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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

EDUCAÇÃO E EXELÊNCIA: INVESTIR NO TALENTO DO
EDUCADOR GESTOR

Por: Marcos de Jesus Silva

Orientadora
Profª. Mary Sue

Rio de Janeiro
2006

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
Educação e excelência: investir no talento do educador 2
gestor

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

EDUCAÇÃO E EXELÊNCIA: INVESTIR NO TALENTO DO
EDUCADOR GESTOR

Apresentação de monografia à Universidade Candido
Mendes como condição prévia para obtenção de grau de
Especialista em Administração Escolar.
Educação e excelência: investir no talento do educador 3
gestor

AGRADECIMENTOS

A minha família, aos meus amigos pelo amor
e carinho.
Aos Salesianos, em especial ao Pe. Daniel
Bissoli pelo apoio e carinho. Aos
educadores do Colégio Salesiano de Rocha
Miranda pela acolhida e pela saudade de que
deixaram no meu coração. Aos meus
colegas de curso pela convivência e troca de
conhecimentos.
Educação e excelência: investir no talento do educador 4
gestor
Educação e excelência: investir no talento do educador 5
gestor

DEDICATÓRIA

A minha família e aos meus amigos que
acreditam e torcem por mim e a quem amo
muito.

SUMÁRIO
Educação e excelência: investir no talento do educador 6
gestor

INTRODUÇÃO ........................................................................................................07

CAPÍTULO I

1 - O EDUCADOR GESTOR DE SUAS COMPETÊNCIAS .................................08
1.1 - O protagonismo formativo do educador gestor....................................................10
1.1. 1 – Investir na inteligência.....................................................................................11
1.2 - Formar é forma-se em equipe...............................................................................13
1.2.1 - Investir nas relações humanas............................................................................14
1.3 - Acreditar no próprio potencial.............................................................................15
1.3.1 - Investir no talento.............................................................................................16

CAPÍTULO II

2 - O EDUCADOR GESTOR DA CONVIVÊNCIA ...............................................19
2.1 - Necessidade de um ambiente formativo................................................................21
2.2 - Formar-se em equipe............................................................................................23
2.2.1 - "Da competência individual à competência coletiva"..........................................25
2.3 - Ninguém se forma sozinho...................................................................................26

CAPÍTULO III

3 - SINTONIA FINA: COMUNHÃO DE CONHECIMENTOS.............................28
3.1 - A Escola investe no educador gestor....................................................................29
3.2 - O educador gestor investe seu talento na escola...................................................31
3.3 - Comunhão de conhecimentos na gestão escolar....................................................32

CONCLUSÃO...........................................................................................................34

BIBLIOGRAFIA ......................................................................................................36

FOLHA DE AVALIAÇÃO ......................................................................................38

INTRODUÇÃO

O presente trabalho quer ser um convite a investirmos no potencial humano, a
investir na construção das relações humanas dentro da escola. É um convite a
Educação e excelência: investir no talento do educador 7
gestor

acreditarmos em nós mesmos, no outro e naquilo que escolhemos como missão de vida:
a educação.
O primeiro capítulo trata da importância do educador gestor investir na sua
própria formação, da necessidade de ele ser protagonista do seu processo formativo,
investindo e aprimorando seus conhecimentos e habilidades, sua inteligência. Aborda a
imperiosa realidade de formar-se em equipe, acreditando no potencial dos educadores
com quem trabalha, investindo nas relações humanas. É um convite a acreditar no
próprio potencial, investir no próprio talento, a fazer-se competente.
O segundo capítulo aborda os aspectos da convivência e a necessidade de
construir um ambiente formativo onde sejam dadas reais oportunidades de expansão de
talentos. Trata da formação em equipe como construção de competências coletivas,
como aspecto fundamental na elaboração de um diferencial competitivo. É, portanto, um
convite a abandonar o egoísmo, a trabalhar em conjunto na construção de novas
competências.
O terceiro capítulo já é, de certa forma, uma síntese dos dois anteriores, pois
insiste na comunhão de conhecimentos e investimentos. Trata da escola que investe no
educador gestor e do educador gestor que se empenha em investir e construir novos
processos educativos para renovar a escola, levando-a a excelência. É um convite a
sermos otimistas, abandonando o 'muro das lamentações'.
Temos a certeza de que o presente trabalho foi um momento favorável de revisão
de nossa prática e de mudança de perspectiva em relação ao nosso fazer na gestão
escolar.

CAPÍTULO I

1 - O EDUCADOR GESTOR DE SUA FORMAÇÃO
Educação e excelência: investir no talento do educador 8
gestor

A sociedade do conhecimento, com as relações sociais baseadas no conhecimento
- no cérebro - pede "novas competências e aptidões cognitivo-atitudinais" para a nova
realidade sócio-educativa que se impõem. In' am Al-Mufti nos sintetiza bem essa
realidade:
"estamos num momento histórico em que o mundo é palco de inovações
cientificas e tecnológicas fundamentais, de mudanças nos domínios da
economia e da política, e de transformação de estruturas demográficas e
sociais. Estas alterações que irão, com certeza acelerar-se no futuro criam
tensões enormes, em especial no campo da educação, a qual terá que dar
respostas a necessidades crescentes e enfrentar novos desafios de um mundo
que muda rapidamente. Para fazer face às exigências do nosso tempo é preciso
revelar ao mesmo tempo criatividade, coragem, uma vontade firme de operar
mudanças reais e de estar à altura das tarefas que nos esperam".1

Essa sociedade exige do gestor educacional, mais do que nunca, "conhecimentos
específicos, tirocínio lingüístico-comunicativo e competência para inscrição histórica, ou
seja, no processo de sua formação deve-se ter em vista três eixos: o conhecimento, a
comunicação e a historicidade".
Esse processo solicita para o gestor um ambiente e um espaço de autogestão, um
fazer da escola "um lugar de permanente qualificação humana, de desenvolvimento
pessoal e profissional".2 Implica em que o gestor acredite no seu potencial único e no
potencial de todas os educadores que trabalham consigo.
Dessa forma, vemos a necessidade de investir no talento do educador gestor.
Investir na sua necessidade de formação, de capacitação para adaptar-se as novas
realidades. Formação que pode mudar consideravelmente o ambiente em que este "ser
humano" vai trabalhar.
Isso exige de nós pensarmos diferente naquilo que queremos e buscamos em
relação ao ser humano e o seu lugar na sociedade do conhecimento. Exige que
acreditemos profundamente no potencial humano de transformar as realidades adversas,
adaptando-as às suas reais necessidades históricas.

1
AL-MUFTI, In' am. Educação e excelência: investir no talento. In: Educação: um tesouro a descobrir.
São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2004. 9ª ed. p. 212.
2
WITTMANN, Lauro Carlos. Autonomia da Escola e Democratização de sua gestão: Novas demandas
para o gestor. Em Aberto. Brasília, v.17, nº 72 fev/jun 2000. p.95
Educação e excelência: investir no talento do educador 9
gestor

Levamos em conta que o educador gestor, com sua influência e a forma como
coordena o ambiente escolar, determina a qualidade da educação da instituição que o
tem como membro e que por isso ele tem um papel social fundamental na construção de
uma nova sociedade.
Percebemos que investir no talento do Educador Gestor não passa apenas pela
sua capacitação técnica, passa sim e principalmente, pela sua capacitação humana,
humanística, como ser humano que coordena seres humanos que são educadores das
novas gerações.
Vê-se, portanto, que sua responsabilidade não é das menores, nem algo para
vangloriar-se como sua, é uma responsabilidade social e deve ser construída socialmente.
Lauro Carlos Wittmann falando da necessidade de fazer corresponder nossas categorias
conceituais com as determinações básicas do real nos diz:

"é a pratica educativa que se totaliza e tem repercussão pela sua dimensão
administrativa. É um processo análogo ao corpo e pensamento. (...) a prática
social da educação constrói-se totalidade e significação histórica, que é sua
dimensão administrativa".3

Para que essa realidade se concretize é necessário que o gestor ao formar-se,
formar-se em equipe, num processo que leve em conta as "relações intersubjetivas, co-
responsabilidade, compromisso coletivo e compartilhamento" num ambiente que leve em
conta o potencial de cada um e se invista no talento, pois "o talento é a melhor
expressão de si".4
1.1 - O protagonismo formativo do educador gestor

É necessário que o Educador gestor tome consciência e faça-se educador de suas
competências, invista, antes que qualquer ente exterior, em si mesmo, no seu potencial.
É imprescindível que ele seja protagonista da sua própria formação, o que dá o primeiro
passo em busca de espaços possíveis e disponíveis para a realização do seu potencial
humano.
O protagomismo requer um saber-se capaz e um fazer-se capaz, competente. Por
isso a necessidade de um senso crítico em relação a si e ao outros, mantendo a mente
WITTMANN, 2000, p. 94.
3
4
Citado por Guy LE BOTERF, referindo-se a um encarte publicitário do Grupo ISEG das Grandes
Écoles. p.65.
Educação e excelência: investir no talento do educador 10
gestor

aberta e aguçando a capacidade de percepção e recepção da realidade social que o cerca.
Isso leva a criar um ambiente propício á mudança e dessa forma a buscar novas formas
de construir a realidade, portanto, a empenhar-se cada vez mais a investir em si o no seu
potencial transformador.
Na concepção de Débora Dias Gomes "o Espaço de Trabalho no Século XXI
aponta para um perfil empreendedor. Pessoas que sonham e trabalham para a realização
do sonho com constância de propósito". Essa visão traz em si a idéia de que um
"trabalho bem feito expressa talento, prazer e cidadania" e de que a mudança no mundo
ocorre através da transformação das pessoas.5
O protagonismo vai de encontro à idéia de Guy Le Boterf, citando De Bonnafos,
ao defender a hipótese

"de um papel ativo dos indivíduos na aprendizagem de seu saber e a
ausência de homogeneidade dos indivíduos que supostamente ocupam
um 'mesmo' emprego".6

Nessa mesma linha se insere o caráter improvisador do educador gestor que pelo
protagonismo da sua ação encontra inspiração para realizar novas ações inspiradoras, e
inspira os que trabalham consigo a fazerem o mesmo. Ele deve saber, diante das
incertezas que a sociedade nos apresenta, elaborar e criar novos modelos ou
combinações de modelos com os recursos que tem à mão. "É um saber atualizar mais
que um saber aplicar". Nesse processo ele mesmo se faz protagonista da sua formação.
Esse caminho exige do educador gestor vocação, maturidade pessoal,
autodomínio e capacidade de iniciativa para não esconder-se atrás das intrusões e
procedimentos de forma a culpar os outros pelas oportunidades que não criou. Requer
grande envolvimento no trabalho que se faz e, como aspecto de sua profissionalização,

"é preciso querer agir para poder e saber agir. Há envolvimento tanto da
subjetividade quanto de objetividade.O profissional ' habita ' sua área de
competência e a incorpora".7

5
GOMES, Débora Dias. A escola que aprende sobre seu capital intelectual e emocional. Aprender
Virtual: Julho/Agosto 20003. www.aprendervirtual.com.
6
LE BOTERF, Guy. Desenvolvendo a competência dos profissionais. Porto Alegre: Artemed, 2003.
p.62.
7
LE BOTERF, 2003, p.80.
Educação e excelência: investir no talento do educador 11
gestor

Portanto, o educador gestor deve ser o primeiro interessado em sua formação.
Por estar atento às transformações sociais, políticas e econômicas ele deve saber
"apreender os acontecimentos contingentes, não-buscados, para transformá-los em
oportunidades criadoras".8

1.1. 1 – Investir na inteligência

Segundo Rino Gianni estamos vivendo a era do trabalho baseado no
conhecimento e, portanto, o grande desafio para o gestor é administrar trabalhadores
com conhecimento. Isso demanda virtudes tais como a leveza, a rapidez, a exatidão, a
visibilidade, a multiplicidade e a consistência9. Demanda, portanto, sensibilidade, tendo
em vista que são virtudes profundamente humanas, e demanda inteligência, pois a
capacitação tecnológica que esta nova era traz "existe nas pessoas e não somente nos
equipamentos". É preciso pessoas inteligentes que tenham capacidade de articulação e
coordenação de meios e técnicas. "Não é o dinheiro o combustível da viagem para o
futuro, é sim a energia emocional e intelectual de cada colaborador".10
Na concepção de Le Boterf o diferencial de competitividade não depende mais
apenas da boa gestão do capital financeiro ou tecnológico, são os serviços e a
inteligência que fazem a diferença. Portanto é necessário que se invista nos recursos
raros que são as competências pessoais, que se invista no capital humano, "é preciso
investir eficientemente em inteligência".11
Essa realidade pede ao gestor um "polivalência, multifuncionalidade, e
capacidade de cooperação" que o torna, com seus conhecimentos e habilidades, uma
fonte de valor agregado à instituição a que pertence.
A inteligência implica saber ir além do prescrito, inovar no dia-a-dia e assumir as
responsabilidades de suas ações. Le Boterf utiliza a métis grega - artimanhas da
inteligência - para retratar essa capacidade de adaptação as situações inconstantes e
complexas que a sociedade atual nos impõe.

8
LE BOTERF, 2003, p.63.
9
GIANNI, Rino. O global e o local: Desafios para o educador gestor do século XXI. Recife: 2000.
10
MENEZES, Jacqueline M. Administração Estratégica como ferramenta de gestão escolar.
Florianópolis, 2002. Dissertação de Mestrado, UFSC, 2002. p.26.
11
LE BOTERF, 2003, p. 17
Educação e excelência: investir no talento do educador 12
gestor

"Essa inteligência utiliza mais a artimanha do que a força. À imagem
do piloto que guia sua embarcação na tempestade, a métis sabe que o caminho
mais curto freqüentemente é o desvio, e não a linha reta. Caracteriza-se pela
vivacidade e pela acuidade. À escuta, sabe detectar a tempo os sinais
precursores e reagir a eles na hora certa sem se deixar levar, entretanto, pelas
facilidades da impulsividade. Além disso, é guiada pela precisão da
obeservação (eustochia). A métis sabe adaptar-se permanentemente, modificar
seu modos de agir, mover-se em função dos movimentos e dos contextos. Ela
sabe aproveitar as ocasiões".12

É essa inteligência que a sociedade atual pede ao gestor educacional. Inteligência
que lhe permitirá à medida que o ambiente muda saber "utilizar conhecimentos ou
habilidades que adquiriu e executou em contextos distintos".13

1.2 - Formar é forma-se em equipe

Na sociedade atual e a realidade de educação em que vivemos a gestão é
processo compartilhado, de equipe. Não há espaço para auto-suficiência, pois na era do
trabalho baseado no conhecimento "o trabalho se reveste de um caráter cada vez mais
coletivo" e o desempenho dos trabalhadores do conhecimento "dependerá largamente de
sua capacidade de se comunicar e de cooperar".14 Portanto, esse aspecto da cooperação
profissional diz respeito também a formar-se em equipe, construir competência coletiva.
Le Boterf fala de um "saber combinatório", de que cada ação competente é
resultado de uma combinação de recursos, não há apenas uma forma de ser competente,
a competência diz respeito a todo um contexto de recursos, ambiente e pessoas. A
competência coletiva emerge da combinação das competências e do profissionalismo dos
membros de uma equipe. Então, quanto mais a pessoa puder e souber combinar suas
competências com aqueles que trabalham consigo, mais aumentará sua própria
competência.
Perrenoud nos diz que trabalhar em conjunto torna-se uma necessidade mais
ligada à evolução do oficio do que uma escolha pessoal, mas ao mesmo tempo há os que

12
LE BOTERF, 2003, p.39.
13
LE BOTERF, 2003, p.70.
14
LE BOTERF, 2003, p.24.
Educação e excelência: investir no talento do educador 13
gestor

desejam trabalhar em equipe visando a níveis de cooperação ambiciosos. Julgamos assim
que o trabalho em equipe é para quem busca excelência.
Na concepção de Arthur Rios o educador gestor deve "encarar sua tarefa como
um tema de aperfeiçoamento próprio. É dando o melhor de si mesmo que sua
personalidade se enriquece". Aliamos a essa idéia a de que "cada individuo traz para o
grupo sua personalidade que já é uma combinação de fatores" e de que portanto o
próprio fato de trabalhar em equipe é um processo formativo porque é desse trabalho
que surgem as inovações, visto que a personalidade de um membro da equipe

"pode ser antipatizada e possuir um traço qualquer, uma habilidade, uma
possibilidade de acesso a valores que o grupo deseja alcançar".15
1.2.1 - Investir nas relações humanas

Os profissionais da educação são pelo próprio caráter que a Educação exige,
profissionais críticos da realidade e das instituições que regem o exercício de sua
profissão. Isso torna a Escola no mínimo um lugar de conflito, pois pelo fato de ser
constituída de pessoas cada uma com seu sistema próprio de valores e interesses não é
fácil estabelecer um objetivo comum. Embora se busque o bem social, não há
unanimidade de vistas sobre como fazê-lo16. Portanto, o ambiente educacional é lugar de
conflitos de idéias, de ideais, de metodologias e pedagogias.
Transitar nesse ambiente exige capacidade de compreensão, coragem e vontade
de partilhar atividades que em boa parte das vezes não tem valor pessoal, embora sejam
fundamentais para a missão educativa. Por isso o gestor precisa ter um conhecimento
amplo sobre as questões que regem as relações e a personalidade humana e investir
tempo e energia no seu aprimoramento dentro da escola.
É preciso ter sempre em mente que os profissionais da educação são pessoas com
caráter solidificado que querem e carecem de respeito pela sua inteligência. Isso requer
do gestor muita paciência, maleabilidade, jogo de cintura, competência humana e técnica
para fazer desses conflitos um aprimoramento e não desgaste das pessoas e da instituição
escolar.

15
RIOS, José Arthur. A educação dos Grupos. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Educação Sanitária;
Ministério da Saúde, 1962. p.40.
16
RIOS, 1962, p.20.
Educação e excelência: investir no talento do educador 14
gestor

Nesse sentido o princípio do serviço deve ficar em evidência. Servir é colocar-se
a disposição do outro, não como objeto de uso e manipulação, mas em caráter de
disponibilidade para auxiliar, ser braço e mãos que se expandem para alcançar aquilo que
braços e mãos solitários não podem alcançar.
O servir, ou serviço educativo, na gestão escolar funciona, ou deveria funcionar,
nessa categoria de ser extensão do objetivo comum educativo. Nesse sentido o gestor
não faz uso das pessoas que trabalham com ele como se faz uso de um instrumento de
trabalho, mas se estende ou se expande através delas. E nesse ato de expansão seus
braços e mãos ganham novas caras, novas forças, criatividade e novo vigor, podendo
assim atingir com maior eficácia os objetivos do processo educativo, pois "a interação
entre as pessoas é essencial no processo criativo" e educar é criar, e criar é acreditar-se
capaz e acreditar na capacidade do outro e, portanto, acreditar que somos muito mais
capazes trabalhando juntos.
Segundo Jean Jacques Salim uma cultura de colaboração promove o aprendizado
e a experimentação, o compartilhamento de conhecimento, a inteligência coletiva, o
crescimento da empresa e de seus colaboradores.17

1.3 - Acreditar no próprio potencial

Acreditar em si mesmo é um ótimo princípio para iniciar o trabalho com os
outros. Requer do gestor escolar maturidade pessoal e equilíbrio de personalidade visto
ser o público com que lida muito variado - educadores, educandos, pais, comunidade e
sociedade em suas diversas instancias. É fundamental, portanto, que o gestor acredite no
que está fazendo e no porque está fazendo, no potencial que possui para levar a frente à
missão educativa.
Dessa forma, com as mudanças sociais e organizacionais pelas quais passamos,
urge que o educador gestor reflita melhor sobre suas crenças e valores a fim de investir
profundamente naquilo que realmente faz a diferença para sua própria identidade
humana. Conseqüentemente é necessário investir no

SALIM, Jean Jacques. Gestão do conhecimento: diferencial competitivo na era digital. FGV-SP:
17

Novembro/2000. www.fgvsp.br/conhecimento/home.htm. Acesso em 13/01/2006 22h35.
Educação e excelência: investir no talento do educador 15
gestor

"autoconhecimento e nas diferentes formas de relacionamento
interpessoal como mecanismos de aperfeiçoamento de sua personalidade
e inteligência emocional".18

É imprescindível que o gestor educacional leve em conta que a

“possibilidade de integração de sua subjetividade com a realidade concreta
onde ele vive; depende da possibilidade de satisfação de suas necessidades,
desejos e anseios mais autênticos de sua atividade concreta num sistema
econômico, social e político específico. Cada momento de vida é um momento
de desejo e de busca de satisfação; é um momento de consciência e de busca de
realização desta consciência”19

Que, portanto, ele precisa acreditar no que é, no que faz e onde quer chegar. Não se
investe energia naquilo em que não se acredita, e não se pode acreditar ou creditar o
outro se há desconhecimento dos próprios desejos e potencialidades.
No campo educativo encontramos muitos educadores com auto-estima baixa, o
que é um desastre para o processo educativo. São educadores que desistiram de investir
em si mesmos e por causa disso já não investem e não acreditam no potencial de seus
educandos. Perderam a chama interior, ou deixaram de lhe aguçar a essa chama.
A sociedade atual pede do profissional da educação a capacidade de administrar
situações complexas de aprendizagem, capacidade de refletir sobre suas práticas, de
resolver problemas, de escolher e elaborar novas estratégias pedagógicas. Isso exige,
portanto, um profissional profundamente consciente das suas habilidades, capacidades e
possibilidades a desenvolver.
É necessário que o educador gestor, mais do que qualquer outro, acredite no seu
potencial e acreditando em si acredite e credite no potencial da equipe que atua consigo.
E à medida que acredita se potencie cada vez mais, abrindo possibilidades maiores para a
profissionalização da própria educação.

1.3.1 - Investir no talento
18
MACEDO, I.; RODRIGUES, D.; JOHANN, M.E.; CUNHA, A . Aspectos Comportamentais da gestão
de pessoas. Rio de Janeiro: FGV, 2005. p.15.
19
LIBÂNIO, J.B.; CELES, L.A.M. Formação da Consciência Crítica. Subsídios psicopedagógicos.
Petrópolis: Vozes, 1980. 2.a ed. p.22.
Educação e excelência: investir no talento do educador 16
gestor

Excelência é para todos, mas é difícil fazer as pessoas acreditarem em si mesmas,
acreditarem no seu potencial de fazer as coisas acontecerem. Na educação isso deve ser
um dever e uma garantia a ser levada a sério, pois há, na educação brasileira, um
desestimulo muito grande, social e político, à dignidade real do educador.
Educadores que não acreditam em si mesmos formam cidadãos ou pseudo-
cidadãos que não possuem potencial construtivo e não acreditam em si mesmos, pois
"ensina-se o que se é".
Investir no talento é partir do principio de que cada individuo é único e que sua
competência é única e não pode ser transferida ou automatizada. Diz-nos Le Boterf

"a economia das competências não se reduz a economia dos saberes, e as
competências nada são sem as pessoas. A competência não tem existência
material independente da pessoa que a coloca em ação. (...) A competência
individual ou coletiva é uma abstração, certamente útil mas uma abstração.
Somente as pessoas existem".20

É essa capacidade pessoal que precisa ser aguçada. O mundo contemporâneo
pede profissionais que saibam ir além do prescrito, que utilizem a métis - as artimanhas
da inteligência - a inteligência prática e astuciosa para navegar na complexidade.
A complexidade organizacional e social em que vivemos pede gestores
educacionais que saibam criar, reconstruir e inovar. E pede, como administradores da
educação que são,

"saber agir com pertinência, saber mobilizar saberes e conhecimentos em um
contexto profissional, saber integrar ou combinar saberes múltiplos e
heterogêneos, saber transpor, saber aprender e aprender a aprender e saber
envolver-se".21

Investir no talento é dar a oportunidade aos educadores de expandir-se, dar reais
espaços de participação e ação, espaços onde possam exercer sua parcela de fantasia
e/ou de loucura. E aqui é necessário um cuidado muito grande, pois desvaloriza-se

20
LE BOTERF, 2003, p.11.
21
LE BOTERF, 2003, p.38.
Educação e excelência: investir no talento do educador 17
gestor

facilmente o que não se domina e descarta-se o que não se denomina ainda. É importante
pensar que o talento supõe o saber e o saber-fazer, mas ultrapassa-os, pois "é uma
capacidade da pessoa para...".22 O talento, como já dissemos anteriormente, "é a melhor
expressão de si".
Investir no talento está no nível do saber ser, ou seja, das atitudes. Portanto, o
talento resulta da interação da pessoa com o meio em que se encontra, da sua maneira
singular de agir e fazer as coisas acontecerem.

22

LE BOTERF, 2003, p.86.
Educação e excelência: investir no talento do educador 18
gestor

CAPÍTULO II

2 - O EDUCADOR GESTOR DA CONVIVÊNCIA

A tendência comum nos diversos ambientes de trabalho e dar prioridade ao
espírito de competição e ao sucesso individual. Com as transformações da sociedade do
conhecimento essa tendência perde cada vez mais sua força, em vista do trabalho em
conjunto que é uma necessidade urgente dos trabalhadores do conhecimento.Esse
processo de trabalhar em conjunto deve ser incentivado dentro da escola tendo em vista
que a educação dá-se no espaço comum, no lugar da convivência.
O ambiente escolar reúne uma diversidade muito grande de talentos e
personalidades, sendo o gestor o centro de convergência dessas personalidades,
convergentes ou divergentes, deve estabelecer com elas, para o bem da educação,
entendimento, cooperação e novos padrões de valores e comportamento.
Essa perspectiva leva em consideração que

"o 'educando' não aprende apenas na sala de aula, mas na escola como um
todo: pela maneira como a mesma é organizada e como funciona; pelas ações
globais que promove; pelo modo como as pessoas se relacionam e como a
escola se relaciona com a comunidade, pela atitude expressa em ralação às
pessoas, aos problemas educacionais e sociais, pelo modo como trabalha,
dentre outros aspectos".23

Heloísa Lück nos lembra que a escola como organização viva caracteriza-se por
uma rede de relações entre todos os elementos que nela atuam ou interferem direta ou
indiretamente e que a dinâmica das interações deve ser o foco da ação da gestão.
Pensamos, portanto, que deve ser gerado dentro da escola relações de caráter igualitário
através da promoção e existência de objetivos e projetos comuns entre as diversas áreas,
de forma a diminuir os preconceitos, as hostilidades, ao conflito improdutivo, dando
espaço maior à cooperação. O confronto que deve existir é o confronto através do
diálogo e da troca de argumentos. Levamos em consideração que

23
LÜCK, Heloísa (Org.) Gestão escolar e formação de gestores. Em Aberto. Brasília, v.17, nº 72 fev/jun
2000. p.8.
Educação e excelência: investir no talento do educador 19
gestor

"uma dada situação se modifica quando as relações nessa situação se
modificam. O autoritarismo e a democracia se expressam principalmente nos
relacionamentos, pois falar de relações é tratar da essência".24

Que, portanto, concordamos com Heloísa Lück de que a compreensão da dinâmica
conflitiva e contraditória das relações interpessoais da organização, o entendimento
dessa organização como entidade viva e dinâmica, demanda uma articulação especial de
liderança e articulação, a compreensão de que a mudança de processos educacionais
envolve mudanças nas relações sociais praticadas na escola e nos sistemas de ensino.
Pensamos com Pedro Faria Borges que o gestor deve ter gosto pelo
relacionamento humano, não temendo os atritos e possíveis conflitos que as relações
humanas trazem consigo, mas deve tê-los como fator de aprimoramento de sua própria
personalidade e do ambiente escolar em que convive e ainda, com Heloísa Lück, que

"incertezas, ambigüidade, contradição, tensão, conflito e crise são
elementos naturais do processo social e oportunidades de crescimento e
transformação".

Portanto, a gestão escolar não é espaço para lamentar dificuldades, é espaço para
a construção de uma convivência transformadora das relações humanas na busca de
novas alternativas para a realização da missão educativa.

2.1 - Necessidade de um ambiente formativo

Temos em vista aqui que a realidade é dinâmica, sendo construída socialmente,
pela forma como as pessoas pensam, agem e interagem. Lück nos diz que

24
BORGES, Pedro Faria. Gestão Escolar: Guia do Diretor em Dez Lições.p.23. In: ANDRADE,
Rosamaria Calaes de (Org.). A Gestão da Escola. Porto Alegre/Belo Horizonte: Artemed/Rede Pitágoras,
2004 (Coleção Escola em Ação; 4).
Educação e excelência: investir no talento do educador 20
gestor

"a realidade é global, sendo que tudo está relacionado a tudo, direta ou
indiretamente, estabelecendo uma rede de fatos, circunstâncias e
situações, intimamente interligadas".25

Portanto, no processo de formação deve se ter em mente a necessidade vital de um
ambiente que seja formativo para todos aqueles que dele compartilham, ambiente com
igualdade de participação e aberto a constituição de novas realidades mais condizentes
com a sociedade de que participamos.
A escola já tem por princípio ser um ambiente formativo, mas isso ocorre mais
intensamente em relação aos educandos. Quando se fala em gestão escolar deve-se trazer
essa mesma necessidade aos educadores. Enquanto são agentes do processo educativo,
eles têm a necessidade também de um ambiente propício a sua formação. Ambiente de
regras claras, que lhes dêem segurança para exercer sua função educativa.
O ambiente formativo diz respeito aqui à necessidade humana de sentir-se bem no
convívio com os outros, de mostrar seu potencial e vê-lo valorizado, reconhecido, pois
"toda competência para existir socialmente supõe a intervenção do julgamento de
terceiros".26 Diz respeito a salas e ambientes adequados, tecnologia necessária ao
aprimoramento da profissão. Reuniões necessárias e menos extraordinárias possíveis,
objetivos claros, fidelidade a valores e projetos assumidos, consulta quando algo
/assunto diz respeito ao "pessoal" e coletivo.
A necessidade de um ambiente formativo faz-nos concordar com Le Boterf que
de que
"manter e desenvolver a competência é também contribuir ativamente para
criar um meio favorável para si: criação de redes, aquisição de ferramentas,
busca de informações, escolha do local de habitat e tratamento do espaço...".27

Aqui é mais forte a necessidade de ser levado em consideração nas grandes coisas
e nas supostas pequenas coisas, no redimensionamento e construção de novos espaços. É
fundamental um ambiente onde se tenha claro que

25
LÜCK, Heloísa. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto à Formação de seus Gestores.
Em Aberto. Brasília, v.17, nº 72 fev/jun 2000, p.15.
26
LE BOTERF, 2003, p.82.
27
LE BOTERF, 2003, p.130.
Educação e excelência: investir no talento do educador 21
gestor

"falar dos medos, das fantasias de perder a autonomia, dos territórios a
proteger, dos poderes a assumir ou a se submeter, das competências e das
incompetências a manifestar ou a construir, em suma, de todas a vicissitudes
das relações intersubjetivas não é, então, um luxo, mas uma condição par
começar, dentro de uma relativa transparência e de um certo equilíbrio entre
os desejos de uns e de outros".28

Perrenoud nos lembra que administrar a escola é sempre, indiretamente, ordenar
espaços e experiências de formação, portanto, é criar espaços reais de participação e
ação, de autonomia onde os educadores estejam dispostos a assumir projetos comuns e,
como conseqüência, assumir os possíveis erros de estratégia adotados.
Ambiente formativo implica simplicidade de procedimentos, objetividade na
comunicação, transparência nas decisões e escuta mais que discursos, pois o discurso é
inimigo de qualquer trabalho em grupo. Implica também uma ótica globalizadora, onde
todos sintam-se participantes e co-responsáveis; implica definição clara de
responsabilidades, mais coordenação e menos controle, porque as pessoas não suportam
serem controladas; implica, fundamentalmente, ação coletiva, espírito de equipe.

2.2 - Formar-se em equipe

Não adianta o gestor escolar querer e se empenhar cada dia mais em capacita-se e
adquirir e desenvolver novas competências e habilidades se sua equipe de trabalho não
estiver caminhando no mesmo nível. A gestão é um processo compartilhado, de equipe,
portanto a equipe deveria ser capacitada em conjunto.
Formar-se em equipe implica reconhecer igualdade de importância nas funções e
nos papéis dentro da instituição, requer grande maturidade no falar, no ouvir e no fazer;
respeito é fundamental, bem como um saber reconhecer seu lugar no mundo e dentro da
instituição, tendo consciência das próprias limitações e deficiências técnicas.

28
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artemed, 2000, p.84.
Educação e excelência: investir no talento do educador 22
gestor

O gestor escolar, neste sentido, deve levar em conta que dentro da escola ele não
é a pessoa mais capacitada ou a mais inteligente ou perspicaz; Que antes de tudo a sua
posição dentro da escola pede que ele tenha visão e clarividência para reconhecer onde
se localizam as grandes oportunidades e as pessoas mais capacitadas para construí-las e
levá-las a bom termo.
Formar-se em equipe aqui é valorizar o conhecimento que cada participante,
educador, possui de particular para torná-lo coletivo. "A responsabilidade maior" do
gestor
"é a articulação sinérgica do talento, competência e energia humana, pela
mobilização continua para promover uma cultura organizacional orientada
para resultados e desenvolvimento".29

E aqui um dos grandes desafios é vencer a competição que acontece nos grupos
humanos, mesmo nas melhores equipes. O que se pode fazer é não deixar essa
competição caminhar para a deslealdade de forma que prejudique o trabalho educativo.
Uma das formas de fazê-lo é dar espaços de participação igualitários, principalmente em
reuniões de planejamentos e projetos, bem como na execução dos mesmos.
Por exemplo, é um grande erro programar-se reuniões que sejam de palavra
exclusiva da coordenação ou da direção, valendo aqui lembrar que "conduzir é dar vida,
sem contentar-se apenas em distribuir a fala".30 Isso vale principalmente em reuniões
pedagógicas onde deve-se levar em consideração que o professor é a fonte principal,
teórica e prática da pedagogia, da didática e por isso sua voz precisa ressoar nos
momentos de tomada de decisão em relação ao que se vai fazer dentro da escola. Não se
pode ditar normas de como o professor deve proceder na sua ação pedagógica, isso é um
desrespeito à sua capacidade e inteligência; pode-se sim criar um ambiente favorável à
mudança e revisão de sua prática quando se perceber que já não está alcançando os
objetivos assumidos.
O gestor escolar forma-se no convívio com as experiências inovadoras de seus
educadores e os educadores são formados também nessa relação com o gestor. Portanto,
se o gestor quer promover mudança deve envolver-se no processo de mudança
juntamente com sua equipe, nesse sentido ele precisa cultivar em si a capacidade de
liderança e habilidades de mobilização de equipe. Por isso a necessidade de um ambiente
29
LÜCK, Heloísa. Em Aberto, p.15.
30
PERRENOUD, 2000, p.85.
Educação e excelência: investir no talento do educador 23
gestor

formativo de que falamos anteriormente, pois nesse processo, que é um processo de
grupo "não se pode forçar a participação de uma pessoa a um grupo ao qual não se
identificou, que considere muito acima ou muito abaixo de seu nível".31
Para formar-se em equipe é necessário conhecimento e vivência de equipe, de
trabalho em comum.Implica uma mudança da mentalidade e vontade de construir em
conjunto; implica capacidade de relacionamento humano e coragem para enfrentar os
desafios e as mudanças que esse processo trará para nós e para a instituição a qual
pertencemos.
Levamos em consideração aqui que o trabalho na era do conhecimento reveste-se
de um caráter cada vez mais coletivo. A velocidade da comunicação e das informações
não dá lugar nesse mundo as seres isolados, que trabalham em regime de auto-
suficiência. A quantidade de informações e opções pede trabalho em equipe de forma a
tornarmo-nos capazes, com os outros, de sobreviver e construir novos modelos e
alternativas para o mundo em que vivemos.
Temos, portanto, a firme convicção de que

"a melhor maneira de realizar a gestão de uma organização é a de estabelecer
a sinergia, mediante a formação de equipe atuante, levando em consideração o
ambiente cultural".32

2.2.1 - "Da competência individual à competência coletiva"

A competência coletiva surge do trabalho em equipe, das articulações e trocas de
conhecimentos, informações e formas de trabalhar de cada membro da equipe, ou seja,
das competências individuais; e por unir as competências individuais supera-as em muito,
pois seu aspecto de síntese dá uma tonalidade que a competência individual nunca
poderá alcançar. Diz-nos Le Boterf,
"competência coletiva é uma resultante que emerge a partir da
cooperação e da sinergia existente entre as competências individuais".33

31
RIOS, 1962, p.67.
32
LÜCK, Heloísa. Em Aberto, p.15.
33
LE BOTERF, 2003, p.229.
Educação e excelência: investir no talento do educador 24
gestor

A competência coletiva torna-se de certa forma um valor agregado á instituição.
Se a instituição possui uma equipe bem organizada, integrada e atuante a possibilidade
de realização e inovação é bem maior, bem como a construção de novas estruturas e
modelos que não se perdem com as entradas e saídas dos integrantes da equipe. Ela gera
uma imagem e uma forma de ser própria da instituição, poderíamos dizer que ela cria
uma personalidade, um diferencial competitivo.
Mas a construção de competência coletiva não é algo que se faça aleatoriamente,
é necessário ambiente formativo, regras e condições para sua emergência; organização é
um fator fundamental, pois somente ela é capaz de criar combinações pertinentes para a
formação de novas competências. É necessário visão e objetivos claros em relação a
realidade atual e o que se quer construir a partir de então, onde se quer chegar.
O surgimento da competência coletiva requer dos membros de uma equipe um
saber elaborar representações compartilhadas, um saber comunicar-se, um saber
cooperar e, acima de tudo, um saber conviver com as diferenças e transforma-las em
oportunidades inovadoras.
2.3 - Ninguém se forma sozinho

Apesar dos momentos da solidão em algumas decisões que competem a quem
dirige, o gestor educacional não pode considerar-se sobre-humano, auto-suficiente. Se
somos competentes é porque aqueles que atuam conosco são competentes, somos um
agregado de nós mesmos com os relacionamentos humanos e o meio em que convivemos
e nesse processo nos formamos. Desde que nascemos somos influenciados e
influenciamos os que entram em contato conosco. Formamos e somos formados. Somos
bons educadores se trabalhamos e convivemos com bons educadores, se nos
empenhamos em valorizar aqueles que trabalham conosco e assumir nossas limitações e
falhas de percurso, aprendendo com elas.
O mundo e a sociedade do conhecimento precisa de gestores lideres, de pessoas
capazes de influenciar, motivar e criar convergência de idéias, ideais e sentimentos, mas
para saber liderar é necessário tomar consciência e saber reconhecer quem nos
influenciou, o que nos motiva e que idéias e ideais e sentimentos movem nosso ser. Ter
consciência do ambiente em que nos movemos e que possibilidades ele nos traz. Por isso
Educação e excelência: investir no talento do educador 25
gestor

é importante ter em vista que nossa competência "é individual e social ao mesmo
tempo".34

"A competência deve ser repensada no âmbito de conjuntos compósitos,
pois o profissional não é competente sozinho. Ele é competente com seus bancos de
dados, suas ferramentas de trabalho, seus colegas, os especialistas que pode consultar,
suas redes de recursos, seus equipamentos, a rede de clientela que constitui para si,
seus suportes institucionais".35

Le Boterf fala-nos que a competência se situa cada vez mais no que Jacques Girin
chama de ordenamentos operacionais, que agregam elementos heterogêneos tais como
pessoas, equipamentos, objetos, espaços. Uma espécie de "cognição distribuída" que
apela para diversos recursos: simbólicos, materiais e humanos.
Nesse sentido é necessário escolher bem os membros de uma equipe educativa e
à medida que se escolhe começar a caminhar juntos, conciliando objetivos e ideais de
trabalho. É preciso, pois, ter claro que não se pode modificar a personalidade de
ninguém, o máximo que o gestor pode fazer é influenciar ações e comportamentos.
Buscar e compartilhar conhecimento, saber lidar com as informações, saber
comunicar idéias e sentimentos é uma necessidade da sociedade do conhecimento em
que nos encontramos.
Saber comunicar-se é essencial, afinal gestão é um processo de comunicação. A
gestão de uma escola requer um empenho extraordinário de comunicação. É uma grande
ironia que na sociedade do conhecimento vivamos ainda oprimidos pelo não
comunicado. O egoísmo é um dos grandes problemas sociais.
Vale lembrar, portanto nosso grande educador Paulo Freire

"já que ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si
mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo".36

Defendemos, portanto, na gestão escolar uma educação como prática da liberdade que
propõe "a reflexão sobre os homens em suas relações como o mundo".37
34
LE BOTERF, 2003, p.54.
35
LE BOTERF, 2003, p.128.
36
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005, p.79.
37
FREIRE, 2005, p.81.
Educação e excelência: investir no talento do educador 26
gestor

CAPÍTULO III

3 - SINTONIA FINA: COMUNHÃO DE
CONHECIMENTOS

A acepção de comunhão que utilizamos aqui é a de que comungar é por-se ou
ficar em contato, ligar-se, comunicar-se. Embora possamos, também, utilizar a acepção
mais comum de que comungar é pertencer a grupo ou sociedade que tem a mesmas
idéias religiosas, políticas, literárias. Mas julgamos a primeira mais pertinente porque
participamos de um mundo cada vez mais plural, e conviver com as diferenças,
principalmente diferenças de ideais é fator de sobrevivência.
A escola é uma entidade plural e como já dissemos anteriormente requer do
gestor escolar uma capacidade de comunicação e convergência muito grande, requer
capacidade de ligar e unir pessoas com idéias e objetivos diferentes. São personalidades e
individualidades com ideais e projetos de vida diferentes embora busquem o mesmo bem
social, a educação das novas gerações. São personalidades que precisam muitas vezes
aprender a trabalhar juntos, buscar pontos de convergência, criar comunhão.
A missão que se apresenta para a escola nessa situação, bem como para o seu
gestor, é desenvolver, aperfeiçoar seus talentos, assim como desenvolver, aperfeiçoar,
Educação e excelência: investir no talento do educador 27
gestor

motivar e liderar o talento dos educadores que trabalham consigo. O gestor deve
considerar que

"o talento e energia humanos associados são os melhores e mais poderosos
recursos para mover uma organização e transformá-la".38

Que, portanto, para a escola caminhar bem e atingir os objetivos comuns a que se propôs
precisa promover um ambiente de comunhão de idéias, ideais e sentimentos; saber que os
conhecimentos e habilidades dos seus educadores são uma fonte de valor agregado que
deve ser valorizado e organizado mediante condições e regras claras para assim poder
fazer a diferença no mercado e na sociedade do conhecimento.
Valorizar o conhecimento e o saber já elaborado dos seus educadores, pois "o
Saber tornou-se uma utilidade econômica como meio de obter resultados nas áreas
econômica e social (Peter Drucker)".39 Vemos dessa forma como é fundamental o
desenvolvimento e o aperfeiçoamento do processo de construção de conhecimentos
mediante a valorização da personalidade e dos talentos individuais dos educadores.
Todos têm sua parcela de saberes e habilidades acumulados ao longo da vida profissional
e é preciso um ambiente onde eles sejam partilhados e reelaborados produzindo novos
modelos, transformando as estruturas não condizentes com os novos processos
educativos.

3.1 - A Escola investe no educador gestor

Com a atual situação econômica do país não basta a vontade do educador em
capacitar-se, é necessário um investimento sério da escola, não só em nível financeiro,
mas na concessão de espaços e tempos de formação. Uma das maiores necessidades do
educador, isso devido também ao fator econômico, é tempo disponível para dedicar a si
mesmo e a reflexão da sua prática. Não se pode inovar quando se segue o turbilhão das
grandes águas.
Aqui não cabem cursos de férias porque o educador, como qualquer outro
profissional, precisa de férias, afinal ele não é um filantropo, um religioso consagrado à

38
LÜCK, Heloísa. Em Aberto, p.15.
39
LE BOTERF, 2003, p.19.
Educação e excelência: investir no talento do educador 28
gestor

humanidade, à educação. É imperativo dar ao educador gestor a oportunidade de
participar e financiar cursos dirigidos à sua prática e, mais do que isso, abrir-se à
inovação que essa formação trará à escola. Não se pode ser hipócrita ao proporcionar ao
educador uma formação e tornar, depois, inviável as mudanças de posturas e atitudes
que essa formação sugere. Já chegou a hora de acabar com a formação de certificados
engavetados, de formações de fim de semana e de "textinhos" para reflexão, de
"coordenação de sala de professores.
A escola geralmente investe bastante em infra-estrutura, em tecnologia, isso é
importante, mas, mais do que esses instrumentais, ela precisa investir nas pessoas, pois
são elas que determinam o sucesso ou o fracasso da escola; são as pessoas que
determinam o futuro da escola através da visão e do perfil que imprimem à mesma.
Quando a escola investe no educador gestor ela investe no desenvolvimento das
competências que vão abrir portas para novas oportunidades no futuro, bem como a
descoberta de novos modelos para as situações atuais.
A escola deve, para isso, levar em consideração as funções especificas que o
profissional deve desempenhar e o desenvolvimento de capacidades para assumir seu
lugar na educação com convicção e segurança. O que implica associar teoria e prática

"focalizando o desenvolvimento de habilidades, pelo gestor, para se tornar sujeito
nesse processo, um construtor de conhecimentos sobre o seu fazer no contexto da
escola e sua comunidade".40

O investimento no gestor é um investimento da escola em si mesma, pois

"quanto mais um sujeito desenvolve seu nível de profissionalismo - e, portanto,
quanto mais especialista se torna - menor será seu custo cognitivo, dispondo e
executando esquemas operatórios que guiarão de modo econômico as
combinações de recursos a realizar. Isso custará mais para o iniciante".41

A escola precisa formar seus especialistas de acordo com a realidade social e
organizacional em que se encontra e não esperar que o mercado ofereça-os prontos e

40
LÜCK, Heloísa. Em Aberto, p.31.
41
LE BOTERF, 2003, p.53.
Educação e excelência: investir no talento do educador 29
gestor

acabados, mesmo porque na sociedade do conhecimento não existe o pronto e acabado,
a mudança é constante, a evolução é a regra.

3.2 - O educador gestor investe seu talento na escola

O educador gestor precisa investir seriamente seu talento e suas forças para
alcançar excelência em educação. Ele deve ser o primeiro interessado na evolução dos
processos educativos e em criar condições para si mesmo no desenvolvimento de seus
conhecimentos e habilidades em lidar com esses processos.
Dizer que lhe "falta isso" ou que "se não fosse por essa situação" não cabe mais
no contexto de sociedade em que vivemos. O gestor escolar precisa ter consciência que
como gestor sua habilidade central é de mobilizar e engajar as pessoas em prol da ação
coletiva, que
"é preciso saber lidar com as pessoas e deixar fluir o incomensurável talento
de cada um na superação dos constantes desafios do dia-a-dia".42
Isso toca na capacidade de inspirar as pessoas a fazer bem feito, a aflorar e desabrochar
suas competências, implica saber lidar com a complexidade do cotidiano.
Para transformar a realidade de educação em que se encontra inserido o gestor
deve ter consciência do seu lugar é saber-se capaz de modificar o seu ambiente, investir
talento e vida por algo que é sua vida: a educação. Se educar exige amor o educador
gestor precisa amar com grande intensidade aquilo que faz, para fazê-lo com excelência.
Investir na escola significa acreditar no ideal educativo, é construir a escola
enquanto constrói a si mesmo. É não temer doar-se, é comprometer-se. Doamo-nos
quando nos movemos no campo do ideal. Nestes tempos de mudanças aceleradas e
inconstantes é mais que necessários ideais e convicções fortes. Saber o que se é, o que se
tem e onde se quer chegar.
A melhor coisa a fazer em qualquer situação ou realidade é sermos justos
conosco mesmos e com o trabalho que exercemos, bem como sermos justos com nossos
princípios e formarmos princípios a partir da nossa prática.
42
MENEZES, 2002, p.11.
Educação e excelência: investir no talento do educador 30
gestor

3.3 - Comunhão de conhecimentos na gestão escolar

Na realidade educacional em que vivemos não podemos perder tempo buscando
culpados para os problemas e conflitos que enfrentamos. É o momento de deixar de lado
as acusações e ataques infantis, onde o gestor culpa a estrutura institucional pelos
fracassos na gestão escolar, a escola culpa o gestor por não se envolver suficientemente,
não se comprometer com o projeto institucional. E nesse campo de acusações ninguém
encontra saída.
À escola, como as organizações de modo geral, compete dar funções e tarefas
onde os educadores possam desenvolver seus talentos e competências de forma a não
estagnar. Para que isso ocorra com tranqüilidade torna-se imperativo um ajuste de
expectativas que implica um processo de redução de ambigüidades de papéis e aumento
de segurança e estabilidade profissional, que é diferente de estagnação profissional.
Não vemos outra saída senão o trabalho em equipe que somente começa

"quando os membros se afastam do 'muro das lamentações' para agir,
utilizando toda zona de autonomia disponível e toda capacidade de negociação
de um ator coletivo que está determinado, para realizar seu projeto, a afastar
as restrições institucionais e a obter os recursos e os apoios necessários".43

Perrenoud nos lembra ao abordar o trabalho em equipe que é preciso abandonar
imperativamente a ilusão dos discursos sobre a paz e a harmonia, deixando, portanto de
diabolizar o conflito. Que é necessário imaginação, informações e conhecimentos para
reestruturar o debate e chegar a um acordo. Portanto, na gestão escolar, que é de certa
forma uma gestão de conflitos, é preciso "capacidade de romper amalgamas e espirais",
reduzindo o conflito a uma divergência delimitada; "construir pontes relacionais",
trabalhando intelectualmente sobre o que reúne e o que separa; "ver a realidade de
frente", sabendo analisar corretamente em que ponto estamos.
43
PERRENOUD, 2000, p.88.
Educação e excelência: investir no talento do educador 31
gestor

Voltamos a insistir na importância fundamental da comunicação no processo de
gestão escolar. Comunicação que pede troca de informações, troca de idéias, troca de
aspirações e principalmente troca de conhecimentos. Perrenoud no diz

"o conhecimento não permite controlar todos os acontecimentos, mas ajuda a
antecipá-los, nomeá-los, desdramatizá-los, compreender que são inerentes à
dinâmica de um grupo restrito, o que dispensa da busca de um bode expiatório
e cura do mito da 'boa equipe' como paraíso relacional...".44

Vale lembrar o princípio da gestão do conhecimento que, segundo Salim,"é um
processo articulado e intelectual destinado a sustentar o desempenho global da
organização, com base no conhecimento". Conhecimento que é criado e modificado por
e entre pessoas, é obtido através de interação com pessoas, estudo, trabalho e lazer. 45
Que, portanto, reafirmamos com Le Boterf que

"a especialização de um perito é tanto social quanto individual, sua memória é
uma memória de rede. Ela representa o que ele é capaz de mobilizar de
conhecimentos, onde eles se encontram".46

Para que a Escola caminhe bem vemos ser fundamental que ela saiba utilizar o
conhecimento acumulado por seus educadores e criar espaços onde esses conhecimentos
sejam otimizados produzindo novos conhecimentos e competências coletivas. Mas para
que isso aconteça é preciso acreditar nas inteligências e nas competências pessoais e
promover um ambiente formativo dentro da escola, onde haja diálogo de idéias, ideais e
sentimentos na construção de novos modelos e estruturas para a própria escola.

CONCLUSÃO

44
PERRENOUD, 2000, p.93.
45
SALIM, Jean Jacques. Gestão do conhecimento e transformação organizacional.
46
LE BOTERF, 2003, p.53.
Educação e excelência: investir no talento do educador 32
gestor

Ao concluir o presente trabalho lembramos de um sentença de Karl Jaspers,

"Não almejar nem os que passaram nem os que virão".
Importa ser de seu próprio tempo".

O momento social-histórico em que vivemos, com as mudanças nos domínios
econômico e político, com as transformações nos aspectos organizacionais da sociedade,
influencia profundamente no campo educacional. Nossos dias pedem um gestor escolar
consciente do seu tempo, ciente da necessidade de formar-se, de capacitar-se para
enfrentar os desafios de organização e relacionamento humano que a sociedade do
conhecimento nos coloca.
A Educação pede gestores educacionais protagonistas de sua própria formação,
que saibam elaborar e criar novos modelos, transformando as adversidades em
oportunidades criadoras.
Fazer excelência em educação hoje é saber investir na inteligência dos
educadores, perceber que a capacidade de transformação e aprimoramento tecnológicos
não estão nos instrumentais e estruturas, mas nas pessoas; é a inteligência, caracterizada
pela vivacidade, acuidade e capacidade de observação que nos abrirão as portas para
inovações futuras.
É importante perceber que o tempo em que vivemos não comporta mais o
trabalho isolado. É imperativo formar-se em equipe, promovendo e investindo tempo,
espaços e energia no aprimoramento das relações humanas. Isso implica a construção do
nosso habitat, da nossa convivência, promovendo dentro da escola um ambiente
formativo, não só para os educandos, mas para seus educadores, pois a educação
abrange a totalidade das relações sociais e humanas através da reflexão que fazemos
sobre os homens e suas relações com o mundo.
Por fim, percebemos ser fundamental um investimento recíproco entre escola e
gestor para que ambos superem suas limitações e deficiências e caminhem pautados pela
comunhão de conhecimentos. A escola que investe no talento do educador gestor é a
escola que, como conseqüência, possui gestores que investem profundamente os seus
talentos na escola, doam-se na construção e melhoramento dos processos educativos.
São capazes de excelência em educação porque estão integrados a si, à realidade que
Educação e excelência: investir no talento do educador 33
gestor

desejam melhorar, às pessoas que convivem consigo e, mediante tudo isso, navegam,
projetam o futuro inovador. Vivem no seu tempo construindo novos tempos.

BIBLIOGRAFIA

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tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2004. 9ª ed.p.
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Educação e excelência: investir no talento do educador 35
gestor

FOLHA DE AVALIAÇÃO

Nome da Instituição:

Título da Monografia:
Educação e excelência: investir no talento do educador 36
gestor

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