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Revista Filosófica de Coimbra Publicação semestral

Vol. 12 • N.° 24 • Outubro de 2003

Artigos Miguel Baptista Pereira - A Hermenêutica da Condição Humana de Paul Ricoeur ............................................................................ Amândio Coxito - Génese e Conhecimento dos Primeiros Princípios. Uni Confronto do Curso Conimbricense com Aristóteles e S. Tomás ..................................................................................... Mário Santiago de Carvalho - Ontologia da condição Feminina em Bernardo de Claraval .................................................................... Marie-Louise Mallet - La Raison du Plus Fort ................................ Luis Arenas - Metacrítica de Ia razón pura . El Kant de Adorno 235

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Estudos José Reis - O tempo em Husserl ..................................................... Luiz Alberto Cerqueira - O Sentido Interno do Tempo no Pensamento Brasileiro : Farias Brito .................................................... Recensões ............................................................................................ 399

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Rema. com todos os títulos latinos traduzidos . aconselha . metafísica.se a constante remissão para a exaustiva Tábua Onomástica dos autores citados ( pp. por vezes com humor e reconhecida ironia . mas sobre isto B .se de facto perante um oportuno. epistemologia e ética) uma corajosa visão assaz pessoal e iconoclástica que vale a pena reproduzir ( p. dos concílios ecuménicos .se de maneira quase convincente ( p. 499-504 .o.Patar ( paleógrafo e codicólogo belga residente no Canadá. o que o leva .g. mas a tendência é felizmente ultrapassada pela qualidade das mais de 360 entradas . na maior parte dos casos. dos Imperadores alemães. Para facilitar a consulta deste utilíssimo volume. vocabulário ideológico e técnico. Québec: Les Presses Philosophiques 2000 . Não se trata. autores da Antiguidade tardia.° 24 (2003) pp. a omitir a notável tradução portuguesa da obra sermonária patavina por H. particularmente conhecido pelos seus trabalhos sobre Oresme. como também a indicação da obra feita . les médiévaux témoignent d'une invention et d'une audace qu'oublieront singulièrement les siècles ultérieurs . 487-97 ) em vez. v. estamos perante um excelente instrumento de trabalho para todo aquele que se inicia no campo da filosofia medieval ocidental redigida por alguém que tem sobre grandes capítulos do período filosófico em causa ( lógica . 13). bastante bem informadas . antropologia . de repetir um péssimo lugar-comum retórico : o leitor encontra . Destinado a dar a conhecer « ao grande público cultivado » o saber filosófico «de um dos mais brilhantes períodos da história da humanidade » ( p. 9) o presente instrumento de trabalho da autoria de B. 501 pp. o leitor terá. graças ao estilo tão sui generis do A. P. dos reis de França e da Inglaterra . e como por regra sucede nos dicionários . rico e utilíssimo instrumento dividido em cinco secções (filósofos medievais . En anthropologie . em omitir opiniões valorativas muito pessoais . É claro que a obra padece de um indesculpável europeiocentrismo ( como é patente pelo referido triângulo geográfico dos anexos e sobretudo pela bibliografia citada). como se costuma dizer . tradutores medievais e alguns autores espirituais e literários ) a que agrega os seguintes anexos : lista de papas medievais ( sécs . nalguns casos . Enfim. uma flagrante lacuna . justificou . embora se mencionem versões em castelhano e em polaco ). Benoit . sábios medievais. IV-XV). como se de um dicionário se não tratasse . e que têm a rara virtude de se lerem .RECENSÕES PATAR. I'approche d'un Revista Filosófica de Coimbra ..nos noutra (Grosseteste é tratado em duas secções ). tábua onomástica e bibliografia (mas não há razão para omitir o Lexikon des Mittelalters ). Dictionnaire Abrégé des Philosophes Médiévaux . 11): «Dans le domaine de Ia logique . P. da referência alfabética ( posto que há casos de autores que esperaríamos encontrar numa secção e aparecem . Sobre cada autor de todas as cinco secções . informação não só sobre aspectos nucleares do seu pensar. em princípio. pela nossa parte. Ele não se coíbe. nomeadamente das edições e traduções existentes ( infelizmente centradas no francês e no inglês . Alberto de Saxónia ou Buridano ) vem colmatar. manuseável .

500 Recl>l.1 111. n . 267 e 268): a descoberta do szelor anestésico do ópio (p.nllcll. La Béatitude de l'ónie. preparar-se para ser surpreendido.^1.douhle sente -. >ão justil lcadamentc superadas pcl„ valor intrínseco do trabalho de B. 1 I.u. mormente no sector da on(. 1999 e sobretudo os mais recentes etudos de (^.. s. P.Ais alio Pals (vd. Há também omissões contestáveis (Celso. Scitt coneo for.^.'I ))tola 1111 Bradwardinc . Gonus de Lisho.). Afonso Dinis de Lisboa (sohic este sd.l.Pcuja erudição e notaiscl inu meação sn podem'. apraz-nos referir que o Dicionário mostra conhecer alguns (poucos) trabalhos de estudiosos portugueses..lnlhclll s ala .) . p. un Buridan . nu alguns poucos erros (atribuição do local de nascineento. un Nir'Ias de ('use nc donenl u. Gaulhicr. 2''s I. multas se/es alem dal pnípiIa filosofia ( leia-se o artigo « mathématiciens arabes et persans'.'1'' I 1 I lnlsln.. En épistémologic . J. -culturais da latinidade sobretudo Sobrc este ponl. rcLltieenecnt pusillanunlc_ d'un Descartes ou d'un Kant . vulgaríssimos entre nós e no Brasil. d 1111 Gersonide . F.)r)tie etc. Parasa. h1" S.rr. Hugo Ripelino.i! nll 1993. evitando a monotonia de uni diciona iio.ll„ successeurs contemporains (Rawies. d un 1lcldc_•_cr 'u duo Sartre . ^ I.ls idades iii di. e a desejar a sua versão em portucues lcmhor. li. „ . v.' Pnrnl..111.._.l IIIIIIte. o vol. ..rul. s. os nossos Estudos sobre o autor .1liirio Ile Caria/h..id. An. 211 c passim ). enfim . les cuncepliuns d 1111 Duns 5 1. De igual modo se notam inclusões arqueológicas (caso do inlg. . J. p.Íi(. (Paris drs l'hi/'t '1^hr.. u cnldiçãu patentrld..1 Vhl. Onísio.in.ls 1 ^I.lnl etc.U . 1. Pontes..lu. .ll lie ll.lrc dc São Victor. Meirinhos e uma edição do signatário.ls desnecessárias . 1951.5511 estudo in Hwnanística e Teologia 20. jainismo ) que felizmente extravasare as hahuu. saber. En métaph\siquc. 2901: etc. Tomás Gallus. 11 1 1. ^.l.l rivalisent alsément avec ceife-. 1 L clalro que ha vi 1h. já se registam entiadas sllbie n pclludu IllcdlcA'11 (hll. Cândida Pacheco.A clc_ancIa r 'nn lie escritas. dc 1) 11h".mástica sd. Ganho. un Thonws d'Aquin..ll I^^ll. lol.1L'Itilì .nentu Filoci. Alhcric. ene sei dc 1\111. Alartinho de Bia_a. Gregório Palamas . . Para terminar. Nicéforo Grégoras. M. 11. mesmo aos especialistas .' Pp. M. 3110). „ 1 's ^ rnhlulh. 499-504 Reri.h tilll.lu rlll i. o iiiesllio silcedendo Il.nri. voire d' un Jcan Scot Eriueene n'unt rien S enclci :1 cllc.^ se vem dizendo ou já se disse sobre ais v:iri. da C. o no. a utilização da ca.' 14 1 2uli: . uni certo Farracut l p.e .1 1. 1'II . .nh^irn.^^11111^ lunlsl0 ''1 ti .lk l anterior se impõe . Ferreira . 1 de História do Pe. Lisboa I. 1 )biela) AI. 2")4 e 2')5. João de Sevilha.Stecl e M. sendo a mais frequente a irritante grafia '\11C1. 265): que a precisão no cálculo do ano solar ou a proposta heliocêntrica remontam ao século X (p.t ou .. Mas não era exigível tudo a uni s„ autor .I. 111. tais como J.ia 1. li L es ldcntc . de I lussci l ci dcs phelll.llr. nu 1 ). da P.lie ('nlrnhnl 11 .I I.i de Reines.). Lisboa: INCM1 2001 ).tsa.'usale O leitor deve .i Filos(íllLa dc Culnlhra Thomas d'Aquin ou duo Buridan transcende inlininunl cede. quaisquer deficiências .ldur^lo.llnicnlc Ilnllladas Ii. Paris 21)01 ). Ics ideies ncuves d'un Ockhann.1 a ser )citai —h a direcção científica de um estudioso para evitar os habituais e irritantes erros dc tr."w11. 2" cd.o /1 Temático -Bihliogrófico de Filoso¡ia Mcdieral (Lisboa 190 7 ) 1. 278).nn. quem inventou o forceps ginecológico (p. dun (r.nera obscura por Alhazen ip. Geoffroy in Averroès .Andic do Prado (vd. 475) e induções erradas ao leitor por falta de informação (p. d un Ah^ I. 1 plc„ ul.g. utsariasclnlentc dlsldlda cln originais e traduzidas e em textos secundários) levam-nos a rec^nnetidau a consulta d. a sllllclcnlcnlcnl^ actualizada informação bibliográfica (como se disse. Nuc. mala. corrigíveis em futuras edições. I. tanto maus que.

O Conceito de Amor em Santo Agostinho é um marco mais que deve ser lido no interior de uma série temática e epocal que terá depressa continuidade nos não menos célebres estudos de A. Nygren (Deu kristina kãrlekstauben derom tiderna. e apesar do que noutro local deixámos escrito a respeito das traduções (in J. naquele caso. Cruz.se.. 189 pp. o leitor português destas quase duzentas páginas de estudo erudito não pode deixar de ter presente no seu espírito que entre 1923 e 1926 Heidegger viveu «a paixão da sua vida » com H. esta associação paradigmática de amor e ciência .. Paris 1939). P. Eco dos trabalhos de Max Scheler sobre o amor (o ordo amoris) Revista Filosófica de Coimbra . parece. Gesto tão raro e pungente. Hannah Arendt. por condicionalismos pragmáticos de ensino e divulgação e atendendo à confrangedora ignorância linguística que grassa . Uma comovente homenagem de amor de uma aluna ao seu professor . ser preferível uma tradução inviesada a nenhuma tradução . Martin Heidegger. que se insere numa fortíssima produção editorial do Instituto Piaget. 499-504 . subsistente no Deutsches Literaturarchiv (Marbach). resta-nos apreciar e contextualizar o aparecimento. de duas citações. Ultrapassando ." 24 (2003 ) pp. Parecendo ignorar o célebre estudo de P. Mas não podemos deixar de lamentar uma tal prática que só julgávamos possível. no âmbito comercial das Publicações Europa -América. mas o da divulgação. Coimbra 2001. Lisboa: Instituto Piaget 1997 ( Colecção Pensamento e Filosofia: 13). i. de Rougemont (L'Amour et l'Occident. 247). em português . dies nun einmal die Passion seines Lebens gewesen sei conforme declarava a própria vinte anos depois (vd. ao adoptar este expediente . Münster 1908 ). o da objectividade e rigor.en Age . rezando esta última o seguinte: ' Non intratur in veritatem nisi per charitatem'. retrospectivamente avaliado.Recensões 501 ARENDT. 8-11) atrevemo-nos a conceder. Expliquêmo . Tratava. mais um esforço!. Ensaio de Interpretação Filosófica. pois vale a pena. Em qualquer caso . de O. Young-Bruehl. dificilmente nos diria ser possível um interesse juvenil pelo tensa do amor e mais ainda por Agostinho de Hipona (354-430). Independentemente de virmos a saber o que nos há-de revelar a consulta das cartas e poemas dessa relação amorosa tão particular ( mas quem não se lembra dos paralelos Abelardo e Heloísa ou Sartre e Beauvoir ?). é o facto de o original alemão (Der Liebesbegriff bei Augustin . no início da adolescência. p. Dinis. publicada em 1991?). For Love of the World. Em qualquer caso.nos que a única nota que Heidegger dedicou ao amor. e apesar de não sermos especialista no pensamento de H.nos. Stockholm 1936-38) e de D . o leitor desta obra. Derrida. Cosmopolitas de todos os países. intitulado Heidegger e i medievali). era uma versão do francês ). este pecado .n . Trad. 2001. há alguns anos atrás ( o primeiro Platão que lemos .e. Eros und Agape. A primeira surpresa a ferir. uma de Pascal a outra de Agostinho. portanto . O Conceito de Amor em Santo Agostinho.A. Hannah. Hannah Arendt (1906-1975 ) cujo percurso intelectual. do francês de A. será a de Anne -Sophie Astrup. De facto. 1929 sem qualquer reimpressão ) nos aparecer vertido a partir de uma versão francesa ( sem indicação bibliográfica. em Ser e Tempo (§ 29). nos dá a chave para esta investigação ( ler-se-á com proveito o volume monográfico de Quaestio. A verdade é que como tese de doutoramento a sua autora não só não escolheu um tema ao acaso como apresentou um trabalho académico raro porque composto sob o signo da paixão e do amor ao seu mestre de Marburgo . pois. o qual não será. só pelo amor se acede à verdade. 66 anos após a sua publicação . Annuario di storia della metafisica 1. o Instituto Piaget escolhe deliberadarnente o seu lado. Rousselot (Pour l ' histoire du problème de l'amour au Mo). Londres 1984. do trabalho de doutoramento (Doktordissertation ) daquela que virá a ser indiscutivelmente uma das mais importantes filósofas do século XX. decerto.A. contestar aquela impressão superficial. Sem dúvida que este procedimento desprestigia a colecção e inexplicavelmente ensombra a impressionante produção do Instituto Piaget dirigido por A.

também II. 63-148 ).i do runoi no autor de Ser e T wtpo . de 11.i dc 11 \ t urra análise que procura penetrar nas prollindccas que Santo :A^_.ue( „ cIa rali icnle » p. o dc F. Quer-se.cu estudo ' Beatos esse nos uolumus ' publicado cm 1988 na revista lluruurrr'ou u de K. e. a propósito o meu estudo publicado nas páginas desta mesma Revista 9. 499-504 Rr'.çecsOçen L'nrnrir411n5.. revela a contradição do chamado amor ordenado. Loofs para a Realencyklopüdie for Irrnle. por isso.osimlur 1. Lmreniavani . de I'amour . seja impoluta ou rnieoralmentr legível. Porfírio (de notar que o estudo de J. Ora. A.. o n. a sua presença é evidente ate l. Ler puro 19O\). Studien zu seroei . contraposto à oposição caridade/cobiça. que mostra conhecer o trabalho de P. . passe L raptaçáo do complexo honionte eni que H . então. Münster 1916).. 289-307). conceptuais . Paris 2003). Paris 1896?). A.i . tcntüliea que alguns viam i. 2000. leu o contributo de Agostinho e a Ice.^ntr o qua.rp. Reuter l. Bidei havia saído cm Gand 1913 ).. van Endert ( sobre o conceito de Deus.lu. sobretudo. por quem se interessa mais por Agostinho do que pela A (embora i estes não se recomende o uso desta versão): é antes. e ainda (entre os não indicados por 11 A. Münster 1927 ). de grande fortuna medieval (p. Tühinecn Leipzi^g 1901 ). i. para já não mencionar dois distintos artigos de relcrcnri.502 Revista Filouílica de Cormhre enquanto estrutura antropológica fundamental ou Fundadora (vil. note-se. e de G. Becker ( Augustin . tantos anos passados.. da o. t:t nhcm o que escrevemos nas páginas desta mesma Revista: 9.i sr und.. Giessen 1924).r lo-d. Studien .. 15-61). sobretudo.Norregaard t. porque tudo isto foi realüado numa época em que a produção hcrmenéuúca sobre esse autor da Patrística Estia. eia eonuqueI 1. de J Hessen ( sobre o conhecimento . Münster 1924) e de M. Dórries (sobre o de Lera refigione.. de clara factura heideggeriana). que a A. Gotha 1887 ).ornc^n. Holl . de H. (iii) como é que é possível ao Ilomem frente a Deus pp..1 lv m hc e o de Portalie para o Dictionnaire de Tliéologie Calholique. de P. de I.) os de C.^rhr 77rioln.'ie 11n. 2000. Grand (sie!) no mundo 1rancdlono (ser:í antes 1. com a génese espiritual (Entoricklioig) ou com o desenvolvimento intestino do pensar filosófico-teológico de Agostinho e também com o papel do neoplatonismo na . voa Harnack (autor de uni estudo sobre as Confissões. aliás. Não é que a interpretação de H.')) como estas nos podem escl:uccer ainda suais sol' o piohlrni.^ sobre o mestre .helenilaçìto do cristianismo » ( curiosamente H. não saberíamos dizer. a citaçáo coincide com a discuss3o c progressivo afastamento de Hcideggcr cm relação ao tema da intencionalidade no seu mestre Husserl (relação sujei(o-objec(o) mediante unia csurutura dc tr:uisrcndenci. Giessen 1904). Simpliciano e Ambrósio entre outros. aliás eminentes no seu pendor histirrieo-fdolrigico . hoje em dia. Schuhcrt (sobre a teoria da 'lex aeterna '. Grandegeorge .siao oii r 's1 que presidiu ìt redacção da obra e nrcditaçao sobre o tema (nao „hsr. nìur 1. Quer-nos parecer. 1 'oilr^ Welt-seis ) que é o próprio problema central de . omite o de Ch .A. por isso. cita.1 além dos trabalhos . Tübingen 1923 ). M. de H.+7.i Iciiuia de 1lcidcoec1 C reflecte nas páginas hermculicamentc densas da disscrtaçìur Iilosotir. dcnri. (ti) em que medida se ama ao próximo no amor ao próximo ( p. G óbvio que este n. vd. o que realmente torna actual o presente trabalho é o lacto de conseguir ser «uma pesquisa puramente filosófica» (p. sc teve continuador assinalável ).a 1li s est.. Alfarie. U . de O..r.io e local para esploi. finalmente . marcar unr nunrientu na interpretação augustinista (o qual. Scheel (sobre a pessoa de Cristo.demão tal.r e 7rrrrln^ Ind. A. A historiogralia aladigav a-se.1'.elos matizes lin!^uisuc^^s e pelas esuuuii.1 nao dei v. Schmauss (sobre a psicologia trinitária . Boyer.ctonri . avisar o leitor mais desatento lura que.1n ustins Ru/rlorun . A.r. pp .1 como praticamente inexistente. Zepf. 11) desenvolvida em ti es ritmos de análise ou outras tantas problematizações pessoais: (i) o amor como desejo que. 464-5).r. concede particular atenção aos paralelos eloquentes Agostinho/neoplatonismo (embora cota privilégio para as Enéadas em detrimento de outras fontes que hoje sabemos terem sido mais determinantes . que não Si) . publicados em 1918 e 1920 respectivamente). Contudo.^ indicação.Thimme ou de A. por conseguinte o aspecto mais datado da sua tese .i Filnsrr/iia dc ('nimbar n " 24 t'no i I .^nçrrnisrli. Freiburg 1569). W.. a saber .

Atrevemo-nos.) alguns existenciais heideggerianos (mundo. 41-42) que faz sobressair o obstáculo de duas mundividências que se confrontam no tema recorrente da beata uita. Flasch publicou em 1980) e que a A . na Revista Filosófica de Coimbra . na lei. também aqui já se começa a esboçar aquela concepção sobre o «nascimento do pensamento» que em l3etween Past and Future H. para elidir o dificílimo problema da conversão no âmbito da equivocamente chamada «helenização do Cristianismo » então em voga .suficiente é de origem grega e a determinação da vida a partir do futuro não o é. encontra no papel nuclear do amor ( paulino na sua quota . A obra fecha com um breve . tempo. que. referir. moderniza em excesso o alegado conflito entre as noções morais da sociedade e a tendência humana gravada no desejo. a responsabilidade pela «espantosa riqueza » e «encanto» do pensar augustinista. Jaspers. e circunstancial Apêndice. Dever-se-ia . o da vila activa frente à contemplativa . mas vd..e. Uma interpretação filosófica estrita deve tomar consciência da problematicidade histórico-literária do pensar augustinista. de notar que esta delimitação ou questão se funda no círculo razão/ autoridade . releva três escolhos e propõe alternativas correspondentes que são. no sentido académico deste termo : em relação à assistematicidade de Agostinho.. mas habitual na erudição da época. a relação criatura/Criador na sua origem ) e apreendendo o que é «especificamente novo na formulação cristã (o carácter próprio da vida humana. num segundo momento da investigação . explica ( p. o grave problema da evolução biográfica (que é ainda ponderoso revela-o a estranha recepção ao estudo que K.se pelo próximo . 43). pois . Seja como for. Paris 1955 ). nas duas últimas partes. explicava pelo acontecimento da experiência vivida como único guia de orientação . Segue-se . determinando a secundarização daquele pelo amor ordenado ( vd. Cristo) do mundo como ser-conjunto-dos-Homens.Guitton . mas o próprio amor » (p. 149-171).Recensões 503 interessar . Mas o capítulo sobre o appetitus padece de uma incompletude ( para não dizer superficialidade ) psicologista (Nygren também cairá na mesma armadilha ) que erra por não saber discernir a complexidade ontológica da alma como sua expressão .n. da dependência da criatura ao Criador ). mas hoje consensualmente invertida . Actualité de saintAugustin . 499-504 .g. a primeira radical contradição que a A . Neste caso. H . 117). que aborda a repercussão luterana da consciência perante Deus do tema da interioridade augustinista ( sobre este género de aproximações é ilustrativa a tão brilhante quanto equívoca aproximação de J. que a tese estava a ser redigida sob a orientação de K. como o comprova a terceira parte da obra que visa esclarecer a incompreensibilidade captada no papel do amor ao próximo .A. dar um «sentido original» à tese augustinista do Homem como ser social. Por fim.A. descortina no seu analisado diz respeito à dupla conceptualidade do amor como desejo ou orexis (appetitus ) e como amor ao próximo. ser. julga poder resolver. será contornado de duas maneiras : interrogando o pré . que considera reflectir aquela falta. um segundo problema. a ressalva p. justificado por uma permanente « impulsão do questionamento filosófico » ( mas haveria que esclarecer a também permanente e paralela questão religiosa ). optando pelo referido método filosófico estrito. etc .) no desígnio de esclarecer a «relação originária » entre amor a si e amor ao próximo ( para o que se evidencia . i. é que a fruição auto . o tema da vida em sociedade (p. a dizer que se descortinam já aqui os interesses da futura professora universitária de Filosofia Política e um tema capital da sua Antropologia Filosófica. mas aqui é sobretudo necessário prevenir o leitor para o facto de que .e. conclusão aparentemente contraditória suportada por meditações temáticas que recuperam e transformam ( caso do ser. a sua própria tese. a A. 35). a «quaestio mihi factus sum»). a garantia da vida feliz na memória e a expressão . apesar de muito bem dita . Uma alternativa demasiadamente fácil.teológico (v.° 24 (2003) pp. o amor como desejo.g. no «amor ao próximo . em rigor. evidentemente. tratado de forma rápida . em particular. o aumento da submissão ao dogma. «Santo Agostinho e o Protestantismo»..parte religiosa. este desiderato traduzirse-á na tese da historicidade (Adão.para-a-morte v. a sua apresentação p. Assim. i. a propósito. não é exactamente o próximo que é amado .

1. um . ou melhor. iilini. deverá fundar -se o conceito de amor rm Santo rA^sosunli.111/ ri ela 1. esta duplicidade se pode anular. ^r ri a importância do outro. c a ultima p.mil. 499-504 Reri. yuc assenta na evidência da fé (comum) frente a ipscidadc dc f)cus.) . . pp. r. enquanto tem uma origem comum. pcrtcncr ani mUmd" Q u.i rhavr «religioso ..504 Revista Idii dica de ('onnhni igualdade da situação no pecado e na graça. ligar.intepassado conlui).n " 24 (_'0U.clu Filnsoira dc ( . 11 A... uum. e evidenciará a dupla teoria sohrc a oi miem do I h)mcnnc Homem enquanto ser particular tem a sua origem em Deus tdesconsidcr.mdo-^e (O outro e. 1. ambos os movimentos prcicndcnd.. ride.

....... Uni Confronto do Curso Conimbricense com Aristóteles e S.......................................Alteridade.Fenomenologia e Teoria dos Sistemas............................................Reflexões sobre um Encontro Improvável . A partir da obra de N... Arte................................ João Carlos Correia ................Natureza................. 157 Amândio Coxito .... Recensões .. Estudos José Reis ............................................... Luhmann ............ Tomás 279 Edmundo Balsemão Pires ....................................... Luiz Alberto Cerqueira ................................O Sentido Interno do Tempo no Pensamento Brasileiro: Farias Brito .......Diferenciação Funcional e Unidade Política da Sociedade........La Raison du Plus Fort .................... Luis Arenas .......ÍNDICE 2003 Artigos Alexandre Franco de Sá -Sobre a Justificação Racional do Poder Absoluto: Racionalismo e Decisionismo na Teologia Política de Carl Schmitt ............................... Mário Santiago de Carvalho .........................Génese e Conhecimento dos Primeiros Princípios........ Marie-Louise Mallet ....... Acaso e Finalidade na Física do Curso Conimbricense ...... 39 .................... Notícia .....................................Metacrítica de Ia razón pura........Ontologia da condição feminina em Bernardo de Claraval ... 499 ............ 399 491 215 69 181 371 329 305 3 235 225......O tempo em Husserl ..................................................................... Linguagem e Globalização -A Hermenêutica da Condição Humana de Paul Ricoeur ................................... Miguel Baptista Pereira .......... El Kant de Adorno .................

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O. António de Almeida Rua Tenente Valadim.pt Preço (IVA incluído): Assinatura anual : Número avulso: 19. Silva.ci. ANTÓNIO DE ALMEIDA . 331 P-4100 Porto Tel. C. Alexandre F. Silva Conselho de Redacção: Alexandre F.Revista Filosófica de Coimbra ISSN 0872-0851 Publicação semestral do Instituto de Estudos Filosóficos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Director: António Pedro Pita Coordenação Redactorial: António Manuel Martins e Luísa Portocarrero F. Mário Santiago de Carvalho. Henrique Jales Ribeiro. José M. Umbelino. Francisco Vieira Jordão t. Fax 239836733 E-Mail: rfc@cygnus. Luísa Portocarrero F. Luís A. Joaquim das Neves Vicente. João Ascenso André. Anselmo Borges. Diogo Falcão Ferrer. Fernanda Bernardo. Alfredo Reis. Coxito. António Pedro Pita.96 € (Estrangeiro) REVISTA PATROCINADA PELA FUNDAÇÃO ENG. de Sá. Morujão. Carlos Pitta das Neves. Fax 226004314 Redacção: Revista Filosófica de Coimbra Instituto de Estudos Filosóficos Faculdade de Letras P-3000-447 Coimbra Tel. Amândio A.43 € (Estrangeiro) 14.uc. Edmundo Balsemão Pires. Cruz Pontes. 226067418.97 € (Portugal ) • 27. Marina Ramos Themudo.95 € (Portugal ) 10. F. 239859900. Miguel Baptista Pereira Capa: Ana Rosa Assunção As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos Autores Toda a colaboração é solicitada Distribuição e assinaturas: Fundação Eng. José Encarnação Reis. António Manuel Martins.

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