importante que a Grande Loja dos
Antigos passou a ser conhecida como a Grande Loja dos Quatro Graus. E tão popular que
começou a ser procurada por muitos Maçons filiados à Grande Loja dos Modernos... E assim,
aos trancos e barrancos, conviveram as duas Grande Lojas.Só que a dos Antigos, mais aguerrida
e menos esnobe, estreitou suas relações com as Grandes Lojas da Irlanda (criada em 1723) e da
Escócia (criada em 1736), basicamente pela afinidade da prática ritualística.

A Primeira Grande Loja continuou em seu esplêndido isolamento.

A Maçonaria no Novo Mundo

Mas, nesse meio tempo, a Maçonaria fincou pé do outro lado do Atlântico,levada principalmente
pelas Lojas Militares, um fenômeno criado na Grande Loja da Irlanda, mas logo adotado pelas
demais. Assim, no territó- rio americano, as Lojas Maçônicas receberam suas Cartas
Constitutivas de quatro Obediências: Grande Loja da Irlanda. Grande Loja da Escócia, Grande
Loja dos Antigos e Grande Loja dos Modernos. Na agitação da época da independência
americana, os Maçons da Grande Loja dos Modernos tendiam para o lado inglês, enquanto,
gradativamente, os das outras jurisdições identificavam-se mais e mais com os colonos. Quando
foram criados os Estados Unidos como nação independente, as Grandes Lojas Provinciais
britânicas tornaram-se Grandes Lojas Estaduais americanas, absorvendo as Lojas de todas as
origens. Com a independência, a Maçonaria americana ganhou vida própria, onde a visão dos
Antigos naturalmente prevaleceu, já que os Modernos perderam o prestígio, por razões óbvias...
Foi assim que o venerável nome York entrou com toda a força para a Maçonaria americana - e o
Real Arco manteve sua transcendental importância. E não podemos esquecer que, apesar de
numerosas referências ao Real Arco na Irlanda e na Inglaterra, o primeiro registro que se tem da
colação do Grau de Maçom do Real Arco aconteceu na América, na Loja Fredericksburg,
Virgínia, na noite de 22 de dezembro de 1753. Em 1758, já existia um Capítulo em Filadélfia.

Em 1797, um ritualista americano,Thomas Smith Webb, baseou-se nas famosas Ilustrações da


Maçonaria (IIIustrations ofMasonry), de William Prestou, e organizou e seu The Freeinason's
Monitor, base da liturgia e da organização da Maçonaria nos Estados Unidos. Webb ainda fez
mais: conseguiu que representantes de diversos Capítulos do Real Arco se reunissem em Boston,
em 24 de outubro de 1797.

Essa Convenção é considerada hoje como o ponto de partida para o Grande Capítulo Geral. Os
primeiros Grandes Capítulos estaduais americanos da tam, também, de 1797. A partir de 1799, o
corpo formado pêlos diversos Capítulos passou a ser reconhecido como The General Grana
Chapter of Royal Arch Masons, acrescentando Internacional a partir de 1954. O primeiro Grande
Sumo Sacerdote Geral, Ephraim Kírby, foi eleito em 24 de janeiro de 1798.

A turma do deixa disso


Mas voltemos à Inglaterra. A causa dos Stuarts estava morta. Embora de crescesse a oposição ao
Real Arco, os Altos Graus ainda eram tabu. As duas Grandes Lojas ainda se hostilizavam,
mesmo depois da extinção da causal Jacobita. Cessou a causa, mas não os seus efeitos. Enquanto
isso, o Arco Real exercia tal fascínio que os Antigos resolveram estendê-lo não apenas aos
Mestres Eleitos ou Instalados, mas a todos os Mestres, com a criação do Grau de Past Master
Virtual. Ainda que abominado pela Grande Loja dos Modernos, tornou-se cada vez mais
popular, mesmo ; entre os Maçons a ela jurisdicionados. Tão grande foi esse interesse que,
paradoxalmente, foi na Grande Loja dos Modernos que surgiu um Grande Capítulo do Real
Arco, como entidade separada da Primeira Grande Loja, em 1766!A situação incómoda de duas
Grandes Lojas rivais, ambas dirigidas nominalmente por nobres, tinha que ser acomodada. Boa
palavra, acomodada. Pois foi a acomodação que norteou todos os entendimentos para a União.
Só que levou a Arco Real inglês a uma situação bem diferente da prática americana, mais
tradicional. Com um Príncipe de sangue real como Grão-Mestre tanto na Grande Loja dos
Modernos como na dos Antigos, finalmente foram dados os passos finais para acabar com a
contenda de sessenta anos. Uma comissão de notáveis examinou os rituais dos Antigos e
Modernos, reescrevendo, cortando, emendando e criando um novo ritual, aceitável para ambos
os lados. Prevaleceu em muito a forma de trabalhar dos Antigos. Ate ai, tudo bem. Mas como
resolver o problema do Quarto Grau, quando os Modernos só admitiam três? Matar o Real Arco
não daria, porque o protesto seria geral.

A União de 1813

A saída que se arranjou pode ter sido honrosa, mas é complicada: trés Grous que são quatro ou
quatro Graus que são três... Diz o Segundo Artigo da União das Grandes Lojas de Antigos e
Modernos, de 1813 - "está declarado e pronunciado que a pura Maçonaria Antiga consiste de
três graus e nenhum mais, isto é, os de Aprendiz Registrado, Companheiro de Ofício e Mestre
Maçom, incluindo a Suprema Ordem do Sagrado Arco Real. Porém, este artigo não visa impedir
qualquer Loja ou Capítulo de reunir-se em qualquer dos Graus das Ordens de Cavalaria, de
acordo com as Constituições das citadas Ordens ". Em que pese a segunda frase do Artigo, na
prática a Grande Loja Unida da Inglaterra ainda hesitava em aceitar os Altos Graus. Tanto que
manteve o mais popular deles na Inglaterra sob seu controle direto, A ilustração ao lado é
adaptada da famosa criação do irmão Everett Henry e publicada na revista Life na década de 50,
nas edições em inglês e em espanhol. A Life, na época, era uma das revistas de maior prestígio
nos Estados Unidos. como complemento da educação do Mestre Maçom. Nada mau. Arco Real
é verdadeiramente essa complementação. O problema é que ele foi condensado num único Grau,
lateral ao Grau de Mestre. Naturalmente, muita coisa interessante ficou de fora. Por isso, hoje,
os Maçons jurisdicionados à Grande Loja Unida da Inglaterra (United Grande Lodge ofEngland)
e às Obediências ligadas a ela têm um Arco Real diferente, embora haja uma tendência natural
para separar o Arco Real dos Graus Simbólicos. Comparado ao sistema americano, o sistema
inglês não é seqüencial. Temos um exemplo do Grau de Marca, que já tinha feito parte do
segundo Grau Simbólico. Cronologicamente, ele é anterior ao Arco Real. Só que, no sistema
inglês, ele é conferido depois, só para quem já tenha recebido o Grau de Maçom do Arco Real. E
é conferido por uma Grande Loja de Marca, que é Capitular! Os problemas na intervisitaçâo são
resolvidos com bom senso. Os Companheiros ingleses que tenham o Grau de Maçom do Arco
Real somente podem visitar um Capítulo americano se este estiver trabalhando neste Grau. Para
assistir a qualquer dos outros, terá de ser iniciado. Aquele que tenha também o Grau de Marca
inglês, pode ser recebido também no Grau de Mestre de Marca, o primeiro dos Graus
Capitulares do Rito de York americano, ao qual ele corresponde. O Real Arco hoje é, assim,
praticado em duas versões: americana e inglesa. O Real Arco americano chegou à sua forma
atual em 1797, simultaneamente com os Graus Simbólicos, antes, portanto, da versão inglesa
moderna posterior à União de Modernos e Antigos A primeira exibição do novo ritual simbólico
inglês aconteceu em 23 de agosto de 1815. A primeira Loja de Instrução, The Lodge of Stability,
funcionou a partir de 1817. E o Arco Real inglês ganhou um ritual impresso em 1834. A
hesitação da Grande Loja Unida da Inglaterra quanto aos Altos Graus atingiria também o Rito
Escocês Antigo e Aceito. O Supremo Conselho inglês surgiria somente em 1845, também
diferente da maioria dos Supremos Conselhos. Os graus do 4° ao 17° e do 19" ao 29° são apenas
comunicados. Somente os graus 18°, 30°, 31° e 32° são efetivamente trabalhados. Não há
dúvida que a Inglaterra foi o berço da Maçonaria moderna. Em se tratando de Simbolismo, ela
tem feito muito para evitar as interpolações e deformações de inventores, conservando um rigor
que lhe dá um status de árbitro inquestionável. Mas, em se tratando dos Altos Graus, os
americanos já tinham resolvido todos os impasses bem antes de 1813. E do forma muito
pragmática. Como a Maçonaria já estava estruturada nos Graus Simbólicos, não havia mais o
que mexer. Assim, os Graus Capitulares, tanto do Rito de York quanto do Rito Escocês Antigo e
Aceito, foram organizados numa estrutura simples e sequencial, acima dos Graus Simbólicos de
Aprendiz, Companheiro e Mestre. O lado Escocês da famosa escada Maçônica vai do Grau 4 ao
33, enquanto o lado York vai de Mestre de Marca, o primeiro dos Graus do Real Arco, atéo
último deles, Cavaleiro Templário. - O Real Arco americano, nos seus quatro Graus, é
Maçonaria Capitular, com estrutura, liturgia e organização próprias. Forma um todo seqüencial,
cronológico e harmonioso. Não está ligado às Lojas Simbólicas e nada tem a ver,
administrativamente, com as Obediências, a não ser relações fraternas e respeitosas. - O Arco
Real inglês é uma extensão lateral do Grau de Mestre Maçom, do qual é o complemento. Está
ligado sempre a uma Loja Simbólica, ficando, portanto, sujeito à Obediência Simbólica que o
abriga. Como dissemos, muitos Maçons ingleses tem expressado seu desejo de ver seu Real
Arco como Maçonaria Capitular. Se conseguirão ou não, só o tempo dirá. Enquanto isso, apesar
das diferenças estruturais, lembramos que tanto a essência como a origem de ambas as versões é
a mesma. Muito teremos a ganhar com a visitação e o aprendizado mútuos, que esperamos ver
como realidade.