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PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 4ª REGIÃO

ACÓRDÃO
00369-2008-028-04-00-1 RO Fl.1

EMENTA: DIFERENÇAS SALARIAIS. REDUÇÃO DA
REMUNERAÇÃO. Diferenças salariais devidas
porquanto decorrentes de flagrante redução salarial.
Princípio da Inalterabilidade do Contrato de Trabalho
em prejuízo do trabalhador, em conformidade com as
disposições legais do artigo 468 da CLT.

VISTOS e relatados estes autos de RECURSO ORDINÁRIO
interposto de sentença proferida pelo MM. Juiz da 28ª Vara do Trabalho
de Porto Alegre, sendo recorrente FUNDAÇÃO RUBEN BERTA e
recorrido CHRISTIANNE MARIA MARTINS LIMONGI.

Inconformada com a sentença de fls.113/166, que julgou
procedente em parte a ação proposta, recorre ordinariamente a
reclamada. Nas razões das fls. 168/172, pugna pela reforma da decisão e
requer seu reexame no que tange à redução da carga horária, à
penalidade do art. 467 e às verbas rescisórias.
Com contra-razões às fls. 182/187, sobem os autos a este
Tribunal.
É o relatório.

ISTO POSTO:
RECURSO ORDINÁRIO DA RECLAMADA
REDUÇÃO DE CARGA HORÁRIA. REDUÇÃO SALARIAL.
Inconforma-se a reclamada com a decisão do juízo de origem que a
condenou ao pagamento de diferenças a partir de agosto de 2007, no
valor correspondente a 28 horas mensais, com reflexos em aviso-prévio,
gratificações natalinas, férias com adicional de 1/3 e indenização prevista
nas Leis 6708/79 e 7238/84. A juíza considerou a alteração bilateral do
contrato de trabalho prejudicial a autora, pela presunção de que o
consentimento obtido foi viciado, uma vez que a subordinação da relação
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de emprego é capaz de afetar a liberdade de consentir, além da crise
financeira por que passa a reclamada também propicia o interesse na
redução da jornada.
A reclamada alega que o acordo para redução de carga horária, com
proporcional redução salarial, beneficiou ambas as partes, pois a
reclamante passou a trabalhar menos, ganhando com isso mais horas
disponíveis para assuntos particulares e que o acordo foi assistido pelo
sindicato, por isso não houve coação do empregador. Afirma, ainda, que o
prejuízo previsto no art. 468 da CLT, se houvesse, deveria ter sido
comprovado, o que não ocorreu. Requer a reforma da sentença para
validar a alteração contratual e consensual ocorrida.
Examina-se.
A redução é incontroversa, conforme se verifica da documentação
juntada à fl. 45, onde se vê o instrumento particular de alteração parcial
de contrato de trabalho, com redução da jornada de trabalho mensal de
100 (cem) para 72 (setenta e duas) horas, e subtração proporcional do
salário correspondente a 28 (vinte e oito) horas, a partir de 01.08.2007.
Inicialmente, esclareça-se que não é vedada a alteração contratual que
vise modificar a forma de contraprestação do trabalho, sendo, sim,
vedado que tal alteração implique redução salarial, de onde se deflui sua
lesividade e, conseqüente, nulidade.
Diante disso, como bem fundamenta a sentença, quando a alteração
bilateral no curso do contrato de trabalho se revela prejudicial, a
presunção é de que o consentimento obtido foi viciado, visto que há a
subordinação do empregado, frente à relação de emprego, o que é capaz
de afetar a liberdade de consentir. Assim, consoante os termos do art. 468
da CLT, é nula a alteração bilateral do contrato de trabalho que resulte,
direta ou indiretamente, um prejuízo para o empregado, ainda que com
ela tenha concordado.
Ainda, pelo princípio da irredutibilidade salarial (art. 7º, inciso VI da CF),
princípio da inalterabilidade do contrato de trabalho (art. 468 da CLT) e da
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irrenunciabilidade de direitos, não há falar em alteração contratual válida,
como alega a reclamada.
Nega-se, pois, provimento ao recurso.

MULTA DO ARTIGO 467 DA CLT.
A reclamada requer a reforma da sentença no tocante à condenação de
pagamento à autora, do acréscimo de 50% previsto no artigo 467 da CLT,
sobre os créditos descritos no termo de rescisão contratual, sob a
alegação de que a penalidade é aplicável apenas sobre as parcelas
incontroversas e a própria sentença reconhece haver “alguma divergência
quanto aos valores devidos”, mas não considera este aspecto quando da
aplicação da pena e não exclui tais parcelas da pena imposta.
Sem razão a recorrente.
Conforme se depreende do artigo 467 da CLT, in verbis: “Em caso de
rescisão de contrato de trabalho, havendo controvérsia sobre o montante das
verbas rescisórias, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador, à data do
comparecimento à Justiça do Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas,
sob pena de pagá-las acrescidas de cinqüenta por cento"
Analisando-se a rescisão de contrato de fls. 13 ou 52, é possível verificar
que mesmo existindo divergência quanto aos valores devidos, há valores
incontroversos, os quais não foram pagos. Logo, estes são devidos com
acréscimo de 50% previsto no artigo 467 da CLT, conforme defere a
sentença.
Nega-se provimento.

VERBAS RESCISÓRIAS.
Alega a reclamada que as parcelas rescisórias foram pagas mediante a
emissão de notas promissórias, portanto, caberia à reclamante proceder
na execução destas, não sendo possível a condenação, em sentença, ao
pagamento das parcelas já abrangidas em tais títulos de crédito.
Melhor razão não assiste à reclamada neste tópico. Pois, como se
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depreende da manifestação da reclamante nas fls.143/146, as notas
promissórias de fls. 54/63 estão em posse da empresa, logo, não há
como executar tais títulos. Mesmo que tais promissórias estivessem em
poder da reclamante, os valores lá lançados não correspondem aos
valores devidos, pois não consideram, por exemplo, o adicional de
insalubridade como integrante da remuneração, mas como rubrica
separada.
Assim, muito bem decidido em sentença nos seguintes termos: “...É
importante registrar, ainda, que o adicional de insalubridade integra a base de
cálculo das parcelas rescisórias, o que não foi observado pelo réu no
demonstrativo da fl. 52. Verifico que as parcelas rescisórias foram calculadas
apenas sobre o salário base da autora, com o pagamento do adicional de
insalubridade em rubrica separada, procedimento incorreto, porquanto o
adicional integra a remuneração da autora para o cálculo das demais parcelas.
Esclareço, portanto, que a base de cálculo das parcelas rescisórias é o salário-
base da autora (R$2.034,00), com acréscimo do adicional de insalubridade pago
(R$456,00), existindo diferenças em relação aos valores reconhecidos pelo réu
à fl. 52.” (fl. 157)
Por fim, a reclamada não pode pretender pagar parcelas rescisórias, que
são devidas num único momento e em espécie, por meio de notas
promissórias.
Assim, mantém-se a sentença quanto as parcelas lá deferidas, quais
sejam: pagamento de aviso-prévio indenizado de 30 dias; saldo de salário
do mês de março/2008 (13 dias); 4/12 gratificação natalina proporcional,
12/12 férias vencidas com adicional de 1/3 relativas ao período aquisitivo
2006/2007; 10/12 férias proporcionais com adicional de 1/3, relativas ao
período aquisitivo 2007/2007, auxílio-creche, multa do artigo 477 da CLT e
indenização adicional prevista no artigo 9º das Leis nº 6.708/79 e
7238/84, autorizado o abatimento de valores comprovadamente pagos.
Nega-se provimento ao recurso.

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REQUERIMENTOS FEITOS EM CONTRA-RAZÕES
LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ
Em contra-razões a reclamante requer a aplicação de pena por litigância
de má-fé, sob a alegação de que a reclamada pretende “brincar” com o
judiciário, apresentando argumentos jurídicos infundados e maliciosos.
Contudo, não restam caracterizadas, neste caso, quaisquer das hipóteses
que configuram a litigância de má-fé, nos termos dos incisos do artigo 17
do CPC.
Rejeita-se a pretensão.

PREQUESTIONAMENTO.
A reclamante requer manifestação expressa quanto aos dispositivos
legais, ementas jurisprudenciais, enunciados e entendimentos expostos
nas contra-razões.
À luz do decidido, tem-se por analisados os dispositivos legais invocados
pela reclamante, ainda que implicitamente, sendo desnecessária a
manifestação expressa acerca de todos os dispositivos legais e
constitucionais citados no recurso.

Ante o exposto,
ACORDAM os Magistrados integrantes da 6ª Turma
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região: por
unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
ordinário.
Intimem-se.
Porto Alegre, 17 de junho de 2009 (quarta-feira).

DES.ª MARIA CRISTINA SCHAAN FERREIRA
Relatora

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