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Prólogo

Minhas mãos estão cobertas de sangue e tremendo, minha mãe está em meu colo com os olhos vazios, sem vida, os lobos mataram ela, eu estou chorando, me sentindo um inútil por não poder ter feito nada, meu pai está aqui comigo, tentando me consolar, mas eu nunca vou esquecer essa cena. Entre aqueles lobos que matou ela, havia um filhote indefeso que veio me lamber enquanto minha mãe estava em meus braços, eu não conseguia por algum motivo ter raiva dele então eu o adotei. Mas isso aconteceu há três anos, hoje eu faço dezoito anos, desde aquele dia pesadelos são frequentes, mas eu continuo seguindo a minha vida nessa fazenda do meu pai, onde cortei arvores a vida inteira, meu lobo Lupin já está um pouco maior, mas eu ainda consigo carregá-lo no colo.

Cap. 01

No dia do meu aniversário meu pai, já velho com seus cabelos longos e grisalhos, tinha feito um café da tarde especial, com bolinhos que minha mãe fazia e eu adorava. Tudo estava indo bem, Lupin estava dormindo, eu estava conversando com o meu pai sobre boatos que havia ouvido durante uma visita recente que fiz à cidade, até que um grito meio distante interrompeu a conversa, meu instinto me fez levantar da cadeira e correr para fora pra ver o que tinha acontecido, pedia para o meu pai que ficasse na casa para eu averiguar o que estava acontecendo. Os gritos eram distantes e pareciam vir de uma taverna que ficava nas redondezas da nossa propriedade, eu sai correndo na direção de uma trilha em meio a mata que dava na taverna, Lupin tinha acordado com o barulho das cadeiras que eu e meu pai estávamos sentados e tentou me seguir e gritei para o meu pai segurá-lo e continuei correndo. Chegando à velha taverna que frequentávamos nos dias festivos eu vi um corpo no chão caído sobre o degrau da entrada, parecia estar

encharcado de sangue, e realmente estava, quando cheguei perto vi que era uma moça linda aparentemente com seus vinte e cinco anos, logo percebi que era Silvia, a garçonete e estava morta, e um sutil rastro de sangue apontava para a porta da taverna, sem hesitar chutei a porta que estava caindo aos pedaços e entrei, a taverna estava praticamente vazia e mal iluminada, o lugar estava revirado, mas em um canto percebi a figura de um homem com cabelo negro e vestindo um sobre tudo cor de vinho com costuras brancas, chapéu campeiro seguindo os traços de suas vestimentas, e um cigarro de palha na boca, além de tudo estava com os pés sobre a mesa na frente dele. No chão perto da mesa havia outros dois corpos aparentemente femininos e ensanguentados. Tomado pela fúria exclamei: - Quem é você? O homem simplesmente sorriu sem ao menos se mover. Então gritei novamente: -Foi você que matou essas mulheres? -Talvez... –Disse ele ainda com o sorrisinho no rosto. A fúria tomou conta do meu corpo e sem pensar saquei meu machado que estava preso a minha cintura e arremessei na direção dele com a intenção de matá-lo, nessa hora escutei o ranger do piso de madeira notando então que meu pai havia me seguido e entrado na taverna e seu rosto estava sem nenhuma reação olhando para a figura como se já o tivesse visto, quando me virei para o sujeito, ele não estava mais lá e sim encostado no balcão me observando ainda com o maldito sorriso. Eu não hesitei e desferi um soco no rosto dele, mas eu tive uma grande surpresa, pois era duro como pedra. -Se eu fosse você sairia o mais rápido possível. -Ele disse calmamente. Percebendo que eu não conseguiria detê-lo não vi alternativa a não ser a fuga, engolindo meu orgulho comecei recuar puxando o meu pai comigo, mas antes de cruzar a porta o sujeito disse: -Deixa o velho, ainda estou com fome... –Começando a andar na minha direção.

Antes de qualquer reação que eu pudesse ter ele apareceu do meu lado e me jogou na mesa em que ele estava a pouco tempo, e então eu vi a segunda cena que mais me marcou, ele pegou meu pai pelo cabelo e com seus caninos enormes como eu nunca havia visto antes mordeu o pescoço dele e nesse momento eu vi a alma do meu pai esvaecendo pelos olhos. Soltando o corpo do meu pai ele virou-se para a porta da taverna dizendo: -Essa foi a melhor refeição. Essas palavras ecoaram pela minha mente, fazendo com que a lembrança da morte da minha mãe viesse à tona, eu não tive outra reação a não ser pegar o machado e atira-lo em sua direção, mas dessa vez ele não sumiu e o machado acertou-o em cheio nas costas, ele simplesmente continuou caminhando e tirou o machado das costas, e por incrível que pareça não houve ferimento e muito menos sangue, já do lado de fora ele arremessou o machado para longe e sumiu como fumaça. E lá estava eu, em uma taverna, com meu pai morto e eu sozinho, não pensei duas vezes, peguei a garrafa de pinga que estava de trás do balcão cheio de cupins, um copo trincado e comecei a beber enquanto chorava em cima do corpo do meu pai, e assim o tempo foi passando, e eu acabei dormindo. Acordei com um homem me chutando e gritando comigo, a dor de cabeça veio a tona, minha visão estava horrível e o máximo que eu pude lembrar era de que havia bebido até desmaiar, estava de manha o que me fez perceber que eu dormi por muitas horas ali e o homem não parava de me chutar: -O que aconteceu aqui garoto? – Ele disse. Então eu percebi que era o dono da taverna, eu o tinha visto poucas vezes mas eu conseguia reconhecer seu rosto com algumas rugas e uma barba ruiva bem curta seguindo a cor do cabelo que já tinha alguns fios grisalhos. Logo após essa minha linha de raciocínio senti um grande mal estar, o homem percebeu e começou a me levar para a fossa que tinha detrás de uma porta de ferro, cheguei perto da fossa e vomitei, uma, duas, três vezes, e o homem então me deu um pedaço de pão.

Após alguns minutos eu contei a ele o estranho acontecimento e falei que não era o culpado disso, ele imediatamente concordou, pois meu pai estava morto lá, então ele disse que o melhor a fazer agora era enterrar meu pai, e foi o que fizemos, perto da taverna, mas na minha propriedade, sem cerimônia, afinal, tudo já estava feito, o velho que cuidou de mim a vida inteira estava a sete palmos de terra. Voltando para dentro da taverna eu continuei conversando com ele sobre o ocorrido até que ele disse que sabia o nome de quem havia feito aquilo: - Quem foi? – Eu exclamei. - O nome dele é Odoletan. – Ele disse levantando da cadeira e indo para um closet por trás do balcão. - O que você vai fazer? - Vou atrás dele. - Espere, eu também quero ir com você. - Faça o que você quiser, mas não conte comigo para cuidar de crianças. - Tudo bem, só que eu preciso ir à minha casa para pegar minhas coisas. - E o que você ainda está fazendo aqui? Faremos assim: quando estiver pronto vá para Heizea e me procure na Taverna do Ogro. Quando ele disse isso eu já estava correndo pela trilha voltando para a minha casa, nesse momento eu só tinha uma coisa em mente, achar o desgraçado que matou meu pai. CAP 2 Ainda meio de ressaca, encontro-me em frente à porta da minha casa, logo que entro escuto um barulho vindo do meu quarto, ao entrar vi Lupin arranhando vorazmente o chão ao lado do meu armário, tentei tirar ele de lá e acalmá-lo, mas foi em vão, então decidi seguir o instinto dele, sai da casa e peguei um machado para arvores maiores que ficava enfiado em uma tora de madeira que usávamos para cortar lenha. Então voltei para o meu quarto e comecei a golpear o chão onde Lupin estava arranhando.

Já no primeiro golpe fui surpreendido, pois o chão cedeu, revelando uma escada que dava para um sótão o qual eu nunca tive conhecimento, voltei para a cozinha e completei com óleo um lampião que meu pai havia ganhado no ano passado, chegando ao quarto procurei por Lupin, não o encontrando imaginei que já tivesse descido as escadas. Em cima do meu guarda roupas peguei uma pederneira velha e ascendi o lampião enquanto descia as escadas. No local havia tochas em locais estratégicos, certamente com a serventia de iluminarem o local, eu as ascendi uma a uma, revelando assim um quarto cheio de coisas que de caçador: bestas, estacas, anotações, mapas, mochilas e um armário. Após iluminar tudo fiquei analisando o ambiente, percebendo cada detalhe. O local era simples, mas me fascinou, havia um ar misterioso por trás de tudo, como se tudo tivesse sua própria história e tudo estava ali por um motivo. Mas uma coisa se sobre saiu a minha visão, um pequeno porta retrato sobre a mesa de anotações ao lado de um pequeno baú velho e empoeirado. Chegando a mesa peguei o retrato para olhar mais de perto, ao fazer isso me surpreendi com uma chave secreta que senti na parte posterior da pintura. Pegando a chave a analisei minuciosamente e percebi que combinava perfeitamente com a fechadura do baú. Sem enrolação girei a chave e o baú se abriu. Dentro dele havia: uma carta, um frasco com liquido verde claro e uma bússola que não apresentava nenhum ponto cardial, estava totalmente em branco. Comecei a analisar cada elemento separadamente, neste momento não poderia perder nenhum detalhe, tudo era de extrema importância. Abri o frasco senti o cheiro fresco de hortelã, fechei e deixei-o de lado, peguei a bússola, virei, revirei, e nada; também a deixei de lado. Decidi então abrir a carta para ler: “Querido Filho, Se você esta lendo esta carta, certamente eu já não caminho mais entre os que vivem, mas peço que você não se desespere. Nunca foi o meu desejo que você seguisse os meus passos, mas desde o dia em que sua mãe morreu, eu percebi que não teria outro jeito. A vida de um caçador, apesar de ser cheia de aventura, não é uma vida fácil, você encontrará muitos obstáculos e inimigos pelo caminho, mas também fará amizades de muita importância, valorize-

as, e continue a honrar o nome da nossa família. Você ficará surpreso com as coisas que irá descobrir e eu espero que nada afete a forma como você me vê. Saiba que tudo que eu fiz foi para o seu bem e o de sua mãe. A morte sempre acompanha os caçadores, por onde eles andam então não se assuste quando isso ocorrer esteja sempre preparado para apoiar os que perdem seus familiares e tenha acima de tudo, respeito como sua mãe sempre te ensinou. Seu maior aliado a partir de agora será Lupin, cuide dele, e confie sempre em seu instinto. Lobos como ele tem um senso de fidelidade diferente do que qualquer humano pode sonhar, amam intensamente os seus mestres e dariam a vida facilmente pela felicidade do mesmo. Não será difícil cuidar dele, percebo que você já o ama, e isso facilita muito. Mantenha-o sempre bem alimentado, e limpo. Existe uma raça que se intitula Sanguinários e provavelmente eu morri pela ação de um. Peço desculpas por ter escondido isso de você, mas acredito que a partir de agora você acabará por descobrir tudo. Você deve estar muito confuso com tudo isso que está acontecendo nesses últimos dias, por isso fiz questão de escrever alguns pergaminhos para te explicar melhor, estes encontram se na segunda mochila da direita para a esquerda ao lado da escada. Também deixei dinheiro em baixo do armário do meu quarto para auxiliar na sua viajem. O dono da Taverna mais próxima é Damian, ele poderá auxiliar no aprendizado das técnicas mais básicas. Enfim, desejo a você boa viajem que a sorte sempre te favoreça, cuidado em seus combates, em suas palavras, e em suas amizades. Nunca confie cem por cento em qualquer um, neste mundo de interesses e jogos de poder, todos são inimigos e parceiros em potencial, e tudo isso depende da circunstancia. Com amor, Niklaus Pierce”

Após ler a carta um pequeno brilho me chamou a atenção ao lado da mesa, era algo grande e estava coberto por um tecido furado, logo

que tirei vi que era uma besta diferente das outras que estavam no sótão, ela era ornamentada em ouro e com o que parecia ser pedras brilhantes, era muito bonita, mas quando eu tentei encostar nela parecia que estava ardendo em chamas e eu não consegui, então eu fui olhar para trás pois ouvi um barulho de vidro batendo no chão e vi que era Lupin junto a uns três frascos com resíduos de alguma coisa que eu não fazia ideia do que poderia ser, mas parecia que ele estava gostando, então eu percebi que fazia um bom tempo que eu estava ali e que deveria estar correndo para encontrar Damian em Heizea, decidi juntar tudo que eu conseguisse, peguei a única besta que eu consegui, um sobretudo comum de couro, a mochila que estava descrita na carta, alguns francos da substancia que Lupin estava bebendo e o dinheiro no quarto da minha mãe. Já fora da casa eu decidi que o melhor seria derrubá-la até porque algum dia eu gostaria de voltar com mais conhecimento e descobrir como pegar aquela besta misteriosa, então com o machado de cortar lenha que eu tinha usado para descobrir o sótão eu quebrei as quatro pilastras que sustentavam a casa e esperei ela sucumbir em escombros. Lupin ficou muito assustado com o barulho e não queria andar de modo algum, então tive que pegá-lo no meu colo e começar minha caminhada até Heizea, mas estava anoitecendo e o melhor seria eu dormir em algum lugar, então lembrei que no caminho que eu iria pegar havia um pequeno hotel de outro amigo da minha família e logo decidi passar a noite lá. CAP 3 Após alguns minutos andando e com Lupin mais calmo cheguei em um pequeno vilarejo que ficava no caminho para Heizea, era um lugar simples com um hotel para viajantes, um mercadinho, uma igreja e pequenas casas de aldeões, me dirigi então ao hotel, que parecia estar tendo um festa local, logo que entrei uma amiga que eu não via a muito tempo chamada Lyrah veio me receber: - Nicolas, você por aqui? – Ela disse com entusiasmo. Ela estava bem mais bonita que antes, com seu longo cabelo castanho-escuro, olhos verdes e uma pele que parecia poucas vezes ter sido tocada pelo sol, agora ela devia estar com um metro e sessenta, o que não mudou muito desde a última vez que a vi. Ela usava um vestido lilás com rendas brancas, uma sapatilha preta e um colar de esmeralda que combinava com seus olhos.

- Olá Lyrah, quanto tempo, você está muito bonita. – Eu disse sorrindo. - Muito obrigada Nico. – Disse ela ficando corada. - Você trabalha aqui agora? - Trabalho sim, como vai o seu pai? - Então... – Eu hesitei. - O que foi? Aconteceu algo com ele? - Podemos falar disso depois? - Sem problemas, você vai querer um quarto? - Vou querer sim mas tem algum problema meu amigão aqui ficar comigo no quarto? - Pra você é claro que não tem. – Ela disse dando um sorriso. Eu pedia a ela então que reservasse o quarto para mim enquanto eu dava um pulo no açougue para comprar comida para Lupin. Logo que eu sai fui em direção ao mercado e reparei que um anão começou a me perseguir, então eu me virei, encarei o sujeito e perguntei: - Algum problema? - What? – Ele resmungou. Eu não entendia muito bem o idioma que ele falava, mas deduzi que era inglês, eu tinha aprendido algumas coisas em inglês lendo alguns livros da minha mãe, e então comecei a falar com ele e entendi que ele iria me visitar depois no hotel, ele disse que aprenderia minha língua. Eu ri, até porque aprender um idioma novo não era coisa de um dia, mas continuei caminhando até chegar ao mercado. Chegando lá procurei o açougueiro e pedi para que separasse alguns filés de porco para o Lupin, mas o açougueiro ficou me observando e disse: - Pierce? Você é o filho do Niklaus Pierce? - Sim, sou eu. – Disse meio confuso. - Incrível você ficou muito parecido com seu pai.

Então eu pensei, “quem não conhece o meu pai?”. Depois de alguns minutos de conversa e de ter dado a infeliz noticia da morte do meu pai, ele me entregou o embrulho de carne e disse que não cobraria nada, ai eu parti de volta para o hotel. Logo que voltei passei pela recepção peguei a chave do quarto com Lyrah e subimos, ela então me veio dizer que sentia muito pela morte do meu velho e me perguntou: - Você já sabe de tudo? - Dos Sanguinários? – Indaguei na expectativa dela me esclarecer. -Sim... -Bom, eu li uma carta, mas não me ajudou muito, preciso estudar mais. -Tudo bem então. –Diz ela olhando para o Lupin. Ela pega o embrulho de carne e dá para o Lupin comer, enquanto eu vasculhava a mochila. -Preciso ir à recepção. –Diz ela já se levantando – Nos vemos mais tarde. Fiz que sim com a cabeça e vi algumas coisas interessantes na mochila, umas estacas de madeira três das quais estavam entalhadas, alguns frascos vazios, algo que parecia ser um explosivo, um canivete, um kit de primeiros socorros e um livro de mão que tinha como título O princípio. Eu já estava me preparando para tomar banho quando eu escutei três batidas na porta, estranhei o Lupin não ter ao menos desviado o olhar da comida, fui então atender e quando abri a porta me deparei com o anão que havia me seguido no caminho para o mercado, eu fiquei surpreso quando ele falou: - Posso entrar? Eu estava sem palavras, ele tinha mesmo aprendido a idioma que eu falava em apenas algumas horas, então eu o deixei entrar e começamos a conversar: - Então você é o filho no Nicklaus... - Sou eu sim. – Nem um pouco espantado em ele saber quem era meu pai. – Você era um velho amigo dele?

- Sim, já dividi muitos conhecimentos com o seu pai. - Interessante... Mas você não me disse o seu nome. - Eu sou Axel, e você deve ser o Nicolas, mas voltando ao que interessa, o homem que matou seu pai... Ignis... Pelo menos é assim que ele é conhecido. E então percebi que aquele anão de apenas um metro e quarenta, com sua longa barba ruiva e com um maquinário de engrenagens no lugar da perna esquerda sabia muita coisa a respeito do que havia acontecido, a minha descrição do sujeito combinava perfeitamente com o que ele dizia o homem na verdade era um Sanguinário como meu pai havia previsto. Axel reconheceu os dois pergaminhos presos a mochila que eu tinha deixado sobre a cama, e saindo do quarto disse: - Não vou te dizer mais do que sei, pois esses pergaminhos contêm as respostas, e não há nada melhor do que o prazer do aprendizado. Se precisar eu estarei na recepção, já que não durmo mesmo... – Disse ele enquanto fechava a porta. Olhei Lupin e ele estava dormindo, comecei a tirar a roupa para tomar um banho rápido e ler o que tinha nos pergaminhos, estava muito curioso, não só pelos pergaminhos, mas também por esse anão que era totalmente diferente de qualquer outra pessoa que já tinha visto, ele tinha um ar enigmático, porém não apresentava ameaça. Terminei o banho o mais rápido que pude, e enquanto colocava a roupa já fui desenrolando os pergaminhos na cama. Nos pergaminhos haviam os seguintes escritos: “Sanguinários Criados por magos dominadores de sangue com o intuito de dominarem o mundo, estas criaturas são consideradas pelos mesmos, evoluções da raça humana, porém é uma raça totalmente diferente, não possuem as mesmas necessidades que os humanos, vivem de sangue, o sangue os dá poder. É uma raça gananciosa, que nunca se satisfaz, logo a rebelião contra os mestres foi inevitável, milhares de magos foram mortos, e a raça logo virou uma praga. Existia porem cinco grandes magos que conseguiram impedir uma maior expansão desta raça, estes magos decidiram se espalhar pelas terras do mundo fundando cidades nos quatro cantos para

impedir que os sanguinários atacassem a população e uma cidade central para governar sobre todas as outras, pois sem se alimentar, logo eles pereceriam. Mas não foi bem assim que ocorreu, os Sanguinários conseguiram grande influência no submundo, alcançando seguidores e adoradores por todas as cidades, pessoas que se sacrificavam para a continuação da praga. Os magos perceberam que a realidade não estava de acordo com os planos e então decidiram contratar pessoas para caçarem os lideres da raça, a origem da praga. Foram contratados de inicio cem caçadores reais dos quais foram todos devorados e mortos pelos monstros, então os magos decidiram que era hora de combaterem com tudo, convocaram um aldeão de cada uma das grandes cidades e assim deram poderes a eles, estes seriam os Caçadores do Rei, porém hoje restam apenas dois. Niklaus e Damian, mas o paradeiro dos mesmos ainda é desconhecido. Com a Morte do segundo Caçador do Rei, os Magos desistiram de tentar, fizeram algo que até hoje é discutido e condenado por aldeões do mundo todo. Decidiram abafar o caso, promoveram uma busca por todos os livros já escritos sobre a raça e proibiu os pais de ensinarem sobre eles para seus filhos, queimaram todas as fontes de informação que encontraram. A esperança agora esta nas mãos dos dois caçadores que restam... Que a sorte esteja sempre a favor deles. Niklaus Pierce & Axel Brownstone” E o segundo pergaminho: “O submundo. As informações contidas nesse pergaminho não são de total confiança, o submundo é um assunto rodeado de boatos e incerteza. Nos tempos em que foram reunidos os cem caçadores, começaram a aparecer boatos de que havia um complexo subterrâneo que servira de abrigo para os sanguinários e seus seguidores, mas muitas dessas informações acabavam se desencontrando, porque alguns não tinham certeza do que viam pois o medo tomava conta de seus corpos, outros levavam consigo para o túmulo as informações que obtinham, mas os grandes magos sempre acreditaram e também nunca tiveram

certeza e muito menos divulgaram tais boatos para a população chegando até a perseguir quem falasse sobre esse assunto. Porem os dois últimos Caçadores dos Rei disseram que sabiam como entrar nesse submundo e que ele realmente existia, mas eles sumiram após a morte dos primeiros dois Caçadores, Desmond e Ajax fazendo com que esse assunto ficasse sepultado por anos e só tornando possível a sua redescoberta por esse pergaminho. Damian Wolffang & Niklaus Pierce” Após a leitura dos pergaminhos senti que precisava urgentemente falar com Axel, lembrei-me do que ele disse sobre não dormir, então destranquei a porta do meu quarto e desci correndo para a recepção, onde senti o ar mais pesado, difícil de respirar então olhei para o balcão onde Lyrah estava dormindo apoiada nos próprios braços e Axel estava lendo um livro com muitas páginas e cada linha em que ele passava o dedo emanava uma pequena luz roxa. Chegando mais perto pude perceber que era um idioma que eu desconhecia, fiquei me indagando o porque dele estar lendo aquele livro até que ele interrompeu meu pensamento: - Élfico... – Disse ele. - Claro, mas enfim, eu li os pergaminhos... - E o que achou? - Bem interessantes, porém não satisfizeram totalmente minha curiosidade, afinal, como se mata um “sanguessuga”. - Estacas de madeira, virotes de caçador, enfim essas coisas – Enquanto fechava o pesado livro. Assim que o livro foi fechado o ar instantaneamente se tornou mais leve, comecei a respirar sem muito esforço e perguntei: - Como faço pra chegar rápido a Haizea? - Bom... Um guarda municipal me deve um cavalo, mas você pode ficar com ele. -Mas como farei com Lupin? Eu não consigo levá-lo comigo no cavalo e não posso deixá-lo aqui!

-É, parece que terei que ir com você. –Disse o anão já se levantando da cadeira e guardando os seus livros. -Quando pretende ir? -Agora mesmo, se espera chegar em Haizea rápido, não temos temp a perder. -Mas eu não conseguirei chegar lá sem antes... - eu dizia até ser interrompido. -Tome isso. – Disse Axel me estendendo um frasco pequeno cheio de um liquido amarelo. -Mas o que é... – Fui interrompido novamente. -Poção para tirar o sono. Sem mais demora peguei o frasco, subi ao meu quarto e peguei minhas coisas: mochila, pergaminhos, livro, bestas e o Lupin. Descendo as escadas peguei um pedaço de papel no balcão e com uma pena escrevi: “Querida Lyrah Foi muito bom te rever, espero que o vento nos una novamente no futuro, afinal, nos dois sabemos que nossos corações estão predestinados a ficarem juntos, independente do porvir. Nicolas Pierce” Coloquei a carta entre a Lyrah e o balcão, onde tinha certeza que sua baba não alcançaria, e sai do hotel seguindo o anão. Chegando nos portões da aldeia Axel percebe que o guarda esta dormindo e vai logo tirar satisfação: -Isso é hora de dormir? – Exclama o anão com um tom muito sério em sua voz. O guarda acordou meio assustado, esfregou os olhos e ficou em posição de alerta quando viu que era Axel na sua frente: - Desculpa senhor, o que deseja? - Você está me devendo um cavalo, está lembrado? – Disse Axel estendendo a mão.

- Claro que eu me lembro. – Estendendo a mão. – Aqui está a chave do estaleiro, pegue o cavalo que o senhor quiser. Axel pegou as chaves e caminhou até o estaleiro e eu o segui com Lupin no colo ainda dormindo. Chegando ao estaleiro, o anão abriu o cadeado, e fez um gesto sugerindo que eu entrasse com ele, eu vi vários cavalos brancos, mas só tinha um cavalo negro que por sinal era o maior e mais forte, Axel escolheu esse e pediu para que eu escolhesse um dos outros. Peguei o mais forte dos outros cavalos e então o anão mostrou sua mágica, ele montou no cavalo e saiu do estábulo, a para minha surpresa o cavalo tinhas as pernas traseiras mecânicas como a dele , e sobre essas pernas havia uma espécie de compartimento que Lupin cabia perfeitamente, parecendo até que foi feito sob medida para ele. Entreguei o lobo e ele o acomodou como pode. Montei no cavalo e saímos do vilarejo nesse momento Axel retira um chapéu de sua mala e quando o Poe sobre sua cabeça começa arder em chamas se transformando em um Elemental de fogo, e não... Não fiquei surpreso, afinal havia acontecido tanta coisa diferente em dois dias que eu já esperava algo do tipo. Seguimos viajem, por entre a floresta, no amanhecer Axel voltou a forma normal. No caminho havia árvores enormes beirando os vinte e cinco metros, fazendo com que a luz raramente tocasse nossa pele fria por causa orvalho que caia pela manhã. Quando começamos a ouvir o cantar dos pássaros vimos de longe o grande portão Sul de Haizea, e há algumas centenas de metros antes de cruzarmos os portões o anão disse: - Não posso entrar com você. - Por quê? - Preciso voltar, eu tenho família naquele vilarejo. - Eu não sabia que você tinha uma família. É melhor voltar logo então. - Sim, mas antes pegue essa comida para o lobo. – Ele tira uma barra de ração da sua mochila. – Essa barra é concentrada e vai durar por muito tempo como comida para Lupin, e tem mais uma coisa, peça para Damian te levar até Kat’hal, ele vai saber quem é.

- Tudo bem, muito obrigado, espero te encontrar em breve – Disse acenando para Axel. - Não se preocupe, nossa história ainda vai ter muitos capítulos. CAP 4 Cruzei então os portões de Haizea, a cidade era abarrotada de pessoas, orcs, minotauros bufantes e qualquer outra raça que se pode imaginar, o fluxo era intenso, multidões entrando e saindo, uma pequena brisa soprava ao redor do meu corpo como se a cidade me aconchegasse, existiam inúmeras placas indicando vielas, caminhos, ruas e avenidas, e sempre em dez, quinze idiomas diferentes. Olhando para o centro podia-se ver uma enorme torre, com raios e nuvens carregadas pelo vento que ficava soprando em volta da mesma, era a residência em que o grande mago dos ventos ficava, mas antes que eu me perdesse totalmente pelas novas sensações e experiências que esse local me proporcionava, comecei a ler as placas mais atentamente para achar a taverna do orc, onde deveria encontrar Damian. Após esbarrar em inúmeras pessoas, escutar orcs mesmo escorregar em uma poça de gosma que parecia uma lesma soltou, eu consegui avistar de com a imagem de um orc segurando uma caneca comecei a andar naquela direção até que estava em estabelecimento. me xingar e até um sujeito que longe uma placa de cerveja, logo frente a porta do

Parecia ser um lugar bem conhecido, na porta havia uma multidão, todos se esbarrando, sem o mínimo de ordem ou organização. Tentei me espremer entre dois elfos, onde vi uma brecha, mas minhas costas largas não permitiram, então decidi esperar até que abrisse uma brecha maior, o que não demorou. Quando atravessei a multidão me deparei com uma taverna aparentemente nova e lotada, porem não tardei em avistar Damian que estava no canto da taverna com o mesmo sobretudo preto com o qual havia saído do vilarejo. Vi que muitos olhavam pra ele, admirados, afinal ele foi um caçador do rei, um herói para muitos, mas a geração mais atual não sabe o que eles foram, somente as pessoas mais velhas tem conhecimento do que eles se tratavam e da fama que eles tinham. Fama que eu, lógico, queria um pouco, então peguei o meu pequeno machado da cintura e arremessei em direção a Damian, para todos verem que eu o conhecia, e ele com um único movimento preciso segurou o

machado com uma das mãos, apontou o dedo pra mim e fez um sinal para eu me aproximar dele, sem mais delongas me dirigi ate a mesa com todos me olhando e se perguntando quem eu era, fiquei imaginando o quanto iriam ficar surpresos se soubesse que sou filho de Niklaus Pierce. - Achei que iria demorar mais. – Disse Damian. - Bom dia para você também, e digamos que eu tive uma pequena ajudinha. – Eu disse enquanto sentava.– E sobre Ignis, alguma noticia? - Uma mulher aqui da cidade disse que seu marido foi atacado por um Sanguinário, mas deixaremos isso pra amanha, afinal voce precisa descansar, não se preocupe com o local para ficar , pois aqui tem alguns quartos, e antes que eu me esqueça, você viu a besta no porão da sua casa? - Sim, mas me conte, como sabe dela? Você a viu quando ainda falava com meu pai. - Eu nunca deixei de falar com seu pai. – Ele disse, mas sem olhar diretamente para mim. E antes que eu pudesse continuar minhas perguntas uma linda garçonete com um belo par de olhos azuis se aproximou e Lupin que estava no meu colo começou a abanar o rabo: - Vai querer algo para beber senhor? – Ela disse com uma voz suave. - Vou querer pinga e sua compania mais tarde se puder. – Respondi. - Nicolas... Já se esqueceu de Lyrah? – Disse Damian com uma expressão séria. - O que tem de mais eu chama-lá para me acompanhar, afinal eu não tenho nada concreto com Lyrah, e pelo seu comportamento já deve ter tido um relacionamento com ela. Ele não mudou sua expressão mas dava pra ver em seus olhos que ele já havia gostado, ou até ficado algumas vezes com a garçonete, que quase de imediato trouxe a minha pinga. Ela então foi atender outro cliente e eu virei a pinga de uma vez, enquanto Damian resmungava sobre o estado que ele me encontrou na taverna em que ele era dono, e que não queria mais ver aquela

cena, eu disse pra ele se acalmar e logo pedi outra dose e ele não quis deixar a garçonete pegar: - Você não vai beber mais. – Disse ele. - Tudo bem então – Eu disse meio que relutando. - Agora que o movimento aqui na taverna diminuiu eu vou pra um quarto lá em cima. Me levantei e pisquei para a garçonete que deu um sorriso inocente confirmando que iria no meu quarto, logo que que virei na direção das escadas Damian segurou o meu braço e olhando no fundo dos meu olhos disse: - Você vai mesmo fazer isso com Lyrah? - Ué eu nem namoro ela, e tem mais, você fez o mesmo com sua mulher. – Retruquei. Eu vi a raiva em seus olhos, mas ele não fez nada apenas soltou me braço e deixou eu seguir para as escadas e quando eu pisei no primeiro degrau eu ouvi: - Você é metido igualzinho seu pai, tanto é que não consigo entender como seu pai teve tantas amizades. – Era Damian falando. Eu nunca deixava ninguém falar mal do meu pai, a raiva tomou conta de mim, eu estava prestes a avançar nele mas pela primeira vez eu tive que recuar, eu precisava dele por enquanto, senão não conseguiria sozinho pegar Ignis, e eu também queria informações, ele conhecia bem o meu pai caçador, eles viveram bastante coisas juntos e do nada pararam de se ver constantemente, então só posso deduzir que algo aconteceu, só não sei exatamente o que. Com Lupin no colo subi as escadas e no longo corredor com vários quartos vi que uma porta estava com um papel preso com um prego escrito meu nome, deduzi que Damian já o havia reservado, girei a maçaneta e abri a porta. O quarto era simples, todo de madeira com uma cama de casal, um pequeno baú para colocar mochila, roupas e etc, um banheiro que fedia um pouco de mofo e que tinha uma parte feito de pedra, para aguentar o calor de uma pequena lareira que servia para esquentar a água em um balde, havia também uma escrivaninha com uma cadeira simples que estava rachada na base.

Enquanto sentava na cama já fui abrindo a mochila para pegar carne pra Lupin que não parava de pular na cama esperando por comida, e não esperou muito, logo tirei alguns bifes e joguei em um canto, e ele logo saiu correndo riscando a madeira com suas unhas, e antes mesmo que eu começasse a me preparar para tomar banho escutei três batidas na porta e vi a garçonete que tinha me antendido antes entrar mesmo com a porta trancada. - Como você entrou? – Perguntei surpreso. – Eu tranquei a porta quando entrei. - Pra isso que servem os baús, nós que trabalhamos aqui temos as chaves de todas as portas. Mas e sobre a proposta que você me deu lá em baixo, vamos começar? Eu me levantei e fingi que ia beijá-la, e quando eu quase a beijei tomei a chave de sua mão e tranquei a porta. - Então você tem medo de alguém entrar. - Não é bem isso, deixa eu ser direto, você já teve algum relacionamento com o Damian não? – Perguntei. - Sim , mas isso já faz um tempo. - Me conte o que sabe sobre ele. - Desculpa mas eu não posso. Então eu não tive outra escolha, peguei com as duas mãos na blusa dela coloquei-a contra a perede e disse: - Você vai me dizer o que sabe sobre ele ou prefere amanha estar a sete palmos de terra? – Enquanto Lupin começava a rosnar. Ela ficou pálida e começou a tremer, até porque o que seria um encontro pra ela agora se tornou um pesadelo. - Calma, não faça isso eu falo o que você quiser. – Disse ela ofegante. Eu parei de força-la contra a parede e a coloquei na cama para se acalmar, peguei um pouco de água que tinha em uma pequena garrafa na minha mochila e entreguei para ela beber, logo ela começou a me dizer que tinha um história dele ter roubado alguma coisa do rei quando era caçador e disse também uma coisa que podia explicar tudo:

“Ele e um tal de Nicklaus foram expulsos da cidade principal, por ter feito isso.” Eu já não gostava muito de Damian mas agora eu relamente odiava ele, ele fez meu pai ser expulso pelo próprio rei, mas antes que tomasse qualquer atitude eu mandei a garçonete ir embora, mas antes de ir ela disse: - Eu esperava outra coisa de você. - Já eu esperava exatamente o que me disse, e se você disser alguma coisa para Damian eu vou atrás de você e vou te matar. Eu devolvi a chave dela que rapidamente se retirou, eu tinha sido duro com ela, mas se não fosse ela iria falar pra ele, e não eu não teria coragem de matá-la, mas foi uma ameaça necessária. Após isso eu fiquei tremendo, não sei de raiva, ou por causa do fato de que não poderia falar nada com Damian sobre o que eu ouvi no quarto, afinal ele que vai me levar até Ignis, e só após isso eu poderei acertar as contas do meu pai com ele. Quase não dormi aquela noite, Lupin muito pelo contrário, desmaiou e só acordou com o barulho que eu fiz arrumando a mochila, e peguei o restante de carne e dei pra ele que comeu rapidamente, então peguei-o no colo e sai do quarto, arranquei o papel, o joguei no chão e comecei a descer as escadas e por incrível que pareca Damian estava na mesma posição, como se tivesse dormido ali ou algo do tipo. Logo que começei a andar em direção á mesa em que Damian estava vi a garçonete que logo desviou o olhar, o que não era bom, afinal, isso poderia me entregar, mas quando cheguei a mesa Damian conversou normalmente comigo: - Como foi sua noite? – Ele perguntou. – Espero que tenha sido boa pois hoje o dia vai ser longo. - Não dormi direito, mas estou bem disposto para o dia de hoje. - Tudo bem então vamos logo. Damian se levantou, pegou sua besta e começou a andar em direção a porta, eu que estava andando atrás dele, seguindo-o não aguentei, puxei ele pelo ombro e olhando nos olhos dele disse:

- Você roubou alguma coisa do rei não foi? Por isso que quase não se encontrava com meu pai? Ele me olhou espantado, mas ao mesmo tempo, se virou e disse: - Você não sabe de nada garoto... - Foi por sua causa que meu pai foi expulso da cidade principal! Ele então se virou novamente me pegou pelo colarinho e me prensou contra a parede: - Eu já disse e não vou repetir, você não sabe de nada garoto! Não sei quem te contou isso, mas só tenho uma coisa a dizer, só quem estava lá na hora soube o verdadeiro ocorrido, e seu pai deveria me agradeçer, pois era pra eu e ele ter sido degolados em praça pública. - Então você agora está tentando se inocentar, dizendo que salvou a vida do meu pai, mas se não tivesse roubado o rei voces não teriam nem sido expulsos. – Retruquei. Ele balançou a cabeça com os olhos fechados, com uma expressão que dava a entender que eu não havia entendi e continuou andando em meio as pessoas, monstros e aquelas variadas criaturas. Eu estava confuso, pois Damian não iria falar aquilo á toa, tem mais alguma peça do quebra cabeça, pois as coisas não se encaixavam, e antes que perdesse ele de vista em meio a multidão começei a seguilo, e quando cheguei perto dele disse: - Tem alguma coisa que está errada nessa história, você pode não querer me falar agora mas eu vou descobrir. Ele nem ao menos moveu seu rosto e cotinuou andando como se não tivesse escutado nada. CAP 5 Após alguns minutos andando estávamos em frente a um açougue, mais precisamente o açougue do orc, bem pelo menos era o que dizia a placa em cima da porta. Quando me dei conta Damian já havia entrado e eu sem deixar a porta bater na minha cara entrei em seguida, o local tinha um cheiro muito forte de sangue, e atrás de uma bancada que ficava no centro de duas vitrines com quilos e quilos de carne estava um orc, enorme e verde, com brincos, caninos inferiores que saiam da boca e olhos

totalmente vermelhos, Damian fez um sinal com a mão para segui-lo, e então ele foi em direção á uma portinhola enquanto o orc balbuçiava uma língua que eu não entendia mas dava a nítida impressão de que estava bravo e xingando, mas Damian sem se incomodar entrou e eu o segui. Logo que passei a portinhola me deparei com um campo gramado, muito extenso, com uma mansão bem ao fundo, Lupin nessa hora quase pulou dos meus braços, havia muitas árvores em volta do campo e flores também, era difícil acreditar que atrás daquele açougue horrível havia um lugar tão belo. Ouvi um barulho de dobradiça velha se mexendo, era o orc entrando, que continuava a balbuciar até que Damian que estava sentado o tempo todo olhando para o céu azul acima de nós disse: - Eu já entendi Ka’Thal, mas você nem ouviu o que eu tenho para dizer. Então o orc parou de falar, e o mais impressionante estava por vir, o orc fez alguns movimentos com as mão como se fossem símbolos, e em seguida o orc começou a se desmanchar até o chão revelando um velho mago que estava por baixo dele, nem precio dizer que meu queixo foi parar no chão. Eu então olhei pra Damian me perguntando, o que aconteceu aqui? Mas ele nem ao menos se deu o trabalho de ficar impressionado, até que desviou o olhar pra mim e disse: - Eu sabia, agora pode parar de olhar pra mim achando que eu também devo ficar impressionado. Eu olhei novamente pro mago que disse: - O que você quer aqui Damian, eu disse que não queria mais te ver, afinal eu temos um acordo. Bem nesse momento em que o mago falou “acordo”, já imaginei que deveria ser algo relacionado ao problema dele com o rei. - Eu preciso treinar esse garoto. – Disse Damian. - Mas quem é esse garoto? Eu não treino ninguém mais. – O Mago respondeu. - Mas se voce lembra do nosso acordo voce vai sim treinar o garoto.

O velho então ficou o olhar em mim, e levantando as sobrancelhas disse: - É ele? O filho de Nicklaus? - O próprio. – Respondeu Damian. Bem pelo menos o fato dele me conhecer, ou conhecer meu pai sem ao menos ter me visto uma única vez não me surpreendeu. - Bem... Acho que devemos começar o mais rápido possível, porque voce me disse que só o traria aqui se um dia Niklaus falecesse. Eu sinto pelo seu pai garoto. - Nicolas Pierce. – Eu retruquei. - Pelo menos o jeito metido do seu pai você herdou. – Disse Ka’Thal enquanto dava uma risadinha. Então o mago ficou de frente ao enorme campo e fez mais gestos com a mão e uma porta desceu o nada e aterrisou no gramado, Ka’Thal então pediu para eu e Damian entrar na porta. Logo que atravessamos o portal senti minha mochila ficar bem mais pesada, Ka’Thal percebendo meu esforço disse: - Tudo que entra aqui fica mais pesado, afinal que graça teria treinar nesse lugar. O espaço era todo azul bem claro, como se estivessemos no sol do meio dia no verão, mas o chão era cinza, sendo assim o único modo de distiguir o céu do solo. Damian logo que entrou, sentou-se em um banco de pedra que tinha ali perto e Lupin logo pulou e correu para perto do banco onde se sentou, Ka’Thal pediu que eu deixasse minha coisas do lado do banco e pegasse só a minha besta, eu obedeci, ele então andou uns trinta passos e de longe começou fazer gestos com a mão novamente até que uma nuvem de fumaça o encobriu, revelando Odoletan. Eu fiquei confuso na hora, não sabia o que fazer, era mesmo o desgraçado que matou meu pai? Tudo isso é uma armadilha? Mas antes que eu pudesse tirar mais alguma conclusão Odoletan, apareceu no chão é minha frente e me deu uma rasteira, se levantando e colocando o pé em cima do meu peito. - Você não vai mesmo reagir garoto? Ele disse.

Garoto... Não era Odoletan, mas Ka’Thal na forma do mesmo, afinal ele só meu chamou de garoto até agora. - Bem, acho que teremos que começar pelo mais básico, você não ensinou nada pra ele né Damian? – Enquanto tirava o pé do meu peito. Damian estava lendo um jornal que ele pegou no caminho para o açougue e nem ao menos se mexeu. Ka’Thal então pediu para eu me levantar e foi se afastando novamente de mim e rapidamente se transformou em outro sanguinário qualquer. - Aponte a besta para mim! – Disse Ka’Thal. Eu então com dificuldade apontei a besta para ele e um virote começou a se formar na besta, que logo em seguida estava pronta para atirar. - Viu? Toda vez que você apontar para um sanguinário um virote vai aparecer, agora vamos começar a brincadeira! Ele saiu correndo na minha direção, eu de reflexo disparei o virote, Ka’Thal desviou do mesmo e então pulou para me acertar com um chute, eu para me defender coloquei a besta na minha frente, ele então chutou a besta e com o impulso do chute se afastou um pouco de mim. - Pelo menos reflexos você tem. Eu então puxei o pequeno machado da minha cintura e atirei na direção dele, que segurou o machado com a mão, mas ele não esperava que eu rapidamente com um impulso escorregasse para perto dele, e foi o que eu fiz, quando ele abaixou o machado que ele tinha pegado eu estava deitado no chão peto dele com a besta apontada para seu rosto e o virote se formando, mas antes que eu pudesse puxar o gatilho um virote bateu violentamente na minha besta arremessando-a para longe. - Então seu pai já te ensinou algumas coisas. – Disse Damian segurando a besta dele na minha direção. Ka’Thal então me ajudou a levantar e voltou a sua forma normal enquanto nos aproximávamos de Damian.

- O que mais você aprendeu com Nicklaus? – O mago perguntou. - Bem, meu pai sempre tinha medo de alguem aparecer para roubar nossa casa, então ele sempre me treinou com machados para proteger minha mãe caso algum dia isso fosse necessário. - Mas você nunca tinha usado uma besta? - Nunca. - Aprendeu rápido então. Ka’Thal disse que não havia necessidade de me treinar, Damian então viu que precisávamos seguir em frente, peguei minhas coisas e Lupin que estava dorminado novamente e saímos daquele lugar o qual eu havia passado só meia hora. - Muito obrigado Ka’Thal, espero te ver mais vezes. – Eu disse enquanto me despedia dele pela porta do açougue. - kwark ghuar’l nchöw pshka. Realmente a lingua orc é uma coisa muito estranha, Damian se despediu com um aceno e seguimos viajem, mas antes de sairmos da cidade precisávamos visitar uma mulher que disse que o filho dela foi atacado por um sanguinário. CAP 6 Caminhamos pela cidade como se morassemos alí já a um bom tempo, seguindo por becos e ruelas escondidas. Em poucos minutos, já estavamos em nosso destino, Damian bate na porta: - Lina! Uma mulher de no maximo trinta e oito anos abre a porta o suficiente para ver o ser rosto, e perceber o rastro de lagrimas recem secadas, um olhar de angustia, pesar e ódio. - Entre – Disse com a voz fraca. Damian, sem cerimonia, entrou parecendo procurar o menino. A mulher cujo nome eu conclui que fosse Lina apontou para uma porta entreaberta e o caçador foi logo entrando, eu decidi ficar na sala, não tinha intimidade com a mulher, e nem conseguia imaginar o tamanho de sua dor.

A sala me lembrava minha casa, tinha uma mesa para as visitas sentarem no centro e na lateral esquerda uma janela que ocupava metade da parede, na parede que se opunha, havia um quadro que parecia representar a mulher seu filho e seu marido, a mulher de estatura média, cabelo ruivo, e corpo bem avantajado, o filho não perdia em altura, cabelos negros como do pai e um porte atlético, já o pai, pouco menor que o filho já estava em meados do seu 40 ano, parecia ter uns 35. Após alguns instantes de conversa, Lina sai do quarto e Damian segue me dando sinal para levantar. Caminhando para a porta eles me esclareçem que foi o Ignis, o causador do problema, e isso só alimentou minha ira. Minha vontade de matar aquele sangunário estava incontrolável. Saimos da casa de Lina e estavamos seguindo rumo a taverna em que estavamos hospedados, mas chegando a porta percebemos uma certa comoção la dentro. Damian foi na frente para ver o que estava acontecendo e grande foi nossa surpresa quando um guarda real, trajando uma armadura dourada com os simbolos da cidade central o olhos nos olhos e disse: -Damian, o rei demanda sua audiência. Sem muito o que fazer, Damian então segue para seu quarto pegar suas posses para partir em viagem. -Eu não vou. Eu disse sabendo que isso só atrasaria minha vingança. -Tudo bem, não deve ser nada muito importante – Retucou o caçador- devo estar de volta em um mês. Fiz sim com a cabeça e fui para o meu quarto tambem, recolher meus pertences, já que a pessoa que estava me bancando ali na taverna estava de saida, eu teria que arrumar outro lugar para dormir. Depois de se dispedir e pagar a conta na taverna Damian saiu seguindo o guarda real em seu cavalo. “Cada pessoa tem um histórico que é impossivel reproduzir em palavras... por isso nunca saberei o que esse caçador já passou, logo nunca irei o intender”, foi o que passou pela minha mente ao vê-lo partir. Segui então rumo a floresta, já que estava sem dinheiro para alugar algum aposento e nem comprar comida, com Lupin sempre a na minha cola. Decidi dormir na floresta alem de tudo, por que eu não

confiava plenamente nas pessoas daquela cidade. Arrumei um canto pra mim e comecei, depois de comer alguns grãos e ter alimentado o Lupin, a me deitar. Antes do sol tomar sua forma completa e sua força total, fui acordado pelos latidos de Lupin, algo estava errado. CAP 7 Me levantei rapidamente sacando minha besta e mirando rumo ao latido, e fui surpreendido por um outro Lobo, carregando Lupin pela pele, como faria uma mãe de lobo ao seu filho. Mirei a besta na fera mas não apareceu virote algum! Foi ai que lembrei que a besta servia apenas contra sanguinários. Colocando a besta no chão, e sem muito o que fazer tentei me aproximar da fera lentamente, ela por sua vez virou as costas e começou a caminhar na outra direção. Fui seguindo o lobo, para ver onde eu ia parar, já que Lupin não parecia estar sendo machucado. Depois de uma hora de caminhada o lobo finalmente parou, em um lugar que parecia ser uma alcateia... Haviam tendas espalhadas e fogueiras com carne rodando sobre as brasas vermelhas, varais com roupas estendidas, todas de couro. Pessoas normais, porém mais altas um pouco, cerca de meio, se não um palmo de altura a mais que qualquer pessoa que eu já houvesse visto. As pessoas caminhavam de um lado para o outro, haviam lobos por toda parte, brincando um com o outro. Lobos brancos, marrons, acinzentados e negros, todos juntos e misturados. Imediatamente eu lancei ao chao todas minhas armas e aparatos de prata para não assustar as feras e acabar me dando mal. Caminhando para dentro da “alcateia” eu vi como um vulto, ou um passe de magica um Lobo se transformando em uma pessoa. Como eu já disse, poucas coisas me assustam agora, depois de tudo que passei, aprendi a aceitar o que acontecer. O lobo que carregava Lupin entrou para a que parecia ser a maior tenda da “alcateia” e eu o segui. Sentado em uma mesa havia um homem que parecia estar estudando uma espécie de mapa. - Olá – Eu disse na esperança dele me tirar alguemas duvidas mais recentes- quem é você?

- Quem é apenas um disfarçe que precede o “que” e o que eu sou é o macho alfa dessa aldeia, e isso era na verdade sua próxima pergunta, então antes que continuemos este dialogo, vamos ouvir as palavras de quem te trouxe aqui. Disse apontando para o lobo que carregava Lupin. - Achamos o... – Diz a forma humana do lobo com Lupin em seu colo, uma moça de não mais de 17 anos, com cabelos castanhos como os da sua forma de lobo e olhos amarelos. – lobo que sumiu a alguns anos!! - Muito bem Chrys, traga o aqui. – respondeu o chefe da aldeia. - Esse lobo, ele tem nome, é Lupin, e sou eu o guardião dele! – Bradei com medo do que poderiam fazer com meu parceiro. -Não tema meu caro – Dizia o lider olhando-me nos olhos – eu consigo sentir o quanto ele gosta de você, que bom que achamos ele, ele esta quase na idade de começar com os treinos. - Seu nome senhor macho alfa? – Falei em um tom curioso. - Fenris. Eu já tinha ouvido esse nome em algum lugar, mas preferi não comentar. Sentei no chão ao lado de Chrys e conversei com Fenris por longas horas, até que o almoço ficou pronto e então continuamos conversando sobre lobos e sanguinários e sobre o Ignis e sobre como fui parar ali naquela floresta e sobre minha missao de vingar minha mae e meu pai. Fenris ofereceu abrigo para mim e Lupin, já que Lupin tinha que receber os treinamentos devidos, e eu não sabia a primeira coisa sobre treinar um lobo, decidi pelo bem geral, ficar, quem sabe não aprendesse algumas técnicas com eles!