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INTRODUÇÃO

“A sociologia não se afirma primeiro como explicação científica e, somente depois, como forma cultural de concepção do mundo. Foi o inverso o que se deu na realidade. Ela nasce e se desenvolve como um dos florescimentos intelectuais mais complicados das situações de existência nas modernas sociedades industriais.” Florestan Fernandes

Partindo da afirmação de Florestan Fernandes de que a sociologia nasce e se desenvolve a partir das situações de existência nas modernas sociedades, esse trabalho tem grande importância no estudo da sociologia, já que pretende abordar algumas questões que envolvem a família na sociedade contemporânea. A família é comumente pensada como “ célula mater” da sociedade. Assim, pensar a constituição da sociedade é também pensar a problemática familiar. Ao longo da história é possível observar a família cumprindo papel importante na formação dos indivíduos, mesmo em meio a tantas mudanças que sua concepção sofreu e ainda sofre. Este trabalho abordará a problemática da família na sociedade contemporânea partindo de algumas perspectivas (visões), são elas: visão sociológica, visão cristã, visão jurídica e concluindo com uma visão contemporânea. A visão sociológica, baseada em Engels, abordará uma breve contextualização histórica para o entendimento do processo da formação familiar contemporânea. Segundo o sociólogo alemão, nesta contextualização “encontramo -nos frente a uma série de formas de família que estão em contradição direta com as até agora admitidas como únicas válidas. A concepção tradicional conhece apenas a monogamia [...]” (ENGELS, 2002, p.39). Baseando-se em documentos da Igreja Católica, a visão cristã explanará sobre a influência do catolicismo na concepção familiar e a sua posição acerca desta problemática que diz respeito à família na contemporaneidade. A visão jurídica pretende mostrar como o Direito, ao longo da história, influenciou o tema da problemática familiar. Em especial pretende mostrar como o direito de família disciplina as relações familiares. Tendo em vista o fato de que o Direito tem origem na realidade social, assim sendo, deve nortear as questões sobre a família. Por fim, abordando a família e as novas questões jurídicas, o trabalho dará um enfoque, a partir das mudanças que afetam a sociedade, à família na contemporaneidade.

e vice-versa. remédios etc. é de grande importância uma breve explanação acerca do desenvolvimento histórico a qual passou. as de produção de bens (alimentação. afim de melhor compreender e analisar a realidade da família contemporânea.4 FAMÍLIA: UMA VISÃO SOCIOLÓGICA Quantas vezes já não se ouviu falar em “crise”. por isso. A família não está em desordem. Suas respectivas funções 1 dependem. (ENGELS. antes vistos como exceções tornou-se regra. como comumente se entende. Segundo Danda Prado..) e de consumo destas. 69) A família não é apenas a base fundamental das relações sociais. não se aplicava sequer ao par de cônjuges e aos seus filhos. constata-se que um grande número de comportamentos. 2002. vestuário. é e continuará a ser o núcleo básico. entre os romanos. 51). sociologicamente. p. as revoluções não podem. 35 . da posição em que cada uma ocupa na organização social e na manutenção da cultura ao qual pertence. ninguém pode se sentir feliz se lhe faltar completamente alguma referência familiar. em grande parte. pois. essencial e estruturante dos indivíduos que a compõe. Em suma. a palavra família não significa o ideal – mistura de sentimentalismo e dissensões domésticas – do filisteu de nossa época.. e tem passado a família. 13). Segundo se sabe. ao se observar atentamente as transformações históricas por qual tem passado esta instituição. esta varia no tempo e no espaço. mas também um conjunto de papéis socialmente definidos.36) . ela foi. as de reprodução.” (PRADO. 1985. e ultimamente. por qual estaria passando a família nos dias atuais? No entanto. 1985. mas somente aos escravos. “grandes progressos se verificaram no estudo das formas primitivas da família” (ENGELS. “o termo FAMÍLIA origina-se do latim FAMULUS que significa: conjunto de servos e dependentes de um chefe ou senhor” (PRADO. a família é a primeira instituição na qual o indivíduo é inserido. pp. p. a princípio. brinquedos. Famulus quer dizer escravo doméstico e família é o conjunto dos escravos pertencentes a um mesmo homem. De acordo com o sociólogo alemão Friedrich Engels. 2002. regras rigorosas passaram a ser vistas como exceções. contudo. temos. ao se tratar de família. 1 “Toda e qualquer família exerce sempre inúmeras funções [.] que correspo ndem a uma expectativa social. por exemplo: a função de identificação social dos indivíduos. Em sua origem. De um modo geral. ser evitadas. o interesse pelo estudo da família tem crescido em diversas áreas do conhecimento. os atores sociais podem orientá-las. p.

30) 4 “O traço característico do período da barbárie é a domesticação e criação de animais e o cultivo de plantas. os irmãos carnais e. p. 2002. na qualidade de herdeiros diretos. um dia. No entanto. a família punaluana 7. 49) 8 “O homem tinha uma mulher entre suas numerosas esposas. mais tarde. 1985. do patriarcado. e cujo traço característico essencial era a comunidade recíproca de maridos e mulheres no seio de um determinado círculo familiar. 36) 6 “Exemplo típico de tal família seriam descendentes de um casal. um homem vive com uma mulher.” (ENGELS. as famílias foram estruturadas (e ainda são). nas árvores. p. no princípio.5 Em diferentes culturas e povos. 2002. p. entrarão. p.” (ENGELS. ainda. também os irmãos mais afastados das mulheres. que já não podem ser rompidos por vontade de qualquer das partes. Reiteramos: a família não é um simples fenômeno natural. todavia. da homossexualidade. do matriarcado. e era para ela o esposo principal entre todos os outros [. a família sindiásmica 8 e a família monogâmica 9. nunca permanece estacionária.” (ENGELS. existem ainda outras formas de famílias que são chamadas. Os homens permaneciam. de „originais‟ porque não cabem nos conceitos de família. p. não cabe a este trabalho fazer uma explanação acerca de todas as estruturas familiares. 47) 7 “Este é o tipo clássico de uma formação de família que sofreu. mas passa de uma forma inferior a uma forma superior. conforme a construção histórica. Nesta perspectiva. ocorrendo o mesmo com as irmãs dos maridos. 57) 9 “Baseia-se no predomínio do homem.” (PRADO. em cada uma de cujas gerações sucessivas todos fossem entre si irmãos e irmãs e. 2002. p. de diversos modos: por meio da poligamia. 2002. barbárie4 e civilização5. 1985. pelo menos parcialmente. o desenvolvimento da família realiza-se paralelamente às três principais épocas da história.” (ENGELS. na posse dos bens de seu pai. 39). por isso mesmo. 2002.” (ENGELS. sua finalidade expressa é a de procriar filhos cuja paternidade seja indiscutível. maridos e mulheres uns dos outros. mais tarde. e exige-se essa paternidade indiscutível porque os filhos. p.] Neste estágio. A família monogâmica diferencia-se do matrimônio sindiásmico por uma solidez muito maior dos laços conjugais. mesmo pelos estudiosos. p. (PRADO.” (ENGELS. período da indústria propriamente dita e da arte. embora a poligamia seja raramente observada. p. à medida que a sociedade evolui de um grau mais baixo para outro mais elevado” (ENGELS. 2002. Embora sejam um tanto complexas. 32) 5 “Período em que o homem continua aprendendo a elaborar os produtos naturais. 18) 3 “Infância do gênero humano. uma série de variações. 74) .. conforme o grupo social que esteja sendo observado. a saber: estado selvagem 3.” (ENGELS. vale citar aqui as formas de famílias analisadas por Engels: a família consanguínea 6. Ela é uma instituição social variando através da História e apresentando até formas e finalidades diversas numa mesma época e lugar. entre outras formas 2.. observa-se claramente que a família é um “elemento ativo. mas de maneira tal que a poligamia e a infidelidade ocasional continuam a ser um direito dos homens. 2 “Além das experiências de vida em comunidades. 2002. da monogamia. por causas econômicas. 12) Conforme a compreensão sociológica de Engels. do qual foram excluídos. p. nos bosques tropicais ou subtropicais e viviam. 2002.

78). 64). p. 90). 1985. Pelo contrário. Caso a família monogâmica “tradicional” não mais atenda às exigências da sociedade. como a forma mais elevada de matrimônio. 2002. 2002. Contudo. precisa ter a liberdade de manifestar-se na medida em que a sociedade se modifica. quando nasceu a monogamia: o amor sexual individual” (ENGELS. reforçada em sua anti ga forma patriarcal pelas religiões ocidentais” (PRADO. Nas palavras de Engels.. Se tais mudanças vierem a acontecer.] como uma reconciliação entre o homem e a mulher e. Haja visto que. moral. p. Ainda assim.. 1985. 10 “É inconcebível dissociar família e religião. constata-se que tanto no plano social como no individual. p. com a finalidade de gerarem filhos como descendentes e herdeiros diretos.” (PRADO. Na medida em que se apresenta na realidade histórica. como resultado do sistema social. Por sua vez. 2002. E ponto final” (ENGELS. No entanto. tudo o que se refere à vida familiar conta com o apoio e é encontrada na religião 10. 97). a maior nação católica do mundo. vale analisar mais a fundo a posição e a influência da Igreja acerca desta problemática em que se diz respeito à família na contemporaneidade. tratando-se de Brasil. um elemento que existia em embrião. p. refletirá sempre o estado de cultura desse sistema. como no pensamento cristão ocidental a família é concebida como sendo a união matrimonial de um homem com uma mulher. educacional e profissional. 67) . “a instituição mais „sólida‟ desde os princípios da era cristã. não será possível predizer a natureza da família futura. base religiosa. tais como: estabilidade econômica. p. as gerações futuras “estabelecerão suas próprias normas de conduta e. conforme o capítulo seguinte. a família necessita de liberdade para progredir na medida em que a sociedade progride.6 Foi a partir do desenvolvimento da monogamia que se chegou a algo anteriormente desconhecido pela história: o amor a uma única pessoa. menos ainda. a família oferece funções. ela surge sob a forma de escravidão de um sexo pelo outro” (ENGELS. ao se dedicar a falar em família. a família. ainda que se autodenomine como sendo uma um Estado “laico”. a família monogâmica “não aparece na história [. em consonância com elas. criarão uma opinião pública para julgar a conduta de cada um. trata-se de um “elemento novo.

respectivamente. em ordem cronológica e em importância. Ao longo do tempo a forma dessa influência se modificou. que se transmite ao indivíduo a cultura socializada – valores humanos e éticos. É importante destacar que. inicialmente. transformando-o em membro da sociedade. Considerada uma escola para o ser humano. de modo especial o catolicismo. através da educação. Ao longo da história. no qual a Igreja Católica era a base indispensável do poder político e social. como poder-se-á ver no próximo capítulo. em resposta à práticas cotidianas. mas a religião. ainda tem marcas de um passado. por exemplo. por força das culturas colonizadoras. a religião oficial do país era o catolicismo que teve. a religião e o Estado. adquirem força moral ou legal. pois é nela. No que se diz respeito à família. O papa e beato João Paulo II chamou a família de . desde a antiguidade até hoje na contemporaneidade. apresentavam uma forte dimensão religiosa aplicada à esfera civil. a Igreja tem grande influência e uma posição em relação às mudanças.” Beato João Paulo II Sabe-se que as formas de agir e de comportar-se socialmente são frutos de um processo de uniformização de princípios. os povos mais antigos. Tal influência demonstra que mesmo hoje sendo um país no qual o Estado é laico. Para a Igreja a família é o primeiro caminho. sempre fez parte fundamental da identidade do povo brasileiro.7 FAMÍLIA: UMA VISÃO CRISTÃ “A família permanece uma instituição social que não se pode nem deve deixar de subsistir: é o „Santuário da Vida‟. Os fatores que influenciam a conduta humana em relação à moral e o direito são na maioria das vezes. desde a descoberta do Brasil até o período do Império. em sua época. pois é o espaço onde cada um é reconhecido não por aquilo que tem. a catequese da Companhia de Jesus (jesuítas). percebe-se que o homem produz e reproduz modelos que socialmente aceitos. que tinham como objetivo propagar a fé católica com a catequização dos índios e formar a elite colonizadora. que o ser humano percorre. mas por aquilo que é. na medida em que ambas instituições sociais exercem marcante influência e determinação na sedimentação de padrões de conduta morais e legais através da fixação de princípios éticos. Nesse sentido.

O ato conjugal é concretizado por meio da livre escolha de um homem e de uma mulher e gera uma íntima comunhão de amor. sustentada pelo afeto 11 Carta às Famílias 11. um lugar sagrado. mostra-se que um homem e uma mulher unidos em matrimônio formam com seus filhos uma família. 12 “‟Matrimônio‟ é uma palavra derivada do latim de mater e munium ou múnus. Com isto. até há relativamente poucos anos. CARREIRA. Baseada na bíblia e em suas doutrinas. e nasce “do ato humano. com admirável pureza e integridade. Ela mesma se apóia. numa profunda relação interpessoal entre o esposo e a esposa. 15 Catecismo da Igreja Católica §2201-2203. as fiéis e ativas transmissoras de nobres e insubstituíveis valores humanos. culturais. sem dúvida. 2006. a família implica a diversidade de responsabilidades. O matrimônio apresentado nos seus elementos identificantes. sobretudo. onde se coloca em relevo a função da mãe no nascimento. pelo qual os cônjuges se doam e recebem mutuamente” 13. é definido como consortium totius vitae (comunidade conjugal para toda a vida)” (L. É também connunbium (conúbio). Elas foram também. a Igreja diz que Deus ao criar o homem e a mulher. Papa João Paulo II. 2006. O matrimonio é “a íntima comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com Suas leis próprias”. CHIAPPETTA.22) 14 Cf. 2006. Com a transmissão e preservação da fé cristã e católica entre o povo. Enfim. estruturas eclesiais.8 “Santuário da vida”11. pelo qual os cônjuges “já não são dois. Família. a plenitude do matrimônio é constituir uma família. A família é uma instituição intermediária entre o indivíduo e a sociedade. p. e nada pode substituí-la totalmente. para a procriação e a educação dos filhos. mesmo faltando quase completamente os recursos normais – número de sacerdotes e outros agentes de evangelização. p. isto é. torna-te aquilo que és! São Paulo: Palavra & Prece. Mt 19. Sendo que seus membros são iguais em dignidade. necessita de um ambiente familiar onde possa assimilar a cultura onde está inserido e ser educado. 2006. casamento e a família estão ordenados para o bem dos esposos. é coniugium (com jugo – comunidade de vida entre esposos).24. é nuptiae (núpcias). é cultivada e formada. Joaquim Justino. e para o bem destes e da sociedade. . In. 6. organizações pastorais -. CARREIRA. Ele instituiu a família humana e dotou-a de sua constituição fundamental. O ser humano. 2006. o que acontece lentamente e na esfera protetora da família como um processo natural e gradual. p. é fundado pelo consentimento dos esposos. 22). 13 Gaudium et Spes 48. CARREIRA. é ali que a vida humana surge. A família tem sua origem e fundamento no matrimônio 12 que por sua vez. direitos e deveres15. mas uma só carne” 14. assim. 20). éticos e espirituais. como também se propagava de geração em geração a essas famílias. In. (CARREIRA. diferentemente de outras espécies. In. In. no crescimento e na educação dos filhos. o ofício de mãe. p. CARREIRA. a fé se mantinha não só no interior das famílias.

p.  “a união matrimonial é tida apenas como „contrato provisório‟ entre as partes e que pode ser desfeito a qualquer momento e unilateralmente. p. ou. p. (FC 1)16.. 2006. p. e que fez uma opção pela cultura do prazer” (AQUINO. um fundamento indispensável para a sociedade e um grande tesouro dos esposos durante toda a sua vida.] que incentiva o aborto e a eutanásia e o conseqüente crescimento da deseducação dos filhos e da sociedade em geral” (CARREIRA. João Paulo II. 22). a contracepção e o amor conjugal como possibilidade egocêntrica de conseguir a felicidade pessoal” (CARREIRA. p. p. por fim. p. 2006..30). Outras se tornam incertas e perdidas frente a seus deveres. a Igreja vê a família hoje extremamente ameaçada por algumas transformações culturais e sociais:  “a sexualidade. Vê-se que a partir da segunda metade do século XX. 2002.24. 2007. 22).30). É um bem insubstituível para os filhos. 21). 2006. isto é.9 e compreensão mútua. tanto e talvez mais que outras instituições.. (CELAM. “no contexto da civilização do desfrutamento. duvidosas e quase esquecidas do significado último e da verdade da vida conjugal e familiar. Muitas famílias vivem estas situações na fidelidade àqueles valores que constituem o fundamento do instituto familiar. p. CARREIRA. 2002. p. profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura. 2002. . especialmente sob influência da mídia. enquanto instituição integrante da sociedade.30).30). A família nos tempos de hoje. da doação total e generosa dos pais. ainda mais. desprezando a sua sacralidade” (CARREIRA. o casamento e a família foram relativizados. a mulher torna-se para o homem um objeto” (AQUINO. Tudo isto são “frutos de uma sociedade mergulhada no consumismo e no utilitarismo. “os filhos. Deste modo. que devem ser fruto do amor. 2006. Sendo neste sentido não só uma problemática “religiosa”. Outras. 2006. (. estão impedidas por variadas situações de injustiça de realizarem os seus direitos fundamentais. desejados apenas como possibilidade de satisfação pessoal dos instintos de paternidade e maternidade” (CARREIRA. A sociedade humana evoluiu (e está evoluindo) e nesta evolução surgiram muitas forças e manifestações contrárias ao bem-estar da família. In. mas ta mbém uma 16 Familiaris Consortio. tem sido posta em questão pelas amplas. 5). Todas essas afirmações demonstram de certa forma a situação que a família se encontra na sociedade contemporânea. e muitas vezes os filhos tornam-se “obstáculos para os pais” (AQUINO.   Aprovação da união estável e do casamento entre homossexuais..) A família é um bem necessário para os povos.  “a mentalidade comum do desrespeito à vida [.

2002. e com seus filhos formando uma família monogâmica “tradicional”. determina a valorização da mulher. Santuário da Vida: Vida Conjugal e Educação dos Filhos. Em suma. diminui o autoritarismo e exige maior diálogo na educação dos filhos. pede a adesão de valores religiosos. vai se instalando e consolidando. das anomalias matrimoniais à permissividade total e o laxismo. 1 59). a família é continuamente desafiada pelo contexto social. Felipe. A Igreja tem uma postura firme diante destas mudanças. dentro da vida conjugal e familiar. Família. cada vez de forma mais enraizada.10 problemática “social”. Lorena: Cléofas. 159. buscando manter os valores do matrimônio. a própria sexualidade humana que se torna mais mero objeto banal de consumo. 17 AQUINO. p. chamando a uma mudança de mentalidade. . deve-se fazer uma reflexão atenta e profunda da transformação social e cultural que hoje se vive e que por diversas vias incide no núcleo familiar. com valores descartáveis defendidos e disseminados pela mídia. dessa forma. com graves prejuízos às pessoas e à vida familiar e social 17. p. sempre dando apoio ao que se refere à vida do ser humano e à vida familiar. de valores. institucionais. na qual se manifestam diversas crises pessoais. Tendo como exemplo. A Igreja frente às crises convoca os seres humanos a “renovarem a sua visão quanto ao matrimônio” (AQUINO. desencadeando uma nova realidade. 2002. pois está inserida em uma sociedade complexa. sendo este entre o homem e a mulher. está sempre fundamentada e segura em suas doutrinas e na bíblia. Com a denominação do individualismo. a qual proporciona um maior espaço de liberdade na vida doméstica: exige a repartição das funções e responsabilidades. humaniza o valor da sexualidade. colocando-o em seu justo lugar. uma sociedade hedonista e relativista que favorece.

Sobre a entidade familiar diz o Códi go Civil que: “É reconhecida como entidade familiar a união entre o homem e a mulher. bem como as uniões fora do casamento. Assim. configurada na convivência pública. ter um olhar atento a alguns períodos. a família amparada pelo Estado era aquela da subordinação ao poder do pai. LEMOS FILHO. Existiam também as formações familiares indígenas e de escravos. Para isso existe o direito de família. curatela e ausência” (CORTEZ. . mudaram. e que discriminava a imagem da mulher.11 FAMÍLIA: UMA VISÃO JURÍDICA Pensar a família na sociedade contemporânea é pensá-la em diversas perspectivas de análise. que a perspectiva jurídica é de grande importância. sociedade e direito no Brasil. 287). p. O direito de família disciplina as relações familiares. precisa declarar o que seja família e dizer quais são as relações de família. 723). As mudanças sociais da família e do direito O direito de família A família é a “célula social por excelência”. analisando a evolução normativa. reflexo d a política. e os chamados instituto assistenciais: tutela. assim sendo. 2005. o direito que tem origem na sociedade. as relações entre pessoas ligadas pelos graus de parentesco ou casamento. se faz necessário. O “Brasil Colonial” é marcado pelo modelo tradicional de “família patriarcal”. contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família” (art. sociedade e religião do período. e não há como negar. In. Sendo assim. 1. ao longo da história. que se não se transformavam em estruturas tradicionais. segundo os requisitos da lei. Sendo assim. As relações familiares e a evolução normativa As relações familiares. “Os institutos que compõem o direit o de família são o casamento. a filiação e o pátrio poder. definido no novo Código Civil como poder familiar. a síntese abaixo destaca pontos fundamentais da relação entre família.

LEMOS FILHO. parentesco consangüíneo. a filiação legítima é aquela originada no casamento. Esse é um período marcado pelas relações de dominação existentes. o Código de 1916 previa algumas particularidades. sem dúvidas.12 não eram consideradas estruturas familiares. Ele vigorou até 10 de janeiro de 2003. no que se relaciona ao chamado “mundo jurídico”. se incestuosos ou adulterinos” (CORTEZ. 291). Com relação à filiação e parentesco. de limitação do poder absoluto. Destaca-se como avanço notório a lei n. por meio de princípios orgânicos. segundo os artigos 330 e 331. é inovador e fundamental. 6. 2005. expressa nas medidas relativas à interdição do pródigo e conseqüentemente reconhecimento de sua incapacidade para os atos da vida civil. O Código Civil de 1916 reconhecia que só o casamento cria a família legítima e legitima os filhos. 293). alguns aspectos das relações familiares se mantiveram os mesmos. Destaca-se nele: a preocupação com a preservação do patrimônio da família. A noção de indissolubilidade do vínculo matrimonial também era preservada. 358 dizia: “como o conceito legal de família decorre do casamento. nas restrições quanto ao regime de bens no casamento do homem maior de 60 anos e da mulher com idade superior a 50 anos. In. eram definidas em função da identidade com o ascendente comum.515. que abriu novas possibilidades para regularização de vínculos existentes de fato. período de tentativas. As relações de parentesco. vedado o reconhecimento dos filhos nascidos fora do casamento. impedindo o casamento dos cônjuges desquitados. p. na preferência sucessória aos ascendentes em relação ao cônjuge na falta de descendentes. destaca-se o que o art. 2005. Importante destacar as constituições liberais de 1824 e 1891. fica evidente a exclusão de parte da população. até o sexto grau na linha colateral. na possibilidade de vincular os bens que compõem a herança com cláusulas vitalícias de inalienabilidade. com o poder exclusivo do marido. entre um cônjuge e os parentes do outro cônjuge. impenhorabilidade e incomunicabilidade. LEMOS FILHO. de 26 de dezembro de 1997 – Lei do Divórcio. As uniões fora do casamento não tinham proteção jurídica. p. sem mudanças significativas e necessárias. (CORTEZ. principalmente no que se refere ao modelo familiar assentado no casamento. O código civil de 1916 O código civil de 1916. In. No entanto. e o . Apesar de algumas inovações da constituição de 1891. para o Direito de Família. especialmente no que se refere à família. alteração legislativa significativa. no tratamento detalhado da proteção e administração dos bens dos menores e incapazes. pelo parentesco por afinidade.

como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes” (art. ou comprovada separação de fato por mais de dos anos” (art. à dignidade.“Entende-se. ao lazer. . O pátrio poder (art.13 parentesco civil. Situação que conferia ao marido vários direitos.“Para efeito da proteção do Estado. com a Constituição de 1988. criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações” (art.§ 6ª). decorrente da adoção. discriminação. 226 . ao respeito.§ 5ª). 226 . poderia ser exercido pela mulher. exploração. após prévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei. . não existia vínculo jurídico. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. à cultura. vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas” (art. o direito à vida.§ 3ª). à liberdade e à convivência familiar e comunitária. . 226 . violência. 226 . Para falar das relações entre os cônjuges é importante destacar o que previa o art. é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar. à saúde. competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito. o planejamento familiar é livre decisão do casal. caput). . restando à mulher o papel de auxiliar nos encargos da família.§ 7 ª).§ 4ª). É possível falar em avanços consideráveis com relação ao reconhecimento de modalidades de família. na sua falta ou impedimento. à educação. apresentou grandes mudanças. 226 e 227: .“O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram. Destaca-se o que prescreve o art.“O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. 227. No caso do parentesco consangüíneo. A Constituição Federal de 1988 O direito de família. Esse artigo demonstra a situação familiar que a legislação reconhecia.“É dever da família. . da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. à profissionalização. à alimentação. 233/CC: “O marido é o chefe da sociedade conjugal”.“Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável. com absoluta prioridade. . 226 . crueldade e opressão” (art. também. devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (art.§ 8ª).“Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher” (art. sem o reconhecimento. sendo por ele exercido e. 380) manteve-se vinculado ao poder do marido. . 226 .

com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges” (art.723. 1567. com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges” (art. devido ao longo tempo de tramitação (desde 1975).“Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: havidos por inseminação artificial heteróloga. Abre-se um leque de formas de filiação. companheiros e responsáveis pelos encargos da família” (art. Com relação ao casamento e as outras uniões. Nota-se que.“Os filhos estão sujeitos ao poder familiar. ca put). . contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família” (art. enquanto menores” (art. no que diz respeito à relação entre os cônjuges e o pátrio poder.574. 1. O Código apresentou inovações grandes no direito de família. capu t). . Importante destacar. instituiu o Código Civil em vigência. 1597. e também como reflexo das alterações da Constituição Federal. Isso sem dúvidas mostra uma nova noção de vinculação familiar: a socioafetiva. 1. .581.“É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher. . 1. caput).“Pelo casamento. 1. sempre no interesse do casal e dos filhos” (art. configurada na convivência pública. liberando-se do critério de consangüinidade ou parentesco por adoção.14 O novo Código Civil A lei nº 10. uma inovação importante trazida pelo novo Código: . sendo por ele devidamente homologada a convenção” (art.“A direção da sociedade conjugal será exercida.“O casamento estabelece comunhão plena de vida. caput). no que diz respeito à filiação.565. 1. V). pelo marido e pela mulher. . é importante destacar alguns artigos: .“Dar -se-á a separação judicial por mútuo consentimento dos cônjuges se forem casados por mais de um ano e o manifestarem perante o juiz. 1.“O casamento estabelece comunhão plena de vida. 1. caput). homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes.“O divórcio pode ser concedido sem que haja prévia partilha de bens” (art. caput). . de 10 de janeiro de 2002. . em colaboração. caput).406.511.511. caput). inexiste a referência ao casamento como fonte da família legítima.631. desde que tenha prévia autorização do marido” (a rt. A expressão “pátrio-poder” foi substituída por poder familiar. Destacam-se os artigos: . Importantes também foram as mudanças que trouxe o Código.

. o regime jurídico de união estável.Redução significativa do número médio de pessoas na família nuclear (pais e filhos). passa a valer também para as homoafetivas. implantação de embriões produzidos com material do casal em útero de outra mulher). comandadas por mulheres. a ignorarmos outros problemas.Aumento das famílias monoparentais. não há como negar. e o Direito não pode ignorar esse impacto.Cogitação da possibilidade de clonagem. no entanto.Crescimento do número de divórcios e separações judiciais. queda da taxa de fecundidade.Aumento dos casos de agressão contra mulher e filhos (violência doméstica). assegurando mesmos direitos e deveres a companheiros do mesmo sexo. mas importantes para todas as camadas sociais. talvez secundários para aqueles que lutam para sobreviver com dignidade. previsto no artigo 1.Ampliação do número de uniões sem casamento. As mudanças acima citadas. . . anestesiam e amedrontam as pessoas que se encontram diante desses desafios sociais. sem dúvidas. . Com a decisão.723 do Código Civil como união entre homem e mulher.Adoção de técnicas reprodutivas diversas (sêmen de terceiro. Destaca-se: . Mudanças que afetam as questões jurídicas. No entanto.15 A família e as novas questões jurídicas No Código Civil e na Constituição Federal é possível observar os padrões legais vigentes no que diz respeito à família. outras situações estão sem regulamentação. e outras. . as grandes e importantes mudanças em relação à estrutura familiar. A profunda desigualdade existente na sociedade brasileira induz. Os problemas para se falar em estrutura familiar hoje são inúmeros.Aumento do número de filhos nascidos fora do casamento (muitos que nem sabem quem é o pai biológico). . impondo padrões de . sociológicas.Ampliação da gravidez entre mulheres adolescentes. . causaram e estão causando grande impacto social. São problemas que espantam.Reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da validade da união civil entre pessoas de mesmo sexo. Em parte as mudanças foram incorporadas na Constituição de 1988 e no Código Civil. religiosas. . . facilmente. relativos as novas fontes de poder e sua influência no grupo familiar. Os ministros concordaram em equiparar as relações homoafetivas às uniões estáveis.

In. Não há como negar que os desafios sociais enfraquecem a família. 303). cabe enfatizar que o desafio para o direito de família e para o Judiciário é apresentar opções verdadeiras e efetivas para os novos problemas que atingem as famílias. In. 2005. 2005. nem sempre benéficas à formação do indivíduo. do direito e da família representam a crise dos modelos adotados diante das necessidades atuais. (CORTEZ. mas podem contribuir para a promoção do ser humano e para o aperfeiçoamento da sociedade” (CORTEZ. p. LEMOS FILHO. . enfraquecem a ideia de família. comportamentos. Assim. In.16 consumo. enfraquecidas pelos novos desafios sociais e econômicos. assegurem a interpretação e valoração dos princípios e conceitos fundamentais. LEMOS FILHO. o direito e a proteção da família nunca estiveram ao efetivo alcance da população brasileira” (CORTEZ. 300). 2005. expondo crianças a imagens nocivas à sua formação. As famílias. Esse parece ser um motivo fundamental para a análise das questões jurídicas que envolvem a família na sociedade contemporânea. enfraquecem o modelo de família. ficam. sem qualquer controle público e sem uma política coordenada de uso de educativos dos meios de comunicação. fragilizadas para enfrentar as novas fontes de influência. então. sem excluir parte da população. porque efetivamente a justiça. diante da complexa realidade social. “O direito de família e o Judiciário não oferec erão todas as respostas para as complexas relações familiares. LEMOS FILHO. A grande complexidade das relações de família hoje faz com que os aplicadores da lei. “Os termos crise da justiça. 303). p. p.

moral. na religião. pois. antes de tudo. É a partir desta definição mais antropológica social que se pode entender as mudanças ocorridas nas concepções de família na contemporaneidade. Contudo. esta ainda represente uma forte fonte de consulta e moral vigente. educacional e profissional. de fato. diante das transformações ocorridas na sociedade percebe-se que a emancipação do ser humano deste modelo tradicional tem ocorrido e não pode ser impedida. 2002. nas Américas. A elaboração ou mesmo a tentativa de responder o que representa este vocábulo no século XXI é mais do que uma busca etimológica. por meio de uma revelação divina entende-lo. de adoção ou de aliança socialmente reconhecidos e organizados em núcleos de reprodução social. Sabemos que o modelo até então de família tal como se construiu em toda a história da humanidade. o homem pós moderno. ao pensarmos em nossa realidade enquanto ocidente. Para as ciências sociais defini-se família como: grupo de indivíduos ligados por elos de sangue. do que como até então se tinha.17 FAMÍLIA: UMA VISÃO CONTEMPORÂNEA Um dos maiores desafios para a sociedade nos dias hodiernos é conseguir mediante as transformações ocorridas nos últimos tempos entender e compreender que a história humana não está encerrada. tinha como principais funções a estabilidade econômica. embora. muito mais na antropologia. a influencia de um apelo ao religioso para resolução de determinados problemas ainda se faz presente. mas passa de uma forma inferior a uma forma superior. quando se pensa nas novas questões jurídicas recentemente apresentadas por organismos competentes como o . mais uma vez constatar que Engels em sua concepção não estava errado. p. um templo sagrado. ou seja. a base religiosa. 39). e principalmente. a família é um: “elemento ativo. é mais do que apelar aos mitos ou a religião esperando. nunca permanece estacionária. mas que ela se constrói a partir das mudanças ocorridas em cada um dos seguimentos sociais e porque não naquele que até o presente momento parecia intocável. uma vez que. e na sociologia. Isto significa. nas ciências sociais. é. a família modelo. à medida que a sociedade evolui de um grau mais baixo para outro mais elevado” (ENGELS. Brasil. uma constituição da qual nada se podia falar ou refletir: a família. tem buscado a definição acerca deste termo.

quando duas pessoas de mesmo sexo vivem juntas. com crianças adotivas ou resultantes de uniões anteriores.18 STF (Supremo Tribunal Federal) reconhecendo a união civil entre pessoas do mesmo sexo. O “pátrio poder”. b) a dissociação da reprodução do casamento. c) Outra forma de família seria aquela baseada na “união livre”. É apenas uma das formas para constituir família. Sobre as novas concepções familiares. (PEREIRA. atribuía a guarda dos filhos ao cônjuge que não tivesse provocado a separação ou. O novo texto reconhece ainda a união estável. b) Casamento: O casamento passou a ser a “comunhão plena de vida. No Código de 1916. é um ser em construção que busca em tudo o que tem feito e refletido. que o pai exercia sobre os filhos. que a lei teve que adaptar e assimilar uma série de mudanças: a) Família: Para o novo Código Civil a definição de família abrange a unidade formada por casamento. Pode-se dizer que as mudanças ocorridas em torno da família refletem de modo enfático a mudança de valores pelos quais passa o ser humano. que se sabe. (PRADO. 2003. 19-22). d) Igualdade dos sexos: A palavra “pessoa” substitui “homem”. já apontava quatro formas de famílias cujas principais características já as diferenciavam das formas tradicionais: a) A família criada em torno a um casamento dito “de participação” – trata-se aí de ultrapassar os papéis sexuais tradicionais. com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”. Diante de tais transformações existem duas possibilidades possíveis de posicionamento: reconhecermos que as mudanças sofridas pelo conceito de família nada mais é do que uma resposta as aspirações intrínsecas de hoje. A concepção de sexualidade estava alicerçada a concepção de reprodução. com filhos por inseminação artificial. e) Guarda dos filhos: A lei do divórcio de 1977. Danda Prado. c) a dissociação sexualidade da ideia de matrimonio. à mãe. e não mais apenas pelo homem. por meio da antropologia filosófica. p. pela busca de liberdade. passa a ser “poder familiar” e é atribuído também à mãe. ou. no caso de duas mulheres. c) Filhos: Filhos adotados e concebidos fora do casamento têm direitos idênticos aos dos nascidos dentro do matrimônio. 86). entende-se que os anseios sociais também mudaram e estão mudando. “família legítima” era definida apenas pelo casamento oficial. A família é dirigida pelo casal. marcada. resultando em um modelo conjugal. 1981. p. responder a pergunta fundamental acerca do que ele mesmo é. é concedida a “quem revelar melhores condições para exercê-la”. de casamento. d) A família homossexual. Pode-se citar três transformações que foram fundamentais para a constituição desta nova concepção de família na contemporaneidade: a) separação da sexualidade da ideia de reprodução. b) O casamento dito “experimental” – que consiste na coabitação durante algum tempo. não havendo acordo. monogâmico e indissolúvel. em 1985. Eliminou-se a pejorativa distinção entre “legítimos” e “ilegítimos” para designar os descendentes. só legalizando essa situação após o nascimento do primeiro filho. Hoje. união estável ou comunidade de qualquer genitor e descendente. reconhecimento e satisfação do homem contemporâneo e a partir disto é importante repensar . Estas transformações alteraram de modo significativo e marcaram de tal forma a sociedade brasileira.

nem tampouco resolve. O Homem nasce de uma família. para que este bem fundamental ao ser humano não seja ignorado e se esfacele por falta de adaptação às transformações ocorridas em toda a história da humanidade. medida esta. . marcada pelas obrigações e pela lei. significa lutar. Sendo assim pode-se constatar que a nova família é profundamente marcada pelo afeto. quer uma família. o problema.19 as bases daquilo que se quer para o futuro com maturidade evitando os reducionismos que só impedem a construção de uma sociedade madura e responsável. entende-la e compreende-la em suas mudanças e transformações. diferentemente da anterior. um tanto dogmática e que não ilumina. por isso. ou ignorar tais questões realizando um retrocesso e fechamento ao dialogo com a aparente realidade.

que motivam o estudo sobre a estrutura familiar. . A grande controvérsia contemporânea sobre o ser humano é complexa e se enquadra numa mudança de época. críticas e opiniões diversas. haver mais consenso sobre o fato de que a sociedade passa por um verdadeiro processo de transformação. CELAM Partindo da perspectiva de que a família representa uma experiência única de sociabilidade humana. É exatamente neste contexto que a família passa por questionamentos. da sociologia e de muitas outras disciplinas parece. jurídica e contemporânea). No âmbito da filosofia. revelaram que a problemática da família é atual. pois envolvem questões práticas da vida humana. as visões abordadas neste trabalho (sociológica. a cada dia. Por fim.20 CONSIDERAÇÕES FINAIS A família representa para a vida social e pessoal uma experiência única de sociabilidade humana. não comparável com nenhuma outra forma de vida institucional. o grupo salienta que esse trabalho foi de fundamental importância para a formação acadêmica e humana de cada um. cristã. sem a pretensão de esgotar as questões sobre a família na sociedade contemporânea. Os debates importantes na atualidade revelam um fenômeno bem profundo que vai além da discussão acadêmica.

LEMOS FILHO. Beni dos. Campinas: Alínea. D. F. 2006. torna-te aquilo que és! São Paulo: Palavra & Prece. PRADO. 1985. aborto. SANTOS. São Paulo: Paulus.21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AQUINO. ENGELS. Família. Revista Época (Editora Globo). PEREIRA. 29 dez. da Propriedade Privada e do Estado. São Paulo: Brasiliense. 2002. A NOVA FAMÍLIA. 2007. Rio de Janeiro.EPISCOPADO LATINO-AMERICANO. Paula. A família na América Latina: Desafios e Esperanças. 2005. Santuário da Vida: Vida Conjugal e Educação dos Filhos. 2003. p. 1994. Felipe. Matrimônio e Família: reflexões sobre planejamento familiar. A Origem da Família. n. CELAM . . São Paulo: Centauro Editora. 2002. Sociologia Geral e do Direito. Joaquim Justino. 293. Arnaldo e outros. O que é família. divórcio. São Paulo: Paulus.82-89. Família. RJ (Brasil). Lorena: Cléofas. CARREIRA.