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A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça

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Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional

Gabinete dos Juízes Assessores - Assessoria Cível

A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça

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Responsabilidade civil do Estado - Acto de gestão pública - Direito de regresso - Contencioso administrativo - Acto judicial - Interpretação da lei I - O regime de direito de regresso do Estado sobre os seus funcionários constante do DL n.º 48051, de 21-11-67, respeitante à responsabilidade civil por actos de gestão pública, está actualmente ultrapassado por, no tocante à ampla isenção de responsabilidade do titular ou agente face ao lesado, contrariar a regra geral da solidariedade estabelecida no art.º 22 da CRP. II - Integra a actividade de gestão pública a prolação de uma sentença por um juiz. III - A jurisdição administrativa apenas é concebida, pela CRP, para dirimir conflitos emergentes de relações administrativas, pelo que a menção que no art.º 51, al. h), do DL n.º 129/84, de 27-04 Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais - se faz a actos de gestão pública apenas pode abranger os que se desenvolvem no âmbito de relações jurídicas deste último tipo. IV - A ele escapam, naturalmente, os actos judiciais, assente, como é, a distinção entre Administração e Jurisdição. V - Regendo o DL 48051 quanto à responsabilidade do servidor do Estado em geral, e tendo o art.º. 1083, do CPC, uma incidência subjectiva especial bem marcada, não foi este preceito revogado por aquele diploma, pois a lei especial não é revogada pela lei geral posterior, a não ser que outra fosse a inequívoca intenção do legislador. VI - A responsabilidade civil dos juízes continua a ser regulada pelo art.º 1083, do CPC, que não é afectado pelo regime geral previsto no art.º 22, da CRP, atento o constante do seu art.º 218, n.º 2. VII - Para além do disposto nos art.ºs 27, n.º 5, e 29, n.º 6, da CRP, também o seu art.º 22 dá fundamento à responsabilidade civil do Estado por facto do exercício do poder jurisdicional, ainda que em concreto se não verifique responsabilidade civil do juiz. VIII - Apontam neste sentido os termos amplos em que a norma está redigida - designadamente por se não referir à actividade administrativa tout court - e a sua inserção num Título definidor de princípios gerais, assim como a circunstância de também os juízes poderem ser, em alguns casos, responsabilizados, não se compreendendo que com eles o não seja o Estado. IX - Neste campo da responsabilidade civil do Estado por facto do exercício do poder jurisdicional pode aceitar-se uma que seja emergente da má organização do sistema judicial, estruturado em moldes insuficientes para a satisfação das necessidades do sector, a par de uma outra que tem a sua origem no mau desempenho das suas funções por parte de agentes judiciários estaduais. X - O art.º 22, da CRP, não está incluído no Título II - Direitos, Liberdades e Garantias, mas tem uma natureza análoga aos direitos que deste Título constam, pelo que lhe deve ser estendido o regime ditado pelo art.º 18, n.º 3 - designadamente, a sua aplicação directa, independentemente da existência de lei ordinária que o concretize. XI - Impõe-se, porém, complementar o princípio assim constitucionalmente garantido com os princípios gerais da responsabilidade civil, o que nos obriga a identificar o ilícito e a conduta culposa do juiz, embora esta não condicionada à verificação da responsabilidade efectiva deste. XII - E não se vê que possam ser aqui directamente aplicados os art.ºs 4, n.º 1, e 6, do DL 48051, dado o seu desajustamento face às realidades em presença. XIII - Visto que as suas características de generalidade e abstracção distanciam cada vez mais a lei dos casos da vida, e considerando a multiplicidade de factores, endógenos e exógenos, determinantes da opção final que o juiz toma, bem se compreende que seja com grande frequência que se manifestam sobre a mesma questão opiniões diversas, cada uma delas capaz de polarizar larga adesão, e com isso se formando correntes jurisprudenciais das quais, se se pode ter a certeza de que não estão ambas certas, já difícil ou impossível será assentar em qual está errada. XIV - Dentro deste quadro, a culpa do juiz só pode ser reconhecida, no tocante ao conteúdo da decisão que proferiu, quando esta é de todo desrazoável, evidenciando um desconhecimento do Direito ou uma falta de cuidado ao percorrer o iter decisório que a levem para fora do campo dentro do qual é natural a incerteza sobre qual vai ser o comando emitido. XV - Não é sindicável a actividade de interpretação de normas jurídicas. XVI - Se a decisão judicial examinou cuidada e aprofundadamente a questão e os elementos doutrinários e jurisprudenciais a ela atinentes e chegou a uma conclusão que não pode facilmente ser apodada de errada, e nem sequer de lhe haver dado origem uma atitude negligente dos julgadores, e,

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Revista n.. segue uma orientação que. VI . Ribeiro Coelho * Responsabilidade civil do Estado .Norma que sempre seria de aplicar com recurso à analogia da responsabilidade por actos administrativos e/ou materiais lícitos. a perduração de uma situação de privação de liberdade pelo período de cinco meses.2. a que se chegue.ª Secção . É certo que este preceito se reporta expressamente a “actos administrativos legais ou actos materiais lícitos”. de 21-11-67.1. tem a seu favor o apoio que lhe dão outras já proferidas no mesmo sentido.Impõe-se que haja a certeza de que um juiz normal e exigivelmente preparado e cuidadoso não teria nunca julgado pela forma que tiver tido lugar. desde que os mesmos hajam imposto encargos ou causado prejuízos especiais e anormais. e segundo qualquer padrão aferidor de carácter objectivo. XX .Assessoria Cível .Obrigação de indemnizar Interpretação conforme a CRP .º 23. em abstracto.Relator: Cons. por ex.não é de afastar a inclusão da hipótese vertente no âmbito da previsão daquele preceito legal. 08-07-1997 . nem o respectivo preâmbulo dá conta dessa intenção. do DL 48. não há actividade culposa relevante para o efeito. de per si. ambos da CRP.º 27. que nem este diploma afirma. de provir de uma negligência indesculpável e intolerável. Mas numa interpretação “conforme a Constituição” . embora lesivos. isto é.Tal situação de lesão grave da esfera individual e subjectiva dos cidadãos encontra guarida tutelar.Processo n.Não há assim incompatibilidade mas complementaridade entre a previsão genérica do art. Ferreira de Almeida Gabinete dos Juízes Assessores .22 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional ainda muito menos.Privação da liberdade . por maioria de razão (argumento a fortiori) as violações graves dos direitos de personalidade (entre estes o direito à liberdade) advenientes de actos lícitos emitidos por órgãos inseridos em algum dos poderes do Estado. de que não foi justa ou a melhor a solução encontrada no julgamento que vier questionado.ª Secção . é. 12-11-1998 . não só para o futuro. sendo esta inadmissível e fora dos cânones minimamente aceitáveis. XVII .Para tal não se torna necessário criar a aludida “norma de decisão”. tendente a assegurar a reparação de danos resultantes de actos lesivos de direitos. XIX .Para o reconhecimento. abrangendo também.º 774/96 . nem sequer se conhece que houvesse.º 22 e a previsão específica do art. por parte do Estado. no seio de um procedimento ablatório do Estado. em concreto. que a final do processo instrutor se veio a revelar injustificada. por facto do exercício da função jurisdicional não basta a discordância da parte que se diz lesada. após considerar com cuidado uma questão que lhe é posta. do CExp de 1991. para o cidadão que é suposto ser o querido pela ordem jurídica.Relator: Cons. observância dos critérios gerais da indemnização e reparação de danos). já que este último inciso constitucional representa um alargamento (um “majus”) da responsabilidade civil do Estado já consagrada naquele anterior normativo.º 5.º 22 do texto constitucional. não tem natureza interpretativa.Muito embora lícita quanto aos cânones processuais cabíveis. “cabendo aos juízes criar uma «norma de decisão» (aplicação dos princípios gerais da responsabilidade da administração.Não pode um juiz ser criticado como gravemente negligente se. mas também quanto a casos passados. nem sequer a convicção. na prática judiciária. divergência sobre esse ponto que justificasse ter o legislador sentido necessidade de a ela obviar. liberdades e garantias ou dos interesses juridicamente protegidos dos cidadãos”. já que procederiam as razões justificativas do caso previsto na lei. IV . de uma obrigação de indemnizar.O art. n. não sendo indiscutível.Analogia I .º 9. V . do CC .º 9.051. particularmente grave e de especial danosidade para a esfera jurídico-pessoal de qualquer cidadão médio em termos de comportamento cívico. pois que o ordenamento positivo vigente contempla já o princípio geral da obrigação de indemnização dos cidadãos pelo Estado por actos materialmente lícitos no art.tendo em conta a “unidade do sistema jurídico” e os demais cânones interpretativos constantes do art.No âmbito da norma em apreço não cabem somente os actos lesivos praticados. III .º 795/98 . II . XVIII . desde logo na previsão do art.

03-12-1998 . II . prima facie por negligência grosseira. ser alteradas por tribunais de hierarquia superior .v. porque o MP assim requereu sem que estivessem verificados os requisitos exigidos por este preceito legal. ou fora do exercício do seu múnus ou sem utilização do processo devido. constitui legislação nos termos previstos no n. que a final do processo instrutor se veio a revelar realmente injustificada .1. III . g. apenas limitados pelo dever de obediência à Constituição e à Lei e pelo respeito pelos juízos de valor legais. sem dúvida. v.Revista n. não podendo porém ser penalizados pelos juízos técnicos emitidos nas respectivas decisões.2.Relator: Cons. embora investidos da autoridade própria do cargo.Revista n. erro na interpretação ou erro na qualificação.é. II . 03-12-1998 . Afonso de Melo Responsabilidade civil do Estado .Indeferimento liminar da petição . a prisão apenas injustificada.º 21/85.Revista n. no exercício da sua competência funcional.2.ª Secção . ordenada no abrigo deste Código após 01-01-88. É norma de direito material que passou a vigorar com a entrada do respectivo Código.º 864/98 .1.º 920 do CPC. Ferreira de Almeida Responsabilidade civil do Estado . em via de recurso.ºs 202 a 294 do texto actual) e 4 e 5 do EMJ aprovado pela Lei n.ºs: 205 e 208 da CRP revista em 1989 (art.º 27 da CRP e.º 1.Relator: Cons. Costa Soares Gabinete dos Juízes Assessores .Indemnização . pois não se relaciona com o tipo de processo em que se insere. 03-12-1998 . se hajam determinado à margem dos princípios deontológicos e estatutários que regem o exercício da função judicial ou.ª Secção . mas não deve servir prematuramente de fundamento do despacho de indeferimento liminar.muito embora lícita face aos cânones processuais cabíveis .º 795/98 . e segundo qualquer padrão aferidor de carácter objectivo. de per si. como particularmente grave e de especial danosidade para a esfera jurídico-pessoal de qualquer cidadão médio em termos de comportamento cívico.º 1018/98 .Indemnização .Se a execução prosseguiu nos termos do n. 03-12-1998 .Responsabilidade civil do Estado . as levadas a cabo por entidades administrativas ou policiais. aplicando-se mesmo às prisões ordenadas nos processos que nos termos do art. g.Prisão preventiva I . II .Tal norma.º 570 do CC. concessão.º 7. Afonso de Melo Responsabilidade civil .O art.Privação da liberdade .º 644/98 .A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 23 Responsabilidade civil . abuso do poder ou prevaricação.a perduração de uma situação de privação de liberdade pelo período de cinco meses. ainda. em abstracto.Ao referir-se ao erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto da aplicação da medida de prisão preventiva. ainda que estas possam. de 30 de Julho. os quais se encontram. pode eventualmente ser relevante nos termos do art.º 5 do art.º 1 do art. na perspectiva de que normalmente seria revogada. de 17-02. isto é para o cidadão que é suposto ser o querido pela ordem jurídica. impulsionados por motivações de relevância criminal. Assim. II . por peita. do CPP de 1987.Assessoria Cível . houve violação grave da lei processual.O facto de a autora e então exequente não ter recorrido da decisão.art.Agravo n.E isto.Aplicação da lei no tempo I .ª Secção .º 225. suborno. a lei pretendeu afastar da respectiva previsão os casos em que haja sido cometido qualquer erro de direito. quanto às prisões preventivas apenas injustificadas ampliou a responsabilidade civil do Estado.Responsabilidade civil do Estado .ª Secção .Relator: Cons.Prisão preventiva . como requisito da indemnização.Petição inicial . em qualquer das suas modalidades de erro na aplicação. quanto às detenções ou prisões preventivas ilegais.No n.º 2 do art. ou mesmo quando.Execução I . continuaram a reger-se pelo CPP de 1929. com o objectivo de preservar a independência dos juízes na administração da justiça. não tem natureza processual.º 225 do CPP de 1987 prevê-se indemnização por prisões preventivas manifestamente ilegais . do DL 78/87.Nesta mesma previsão legal incluem-se também as situações em que tais medidas de coacção sejam aplicadas por magistrados judiciais agindo desprovidos da necessária competência legal. n. concussão.Negligência grosseira .Obviamente que . obriga o Estado a indemnizar.Pressupostos I .Relator: Cons.

º 2 do art. 09-12-1999 .A obrigação de indemnizar.Revista n.ºs 5.ª Secção .º 1004/99 .Apreensão de veículo Gabinete dos Juízes Assessores .O art.Tal preceito.º 1.º 5 da CRP.º 27. n.º 27 da CRP.º 3.O estabelecimento do nexo causal entre o facto ilícito e o dano.º 18 n.O art. II . da CRP. veio regulamentar os termos em que o direito de indemnização deve ser exercido tal como estabelecido no art.Prisão ilegal . pelo que o autor tinha o prazo de um ano previsto no art. se necessário. II . 11-11-1999 . 483 e 562 do CC.Pais de Sousa (Relator). Afonso de Melo e Machado Soares Prisão preventiva . sendo a sua directa aplicação realizada por uma norma de decisão a criar pelos próprios tribunais.Duarte Soares (Relator). Sousa Inês e Nascimento Costa Estado . II . não tendo a acusação interposto recurso no prazo de 10 dias a contar da prolação da decisão absolutória do autor. e a esfera por ele propugnada esgota-se no art. III .º 226 n.º 831/99 . consagra a responsabilidade directa do Estado por actos da função jurisdicional por lesão grave do direito da liberdade.Pinto Monteiro (Relator).Revista n.Revista n. consubstanciado na morosidade do processo.Indemnização . 9 PIDCP. sem concurso de conduta dolosa ou negligente do arguido para a formação do erro.ª Secção . por força do determinado no art.º 225.º 22 da CRP respeita genericamente à defesa dos direitos liberdades e garantias das pessoas. 06-01-2000 .Caducidade I . só o poderá ser no respeitante aos danos que tenham com esse ilícito. prazo que expirara quando a presente acção entrou em juízo. da CRP. n.Revista n. com uma aplicação específica. está prevista a indemnização por parte do Estado por privação da liberdade em dois casos: por detenção ou prisão preventiva manifestamente ilegal e por prisão preventiva legal mas injustificada por erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto.º 226. nessa mesma data libertado. é directamente aplicável não só às relações entre os particulares e o Estado.ª Secção . Simões Freire e Roger Lopes Responsabilidade extracontratual . por parte do Estado.Indemnização I . além do direito à presunção de inocência.º 743/99 . Lemos Triunfante e Torres Paulo Estado .º 225 do CPP.Caducidade Tendo o autor sido julgado e absolvido do crime de que estava pronunciado.O art. essa decisão transitou em julgado e tornou-se definitiva a partir de 28-01-1991. por constituir questão de facto. da CRP. para propor acção de indemnização contra o Estado Português. do CPP de 1987.º 722.Nos termos do art. uma relação de causalidade adequada. do CPP.Obrigação de indemnizar .º 5.Assessoria Cível .ª Secção . especificadamente os referentes aos art. data em que o processo penal respeitante ao autor ficou definitivamente decidido.2.Miranda Gusmão (Relator) *.Nexo de causalidade .º 225 do CPP de 1987. III . da CEDH.ª Secção . 7.São válidas as restrições dos direitos contempladas no art.º 27.6. respeita a casos de privação da liberdade das pessoas. do CPP.Revista n. mas também às relações entre particulares.º 5 do art. do CC. 09-12-1999 .º 27.O art. II .1. n.º 225 do CPP.º 1. relacionada com os atrasos injustificados na administração da justiça.Indemnização .Peixe Pelica (Relator). Noronha Nascimento e Ferreira de Almeida Prisão preventiva . não pode ser objecto do recurso de revista pois a tal obsta o disposto no n.Estado . é a consagração legislativa correcta do princípio constitucional estabelecido no n.24 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional Responsabilidade civil do Estado .2. 17-02-2000 .º 1207/99 .Prisão preventiva I . exigindo-se prejuízos anómalos e de particular gravidade.º 762/99 . por decisão de 17-01-91 e.7.Matéria de facto I .O art.

mas é bem possível conceber casos que constituem o Estado no dever de indemnizar. quando estão em causa graves efeitos danosos por factos lícitos advenientes da função jurisdicional. através da qual se decretou uma prisão preventiva legal e sem erro grosseiro. pensável uma responsabilidade solidária do Estado com os titulares dos órgãos em causa. mas à qual não corresponde factualidade nenhuma. de 25-01. vem a ser ordenada a restituição de veículos apreendidos em processo-crime ou de contra-ordenação.º 2907/00 . automaticamente.Moitinho de Almeida (Relator). e vir depois a ser absolvido em julgamento.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 25 I .º 59/98. estando o despacho devidamente fundamentado. em nome de um direito fundamental à liberdade. de 25-08) não vai ao ponto de aceitar. funcionários ou agentes no exercício das suas funções e por causa das mesmas. mas também quando têm como origem o decurso do tempo durante o qual aquele se encontrou indevidamente apreendido. de 21-11-67. da Lei Fundamental. depois. III .perante a factualidade exposta aos olhos do jurista e contendo uma duplicidade tão grande no seu significado.º 5. Noronha Nascimento e Ferreira de Almeida Prisão ilegal .Indemnização I . ao ora recorrido. Armando Lourenço e Martins da Costa Estado .ª Secção . II . uma ambiguidade tão saliente no seu lastro probatório indiciário . aqui. 23-01-2001 .º 27. no sentido de o veículo ser entregue ao denunciante. Gabinete dos Juízes Assessores . mais restritiva na concessão do direito à indemnização.2. que.Provando-se nas instâncias que certo veículo automóvel foi apreendido à ordem de um inquérito aberto em processo-crime.O art. não possibilita.º 48. II .º 22 da CRP consagra o princípio da responsabilidade patrimonial directa das entidades públicas por danos causados aos cidadãos pelos seus órgãos. e nessa altura libertado. o direito à indemnização. n.º 5. sendo o veículo objecto de crime. n. que vigorava antes da alteração introduzida ao art. a norma matriz que alicerça o direito indemnizatório do lesado é a do art.Francisco Lourenço (Relator).Revista n.A circunstância de alguém ser sujeito a prisão preventiva. a simples privação dela preventivamente. e estando a sua apreensão consentida pelo art.º 2321/00 .º 22 da Lei Fundamental.º 225 do CPP ancora-se no art. só por si.051.Prisão ilegal . legal e judicialmente estabelecida.6. uma vez que tudo apontava para que a compra e venda efectuado pelo recorrido e terceiro era nula. tendo o Magistrado do Ministério Público ordenado. e não a do art.2.Indemnização I . seu previsível proprietário real.Indemnização .º 27 n. e reporta-se à responsabilidade por facto ilícito e por erro grosseiro.º 178.º 31/85. Com a correcção evidente de não ser.º 225 do CPP pela Lei n.º 225 comporta também o acto temerário. o levantamento da apreensão. previsto no DL n.O art. 06-06-2000 . mas sim uma outra mais consentânea com aquela duplicidade ambígua.Danos O regime da indemnização a satisfazer ao lesado quando. por qualquer motivo. ou com a aplicação directa dos princípios gerais de direito que responsabilizam a Administração e seus órgãos e fixam os critérios indemnizatórios de ressarcimento por danos.Revista n.º 363/00 .º 1 do CPP. por não se considerarem provados os factos que lhe eram imputados e que basearam aquela prisão.Assessoria Cível . leve automaticamente ao direito a uma indemnização contra o EstadoJuiz.Revista n.ª Secção . ou seja. o certo é que nos casos referidos (prisão preventiva ordenada sem qualquer erro. tal decisão é aceitável face aos elementos disponíveis na altura.ª Secção .Noronha Nascimento (Relator). por ordem do Ministério Público.não justificava uma medida gravosa de privação de liberdade. conforme prova posteriormente obtida). aplica-se não apenas quando os danos invocados se prendem com a utilização do veículo pelo Estado. aquele que .Com a aplicação analógica sustentada pelas normas similares do DL n. II . designadamente para exame.A previsão do referido art. em detrimento do proprietário registral. 12-10-2000 . e compreende a responsabilidade por actos jurisdicionais. Ferreira de Almeida e Moura Cruz Apreensão de veículo . quer aquela.A lei (quer a actualmente em vigor.

Tornar-se-ia. apreciação dos pressupostos de facto. para afastar a sua responsabilidade.Sendo assim.Ónus da prova I .º 225.A execução de um mandado judicial de despejo.Assessoria Cível .Segundo o n. do RAU 90) e com escrupulosa observância do princípio da igualdade das partes e da facultação. em tal hipótese. competirá ao Estado alegar e provar que a demora na prolação da decisão não é imputável ao titular do órgão ou ao deficiente funcionamento dos serviços.º 20 da CRP.Agravo n.art. deve atender-se à natureza do processo e suas dificuldades.º 2.º 325 do CPC 67.No incidente de chamamento à autoria. resulta que a liberdade é um direito fundamental do cidadão. os juízes não possam ser responsabilizados pelas suas decisões .2.Ferreira de Almeida (Relator) *.ª Secção .º 22 do mesmo diploma.A indemnização por danos morais destina-se a proporcionar ao lesado uma compensação para compensar ou pelo menos minorar o mal sofrido.Acção de regresso .Revista n. o chamado devesse responder pelo dano resultante da sucumbência para com o chamante.º 1483/03 .Ultrapassado tal prazo razoável. em exclusividade.Mandado de despejo . do CPP. por isso.Prisão preventiva .7.a função de julgar . fica justificado o dever de indemnizar os danos causados à personalidade moral do lesado. em princípio. também igualitária. constituir a se fonte da obrigação de indemnizar as partes «prejudicadas» com as respectivas decisões transitadas em julgado. Araújo de Barros e Oliveira Barros Responsabilidade civil do Estado .No conceito de prazo razoável.não podendo. todos têm direito a que uma causa em que intervenham seja objecto de decisão em prazo razoável e mediante processo equitativo.Indemnização I .Neves Ribeiro (Relator). 13-05-2003 .Acção de regresso aquela cuja consistência prático-jurídica deveria emergir e ser aferida em função da alegação/substanciação de um nexo de causalidade «adequada» entre o prejuízo invocado (com a consequente acção de regresso) e a perda da demanda. II . em acção de regresso.constitucionalmente cometida.Se bem que. nada obsta a que se opere a responsabilização do Estado pelos prejuízos causados aos particulares no exercício da sua função jurisdicional. que a determinam ou a determinaram inicialmente. indispensável a alegação de factos demonstrativos da responsabilidade (delitual) do Estado pelos prejuízos que a acção lhe pudesse (a si chamante) acarretar.Prescrição do procedimento criminal .Obrigação de indemnizar Responsabilidade civil do Estado I . II . III .6.Do disposto no art. V . nos termos do art.º 27 da CRP e no art. Abílio de Vasconcelos e Duarte Soares Responsabilidade civil do Estado . onde aguardava decisão sobre o Gabinete dos Juízes Assessores . III .º 1018/03 .26 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional 19-09-2002 .º 55 e segs. II .º 22 da Constituição da República e demais preceitos do DL n. IV . de 21-11-67. n. IV . III . às instâncias de recurso e as diligências a efectuar nesse processo.º 4 do art. Afonso de Melo e Nuno Cameira Chamamento à autoria . aos tribunais .ª Secção . dos meios recursais.E daí que esse chamamento facultativo apenas se justificasse quando.ª Secção . então regulado no art. como corolário lógico e natural do desfecho final de uma lide dirimida através de um meio processual estritamente regulado na lei (art.º 48051. da CRP -. nos termos e para os efeitos do art.º 216. em virtude dessa relação jurídica conexa.Ribeiro de Almeida (Relator) *.º 2282/02 .Revista n. tendo ocorrido a prescrição do procedimento criminal pelo facto de o processo-crime ter estado parado mais de dois anos e meio no Tribunal da Relação. V . representa um acto praticado na exercitação de um poder soberano do Estado . neles incluídos os factos integradores da obrigação de indemnização. 27-05-2003 . tornava-se necessário que o requerente do chamamento alegasse a existência de «conexão» entre o direito invocado e a relação jurídica controvertida pela qual o chamado pudesse vir a ser responsabilizado.Mantida a prisão preventiva por erro grosseiro na avaliação.

º 2 do art. o art. prevê. por conseguinte. de modo flagrante efectuada aquela ou ordenada e executada esta fora ou sem a presença dos requisitos ou condições em que a lei a autoriza. antes da declaração de perda do veículo a favor do Estado.º 225 CPP dirige-se a um erro qualificado . n. pode esta firma demandar o Estado Português com base em responsabilidade aquiliana ou extracontratual.Responsabilidade extracontratual .º 225 CPP 87.Prisão preventiva .Apreendido um veículo automóvel em processo-crime. não incorreriam. deve ser logo requisitada e junta certidão do registo automóvel. condição suspensiva da transferência da propriedade.º 27. em erro de facto grave.Perda a favor do Estado I .º 5. por fazer o transporte de produto estupefaciente para entrega aos consumidores. isto é. III . actuando com o conhecimento e a diligência exigíveis.Moreira Camilo (Relator) *.Em cumprimento da injunção final do art. Moreira Alves e Alves Velho Responsabilidade civil do Estado . deverá o Estado ser condenado a pagar uma indemnização ao assistente (e filhos) a título de responsabilidade extra-contratual. por se verificarem todos os pressupostos dessa responsabilidade. na redacção emergente da 1. Gabinete dos Juízes Assessores .Assessoria Cível .Estando um veículo automóvel registado em nome da firma compradora. aditado pelo art.um erro crasso. que não foi notificada da apreensão por não ter sido junta certidão do registo automóvel. 27-11-2003 . n.A prisão preventiva legal e justificadamente efectuada e mantida a que se siga absolvição expressamente referida ao princípio in dubio pro reo não confere direito a indemnização. II .Faria Antunes (Relator) *. de 22-01. Lopes Pinto e Pinto Monteiro Responsabilidade civil do Estado .ª Secção .Função judicial . e que. nos termos do art.ª Secção . mas com o ónus da reserva da propriedade inscrito a favor da firma vendedora. 17-06-2003 . enquanto terceira de boa fé. caso em que ocorre erro de direito na interpretação e aplicação dos pressupostos ou requisitos legais dessa medida de coacção.ª Secção .º 3065/03 . mas patentemente injustificada.1.In dubio pro reo I .7.º 3341/03 . da Constituição.Se esse veículo foi apreendido em processo-crime por transportar droga para ser entregue aos consumidores. após notificação dos titulares que se encontrem inscritos no registo.º 2 da Lei n.Revista n.Função jurisdicional .º 27. a fim de que.º 45/96. a par da detenção ou prisão preventiva manifestamente ilegal. consagra em termos gerais a responsabilidade civil do Estado pelas denominadas fautes de service praticadas no exercício da função jurisdicional. Salvador da Costa e Ferreira de Sousa Responsabilidade do Estado . isto é.º 15/93. dado revelar-se assente em erro grosseiro na apreciação dos seus pressupostos materiais ou de facto. ou seja.O art.º 22 da Constituição.O n. estes possam defender os seus direitos como terceiros de boa fé.º 4032/02 .Revista n. e depois foi declarado perdido a favor do Estado Português sem conhecimento da firma vendedora. inclusive a culpa uma vez que houve uma negligente instrução do processo por não ter sido junta atempadamente a certidão do registo automóvel que possibilitaria a notificação daquela firma para que pudesse defender os seus direitos.O art. relativo aos factos invocados para fundamentar a decisão de determinar ou manter a prisão preventiva. é esta a verdadeira proprietária até integral pagamento do preço. IV .Oliveira Barros (Relator) *. II .º 5.Denegação de justiça I . para além do caso de condenação injusta.1. a prisão preventiva formalmente legal. de 03-09.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 27 recurso apresentado por arguida que havia sido condenada. por não existirem ou não corresponderem à verdade. da Constituição constitui historicamente alargamento do princípio geral de directa responsabilidade civil do Estado a factos ligados ao exercício da função jurisdicional para além do clássico erro judiciário. III .º 36-A do DL n.Revista n.Apreensão de veículo Processo penal . de todo desrazoável. dispositivo inovador de natureza substantiva. 02-12-2003 .ª Revisão (1982). contra manifesta evidência. envolverá falta ou culpa funcional em que profissionais de normal capacidade ou mediana competência.Independência dos Tribunais Recurso .

Em acção tendente a fazer valer a responsabilidade contratual . à lei e aos juízos de valor legais que brota do art. liberdades e garantias. envolvendo peculiaridades concernentes à ilicitude e à culpa que vão implicadas na específica natureza da função jurisdicional. o erro grosseiro em grave violação da lei.Os pressupostos da ilicitude e da culpa. complementar recurso aos princípios gerais da responsabilidade civil.º 4 do Estatuto dos Magistrados Judiciais. conforme o art. Santos Bernardino e Bettencourt de Faria Responsabilidade civil do Estado .ª Secção . e 29.6.28 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional II .Atentas as condições de trabalho dos juízes. 31-03-2004 . V . núcleo da função jurisdicional. errada ou incompleta.ª Secção .º 6 (prisão ilegal e condenação penal injusta). não é só por isso que pode legitimar-se um juízo material de verdade a respeito daquele e de erro quanto a este outro pólo da relação de supra-ordenação. V .Assessoria Cível . nesta medida pressupondo.Para além dos dois casos específicos expressamente mencionados nos art. palmar. 19-02-2004 . evidente. só podem dar-se como verificados nos casos de mais gritante denegação da justiça. no exercício da função jurisdicional susceptível de importar responsabilidade civil do Estado.º 51/04 . constitui a nulidade tipificada na alínea b) do n. designadamente quanto à sua aplicação directa. a manifesta falta de razoabilidade da decisão. definidos de acordo com o padrão comum de actuação do corpo judicial.º 22 da CRP beneficia do regime estabelecido no seu art.º 22 da Constituição.Assume efectivamente proeminência no exercício desta função o parâmetro da independência dos tribunais e da subordinação do juiz à Constituição.Erro notório I .º 1. de aplicabilidade directa. n.º 203 do diploma fundamental e do art. em via de recurso.Revista n. IV . crasso.A diligência no exercício da judicatura é o cumprimento. n. propiciando compreensivelmente divergências de interpretação e aplicação aos casos da vida. por culpa grave indesculpável do julgador.º 1 do art.Erro I . e não apenas uma motivação deficiente. todavia. são insindicáveis. o direito reconhecido pelo art. II . VI .2.Independentemente da existência de lei ordinária que o concretize. a prova do facto ilícito do não cumprimento.A autonomia na interpretação do direito e a sujeição exclusiva às fontes de direito jurídicoconstitucionalmente reconhecidas são manifestações essenciais do princípio da independência dos juízes.º 4170/03 . tais como a demora na sua administração.ºs 27.Juiz . desfruta o art. assente em conclusões absurdas.Função jurisdicional . n. seja grosseiro. à sombra do art. salvaguardada a essência da função jurisdicional referida no ponto IV.Revista n. a afirmação ou negação de factos incontestavelmente não provados ou assentes nos autos.º 18.Revista n.º 5. III .º 22 da CRP abrange na sua previsão a responsabilidade civil extra-contratual do Estado decorrente da actividade jurisdicional.º 668 do Código de Processo Civil. indiscutível. em termos de cidadão médio e em conformidade com as capacidades pessoais.2.E podendo similares assintonias emergir no exercício da garantia de reapreciação das decisões judiciais. e de tal modo grave que torne a decisão judicial numa decisão claramente arbitrária. Moitinho de Almeida e Ferreira de Almeida (declaração de voto) Responsabilidade civil do Estado . o dolo do juiz.Juiz . além do mais.incumprimento de contrato de prestação de serviço -.Só a falta absoluta de fundamentação. independente de mediação normativa infraconstitucional. o art. quando o tribunal hierarquicamente superior sobrepõe um diverso julgamento da questão ao tribunal inferior.ª Secção . compete ao credor. III .º 3887/03 .º 22 da lei fundamental.Os actos jurisdicionais de interpretação de normas de direito e de valoração jurídica dos factos e das provas. Sousa Leite e Afonso de Melo Gabinete dos Juízes Assessores .Bettencourt de Faria (Relator). dos deveres da profissão. II .O erro de direito praticado pelo juiz só poderá constituir fundamento de responsabilidade civil na jurisdição cível quando. VII . um erro de contas num processo não demonstra só por si uma quebra de cuidado. 31-03-2004 .Lucas Coelho (Relator).Nuno Cameira (Relator).º 18 para os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos.Tratando-se aí da previsão de direitos de natureza análoga a direitos fundamentais. IV .Função jurisdicional .

n.Revista n. por não se considerarem provados os factos que lhe eram imputados e que basearam aquela prisão.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 29 Responsabilidade civil do Estado . de modo especial. II . liberdades e garantias.ª Secção .º 1572/04 .º 22 da CRP estabelece um princípio geral de directa responsabilidade civil do Estado.º 22 da Constituição consagra genericamente um direito indemnizatório por lesão de direitos.º 5. da Constituição da República impõe ao Estado.Privação da liberdade . venha a revelar-se. Silva Salazar e Ponce de Leão Prisão preventiva .Indemnização I .º 27.Revista n. só porque o interessado vem a ser absolvido. dispositivo inovador e de natureza substantiva.º 27.º 27 tem um campo específico de aplicação. ocorram prejuízos que devam ser reparados e exista nexo de causalidade entre a conduta e o resultado do dano .No caso dos autos o autor ficou privado da liberdade durante um dia.º 225 do CPP veio regular as situações conducentes a indemnização. Fernandes Magalhães.Prisão preventiva .O art.6. a abranger a responsabilidade do Estado por actos ilícitos. II .prisão preventiva . não possibilita o direito a indemnização.Em cumprimento do preceituado no art. que o autor nada fez para obstar à sua captura apesar de ter conhecimento desde Novembro de 1998 de que não teria que se sujeitar àquela medida de coacção. injustificável.6. e depois vir a ser absolvido em julgamento. o dever de indemnizar quem for lesado por privação ilegal da liberdade.Prisão ilegal .Assim.art. ilegal ou injustificada. que ao Tribunal. o art.º 225. do CPP.Prisão ilegal . comporta também o acto manifestamente temerário. IV .º 225 do CPP. "nos termos em que a lei a estabelecer". por isso. não resultou de erro grosseiro pelo que não existe direito à indemnização que o Autor pretende.º 5. e muito menos por erro grosseiro. veio regular as situações conducentes a indemnização.º 27 consagra expressamente o princípio da indemnização por danos nos casos de privação inconstitucional ou ilegal da liberdade. dão lugar a indemnização quando: exista manifesta ilegalidade na privação da liberdade ou a mesma seja injustificada.Erro grosseiro .O art. o art. não se pode deixar de ter em atenção que a medida de coacção .Indemnização I . III . III .A prisão ou detenção que seja manifestamente ilegal e a prisão preventiva que. nos termos que a lei estabelecer. quando é efectuado em prazo consentâneo com a gravidade.º 1168/04 . só obtendo vencimento neste Tribunal.Em cumprimento do preceituado no art. sejam eles de natureza legislativa ou jurisdicional.A previsão do art. n. entidade de onde provinham os mandados de detenção nada lhe foi comunicado.O art. sendo então libertado. em alargamento dessa responsabilidade. o que constitui historicamente o alargamento da responsabilidade civil do Estado a factos ligados ao exercício da actividade jurisdicional para além do clássico erro judiciário. Porém.Ribeiro de Almeida (Relator). para além do caso de condenação injusta. só por si.º 5.º 2. por privação da liberdade. por privação da liberdade. V .A circunstância de alguém ser sujeito a prisão preventiva. a complexidade dos factos e a observância dos prazos legais. 01-06-2004 . não se limitando.Azevedo Ramos (Relator) *.A prisão não pode ser considerada ilegal.Assessoria Cível . n. VII . por erro grosseiro na apreciação dos pressupostos que a determinaram. aos casos de privação de liberdade do cidadão. IV . da Constituição. n. reportando-se. não sendo ilegal. isto é. ilegal ou injustificada. II . Nuno Cameira e Sousa Leite (vencido) Responsabilidade civil do Estado .º 225 do CP.O julgamento é realizado em prazo razoável. VI .º 5 do art. o art.ª Secção .Função judicial . 27-05-2004 . que o autor tinha conhecimento da medida de coacção já que dela recorreu para a Relação e para o Supremo. Gabinete dos Juízes Assessores .A prisão não é injustificada.º 27. para além do clássico erro judiciário. sem dilações temporais indevidas. legal e judicialmente estabelecida. III . da Constituição. o n.Absolvição I .resultou de condenação do autor da qual foi interposto recurso que veio a obter vencimento.Em alargamento dessa responsabilidade a factos ligados ao exercício da função jurisdicional.

Violação Gabinete dos Juízes Assessores .Inconstitucionalidade I . deve absolver-se este último Réu da instância.Prisão preventiva .Tendo o Autor instaurado acção contra o Estado e outro Réu (um Banco) pedindo a condenação solidária destes a pagarem-lhe indemnização não inferior a 30.000$00 destinada a compensar os danos não patrimoniais por si sofridos e resultantes da sua prisão preventiva. se corre o risco evidente de provocar um resultado injusto e não querido. de que resultou a prisão preventiva posteriormente revelada como injustificada. o facto de. há-de ser feita tendo por base os factos.30 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional V . em vez dos seus agentes.º 563 do CC).7.º 1514/04 .erro indesculpável. não há nexo de causalidade adequada entre a acção do denunciante e a prisão sofrida (art. em princípio.Responsabilidade civil . arbitrária e injustificada. irrelevante.ª Secção . II . IV . VII . n.ª Secção . Fernandes Magalhães e Azevedo Ramos Responsabilidade civil do Estado .Sendo requisito da obrigação de indemnizar por parte do Estado a existência de erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto de que dependia a prisão preventiva. 19-10-2004 . consequentemente. em nome (e no interesse) de quem estava a agir e praticou o acto provocador do dano. não confere direito a indemnização. qualquer facto interruptivo que se possa opor ao lesante stricto sensu pode ser oposto ao Estado. entretanto. por isso.A apreciação e qualificação do erro grosseiro ou temerário.Araújo de Barros (Relator) *. em que lhe imputava a autoria de um crime de abuso de confiança que sabia não ter o Autor cometido.Revista n. mais tarde.Estado I .O facto de o autor ter ido ao processo de inquérito (crime) afirmar a sua vontade de.A prisão preventiva legal e justificadamente efectuada e mantida por mais ou menos tempo.ª Secção . na reivindicada condição de ofendido/lesado. II . o Banco Réu não tem interesse em contradizer. o detido ter vindo a ser absolvido ou mesmo não submetido a julgamento por.Interrupção da prescrição . não obstante as ulteriores vicissitudes processuais.Revista n. cometido contra todas as evidências e no qual só incorre quem decide sem os necessários conhecimentos ou a diligência medianamente exigível .000. 08-03-2005 .Havendo erro grosseiro de quem decide a prisão. Custódio Montes e Neves Ribeiro Responsabilidade civil do Estado . V . elementos e circunstâncias que ocorriam na altura em que a prisão foi decretada ou mantida.Na verdade. crasso ou palmar. por ser parte ilegítima. VI . “se constituir parte civil e deduzir oportunamente o respectivo pedido” (de indemnização civil) tem a eficácia interruptiva da prescrição. não pode existir responsabilidade civil por parte do denunciante.Salreta Pereira (Relator). não conduz à procedência do pedido contra si deduzido.O Estado responde no lugar dos seus agentes. no qual. que estabelece o prazo de caducidade do direito de acção de indemnização não é inconstitucional.Privação da liberdade .º 226.Indemnização Legitimidade .6. III . para tal constatação. e. Oliveira Barros e Salvador da Costa Prescrição .O art.Pires da Rosa (Relator). na medida em que a conduta que lhe é imputada.Assessoria Cível .º 2 (o preso ter concorrido para aquele erro com dolo ou negligência) apenas por este não ter reagido impugnando a decisão que decretou ou manteve a prisão preventiva. do CPP. na medida em que a sua actuação não é causa adequada do despacho injustificado. determinada pela participação feita pelo Banco Réu. em substituição ou solidariamente com os seus agentes.Caducidade .Não ocorre a situação referida na última parte do referido n.º 87/05 .º 225 do CPP dirige-se a um erro grosseiro .Responsabilidade civil conexa com a criminal .Revista n. 27-01-2005 .O n.º 2 do art.º 2543/04 .7. devido a ambiguidade da situação. VIII . sendo.abrangendo também o acto temerário.Privação da liberdade . haverem surgido novas provas que afastaram a sua anterior indiciação. mesmo a provar-se.º 1.

à relação controvertida tal como a configuraram.No caso de responsabilidade do Estado pelo exercício da função jurisdicional. a menor era visita assídua da casa do recorrente. o princípio da responsabilidade com o do caso julgado. sendo certo que os crimes sexuais são silenciosos. a autora.Accionando a fim de ser indemnizado não basta alegar o facto lícito ou ilícito culposo. usa-a como medida equivalente o que é evidenciado pelo pedido.Função jurisdicional . não se pode nem deve pretender perspectivar uma acção visando a responsabilidade do Estado pela actividade jurisdicional como recurso para obter a revogação ou a anulação da decisão criticada).Por outro lado. Ferreira de Almeida e Abílio Vasconcelos Responsabilidade civil do Estado . o que é legítimo.Tal medida de coacção não se mostrou concretamente desproporcionada em face da existência dos sérios indícios da prática do crime e do condicionalismo singular que tornava inútil ou ineficaz a aplicação de outra medida coactiva menos restritiva da liberdade do recorrente (note-se que.Discordando do decidido. tudo aponta para que não tenha havido erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto que conduziram à prisão preventiva do recorrente. pudessem ser demandados na presente. em conjugação com este mas desprovidos da veste do direito de defesa. há que alegar factos integradores dos pressupostos da responsabilidade civil. IV . 17-03-2005 . Por dano não se pode. por erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto de que dependa.º 22 da CRP. III . II .A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 31 I .ºs 22 e 216 da CRP). um dos quais é o dano. de modo a não afectar a autoridade do caso julgado (sem ser princípio constitucional absoluto. em co-autoria com o réu Estado. embora sabendo que esta acção não poderia constituir recurso do acórdão absolutório. VI .º 4492/04 . por contrariar a regra geral da solidariedade estabelecida no art. vivendo num meio urbano pequeno com laivos ainda de ruralidade marcante. Nada alegaram nesse sentido. enquanto a responsabilidade civil directa dos juízes não for regulamentada. mas injustificada.Alegando a autora na petição inicial a responsabilidade do Estado pelas leis e pela gestão dos tribunais e directamente a relacionando com o que tem como verificado in casu . ainda que indirectamente. aliado ao facto de menor e arguido serem vizinhos. II . não poderia a autora esquecer o que se dispunha no DL 48. embora actualmente ultrapassado. recusa-se a aceitá-lo na força e autoridade do seu trânsito. de que a autora fala.Ora. de omissão e.Legitimidade passiva . onde só o Estado e demais pessoas colectivas públicas respondem directamente perante o lesado o que. quanto à ampla isenção de responsabilidade do titular ou agente face ao lesado.Para que os réus na primitiva acção.Num quadro em que as declarações da menor se revestiram de grande coerência e não revelaram efabulação alguma e o exame médico foi concludente no sentido de um desfloramento fisiológico da menor (que ao tempo tinha 10 anos).art. já que invocaram factos que não provaram e que sabiam ser falsos. Neste pediu não o dano que a actividade jurisdicional lhe teria causado mas o que diz ser o valor do prédio cujo direito de propriedade não logrou ver reconhecido. outras.2.Revista n. faz incidir a responsabilidade exclusivamente sobre o Estado . havia que alegar terem actuado sob uma das formas que a co-autoria pode revestir.Noronha Nascimento (Relator). o que equivale a dizer não os terem associado. III . VII . fundamentando essa recusa no que entende ter-se provado e não provado. a legitimidade passiva não foi aqui estendida às partes na acção (e.erro na administração da justiça (por erro de julgamento e por incurso em nulidades. pois era amiga da neta deste. pelo que assumem sempre um relevo especial quer as declarações da vítima e do arguido quer os exames médicos àquela que possam trazer elementos probatórios importantes. de excesso de pronúncia). a saber: uma detenção ou prisão preventiva manifestamente ilegal. IV .Nos crimes de índole sexual. umas. a prova directa quase nunca existe. pretende responsabilizar o Estado «em co-autoria com os demais RR». V . praticados longe da luminosidade pública e aproveitando-se de momentos de ausência testemunhal que os possa perturbar). de 21-11-67. uma reapreciação do seu mérito.A indemnização por privação de liberdade está dependente da verificação de especiais requisitos.ª Secção .051.Litigância de má fé I .Assessoria Cível . evidentemente. tomar o resultado que a decisão jurídica do processo comporta. para além dos factos referidos em III. ou uma prisão preventiva legal. na alegação de Gabinete dos Juízes Assessores . com um grande relacionamento familiar recíproco. a faute de service. Isto é.

as previsões das al. que deve ser indemnizado.Acusação . II .2. nos termos da lei.º 27. assistente e respectivo mandatário judicial .ofendido.Lopes Pinto (Relator) *. III . VIII . III . II .Obrigação de indemnizar I . se há um motivo de interesse público.Uma apreensão de mercadoria feita pela Inspecção-Geral das Actividades económicas. administração.Facto ilícito . sem prejuízo da relação de especialidade em que. ao invés. as situações conducentes a indemnização por prisão ilegal ou injustificada. dada a intensidade e permanência reveladas nesse seu comportamento. a) e d). que a multa por litigância de má fé seja fixada em 8 UCs.32 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional nulidades que imputa a esse acórdão e a leitura atenta desse e do recorrido claramente revela não existirem.Assessoria Cível .º 5.Facto lícito . IV . está-se perante um dano especial e anormal.O art.º 514/05 . não apenas às acções que têm por fundamento medidas restritivas de liberdade ilegais. n.Não tendo logrado para a sua tese prova que conseguisse vencimento. estando o mesmo subtraído da disponibilidade das partes.Se só 33 dias após a apreensão é que foi solicitada a emissão de pareceres técnicos relativamente ao resultado das análises.Danos patrimoniais I . por actos lícitos. vindo a concluir-se que a mercadoria não apresentava qualquer perigosidade.Revista n.que. Ferreira Girão e Loureiro da Fonseca Responsabilidade civil do Estado . VI .Inibição de uso de cheque . a dos titulares dos órgãos jurisdicionais que aplicaram a medida) como a dos particulares . e na alegação de o acórdão do STJ se recusar a reconhecer o direito da autora e.O artigo 22 da CRP consagra o princípio da responsabilidade patrimonial directa das entidades públicas por danos causados aos cidadãos. da Lei Fundamental.º 225 do CPP. é um acto que preenche os referidos pressupostos.ª Secção .º 2 do art.º 684/05 .1.ª Secção . através de queixa ou denúncia. por suspeitas de que o produto poderia pôr em risco a saúde pública. pode. desencadearam a aplicação ilegal de medida de coação restritiva da liberdade ou de outras actividades.Pinto Monteiro (Relator) *. com o fim de conseguir um objectivo ilegal. IX . à de proibição da emissão de cheques). que impõe o dever de indemnizar quem for lesado por privação ilegal da liberdade.º 22 da CRP visa a responsabilidade do Estado por danos resultantes do exercício das funções política.A apreensão.1. no exercício de qualquer uma das funções soberanas (legislação. se encontra o art. por sua vez. 27-04-2005 . relativamente àquele.Terá que se apurar se existe um acto do Estado ou de outras pessoas colectivas públicas.Revista n. 10-05-2005 .º 226 do CPP.O mesmo prazo tem em vista tanto a responsabilidade do Estado (e eventualmente.Caducidade I . legislativa.ª Secção . mas a todas que respeitem a quaisquer medidas restritivas de outras actividades (designadamente.º 456 do CPC. se existe um prejuízo especial ou anormal.É de caducidade o prazo previsto no art. consequente armazenamento e impossibilidade de transacção são causas aptas e idóneas a produzir dano. do n.Tal prazo é aplicável. causar prejuízos que são merecedores de tutela jurídica. podendo somente questionar-se se existiu ou não um prejuízo especial e anormal. Lemos Triunfante e Reis Figueira Responsabilidade civil do Estado .A autora preencheu.O Estado.Direito à indemnização .Duarte Soares (Relator). se o caso é lícito. Gabinete dos Juízes Assessores . 05-05-2005 . através do art.º 962/05 .Revista n. jurisdição).Indícios suficientes Absolvição crime . com negligência grave. em cumprimento do despacho do Ministério Público competente. Pinto Monteiro e Lemos Triunfante Medidas de coação . justificando-se. regulando esta. conhecer o direito dos réus quando a sua simples leitura é suficientemente reveladora que não houve recusa de administrar justiça e se julgou de acordo com a prova e apenas de acordo com esta.Apreensão . V . administrativa e jurisdicional. pedir responsabilidade a quem não tem culpa do fracasso e apenas lhe é pedido que com objectiva imparcialidade e independência administre justiça no caso que lhe é submetido à apreciação constitui fazer do processo um uso manifestamente reprovável.

O Estado também não tem a obrigação de indemnizar com fundamento na responsabilidade por facto lícito.Para levar a cabo a difícil tarefa de concretizar este comando constitucional.Erro material . IV .Função jurisdicional . é a lei concretizadora cuja disciplina cabe no âmbito do citado art.º 9. nem dever do Estado de indemnizar o arguido.O regime previsto no DL n. V . obtendo ganho de causa.º 27. por danos resultantes do exercício das funções política.Os ora autores.A revogação de decisão com base em ilegalidade do despacho. VIII . do CPC. que o fundamento da obrigação de indemnizar do Estado emerge directamente do art. não se conformando com o mesmo. “ex vi” do art. por estar sujeito ao regime dos direitos. considerando que é o acto do juiz que está em apreciação. administrativa e jurisdicional.º 666. porém.º 48051. II . que considerou que “tal despacho é ilegal. n. a organização judiciária e o próprio estatuto dos juízes. por não visar a rectificação de um erro material. tendo constatado haver incorrido num lapso no primeiro despacho proferido. podemos afirmar que o cerne da questão se reconduz a saber quando é que a actuação profissional do juiz se pode considerar negligente. III . V . criando a denominada “norma de decisão”.Existe amplo consenso entre os autores no sentido da cuidadosa definição do ilícito judicial.Azevedo Ramos (Relator) *. que consagra um princípio geral de directa responsabilidade civil do Estado. decidiu proceder à respectiva rectificação. sendo directamente aplicável e não dependendo de lei para ser invocado pelo lesado. III .º 48051.O mesmo art.No caso em apreço está em causa a alteração pelo próprio juiz do seu primeiro despacho. considerando que apenas o acto manifestamente ilegal ou o erro grosseiro constituem o Estado na obrigação de indemnizar por acto do juiz. VI .º 1. mas baseando-se a acusação em indícios suficientes.Quer a doutrina quer a jurisprudência têm vindo a considerar. n.ª Secção . liberdades e garantias.Assessoria Cível . actuação que.Tendo o arguido sofrido danos morais e restrições à sua livre circulação.Trata-se de um despacho cuja posição foi fundamentada de forma consistente.ºs 667.Despacho de rectificação . é directamente aplicável. mesmo que possa considerar-se juridicamente incorrecta. com a ressalva do seu art. uma espécie de presunção de culpa do juiz que viu a sua decisão revogada.Na definição do erro relevante para o fim em vista. do citado DL n. Tal não pode conduzir à conclusão que. não pode classificar-se de negligente. n.º 3. VII . quer por actos lícitos.º 5. de que resulte a violação de direitos. por os danos apurados não serem “especiais” e “anormais”. ponderando os normativos em apreço. recorreram. mas sim a rectificação de um erro de julgamento”. o juiz cometeu um erro grosseiro. invocando para o efeito o disposto nos art. quando está em causa o exercício da função jurisdicional. podendo recorrer-se às normas legais relativas à responsabilidade patrimonial da administração. devendo a pretensão dos requerentes ter sido indeferida. como ocorreu “in casu” e ocorre frequentemente não constitui. VI .Obrigação de indemnizar I .Revista n. n.6. com base na responsabilidade extracontratual por factos ilícitos.º 1. IV . por ter sido recebida a acusação e sujeito a termo de identidade e residência. 29-06-2005 . verificando-se do respectivo teor que o Senhor Juiz. nos termos do art. com o despacho rectificativo. Silva Salazar e Ponce de Leão Responsabilidade civil do Estado .º 1780/05 . quer pelo risco. Gabinete dos Juízes Assessores . liberdades e garantias . tem o intérprete que atentar quer nas normas e princípios constitucionais quer na legislação ordinária que regulam o exercício do poder judicial.º 22 abrange quer a responsabilidade do Estado por actos ilícitos.º 22 da CRP. de 21-11-67.º 22. legislativa.º 22 da CRP.º 22.º 17 da CRP. e tendo sido absolvido no julgamento. despacho este que veio a ser revogado pelo Tribunal da Relação do Porto. mas os requisitos do dano e da medida da indemnização deverão estabelecer-se através de lei concretizadora.O art.º da CRP não estabelece limites quando refere a responsabilização do Estado por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício. e tendo presente que o art. não há culpa funcional do MP na sua dedução.art.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 33 II .

Araújo Barros (Relator) *. do DL n. os pressupostos da ilicitude e da culpa.A prisão preventiva decorre dos riscos normais da actividade judiciária.Apelação n. à partida.ª Secção . quer do nexo de causalidade adequada entre o acto e o dano. Trata-se.Função jurisdicional . n.Isto é.Ainda que se admita que a actividade jurisdicional se enquadra no âmbito da responsabilidade do Estado por facto lícito (art. oportuna e justificada. a prova. n. da CRP). IX .O art.º 1.A responsabilidade civil extracontratual do Estado-Juiz.7.ª Secção . afirmação ou negação de factos cuja existência ou inexistência resulta inequivocamente do processo. não há lugar a responsabilidade objectiva do Estado 29-06-2005 .º 5. VII .Decisão judicial Revogação . razão pela qual.º 22 da CRP. só podem dar-se como verificados nos casos de mais gritante denegação da justiça. e 29.º 1.Revista n.Em todo o caso.º 27. se provar que a Administração tenha lesado direitos ou interesses legalmente protegidos do particular. n. em concreto. ainda que os titulares desses órgãos possam não ser civilmente responsáveis (art. ao invés. sendo esta inadmissível e fora dos cânones minimamente aceitáveis. do CC). adopção de medidas privativas da liberdade fora dos casos previstos na lei. apenas significa que o julgamento da questão foi deferido a um Tribunal hierarquicamente superior e que este. em que não teria caído qualquer juiz minimamente cuidadoso. IV . nos antecedentes do julgamento. se mostrava legal. crasso ou intolerável. designadamente no que respeita a grave violação da lei resultante de negligência grosseira. assenta na culpa do juiz. inexistem os pressupostos para a responsabilidade civil do Estado consagrada no art. por parte do Estado. n. por facto do exercício da função jurisdicional.º 1064/05 . que é exercida no benefício da sociedade.Ponce de Leão (Relator).6. por culpa grave indesculpável do julgador.privação ilegal da liberdade e erro judiciário).Tribunal superior I .34 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional por escandaloso. 20-10-2005 . nos termos gerais aplicáveis à responsabilidade civil extracontratual (art.Ribeiro de Almeida (Relator). da CRP .Considerando que a prisão preventiva. incumbe ao lesado.Todavia. nem significa que a decisão revogada estava errada.º 342.Assessoria Cível .º 216. II . denegação de justiça resultante da recusa. sobrepondo-se ao primeiro.ºs 27.º 2.º 22 da CRP consagra o princípio da responsabilidade patrimonial directa das entidades públicas por danos causados aos cidadãos. Salvador da Costa (com declaração de voto) e Oliveira Barros (acompanha declaração de voto) Gabinete dos Juízes Assessores .6.Requisitos . quer da existência do dano. há-de entender-se que a responsabilidade do Estado-Juiz pode e deve estender-se a outros casos de culpa grave. nem sequer a convicção que. e para além dos casos em que se consagra expressamente o dever de indemnização a cargo do Estado (art.º 5. conforme o art. não basta a discordância da parte que se diz lesada. não se verificando este requisito. fora dos limites consentidos pelo ordenamento jurídico. de uma obrigação de indemnizar. tais como a demora na sua administração.Indemnização I .Assim. para as hipóteses de erro de julgamento.º 2228/05 . II . um juízo de ilegalidade ou de ilicitude.Revista n. e não a prova positiva da sua inocência. Afonso Correia e Ribeiro de Almeida Responsabilidade civil do Estado .ºs 22 da CRP e 9. o erro grosseiro em grave violação da lei. V . além do mais. sendo inequívoco que no seu âmbito estão abrangidos também os actos dos titulares dos órgãos jurisdicionais. do funcionamento normal do sistema.A mera revogação de uma decisão judicial não importa. da CRP. n. Nuno Cameira e Sousa Leite Responsabilidade civil do Estado . em alguns processos. 27-09-2005 .º 6. VI . para o reconhecimento. de que não foi justa ou melhor a solução encontrada: impõe-se que haja a certeza de que um juiz normal e exigivelmente preparado e cuidadoso não teria julgado pela forma a que se tiver chegado. a afirmação ou negação de factos incontestavelmente não provados ou assentes nos autos.Prisão preventiva . a manifesta falta de razoabilidade da decisão. III . o dolo do juiz. decidiu de modo diverso. omissão ou atraso do Magistrado no cumprimento dos seus deveres. n.ª Secção .º 2490/05 . sempre será possível formar.º 48051) só existirá obrigação de indemnizar se. e que a absolvição posterior do arguido se deveu a falta de prova da prática do crime. no exercício da função jurisdicional susceptível de importar responsabilidade civil do Estado.

II .Despacho . da relação de especialidade em que se encontra o art. 21-03-2006 . quer pelo risco.º da Constituição da República.ª Secção .º 3.º da CRP é uma norma directamente aplicável.ª Secção .º 17/06 .Abrange quer a responsabilidade por actos ilícitos. por tal actuação do Ministério Público se inserir dentro nos parâmetros por que se deve pautar o exercício da sua função. administrativa e jurisdicional.º. 22. só poderá ser reconhecida a culpa do juiz. sem prejuízo relativamente a esta última. do DL 28/84.A responsabilidade civil do Estado decorrente do exercício da função jurisdicional está prevista no art. no exercício das suas funções.Despedimento ilícito I . 23. IV .Processo n. p.Na acção de indemnização contra o Estado com base em responsabilidade civil extracontratual resultante de erro grosseiro cometido no exercício da função jurisdicional.º 48. crasso. pelo art. no exercício da acção. pelo 269.Revista n.º 5. do mesmo diploma. a direcção do inquérito. Azevedo Ramos e Silva Salazar Responsabilidade civil do Estado .º 1.O mencionado art. al.Encontrando-se suficientemente indiciada. actividade excluída do exercício da acção jurisdicional do Estado.Azevedo Ramos (Relator) *. 18-07-2006 . administrativa e jurisdicional.Assessoria Cível . palmar. e p. legislativa.Medidas de coação . do CP.6. mantendo-se a proibição de exercer a sua profissão de médico por forma injustificada.Inquérito . até porque nenhum acto médico praticou com violação das "leges artis".O art.ª Secção . legislativa.O art.º 48 051. nem culposa. II .Acto ilícito I . quer por lícitos.Erro de julgamento . a).João Camilo (Relator) *.E é directamente aplicável. 22. 22. mas os requisitos do dano e da indemnização devem estabelecer-se através de lei concretizadora. indiscutível e de tal modo grave que torne a decisão judicial claramente arbitrária.º da CRP visa a responsabilidade do Estado por danos resultantes do exercício das funções política. embora os requisitos do dano e da medida de indemnização devam estabelecer-se através de lei concretizadora (Decreto n.Competindo ao Ministério Público. evidenciando um condenável desconhecimento do Direito ou uma falta de cuidado na análise dos factos e das normas legais aplicáveis tais que impeçam se considere a diligência adoptada no caso concreto como a que se exige a juiz que actue. e de fraude sobre mercadorias. como um “bom Gabinete dos Juízes Assessores . no inquérito judicial.Acto médico I . II .º.Abrange quer a responsabilidade do Estado por actos ilícitos. p. quer por actos lícitos.Erro censurável I . Silva Salazar e Afonso Correia Responsabilidade civil do Estado . 27. da deontologia ou da ética. o regime da responsabilidade civil a ter em conta é o previsto no DL n.Essa responsabilidade civil decorrente de erro de direito praticado no exercício da função jurisdicional está dependente de o erro ser considerado grosseiro. a prática pelo arguido dos crimes de utilização indevida de marcas. no tocante ao conteúdo da decisão que tenha proferido. a decisão da Magistrada do Ministério Público que determinou a inutilização dos suínos e das carcaças que constituíam o objecto dos referidos crimes.6. não é ilícita. III .º 294/06 . e p.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 35 Responsabilidade civil do Estado . quer pelo risco. IV .6. 07-03-2006 .Revista n.º 1979/06 .Juiz . V . de 21-11-67. Azevedo Ramos e Salreta Pereira Responsabilidade do Estado .º da CRP visa a responsabilidade do Estado por danos resultantes do exercício das funções política. n. n.Fernandes Magalhães (Relator) *.Declaração de falência .Tribunal do Trabalho . penal. III . quando esta seja de todo desrazoável.Função jurisdicional .051 de 21-11-67).Função jurisdicional . de diligência e formação técnica exigíveis segundo critérios de normalidade. 22. n.Existe responsabilidade do Estado se ao Autor são aplicadas medidas de coacção inadequadas e desproporcionais. de 20 de Janeiro.

e que a transportam para fora do campo dentro do qual é natural e justificável a incerteza sobre qual o comando a emitir. liberdades e garantias. na parte em que excedeu a quantia exequenda. 864.Perdendo o seu direito de propriedade sobre o imóvel. 22. 14-12-2006 . independentemente da existência da lei ordinária que o concretize. deve o réu Estado ser condenado em quantia a liquidar.O art.Cônjuge . após calculado o montante da sua responsabilidade na mencionada execução por custas. IV .O Estado é responsável civilmente pelos danos causados a particulares no exercício da sua função jurisdicional (art.Responsabilidade extracontratual . pois o preço da venda. 882. III . 879. legislativa e jurisdicional.º do CC). os quais. designadamente quanto à sua aplicação directa. e de tal modo grave que torne a decisão judicial numa decisão claramente arbitrária. motivo pelo qual não se verificando este requisito não há lugar a responsabilidade objectiva do Estado. Faria Antunes e Sebastião Póvoas Responsabilidade civil do Estado .º e 1344.º da Lei Fundamental para os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos.Já não podendo originar tal responsabilidade.º da CRP.O erro de direito praticado pelo juiz só poderá constituir fundamento de responsabilidade civil do Estado quando seja grosseiro. ocorreu uma omissão que impediu o autor de intervir processualmente em defesa do seu direito sobre aquele bem comum. no âmbito de um processo de execução por custas. foi restituído ao cônjuge-executado.Função jurisdicional .Silva Salazar (Relator). a venda judicial do prédio de que o autor era proprietário.Tal citação podia ter sido realizada se a actuação dos intervenientes no processo tivesse sido mais diligente e cuidadosa. indiscutível e de tal modo grave que torne a Gabinete dos Juízes Assessores .º 2010/06 . um acto ilícito culposo.Assessoria Cível .6. II .Citação . sob pena de paralisação do funcionamento da Justiça e de perturbação da independência dos Juízes. integrando-se nos bens comuns do casal. V . 204.º da CRP consagra a responsabilidade do Estado por danos resultantes do exercício das funções políticas. 18. qualquer hipótese de actos de interpretação lógica de normas jurídicas e de valoração dos factos e da prova não determinantes de culpa. é de concluir que os prejuízos que possa ter tido com a decisão do Supremo não se encontram numa relação de causalidade com essa decisão. crasso.º do CPC.Não estando apurado o valor do imóvel nem a quantia que o cônjuge-executado recebeu. o erro de direito praticado pelo juiz só poderá constituir fundamento de responsabilidade civil do Estado quando seja grosseiro.7. com base apenas nos factos que articulou.Decisão judicial Penhora I . palmar. III .A responsabilidade civil extracontratual do Estado-Juiz assenta na culpa do juiz. Alberto Sobrinho e Gil Roque Responsabilidade civil do Estado . 22. em concreto. VI .º. IV . não dispunha dos direitos de que se arrogava.Sendo realizada. 22.36 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional pai de família” segundo a expressão legal. 31-01-2007 .Falta de citação .ª Secção . palmar. em factos não articulados.º.Pretendendo o Autor que o erro de direito se traduziu em ter-se o STJ baseado na acção em que era autor. ou seja. crasso. como exigia o art. IV . assente em conclusões absurdas.º da CRP).Revista n. julgando assim procedente a excepção peremptória invocada ré.º 3905/06 .Logo. com todas as coisas nele integradas (arts. como bem comum do casal. não correspondem a metade do valor do imóvel. indiscutível. com o seu cônjuge.ª Secção . o autor sofreu prejuízos. III .Revista n.O direito reconhecido pelo art. II . mas sim com a situação concreta por ele descrita na petição inicial da acção instaurada no Tribunal do Trabalho e a falta de prova dos factos aí invocados como causa de pedir.Mota Miranda (Relator). evidente.Assim.Execução por custas .Cálculo da indemnização Condenação em quantia a liquidar I . demonstrativa de uma actividade dolosa ou gravemente negligente. sem que tivesse sido citado.Venda judicial Bens comuns do casal . II . beneficia do regime estabelecido no art. evidente. o prejuízo do autor terá de ser deduzido de metade desse montante. pois dos autos constava que o cônjuge-executado era casado com o autor. ao proferir o acórdão em causa. mas resultando da análise do processo que o Autor.

º do CPP é de natureza substantiva.Prisão preventiva .º do CPP. VII . 234.Prisão ilegal .º da CRP.O prazo a que se reporta o n. e só a instauração da acção de indemnização baseada na privação da liberdade em actos processuais penais impede o funcionamento da excepção peremptória. 216.Se o que se “anuncia” para um momento ulterior é já uma acção de indemnização contra magistrado e se esta. 1085. ao abrigo do disposto no art. 226.Instituto Nacional de Medicina Legal .º e no n. a cujo cumprimento basta a presença do Estado nas acções de indemnização por responsabilidade civil de actos de magistrados praticados no exercício das suas funções. são de aplicação as normas processuais dos arts. 1085. instrumentais de decisões Gabinete dos Juízes Assessores . demonstrativa de uma actividade dolosa ou gravemente negligente.º da CRP.Pires da Rosa (Relator) *.º.Responsabilidade médica . 22. tem o direito de propor acção de indemnização contra determinada Juíza por actos praticados no exercício das suas funções.Responsabilidade civil do Estado . Rodrigues dos Santos e João Bernardo Acção de simples apreciação .A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 37 decisão judicial numa decisão claramente arbitrária. 1083. do CPC.Revista n.º 4207/06 . designadamente o disposto no n.A decisão da matéria de facto pela Relação baseada em meios de prova livremente apreciáveis pelo julgador excede o âmbito do recurso de revista. III .º 2 e 3. é já um primeiro momento da definição do direito dessa ulterior acção.Função judicial I . ou seja.Danos não patrimoniais I .7. 15-02-2007 .º-A do CPC.O art.ª Secção .Responsabilidade civil do Estado .Interesse em agir . em acção declarativa de simples apreciação. 498. n.A circunstância de o autor haver accionado o Instituto de Medicina Legal e dois dos seus médicos por terem contribuído pericialmente para a prisão preventiva ilegal decretada pelo juiz de instrução não exclui a aplicação do disposto no art.Poderes do Supremo Tribunal de Justiça .E assim esta acção será um dos casos especialmente previstos na al.Falece o chamado interesse em agir se a autora. limitando-se a transportar para a lei ordinária o comando do art.2.Função jurisdicional .º 1 do art. assente em conclusões absurdas.7. Ferreira de Sousa e Armindo Luís Recurso de revista .Assessoria Cível .A responsabilidade imputada ao Estado por informações de assistentes sociais.O referido prazo não se suspende nem interrompe.Pereira da Silva (Relator) *. do EMJ. V .Salvador da Costa (Relator) *. 234.E com ele se caminha para a garantida da liberdade e independência da função judicial sem perturbar o comando do art. na qual é “anunciada” a propositura subsequente de uma acção de condenação. Custódio Montes e Mota Miranda Responsabilidade civil do Estado .º 56/07 .º do EMJ não sofre de qualquer inconstitucionalidade. se limita a pedir que o tribunal lhe diga se sim ou não.Matéria de facto . IV . II . os que foram praticados por outrem e lhe geraram os danos. evidente se torna a razão do mecanismo previsto naquele n. mas dos factos constitutivos do direito.º 1 do art. técnicos de reinserção social ou pareceres de magistrados do Ministério Público.Agravo n.º.ª Secção . a) do n.º 4565/06 .º 4 do art.Se essa falta de interesse em agir é reconhecida logo na petição inicial.Apreciação da prova . 22.º do CC não é jurídico. IV .Prazo de caducidade I . a de simples apreciação.ª Secção .º 1 do art.Adopção .º 1 do art.º. III . o tribunal deve indeferi-la liminarmente. 5. de caducidade não de prescrição. 5.º da CRP e “apesar” do art.Revista n. 22-02-2007 .Caducidade . II .º e segs.Ainda que estejamos no âmbito de uma acção de simples apreciação. VI .O conhecimento do direito por parte do lesado a que se reporta o n. II .º 1 do art. 01-03-2007 . 225.

Revista n.A responsabilidade do Estado por actos ilícitos e culposos tem.6. e 6. 4. tanto mais que incidiram sobre advogado respeitado. sem prévia citação do mesmo. exigindo o pagamento .O DL n. e cuja respectiva privação. daí não resulta.º 48. e. IV . sem mais.Execução fiscal .Penhora . a qual era devida nos termos dos arts.º do CPT.art.Ainda que a prisão preventiva venha a ser revogada.º. como no caso acabou por se verificar. procedendo à penhora da casa. que tenha havido erro do julgador na apreciação dos pressupostos da prisão preventiva.051. 272.º 3.º.Salvador da Costa (Relator) *. com a notificação dos condóminos.Erro grosseiro .º 48 051.Prisão ilegal .A lei ordinária vigente não comporta a responsabilização do Estado por danos causados no exercício da função jurisdicional cível stricto sensu. 22.ª Secção .Despacho judicial .500 € atribuída a título de indemnização por danos não patrimoniais.º 1. pessoal e profissionalmente. a afixação de edital no portão da garagem e na porta principal do prédio onde o executado mora e tem o seu escritório. 05-06-2007 .Obrigação de indemnizar I . IV .º e 563.art. Ribeiro de Almeida e Nuno Cameira Prisão preventiva .º da Declaração Universal dos Direitos do Homem . cujo sancionamento se mostre consagrado na lei ordinária com tal meio coercitivo. afigurando-se equilibrada e equitativa a quantia de 12. seja sob aplicação directa. n.º.Perante a efectivação dessa penhora.º e ss. do CC. para além de um direito universalmente consagrado .º 1460/07 . Gabinete dos Juízes Assessores .que se revelou e indiciava indevido -. 08-03-2007 .Revista n. 3.º 1. reputado de honesto. encarado em termos da sua realização como mulher.º.38 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional judiciais de confiança de menor e de adopção. podendo ser alterada num ou noutro sentido ao longo do inquérito. Ferreira de Sousa e Armindo Luís Responsabilidade civil do Estado . 483. do CC). V . decretado a reversão. não prevê a responsabilidade civil do Estado por actos lícitos ou ilícitos no exercício da função jurisdicional. por despacho proferido sob promoção do Ministério Público.A liberdade constitui. do CC. e o art. por isso deixou de poder tê-lo consigo e de vê-lo crescer e de o visitar.Responsabilidade civil do Estado .Afonso Correia (Relator).º 1728/07 .Tais factos são suficientemente graves para merecerem a tutela do direito (art. homem público estimado. no âmbito de processo de execução fiscal. 22. n. que sofreu por ele ter sido adoptado plenamente contra a sua vontade.Assume gravidade tutelada pelo direito para efeito de compensação por danos não patrimoniais a situação da mãe que representou a alegria do nascimento do único filho.º da Constituição não é susceptível de a envolver.º da CRP.º e 273. 27. ou a suficiência das outras medidas coactivas. que justifique a responsabilidade do Estado pelos danos sofridos pelo Autor. II .e constitucionalmente reconhecido .6.Salreta Pereira (Relator). desde que legalmente permitida. apenas pode resultar de uma iniciativa do mesmo cidadão.º da CRP -. 562. 496.Danos não patrimoniais I . consubstanciada na prática de uma atitude contrária àqueles ditames legais. escritório (de advogado) e lugar de estacionamento do ora Autor. depende de uma série de factores. existe facto ilícito e culposo.Assessoria Cível . 10.ª Secção . 26-06-2007 . também uma normal forma de estar na vida em sociedade de todo e qualquer cidadão.º do CC. lesando a imagem do Autor.arts.º 2. que nem sempre os autos revelam na sua plenitude. João Camilo e Fonseca Ramos Responsabilidade civil do Estado . 1.Revista n. n. os mesmos pressupostos da responsabilidade civil extracontratual consagrados nos arts. não é susceptível de autonomização da imputada ao exercício da função jurisdicional. de 21-11-1967. III .ª Secção . II . de 21-11-1967.Prisão preventiva I .7. seja por mediação do diploma mencionado sob IV ou de normas estabelecidas pelo juiz ao abrigo do art.Tendo a Administração Fiscal.A decisão sobre a necessidade da prisão preventiva. n.º do DL n.º 497/07 . nos termos dos arts. III . não oferece dúvida a existência de danos não patrimoniais e o nexo de causalidade entre estes danos e aquele facto ilícito e culposo . salvo o caso anómalo dos estados em que o pluralismo democrático e as liberdades fundamentais sejam letra morta.

Se a matéria submetida a decisão de mérito foi amplamente debatida pelas partes nos seus articulados e o julgador não utilizou qualquer argumento inovador com que as partes não pudessem razoavelmente contar.arts. a dispensa de audiência preliminar em nada prejudica o princípio do contraditório.Saber se a factualidade alegada pelo autor integra o conceito jurídico de “prisão preventiva manifestamente ilegal” ou prisão preventiva “injustificada por erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto de que depende”. V .Erro de direito .Erro grosseiro .No caso do n. A causa de pedir e a sua qualificação jurídica são realidades distintas que não se confundem.º 1. para além de pecar pela reduzida. VII . a sua manutenção. isto é.º.º do CPP é irrelevante o “erro de direito” do juiz que decretou a prisão preventiva. exige-se que esse erro se configure como grosseiro ou indesculpável. 496.Provado que o despacho judicial que determinou a prisão preventiva do A. constituem circunstâncias que.6.Revista n.000 pela privação ilegítima da liberdade do recorrido. que foram efectuadas sem estarem presentes os respectivos pressupostos legais.Audiência preliminar . seja “escandaloso.º 2.º da CRP alarga essa responsabilidade em especial ao exercício da função jurisdicional. estamos perante uma prisão preventiva com cobertura legal. quiçá inexistência. e que a tal título. não releva qualquer erro. Gabinete dos Juízes Assessores . IV . VIII . nos termos do art. III .Prisão ilegal . interpretação e aplicação das regras de direito (art. os casos de responsabilidade do Estado em função de decisão judicial que decrete a prisão preventiva. ou meramente sugerir . que procede de culpa grave do errante. 22.º 3359/07 . dos ilícitos de elevada intensidade delituosa em que supostamente se deveria fundar. pelo que o erro relevante é o erro de facto.Para que nasça o dever de indemnizar por parte do Estado.Prisão preventiva . não basta que a prisão preventiva seja ilegal.Função jurisdicional .Caso julgado penal I .º. seja manifesta ou notória. decorrente de erro de direito. 225. também.º da CRP estabelece o princípio geral da responsabilidade civil directa do Estado.Assessoria Cível . II . 664.º do CPP. se transformam em factores conducentes a considerar equitativa a indemnização de € 30.Decisão penal absolutória . em consonância com a disciplina constitucional.ª Secção . não podendo o julgador impor. de quaisquer indícios relevantes da prática. foi arbitrada pelas instâncias . 225. para efeitos do disposto no art. sujeito a tal medida de coacção.Erro de facto . impondo o dever de indemnizar aquele que for lesado por privação ilegal ou injustificada da liberdade. por parte daquele. 27.º do CPP define.Na falta de critério legal.º 1 do art. n.Porém.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 39 II . X .O art. restando-lhe o poder de qualificar diferentemente a situação de facto já que a lei lhe concede plena liberdade na indagação.O art. quando o mesmo só pode considerar-se erro por desconformidade com a interpretação normativa adoptada pelo Tribunal Superior. visto que o legislador constitucional devolveu à lei ordinária a definição dos termos em que haverá lugar à indemnização. interpretação essa perfeitamente plausível e defensável a vários títulos (nomeadamente na doutrina e jurisprudência). primeira parte.º do CPC). experiência e circunspecção”. e 566. 225. aquele que incidiu sobre a apreciação dos pressupostos de facto e não sobre os fundamentos de direito. pela sua gravidade. 225. Salreta Pereira e João Camilo Responsabilidade civil do Estado .Sousa Leite (Relator).Decisão surpresa . 225. bem como dos demais juízes que a mantiveram. durante muito perto de quatro meses.Causa de pedir . qualificação jurídica diversa daquela porque as partes optaram.º.º do CPP.A liberdade de qualificação jurídica dos factos é algo que pertence inteiramente às partes. supino. fora de qualquer dúvida razoável. e por outro lado.designadamente através de convite ao aperfeiçoamento da petição inicial -. tratando-se substancialmente apenas de uma diferente interpretação das regras jurídicas aplicáveis. do CPP. do CC.Alteração da qualificação jurídica Despacho de aperfeiçoamento . VI . é matéria de qualificação jurídica da factualidade alegada como causa de pedir. IX . 27-11-2007 . enquanto o art.Para os efeitos do disposto no n.º 3. aquele em que não teria caído uma pessoa dotada de normal inteligência. crasso. n. será manifesta a ilegalidade da detenção ou prisão preventiva quando for evidente. É ainda necessário que essa ilegalidade. n.º 2 do art.

XIII . o que não deixa de constituir uma actuação análoga à do favorecimento.051. distinguindo-se da ignorância porque esta se traduz essencialmente na falta de conhecimento.Prisão ilegal . n.Prisão preventiva .Venda de objectos declarados perdidos a favor do Estado I . do crime. II . integrando um erro decorrente da violação de solução que os elementos de facto notória ou manifestamente aconselham. 27-03-2008 . em maior ou menor grau.O prazo de prescrição do direito de indemnização previsto em tal diploma é o de três anos (art. 108.º 2. tinha conhecimento.º.Assessoria Cível . abrange também o chamado acto temerário.Revista n. designadamente ao pedido de ressarcimento por prejuízos alegadamente sofridos por causa de uma errada condenação cível (embora proferida em processo penal). ou a decisão final que na sequência daquele absolveu o ora autor e então arguido do crime que lhe vinha imputado. II .2. não tem o autor direito à peticionada indemnização. pois à data em que foi decretada e mantida a prisão preventiva estavam presentes os requisitos gerais exigidos pelo art. XIV . II .ª Secção . não vincula este Tribunal quando se trata de saber se estão ou não reunidos os pressupostos de que depende a atribuição ao autor da indemnização por ele peticionada ao Estado.Função jurisdicional .A apreciação a fazer no sentido de qualificar o eventual erro como grosseiro (ou temerário).Revista n.Moreira Alves (Relator).º 84/08 .Revista n. quando interpretado no sentido de não se exigir a prova de comportamentos integráveis no conceito penal de favorecimento ou receptação. IV . porque o juiz podia e devia consciencializar o engano que esteve na origem da sua decisão e que a determinou.ilegalidade na obtenção da prova . terá de reportar-se necessariamente ao momento em que a decisão impugnada teve lugar. embora não indo ao ponto de exigir que se trate de comportamentos que integrem um dos ilícitos penais que a recorrente menciona (favorecimento ou receptação).A circunstância de o recorrente ter sido absolvido a final por falta de prova do cometimento do crime por que foi pronunciado é insusceptível. em toda a sua tipicidade.O erro grosseiro de facto e/ou de direito na apreciação judicial dos pressupostos de facto da prisão preventiva é o indesculpável ou inadmissível. de revelar o referido erro.Erro grosseiro I .º 2381/07 .º 48.º 48.º 2 do art. se situa num nível de indesculpabilidade e gravidade elevada.º do CPP.º do DL n. de 21-11-1967 aplica-se à responsabilidade civil por factos ilícitos resultantes do exercício da função jurisdicional. Alves Velho e Moreira Camilo Responsabilidade civil do Estado . 22-01-2008 . 29-01-2008 .40 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional XI . nem prisão injustificada por erro grosseiro.Salvador da Costa (Relator) *. já que os fundamentos do acórdão absolutório da Relação .A decisão do acórdão da Relação que anulou o primeiro julgamento.não são pacíficos. do CPP. XII .Direito à indemnização .º 366/08 . na data da aquisição.1. embora de menor grau que o erro grosseiro propriamente dito.Estado .º do Código Penal de 1982 preenche-se com a demonstração de factos que possam conduzir à ilação de que o terceiro.7. 5. não incorre o Estado em responsabilidade civil extracontratual no confronto de quem a ela foi sujeito.O requisito “juízo de reprovação na aquisição” a que alude a norma estabelecida no n. 225.O DL n. apesar de falar em erro grosseiro.051).O erro significa o engano ou a falsa concepção acerca de um facto ou de uma coisa. só por si.Serra Baptista (Relator). da pessoa do transmitente do bem enquanto agente desse crime e da relação entre o bem e aqueles (crime e agente).O segmento da referida norma em que se determina a exclusão de indemnização a terceiro adquirente de objectos declarados perdidos a favor do Estado “quando de modo igualmente reprovável os tenha adquirido”.ª Secção .ª Secção .Inverificado o facto ilícito da prisão preventiva. aquele que.Prescrição I . Ferreira de Sousa e Armindo Luís Responsabilidade civil do Estado .Não existindo prisão manifestamente ilegal. Duarte Soares e Santos Bernardino Bens de terceiro . 204. mas apenas de comportamentos Gabinete dos Juízes Assessores .A previsão do art. III .

A demora excessiva causadora de danos ao autor na obtenção da decisão de um processo judicial.ª Secção .Função jurisdicional Procedimentos cautelares . faz incorrer o Estado em responsabilidade civil. que foi sendo sucessivamente adiado. n.Responsabilidade extracontratual .º do CPP.00 €. apenas os normativos constitucionais dos arts. a sua pretensão não poderia proceder.º 48/2007.º do CPP.º.Erro grosseiro .º.7.º 1091/08 . imputável ao Estado por deficiente organização dos seus serviços. da CRP e 2. pois os mesmos não revestem a gravidade necessária e merecedora de reparação. não sendo Gabinete dos Juízes Assessores . do CPC).Armindo Luís (Relator). Alberto Sobrinho e Maria dos Prazeres Beleza Responsabilidade civil do Estado .A lei ordinária ainda não densificou o conteúdo do art.Prisão ilegal . 19-06-2008 .Em sede da obrigação de indemnização do Estado por actos praticados no exercício da função jurisdicional.Revista n. se encontram regulados na lei ordinária .Demora abusiva Danos não patrimoniais I . III .º 4.em consequência da apontada demora na obtenção da decisão do processo (que esteve pendente cerca de 10 anos.Danos patrimoniais .º e 462. n.Revista n. não regulou a efectivação do direito de indemnização nos seus aspectos adjectivos e substantivos. pagando as despesas que ela reclamava.Revelando os factos provados que para o autor .E não se trata de uma lacuna jurídica.º 5. deve considerar-se que tais danos não patrimoniais revestem gravidade suficiente e necessária para que ao autor seja reconhecido o direito à sua indemnização.º.º da CRP. n.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 41 análogos a estes.ª instância.Indemnização .Oliveira Vasconcelos (Relator) *.Princípio da igualdade . 20.Sentença criminal . Pires da Rosa e Custódio Montes Responsabilidade civil do Estado .ºs 1 e 3. em violação do direito a uma decisão em prazo razoável (arts. ainda que o recorrente tivesse provado todos os factos integrantes dos pressupostos gerais da obrigação de indemnizar. e 29.º.ª Secção .Prisão preventiva . quer a sentença da 1.Danos não patrimoniais .ª Secção .Revista n.Todavia. de carácter penal. na redacção que lhe foi conferida pela Lei n. 22.º da CRP.º 1848/08 .Na indemnização dos danos não patrimoniais não cabem as meras contrariedades nem os simples incómodos. 27.A causa de pedir em que o recorrente fundamentou o seu pedido de compensação por danos patrimoniais e não patrimoniais circunscreve-se à responsabilidade civil extracontratual por ilícito exercício da função jurisdicional. do CC. 225. com várias datas designadas para a realização do julgamento. é adequado e comporta uma restrição necessária e proporcional ao direito de propriedade.º. incluindo a caracterização do dano indemnizável e das suas causas ou pressupostos específicos.Aplicação da lei no tempo . e que pedia à testemunha para não faltar e compreensão.Assessoria Cível .Constituição I . isto é.Decisão penal absolutória I . Duarte Soares e Santos Bernardino Responsabilidade civil do Estado . de 29-08. n.7.2.Mota Miranda (Relator). a culpa e o nexo de causalidade. n.arts. afigurando-se justa e equitativa para esse efeito a quantia de 10. durante o qual vieram a falecer duas das testemunhas por si arroladas. vindo o processo a terminar por transacção das partes) onde formulara um pedido de indemnização por danos resultantes de um acidente de viação cada adiamento de julgamento era motivo de desânimo e de angústia. decorrente da não decisão atempada em procedimento cautelar. superável por via da aplicação do disposto no art. não é aplicável aos casos de prisão preventiva ocorridos antes da entrada em vigor deste diploma. absolveram o réu Estado do pedido por não ocorrerem os pressupostos da responsabilidade civil extracontratual. 10. II . III . o que não pode acontecer.000.Função jurisdicional . apenas susceptível de ser superada por via do legislador ordinário.º 1. mas de lacuna de motivação politico-legislativa.O art. II . quer o acórdão recorrido.º 6. é que o autor/recorrente faz apelo directo à aplicação do disposto no art.º 1568/08 . V. 05-06-2008 . de âmbito meramente civil. 22.Prazo razoável . 225. IV . 03-07-2008 . que nada têm a ver com o caso vertente. nomeadamente a ilicitude.

assume natureza eminentemente substantiva.º 5 do art. sendo a sua aplicação no tempo definida pelas regras do art.º 5. que procede de culpa grave do errante . o que representa o alargamento da responsabilidade civil do Estado a factos ligados ao exercício da função jurisdicional. por não provados os factos que lhe eram imputados.º.º do CPP (redacção anterior à introduzida pela Lei n.º regula essa responsabilidade. liberdades e garantias.O art. de forma legal. o art.na apreciação dos respectivos pressupostos de facto. II . no exercício da função jurisdicional.º 2 do art. a possibilidade de indemnização nos termos do art. 225. regula-a para a situação específica de «privação da liberdade contra o Gabinete dos Juízes Assessores .Assessoria Cível .uma ilegalidade. mas apenas a discriminação arbitrária. e o art. a norma do art. por erro escandaloso. n.º prevê-se o caso de prisão preventiva legal. não briga com a aplicação e manutenção da prisão preventiva. proibindo que se tratem desigualmente situações iguais e de modo igual situações desiguais. as distinções de tratamento que não tenham justificação e fundamento material bastante. e. a não ser assim.º. então é certo que tal preceito consagra genericamente um direito a indemnização por lesão de direitos. do CPP. configura .O princípio constitucional da igualdade reconduz-se à proibição do arbítrio e da discriminação. pelo que.º 2.Mas. é. por erro grosseiro . enquanto o n. a formular em momento posterior. 12. igualmente com assento constitucional. por isso. 225.º 1 do art. razoavelmente cauteloso e ponderado na valoração dos pressupostos de facto invocados como fundamento desta. vão absolvidos dos crimes que lhes eram imputados. 5. por isso. apesar de inserido num diploma de carácter adjectivo. constituindo uma regra de tratamento a dispensar ao arguido ao longo do processo. VII .º do CPP.O juízo sobre o erro grosseiro na valoração dos pressupostos de facto determinantes da prisão preventiva. n. Todavia.º da CRP parece não abranger a chamada responsabilidade por actos lícitos .O princípio da presunção de inocência. no domínio da responsabilidade civil do Estado. além doutros requisitos. uma norma sobre a responsabilidade civil extracontratual. 225.No n. também só a manifesta inexistência de «fortes indícios» confere direito a indemnização.42 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional de aplicar.Assim. VIII .A inexistência de indícios bastantes para integrar o conceito legal de «fortes indícios». em geral. para resolver a questão. a final.ou seja. insusceptível de revelar a existência de erro grosseiro por parte de quem decretou a aludida medida de coacção. tendo em conta as circunstâncias em que foi aplicada. é verdadeiramente uma regra de direito privado comum ou civil. Tal princípio não impede a diferenciação de tratamento. 225. só por si.o que excluiria a sua aplicação a casos em que foi aplicada prisão preventiva. crasso ou palmar. que rege sobre a aplicação da lei processual penal no tempo. e o despacho que a decreta é ilegal. XIII .se a prisão preventiva for decretada . para que a prisão preventiva possa ser decretada.º do CC. no acórdão penal absolutório. não sendo o erro (grosseiro ou não) o vício que o inquina.º 48/2007). tenham ateado fogo ou provocado incêndio”. estabelecendo o regime da indemnização cível por danos causados pelo Estado a qualquer pessoa. e. para fundar o direito à indemnização. inversamente. 22.º tem um domínio especial ou específico de aplicação. III . em tal situação. ocorreu absolvição. não implica. postulando que se dê tratamento igual a situações de facto essencialmente iguais e tratamento desigual a situações de facto desiguais e. por si só. elementos e circunstâncias que ocorriam na ocasião em que esta foi decretada ou mantida. mas em que. para além do clássico erro judiciário. consagrando expressamente o princípio de indemnização de danos nos casos de privação inconstitucional ou ilegal da liberdade. e que.E o facto de o arguido sujeito a prisão preventiva legalmente decretada vir a ser posteriormente absolvido em julgamento.Dizendo-se. nos termos do n. XII . tem por base os factos. 27. IX . VI . que “não resulta dos factos provados que os arguidos. no caso. 22.Isto porque o art. 27. ou qualquer deles. exigido. XI . decorrência do princípio in dubio pro reo: não se provar que praticaram os factos não significa que os não tenham praticado. a absolvição é. V .º. X . IV . não basta a ilegalidade da prisão preventiva: exige-se que tal ilegalidade seja manifesta. mas que posteriormente veio a verificar-se ser total ou parcialmente injustificada.O erro grosseiro na aplicação da prisão preventiva tem de ser apreciado à luz de um juiz de médio saber.

em nada interfere na fixação das medidas de coacção. III . 11-09-2008 .Constitucionalidade I . após 15 de Setembro de 2007 .São de considerar verificadas a adequação e a proporcionalidade da detenção do recorrido.ª Secção . não se teve em conta a idade de 20 anos que tinha. n. que estabelece o regime da indemnização cível por danos causados pelo Estado a qualquer pessoa no exercício da função jurisdicional.Responsabilidade extracontratual . dando conhecimento destes factos ao MP. 12. de 20-12 (diploma então em vigor).Não estamos perante um erro grosseiro cometido pelo julgador se o tribunal. b).Daí que a nova formulação do art. não obstante a sua inserção num diploma de carácter adjectivo. IV . 22. 15.º só logre aplicação aos casos de detenção ocorridos após o início de vigência da Lei n. conduz a que este não seja invocável no âmbito do campo de intervenção daquele. a culpa. guardado por dois inspectores da PJ.Revista n. ponderando que: apesar do arguido.º 48/2007.º do CC. findo o interrogatório judicial. Oliveira Rocha e Oliveira Vasconcelos Responsabilidade civil do Estado .A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 43 disposto na Constituição e na lei».º.ª Secção .º do CPP interpreta correctamente o sentido do preceito constitucional do art. há 7 dias que haviam sido emitidos mandados de detenção contra ele.Revista n. o dano e o nexo de causalidade entre o facto e o dano.º. 225. se encontra.Erro grosseiro . 19-03-2009 .A execução e validação judicial da detenção não violou qualquer comando constitucional ou legal. então.Há responsabilidade extracontratual do Estado por factos ilícitos desde que concorram todos os tradicionais pressupostos deste tipo de responsabilidade: o facto ilícito.ª Juiz de Instrução que o iria interrogar.º 401/82. 21-10-2008 . considerando que se tratou do encaminhamento por uma funcionária judicial para uma dependência do Tribunal Judicial. perante a decisão da Segurança Social indeferindo o pedido de apoio judiciário. não compareceu. tendo tido conhecimento da realização de uma busca domiciliária à sua residência e.30m. II .º 2934/08 .art.Revista n. haver comparecido voluntária e espontaneamente no tribunal. no confronto com o art. 27.o dia 3 de Dezembro. interpretou como impugnação judicial dessa decisão o requerimento apresentado por advogado constituído pelo requerente do apoio. o tempo necessário para ser apresentado à Mm.Moreira Camilo (Relator). nos termos do art. ou seja. atacando a decisão em causa. assume natureza eminentemente substantiva. da CRP.ª Secção .Prisão ilegal . Bettencourt de Faria e Pereira da Silva Responsabilidade civil do Estado . Trata-se de uma regra de direito privado comum ou civil. 225.Paulo Sá (Relator).º 30-E/2000. 225.Assessoria Cível .º 5. da Lei n.Revista n.O DL n. de 23-09 . pelas 11h.Detenção ilegal .º. o arguido estava.Santos Bernardino (Relator) *. dizendo-se disposto a contribuir para a descoberta da verdade e a colaborar com a justiça.2. pelo que se impõe decidir pela absolvição do Estado do pedido. Urbano Dias e Paulo Sá Responsabilidade civil do Estado .O art. e a relação de especialidade em que o art.Apoio judiciário I . quando foi detido. III .º 1747/08 . em que este. V .º 65/09 . não pode ser indemnizado o preso preventivo com base em que. na data e hora que logo lhe foi indicada .1. ausente do país mas.João Bernardo (Relator) *.ª Secção . num processo de corrupção desportiva. ora Autor. II . 27.Não violando essa não interferência qualquer preceito constitucional. 06-11-2008 .º.Assim.2. Mário Cruz e Garcia Calejo Gabinete dos Juízes Assessores .Prisão preventiva I .Função jurisdicional . uma norma sobre a responsabilidade civil extracontratual.Acto de funcionário Aplicação da lei no tempo .º 3149/08 .É de concluir pela verificação do requisito da necessidade da detenção. porém. solicitara a designação de dia e hora para a sua inquirição.Função jurisdicional .º do CPP. para ser inquirido. al. tendo o detido sido de imediato restituído à liberdade. inexistindo facto ilícito. II .1. VI .º 5. n. alega não terem sido indevidamente consideradas certas despesas e acaba por pedir que se defira o pagamento das taxas de justiça da acção para que foi solicitado o apoio judiciário para final. onde o detido permaneceu durante 3 horas e 5 minutos.O art.que consagra o regime especial relativo a jovens delinquentes -. ao ser decretada e mantida a medida de coacção.

da logística acessível ao magistrado.Aplicação da lei no tempo . Moreira Alves e Alves Velho Gabinete dos Juízes Assessores . VIII . XI . Poderá é aplicar uma norma. XIII .Trata-se de valorar. dos novos conceitos para aquilatar da aplicação do artigo 22.face à entendida parcial revogação do Decreto-Lei n.Ainda na vigência do Decreto-Lei n.º da lei fundamental.O erro grosseiro é o que se revela indesculpável.Responsabilidade civil do Estado . contribuem. seu segmento ou interpretação.ª Secção . desde logo. afastando. enfim. constituindo.Actos jurisdicionais . Socorremo-nos. como garantia o direito que este diploma consagra. IX . da necessidade de cumprimento estrito do formalismo da lei. por não conter quaisquer restrições. nas características idiossincráticas do julgador. a interferir no seu mérito.º da Constituição da República é uma norma directamente aplicável cumprindo aos tribunais a sua implementação tendente a assegurar a reparação dos danos resultantes de actos lesivos de direitos. resultante de lapso grosseiro e patente.º 67/2007.Revista n.A lei aplicável é . Terá de se traduzir num óbvio erro de julgamento. IV . é directamente aplicável consagrando um princípio geral e uma garantia constitucional.Sebastião Póvoas (Relator) *.O artigo 22.º 48 051 de 21 de Novembro de 1967. o que o legislador pretendeu foi sancionar a decisão assim viciada se na sua origem está um “erro grosseiro na apreciação dos respectivos pressupostos de facto”. X . na ponderação da dificuldade da causa. Tudo isto sem aludir à necessidade de contingentação. III . desde logo.3YFLSB . a generalidade da doutrina passou a propender para que o artigo 22. ainda. finalmente. II . uma “aberratio legis” por desconhecimento ou má compreensão flagrante do regime legal.º da Constituição da República.º da Constituição da República. V .Para que não se corra o perigo de entorpecer o funcionamento da justiça e perturbar a independência dos juízes. em violação do normativo constitucional.A falta de celeridade (ou decisão não proferida “em prazo razoável”) deve ser aferida casuisticamente. dos incidentes suscitados. o artigo 22.º daquele diploma e do n. impedissem essa interpretação. autoriza a criação de uma norma de decisão para a densificação do artigo 22.A decisão não é inconstitucional. VI . Considera-se que a norma constitucional revogou os preceitos daquele Decreto-Lei que. na racionalidade da distribuição e.º 2 do artigo 12. VII . outrossim. na busca de soluções que evitem jurisprudência contraditória. por forma mais clara e delineada.Atraso na decisão .Porém.º 48 051 . intolerável. eventualmente. e a hierarquia das instâncias. o novo Regime da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado na parte referente aos actos praticados no exercício da função jurisdicional.Ponderando a data de entrada em vigor da Lei n.º 368/09.44 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional Responsabilidade do Estado .º da Constituição da República abrangesse não só a responsabilidade do Estado por danos resultantes do exercício da função administrativa. da cooperação entre os julgadores que integram o conclave. então. como se disse.Erro grosseiro .Não se trata de erro ou lapso que afecta a decisão mas não põe em causa a sua substância (“error in judicio”).1. aos apoios de assessoria e secretariado que a gestão e o legislador tantas vezes olvidam. 08-09-2009 . mas igualmente das funções legislativa e jurisdicional. o sistema de recursos. o conceito de “erro judiciário” para assim lograr um dos pressupostos da responsabilidade civil do Estado nesta área.Assessoria Cível . que nesta perspectiva.º do Código Civil. de 31 de Dezembro. liberdades e garantias ou dos interesses juridicamente protegidos dos cidadãos. reduzindo substancialmente a possibilidade de uma sentença injusta. norma que. Certo. qualquer responsabilidade por actos de interpretação das normas de direito e pela valoração dos factos e da prova. e a data da decisão que a Autora entende ter-lhe causado danos é de aplicar o regime anterior por força do artigo 2. para o sucessivo aperfeiçoamento da decisão.Função jurisdicional .Decisão judicial Prazo razoável I . impõe-se um regime particularmente cauteloso. salvo se tomada por um órgão não competente segundo a lei fundamental. por divergência entre a verdade fáctica ou jurídica e a afirmada na decisão.Porém. XII . um lapso manifesto.Não será.directamente.

A «injustificabilidade» de busca judicialmente autorizada tem de ser valorada estritamente em função dos factos.e não à situação que se vem a apurar -. da pretensa ilegalidade e consequente ilicitude. fruto apenas de mera interpretação. 03-12-2009 . carece de sentido e de fundamento legal a acção proposta contra o Estado Português pelo autor de uma acção. tendo.Princípio da adequação .Prazo de propositura da acção . ter sido desconsiderada. vulgarmente conhecida por 3. no âmbito do processo penal. de uma Directiva Comunitária. 13. no momento do trânsito em julgado da decisão de absolvição do arguido em causa.º.P1.Internamento compulsivo .Decisão judicial . para o efeito de contagem do prazo para instaurar a acção de indemnização por prisão preventiva “injustificada por erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto”. indícios e provas existentes no inquérito no preciso momento em que foi proferido o despacho.Princípio da necessidade . arts. só com a entrada em vigor da Lei n.Caducidade .Ilicitude .Erro grosseiro .Indemnização .Assessoria Cível . julgada improcedente.Contagem de prazos Considera-se “definitivamente decidido o processo penal respectivo”. justificadas pela existência de anomalia psíquica grave.º 9180/07. pelo STJ.º 173/2001.Assim. de 21-11-1967.Em matéria de natureza cível. com base no articulado do revogado DL n. ou seja. pretensamente «ilegal». de 31-12.Prisão ilegal . ao caso. Lázaro Faria e Lopes do Rego Busca .º.º 67/2007. assumindo consequentemente o risco de não ter logrado provar suficientemente o invocado carácter «gratuito» ou «arbitrário» da diligência.O internamento do portador de anomalia psíquica destina-se a dar guarida constitucional a intervenções restritivas da liberdade.Tal acção intentada contra o Estado Português nunca deveria ter passado o crivo do saneador.ª Secção . Barreto Nunes e Orlando Afonso Responsabilidade civil do Estado . de 14-051990 (90/232/CEE).Não tendo sido impugnada.Revista n. intentada contra uma Seguradora com fundamento no instituto da responsabilidade civil.º).Absolvição .Função jurisdicional . concretamente a Directiva Comunitária. aceitar-se a tese. pois.Busca domiciliária .ª Secção . Lei da Saúde Mental.S1 . de apreciação crítica de uma decisão tomada.ª Directiva Automóvel. mas apenas nos apertados limites da previsão do seu art. e não do trânsito em julgado da decisão final do processo em relação a todos os arguidos. representaria uma total e inaceitável subversão da regulamentação do nosso sistema judiciário. a aplicação.º e 11. pelo STJ. 8. Urbano Dias e Paulo Sá Prisão preventiva . desde logo.7.1.Internamento .ª Secção .Revista n.S1 . 9.Responsabilidade civil do Estado .Validade .G1. que a possibilitou . 11-02-2010 . quer através do aprofundamento da investigação. em último grau. quer em consequência da própria realização material da diligência. antes da entrada em vigor daquela Lei. alegadamente.Lopes do Rego (Relator) *.Maria dos Prazeres Beleza (Relator) *.S1 .3TBBRG.8TBPNF. IV .Ónus da prova I . é ao lesado que incumbe o ónus probatório.º 48051. III . 21-04-2010 . a validade da busca domiciliária em causa.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 45 Função jurisdicional . Dada a natureza de intervenção restritiva do internamento compulsivo. e nunca antes. justifica-se. também aqui. faz sentido responsabilizar o Estado. em último grau.Supremo Tribunal de Justiça Directiva comunitária I .Princípio da proporcionalidade I .Responsabilidade civil do Estado . o princípio da proibição do excesso (cf.7. II . II .Moreira Camilo (Relator) *. por. devendo Gabinete dos Juízes Assessores . o lesado de carrear para a acção todo o material fáctico que permita suportar a imputação de ilegalidade ao despacho que autorizou a busca.Na verdade.º 2623/07.Revista n.Responsabilidade civil do Estado .Anomalia psíquica .Erro na apreciação da prova Sentença criminal . A CRP impõe ainda outras dimensões garantísticas: 1) o internamento deve ser feito em estabelecimento adequado. com natural improcedência. por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional. que vingou nas instâncias.

Tendo cada um dos autores declarado que “nada mais reclamará do Estado Português.Excepção peremptória . Mário Cruz e Garcia Calejo Contrato de depósito .No que respeita a excepção peremptória de pagamento.º. apesar de se ter rebelado contra o tratamento. 2) deve ser sujeito à reserva de decisão judicial (decretação ou confirmação do internamento).Declaração .Revista n. 680. n. do CPC. estão sujeitas aos requisitos materiais da necessidade. ainda que subordinadamente. sendo excepcionais.Recurso de revista . designadamente a título de indemnização por tardia restituição. apenas forma caso julgado formal no âmbito do respectivo processo. III . Granja da Fonseca e Pires da Rosa Prisão preventiva . IV . uma vez que neste recurso apenas está em causa a crítica da decisão proferida pela Relação.º 4. e não conhece do mérito (condenação ou absolvição).º da CRP estabelece um princípio geral de directa responsabilidade civil do Estado. 690. eventualmente.ª Secção . não pode constituir fundamento do recurso de revista. III .ª Secção .Responsabilidade civil do Estado . porquanto não ficou vencido (art.In casu.Se um acórdão. em concreto.S1 .Sentença . igualmente subjacente à alta concedida consequente à sua declaração de compromisso relativamente ao tratamento ambulatório.O art. o que nos remete para o afastamento. 02-03-2011 . inadequação ou desproporcionalidade.Caso julgado formal .7TVLSB.Sérgio Poças (Relator) *.ª instância que por sua vez julgou procedente essa excepção peremptória e absolveu o recorrente. não pode deixar de se considerar. correcção monetária ou juros de mora.Paulo Sá (Relator). face nomeadamente ao disposto nos arts.º e 787. III .Recurso subordinado I . II .º 5227/09.Erro grosseiro Erro temerário I . versa apenas sobre uma decisão interlocutória relativa à apreciação de uma medida de coacção aplicada a um arguido.Quitação . fica prejudicado o conhecimento deste fundamento do recurso subordinado em sede de revista. que foram apresentadas conclusões. não tendo qualquer efeito fora dele. as privações de liberdade.Objecto do recurso .º.1TVLSB. a privação de liberdade a que o autor foi sujeito é. Gabinete dos Juízes Assessores . proferido em processo crime. bem como a solução que sustenta e os fundamentos dela. declaração que se não provou que tenha sido feita sob qualquer coacção.1. e relativamente à qual o réu ficou vencido. aceitou o internamento inicialmente. de qualquer desnecessidade.Há um princípio de tipicidade das privações de liberdade.Responsabilidade civil do Estado . a jurisprudência do TC tem destacado a importância decisiva da duração e das condições em que se verificou a restrição de liberdade. deve entender-se que aqueles deram uma efectiva quitação e renunciaram a qualquer outro recebimento de algum modo ligado com os depósitos referenciados na declaração.Assessoria Cível . podendo aquela preterição. 786.º 3736/07. quanto a depósitos efectuados naquele Consulado.Prazo razoável . n. o réu não tem legitimidade para recorrer.Não obstante a procedência da excepção de interrupção da prescrição invocada pelos autores.º 1.S1 . 22.º do CC. 22-06-2010 . da adequação e da proporcionalidade.L1. o que implica o reconhecimento da sua doença.7. Para aferir da proporcionalidade da privação da liberdade. sendo certo que aquele. do CPC).46 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional entender-se como tal um hospital ou instituição análoga que permita o tratamento do portador de anomalia psíquica.Revista n. nos seus efeitos práticos. equiparável à situação por que passa a generalidade das pessoas com problemas do foro psiquiátrico. II . ao que acresce que. apesar da sua maior extensão. a partir da data em que lhe for entregue o montante acima referido”.Pagamento Legitimidade para recorrer . da decisão do tribunal da Relação que confirmou a decisão da 1. assumir-se como fundamento de futura acção a propor pelo particular lesado contra o Estado.L1. II . no sentido relevante para o efeito previsto no art.A invocação de preterição do prazo razoável para a prolação da decisão.Quando o recorrente tenha conseguido determinar de forma razoavelmente clara os pontos em que discorda e os fundamentos por que discorda da decisão recorrida. mantendo-se no STJ a decisão da Relação que absolveu o Réu do pedido.

O art.Na falta de critério legal.Erro grosseiro Ilegalidade . 225.É irrelevante. para além do clássico erro judiciário. o dever de indemnizar quem for lesado por privação ilegal da liberdade. na redacção anterior ao início da vigência da Lei n. do CPP não sofre de inconstitucionalidade. 22-03-2011 . apesar de falar em erro grosseiro. que apenas se sustenta na ilegalidade manifesta. o facto do arguido. notório. para que nasça o dever de indemnizar por parte do Estado. 225. terá de reportar-se. do CPP. XII .º 1 do art.Revista n. VIII . indesculpável. ou sobre a sua aplicação (erro de aplicação). V .Assessoria Cível . para além do clássico erro judiciário.Obrigação de indemnizar I .Apesar da lei falar apenas em erro grosseiro. grosseiro. será manifesta a ilegalidade da detenção ou prisão preventiva quando for evidente.Função jurisdicional .º. é ainda necessário que essa ilegalidade seja manifesta ou notória. XI .ª Secção . nos termos que a lei estabelecer.º 5. A simples ilegalidade fundamenta. necessariamente.º 2. IX .º.º do CPP.º do CPP.Será com base nos factos. tenha surgido o art.Não é de aceitar a imputação ao Estado de uma responsabilidade objectiva geral por actos lícitos praticados no exercício da função jurisdicional. n. VIII .L1S1 . a relevância do erro.Em todo o caso. em que a decisão impugnada teve lugar. desde logo o direito de recorrer ou de lançar mão da providência de habeas corpus mas não justifica o pedido de indemnização. n. abrange também o chamado acto temerário. Silva Salazar e Nuno Cameira Prisão preventiva . o art. só surge se se tratar de erro manifesto.º do CPP. 225. ao momento em que a decisão impugnada teve lugar. VII .º. que foi efectuada sem estarem presentes os respectivos pressupostos legais.A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 47 IV . elementos e circunstâncias que ocorriam na altura em que a prisão foi decretada ou mantida que ele tem de ser avaliado ou qualificado como erro grosseiro ou temerário. do CPP também abrange o chamado acto temerário. na sequência do comando constitucional do citado art. IX . isto é. VII . da mesma Lei Fundamental.O art. como prescreve o art. de modo especial. 27.º 5715/04.ºs 1 e 2. que se encontra fora do campo em que é natural a incerteza. para o efeito de constituir o Estado no dever de indemnizar nos termos do n.A prisão preventiva ilegal pode ter origem em erro de direito.Responsabilidade civil do Estado .Entende-se por acto temerário aquele que. para tal qualificação.º 1) e a prisão preventiva que. n. VI . comporta a prisão preventiva manifestamente ilegal (n.º 48/2007.6. sob pena de se tornar praticamente inaplicável à generalidade dos casos. o que implica.º do CPP (na redacção anterior à Lei n. mais tarde. impõe ao Estado. de 29/08). VI . ao momento. não sendo ilegal. em sede de detenção e de prisão legal e justificadamente mantida. terá de reportar-se. 225. se situa num nível de indesculpabilidade e gravidade elevada. 225. evidente.º 5. n. isto é. a legítima administração da justiça.º. 202. fora de qualquer dúvida razoável. 225. só pode ser aplicada se “houver fortes indícios da prática de crime doloso punível com pena de prisão de máximo superior a três anos”.Em alargamento dessa responsabilidade a factos ligados ao exercício da função jurisdicional. V . IV . 27.º do CPP.º 2. X . embora de menor grau que o erro grosseiro propriamente dito.A apreciação a fazer no sentido de qualificar o eventual erro como grosseiro (ou temerário). III.A apreciação a fazer no sentido de qualificar o eventual erro como grosseiro ou temerário.º 2). integrando um erro decorrente da violação de solução que os elementos de facto notória ou manifestamente aconselham.Azevedo Ramos (Relator) *.A lei distingue entre prisão preventiva ilegal e prisão preventiva manifestamente ilegal.1TVLSB. necessariamente.A previsão do art. Gabinete dos Juízes Assessores . em termos de abranger.Daí que. venha a revelar-se injustificada na apreciação dos seus pressupostos de facto de que dependia (n. Só esta notoriedade do erro transforma a prisão preventiva decretada à sua sombra em manifestamente ilegal. ter sido absolvido ou ter sido objecto de não pronúncia pelos crimes de que se encontrava acusado. II . n. num erro que recai sobre a existência ou conteúdo duma norma jurídica (erro de interpretação).º 48/2007. crasso.No âmbito do regime previsto no art. não basta que a detenção ou prisão preventiva seja ilegal.º.A medida de coacção de prisão preventiva. o art. 225. além de subsidiária em relação às demais previstas na lei.

tal valoração. como tinha obrigação de fazer. por isso.º. XVI .S1 . a).Assessoria Cível . 225. e concretamente a dita prova indiciária. conclusiva e inconcludente. a existência de indícios da prática do crime se estes não forem firmes e seguros ou forem exclusivamente indirectos ou circunstanciais.Ónus da prova I . al. e não conhecer dos atrasos ou eventuais condutas imputáveis a Magistrados e/ou ao Estado que este processo tenha sofrido durante a sua tramitação. por isso. manifestamente ilegal tal interpretação da lei.48 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional necessariamente. e antes de mais. portanto. isto é. da manifesta ilegalidade da prisão preventiva decretada (art. não suportava.Tratando-se de erro grosseiro ou. delimitado pelo pedido e respectiva causa de pedir.º 1268/03. 225. presumindo que. do CPP). sem qualquer apreciação concreta da prova indiciária. Paulo Sá (declaração de voto) e Helder Roque (declaração de voto) Poderes do Supremo Tribunal de Justiça . revelarem uma séria probabilidade de ter o arguido praticado os factos que lhe são imputados. existindo meras suspeitas do envolvimento do autor. n. como era elementar. XII . isto é. no momento da aplicação da medida. da existência de fortes indícios da prática dos crimes imputados ao autor na acusação.Recurso de revista .º 1. n. II .Responsabilidade civil do Estado .Prazo de propositura da acção . XIV . traduziu-se numa valoração manifestamente errada e inadmissível. se o despacho não aponta minimamente nesse sentido.1. em recurso de revista. maxime. 202. também. não interpuseram Gabinete dos Juízes Assessores .ª Secção .Ao STJ cabe decidir. que é a primeira operação a realizar pelo julgador e da qual depende. perante o erro na apreciação dos indícios disponíveis da prática dos crimes. a). 202. tendo sido deduzida acusação pelo MP. que se mostra grosseiro. condição primeira e necessária da aplicação da medida. gerador. do CPP). manifestamente insuficiente para se ter como indiciada a prática de qualquer de qualquer dos crimes que lhe foram imputados. visto que a factualidade recolhida no inquérito. 11-10-2011 . remissão para a prova indiciária. sejam ponderados concreta e criticamente todos os indícios até então recolhidos. a aplicação da medida da coacção mais gravosa. na alegação dos autores. com toda a evidência. mas sem base factual em que as apoiar.Responsabilidade extracontratual . para a qual remeteu acriticamente. e da qual. se. n. ou seja. em primeira linha. XIII . mesmo assim é difícil sustentar que o decisor judicial ponderou.6TBPMS. tendo em conta as regras da experiência comum.Em acção de responsabilidade civil intentada com fundamento em alegados prejuízos decorrentes de uma providência cautelar intentada pelos réus. não passava de meras suposições ou suspeitas genéricas e inconcludentes. XI . estar-se-á no campo do erro de direito. do art.º.L1. verifica-se a obrigação do Estado indemnizar o autor pela prisão que injustamente suportou. que de modo nenhum autorizavam o decisor a concluir pela existência de fortes e seguros indícios de que o autor tivesse cometido os crimes que se lhe imputavam na acusação.Ainda que se entenda que a remissão para a acusação implica.Moreira Alves (Relator). Não basta. al.Acção principal . que. do objecto da causa. Alves Velho.Se o despacho que determinou a prisão preventiva do autor fez aplicação manifestamente errada das normas que estabelecem os pressupostos de aplicação da referida medida. evidente e fora do campo em que é natural a incerteza.Verificando que a factualidade existente. ele próprio.Culpa . pelo menos. XV . X . na data em que a prisão preventiva foi ordenada. que só serão relevantes para fundamentar a medida se forem fortes.Se a acusação deduzida contra o autor se fundou em prova indiciária genérica.Revista n. não se verificam os fortes indícios a que a lei se refere e que justificam.º 1. mostra-se inadmissível e.Procedimentos cautelares .º.Se o despacho judicial que ordenou a prisão preventiva do autor teve como indiciados os crimes constantes da acusação pelo simples facto de dela constarem. na medida em que não analisou a prova indiciária existente (e que era completamente inconsistente) no sentido de verificar e ponderar.º.º 2 do art.Estar-se-á no âmbito do erro do facto. a medida de prisão preventiva (art. do CPP. desde logo. existiriam suficientes indícios da actividade criminosa que lhe era imputada. Sebastião Póvoas (declaração de voto). a valoração da prova indiciária (a ter sido realmente efectuada) que incidiu sobre o primeiro e essencial pressuposto de que dependia o decretamento da prisão preventiva.º 1. no âmbito do erro na apreciação dos pressupostos de facto de que dependia a aplicação da medida a que se refere o n. de acto temerário que o decisor podia e devia ter evitado. a aplicação da medida.

A responsabilidade civil extracontratual do Estado-Juiz assenta na culpa do juiz. Fernando Bento e João Trindade Responsabilidade extracontratual .Função jurisdicional .L1.O citado normativo do CPP não admite outra interpretação senão a de que o mesmo apenas se refere às medidas de coacção e não à prisão decorrente de decisão judicial condenatória e transitada.º. 27. atendendo ainda a que. sem embargo da sua intensidade. é indiscutível que o erro grosseiro de que foi vítima teve consequências danosas cuja seriedade não pode nem deve ser ignorada.S1 .ª Secção . que este Supremo Tribunal tem fixado compensações que raramente ultrapassam os € 15 000. para além de não transparecer dos autos que o caso tenha tido repercussão pública com reflexos negativos no seu bom nome e reputação.Cálculo da indemnização .ª Secção .º do CPP interpreta correctamente o sentido do preceito constitucional do art. por via do recurso logo interposto e atendido em toda a linha. não precisou de esperar mais do que seis meses para ver reposta a legalidade e reconhecido jurisdicionalmente o erro que o lesou.2.º 5. ficou ensimesmado e chorava. indiscutível e de tal modo grave que torne a decisão judicial numa decisão claramente arbitrária. demonstrativa de uma actividade dolosa ou gravemente negligente.º 364/08. 15-12-2011 .2. Gabinete dos Juízes Assessores . crasso. receou ficar na miséria.Erro grosseiro . da CRP.º 215/2001.O erro de direito só constituirá fundamento de responsabilidade civil quando.Álvaro Rodrigues (Relator). n. assente em conclusões absurdas.C1. núcleo da função jurisdicional.S1 .Condenação Testemunha . II . indiscutível e de tal modo grave que torne a decisão judicial numa decisão claramente arbitrária. palmar.Cumprimento de pena I . crasso. ponderando o facto de não ter sofrido qualquer penhora ou diminuição patrimonial em resultado directo da errónea decisão judicial.Danos não patrimoniais .O pressuposto da culpa referido em II não existe se na acção principal foi julgado procedente o pedido dos aí autores.Equidade I .Função jurisdicional Erro grosseiro .G1.Liberdade condicional . palmar.Revista n. são insindicáveis. evidente. incumbe a estes (autores) provar a culpa dos réus (autores na providência e acção da qual foi dependente) nos prejuízos decorrentes desse atraso.3TVLSB.ª Secção . Tavares de Paiva e Bettencourt de Faria Responsabilidade civil do Estado .Provado que ao tomar conhecimento da decisão judicial em causa o autor ficou desvairado. III .O art.Considerando que as dores físicas e morais infligidas ao autor não adquiriram carácter permanente.Juiz . mesmo em casos de perdas mais significativas do que as sofridas pelo autor (por exemplo. 225. tomava sedativos para descansar.Negligência I . Sousa Leite e Salreta Pereira Responsabilidade civil do Estado .Pena de prisão . 28-02-2012 .Configura um erro grosseiro a condenação do lesado numa multa de montante superior a € 167 000 num processo crime em que interveio como testemunha indicada pela acusação. evidente.Assessoria Cível . seja grosseiro.0TCGMR.Nuno Cameira (Relator). V . perda da liberdade por prisão ilegal ou manifestamente infundada). já que estão situadas muito para além dos simples incómodos ou meros contratempos a que se expõe quem vive em sociedade. esteve oito dias sem sair de casa.João Trindade (Relator). e tendo em conta. finalmente.ª instância.O erro de direito praticado pelo juiz só poderá constituir fundamento de responsabilidade civil do Estado quando seja grosseiro. antes tendo uma duração relativamente curta. II . IV . II . deixou de comer e de dormir.Dolo .A responsabilidade civil extracontratual do Estado na jurisprudência das Secções Cíveis do Supremo Tribunal de Justiça 49 a acção principal em prazo.Revista n. 10-11-2011 .Culpa .S1 . deve a compensação de € 25 000 arbitrada pela Relação ser reduzida e estabelecida no montante de € 10 000 arbitrado na sentença da 1.Revista n.Os actos de interpretação de normas de direito e de valoração jurídica dos factos e das provas.Responsabilidade civil do Estado . salvaguardada a referida essência da função jurisdicional. assente em conclusões absurdas. motivo pela qual não se verificando este requisito não há lugar a responsabilidade objectiva do Estado. III .º 825/06.Função jurisdicional .6. os seus cabelos da cabeça ficaram brancos e emagreceu.

S1 . se a mesma perfilhou uma corrente jurisprudencial sedimentada.50 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exercício da função jurisdicional III . 13. sobre responsabilidade extracontratual do Estado. prevê no seu art. por erro grosseiro.º 508/09. não obstante se reconhecer ser estranha a coexistência desta duas situações.S1 .Revista n. II .º 1459/09. além do mais.O tribunal de 1.ª instância é absolutamente incompetente para conhecer da responsabilidade civil ou criminal do juiz da comarca por actos decorrentes da função jurisdicional. 14.2TBVLN.A Lei n.Távora Victor (Relator) *.ª Secção . de 31-12.A responsabilidade civil do juiz por dolo ou negligência em virtude de actos praticados no exercício das suas funções só poderá ser exercida por via de regresso da parte do órgão com legitimidade para o exercício da função disciplinar ou do Ministro da Justiça.Função jurisdicional Incompetência . IV .Erro grosseiro . e não uma tese que não lograva qualquer apoio doutrinal ou jurisprudencial. não pode falar-se em manifesta ilegalidade da prisão mantida pelo TEP ou em prisão injustificada.Responsabilidade civil do Estado .Assessoria Cível .º 67/2007.1.Competência material .Incompetência absoluta .Dolo Negligência . III .º da Lei n. Garcia Calejo e Helder Roque Responsabilidade extracontratual .°. V . de 31-12. a responsabilidade por danos decorrentes de decisões jurisdicionais manifestamente inconstitucionais ou ilegais ou injustificadas por erro grosseiro na apreciação dos respectivos pressupostos de facto.Se o TEP entendeu haver compatibilidade entre a liberdade condicional que deveria ser decretada e a continuação da situação de prisão para cumprimento de uma outra pena. em princípio pela ilicitude e culpa do juiz perante o caso concreto e na acção intentada contra o Estado terão os respectivos actos que ser escalpelizados.Revista n. de harmonia com o art. 20-09-2012 .L1. n.º 1.º 6/2007.Paulo Sá (Relator).6TVLSB.Não pode falar-se em decisão manifestamente ilegal ou fundada em erro grosseiro.ª Secção . Sérgio Poças e Granja da Fonseca Gabinete dos Juízes Assessores .Direito de regresso I .7.A responsabilidade civil do Estado afere-se. 15-03-2012 .