Anexo

Biblioteca Informa
nº 2115


Súmulas do Conselho
Administrativo de Recursos
Fiscais (CARF) passam a ter
efeito vinculante
11 de julho - 17 de julho, 2010

Compilado para uso exclusivo dos integrantes do escritório. Cópias dos atos noticiados neste boletim podem
ser solicitadas à Biblioteca. Orientação legal será dada exclusivamente pelos advogados — © 2010. Direitos
autorais reservados a Pinheiro Neto Advogados.

Autor • Giancarlo Chamma Matarazzo

• Renato Henrique Caumo

• Tiago Moreira Vieira Rocha

Sócio e Associados da área Tributária de Pinheiro Neto Advogados


O ministério da Fazenda relacionou as súmulas do CARF que passam a ter efeito vinculante
em relação à administração tributária federal (Portaria nº 383, de 12.7.2010 - “Portaria
383/10”). A partir de agora, as autoridades fiscais e os julgadores do CARF estão obrigados a
seguir o entendimento das súmulas relacionadas na Portaria 383/10.

O principal objetivo da medida é reduzir o volume de recursos e acelerar o trâmite de
processos que discutem determinadas matérias já pacificadas pela jurisprudência
administrativa. Foram relacionadas súmulas que tratam de omissão de receitas, de
compensação de prejuízos fiscais, de lançamento tributário e de outros temas.

Omissão de receitas

A Súmula nº 25 trata de omissão de receitas e estabelece que a exigência de multa de ofício
qualificada (150%) só é cabível nos casos em que houver a comprovação de dolo, fraude ou
simulação. Assim, a simples presunção legal de omissão de receitas não seria suficiente para
a aplicação da multa de 150%.

Entretanto, será cabível a aplicação da multa de ofício qualificada (150%) quando constatada
a movimentação de recursos sem comprovação de origem em contas bancárias de interpostas
pessoas (Súmula nº 34).

Outra súmula estabelece que, no caso de depósitos bancários sem a comprovação de origem,
a validade das alegações quanto à omissão de receitas depende da intimação, pelo fisco
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federal, de cada um dos cotitulares da conta bancária, de forma que todos tenham a
oportunidade de se manifestar antes da lavratura do auto de infração (Súmula nº 29).

Por fim, uma última súmula vinculante sobre o assunto estabelece que o fato gerador do
Imposto de Renda da Pessoa Física, quando constatada a existência de depósitos bancários
de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula nº 38),
o que representa claro indicativo quanto ao início do prazo decadencial para cobrança fiscal.

Compensação de prejuízos fiscais

No que diz respeito ao limite de compensação de prejuízos fiscais, a Súmula nº 36 estabelece
que fica caracterizada postergação de pagamento do IRPJ e da CSL caso o contribuinte (i)
não observe o limite de compensação de prejuízos fiscais de até 30% do lucro líquido,
recolhendo menor volume de impostos em determinado ano-calendário, e (ii) comprove que
o tributo que deixou de ser pago naquele período foi pago em ano posterior.

A implicação prática disso é que, por se tratar de mera postergação de pagamento, os valores
pagos no período posterior devem ser excluídos da parcela exigida em razão da compensação
excessiva de prejuízos fiscais.

Lançamento tributário

Cinco súmulas vinculantes do CARF tratam de questões diretamente relacionadas ao
lançamento tributário.

A primeira delas estabelece que o “prazo decadencial para constituição de crédito tributário
relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva
realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que
em percentuais mínimos” (Súmula nº 10).

A Súmula nº 35 estabelece que é permitido o uso das informações de recolhimento da CPMF
para a constituição do crédito tributário de períodos anteriores a 2001, ou seja, período em
que a Lei nº 10.174/01 autorizou o uso das informações da CPMF para a verificação da
existência de crédito tributário de outras contribuições ou impostos.

No que diz respeito à nulidade do lançamento tributário, a Súmula nº 21 estabelece que é
nula a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a
expediu.

A Súmula nº 17 deixa claro que não cabe a exigência de multa de ofício quando a
exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em razão de concessão de medida liminar
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em mandado de segurança e de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de
ação judicial.

Por fim, a Súmula nº 44 estabelece que “descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na
entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o
sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de
obrigatoriedade de apresentação dessa declaração”.

Outras súmulas

Além das súmulas mencionadas acima, outras foram relacionadas pela Portaria 383/10:

• Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei
Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção
monetária.

• Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre
controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins
Penais.

• Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de
Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se
ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na
qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer
momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.

• Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço
da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do
Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.

Considerações finais

Por fim, é importante ressaltar que o efeito “vinculante” das súmulas descritas acima está
restrito unicamente às autoridades fiscais federais e, portanto, não possuem qualquer efeito
vinculativo com relação ao Poder Judiciário, além de não impedirem que os contribuintes
que se considerarem prejudicados possam questionar as decisões administrativas em juízo.


São Paulo, 19 de julho de 2010.

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