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Universidade de Brasília Instituto de Ciências Humanas Departamento de Geografia Programa de Pós-Graduação em Geografia Mestrado Acadêmico Disciplina: Teoria

e Método da Geografia Profª Drª Nelba Azevedo Penna Atividade: Ensaio 1 (Teoria e Método na Geografia Clássica) Alunos: Antônio Dias da Silva, Aryanne Audrey Rodrigues e Érica Ferrer Santos. O geógrafo Richard Hartshorne na obra intitulada “Propósitos e natureza da Geografia” estabelece uma análise acerca da compreensão da Geografia enquanto um estudo da diferenciação das áreas. Este conceito, por ora adotado pela maioria dos geógrafos alemães nos idos da construção da obra, fora exposto por Hettner, decorrendo da síntese de Richthofen (baseado nas interpretações de Humboldt e Riter), (HARTSHORNE, 1978, p. 13), porém era caracterizado por ser muito arriscado, na medida em que expunha mais do que o necessário, tornando essencial uma compreensão mais complexa por parte do geógrafo (HARTSHORNE, 1978, p. 22). Hettner trabalha com este conceito em diversos momentos, há uma variação na construção de suas ideias, mas o sentido permanece o mesmo. De modo geral Hettner define que a Geografia diz respeito ao conhecimento das áreas do planeta Terra, onde o homem é ser integrante. Na medida em que essas se distinguem uma das outras, diferentes relações espaciais se estabelecem em diferentes locais da Terra, portanto fazem-se presentes as diferenças regionais. No decorrer de suas diferentes construções a respeito deste conceito, Hettner substitui o caráter descritivo (corológico) pela busca das causas. (HARTSHORNE, 1978, p. 14) Vidal de La Blache, em concordância com Hartshorne, define que a “a Geografia é a ciência dos lugares”. Cholley avança em sua definição e propõe que o objeto da Geografia diz respeito ao conhecimento da terra em sua totalidade, a fim de compreender as distintas combinações presentes na superfície da Terra. (HARTSHORNE, 1978, p. 15) As definições de Geografia vão se alargando, mas ainda encontraram certas limitações. O esquema metodológico de busca de semelhanças e diferenças em áreas distintas, interpretado aqui como um sistema de classificação das áreas do mundo (HARTSHORNE, 1978, p. 18), encontra certas limitações como, por exemplo, no sentido de que a busca das diferenças acaba

Este também propunha a análise dos diferentes lugares e as consequentes adaptações humanas. 60) La Blache (1845 – 1918) busca em suas obras discutir a relação entre o homem e o meio. o que acaba por definir que um fator é efeito/produto do outro. mas conclui-se que esta divisão entre o natural e o humano é desfavorável à pesquisa (HARTSHORNE. para adentrar nas particularidades posteriormente. Neste ponto a Geografia. começa a estudar a realidade total. embasado na concepção de que não devemos olhar o passado tomando nossa época como pedra angular. A afirmação de que a Geografia estuda as diferenças é supérflua. e também postula uma subjugação de um fator ao outro. (HARTSHORNE. mas que o estudo deve se basear primeiramente na análise dos processos humanos. 1978. p. p. Hartshorne propõe enfim que os fenômenos não devem ser divididos em categorias humanas e naturais. 1978. se aproximando aqui das ciências sistemáticas que selecionam categorias de fenômenos para estudo. (HARTSHORNE. 22) Após a morte de Humboldt e Riter. Na obra intitulada . produzindo hipóteses reducionistas. 31) A Geografia. p. La Blache utilizou-se do Princípio da Analogia. reportando aos povos ditos primitivos. sua dependência em relação ao meio e os fatores de superação dos obstáculos colocados pela natureza. 54). Estudiosos advindos de outros campos do conhecimento passam a estudar a Geografia. no momento seguinte. p. entra na indagação da necessidade de divisão dos fenômenos entre fatores humanos e fatores naturais. 1978. pois a análise de categorias particulares das áreas busca compreender a formação das relações dos processos de totalidade presentes. não atendendo à compreensão filosófica a qual a Geografia se propõe.tendendo à busca de contrastes. e neste momento buscam fugir das limitações engendradas nas coisas fisicamente observáveis. (HARTSHORNE. estes estudiosos partem então para uma análise dos fenômenos. como conhecimento empírico. que permitia por sua vez a generalização dos fatos semelhantes. já que todas as ciências também o fazem. 1978. para por fim buscar suas relações com a natureza. pois parte do âmbito complexo da formação do espaço. ocorre uma expansão do estudo e metodologia da Geografia. A metodologia do estudo geográfico propõe neste momento analisar as variações das áreas através de categorias particulares em comparação com outras categorias relacionadas. e unificação da Alemanha em 1871. já que o estudo baseado nas regiões elimina uma grande heterogeneidade de elementos presentes. Elucida-se então o Determinismo geográfico.

(LA BLACHE. La Blache relaciona a Geografia Botânica. à mesma forma de interação com o meio (LA BLACHE. em sua relação com o meio. p. historicamente. assim como a incidência do espaço sobre a sociedade. que busca estudar as interações entre os organismos e seu ambiente. através de postulações críticas a respeito das percepções e transformações humanas sob o espaço. com o estudo das relações do homem com o meio físico. Nesta obra. p. os fenômenos a qual esta se relaciona. levando a criação de técnicas capazes de transformar o ambiente (LA BLACHE. 1954. assemelhando-se às sociedades animais. Afirma que este tipo de divisão para análise isola os fenômenos. e que é preciso identificar seu caráter e razão como ciência. No texto intitulado “As divisões fundamentais do território francês”. que não postulam considerações a respeito das influências que o homem exerce neste “palco”. 8084). e não menos importante. no decorrer do tempo. O encadeamento das . 243) Propõe o tratamento da Geografia como ciência. p. os isolamentos levaram à formação de “raças”. Nesse isolamento. também conhecida como Ecologia. baseada então em metodologias e procedimentos. 40). acabando por não compreender as relações gerais devido à fragmentação excessiva da análise. (LA BLACHE. Através do ponto de vista das ideias darwinistas. o homem engendrou seu modo de vida. La Blache apresenta então uma nova concepção das relações entre a Terra e o Homem que sugere um conhecimento mais sintético das leis físicas que regem nossa esfera. por serem presas. a população ficava estagnada em seus hábitos. como montanhas. 244) Assim como Hartshorne (1978). isso levou a uma separação por obstáculos. auxiliando o estudo e a compreensão do espaço geográfico. p. Vidal de La Blache define que a descrição das regiões diz respeito ao próprio conceito de Geografia. presente na obra “O pensamento geográfico”. 1954. 1982. e não os encadeia como assim propõe a Geografia. La Blache estabelece uma análise sobre a necessidade que alguns geógrafos tinham em dividir o espaço em regiões a fim de analisa-las. 1982. Faz também uma crítica aos defensores da Terra como simples palco das atividades humanas.“Princípios de Geografia Humana” o autor relata que a tendência deste momento acima citado baseava-se na aglomeração de núcleos humanos ao longo do curso de rios. constituindo áreas mais propensas à vida. Em alguns casos. O autor se consagra ao estudar a descrição da interação entre a sociedade e o espaço.

(LA BLACHE. Assim. 2005). o homem conseguiu transformar uma grande parte da Terra. 249). 130. La Blache considera que “a ação do homem sobre a natureza. estudando assim a difusão do homem e também a influência que a natureza (clima. 1982. postula-se na relação que este estabelece entre geografia e as sociedades humanas. Nesse âmbito o autor traz as bases da Geografia Humana e da Geopolítica. formula a Geografia do homem como aquela que descreve e representa cartograficamente os territórios onde há a presença do homem. 1990. Ao longo do texto o autor fornece vários exemplos concretos que justificam sua tese. 2005). 83). Dessa forma. 113. 245) Ainda em paralelo com Hartshorne (1978). que para La Blache deve ser o objeto essencial (o homem) do estudo geográfico. Desta forma torna-se possível que a natureza tenha desenhado quadros de civilização (LABLACHE. Na obra “Os Gêneros de vida na Geografia Humana”.) exerce sobre os povos (RATZEL. acrescentar as suas”. por sua vez. 248) As divisões territoriais devem ser tratadas em um nível abaixo da própria Geografia. a . cuja contribuição tinha dado lugar a combinações naturais. os gêneros de vida “nasceram de circunstâncias locais diversas. A contribuição de Ratzel na obra “Antropogeografia”. por exemplo. solo etc. se exerce principalmente por intermédio do mundo vegetal e animal” que são maleáveis pelo homem (LA BLACHE. Assim. p.relações deve partir da região. p. p. p. pois deste modo entra-se em contradição. mas encontrar o homem. p. 1982. não se pode dividir a descrição. 1982. Para La Blache. (LA BLACHE. 114. a Geografia se diferencia de outras ciências pelo fato de que o método desta tem uma “tendência natural a ampliar seu ângulo de visão. constituindo gêneros de vida ao agrupar sua clientela de animais e plantas (LABLACHE. 2005). p. entre o homem e a natureza. Logo. é possível estabelecer uma comparação entre os conceitos de determinismo geográfico de Ratzel e o de gênero de vida de La Blache. antes que o homem tivesse podido. p. 1909. Vidal de La Blache formula que a “fisionomia de uma área é suscetível a mudar bastante segundo o gênero de vida que nela praticam seus habitantes” (LA BLACHE. ou da natureza sobre o homem. divisões naturais que não abarcam aspectos naturais interdependentes em determinado local. não podem atuar mais que a própria ciência. 2005). 119. La Blache postula que é necessário ficar atento com as divisões artificiais. p. (LA BLACHE. 1911. é preciso delimitar as características da região a ser descrita para que haja posteriormente sua caracterização. Para tal pensador.

o Estado e o seu território não podem ser analisados sem a consideração de que ambos estão relacionados (RATZEL. Cosmos.Geographia. Propósitos e natureza da geografia.realizar uma observação hologeica. 73). Coleção grandes cientistas sociais. p. isto porque o autor procurou estabelecer leis que expliquem fenômenos correlacionados. No que concerne ao estudo das categorias espaciais. inclusive citando Augusto Comte (o grande fundador do positivismo) em várias passagens (RATZEL. 1990. 4. p. 74).(1909). (VIDAL DE LA BLACHE.J. (1982). R. 43). . Ainda. Annales de Geographie. p. Alianza Editorial. ______. que abarca toda a Terra” (RATZEL. 1990. o estudioso traz o princípio de que não é possível conceber um Estado sem território e sem fronteiras. que as influências do ambiente físico migram com o homem e os povos (RATZEL.J. Antropogeographie. N. A. Os gêneros de vida na geografia humana. 5. 2005). 1990. Lisboa. São Paulo: Ática. Bibliografia 1. Ratzel. A utilização do método positivista também é outra grande inovação de Ratzel para a Geografia. 1990). p. Ano 7. (MORAES. Las divisiones fundamentales del território Frances. 1990. F. P (1913). VIDAL DE LA BLACHE. A ligação da sociedade com seu território é analisada também do ponto de vista do território como recurso à habitação e à alimentação (RATZEL. (1911). JIMENEZ. Madrid. R. Stutgart. P. 2. Ao analisar o impacto da natureza sobre o homem. HARTSHORNE. 111 e 112. p. Assim. 1990. São Paulo: HUCITEC/EDUSP. CANTERO. RATZEL. 3. (RATZEL. MENDONZA. 69). 1990. Número 13. (1954) Princípios de geografia humana. Assim é desta forma que Friedrich Ratzel desenvolve sua análise. 97). 60). 1978. Niterói. C. o autor afirma que a variabilidade dos povos é influenciada pela variação das condições naturais. Les genres de vie de la geographie humaine. In: El pensamiento geográfico. ______. pp193-312 e 290-304. p.