GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO

FINANCIAL MANAGEMENT IN MID-SIZED BRAZILIAN MUNICIPALITIES

Data de submissão: 01 ago. 2010. Data de aprovação: 23 nov. 2011. Sistema de avaliação: Double blind review. Universidade FUMEC/FACE. Prof. Dr. Cid Gonçalves Filho. Prof. Dr. Luiz Cláudio Vieira de Oliveira. Prof. Dr. Alexandre Teixeira Dias.

Willson Gerigk
Universidade Estadual do Centro-Oeste/UNICENTROParaná

Ademir Clemente
Universidade Federal do Paraná/UFPR

RESUMO O objetivo do presente artigo é mensurar e avaliar os fatores que determinam o espaço de manobra da gestão financeira dos municípios brasileiros de porte médio. A fundamentação teórica compreende a organização do setor público brasileiro, administração pública e a gestão financeira municipal. A pesquisa é descritiva e explicativa quanto aos objetivos; bibliográfica e documental quanto aos procedimentos; e quantitativa quanto à abordagem do problema, empregando regressão linear múltipla. São analisados os municípios brasileiros com população entre 100 mil e 1 milhão de habitantes, que disponibilizaram informações junto à base Finanças do Brasil (FINBRA/STN). Nas análises de regressão foram incluídas 22 variáveis explicativas, envolvendo aspectos financeiros e de gestão dos municípios. Conclui-se que, o espaço de gerenciamento financeiro à disposição dos administradores, nos municípios brasileiros de porte médio, depende basicamente das despesas com pessoal e do volume de receitas relacionadas com o crescimento do endividamento público.
Palavras-chave: Municípios brasileiros, Municípios de porte médio, Gestão financeira municipal, Finanças públicas, Administração pública.

ABSTRACT The aim of this paper is to measure and evaluate the factors that determine the leeway of the financial management of the Brazilian cities of medium size. The theoretical framework comprises concepts related to the organization of the Brazilian public sector, public administration and municipal financial management. The research is descriptive and explanatory as to the objectives, bibliographical and documental in respect to the procedures, and quantitative in relation to the approach problem, using multiple linear regression. It analyzes the Brazilian cities with populations between 100,000 and 1 million inhabitants, who provided information at the base of Finance of Brazil (FINBRA/STN). In the regression analysis included 22 variables, including aspects and financial management of municipalities. It is concluded that the area of financial management at the disposal of managers in medium-sized Brazilian cities, depends primarily of personnel expenses and the amount of revenue related to the growth of public indebtedness.
Keywords: Brazilian municipalities, Medium-sized municipalities, Municipal financial management, Public finance, Government.

PRETEXTO 2012

Belo Horizonte

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Willson Gerigk, Ademir Clemente

INTRODUÇÃO A administração pública municipal é a atividade pela qual os gestores buscam interpretar e avaliar as necessidades e aspirações da sociedade para atendê-las por intermédio dos serviços públicos municipais. Matias-Pereira (2008, p. 60) conceitua administração pública como “[...] o conjunto de serviços e entidades incumbidos de concretizar as atividades administrativas, ou seja, da execução das decisões políticas e legislativas”. O autor define que o propósito da administração pública é “[...] a gestão de bens e interesses qualificados da comunidade no âmbito dos três níveis de governo: federal, estadual ou municipal, [...]”. A organização político-administrativa brasileira, definida na Constituição Federal, é composta de União, Estados e Distrito Federal, e Municípios. Tais entes públicos, em muitas situações, atuam em conjunto, no entanto preservam as suas autonomias política, administrativa e financeira. Os Municípios, nessa estrutura organizacional, têm papel de destaque, pois são vistos como os que mais bem podem atender às demandas da população, por estarem mais próximos de seus problemas e, supostamente, das soluções. Entretanto, as administrações públicas municipais nos últimos anos vêm convivendo com ínúmeras mudanças de ordem financeira, estrutural e comportamental. As mudanças de ordem financeira decorrem da escassez dos recursos necessários para custear os serviços públicos; as de ordem estrutural são devidas a fatores econômicos e sociais que pressionam os entes públicos municipais a expandirem suas atividades; as de natureza comportamental referem-se à forma de gerenciamento dos entes públicos e decorrem, principalmente, das imposições da Lei Complementar nº 101/2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Desta forma, o desafio maior que enfrentam os gestores é prover o atendimento às demandas da população por serviços públicos no quadro dessas alterações. Entre os principais objetivos da LRF destaca-se o combate aos déficits crônicos da administração pública brasileira, por intermédio do aprimoramento do processo de planejamento, de maior rigidez na execução dos orçamentos e do controle do endividamento.

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69% Municípios de Porte Médio 239 63 1. o que leva a aplicação da quase totalidade de seus recursos na manutenção de suas estruturas operacionais básicas (pessoal e outras despesas correntes). apesar de contarem com maior capacidade de arrecadação.97 26. 1995).GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO A Constituição Federal assegura aos municípios capacidade tributária plena. (MATIAS-PEREIRA. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 36 . GAEBLER. têm buscado mudanças na forma de conduzir suas administrações. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. consequentemente.08% 40. (BRESSER-PEREIRA. 2007). de todas as esferas. Estas estruturas atingem elevada complexidade. além de garantir-lhes participações nas receitas tributárias dos Estados e da União.36% 17. diante deste ambiente contemporâneo. 34 . 13 n.62% 18. apresentam pesada e crescente demanda por serviços públicos.Características dos municípios brasileiros Características Quantidade População – em milhões de habitantes Orçamento per capita Transferências dos Estados em relação às Receitas Totais Transferências da União em relação às Receitas Totais Receitas Tributárias em relação às Receitas Totais Gastos com Pessoal em relação às Receitas Correntes Outras Despesas com Manutenção em relação às Receitas Correntes Investimentos em relação às Despesas Totais Municípios Brasileiros 5.93% Fonte: elaborada pelos autores.64% 12.70% 11.09 23. exigindo dos gestores municipais enorme capacidade administrativa. 1998). Observa-se que os municípios de menor porte apresentam maior dependência em relação às transferências constitucionais dos Estados e da União. Os municípios de maior porte apresentam capacidade própria de arrecadação mais expressiva e. menor dependência financeira relativamente aos Estados e a União. os municípios brasileiros de porte médio. Estes municípios apresentam as características destacadas na Tabela 1. 1 p. para fins desta pesquisa. conjuntamente.313.90% 17.45% 40.563 184 1. Os municípios brasileiros de porte médio. as administrações públicas.00 % 11.45% 40. operacional e financeira.45% 39. Entretanto.381. Em consonância com as alterações observadas no mercado global.59 jan. que impõem enorme pressão sobre as instituições econômicas. saindo do enfoque exclusivamente legalista e passando a emprestar maior importância aos resultados (OSBORNE. TABELA 1 . são caracterizados como os que possuem população entre 100 mil habitantes e 1 milhão. /mar.

o que permite aos gestores imprimir características próprias e diferenciadas às suas administrações. Então. A presente pesquisa. portanto.Willson Gerigk. quais mais bem explicam o espaço de manobra da gestão financeira dos municípios brasileiros de porte médio. Ademir Clemente A busca pelo enfoque gerencial. /mar. Entende-se que o espaço de manobra é constituído pelo montante de recursos financeiros sobre os quais os gestores públicos efetivamente podem exercer escolha quanto à aplicação e é. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 37 . O presente estudo busca. obviamente se faz no quadro das restrições legais a que está sujeito o gestor público. diante da necessidade crescente da população por serviços públicos e da escassez de recursos. e assim. diante da relevância que os municípios apresentam na estrutura político-administrativa brasileira. o espaço de manobra do gestor para decidir sobre a aplicação dos recursos se torna fundamental. 13 n. enfrentados pelos gestores municipais. Para tanto. na esfera municipal. evidenciar que aspectos devem ser receber atenção especial para melhorar a gestão dos recursos financeiros municipais. voltada a resultados. é necessário estabelecer o constructo de espaço de manobra e calculá-lo. auxiliar na determinação dos fatores condicionantes do espaço de manobra financeiro. 1 p. e identificar dentre as variáveis representativas de aspectos financeiros e de gestão. bem como. busca conhecer os fatores que influenciam as escolhas financeiras na administração municipal. 34 – 59 jan. Tendo em vista esses pressupostos o presente artigo visa responder à questão: De que forma é determinado o espaço de manobra da gestão financeira dos municípios brasileiros de porte médio? O objetivo geral é identificar as variáveis relevantes na determinação do espaço de manobra da gestão financeira dos municípios brasileiros com população entre 100 mil habitantes e 1 milhão e avaliar a importância dessas variáveis. contribuir para o desenvolvimento de métodos e técnicas de análise da gestão financeira municipal. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. também. principalmente.

que são escassos. p. com serviços públicos de qualidade. interessada em manter a dominação pacífica sobre as cidades conquistadas. O autor afirma. 31-32). os realiza por meio da administração pública. numa coletividade ou numa organização estatal”.. 2003. p. Para Bobbio (1998 apud Matias-Pereira.. 34 . em troca da fiel obediência às leis romanas..] o conjunto de serviços e entidades incumbidos de concretizar as atividades administrativas.]”.. Assim.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Matias-Pereira (2008. também. ou seja. que variavam de simples direitos privados até ao privilégio político de eleger seus governantes e dirigir a própria cidade (MEIRELLES. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. 63).. estadual ou municipal. mediante a administração dos recursos públicos. às imposições do senado. mas. que “A Administração é o instrumental de que dispõem o Estado para pôr em prática suas opções de Governo. Para Meirelles (2003. que são crescentes. p. Os vencidos ficavam sujeitos.] a gestão de bens e interesses qualificados da comunidade no âmbito dos três níveis de governo: federal. como unidade político-administrativa. surgiu com a República Romana. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 38 . utilizando os Poderes e órgãos que o integram para atingir seus objetivos. a República concedia-lhes certas prerrogativas. O autor define que o propósito da administração pública é “[. p. Os objetivos dos Entes Públicos (Federal. 1 p. desde a anexação ao império.” (MEIRELLES. 64).59 jan. [.] designa o conjunto das atividades diretamente destinadas à execução das tarefas ou incumbências consideradas de interesse público ou comum. o Governo é responsável pela condução dos negócios públicos. p.. 60) conceitua administração pública como “[. /mar.. 2003. o Estado. Estaduais e Municipais) são atender às necessidades da população. O MUNICÍPIO E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MUNICIPAL O Município. da execução das decisões políticas e legislativas”. 61) a administração pública “[. 13 n. 2008.. que tem a responsabilidade de atender às demandas da sociedade.

ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 39 . transformação. 2007. 13 n. A função da gestão pública é disponibilizar os serviços públicos necessários à população. as administrações municipais prestam serviços públicos. nos seus aspectos financeiros.. 34 – 59 jan. a gestão está associada às questões de interesse local e abrange aspectos orçamentários. direta ou indiretamente. o município é reconhecido como a instituição que pode levar de forma mais eficiente e eficaz a presença do poder público ao interior do País. além de poder desempenhar o papel de agente do desenvolvimento econômico local. aplicação e consumo de bens com o fito de atingir a finalidade proposta pela administração”. no Brasil. da direção e do controle. financeiros e patrimoniais. mediante a execução do orçamento público.. Para atender às demandas e aos anseios da população. dentro de suas competências e dos seus limites territoriais. /mar.Willson Gerigk. O poder público local está estar mais próximo dos problemas e é suscetível a controle mais direto da sociedade. da organização. como de resto em todo o setor PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. econômicos. porque no ambiente público municipal. existem desde o período colonial e tiveram na Constituição de 1988 seu ápice no que diz respeito à autonomia. normas e processos que determinam a forma de distribuir e de exercer a autoridade política e como se atendem aos interesses públicos (MATIAS-PEREIRA. 1 p. a menor unidade administrativa da Federação. As melhorias da gestão pública. Matias e Campello (2000) corroboram esse entendimento afirmando que é no município. sociais e de gestão dependem da correta e persistente gestão dos recursos financeiros.] os processos que visam à obtenção. 5). Ademir Clemente Segundo Slomski (2006). Em relação aos municípios. os municípios. 179). circulação. devendo ser entendida como o conjunto de idéias. atitudes. p. a gestão pública está relacionada com “[. p. onde se apresentam as condições mais adequadas para que seja formado um quadro nacional democrático e onde são geradas as situações mais favoráveis para intervenção. GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL A gestão pública envolve a interpretação de objetivos a fim de transformá-los em ação organizacional por meio do planejamento. Para Silva (2004. Para Menezes (2002).

que são obtidos por meio de várias fontes. para atendimento das funções da administração pública. satisfeitas por meio do processo do serviço público”. p..GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO público. Essa atividade está orientada para a obtenção e o emprego dos meios materiais e de serviços para a realização das necessidades da coletividade. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 40 . Para atingir esse objetivo necessitam de recursos financeiros. completando assim o círculo financeiro entre sociedade e Estado (MATIAS-PEREIRA. Segundo Matias-Pereira (2006). enfrentam e resolvem os problemas de natureza econômica que se desencadeiam da função de governo. 133-134).. ou seja. sendo orientada segundo duas direções: 1) Política tributária: que se materializa na captação de recursos.. O custeio das necessidades públicas realiza-se por meio da transferência de parcelas dos recursos dos indivíduos e das empresas para os governos. as finanças públicas referem-se ao conhecimento generalizado das origens e gestão da receita e da despesa destinadas ao serviço do Estado e suas divisões político-administrativas.133) finanças públicas “[. 2006. /mar. desempenhada pelos poderes públicos com o propósito de obter e aplicar recursos para o custeio dos serviços públicos.]. Para Matias-Pereira (2006. revelam-se como relações basicamente financeiras. 34 . Esta relação é a principal preocupação das finanças públicas.] é a atividade financeira do Estado. 63) as finanças públicas “[. p. 1 p. e no respectivo movimento monetário. Segundo Matias e Campello (2000.. tais melhorias estão ligadas às receitas e às despesas. 13 n.. a fim de promover os serviços indispensáveis ao funcionamento das atividades estatais e ao bem comum da população. 40) “[. é a ação desenvolvida pelo governo em suas fases de previsão e realização. o objeto precípuo das finanças públicas é a atividade fiscal. Para D’Auria (1962. 2) Política orçamentária: que se PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. de interesse geral. FINANÇAS PÚBLICAS MUNICIPAIS Segundo D’Auria (1962).] finanças públicas refere-se ao conjunto de problemas relacionados ao processo de Receitas-Despesas Governamentais e dos fluxos monetários”.59 jan. p. Os Entes Públicos têm a responsabilidade de viabilizar o funcionamento dos serviços públicos essenciais demandados pela coletividade. como aplicação prática. em sua vasta e ilimitada atuação. donde se conclui que a função financeira se enquadra na ordem política e econômica do Estado”. p..

(SLOMSKI. bem como a capacidade e a disposição para seu financiamento pela população. (KOHAMA. Bezerra Filho (2006. juros e encargos das dívidas e transferências legais. constituem o conjunto dos gastos públicos autorizados por intermédio do orçamento PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. as receitas orçamentárias são as que. Ao contrário. p. da conversão em espécie de seus bens e direitos – alienação –. aos atos e medidas relacionados com a forma da aplicação dos recursos. destinados a atender despesas de capital (BEZERRA FILHO. 80) afirma que as despesas orçamentárias “[. observada a competência tributária.Willson Gerigk. levando em consideração a dimensão e a natureza das atribuições do poder público. 50-51). pelos recursos recebidos de outras pessoas de direito público e privado – convênios e doações –. 1994). As Receitas Correntes são recursos financeiros que ingressam regularmente nos cofres públicos para financiar. As finanças públicas em nível municipal referem-se à arrecadação de receitas. às transferências.]. Compreendem. 1 p. Ademir Clemente refere especificamente aos gastos.. 1994). realizadas pela União e pelos Estados. 2006. em princípio. também. RECEITAS PÚBLICAS MUNICIPAIS As receitas públicas. em sentido amplo.. 13 n. As receitas públicas compreendem receitas orçamentárias e receitas extra-orçamentárias. as despesas correntes – custeio da máquina pública. 2003). 34 – 59 jan. constitucionais e voluntárias. As receitas de capital são recursos financeiros oriundos da constituição de dívidas. não pertencem aos entes públicos. /mar. As despesas públicas classificam-se em despesas orçamentárias e extra-orçamentárias (ANGÉLICO. pertencem à entidade pública e se classificam economicamente como Receitas Correntes ou Receitas de Capital (SLOMSKI. de fato. DESPESAS PÚBLICAS MUNICIPAIS As despesas públicas são os gastos monetários efetuados pelos entes públicos a qualquer título. referem-se aos recolhimentos de valores aos cofres públicos (ANGÉLICO. a aplicação desses recursos nas despesas fixadas no orçamento municipal. 2008). p. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 41 . e aos financiamentos obtidos. ou seja. As extra-orçamentárias são recursos de terceiros que transitam pelos cofres públicos. 2006).

p. a obtenção de recursos patrimoniais. devendo evidenciar a política econômico-financeira e o programa do Governo. Souza (apud Silva. honra os compromissos contratuais e faz novos investimentos.. 90-91). o emprego de recursos patrimoniais para realização dos fins do Estado”.] é definida como o conjunto de operações que visam diretamente alcançar os fins próprios da administração governamental”.. assim como.. ou seja. realizados pela administração pública. “[. p. e. 13 n. que é a administração e conservação do patrimônio público..] fundamentalmente em três campos: a receita. as despesas de capital se destinam a aumentar o patrimônio público com o intuito de expandir a ação governamental. As despesas correntes. também são classificadas em categorias econômicas: correntes e de capital. 34 . As despesas orçamentárias. as receitas orçamentárias. 91). por intermédio das despesas orçamentárias. p. Segundo Silva (2004) a gestão financeira deve ser estruturada no sentido de obter o máximo de recursos financeiros para que o governo possa atingir os resultados planejados e.. ou seja. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. para a manutenção e o funcionamento dos seus órgãos”. 1 p.59 jan. 99) afirma que a gestão financeira desenvolve-se “[. que constituirão incorporações ao patrimônio público de forma efetiva ou por mutação patrimonial (KOHAMA. As despesas de capital são os gastos realizados pela administração pública para criar ou adquirir bens de capital. as despesas orçamentárias são utilizadas para concretização das ações governamentais previstas para determinado exercício financeiro.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO ou de créditos adicionais. mantém as unidades administrativas. GESTÃO FINANCEIRA MUNICIPAL Para Silva (2004. /mar. p. a gestão. finalmente. a administração pública realiza os serviços públicos. desta forma. atender às demandas da sociedade. conserva o patrimônio público.] são os gastos de natureza operacional. destinado a satisfazer às necessidades da comunidade”. segundo Kohama (2008. 95) a gestão financeira na administração pública “[. Assim. enquanto as despesas correntes têm por finalidade manter funcionando a estrutura pública. isto é. Na execução dos orçamentos públicos. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 42 . a despesa. 2004. 2008..

Ademir Clemente A administração financeira compreende o conjunto de princípios. Essa atividade que os municípios desenvolvem para atendimento das necessidades públicas é denominada por Silva (2004) de Gestão e Administração Financeira e consiste em obter. Os municípios. a LRF é fundamental. tem como objetivos: melhorar a qualidade das ações de gestão fiscal dos recursos públicos confiados aos administradores públicos e coibir os abusos que provocam danos ou prejuízos ao patrimônio público (MATIAS-PEREIRA. Segundo Luque e Silva (2004). No âmbito municipal. 2006. pelas contribuições representadas pelos tributos municipais e pela participação nas receitas do governo estadual e da União. pois ressalta a noção básica de que a atuação apropriada do setor público no desempenho de suas funções supõe a obtenção de finanças coerentemente administradas. 198). gerir e despender os recursos financeiros indispensáveis àquelas necessidades. criar. precisam obter meios financeiros. a gestão financeira refere-se aos procedimentos empregados na obtenção e administração dos recursos financeiros – receitas públicas – necessários para a realização dos serviços públicos e dos programas de interesse local. 1 p. no desempenho de suas atividades e realização de seus fins. /mar. p. ao dispor sobre finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. 303). entrou em vigor a Lei Complementar n° 101. 13 n. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 43 . A LRF. que constam no orçamento municipal e são executados ou desenvolvidos por intermédio das despesas públicas. p. prevenção de riscos. pela exploração de seu patrimônio. e cumprimento de vários limites. 34 – 59 jan. dentre os quais se destacam os limites de gastos com pessoal e com o montante do endividamento. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL (LRF) Em 4 de Maio de 2000. conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). equilíbrio das contas públicas. 2004.Willson Gerigk. que estabeleceu às administrações públicas de todas as esferas o conceito de gestão fiscal responsável e que preconiza ação planejada e transparente. cumprimento de metas e de resultados. normas e procedimentos que intervêm diretamente no processo de identificação das fontes de arrecadação. assim como das aplicações de tais recursos na liquidação dos compromissos da administração pública (SILVA. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v.

a LRF está apoiada em quatro eixos: o planejamento. Segundo Silva (2004). ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 44 . os administradores públicos deverão seguir as regras e limites claros para conseguirem administrar as finanças públicas de forma transparente e equilibrada. o controle e a responsabilização.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO Para Matias-Pereira (2007). 5. 34 . Previsão nos instrumentos de planejamento de margem de expansão para as despesas públicas consideradas de caráter obrigatório e continuadas. são orientadores para a implantação do modelo de informações gerenciais. quando estabelece a necessidade das administrações públicas realizarem: 1. 13 n. em seu conjunto. /mar. fortalecendo os instrumentos estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 para esta finalidade. Definição de metas de resultados para o endividamento público por intermédio do resultado nominal. A LRF E A GESTÃO FINANCEIRA MUNICIPAL A LRF enfatiza o planejamento nos entes públicos. com o objetivo de manter o equilíbrio entre receitas e despesas. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v.59 jan. Seu enfoque recai sobre o desenvolvimento das atividades financeiras. Programação financeira estabelecendo metas de arrecadação das receitas orçadas e cronograma de desembolso para as despesas orçamentárias. pois o planejamento e o controle são instrumentos fundamentais para a geração de informações úteis para auxiliar o processo decisório e conseqüentemente melhorar os demais eixos: a transparência e a responsabilização. 4. Estabelecimento de metas de resultados entre as receitas e as despesas públicas por meio do resultado primário. a transparência. 3. Previsão antecipada de suas receitas que darão suporte às despesas a serem consignadas no orçamento público. 2. que. A LRF é um código de conduta para os administradores públicos na gestão das finanças públicas de todas as esferas de governo. 1 p.

O modelo estatístico da regressão linear múltipla. Quanto à abordagem do problema.Willson Gerigk. pois visa explicar o espaço de manobra da gestão financeira municipal por meio de variáveis financeiras e de gestão. Ademir Clemente METODOLOGIA Quanto aos objetivos. Busca-se determinar a explicação da variável dependente ou explicada por intermédio de uma ou mais variáveis independentes ou explicativas. β2 . a pesquisa desenvolvida se caracteriza como descritiva e explicativa. Os procedimentos utilizados compreendem pesquisa bibliográfica e documental. segundo Hair Jr. com o emprego de análise estatística multivariada.. A pesquisa documental envolveu o levantamento de dados sobre as finanças dos municípios. Análise de regressão múltipla A regressão múltipla é uma técnica estatística utilizada para analisar a relação entre uma variável dependente e várias independentes (HAIR JR et al. explicar. β1. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 45 .. /mar. determinar qual a extensão desta influência. X2 . quais destas exercem influência sobre o espaço de manobra da gestão financeira. βn são parâmetros da regressão ε é o termo de disturbância (1 ) A pesquisa busca. 13 n.. 1 p. pela análise de regressão múltipla. (2005) é dado por: Y = β0 + β1 x1 + β 2 x2 + K + β n xn + ε Onde: Y é a variável dependente X1. et al. dos municípios brasileiros de porte médio e. diante de um conjunto de variáveis independentes representativas de fatores financeiros e de gestão.. também. a pesquisa é caracterizada como quantitativa. 34 – 59 jan. A pesquisa bibliográfica propiciou a fundamentação teórica. configurando-se a ocorrência de dependência estatística entre as variáveis. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. variável dependente.. Xn são variáveis independentes β0. 2005). e o reflexo sobre o espaço de gerenciamento financeiro dos municípios brasileiros de porte médio.

GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO População e amostra A população compreende os municípios brasileiros com população entre 100 mil e 1 milhão de habitantes os quais. /mar. 230 disponibilizaram informações do exercício de 2008 junto à Secretaria do Tesouro Nacional . são em número de 239.População da pesquisa Municípios População entre 100 mil e 1 milhão de habitantes Total dos Municípios Censo 2007 239 População da pesquisa 2008 % do Total 230 96. A STN anualmente coleta dados sobre as finanças públicas municipais e disponibiliza-os na base de dados Finanças Brasil (FINBRA). PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. Destes. como mostra o Quadro 1. endividamento e forma de aplicação dos recursos financeiros municipais. TABELA 2 .23% Fonte: elaborada pelos autores. conforme a Tabela 2. 34 . Definição das variáveis e das fontes dos dados As variáveis independentes foram agrupadas em duas dimensões: financeira e de gestão. a dimensão de gestão abrange índices de liquidez. 13 n. A dimensão financeira envolve as receitas e as despesas municipais. 1 p.59 jan. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 46 . em seu website.STN. segundo Censo Populacional de 2007.

34 – 59 jan. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. Ademir Clemente QUADRO 1 .Variáveis independentes segundo as dimensões financeira e de gestão VARIÁVEIS FINANCEIRAS Receita total G1 Despesa total Passivo permanente G2 Receitas correntes Receita tributária G3 Receita total Receitas próprias G4 Receita total Participação nas receitas da União G5 Receita total Participação nas receitas do Estado G6 Receita total Receita líquida de empréstimos = Operações de crédito – (juros+amortizações) G7 Receita total Despesas com pessoal G8 Receitas correntes Despesas com juros G9 Receitas correntes Despesas com serviços de terceiros G10 Receitas correntes Outras despesas correntes G11 Receitas correntes DE GESTÃO Ativo financeiro Passivo financeiro Ativo financeiro + ativo permanente Passivo financeiro + passivo permanente Passivo financeiro . Andrade (2007) A fonte dos dados necessários à composição dos coeficientes empregados na pesquisa é a Secretaria do Tesouro Nacional .Willson Gerigk. Kohama e Kohama (2000). 1 p.ativo financeiro Ativo total Despesas de capital – receitas de capital Receitas correntes Receitas próprias Despesas correntes Passivo permanente Ativo total Passivo permanente Ativo financeiro Superávit corrente Receita total Superávit corrente População Superávit corrente Receitas correntes Dívida ativa Ativo total F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7 F8 F9 F10 F11 FONTE: Adaptado de Matias e Campello (2000). k EM = α + ∑β i =1 i X i + µi (2) Onde: EM – Espaço de manobra α – Constante Xi – Variáveis explanatórias µi – Termo de disturbância A técnica de estimação utilizada foi a passo a passo (stepwise).STN (FINBRA – Finanças Brasil). com nível de significância de 1%. O modelo estimado pode ser expresso pela equação 2. 13 n. /mar. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 47 .

repasses a entidades.Elementos definidores do espaço de manobra da gestão financeira ITEM EM QUE APLICAR EM QUE MOMENTO APLICAR DE QUE FORMA APLICAR CARACTERIZAÇÃO Vincula-se à destinação dos recursos financeiros: materiais. Todas as decisões da administração pública são vinculadas ao aspecto legal. 34 . /mar. Tem estreita relação com a natureza de despesa. 2008.59 jan.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO Constructo da pesquisa O espaço de manobra da gestão financeira municipal (EM) é definido e mensurado como segue. contratação de terceiros. Diz respeito à forma como serão empregados os recursos financeiros. QUADRO 2 . construções. 97). o gestor público pode escolher em que. O cálculo do espaço de manobra da gestão financeira municipal segue a fórmula: Total das Receitas Correntes (-) Despesas com Pessoal e Encargos Sociais (-) Despesas com Serviços das Dívidas (-) Despesas com Legislativo Municipal (-) Contribuição para o PASEP = Espaço de Manobra da Gestão Financeira Municipal (EM) PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. equipamentos. serviços das dívidas. p. O resultado alcançado representa o montante de recursos financeiros sobre o qual o administrador público pode exercer escolhas (GERIGK. Refere-se à distribuição dos desembolsos no tempo. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 48 . O Quadro 2 apresenta os elementos de decisão do gestor público. mas apesar disso. se de forma direta ou descentralizada. 1 p. em que momento e de que forma realizar a aplicação de recursos. despesas do Legislativo e as decorrentes das contribuições para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP). serviços. em algumas situações. Fonte: Gerigk (2008) O espaço de manobra da gestão financeira municipal (EM) é definido como a diferença entre o total das receitas correntes municipais e a soma das despesas com pessoal e encargos sociais. insumos. 13 n.

c. EM/DC – coeficiente do espaço de manobra relação às despesas correntes. como segue: EM/RT – coeficiente do espaço de manobra em relação à receita. expresso como coeficiente em relação a receitas e despesas. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 49 .Willson Gerigk. Após a retirada das observações atípicas. b. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. Ademir Clemente Para mensurar EM foram observados os seguintes procedimentos: a. 13 n. QUADRO 3 . /mar. passou-se à análise estatística com o objetivo de verificar a influência exercida pelas variáveis representativas de aspectos financeiros e de gestão sobre o espaço de manobra da gestão financeira dos municípios brasileiros de porte médio. O resultado é mostrado no Quadro 3.715/98. retirou-se do total das despesas consolidadas de pessoal o total informado como despesas com a Função Legislativa. Em relação às despesas com pessoal. Tratamento dos dados da pesquisa Os dados. As despesas com o Legislativo são as informadas na FINBRA. 34 – 59 jan.Amostra da pesquisa Municípios Total inicial de observações (-) Observações atípicas (outliers) Total final de observações (municípios pesquisados) Exercício de 2008 230 (32) 198 Fonte: elaborado pelos autores. EM foi. EM/RC – coeficiente do espaço de manobra em relação às receitas correntes. EM/DT – coeficiente do espaço de manobra em relação ao total das despesas. Estabeleceu-se a base de cálculo com os dados das receitas informadas à FINBRA e mediante a aplicação da alíquota de 1%. após terem sido coletados e organizados. 1 p. Os valores das despesas com o PASEP foram calculados com base na Lei n° 9. então. chegouse ao valor. d. As despesas com juros e amortizações foram retiradas da base FINBRA da STN. foram examinados com o objetivo de identificar possíveis valores atípicos (outliers).

QUADRO 4 – Matriz de correlação dos indicadores relativos ao espaço de manobra 2008 Indicadores Relativos EM/RT EM/RC EM/DT EM/DC Correlação de Pearson Correlação de Pearson Correlação de Pearson Correlação de Pearson EM/RT 1. ou seja. para todos.000 Fonte: elaborado pelos autores.9745 − 0. 1 p.42% da variação de EM deixa de ser explicada pela equação. selecionadas para a regressão.834 0. Os cálculos da matriz de correlação foram realizados com 198 observações e o resultado da significância foi de 0.834 EM/RC 0. versão 13. como mostra o Quadro 4.885 0. /mar.881 0.890 EM/DC 0. tem capacidade de explicar 96. com nível de significância de 1%.9658 sig.000 0.8014 F9 − 0.000 0.0. 34 . Definição da variável dependente Uma vez que as variáveis independentes referem-se a coeficientes. A escolha do coeficiente de EM baseou-se na correlação de Pearson para o conjunto de observações. = 0. todas as variáveis independentes e a constante da regressão estimada diferem PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v.0004G 7 RC 2 R AJ = 0.875 1.900 0.58% da variação ocorrida no EM.59 jan.000 A regressão apresenta R2ajustado de 0. que a variável dependente também o seja.000 0.4000 F7 − 0. isto indica que as variáveis independentes. 13 n.9658. A significância estatística estabelecida é 1%. O coeficiente de EM que apresenta associação mais forte com os demais é EM/RC – coeficiente do espaço de manobra em relação às receitas correntes.9954 F8 + 0.881 EM/DT 0. é aconselhável.875 0.000. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 50 . utilizando a técnica stepwise.900 1.890 1.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS TESTES ESTATÍSTICOS MULTIVARIADOS Os cálculos foram realizados por meio do SPSS.885 0. em princípio. apenas 3. Análise de regressão A equação estimada para o exercício financeiro de 2008 é: EM = 0.

et al. Destacando-se na explicação da dependente as variáveis vinculadas aos aspectos financeiros. Uma medida comumente empregada para detectar a multicolinearidade é a Tolerância. que indicam clara ausência de multicolinearidade. 13 n.Willson Gerigk. 34 – 59 jan. Calculada por 1 . que consiste em verificar se os resíduos apresentam comportamento aleatório em relação às variáveis explicativas. a multicolinearidade existe quando qualquer variável independente é altamente correlacionada com outras variáveis independentes. as principais são ausência de multicolinearidade e de heteroscedasticidade. Para esta finalidade foi empregada inspeção gráfica demonstrada no Gráfico 1.10 (HAIR Jr. Um valor de referência comum é Tolerância igual a 0. et al.013 1. 1 p. onde Ri2 é a parcela de variância da variável i explicada por todas as outras variáveis independentes. 2005).889 0. O Quadro 5 mostra os valores da Tolerância e VIF.988 0.947 0. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 51 . O emprego de regressão linear múltipla implica a necessidade de teste de algumas suposições estatísticas.055 1. sendo esta a proporção da variação nas variáveis independentes não explicada pelas variáveis que já estão no modelo ou função. (2005).933 VIF 1.125 1.01). Segundo Hair Jr.< 0.Ri2. /mar.071 Fonte: elaborado pelos autores Outra preocupação na regressão linear múltipla é a presença de heteroscedasticidade nos resíduos da regressão. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. Ademir Clemente significativamente de zero (sig. QUADRO 5 – Tolerância e VIF 2008 Variáveis F8 F7 F9 G7 Despesas com Pessoal/Receitas Correntes Receita Líquida de Empréstimos/Receita Total Despesas com Juros/Receitas Correntes Passivo Permanente/Ativo Financeiro Tolerância 0.

se esta se mostrar estatisticamente significante. 2007). 2004). Avalia-se o coeficiente dos valores estimados na regressão do ponto de vista de sua significância estatística. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 52 .2008 Fonte: elaborada pelos autores. pois os resíduos são influenciados pela variável dependente. PAULO. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. não tendo um comportamento aleatório em relação às variáveis independentes (CORRAR. Os resíduos padronizados da regressão foram distribuídos no Gráfico 1 contra os valores da variável dependente (EM/RC). /mar. O Quadro 6 apresenta os resultado do teste. Observa-se que não se evidencia nenhum indicativo de heteroscedasticidade. indica a presença de heteroscedasticidade. 13 n. 1 p. realizou-se o Teste de Pesarán-Pesarán. 34 . O teste consiste em detectar a presença de heteroscedasticidade com base nos resultados da regressão em que a variável dependente representa os valores quadrados dos resíduos (u2) e a variável independente é constituída pelos valores quadrados estimados da variável dependente (ŷ). (CORRAR. DIAS FILHO. THEÓPHILO.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO GRÁFICO 1 – Resíduos Padronizados .59 jan. Além da análise gráfica.

37 0. ou seja. indicando que estas contribuem para diminuir EM.19 Sig. 0.9584 -72. Assim.01. pode-se afirmar que os resíduos da regressão são homoscedásticos.000 0. e a variável representativa de receitas tem sinal positivo. Demonstrando que F8 exerce sete vezes mais impacto sobre o EM do que a F7. O Quadro 7 demonstra os coeficientes estimados e suas estatísticas. visto que a significância (0. Quanto aos sinais.Willson Gerigk.0230 SIG. 1 p.24 -0. 34 – 59 jan.9745 167.000 0.8014 -0.0963 -7. As administrações municipais. observa-se que as variáveis selecionadas para compor a regressão estimada apresentam sinais conforme esperado: as que estão vinculadas às despesas ou obrigações têm sinal negativo.9166 F 0.78 -0.002 Fonte: elaborado pelos autores.8797 Fonte: os autores (2010) O teste demonstra ausência de heteroscedasticidade. pelo fato de serem entidades que tem por finalidade a prestação de serviços à população. com isso.7662 DF 1 196 197 MÉDIAS DOS QUADRADOS 0.12 -0. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. despendem grande volume de recursos em despesas com pessoal e encargos sociais.9954 -0. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 53 . era esperado que a variável representativa desse item de despesa exerça forte impacto sobre o EM.6533 963. 13 n.1129 963. nota-se que as variáveis mais expressivas são: F8 – Coeficiente de despesas com pessoal sobre receitas correntes (-0.1366 9. segunda variável mais expressiva na explicação de EM. /mar. Ademir Clemente QUADRO 6 – Teste Pesarán-Pesarán MODELO Regressão Resíduos Total SOMA DOS QUADRADOS 0.000 0.1129 4.0004 -0.000 0.1366).9584) e F7 – Coeficiente de receitas líquidas de empréstimos sobre receita total (0. sua posição na regressão é aumentar o espaço de manobra. 0. Diante dos valores dos betas padronizados. QUADRO 7 – Coeficientes estimados e suas estatísticas – 2008 Variáveis Constante F8 Despesas com Pessoal/Receitas Correntes F7 Receita Líquida de Empréstimos/Receita Total F9 Despesas com Juros/Receitas Correntes G7 Passivo Permanente/Ativo Financeiro Coeficiente Beta Estatística β Padronizado t 0.8797) é maior que o nível de significância estabelecida na pesquisa de 0.0435 -3.4000 0.

sendo o valor de DW da regressão igual a 1. as receitas que geram endividamento público futuro contribuem de forma positiva para aumentar o espaço de manobra financeiro à disposição dos gestores municipais. em valores médios. /mar. assim. F9 – Coeficiente de despesas com juros sobre receitas correntes e G7 – Coeficiente de passivo permanente sobre ativo financeiro. o número de variáveis independentes de 4 e o nível de significância de 1%. Porém. que compõe a regressão. indica que nos municípios brasileiros de porte médio. confirmado pela seleção das outras duas variáveis da regressão. apresentarem percentuais. pode-se questionar que o porte dos municípios esteja interferindo nos resultados das análises.59 jan. destacar que as variáveis indicativas dos Superávits. A pesquisa utilizou os municípios brasileiros com população entre 100 mil e 1 milhão de habitantes. teoricamente as mais importantes para a constituição de EM. 13 n.833. foram estabelecidos os valores crítico inferior (dL) e crítico superior (dU). as variáveis representativas dessas receitas (F5 – Coeficiente de participação nas receitas da União sobre receita total. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. e das receitas tributárias municipais. a variável F7. Para verificar tal situação os dados foram ordenados pela população. relativas à capacidade de gerar poupança nas administrações municipais. elevados na formação da receita total dos municípios. Fator este. para detectar a presença de autocorrelação residual. 34 . também. A Figura 1 apresenta os resultados do teste realizado. F6 – Coeficiente de participação nas receitas do Estado sobre receita total e F3– Coeficiente de receitas tributárias sobre receita total) não foram selecionadas na regressão estimada. estimada uma nova regressão e realizado o teste de Durbin-Watson. Considerando o tamanho da amostra de 198 observações. indicando que o controle sobre as despesas com pessoal e as receitas e despesas vinculadas ao endividamento público é que explicam o aumento ou diminuição do espaço de manobra da gestão financeira municipal.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO Apesar das receitas de transferências constitucionais. que estão vinculadas ao endividamento público municipal. que asseguram direito de participação dos Municípios nas receitas da União e dos Estados. pelo fato que o intervalo populacional é relativamente grande. não tiveram nenhuma de suas representações incluídas na regressão. indicando que os dados dos municípios estudados não se apresentam homogêneos. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 54 . 1 p. Pode-se.

9075 1.Willson Gerigk. indica que em média os novo empréstimos. descontados os pagamentos dos juros e amortizações no mesmo período.1393 F7 -0.0072 1.715) e < 4-dU (2.0206 -1. 1 p.1457 F9 0. estão sendo menor que os pagamento com encargos das dívidas anteriormente contratadas (-0.0180 0. O Quadro 8 apresenta as estatísticas descritivas das variáveis selecionadas na regressão estimada para explicar o EM dos municípios brasileiros de porte médio.8644 Fonte: elaborada pelos autores.0049 0.285 4 .285). ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 55 . ou seja > dU (1.4644 G7 3.Estatísticas descritivas das variáveis da regressão ESTATÍSTICAS DESCRITIVAS Média Desvio-Padrão Coeficiente de Variação F8 0.833. O valor do DW da regressão foi de 1. Ademir Clemente FIGURA 1 – Teste Durbin-Watson de autocorrelação Autocorrelação Positiva Região não conclusiva Ausência de Autocorrelação Região não conclusiva Autocorrelação Negativa 0 1. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. indicando a ausência de autocorrelação residual.633 dL 1.0581 0. Desta forma. conforme demonstra a baixa dispersão do coeficiente de variação da variável F8 – Coeficiente de despesas com pessoal sobre receitas correntes.4168 0.1685 5. /mar.367 4 -dL 4 Fonte: elaborada pelos autores. o porte dos municípios brasileiros amostrados não exerce influências sobre as variáveis empregadas no estudo. 34 – 59 jan. entretanto. podendo-se afirmar que o grupo de municípios estudado apresenta dados homogêneos.715 dU 2 2. Diante dos valores das estatísticas descritivas do Quadro 7 verifica-se que em média os municípios pesquisados empregam pouco mais de 41% de suas receitas correntes no pagamentos dos salários e encargos de seus funcionários e que esta é uma característica do grupo.dU 2. os dados da variável não representa uma característica do grupo de municípios estudados.0180). diante de seu coeficiente de variação. A variável F7 – Coeficiente de receitas líquidas de empréstimos sobre receita total. QUADRO 8 . para os fins desta pesquisa. 13 n.

1 p. com o pagamento de juros das dívidas contratadas consome em média 0.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO O gasto dos municípios brasileiros de porte médio. mensurar e avaliar as variáveis que determinam o espaço de manobra para o gerenciamento financeiro dos municípios brasileiros com população entre cem mil habitantes e um milhão. Foi empregada regressão linear múltipla com nível de significância de 1%. indicando que 96. CONCLUSÕES A pesquisa teve por propósito identificar. com o montante de recurso financeiro disponível sobre o qual o gestor público municipal exerce capacidade de escolha. em geral. a dispersão dos dados não indica que seja homogêneo no grupo tal aplicação das receitas. A Constituição Federal Brasileira assegura aos municípios o direito de participarem de determinadas receitas da União e dos Estados. devido ao expressivo contingente populacional e o nível de renda relativamente elevado. /mar. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 56 . aumentando suas receitas. que em média. para cada um de ativo financeiro disponível existem 3. mas. Entretanto. 13 n.58% da variação do EM é explicado pelas variáveis selecionadas para compor a regressão estimada. Essa capacidade de geração de recursos próprios por meio da arrecadação de taxas e impostos seria.16 de dívidas de longo prazo representadas pelo passivo permanente nos municípios brasileiros de porte médio. O R2ajustado apresentou-se altamente robusto. teoricamente. 34 .59 jan. em que momento gastar e de que forma realizar a despesa. Além disso. Observa-se pelos valores da variável G7 – Coeficiente de passivo permanente sobre ativo financeiro. com impostos e taxas.5% de suas receitas correntes (F9 – Coeficiente de despesas com juros sobre receitas correntes). a dispersão dos dados da variável mostra-se heterogênea no grupo de municípios. envolvendo 4 coeficientes representativos do espaço de manobra da gestão financeira municipal (EM) mensurados e utilizados como variáveis dependentes e um conjunto de 22 variáveis explicativas classificadas como financeiras ou de gestão. contribuindo de Forma positiva com suas finanças públicas. determinando em que gastar. O EM é conceituado. importante para os municípios de porte médio. os municípios podem tributar pessoas físicas e jurídicas nas suas jurisdições. porém. isso não encontra evidências PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v.

grande preocupação com os gastos com pessoal e com o endividamento na administração pública brasileira. entrou em vigor a Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). geralmente. foram as despesas com pessoal e o nível de endividamento nos entes públicos brasileiros. de aspectos associados às despesas. Isto pode ser explicado pelo fato de as administrações públicas serem entidades prestadoras de serviços o que exigem grande contingente de servidores para a realização de sua missão institucional. ou seja. As outras três variáveis relevantes para explicação de EM estão associadas ao endividamento público: F7 – Coeficiente de receitas líquidas de empréstimos sobre receita total. tanto que no ano de 2000. pois resultados demonstram que o espaço de manobra da gestão financeira municipal (EM) dos municípios brasileiros de porte médio. Entretanto. planos de carreiras e demissões mediante processo administrativo no qual seja assegurada ampla defesa. crescimento vegetativo do montante de gastos com o pagamento de pessoal e seus encargos sociais. ocasionando. basicamente. e os pontos centrais regulados pela referida lei complementar. Ressalta-se. /mar. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 57 . A variável F8 – Coeficiente de despesas com pessoal sobre receitas correntes é a que mais fortemente influencia o espaço de manobra da gestão financeira dos municípios de porte médio. Há. indicando que os recursos financeiros provenientes de novos endividamentos e a coerente gestão do endividamento público contribuem para o espaço de manobra da gestão financeira dos municípios brasileiros de porte médio. Tais superávits são considerados nesta pesquisa sob a forma de variáveis explicativas de EM. F9 – Coeficiente de despesas com juros sobre receitas correntes. 1 p. que a LRF preceitua e incentiva o equilíbrio das finanças públicas visando à geração de superávits financeiros e orçamentários. 34 – 59 jan. que garante estabilidade funcional. no Brasil. nenhuma das variáveis indicativas de superávits (G8 – Coeficiente do superávit corrente sobre a receita total. e G7 – Coeficiente de passivo permanente sobre ativo financeiro. da administração dos gastos com pessoal e do endividamento público. Ademir Clemente estatísticas nos dados analisados. G9 – Coeficiente do superávit corrente sobre a população e G10 – Coeficiente do superávit corrente sobre as receitas PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. contribui para esta questão o arcabouço legal existente no Brasil que disciplina a contratação de servidores públicos de carreira. depende. 13 n.Willson Gerigk. Também. a qual estabelece normas voltadas para a gestão fiscal responsável para todas as esferas de governo.

131-231. BRESSER PEREIRA. ciências contábeis e economia.. 8. Belo Horizonte: CBC. Contabilidade pública na gestão municipal. 1994. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CUSTOS.GESTÃO FINANCEIRA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE PORTE MÉDIO correntes) contribuem para explicação do espaço de manobra da gestão financeira. 3 ed.br. 2007.. 2006. pp. Regressão linear múltipla. Luiz J. FARONI. In: BRESSER PEREIRA. São Paulo: FGV. SPINK. Avaliação econômico-financeira dos municípios mineiros á luz da lei de responsabilidade fiscal no período de transição de governo. COSTA. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 58 . Contabilidade pública: teoria. Contabilidade pública. às variáveis selecionadas. Disponível em: http://www. 13 n. quanto mais são expandidas as ações governamentais na forma de prestação de serviços à população. João Eudes. PAULO.. São Paulo: Atlas. ed. Gestão do setor público: estratégia e estrutura para um novo Estado. Belo Horizonte/MG. o espaço de manobra da gestão financeira à disposição dos administradores dos municípios brasileiros de porte médio depende do montante de despesas relacionadas aos gastos com pessoal e do volume de receitas vinculadas ao crescimento do endividamento público municipal. possivelmente porque os superávits gerados pelos municípios estudados são pouco representativos diante da relevância das outras variáveis explicativas utilizadas. CD-ROM. CUNHA. diante das poucas alternativas disponíveis. Jacqueline V. Análise multivariada: para os cursos de administração. Daniele Martins Duarte. 34 . ANGÉLICO.59 jan. menor o EM e. dos municípios brasileiros de porte médio. Luiz Carlos. José Maria. REFERÊNCIAS ANDRADE. também. Assim. FINBRA – Finanças do Brasil. 2.tesouro. Acesso em: 20 de set 2009. Peter. COELHO. 2006. de natureza financeira e de gestão. Conclui-se que. técnica de elaboração de balanços e 500 questões. Anais.ed. Luiz Carlos. Walmer. consequentemente. Ressalte-se que os resultados encontrados por esta pesquisa estão limitados aos municípios brasileiros com população entre 100 mil e 1 milhão de habitantes e refere-se ao exercício financeiro de 2008. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. São Paulo: Atlas. Reforma do estado e administração pública gerencial. Alves. Rodrigo Souza. 1998. mais restritivas são as escolhas dos gestores municipais. A limitação está relacionada. decorrentes da redução do EM. DIAS FILHO. 1 p.gov. Em contrapartida. 13. João. os administradores municipais têm buscado aumentar o espaço de gerenciamento financeiro. Antonio Carlos. Rio de Janeiro: Elsevier. 2007. Secretaria do Tesouro Nacional – STN. BRASIL. In CORRAR. por meio do endividamento público. bem como à exatidão das informações disponibilizadas no banco de dados FINBRA/STN. São Paulo: Atlas. Edilson. 2006. (Organizadores). VIEIRA. 2006. BEZERRA FILHO. /mar.fazenda. Nilton Aquino de.

Bezerra. Josedilton Alves. Porto Alegre: Bookman. Eficácia orçamentária municipal: os impactos produzidos pela lei de responsabilidade fiscal. DINIZ. Curso de pós-graduação em administração. BLACK. Disponível em: http://www.. TATHAM. 8. Willson. GAEBLER.. 315 f. Manual de contabilidade pública: um enfoque na contabilidade municipal. GERIGK. Apresenta informações sobre dados estatísticos do Estado do Paraná.Willson Gerigk. de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. São Paulo: Atlas. Balanços públicos: teoria e prática. 2006. O impacto da Lei de Responsabilidade Fiscal sobre a gestão financeira dos pequenos municípios do Paraná. Ademir Clemente D’ÁURIA. 2002. n° 3. 1962. São Paulo: Atlas. MATIAS.gov. 2 ed. 2002. Hely Lopes. 2007. Trad. ______. David. Vera Martins.pr. Manual de gestão pública contemporânea. ed. Ronald L. v. 2000. Alberto Borges. ANDERSON. Sergio R... IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. São Paulo: Atlas. Ted. 2007. Rio de Janeiro: ANPAD. CABRA. Lino Martins. PESSOA. Reinventando o governo: como o espírito empreendedor está transformando o setor público. Ed Wilson. Salvador. SLOMSKI. CAMPELLO.rep. Joseph F. Dissertação (Mestrado em Contabilidade) Curso de Pós-Graduação em Contabilidade. Finanças públicas: a política orçamentária no Brasil. ISSN 1517-672 x (Revista impressa) ISSN 1984-6983 (Revista online) 59 . Francisco. 2007. SENA. G. ______. SANTANA.org. Acesso em: 20 set 2009. 2008. SILVA. José. Fernandes.24. São Paulo: Malheiros Editores. 2007. Pablo. Sérgio Fernando Guarischi Bath e Ewandro Magalhães Jr. 1999. 2004. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo. 31. /mar. 2005a. São Paulo: Atlas. KOHAMA. Administração financeira municipal.. ROGERS. ______. SANTOS. 28ª ed. Universidade Federal da Bahia. 2006. 2. São Paulo: Companhia Editora Nacional. SILVA. 7. Luiz Marcelo M.. João Pessoa: CBC. Universidade Federal do Paraná-UFPR. Direito administrativo brasileiro. Carneiro. CD-ROM. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CUSTOS. Curitiba.. 2004. Rolph E. João Pessoa/PB. Valmor. 2008. 34 – 59 jan. 2 ed. Carlos Antonio. Contabilidade pública: teoria e prática. 2003. 1 p. HAIR JR. LUQUE. OSBORNE. jul-set. Atualizada por: Eurico de Andrade Azevedo. São Paulo: Atlas. Anais. B. ed. Disponível em: http://www. Heilio. ed. Ana Maria F.. MEIRELLES. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO. CD-ROM. 10 ed.br. MENEZES. 2008. 14. O processo de descentralização e as contas públicas: um estudo sobre as bases financeiras municipais baianas. 5. 3 ed. Anais. 2007. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle Filho. 2000. Carlos A. 2007. Acesso em 20 nov 2009. 2008. São Paulo: Atlas. ed. Tese (Doutorado em Administração). MATIAS-PEREIRA. São Paulo: Atlas. Ciência das finanças: teoria e prática. A lei de responsabilidade na gestão fiscal: combatendo falhas de governo à brasileira. Luiz Gustavo S. B. Curso de administração pública: foco nas instituições e ações governamentais. Tradução Adonai Schlup Sant’Anna e Anselmo Chaves Neto.ipardes. A. PRETEXTO 2012 Belo Horizonte v. Revista de Economia Política. São Paulo: Atlas. Ludiany Barbosa. 2007. William C. Brasília: MH Comunicações.br. 000 f. Análise agregada dos municípios mineiros de grande porte quanto a adequação à lei de responsabilidade fiscal (LRF). 13 n. Análise multivariada de dados.