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Secção II – Efeitos do casamento: o casamento como estado EFEITOS PESSOAIS Subsecção I – Generalidades Observações prévias Os efeitos pessoais do casamento

podem resumir-se assim: o casamento constitui a família, impõe aos cônjuges um conjunto de de eres e tem efeitos sobre o seu nome e nacionalidade! " mat#ria est$ regulada nos arts! %&'%!( - %&)*!( ++ – efeitos do casamento ,uanto -s pessoas e aos bens dos cônjuges! .egula-se assim, os efeitos pessoais do casamento e os efeitos patrimoniais do casamento independentes do regime de bens: administração de bens dos cônjuges, poderes dos cônjuges sobre os bens ,ue integram as $rias massas patrimoniais, partil/a do casal! O sistema da lei e0plica-se pela dificuldade de estabelecer uma distinção nítida entre uns e outros 1por e0emplo: a obrigação de prestar alimentos, uma das obrigações compreendidas no de er de assist2ncia, tem indiscutí el conte3do patrimonial, mas constitui, uma e0pressão no plano dos bens da relação pessoal entre os cônjuges4! Princípios f ndamentais dos c!n" #es e direcç$o con" nta da família O art! %&'%!( enuncia os dois princípios fundamentais por ,ue se rege a mat#ria dos efeitos pessoais do casamento: o princípio da igualdade dos direitos e de eres dos cônjuges e o da direcção conjunta da família! 5rincípio da igualdade dos cônjuges: - "rt! 6&!(, n!(6 +.5: aplica-se tamb#m - responsabilidade por dí idas, administração dos bens dos fil/os! 7st$ tamb#m inscrita na 8eclaração 9ni ersal dos 8ireitos do :omem 1art! %&!(4 e na +on enção 7uropeia dos 8ireitos do :omem 1art! %;!(4! 7ste artigo forçou a eliminação de di ersos preceitos do ++ 1por e0emplo, o art! %&'<!(, segundo o ,ual o marido, como c/efe de família, decidia em todos os actos da ida conjugal4! 5rincípio da direcção conjunta da família: - "rt! %&'%!(, n!(; ++! Se os cônjuges são iguais, a direcção da família de e pertencer aos dois! - 5receito imperati o: a direcção da família pertence a ambos os cônjuges, pelo ,ue seria nulo o contrato em ,ue estes acordassem em ,ue essa direcção ficasse a pertencer a um deles! - 8e er de =acordar sobre a orientação da ida em comum tendo em conta o bem da família e os interesses de um e outro>: trata-se de um de er pessoal dos cônjuges! Os cônjuges podem não c/egar a acordo sobre certos actos da ida conjugal, mas de em ter disponibilidade para procurarem um acordo!

pode o juiC inter irD 7m princípio. n!(64.ual. o art! %&'.ue impli. sobre o nome pr?prio ou os apelidos dos fil/os 1art! %)'F!(. comprometa a possibilidade de ida em comum 1art! %''*!(. n!(%. repartição de tarefas. n!(.uem proselitismo e0cessi o podem configurar.ue não se reconduCem aos cinco j$ apresentados 1de er de sinceridade # respeito. . pois cada um est$ obrigado ao =d#bito conjugal>.ui integra-se o %&''!(-8 – liberdade de e0ercício de profissão e de e0ercício de acti idade! :$ . n!(.ue conjugar o %&'%!( e %&''!(-8: por e0emplo. de acordo com os seus interesses e con eni2ncias! . n!(.4 e sobre . embora e0istam particularidades: não possibilidade de e0ecução especifica dado o car$cter pessoal da obrigação e não sujeição ao princípio geral de . de e ter-se presente .uer dos cônjuges! 5or outro lado.uer destes de eres # causa de di ?rcio ou separação judicial de pessoas e bens.ue a lei apenas obriga os cônjuge a acordar sobre a orientação da ida em comum 1repartição de recursos. .uestões de particular importEncia relati as ao e0ercício do poder paternal 1art! %*G%!(. planeamento familiar.ue os contratos s? podem re ogar-se ou modificar-se por m3tuo acordo. al! b4. sal o o direito .liberdade se0ual. cooperação e assist2ncia! Hrata-se de de eres recíprocos como o e0ige o princípio da igualdade! " iolação culposa de . estão os cônjuges reciprocamente inculados pelos de eres de respeito. no Embito das relações pessoais não 1nas relações patrimoniais j$ # diferente – art! %&)<!(. coabitação.ual. fidelidade.uando pela sua gra idade.ue não # possí el e0cluir con encionalmente . .!( ++. n!(64.ue ele impõe aos cônjuges! Ias a lei oferece por eCes a possibilidade de estes cumprirem de modo di erso. n!(%4@ mas a iolação rele a em si mesma. não se dilui na ruptura do casamento! Serão os de eres do art! %&'. seria intoler$ el . religião4! ".BatureCa jurídica: neg?cios jurídico. resid2ncia da família4! Aica de fora a ida pessoal da cada cônjuge 1 estir-se.Objecto do acordo: de e ersar sobre a orientação da ida em comum e s? sobre ela@ o poder de e0ecutar a orientação em comum acordada pertence naturalmente a . assim como a não ter relações se0uais com terceiros! .!( e0plícitos em contraposição a outros implícitosD Bão se 2em facilmente de eres .4! Subsecção II – %everes dos c!n" #es Princípios #erais Bos termos do art! %&'.uer dos de eres .!( # imperati o.ue o outro se recusasse a alter$-lo4! 7 se /ou er desacordo sobre ponto fundamental. por e0emplo4! +omo resulta dos arts! %&%)!(.ual. e0cepto: desacordo sobre fi0ação ou alteração de resid2ncia 1art! %&'6!(.. %&**!(. pois os cônjuges pretendem determinados efeitos pr$ticos e t2m intenção de l/es dar tutela pelo direito. pentear-se clube de futebol. tendo em conta a personalidade do outro cônjuge uma iolação gra e dos de eres de cooperação ou de respeito! O casamento não limita os direitos de personalidade dos cônjuges. o e0ercício de uma profissão pouco decorosa ou assunção de compromissos .ue um dos cônjuges ficasse preso ao acordo por. podendo ser denunciados unilateralmente – por e0emplo: acordo sobre o n3mero de fil/os. no sentido de .

obrigando a . em particular da culpa . apreciada pelo juiC em face das circunstEncias.uer dos outros de eres mencionados no art! %&'.ual.ual a pessoa se obriga-se a ter relações apenas com outra pessoa4! " recusa de consumar casamento ou manter relações se0uais com o cônjuge # causa de di ?rcio ou separação judicial de bens # iolação deste de er 1e0cepto moti os de sa3de . consideração pessoal. não /$ /oje causas perempt?rias de di ?rcio ou separação judicial de pessoas e bens.Comunhão de leito: d#bito conjugal. n!(.ue seja imputada ao re.ue constituam =inj3rias indirectas> baseado na ideia de unidade moral 1condução digna da ida a ní el p3blico4! +onte3do positi o 1falar com o cônjuge. .uerente e do grau de educação e de sensibilidade moral dos cônjuges 1art! ''*!(.ue o conte3do dos de eres conjugais. sendo o di ?rcio ou a separação judicial de pessoas e bens a =sanção> legalmente estabelecida para o incumprimento dos de eres conjugais. na pr$tica.ue não constituam iolações directas de . sensibilidade e susceptibilidade pessoal4! J tamb#m de er de não praticar actos ou adoptar comportamentos . amor pr?prio.ue cada cônjuge não ten/a relações com outros 1adult#rio4! ".uem4! . depende do modo como os cônjuges conformarem a sua relação! %ever de respeito 8e er de respeito: # um de er residual.!(! +onte3do negati o: incumbe a cada um dos cônjuges de não ofender a integridade física ou moral do outro 1 alores da personalidade cuja iolação constitua inj3ria em face da =lei do di orcio de %*%G>: /onra.ue.ue o justifi.uecer-se . e ainda a conduta licenciosa ou desregrada de um cônjuge nas suas relações com terceiros 1correspond2ncia amorosa.Comunhão de mesa: ida em economia comum! 6 .ui não se integra a obrigação de ter relações se0uais 1# antes de er de coabitação4! 70ige-se um elemento subjecti o 1intenção ou consci2ncia de iolar4 e um objecti o 1 iolação consumada4! " tentati a de adult#rio constitui iolação deste de er.5or outro lado. sendo iolações dele os actos ou comportamentos . implicando limitação da liberdade se0ual dos cônjuges! " 9nião de facto não produC esta limitação. o acordo pelo . interessar-se pela família4! %ever de fidelidade 8e er de fidelidade: puro de er negati o. ou de alguns deles.4! Isto significa. por e0emplo4! %ever de coabitaç$o 8i ide-se em: . não ode es. em face do art! )%!( ++ 1seria nulo.

uer deles@ mas pode não /a er resid2ncia.Socorro e auxílio mútuos: obriga os cônjuges a ampararem-se mutuamente nas /oras boas e m$s. n!(%! " lei parece pressupor . compreendendo-se esta solução pois o abandono da resid2ncia # causa justificati a do di ?rcio ou separação de pessoas e bens! O juiC de e decidir tendo em conta os mesmos crit#rios referidos no art! %&'6!(.Assumirem em conjunto as responsabilidades inerentes à vida da família que fundaram art! "#$%!&' : obriga a assunção em conjunto das responsabilidades inerentes .uando isso for possí el 1art! %'). n!(%! " resid2ncia da família # o local do cumprimento do de er de coabitação! 7scol/ida a /abitação passa a /a er o de er de aí i er. residindo em pensões4! Se por raCões de trabal/o. o de er de assumir em conjunto com o outro as responsabilidades inerentes .ida familiar! %ever de assist&ncia 8i ide-se em: < .Comunhão de habitação: escol/a por comum acordo da resid2ncia da família 1local onde /abitam4 – art! %&'6!(. n!(64! " lei permite a inter enção do tribunal para fi0ação da resid2ncia. sal o raCões ponderosas em contr$rio 1art! %&'6!(.ual. .uerimento de .. n!(%4! Os maus tratos e inj3rias justificam o abandono da /abitação comum! O acordo sobre a resid2ncia da família não pode ser re ogado unilateralmente por . o . n!(. na felicidade e pro ação! . . als! a4 e b44. a resid2ncia continua a e0istir 1de e o outro cumprir aí os de eres de coabitação e.ue se ausentou.!(. escol/ida pelos cônjuges ou pelo juiC a re.ue um i e em Kisboa e outro em +oimbra.ue a família # obra dos dois.uer dos cônjuges 1art! %&'6!(. o cônjuge . um dos cônjuges se ausentar.ue /aja sempre resid2ncia de família. se não e0istir coabitação efecti a 1supon/amos .ida familiar! Bão se trata agora de cada um ajudar o outro! Hrata-se de . – e0ig2ncias profissionais4.uando cessem os impedimentos. a pedido de um dos cônjuges. tamb#m o de e faCer nessa resid2ncia4! %ever de cooperaç$o 8e er de cooperação: importa para os cônjuges a obrigação de: .ue não representaram separação de facto dos cônjuges 1art! %')%!(. mas tamb#m um de er em relação ao outro cônjuge.ue mostra um absoluto desinteresse pela sa3de e pela educação dos fil/os não infringe apenas um de er em relação a estes. e ambos de em assumir em conjunto as inerentes responsabilidades! "ssim.ual. se ambos ti erem o prop?sito de restabelecer a comun/ão de ida . ambos a estudar.

4! Bote-se . ou separação de facto.uem os presta4! Ser$ .ue o outro cônjuge ten/a dado economia do casal 1art! %&'F!(. pode o tribunal impor ao cônjuge inocente ou menos culpado a obrigação de prestar alimentos ao outro. matem-se a obrigação recíproca de prestação 1art! %&'F!(. e por moti os de e. não e0iste ida familiar@ mas a lei. de direito ou mesmo s? de facto! Se i em juntos # apenas obrigação de contribuir para encargos conjugais! Bo caso de separação de pessoas e bens. e para o caso de di ?rcio e separação judicial de pessoas e bens . por#m. . pois a separação de facto os de eras conjugais mant2mse e.4! .G%&!(. o /omem trabal/a a mul/er toma conta de casa e dos fil/os." .uidade. n!(. o art! . em particular. ao necess$rio para assegurar o mesmo padrão de ida! " nossa jurisprud2ncia decide no 3ltimo sentido. em relação .Objecto da prestação e fi0ação do seu montante: sujeição ao princípio do art! . s? a esse. diferente do estabelecido nos arts! .ue o acordo dos cônjuges seja re ogado ou denunciado unilateralmente por . a duração do casamento e a colaboração .uando os cônjuges i em separados.!(.ual. /abitação e estu$rio> 1. mas mais tarde pretende ir trabal/ar4! O art! %&'&!( foi introduCido em %*''! não tem tido grande pr$tica pois os cônjuges não contabiliCam as contribuições de cada um para os encargos da ida familiar! Ias a intenção foi dar ao trabal/o de um dos cônjuges no go erno da casa e fil/os um conte3do economia materialiC$ el! amos falar desta F .uem pede e das possibilidades de .uer um deles! 9m acordo irre og$ el seria nulo. trata-se de declarações negociais.uem incumbe: a4 Se a separação for imput$ el aos dois ou não for imput$ el a nen/um.ue os cônjuges estão obrigados nos termos do art! %&'%!(.G%F!( . mas a lacuna de e integrar-se por aplicação anal?gica da al! c4 do n!(% do art! .ue s? se abrange o =sustento. pelos dois.GG6!(4 ou se ele tem direito. remetendo para o art! %&'F!(. pois restringia em demasia direitos pessoais dos cônjuges 1por e0emplo.. de duas formas: pela afectação dos seus recursos -.ue não impede. na medida das possibilidades do de edor. incumbe a obrigação de prestar alimentos@ e0cepcionalmente. normalmente t$citas.ue nesse caso a obrigação de alimentos tem regime pr?prio. o .ueles encargos e atra #s do trabal/o despendido no lar!! O acordo sobre repartição de tarefas e funções # um dos mais importantes =acordos de orientação da ida em comum> a . # um de er .segundo.(bri)ação de prestação de alimentos: Hem rele Encia.ue cabe o ?nus da pro a da culpa da separação como facto impediti o ou e0tinti o do direito a alimentos 1art! 6<. judicial.(bri)ação de contribuição para os encar)os da vida familiar: "rt! %&'&!(. em princípio. considerando.ue incumbe aos dois e pode ser cumprido..G%&!(! b4 Se a separação # e0clusi amente imput$ el a um cônjuge ou mais imput$ el a um.GG<!( 1depend2ncia das necessidades de . obriga cada um dos cônjuges a prestar alimentos ao outro! 8o de er de alimentos no caso de separação de pessoas e bens não tratamos agora! "penas obrigação em caso de separação de facto 1art! %&'F!(4! .uerer$ significar . em certas condições.ue a segunda situação não est$ pre ista na lei. n!(. n!(. n!(64! J ao r#u . .

. nos termos do art! 6FG!(.ue o cônjuge renuncia a esta compensação4. podendo e0igi . n!(.ue l/e seja entregue tal importEncia. presumindo.ealce ainda para o art! %&'&!(.!( – e ordenando depois a sentença . pelo empregador do faltoso – art! %<%&!( +5+ – seguindo depois os termos do processo para a fi0ação de alimentos pro is?rios – art! 6**!(-<G.ue a entidade pagadora entregue directamente ao re. 1permite uma compensação por maior contribuição para o orçamento conjugal.ue de ia 1o outro cônjuge pode e0igir o de ido do faltoso.uerente a respecti a importEncia peri?dica4! & . e ainda para o art! %&'&!(. n!(6. onde se aborda a /ip?tese de um dos cônjuges contribuir com menos do . n!(." iolação gra e ou reiterada deste de er # causa de di ?rcio ou separação judicial de bens e pessoas 1art! %''*!(4! .