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6o ano – Unidade 2

Matemática no tempo

A aritmética na Idade Média
No ano 305, o imperador Diocleciano dividiu o Império Romano em duas partes: o Império Romano Ocidental, com capital em Roma, e o Império Romano Oriental, com capital na cidade de Bizâncio (posteriormente chamada Constantinopla e hoje conhecida como Istambul). Em 476, os “bárbaros” invadiram e conquistaram o Império Romano Ocidental, marcando o início do período da Idade Média. Quanto ao desenvolvimento da Matemática teórica, os romanos quase nada produziram, porque só se interessavam pelo lado prático e imediato dessa ciência. Mas é necessário dizer que em áreas como arte, literatura, ciência jurídica, arquitetura e engenharia, os romanos foram muito bons e deixaram grandes obras. Durante a Alta Idade Média (do século V ao século XI, aproximadamente), o saber era cultivado apenas nos monastérios e de forma muito limitada. O latim vulgar era a língua falada nas várias províncias romanas do Ocidente, embora o conhecimento matemático teórico mais importante acumulado até aquela época estivesse principalmente em obras gregas e também em obras árabes (várias traduzidas do grego). Foi nesse contexto que um intelectual romano propôs estabelecer uma ponte entre a Antiguidade grega e a Idade Média ocidental, o que implicava traduzir e adaptar para o latim obras gregas clássicas, inclusive de matemática. Anicius Boethius (c. 475-524), ou simplesmente Boécio, nasceu numa família rica e teve uma boa educação, considerando as condições da época. Por seus méritos, foi escolhido pelo rei ostrogodo Teodorico, que governava a Itália desde 493, para ser seu assessor, uma espécie de primeiro-ministro. Mas acabou sendo acusado de traição, foi preso e, depois, executado. Durante o período em que esteve na prisão, Boécio escreveu A consolação da filosofia, uma obra clássica que convida à reflexão. A ideia de Boécio para que o Ocidente saísse da estagnação intelectual em que se encontrava na época era fornecer aos estudiosos livros-textos que fossem a base para o quadrivium, nome introduzido por ele para designar o conjunto formado pelas disciplinas: aritmética, música, geometria e astronomia. O mais popular dos livros de Boécio foi De institutione arithmetica, uma quase tradução do livro Arithmetike eisagoge (Introdução à aritmética) escrito por Nicômaco, um árabe originário de Gerasa, cidade da Judeia próxima de Jerusalém, que viveu por volta do ano 100 d.C. Essa obra de Nicômaco é a primeira na história a abordar a aritmética de forma totalmente independente da geometria. Sua adaptação em latim feita por Boécio alcançou um sucesso extraordinário, pois foi o livro usado para o ensino de aritmética em toda a Idade Média (que durou cerca de um milênio). Seguindo Nicômaco, Boécio também dividia os números pares em abundantes, deficientes e perfeitos. Vejamos o que isso significa. Os divisores próprios de 12 são 1, 2, 3, 4 e 6, e como 1 + 2 + 3 + 4 + 6 = = 16 > 12, então 12 é um número abundante. Já os divisores próprios de 8 são 1, 2 e 4, e como 1 + 2 + 4 = = 7 < 8, então 8 é um número deficiente. Por fim, como os divisores próprios de 6 são 1, 2 e 3 e 1 + 2 + + 3 = 6, então 6 é um número perfeito. Na verdade, esses conceitos não se restringem aos números pares, se aplicam a números naturais não nulos em geral. Boécio afirmava que havia muitos números abundantes e muitos números deficientes, mas poucos números perfeitos. Na verdade, Nicômaco e Boécio conheciam apenas quatro números perfeitos: 6, 28, 496 e 8128 e admitiam implicitamente, sem nenhuma justificativa, que os números perfeitos são pares. Mas, de fato, até hoje não se sabe se há números perfeitos ímpares ou não.

A Arithmetica de Nicômaco. isto é. sem preocupação teórica alguma. 5. a) Mostre que o número 496 é realmente um número perfeito. a civilização mais desenvolvida intelectualmente da Antiguidade.C. 9. se dedicam a um estudo puramente teórico da aritmética. Esse resultado é verdadeiro? Sim. 3. 13. 11. Procure informações sobre Euclides de Alexandria e explique por que Nicômaco não seguiu os padrões dos Elementos de Euclides. 1 = 13. b) O número 100 é deficiente ou abundante? 4. Mesmo assim.. escrita cerca de 400 anos depois. . a soma dos três termos seguintes é o cubo de 3 (7 + 9 + 11 = 33)..6o ano – Unidade 2 Um interessante resultado descoberto por Nicômaco é que na sequência de números ímpares: 1. 17.C. Pesquise a origem dos ostrogodos e como se tornaram governantes da Itália. obra escrita por volta do ano 300 a. 15. O texto relata que em 493 a Itália era governada pelo rei ostrogodo Teodorico. a soma dos dois termos seguintes é o cubo de 2 (3 + 5 = 23).. 3. Explorando a leitura 1. Por quê? 2. Nos dois últimos séculos do período de governo republicano. Roma recebeu significativa influência grega. mas nem Nicômaco e nem Boécio fizeram a prova. Três dos 13 livros dos Elementos de Euclides.. que termina no ano 31 a. os romanos pouco realizaram como cientistas. o primeiro termo é o cubo de 1. 7. apenas enuncia propriedades e dá exemplos. e assim por diante. .