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DÍZIMO

- por René Burkhardt | 30 de Julho de 2004

“Cada um contribua segundo tiver proposto
no coração, não com tristeza ou por necessidade;
porque Deus ama a quem dá com alegria."(2co 9.7)

A primeira coisa a ressaltarmos é que sem Israel e, portanto, sem Jesus, não
conheceríamos o Deus Altíssimo. Saberíamos de Sua existência, “porque os atributos
invisíveis de Deus, assim o Seu eterno poder, como também a Sua própria divindade,
claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das
coisas que foram criadas” (Rm 1.20a), porém não teríamos acesso a Ele.

Jesus, no entanto, foi o instrumento de Deus para firmar nova e eterna aliança com
Seu povo escolhido e, a partir daí, com todos os outros que quisessem ouvi-Lo, tornando-Se
o Caminho único para a vida eterna com Deus. E, quando se diz Nova Aliança (Jr 31.31),
torna-se antiquada a primeira (Hb 8.13). Porque “o fim da Lei é Cristo, para justiça de todo
aquele que crê” (Rm 10.4) e “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que
constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o
na cruz”(Cl 2.14).

Dessa forma, nós cristãos, devemos seguir o exemplo e as palavras do Senhor Jesus,
“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a
pedra angular” (Ef 2.20). “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa
de sua fraqueza e inutilidade (pois a Lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado,
se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” (Hb 7.18-19).

Ora, o Senhor Jesus nunca determinou que recolhêssemos dízimos. Nas duas únicas
vezes que Ele mencionou o dízimo – Mt 23.23/Lc 11.42; e Lc 18.12 – foi em tom de crítica
aos fariseus, que o davam para justificarem-se, sem, no entanto, atentarem para os
profetas, que anunciavam a nova e superior Aliança, e sem ouvirem a Moisés, posto que
“toda a Lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”
(Gl 5.14).

Além disso, o que observamos no Novo Testamento é uma unânime recomendação
para uma vida comunitária fraternal, onde atender a necessidade do próximo está acima da
preocupação com a própria necessidade e onde partilhar é mais importante do que usufruir
de uma possível fartura. Mais do que isso, é buscar o equilíbrio que o Senhor nos propõe,
“porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja
igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a
abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está
escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco não teve falta”(2Co 8.13-15).

A necessidade dessas colocações está no fato de que o dízimo era um dos 613
preceitos da Lei (ver Lv 27.30ss, Nm 18.21ss, Dt 14.22-29), da Antiga Aliança de Deus com
Seu povo e, não, da Nova Aliança. É de suma importância estabelecermos a diferença entre
a Igreja de Cristo (santuário de Deus), onde o Espírito Santo orienta o indivíduo a fazer a
vontade de Deus, e a Lei de Deus dada através de Moisés, onde “aquele que observar os
seus preceitos por eles viverá" (Gl 3.12b), já que “a Lei não procede de fé” (12a).

Se somos orientados pelo Espírito, se permanecemos na fé, alicerçados e firmes (Cl
1.23), mediante a Palavra de Deus, que “...é inspirada por Deus..., a fim de que o homem
de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”(2Tm 3.16-17),
então somos levados a cumprir a orientação dos apóstolos e não da Lei. Ora, a Lei “...foi
adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente [Jesus] a quem se fez
a promessa...”(Gl 3.19) e os apóstolos são as testemunhas (At 1.8) desse descendente. E,
em seu testemunho, nos orientam a sermos “...firmes, inabaláveis e sempre abundantes na
obra do Senhor...” (1Co 15.58).
Logo no princípio da Igreja, quando, além dos judeus, os gentios creram, houve uma
controvérsia quanto ao comportamento dos gentios, com relação à Lei, fazendo com que os
apóstolos e presbíteros se reunissem para examinar a questão, já que alguns fariseus
crentes diziam ser “necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a Lei de
Moisés” (At 15.5b). Depois de grande debate, discursos e testemunhos, chegou-se a uma
conclusão, logo transmitida aos gentios: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos
impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas
sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações
sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde” (At 15.27-29).

É impressionante que esses líderes da Igreja, até então cumpridores da Lei, não
tenham mencionado a ingestão de animais imundos, a guarda do sábado, as festas, os
dízimos, todos preceitos importantíssimos da Lei, no entanto, desconhecidos dos outros
povos. Se eles, judeus que eram, não determinaram a observância desses preceitos pela
Igreja, por que nós, agora, deveríamos fazê-lo? Recebemos nova orientação de Deus que,
“por descuido” Dele, não consta das Escrituras, ou estamos seguindo opiniões de homens
que não têm o Espírito?

É evidente que Deus não errou e não mandou nova orientação, portanto devemos
examinar o que tem levado muitos de nossos líderes cristãos a pregarem algo que não é
verdadeiro: primeiramente, nessa pregação temos ouvido o que é o dízimo, ou só temos
ouvido sobre os benefícios de dá-lo e os problemas por não dá-lo? Temos ouvido que ele é
um preceito da Lei? E, como tal, sua verdadeira destinação e motivação?

Em Deuteronômio 14 vemos de forma clara o que é o dízimo, onde e quando deve
ser entregue, como e por quem deve ser usado e o porquê de sua exigência. Moisés estava
repetindo toda a Lei ao povo e disse: “Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas
sementes, que ano após ano se recolher do campo. E, perante o Senhor, teu Deus, no lugar
que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu cereal, do teu
vinho, do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas
a temer o Senhor, teu Deus, todos os dias” (vs. 22-23).

Aí já vemos a participação do dizimista no consumo de seus próprios dízimos, como,
também, um dos motivos de dizimar, qual seja, aprender a temer o Senhor todos os dias,
porque Ele é quem sustenta “todas as coisas pela palavra do Seu poder” (Hb 1.3), e nada
acontece sem o Seu conhecimento ou sem a Sua permissão. Também vemos onde deveriam
ser entregues os dízimos: “no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome” (v. 23),
que, inicialmente, foi a Tenda da Congregação e, depois, o Templo.

Essas coisas não têm sido mencionadas nas atuais pregações sobre dízimo. O
dizimista não é orientado a consumir seu dízimo diante do Senhor. O temor de Deus tem sido
estimulado pelo medo de não receber Suas bênçãos, não por Ele ser o Deus Criador, o Todo-
Poderoso. E o Templo do Senhor, hoje, o Seu Santuário, é o corpo de cada cristão (1Co 3.16;
6.19), não os prédios das diversas instituições religiosas. Estes só têm a vantagem de
poderem abrigar um maior número de cristãos, em um lugar definido, para desfrutarem da
comunhão com Deus. Só que esta comunhão é pela reunião dos crentes (Mt 18.20), não pelo
lugar.
O Espírito de Deus ainda diz, através de Moisés, que as coisas referentes ao dízimo
poderiam ser convertidas em dinheiro (v.25), se o lugar escolhido por Deus fosse longe
(v.24), e que, “esse dinheiro, da-lo-ás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, ou
ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer coisa que te pedir a tua alma; come-o ali
perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa; porém não desampararás o
levita que está dentro da tua cidade, pois não tem parte nem herança contigo. Ao fim de
cada três anos, tirarás todos os dízimos do fruto do terceiro ano e os recolherás na tua
cidade. Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o
órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor,
teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem” (vs. 26-29).

Novamente vemos o dizimista usufruindo daquilo que recolheu e da forma mais
liberal. Quanto à conversão dos bens em dinheiro, é motivada pelo fato de existir apenas um
lugar no mundo para onde se deve levar o dízimo (e enquanto o terceiro Templo não for
construído, não existe nenhum lugar para cumprir-se a Lei). Com relação aos levitas
receberem dos dízimos, é por não terem recebido parte da terra de Israel, onde pudessem

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plantar ou criar animais, porque o Senhor os separou para serem Seus sacerdotes santos,
não podendo envolver-se em negócios deste mundo. E, completando a obra, Deus usa Sua
misericórdia e Sua justiça para sustentar aqueles que não têm como fazê-lo sozinhos. No
atual uso do dízimo, somente os sacerdotes (pastores, bispos, presbíteros) têm sido
contemplados conforme a Lei, pois, para os pobres e desvalidos, são feitas campanhas
específicas de arrecadação.

Em segundo lugar, se essa pregação não é feita de forma correta, se ela não obedece
às determinações legais de Deus, se ela não instrui de acordo com a vontade do Senhor,
seria correto as igrejas (instituições humanas) apoiarem boa parte de sua administração
sobre a arrecadação de dízimos? Será que seus orçamentos ficariam comprometidos sem
isso? Ou será que, baseando-se na Lei, estejam negligenciando, também, os preceitos mais
importantes dela, conforme o “ai de vós” do Senhor Jesus, registrado em Mateus 23.23? Um
desses preceitos é a fé, que também é, junto com o amor, um dos principais fundamentos do
cristianismo.

A Igreja é a maior expressão da Graça de Deus, que, através da morte e ressurreição
de Jesus, proporcionou a salvação e a remissão dos pecados para todo aquele que crer.
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não
de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). E, quando cremos, somos orientados a
fazermos uso da fé e não andarmos ansiosos por coisa alguma, porque nosso Pai celestial
sabe de todas as coisas que necessitamos e Ele Se agradou em dar-nos o Seu reino (Lc
12.22-34).

Se Ele sabe dessas coisas de nossa vida pessoal, também sabe de nossas
necessidades institucionais. Quando o Espírito de Deus disse que “devem ser considerados
merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os
que se afadigam na palavra e no ensino” (1Tm 5.17), é evidente que Ele sabia que a Igreja
se organizaria e, assim, teria despesas a serem cobertas. Ainda assim, Ele não abriu uma
exceção para que essa organização lançasse mão de um preceito da Lei a fim de prover seu
sustento. Pelo contrário, o Senhor nos indicou o cumprimento da essência da Lei – fé, amor,
justiça, misericórdia – através de uma vida piedosa, “pois o exercício físico para pouco é
proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora
é e da que há de ser” (1Tm 4.8).

Ao observarmos a Palavra de Deus, verificamos que o cristão deve trabalhar, não
para prosperar e cercar-se de bens para seu próprio conforto, mas para ter sustento
(despesas pessoais imprescindíveis) e vestir-se (sem grande ostentação). O restante do fruto
do trabalho é para acudir ao necessitado, seja quanto for. A Igreja não pode abandonar este
princípio, nem mesmo condicioná-lo a dez por cento, pois, ao fazê-lo, negligencia a vontade
do Deus Altíssimo para nossa vida. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no
reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21),
disse o Senhor Jesus. E isso Ele disse com relação aos frutos dos cristãos, principalmente dos
líderes, demonstrados no cotidiano.

Se, em nosso dia-a-dia, nos preocupamos em conquistar bens, cargos profissionais
ou eclesiásticos, vestuário dispendioso, manjares agradáveis, ou qualquer outra coisa para
nossa satisfação, fatalmente, estaremos entristecendo ao Senhor e sendo iníquos. A
iniqüidade do homem está no pensar, apenas, em si mesmo. Isso o afasta de Deus, porque é
contrário à Palavra. Buscar as coisas terrenas é endeusar o próprio ventre, é gloriar-se na
própria infâmia, tendo como destino a perdição (Fp 3.19). Esta é a iniqüidade que será
considerada no grande julgamento (Mt 25.31-46), pois o pensar em si não deixa condições
para pensar nos outros.

Mas, quando nos sujeitamos ao senhorio de Cristo, fazemos Sua vontade e somos
abundantes nas boas obras que, providencialmente, Ele colocou em nosso caminho. Aí, como
sabemos que são muitos os membros de Cristo e que todos devem cooperar em favor uns
dos outros, buscamos ter comunhão uns com os outros. Assim, forma-se a Igreja local com
pessoas unidas por um mesmo pensar e um mesmo proceder. Com essa atitude e cientes da
Palavra de Deus, trazemos todas nossas ofertas aos líderes da Igreja (At 4.32-35) que, junto
com os diáconos (At 6.2-3), cumprirão a vontade de Deus. Essas ofertas é que devem ser a
base da administração das igrejas, tomando-se o extremo cuidado com os supérfluos que

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têm se tornado gêneros de primeira necessidade, apesar de não terem apoio bíblico para
tanto. E, quando nos afastamos da Palavra, nos afastamos de Deus.

Diante de tudo isso, só podemos concluir que a pregação do dízimo é movida,
principalmente, pela incredulidade, pois, se pregamos sua necessidade para cobrir despesas
das instituições, não cremos que o Senhor proverá recursos de outra forma. Mais do que
isto, ao resgatarmos um preceito da Lei, não consideramos que tais ordenanças foram
inteiramente removidas, tendo sido encravadas na Cruz (Cl 2.14), e negligenciamos a
Palavra. Ainda pior, induzimos os cristãos a crerem que as bênçãos de Deus estão
condicionadas ao fato de serem dizimistas.

É assustador constatar que a Igreja, hoje, esteja fundamentada no texto de
Malaquias 3.10. Através dele, cremos que cumprindo a ordenança (trazei todos os dízimos),
estamos aptos a cobrar de Deus (provai-me nisto) toda sorte de benção material. Mas, a
Palavra de Deus não é muito mais do que um versículo? Ela não é muito mais completa?
Será que não precisamos entender que, através de Malaquias, o Senhor estava chamando a
atenção de Seu povo escolhido sobre a corrupção dos líderes religiosos (Ml 1.6-2.9), a
corrupção do próprio povo, que repudiava a família para unir-se a outra sem temor a Deus
(Ml 2.10-16), e a sua mesquinhez para com o Senhor (Ml 3.3-5)? Podemos esquecer as
conseqüências disso?

Se, ali mesmo, Deus diz: “eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6a), e está descontente
com os ramos naturais, nós, que somos oliveira brava enxertados na boa oliveira (ver Rm
11.11-24), e andamos como eles, não deveríamos estar possuídos de muito maior temor?
Não deveríamos viver todos os princípios cristãos ao invés de nos justificarmos e nos
ensoberbecermos através do cumprimento de um preceito da Lei? Se sabemos que “a letra
mata, mas o espírito vivifica”(2Co 3.6b), é fácil decidirmos. E com esta decisão, rechaçamos
esse erro doutrinário a despeito da tradição e dos títulos que seus defensores detenham.

Cientes de que a Igreja está em uma condição à parte do cumprimento da Lei de
Moisés, precisamos verificar, ainda, o que a Bíblia informa sobre o dízimo no período anterior
à Lei. Ele é mencionado, apenas, em duas passagens de Gênesis: na primeira, Abrão tinha
voltado da guerra contra os quatro reis que haviam levado todo o povo, incluindo seu
sobrinho Ló, e os bens de Sodoma e Gomorra, onde havia vencido e recuperado tudo.
Chegando, veio ao seu encontro Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo,
com pão e vinho.

Este Melquisedeque, perfeita figura de Cristo (Hb 7.1-3), o abençoou e, também,
salientou que o Deus Altíssimo havia entregado os seus adversários em suas mãos.
Imediatamente, Abrão entregou ao sacerdote o dízimo de todos os bens que havia
recuperado na guerra. Já que a Lei ainda não havia sido entregue, o que o levou a fazê-lo?
Ora, ele estava diante do sacerdote do Deus que o havia tirado de Ur, na Caldéia, para dar-
lhe outra terra e ficou sabendo que esse mesmo Deus havia entregado seus adversários em
suas mãos. Então, não só como agradecimento, mas, principalmente, para chamar a atenção
de todos sobre Deus e Seu Mediador com os homens, Abrão Lhe fez essa oferta.

Lembremos que aqueles bens não pertenciam a Abrão e ele tinha consciência disto,
porque, depois, o rei de Sodoma ofereceu-lhe tudo e ele recusou, em nome Daquele que
possui os céus e a terra. Talvez Abrão tivesse ofertado até mais se os bens fossem seus,
porque, nesse capítulo 14 de Gênesis, é mostrado, pela primeira vez, Deus abençoando aos
gentios através de Abraão. Ele entendeu, e queria que todos entendessem, que, se não
houvesse a intervenção do Senhor, todo aquele povo teria sido escravizado e todos os bens
estariam perdidos.

Tamanha foi a importância desse fato, que esta foi a única vez que Abraão entregou
dízimos ao Senhor. Ali ficou claro que a salvação do povo pertence ao Senhor, anunciada e
consumada através do que é “sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”
(Sl 110.4b), evidenciada e confirmada no pão e no vinho trazidos pelo sacerdote, ou seja, a
carne e o sangue do Senhor Jesus. Hoje, o Senhor está conosco todos os dias até a
consumação do século (Mt 28.20) e chamamos atenção para isto seguindo Seus passos e
sendo tais como Ele foi.

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Na segunda passagem anterior à Lei em que o dízimo é mencionado, Gênesis 28.22,
vemos que Jacó faz um voto a Deus, condicionando-o ao sucesso na jornada que ele iniciara,
até a volta em paz para a casa de seu pai. Além de constatarmos que Abraão não ensinou
aos de sua casa o costume de entregar dízimos a Deus, também percebemos que Jacó
estava fazendo um acordo específico com o Senhor, caso Ele fosse com Jacó, já que ele
sentia-se culpado por ter recebido a benção de Isaque no lugar de Esaú.

Apesar de ter acabado de receber a palavra de Deus, através de um sonho, de que o
Senhor estava com ele e o guardaria por onde quer que fosse, que lhe daria a terra em que
estava deitado e que sua descendência seria incontável (Gn 28.11-17), Jacó não teve certeza
de que Deus estava com ele e achou que precisava fazer uma troca com o Senhor para que
aquilo se cumprisse. Seria esse o caso da Igreja hoje?

Aquele que não limita sua oferta para a obra do Senhor será abundante naquilo que
faz, compreendendo e testemunhando que Deus é dono de tudo (Sl 50.12) e que está aqui
aprendendo a ser Seu adorador em verdade e em espírito (Jo 4.23) e, por isto, enquanto
tem oportunidade, faz o bem a todos (Gl 6.10), trabalha “fazendo com as próprias mãos o
que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28) e aprende “também a
distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornar infrutífero” (Tt
3.14).

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como o Senhor Jesus nos amou é o
que deve nortear a nossa vida e não uma lei ou conjunto de leis. “Para a liberdade foi que
Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de
escravidão” (Gl 5.1). Amém!

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