Saneamento e Planejamento

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Lei 11.445/2007 e Dec. 7217/2010

LUIZ HENRIQUE ANTUNES ALOCHIO
(ALOCHIO@CAPADVOCACIA.COM.BR)

Estrutura complexa do saneamento ...
Saúde Meio ambiente

Orçamento
Dignidade Humana

Gestão Legislação Política

O chamado microssistema jurídico do saneamento ambiental
A Lei 11.445/2007: Traz regras gerais sobre todos os serviços de sanamento ●O Decreto Presidencial 7217/2010: busca „regulamentar“ a Lei 11.445/2007, apesar de em muitos pontos „parecer inovar“. ●A Lei 12.305/2007: trata especialmente dos resíduos sólidos.

A Lei 11.445/2007: Princípios Norteadores
A Lei 11.445/2007
I. É a regra geral do setor de saneamento; II. Além disso, a própria Lei 12305/2010 determina a aplicação em seu art. 2º caput;

.articulação com as demais políticas de desenvolvimento urbano e regional etc. para as quais o saneamento básico seja fator determinante. VI . .445/2007 faz referência expressa a 12 princípios gerais Inúmeros princípios da Lei 11445/2007 conduzem à ideia de planejamento Por exemplo: V – atenção às peculiaridades locais e regionais.A Lei 11.

de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais. para as quais o saneamento básico seja fator determinante. VI .articulação com as demais políticas de desenvolvimento urbano e regional etc. II .445/2007 faz referência expressa a 12 princípios gerais I .Servios realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente. .A Lei 11.integralidade.disponibilidade. V – atenção às peculiaridades locais e regionais. em todas as áreas urbanas.universalização do acesso.. IV . III .

utilização de tecnologias apropriadas à capacidade de pagamento dos usuários e a adoção de soluções graduais e progressivas.445/2007 faz referência expressa a 12 princípios gerais VII . X .integração das infra-estruturas com a gestão eficiente dos recursos hídricos.controle social.segurança. qualidade e regularidade. .transparência das ações. VIII .eficiência e sustentabilidade econômica. XI . IX .A Lei 11. XII .

Valorização econômica II.Não faz referência ao Princípio da Valorização O que é o princípio da valorização? ●A noção de desinteresse inerente. ●Valorizar oque? O lixo?? ●Valor porque? I. Valorização política ● .

●A despreocupação técnica ●A despreocupação ambiental ●E por que? O desinteresse inerente ● . ●A opção pelos lixões.Onde a valorização afeta os interesses locais? Um dever de casa mal realizado.

445/2007 PLANEJAMENTO. .De toda sorte: é preciso PLANEJAR A Lei n. 11. é pródiga na noção de Não são poucas as referências aos PLANOS e ao PLANEJAMENTO.

nos termos do respectivo plano de saneamento básico.445/2007 Art. 11.a existência de plano de saneamento básico. .a existência de estudo comprovando a viabilidade técnica e econômico-financeira da prestação universal e integral dos serviços. 11. II . devendo.Lei n. 9o O titular dos serviços formulará a respectiva política pública de saneamento básico. para tanto: I .elaborar os planos de saneamento básico. nos termos desta Lei. São condições de validade dos contratos que tenham por objeto a prestação de serviços públicos de saneamento básico: I . Art.

] § 1o Os planos de investimentos e os projetos relativos ao contrato deverão ser compatíveis com o respectivo plano de saneamento básico. .[. § 2o Nos casos de serviços prestados mediante contratos de concessão ou de programa. regulação e fiscalização dos serviços.445/2007 Art. 11..... as normas previstas no inciso III do caput deste artigo deverão prever: [.Lei n. 11.mecanismos de controle social nas atividades de planejamento.] V .

Art. 11. Os entes da Federação.compatibilidade de planejamento. isoladamente ou reunidos em consórcios públicos. . poderão instituir fundos. 14.445/2007 Art. aos quais poderão ser destinadas. com a finalidade de custear. na conformidade do disposto nos respectivos planos de saneamento básico. parcelas das receitas dos serviços.. entre outros recursos. a universalização dos serviços públicos de saneamento básico. 13. A prestação regionalizada de serviços públicos de saneamento básico é caracterizada por: [..Lei n.] III .

445/2007 Art. No exercício das atividades de planejamento dos serviços a que se refere o caput deste artigo. Na prestação regionalizada de serviços públicos de saneamento básico. 11.] Parágrafo único. . o titular poderá receber cooperação técnica do respectivo Estado e basear-se em estudos fornecidos pelos prestadores. as atividades de regulação e fiscalização poderão ser exercidas: [.. 15.Lei n..

implementação e avaliação das suas ações de saneamento básico.adoção da bacia hidrográfica como unidade de referência para o planejamento de suas ações. Art. . A União..Lei n. 48. 11.. O serviço regionalizado de saneamento básico poderá obedecer a plano de saneamento básico elaborado para o conjunto de Municípios atendidos. 17. [.] X .445/2007 Art. observará as seguintes diretrizes: IV .utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento social no planejamento. no estabelecimento de sua política de saneamento básico.

A alocação de recursos públicos federais e os financiamentos com recursos da União ou com recursos geridos ou operados por órgãos ou entidades da União serão feitos em conformidade com as diretrizes e objetivos estabelecidos nos arts. 11. São objetivos da Política Federal de Saneamento Básico: [.incentivar a adoção de mecanismos de planejamento. 49..Lei n. regulação e fiscalização da prestação dos serviços de saneamento básico. 48 e 49 desta Lei e com os planos de saneamento básico e condicionados: .445/2007 Art. Art. 50.] VI ..

Lei n. 47 desta Lei. A divulgação das propostas dos planos de saneamento básico e dos estudos que as fundamentarem dar-seá por meio da disponibilização integral de seu teor a todos os interessados. O processo de elaboração e revisão dos planos de saneamento básico deverá prever sua divulgação em conjunto com os estudos que os fundamentarem.445/2007 Art. análise e opinião por órgão colegiado criado nos termos do art. quando previsto na legislação do titular. 51. . o recebimento de sugestões e críticas por meio de consulta ou audiência pública e. Parágrafo único. inclusive por meio da internet e por audiência pública. 11.

A União elaborará. Distrito Federal e Municípios envolvidos para as regiões integradas de desenvolvimento econômico ou nas que haja a participação de órgão ou entidade federal na prestação de serviço público de saneamento básico.] II .planos regionais de saneamento básico. sob a coordenação do Ministério das Cidades: I .Lei n.PNSB que conterá: [. 52...445/2007 Art. . elaborados e executados em articulação com os Estados. 11.o Plano Nacional de Saneamento Básico .

Lei n.445/2007 ISTO SEM FALAR EM UM CAPÍTULO INTEIRO DEDICADO À IDEIA DE CAPÍTULO IV DO PLANEJAMENTO . 11.

19. o qual abrangerá.diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida.. 11. [.445/2007 Art. A prestação de serviços públicos de saneamento básico observará plano. epidemiológicos. ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas. que poderá ser específico para cada serviço.Lei n.. no mínimo: I .] . utilizando sistema de indicadores sanitários.

. 19. identificando possíveis fontes de financiamento.. de modo compatível com os respectivos planos plurianuais e com outros planos governamentais correlatos.objetivos e metas de curto. observando a compatibilidade com os demais planos setoriais. [. admitidas soluções graduais e progressivas.445/2007 Art.programas. médio e longo prazos para a universalização.Lei n. III . projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas. 11..] II .

. [. 11. V .ações para emergências e contingências.. 19.] IV .mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas.Lei n..445/2007 Art.

podendo ser elaborados com base em estudos fornecidos pelos prestadores de cada serviço.Lei n.. .445/2007 Art.] § 1o Os planos de saneamento básico serão editados pelos titulares. [. § 2o A consolidação e compatibilização dos planos específicos de cada serviço serão efetuadas pelos respectivos titulares. 11.. 19.

. 11.445/2007 Art.. [.Lei n. anteriormente à elaboração do Plano Plurianual.] § 3o Os planos de saneamento básico deverão ser compatíveis com os planos das bacias hidrográficas em que estiverem inseridos.. § 4o Os planos de saneamento básico serão revistos periodicamente. em prazo não superior a 4 (quatro) anos. 19.

inclusive com a realização de audiências ou consultas públicas.. [. 19. § 6o A delegação de serviço de saneamento básico não dispensa o cumprimento pelo prestador do respectivo plano de saneamento básico em vigor à época da delegação.Lei n. 11.445/2007 Art.] § 5o Será assegurada ampla divulgação das propostas dos planos de saneamento básico e dos estudos que as fundamentem.. .

19.. § 8o Exceto quando regional. 11. .445/2007 Art.. [. 14 desta Lei. os planos de saneamento básico devem ser editados em conformidade com o estabelecido no art. o plano de saneamento básico deverá englobar integralmente o território do ente da Federação que o elaborou.] § 7o Quando envolverem serviços regionalizados.Lei n.

podemos encontrar esse prazo?? .445/2007 De forma expressa a Lei11445/2007 não refere a um PRAZO para a elaboração dos Planos de Saneamento. 11. Mas.Lei n.

Princípio Constitucional da EFICIÊNCIA.PRAZO PARA O PLANEJAMENTO Planejamento com condição sine qua non para o funcionamento de ambientes complexos.. Planejar decorre do próprio serviço .. .

De fato . por ser a necessidade de PLANEJAMENTO imediata. Não há PRAZO na lei. EMERGENCIAL .. Não haver plano seria omissão atentatória a Princípios e Valores Constitucionais....PRAZO PARA O PLANEJAMENTO Portanto .

organização e orientação de todas as ações. por meio das quais o serviço público deve ser prestado ou colocado à disposição de forma adequada. 2o Para os fins deste Decreto. 7217/2010 parece desautorizar nossa conclusão. 7217/2010 Porém. o DEC. públicas e privadas.planejamento: as atividades atinentes à identificação.O DEC. Inclusive um CONCEITO: Art. consideram-se: I . qualificação. quantificação. E nos traz regras de planejamento. .

quando destinados a serviços de saneamento básico.O DEC. 7217/2010 E OS PRAZOS? Art.. [. 26. . a existência de plano de saneamento básico.. elaborado pelo titular dos serviços. será condição para o acesso a recursos orçamentários da União ou a recursos de financiamentos geridos ou administrados por órgão ou entidade da administração pública federal.] § 2o A partir do exercício financeiro de 2014.

por meio de legislação específica. a partir do exercício financeiro de 2014. 7217/2010 E OS PRAZOS? Art. .O DEC. O controle social dos serviços públicos de saneamento básico poderá ser instituído mediante adoção. acesso aos recursos federais ou aos geridos ou administrados por órgão ou entidade da União. 34. dos seguintes mecanismos: § 6o Será vedado. àqueles titulares de serviços públicos de saneamento básico que não instituírem. o controle social realizado por órgão colegiado. nos termos do inciso IV do caput. quando destinados a serviços de saneamento básico. entre outros.

Não se retira a obrigatoriedade do PLANEJAMENTO “JÁ”.. Será que até 2014 pode a União investir onde NÃO HAJA PLANEJAMENTO? ..). As referências a 2014 são para ACESSO A RECURSOS da União (etc.O prazo de 2014: Uma leitura cautelosa.

Diante dos PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA EFICIÊNCIA. caberia a um DECRETO enlarguecer um PRAZO PARA APLICAÇÃO DE “RECURSOS PÚBLICOS”. em AMBIENTES SEM PLANEJAMENTO? Especialmente quanto PLANEJAR CONDIÇÃO INERENTE a tais serviços? deveria ser Vamos esperar a posição dos Ministérios Públicos ..O prazo de 2014: Uma leitura cautelosa.. . DA ECONOMICIDADE e tantos outros.

.Planos e Gestão participativa Tanto a Lei 11445/2007 quanto o Decreto 7217/2010 referem à necessidade de Gestão Democrática no saneamento. CONTROLE SOCIAL e PARTICIPAÇÃO POPULAR DIRETA.

IV . representações técnicas e participações nos processos de formulação de políticas. X Lei 11.Planos e Gestão participativa CONTROLE SOCIAL como PRINCÍPIO (Art. 3º. .445) O conceito de CONTROLE SOCIAL: ART.controle social: conjunto de mecanismos e procedimentos que garantem à sociedade informações. de planejamento e de avaliação relacionados aos serviços públicos de saneamento básico. 2º.

V da Lei 11445) A existência de mecanismos de Controle social é condição de validade de contratos de concessão ou de programa (art. 9º. 11. V da Lei 11445) . § 2o .Planos e Gestão participativa O Titular DEVE estabelecer mecanismos de Controle social (art.

no caso de concessão. São condições de validade dos contratos que tenham por objeto a prestação de serviços públicos de saneamento básico: [. .] IV .Planos e Gestão participativa Art.. 11 (Lei 11445). e sobre a minuta do contrato.a realização prévia de audiência e de consulta públicas sobre o edital de licitação..

Planos e Gestão participativa Art. A divulgação das propostas dos planos de saneamento básico e dos estudos que as fundamentarem dar-seá por meio da disponibilização integral de seu teor a todos os interessados. Parágrafo único. quando previsto na legislação do titular. . 51 (Lei 11445). análise e opinião por órgão colegiado criado nos termos do art. o recebimento de sugestões e críticas por meio de consulta ou audiência pública e. inclusive por meio da internet e por audiência pública. O processo de elaboração e revisão dos planos de saneamento básico deverá prever sua divulgação em conjunto com os estudos que os fundamentarem. 47 desta Lei.

A FEDERAÇÃO DE CABEÇA PRÁ BAIXO! . [.. A realização das audiências públicas e da consulta pública será disciplinada por instrução do Ministro de Estado das Cidades. 61..] Parágrafo único.O que são AUDIÊNCIAS PÚBLICAS? Decreto 7217/2010 Art.

O que são AUDIÊNCIAS PÚBLICAS? Decreto 7217/2010 Art. 61.. [.. A FEDERAÇÃO DE CABEÇA PRÁ BAIXO! .] Parágrafo único. A realização das audiências públicas e da consulta pública será disciplinada por instrução do Ministro de Estado das Cidades.

Obrigado Luiz Henrique Antunes Alochio alochio@capadvocacia.com.br .