Paralisia Cerebral

Paralisia cerebral é um comprometimento das funções cerebrais, principalmente motoras, manifestando-se por alterações de movimento e postura. Apresenta-se precocemente, logo nos primeiros anos de vida, e caracteriza-se por ser fixa e não progressiva (não apresenta piora do quadro com o tempo) A doença, apesar de ser um comprometimento principalmente motor, geralmente é acompanhada de alterações sensitivas, comunicacionais, cognitivas, e comportamentais. Na anamnese (consideração dos sintomas, da historia e do grau de comprometimento funcional), exame clínico (avaliação dos reflexos motores e estado geral) e manifestação clínica tanto os comprometimentos motores como os fatores associados indicam o diagnóstico de paralisia cerebral. Podem ser complementados, para efeito de diagnóstico e caracterização, por exames complementares como sorologias, pesquisa de problemas metabólicos, bem como eletroencefalograma e tomografia computadorizada, auxiliando na caracterização da doença, identificação e extensão do local da alteração cerebral (corroborando o quadro clínico). E para cada local de lesão, estão associadas alterações motoras diferentes. Esse, entre outros fatores, gera uma importante diversidade de manifestações da doença e, daí, critérios para classificação: (1) tipo de alteração de movimento e tônus muscular; (2) limitações do paciente e qualidade do movimento; e (3) membros envolvidos. Cada tipo tem sua caracterização de quadro clínico. Pelo primeiro critério, enumeram-se a forma (a) espástica (sendo a mais comum), com presença de estimulação piramidal e espasticidade de alguns grupos musculares; (b) extrapiramidal (ou discinético), associada a distúrbios dos núcleos da base, com manifestações atetoides, coreicas, distonicas; (c) atáxica, relacionadas a alterações do cerebelo e descoordernação dos movimentos; (d) hipotônico e (e) misto. Pelo segundo critério, topografia da lesão, temos: (a) tetraparesia: onde todos os membros tem igual grau de comprometimento; (b) diparesia: MMSS com melhor função que MMII e (c) hemiparesia: lado esquerdo com função diferente do lado direito O terceiro critério é chamado de Sistema de Classificação da Função Motora Grossa e está associado as limitações do paciente e qualidade dos movimentos. Associando-se ao parâmetro "sentar e andar" e necessidades de tecnologia assistiva, geram-se 5 níveis (dentro de cada faixa etária). Pensando nas causas da doença, de início chamaria a atenção a influência dos cuidados perinatais, por ser uma doença de manifestação precoce (onde os fatores relacionados com distúrbios infantis costumam ser fundamentais). No entanto, não se observa uma diferença de incidência significativa entre indivíduos com cuidados perinatais adequados e pacientes com a ausência destes.

trabalho e participação social . Estão associados ao mau prognóstico para deambulação a gravidade do quadro motor. é importante ressaltar que em pacientes com paralisia cerebral de classificação de tetraparesia e epilepsia associada detém importante risco de retardo mental. ortopedistas.Chama a atenção a contribuição do fator "peso ao nascer": o risco de PC em crianças com peso inferior a 1500g é trinta vezes superior ao peso normal Sendo as manifestações e apresentações clínicas muito heterogêneas/individualizadas e com sintomas e prejuízos variados. a abordagem multidisciplinar. a função precária de MMSS e retardo mental grave associado a grave deficiência física. nutricionistas. (3) os distúrbios afetivo-emocionais (autoestima negativa. requerendo promoção do autocuidado e reabilitação para integração no lazer. terapeutas ocupacionais. E uma das perguntas fundamentais é o prognóstico. E é justamente nessa época em que é difícil fazer uma avaliação bem estabelecida. . banho. que considera as possibilidades do comprometimento de deambulação. Nesse sentido. Ainda sobre os prognósticos. a maior cobrança por prognóstico está no paciente na sua idade infantil.nesse sentido o uso de tecnologia assistiva pode contribuir muito favoravelmente. por conta da imaturidade do desenvolvimento cronológico e da impossibilidade de consideração dos impactos futuros. o acompanhamento é a principal recomendação nesse momento. oferece-se a escala Bleck. a aquisição da postura sentada após os 3 anos. relacionada com superproteção dos pais e da aceitação nos grupos sociais. Sendo a manifestação caracterizada por ser precoce. deve estar a reabilitação do paciente e promoção de sua autonomia. pé equino e escolioses) analisando uso de órteses e realização de cirurgias ortopédicas visando preservar a função e alivar a dor). fisioterapeutas. psicopedagogo e fonoaudiólogos Os primeiros sinais percebidos do comprometimento motor e dos demais sintomas associados chamam a atenção dos pais e da equipe de saúde. higiene pessoal. relacionamento sexual) indicam psicoterapia.ex. é fundamental a coordenação de uma equipe multidisciplinar. psicólogo. desenvolvimento cognitivo prejudicado e interação social. As abordagens de tratamento devem considerar (1) as deformidades (p. Procurando uma metrificação mais objetiva. pediatras. Assim. deve contar com fisiatras. mobilidade e transferências. gerando pontuações que geram um score. onde se analisam os reflexos e padrões motores. Entre os focos principais. (2) as crises convulsivas e o possível uso de anticonvulsivantes (como foi feito no seu primeiro ano de vida). neurologistas. vestuário. aconselhamento familiar e procura por escola que ofereça acessibilidade adequada e (4) as dificuldades da vida diária e rotina como alimentação. ao considerar todos esses aspectos.