VARIAÇÕES SOBRE O PODER MIGUEL REALE

Segundo a Teoria Tridimensional do Direito, tal como a venho expondo em vários livros, notadamente na 5 edi!"o do #ue tem a#uele t$tulo %Editora Saraiva, &''() a experi*ncia +ur$dica , constitu$da por um processo din-mico e concreto de modelos normativos, os #uais representam a integra!"o de fatos sociais segundo m.ltiplos valores. / ordenamento +ur$dico n"o ,, pois, 0ormado por uma s,rie de normas ideais, em 0un!"o das #uais os 0atos v"o valorativamente se desenvolvendo, mas sim uma realidade concreta de tr*s dimens1es #ue desde o in$cio se correlacionam em unidade plural2 3atos, valores e normas coordenam4se em unidades concretas de a!"o, as #uais se con0undem com a pr5pria experi*ncia +ur$dica2 6ais unidades s"o de nature7a hist5rico4cultural de con0ormidade com uma dialética de complementaridade, caracteri7ada pela oposi!"o e polaridade dos elementos #ue a comp1em2 A essa lu7, os fatos sociais, #ue est"o na 8ase das regras de direito, n"o se explicam uns pelos outros de maneira emp$rica, segundo rela!1es causais de caráter determinista, mas s"o o resultado de valorações da#ueles fatos na 0orma de estruturas normativas, ou, por outras palavras, de modelos jurídicos, cu+o sentido , dado pela integra!"o dial,tica desses tr*s elementos2 /ra, se toda norma +ur$dica representa sempre uma integra!"o de 0atos segundo valores, , o caso de perguntar como , #ue essa integra!"o se reali7a, e #ual , a sua ra7"o determinante2 9 a#ui #ue se p1e a problemática do poder. / poder tem duplo signi0icado2 /ra signi0ica auctoritas, ou se+a, o mero poder ou comando do Estado no exerc$cio de sua so8erania, tanto nas rela!1es internas como nas internacionais: ora se re0ere ; 0or!a #ue, com a anu*ncia da coletividade, preside o surgimento dos modelos +ur$dicos2

no processo nomogen. o valor a8re um le#ue de solu!1es poss$veis. contestei a posi!"o idealista de Max Scheller e Dicolai @artmann #ue consideravam os valores objetos ideais2 Minha tese 0undamental . a de #ue o valor n"o pertence ao Amundo do serB. pois Ao #ue . para #uem a regra +ur$dica p1e4se de per si.B. a op!"o do poder no Estado de =ireito n"o . na cria!"o de um modelo +ur$dico. o8servando #ue #uando um determinado n. etc2) #ue. reali7a8ilidade. sociologicamente tra!ado2 ?or outro lado. mas sim ao do A dever serB. em suma.mero de valores incide so8re o 0ato social. no #ual o poder está imanente. ar8itrária mas ocorre no -m8ito de um processo axiol5gico glo8al2 /s +uristas apegados . dando preemin*ncia ao Estado2 3oi meditando so8re as caracter$sticas do valor %polaridade. no in$cio da d.3a7endo a8stra!"o do poder como so8erania < mat. vale e o #ue vale . compreens"o sociol5gica do =ireito entendem #ue o processo nomogen. a realizabilidade dos valores levou4me a compreender #ue. desenvolvendo4se dialeticamente o processo normativo. há a solu!"o normativista integral de @egel. E primeira vista. devido .tico resulta da evolu!"o social qua talis. historicidade. de acordo com o #ual os o8+etos culturais. haveria a inter0er*ncia de um #uarto 0ator. tornando4se norma co ente.cada de &'5C. uma das #uais . vários pro+etos de lei) uma das #uais se converte em norma legal. dá lugar a várias solu!1es normativas %por exemplo. o poder. A são enquanto devem serB2 ?ois 8em. poder4se4ia entender #ue.tico. mas este n"o . escolhida e positivada pelo poder. ou do =ireito >onstitucional < vou me limitar a apreciar o poder como elemento de conex"o no processo de 0orma!"o do direito. de con0ormidade com a doutrina de um novo culturalismo. em ra7"o do determinismo causal #ue lhes seria inerente e #ue vincularia 0atos e valores contrapostos em uma solu!"o normativa2 6udo estaria. escolha decis5ria do ?oder2 >omo se v*.ria de estudo da 6eoria do Estado.

pr5prio da democracia2 ?or outras palavras. seria esta. apoiado por Go00redo 6elles G. a meu ver.tico torna4se mais transparente #uando colocamos o pro8lema da normatividade em ra7"o das fontes do Direito.nica 0onte do =ireito. recaindo4se no autoritarismo de @o88es. visto como outras surgem como as esta8elecidas por uma senten!a %direito +urisdicional) ou pelos costumes %direito consuetudinário) ou. mostrando #ue assiste ra7"o a Furdeau.nior. consistiu na sua identi0ica!"o inicial entre Estado e =ireito. #uando escreve #ue Ao poder . conce8ido como . na sua vers"o originária. do poder negocial2 / paradoxo da 6eoria ?ura do =ireito Ielseniana. mas na iman*ncia da oposi!"o fato"valor. a decis"o do poder ocorre no -m8ito do processo nomogen. respectivamente.tico. e representa o triun0o de um dos caminhos decorrentes do valor perante os 0atos2 Do Estado de =ireito a escolha n"o resulta de mero ar8$trio.opera Aab e!traB. a . como ocorre em um contrato %direito negocial)2 Desses #uatro processos de institui!"o de regras +ur$dicas há inter0er*ncia. s5 poss$vel numa concep!"o idealista do ordenamento +ur$dico. com seu ar8$trio ou discricionariedade. por acordo de vontades. 0inalmente. a energia da regraB2 =eve4se a @ans Helsen a renova!"o e o alargamento do conceito de normatividade. mostrando #ue a norma le al n"o . mas de um livre cote+o de valora!1es em sintonia com os 0ins visados pela comunidade2 Essa compreens"o do poder como momento do processo nomogen. sendo a norma o resultado dessa integra!"o 0ático4axiol5gica2 Se o poder 0osse conce8ido como simples auctoritas. ainda. de acordo com o #ual a op!"o do legislador por este e n"o por a#uele outro pro+eto de lei constituiria um ato de escolha unilateral e ar8itrário. a senhora a8soluta da nomog*nese +ur$dica. do poder legislativo: do poder +urisdicional: do poder costumeiro e. por mais #ue se+a relevante a 0un!"o do legislador na emana!"o das regras +ur$dicas. como . e n"o uma posi!"o tomada em 0un!"o dos livres contrastes havidos entre 0atos e valores.

pr5prio do Estado de =ireito2 J&KCLKMCC( . sem o #ue n"o haveria legitimidade2 9 no -m8ito dessa compreens"o #ue se demonstra #ue o poder n"o . tanto assim #ue. mas sim como momento da nomo +nese jurídica. &'&&.rica. de nature7a consuetudinária e +urisdicional. #ue ele teve a gentile7a de enviar4 me2 A palavra )taatsrec*sle*ere expressa 8em a identidade Ielseniana do =ireito com o Estado. ou se+a. um 0ator ar8itrário #ue se p1e Aa8 extraB. continuando. reconhecendo #ue o processo nomogen. a #ual pressup1e. #ue . 0ugindo do totalitarismo na7ista. ao mesmo tempo. mas tam8. sendo o8rigado a rever sua posi!"o. sem a8andonar seu normativismo integral2 Helsen aca8a. #ue. hipoteticamente pensada2 Dessa 0ase inicial. a inter0er*ncia do poder. a ver o Estado e o =ireito como con+untos distintos de normas. pu8licou novo livro signi0icativamente denominado Teoria #eral do Direito e do $stado. todavia. >am8ridge. (auptprobleme des )taatsrec*esle*ere %A?ro8lemas 0undamentais da doutrina +ur$dico4estatalB). o seu livro Teoria #eral do $stado era. ele depois alterou. &'(5.uma s. cu+a validade dependeria de uma norma transcendental. se re0ugiou nos Estados Unidos da Am. por. #uando ele. tal como era exposto na primeira vers"o da 6eoria ?ura do =ireito. a meu ver.rie hierár#uica de modelos ideais.m. em suma. 6eoria Geral do =ireito e do Estado2 Mais tarde. exatamente por#ue há o poder #ue decide em 0un!"o dos 0ins #ue presidem o ordenamento +ur$dico.m no da eficácia. meras con0igura!1es normativas. ao optar por um dos valores em +ogo2 / Estado e o =ireito n"o s"o. 6u8inga. como vimos.tico n"o se desenvolve apenas no plano da validade. entrou em contato com o %ommon &a'. em lugar de sua o8ra principal. sendo a decis"o tomada em 0ace e em ra7"o de uma multiplicidade de valores livremente esta8elecidos como .