1.

TIJOLOS CERÂMICOS

1.1.

INTRODUÇÃO

Desde que o homem iniciou esta inquietante aventura que é a sua vida na Terra, o barro foi-lhe companheiro constante e dedicado; protegeu-o das intempéries, permitiu aos poderosos a ilusão de vencerem a sua fragilidade humana através de colossais edificações, deu aos humildes, habitados pela centelha do génio, a possibilidade de se realizarem na Arte e de trazerem até nós a sua mensagem. E ainda hoje, quando os historiadores nos ensinam o que fomos, pedem ao barro, quer nas placas escritas, quer nos monumentos e obras de arte, quer nos objectos de uso comum, que lhes dê o apoio e o fundamento para as suas hipóteses e conclusões. Já o homem neolítico, ao criar a família, a abriga em casas onde os vasos de barro lhes guardam os alimentos e lhes suavizam o olhar, e onde, e isto tem para nós particular importância, o tijolo aparece como elemento estrutural nos pavimentos; a mão do homem era a máquina de moldagem, o Sol o combustível; como quer que seja, a indústria de cerâmica de construção dava os primeiros passos. Mais perto de nós, há uns quatro mil anos, na Mesopotâmia, a escassez de pedra iria dar um grande impulso à construção de tijolos; os palácios de khorsabad e de Sargão testemunham a evolução havida, mostram tijolos cozidos com secção quadrada de cerca de 30 cm de lado e com 5 a 10 cm de espessura, revelam-nos tijolos com secção oval em pilares, apresentam-nos já tijolos vidrados. E, nesse tempo, o orgulho do homem leva-o a tentar desvendar o Universo, a subir cada vez mais, a imaginar a construção da torre de Babel... em tijolo cozido. No antigo Egipto, a existência de pedra não obrigou ao uso generalizado do tijolo. Porém, a sua utilização teve lugar em canais, alguns monumentos apresentam tijolos e, durante a construção das celebradas pirâmides, os operários habitavam em casas construídas com tijolos de edifícios antigos; e a Bíblia nos diz que Jeová libertou o seu povo dos reis egípcios que lhes «amargavam a vida com dura servidão em barro e em tijolo». Deve-se a Roma um grande desenvolvimento da aplicação dos tijolos que se espalham por todo o seu Império tornando-se uma autêntica actividade industrial; os romanos levaram a toda a parte os seus conhecimentos na matéria, inclusivamente às ilhas Britânicas onde, após a ocupação romana, só no século XIII se voltará a fabricar um material que mais tarde tanto haveria de ser da sua predilecção. Também os árabes utilizaram o tijolo e na sua expansão o levaram a outros povos de tal forma que ainda hoje o podemos contemplar extasiados em belos monumentos como, por exemplo, a Giralda de Sevilha.

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Continuou o homem a sua caminhada histórica e com o Renascimento, o tijolo quase não se vê; mas em muitos dos seus mais belos monumentos ele lá está embora escondido, como que envergonhado. Em Inglaterra, o grande incêndio de 1666 destruiu Londres, velha cidade de madeira; atentos à lição, os britânicos reconstruíram a cidade usando o tijolo. No século passado, a construção metálica e o betão destronam o tijolo que deixa de ter funções estruturais para ocupar a função subalterna de material de enchimento. Mas o tijolo reage e adapta-se, utilizando-se para proteger contra a acção do fogo vigas e pilares metálicos, e aparecendo em conjunto com vigas metálicas na construção de pavimentos. Desenvolvem-se então os tijolos furados, que já os romanos tinham usado, e eis que aparecem em edifícios tão respeitáveis como o Palácio da Justiça e a igreja da Madeleine, em Paris, e o Palácio de Buckingham, em Londres. Ainda mais, quando na América a construção metálica permitiu a edificação de arranha-céus, a necessidade de materiais leves é resolvida por recurso aos tijolos aligeirados. A necessidade força a imaginação dos industriais a procurar novas soluções, os arquitectos buscam e encontram novas formas e o tijolo continua a aparecer, umas vezes com beleza, outras desgracioso, aqui e ali, como na Inglaterra e na Holanda, caracterizando civilizações. 0 facto de o tijolo permanecer tantos séculos como material de construção leva-nos a inquirir das razões de assim ter sucedido. É certo que com a pedras se passa algo de semelhante mas a pedra, se assim se pode dizer, aparece já feita, é quase fatal a sua utilização, ao passo que o tijolo é uma criação do homem e, por isso, não se estranharia que tivesse utilização mais transitória, que fosse válido numa época e objecto de museu nas épocas seguintes. Acontece que ao longo dos séculos sempre o homem necessitou de um abrigo para si e para os seus; abrigo que o proteja contra as intempéries e seja também um local que, isolando-o do frio, do calor e do ruído, lhe permita trabalhar e descansar, lhe suavize o esforço material e lhe propicie ambiente para os seus voos espirituais. Além disso, é preciso que estas condições tenham razoável permanência, que resistam, que durem, que suportem acontecimentos normais, como as chuvas, ou acidentais, como o fogo; é preciso ainda que o preenchimento destas condições se possa fazer com certa beleza e personalidade, que sejam fáceis de alterar quando as necessidades ou as modas o impuserem; finalmente, é preciso que a sua satisfação seja económica e rápida. Satisfará o tijolo a s necessidades enunciadas? Relativamente a algumas, a resposta é fácil e imediata. Assim, as pequenas dimensões do tijolo facilitam criações diferenciadas e soluções arquitectónicas agradáveis, ao mesmo tempo que o tornam particularmente apto para a realização de alterações. É um produto barato, fabricado em muitos locais e com métodos de construção fáceis e muito experimentados.

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Quanto à possibilidade de satisfazer outras necessidades (resistência mecânica, durabilidade, conforto), a experiência de muitos séculos, levará a responder afirmativamente. Porém, o progresso cria novas necessidades e faz aumentar as nossas exigências; daí o interesse de observar como o tijolo, nos seus tipos, nas suas dimensões, na sua qualidade, se adapta aos tempos modernos e como a indústria tem acompanhado a evolução geral.

1.2.

TIPOS DE TIJOLO CERÂMICO

Distinguem-se no nosso país, fundamentalmente 3 tipos de tijolos, a saber:
a) Adobes b) Refractários c) Barro vermelho

1.2.1.

ADOBE

À primeira forma com que surgiu o tijolo dá-se o nome de adobe (ou cru). São moldados à mão, e a argila possui erva e palha com a finalidade de tornar estes tijolos mais resistentes. São secos ao sol, não suportam grande quantidade de peso, logo, a sua utilização é restrita apenas a construções bem suportadas. Resistem muito mal à humidade, sendo rara a sua utilização hoje em dia, mas ainda os podemos encontrar em zonas pobres e menos evoluídas.

Figura 1 – Fabrico de adobes e construção antiga em taipa e adobe no Alentejo

1.2.2.

TIJOLOS REFRACTÁRIOS

No seu fabrico utiliza-se argila refractária cozida à temperatura de aproximadamente 1600 ºC. Distinguem-se a revestir a parte interna de fornos, fornalhas, estufas, chaminés, lareiras a são assentes com argamassas de barro refractário, garantindo assim uma perfeita estabilidade dimensional, mesmo a altas temperaturas, como em isolamento térmico. Como o nome indica, os tijolos refractários, derivam de argilas refractárias sendo as mais refractárias aquelas que têm vestígios de fundentes compostos por sílica e alumina. Estas argilas conseguem resistir a temperaturas muito

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vulgarmente conhecidos como tijolos de barro vermelho devido à cor das argilas. a espessura das juntas deve situar-se entre os 12mm e 15mm. sendo as mais comuns: 23x11x7. estas podem adquirir diversas formas e dimensões. 1/4 . O tijolo refractário tem um uso muito específico na construção. Sendo aplicado nas alvenarias de tijolo. qualidade esta que surge devido à formação de diversos silicatos durante a cozedura. São geralmente maciços e as suas dimensões variam. Cap. ângulos e cabeceiras. Como esta massa tem a função de fixar e amortecer os movimentos de contracção e dilatação dos tijolos. seca e por fim cozida em fornos. A argila utilizada no seu fabrico é impura. as juntas verticais devem ser descontínuas. moldada em fieiras. TIJOLOS DE BARRO VERMELHO Os tijolos. Para o assentamento nunca se pode utilizar argamassas vulgares pois estas não resistem a temperaturas muito elevadas. variando apenas a espessura. 23x11x5. têm o nome de tijolos ordinários. fusível e terracota. dependendo da disposição e número de furos pode originar diferentes tipos de tijolo. Estas dimensões assemelham-se às do tijolo maciço ordinário. Cada formato. e assim sendo. dependendo da maneira como o tijolo é colocado. o que leva à aplicação de tijolos cortados para os encontros. Figura 2 – Tipos de tijolos refractários e aplicação em fornos 1. 23x11x4. sendo normalmente os mais utilizados tanto na construção industrial como na tradicional. quando os tijolos são colocados na parede. É por isso que estes tijolos são vulgarmente utilizados no interior de fornos e fornalhas pois as suas características mantêm-se mesmo quando expostos a altas temperaturas.2.elevadas sem se fundirem ou deformarem. sendo estas contínuas ou descontínuas. Neste tipo de tijolos podemos encontrar os maciços e os furados. existem certas exigências para a sua aplicação.3. deve assim utilizar-se uma massa refractária que vem com os tijolos. 23x11x3. A forma de dispor os tijolos tem o nome de aparelho e independentemente deste. sendo amassada mecanicamente.

pelas suas câmaras isolantes. Resistência ao fogo . Cap. Existe presentemente outro tipo de tijolos com furação vertical. e são tijolos muito resistentes. Perfurados .têm a mesma forma exterior mas são atravessados por dois ou mais canais/furos paralelos ao leito e no sentido da maior dimensão. com % de área de furos não inferior a 15% nem superior a 50% da área da face correspondente.têm um volume de argila cozida superior a 85% do seu volume aparente. e também em paredes divisórias. A vantagem dos furos é a de se conseguir: Aumentar o volume .Figura 3 – Tipos de tijolos cerâmicos Em relação à sua forma os tijolos podem ser: Maciços (ou tijolo burro) . até à compressão. 1/5 . Este tipo de tijolo pode ter uma grande diversidade de texturas e cores. pelo seu isolamento acústico. Utilizam-se sobretudo em alvenarias que ficarão à vista. o que resulta que em igual volume sejam mais leves que os primeiros.com furos perpendiculares ao leito. A sua área de furos varia entre 30 e 75% da área da face correspondente. do frio e da humidade. Aumentar a capacidade isolante . Têm normalmente uma resistência à compressão entre 120 a 190 kg/cm2. interiores. impedindo assim a propagação do calor. Furados .permitem. diminuindo as cargas das mesmas. Este tipo pode ser fabricado à mão ou mecanicamente. sendo usados para revestir estruturas metálicas. A sua principal função é de enchimento e de isolamento térmico.pelo que se usam frequentemente em paredes exteriores de usos domésticos (para reduzir as perdas de calor). obter peças de maior volume e acelerar a construção.preferidos em relação aos maciços porque aligeiram o peso próprio das alvenarias superiores. Os tijolos maciços costumam ter sempre a mesma medida (standard) 22x11x7cm. com igual peso e facilidade de manejo. Diminuir o peso por metro cúbico . O tijolo maciço é muito usado em Inglaterra e Países Baixos e escolhido pelo seu aspecto quente que envelhece bem com o decorrer do tempo.

porque a argamassa penetra nos orifícios a uma profundidade de l cm. as estrias exteriores produzidas pela máquina contribuem para segurar a argamassa. Figura 4 – Formatos correntes de tijolos furados 30×20×9 30×20×11 30×20×15 30×20×20 (cm) Figura 5 – Tijolos de furação horizontal sem junta vertical Cap. Além disso.Maior duração . aproximadamente. o que confere um bom travamento do aparelho. Melhor travamento e colocação em obra .por não estarem tão sujeitos a dilatações e contracções. 1/6 .

metamórfica ou sedimentar).quando ocorrem no lugar em que se formam. a partir duma rocha mãe (magmática. 1/7 .3. Todos estes factores dificultam a classificação das argilas conduzindo à ideia de que não existem duas argilas iguais. Classificação genética (tem em conta a relação entre os processos de formação das argilas e o seu modo de ocorrência).Figura 6 – Tijolos de furação horizontal sem junta vertical 1. I.1. a) Argilas residuais ou primárias . AS MATÉRIAS PRIMAS E O PROCESSO CERÂMICO CLASSIFICAÇÃO E TIPOS DE ARGILAS A complexidade e variabilidade das argilas deve-se à variação qualitativa a quantitativa dos minerais argilosos e dos minerais não argilosos respectivos. Cap.3 1. à variação da distribuição dimensional das partículas minerais que as formam a às suas características texturais. Apresentam-se de seguida duas classificações usuais que têm em conta quer o modo de formação quer a composição e usos industriais das argilas.

é usado muitas vezes como sinónimo de caulino e resulta do uso de argila na província de Kiangsi. A mineralogia e a composição química do caulino está estreitamente relacionada com a granulometria. Como atrás se disse. 1/8 . montmorilonite. pelo que tendo em vista as aplicações industriais. dizendo particularmente respeito às argilas residuais da Cornualha e Devon. tais como gibsite. na China. O termo "china clay". pode ter teores em caulinite ou outros politipos inferiores a 20 %. de papel. delaminação. fluorite. Al2O3>36% (>34%para caulino de segunda qualidade). que ocorrem noutros locais do mundo.b) Argilas sedimentares ou secundárias . A erosão a transporte implícitos na formação dos caulinos sedimentares reduz o tamanho dos cristais daquelas impurezas. Os requisitos básicos que a indústria cerâmica impõe ao caulino lavado de primeira qualidade são os seguintes: cor branca após queima a 1400º C. que data do século XVIII. II. rútilo e biotite. Classificação industrial ou tecnológica (tem em consideração as características e propriedades especificas das argilas a as suas aplicações industriais). goethite e limonite) que os caulinos residuais. concentrando-os em fracções mais finas. turmalina. o caulino bruto. de borracha e de tintas. A separação magnética húmida e outros métodos de beneficiação (branqueamento. no caulino bruto podem participar também quartzo. feldspato. ultraflutuação com água ou ar e calcinação) permitem melhorar a cor dos caulinos e as suas propriedades reológicas. mica e muitos outros minerais menores ou acessórios. Nos caulinos residuais. teores mais elevados em TiO2 (muitas vezes > 1 %. em regra. para o fabrico de porcelana de mesa e objectos de arte. a) Caulino Argila que coze branco ou quase branco e que é muito refractária. na Inglaterra. se torna necessário enriquecê-lo para valores que se podem situar entre 80-95 %. estão mais concentrados na fracção granulométrica >20 mm. Os caulinos sedimentares possuem.5%para caulino de segunda qualidade). isto é. vários séculos atrás. no entanto. limonite e pirite.quando ocorrem a distância maior ou menor do local de formação a partir duma rocha mãe (magmática. TiO2<1. são denominadas simplesmente por caulino. nome duma colina da China central perto da qual se explorava este material. para o fabrico de porcelana. clorite. de refractários. O termo caulino deriva da expressão chinesa "Kao ling". alguns dos minerais mais responsáveis pela coloração: anatase. A rocha caulinizada. A montmorilonite é uma outra impureza Cap. topázio. Argilas semelhantes. podendo haver haloisite associada. hematite. o caulino é um material composto essencialmente por caulinite mas. sob a forma de anatase e rútilo) e Fe2O3 (sob a forma de hematite. residuais ou sedimentares. argila que mais tarde se verificou ser constituída essencialmente por caulinite. Além da caulinite. Actualmente o termo "china clay" está quase exclusivamente confinado ao Reino Unido. metamórfica ou sedimentar). O caulino quando beneficiado é constituído essencialmente por caulinite (com média a boa ordem estrutural).l% (<1. O caulino utiliza-se particularmente nas indústrias de cerâmica. a caulinite pode ser substituída ou estar associada a qualquer dos outros politipos do sub-grupo da caulinite. que significa alta crista.

Quando se usam monitores. são mais refractários e têm maior resistência mecânica em verde e em seco devido à trama desenvolvida pelos cristais tubulares mais ou menos alongados da haloisite. com maior concentração em finos. Os caulinos haloisíticos são. floculação selectiva. quer na unidade industrial misturando materiais provenientes de diferentes jazigos. após o que o caulino fica em condições de ser comercializado. normalmente. as suspensões de caulino passam por prensas de filtração que eliminam grande parte da água que elas contêm. Cap. A propriedade expansiva da montmorilonite pode ser reduzida. quimicamente mais puros. a céu aberto utilizando ou máquinas escavadoras ou "monitores" que enviam jactos de agua sob pressão para as frentes de desmonte de modo a desintegrar a rocha caulinizada friável. ultraflutuação ou flutuação com espumas. em que a caulinite é separada das impurezas a ela associadas por floculação da caulinite com o emprego de poliacrilamidas.que pode existir em muitos caulinos quer residuais quer sedimentares e. mesmo em quantidade de 1-3%. No decurso dos tratamentos citados. tendo como resultado final uma beneficiação da cor e das propriedades reológicas do caulino. podendo atingir-se valores de 16-18 % de humidade. é refinada por processos de elutriação (classificação granulométrica hidráulica) em hidroseparadores (tanques de sedimentação ou centrífuga/hidrociclones ou ainda utilizando combinações destes equipamentos). naturalmente. tais como: branqueamento. são cortadas e extrudidas antes de serem um pouco mais desidratadas a baixa temperatura. Esta lotação também pode ter lugar antes da refinação. em regra. 1/9 . isto é. Os produtos refinados. e que permite que novas superfícies basais naturalmente mais brancas que as superfícies originais sejam expostas. quer no próprio jazigo de caulino misturando materiais extraídos de locais diferentes no jazigo. a eliminação da água pode fazer-se directamente na barbotina através do emprego de secadores dos tipos "spray" a turbo. viscosidade e velocidade de deposição da barbotina no fabrico de louça sanitária. as propriedades do caulino podem ser beneficiadas por meio de várias operações ou métodos. que permite a separação de partículas extremamente final de compostos de ferro e titânio. mais concentrada na fracção mais fina. O rendimento em caulino da rocha caulinizada varia. isto é. a suspensão aquosa resultante. serão necessárias 10-20 toneladas de rocha caulinizada para produzirem 1-2 toneladas de caulino lavado. cozem mais branco. Actualmente. o " tout venant". transformando-a num mineral não expansivo tipo mica após tratamento com hidróxido de alumínio. As bolas de caulino resultantes desta prensagem e que não possuem mais do que 25 % de água. com o que se podem obter reflectâncias da ordem dos 90%. entre 10-20%. e que é eliminado depois por filtração. pode alterar grandemente a permeabilidade. em que a suspensão de caulino ao passar por separadores magnéticos de alto campo (18-22 kilogauss). naturalmente corados. filtração magnética. naturalmente heterogénea. Depois da refinação e lotação. mantendo-se as impurezas em suspensão. são objecto duma primeira beneficiação por homogeneização (lotação ou blending). que consiste na clivagem dos cristais espessos ("livros") de caulinite em cristais menos espessos. A montmorilonite. A extracção de caulinos faz-se. delaminação. em regra. por adição dum agente químico redutor (hidrosulfito de sódio a PH baixo proporcionado por ácido sulfúrico) que dissolve o ferro complexável dos minerais ferríferos.

interestratificados ilitemontmorilonite e ainda muitas vezes a matéria orgânica. certos tipos de ball clay são utilizados como carga nas indústrias de plástico e borracha. As ball clay são compostas basicamente por caulinite (de fraca ordem estrutural) associada a hidromica (0-30 %) e quartzo (10-25 %) finamente divididos. estas devidas aos teores relativamente elevados em Al2O3 e aos baixos teores em alcalis. um período de transporte por águas correntes superficiais a um período de deposição em ambiente lacustre ou deltaico. devido à maior variabilidade vertical e lateral de qualidade nos depósitos de ball clay. plásticos a tintas. Para além da mecanização que a exploração exige. clorite. É por isso que a concentração da argila pelos processos de beneficiação correntes é impraticável. Da história geológica das ball clay faz parte um período de erosão subárea. Tabela 1 – Composição de elementos cerâmicos Corpos cerâmicos Azulejo Grés sanitário Porcelana eléctrica Ball clay Caulino Feldspato Quartzo Calcário 30 20-30 30 20 20-30 20 15 25 40 35 25 10 - Depois de submetidos a tratamento adequado. montmorilonite. tratamento térmico a cerca de 1050° C utilizado para melhorar a reflectância. Além da indústria de cerâmica branca também a industria de refractários utiliza muito as ball clay. nas explorações a céu aberto e em degraus a argila fosse cortada em cubos que eram rolados por gravidade até serem carregados em vagonetas. 1/10 . O termo "ball clay". com granulometria muito fins (50-90 % das partículas tem diâmetro esférico equivalente <1 mm). com apreciável poder ligante. com refractaridade bastante inferior à do caulino e que evidencia cor marfim ou creme-claro após cozedura. A exploração de ball clay é mais difícil que a exploração de caulino. A Tabela 1 mostra algumas composições de corpos cerâmicos em que a participação das ball clay é muito importante.sofre apreciável redução em partículas final de óxidos a hidróxidos de ferro. Durante o transporte há uma classificação granulométrica natural e as partículas de argila depositam-se juntamente com grãos de quartzo e de mica de tamanho equivalente. de óxidos de tirânio e de mica preta e como tal evidenciará um branqueamento nítido da sua cor. calcinação. b) "Ball clay" (argila em bolas) Argila muito plástica. que não tem significado mineralógico. características particularmente importantes para os caulinos utilizados nas indústrias de borracha. interessa muito também a Cap. aumentar a dureza e aumentar a opacidade dos caulinos. As ball clay são sempre argilas sedimentares com características específicas para cada depósito e dentro do mesmo depósito são vulgares variações de qualidade. tirando partido das suas propriedades ligantes e refractárias. teve origem na plasticidade extremamente elevada desta argila que permitia que.

de origem inglesa. que geralmente aumenta de volume em meio aquoso "swelling bentonite".(argila refractária) Argila sedimentar de refractaridade não inferior a 1500° C e que queima com cor castanho claro. normalmente. donde serem designadas nalguns casos por underclay. As fire clay são constituídas essencialmente por caulinite (de média ordem estrutural) associada a quantidades ainda importantes mas variáveis de quartzo. A bentonite que incha apresenta como catião de troca o sódio e. ilite. Assim. Muito embora haja usos que são comuns a ambos os tipos de bentonite. d) Bentonite: Argila residual proveniente da alteração de cinzas ou tufos vulcânicos ácidos. refere-se à refractaridade ou resistência piroscópica e ao modo de jazida. tem lugar a céu aberto com o emprego de escavadoras mecânicas mas o interesse por tipos e uniformidade de qualidade exige por vezes a exploração subterrânea com abertura de minas de modo a permitir a extracção das argilas de determinadas camadas sedimentares. verde. indústria química e do petróleo (sondagens de prospecção e pesquisa) e farmacêutica. Além da bentonite que incha "swelling bentonite" existe bentonite que não incha . A bentonite que não incha difere da bentonite expansiva mais nos catiões de troca (predominantemente Ca e Mg) do que na composição mineralógica e ainda por não evidenciar tixotropia. por tratamento com Ácidos Cap. Na formulação de um corpo cerâmico stoneware participam caulinite (40-50%). revela grande tixotropia. mistura ou blending é um dos métodos tradicionais utilizados na manutenção da uniformidade duma matéria-prima destinada a um uso particular. A temperatura de vitrificação situa-se entre 1120° -1280° C e a cor dos corpos queimados varia entre cinzento claro. 1/11 . A bentonite é constituída essencialmente por montmorilonite ou por outras espécies minerais do grupo da montmorilonite e outros minerais acessórios. c) Fire clay . A lotação. Importa manter a qualidade dos vários tipos de argila produzida. metalúrgia. montmorilonite. de granulometria muitíssimo fina. quartzo (40-45 %) e feldspato/mica (5-20 % ). podendo aumentar até 20 vezes o volume da argila seca. quando imersa em água. existe um uso que é específico do tipo que não incha e que parece ser consequência de o cálcio ou o magnésio serem os catiões trocáveis. diquite. com cor variada (branco. O emprego de métodos de beneficiação raramente tem lugar nas ball clay por serem ou tecnicamente difíceis ou relativamente caros. cinzento amarelo torrado ou castanho claro dependendo do teor em Fe203 e da atmosfera do forno. mica. a metabentonite. A fire clay tradicional ocorre sob ou intercalada entre camadas de carvão do Carbónico inglês. de camadas de argila de fraca qualidade para esses mesmos fins. O termo fire clay.experiência e especialização de mão-de-obra de modo a saber distinguir-se as camadas ou lentículas de argila de boa qualidade para determinados fins. rose ou creme) e baixa refractaridade. A bentonite sódica tem muitas aplicações industriais: cerâmica. interestratificados ilite/montmorilonite e matéria orgânica. de cerâmica ornamental e de revestimentos (tijolo face à vista). A exploração das ball clay. A fire clay é utilizada no fabrico de louça de mesa e de forno (stoneware) . azul.

vermelho. é uma argila plástica que pode ser moldada facilmente no torno dos oleiros. lepidocrocite). caulinite. Na prospecção a exploração de recursos minerais por perfurações com sonda rotativa. a bentonite que não incha produz argilas activas que são utilizadas na descoloração ou branqueamento de ó1eos minerais. quando a queima é rápida e a atmosfera não é suficientemente oxidante. A matéria carbonácea. dolomite) em grão ou concreções. facilitando a sua retirada quando a lama por bombagem é trazida para o exterior do furo. geralmente do Terceário ou do Quaternário. Se a matéria carbonácea se encontrar finamente dividida pode Cap. caulinite (rara). no fabrico de tijolos. a argila para tijolo ou "brick clay”. cinzento esverdeado. a suspensão ou lama de bentonite deve ter baixa viscosidade para circular eficientemente e arrefecer e lubrificar a cabeça da broca. ácido sulfúrico por exemplo a temperatura de 90-100° C. óxidos e hidróxidos de ferro (hematite. sulfuretos (pirite. ilite. mica. castanho ou vermelho. pode proporcionar o denominado "coração negro". telhas e ladrilhos. montmorilonite (pouco abundante). cores dependentes dos minerais presentes portadores de ferro. A argila de olaria possui teores baixos em Al2O3 (15-25%). geralmente em baixos teores). mas deve possuir suficiente tixotropia no fundo do furo. causadores de empolamento e de eflorescência nos produtos acabados. utilizada no fabrico de produtos cerâmicos de menor valor comercial. castanho ou castanho avermelhado. teores baixos e médios em Fe2O3 (<10 % ) e quando queimada proporciona corpos cerâmicos de cor variada desde o cinzento ao amarelo-ocre. feldspato. Argila para tijolo ou brick clay . fragmentos de rocha. vegetais ou animais. plasticidade que cresce com a relação minerais argilosos/minerais não argilosos. em cuja composição podem entrar quartzo. Na sua composição podem comparticipar quartzo. carbonatos (calcite. determinados pela sua utilização industrial: argila para olaria ou "pottery clay". óxidos e hidróxidos de ferro (hematite. A argila comum compreende dois tipos principais de argila. Na queima desta argila verifica-se uma região de vitrificação pouco ampla entre 1000 . Esta argila faz parte de depósitos sedimentares. Argila para olaria ou pottery clay) . castanho. Uma argila de cores variadas.1100° C. de origens diversas: glaciar. mica (moscovite e biotite).inorgânicos concentrados. O teor em fracção argilosa da argila para tijolo é baixo mas suficiente para permitir o desenvolvimento da plasticidade necessária para a moldagem dos corpos cerâmicos. A bentonite sódica não responde satisfatoriamente a este tratamento ácido por ser decomposta totalmente. e) Argila comum: É a argila mais abundante. cinzento. vermiculite e interestratificados. matéria carbonácea. marcassite). ilite. fluvial ou marinha. clorite (pouco abundante). tais como: carbonatos. sulfatos e sulfuretos. eólica. 1/12 . carbonatos (calcite e dolomite. amarelo ou verde. cinzento. titânio e outros. e uma fusão acentuada entre 1150-1330° C.Utilizada particularmente em cerftmica ornamental de terracota. pirite. clorite e interestratificados. sulfatos (gesso). goethite e limonite). A investigação mineralógica da matéria prima pode fornecer explicações para o efeito adverso de impurezas.Argila grosseira possuindo grande quantidade de silte e areia e com cores variadas: preto. montmorilonite. A argila para tijolo é utilizada em cerâmica vermelha ou estrutural.

pode vir a originar eflorescências salinas nos produtos cerâmicos. para a1ém de formas correctas. se a argila for calcária. se possível. o calcário. calor das peças já cozidas que vai aquecer o ar que segue para a região de combustão e calor dos gases de combustão que vai aquecer as peças enformadas antes desses gases saírem do forno a uma temperatura relativamente baixa.refinadores. Os depósitos de argila devem ser seleccionados com cuidado tendo em conta que a rentabilidade da unidade fabril requer uma produção sem problemas durante cerca de 20 anos. com fieiras ou com prensas. As impurezas da argila para tijolo podem influenciar as propriedades cerâmicas da matéria prima e dificultar até o seu processamento industrial. Após a moldagem. A cozedura tem lugar em fornos contínuos ou intermitentes. A moldagem de tijolos é normalmente feita por meio de fieiras mecânicas ou de vácuo. em recinto coberto donde os lotes necessários são transportados por meio de doseadores lineares para laminadores e amassadores (com filtros de impurezas). e os corpos cerâmicos queimados apresentam cor vermelha. O gesso é decomposto a temperatura elevada mas. se for abundante. A moldagem de telha pode efectuar-se ou manualmente. depois do que é depositada em recintos descobertos onde fica exposta à intempérie durante tempos mais ou menos longos. CaO e Na2O+K2O são elevados. Cap. No amassador é corrigida a humidade da pasta. As concreções calcárias devem ser finamente moídas ou removidas. quando as peças são sujeitas a secagem e a cozedura. A argila que deu entrada na unidade industrial é transportada para os doseadores lineares. também ausência de tensões ou pelo menos tensões reduzidas para valores aos quais possa opor--se a coesão da argila. pode ocasionar a deformação dos corpos cerâmicos quando queimados a temperatura elevada. o custo da remoção das impurezas pode ser elevado e o valor económico da matéria-prima pode não a justificar. pode haver necessidade de remover certas impurezas ou de neutralizar o seu efeito. se persistir algum sulfato solúvel em água.actuar como fuel natural economizando energia na queima. Mas. O material assim envelhecido é armazenado. em quantidades condicionadas ao débito de produção da unidade industrial. Em seguida apresenta-se um fluxograma com as operações que decorrem desde a extracção da argila nos barreiros até à cozedura do tijolo e telha nas fábricas. A argila para tijolo é queimada em atmosfera oxidante a temperatura em regra não superior a 950° C. pasta que é transportada depois para laminadores . ainda que finamente moídas. como é um fluxo. O ferro e os metais alcalinos e calco-alcalinos promovem a vitrificação. As tensões da moldagem traduzem-se tanto na ruptura das peças moldadas como no empeno delas após a secagem ou a cozedura. máquinas em que a extrusão da argila se processa por acção dum parafuso sem fim (hélice) através duma boca (fieira) com a configuração desejada para o produto. Todavia. Fe2O3. 1/13 . havendo nos primeiros recuperação de calor. Todavia. passa por destorroadores de lâminas ou dentes. resultando uma cor acastanhada. a cor vermelha que naturalmente seria devida ao ferro é atenuada fortemente por efeito do CaO. originando tijolo maciço ou tijolo furado. Assim. Os teores em SiO2. as peças deverão apresentar.

2. rico em vegetação. b) a eliminação de águas precedentes do subsolo.Principais locais de extracção de argila em Portugal c) a construção de vias de acesso para o barreiro. e portanto.1. Devem-se ter em conta aspectos na escolha do barreiro. As operações que precedem a escavação são: a) o "descobrimento". Cap.3. Entende-se por este termo a eliminação da camada superficial do solo. DA MATÉRIA PRIMA AO PRODUTO FINAL Exploração do Barreiro Esta é a primeira etapa de todo o processo. onde começa todo o processo de transformação desta matéria-prima estão indicados na Figura 7. O local onde a argila é extraída é denominado de Barreiro. Figura 7. Deve-se preparar um plano racional de extracção. 1/14 . com substâncias orgânicas. Principais locais de extracção de argila em Portugal. como a sua localização em relação á fábrica tal como o teor de impurezas do barro. Depois é chegada a altura da escavação propriamente dita com o auxílio de máquinas escavadoras. . o último passo será o transporte do material escavado. na qual será obtida a matéria-prima. para economizar e haver viabilidade de exploração durante todo o tempo previsto. que pode ser do tipo rochoso ou mais frequentemente.

que possam ser tratadas com acção de pastamento. A primeira aplica-se a matérias mais soltas. em quantidade suficiente para se conseguir a moldagem necessária. 1/15 . A preparação via húmida. A eficácia destas acções depende claramente da máquina. contidos na matéria-prima. mas também em grande parte da dureza. As quantidades acumuladas devem ser suficientes para muitos meses de produção e melhor ainda Cap. plásticas. tijoleiras. • humidade uniforme. compacidade. Além das diferenças de composição. a uma condição final. corte e extrusão. os diferentes estados naturais em que se apresentam as argilas. Formação de stocks Ao lado das fábricas depositam-se grandes acumulações de argilas chamadas de "montes". com humidades entre 15% e 30%.Figura 8 – Vista de um barreiro Preparação da matéria-prima A preparação da matéria-prima consiste num conjunto de diferentes operações destinadas a conduzir a argila. abobadilhas ou telhas. e cada uma exerce na matéria uma ou várias acções. a fim de na mistura a homogeneidade se estender também às fracções granulométricas mais pequenas. A segunda é aplicada para argilas mais duras. Existem dois tipos de preparação: a preparação via húmida e a preparação via seca. do estado em que se encontra depois da escavação. Todas as operações que constituem esta etapa são efectuadas através de máquinas. • subdivisão dos vários componentes em partes pequenas . que deve possuir os mecanismos necessários. na qual se pretende: • uniformidade e estabilidade dos elementos mineralógicos e químicos. mais frequente no fabrico de elementos como os tijolos. adquirem importância decisiva nos processos de preparação. relativos à consistência e humidade. que atingem uma granulometria mais ou menos fina. humidade e dimensões da matéria-prima.

As vantagens são que a disponibilidade de um monte permite economias importantes. etc). superiores ao gasto da formação de um monte e a produção torna-se independente da escavação (das condições meteorológicas. aliando também todas as vantagens conferidas por um período de envelhecimento do barro de cerca de um ano. para permitir a sua disponibilidade a qualquer momento.se der para todo o ano. da facilidade ou não de acesso aos barreiros. Os "montes" efectuam-se a céu aberto e na sua execução adoptam-se precauções especiais para evitar a água da chuva. Realizam-se montes.  ¢¡ £¥¤§¦ ¨ © . total ou parcialmente cobertos.

com aberturas reguláveis na parte inferior. em quantidade e percentagem precisa. Este processo de dosagem não é aplicado em todas as fábricas devido ás diferenças da própria matéria-prima. Estas aberturas variam de dimensões consoante a dosagem pretendida.Doseadores Figura11. Esta dosagem também pode ser feita sem o recurso às aberturas reguláveis. que deixam cair a matéria para uma passadeira. Figura10 .Esquema de funcionamento do doseador Cap.¥ § ¨¥¦ £¥¡  ¨ Dosificação das Argilas A dosificação permite a mistura de diferentes argilas. depósitos de grandes dimensões. Isto é conseguido através de caixas doseadoras. 1/16 . tirando-se partido das passadeiras rolantes.

melhorando assim a capacidade desfazer os aglomerados de argila.grossa. como se pode deduzir. de eliminar as impurezas (pedras. raízes. -muito fina. Figura 12 .8 mm. madeira.Laminadora Figura 13 .2 mm. quando a saída alcança 30 a 60 mm. e a parte periférica dos cilindros consiste num tubo de grande espessura. 1/17 . A laminação distingue-se em desbastado (3-4 mm) e acabado (11.fina. Podem identificar-se várias acções de redução.Detector de metais Cap. geralmente aço. Esta máquina por um lado fragmenta as argilas mais secas. Tais acções distinguem-se por graus de redução de dimensões: . Quando as argilas são muito duras e os fragmentos são muito grandes. esta máquina deve ser colocada no início do processo. Desterroadora: É uma máquina com dois cilindros com dentes que funcionam com velocidades diferentes.5 mm). por outro torna-as numa pasta. Na cadeia da preparação a desterroadora está por baixo da caixa dosificadora. mas muito importante. que no final sai em fragmentos relativamente pequenos. Trituradora/fragmentadora: As acções desta máquina sobre o material são. Algumas dessas máquinas têm a função secundária. . . a matéria passa posteriormente por um íman com o objectivo de retirar esses metais. a fragmentação por pressão. a função de misturadora. A trituradora/fragmentadora ocupa um importante lugar na preparação da matéria. até 4 a 6 mm.média. Laminador: É constituído na sua essência por dois cilindros de rotação contrária. se inferior a 0. Em fábrica quando são detectados metais na argila.).Máquinas de trituração e moagem As máquinas de redução das dimensões dos materiais argilosos têm formas e acções muito diversas. Os dentes são de um material muito duro. Os melhores resultados obtêm-se quando a humidade está compreendida entre 15% e 20%. A acção dos laminadores é a de “apastamento” e estiramento. quando tem à volta de 1. Tem também.etc.

Mistura e humidificação da argila Modelação Entende-se por modelação o processo pelo qual a matéria-prima assume uma forma bem determinada. 1/18 .Figura 14 . de plasticidade suficiente para permitir a sua passagem através de um diafragma perfurado (molde). • Extrusão É adoptada para materiais húmidos. que se torne estável e homogénea. Existem diferentes sistemas de modelação. A homogeneidade será tanto mais conseguida quanto mais finas forem as partículas. Cap. Figura15 . Durante a mistura quando a humidade global da argila não é suficiente para obter a plasticidade requerida junta-se a água necessária.Imán de impurezas Mistura e Humidificação O objectivo da mistura e humidificação é reunir elementos de diferentes características para formar uma única matéria.

contendo pequenas percentagens de humidade (3 a 5 %). Cap.Saída da fieira e corte Figura 18 . Figura. é no entanto. 1/19 .19 .Boca/telhas (Certelha) • Prensado via húmida Por este método obtêm-se produtos de formas variáveis como telhas e remates. Com este método obtêm-se medidas muito precisas como consequência da pouca variação de volumes devido à falta de contracção durante a secagem.Boca/tijolo Figura 17. moídas de grão fino.Figura 16 . O material é vertido em moldes e é submetido a compressões.Prensa • Prensado via seca Este processo é usado para argilas secas. pouco utilizado para o fabrico de tijolos. de elevada pressão.

é necessário realizar a secagem como processo de preparação para a cozedura. mas o processo considera-se acabado. o movimento do ladrilho deve ser em direcção ao calor. portanto. Quando a água se converte a vapor. A evaporação dá-se parcial e homogeneamente. A quantidade de água empregue no fabrico não se elimina completamente. dado estar mais exposta ao calor. portanto uma melhor secagem. Dado o produto húmido ser muito deformável. ainda que a massa do produto contenha pequenas quantidades de água. Outro factor importante a ter em conta é o material do suporte da cerâmica. a possibilidade de uma secagem unânime depende também da espessura e da forma do suporte. variando de fábrica para fábrica). daí que. a secagem se faz gradualmente. considera-se que o material está seco quando este mantém o peso constante depois ter estado em contacto prolongado com uma temperatura de 75ºC. assim. também a variação de contracções) e a velocidade da secagem diminui. A evaporação pode ser mais ou menos rápida e as quantidades de vapor são facilmente evacuadas ou não.Secagem Depois da pasta seca ou húmida ser moldada. No caso de acumulação excessiva de vapor originam-se esfoliações e escamas na superfície. aumenta fortemente o seu volume. O secador constitui um túnel de grande comprimento (aproximadamente 80 m. o contacto com o calor e a posição que o ladrilho possui quando o enfrenta sejam determinantes em relação ao problema da contracção. A madeira foi substituída por madeiras tropicais e por metal. Se o ladrilho estivesse estático e a receber calor de todos os lados sucederia que as extremidades exteriores secariam mais rapidamente que o centro. Nas peças que estão em contacto. em função da porosidade e da espessura dos produtos. Pela mesma razão é aconselhável o espaçamento do material. e consequentemente má-formações nos ladrilhos. é conveniente que o suporte de secagem não seja propício a deformações. esta secagem heterogénea provocaria contracção. onde o material permanece entre 12 a 48 horas. Cap. No entanto. o material é ainda desprovido de qualquer espécie de resistência. 1/20 . A madeira já foi o material eleito para este fim. pela sua maior resistência mecânica. A secagem deve ser lenta e. Quanto menos elementos estiverem em contacto com o ladrilho mais possibilidades há de a peça ser ventilada convenientemente. No processo de secagem. os graus de humidade aumentam (e. a cerâmica ganha os vícios do suporte. nomeadamente por aço. as temperaturas altas provocavam diversos empenos. a porosidade da madeira considerava-se importante para absorver a humidade excedente das superfícies. Estes suportes são em forma de grelhas para assim permitir o melhor acesso do ar quente à peça . visto que. pela sua facilidade de laboração. No entanto. o que é óptimo para elaborar suportes de grandes dimensões. No entanto.

as peças são escolhidas. Durante o processo de cozedura. reflectindo-a. neste contexto. o volume original modifica-se por variações da porosidade interna e na estrutura cristalina de certos componentes. mas numerosos. Os seus espaços intersticiais são ínfimos entre si. sendo. é conveniente que estas estejam devidamente separadas. um material esbranquiçado que absorve pouca temperatura. 1/21 . em enormes estruturas paralelepipédicas. portanto. má-formações. Após a secagem. Ao longo da cozedura dão-se extracções e introduções de ar com o fim de modificar e regular o desenvolvimento das temperaturas. Também a posição das peças é importante na cozedura. perdendo-se. constituindo assim paletes em que a quantidade de camadas é indefinida.Figura 20 . As vagonas são formadas por placas de material refractário. Contudo. Isto varia de acordo com o tipo de forno: pode ser em forma de tubos que funcionam como passadeiras. Estas estruturas estão organizadas de modo a permitir a passagem fácil dos gases. dependendo da carga máxima que a base possa suportar. Os tijolos costumam ter uma distância de 3 cm entre si. as telhas são agrupadas e atadas com fios de aço inoxidável. Este momento é posterior à secagem. a restante constitui uma quantidade de calor passiva. parte do peso inicial. por outro lado. somente uma parte da energia é utilizada para as transformações de ordem química e física. não é obrigatória. a massa emite vapores. • Pré-cozedura Consiste num aquecimento prévio e gradual que vai da temperatura ambiente aos 200/250ºC (esta temperatura oscila de caso para caso e. isto é.Tijolos na estufa Cozedura A cozedura é uma etapa na qual a cerâmica adquire a resistência mecânica necessária para a sua utilização. visto a cerâmica ser já nesta fase detentora de fissuras. na qual as peças vão ser submetidas a altas temperaturas fornecidas por vários combustíveis. os intercâmbios de temperaturas são uma presença constante neste processo. empenamentos. um Cap. O material aproveitado é então disposto em vagonas (estruturas que constituem o plano de apoio para a cozedura). por seu lado.

valor de referência). vão consolidar a sua resistência. Na pré-cozedura reaproveita-se a energia térmica proveniente da cozedura. O arrefecimento é. estalaria. uma vez atingido o pico das temperaturas se realize o processo inverso. daí que. caso contrário. Uma vez atingidos os570º (aproximadamente) no período pós-cozedura. a transformação do quartzo. esta etapa funciona como uma preparação para as altas temperaturas que se seguem. o responsável pela resistência mecânica. • Cozedura Aqui. Cap. o ladrilho é exposto a temperaturas que vão dos 900ºC aos 1200ºC. bem como as dimensões definitivas e o comportamento real da matéria. 1/22 . como é nociva a entrada directa para a cozedura também é nociva a saída directa. Figura 21 – Esquema das temperaturas no interior do forno Arrefecimento Assim. O forno possui sistemas de refrigeração que provocam um arrefecimento lento e gradual. em grande parte. ficam estabelecidos. a cerâmica em contacto directo com as altas temperaturas.

Cap.Figura 22 – Fluxograma do processo de fabrico 1. Apesar de a norma NP 834 ter sido retirada. 1/23 . NORMAS NACIONAIS A NP 80 de especificação das características e ensaios e a NP 834 de especificação das dimensões e tolerâncias dimensionais. foram retiradas e em sua substituição adoptou-se a norma NP EN 771-1.1. muitos dos tijolos cerâmicos continuam a respeitar as dimensões anteriormente normalizadas e as respectivas tolerâncias. NORMALIZAÇÃO 1.4. que define as características aplicáveis aos tijolos cerâmicos.4. embora não defina valores limites.

4. O Quadro (N) apresenta os métodos de ensaio para elementos cerâmicos de alvenaria segundo a NP EN 771-1 e o Quadro (m) define as características e tolerâncias previstas nessa norma.Figura 23 – Formatos normalizados de tijolos segundo a NP 834 1. Cap. 1/24 .2. NORMAS EUROPEIAS As normas europeias que substituíram as normas portuguesas são as normas de produto NP EN 771-1 e as normas da série NP EN 772 que definem os métodos de ensaio.

1/25 .Quadro 1 – Métodos de ensaio para elementos cerâmicos de alvenaria segundo a NP EN 771-1 Quadro 2 – Características e tolerâncias previstas na NP EN 771-1 Cap.

1/26 . Quadro 3 – Ficha da marcação CE 1.No âmbito da marcação CE. para efeitos da colocação dos produtos no mercado. cabe os fabricantes emitir as fichas técnicas com os valores declarados assumidos para cada produto.4. MÉTODOS DE ENSAIO PARA ELEMENTOS DE ALVENARIA • NP EN 772-1 – Determinação da resistência à compressão Figura 24 – Resistência à compressão Cap.3.

• NP EN 772-3 – Determinação do volume líquido e percentagem de vazios dos elementos cerâmicos de alvenaria por pesagem hidrostática • NP EN 772-5 – Determinação do teor de sais solúveis activos nos elementos cerâmicos Figura 25 – Percentagem de vazios Figura 26 – Sais solúveis • NP EN 772-7 – Determinação da absorção de água de tijolos face à vista em água de ebulição • NP EN 772-11 – Determinação da taxa inicial de absorção de água de elementos cerâmicos de alvenaria Figura 27 – Absorção de água Figura 28 – Absorção de água inicial • NP EN 772-13 – Determinação da massa volúmica absoluta seca e da massa volúmica aparente seca dos elementos de alvenaria • NP EN 772-14 – Determinação das dimensões Figura 29 – Massa volúmica Figura 30 – Características dimensionais Cap. 1/27 .

quando o tijolo está colocado perpendicularmente ao paramento (face principal da parede). isto é. 25 cm de espessura.5 APLICAÇÃO DO TIJOLO   !"$#&%('( A fiada. São também classificadas como de suporte. assenta sobre uma camada de argamassa. Cap. 1/28 .• NP EN 772-19 – Determinação da expansão por humidade de elementos cerâmicos de alvenaria de furação horizontal de grande dimensão Figura 31 – Expansão por humidade • CEN TS 772-22 – Determinação da resistência ao gelo/degelo de elementos cerâmicos de alvenaria • NP EN 1052-3 – Determinação da resistência inicial ao corte Figura 32 – Resistência ao gelo/degelo Figura 33 . sucessão de tijolos dispostos horizontalmente. atingindo os 30 cm quando são duplas. à qual se dá o nome de base. Diz-se que uma fiada é de "uma vez ao baixo". 11. 22. As paredes podem ser de 7.Resistência ao corte 1. A camada vertical chama-se junta. 15.

estende-se a argamassa directamente da talocha sobre a última fiada (esta argamassa deve conter água suficiente para que não endureça antes de se colocarem os tijolos). fixa-se na linha e posição correcta. verificando o seu alinhamento em relação a linha guia 3. 2. 2. coloca-se a argamassa no topo do tijolo que se vai encostar. de forma a precaver alguma falha aquando da molha dos tijolos. o ligante deve conter além da água necessária. Se a argamassa estiver demasiado seca. 3. 1/29 . Em geral. uma pequena quantidade adicional. antes de serem colocados na obra. apara-se com a colher e distribui-se pelos vazios que possam ter ficado na parte superior das juntas. é o mais corrente. assentam-se os tijolos sobre a base. podendo ainda desempenhar as duas funções ao mesmo tempo. 4. ou devolve-se para a talocha. que escorre pelas juntas. Cap. dadas com a colher. o excedente de argamassa. Com umas pancadas. reservando-os para o interior da construção. Os tijolos. coloca-se o tijolo sobre a base. por exemplo. é a fiada sobre a base. estende-se a argamassa em quantidade suficiente. as juntas verticais são enchidas com argamassa. de forma a que as juntas verticais fiquem cheias de argamassa. tendo resistência apenas para se auto-suportarem. comprimindo-o e fazendo-o deslizar. a carga de um telhado. Figura 34 . vai absorver a água do tijolo. devem ser molhados. 0 método de assentar os tijolos "a matar juntas". Outro método. Esta operação desenvolvese em cinco partes: 1.capazes de suportar.escolhem-se os tijolos de maneira a que os defeituosos não coincidam com os arranques ou cantos das paredes. compreendendo três partes: 1. provocando uma presa deficiente. de fechamento.Aplicação do tijolo 5.

Os tijolos a cortar não devem estar rachados. Variaram as qualidades e as dimensões. As alvenarias de tijolos. Um tijolo superior.Aplicação do tijolo 1. as irregularidades dos tijolos. beneficiaram da experiência multissecular adquirida com os adobes e com a alvenaria de pedra.5cm para as juntas verticais e horizontais. bem como as combinações entre tijolosargamassa mantiveram-se. Figura 35 . também. APARELHO Dá-se esta designação às disposições dos tijolos nas paredes. sobrepor-se à quarta parte do inferior.5. respectivamente. 1/30 .2.Sendo a argamassa uma camada de espessura suficiente para absorver. para formar as cabeceiras. para evitar a continuidade das juntas verticais. origina a necessidade de empregar tijolos cortados. desigualmente cozidos ou com outros defeitos. Esta descontinuidade das juntas. Figura 36 . mas as regras de travamento. com as suas regras e condicionantes. deve no mínimo. os ângulos e os encontros de paredes. considera-se normal as espessuras de 1cm e 1. Os tijolos devem ser travados nas sucessivas fiadas.Diferentes modos de execução de alvenarias de tijolo Cap.

com a sua face lateral maior para o paramento. Parede de meia-vez: Os tijolos são colocados. Aparelho de uma vez e meia Cap. 0 comprimento do tijolo define a espessura da parede. a espessura de alvenarias aumenta de meia em meia vez (sendo raro a construção de paredes de mais de duas vezes de espessura.Aparelho ao alto: paredes formadas por tijolos colocados ao cutelo. As juntas verticais devem coincidir com o meio do tijolo. Aparelho de uma vez: Compreende fiadas de tijolos de" uma vez ao baixo". das fiadas superior e inferior. de 9 a 10 cm de espessura. 1/31 . Aparelhos de espessura superior a uma vez: a partir de uma parede a uma vez.

correspondendo entre si. PAREDE DE TIJOLO A relação tijolo-argamassa .Aparelho Inglês: Neste aparelho alternam-se as fiadas de tijolos colocados a meia-vez com os de uma vez. as juntas e os eixos das fiadas a uma vez. ou belga: É o aparelho inglês em que as sucessivas fiadas de tijolo a uma vez estão desviadas meio tijolo. Figura 37 – Vários tipos de aparelho para a execução de alvenarias de tijolo 1.5. Cap. 1/32 .esta relação é semelhante à requerida pelos outros tipos de alvenaria de blocos. ou seja.3. Aparelho Holandês: Neste caso alteram-se as fiadas de uma vez com as fiadas formadas por tijolos a uma e meia vez alternados. Pela sua regularidade e solidez. é o mais corrente na construção de edifícios. a sua função é a de anular o efeito das irregularidades na forma e dimensões dos tijolos garantindo uma transmissão de cargas verticais equilibrada. Aparelho Gótico: Denomina-se assim o aparelho em que alternam simultaneamente tijolos de uma e meia vez numa mesma fiada. Aparelho em cruz. mesmo se a quantidade de argamassa empregue deverá ser mínima para garantir a fixação dos mesmos. alternadamente.

surgiu como resposta à necessidade de isolar o interior dos edifícios contra a humidade exterior. sem qualquer inconveniente. devem deixar-se as fiadas terminadas em forma de escada. Figura 38 – Parede dupla sem e com isolamento térmico na caixa-de-ar Cap. A espessura das juntas não deve exceder 1 cm. tal como noutras alvenarias é indispensável. isso não significa que esta combinação seja obrigatória: caso seja considerado necessário. Deve haver o máximo cuidado em conservar as juntas horizontais e os paramentos verticais. tijolo que se pretende rebocado. Travamento (desencontro vertical das juntas. para compensar a evaporação excessiva durante o processo de endurecimento. ou então.§-65$7 8 9¥4 9 A construção de paredes constituídas por dois panos de alvenaria com um espaço de ar de separação (a parede dupla). e a argamassa deverá preencher completamente o intervalo entre tijolos.§-/10&2§34 */. para que. -§. Deste modo garante-se o travamento da parede. quando não se pretende revestir o paramento. porquanto ele permite uma maior resistência das paredes à acção das cargas verticais. 1/33 .2/3 ou 114 . carregando-o e empurrando-o levemente até a argamassa sair pelas juntas. nunca se deve deixar parte dela com altura superior a um metro relativamente à construção anteriormente feita. poderá fazer-se o travamento a 1/3 . embora nos exemplos dados o travamento se apresente sempre a meias dimensões. Quando se dispensa o acompanhamento vertical dos tijolos com argamassa. ou “matar as juntas”).A aderência tijolo/argamassa será grandemente reforçada se houver o cuidado de humedecer bem o tijolo. Caso se tenha de deixar por tempo ilimitado uma parede por acabar. • )+*¥. Para este fim deita-se uma chapada de argamassa sobre a qual se põe o tijolo. No assentamento do tijolo devemos considerar dois casos possíveis de aplicação: tijolo de face à vista. Acrescenta-se ainda que. nomeadamente com regas abundantes e frequentes nas épocas quentes e secas. como é uso corrente para as paredes que serão rebocadas. Ao levantar a parede. Em tempo seco o tijolo deve ser molhado para que a argamassa adira bem.3/4. pois a força/carga encontrando obstáculos no seu percurso vertical descendente vai reduzindo a sua acção e caso se verifique uma linha de ruptura esta fará um percurso irregular que garante o travamento da parede. quando se retomar a obra se possam endentar as novas fiadas. é fundamental ao descurar o travamento.

cuja origem se desconhece com rigor. Produz-se no Alentejo um tipo de abobadilha com características particulares.5. O método ainda hoje é conhecido por poucas famílias de pedreiros que têm vindo a transmiti-lo aos seus descendentes. O que distingue este método do processo de construção das abóbadas correntes é o facto de dispensar a utilização de cimbres. Existe sob a forma de tijolo cerâmico e blocos sílico calcários. Figura 39 – Aplicação de tijolo face à vista 1. abóbadas ou abobadilhas. seguindo um projecto devidamente detalhado.5 TIJOLO APLICADO EM ARCOS E ABÓBADAS Uma forma de cobrir os vãos. Figura 38 – Tijolo aplicado em arcos e abóbadas Cap. A aplicação de TFV exige que a construção seja executada por operários especializados. ao longo do tempo. de acordo com a tecnologia mais adequada.1. é através de arcos. 1/34 . os quais implicam a utilização de cimbres para apoio da construção.4 TIJOLO FACE À VISTA (TFV) A utilização de tijolo face-à-vista em Portugal está quase sempre associada a construções de qualidade superior e é considerada uma mais-valia em termos de durabilidade e aspecto. O TFV pode ser estrutural ou de enchimento. embora pareça provir dos métodos árabes de construção de tectos adaptados. ao tipo de tijolo de fabrico manual da região. O TFV é um elemento de alvenaria que se destina a ficar visível após aplicado em pelo menos uma das faces. Tal convicção resulta reforçada com o facto de o método reclamar a utilização de gesso quando este material raramente era utilizado no Alentejo.5. mesmo quando se pretende vencer vãos superiores a 6 metros.

Paredes de Alvenaria. Cap. Hipólito . 4164.A importância da pormenorização no comportamento das alvenarias. • Dias.Construção em tijolo cerâmico: das exigências Normativas do produto à prática de aplicação.ª Edição.BIBLIOGRAFIA • Manual de Alvenaria de Tijolo. situação actual e novas tecnologias. In Lourenço. 1/35 . Porto. Coimbra. Situação Actual e Novas Tecnologias. Livro de Actas. Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro. 2002 • Camarneiro. Porto. Porto. Sousa. In Lourenço. APICER. 2. Livro de Actas. António Baio . Sousa. 2002. Paulo. 2009 • Paredes de Alvenaria – Situação Actual e Novas Tecnologias. Luís . Hipólito . pp. 2002 pp. Livro de Actas.Paredes de alvenaria. Paulo. 169-186.