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Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos

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Tribunal Central Administrativo Sul, Acórdão de 17 de Abril de 2008 Processo nº 07001/03 PRINCÍPIO DA IGUALDADE. O princípio da igualdade constitui um princípio estruturante do sistema constitucional global que, na sua dimensão democrática, exige a explícita proibição de discriminações, constituindo a proibição do arbítrio um limite externo da liberdade de conformação dos poderes públicos.

ACORDAM EM CONFERÊNCIA NO 1º JUÍZO LIQUIDATÁRIO DO TRIBUNAL CENTRAL ADMINISTRATIVO SUL I. RELATÓRIO Lívia ..., assistente administrativo especialista, do Quadro Geral do Pessoal Civil da Força Aérea, em Serviço Administrativo do Comando Logístico e Administrativo da Força Aérea, veio interpor o presente recurso contencioso de anulação do despacho do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, datado de 10 de Maio de 2001, que lhe indeferiu o requerimento em que, invocando o Acórdão do Tribunal Constitucional nº 254/2000, solicitava o seu posicionamento no escalão 4, índice 305, da actual categoria, com efeitos desde 1-1-98, e no escalão 5, índice 325, com efeitos desde 1-12-99. Invocou para tanto que o acto recorrido padece do vício de violação de lei, por interpretação e aplicação desconformes ao princípio da igualdade consagrado nos artigos 13º e 59º da CRP, de acordo com a decisão, com força obrigatória geral, contida no Acórdão nº 254/2000 do Tribunal Constitucional.

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tendo enunciado as seguintes conclusões: "1ª . ! #" . 2ª .Sendo assim.A recorrente se mantivesse a categoria de 2º oficial administrativo em 30-10-89. índice 265. seria integrada no escalão 4. nº 3. a recorrente tinha de ser remunerada pelo índice 240 da categoria de 2º oficial. da nova categoria por ter adquirido o direito à progressão na Lei antiga. índice 305. alínea a) do citado diploma]. a recorrente veio alegar. e no escalão 3. nos termos do disposto no artigo 20º. de 7 de Junho. índice 220. por força do disposto no artigo 3º do DL nº 61/92. de 29 de Outubro. em 1-12-96 [artigo 19º. e que produziu efeitos a 1-11-91. alínea a) e nº 6 do DL nº 404-A/98 e respectivo anexo. nos termos da alínea a) do nº 2 do artigo 2º do DL nº 204/91.Como o índice 240 é superior ao que lhe caberia por aplicação do artigo 3º do DL nº 204/91. Cumprido o preceituado no artigo 67º do RSTA. com efeitos a 29-11-93. 3ª . nº 1. com efeitos a 1-1-98 na categoria de assistente administrativo especialista. 5ª . 4ª . índice 210. nº 2. 6ª . por promoção a oficial administrativo principal [artigo 17º.Com as alterações dos desenvolvimentos indiciários introduzidos pelo DL nº 420/91.Deste modo.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Na sua resposta a autoridade recorrida sustentou a legalidade do despacho impugnado e concluiu pedindo que fosse negado provimento ao recurso contencioso. índice 280. alínea b) e nº 2 do DL nº 353-A/89]. índice 325. o escalão 5 começou a ser remunerado pelo índice 240. progredindo para o escalão 4.A recorrente tinha ainda direito a progredir para o escalão 5. progredindo para o escalão 5. índice 255 de 1º oficial. a recorrente deveria ser reposicionada no escalão 5. a recorrente devia ter sido integrada no escalão 4. para que a promoção a 1º oficial não fosse inútil.

pugnando pela manutenção do acto recorrido. fls. sob pena de violação do disposto na alínea a) do nº 1 do artigo 59º da CRP enquanto corolário do princípio da igualdade consagrado no seu artigo 13º. ! $" . é inválido por ofensa às citadas normas constitucionais e à decisão do mencionado Acórdão do Tribunal Constitucional (.. Cumprido o preceituado no artigo 54º da LPTA a recorrente pugnou pela improcedência da questão prévia suscitada. 0 Exmº Magistrado do Ministério Público suscitou. conduzirá à rejeição do recurso contencioso .acto confirmativo .Mesmo que assim não se entendesse e assente que a recorrente e a colega identificada nos autos teriam sido integradas nos mesmos escalão e índice na categoria de 2º oficial administrativo quando foi aplicado o Novo Sistema Retributivo. e portanto. 7ª . a questão prévia atinente à irrecorribilidade do acto impugnado . 60 a 62 dos autos. A entidade recorrida contra-alegou. bem como a interpretação obrigatória do Acórdão nº 254/2000 do Tribunal Constitucional.que. com efeitos a 1-1-98. ao indeferir o pedido da recorrente ofendeu as citadas disposições legais e muito particularmente o artigo 3º do DL nº 61/92.. no seu entender. o acto recorrido.O acto recorrido.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! direito a salvaguardar nos termos do artigo 12º do Código Civil e do artigo 22º do DL nº 404-A/98. mais antiga que a colega nas categorias de 1º oficial administrativo e oficial administrativo principal. como decidiu. ao indeferir a pretensão da recorrente. com força obrigatória geral. nunca poderia ficar a receber remuneração inferior à da sua colega. também por esta via a recorrente tem direito a ser posicionada no índice 305. no seu douto parecer final.cfr. a recorrente. o citado Acórdão do Tribunal Constitucional. 8ª .)".

de 15/4 [artigo 2º. iv. com fundamento na respectiva nulidade. no mais. Colhidos novos vistos. veio este Venerando Tribunal. alínea a) e nº 6 do artigo 20º e do nº 3 do artigo 23º do DL nº 404-A/98. Em 1-12-99 passou ao escalão 3. ocorrida em 29-11-93. ! %" . consideram -se assentes os seguintes factos. índice 225. índice 265. iii. a recorrente transitou para a categoria de assistente administrativo especialista. índice 285. foi integrada no NSR no escalão 2. de 29/10. FUNDAMENTAÇÃO DE FACTO Com interesse para a apreciação do mérito do recurso. Interposto recurso jurisdicional para o STA. índice 255. Quando da promoção à categoria de oficial administrativo principal. a revogar o acórdão deste TCA Sul. negado provimento ao recurso [cfr. 101/107]. constantes dos documentos juntos aos autos e ao Processo Instrutor: i. transitou para o escalão 3. por omissão de pronúncia. escalão 2. por acórdão datado de 5-7-2007. e a ordenar a baixa dos autos para aqui ser apreciado o vício que não havia sido conhecido [cfr. Com a publicação do DL nº 61/92. foi posicionada no escalão 2. fls. vêm os autos à Conferência para julgamento. A recorrente. ao abrigo do disposto no artigo 19º do DL nº 353-A/89. da referida categoria. nº 2. 69/73vº]. v. alterado. fls. Por efeito da aplicação conjugada do nº 3. foi a questão prévia suscitada pelo Digno Magistrado do Ministério Público desatendida e. com efeitos reportados a 1-12-96. ii. índice 240. por efeito da aplicação do artigo 19º do DL nº 353-A/89.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! Por acórdão de 26-10-2006. 1º oficial administrativo desde 2-4-86. vi. II. índice 270. a partir de 1-11-91. alínea b)]. Em 1-12-96 passou a vencer pelo escalão 3. de 18/12. para 230. pelo DL nº 420/91.

índice 260. e no escalão 5. colega da recorrente. invocando o Acórdão do Tribunal Constitucional nº 254/2000. índice 210. índice 245. g) Em 30-9-98. FUNDAMENTAÇÃO DE DIREITO Vem o presente recurso contencioso interposto do despacho do CEMFA. com efeitos desde 1-12-99. com efeitos reportados a 30-9-95. é posicionada no escalão 3 da escala indiciária dos assistentes administrativos especialistas. índice 280. cujo teor aqui se dá por integralmente reproduzido. índice 305. solicitava o seu posicionamento no escalão 4. que indeferiu o requerimento em que a recorrente. d) Em 1-10-92 é-lhe atribuído o escalão 5.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! vii. ! &" . da Silva Duarte. em 31-12-90 passa ao escalão 4. progride para o escalão 4 da mesma escala indiciária. e no escalão 5. ix. solicitou o seu posicionamento no escalão 4. de acordo com o artigo 19º do DL nº 353-A/89. com efeitos a 1-12-99. Tal requerimento mereceu o despacho de indeferimento. III. índice 325. e invocando o Acórdão do Tribunal Constitucional nº 254/2000. índice 235. O. de 15/4. de 10 de Maio de 2001. índice 305. com efeitos a 1-1-98. A funcionária Maria Aurora V. índice 325. e) Em 15-9-95 foi promovida a oficial administrativo principal e posicionada no escalão 4. de 2º oficial [em 1-10-89]. de acordo com a alínea b) do nº 2 do artigo 2º do DL nº 61/92. Em requerimento dirigido ao CEMFA. viu a sua carreira evoluir da seguinte forma: a) Foi integrada no escalão 4. f) Por aplicação do DL nº 404-A/98. com efeitos desde 1-1-98. de 16/10. em 18 de Agosto de 2000. da actual categoria. de 18/12. b) Em 11-7-90 foi promovida a 1º oficial e transita para o escalão 3. ora recorrido. c) Por aplicação do artigo 3º do DL nº 204/91. viii.

Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! A recorrente alega e na sua pretensão. índice 265. índice 270 [escalão 3. a violação do disposto na alínea a) do nº 1 do artigo 59º da CRP. de 18/12. índice 280 [cfr. e posicionada no escalão 3 [escalão 4. 101/107. com efeitos reportados a 30-9-95. por interpretação aplicação desconformes igualdade consagrado nos artigos 13º e 59º da CRP. e como tal posicionada no escalão 2. Vejamos se lhe assiste razão. foi promovida à categoria de assistente administrativo especial. como tal. índice 255. limitada que ficou a questão. enquanto que a Maria Aurora da Silva Duarte só ascendeu àquela categoria [oficial administrativa principal] em 15-9-95. certidão de fls. a partir de 1-12-99]. com prejuízo para a recorrente. tendo sido posicionada no escalão 4. ou seja. Analisando comparativamente a evolução da carreira da recorrente e da sua colega Maria Aurora da Silva Duarte. colocada no escalão 2. enquanto corolário do princípio da igualdade consagrado no seu artigo 13º. enfermando o acto em crise de ilegalidade. por força do acórdão do STA de fls. que. A partir daí. enquanto a Maria Aurora da Silva Duarte foi promovida àquela mesma categoria [oficial administrativa principal]. tendo transitado em 1-2-96 para o escalão 3. de acordo com a decisão. a partir de 30-9-98]. por força da aplicação das normas do DL nº 404-A/98. 13]. princípio ter da direito ao reposicionamento solicitado. por aplicação das normas do DL nº 404-A/98. à apreciação do vício invocado na conclusão 8ª da sua alegação. de 18/12. constata-se que a recorrente foi promovida em 29-11-93 à categoria de oficial administrativa principal e. que ascendeu à categoria de 1º oficial em 2-4-86. índice 285. em ao síntese. No quadro fáctico enunciado não deixa de chocar a sensibilidade jurídica a verificação do facto de a recorrente. viesse a transitar para o 2º escalão da categoria de assistente administrativo especial ! '" . com força obrigatória geral. contida no Acórdão nº 254/2000 do Tribunal Constitucional. deu-se início a um desfasamento injustificado na progressão de ambas as carreiras.

e de 23-5-2002. Ainda no entender daqueles Ilustres Professores. de 22-2-2001. os acórdãos do STA. na Constituição da República Portuguesa Anotada. como meio de se evitar o arbítrio legislativo. a pág. Como referem J. de 14-12-2000. constituindo a proibição do arbítrio um limite externo da liberdade de conformação dos poderes públicos.048. como um dos seus limites externos. cit.. Daí que. o princípio da igualdade. neste sentido. que só acedeu à categoria de 1º oficial em 11-7-90. o princípio da igualdade releva no domínio dos actos praticados no exercício de poderes discricionários.. ou seja. com índice remuneratório superior ao da recorrente. que. J. tanto as vantagens. mediante uma diferenciação de tratamento irrazoável. tão claramente violado. a que falte inequivocamente apoio material objectivo [Cfr. o princípio da igualdade é um dos princípios estruturantes do Estado de Direito Democrático e do sistema constitucional global. na perspectiva legislativa..Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! com o índice 270. enquanto. 125 e segs. proferido no âmbito do recurso nº 47. acórdãos do STA. constitui princípio estruturante do sistema constitucional global. na sua dimensão democrática. através do reconhecimento de que. viesse a ser integrada no 3º escalão da categoria de assistente especial. ! (" . O entendimento supra referido não podia deixar de encontrar eco na Jurisprudência do STA. a págs. quando a medida legislativa não tenha suporte material. Quando os limites externos da "discricionaridade legislativa" são violados. como as desvantagens ilegítimas na atribuição de direitos. exige a explícita proibição de discriminações. 128]. na vinculação directa da Administração. Gomes Canotilho e Vital Moreira. a mesma deve ser adjudicada a favor da extensão dos benefícios aos que dela foram excluídos [ob. proferido no âmbito do recurso nº 716/02]. há violação do princípio da igualdade que proíbe. aquela sua colega. à luz do mesmo diploma legal. só aí sendo fonte autónoma de invalidade quando a Administração goza de liberdade para escolher o comportamento a adoptar [Cfr. nas situações de desigualdades não fundamentadas.

nem dum novo sistema retributivo para a função pública. dando-lhe coerência e equidade. de 18/12. Porém. como acaba por reconhecer a entidade recorrida. Por forma a obviar o entendimento da Administração que vinha mantendo tais situações de desigualdade. designadamente por a norma do artigo 21º. e de 5-4-2001. estão-se a violar os princípios da coerência e da equidade que presidem ao sistema de carreiras.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! proferido no âmbito do recurso nº 46. expressamente citado pela recorrente em defesa da sua posição. no seu acórdão nº 254/2000.609]. não deixa tal violação de poder vir a determinar a sua invalidade. este indesejável e constitucionalmente vedado efeito estaria verificado. de 7/6. publicado na I série do DR. aliás. e 59º. na medida em que aí se permitia o recebimento de remuneração superior por funcionários com menor antiguidade na categoria. mas tão só introduzir mais justiça relativa no sistema vigente. de acordo com o preâmbulo do DL nº 404-A/98. violar tal princípio constitucional. se as normas jurídicas que o enformem. na situação dos autos. em desconformidade. com a respectiva promulgação não visou o legislador a criação de um novo sistema de carreiras. de 23-5-2000. o Tribunal Constitucional veio. e do DL nº 61/92. se a violação do princípio da igualdade não pode ser fonte autónoma e directa da invalidade do acto aqui praticado em estreita vinculação legal. ou a interpretação delas feita. alínea a) da CRP. a declarar a inconstitucionalidade com força obrigatória geral de normas dos DL nº 204/91. proferido no âmbito do recurso nº 46.. ao aceitar-se que um funcionário promovido em 1993 passe a ganhar menos que outra colega da mesma categoria só promovidos em 1995.607. de 15/4. com os artigos 13º. Contudo. a págs. em tudo idênticas à dos presentes autos. Na situação evidenciada nos autos. No despacho recorrido. nº 4 ter sido objecto de mera interpretação declarativa. sendo que a lei prevê a ! )" . nº 2. 2304 e segs. nº 1. 47º. por erro nos pressupostos de direito.

em conceder provimento ao recurso contencioso e. proferido no âmbito do recurso nº 0953/04. proferido no âmbito do recurso nº 01762/03. da 2ª Subsecção. de 10-11-2004. Lisboa. proferido no âmbito do recurso nº 01315/03. de 30-5-2006. da 1ª Subsecção. de 4-3-2004. é evidente que o presente recurso merece provimento. os Acórdãos do STA. proferido no âmbito do recurso nº 01873/02. da 3ª Subsecção. da 3ª Subsecção. Sem custas. de 17-3-2004. designadamente. em consequência. da 2ª Subsecção. de 17-11-2004. e de 20-2-2008. IV. proferido no âmbito do recurso nº 0988/07]. proferido no âmbito do recurso nº 0784/03.Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados Direito Constitucional e Direitos Humanos ! aplicação pela Administração dos necessários mecanismos de correcção. da 3ª Subsecção. da 2ª Subsecção. proferido no âmbito do recurso nº 01799/02. Pelo exposto. e pelo exposto. de 17-2-2004. da 2ª Subsecção. proferido no âmbito do recurso nº 01710/02. de 19-11-2003. da 3ª Subsecção. proferido no âmbito do recurso nº 0357/03. da 3ª Subsecção. de 17-12-2003. e sem necessidade de outras considerações. anular o despacho recorrido. cfr. da 1ª Subsecção. proferido no âmbito do recurso nº 059/06. proferido no âmbito do recurso nº 01502/03. de 15-12-2004. 11-3-2003. proferido no âmbito do recurso nº 0978/03. pela interpretação extensiva da norma do nº 4 do artigo 21º. acordam em conferência os juízes do 1º Juízo Liquidatário do TCA Sul. da mesma data e subsecção. DECISÃO Nestes termos. da 1ª Subsecção. em conformidade com o espírito do sistema retributivo e respectivos princípios e com a descrita finalidade do diploma legal em que se insere [Neste sentido.Relator] [Carlos Araújo] [João Beato de Sousa] ! *" . proferido no âmbito do recurso nº 01855/03. atenta a isenção de que goza a entidade recorrida. 17 de Abril de 2008 [Rui Belfo Pereira . de 20-3-2003.