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A ESTRANHEZA DOS NOMES Maria Luísa Couto Soares Universidade Nova de Lisboa

E Manué perguntou: “Qual é o teu nome, para que possamos agradecer-te quando as tuas palavras se realizarem?” O anjo de avé retrucou: “!orque queres sa"er o meu nome? Ele é misterioso”# u$zes, %&, %'-%(

“Um fi !sofo di"no deste nome nun#a disse sen$o uma %ni#a #oisa& e ainda' (ro#urou mais di)*+ a do ,ue a disse verdadeiramente) *ernando +il tin,a uma pre-er.ncia especial por esta -rase de /ergson# Ela e0prime uma ideia que, de certo modo, regulou todo o seu tra"al,o -ilos1-ico e serve por isso de -il2o para o "reve itiner3rio que me propon,o seguir ao longo da vida, pensamento e o"ra de *ernando +il# 42o me vou restringir apenas 5 o"ra escrita que nos dei0ou, mas invocarei tam"ém recorda67es que guardei na mem1ria do contacto que tive com *ernando +il ao longo de mais de vinte anos: tive-o como !ro-essor nos 8emin3rios de Mestrado, nos anos (9-(', "ene-iciei da sua orienta62o para as teses de Mestrado e :outoramento, do seu est$mulo constante e da sua inspira62o para o tra"al,o intelectual# ;ive o privilégio de cola"orar com *ernando +il no <onsel,o de =edac62o da revista >n3lise, qe ele -undou e dirigiu

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durante mais de ?@ anos, de participar na organiza62o de alguns <ol1quios, e so"retudo muitas ocasi7es para um di3logo estimulante so"re temas de -iloso-ia, e n2o s1: literatura, arte, mAsica# E so"re coisas da vida# B por isso com gratid2o e saudade que vou tentar recordar a sua pessoa, a sua intelig.ncia -ecunda, aguda, r3pida, o seu modo de pensar, os seus escritos#
4uma entrevista de ?@@@, pu"licada em >centos, 5 pergunta so"re o que -icaria de si, *ernando +il respondeu laconicamente: “>,C, nada#” =esposta sincera, espontDnea, e0press2o de um pro-undo sentido das realidades, sem dAvida# E, no entanto, tanta coisa -icou### Quem ler com aten62o a o"ra de *ernando +il pode encontrar nela um e0emplo da -rase de /ergson citada no in$cio: na diversidade e variedade dos seus escritos ,3 ideias -ortes, matriciais, recorrentes desde as primeiras pu"lica67es ) >pro0ima62o >ntropol1gica, >

E1gica do 4ome ) até ao ;ratado da Evid.ncia, > <onvic62o e os ultimos escritos
dos >centos#

O seu per-il -ilos1-ico mostra-o como o pensador in-atig3vel da evid.ncia, da prova, da -unda62o, dos contornos da racionalidade# >tento n2o s1 aos

processos -ormais do sa"er, mas tam"ém 5 sua conte0tualiza62o, pensou sempre no destinat3rio dos discursos racionais, nos -actores sociais, na pra0is ,umana da compreens2o# Fnteressava-l,e so"retudo o ponto onde a racionalidade a"re para a GirracionalidadeH, os G"uracos negrosH que os positivistas remetem para a poesia e as artes # !or isso, a par da "usca da racionalidade e sua -unda62o, encontramos
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<-r >centos, F4<M, ?@@I, p# 9J#

F4<M. inteligi"ilidade e0pressiva”. e revela-se por. Alio !omar. 8emel.an6a.a em m2os nos Altimos dias intitular-seia E0press2o e O"jecto# Mcada ponto de vista convoca outros e é completado por outrosN 4uma das entrevistas pu"licadas em >centos. no que escreveu so"re pintura e -otogra-ia ) Menez. s1 podem ser ditos pela poesia. ?@@S# 3 4a entrevista a >na Mota =i"eiro. in ># <ardoso Qorg#R. Oarmonia Pniversal”.ar. mas que solicitam um outro modo de ol. <astello Eopes. 83 de Miranda.3 em *ernando +il o . e <am7es em Kiagens do Ol. um outro modo de pensar# :a$ o seu interesse crescente pela ideia de e0press2o ) e entre-e0press2o ) que *ernando +il recol.umano e o seu percurso intelectual -oi marcado pela ideia de e0press2o: esta revela. pela mAsica e pela arte# <onvocam a aten62o pelo seu m30imo de realidade. e no livro de parceria com M3rio Kieira de <arval. so"re mAsica# !ercorreu as diversas e variadas -ormas de revela62o do . *ernando +il con-irma que o seu pensamento se vai 9 ? & 2 “Os tr. *ernando +il con-idencia o que pre-eria como epit3-io: “8e .e de Eei"niz . %JJ(. orge Martins. p# 9J@# 4 <-r “E0press2o e pré-compreens2o” Modos de Evid.s planos da e0press2o: Qualidade.o > 9 M2os. apreciador da poesia.ncias que l. seriam notas de mAsica#” <-r >centos. um e0cesso de ser # Os e0cessos. <entro de *iloso-ia da Pniversidade de Eis"oa. pp# %I' e ss# . mas n2o se dei0am circunscrever nos nossos processos -ormais de compreens2o porque os ultrapassam# 82o pontos de rotura que se mostram se d2o a ver ou a vislum"rar. O envolvimento do in-inito no -inito.ncia.umanista. ao -azer uma retrospectiva do seu percurso -ilos1-ico.ar.e que -oi o tema de uma das Altimas con-er. da mAsica e de todas as artes# Estou a pensar por e0emplo nos "elos te0tos so"re /ernardim =i"eiro. no <ol1quio so"re Lant# E o livro que tin.e ouvi: “Fnteligi"ilidade -inalista.ouvesse alguma coisa que pudesse -azedr um epit3-io meuQ###R n2o seriam palavras.

*ernando +il con-essa-se insatis-eito por n2o ter tratado mel. p# ?J# . seria uma outra -orma de caracterizar o tra"al. por mais mediatizada que esta se reveleN# essa media62o que evidencia e portanto imediatiza o que se pretende provar# > situa62o parado0al da inteligi"ilidade é que ela deve manter-se sempre neste equil$"rio tenso de um imediato mediatizadoU a pr1pria compreens2o da inteligi"ilidade deve manter este estatuto discursivo. -azendo circular qualquer evid.o se concentra na -iloso-ia da e0press2o# “Uma interro"a.ncia primeira# 4uma aprecia62o retrospectiva desta o"ra.or a rela62o da prova com o direito# Mas um dos aspectos S 5 6 !rovas. F4<M. %J(S.ncia da e0plica62o.$o sobre a inte i"ibi idade ”.a Martins em >centosR.4 orientando para uma Minteligi"ilidade e0pressivaN e o seu tra"al. p# %& <-r i"idem. capta62o das -ontes da pr1pria verdade: esta compreens2o implica em si mesma uma certa circularidade : Ma pedra-de-toque da inteligi"ilidade é uma certa transpar.o -ilos1-ico de *ernando +il# E neste livro. Qentrevista com =ui <un. palavras que servem de e0ergo a !rovas. pu"licado em %J(S. a sua inten62o -ilos1-ica mais imediata é evidenciar a variedade T e a racionalidade intr$nsecaTdas -ormas da justi-ica62oN# I O e0ame que *ernando +il apresenta das tradi67es da prova conduz ao cerne da quest2o da inteligi"ilidade como compreens2o.

as duas imagens e0tremas.ecimento cient$-ico# Esta variedade n2o é aleat1ria nem casual: ela vai e0plorando ideias. a natureza e estrutura do con.m j3 das primeiras o"ras de *ernando +il# B curioso notar que em entrevistas dos Altimos anos Qv#>centosR *ernando +il se re-ere em v3rias ocasi7es a um outro livro. na es-era do direito. a singularidade.ncias -undadoras alucinat1rias###” ' Est2o j3 aqui os temas -ortes do seu pensamento: a prova. p#(S# . de evid.ncia. a inteligi"ilidade. intui67es convic67es.o so"re a evid.5 que -igura j3 claramente neste livro. com o -lagrante delito. na teoria do direito. que v. nessa perspectiva. so"retudo no :ireito# *+ re-eri-lo-3 mais tarde. os -actos not1rios constituem. a evid. as duas e0tremidades do arco da prova# >m"os dispensam a prova# O -lagrante delito e a notoriedade s2o talvez o ideal regulador de toda a espécie de prova# . é precisamente o valor da ostens2o. e que antecipa muito do seu posterior tra"al. na entrevista citada: “O3 um jogo e0tremamente interesante.ncia.ncia e prova# E é "em certo que. anterior a !rovas: Ea Eogique du nom# E re-ere-se para notar que muitas das suas MtesesN estavam j3 em gérmen nesta o"ra que -oi a sua tese de doutoramento na 8or"onne. pu"licada em *ran6a no princ$pio dos anos '@# 7 >centos. entre evid.em aqui uma ilustra62o.

tese t2o cara a *ernando +il e central no .6 >o reler. que em certa medida nos leva tam"ém para a ideia de alucina62o# >ssim.ratado da Evid. depois destas o"ras. a alucina62o ligada 5 e0ist.ncia e > <onvic62o ) a pressuposi62o da re-er. ao v. nomeadamente o . e0pectativa e preenc.ncia que se prende ineludivelmente com o individual# > e0pectativa a"erta por esta .ncia -az pensar na alucina62o como operador da evid.ncia: nomeadamente. re-erindo-se a Ea Eogique du 4om.a de leitura -oi inteiramente preenc. as teses centrais do livro remetem-nos para um conjunto de no67es e0ploradas e de-endidas em algumas das o"ras mais tardias de *ernando +il.ncia individual n2o pode dei0ar de ser MalucinadaN pelo discurso Qé o que porventura constitui .ncia individual.ncia.ncia.-la con-irmada pelo autor: em >centos. *ernando +il a-irma que j3 nessa altura andava 5 procura das suas .ratadoU e a teoria da re-er. e0ist.ida Qpara usar ainda um par de no67es caras a *ernando +il.imentoR. reler a E1gica do 4ome. pode ser um e0erc$cio de reconstru62o ou de retrospectiva que mostra a genealogia das teses principais so"re a evid.ncia dos nomes pr1prios que *ernando +il de-ende neste livro -az pensar na doutrina do designador r$gido de LripVe.ip1teses posteriores: “O nome denota a e0ist. Ea Eogique du 4om.ip1tese de grel. o sistema percep62o-linguagem como -undamento ou ponto de partida para a dedu62o da evid. passados anos.ncia. e a e0ist. os seus operadores.

denotado pelo nome.ncia.ncia# Esta pressuposi62o da re-er. parece ser claro que alguns dos seus pro"lemas est2o j3 pressentidos neste livro# Em Modos da Evid.o so"e a evid.ncia passagem ao in-inito est3 "em 8 9 J <-r >centos. a proto-cren6a de Ousserl. positividade origin3ria de sentido neste Macréscimo de serN que vai para além da mera signi-ica62o e que é pre suposto e n2o posto no acto de nomear # > rela62o $ntima entre unidade e e0ist.ncia pressente-se j3 neste livro: pressuposi62o da re-er. que remonta 5 E1gica do nome e a ideia central de *rege de que o nome pr1prio pressup7e a re-er. entre evid.ncia.ncia do nome pr1prio. o e0istente individual.ncia# >pesar da auto-avalia62o que *ernando +il -ez da sua E1gica do 4ome ) “uma utopia cr$tica” -.nciaN era a min. considera *ernando +il. ou 5 Montologiza62oN dos correlatos e0tra-lingu$sticos re-or6a a autonomia do discurso como "ase da presen6a compulsiva que mani-esta a evid.usserliana# O interesse pela Prglau"e do tra"al. tem muito a ver com a proto-cren6a . *ernando +il re-ere o seu interesse antigo pela Mproto-posi62o da positividadeN. p# SS# >centos. respondendo a quest7es postas por !atrice Eorau0.ncia.a doutrina da designa62o r$gida de LripVeR: Mpressuposi62o da re-er. mas j3 mostra e antecipa: a cr$tica 5 MideologiaN de *ernando +il.7 tam"ém o nAcleo da estran.aN ideia de LripVe n2o parece estar longe do que > E1gica do 4ome ainda n2o diz ou n2o pensa.a maneira de o e0primir###” # ( Ora. esta Mestran. pp# &IJ-&S@# .

sem nunca o esgotar totalmente.ncia: os poss$veis nomes ou modos de designar o mesmo indiv$duo s2o in-initos.ncia individual como concre62o do in-inito e locus e0emplar da Mpassagem ao limiteN que é a rendi62o do pensamento ao e0istente irrecus3velU ?R a alucina62o como operador da evid.ncia dos nomes pr1prios e0ercita originariamente o operador da evid. so"re a ar"itrariedade dos signos e sua independ. mas cada nome tem. ser um livro contra a corrente -ilos1-ica anal$tica da época: contrariamente 5s correntes de moda nos anos '@.ip1teses de . 5 luz das min.ncia individual”# O3 uma n$tida e estreita cone02o entre as ideias principais deste livro e duas das teses -undamentais do seu tra"al. no entanto.oje.ncia em rela62o ao signi-icado.a escala ) diz *ernando +il -. de que andava j3 5 procura delas nesse livro com vida recatada” Q>centos. com a no62o de . a -or6a para designar a unidade individual# > re-er.o so"re a evid. penso que é algo que acontece comigo# ulgo dar-me conta.ncia que.as .8 clara na rela62o semDntica da re-er.ncia incoativamente pensada na no62o da pressuposi62o da re-er. na e0press2o de *ernando +il. p# SSR# O recato deveu-se ao -acto de.ncia: %R a e0ist. *# +il de-ende uma rela62o semanticamente -orte entre nome e indiv$uo designado.ncia# <on-irma-se assim a a-inidade com /ergson: um -il1so-o que se preza deve pensar uma s1 coisa toda a sua vida# “W min. “consiste talvez numa localiza62o do in-inito na e0ist.

Fnvestiga67es *ilos1-icas. est3 envolvida numa ne"lina que torna quase irreal essa rela62o entre o nome e o que ele re-ere# “Os nomes designam apenas aquilo que é elemento da realidade# >quilo que n2o pode ser destru$doU o que permanece imut3vel”# %% Mas esses elementos n2o nos s2o revelados na e0peri.ncia# “Essa pressuposi62o é. eles revelam o car3cter Malucinat1rioN da re-er. *unda62o <# +ul"enVian.tR n2o é -alar da nossa representa62o da Eua.9 pressuposi62o de re-er. p# S' Xittgenstein. *rege encara a o"jec62o céptica e idealista so"re como sa"er se o nome MEuaN possui uma re-er. eles s2o uma e0ig.ncia a priori.ncia#” B nesta passagem que *rege alude 5 10 11 >centos. YIJ# . %J(I.ncia# Em Xittgesntein.ncia porque a e0ist. segundo uma circularidade constringente e n2o pecaminosa: est3-se aqui no fundo dos fundos do di)er/” %@ > semDntica do nome é misteriosa.ncia# # Em 8inn und /edeutung.ncia? “=espondo ) escreve *rege ) que a nossa inten62o Q>"sic. e t2o-pouco nos satis-azemos com o seu sentidoU mas pressupomos a re-er. transcendental da pr1pria concep62o da an3lise# 4o conte0to da o"ra de *ernando +il. um e-eito induido do re-erente individual do nome pr1prio so"re este pr1prio nome que o designa Q###R O nome pr1prio pressup7e a e0ist. por assim dizer.ncia individual n2o pode dei0ar de ser MpressupostaN.

ncia. actuais que l. n2o representativa.ncia# %9 %& > evid. n2o e0iste s1zin. ?&&. %JJS.ratado da Evid.ncia. por outro# “B um erro distinguir entre o signo ou imagem realmente presente na consci. as coisas elas pr1priasN . por e0emplo# Q###R 4a apresenta62o. ?%(.ncia é a autodoa62o ) em que s2o dadas MGelas pr1priasH.a. para de novo evocarmos a distin62o de Ousserl” # > distin62o em Ousserl entre a mostra62o apresentativa e representativa é recorrente no .es podem corresponder. e na ocasi2o é o seu pr1prio o"jecto e0ternoU é a"surdo distinguir os dois# 8e se d3 o o"jecto intencional a inten62o. p# IJI#R <-r . %9?. ou su"stituir pelo “o"jecto imanente” algum outro dado real da consci. de *ernando +il.e o ju$zo evidente é a passagem ao acto e 5 12 13 14 Ousserl.ncia# > opera62o->.ratado da Evid.ncia e a coisa que a imagem representa. a re-er. F4<M.e mais importDncia# Mas a alus2o é importante# Ela est3 em consonDncia com a recorrente cr$tica de Ousserl 5 distin62o real entre o"jectos “meramente imanentes” ou “intencionais” por um lado. e o"jectos “transcendentes”.ncia.ncia constitui-se so"re a monstra62o ) “apresentativa. ?&'# .p# ?&'# <-r i"idem pp# %@'-%@(. sem dar-l. Fnvestiga67es E1gicas K. o o"jecto intencional é o pr1prio o"jecto real.nia. Qtrad# ingl # 4# *indlaZ. um conteAdo. a coisa re-erida e0iste tam"ém#” %? B aqui que a semDntica se traduz como monstra62o e se encontra com a opera62o da evid. %&J.10 pressuposi62o da re-er. conduz 5 apresenta62o do intelig$vel e o corpus da evid.

ncia# > pressuposi62o da re-er. apenas registamos um Prp. *ernando +il -ala da Mintima62o da regraN que é a voz de um mestre.ncia”. um Prglau"e# 82o as certezas gramaticais de Xittgenstein ) “re-er. %JJ@. con-iar# > ressonDncia depende da -aculdade. a posi62o da e0ist. n2o pressup7e portanto nen.ncia# > -é primordial consiste na “posi62o pré-re-le0iva do mundo”. que su"jaz ao ju$zo de e0peri. da convic62o#” %( O car3cter de actividade é aqui -undamental para compreender a pressuposi62o da re-er. <ampo das Eetras. tal como “a actividade cognitiva se apropria dos o"jectos intuicionando as suas pr1prias constru67es”# 81 compreendemos. tanto passivo como activo.ncia: com ela.um ju$zo de e0ist.ncia. SI9# > <onvic62o. s1 estamos certos daquilo que n1s pr1prios -azemos. uma cren6a origin3ria.ratado da Evid. p# %J# :a <erteza. p# ?%%# . sen2o mesmo da tend. J9# <-r Fnvestiga67es *ilos1-icas. como se disse.ecimento s2o palavras-c. “o su"strato de tudo o que eu procuro e a-irmo” Q%S?R# 42o s2o o"jecto de uma e0plica62o.ncia..ncia Altima de toda a distin62o entre verdadeiro e -also”.ncia para dar o seu acordo# Ela participa do -undo energético. proton.ave para > <onvic62o: a constru62o est3 no centro da no62o de 15 16 17 18 .ncia n2o é. anterior 5 voz interior da raz2o: “> sua -or6a pro"at1ria ressoa na pedisposi62o do esp$rito a admitir. ?@@&. ou seja a p\r algo como verdadeiro.[nomenon# 4H> %' %S %I <onvic62o. a actividade e a actualidade do con. no cap$tulo dedicado a Xittgenstein.11 e0ist. a signi-ica62o apropria-se dos o"jectos re-eridos.ncia# Mas o seu solo é a “-é primordial na e0ist. Edi67es '@.

ncia onde se possui Gele pr1prio aquilo que é presumido ) o que constitui ent2o o o"jectivo -inal#” %J > evid. até 5 evid. Fnvestiga67es E1gicas.ratado da Evid.ncia dada Q a parte da su"miss2o. FF.ncia é a da vis2o.ratado da Evid. que é igualmente um construir”# > energética do con. Y %@# <-r . p# %@J# <-r . o o"jecto visado se d3 em pessoa n2o se Md3N simplesmente.eia s2o 19 20 21 22 *ormale und .ecimento visa reconquistar no -im esta evid. no . tal como as coisas representadas s2o dadas na represent62o#” ?? > met3-ora da evid. n2o a do simples contacto# Pm nome toca no o"jecto. até essa outra clareza. p# ?9(# .ncia natural e origin3ria induzida tam"ém pela pressuposi62o do o"jecto de re-er.ratado da Evid.ncia.ranscendentale E1giV.12 inteligi"ilidade.ncia -inal. nas n2o o d3 a ver# B o que acontece com os elementos origin3rios e Altimos de !lat2o. porque “o sujeito desco"re a verdade no seu agir.ncia.ncia um Mvivido da concordDnciaN da inten62o com o Mo"jecto presente ele pr1prio que ela visaN# ?% ?@ “!or isso.ncia.ncia signi-ica a per-eita compreens2o do o"jecto na sua totalidade # Ela é por consequ. -ruto da constru62o e da ac62o do sujeito# 8ta ideia est3 "em presente em Ousserl: “##o es-or6o de con.ncia# :e modo que todo o processo parte de uma evid.ecimento Q###R vai mais longe. da passividadeR para uma outra evid. Y%S "R cit# .eeteto# Os stoic. p# ?9(# <-r Ousserl.

p# ?9?# .ncia.ractatus &#%99# <-r . os nomes s2o como Mpontos geométricos ideaisN. p# %9@# <-r Fnvestiga67es *ilos1-ica Y9J# <-r . re-eri-los.ncia da intui62o. n2o damos ainda nen. o surgir de um novo ponto luminoso no campo de vis2o# >$ reside esse car3cter Malucinat1rioN que re-eri atr3s. n2o con-iguram o seu signi-icado. mas a partir destes nomes nada se pode construir pois.ratado da Evid. reportando-me ao conte0to e 5s palavras do pr1prio *ernando +il# 4ote-se. no simples acto de nomear. como re-ere *ernando +il. pela qual tomo consci.ama.ncia de um conteAdo ) esta manc.ocam-se sem ver. qualquer estrutura. outra coisa é con.ar a uma espécie de intui62o# 8c. ?I -ora ou aquém de qualquer conte0to espacial ou rela62o estrutural# O nome dito com a inten62o realizada de re-erir é como o acender de uma c.ncia intuitiva. é um tocar mudo# ?& . directa e imediata. porém que n2o est3 aqui nada que se possa assemel. contra /ergson e Ousserl : uma coisa é a e0peri. este emerge no todo do signo# 42o . isto é. sendo imprescind$veis para a constru62o da palavra.a de cor -. como se os toc3ssemos com o dedo.um lance no jogo da linguagem# ?9 :os elementos apenas se pode dar o nome. numa incida62o ostensiva# Mas. irracionais e incognosc$veis em si mesmos# :eles apenas podemos dar o nome ) design3-los. sa"er o que é a ess.ecer. sem l.3 qualquer articula62o.es captar o sentido# !or isso Xittgenstein a-irma que com um nome.ncia da cor# 4a intui62o. o"serva 23 24 25 26 ?S <-r i"idem.licV -ormula a mais severa cr$tica 5 evid.13 alogoi .

e isso é que signi-ica sa"er#” > representa62o intuitiva re-igura. retrata as coisas na consci.14 8c. pelo contr3rio d3-nos o car3cter Anico e a singularidade do o"jecto designado. altera-asU o con.licV.. n2o "asta MtocarN as coisas para as con.licV. n2o compreendido# B mera e0peri. por isso. .rad# ># E# /lum"erg.ncia tal como ele é. mas esta apreens2o directa n2o envolve ainda con. comparar. tal como o signo que designa o o"jecto dei0ando-o tal como é# Em contraste com Ousserl. %J(I. consiste num acto ) o de designar ) que.ecimento QErVennenR. ordenar# “> ci. de -acto.licV. a a"arcar tudo o que j3 con.ecemos.e é requerido. Ea 8alle Fllinois. posi62o e segundo o pr1prio agenteU a designa62o.Lno]ledge.ncia. o que é designado é apenas a pr1pria coisa tal como é# <on. relacionar. para 8c. porque este é dado so" uma certa perspectiva.ecimento. mas ao -az. sem o trans-ormar ou condicionar pelo nosso ponto de vista# <-r 8c. contacto com o o"jecto dado. pelo contr3rio. pelo contr3rio dei0a as coisas intoc3veis e inalter3veis.ecimento ) Lennen e ErVennen ) que est3 na ra$z de toda a -iloso-ia da intui62o# O con.ecer. +eneral .licV ) n2o nos Mp7e em contactoN com os o"jectosU ensina-nos a compreender.ecer. a intui62o n2o realiza nunca o seu desideratum ) dar-nos as coisas e0actamente como s2o em si mesmas# O acto de designar. é necess3rio pensar.licV quer dizer com a distin62o entre imagem.eorZ o. intui62o e signo: uma imagem n2o apresenta o o"jecto 5 consci. p# (J# Entenda-se "em o que 8c. -en1meno ou coisa em si. a unicidade da coordena62o# . o o"jecto é simplesmente dado. dei0a as coisas inalteradas e intocadas# O signo d3-nos tudo o que l.ecimento nem compreens2o# B a con-us2o entre duas no67es de con. Open ?' 27 <ourt.ncia. dei0a cada o"jecto tal como é# 8eja qual -or o re-erente.ncia ) escreve 8c.ecimento propriamente dito implica recon.-lo.

e a e0ist.a maneira de o e0primir###” ?( B con. é o -acto de o nome pr1prio re-erir um mesmo o"jecto# Esta possi"ilidade n2o se deriva de um processo de identi-ica62o do indiv$duo designado através dos mundos: 4i0on -oi o !residente dos P8> nos anos '@. p#SS# .amar M4i0onNU o que n2o é convencional nem contingente. utilizando o e0emplo de LripVe.reZ nas elei67es. -oi o indigitado no caso Xatergate.15 “O nome denota a e0ist.ncia individual.ncia individual Q###R n2o pode dei0ar de ser MalucinadaN pelo discurso Qé o que porventura constitui tam"ém o nAcleo da estran. mas o nome esta"elece uma rela62o re-erencial r$gida com o mesmo o"jecto em todos os mundos poss$veis nos quais ele e0ista# 42o se trata de uma mera quest2o semDntica: o nome tem certamente um car3cter convencional. porque designam o mesmo o"jecto em qualquer mundo poss$vel# 42o e0igem que o o"jecto designado e0ista em todos os mundos poss$veis ) tratar-se-ia ent2o do ser necess3rio -.a doutrina da designa62o r$gida de LripVeR: Mpressuposi62o da re-er. 4i0on poderia n2o se c. etc### B o mesmo 4i0on# Mas M4i0onN n2o é uma a"reviatura ou resumo de todas as poss$veis descri67es de 4i0onU o nome tem a -or6a de re-erir rigidamente o mesmo indiv$duo ) que poderia n2o ter sido 28 <-r >centos.ecida a céle"re tese de LripVe: os nomes s2o designadores r$gidos.nciaN era a min. -oi o que venceu Oump.

e se o nome signi-ica o mesmo que essas descri67es.omem que estudou com !lat2o”. pois outros o"jectos poderiam possuir essas mesmas propriedades noutros mundos poss$veis# 8e “>rist1teles” signi-ica “o maior .omem ser3 o re-erente de M>rist1telesN em todos os mundos poss$veis# O uso da 29 <-r 4aming and 4ecessitZ. na medida em que est3 para além de toda a percep62o ou not$cia que dele possamos rece"er# B particularmente relevante a distin62o de LripVe entre Mdar o sentidoN e M-i0ar o re-erenteN : se o re-erente de um nome -or dado por uma descri62o ou conjunto de descri67es. n2o pela via de algum dos mAltiplos aspectos pelo qual esse indiv$duo se apresente. %JJ(. ele pr1prio. nem ter vencido as elei67es.omem poderia n2o ter estudado com !lat2o e outro seria >rist1teles# Mas se usarmos a descri62o para -i0ar o re-erente. n2o tangencialmente através de alguma das circunstDncias particulares pelas quais possa ter passado# =igidamente apro0ima-se aqui da pressuposi62o do re-erente. é evidente que num outro mundo poss$vel esse .ncia é a rela62o em directo com o indiv$duo ele mesmo. <am"ridge Mass# Oarvard PniversitZ !ress. de um e0istente individual que os nomes MalucinamN. o que n2o pode é dei0ar de ser 4i0on# O que é induzido -ortemente pela re-er. nem ter sido sujeito ao caso Xatergate# Mas se e0iste ) em todos os mundos em que e0iste. p# I' . n2o é um designador r$gido# 42o designa ?J necessariamente o mesmo o"jecto em todos os mundos poss$veis. ent2o esse .16 !residente.

oug. e por isso n2o pode -al. pp# '-%& . %JJ'. porque o que muda de um mundo para o outro.omem que queremos re-erir# B “estran. esta é MestipulativaN. n2o MqualitativaN# > re-erencialidade ) tanto dos nomes como de algumas descri67es de-inidas ) implica rigidez: um termo re-erencial é r$gio de jure. segundo LripVe é a de re-erir &@ > -un62o dos um o"jecto independentemente das propriedades que ele possa ter de modo que torna poss$vel designar esse o"jecto mesmo em rela62o aos mundos poss$veis nos quais o o"jecto n2o ten. “est3 ligado ao pr1prio o"jecto”.ncia. n2o o pr1prio o"jecto e a sua 30 8o"re as teses de LripVe. s2o as suas propriedades contingente. independentemente das suas proriedades. e n2o do o"jecto designado para o emprego do signo# 42o é pela via de um sentido.t . /lacV]ell.. *# :irect =e-erence# *rom Eanguage to .ncia dos nomes# Mas n2o estar2o am"as as teses em consonDncia? Que poder estran.17 descri62o ter3 sido para “apan. de um poss$vel aspecto ou modo de dar-se do o"jecto que se e-ectua a re-er. c-r =ecanati.o o -asc$nio alucinante da re-er.ar” Q picV outR aquele mesmo .ar a denota62o do mesmo o"jecto em todos os mundos poss$veis.a” a tese de LripVe? !ossivelmente# <omo é estran.a essas propriedades# Fsto signi-ica que a rela62o re-erencial se esta"elece a partir do pr1prio signo para o seu re-erente.o tem o discurso de M-i0ar o re-erenteN? Kejamos o conceito de MrigidezN e de re-erencialidade# nomes pr1prios. segundo as palavras de Mill.

mesmo que n2o esteja l3. quer e0ista quer n2oC 8e eu disser “sup7e que /us. s1 é r$gida de -acto: como qualquer descri62o.eza# O de jure indica aqui um direito pr1prio do nome para se apoderar do seu re-erente e mesmo. para MalucinarN o o"jecto designado: memo que n2o e0ista. neste caso “/us. mas j3 mostra e antecipa: a 31 !ense-se por e0emplo na descri62o “ a ra$z cA"ica de ?'”: ela denota o o"jecto que tem & a propriedade quea descri62o conota.” re-ere aqui.18 identidade# Pma descri62o matem3tica. denota o o"jecto que cai so" um determinado conceitoU s1 que neste caso. isto é os nomes designam rigidamente o seu re-erente mesmo nos casos em que -alamos de situa67es contra-actuais nas quais o re-erente poderia n2o e0istir# > rigidez do nome n2o implica que o o"jecto designado e0iste em todos os mundos poss$veisU o que implica. esta Mestran. pelo contr3rio. nunca nasceu”. isso sim. apesar de a descri62o n2o ser re-erencial. a de ser um nAmero tal que 0 ^?'# > rela62o entre a descri62o e a sua re-er.ncia é tipicamente “qualitativa”.aN ideia de LripVe n2o parece estar longe do que > &% E1gica do 4ome ainda n2o diz ou n2o pensa. depende do atri"uto do o"jecto# E no entanto. é r$gida# > re-erencialidade implica rigidez mas o inverso n2o é verdade# . ainda rigidamente alguma coisa que n2o ter3 e0istido na situa62o contra-actual que estamos a escrever# B este aspecto da teoria de LripVe que causa mais estran. é que o nome re-ere rigidamente esse o"jecto. acontece que o conceito aplica-se ao mesmo o"jecto em todos os mundos poss$veis # O aspecto que nos interessa salientar aqui na tese de LripVe é o seguinte:os nomes s2o designadores r$gidos de jure. podemos dizer. o nome re-ere isso mesmo# Ora.

nciaN Q>centos.ecimento# Eid. ou é so"retudo isso que interessa a *+: “o ponto onde a racionalidade a"re para a MirracionalidadeN.ncia signi-ica agora presenti-ica62o do sentido e da verdade como auto-su-icientes e autoposicionando-se. na medida em que se v. na evid. ou 5 Montologiza62oN dos correlatos e0tra-lingu$sticos re-or6a a autonomia do discurso como "ase da presen6a compulsiva que mani-esta a evid.ncia da percep62o e da linguagem trans-orma-se. entendendo-se por este termo a posi62o do sujeito -ace ao con.eza da tese de LripVe. parece ser claro que alguns dos seus pro"lemas est2o j3 pressentidos neste livro# O direito pr1prio do nome para se apoderar do seu re-erente anuncia j3 os termos com que *ernando +il descreve a evid.19 cr$tica 5 MideologiaN de *ernando +il. e0aspera62o. por uma estran. inde0 veri# !ode . como sugere a e0press2o inde0 sui# Pma verdade $ndice de si mesma é e0cessiva por natureza#” &? > estran. os 32 >centos.a alquimia.ncia conceptual# B esta Altima que é e0cessiva. o car3cter misterioso da semDntica do nome que toca no M-undo dos -undos do dizerN remetem para esse M-undo irracional da evid. e0esso# “> evid. a si mesma como intrinsecamente ver$dica.ncia# >pesar da auto-avalia62o que *ernando +il -ez da sua E1gica do 4ome ) “uma utopia cr$tica” -. num duplo sentido# Epistemologicamente.3 além disso um e0cesso epistémico.aver aqui e-ectivamente ilus2o# Mas . p# (%# .p#9JR# B tam"ém.ncia: alucina62o.

como diz /ergson: sou"e que nos seus Altimos tempos de vida.eza dos nomes e seu sentido recorrendo a um paradigma utilizado no jogo de linguagem em cone02o com o nome# > solu62o semDntica de Xittgenstein passa ao lado do enigma da destrui62o. os enigmas# 4a sua traject1ria. de certo modo retorna a esta estran.20 limites.o# > E1gica do 4ome ) a -or6a re-erencial com que o nome indica um determinado . vivo ) em"ate precisamente no grande enigma da destrui62o. da morte do re-erente do nome# Em"ora possa parecer um salto e0cessivamente "rusco e uma discontinuidade no itiner3rio seguido até aqui. do -im# 8a"emos que Xittgenstein en-renta o pro"lema: “Mas. de muitos modos. *ernando +il voltara a ler LripVe e 4aming and 4ecessitZ era um dos livros que tin. em certo sentido. mas que sempre se encara como um limite.amar 4. este .omem e0istente.a so"re a sua mesa de tra"al. uma s1 coisa. sempre do lado de l3# > vida vai desenrolando uma série intermin3vel de poss$veis que se sucedem numa série que nos parece ser sempre in-inita# O -uturo é o mundo dos poss$veis que est2o por vir ) é o porvir sempre esperado e. é algo que est3 33 && Investigações Filosóficas.eza num te0to de ?@@@ ) “Mors <erta. o que de -acto corresponde ao seu nome# Mas ele é destru$velU e o seu nome n2o perde o sentido quando o portador é destru$do#” E sa"emos como Xittgenstein contorna esta estran. Oora Fncerta” ) onde toca num dos M"uracos negrosN que resiste 5 inteligi"ilidade ou toca nos -undos do represent3vel# > morte.ece discontinuidades# Mas glosou. da morte.omem é. gostaria de terminar evocando o modo como *ernando +il. por e0peri. destrui62o é o -im que se apresenta como uma necessidade ine0or3vel.ncia inesgot3vel. dei0ar de se c. § 55. . *ernando +il recon. garantido pela pr1pria identidade e0pressa pelo nosso nome# :ei0ar de ser.

orizonte de possi"ilidades em a"erto# !or isso. mas como algo que p7e termo.3 nada a pensar. da e0pectativa. essa. Oora Fncerta”.3-de vir# Quando o . dou sempre pelo mesmo nome. e0perimenta o inimagin3vel# O que n2o posso representar é que dei0e de .ecimento entre outros# 42o é uma in-orma62o mais que possamos integrar num conte0to de sentido que nos permita plani-icar e dar uma direc62o racional 5 vida# > “plani-ica62o da vida” é muitas vezes entendida por analogia com a programa62o de outras empresas limitadas e "aseia-se numa ideia de racionalidade instrumental# :esse modo renunciamos ao car3cter pessoal da vida# Keja-se o e0celente cap$tulo de 8paemann. Qn2oRvivemos a nossa pr1pria morte# 42o a vivemos porque ela é justamente a nega62o a priori da “possi"ilidade de qualquer poss$vel”. est3. =# “Muerte Z *uturum E0actum” in !ersonas. nem sequer a nega62o da possi"ilidadeU esta pressup7e j3 a pensa"ilidade do poss$vel que se nega# > anula62o é um corte radical que n2o dei0a rasto nem cicatriz# 42o se pensa a morte como nega62o da vida.ando totalmente o regime da protens2o. o corte -inal da série de -uturos contingentes. nada a representar.ncia poss$vel# > irrepresenta"ilidade consiste precisamente no -acto de a morte ser a anula62o completa de qualquer possi"ilidade# > tend. -ec.21 para l3 do . no entanto. me matar3. imprevis$veis mas esperados# “> morte ser3 o limite do poss$vel ) mas um limite que apreendo ainda e sempre do lado de c3 e que o reservat1rio dos poss$veis torna no -im de contas ino-ensivo#Q###R > morte que.ncia dos poss$veis para a e0ist.ecimento n2o ser de modo algum um con.3-de ser e . a a"ertura para o que . posso-me imaginar como alguém que vive.aver esse alguém. da -utura62o# B e0actamente 34 &9 “Mors <erta. matando os poss$veis.ncia é o signo contr3rio da morte.orizonte dos -utur$veis se -ec. aconte6a o que acontecer. p# ?J&# > irrepresenta"ilidade da pr1pria morte deve-se ao -acto de esse con.a totalmente n2o .ncia e para a vida. sujeito de qualquer outra e0peri. >centos. do lado de c3. é o impulso conatural para a e0ist. do lado de l3 e por isso n2o a sei representar” # E. de -acto. pp#%?%-%?(# .

as m2os_o teu nome que_ m2os consolaram” Q!aul <elanR# > certeza de algo que é irrepresent3vel. mas o Altimo acto a realizar na vida # 42o o podemos antecipar nem precipitar ) mesmo na imagina62o ) mas podemos prepar3-lo sem pertur"a67es# *ernando +il cita Montaigne: “pertur"amos a vida pelo cuidado da morte. a certeza da morte é o que con-ere ao tempo de vida uma certa conten62o e o con-igura. ``. e a morte pelo cuidado da vida” # B o recalcamento social da morte que -omenta e potencia uma angAstia 35 &I &S !recisamente por isto. mas é a passividade.ecido ensaio de Montaigne. mas o nome? “<osido so" a pele das min.eroismo e n2o com o medo de um condenado ou com a a"ulia da rendi62o a um destino -atal# > categoria da responsa"ilidade é aqui proposta como uma via média que concilia e re-ormula as categorias da o"edi.22 esta irrepresenta"ilidade que se traduz na impossi"ilidade l1gica da nega62o de um nome pr1prio# Pm nome n2o tem nega62o# 4em mesmo o inomin3vel é a nega62o de um nome. empregando a e0press2o de <$cero: o estudo e a contempla62o s2o modos de ocupar a alma li"ertando-a do corpo. ina"arc3vel# Escrito seis anos antes da sua morte.an6as e uma aprendizagem da morte# 8e é incerto onde nos espera a morte. que se realiza como acto” 36 Essais.e o limite# Pma vida temporalmente in-inita seria porventura insuport3vel porque seria incompreens$vel.ecimento da impossi"ilidade de nomear# O . o corte -inal do percurso "iogr3-co.ncia e da li"erdade# 8er respons3vel. p# %?'R# . p# ?S?# “Que -iloso-ar é aprender a morrer”. o t$tulo de outro con. e por isso semel.omem morre. o"#cit#. o padecer a morte. esperemo-la sempre e por toda a parte Q Essais F. o suic$dio n2o é o paradigma da morte pessoal# <-r 8paemann. p# %?(: “4o morrer pessoal. mas o recon. assinalando-l. este te0to de *ernando +il é "em uma re-le02o premonit1ria e preparat1ria para en-rentar a morte ) On -era -ace ) com uma decis2o de . `FF. actividade e passividade n2o se a-astam como e0tremos. FFF. Mtomar a seu cargoN a vida e a pr1pria morte# Esta n2o é apenas o limite Altimo.

o medo su"merge a li"erdade”# *azer -ace a ela anula a ilus2o de um controlo a"soluto. continua.aver3 alguém. sa"er3? &' 37 <-r >centos. pp# &@-&%# . as imagens. a e0ercer o seu estran. por estran.o do que nunca.-icamos com o nome ) *ernando +il ser3 sempre *ernando +il ) que nos permite guardar e -azer perviver na mem1ria uma grande quantidade de registos diversos. as ideias. .23 crescente. diga-me quem é” ) a resposta come6a laconicamente por um “8e eu sou"esse”### E agora. o que é irrepresent3vel é a nossa pr1pria morte. a todo o custo.o que pare6a. -a"ricando o medo da morte precisamente com a Dnsia de. do mesmo . mesmo na aus. mesmo se esse alguém ignora em a"soluto quem é# 4uma das Altimas entrevistas.o e -ascinante papel de reunir e trazer ao presente todas as recorda67es. dei0anos ainda mais inde-esos. essa sim.da medicina # >pesar da distDncia no tempo e no estilo entre a E1gica do 4ome e este Altimo te0to de *ernando +il. algures. na sua MrigidezN que -i0a a dispers2o das imagens e dos vest$gios# E . um dom$nio in-al$vel que pretende assegurar-se da e-ic3cia dos processos ) por vezes MdelirantesN . 5 pergunta ) “*ernando. nos escudarmos nas poucas certezas desta vida# “*ugir a pens3-la. representamo-la sem pro"lema.3 um -io que os une e que con-irma a citada -rase de /ergson citada no in$cio: o nome. . que d3 ainda pelo nome. di-$ceis de uni-icar# *ica-nos o nome “cosido so" a pela da m2os” a guardar as muitas recorda67es e tudo o que -icou## 4ada mais que o nome mais estran.omem que misteriosamente designava# Mesmo para l3 da morte ) da morte do outro.ncia daquele a quem designa.

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