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Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos

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Tribunal Constitucional

N.º de Acórdão: 355/1997 Processo: 182/97

DIREITOS, LIBERDADES E GARANTIAS. Uma iniciativa legislativa em área de reserva da Assembleia da República, como é a respeitante a direitos, liberdades e garantias, só pode ter lugar por via parlamentar ou parlamentarmente autorizada. TRATAMENTO DE DADOS INFORMÁTICOS. O o tratamento automatizado de dados relativos a doenças oncológicas integra-se na esfera de privacidade dos doentes, interferindo, nessa medida, na definição do conteúdo de vida privada, matéria respeitante a direitos, liberdades e garantias. O que, não significando a extensão da reserva à disciplina integral da matéria relativa aos dados de saúde, desse modo se impedindo sobre eles qualquer tratamento informatizado, não permite, no entanto, que o legislador sobre eles se pronuncie por via que não seja a de lei da Assembleia da República ou de decreto-lei por esta autorizado.

Acordam, em plenário, no Tribunal Constitucional I 1.- O Presidente da República requereu ao Tribunal Constitucional, nos termos do disposto nos artigos 278º, nºs. 1 e 3, da Constituição da República (CR), 51º, nº 1, e 57º, nº 1, da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro (este último na redacção da Lei nº 85/89, de 7 de Setembro), a apreciação preventiva da constitucionalidade de todas as normas do decreto do Governo registado na Presidência do Conselho de Ministros com o nº 110/97,
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recebido na Presidência da República no dia 11 de Abril de 1997 para ser promulgado como decreto-lei. O requerimento foi apresentado na secretaria do Tribunal Constitucional em 18 do mesmo mês, pelo que o pedido mostra-se tempestivo. 2.- Pretende o Governo por via deste diploma, feito ao abrigo da alínea a) do nº 1 do artigo 201º da CR, de acordo com o disposto no nº 1 do artigo 17º da Lei nº 10/91, de 29 de Abril - Lei de Protecção de Dados Pessoais face à Informática -, com a redacção dada pelo artigo 3º da Lei nº 28/94, de 29 de Agosto, após audição da Comissão Nacional de Protecção de Dados Pessoais Informatizados (CNPDPI), constituir ficheiros automatizados em cada um dos centros regionais de oncologia de Lisboa, Porto e Coimbra do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil (IPOFG), criados pela Portaria nº 35/88, de 16 de Janeiro, bem como dos registos oncológicos criados em cada instituição de saúde por essa Portaria e pela Portaria nº 282/88, de 4 de Maio. A breve nota preambular que acompanha o texto dá notícia dos objectivos que se pretendem alcançar: "A necessidade de se estudar sistematicamente a evolução das doenças do foro oncológico, com envolvimento de todas as unidades de saúde hospitalares na prevenção, tratamento e seguimento a longo prazo dos doentes portadores deste tipo de doença, levou à adopção de medidas implementadoras de uma colheita sistematizada de dados, sua análise e interpretação, criando-se os registos oncológicos com colheita de dados ao nível das instituições de saúde e tratamento da informação a nível regional. As novas técnicas de tratamento de informação são agora aplicadas aos registos oncológicos, efectuando-se a informatização dos dados pessoais com rigoroso respeito dos direitos, liberdades e garantias do cidadão, nomeadamente a reserva da intimidade da vida privada e garantia da confidencialidade dos dados clínicos".

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O conteúdo normativo do articulado suscita ao Presidente da República dúvidas de conformidade constitucional do decreto pelo que, assim, vem requerer "a apreciação da constitucionalidade de todas as suas normas com fundamento em eventual violação da reserva relativa da competência legislativa da Assembleia da República consagrada no artigo 168º, nº 1, b), da Constituição, dado poder entender-se tratar-se de legislação no domínio dos direitos, liberdades e garantias, designadamente no direito à autodeterminação informacional, especificamente concretizado no artigo 35º, nºs 1, 2, 3 e 4 da Constituição e no artigo 11º, nº 1, b), e nº 3, e artigo 17º, nº 1, da Lei nº 10/91, de 29 de Abril, com a redacção que lhe foi dada pela Lei nº 28/94, de 29 de Agosto, no direito à reserva da intimidade da vida privada do artigo 26º, nº 1, da Constituição e no direito à confidencialidade dos dados médicos que resulta do artigo 13º do Estatuto da Ordem dos Médicos aprovado pelo Decreto-Lei nº 282/77, de 20 de Agosto, e do artigo 3º, nº 4, c), do Decreto-Lei nº 24/84, de 16 de Janeiro". 3.- A retórica argumentativa utilizada pelo Presidente da República para fundamentar o seu pedido radica no preceito constitucional da alínea b) do nº 1 do artigo 168º, segundo o qual é da exclusiva competência da Assembleia da República legislar, salvo autorização ao Governo, sobre direitos, liberdades e garantias, verificando que o decreto em exame emana do exercício da competência legislativa própria do Governo - alínea a) do nº 1 do artigo 201º da CR. Pergunta-se, assim, se o acto legislativo que cria ficheiros automatizados a constituir nos registos oncológicos regionais, e, bem assim, nos registos oncológicos existentes nas instituições de saúde, com a finalidade de organizar, analisar e interpretar os dados relativos a doentes oncológicos, não comportará matéria do domínio dos direitos, liberdades e garantias - o que, a merecer resposta afirmativa, afectaria todo o diploma por violação daquele artigo 168º, nº 1, alínea b). Alega-se, em síntese:

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permanente e absoluta de tratamento automatizado de quaisquer dados pessoais relacionados com a vida privada (e o estado de saúde) . Os dados pessoais referentes ao estado de saúde . nº 3. quando muito. 1 e 3 do artigo 11º e nº 1 do artigo 17º. de acordo com a mencionada alínea b) do nº 1 do artigo 168º da Lei Fundamental. por lei especial. de resto. que. porém. da Lei nº 10/91. pela sua conceituação "aberta".e particularmente no domínio das doenças de foro oncológico . e 17º. uma proibição total. a autorização e definição dos termos da intervenção através de lei especial (artigo 17º. a esta luz. liberdades e garantias. não significando. mas com as garantias que devem acompanhar qualquer intervenção na área dos direitos.a de a informática não poder ser utilizada para tratamento de dados referentes à vida privada. Ou seja. nos termos impostos pelo nº 1 do artigo 17º da Lei da Protecção de Dados. consagra no seu artigo 35º o chamado "direito fundamental à autodeterminação informacional". nº 1) .a correcta interpretação de normas como as dos nºs. decorre da parte final do próprio nº 3 do artigo 35º e tem precipitação na lei ordinária (cfr. pelas mesmas razões. citados.nº 3 do preceito . por sua vez integrado por diferentes direitos. se exigir lei da Assembleia da República ou decreto-lei autorizado. passa por. a iniciativa legislativa em causa só será organicamente legítima quando revista essa forma ou. e explicitamente. a única conforme à Constituição.integram a esfera da vida privada. b) mesmo que se pretenda não integrarem o conceito de vida privada os dados pessoais sobre o estado de saúde no domínio das doenças do foro ! %" . deve entender-se como significando lei parlamentar ou decreto-lei autorizado. liberdades e garantias . os artigos 11º. exige concretização e implica um grau diferenciado de protecção e inviolabilidade. na redacção da Lei nº 28/94). se for precedida e autorizada. admitida a possibilidade de tratamento automatizado de certos dados de saúde. entre estas se destacando . desde logo.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! a) a Constituição da República.como.e. Com efeito. nº 1. sendo certo que esta.

a garantia do nº 4 do artigo 35º da CR. A lei que autoriza o tratamento automatizado deste tipo de dados "tem necessariamente que considerar e decidir a relevante questão de saber em que medida os técnicos informáticos e o pessoal administrativo e médico que integram os quadros de serviço que não os da instituição de saúde com que o doente se relaciona podem ou não ser considerados terceiros para efeitos de acesso aos dados e a que tipo de dados e. pois o problema está claramente decidido na Constituição. uma zona de fronteiras fluídas em que se acentua a premencia do respeito pelas garantias constitucionais de intervenção legislativa. observa-se. nº 3. "quando os dados em questão são liminarmente subsumíveis aos conceitos do artigo 35º. nº 1. Depois. está-se. na ausência de outra lei especial sobre protecção de dados referentes ao estado de saúde. porque na delimitação conceitual subjacente surge. tal como se prevê no diploma (artigos 3º. 6º e 7º) coloca necessariamente em causa a garantia prevista no nº 2 do artigo 35º da CR que proíbe o acesso por terceiros aos dados.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! oncológico. Antes de mais. nos "casos difíceis". constituição eutilização por entidades públicas. tem de ser considerado a lei que define as condições de acesso. perante legislação sobre direitos. que ela se deva revestir de todas as garantias constitucionais. nº 2. Na verdade. nas zonas de fronteira. também. que a intervenção do legislador é capital e. da Constituição (por exemplo. fé religiosa). a transmissão dos dados recolhidos. incluindo a da reserva relativa da competência legislativa da Assembleia da República do artigo 168º. consequentemente. da Constituição". ainda assim. convicções políticas. É. o decreto. 5º. Por outro lado. para efeitos da observância da garantia do artigo 35º. pelo que deve observar. b)". ! &" . pelo contrário. inevitavelmente. daí. a própria lei ordinária é até dispensável. liberdades e garantias.

nos termos. não integra o domínio protegido pelas normas constitucionais dos artigos 35º e 26º. o que faz nos termos do seu artigo 10º. nº 1. e que obriga os funcionários hospitalares em geral. sempre seria de considerar que respeita a direitos. nº 3. alínea e). "constituindo o direito à autodeterminação informacional uma concretização especial. do artigo 13º do Estatuto da Ordem dos Médicos. nº 4. c) não obstante. de 16 de Janeiro". do foro oncológico. mesmo que se conclua no sentido de que o tratamento automatizado dos dados pessoais de saúde. do direito mais geral à reserva de intimidade da vida privada do artigo 26º. liberdade e garantia mais geral". pondera-se que "da proibição legal de tratamento automatizado de dados referentes ao estado de saúde [artigo 11º. liberdades e garantias". com esse direito. liberdades e garantias fundamentais. de 5 de Julho. nº 1. b) da Lei da Protecção de Dados) e da possibilidade legalmente consagrada do seu tratamento excepcional sob reserva de lei especial (artigo 11º. no domínio da informática. da mesma Lei) decorrem para os cidadãos direitos e garantias legais com relevância própria de direitos fundamentais e de natureza análoga a direitos. do DecretoLei nº 24/84. Tendo presente não se esgotar o catálogo dos direitos fundamentais no texto constitucional. de criação legal. nos termos do artigo 3º. ! '" . nº 1. da Constituição. nº 1. o mesmo se dizendo do "direito subjectivo dos particulares à confidencialidade dos actos sobre o seu estado de saúde que resulta do correspondente dever legal de confidencialidade que obriga o pessoal médico. aprovado pelo Decreto-Lei nº 282/77. a legislação sobre ficheiros automatizados no domínio da saúde sempre se relacionará. directa ou indirectamente. Por último.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Também é este diploma que define as condições concretas de como se garante o direito ao conhecimento de dados e à sua eventual rectificação a pedido dos próprios interessados (nº 1 do artigo 35º). e artigo 17º. entre outras disposições.

da Lei nº 28/82. sem prejuízo da reserva de Parlamento nesse domínio normativo. a exigir cuidados que devem ser criados primariamente na lei.Notificado nos termos e para os efeitos do artigo 54º e 55º. não incidindo a reserva sobre o domínio prescritivo da utilização da informática mas sim sobre a criação das regras básicas e os princípios infra-constitucionais rectores nessa área _ a "definição" constante do nº 4 do artigo 35º da CR. alínea b). então. a dúvida de se não deve esse diploma estar sujeito à observância daquele requisito constitucional orgânico. face à "cláusula aberta" do nº 1 do artigo 16º da Constituição. da Constituição". nº 3. E.. bem como à da "extensão" contida no artigo 17º. b) a disciplina jurídica do respectivo tratamento deve ser encarada em sucessivos níveis de adaptação e concretização. é o presente decreto do Governo que constitui a intervenção legislativa autorizadora do tratamento automatizado no domínio particular dos dados pessoais das doenças de foro oncológico e fixa as garantias individuais correspondentes suscita-se. liberdades e garantias.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Também aqui há que acentuar o carácter restritivo e de intervenção ablativa em área tão sensível e carecida de protecção e segurança." 4. o regime constitucional próprio dos direitos. alegando no essencial: a) por si só. nº 1. ! (" . incluindo a reserva do artigo 168º. na ausência de prévia lei autorizadora. o facto de um diploma a respeito de utilização informática de dados pessoais ser editado pelo Governo. para os de natureza análoga. a finalizar: "Uma vez que. "resulta a necessidade de aplicar aos direitos fundamentais assim legalmente constituídos e à intervenção legislativa na sua esfera de protecção. respondeu o Primeiro-Ministro. não constitui base suficiente para se presumir a existência de inconstitucionalidade orgânica. Com essa natureza e atendendo à fundamentalidade desses direitos. em tempo oportuno.

com vista a apurar-se se o seu conteúdo constitui mera regulamentação do disposto nessa lei ou se. ao possibilitarem o acréscimo da eficácia informativa dos dados pessoais transportados para suporte automatizado. a utilização da informática para o tratamento de dados relativos à saúde das pessoas individualmente identificáveis. g) no entanto. nessa medida. a apreciação do diploma emanado do Governo deve ser levada a efeito confrontando-o com a Lei nº 10/91. há-de essa proibição ser circunstancialmente interpretada: não está abrangida pela reserva de lei a definição das condições específicas de tratamento informatizado de dados pessoais para todos os casos concretos possíveis de utilização da informática. invade a área da reserva parlamentar. do texto em relação àquela Lei de Protecção de Dados que. como é o caso. teria esgotado a incumbência legiferante imposta pelo nº 4 do artigo 35º da CR. e) por sua vez. na realidade. se é certo que a Constituição veda. em especial. regulamentar. diminuição das garantias de reserva da intimidade. constituição e utilização" das bases de dados pessoais. configuram. essa. d) o respectivo exame permite concluir pela natureza concretizadora. ! )" . à concretização do regime estabelecido em lei formal. não se verifica a apontada inconstitucionalidade na medida em que as normas em causa apenas concretizam as condições genericamente estabelecidas na Lei nº 10/91 diploma que traçou o quadro legal que circunscreve autilização da informática para tratamento de dados sobre a vida privada. agora concretamente explicitado. e relativamente ao nº 3 do artigo 35º da CR. A eventual inconstitucionalidade orgânica de actos normativos de natureza diversa de lei da Assembleia da República está excluída enquanto as disposições contidas nesses actos se limitem. semelhantemente às antecedentes considerações. f) é certo conter o decreto diversas disposições que.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! c) a essa luz. de "definir as condições de acesso. assim afectando o conteúdo do direito à reserva da vida privada.

analisar e interpretar os dados relativos a doentes oncológicos.É o seguinte o conteúdo do articulado aprovado em Conselho de Ministros aos 20 de Março de 1997: "Nos termos do nº 1 do artigo 17º da Lei nº 10/91.Em cada instituição de saúde existe o registo oncológico (RO). de 16 de Janeiro e 4 de Maio. respectivamente. fixada pela alínea b) do nº 1 do artigo 168º da CR: "1.Cumpre. Artigo 2º ! *" .É da exclusiva competência da Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias. de 16 de Janeiro. ---------------------------------------. as normas que integram o texto do decreto do Governo na perspectiva de eventual violação de reserva relativa da competência legislativa da Assembleia da República. e da alínea a) do nº 1 do artigo 201º da Constituição.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! 5. salvo autorização ao Governo: ----------------------------------------b) Direitos. criado nos termos das Portarias nº 35/88 e nº 282/88.. de 29 de Abril com a redacção dada pela Lei nº 28/94. criados nos termos e para os efeitos previstos na Portaria nº 35/88. assim. apreciar. Porto e Coimbra do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil (IPOFG).. o Governo decreta o seguinte: Artigo 1º Finalidade dos Ficheiros automatizados 1.Os registos oncológicos regionais (ROR) de Lisboa. constituem ficheiros automatizados que têm como finalidade organizar.. em sede de fiscalização preventiva... que tem por finalidade proceder à colheita de dados relativos aos doentes oncológicos e remetê-los para o registo oncológico regional (ROR) da sua área geográfica. liberdades e garantias. 2. de 29 de Agosto." II 1.

Os dados recolhidos. dados relativos ao estado de saúde relacionados com as patologias do foro oncológico. bem como a informação de que são também registados os dados facultados pelos profissionais de saúde no exercício das suas funções. o sexo.. de cópias dos certificados de óbito de que constem doenças oncológicas como causa de morte.. ou pelos profissionais de saúde. nas condições fixadas em despacho conjunto dos Ministros da Justiça e da Saúde. em impresso próprio. Artigo 4º Limitação de Recolha 1. o número de telefone. 3. o número de processo clínico. no exercício das suas funções.A recolha e actualização de dados é realizada em cada centro regional de oncologia e em cada instituição de saúde. devem limitar-se ao estritamente necessário e só podem ser utilizados para as finalidades previstas no nº 1 do artigo 1º do presente diploma. com dados facultados pelos seus titulares. a residência.A recolha de dados pelos Centros Regionais de Oncologia de Lisboa.Do impresso de recolha devem obrigatoriamente constar os elementos referidos no artigo 22º da Lei nº 10/91.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Dados recolhidos Os dados pessoais a que se refere o artigo anterior são o nome. a data de nascimento. a data do óbito e a causa da morte. ! !+" . o número de bilhete de identidade. 2. a profissão. a naturalidade. Artigo 3º Recolha e actualização de dados 1.. pelas competentes conservatórias do registo civil.. Porto e Coimbra faz-se ainda mediante o envio. de 29 de Abril.

.A comunicação dos dados é efectuada em suporte informático ou através de linha de transmissão.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! 2. ser diferenciadas em função da sua natureza administrativa ou clínica.. devem ser respeitados os princípios da finalidade da recolha e da pertinência. 2.As diversas categorias de dados recolhidos devem. bem como o disposto no artigo 4º do presente diploma. sendo que relativamente à informação de natureza clínica apenas têm acesso o respectivo pessoal médico. 3. 4...Os dados constantes dos ficheiros automatizados dos centros regionais do IPOFG são comunicados entre os referidos centros e a cada instituição de saúde. Artigo 5º Processamento dos dados Os dados são processados nos serviços de registo oncológico dos centros regionais do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil(IPOFG).Os dados constantes dos ficheiros automatizados de cada instituição de saúde são comunicados ao centro regional do IPOFG da respectiva área geográfica. na medida do possível. Artigo 7º Comunicação dos dados 1. garantindo o respeito pelas normas de segurança da informação.Para efeitos do disposto no presente artigo. Artigo 6º Acesso à informação À informação constante dos ficheiros automatizados têm acesso apenas o pessoal administrativo e médico afectos aos serviços de registo oncológico.. ! !!" .

Sem prejuízo das condições que sejam fixadas nos termos da alínea f) do nº 1 do artigo 8º da Lei nº 10/91. Artigo 10º Direito à informação 1. de 29 de Abril. devendo a informação de carácter clínico ser comunicada através do médico por estes designado. a reprodução exacta dos registos a que se refere o número anterior. é fornecida gratuitamente a solicitação dos respectivos titulares ou representantes legais. mediante a autorização dos respectivos responsáveis pelos ficheiros automatizados. com indicação do significado de quaisquer códigos e abreviaturas deles constantes. desde que não sejam identificáveis as pessoas a quem respeitem. 2. devendo ser apreciada a necessidade da sua conservação por períodos subsequentes de 3 anos renováveis.Qualquer pessoa tem direito a conhecer o conteúdo do registo ou registos que. constantes dos ficheiros automatizados de registos oncológicos.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Artigo 8º Informação para fins de investigação e estatística A informação constante dos ficheiros automatizados pode ser divulgada para fins de investigação e estatística. lhe digam respeito.. Artigo 9º Conservação de dados pessoais Os dados pessoais referidos no artigo 2º podem ser conservados até 10 anos após o falecimento do respectivo titular.. Artigo 11º Correcção de eventuais inexactidões ! !#" .

Artigo 13º Responsável pelo ficheiro automatizado ! !$" . d) A informação registada deve ser objecto de controlo que impeça que o sistema de tratamento da informação possa ser utilizado por pessoa não autorizada através de instalações de transmissão de dados. c) O acesso aos dados deve ser objecto de controlo. f) Os dispositivos de segurança utilizados devem ser periodicamente objecto de exame. Artigo 12º Segurança da informação Os responsáveis pelos ficheiros automatizados adoptarão as medidas técnicas necessárias a garantir que a informação não possa ser obtida indevidamente ou usada para outros fins que não os consentidos no presente diploma.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Qualquer pessoa tem o direito de exigir a correcção de eventuais inexactidões ou omissões. de forma a que as pessoas autorizadas só possam ter acesso aos dados que interessem ao exercício das suas atribuições profissionais e impedir que os mesmos possam ser lidos. alterados ou retirados por pessoa não autorizada. copiados. devendo nomeadamente ser observado o seguinte: a) A entrada nas instalações utilizadas para o tratamento de dados pessoais deve ser objecto de controlo a fim de impedir o acesso de qualquer pessoa não autorizada. de 29 de Abril. e) Devem constituir-se cópias de segurança da informação registada. b) A inserção de dados deve ser objecto de controlo para impedir a introdução. bem como qualquer tomada de conhecimento. nos termos previstos nos artigos 30º e 31º da Lei nº 10/91. alteração ou eliminação não autorizada de dados pessoais.

mesmo após o termo das respectivas funções. pelo respectivo ficheiro automatizado de registo oncológico regional (ROR). primária e secundária." 2.O decreto do Governo propõe-se. em geral. nos termos e para os efeitos da alínea h) do artigo 2º da lei nº 10/91. Artigo 14º Confidencialidade Todos aqueles que no exercício das suas funções. o diagnóstico e tratamento das doenças oncológicas [alínea d) do artigo 2º]. tratamento e seguimento a longo prazo dos doentes oncológicos. para o efeito. de forma permanente e sistemática. pessoa colectiva de direito público. públicas ou privadas. é ao Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil. tomem conhecimento dos dados pessoais constantes do ficheiro automatizado ficam obrigados a observar o sigilo profissional. designadamente. que compete "organizar a luta contra o cancro" [alínea a) do seu artigo 2º]. Lisboa e Coimbra do IPOFG são a entidade responsável. de 29 de Abril. através dos centros regionais de oncologia (artigo 3º).. acompanhar. como já se notou. Em Portugal. promover a sistematização do registo dos ! !%" . entre outras atribuições promover e fomentar a prevenção. com actividade exercida em âmbito nacional. a acção daqueles centros e promover a articulação das suas actividades. A comissão coordenadora do Instituto é um órgão de coordenação a quem incumbe. criar e disciplinar registos informáticos nos centros regionais de oncologia de Lisboa. competindo-lhe.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Os directores dos Centros Regionais do Porto. de 3 de Dezembro. devendo. cuja "lei orgânica" foi aprovada pelo Decreto-Lei nº 273/92. Porto e Coimbra e bem assim nas instituições de saúde com o objectivo de contribuir para a prevenção. cabendo ao dirigente máximo de cada instituição de saúde a responsabilidade pelo respectivo registo oncológico (RO).

profissão. "a colheita de dados sobre doentes oncológicos e a sua análise e interpretação e. ! !&" . de 4 de Maio. de modo que recolham e tratem os dados pessoais que o artigo 2º enumera. a ser obtida de acordo com um modelo que contenha a informação mínima indicada pelo ROR (nº 10). Os centros regionais de oncologia. especificamente. a Portaria nº 282/88. o registo oncológico (RO) que procede à colheita de dados relativos a doentes oncológicos e os remete. criado pela Portaria nº 35/88. no fim de cada mês. dotados de personalidade jurídica e com autonomia administrativa e financeira (artigo 9º). estes apenas para colheita de dados a remeter ao ROR territorialmente competente. sexo. cuja tramitação "será adequada a salvaguardar. "de um serviço de registo oncológico. 6 e 7). que integram. nos termos do artigo 37º do diploma citado. anualmente. Os ROR contactarão as instituições privadas de saúde e a Ordem dos Médicos para colaborarem na colheita desses dados (nº 8). Por sua vez.foram criados por esta Portaria. referentes ao nome. de 16 de Janeiro".Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! dados no âmbito da oncologia e organizar o registo oncológico [nº 1 e alíneas d) e f) do artigo 5º]. dotado de pessoal técnico. o sigilo profissional inerente à situação clínica dos doentes (nº 11). dispõem. data do nascimento. criou o registo oncológico (RO) previsto no nº 6 da anterior Portaria em cada unidade de saúde da área dos cuidados de saúde primários. existindo em cada hospital. assim. juntamente com a comissão coordenadora. ao ROR da sua área geográfica (nºs. Os ROR . central ou distrital. ao qual compete desenvolver e executar as actividades respeitantes ao ROR. tornar-lhes extensível o processamento daqueles dados. nos termos da lei. a estrutura do Instituto (artigo 4º) e são institutos públicos. instituir um registo informático em cada um dos ROR e bem assim nos RO. desse modo. número de bilhete de identidade. a elaboração de relatório contendo a informação devidamente trabalhada" (nº 3 do diploma). procurando-se. competindo-lhes.Registos Oncológicos Regionais . O decreto do Governo pretende.

do registo separado da informação ("as diversas categorias de dados recolhidos devem. mediante impresso próprio.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! naturalidade. dos impressos devendo constar quer os elementos a que alude o artigo 22º da Lei nº 10/91 (indicações a constar dos documentos que sirvam de base à recolha de dados pessoais) quer os facultados pelos profissionais de saúde. data do óbito e causa da morte.em cada centro regional de oncologia e em cada instituição de saúde. ser diferenciadas em função da sua natureza administrativa e clínica". esclarecendo o artigo 6º que têm acesso ao conteúdo dos ficheiros automatizados . dispõe sobre a comunicação dos dados entre as entidades envolvidas. do mesmo passo. residência. a efectuar de acordo com os princípios da finalidade ! !'" . em condições a fixar. cuidando. O artigo 7º. no exercício das suas funções (nº 2). número de telefone. é separada. a informação relativa ao estado de saúde. especificamente respeitante ao foro oncológico. nessa medida. ou seja. "com dados facultados pelos seus titulares ou pelos profissionais de saúde. no exercício das suas funções" (nº 1). de acordo com a alínea j) do mesmo preceito .circunscrevendo a informação clínica ao respectivo pessoal médico. O artigo 5º. número de processo clínico. os serviços de registo oncológico dos centros regionais do IPOFG. O artigo 3º diz-nos como se processam essas operações . sendo certo que também as conservatórias de registo civil enviarão "cópias dos certificados de óbito de que constem doenças oncológicas como causa de morte". da de mera natureza administrativa). desse modo se dando satisfação ao previsto na alínea c) do artigo 18º da Lei nº 10/91. por sua vez. identifica o serviço processado da informação. O artigo 4º cuida da limitação da recolha dos dados numa perspectiva de adequação aos princípios da finalidade e da adequação e pertinência. dados relativos ao estado de saúde relacionados com as patologias do foro oncológico. nos termos do nº 3 deste artigo 3º. na medida do possível.a categoria das pessoas que têm directamente acesso às informações.

controlo da disponibilidade dos dados . A análise do articulado revela preocupação com a observância do princípio da segurança da informação. pertinência e adequação. relativamente à eventual perda. transparência. devidamente autorizada pelos respectivos responsáveis.. enquanto o artigo 12º cuida da segurança da informação controlo de acesso. cuidando o dispositivo imediato da divulgação dos dados para fins de investigação e estatística. nele se reflectindo. particularmente exigente nesta área. sobre estas "Linhas".Seabra Lopes. em 23 de Setembro de 1980 e subscritas por Portugal (cfr. limitação da utilização.e o artigo 14º prevê expressamente o dever de confidencialidade que em todo este domínio assiste. nele se contemplando . aprovadas por Recomendação do Conselho de Ministros da OCDE. enquanto o artigo 10º alude ao exercício do direito à informação. acesso indevido. qualidade dos dados. "A protecção de dados pessoais no contexto internacional e ! !(" . "desde que não sejam identificáveis as pessoas a quem respeitem". controlo de utilização. garantias de segurança.independentemente de um juízo sobre a sua suficiência disposições garantísticas de protecção dos dados. O tempo de conservação dos dados está previsto no artigo 9º. O artigo 11º reconhece o direito de qualquer pessoa a exigir a correcção de eventuais inexactidões e supressão de omissões. de um modo ou outro os princípios da limitação em matéria de recolha. a que se referem as chamadas "Linhas Directivas Regulamentadoras da Protecção da Vida Privada e dos Fluxos Transfronteiras de Dados Pessoais". verificando-se que ele se projecta para além do falecimento do respectivo titular. modificação ou divulgação não autorizadas.os responsáveis pelos suportes informáticos a que alude a alínea h) do artigo 2º da Lei nº 10/91 . J.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! da recolha e da pertinência. destruição dos dados ou sua utilização. no âmbito da sua adequação. especificação das finalidades. participação individual e responsabilidade. também aqui se devendo observar respeito pelos aludidos princípios da finalidade.o artigo 13º indica os responsáveis pelos ficheiros automatizados .

1993. III 1. e da gestão dos serviços de saúde. in Legislação. 9 e segs. Este conjunto de direitos. concede dignidade constitucional à matéria de protecção dos dados pessoais informatizados. observam Gomes Canotilho e Vital Moreira Constituição da República Portuguesa Anotada.publicado no Diário da República. nº 8 [1993]. Reconhece e garante um conjunto de direitos fundamentais. págs.processo nº 95/87 . referentes a convicções filosóficas ou políticas.1. "O Problema da Salvaguarda da Privacidade Antes e Depois do Computador". 5 e segs.O artigo 35º da CR.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! comunitário". de 17 de Setembro do mesmo ano). nº 319.salvo quando se trate de processamento de dados estatísticos não individualmente identificáveis. II Série. que aglutina nesse preceito.Januário Gomes. págs. págs. ao cuidar da utilização da informática. 3ª ed. J. M.A.. desde logo é questionável se poderia ter lugar mediante decreto-lei não autorizado pela Assembleia da República.. 216 ! !)" . o direito de sigilo em relação aos responsáveis de ficheiros automatizados e a terceiros dos dados pessoais informatizados e do direito à sua não interconexão (nº 2) e o direito ao não tratamento informático de certos tipos de dados pessoais (nº 3). como o direito de acesso aos registos informáticos para conhecimento dos dados pessoais deles constantes (nº 1 do artigo 35º). tratamento e profilaxia. Só que. independentemente de se saber se tal conciliação é feita em termos constitucionalmente satisfatórios. nº 373. A modelação legal que o decreto intenta levar a cabo procura conciliar a protecção da vida privada e das liberdades com as exigências da investigação médica. 39 e segs.Garcia Marques.. filiação partidária ou sindical. no Boletimcitado. fé religiosa ou vida privada ... "Informática e Vida Privada" in Boletim do Ministério da Justiça. do diagnóstico. pág. parecer da Procuradoria-Geral da República de 10 de Maio de 1990 .

sem prejuízo da sua aplicação directa (nº 1 do artigo 18º da CR). na Resolução nº 318/79. considerando os riscos da ausência de uma disciplina jurídica bastante no plano das liberdades individuais. 1983. oriunda sentença Constitucional Alemão. I Série. Lisboa.. Assim é que no período seguinte à entrada em vigor do texto constitucional de 1976 se multiplicaram as iniciativas. publicado nos Pareceres da Comissão Constitucional.Parecer nº 3/81. como meio de recusa a intromissões na esfera da privacidade de cada um. 126 e segs. 14º vol. como reconheceu o próprio Conselho de Ministros. bem como de bases e bancos de dados e respectivas condições de acesso. se se seguir o apoio doutrinário que o pedido acolheu. E. nº 33. De qualquer modo. consubstanciaria. interpositio legislatoris.). ressalva os casos excepcionais previstos na lei. ! !*" .Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! impede que a pessoa se transforme em "simples objecto de informações". o nº 4 remete para a lei a definição do conceito de dados pessoais para efeitos de registo informático. págs. no reconhecimento da necessidade de densificação legislativa. na versão castelhana. de 17 de Outubro (a Comissão Constitucional deu notícia dessa temática quando se debruçou em torno dautilização de um número nacional de identificação . como já se frisou no acórdão deste Tribunal nº 182/89. págs.Boletín de Jurisprudência Constitucional. no BJC . um direito à autodeterminação na linha informacional da (informationelle do Tribunal Selbstbestimmungsrecht).). Janeiro de 1984. finalmente. exige mediação legislativa. para além dos derivados da interconexão possível entre bancos de dados nominativos. riscos decorrentes "da própria natureza da informação pessoal constante dos ficheiros. das condições de acesso e da difusão de bancos memorizados". de 15 de Dezembro de 1983 (que se pode ler. publicado no Diário da República. 163 e segs. constituição e utilização por entidades públicas e privadas e. de 2 de Março de 1989. o nº 2 deste artigo. o nº 6 atribui à lei a definição do regime aplicável aos fluxos de dados transfronteiras. o artigo 35º. Como evidencia a sua leitura. ao proibir o acesso a ficheiros e registos informáticos de dados pessoais.

A nova lei . pág.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Na legislação avulsa entretanto publicada. que instituiu o sistema de informação para gestão de pessoal na função pública . a Comissão Nacional de Protecção de Dados Pessoais Informatizados (CNPDPI). publicado in Legislação. No entanto. págs. "em ! #+" . apelavam a disposições de salvaguarda (de que é exemplo o artigo 10º do Decreto-Lei nº 163/82. como diz o seu artigo 1º. de modo que o uso da informáticase processe. de 29 de Agosto . a lei sobre protecção de dados pessoais . ora proliferaram as disposições legais permitindo o acesso a informação de natureza pessoal.. na circunstância. a funcionar junto da Assembleia da República. de particular sensibilidade.A. em que se deu por verificado o não cumprimento da Constituição por omissão da medida legislativa prevista no nº 4 do artigo 35º. à falta de enquadramento. E. ora se editaram diplomas que. maxime.SIGEP). de forma transparente e no estrito respeito pela reserva da vida privada e familiar e pelos direitos. proferido em processo de fiscalização de inconstitucionalidade por omissão.só viria a ser publicada posteriormente ao já citado acórdão do Tribunal Constitucional nº 182/89.procurou rodear de mecanismos garantísticos o tratamento de dados e os bancos de dados pessoais.a Lei nº 10/91. 41).que seria alterada pela Lei nº 28/94. de 10 de Maio. inspirou-se no modelo francês da Comission Nationale de l'Informatique et des Libertés (CNIL) para criar uma entidade pública independente com poderes de autoridade. liberdades e garantias fundamentais do cidadão. aplicando-se à constituição e manutenção de ficheiros automatizados.Garcia Marques no seu trabalho "Legislar sobre protecção de dados pessoais em Portugal (do artigo 35º da Constituição à Lei nº 10/91. necessária para se tornar exequível a garantia constante do nº 2 do mesmo artigo. de 29 de Abril . nº 8. para o efeito. 37 e segs. com a atribuição genérica de controlo do processamento automático de dados pessoais. sob pretexto de alegadas excepcionalidades (vários diplomas contendo normas deste tipo são indicados por J. de 29 de Abril".

ajuizar da constitucionalidade da Lei nº 10/91.Não estando em causa. 1. cit.. no campo da alínea b) enunciam-se as ! #!" .ao proibir o tratamento automatizado desses dados. II Série-A. como é evidente a imbricação existente entre os dois textos. neste momento. de 17 de Março de 1996. Basta reflectir. v. estabelece dois grupos de dados diferenciados pela sua maior ou menor "sensibilidade". pág. Diário da Assembleia da República.. vindos do grupo seguinte com as alterações introduzidas pela Lei nº 28/94 (o projecto de revisão constitucional nº 3/VII.integrado no capítulo relativo ao processamento automatizado de dados pessoais . identificam o doente. mesmo ignorando-lhe o nome (cfr. permitirem hoje a tecnologia microinformática e o desenvolvimento das redes de interconexão uma organização de informação e concentração de dados em reduzido espaço.. seguindo. assegurou maior protecção à excessiva "transparência" a que os cidadãos se encontravam expostos perante o desenvolvimento das técnicas informáticas. nos termos do nº 1 do artigo 4º. ob. aliás. Poderá dizer-se que o diploma. obviamente. Gomes Canotilho e Vital Moreira. e que são os mencionados no nº 3 do artigo 35º da CR. núcleo duro mais sensível. Assim é que o artigo 11º da Lei nº 10/91 . no limiar do vasto conjunto de problemas que se colocam na área em que se pretende legislar.L'Information Médicale. 25). porventura ainda pontualmente pouco denso (cfr.2. pág.g. 1996. L'Ordinateur et La Loi. 218). por adição àquele nº 3: cfr.. acrescido dos de origem étnica. apresentado pelo Partido Socialista. 484-[17]). em última instância. pois não só o decreto do Governo o convoca expressamente. prevê a "constitucionalização" desse tipo de dados. quase pari passu o nº 3 do artigo 35º da CR: no grupo da alínea a) catalogam-se as referências aos dados conhecidos por "pessoalíssimos". Liliane Dusserre et alia. pág.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! rigoroso respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades e garantias consagradas na Constituição e na lei". aberto a triagens sucessivas que. o certo é que se torna indispensável abordar alguns dos problemas que o diploma suscita.

naturalmente. A disposição "caíu". formulou-a assim um autor: "a regularização dos ficheiros já existentes contendo dados pessoais dos tipos referidos na alínea b) do nº 1 do artigo 11º deverá fazer-se por lei nos termos do nº 1 do artigo 17º ou por regulamento.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! condenações em processo criminal. regia ainda a primitiva versão deste preceito. o nº 1 do artigo 17º preceitua que o tratamento automatizado dos dados pessoais de nível intermédio . que nos toca. com prévio parecer da CNPDPI".. diz-nos o nº 3 do preceito. Na altura. no prazo de um ano. bases ou bancos de dados pessoais preparem um projecto de regulamentação. Algumas interrogações proporciona. Por sua vez. "observadas as condições previstas no artigo 17º". "com observância das disposições da presente lei e prévia comunicação à CNPDPI dos elementos previstos no artigo 18º" (que são os que devem constar da instrução do pedido de parecer ou de autorização). suspeitas de actividades ilícitas. ! ##" . no entanto. devendo o Governo apreciar as propostas e publicar. já para os dados pessoais do segundo grupo pode o seu tratamento automatizado ser efectuado. Garcia Marques. nos termos autorizados por lei especial. ob. 51). absoluta. nº 8. no entanto. a articulação do artigo 17º com o artigo 11º e uma delas. um prazo de seis meses para os responsáveis pelos serviços públicos de ficheiros automatizados. pág. A proibição relativa aos primeiros não é. conforme o disposto no nº 1 do artigo 44º?" (cfr. in Legislação. desde que sejam inidentificáveis as pessoas a que respeitem. na medida em que não impede o tratamento para fins de investigação ou de estatística. na nova redacção da Lei nº 28/94.os da alínea b) . decreto regulamentar de execução da Lei nº 10/91. enquanto relativamente aos demais dados pessoais pode o tratamento realizar-se por entidades públicas e privadas. estabelecendo.pode ser efectuado por serviços públicos. "com garantias de não discriminação. como disposição transitória. estado de saúde e situação patrimonial e financeira.cit.

Bordeaux .Bordeaux IV.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! É problemático. salvo o disposto no seu nº 2.cit.Lisbonne. porém. aquele preceito. 381 e segs. liberdades e garantias individuais (problema a que já aludira no trabalho "A Lei nº 10/91. bem como de bases e bancos de dados e respectivas condições de acesso. opinião essa partilhada por Paula Lobato de Faria (Données Genétiques Informatisées . 1991. há-de dizer-se que se o nº 4 daquele artigo 35º atribui à lei a definição do conceito de dados pessoais para efeitos de registo informático. maxime pág. ! #$" . de tratamento automatizado proibido. de 29 de Abril: Lei de Protecção de Dados Pessoais Face à Informática" in Documentação e Direito Comparado. dependendo o tratamento destes de autorização por lei especial. 2.O parâmetro aferidor da constitucionalidade orgânica do presente decreto não é. 418).). dos dados pessoais referentes ao estado de saúde.) o meio mais seguro para garantir o respeito pelos direitos. os dados pessoais referentes à vida privada. nº 47/48. combinadamente com a alínea b) do nº 1 do artigo 168º da Lei Fundamental. 1996. Garcia Marques (loc. ao proibir a utilização da informática para tratamento de dados referentes à vida privada. a adopção de lei. o sentido a dar à expressão lei especialutilizada no preceito. nem tão pouco o artigo 17º do mesmo diploma (articulado quer com o artigo 11º. Como quer que seja. A esta luz.O artigo 11º da Lei nº 10/91 distingue.1. 469 e segs. em sentido formal (ou decreto-lei autorizado) parece a J. é nesta norma que o decreto do Governo se ancora.. tese apresentada para obtenção do doutoramento em Direito da Saúde na Université Montesquieu .A. incluídos no capítulo IV da Lei nº 10/91) mas sim o artigo 35º da CR.Un Nouveau Défi à la Protection de Droit à la Confidentialité des Données Personnelles de Santé. obtido o prévio parecer da CNPDPI. como vimos.. no entanto. quer com os artigos que se lhe seguem.. 2. Assim. págs. tendo em conta a natureza sensível dos dados pessoais em causa. págs.

assim.isto é. Uma vez que nos situamos em matéria de direitos. O Primeiro-Ministro. formalmente. a razão de ser da invocação do seu artigo 17º . liberdades e garantias. coloca-se. face à reserva de lei parlamentar. se ache traçado o quadro legal suficiente para circunscrever a utilização da informática para tratamento de dados pessoais sobre a vida privada. concordandose com o Primeiro-Ministro na necessidade de se criar uma disciplina adaptada a cada modelo de informatização novo. nem contendo todos os elementos exigidos por tal tipo de lei. através de decreto-lei não autorizado. surpreende-se no discurso argumentativo uma como que "subvalorização" da medida legislativa. tomando-se o decreto como mera regulamentação das disposições genéricas contidas na Lei nº 10/91 . Sem prejuízo de se reconhecer a natureza estritamente técnica de parte da matéria.e. a lei. de tal modo que o decreto se limite "a explicitar o alcance concreto do condicionalismo legal relativo à medida em que a vida ! #%" .com o grau de liberdade de conformação que o nº 3 do mesmo artigo lhe consente. a questão de saber em que medida pode o legislador parlamentar confiar tarefas de normação ao Governo ainda que revestido de funções legiferantes. por sua vez . a presente iniciativa do Governo. que conterá as indicações obrigatórias constantes do artigo 19º. assim.não sendo mais do que "mera execução ou pormenorização de disciplina contida em lei anterior".Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! constituição e utilização por entidades públicas e privadas. já não se aceita que. tendo em conta a lei vigente. Não sendo a Lei nº 10/91. defende que para uma tutela eficaz da disciplina jurídica da utilização da informática em tratamento de dados pessoais. uma lei de autorização legislativa. terá essa disciplina de ser "traçada adaptadamente a cada tipo concreto de informatização". a Lei nº 10/91 . sempre integraria matéria de reserva de lei parlamentar. Por isso que. devolveu a respectiva concretização para a lei especial aludida no nº 1 do seu artigo 17º.

sob pena de as suas normas constitutivas do tratamento automatizado dos ficheiros oncológicos. publicado no Diário da República.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! privada pode ser exposta ao poder invasivo da utilização informática". não há. à falta de definição legal. no domínio da fiscalização preventiva. que uma iniciativa legislativa em área de reserva da Assembleia da República. por violação da alínea b) do nº 1 do artigo 168º da CR. Na verdade.g. assim. liberdades e garantias. de vida privada. muito embora no artigo 19º da Lei nº 10/91 se elenquem as indicações que devem constar da "lei especial" a que se refere o nº 1 do artigo 17º. devolução ao órgão que aprovou o diploma para efeitos de expurgo ou reformulação das normas consideradas inconstitucionais nos termos do artigo 279º da CR (cfr. seguramente.Mesmo que assim se não entendesse. como consta da resposta daquela entidade. deixar de constar. igualmente. Entende-se. recorre-se à jurisprudência do Tribunal ! #&" . o acórdão deste Tribunal nº 285/92. 2. sempre se chegaria a idêntico juízo de inconstitucionalidade no contexto da vida privada. serem organicamente inconstitucionais. não pode assumir-se como a "lei especial" a que se refere o nº 1 do artigo 17º do mesmo diploma. publicado no Diário da República. aqui. a este propósito. não meramente organizatórias nem estritamente técnicas. Considerando mostrar-se polémica uma conceituação. I Série-A. primordialmente focado pelo Presidente da República. só pode ter lugar por via parlamentar ou parlamentarmente autorizada (cfr. como é a respeitante a direitos. de 11 de Setembro de 1984). no apontado sentido de expressão da reserva parlamentar No caso vertente.2. contrariamente ao que ocorre. o acórdão deste Tribunal nº 74/84. o decreto. de lei. de 17 de Agosto de 1992). em princípio. I Série. o certo é que esse diploma é omisso no tocante ao "como" da respectiva concretização e esta não pode... consequencialmente o sendo as demais porque. v. independentemente de conter ou não as indicações obrigatórias constantes do artigo 19º da Lei nº 10/91.

numa época histórica caracterizada pela generalidade das relações bancárias. onde ninguém deve poder penetrar sem autorização do respectivo titular. faz parte do âmbito de protecção do direito à reserva da intimidade da vida privada condensado no artigo 26º. No âmbito desse espaço próprio inviolável engloba-se a vida pessoal. o lugar próprio da vida pessoal e familiar (o lar ou domicílio) e. da CR na medida em que exposta por tempo indeterminado e à revelia de qualquer controlo judiciário ou jurisdicional a esfera pessoal íntima (Intimsphäre) do cidadão. em que grande parte dos cidadãos adquire o estatuto de cliente bancário. constitucionalmente consagrado no nº 1 do artigo 26º da CR. as conversas orais. debruçando-se sobre o segredo bancário. II Série. nº 1. respectivamente. Por sua vez.). respeitantes designadamente às contas de depósito e seus movimentos e às operações bancárias. considerou-se que. bem assim. No acórdão nº 456/93. surgindo o segredo bancáriocomo um instrumento de garantia deste direito. ponderou-se que "está este Tribunal em condições de afirmar que a situação económica do cidadão. os meios de expressão e de comunicação privados (a correspondência. no âmbito das acções de prevenção policial a que se referia o diploma então em apreciação preventiva de constitucionalidade. verificando-se que este. De facto. 128/92 e 319/95. a relação com outras esferas de privacidade (v. violando o disposto no artigo 26º. cambiais e ! #'" . o telefone. espelhada na sua conta bancária. II Série.g. nº 1. o acórdão nº 278/95. etc. em acórdãos como os nºs. publicado no Diário da República. publicado no citado jornal oficial. incluindo as operações activas e passivas nela registadas. de modo como estavam concebidas desequilibravam desrazoavelmente a ponderação meio-fim inerente ao princípio da proporcionalidade. caracterizou o conceito como o direito a uma esfera própria inviolável. a vida familiar. de 28 de Julho de 1995. publicados no Diário da República. I Série-A. os elementos em poder dos estabelecimentos bancários. a amizade).Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Constitucional. de 24 de Julho de 1992 e 2 de Novembro de 1995. da Constituição. de 9 de Setembro de 1993.

1994. a definição do conteúdo e alcance do segredo bancário e. 479 e segs. consagrado no artigo 26º.in Revista da Ordem dos Advogados.. da Constituição. 199. maxime. Mas se a matéria do segredo bancário. nos termos dos artigos 167º. Constando a norma aqui sub judicio . págs. da actual versão decorrente das 1ª e 2ª revisões. págs.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! financeiras. alínea c). LXIX. ou seja. aprovado pelo Decreto-Lei nº 298/92. então imediatamente salta à vista o vício de inconstitucionalidade orgânica da norma da alínea e) do nº 1 do artigo 57º do Decreto-Lei nº 513-Z/79. ano 54-I. a proibição do acesso arbitrário por parte de terceiros aos dados em poder dos estabelecimentos bancários respeitantes às relações bancárias com os seus clientes. vol. das restrições a que está sujeito devia constar de uma lei da Assembleia da República ou de um decreto-lei alicerçado em autorização legislativa. Ricardo Leite Pinto. 316 e segs. "Liberdade de Imprensa e Vida Privada". Com efeito. e 168º da versão originária da Constituição e do artigo 168º." Os exemplos adiantados permitem concluir que a jurisprudência constitucional portuguesa. 1995. 111 e segs. "O Direito à Reserva sobre a Intimidade da Vida Privada" in Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. bem assim. Coimbra. estando-se perante uma matéria respeitante a direitos. independentemente de qualquer comprometimento com as teses sobre a matéria existentes (colhe-se notícia actualizada delas em autores como Rabindranath Capelo de Sousa.. de 31 de Dezembro -. constitui uma dimensãodo direito à reserva da intimidade da vida privada e familiar. Rita ! #(" . alínea b). nº 1. de um decretolei sem credencial parlamentar é manifesta a sua inconstitucionalidade orgânica. O Direito Geral de Personalidade.a qual configura inequivocamente uma restrição ao segredo bancário.. de 27 de Dezembro. tal como é definido nos artigos 78º e seguintes do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras. nº 1. liberdades e garantias. constituem uma dimensão essencial do direito à reserva da intimidade da vida privada constitucionalmente garantido. págs. Paulo Mota Pinto. tal como foi interpretada pela decisão recorrida.

pág. O que. particularmente sensível. 1990. Doutor Paulo Cunha. por outro. de modo que o Estado não afecte o direito ao segredo e à liberdade da vida privada senão por via excepcional. pág. Lisboa. condenações em processo criminal. à vida sexual.. 2ª ed. Nesta linha. 373) tem-se orientado por coordenadas ponderadas balanceadamente. Lisboa. pág. à vida familiar. nessa medida. colmatando tanto quanto possível. os dados de saúde integram a categoria de dados relativos à vida privada.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Amaral Cabral. Pierre Kayser .Estudos em Memória do Prof. a apontada jurisprudência tem procurado que. in .La Protection de la Vie Privée. em que a informatização dos respectivos dados de saúde "não deve converter-se em mero armazenamento de informação relativa às coisas do homem mas constituir informação relativa ao próprio homem" (Paula Lobato de Faria. e. 527). ob. "Protecção Jurídica de Dados Médicos Informatizados" in Direito da Saúde e Bioética. nas relações entre particulares e Estado se introduza a noção derespeito da vida privada. para assegurar a protecção de outros valores que sejam superiores àqueles (cfr. pág. cit. na definição do conteúdo de vida privada. cit. "O Direito à Intimidade da Vida Privada (Breve reflexão acerca do artigo 80º do Código Civil)". desse modo. no respeito pela dignidade e a dimensão individual da defesa da intimidade frente à informática. não significando a extensão da reserva à disciplina ! #)" . para intervir nessa relação tensional. interferindo. por um lado. situação patrimonial e financeira (Gomes Canotilho e Vital Moreira. matéria respeitante a direitos. considera-se que o tratamento automatizado de dados relativos a doenças oncológicas integra-se na esfera de privacidade dos doentes. pág. 218).. tais como as informações referentes à origem étnica. Está-se perante um específico campo de saúde. a fractura que essa confrontação de interesses pode suscitar. 1993.. 1991. fazem parte da vida privada de cada um (Paulo Mota Pinto. Neste plano. 155). No fundo. ob. 7). liberdades e garantias. no reconhecimento dos interesses sociais em jogo.

desse modo se impedindo sobre eles qualquer tratamento informatizado.. ob. 7 de Maio de 1997 Alberto Tavares da Costa José de Sousa e Brito Armindo Ribeiro Mendes Messias Bento Guilherme da Fonseca ! #*" . com referência ao artigo 35º. nota 883. processamento. quer se acentue a tónica da confidencialidade.. 2. na forma pretendida. quer se entenda que no artigo 35º da CR se expressa o direito à autodeterminação informacional . com assento no nº 1 do artigo 26º da CR. ambos da Constituição da República. IV Em face do exposto o Tribunal Constitucional decide: . cit.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! integral da matéria relativa aos dados de saúde. na formulação de Rabindranath Capelo de Sousa. Lisboa. utilização. em conexão com o direito à reserva da intimidade da vida privada. transmissão e divulgação de dados pessoais a seu respeito.por exemplo.pronunciar-se pela inconstitucionalidade das normas do decreto registado na Presidência do Conselho de Ministros sob o nº 110/97. o certo é que a falta de autorização legislativa ferirá de inconstitucionalidade o texto do decreto do Governo. por violação do disposto na alínea b) do nº 1 do artigo 168º. 357. pág.b) . no entanto.e mesmo para quem veja nele.3.Deste modo. enquanto síntese de diversos poderes jurídicos da pessoa singular identificada ou identificável relativamente à recolha. mais restritamente. que o legislador sobre eles se pronuncie por via que não seja a de lei da Assembleia da República ou de decreto-lei por esta autorizado. se entrar em vigor. a configuração de um habeas data. acesso. não permite.

Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Maria da Assunção Esteves Vítor Nunes de Almeida Fernando Alves Correia Luís Nunes de Almeida Maria Fernanda Palma Bravo Serra Antero Alves Monteiro Diniz José Manuel Cardoso da Costa ! $+" .