AVALIAÇÃO DE IMPACTOS DE PEQUENAS CENTRAIS HIDROELÉTRICAS

DR GEORGES KASKANTZIS
MESTRADO PROFISSIONAL EM MEIO AMBIENTE URBANO E INDUSTRIAL

1 2 REVISÃO DA LITERATURA
Neste capítulo se encontram descritos as informações coletadas na pesquisa documental, visando o estabelecimento da base de conhecimentos sobre a geração de energia em pequenas centrais hidroelétricas e impactos ambientais associados.

2.1 ENERGIA E DESENVOLVIMENTO Habitamos na superfície de um planeta que exerce uma força gravitacional sobre todos os objetos, atraindo-os em direção ao seu centro. Então, para mover os objetos para cima, a força gravitacional deve ser superada. Isso pode ser realizado com os nossos músculos, gastando certa quantidade de energia, denominada como “capacidade de realizar trabalho” (GOLDEMBERG, 1998). Os estágios de desenvolvimento do homem desde o homem primitivo (um milhão de anos atrás) até o homem tecnológico estão correlacionados com a energia consumida, podendo ser dividido em cinco estágios: homem primitivo (um milhão de anos atrás; homem caçador (dez mil anos atrás); homem agrícola (1400 d. C.); homem industrial (Inglaterra, 1875); o homem tecnológico (E.U.A, 1970). O consumo de energia de 2.000 kcal/dia que caracteriza o homem primitivo cresceu, em um milhão de anos, para 250.000 kcal/dia. Esse enorme crescimento da energia per capita somente foi possível devido: ao aumento do uso do carvão; ao uso de motores de explosão; ao uso de eletricidade produzida em termoelétricas e

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hidroelétricas. Porém, o acelerado crescimento da energia per capita originou uma série de consequências para o meio ambiente. O meio ambiente no qual vivemos muda continuamente devido a “causas naturais” sobre as quais temos pouco ou nenhum controle. As estações do ano são as mais evidentes, há muitas outras, como: manchas solares, inundações, erupções vulcânicas, terremotos e queimadas em floresta. Até recentemente, as ações da humanidade têm sido de pouca importância na degradação do meio ambiente. Após a revolução industrial no final do século 18, e particularmente no século XX, a agressão antropogênica ao ambiente tornou-se mais importante devido ao aumento populacional acompanhado do consumo. De modo geral, os problemas ambientais têm um grande número de causas tais como: a mudança dos padrões de vida da população, indústria, transporte e até mesmo o turismo. A forma como a energia é produzida e utilizada, contudo, está na raiz de muitas dessas causas. Estes problemas também afetam a biodiversidade. A compreensão das fontes de poluição e das suas emissões é essencial para a formulação de políticas capazes de reduzi-las ou de removê-las da biosfera. As principais fontes são: produção de eletricidade; transporte; indústria; construções; desmatamento. A geração de eletricidade é responsável por aproximadamente um terço do consumo de energia primária mundial e tendências indicam que irá expandir nas próximas décadas; hoje em dia 2 bilhões de pessoas não tem acesso à eletricidade.

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Uma vez disponível, sua utilização é muito conveniente e, desse modo, programas de eletrificação são muito fortes por todo o mundo (MARON, 2009). A partir da análise dos poluentes atmosféricos provenientes da produção de energia, tais como: óxidos de enxofre, nitrogênio e carbono; metano; monóxido de carbono e particulados pode-se constatar que: todos os tipos de emissões (exceto CO) são menores com o gás natural; - o petróleo é melhor que o carvão; - a madeira emite poucos compostos de enxofre, nitrogênio e óxidos, mas muito monóxido de carbono, metano e voláteis; - a energia nuclear é a menor emissora de poluentes. As usinas hidroelétricas de eletricidade não produzem quaisquer poluentes associados com os combustíveis fósseis, mas interferem no meio ambiente pela construção de grandes represas, formação de lagos e interferência sobre os fluxos dos rios. A realocação das populações é um problema social em muitos casos. O impacto do esquema hidroelétrico pode ser usualmente estimado por um indicador, como a potencia produzida pela área do reservatório. Quanto maior for esse número, menores são os possíveis impactos sobre o meio ambiente. Posto acima se pode afirmar que a principal causa dos problemas do uso da energia é o emprego dos combustíveis fósseis seja na produção de eletricidade, no setor de transporte ou setor industrial. A produção de hidroeletricidade e a energia nuclear criam problemas especiais. O uso de lenha nos países em desenvolvimento também é uma fonte importante de poluição. A maneira mais óbvia de resolver o problema é a remoção das causas, o que, evidentemente, é uma tarefa muito difícil, pois os combustíveis fósseis respondem

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por mais de 90% do consumo de energia mundial. Contudo, não é impossível, pois as fontes de energia renováveis existem e poderão, ao longo do tempo, substituir a maioria dos combustíveis fósseis utilizados hoje em dia (GOLDEMBERG, 1998).

2.2 POLÍTICAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL Os problemas ambientais que enfrentamos na atualidade são reconhecidos a nível local, regional e global. As autoridades responsáveis para resolvê-los são diferentes para cada caso. A poluição local tem que ver com o governo local, pois este lida com a qualidade do ar, fornecimento de água doce limpa, a remoção e a disposição do lixo sólido e dos efluentes líquidos, limpeza das ruas, etc. A poluição regional é causada pelos automóveis, produção de energia e pela indústria pesada que são inerentes às sociedades mais prósperas. Algumas vezes, a quantidade de poluição produzida torna-se tão grande, podendo causar problemas regionais e até além das fronteiras, tais como: a chuva ácida e a névoa fotoquímica. A terceira categoria de poluição é a global e suas consequências conhecidas são a destruição da camada de ozônio e o efeito estufa. Esses problemas resultam das mudanças na composição da atmosfera e têm pouco que ver com as fronteiras nacionais. As principais causas dos problemas globais são os gases que se originam de qualquer parte do mundo e seus efeitos são tais que afetam o bem-estar das pessoas que moram na Suíça, na Índia ou no Japão (e vice-versa). A poluição global só pode ser resolvida no nível internacional (RAMOS, 2010).

2.3 CUSTO DA PROTEÇÃO AMBIENTAL

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A existência de soluções técnicas para os problemas da poluição ambienta não significa que elas serão de fato adotadas. Existem vários obstáculos para as mudanças e geralmente é necessária a intervenção governamental para superá-los. A primeira objeção para a adoção de medidas que diminuem a poluição é o seu custo: a instalação de filtros na saída as chaminés das termoelétricas, utilização de catalisadores nos ônibus das frotas urbanas; a remoção e recuperação de lixos e resíduos materiais, etc. Nos EUA, as despesas com a proteção ambiental atingem valores da ordem de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa US$ 100 bilhões por ano, sem incluir os gastos da conservação da vida selvagem e administração de parques etc. Os controles da poluição têm tido efeitos mais pronunciados nas indústrias dos produtos químicos, mineração, veículos motorizados e processamento do petróleo.

2.4 CUSTO REAL DA ENERGIA A energia custa à sociedade bilhões de dólares a mais do que seus usuários pagam diretamente pelo petróleo, carvão, gás e eletricidade. Os custos ocultos da energia incluem subsídios, degradação ambiental, despesas com a saúde e perda de emprego. Alguns dos subsídios podem são fáceis de identificar como, por exemplo, no caso do carvão, os incentivos fiscais e a manutenção de empregos em minas, que representam aproximadamente U$ 50,00 por tonelada de carvão produzido. Apesar dessas estimativas a degradação é considerada inaceitável por uma grande parte da população e, ao longo dos anos, esse sentimento levou à adoção de certas medidas para restringi-la. Essa é a origem das políticas de governo de países da Europa e América do Norte, que iniciaram com a legislação de proteção de área
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intocável, paisagens e ecossistemas, tendo sido estendida para a poluição urbana, a chuva ácida, a poluição marinha, e recentemente a poluição global (HESSEN. 2003). Como a maior parte da poluição tem sua origem na forma com que a energia é produzida e utilizada, os custos de redução da poluição foram comparados com o custo dos combustíveis e de outras fontes de energia. Para estimar os custos dos danos ambientais e os custos para se evitar o problema foram calculados os custos das mudanças climáticas e da mitigação do aquecimento global. Os custos dos danos anuais do aquecimento global resultante da duplicação da concentração do CO2 na atmosfera estão entre 1,0 e 1,3 % do PIB, enquanto o custo para atenuar as mudanças climáticas varia de 1,0 e 0,4 % do PIB.

2.5 ENERGIA E ESTILO DE VIDA A maioria das estratégias utilizadas para induzir os países a se moverem em direção a um futuro energeticamente sustentável se baseiam em soluções técnicas. Uma estratégia ainda pouco estudada pelos governos, principalmente na América do Sul é a mudança dos padrões de consumo e do estilo de vida da população, que hoje em dia predominam nos países industrializados. Por exemplo, na área dos transportes públicos, um gerenciamento para reestruturar os padrões de vida dos trabalhadores pode reduzir as distâncias que são percorridas todos os dias, ou simplesmente desencorajar o uso dos automóveis nas cidades pela taxação, pedágios e zoneamento dos estacionamentos. Para tanto, é necessário substituir os serviços de transporte pelos serviços de comunicação, e utilizar sistemas informatizados para se evitar os congestionamentos.

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Em geral, os termos padrões de consumo e estilo de vida são considerados sinônimos. Porém, o termo estilo de vida, como é utilizado pelos cientistas sociais, refere-se a valores, ou seja, preferencias sociais, e há uma diferença de grau entre eles conforme apontado por NADER (1996). Conforme NADER, a mudança do estilo de vida pode ser comparada com a evolução da própria vida. À medida que as espécies evoluem adaptando-se ao meio ambiente mutável acabam se tornado, ao longo do tempo, diferentes das espécies das quais se originam. Para pesquisar este aspecto BARZANI (In GOLDEMBER, 1998) desenvolveu um estudo no qual identificou cinco tipos de consumidores: os que procuram conforto; os esforçados; os indiferentes; os controladores e os nãos conformistas. Estes tipos de consumidor foram novamente divididos em quatro grupos “nuvens”: esbanjadores (não se economizam energia); médios; os processos ecologicamente (aqueles que lutam por regulamentos) e; os entusiastas tecnológicos (aqueles que são atraídos por qualquer novidade tecnológica). Na visão evolutiva dos padrões de consumo descrita acima, essas “nuvens” devem mudar de forma com o tempo, ou seja, os consumidores iriam se mover de uma nuvem para outra e, desse modo, o consumo de energia no futuro poderia ser previsto, desde que o número de consumidores em cada nuvem e suas trajetórias fossem conhecidas em função do tempo. Foram analisados três tipos abordagem: dos economistas, dos tecnólogos e aquele proposto pelos cientistas sociais. Os economistas empregaram os modelos econométricos; os tecnólogos os determinísticos e os cientistas sociais utilizaram a
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observação comportamental. Embora muitos esforços bem-sucedidos tenham sido feitos para integrar os três enfoques estudados permanecem o fato de que, tão logo se começa a previsão do futuro, as incertezas aumentam à medida que se avança no tempo, confirmando o ditado de que “a única maneira de prever o futuro é construindo-o”.

2.6 PEQUENAS CENTRAIS HIDROELÉTRICAS As Pequenas Centrais Hidroelétricas foram criadas no Brasil pela Resolução ANEEL – AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA No652, de 9 de dezembro de 2003, tendo sido enquadradas como empreendimentos de produção de 1.00030.000kW de energia elétrica de baixo impacto ambiental. A situação crítica da demanda de energia estabelecida em 2001, em virtude da falta de planejamento e investimentos de recursos do governo na produção de energia, foi a principal razão da publicação da citada Resolução da ANEEL. A urgência de aumentar a produção de energia em curto período e criar um atrativo econômico para a iniciativa priva, sem que o governo precisasse investir recursos, fez com que o Governo Federal através da ANEEL estabelecesse critérios para que usinas de pequeno porte pudessem participar do mercado de realocação de energia, possibilitando o compartilhamento dos riscos hidrológicos (ANEEL No 169, de 03 de maio de 2001). No manual do empreendedor disponibilizado no site da ANEEL se encontrar a definição da PCH (DE SOUZA, 2005):
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“Pequenas Centrais Hidroelétricas são os empreendimentos hidroelétricos com potência superior a 1.000 kW e igual ou inferior a 30.000 kW e com área total do reservatório igual ou inferior a 3,0 km2.” A área do reservatório da central é delimitada pela cota d´água associada à vazão de cheia com tempo de recorrência de 100 anos. Além disso, é preciso fazer o inventário hidroelétrico de bacias hidrográficas visando a avaliação do potencial de geração de energia da obra. O conceito que se adota para a produção da energia hidroelétrica é simples, basicamente a água represada em um reservatório segue através de uma tubulação onde a energia potencial da água se transforma em energia cinética, o que resulta um fluxo de água com grande velocidade que atravessa a turbina e produz energia. Na figura 1 apresenta-se o esquema da geração de força das usinas hidroelétricas.

Figura 2-1. Diagrama ilustrativo da produção de energia nas usinas hidroelétricas.

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Apesar do conceito simples da usina de energia hidroelétrica, o processo de implantação de uma PCH é complexo e requer tempo para se realizar os estudos necessários e operar a obra. Em geral, analisam-se diversos os aspectos, como, por exemplo, das bacias hidrográficas; os projetos básicos e detalhados de engenharia; a viabilidade econômica do investimento e, principalmente as questões ambientais. Em seguida, após terem sido verificadas a viabilidade técnica e econômica do projeto faz-se registro na ANEE e o pedido da licença ambiental, visando iniciar do projeto básico. Depois da aprovação do projeto pela ANEE e licenças ambientais a PCH pode iniciar a produção de energia.

2.7 ASPECTOS AMBIENTAIS DA PCHS Os aspectos que deverão ser considerados na análise ambiental de uma PCH são: o diagnóstico ambiental, impactos ambientais negativos e positivos; planos ambientais; os programas ambientais; e a compensação dos danos ambientais. No diagnóstico ambiental os componentes ambientais e os seus estados de conservação são analisados. Em geral, investigam-se os componentes dos meios físico, biológico e antrópico, tais como: solo, água, fauna, flora, serviços ambientais, paisagem, assim como, os aspectos culturais, nível de renda, educação, trabalho, infraestrutura e outros (GRÁCIO, 2009). O Sistema de Gestão Ambiental de uma PCH é uma ferramenta que permite ao gestor ambiental identificar, avaliar, planejar, recuperar, controlar e monitorar os componentes do meio ambiente que, provavelmente poderão ser afetados pelo projeto da PCH, portanto é indispensável devendo ser implantado desde o início da obra e mantido durante a operação da PCH.
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Os impactos ambientais mais frequentes oriundos de uma PCH identificados na literatura (referencia) se encontram descritos na tabela 1. Observa-se que estes impactos não estão relacionados à PCH VERDE 08, devendo ser analisados adiante. Observado os dados da tabela 1, nota-se que os componentes biológicos são os mais afetados pelas PCHS, principalmente aqueles que se encontram associados ao meio aquático. Por outro lado, o desenvolvimento de um projeto dessa natureza melhora as condições da oferta de trabalho local e, aumentando o nível de renda da população da área de influência direta do empreendimento. Tabela 2-1. Principais impactos ambientais das pequenas centrais hidroelétricas. Impactos Ambientais Meio Físico e Biológico Remoção da cobertura vegetal Aumento da caça Geração de resíduos Alteração da ictiofauna Alteração das rotas migratórias Alteração da qualidade da água Proliferação de macrófitas Enchimento do reservatório Aceleração da erosão Elevação no freático Alteração do regime hídrico Simplificação do ambiente aquático Meio Socioeconômico Geração de expectativas Crescimento demográfico Alterações no mercado de trabalho Intensificação do tráfego Aumento da oferta de energia
X X X X X X X X X X X X X X (1)

Fases do Projeto
(2) X X X (3) X X X X X X X X X X (4) X (5)

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Alteração do quadro de saúde

X

X

Legenda: (1) Estudo e projeto da obra; (2) infraestrutura básica; (3) obras principais; (4) – formação do reservatório; (5) operação. Fonte: [GRÁFIO, 2009]

2.8 PROGRAMAS AMBIENTAIS DAS PCHS Os programas ambientais têm por finalidade a compensação e mitigação de impactos ambientais significativos sobre os componentes ambientais, decorrentes da PCH. Além disso, nos programas ambientais são estabelecidas estratégias para a minimização, controle e monitoramento dos impactos continuados. Os programas ambientais usualmente desenvolvidos nos projetos das PCHS são (SILVA, 2009): 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Programa de monitoramento da qualidade da água e limnologia; Programa de monitoramento e controle das macrófitas aquáticas; Programa de monitoramento e controle da ictiofauna; Programa de monitoramento hidrossedimentológico; Programa de limpeza da área do reservatório; Programa de manejo e conservação da flora; Programa de manejo e conservação da fauna; Programa de recuperação das áreas degradadas; Programa de comunicação social e educação ambiental;

10. Programa de supervisão ambiental. Observa-se que a responsabilidade financeira pela execução dos programas ambientais é sempre do empreendedor, no caso de trabalhos técnicos e científicos que não são diretamente relacionados com os objetivos dos programas ambientais, os custos poderão ser de responsabilidade dos interessados.

2.9 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS

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Na valoração monetária dos impactos ambientais, primeiro é preciso avaliar os impactos decorrentes do projeto, para depois realizar a sua valoração. Em geral, para analisar e quantificar os impactos adversos e benéficos do projeto utilizam-se matrizes, como, por exemplo, a matriz de interação, de Leopold, de Pastakia, etc. A partir dos resultados das análises qualitativa e quantitativa dos impactos determinam-se os valores econômicos dos impactos e da compensação ambiental. Os impactos decorrentes de empreendimentos e acidentes ambientais apresentam uma série de características, as quais determinam os efeitos e suas consequências em curto, médio e longo prazo. Com análise sistemática dos impactos podem ser identificados os seguintes aspectos: sinergia, reversibilidade, importância, magnitude, significância. Contudo, a maior dificuldade que se enfrenta na avaliação dos impactos está associada com a heterogeneidade das unidades adotadas para valorar os componentes afetados. Por exemplo, para quantificar a contaminação do solo, em geral, utilizam-se as concentrações dos poluentes ou as dimensões da área afetada, enquanto o dano à fauna é definido a partir do número ou da massa corporal dos animais atingidos, isso significa que as medidas realizadas não podem ser comparadas entre si. Para contornar essa dificuldade, adotam-se os indicadores de impacto como unidade de medida. Para cada um dos diferentes tipos de componentes ambientais as unidades de medida são padronizadas com uma função de transformação, desse modo, obtém-se uma escala singular de avaliação dos impactos que varia de [0;1].

2.9.1 VALORES DE REFERÊNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS

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A valoração econômica dos impactos aos meios: físico, biológico e social do projeto CAMISEA se encontra apresentado nesta seção. Esse projeto foi contratado pela companhia peruana PLUSPETROL, tendo sido adotado com estudo de caso por diversos pesquisadores (ZAMOLOA, 2004). Trata-se de um gasoduto de 1200 km de extensão, que se encontra a região da bacia Camisea na zona de transição da sela alta e baixa da Amazônia Peruana. A licitação pública interacional deste projeto foi efetuada no dia 16 de fevereiro de 2000, tendo o projeto iniciado no ano seguinte. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto foi elaborado pela empresa Environmental Resources Management. Para atender solicitações das autoridades do governo e da promotoria pública a consultoria elaborou a valoração econômica dos impactos do projeto ao ambiente, conforme descrito a seguir.

Incialmente, a equipe da consultoria visitou as comunidades e as zonas de trabalho, tendo sido identificados os aspectos e os impactos ambientais visando a obtenção e avaliação da matriz de impactos e elaboração planos de mitigação e de compensação ambiental. A valoração econômica dos impactos e ações de cada um dos subprojetos foi realizada para cada um dos grupos de fatores ambientais. Os fatores ambientais de valoração econômica se encontram descritos na tabela 2. Tabela 2-2. Valoração econômica dos impactos por grupo de Fatores Ambientais.
Grupo de Fatores Ambientais Geologia e Geomorfologia Solos Atmosfera e Ar Águas Superficiais Sigla VGM VS VAA VRHS Valor do Impacto (US$) 165,93 4,45 4.120,00 34,32 Unidade de Medida (ha/ano) (ha/ano) (ha/ano) (família/ano) 17

Águas Subterrâneas Flora Fauna Paisagem População Fonte: [EIA, RMN, 2001].

VRHB VFLO VFAU VP VPOB

70,00 6.330,00 1.000,00 200,00 126.51

(ha/ano) (ha/ano) (família/ano) * (turista/ano) (família/ano)

Legenda (*) – o número máximo de turistas encontrado nas visitas de campo é 200.

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