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Às cinzas Voltarás!

Renato Zampieri Martins*

Você está lendo este artigo com a lei antifumo em vigor no Estado de São Paulo, como também
deve saber de cor seu mote: “É proibido fumar em locais fechados e de uso coletivo.” (maiores
detalhes em http://bit.ly/4BF6MR).

O usuário tabagista sabe que o seu cigarro procede do balcão da padaria, mas desconhece seu
processo de distribuição.

Despontam como as marcas mais vendidas do mundo, a Marlboro (Phlip Morris), a Hongtashan
(de estatal chinesa homônima) e a Mild Seven (Japan Tobaco). No Brasil a gigante do setor é a
Souza Cruz, por sinal, uma subsidiária da British American Tobacco. Souza Cruz, que para dar
início às sessões parlamentares ofereceu um jantar com o fim de expor a “contribuição do setor
de cigarros para a sustentação do crescimento econômico”, vide http://bit.ly/8A0XY, no final da
página.

A China, que além de contar com uma enorme população, queima 1,64 trilhões de cigarros por
ano, versus 451 bilhões do segundo colocado, os U.S. A gigante vermelha dispõe do maior
índice de médicos que fumam, são 61% da classe médica chinesa, destarte, 1 em cada 3 cigarros
estão na China.

Como em todo bom negócio, o mercado paralelo está presente e estima-se que nada menos de
600 bilhões cigarros no mundo são ilegais, representando uma perda de US$ 50 bilhões para os
cofres públicos. O negócio é lucrativo, a cada contêiner ilegal que entra no Reino Unido, onde o
maço custa em média US$ 10, os contrabandistas lucram US$ 2 milhões.

Entre os Países periféricos, a OPAS revelou que o maço de cigarros custa em média (preços em
dólares americanos): 1,1 na Argentina, 0,78 no Brasil, 1,42 no Chile, 0,33 no Paraguai, 1,21 no
Uruguai e 0,61 na Bolívia. Assim sendo, o Paraguai é o local mais barato para se comprar
cigarros.

A OMS divulgou recentemente uma pesquisa interessante sobre o cigarro no mundo, revelando
que de cada 20 cigarros vendidos no mundo, pasmem, 3 têm tabaco produzido no Brasil. A
exportação tabagista brasileira é de 735 milhões de toneladas!

Ainda, segundo a OMS, o mundo fuma 15 bilhões de cigarros por dia, o Brasil sozinho consome
219 milhões unidades do danado por dia. Pudera, 33,8% dos adultos brasileiros são fumantes.

Os homens representam 1bilhão de usuários em todo o mundo, em contrapartida as mulheres
representam 250 milhões, portanto o número de homens fumantes é 400% superior ao de
mulheres fumantes, num universo de 1, 250 bilhões de fumantes em todo o mundo.

O cigarro mata quase 50% das pessoas viventes. Estas morrem com problemas ligados ao
cigarro. E ainda, fumar ajuda a causar 6 das 8 doenças que mais matam no mundo, além disto,
ele causa 90% dos casos de câncer de pulmão, 75% dos problemas cardíacos e 25% das
bronquites e enfisemas.

E as indústrias tabagistas lucram com seus súditos fiéis, só a Souza Cruz faturou 1,249 bilhões
em 2008, 20,9% a mais que em 2007.Assim como as farmacêuticas antitabagistas, que só em
2008 desfrutaram em torno de US$ 5 milhões, sobre as vendas de medicamentos antitabagistas.
Os viciados em tabaco acreditam piamente que a nova lei é uma verdadeira delimitação abusiva
do Estado de São Paulo, nesta situação Winston Churchill diria que um fanático é aquele que
não consegue mudar sua opinião e não vai mudar de assunto, talvez o fumante o faça diante das
ameaças das mais de 40 substâncias tóxicas que o cigarro contém.

Mas o cigarro faz isto com seus envolvidos, porque alguns acreditam que em sua forma torpe de
agir, o abjeto tem de ser admoestado, quiçá, proibido. Já outros crêem nas suas propriedades
acalmantes, e os mais ortodoxos, na sua elegância e pomposidade. Eu embarco com Francis
Bacon, pois a matéria sub judicem exige indução e experimentação e não metafísica e
especulação, e como o próprio Bacon explanou, o silêncio é a virtude dos tolos. Assim sendo, os
ofendidos com a lei que se manifestem contra ela, ita! Ita!

*Renato Zampieri Martins é aluno do curso de Direito e do curso de “Tópicos Avançados de
Teoria Econômica”. É membro do Grupo de Estudos de Comércio Exterior do Unifieo – Geceu.