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A ética do discurso

A ética do discurso elaborada por Habermas tem como foco restituir à ética um discurso racional por meio de ideias de comunicação entre duas ou mais pessoas, com a finalidade de dar um sentido moral que não possa ser renunciado, essencialmente por ser esta a base de toda convivência humana. Por meio do discurso livre e igualitário, o reconhecimento do outro é de fundamental importância em sua teoria, como o propósito de não coagir a comunicação e fundamentando uma ética secular. Assim, a ética do discurso tem sua construção de forma reflexiva, pois assume a forma de uma teoria especial de argumentação, uma vez que não se fixa como um modelo préestabelecido, mas tem o caráter corretivo proposto por Habermas, de modo que procura detectar na interpretação subsequente os processos comunicativos do entendimento que formulam suas próprias regras. Em contrassenso com a teoria de Habermas, na qual se faz de fundamental importância o relacionamento com o outro, o que a sociedade atual vem mostrar é totalmente o oposto. Valendo-se do diagnóstico de G. H. Mead, demonstra-se justamente uma sociedade individualista. A preocupação acerca da constituição de uma sociedade, cuja comunicação por meio da linguagem é fundamental para a formação da identidade retoma a importância do indivíduo ao imputar uma responsabilidade sobre sua fala, assim assumindo um compromisso na sociedade por meio de sua história, na qual o eu só vai existir quando estiver inserido em nós. Como propõe Mead, na intersubjetividade do eu há uma valorização desse indivíduo, através de sua cultura e principalmente na vivencia em sociedade, o que vem ao encontro do pensamento de Habermas ao mostrar justamente essa conjunção de formação de uma civilização por meio de suas condutas e por sua liberdade de pensar uma forma ética de racionalidade e igualdade. Com isso, tanto Habermas como Mead estabelecem como ponto fundamental a história de um indivíduo, pois o mesmo tem que se basear em sua memória e seu passado para assim constituir uma forma de pensar por meio de um caráter filosófico. Habermas, ao avaliar o “sujeito solitário”, pontua que essa solidão precisa ser renunciada em favor de uma comunidade da comunicação, que esteja apta a se colocar no lugar do outro e assim conduzir o sujeito a uma razão compartilhada. Mead ainda define em

Os enunciados normativos têm como finalidade a busca de uma verdade jurídica. Com isso. se considerada as concepções de K-. O caminho para a resolução desse problema da falta de universalidade está na argumentação. que vai levar o indivíduo a uma lei por meio das normas. como aquelas obtidas pelas ciências. com isso o que deve-se ter como foco na visão kantiana que tudo que se almeja seja para um todo e não somente para si. um exemplo disso é a questão dos direitos humanos. pois por meio da argumentação é perfeitamente concebível apresentar uma ética do discurso. a reflexão kantiana não facilitou as coisas para si. Visto que este encontro leva a um estado de reflexão de modo justo diante das decisões a ser tomadas por meio de crítica racional e individual. se constrói alicerces para o pensamento ético e jurídico. O programa de fundamentação da ética do discurso A ética do discurso é construída de forma reflexiva e não sente a necessidade de pregar valores de conteúdo. Ela tem como finalidade prescrever de forma objetiva e jurídica as normas sociais buscando o entendimento de ambas as partes através do consenso. na concepção de Habermas. a finalidade da vivencia de uma sociedade está centrada nas normas para a formação universal. Tal ética cognitivista como construiu Habermas. pois durante anos procurou defender uma fundamentação ética apoiado em uma concepção metafísica. No entanto. diferenciando tais verdades normativas das puramente descritivas. busca um potencial de verdades práticas. Habermas. . O. retoma a intuição que Kant exprimiu no imperativo categórico.seu pensamento que a ética é fundamentada no outro de forma que a comunidade universal desenvolva uma política de reformismo de forma democrática que vem contra o pensamento marxista. ao defender uma ética cognitivista. que tem como foco fundamentar o conceito de racionalidade comunicativa para assim constituir uma filosofia crítica. Na filosofia moral toda ética cognitivista se volta para o pensamento de Kant sobre o imperativo categórico: “age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como principio de uma legislação universal”. Apel da contradição performativa.

em ultima análise. a ética do discurso procura encontrar por conta própria respostas para as questões de teor prático e moral. segundo Hegel. um dos erros mais graves que um filósofo possa afirmar. Moore analisa a questão atual que está em discussão. Portanto. já eticidade é o tipo de moral em que usar costumes nas relações particulares de vida já se tornou realidade racional. É justamente nesse aspecto. Na obra “Princípios da ética” de G. atento aos equívocos de Kant introduz na discussão filosófica termos como moralidade e eticidade num novo ajuste para seus significados: Moralidade segundo Hegel é a moral racional estabelecida pelo próprio sujeito. e Kant também cometeu esse erro. ou seja. a ética de Kant estaria limitada ao dever. Hegel. Hegel acusa Kant por argumentar sem conteúdo e de incorrer no perigo de um terrorismo de atitude moral pura. resvala-se em problema único da filosofia. Com sua doutrina ética reconhecida amplamente. pois mesmo que suas teses soassem sempre como um programa político. que Habermas não defende nenhuma moral ativista. E. . que é estabelecer a relação entre ser e dever. Habermas revela que é necessário primeiramente um quadro claro da situação para que se possa resolver tais questões de grande complexidade. serve de alerta para que Habermas evite a falácia naturalista. tendo em vista somente a moralidade.Na passagem pelo pensamento de Kant.