You are on page 1of 24

55 Teses de Defesa

Professor Rodrigo Almendra
As principais teses de defesa para a segunda fase do Exame da Ordem relativas a Direito Penal e a Direito Processual Penal, com resumos, esquemas e gráficos.

Espaço Jurídico Cursos Facebook.com/ralmendra

Setembro de 2012

55 TESES DE DEFESA PARA A 2ª FASE DO EXAME DA ORDEM
Prof. Rodrigo Almendra Embora seja comum apresentarmos as teses de defesa como as adotadas pelos advogados criminalistas, não se pode duvidar que, por vezes, a atuação do profissional é acusar (crimes de ação penal privada ou mesmo atuando como assistente do ministério público nos crimes de ação penal pública). A acusação preocupa-se em provar os elementos do crime (fato típico, fato antijurídico e agente culpável), em zelar pela regularidade do rito processual (evitando-se assim alegações de nulidade) e em prevenir a extinção da punibilidade (acelerando o andamento da ação e evitando o desaparecimento de provas). A defesa, por outro lado, deve ser exercida com a máxima técnica e, nesse sentido, deve observar se há qualquer causa de exclusão dos elementos do crime, nulidades processuais ou hipóteses de extinção da punibilidade. A tabela em anexo enumera, de forma organizada, 55 teses de defesa criminal (principais). 01. COAÇÃO FÍSICA A diminuição da liberdade de escolha por meio de violência física ou moral (grave ameaça) é chamada de coação. Quando o constrangimento é físico, fala-se em coação física; quando é psicológico, fala-se em coação moral. O tratamento dado à coação física é diverso do que foi conferido à coação moral. A coação física é causa de exclusão da voluntariedade (elemento da conduta) ao passo em que a coação moral (tese de nº 24) é causa de exclusão da exigibilidade de conduta diversa (elemento da culpabilidade). Voluntariedade é o domínio da mente sobre o corpo. Se você está sentado, nesse instante, lendo esse manual, então é porque sua mente controla seu corpo (inclusive seus olhos) e é possível ficar assim, quieto, simplesmente lendo... Isso se chama voluntariedade. Obseve que voluntariedade não é sinônimo de vontade. É possível fazer algo mesmo sem vontade, tal como tomar um remédio amargo para ficar curado de uma doença. Trata-se, nesse exemplo, de uma conduta voluntária (mente controla o corpo para levar o remédio à boca), mas realizado sem vontade (sem prazer, sem divertimento imediato).

A coação física retira a voluntariedade. Amarrado, empurrado, arrastado o agente deixa de controlar o movimento de seu próprio corpo e passa a funcionar como marionete de outra pessoa (chamada de coator). Assim, seus atos deixam de ser voluntários e, por conseguinte, deixam de ser relevantes penalmente. A voluntariedade é um dos elementos da conduta que, por sua vez, é desdobramento do fato típico. Assim, sem voluntariedade não há conduta e sem conduta não há fato típico. Moral da história: a ausência de voluntariedade pela coação física é causa de exclusão do crime e, portanto, boa tese de defesa. 02. ATOS REFLEXOS Os atos reflexos são da mesma escola da coação física, ou seja, também são considerados causa de exclusão da voluntariedade. São reflexos os atos que a mente não controla, tal como fechar os olhos ao espirrar ou levar a mão até o ouvido quando algo entra indevidamente no interior da cavidade auricular. Imaginemos que alguém, em ato reflexo, empurre acidentalmente um vaso da varanda de um apartamento. O vaso cai e acerta a cabeça do porteiro, levando-o ao encontro da morte que o aguarda ansiosa. Nesse caso, não havendo voluntariedade não haverá, repita-se, conduta e, sem conduta não há que se falar em fato típico e, sem isso, não há crime. Em síntese: os atos reflexos são causa de exclusão do crime. Assim como na hipótese de coação física irresistível, os atos reflexos não possuem previsão em lei. Trata-se de tese puramente doutrinária. 03. ERRO DE TIPO Erro de tipo é a ausência ou diminuição da consciência sobre a conduta praticada, ou seja, o sujeito faz algo sem entender (total ou parcialmente) o que está fazendo. É claro que nem todas as condutas interessam ao direito penal. Ao contrário, a esse ramo do Direito interessam apenas as condutas típicas, assim entendidas aquelas que estão previstas em lei. Dessa forma, o agente que mata alguém sem ter consciência que está matando, que provoca o aborto sem ter consciência de está-lo provocando, que fere sem saber que está ferindo, que estupra sem saber que está estuprando, etc não tem consciência sobre a conduta típica praticada. Não há que se confundir erro de tipo com erro de proibição (tese de nº 23). No erro de proibição o agente conhece da conduta praticada, mas

aquele que mantém relação sexual com menor de 14 anos pensando ser maior não tem dolo de estupro de vulnerável (erro de tipo essencial). aquele que mata Pedro pensando ser João tem dolo de homicídio equivocando-se apenas sobre a pessoa da vítima (erro de tipo acidental). art. 3. que nada entendem do que fazem. se previsto em Lei. aplica-se a regra do CP. art. Há crime doloso. mas provocando a morte por asfixia. art. DOLO & CULPA Não se deve confundir dolo com culpa. Chama-se de culpa consciente. O agente que mata alguém pensando ser um animal de caça não tem dolo de homicídio (erro de tipo essencial). Resultado previsto. art. 70 do CP 04. A doutrina chama de dolo eventual o dolo composto pelos seguintes elementos: 1. aquele que furta bijuterias pensando serem diamantes tem dolo de furto. No primeiro – essencial – o agente não tinha dolo de praticar o crime. a culpa composta dos seguintes elementos: 1. art. mas não conhece da ilicitude de sua conduta etc. O erro de tipo (repita-se: falha de percepção sobre a consciência da conduta típica praticada) pode recair sobre o próprio dolo (que é a essência de todo e qualquer crime) ou sobre aspectos secundários (acidentais) do crime. A previsibilidade do resultado é elemento comum tanto ao dolo como à culpa e não serve para diferenciar os institutos. assume o risco de produzi-lo (CP. 18. Resultado previsível. pensando ter causado a morte pelo disparo. objeto. no segundo – acidental – o agente tinha dolo de crime mais se equivoca sobre aspectos menores do tipo penal (pessoa. 74 Essencial Essencial Acidental Acidental Acidental Acidental Acidental Invencível Vencível Sobre a pessoa Sobre o objeto Sobre o nexo causal Sobre a execução em sentido estrito Sobre a execução por resultado diverso do pretendido Consequência Não há crime Há crime culposo. Dessa forma. Resultado previsível. 20 CP. Resultado aceito. o erro de tipo em (a) essencial. II). e (b) acidental. Como se vê. Resultado não aceito. 2. culpa. I). o agente sabe que está ferindo. Há crime doloso. ATOS DE INCONSCIÊNCIA Os atos de inconsciência são da mesma natureza do erro de tipo essencial invencível. tal como demonstrado na tabela abaixo: Fundamento CP. e 4. É por esse motivo que a doutrina classifica. Resultado indesejado. modo. Obs: havendo mais de um resultado. aquele que atira na esposa e depois enterra. tem dolo de homicídio errando apenas quando mo modo (erro de tipo acidental). mas não sabia que matar é injusto. Há crime doloso. a chamada compensação de culpas. § 3º Doutrina Doutrina CP. Resultado previsto. . 2. o sonâmbulo e o hipnotizado. 20. considera-se a vítima idealizada. sendo que o erro recai sobre o objeto furtado (erro de tipo acidental) e assim por diante. Espécie Erro De Tipo Erro De Tipo Erro De Tipo Erro De Tipo Erro De Tipo Erro De Tipo Erro De Tipo quase um jogo adolescente). mas não admite participação. Há crime doloso. isto é. tradicionalmente. 3. no mínimo. O crime culposo admite coautoria. não respondem criminalmente por seus atos. art. lugar. mas apenas no dolo o agente aceita/concorda com o resulta. por outro lado. e 4. As consequências jurídicas do erro essencial e acidental são distintas. mas desconhece a proibição dessa conduta. art. ocorre que o agente não quer o resultado e nem assume o risco de produzi-lo (CP. Há crime doloso pelo resultado idealizado e culposo pelo provocado. Não existe. são considerados como causas de exclusão da consciência da conduta típica praticada. sendo o resultado sempre necessário. consideram-se as qualidades da pessoa idealizada.. 05. 18. em nosso sistema jurídico. 70. aplica-se a regra do art. todavia. 20 CP. Temos dolo quando o agente quer o resultado ou. Obs: havendo mais de um resultado.. Resultado indesejado. consideram-se as qualidades do objeto idealizado.ignora (total ou parcialmente) a ilicitude dessa conduta. consideram-se as naturezas da causa idealizada. Também cumpre destacar que o crime culposo não admite a forma tentada. a previsibilidade é comum ao dolo e a culpa. 73 CP. O agente sabe que mata. o agente sabe que provoca o aborto.

de responsabilização pelo resultado. provocam o resultado. por si só. . A linha azul mostra as hipóteses de manutenção do nexo causal e. chamado de “planetário das cocausas”. podendo ser usado como tese de defesa. provocarem o resultado (“A” envenena “B” que morre. Trata-se de tese defesa prevista no art. 13. responsabilização unicamente pela conduta praticada. o nexo causal pode ser rompido pelas co-causas (ou concausas) absolutamente independentes e pelas co-causas supervenientes relativamente independentes que. O gráfico abaixo.06. § 1º do Código Penal. a linha vermelha revela as hipóteses de rompimento o nexo causal e. por conseguinte. AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE Além do caso fortuito e da força maior. busca explica quais as que rompem e quais as que não rompem o nexo causal. sozinhas. todavia. em razão de atropelamento) ao passo em que as co-causas supervenientes relativamente independentes que por si só provocam o resultado geram um desdobramento anormal da conduta (“A” fere “B” que socorrido ao hospital morre em razão de abalroamento de veículos). por conseguinte. As cocausas absolutamente independentes são capazes de.

Se o . Quando o não consentimento do ofendido for elemento do crime. 150. em casa alheia ou em suas dependências”.000. diz-se que a conduta é formalmente atípica. O consentimento do ofendido é causa de exclusão tanto da tipicidade em seu aspecto formal como do fato antijurídico. de “manter relações sexuais com a própria mãe”. clandestina ou astuciosamente. Dessa forma. então a presença desse consentimento fará com que a conduta não se ajuste ao tipo penal e. Na primeira hipótese – lesão insignificante – temos o chamado Princípio da Insignificância. seja fato atípico. se Pedro dispara contra Maria matando-a. 10. dado ao caráter supralegal do referido Princípio. a conduta dele está prevista no art. vide a tabela a seguir. ATIPICIDADE FORMAL Todo crime é dotado de tipicidade.00 Consumo de substância entorpecente Lesão corporal culposa Crimes contra a administração pública (CESPE e ESAF) 09. de causa supralegal de exclusão da tipicidade material. 08. é formalmente atípica a conduta de “causar dano culposamente ao patrimônio de outrem”.07. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL Ainda falando sobre tipicidade. etc. Exemplo: “CP. Nesse sentido. Tipicidade formal é a subsunção do fato ao tipo penal. Isso posto. temos que o Princípio da Adequação Social é causa supralegal de exclusão da tipicidade material. por conseguinte. Trata-se. Dessa forma. ou seja. Uma conduta é materialmente atípica quando causa lesão insignificante à bem jurídico ou quando a lesão causada. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA O segundo elemento da tipicidade é a tipicidade material: trata-se da lesão significativa e socialmente reprovável a bem jurídico penal. além do Princípio da Insignificância. embora significante. apontar quais as hipóteses de cabimento ou de não cabimento da insignificância. CONSENTIMENTO DO OFENDIDO Não cabe Crimes contra o patrimônio praticados com violência ou grave ameaça a pessoa (ex: roubo) Tráfico de entorpecentes Crimes praticados por militares Crimes praticados por reincidentes ou por pessoas com maus antecedentes Tráfico de armas e munições Falsificação de moeda Crimes contra a liberdade sexual. Entrar ou permanecer. contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito. de “dar a vantagem indevida solicitada pelo funcionário público que se corrompe”. O STF tratou de enumerar os elementos (ou vetores) desse princípio: PROL Também coube a jurisprudência. ou seja. é socialmente aceita. o enquadramento da conduta praticada à descrição legal do crime. Exemplo de conduta socialmente aceita é a lesão corporal causada em recém-nascido para lhe furar as orelhas e pôr-lhe um brinco. 121 do Código Penal (“matar alguém”). A tipicidade deve ser entendida em seu aspecto formal e material. estiver presente na descrição legal do delito. Princípio da Insignificância Cabe Crimes contra o patrimônio praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa (ex: furto simples) Atos infracionais Crimes ambientais Crimes contra a ordem tributária quando o valor sonegado for inferior a R$ 10. art. portanto. temos que a conduta será materialmente atípica se for socialmente aceita. Quando a conduta não pode ser enquadrada no tipo penal.

Sobre o tema. mantém-se o crime com a pena diminuída de 1/6 a 1/3.agente entra em casa alheia com o consentimento do proprietário/usuário não estará incidindo no art. o erro pode ser classificado como erro de tipo ou erro de Proibição (uma coisa ou outra). As principais descriminantes (rol não taxativo) são: legítima defesa. em de um Dever Legal verdade. O gráfico a seguir detalha essas classificações: . a ausência do consentimento do ofendido de forma expressa. pensa que tem o direito de humilhar seu filho para exercer o direito de educá-lo. em verdade. uma descriminante que é fruto de erro. “A” pensa que tem o Exercício Regular de direito de ter várias um Direito esposas desde que as sustente igualmente. estado de necessidade. segundo a qual a putatividade será exemplo de erro de tipo (chamado de erro de tipo permissivo) quando o equívoco recair sobre as circunstâncias de fato. 150 do Código Penal e sua conduta será formalmente atípica. não há essa obrigação legal. (vide ainda: http://goo. A tais motivos. “A” pensa que está autorizado. “A” pensa que está sob perigo atual quando na Estado de Necessidade verdade não existe perigo algum “A” pensa que tem o dever de prender Estrito Cumprimento fulano. em se tratando de erro de proibição indireto. então teremos uma causa de exclusão do fato antijurídico. Erro de Tipo Permissivo Erro sobre limite “A” pensa que pode matar em defesa de sua honra quando a mesma é injustamente agredida por terceiro. quando. o Código Penal adotou a Teoria Limitada da Culpabilidade. em verdade. tem-se causa de exclusão do fato típico. caso o tipo penal não tenha. temos que também é possível a classificação como invencível ou vencível. estrito cumprimento de um dever legal e exercício regular de um direito. Todavia. entre seus elementos. ainda assim. se previsto em Lei. se considerarmos a descriminante putativa como exemplo de erro de tipo. No primeiro caso – erro invencível – afasta-se a culpabilidade. o equívoco recai sobre os limites das descriminantes. “A”. dá-se o nome de descriminantes penais. Às vezes. trataremos na análise da tese de defesa de nº 19. temos causa de exclusão da culpabilidade. Daí se dizer que uma descriminante putativa é. “A” pensa que pode furtar coisas de valor alheia para matar a sua fome ainda iminente. Em material Penal. em sentido amplo. Erro de Proibição Indireto O fato antijurídico pode ser afastado por diversas razões. O erro invencível afasta a responsabilidade penal por exclusão do fato típico (e não do fato antijurídico. todavia. não há qualquer agressão. 11. como poderia parecer a primeira vista). no segundo. o agente se equivoca sobre a existência de fatos que autorizem o uso dessas descriminantes e.gl/JTR5K) Se estivermos diante de um erro de tipo permissivo é possível classificá-lo como invencível (inevitável ou escusável) ou vencível (evitável ou inescusável). por Lei. como erro de proibição. se considerarmos. às vezes. Dessa forma. DESCRIMINANTES PUTATIVAS A tabela abaixo exemplifica hipótese de descriminantes putativas: Erro sobre fato “A” pensa que está repelindo agressão Legítima Defesa injusta quando. será erro de proibição (chamado de erro de proibição indireto) quando o equívoco recair sobre os limites da descriminante penal. O equívoco é chamado de putatividade. Sobre essa segunda possibilidade. a bater em alguém desde que para extrair verdade relevante. o erro vencível permite a punição apenas por crime culposo e.

serem afetados pela conduta. um crime impossível de homicídio. sendo. Todo crime tem um meio para ser praticado. Observe-se que só é impossível o meio ou objeto absolutamente ineficaz. tais como a tentativa. o agente já tinha feito tudo o que poderia ser feito. portanto. furtar o nada e falsificar cédula de R$ 3. CRIME IMPOSSÍVEL 12. na falsificação de moeda. Diz impossível o crime que jamais se consumaria por absoluta impropriedade do meio ou do objeto. Assim.Na desistência voluntária e no arrependimento eficaz o agente só responde pelos atos já praticados. Havendo eficácia. 14. ARREPENDIMENTO EFICAZ O estudo da desistência voluntária remete.00. absolutamente. ao estudo de outros institutos jurídicos. protege-se a vida. o patrimônio e nem a fé pública. Trata-se da mesma diferença que se observa no confronto entre a tentativa imperfeita e perfeita (vide esquema na próxima página). Em ambas as hipóteses – desistência e arrependimento – a consumação é evitada por força da vontade do próprio agente. Os atos inicialmente pretendidos não são puníveis por motivo de política criminal. A diferença básica entre desistência e arrependimento é que. no primeiro. Diz-se voluntária porque o agente agiu conforme sua vontade. o objeto a que se refere o conceito de impossibilidade criminosa é o objeto jurídico do crime. o patrimônio. no segundo – arrependimento eficaz -. . o arrependimento eficaz e o arrependimento posterior. Observe ainda que nos crimes pluriofensivos (que afetam mais de um bem jurídico ao mesmo tempo. ao passo que. A macumba. ainda que a ideia de parar o que se fazia não tenha sido de criação do próprio agente (espontaneidade). enforcamento etc. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA 13. é impossível matar o morto. Idêntico raciocínio pode ser aplicado ao instituto de arrependimento eficaz. dessa forma. disparos de arma de fogo. Exemplo: fogo. tem-se a tentativa. no furto. No homicídio. Nesses casos. O que se exige é atuação voluntária e não atuação de ofício. por maior que seja a crença do “macumbeiro” não nos parece um meio hábil a matar alguém. respectivamente. o agente ainda não tinha esgotado os atos de execução. são meios possíveis de se cometer um homicídio. como no caso de roubo) a impossibilidade criminosa por absoluta impropriedade do objeto só será possível se ambos os bens jurídicos tutelados não puderem. a fé pública. ainda que parcial. não se ofendeu a vida.. explosivo. há crime de roubo mesmo quando a vítima nada traz consigo. inevitavelmente.. todavia. pois ainda é possível ofender-lhe a integridade física/liberdade/vida.

.

. o agente responderá dolosa ou culposamente. cumpre-nos recordar que não pode alegar estado de necessidade quem tem o dever de enfrentar o perigo (policiais. Dessa forma. Esse é o teor do art. (c) defesa a direito próprio ou de terceiro. ou não. dentro dos limites previstos na norma. uma enchente. o direito deve ser exercido de forma regular. Cabe ERC como tese defensiva. todos nós estamos em perigo iminente de alguma coisa. Se houver excesso. Havendo excesso na legítima defesa. conforme o caso. Não poderá invocar o benefício do Estado de Necessidade aquele que tiver. Não cabe legítima defesa para quem deseja participar de rixas ou de duelos. Nesse caso. não cabe legítima defesa contra ataque de animais (a exceção ocorre quando o animal é usado como ferramenta do ataque humano). teríamos uma espécie de vingança e não de defesa. em regra. incêndio criminoso. o perigo pode ser provocado pela conduta humana (naufrágio provocado por atentado terrorista. não cabe legítima defesa para o delito de porte ilegal de arma de fogo sob o argumento de que. mas. EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO Os elementos do ERD são: existência de um direito criado por Lei (em sentido estrito) ou qualquer outra fonte normativa. em regra. desnecessário e mesmo errado falar em “perigo iminente”. também não cabe legítima defesa para justificar agressões passadas. naufrágios. 17. com uso dos meios necessários. são elementos da legítima defesa: (a) agressão injusta. para inocentar jogador de futebol que causa lesão corporal em outro jogado na disputa pela bola (respeitada as regras do esporte) ou do boxeador que nocauteia o outro (também em observâncias aos regulamentos da atividade). como dito. 25 do Código Penal. o agente responderá na forma dolosa ou culposa. não pode ser provocado dolosamente e não pode ser evitável de outra forma senão causando lesão ao bem jurídico alheio. atual ou iminente. sempre. diz que atua em legítima defesa quem repele agressão injusta. menores de idade). (e) moderação e (f) animus defendendi. . provocado o perigo. É.15. ou seja. é fruto de um evento da natureza (ataque de um animal feroz. etc). A conduta em Estado de Necessidade busca salvar direito próprio ou alheio e deve ser exercida dentro dos limites da necessidade de salvamento. a direito seu ou a direito de outrem. com moderação e com vontade de se defender. Em síntese. Por fim. etc). incêndios. inundação criminosa. capitães de navios. ausente o interesse de se defender. mas nunca pretérita ou futura. (d) uso dos meios necessários. possivelmente. conforme o caso. se poderia encontrar alguma ameaça injusta e seria necessário o porte de arma. etc). LEGÍTIMA DEFESA 16. O perigo. (b) agressão atual ou iminente. dolosamente. no Estado de Necessidade o núcleo é a existência de um “perigo”. Ao pé da letra. Com previsão no art. Somente o caso concreto poderá determinar se a defesa foi. desde que com moderação e com uso dos meios necessários. moderada. A agressão pode ser atual ou iminente. 24 e de seus parágrafos. por exemplo. Eventualmente.. sob pena de existir excesso punível na forma dolosa ou culposa. Todavia. A agressão será injusta mesmo que proveniente do ataque de inimputáveis (doentes mentais. Isso porque a noção de perigo atual já traz consigo (em seu conceito) a possibilidade de um dano atual ou iminente. situações esdrúxulas podem desde logo ser identificadas a exemplo do agente que mata outrem para defender a sua honra subjetiva quando ofendido publicamente. como consta na legítima defesa quando trata da agressão). A legítima defesa pode ser usada tanto para proteção de direitos próprios como de terceiros. portanto. ESTADO DE NECESSIDADE Ao passo em que o elemento central da legítima defesa é a “agressão injusta”. No Estado de Necessidade o perigo deve ser atual (e não atual ou iminente. O perigo.

Nenhum outro profissional. Ambas as causas de exclusão da ilicitude do art. por sua vez. desde que o aborto ocorra com o consentimento da gestante ou de seu representante legal. 128. Cumpre-nos destacar que o policial que mata um agente que ameaça de morte alguém ou que mata um agente que dispara contra o próprio policial atua em Legítima Defesa de Terceiro ou Própria. em razão de grave e iminente risco de vida. exercício do dever dentro dos limites da Lei. respondendo a gestante em caso de falso. e causa supralegal de inexigibilidade de conduta diversa na hipótese de aborto proveniente de estupro. respectivamente. O inciso I é chamado. ainda que no ramo de saúde.18. Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II – se a gravidez resulta da estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. 19. o policial que dispara contra suspeito em perseguição não pode alegar ECDL se acertar pessoa alheia e inocente. Dessa forma. Não se pune o aborto praticado por médico: A diferença entre o ECDL e o ERD é que em um existe obrigação imposta pela Lei e no segundo existe faculdade permitida pela Lei. pode se beneficiar dessa tese de defesa. tem no aborto a única chance de sobrevivência. inclusive. O ECDL não suspende a obediência de outros deveres legais. para ser mais exato). 24) na hipótese de aborto com risco de vida para a gestante. pela doutrina. art. a imperícia e a imprudência. ABORTO PRATICADO POR MÉDICO (CP. o consentimento do ofendido é causa de exclusão da ilicitude e possui os seguintes elementos: (1) bem jurídico disponível (exemplo: honra). será perdão e não consentimento). pois a lei não obriga a negligência. podendo o médico. 128 – essa sim – é que é exclusiva para o médico. 128) Não estamos dizendo que o médico vai provocar o aborto em si mesmo. art. O consentimento da gestante não é relevante. No homicídio o instituto só é admissível na hipótese de guerra declarada e mesmo assim quando expressamente permitido em Lei. 128 são de exclusividade do médico. em ECDL. sob a pena de haver excesso punível na forma dolosa ou culposa. quando a sua ausência constituir elemento do tipo penal. Aborto necessário I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante. contrariar os desejos da gestante para salvar a sua vida. aplica-se também na hipótese de gestação fruto de estupro. (2) capacidade jurídica para consentir que. é chamado de “aborto sentimental ou humanitário”. Não há que se falar. ESTRITO CUMPRIMENTO DE UM DEVER LEGAL 20. nesse caso. EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO Já tivemos a oportunidade de explicar que o consentimento do ofendido pode ser considerado como causa de exclusão do fato típico (da tipicidade formal. em Direito Penal. Eis o teor do CP: Art. Exigese a demonstração através de perícia do perigo para a vida da gestante. é claro! Trata-se da hipótese em que a gestante. . Não se tratando de médico. é possível alegar Estado de Necessidade (CP. de seu representante legal. Exemplo de utilização dessa tese defensiva: tatuador não responde pelo crime de lesão corporal em razão da vítima/cliente ter consentido na realização da arte. Qualquer meio de prova admitido em direito é suficiente para demonstrar que a gestação foi fruto de estupro. Nas demais hipóteses. e (3) consentimento anterior ou concomitante à conduta típica praticada (se for posterior. de “aborto necessário”. quando incapaz. começa aos 14 anos ( quatorze anos). Os elementos do ECDL são: existência de um dever legal criado por Lei (em sentido amplo). o inciso II. todavia. Algumas características do instituto: Crimes culposos não admitem o ECDL. Repita-se que a causa especial de exclusão da ilicitude prevista no art.

§ 2º DO CÓDIGO PENAL O tipo penal do art. caput) 3. quanto a sua “evitabilidade”. O quadro abaixo revela as hipóteses de inimputabilidade e as respectivas consequências jurídicas. § 2º) e sua responsabilidade persistirá apenas no campo do Direito Civil. 45) 5. 21. Tal capacidade. por conseguinte. portanto. HIPÓTESE 1. art. 28. art. mas desconhece que tais condutas são ilícitas. Uma das hipóteses é o de feto anencéfalo.343/2006. tem excluída a sua culpabilidade e. 45) 6. É crime contra o patrimônio que se processa mediante ação penal pública condicionada à representação do ofendido e que admite. Dependência de drogas (Lei nº 11. art. O feto sem atividade cerebral não é considerado como ser “vivo” e. uma menor culpabilidade e menor pena (CP. uma causa especial de exclusão da ilicitude consistente na subtração de coisa fungível cujo valor não ultrapasse a quota parte ideal a que o agente teria direito no caso de separação dos bens. 22. Ambos possuem a quantia de mil máquinas de fabricação de calçados. . como tese de defesa. Doença mental incapacitante (CP. pertencente ao mesmo tempo ao sujeito ativo e passivo da infração penal.343/2006. 156. Surdo-mudo incomunicável (Doutrina equipara a doente mental) 23. Trata-se de uma espécie de furto em que a coisa subtraída não é alheia (CP. Drogado involuntário e completo (Lei nº 11. 26. é de atipicidade formal. Dependência de álcool (Doutrina – analogia benéfica) 7. subtraí 05 dessas máquinas. cabe recordar o chamado “aborto eugênico” que não possui previsão legal. mas comum. em continuação. sabe que está sentado lutando contra as distrações do dia a dia). em razão da adoção do sistema biopsicológico. art. Pedro. na calada da noite. Pedro tem direito a exclusão da ilicitude da conduta praticada (CP. em (a) invencível e (b) vencível. não há que se falar em sua morte. ou seja. ERRO DE PROIBIÇÃO INVENCÍVEL Erro de proibição é a ausência de consciência sobre a ilicitude da conduta praticada. por conseguinte. mas que é admitido na jurisprudência. entender a ilicitude da conduta praticada e. art. O objeto subtraído (máquina) é bem fungível e tanto subtraído (cinco) é inferior ao que o Pedro teria direito na hipótese de dissolução societária (500 máquinas). 27) 2. INIMPUTABILIDADE PENAL A ausência da imputabilidade é chamada de inimputabilidade. O erro de proibição pode ser classificado. 156 define o furto de coisa comum. 2ª parte). em se tratando de erro vencível. Menoridade (CP. 21. art. art. art. Erro de proibição invencível (ou escusável) é aquele insuperável. portanto. art. afastado o crime e a pena (CP. Dessa forma. Exemplo: Pedro e José são sócios da empresa PJ Calçados Ltda. CAUSA ESPECIAL DO ART. 155) e nem própria (CP. sabe que se inscreveu na prova da ordem. em hipótese alguma. Embriaguez involuntária e completa (CP. 21º 3ª parte). O STF entende que o abortamento de feto com anencefalia é hipótese de crime impossível por absoluta impropriedade do objeto (vida). 346). art. A tese. 156. O agente tem consciência do que faz (sabe que lê uma apostila. CONSEQUÊNCIA Medida sócio-educativa Medida de segurança Isenção de pena Medida de segurança Medida de segurança Medida de segurança Medida de segurança Imputabilidade é a capacidade fisiológica de entender a ilicitude da conduta praticada e de se comportar conforme esse entendimento. dado as circunstâncias fáticas.Por fim. pressupõe idade mínima de 18 anos e saúde mental. § 1º) 4. Nesse caso. teremos uma menor capacidade de entendimento da ilicitude da conduta praticada e. o agente não poderia.

121 do Código Penal. acesso a livros ou internet. repita-se. unicamente doutrinária. Na coação irresistível o coato não responde por nada. art. o conhecimento da Lei exige formação educacional em Direito. 22 e 65. Por outro lado. o coato responde pela conduta criminosa praticada contra a vítima. entre a conduta lícita e ilícita. na coação moral resistível. Todavia. etc. A tabela abaixo revela alguns detalhes do erro de proibição x erro de tipo. por conseguinte. das pessoas que vivem em áreas rurais com pouco ou nenhum acesso à informação. omissão de socorro. Dificilmente alguém poderá alegar que não sabe que matar. dado a complexidade das leis penais e ao grande número de turistas que passam pelo Brasil todos os anos. Sem culpabilidade. sonegação de impostos. A coação física é criação doutrinária. Os sujeitos da coação são: coator (quem exerce a coação). é claro. Conhecer o Código Penal ou a legislação especial pressupõe leitura. III.É comum. apenas algumas pessoas conhecem o teor exato do art. além. temos que “algumas condutas” podem ser ignoradas como sendo condutas ilícitas. c). portanto.. não existe crime e sem crime não existe pena. COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL A coação moral irresistível afasta a liberdade de escolha do agente. A primeira consiste apenas na capacidade cultural de se diferenciar o certo do errado. coato (quem sofre a coação) e a vítima (quem sofre a conduta criminosa praticada pelo coato).. . que se confunda “desconhecimento da ilicitude” com “desconhecimento da Lei”. Importante destacar que apenas a coação moral está expressamente prevista em Lei (CP. livremente. o agente atua com voluntariedade (sua mente controla o seu corpo). mas todos (mesmo os analfabetos) sabem que matar é errado. “exigibilidade de conduta diversa” um dos elementos da culpabilidade. É uma capacidade comum a maior parte das pessoas que convivem em sociedade. não atua de forma livre. mas tem direito a uma atenuante penal. furtar ou estuprar é ilícito. 24. Por exemplo: apropriar-se de coisa achada. Na coação moral. Falta-lhe. mas. Coagido. o indivíduo não pode escolher. embora errado. A tabela detalha o instituto da coação física e da coação moral.

S.O. vide tese de defesa número 11. Destaque-se. o instituto da obediência à ordem de superior hierárquico pressupõe quatro requisitos. temos uma causa de inexigibilidade parcial de conduta diversa. a sonegação de imposto ou o não repasse das contribuições devidas ao INSS pode ter como causa a total impossibilidade financeira da empresa. resta configurado. ou seja. nesses casos. causas de inexigibilidade de conduta diversa. portanto. não há que se falar no instituto da O. Observe.O. a inexigibilidade de conduta diversa. CAUSAS SUPRALEGAIS DE EXCLUSÃO DA CULPABILIDADE A jurisprudência tem admito algumas hipóteses de exclusão da culpabilidade. ausente qualquer um dos requisitos. EXCESSO EXCULPANTE Na legítima defesa e no estado de necessidade.O. Comprovado que não a empresa teve que optar entre o pagamento dos salários e o pagamento de tributos. Às vezes. ou seja. por exemplo. por conseguinte. parteira. Fala-se. Trata-se de tese amplamente aceita no TRF-5ª Região. I. causa de exclusão da culpabilidade. DESCRIMINANTES PUTATIVAS Sobre o tema. “c”). afastando-se a pena. como tese de defesa. suficiente apenas para diminuir a culpabilidade e. Todavia. São exemplos: a) Aborto provocado por terceiro não médico na hipótese de gravidez resultante de estupro.S. acima. art. temos uma causa de inexigibilidade total de conduta diversa. a tese a inexigibilidade de conduta diversa. que se nenhum dos elementos estiverem presentes. ao profissional em artes médicas devidamente habilitado. Resta. ou seja.25. III. de causas supralegais de inexigibilidade de conduta diversa. que apenas a obediência à ordem de superior hierárquico perfeita é que é capaz de exclui a culpabilidade. PERFEITA Restrita “não manifestamente ilegal” Competente Natureza pública (-) exigibilidade de conduta diversa ( . Sabe-se que o art.) realizando o procedimento abortivo em pessoa que engravidou em razão de estupro não poderá alegar. diminuir a pena em razão de uma atenuante (CP. faz-se necessário o preenchimento de alguns requisitos. Obediência à ordem de superior hierárquico Nem sempre a famosa frase “eu só estava cumprindo ordens” serve como argumento jurídico para a isenção de responsabilidade penal. uma causa de exclusão da culpabilidade (dirimente penal).H. em razão de circunstâncias emocionais agudas. 128.) crime ( . Presentes TODOS os requisitos.) culpabilidade ( . que são teses de exclusão da ilicitude.H. nesses casos. mas presente ao menos um requisito. todavia. ainda que não prevista expressamente em Lei. por conseguinte. tais como a moderação entre a agressão e a correspondente defesa (na legítima defesa) e a inevitabilidade do sacrifício do direito posto em perigo (no estado de necessidade). pela inexigibilidade de conduta diversa. 128. a causa especial de exclusão da ilicitude diz respeito unicamente ao médico. art. etc. o agente atua sem moderação (na LD) e com desproporção (no EN). b) Nos crimes contra a ordem tributária e/ou previdenciária. A tabela abaixo apresenta os quatro requisitos e as respectivas consequências: REQUISITOS OBEDIÊNCIA ORDEM SUPERIOR HIERARQUIA O. Todavia. ao menos em tese.) pena O. 26. a imperfeita serve apenas para diminuir a pena. Conforme a doutrina e a própria Lei (CP. O terceiro (mãe. . devendo o agente responder pelo delito e pela pena correspondente caso não seja possível apresentar nenhuma outra tese de defesa. afastando-se assim o crime e. 22). ainda.S. Trata-se da intitulada “legítima defesa exculpante” e do “estado de necessidade exculpante”. IMPERFEITA Irrestrita Manifestamente ilegal Incompetente Natureza privada (↓) exigibilidade de conduta diversa (↓) culpabilidade (+) crime (↓) pena (atenuante) 27. 28.H. I do Código Penal criou uma causa especial de exclusão da ilicitude para o chamado “aborto sentimental ou humanitário”. 65. aquele resultante de estupro. o art. ainda que sem o correspondente fundamento no texto de Lei.

567 do Código de Processo Penal: “a incompetência do juízo anula somente os atos decisórios. art. sendo que os atos de juiz incompetente podem gerar nulidade. A falta de intimações necessárias para as manifestações da defesa e o desrespeito aos prazos prejudicam o contraditório e viciam o processo. por esse motivo. art. . 5º. ser remetido ao juiz competente”. II. devendo o processo. ou no caso de revisão criminal. Sobre o tema. 1º. mas poderá ser reconhecida de ofício pelo juiz até a sentença. gerando a nulidade da decisão. Observação: esse princípio não se aplica em favor do órgão de acusação. eis que. 31. 32. art. LV). ou seja. em crime contra a ordem tributária sem que exista documento demonstrando. antes do lançamento definitivo do tributo”. não pode haver condenação. deverá colher todas as provas que servirão para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias (CPP. no processo penal.29. vigora o entendimento que a competência territorial também é matéria de ordem pública. V e VII do CPP. ou seja. 156). sob a pena de afronta indireta ao princípio em estudo. por mais relevante que seja a atividade policial na produção de provas. Se a decisão for anulada. deverá o magistrado inocentar com fundamento no Princípio do In Dubio Pro Reo. Deve a acusação demonstrar a existência de fato típico e antijurídico. cabalmente. previsto no art. AUSÊNCIA DE PROVA O ônus da prova compete à acusação (CPP. art. a reformatio in pejus. REFORMATIO IN PEJUS Não se admite. LIII). que a situação do recorrente seja prejudicada em recurso exclusivo da defesa. Havendo piora da situação no Tribunal. em nosso sistema. ferindo norma constitucional. quando for declarada a nulidade. Todavia. portanto. Daí se afirmar o quão importante é a atividade policial que. a pena a ele imposta poderia ser ainda pior que a anterior. havendo dúvida sobre a veracidade do fato ou de sua autoria. é comum que não se respeito ao princípio citado quando da regressão de regime ou da revogação de regime. que tem fundamento constitucional. 386. A chamada incompetência relativa (ratione loci) tem momento oportuno para ser alegada. Assim. 155). 6º. Importante destacar que o teor da Súmula Vinculante 24 do STF: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária. compre lembrar que as provas produzidas nessa fase não se sujeitam ao contraditório e que. Não havendo prova de que o agente praticou o crime ou havendo dúvida relevante. A incompetência absoluta (ratione materiae e ratione personae) pode ser arguida a qualquer tempo e grau de jurisdição. quer em recurso exclusivo da defesa. O princípio da proibição da reformatio in pejus se justifica na medida em que impede que o advogado se sinta intimidado em recorrer alegando nulidade de dada decisão com receio de que. Boa parte da doutrina entenda que o dispositivo citado só pode ser aplicado no caso de incompetência relativa. Fique atento: na fase da execução da pena. art. III). Dessa forma. 30. DESRESPEITO AO CONTRADITÓRIO O sistema garantista-penal. uma vez reconhecida a nulidade. 5º. quer em revisão criminal. não podem servir como único fundamento para a condenação. gera nulidade absoluta (CF. importante a leitura do art. o desrespeito às normas que garantem a ampla defesa. INCOMPETÊNCIA A jurisdição tem limite na competência e fundamento no Princípio Constitucional do Juiz Natural (CF. logo quando tiver conhecimento da pratica de infração penal. praticado por agente culpável. o lançamento definitivo do tributo devido.137/90. ainda assim a nova decisão não poderá prejudicar o acusado. Dessa forma. sob a pena de nulidade (CPP. admite-se a melhoria da situação jurídica do acusado quando do recurso exclusivo do MP. tem por base o respeito ao contraditório e a ampla defesa. o acórdão deverá ser anulado. por falta de provas. incisos I a IV da Lei 8. deverá o magistrado inocentar com fundamento no art.

Quanto aos crimes plurissubjetivos. haverá nulidade. o rol das testemunhas”. Entrementes. a classificação do crime e. quando o MP não explica no que consistiu a violação de dever de cuidado. O advogado. Eventual reconhecimento de que a certidão de óbito usada para fins de se obter a declaração da extinção da punibilidade é falsa. Reza o art. serve para extinguir a punibilidade. quando o MP não descreve o início da ação do agente. mesmo que ele exista não se pode garantir que a alma do falecido realmente desça até o submundo quente. é sempre obrigatória (estando o acusado livre ou solto). com todas as suas circunstâncias. Crimes hediondos e equiparados não admitem anistia. 41 do CPP que “a denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÕES NECESSÁRIAS O réu tem o direito de ser citado regularmente. desde que constituído. quando necessário. A morte que serve para extinguir a punibilidade é a morte real. Para o réu que está preso. Não se pode condenar o morto ao inferno. A nova redação do art. Portanto. não impede que o processo seja reaberto (conforme recente decisão do STF).  No crime culposo. 36. A anistia tem efeitos ex tunc¸ ou seja. entre os quais destacamos:  Na tentativa. a participação é obrigatória. quando não consta nos autos os vocábulos instrumentalizados pelo agente para ofender o funcionário público (art. MORTE DO AGENTE Trata-se da mais óbvia causa de exclusão da punibilidade. pois não há efetividade. DENÚNCIA INEPTA A inicial acusatória que não cumpre seus requisitos deve ser considerada inepta. que ele poderá exercer ou recusar.  No crime de desacato. É possível a concessão da anistia em qualquer fase do processo e mesmo durante a execução penal ou na fase pré-processual (inquérito policial). poderá dispensar a presença de seu constituinte quando da audiência. Ao morto não se pode atribuir qualquer penalidade. Essa última consiste na participação pessoal do acusado na audiência. pois prejudicada a ampla defesa em sua face de autodefesa. 331 do CP). a jurisprudência tem entendido que não é necessário a narrativa pormenorizada de cada agente na prática criminosa. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. 35. AUSÊNCIA DE RÉU PRESO NA AUDIÊNCIA A defesa do acusado se faz de forma técnica e pela autodefesa. 34. A participação da defesa técnica. apenas. o processo é nulo. a jurisprudência tem considerado inepta a denúncia em alguns casos. ainda que seja o mesmo crime pelo qual foi anistiado. Todavia. Para o réu que está em liberdade. pois não há prova de que o inferno existe e. da mesma forma. . não dispensando expressamente a presença ou sendo essa dispensa feita por advogado ad hoc. é fundamental que a denúncia descreva o liame subjetivo que interliga cada um dos concorrentes na prática criminosa. 37. dando assim impulso à regular marcha processual. exercida pelo advogado. sob pena de nulidade. 360 do CPP determinou que mesmo o réu preso deve ser citado pessoalmente. o beneficiado pela Lei de Anistia não é considerado primário caso venha a praticar outro crime. ANISTIA É hipótese de clemência dada pelo Poder Legislativo através de Lei. deve ser intimado para que tome ciência e participe do processo.33. A morte presumida não serve ao Direito Penal. Todavia. podendo tais circunstâncias serem esclarecidas durante a instrução processual. apenas a certidão de óbito (e não a sentença de ausência). Se ausente ou irregular a citação. O advogado. participar ou não do ato instrutório é um direito.

se parcial. ou seja. a graça é também chamada de indulto individual. afasta a reincidência. GRAÇA Também é hipótese de clemência. ou seja. 40. servirá apenas para diminuir a pena. O indulto poderá ser parcial ou total. o querelante dela poderá desistir (pois se trata de demanda judicial disponível). O indulto parcial é chamado de comutação da pena. sem qualquer individualização “um a um”. Se for total. tem efeitos ex nunc.38. e somente se. Segue resumos dos quatro últimos institutos: 41. houver aceitação da parte adversa. só cabe “graça” na fase da execução penal. etc. é causa de extinção da punibilidade. não afastando a reincidência. Tem natureza singular. Optando pela não propositura. 39. Também não pode ser usada nos crimes hediondos e nos equiparados. Mantendo-se silente no tríduo legal. considera-se que houve aceitação tácita e extingue-se a punibilidade. Não aceitando. Fundamental para entender o perdão do ofendido e os demais institutos a seguir é lembrar as principais características das ações privadas ordinárias (exclusiva e personalíssima): oportunidade. PERDÃO JUDICIAL É a última causa de clemência pública. Dado a um dos querelados. o perdão a todos beneficia. teremos a renúncia (tácita ou expressa). Aceitando-o. mas apenas nos casos expressamente autorizados e previstos em Lei. Diferencia-se da graça (ou indulto individual) porque é concedido para grupo de pessoas que preenchem determinados requisitos expressos no decreto de indulto. Admite perdão judicial. Isso implica em dizer que o querelante. querendo. individualizados um a um. poderá optar em propor ou não propor a ação penal privada. INDULTO Também conhecido como “graça coletiva”. só que concedida pelo Poder Executivo. PERDÃO DO OFENDIDO O perdão do ofendido inaugura outro grupo de causas de extinção da punibilidade: as relacionadas as ação penais privadas. extingue-se a punibilidade. eis que só pode ser concedido após o trânsito em julgado da sentença condenatória e tem efeitos ex nunc. o perdão judicial deve ser concedido pelo Poder Judiciário. ou seja. lesão corporal culposa. Para alguns autores. injúria recíproca. beneficiando um condenado ou um pequeno grupo de condenados. Ao contrário da anistia. Propondo a ação penal. mas não prejudica o direito dos demais querelantes em continuar a demanda criminal contra os mesmos querelados. o agente beneficiado pela graça será considerado reincidente caso venha a praticar novo delito após a concessão do benefício. o magistrado mandará intimar o querelado para dizer se o aceita no prazo de 03 dias. . da graça e do indulto. Trata-se de instituto bilateral. Concedido o perdão. só tem o efeito de extinção da punibilidade se. O momento é de sua concessão é durante a sentença (nem antes e nem depois). O perdão judicial tem efeito ex tunc. o processo continua regularmente. teremos o perdão judicial. ou seja. É concedido pelo Presidente da República através de decreto e só se admite após o trânsito em julgado da sentença condenatória. Aproxima-se da graça. é causa de extinção da punibilidade concedida pelo Presidente da República através de Decreto. disponibilidade e indivisibilidade. Ao contrário da anistia. entre outros exemplos: homicídio culposo. receptação culposa. Havendo desistência.

Uma vez iniciada a ação penal. Portanto. oferta. Resumo dos itens 41. para prosseguir no processo. (4) quando o querelante deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais. a segunda admite todos os meios de provas lícitos. sendo o querelante pessoa jurídica. 36 do CPP. Querendo. (3) quando o querelante deixar de comparecer. entrementes. Propor a queixa-crime não é obrigação da vítima. iniciada esta. a qualquer ato do processo a que deva estar presente. Havendo aceitação fora do processo. é faculdade. só cabe o instituto da renúncia antes do início da ação penal. a renúncia é causa de extinção da punibilidade que afeta apenas os crimes de ação penal privada ordinária. PEREMPÇÃO É a última das causas extintivas da punibilidade aplicável apenas aos crimes de ação penal privada ordinária. resta proibida a revisão criminal in pejus. de instituto com natureza unilateral. RENÚNCIA Fruto do princípio da oportunidade. 42 e 43: . deverá ser assinada pelo querelante e pelo querelado ou por seus procuradores com poderes especiais para isso. renuncia. Trata-se. não comparecer em juízo. falecendo o querelante. admite-se todos os meios de prova válidos em direito para demonstrar comportamento incompatível com o desejo de continuar a ação penal. 43. se escrita. não é necessário que a parte beneficiada pela renúncia aceite-a. não querendo. poderá ser aceito diretamente pelo querelado ou por procurador com poderes especiais para aceitação. Extinta a punibilidade. qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo. o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos. e (5) quando. Poderá ser proposto pelo próprio querelante ou por procurador (advogado) com poderes especiais (procuração com poderes expressos para a concessão do perdão). Se tácita. Conforme o art. A renúncia poderá ser expressa ou tácita: a primeira se prova mediante documento escrito e assinado pelo querelante ou por procurador com poderes especiais. ou sobrevindo sua incapacidade. 42.O perdão aceito não gera reincidência. esta se extinguir sem deixar sucessor. ela poderá ocorrer de forma tácita ou expressa. não poderá o querelante propor nova ação penal. (2) quando. o instituto aplicável é o perdão do ofendido (vide item anterior). Em razão do princípio da indivisibilidade aplicável aos crimes de ação penal privada. Uma vez declaração à extinção da punibilidade pela perempção. Conforme o Código Penal. 60 do Código de Processo Penal considerar-se perempta a ação (1) quando. ressalvado o disposto no art. não configura perdão tácito o recebimento de indenização correspondente ao fato crime objeto da ação penal privada. Poderá ocorrer dentro do processo (através de petição ou em audiência) ou fora. independentemente de aceitação. dentro do prazo de 60 (sessenta) dias. a renúncia dada a um dos querelados a todos beneficia. tal como ocorre com outros ramos do Direito. como se vê. sem motivo justificado.

ainda mais após a extinção da chamada “prescrição da pretensão punitiva retroativa” e. A tabela abaixo ilustra o tema: . que representa a pretensão punitiva. artificialmente. civis ou militares. Chama-se a isso de “direito de punir” ou de jus puniendi. pois tudo tem um tempo lógico e racional para ser exercitado. XLIV). XLII) e as ação de grupos armados. o Estado traz para si outro direito: o de fazer valer suas condenações. Praticado o crime. respectivamente). impondo a condenação. Todavia. a CF/88 considera como imprescritível o delito de racismo (art. por conseguinte. pois. o amor também. por vezes. Esse novo direito representa a pretensão executória. de decidir sobre a culpa ou a inocência de alguém. surge para o Estado o direito de julgar. 5º. Não deveria.44. da prescrição virtual (ou antecipada). Até mesmo o ódio prescreve e. Tudo na vida prescreve. é tema fácil. PRESCRIÇÃO A prescrição é um dos temas mais odiados pelos graduandos em Direito. uma vez condenado. 5º. Ambas as pretensões prescrevem (prescrição da pretensão punitiva – PPP – e prescrição da pretensão executória – PPE. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art.

conforme preceito secundário do art. II . III .pela reincidência.nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil. Os prazos da prescrição da pretensão executória (apenas esses) podem sofrer aumento em um terço se o agente for reincidente (específico ou não). terá como base de cálculo 01 ano (pena concretamente fixada) o que implica em prazo prescricional de 04 anos (conforme tabela). III . começa a correr: I . cumpriu 05 meses e fugiu. 111 do Código Penal que a prescrição.do dia em que o crime se consumou. estando atualmente foragido? O delito de furto tem pena mínima de 01 e máxima de 04 anos.pela decisão confirmatória da pronúncia. V . o que implica em afirmar que a prescrição ordinária será de 08 anos (prescrição correspondente a base de cálculo igual a 04 anos. 155).no caso de tentativa. II . Uma vez interrompido o curso do prazo prescricional. 111 do CP tendo em vista a sua recente inclusão no Código Penal (maio de 2012). Vejamos um exemplo: quais os prazos prescricionais para um crime de furto simples (art. a prescrição também será de 04 anos. do dia em que cessou a atividade criminosa.nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes. se única. conforme seja o delito praticado por pessoas maior ou igual a 18 anos e menor que 21 anos na data do fato ou por pessoa maior que setenta anos da data da sentença. Merece atenção especial o inciso V do art. 117 do diploma penal que o curso da prescrição interrompe-se: I . a prescrição da pretensão punitiva intercorrente (para julgar os recursos da defesa). previstos neste Código ou em legislação especial. IV . da data em que o fato se tornou conhecido. a segunda se faz presente apenas durante o julgamento dos recursos exclusivos da defesa. Versa o art. logo. Duas observações são necessárias: (1) quando se inicia a contagem do prazo prescricional e de que forma.nos crimes permanentes. conforme a privativa de liberdade. 109 do CP. A base de cálculo de cada espécie de prescrição está apontada no gráfico acima. IV . Portanto. a contagem é reiniciada “do zero”. abstratamente considerado. para tanto se considerando a base de cálculo de 07 meses e a tabela de prazos prescricionais constantes na Lei. antes de transitar em julgado a sentença final. salvo na hipótese do inciso V. Por outro lado. . se conjunta).pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis. tendo o agente cumprido 05 meses e restando a cumprir 07 meses. A pena restritiva de direitos prescreve no mesmo prazo da pena privativa de liberdade que foi substituída e as penas de multa segue a regra do art. da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos. basta procurar o prazo prescricional na tabela constante do art. e V . e VI . a prescrição da pretensão executória do que resta a cumprir da pena será de 03 anos. A modificação visa impedir a prescrição de crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes que apenas revelaram seu interesse de ver processado o agente após a maioridade. (1). afirma o art. (2).pelo recebimento da denúncia ou da queixa. 114 do Código Penal (02 anos. salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal.pelo início ou continuação do cumprimento da pena. Vamos por partes. do dia em que cessou a permanência. 109 do CP). 155 do Código Penal. Finalmente.pela pronúncia. Importante destacar que os prazos prescricionais podem sofrer diminuição pela metade. A primeira é calculada da data do crime (via de regra1) até a data da sentença condenatória transitada em julgado para a acusação (respeitados os marcos interruptivos2). e (2) quais os marcos interruptivos da prescrição da pretensão punitiva ordinária. a prescrição da pretensão punitiva ordinária (PPPO) terá como base de cálculo 04 anos (máximo da pena em abstrato). Uma vez conhecido a base de cálculo. conforme art.A prescrição da pretensão punitiva admite duas modalidades ou espécies: a ordinária e a intercorrente. em que o agente foi condenado definitivamente a pena de 01 ano de reclusão. Desataque-se que a sentença absolutória recorrível não interrompe o prazo prescricional. em que o prazo prescrição deverá ser recalculado pelo tempo que resta a cumprir da pena. o prazo que o Estado brasileiro tem para executar a pena total de 01 ano – prescrição da pretensão executória do total da pena imposta – tem por base de cálculo também 01 ano (pena concretamente fixada).

que os delitos de injúria e desacato não admitem o instituto em estudo. CAUSA ESPECIAL DO ART. § 2º DO CP. Na verdade. No Código Penal. antes da sentença. RETRATAÇÃO A retratação não pode ser confundida com “pedido de desculpas”. houver sido concedida antes da sentença condenatória correspondente ao crime de calúnia e difamação e antes da prolatação da sentença no processo em que as inverdades foram ditas. . terminará no dia 19 de julho de 2012. 138). Em princípio porque a decadência não pode ser interrompida e nem suspensa (ao contrário da prescrição). extingue a punibilidade. conforme o § 2º do art. caberá ao juiz das execuções penais a aplicação da nova lei. o que decai é o direito de oferecer queixa-crime (ação privada) e/ou de oferecer representação (ação condicionada). no prazo e forma legal ou convencional” (art. Por derradeiro. podendo ou não aceitá-lo. praticando o agente uma conduta típica que. ABOLITIO CRIMINIS O princípio da retroatividade da Lei Penal mais benéfica implica na aplicação retroativa da nova lei que deixa de considerar o fato como criminoso (abolitio criminis). Observe-se. depende unicamente da vontade de quem se retrata e não da vontade daquele para quem a retratação é dada. de forma dolosa.684/2003 que determinou a suspensão do processo enquanto a empresa estiver beneficiada por sistema de parcelamento (REFIS) e que o pagamento do valor apropriado. Portanto. Quem pede desculpas pede alguma coisa. o prazo decadencial é de 06 meses (fixos). 342). O cômputo do prazo decadencial (bem como do prescricional) é realizado a partir do dia do começo. sai do ordenamento jurídico em razão de nova lei mais benéfica. não tendo efeito se houver sido extraída por coação. art. apenas três crimes admitem retratação como tese defensiva (causa de extinção da punibilidade): calúnia (CP. art. difamação (CP. A retratação só tem validade jurídica. não se ampliando em razão da reincidência e nem diminuindo em razão da idade do agente. a abolitio criminis afasta também a reincidência (efeito penal secundário). A decadência é aplicável aos crimes de ação penal privada ordinária (exclusiva e personalíssima) e aos crimes de ação penal pública condicionada à representação. o dono da empresa Ninja Ltda. Dessa forma.45. 48. Se o substituto tributário (empregador) declarar e pagar o que deve. se e somente se. se o prazo se iniciou no dia 20 de janeiro de 2012. ou seja. terá a extinção da punibilidade de sua pena. 139) e o delito de falso testemunho (CP. Todavia. caput). 47. paga ao seu funcionário João o salário já descontando a contribuição previdenciária com o fim de repassá-la ao INSS. 168-A. Além disso. deve a nova lei retroagir afastando a punibilidade pelo crime já praticado. O delito de apropriação indébita previdenciária consiste em reter dos empregados o valor correspondente à contribuição previdenciária deles descontada e que deveria ser repassada pelo empregador à autarquia federal gestora (INSS). Dois aspectos são relevantes sobre esse instituto: (1) a retroatividade da nova lei tem poder para afastar apenas os efeitos penais da sentença condenatória. art. sendo que a parte oposto concorda ou não com pedido. depois. cumpre destacar que a retratação é ato voluntário do agente. A instauração de inquérito policial não interrompe o prazo decadencial. portanto. Nesse caso. “deixa de repassar à previdência social as contribuições reconhecidas dos contribuintes. DECADÊNCIA O instituto da decadência é bem mais simples que o da prescrição. ou seja. Essa lógica não se aplica ao instituto da retratação que é ato unilateral. Ao afastar os efeitos penais. permanecendo os efeitos civis e administrativos. 168-A. 168-A. 46. Esse “prazo” foi prolongado pela Lei nº 10. por exemplo. no caso de falso testemunho. e (2) a lei revogadora do crime poderá retroagir mesmo após a sentença condenatória transitada em julgado. antes do início da ação fiscal.

quando isso acontecer (e apenas quando isso acontecer) você poderá tomar uma cervejinha com seus amigos. basta imaginar que a aprovação na OAB o tornará um rei e que. II). imprudência ou imperícia de modo a permitir que outro funcionário subtraia. Tratando-se de peculato doloso. não há que se falar em tentativa em crime culposo. Uma vez reconhecida a tentativa. a reparação do dano. igualando-se ao instituto da tentativa. ou seja. senão vejamos: 51. ao contrário. cruenta. 50. São requisitos para a aplicação do instituto: (a) crime praticado sem violência e sem grave ameaça à pessoa. ART. Para tanto.49. Dessa forma. quanto mais próximo da consumação chegar o crime. Caso a reparação só ocorra após o trânsito em julgado. § 3º DO CP. menor é a redução de pena aplicável pela tentativa (1/3). O delito de peculato admite a forma culposa. ERRO DE PROIBIÇÃO VENCÍVEL Já tivemos a oportunidade de falar sobre o instituto do erro de proibição. Tentado é. A tentativa. “cchoup é coisa de rei”. nesse particular. na fase da preparação ou após a consumação do crime. ou conatus. dinheiro ou valores públicos ou particulares que estão na posse ou guarda do funcionário relapso. temos uma causa obrigatória de diminuição de pena de menos 1/3 a menos 2/3. Preenchidos os requisitos. TENTATIVA (CP. por hora. é aquela em que o bem jurídico foi atingido. A verdade é que. CAUSA ESPECIAL DO ART. o agente passa a ter direito a aplicação da causa de diminuição de pena. . A jurisprudência tem admitido como critério para a diminuição da pena a maior ou menor proximidade da consumação. ARREPENDIMENTO POSTERIOR O arrependimento posterior é causa obrigatória de diminuição de pena de 1/3 a 2/3. Para facilitar. e (c) tempo hábil. Importante destacar que o crime de peculato só admite causa especial de extinção da punibilidade na modalidade culposa. deverá reparar o dano causado até o trânsito em julgado da sentença condenatória. A tentativa pode ser perfeita ou imperfeita (vide gráfico sobre iter criminis acima). consistente em atuar o funcionário público com negligência. A doutrina classifica ainda a tentativa como branca ou cruenta: branca é aquela em que o bem jurídico não foi atingido. terá direito apenas a redução da pena pela metade. o crime que não se consuma após iniciado e quando desejado. (b) restituição voluntária da coisa ou reparação do dano causado. O agente do peculato culposo poderá reparar o dano causado de modo a ver extinta a sua punibilidade. quanto mais distante fica o crime de se consumar. ocorre apenas nos crimes dolosos e durante a fase de execução e antes da consumação. desde que anterior ao recebimento da denúncia¸ dará direito apenas à diminuição de pena em razão da aplicação do instituto do arrependimento posterior. Portanto. razão pela qual remetemos nosso leitor ao item 23 dessa apostila. o arrependimento deve ser exercido antes do recebimento da denúncia ou da queixa. 52. Por derradeiro. 312. dolosamente. 14. preterdoloso. portanto. bens. cumpre destacar que alguns crimes não admitem tentativa. maior é a redução da pena pela tentativa (2/3).

Nesse caso. o agente pretendendo acertar em Paulo termina acertando em Paulo e em Maria deverá responder apenas pelo crime mais grave com a pena aumentada. art. qualquer uma delas) aumentada de 1/6 até 2/3. ao contrário. É também possível aplicar a tese do concurso formal próprio de crimes para delitos dolosos. sendo o qual a pena aplicada no caso de concurso de crimes será apenas uma (a mais grave. mediante uma só ação. No caso do concurso formal perfeito. 54. a pena poderá ser aumentada em até o triplo. § 3º do CP). prevalece a que mais beneficiar o réu (no caso. § 3º). 70. quando. porque tais crimes admitem. todos os dias e durante um ano. Nessa hipótese. CRIME CONTINUADO (CP. deveria ser apenado por todos os crimes com as penas somadas (o que ultrapassaria 300 anos de reclusão). Sobre concurso de pessoas. Deverá responder pela pena de um só crime de homicídio culposo (CP. aumentada de 1/6 a 1/2. conforme preceitua o art. o agente deve sofrer a pena de apenas um deles (se forem crimes com penas diferentes. se crimes com penas distintas ou qualquer uma delas. na mesma condição de tempo (dia após dia). Caso João tivesse praticado diversos crimes de homicídio no mesmo bairro. o juiz deverá declarar extinta a punibilidade. por desrespeitar as regras da aviação. a maior. É o que ocorre. primeira parte. do Código Penal. no erro de execução. em tese. 53. nas mesmas hipóteses do arrependimento posterior. Reconhecido que existe uma dependência fática-jurídica entre os crimes. Idêntico raciocínio aplica-se ao crime de apropriação indébita previdenciária e ao crime de estelionato por meio de emissão de cheque sem fundos.Alguns crimes não admitem arrependimento posterior. o piloto de um avião. se crimes punidos como a mesma pena). Se o agente reparar o dano causado antes do recebimento da denúncia (ou mesmo antes da sentença condenatória recorrível. aumentada de 1/6 a 2/3. Caso o resultado do aumento proporcional da pena em 1/6 a 1/2 resulte em montante maior do que aquele que seria encontrado pela “soma simples das penas”. se João subtrai. Não porque sejam mais graves que os outros. dia após dia e durante um ano. 71 do CP. . ART. se todos os crimes tiverem a mesma pena. vide o gráfico na próxima página. CONCURSO FORMAL PERFEITO (CP. como sempre praticou crime da mesma espécie (furto). 70. Na hipótese de crime doloso praticado com violência contra vitimas distintas. conforme súmula 554 do STF. É claro que para a tese poder ser aplicada é necessário que exista o chamado dolo de continuidade. 71. a pena de um só dos crimes será aumentada em mais um sexto até a metade. desde que não haja desígnios autônomos em relação a cada um dos delitos praticados. conforme parágrafo único do art. por exemplo. Todavia. por exemplo. o agente deu causa a diversos crimes de homicídio na forma culposa. Ocorre concurso formal perfeito quando. estará praticando inúmeros crimes de furto e. todavia a sua pena poderia ser aumentada em até três vezes. 1ª PARTE) Aqui também é possível aplicar o sistema da exasperação. 71) Uma das mais interessantes teses de defesa para quem praticou diversos crimes da mesma espécie (assim considerados os que pertencem ao mesmo tipo penal) é a tese de que um crime foi à continuação do outro. fala-se em “concurso material benéfico”. com o crime de peculato culposo. conforme parágrafo único do art. a solução jurídica seria a mesma. também chamado de elemento subjetivo da continuidade delitiva. uma causa de extinção da punibilidade. lugar (mesma região geopolítica) e maneira de execução (mesmo modus operandi). nos termos do art. deverá o magistrado deixar de aplicar o sistema da exasperação e aplicar o sistema do cúmulo material. lugar (mesmo estabelecimento) e do mesmo modo de execução (tomada simples quando do descuido do proprietário). 312. Dessa forma. a extinção da punibilidade). causa a morte de centenas de pessoas em um acidente aéreo. O dolo de continuidade implica em reconhecer que os crimes foram praticados em mesma condição de tempo (período inferior a trinta dias entre cada crime praticado). um determinado valor do estabelecimento em que trabalha. 121. ART. deverá ser apenado com uma só reclusão de 01 a 04 anos (pena do delito de furto). Obviamente que no conflito de teses de defesa entre a extinção da punibilidade e a redução da pena pelo instituto do arrependimento posterior. Assim.

art. Não se confunde com a inimputabilidade penal. 26. que a pena aplicável ao sem-imputável poderá ser substituída por medida de segurança em casos de comprovado o especial tratamento curativo. São hipóteses de Semi-imputabilidade: (1) doença mental “debilitante”. pois lá o agente era inteiramente incapaz de entender (não entendia nada). o agente entende. § único) Trata-se de causa obrigatória de diminuição de pena na proporção de um a dois terço. desde que comprovado que o agente. causa de isenção de pena. não era inteiramente capaz de entender a ilicitude da conduta praticada ou de se comportar de acordo com esse entendimento. 98).343/2006. 45). ao tempo da ação ou omissão. . Semi-imputabilidade penal (CP. (2) embriaguez involuntária e incompleta. Admite o Código Penal (art. e (3) torpor provocado por drogas de forma involuntária e incompleta (Lei 11. porém menos do que deveria se fosse “normal”. ao tempo em que aqui. art.55.