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Introdução à Física Moderna

James Maxwell (1831-1879) formulou matematicamente a teoria do electromagnetismo e admitiu que a luz, bem como qualquer outra radiação, era um fenómeno ondulatório de natureza electromagnética. No âmbito desta teoria é possível interpretar, com êxito, os fenómenos ligados à propagação da luz bem como os fenómenos de reflexão e refracção, e os fenómenos que resultam da interacção da radiação com a radiação, como os fenómenos de interferência da luz. Assim, no final do século XIX, os cientistas acreditavam que as leis do electromagnetismo, expressas pelas equações de Maxwell, juntamente com as leis de Newton e as leis da Termodinâmica permitiriam interpretar qualquer fenómeno natural. No entanto, a descoberta de fenómenos que resultam da interacção entre a radiação e a matéria veio evidenciar a necessidade de uma revolução nos conceitos da Física Clássica.

INTERACÇÃO DA RADIAÇÃO COM ELECTRÕES DO ÁTOMO

Efeito Fotoelectrónico
O efeito fotoelectrónico (ou efeito fotoemissivo) consiste na libertação de electrões pela matéria sob a acção de radiação electromagnética. Este efeito foi descoberto, em 1887, pelo física alemão Heinrich Hertz (1857-1894). O estudo da emissão fotoeléctrica pelos metais puros, no vazio, faz-se com uma célula fotoeléctrica. Esquema de uma célula fotoeléctrica O cátodo, C, é feito do metal puro a estudar. No voltímetro, V, lê-se o valor da tensão aplicada à lâmpada. O circuito encontra-se interrompido no intervalo entre o cátodo e o ânodo, A, e ficará fechado pelos electrões emitidos pelo cátodo (corrente fotoeléctrica) quando sobre ele incide o feixe luminoso.

As células fotoeléctricas de vazio são pouco usadas porque a corrente de saturação que fornecem é muitíssimo pouco intensa, apenas alguns miliampères, e, por consequência, de difícil detecção. Pode obter-se uma corrente mais intensa usando uma célula com atmosfera de um gás inerte; os fotoelectrões emitidos pelo metal do cátodo ionizam as moléculas do gás e, portanto, a corrente de saturação aumenta. Um tipo de célula, muito usado como detector, é o fotomultiplicador que se destina á

detecção de radiações muito pouco intensas. Esquema de um fotomultiplicador Os fotoelectrões emitidos pelo cátodo, C, são acelerados para uma placa, B, que se encontra a um potencial superior ao de C e, chocando com ela, provocam a libertação de outros electrões, chamados electrões secundários, em número duas ou três vezes superior ao dos electrões incidentes. Os electrões secundários, assim libertados, são acelerados para outra placa, D, e provocam a libertação de novos electrões secundários, e assim sucessivamente.

Leis da emissão fotoeléctrica Na altura em que o efeito fotoeléctrico foi descoberto admitia-se que as radiações luminosas eram de natureza ondulatória, isto é, que a sua propagação se fazia por meio de ondas caracterizadas por um valor de frequência, f. Procurou-se então descobrir se existiria alguma relação entre a emissão de electrões por uma superfície metálica e a frequência da luz monocromática incidente, isto é, a radiação incidente com apenas um único valor de frequência. Os resultados experimentais obtidos com a célula fotoeléctrica no final do século XIX e início do século XX, permitiram tirar conclusões muito importantes que constituem as leis da emissão fotoeléctrica: 1ª lei - Para uma metal puro, a emissão fotoeléctrica inicia-se e termina instantaneamente e só se produz se a frequência da radiação monocromática incidente for superior a um dado valor, f0 , designado por frequência do limiar fotoeléctrico ou frequência limiar. 2ª lei - O valor da frequência do limiar fotoeléctrico, f0 , varia com o material que constitui a superfície iluminada e é uma característica deste.

3ª lei - O número de electrões emitidos por unidade de tempo e, portanto, o valor máximo, constante, da corrente fotoeléctrica, corrente de saturação, I1 e I2 , é proporcional à intensidade do feixe monocromático que incide no cátodo.

I1 e I2 - valores máximos das correntes correspondentes às intensidades luminosas Ie1 e Ie2 , tal que Ie1 > Ie2 . 4ª lei - A energia cinética máxima dos electrões emitidos pelo metal do cátodo é independente da intensidade do feixe luminoso monocromático, incidente no cátodo e cresce com a frequência.

Teoria dos fotões de Einstein Equação fotoeléctrica de Einstein
A teoria ondulatória da luz interpretava, com êxito, todos os fenómenos luminosos conhecidos até então mas mostrou-se incapaz de interpretar o efeito fotoeléctrico que é consequência da acção das radiações luminosas sobre a matéria.

Com efeito, de acordo com a teoria ondulatória, a emissão fotoeléctrica deveria ocorrer para luz incidente de qualquer frequência, desde que o feixe luminoso fosse suficientemente intenso. Tornava-se, portanto, inexplicável a existência de um valor limite para a frequência da radiação incidente. Por outro lado, se o feixe de luz incidente fosse muito pouco intenso, isto é, se a potência radiante incidente na superfície do cátodo tivesse valor muito baixo, a energia que então caberia a cada um dos electrões seria muito inferior à energia necessária para a extracção de um electrão da superfície de um metal. Também não se poderia admitir que se tratasse de uma acumulação, no tempo, de energia incidente, pois a emissão fotoeléctrica é instantânea. O facto de a energia cinética máxima dos fotoelectrões ser independente da intensidade do feixe de luz monocromática incidente na superfície do cátodo, era igualmente inexplicável na teoria ondulatória, visto que, se houvesse uma distribuição uniforme de energia luminosa por toda a superfície do cátodo, a energia recebida por cada um dos seus electrões deveria ser directamente proporcional à intensidade do feixe luminoso monocromático incidente. Einstein, em 1905, demonstrou que se podiam resolver as dificuldades atrás apontadas se se aplicasse, às radiações luminosas, a hipótese dos quanta que o físico Max Planck recentemente apresentara. Max Planck, em 1900, apresentou a hipótese de que a emissão de energia radiante pela matéria não se faz de um modo contínuo mas por quantidades discretas, proporcionais à frequência da respectiva radiação. A cada uma dessas quantidades chamou quantum de energia. Assim, Einstein, em vez de considerar a luz incidente como uma onda de frequência f, considerou-a como uma corrente de corpúsculos, recuperando uma ideia de Newton, os fotões, cada um dos quais de energia E proporcional à frequência f da onda considerada, e cuja constante de proporcionalidade, h, era a mesma que Planck deduzira a partir da sua hipótese: E = hf em que h se designa por constante de Planck: h = 6,625 x 10-24 J s Einstein considerou ainda que a intensidade da onda luminosa incidente é proporcional ao número de fotões que ela transporta. Quando há emissão fotoeléctrica é por que um fotão de energia hf colide com um electrão da superfície de um metal, sendo completamente absorvido e, ao desaparecer, é transferida para o electrão toda a sua energia. Uma parte desta, E0, igual á energia de extracção do metal, é consumida para arrancar o electrão do átomo e para o afastar da superfície do metal; a restante energia, hf - E0, aparece como energia cinética do electrão emitido e representa a energia cinética máxima com que um fotoelectrão, supondo-o inicialmente em repouso, pode abandonar a superfície do metal. Assim, segundo Einstein, podemos escrever: hf - E0 = ½ m v2máx Esta equação, designada por equação fotoeléctrica de Einstein, foi confirmada experimentalmente, em 1916, por Milikan, que a comprovou determinando os valores da energia cinética máxima dos fotoelectrões emitidos por vários elementos fotossensíveis,

determinado a partir do declive das rectas da figura anterior.55 x 10-34 J s). correspondentes a essas frequências. os fotões individuais. que colidem com a superfície metálica por unidade de tempo.E0 = ½ m v2máx supondo que cada fotão útil do feixe luminoso incidente possui apenas a energia suficiente. foi de 6. Gráfico das medidas feitas por Milikan e que traduz a variação do potencial de paragem. com a frequência f da radiação incidente num cátodo de césio e num cátodo de cobre. E = | e V0 | Milikan confirmou. A existência de um valor limite. medindo os valores dos potenciais de paragem. em perfeito acordo com o valor deduzido por Planck ao estabelecer a sua teoria quântica (6. da frequência da radiação monocromática incidente.56 x 10-34 J s. para expulsar um electrão do metal. não terão energia suficiente para expulsar electrões. por Milikan. O valor da constante de Planck. Interpretação das leis da emissão fotoeléctrica pela teoria dos fotões A partir da teoria dos fotões torna-se fácil a interpretação das leis da emissão fotoeléctrica. E0. deduz-se da equação hf . V0. qualquer que seja o seu número. O valor actualmente aceite para h é de 6.625 x 10-34 J s. h.para diferentes frequências de luz monocromática. f0. Então hf0 = E0 ou f0 = E0 / h Se a frequência da radiação incidente tiver um valor f < f0. . assim. característica de cada metal puro. uma das previsões teóricas de Einstein: a energia cinética máxima dos fotoelectrões é função linear da frequência da radiação monocromática incidente. V0.

como uma colisão elástica entre um fotão incidente de energia E = hf e de momento linear de módulo p = hf / c e um electrão pouco ligado ao núcleo. em todas as direcções. pelo ânodo de uma célula fotoeléctrica. Arthur H. por um bloco de grafite. Interpretação do efeito de Compton pela teoria dos fotões A interpretação dada por Compton a este efeito. excepto na direcção de incidência. considerou o processo da difusão de raios X com diminuição de frequência da radiação. verificou a existência. A descoberta deste efeito trouxe também dificuldades à Física Clássica pois a teoria electromagnética de Maxwell não o permite explicar. de comprimento de onda superior. Mas o que é a difusão? O processo de interacção da radiação com a matéria designado por difusão consiste na absorção da radiação pelo material em que incide. ao estudar a difusão de um feixe monocromático de raios X. a corrente fotoeléctrica é proporcional à intensidade do feixe luminoso monocromático incidente. Compton. Compton. supondo que um feixe de raios X é uma corrente de fotões de elevada energia. A difusão da radiação com variação de frequência é designada por efeito de Compton. veio proporcionar mais um apoio à hipótese da natureza quântica da radiação electromagnética. A difusão da radiação sem variação de frequência diz-se difusão elástica. explicando apenas a difusão elástica.E0 = ½ m v2máx e hf0 = E0 temos que ½ m v2máx = h ( f . de radiação difundida de frequência igual á da radiação incidente e também a existência em todas as direcções. radiação electromagnética de frequência elevada.. o que permite desprezar a sua energia de extracção. o número de electrões captados por unidade de tempo. Atenção que hf = mc2 porque E = mc2 ou mc = hf / c e portanto p = hf / c !. . por consequência. de radiação difundida de frequência inferior à da radiação incidente e. Da conjugação das expressões hf .f0 ) Conclui-se então que a energia cinética máxima dos fotoelectrões só depende da frequência da radiação incidente e aumenta quando essa frequência também aumenta. portanto.Como a expulsão de um fotoelectrão corresponde à absorção de um fotão de energia hf > E0 ou hf = E0 . Efeito de Compton Em 1923. é proporcional ao número total de fotões que colidem com o cátodo. no mesmo intervalo de tempo e.. o físico americano. seguida de emissão de radiação em todas as direcções.

com exactidão. electrão de recuo. então. Este processo ocorre quando um fotão de energia muito elevada atravessa o campo eléctrico de um núcleo ou o campo dos electrões de um átomo. A radiação difundida no efeito Compton tem. Produção de pares Outro processo através do qual um fotão transfere energia para a matéria é através da produção de pares. cuja energia cinética aumenta devido ao choque. pois. em que existe interacção da radiação com o campo do núcleo ou dos electrões. emitido numa direcção que faz um determinado ângulo com a direcção de incidência. portanto. o efeito de Compton é tanto mais acentuado quanto maior for a frequência da radiação incidente. portanto.Da interacção entre o electrão e o fotão incidente. lançado numa direcção que faz um dado ãngulo com a direcção de incidência. comprimento de onda maior do da que o comprimento de onda radiação incidente. Para uma dada substância difusora. sendo o electrão. e a sua variação com o ângulo de difusão obteve foi a seguinte: . m é a massa em repouso do electrão e c o valor da velocidade de propagação das ondas electromagnéticas no vazio. . isto é. nestas condições. Compton pôde prever. resulta um fotão de menor energia. o aumento do comprimento de onda. ou seja. torna-se apreciável a variação relativa de comprimento de onda Para uma dada energia do fotão incidente. A expressão que em que h é a constante de Planck. Aplicando as leis da conservação do momento linear e da energia ao choque elástico de um fotão com em electrão em repouso. para dada frequência da radiação incidente. quanto menor for o seu comprimento de onda. . fotão difundido. a variação do valor do momento linear do fotão incidente e. os electrões estão menos ligados ao núcleo. o efeito de Compton é tanto mais acentuado quanto menor for o número atómico do elemento difusor porque.

a antipartícula do electrão. por E = 2m0c2 em que m0 é a massa em repouso do electrão ( e do positrão ) e c a velocidade de propagação da luz no vazio. segundo o esquema: O positrão foi descoberto por Carl Andersen em 1932 ( ano da descoberta do neutrão ) durante experiências sobre a interacção dos raios cósmicos com a matéria.6x10-19 J. 1 eV = 1. Por esta razão. radiação gama. . O destino do positrão é a sua aniquilação devido ao desaparecimento de um par electrão . f=E/h igual a 2. ou seja. a energia mínima necessária para produzir um par electrão . tem existência muito curta devido à grande abundância de electrões na matéria. também o fenómeno se designa por materialização da energia. Consequentemente. o que corresponde a radiação incidente de frequência. Aniquilação do positrão Embora o positrão seja uma partícula estável. pois toda a energia do fotão incidente é transformada nas massas do electrão e do positrão e ainda nas respectivas energias cinéticas.positrão é dada.47x1020 Hz ou 2. a energia E = 2m0c2 isto é. O fenómeno constitui uma das provas mais convincentes da equivalência entre massa e energia. E = 1. no mínimo.positrão com emissão de fotões gama altamente energéticos. de acordo com a relação relativística de equivalência entre massa e energia. é necessário que o fotão incidente possua. Neste tipo de interacção.A produção de pares consiste no desaparecimento do fotão incidente e na criação simultânea de um electrão negativo ( e.47x1020 s-1 .) e de um electrãopositivo ou positrão ( e+ ).022x106 eV.

A absorção devida a este último processo aumenta rapidamente com a energia dos fotões e é proporcional ao quadrado do número atómico do elemento absorvente. que fica num estado excitado. Convém salientar que. estes podem considerar-se como se se tratassem de electrões livres e o processo principal que conduz à eliminação de fotões de um feixe incidente. superior a 2 m0c2 = 1. Da interacção de um feixe de radiação electromagnética com a matéria pode ainda resultar o processo conhecido como absorção de fotões. ou seja. A absorção devida ao efeito fotoeléctrico predomina quando a energia dos fotões incidentes é baixa e diminui rapidamente ao aumentar a energia dos fotões. Qualquer que seja o processo que conduza à absorção da radiação electromagnética. se for I0 a intensidade de um feixe de radiação monocromática que incida perpendicularmente num meio de espessura x. a intensidade I do feixe. ou seja. é o efeito de Compton. O valor de u depende da frequência da radiação incidente e do número atómico do elemento atravessado pela radiação electromagnética. atrás referidos. em que 1 eV = 1.022x106 eV. e como consequência da absorção. uma diminuição da intensidade da radiação electromagnética incidente. efeito de Compton e efeito fotoeléctrico ) depende da frequência da radiação incidente. Neste caso. Se a energia dos fotões é muito elevada. ou seja. Espectros da Radiação . provoca absorção da radiação. Absorção Qualquer dos processos de interacção da radiação com a matéria. a probabilidade relativa de ocorrência de cada um dos três efeitos estudados ( produção de pares.6x10-19 J. átomos. processo que consiste na absorção de fotões pelas entidades corpusculares constituintes da matéria ( moléculas.Na interacção da radiação electromagnética com a matéria. se se trata da interacção da radiação gama com a matéria. ou mesmo o seu desaparecimento. a absorção é devida predominantemente à eliminação de fotões pelo processo de produção de pares. é dada pela expressão: I = I0e-ux em que e é a base dos lagaritmos neperianos e u é o coeficiente de absorção do material considerado. depois de atravessar essa espessura. a energia dos fotões é totalmente convertida na variação da energia do sistema. iões ) originando transições electrónicas. ao aumentar a frequência da radiação incidente. quando comparada com a energia de ligação dos electrões. em geral. Se a energia dos fotões é grande. isto é. o corpo absorvente se torna emissor de energia. da energia dos fotões que interactuam e do número atómico do elemento que sofre a interacção.

Através desta pode ser simultaneamente observada a imagem de uma escala existente em E. e que serve para localizar. dispersão da luz. Em certas condições os espectros descontínuos podem apresentar zonas que. A imagem resultante da dispersão chama-se espectro luminoso e não se apresenta igual para todas as substâncias e radiações analisadas. que pode estender-se do vermelho ao violeta. Em condições apropriadas essas bandas podem desdobrar-se em riscas. está contido na caixa c. Os espectros de vapores e gases incandescentes são descontínuos. Assim. pelo que se chamam espectros de riscas. f. que é um prisma. no estado atómico. no espectro. designados por espectrómetros. consoante estamos a receber no espectroscópio radiação proveniente do aquecimento ou energia fornecida a uma . Existem também espectroscópios que permitem efectuar medições de comprimento de onda das radiações do espectro. e é observada através da lunetaL. A luz. utilizando prismas ópticos como órgãos dispersores. O órgão dispersor. os espectros de sólidos e líquidos incandescentes apresentam-se como espectros contínuos. as diferentes riscas observadas. Os espectros obtidos a partir de vapores e de gases incandescentes apresentam aspectos muito diferentes dos anteriores. em dispositivos apropriados que se chamam espectroscópios. constituídos por riscas.A separação de um feixe luminoso. não apresentam descontinuidades. Os espectros observados nos espectroscópios podem ser fotografados. penetra na fenda. A extensão dos espectros contínuos de sólidos e de líquidos incandescentes depende da temperatura a que as substâncias se encontram. não monocromático. coloridas no espectro visível. Assim sucede com a energia radiante emitida pelos filamentos das lâmpadas de incandescência ou certos metais em fusão. pode fazer-se. pela sua extensão. em boas condições. Os espectros podem ser de emissão ou de absorção. corresponde um espectro de riscas que o caracteriza. do colimador C. a localização e o número de riscas diferem de elemento para elemento. iluminada. espectros em que a parte visível dos espectros obtidos a partir da luz emitida se apresenta como uma faixa contínua. A cada elemento. nas radiações monocromáticas que o compõem. isto é. se designam por bandas. objecto de análise. Os espectroscópios preparados para esse efeito designam-se por espectrógrafos e os respectivos registos chamam-se espectrogramas.

Observar a cor da chama emitida de cada elemento químico.0 x x x x x x 1014 1014 1014 1014 1014 1014 Entretanto.0 5.amostra de um elemento no estado atómico ou substância. As radiações infravermelhas são radiações térmicas. onde se produz uma descarga eléctrica que provoca a vaporização de uma gota de mercúrio cujo vapor. Só nos costumamos referir à zona visível do espectro.1 4. ou de quartzo.3 5. Observar espectros de emissão de diferentes elementos químicos através de ensaios de chama.0 x 1014 Hz (extremo violeta). cerca de um terço corresponde a radiações infravermelhas.7 6.0 x 10 14 Hz (extremo vermelho) e 7. porque as suas frequências são da ordem de grandeza das frequências das vibrações das partículas dos corpos (10 14 Hz).3 5.0 5. constituída por um tubo de vidro. . A constituição do olho humano permite distinguir a sucessão de radiações cujas frequências se situam entre 4. Uma fonte de luz muito rica em radiação ultravioleta é a lâmpada de vapor de mercúrio.9 x x x x x x 1014 1014 1014 1014 1014 1014 a a a a a a 6. a baixa diferença de potencial.7 6. As radiações cujas frequências são inferiores a 4.1 4. ou se estamos a receber o espectro obtido aquando da passagem de radiação branca do Sol por uma amostra do elemento no estado atómico ou substância em estudo. se torna luminoso. pois é nela que se incluem as radiações para as quais possuímos a capacidade de traduzir a sua recepção por sensações específicas a que chamamos cores. De toda a energia radiante que o Sol nos envia. Relacionar o espectro de cada solução com a sua cor apresentada . Podemos então:     Observar espectros de absorção de diferentes soluções coradas. Frequências das radiações visíveis do espectro (em hertz) violeta azul verde amarelo laranja vermelho 7. as fontes emissoras de energia radiante emitem radiações cujas frequências se podem estender largamente fora dos limites dos valores apontados e para as quais o nosso organismo não possui órgão de detecção.0 6.0 x 10 14 Hz designam-se por infravermelhas e aquelas cujas frequências são superiores a 7.0 x 1014 Hz designamse por ultravioletas.9 4.

pois permite-nos ver milhares de cores e formas que nos ajudam a reconhecer as pessoas. surgiu a Teoria Ondulatória da Luz de Christian Huyghens. a reflexão e a refracção. Esta teoria também explicava a reflexão e a refracção embora houvesse uma contradição entre ambas as teorias acerca do fenómeno de refracção: Newton deduziu que a velocidade de propagação da luz aumenta quando passa para um meio de refrigência superior e Huyghens afirmava o contrário. se estudasse a luz. Após muitos anos de estudo e milhares de experiências. pois a energia que irradia é a que mantém a vida na Terra. que considerava a luz como uma onda. XVII foram propostas duas teorias acerca da natureza da luz: a Teoria Corpuscular da Luz e a Teoria Ondulatória da Luz. não admira que. a nossa galáxia.. ( todos os animais e plantas dependem da luz para sobreviver ). Segundo a Teoria Corpuscular da Luz de Isaac Newton. O sentido da visão que possuímos. Define-se normal como . é um dos elos de ligação mais importantes com o mundo. ao longo dos séculos. ou sentido na mesma direcção ( quando a luz coincide com a normal) que os raios luminosos sofrem ao encontrarem uma superfície polida continuando a sua progressão no mesmo meio. ainda não se conseguiu uma resposta simples para a definição de luz. O Sol é a estrela mais próxima de nós. a luz era constituída por corpúsculos ( pequenos corpos ) que se deslocava em linha recta com grande velocidade. Fenómeno da reflexão da luz. Mais tarde. encontrando-se nele altamente desenvolvido. por volta de 1680. Precisamos de luz para ver. que é o fenómeno da Natureza que nos permite ver os objectos e o que nos rodeia. Relacionar o espectro de cada elemento químico com a cor da chama apresentada . Sendo a visão talvez o mais importante dos nossos sentidos. É de importância vital. Fenómeno da refracção da luz.É a mudança de direcção. os lugares e os objectos que nos rodeiam. Esta teoria explicava a propagação rectilínea. Praticamente a partir do momento que nascemos. começamos a aprender e a recordar o aspecto das coisas. Reflexão da luz . No séc. O sentido da visão é muito importante para o Homem. encontrando-se na periferia da via láctea.

Fenómeno da interferência da luz.sendo a perpendicular à superfície polida no ponto de incidência. mais largo é o leque de luz.Um raio de luz espalha-se quando passa através de uma fenda estreita ou ao passarem pelas arestas de um objecto. Em 1801. Fenómeno da difracção da luz. é necessário que a diferença de fase entre dois feixes que chegam a um determinado ponto seja constante. nesse ponto. Refracção da luz . Difracção da luz . Interferência da luz . Em 1817 Auguste Jean Fresnel elaborou um estudo sobre a difracção da luz e os resultados da sua experiência apoiam a Teoria Ondulatória. A refracção dá-se porque a luz desloca-se a diferentes velocidades consoante os materiais. o que também contrariou a Teoria Corpuscular proposta por Newton.O fenómeno da interferência da luz é revelador de um comportamento ondulatório. 300 000 Km/s. e demonstraram em experiências independentes que a velocidade da luz na água era menor que no ar. Jean Bernard Foucault e Armand Hippolyte Louis Fizeau colaboraram e mediram a velocidade da luz. uma escura ou uma zona de luminosidade intermédia. Para observar a interferência. Em 1849. o ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão. vejamos sempre uma zona clara.É a mudança de direcção que a luz sofre ao ultrapassar o limite que separa dois meios transparentes de densidades diferentes. para que. As leis da reflexão da luz são: o o o raio incidente. Quanto mais estreita for a fenda. . Thomas Young veio a contrariar a Teoria Corpuscular com a sua experiência sobre a interferência da luz. o raio reflectido e a normal estão no mesmo plano. em que os raios sofrem um desvio.

No extremo de comprimentos longos e baixa frequência do espectro electromagnético encontram-se as ondas de radio. A matéria." Quanta ". verifica-se assim. com comprimento de onda e frequência. A energia apresenta-se sob diversas formas. cada um transportando um certa quantidade de energia . Esta teoria tem o nome de " Teoria dos Quanta ". mais electrões se libertam. Maxwell conclui que a luz é uma onda electromagnética e Heinrich Hertz. bem como não se pode que é um feixe de partículas. que não se pode afirmar que a luz é uma onda. Esta hipótese foi confirmada por Clinton Davisson e George Thompson .onda da luz. tem de se considerar a luz como semelhante às ondas de som.Em 1864. em 1879 mostra que as ondas electromagnéticas têm as mesmas propriedades que a luz. a refracção e a difracção. em 1905. mas que revela comportamentos que podem ser explicados por um ou por outro destes modelos. seguidas pelas microondas e os raios infravermelhos. explicava o efeito fotoeléctrico utilizando esta teoria e reforçando a ideia de que a luz também poderia ser considerada pelo seu comportamento corpuscular. química ou eléctrica. o Ambas as teorias reconduziram à hipótese de explicação da luz através de um modelo corpuscular. aumentamos sim o número de electrões libertados . não há razão aparente por que a matéria não possa assumir um comportamento ondulatório. apresenta então uma dualidade corpúsculo . Max Planck defendeu que a luz não é simplesmente uma onda nem um feixe de partículas. Albert Einstein. mas sim uma combinação das propriedades de ambos. Se aumentarmos a intensidade da luz não ampliamos a velocidade de libertação dos electrões. por exemplo sonora. XIX. Quando um fotão choca com um átomo transmite a sua energia a um electrão que se solta do átomo. Vem em seguida a luz visível e a radiação ultravioleta. tal como a radiação. No fim do séc.onda. Existe uma gama completa de formas inter-relacionadas denominada energia radiante ou radiação electromagnética. . cujas diferentes radiações se caracterizam por gamas próprias de comprimentos de onda e frequência. Efeito Fotoeléctrico : o o Se a luz incide num metal pode fazer saltar os electrões dos átomos do metal . confirmando assim a ideia de Maxwell. Louis de Broglie. Na sequência da descoberta da dualidade corpúsculo . tem de se pensar na luz como um feixe de partículas chamadas "fotões". Quantos mais fotões atingirem os átomos. especula sobre a natureza da matéria do seguinte modo: se a luz possui estes dois tipos de comportamento. Mas para compreender como é que os átomos absorvem e emitem luz. em experiências de difracção de electrões. Este é o comportamento da mecânica que constitui a base do nosso conhecimento actual da matéria e da radiação. Juntas compõem o espectro electromagnético. Para entender a reflexão. terminando com os comprimentos de onda mínimos e as frequências máximas dos raios X e dos raios gama. em 1925.

em diferentes quantidades e. Para vermos as diferentes cores que compõem a luz branca.as do espectro visível .É o número de ondas que passam por um determinado ponto por unidade de tempo.cada uma delas com comprimentos de onda e frequência diferentes. daí a designação de " luz visível " . Frequência .d.622 nm) . amarelo (597 . O prisma refracta os diversos comprimentos de onda. a luz branca é uma mistura de diferentes cores . A cor com maior comprimento de onda é o vermelho (780 . seguido do laranja (622 .465 .577 nm). verde (577 . é o único tipo que o ser humano consegue ver.É a distância. Embora haja todos estes tipos de radiação. Comprimento de onda .Espectro da radiação electromagnética. A luz emitida pelo Sol (luz solar) é também denominada de " luz branca". Comprimento de onda (c. azul (492 .492 nm). faz-se incidir um feixe de luz num prisma de vidro.597 nm). se encontram na mesma fase. mas na realidade. entre dois pontos sucessivos que. a luz. dispersa-as no espectro visível. no mesmo instante. Representa-se por  e vem expresso em Hz (hertz). na direcção de propagação de uma onda periódica.o) representa-se por  e vem expresso em m (metro).

mas na realidade podemos obtê-la se misturarmos apenas três delas. temos que nos lembrar que a luz branca é realmente uma mistura de cores.Podem ser tanto de emissão como de absorção e apresentam uma sucessão de intensidade decrescente de zonas luminosas alternadas com espaços escuros. aprofundou-se muito o estudo da estrutura dos átomos e das moléculas. obtemos uma amarela. utiliza-se um aparelho especializado para o efeito denominado espectroscópio.Obtém-se quando a luz proveniente da fonte luminosa incide directamente sobre o dispersor do espectroscópio e são formados por uma sucessão de cores . Para ser possível a observação de espectros. nesse caso.O método utilizado é análogo ao anterior e é formado por uma série de linhas aparentemente irregulares. . Quando duas cores primárias são sobrepostas. mas também da luz usada. dado que essa cor não depende não depende apenas da matéria que constitui o objecto. Isto acontece pelo facto de todas as cores primárias serem reflectidas por cada par de cores complementares. distinguem-se 5 tipos de espectros:      Espectros Contínuos de Emissão . Deste modo. produzem uma cor secundária ( o vermelho com o azul originam o magenta. porque obtém-se a luz branca ao misturá-las.455 nm) e violeta (455 – 390 nm). Dizemos então que o amarelo e o azul são cores complementares. se misturarmos a luz vermelha com a verde. Para compreendermos como vemos as cores. parte do espectro visível é absorvido por este sendo outra parte reflectida.nm). Espectros de Absorção de Riscas . obtemos luz branca. São típicos dos átomos . O vermelho. que é a base da espectroscopia. Só precisamos de adicionar a quantidade certa de azul ao amarelo para que daí resulte a luz branca. São típicos das moléculas excitadas por radiações que não chegaram a dissociar-se. um de cada vez. formando as cores que os nossos olhos captam. Espectros de Emissão de Riscas . a cor com menor comprimento de onda.A radiação atravessa um absorvente e no registo aparecem linhas monocromáticas irregularmente repartidas . Dependendo do método utilizado. Quando a luz incide num objecto. Então. Espectros de Bandas . Misturando-as em proporções diferentes podemos obter qualquer uma das cores do espectro. Se misturarmos cada um destes pares de cores complementares. Se um objecto absorve todas as cores do espectro não se reflecte qualquer luz e. anil (465 . As cores que vemos dependem do tipo de luz que está a ser reflectida. As partes que são reflectidas combinam-se. o ciano ).A radiação atravessa uma substância absorvente antes de atingir o dispersor do espectroscópio. bastante diferentes dentro da gama cromática. A luz branca contém todas as cores do espectro. o vermelho e o verde originam o amarelo e verde com azul. o azul e o verde são as cores primárias. não é correcto falar da cor de um determinado objecto. Se se reflectem todas as cores não há qualquer alteração na luz branca e nessa altura vemos os objectos brancos. A cor complementar do verde é o magenta e a do vermelho é o ciano. Obtém-se uma sucessão contínua de comprimentos de onda . sendo esta última. vemos preto. Através da dispersão da luz branca. A percepção da cor nos objectos produz-se por meio da luz que incide sobre eles. Espectros Contínuos de Absorção .

Era visível ainda a presença de uma risca preta ao meio da banda vermelha. por vezes semelhante. O átomo emite uma vasta gama de radiações diferentes. sendo esta última banda menos espessa em relação às do espectro solar. verde. amarelo verde e laranja. verde. azul. que consiste em levar è chama de um bico de Bunsen. Relativamente à solução de clorofila. embora as bandas vermelho. Ao observarmos esta solução ao espectroscópio verificamos que aparecem todas as cores do espectro solar. vemos que o espectro desta apresenta as cores vermelho. laranja. Quanto à solução de dicromato de potássio. mas nunca igual. dando a esta uma cor particular e específica para cada substância.Numa das actividades experimentais realizadas. Por isso cada elemento ou substância tem um espectro diferente. amarelo e verde. Uma solução de sulfato de cobre apresenta uma cor azul claro. podendo assim ser reconhecido pelas cor da sua chama e pelas cores do seu espectro. esquema do espectro visível . violeta. A cor predominante era o verde e o amarelo. Levámos a cabo um trabalho de natureza experimental envolvendo soluções aquosas de: o o o sulfato de cobre dicromato de potássio clorofila Ao observarmos o espectro da luz solar. amarelo. Cada elemento tem uma estrutura electrónica única. que confere ao elemento toda a unicidade. Isto acontece porque o calor da chama excita os electrões dos átomos originando transições electrónicas em que há libertação de energia sob a forma de radiação (por outros palavras. arde. verificámos que este apresentava as seguintes cores: vermelho. Quando um composto metálico é aquecido numa chama. anil e violeta. amarelo. utilizando um fio de platina ou de aço inoxidável. anil. As bandas amarelo e verde são também menos espessas em comparação ao espectro solar. azul. verificamos que o espectro desta apresenta as cores vermelho. laranja. utilizou-se o teste da chama. há emissão de radiação ). quando é aquecido. A radiação emitida por um átomo durante o teste da chama é apenas parte do processo. As outras frequências de radiação são detectadas por um espectroscópio (ao ser colocado diante das chamas coloridas ) que regista o espectro de emissão atómica. É a impressão digital de um átomo. quando os electrões dos átomos regressam ao estado fundamental. que apresenta uma coloração cor de laranja. mas só algumas são visíveis. laranja. uma pequena quantidade de substância que contenha o elemento que se pretende analisar e/ou identificar. Metais diferentes originam cores de radiações diferentes na chama e estas cores identificam o metal. laranja e verde fossem de menores dimensões comparativamente ao espectro inicial da luz solar. Podemos então sintetizar os resultados obtidos no quadro seguinte: amostra CuSO4 (sulfato de cobre) azul claro cor cores no espectro vermelho.

Avançámos para outro trabalho de natureza experimental em que procedemos à observação de espectros de emissão de uma lâmpada incandescente. anil e violeta.Cores do espectro absorvido pelas soluções de CuSO4 .K2Cr2O7 (dicromato de potássio) cor de laranja vermelho. A cor da chama do gás propano. laranja. da combustão do propano e de testes de chama. esta apresenta uma cor amarela intensa. amarelo. anil e violeta. amarelo. é azul. Cor da chama do cloreto de sódio. laranja. Ao observarmos o espectro do bico de Bunsen. Luz Solar branco Quadro 1. chumbo. verde. laranja. dos elementos sódio. azul. testes de via seca. quando submetido à chama. verificamos que este apresenta um espectro contínuo com as seguintes cores: vermelho. Ao observarmos esta chama ao espectroscópio verificamos que aparecem apenas duas riscas amarelas separadas por uma risca preta num fundo totalmente preto onde não encontramos mais nenhuma cor. cobre e ferro. anil. laranja. Ao observarmos o espectro de uma lâmpada incandescente. violeta. apresenta uma cor azul esbranquiçada. verde. azul. Quanto ao nitrato de chumbo. verde Clorofila verde vermelho. azul. Quando submetemos o cloreto de sódio à chama do bico de Bunsen. amarelo. laranja. vermelho. proveniente do bico. amarelo. . K2Cr2O7 e de clorofila em comparação ao espectro da luz solar . verde. verificamos que este apresenta as seguintes cores: algumas riscas de vermelho. verde.

Finalmente. azul. verificamos que existem muitas riscas sucessivas no verde. anil e violeta.Cor da chama do nitrato de chumbo. Cor da chama do sulfato de cobre. anil e violeta. azul. (principalmente estas duas cores) verde. azul. anil e violeta. . Relativamente ao sulfato de cobre este apresenta uma chama de cor verde e no seu espectro apresenta as seguintes riscas: vermelho. o ferro em pó cuja chama é descrita em termos de "faíscas" alaranjadas apresenta o seguinte espectro: muitas riscas. laranja. verde. Ao analisarmos esta chama ao espectroscópio. algumas delas não distinguíveis de vermelho. verde azulado. verde amarelado.

anil e violeta vermelho. ferro em pó. anil. azul. verde. sulfato de cobre. anil. azul. verde-azulado. esquema do espectro visível verde amarelo intenso amarelo azul branco verde. azul. amarelo. Podemos então sintetizar os resultados obtidos no seguinte quadro: amostra CuSO4 (sulfato de cobre) NaCl (cloreto de sódio) PbNO3 (Nitrato de Chumbo) Fe (Ferro em Pó) Gás Propano (chama do bico de Bunsen) Lâmpada Incandescente chama esquema cores no espectro vermelho. violeta faíscas laranja vermelho. violeta. violeta azul vermelho. laranja. anil. verdeamarelado. . violeta. verde.Cor da chama do ferro em pó. anil. nitrato de chumbo. branco Quadro 2. laranja. azul. gás propano e uma lâmpada incandescente em comparação ao espectro da luz solar . azul. laranja. verde. verde.Cores do espectro emitido pelas substâncias: cloreto de sódio.

pois quando a luz solar a atravessa. Concluímos então que o espectro emitido por esta solução é um espectro de absorção de bandas. pois quando a luz solar a atravessa. têm a capacidade de absorver certas cores do espectro visível. Confirma-se que o espectro desta solução é um espectro de absorção de bandas. o verde e o amarelo. a outra banda absorvida. pois o azul. O laranja é a sobreposição do vermelho (cor primária) com o amarelo (cor secundária) por isso é uma cor terceária. pois verifica-se uma redução das dimensões de certas bandas formando uma sucessão de cores. A solução de clorofila é verde. ela reflecte a cor laranja. Se as soluções apresentam uma determinada cor é porque. é a cor complementar do amarelo. Verificámos que a banda azul e violeta desaparecem na sua totalidade. pois são estas que sobrepostas originam o laranja que é reflectido. No espectro desta substância. A ausência do violeta e parte do laranja. O espectro desta substância que nós observámos. em comparação com o espectro solar. absorvendo as outras duas restantes cores primárias. Se as cores absorvidas são o vermelho. A sua cor depende da sobreposição de cores que a atravessam sem serem absorvidas. absorvendo as outras duas restantes cores primárias. ela reflecte a cor azul. pois quando a luz solar a atravessa. o vermelho e o verde cuja sobreposição é o amarelo. no espectro de absorção desta solução estas cores deveriam desaparecer. da sobreposição do verde e do vermelho que também são reflectidos em parte. Se as cores absorvidas são o vermelho e o azul. Verificámos também que houve redução na banda "vizinha" ao vermelho (o cor de laranja). Verificou-se também que as bandas do vermelho e do amarelo não sofrem alteração. que é absorvido. o que se verificou quase na totalidade. formando assim uma sucessão descontínua de cores. é também uma cor terceária que resulta da sobreposição do magenta (cor secundária) com o azul (cor primária) é complementar ao amarelo e ao vermelho (de onde resulta o laranja). A solução de sulfato de cobre é azul. cores que são reflectidas e é a sobreposição destas que confere a cor esverdeada à clorofila. o que se verificou. Confirma-se que o espectro desta solução é um espectro de absorção de bandas . o que nos parece normal. quando atravessadas por um feixe de luz branca. o vermelho e o azul. visto que estas duas bandas possuem comprimentos de onda relativamente próximos.amarelo. ela reflecte a cor verde. no espectro de absorção desta solução estas cores apresentam-se sob a forma de bandas negras. pois as bandas de azul e de violeta desaparecem na sua totalidade e as outras formam uma sucessão contínua de cores. Nestas soluções são os iões nelas presentes que são responsáveis por essa absorção diferenciada da cor.Vamos então interpretar os fenómenos observados. demonstram que estas bandas foram absorvidas e predominantemente observa-se neste espectro o verde e o verde . O violeta. ou seja. . tinha estas três bandas em reduzidas dimensões. no vermelho existia uma interrupção de uma banda negra ao meio desta cor. não constava a banda do azul e. A solução de dicromato de potássio é cor de laranja. pois as bandas de azul e de violeta desaparecem na sua totalidade e a o vermelho é interrompido por uma banda negra.

Relação das soluções com o seu respectivo tipo de espectro. foi o resultado da sobreposição das riscas dos verdes com as dos azuis e violetas emitidos no seu espectro. A chama de cor verde . correspondem a transições electrónicas muito próximas. conferem a cor das soluções. azul. As duas riscas amarelas. o espectro mais complexo que observámos devido à presença de inúmeras riscas. É a sobreposição de todas estas cores emitidas que conferem a sua cor da chama. tal como se verificou. emitidos no seu espectro. O que confere a cor azul à chama do gás é a sobreposição de todas as cores emitidas pelo seu espectro de riscas. azul vermelho. violeta vermelho (uma pequena banda) . a única cor que é emitida pelo seu espectro. A chama de cor azul . muito próximas uma da outra. Nesta actividade foi possível que ocorressem erros na visão das bandas pois o espectroscópio não era muito preciso e poderia ter ocorrido um mau posicionamento do aparelho em relação ao recipiente onde estava contida a solução. laranja verde . tal como demonstram os resultados da nossa actividade.azul do sulfato de cobre. Como a sua chama apresentava "faíscas" alaranjadas. verde amarelo tipo de espectro Absorção de Bandas Absorção de Bandas Absorção de Bandas Sulfato de Cobre Dicromato de Potássio Clorofila Quadro 3 . O espectro de emissão da lâmpada incandescente é a luz branca. na nossa actividade experimental. nomeadamente. anil e violeta. do cloreto de sódio. laranja verde. azul. a sobreposição das riscas vermelhas com as ricas verdes originam o amarelo que é a cor complementar do azul. Podemos então sintetizar as nossas conclusões no seguinte quadro: Solução Cores absorvidas vermelho. dos azuis. . verde. foi o resultado da sobreposição das riscas do verde. era provável que o seu espectro emitisse predominantemente o vermelho e o laranja e só depois as riscas azuis e violetas . amarelo. O facto do espectro do gás emitir riscas da mesma cor que o ferro não significa que são duas substâncias iguais. violeta cores não absorvidas amarelo. (ou seja todas as cores do espectro visível que sobrepostas originam o branco) pois a função desta é iluminar. Por fim o ferro. violeta. A cor da chama do sódio é amarela. até porque o espectro do ferro apresentava um maior número de riscas e basta isso para que se possam diferenciar.A sobreposição das cores não absorvidas.esbranquiçada do nitrato de chumbo.

Cada risca da luz emitida nos testes de chama pelas diferentes substâncias. ocupando só determinadas zonas em torno do núcleo. tem um espectro com mais riscas. conferindo assim uma estrutura electrónica única. O caso do ferro. mais complexo. ou seja. Tal acontece. que é o elemento com mais electrões de valência e é o que. mais complexo é o espectro. Então. por exemplo) emitem chamas características com um espectro de emissão característico que permite reconhecer a presença dos diferentes elementos que compõem a amostra. então.As substâncias quando sujeitas a altas temperaturas (à chama. a chama do bico de Bunsen emitir radiação que . às radiações emitidas quando o electrão transita de um estado para outro de menor energia. A transição entre os vários estados de energia acontece quando a luz. corresponde à emissão de uma radiação de frequência e comprimento de onda característico e bem definido. Veja-se o espectro das substâncias que analisámos e verifica-se que nenhum deles é igual a outro. se as riscas do espectro dependem dos electrões. o que leva a que os electrões se distribuam por níveis de energia. quando a radiação electromagnética interage com a matéria troca com esta quantidades de energia bem quantificadas. As riscas observadas nos espectros de emissão correspondem. interage com o electrão do átomo. quanto maior o número de electrões de valência mais riscas irá ter o espectro. pois. É natural que tivéssemos observado cores que não deveriam estar presentes em certos espectros. também. radiação electromagnética. das forças de natureza eléctrica a que está sujeito: a atractiva do núcleo atómico e as repulsivas dos outros electrões presentes. Cada elemento tem a sua estrutura electrónica e esta resulta do equilíbrio de cada electrão. Isso deve-se ao facto de. Este facto verificou-se na nossa actividade.

Podemos sintetizar as nossas conclusões no seguinte quadro: substância Sulfato de cobre Nitrato de chumbo Ferro em pó Cloreto de sódio Lâmpada incandescente Gás (bico de Bunsen) Cor da chama Verde . anil. verde. violeta amarelo vermelho. Nos espectros de emissão. Vamos considerar o espectro das radiações emitidas pelo hidrogénio. suficiente para levar o gás ao estado atómico.Relação das cores das chamas das diferentes substâncias com o seu respectivo espectro de emissão e o tipo de espectro. violeta vermelho. Não foi possível ver os comprimentos de onda emitidos pelas substâncias devido ao espectroscópio que não mostrava a escala. violeta vermelho.também é captada pelo espectroscópio e se "mistura" com as outras radiações e também porque a actividade deveria ter sido feita num lugar escuro. é a sobreposição das cores emitidas que confere a cor das chamas. anil. laranja. azul. azul. Justifica-se a escolha do hidrogénio devido ao facto dos átomos deste gás serem os mais simples. (estávamos num local onde existia radiação solar que também deve ter influenciado) onde apenas se observassem as riscas emitidas por cada substância. e os espectros também. azul. violeta tipo de espectro Emissão de Riscas Emissão de Riscas Emissão de Riscas Emissão de Riscas Emissão Contínuo azul Emissão de Riscas Quadro 4 . Podemos estabelecer as seguintes conclusões:       Nos espectros de absorção. provocou uma abordagem a modelos estruturais atómicos válidos para a descrição do mundo físico. verde.  Espectros atómicos Espectro do hidrogénio atómico O facto dos espectros de riscas diferirem de elemento para elemento sugere que a constituição dos espectros esteja relacionada com a estrutura dos átomos. anil. Cada espectro é característico de uma substância e permite identificá-la. violeta verde. azul. tendo sido o espectro do hidrogénio a  . Se os átomos diferem de elemento para elemento. rarefeito.azulado Azul esbranquiçado faíscas amarelas alaranjadas amarelo intenso branco Riscas emitidas verde. amarelo. azul. laranja. laranja. quando submetido a uma descarga eléctrica de alta tensão. verde. é a sobreposição das cores não absorvidas que confere a cor das soluções.

Dentro de cada série.   Estas riscas do espectro do hidrogénio atómico constituem a série de Balmer. em 1885.097 x 107 m-1. das quais as 4 primeiras designadas por . na zona do ultravioleta. e dando a n1. no verde azulado. A essas riscas seguem-se outras. c a velocidade da luz no vazio e R uma constante (constante de Rydberg) de valor 1. Em todas as séries se encontrou uma regularidade análoga na sucessão dos valores das frequências. em cada caso. valores inteiros sucessivos a partir de n2 + 1. pelo físico suíço Balmer.servir de base á criação e desenvolvimento da teoria sobre a origem dos espectros atómicos e sobre a estrutura dos átomos. a partir de 1. o que permitiu estabelecer uma expressão matemática geral para o cálculo dessas frequências relativas a qualquer das riscas. o que foi confirmado. O ritmo em que se sucede a diminuição das distâncias entre as riscas permite admitir alguma ordem particular. estão situadas na zona do visível. sendo n2 = 2 na série de Balmer. no azul e no violeta. Posteriormente outros investigadores encontraram novas séries de riscas no espectro do hidrogénio atómico. respectivamente no vermelho. até aos 8. que avançou com uma expressão matemática para calcular os valores das frequências correspondentes para a série de riscas da parte visível do espectro. A expressão geral é devida ao físico sueco Rydberg (1854-1919). n2 é constante.  A figura representa uma parte do espectro de riscas do hidrogénio atómico. e pode apresentar-se da seguinte forma:       em que f é a frequência da risca considerada.  .2 x 1014 s-1. cada vez menos distanciadas entre si. Obtêm-se os valores das frequências relativas às riscas das diversas séries dando a n2 valores inteiros sucessivos. inclusive.

sendo h a constante de Planck. Ao absorverem determinadas quantidades de energia. chamado número quântico principal. um nº inteiro. pois só pode assumir valores certos e bem definidos.       Interpretação do espectro do hidrogénio atómico. emitindo. (De recordar que 1 eV = 1. Os valores possíveis da energia do átomo de hidrogénio previstos pela teoria de Bohr são dados pela expressão:    onde E0 = 13. portanto. a que correspondem n = 2. os excessos de energia que os excitara.. o físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962). a que corresponde energia inferior. f a frequência da radiação emitida. Segundo Maxwell e a sua teoria electromagnética. 2º) Os átomos de hidrogénio só irradiam quando o electrão transita de um estado estacionário para outro estado estacionário. para o átomo. esses átomos passam a estados estacionários excitados. o que equivale a dizer que o momento angular do electrão está quantizado.Ei .. mas tal afirmação não pode aceitar-se para o movimento dos electrões nos átomos porque. o que é inexplicável no âmbito da física clássica. . correspondendo á emissão de quantidades discretas. e que a energia do fotão emitido é dada por hf = Ef . segundo Bohr O facto do espectro do hidrogénio atómico apresentar apenas determinadas frequências sugere que a emissão de energia pelos átomos de hidrogénio é descontínua. e levando apenas à existência de espectros contínuos. o que não corresponde à realidade.6 x 10 19 J).6 eV é a energia de ionização do hidrogénio e n. Os átomos de hidrogénio encontram-se normalmente no estado de energia mínima. Bohr avançou com 2 postulados: 1º) Os átomos de hidrogénio só podem encontrar-se em certos estados de energia (estados estacionários).3. sob a forma de energia electromagnética. interpretativo das séries do espectro de riscas desse elemento. e baseando-se nas teorias dosquanta de Planck e dos fotões de Einstein. isto é.4. Ef e Eias energias do átomo correspondentes aos estados final e inicial. Depois de excitados. A orientação das setas refere-se à perda de energia de excitação do electrão no átomo e. desenvolveu um modelo de átomo que permitiu resolver aquelas dificuldades. estado fundamental. positivo.. Diagrama dos níveis energéticos do átomo de hidrogénio. os átomos regressam ao estado normal. e se tiver cessado toda a causa da excitação. todos eles acabariam por cair nos respectivos núcleos. uma carga eléctrica em movimento acelerado irradia cosntantemente energia. o que também não corresponde à realidade. partindo do modelo "planetário" de Rutherford. a que corresponde n = 1. à emissão de energia radiante sob a forma de fotões. o que implicaria que a matéria tivesse elevadíssima densidade. se assim fosse. Em 1913. o electrão só pode descrever determinadas órbitas.

o electrão saltará do nível mais interno. B. a que se seguiriam as séries de Brackett e Pfund. sendo assim. o espectro observado diz-se espectro de emissão. todas estas no infravermelho. O fenómeno pode considerar-se de ressonância pois os electrões dos átomos seleccionam. diz-se que o espectro observado é um espectro de absorção. no ultravioleta. para outro. A interpretação desta "absorção" de energia passa por inferir que. Espectro solar e origem das riscas escuras do espectro O espectro solar que observamos na Terra só aparentemente é um espectro contínuo. há emissão de um fotão de determinada energia. mas avultam como tal por contraste com o restante espectro luminoso. e a fenda do espectroscópio. provocar o aparecimento de riscas espectrais escuras num espectro que. ou seja. . Inversamente. Claro que. afinal. pelo que parecem riscas escuras. Se essa composição se mantém. Em experiências de laboratório podem obter-se espectros de absorção de riscas. Quando alguma(s) das radiações constituintes da luz em estudo forem absorvidas no trajecto. pelo que é mínima a energia reemitida na direcção do observador. doutro modo seria contínuo. segundo uma única direcção. bastando para isso interpor um gás entre a fonte luminosa. o átomo regressará ao seu estado fundamental emitindo a energia que "absorveu". É claro que. os fotões cujas frequências são próprias das suas possíveis emissões. se fornecermos ao átomo a energia radiante correspondente a esse fotão. mais interno. no visível. não deveriam aparecer as riscas escuras no espectro. no estado atómico. depois de excitado. correspondendo assim radiações absorvidas por estes. interrompido por riscas escuras exactamente nos lugares onde deveriam encontrar-se as riscas coradas do espectro dado pelo gás interposto no trajecto da luz. sempre que um electrão salta de um nível energético A. e isso fará pensar que. Balmer.               Espectros de emissão e espectros de absorção A luz que se analisa num espectroscópio pode conservar ou não a composição com que foi emitida pela respectiva fonte luminosa. de toda a energia que se lhes fornece. enquanto as radiações reemitidas pelos átomos excitados têm qualquer direcção. B. e de Paschen. A. a que corresponda um espectro contínuo. como a luz solar. as riscas escuras não são totalmente escuras. O espectro observado apresenta-se na sua extensão do vermelho ao violeta. do espectro do hidrogénio. A justificação desse aparecimento está em que as radiações emitidas pela fonte luminosa incidem nos átomos do gás interposto.Neste diagrama estão indicadas algumas das transições electrónicas correspondentes aos valores das energias dos fotões relativos às radiações que constituem as séries de Lyman. para o nível mais externo. devido á fonte luminosa.

 Dualidade onda . exactamente. que origina as riscas escuras. a menor temperatura. o tálio (1862). Este nº está hoje largamente ultrapassado. grupos funcionais. rodeada de uma atmosfera gasosa. na zona visível. Não só é possível conhecer quais os elementos que figuram na composição dos astros como até as proporções em que se encontram. após descoberta anterior de várias riscas escuras dispostas transversalmente. Importância da análise espectral A contribuição da espectroscopia permite que hoje um feixe luminoso seja capaz de nos dar informações sobre os astros. da velocidade com que se movem. o néon. da matéria que as forma. em toda a sua extensão. são propriamente as riscas de Fraunhofer... às radiações que foram absorvidas. uma fonte radiante a elevada temperatura. em todo o espectro solar. Os raios de luz dão-nos informações acerca da temperatura das estrelas.. tendo-se localizado. o que possibilitou a descoberta de novos elementos químicos. dedicou-se ao seu estudo.         Em 1815. do Sol. O espectro solar informa-nos que existe. no trajecto da luz solar. visível e invisível. o que permite identificar determinados radicais presentes. que 50% da matéria das estrelas é hidrogénio e que os outros elementos que as compõem se encontram na mesma proporção do que na Terra. As riscas escuras observadas no espectro correspondem. isto é. o gálio (1875). Sabemos que mais de 90% da massa da atmosfera solar é constituída por hidrogénio e hélio. da Lua e dos planetas do Sistema Solar. nomeadamente no infravermelho. a chamada análise espectral. desde o Sol até nós. natureza das ligações químicas. das estrelas. que permite obter informações não só qualitativas mas também quantitativas. Os estudos efectuados levaram à conclusão de que as riscas escuras são devidas a duas causas: à atmosfera que envolve a fotosfera e à atmosfera terrestre... por elementos químicos e/ou substâncias.corpúsculo         . A descoberta de que a cada elemento correspondem riscas espectrais de determinadas frequências levou ao desenvolvimento de processos e técnicas de análise de substâncias. criada por Bunsen e Kirchoff em 1860.. As riscas de Fraunhofer são principalmente importantes porque nos revelam quais as substâncias que figuram na composição da atmosfera solar. o hélio. o índio (1863). Em homenagem ao físico alemão deu-se-lhes o nome de riscas de Fraunhofer. da existência de campos eléctricos e magnéticos dos astros de onde a luz é proveniente. o kripton e o xénon (todos em 1895). como o rubídio e o césio (1860). que o cortam transversalmente. as devidas à absorção pela atmosfera terrestre desigam-se por riscas telúricas. cerca de 22 000 riscas escuras. sobre as substâncias. que fornece um espectro contínuo. O conhecimento das estruturas moleculares dos compostos orgânicos beneficia muito com a observação de espectros de absorção. tendo contado cerca de 700. Serão todas aquelas a que correspondam riscas coradas nos lugares em que aparecem riscas escuras. na sua origem. nomeadamente a respeito da composição. relativamente à Terra. o físico alemão Joseph Fraunhofer (1787-1826). As riscas escuras devidas á absorção das radiações pela atmosfera solar.

relacionada com a frequência. A descoberta do efeito fotoeléctrico veio pôr em xeque este conceito. tal que E = hf. exclusivamente como uma onda. em que a radiação. Fazendo incidir luz monocromática num obstáculo onde haja duas fendas muito estreitas e convenientemente próximas. recordam as duas hipóteses postas desde o século XVII para interpretar a natureza da luz. de certo modo. Partículas e ondas eram as chaves com que era aberto o cofre dos segredos da Natureza. com a onda. sobre um alvo ou uma película fotográfica. ilustra a dualidade onda corpúsculo da luz. obtém-se do outro lado.parede opaca com duas fendas f1 e f2 . e a partir daí conhecida como experiência de Young. sendo h a constante de Planck. recorremos ao modelo ondulatório. escolhendo uma ou outra conforme conveniências de intrepretação. ao longo de toda ela. mas estão ligados à propagação da radiação como nos fenómenos de reflexão. a par dessa imagem. atribuindo-lhe. Esta figura de interferência pode ser observada passando. de refracção ou de interferência. uma outra. detectará fotões. de que tudo se compunha de partículas e.da radiação. através de duas fendas abertas numa parede opaca. Uma e outra eram consideradas incompatíveis mas agora admitimos que são complementares. se não dependem dessa interacção. A natureza corpuscular. recorremos ao modelo corpuscular. Trata-se de modelos que são válidos segundo as nossas conveniências na descrição dos fenómenos.parede opaca com uma fenda f B. portanto. A natureza da radiação electromagnética não fica definida e não podemos pensar que umas vezes seja corpúsculo e outras vezes onda.         Até ao início do século XX a imagem do Universo assentava no conceito. uma célula fotoeléctrica e que. uma vez que se tratava de uma interacção entre as radiações e a matéria. radiação electromagnética. sendo a natureza corpuscular defendida por Isaac Newton e a natureza ondulatória defendida por Christian Huyghens. são transportadores de energia. A dualidade da natureza da luz. e a natureza ondulatória. A experiência realizada em 1800 pelo físico inglês Thomas Young (1773-1829). A. uma figura de interferência constituída por uma série de franjas brilhantes (interferência construtiva) alternando com franjas escuras (interferência destrutiva). sacrificando a imagem clássica da radiação. existia a luz. Os respectivos corpúsculos. E. propôs uma solução. f. Einstein. que se propagava por ondas. apoiado na arrojada concepção dos quanta de Planck. se assemelhava à matéria. à parte. Se estes resultam da interacção da radiação com a matéria. com o fotão. é uma realidade. os fotões. tacitamente estabelecido e aceite. Young serviu-se de uma única fonte fazendo passar um feixe estreito emitido por ela. que assim funcionavam como duas fontes luminosas distintas e coerentes. como é a emissão da luz pelos corpos ou o efeito fotoeléctrico. corpuscular.  Esquema da montagem para a realização da experiência de Young. Na impossibilidade prática de utilizar duas fontes luminosas.

ou nenhuma.             Aspecto da imagem obtida na experiência de Young Procedendo assim detectar-se-à um elevado número de fotões nas franjas brilhantes e um número reduzido de fotões nas franjas escuras. será construtiva. a interferência das ondas. Natureza dos raios X Em 1895. e o alvo apresentar-se-à. É possível efectuar a mesma experiência com radiação de tão baixa intensidade que se possa admitir que os fotões chegam. probabilidade de se manifestarem. a energia é transportada pelo fotão. este torna-se emissor de uma radiação. sempre que um feixe desses raios colide com um anteparo (vidro. verificando que esta radiação não sofria desvios por campos eléctricos e magnéticos. porque têm de eprcorrer. ao estudar a fluorescência provocada pelos raios catódicos. se encontra preferencialmente nas regiões onde a intensidade da onda é mais elevada. a probabilidade que cada fotão possui de se manifestar por uma acção observável.   . do que as ondas provenientes de f2. um a um. o físico Wilhelm Roentgen (1845-1923). com intensidade luminosa máxima. considerado individualmente.  As ondas provenientes de f1 percorrem um caminho maior para chegar a P. chegou à conclusão de que. a interferência sobre o alvo será destrutiva. vindas de f1 e f2. o comprimento d. A intensidade da onda luminosa em cada ponto. Stokes e Stoney. Se a diferença de caminhos for igual a um número ímpar de meios comprimentos de onda.. a mais. Se essa diferença de caminhos for igual a zero ou a um múltiplo inteiro de comprimentos de onda de luz incidente utilizada.. Imediatamente se estabeleceu uma relação estreita entre estes dois estudos. Rontgen chamou-lhe raios X. mede. ao passo que as franjas escuras são as regiões em que os fotões têm pouca. As franjas brilhantes são pois regiões em que os fotões têm grande probabilidade de se manifestarem por uma acção observável. Em 1898. um experimental e outro teórico. às fendas de Young. a que atribuíram elevado valor de frequência.  Raios X Os trabalhos experimentais do físico inglês Moseley (1887-1915) sobre os espectros de raios X foram realizados na mesma altura em que Bohr criava a sua teoria relativa à distribuição dos electrões nos átomos com o fim de interpretar as características dos espectros ópticos de riscas. como admitido por Einstein. o que foi confirmado experimentalmente. nesse lugar. em P. admitiram que os raios X seriam ondas electromagnéticas. metal. ponto do alvo. e a onda luminosa que lhe está associada aparece como sendo um campo de probabilidade. Nesta concepção. e a zona do ponto P apresentar-se-à escura.). Trata-se pois de uma radiação electromagnética constituída por fotões de elevada energia. fotões X. Por não saber explicar a natureza da radiação descoberta. Depois de um tempo de exposição suficientemente longo obtém-se uma figura de interferência exactamente como no caso da radiação ser intensa. Este facto leva a supor que cada fotão.

 Na produção dos raios X ocorre o efeito inverso do efeito fotoeléctrico. ao chocarem com o anticátodo. A. para desligar um electrão de uma estrutura. em que o feixe de electrões é emitido por um filamento de tungsténio. F. Na produção de raios X. que é um óptimo condutor de calor. F. Produção de raios X Para produzir raios X utilizam-se aparelhos do tipo do tubo de Coolidge. quando o físico alemão Max von Laue (1879-1960) teve a ideia de tentar a difracção dos raios X pelos cristais. parte da energia cinética dos termoelectrões. convergem na região central do anticátodo com pequena probabilidade de colisão durante o seu trajecto. aquecendo-o notavelmente. incandescente.    . No anticátodo. como anticátodo. colocado em frente de um cátodo côncavo. Em certos casos evitase o elevado aquecimento usando anticátodos rotativos. Esquema de um Tubo de Coolidge. C. no máximo. tubos onde existe um vazio tão perfeito quanto possível. a energia de um fotão é utilizada. que desempenha o papel de anteparo e é designado por anticátodo. O cátodo côncavo. Cada fotão X corresponde a um electrão incidente e a sua energia é. que está ao mesmo potencial que o filamento. O feixe é acelerado por uma alta tensão para o ânodo. Neste. uma pastilha de um metal de ponto de fusão muito elevado. C. faz convergir as trajectórias dos termoelectrões no centro do anticátodo. é transferida para este como energia térmica. e atingem-no com grande velocidade. A.   De um modo geral. manifestando-se o resto como energia cinética desse electrão.    Os electrões emitidos. Difracção dos raios X pelos cristais A confirmação experimental da natureza ondulatória dos raios X chegou em 1912. incrustada num bloco de cobre. bombardeado pelos termoelectrões. tungsténio ou molibdénio. até ao ponto de poder fundi-lo. por efeito termoelectrónico. igual à energia cinética desse electrão. fronteiro ao cátodo. Para evitar esse inconveniente usa-se. um electrão perde energia cinética e a isso corresponde o aparecimento de um fotão. em parte. dá-se a emissão de raios X em todas as direcções.

átomo ou molécula) atingida pela onda incidente. 3 D. e também outros pontos. por um cristal. P. funciona como uma fonte de raios X e produz uma onda difractada esférica (onda secundária). são da ordem das distâncias entre as entidades corpusculares nos cristais.   Um cristal constitui uma rede de difracção. muito estreito. no vazio. observa-se. Esquema da montagem destinada à difracção de um feixe de raios X. menos enegrecidos. Quando um feixe de raios X. e a sua direcção é a sua direcção em que todas elas estão em concordância de fase. que indicam que o feixe de raios X sofreu difracção através do cristal. um ponto enegrecido que indica o local onde o feixe directo de raios X incidiu. Assim. Ainda hoje se usa a técnica de Laue para fazer o estudo da estrutura dos cristais. Cada entidade corpuscular (ião. Estas experiências demonstraram que os comprimentos de onda dos raios X. quando uma onda electromagnética plana. na zona central da placa. muito delgado.  . incide sobre um cristal. que forma um feixe paralelo de raios X. atravessa uma lâmina delgada de um cristal e atinge uma placa fotográfica. O feixe difractado resulta da sobreposição do conjunto destas ondas secundárias. penetra nele profundamente. A disposição desses pontos é sempre bastante simétrica em relação à mancha central. e o conjunto designa-se por figura de Laue. para os raios X.

entre si. por sua vez. no meio em que se propaga. é função da distância entre os planos reticulares e do comprimento de onda do feixe de raios X considerado. pois. a distância d. A difracção dos raios X num plano reticular é análoga á reflexão da luz visível num espelho. o feixe origina um espectro de riscas sobreposto a um espectro contínuo. Para analisar um feixe de raios X que contenha radiações de diferentes frequências recorre-se a um cristal como rede de difracção. Os raios X são. o valor da distância entre dois planos reticulares sucessivos. os físicos ingleses William Bragg e Lawrence Bragg (pai e filho) estabeleceram as condições necessárias à realização dessa concordância de fase.         . a determinação experimental do ângulo de difracção permite calcular.  Os feixes difractados (reflectidos) pelos sucessivos planos reticulares da rede cristalina que se encontram. estão. a equação de Bragg dará o valor de e isso permitirá fazer o estudo dos espectros de raios X. de um modo geral. em fase se o ângulo satisfaz a relação seguinte. provocando a reflexão desse feixe nos planos reticulares paralelos à face do cristal exposta aos raios X. em relação à direcção de incidência. Espectros de raios X Por intermédio da equação de Bragg. conhecida como equação de Bragg em que n é um número inteiro. Mostraram que as ondas secundárias difractadas pelas diferentes entidades de um mesmo plano reticular estão em fase se a direcção do feixe incidente sobre esse plano e a direcção do feixe difractado formam ângulos iguais com esse plano.Em 1913. Se se tiver conhecimento do valor de d. difractados em certas direcções privilegiadas cuja inclinação. Verifica-se assim que. conhecendo o comprimento de onda.

e alguns desses electrões. vai-se tornando possível o aparecimento sucessivo das séries de riscas L. ao longo do espectro contínuo. em cada série. Interpreta-se o aparecimento dessas riscas admitindo que. arrancam electrões dos níveis mais interiores.. com emissão de um fotão X. mais duros. antes e depois da transição do electrão. as riscas são designadas pelas mesmas letras com índices Em cada espectro. a lacuna do nível K pode preencher-se mediante a transição de um electrão de um estado de energia superior. em séries que se designam pelos nomes de riscas K. Do grande número de átomos excitados. riscas L. A série K é. ou para o afastar completamente do átomo. Os elementos de baixo número atómico só originam a série de riscas K e. E. penetram nos átomos do elemento que o constitui. M. correspondentes às transições energéticas de electrões de níveis superiores para os níveis inferiores deixados vagos. obtém-se a emissão de toda a série K. pelo que a sua frequência é dada por .. cuja energia é igual à diferença de energias do sistema atómico. de qualquer outro nível. quando os electrões emitidos pelo cátodo de um tubo de raios X chocam com o anticátodo. Esquema de níveis de energia para a interpretação da formação de raios X característicos de um elemento: transição de electrões para estados de níveis inferiores que tenham ficado vagos por deles terem sido desalojados electrões. Para cada elemento. A extracção de um electrão do nível K só é possível quando a energia.. ou seja. Após excitação. riscas M.Espectro de riscas dos raios X emitidos por um tubo cujo anticátodo é de tungsténio. as riscas K são as que correspondem a raios X de maior frequência.     São possíveis todas as riscas de qualquer das séries quando o electrão bombardeante possuir a energia necessária para arrancar ao átomo um electrão do nível K. a raios X mais energéticos.  As riscas de um espectro de raios X apresentam-se distribuídas.V) for suficiente para fazer subir aquele electrão para um nível mais elevado.. à medida que se utilizam anticátodos de elementos de número atómico crescente. geralmente ocupado parcialmente.. as respectivas séries de riscas não aparecem para o mesmo valor da tensão eléctrica estabelecida nos terminais do tubo de raios X. e.. devido às elevadas velocidades que possuem. . surgem apenas as séries L.... N. M... Se o electrão bombardeante só possuir energia suficiente para arrancar um electrão do nível L. N. a que exige tensão mais elevada para ser emitida. do electrão bombardeante (E = q. de todas as séries.

nos espectros dos vários elementos.. pode arrancar um electrão ao átomo. desses elementos. M.. um valor mínimo da diferença de potencial. A pele e os músculos. A lacuna assim provocada nesse nível pode ser preenchida por um electrão de qualquer outro nível a que corresponda energia mais elevada. com emissão de um fotão X cuja frequência é característica não só do átomo como também daquele nível interno tal como nos espectros de riscas de emissão. L. N. no espectro de um elemento qualquer. é uma função linear simples do número atómico desse elemento. tensão eléctrica. de energia sempre muito elevada.. A lei de Moseley fornece uma maneira de avaliar o número atómico.      A lei de Moseley permite afirmar que: A raíz quadrada da frequência das riscas espectrais dos raios X. até mesmo um electrão pertencente a um nível energético interno. Esse valor é determinado pela energia mínima necessária para arrancar um electrão do nível K. Este fenómeno é interpretado da seguinte maneira..     Espectros de absorção A absorção de raios X pela matéria é acompanhada de emissão de electrões e também de emissão de raios X chamados secundários cuja frequência é característica dos átomos que constituem o material em que a radiação X incide. L. essencialmente constituídos por compostos onde figuram carbono (Z =    . Z. respectivamente. estão relacionadas com os respectivos números atómicos.. Aplicação dos raios X Os diferentes tecidos animais absorvem desigualmente os raios X. Relação entre as frequências das riscas espectrais das séries K e L dos raios X característicos dos vários elementos. para cada elemento. necessária para a emissão de cada um dos espectros K. N.. Um fotão X. sendo essa relação: onde é uma constante de proporcionalidade e é outra constante de proporcionalidade que tem o mesmo valor para todas as riscas de uma dada série. Z. M. e o número atómico.. Lei de Moseley Moseley concluiu que as frequências correspondentes a uma mesma risca de uma determinada série. Esta interpretação da emissão de raios X explica porque existe.

Em metalurgia utilizam-se as diferenças de absorção dos raios X pelas diferentes partes de uma peça metálica para detectar. isto é. ou contendo chumbo na sua constituição. As células mais sensíveis à acção dos raios X são as dos tecidos orgânicos em proliferação rápida. convenientemente doseada. portanto. Algumas vezes é possível a destruição de tumores cancerosos pela acção. permite determinar a repartição. no espaço. utilizando raios X duros. num alvo fluorescente (radioscopia) ou numa placa fotográfica (radiografia). em 1923. hidrogénio (Z = 1). de elevada energia. o paciente tem de receber "produtos de contraste" que contenham compostos de elementos de números atómicos elevados.  Comprimento de onda de de Broglie Apesar de todas as limitações. têm poder absorvente muito menor do que os ossos e os dentes. certificação de obras de arte. Assim. que admitiu que a uma partícula de massa m. ou podem ser localizados corpos estranhos. se encontra associada uma onda     em que h é a constante de Planck. e a destruição de células. pudessem manifestar comportamento ondulatório. muito perigosas. uma vez que possuem elevado poder absorvente. distinção entre pedras preciosas verdadeiras eartificiais. em caso de acção prolongada. O estudo da difracção dos raios X por cristais. os quais tornam opaco o órgão que se quer radiografar..           6). rompendo assim com a Física Clássica. tendo portanto um momento linear de valor de comprimento de onda . por exemplo. podem ser detectadas fracturas ósseas. como as dos tecidos embrionários e as dos tecidos cancerosos. a teoria de Bohr teve o mérito de contribuir para a aceitação da dualidade onda-corpúsculo. bolhas de ar nos metais fundidos. como o chumbo. A protecção contra os raios X faz-se recorrendo a materiais contendo elementos de elevado número atómico. detecção de substâncias proibidas em certos produtos alimentares e de higiene. continuada pelo físico-matemático austríaco Erwin Schroedinger. que se move com velocidade escalar v. ou outros defeitos. se uma radiação se pode comportar como uma onda e como uma partícula. dos planos reticulares nesses cristais e pode. A aplicação de raios X sobre os tecidos do organismo pode provocar. sendo esta questão levantada pela primeira vez pelo físico francês Louis de Broglie. Este comprimento de onda designa-se por comprimento de onda de de Broglie da partícula. imperfeições nas proximidades de uma soldadura. A generalização do conceito de onda-corpúsculo a todas as partículas serviu a de Broglie de fundamento para a criação de uma nova mecânica. que atravessam os tecidos superficiais sem provocar queimaduras de pele (radiodermites) e vão destruir os tecidos cancerosos profundos. porque não uma partícula a comportar-se também como uma onda? Talvez então os electrões ou os átomos. através das figuras de Laue. em cuja constituição figuram o fósforo (Z = 15) e o cálcio (Z = 20). sais de chumbo.  . Para se detectarem lesões orgânicas no aparelho digestivo e no aparelho urinário.. Utilizam-se ainda os raios X na repressão de fraudes: descoberta de artefactos ilícitos nas bagagens. queimaduras profundas. alterações dentárias. dos raios X (radioterapia). a Mecânica Ondulatória. ou outras partículas. tal que . dar informações sobre a sua estrutura. Perdida a imagem tradicional do Universo logo se pensou que. oxigénio (Z = 8) e azoto (Z = 7)..

os físicos americanos Davisson e Germer conseguiram que um feixe monocinético de electrões. na qual se estabelece um sistema de ondas estacionárias. como física do contínuo. atravessasse um cristal de níquel. Tal como a óptica geométrica é uma boa aproximação da óptica ondulatória quando o comprimento de onda é muito menor que as dimensões dos obstáculos ou aberturas que a radiação encontra.e. de notar fenómenos de difracção com os corpos que utilizamos no dia-a-dia. emitida e absorvida. só foi explicada quando Schroedinger reconheceu a relação entre os estados estacionários de Bohr e as propriedades ondulatórias do electrão descritas por de Broglie. o comprimento de onda de de Broglie é extraordinariamente pequeno para qualquer corpo macroscópico. Os limites ou contornos são. frequência mais baixa. Temos por base a descontinuidade da energia. Neste sistemas existem dois pontos que nunca se movem: as extremidades. ou quantificadas. fundamentando-se na teoria dos quanta de Planck e Einstein. e que é posta a vibrar. protões. um número quântico. desenvolvida segundo um tratamento matemático diferente. um feixe em que os electrões tinham todos a mesma energia cinética. não sendo. As frequências discretas. com frequências e energias próprias. passando a serem ambas conhecidas como Mecânica Quântica. embora com formas matemáticas diferentes. i. as leis da mecânica clássica. tendo obtido imagens daquelas partículas. que revelaram comportamento ondulatório. absorvendo ou emitindo energia somente em quantidades bem determinadas como é o caso de uma corda fixa nas duas extremidades.. para os quais se tem um sistema estável de ondas estacionárias. também a mecânica clássica é uma boa aproximação da mecânica quântica sempre que o comprimento de onda de de Broglie da partícula em causa seja muito menor do que as dimensões dos obstáculos ou aberturas que a partícula encontra. podendo mesmo aplicar-se aos electrões. em certas condições. as extremidades fixas da corda e as condições são que os deslocamentos das extremidades sejam nulos. que a mecânica newtoniana. A este movimento ondulatório da corda vibrante vai corresponder um "espectro de riscas". podia justificar-se a partir de uma teoria ondulatória aplicada ao electrão do átomo de hidrogénio.  Equação de Schroedinger Porquê a quantificação dos valores da energia do electrão. átomos de hidrogénio e átomos de hélio. O físico inglês Paul Dirac demonstrou. apresentou na mesma época outra teoria. imposta pela teoria de Bohr.            . através de um número inteiro. Devido às condições limite. só vão existir determinados modos de vibração da corda. aqui. não podia suportar. sugeriram a de Broglie. que surgem na teoria clássica das ondas estacionárias como consequência das condições limite do sistema em causa. o que está na base do funcionamento do microscópio electrónico. cujas frequências estão relacionadas com a frequência fundamental. Existem sistemas macroscópicos que se comportam como os átomos. que a quantificação da energia do átomo de hidrogénio. a chamada Mecânica Quântica. que estas duas mecânicas eram fisicamente idênticas. por isso. Mais tarde obtiveram-se resultados análogos por utilização de feixes de neutrões. resultado da difracção destes feixes corpusculares. no átomo de hidrogénio? Esta quantificação. que se baseia nas propriedades ondulatórias dos electrões. O físico alemão Werner Heisenberg. Estas restrições ao movimento ondulatório da corda são chamadas de condições limite ou condições de contorno. todavia. Como o valor da constante de Planck é muito pequeno.    Em 1927. e depois a Schroedinger.

em cada ponto. os pontos em que a intensidade da onda é máxima. a posição ocupada por um móvel em movimento. sendo de coordenadas ponto . os resultados apresentam um carácter de probabilidade e não de certeza. nas regiões em que seja elevada a probabilidade. . a posição e a velocidade de uma partícula em movimento. Werner Heisenberg. conduziu a uma equação de onda que ficou conhecida como a equação de onda de Schroedinger. dão lugar ao conceito de orbital. Os pontos correspondentes à amplitude máxima da onda associada a cada partícula. aplicada a um fotão ou a um electrão. estabelecendo assim o chamado Princípio de Incerteza que afirma a impossibilidade de se conhecer. As órbitas de Bohr. em 1926. será elevado o número de partículas. Esta equação indica a probabilidade do electrão se encontrar num volume elementar à volta do ponto de coordenadas . numa determinada posição. num dado instante. pelo que se designa de densidade de probabilidade no        No que diz respeito à distribuição electrónica. das ondas estacionárias. em dado instante. a posição. bem como a sua velocidade. ou outra partícula. em cada instante. não nos dá as trajectórias descritas por estes. para um instante futuro. em 1925. possuíndo determinada velocidade. e prever. bem como a velocidade. Compreende-se assim que se possa atribuir à onda associada a uma partícula um significado de onda de probabilidade. Segundo a teoria ondulatória será elevado o valor da intensidade de onda nessas regiões. pois as suas dimensões são cerca de 10 000 vezes menores que as dimensões do átomo. simultaneamente. No caso de termos um feixe de partículas. o que é apenas possível conhecer é a probabilidade de se encontrarem. Na Mecânica Quântica. e toma a aparência de  A equação apresenta duas incógnitas: a energia total. podem obter-se informações acerca do modo como os electrões se distribuem em torno do núcleo. Esta equação descreve os átomos como um sistema de ondas estacionárias em que a quantificação da energia do átomo corresponde às probabilidades discretas. são pontos onde é mais provável encontrar a partícula a que a onda está associada. ou quantificadas. do electrão do átomo e uma função designada por função de onda. proporcional à probabilidade de encontrar um electrão no ponto . pôs em relevo a fluidez da posição de uma partícula. que é considerado pontual. sendo as coordenadas do electrão tomando como origem o núcleo. a qual mede a amplitude de onda. com base nas leis do movimento. que representa a distribuição de probabilidade da presença do electrão no espaço. pelo facto de serem de probabilidade as leis que regulam o seu movimento. . que eram trajectórias circulares bem definidas. E.   A teoria desenvolvida por Schroedinger. ou seja. No entanto.  Princípio da Incerteza Na Mecânica Clássica é sempre possível conhecer com exactidão. pelo que estas se poderão aí manifestar através de um efeito observável.      Embora esta equação conduza aos valores possíveis para a energia dos electrões. onda de probabilidade.

3. l e m.. 1.-1. possui fotões de elevada energia e.1.  Estrutura Electrónica Para uma corda vibrante (meio elástico unidireccional) na qual se estabelece um sistema de ondas estacionárias. por si só. os valores permitidos para as energias dos níveis do átomo de hidrogénio são determinados em função do número quântico principal. (n-1).3 tipo de orbital s s p s p d s p d f             nível de energia 1 2 3 4 4   Em suma: . com n = 1.1. l e m) para descrever completamente cada estado energético deste átomo.2. consequentemente.1. isto é. .0.0. na observação. 2. e as energias.6 x 10-19 J.. O número quântico de momento angular só pode assumir os valores l = 0.. n. pois as propriedades magnéticas do átomo dependem dos valores deste número quântico.o número quântico principal está relacionado com o nível de energia ocupado pelo electrão . a equação de onda descreve a onda electrónica a três dimensões e.0. em que l determina o módulo do momento angular do electrão e m está relacionado com a componente do momento angular do electrão segundo o eixo dos zz . uma radiação de pequeno comprimento de onda a fim de ver com boa definição a posição da partícula. A própria tentativa de medição dessas grandezas é. e não esquecendo que 1 eV = 1. motivo de alteração dos valores que se pretendem medir. quando estes interactuassem com o electrão.2 -3.0.6/n2 (eV). Existe uma solução da equação de onda para cada conjunto de valores n.2. são precisos três números quânticos (n. uma radiação de pequeno comprimento de onda é uma radiação de elevada frequência e.-2. basta um único número quântico para descrever os possíveis modos de vibração e.-1.0. as frequências.1 -2..-1. O número quântico magnético só pode tomar os valores inteiros entre -l e +l.. assim. de acordo com a expressão E = -13. consequentemente.1 -2. uma intervenção no status quo da partícula. que lhe são permitidas. respectivamente número quântico de momento angular e número quântico magnético. A cada valor de E correspondem uma ou várias funções de onda correspondentes a valores específicos dos números quânticos l e m. No caso do átomo de hidrogénio. No estado fundamental para o electrão no átomo de hidrogénio podemos fazer o seguinte quadro síntese: n 1 2 3 l 0 0 1 0 1 2 0 1 2 3 m 0 0 -1. Contudo.. modificar-lhe-iam a sua velocidade.0. Um caso concreto: Se existisse a possibilidade de medir a posição de um electrão recorrendo a um microscópio. ter-se-ia que utilizar.1 0 -1.. Deste modo.2 0 -1.

s. o número quântico s caracteriza cada electrão da referida orbital. forças de atrito.     . forças elásticas. Regra de Hund.interacção gravitacional .  Interacções Fundamentais As interacções observadas na Natureza compreendem-se em função de quatro interacções básicas: . como o electrão). O raciocínio efectuado para o átomo de hidrogénio é extendido aos átomos polielectrónicos e Wolfgang Pauli estabelece que: . em última análise. que só pode assumir dois valores.    .o número quântico magnético está relacionado com a orientação espacial da orbital ocupada pelo electrão Em 1925.interacção electromagnética .interacção nuclear forte . G.. forças de natureza eléctrica e/ou magnética.. enquanto os números quânticos n. Devido ao valor muito pequeno da constante de gravitação universal. forças de contacto. siga esta ligação.. Para saber mais. Assim. moléculas. têm spins opostos. resultam de interacções entre átomos.cada orbital só pode conter o máximo de 2 electrões. são manifestações deinteracções electromagnéticas uma vez que.interacção nuclear fraca              Interacção gravitacional nuclear fraca electromagnética nuclear forte  Objecto da interacção massa partículas elementares cargas eléctricas nucleões Eficácia relativa próximo do núcleo atómico 10-38 10 -15 Alcance infinito 10-12 cm infinito 10-12 cm 10-2 1  A interacção gravitacional desempenha um papel fundamental na nossa vida mas é muito fraca quando comparada com as outras interacções pelo que não desempenha papel relevante na interacção entre partículas elementares (partículas que não são constituídas por partículas ainda mais pequenas.. A maior parte das forças que se exercem entre corpos macroscópicos. depois do preenchimento de todas as orbitais.. Princípio de Exclusão de Pauli . Wolfgang Pauli sugeriu um 4º número quântico. designado de número quântico de spin. são necessárias massa muito grandes para que as forças gravitacionais apresentem valores apreciáveis.o número quântico de momento angular está relacionado com o tipo de orbital ocupada pelo electrão . -1/2 e +1/2. l e m caracterizam a orbital ocupada pelo electrão.para além da distribuição electrónica obedecer ao Princípio da Energia Mínima.. de modo a que o átomo tenha o menor valor de energia possível .e esses 2 electrões.

A intensidade destas forças decresce de dentro para fora dos núcleos. garantindo a grande estabilidade dos núcleos. mas neutrões. se só existissem estas duas interacções todos os núcleos se deveriam desintegrar espontaneamente. sendo ela a responsável pela a coesão do átomo. em que tomam parte electrões. Considerando o defeito de massa. . por aumento da distância ao centro do núcleo e.  Energia de ligação dos núcleos A grande intensidade das forças de Yukawa. ou interestelares. para distâncias superiores à ordem de grandeza do raio nuclear predominam as forças electromagnéticas. sendo igual à energia de ligação dos electrões nos átomos. Entre os nucleões. Esta diferença de massa. ordem de grandeza do raio nuclear. uma vez que. sendo muito importantes na desintegração   . quando a distâncias inferiores a 10-12 cm. tal não sucede. da ordem de grandeza de 10 -12 cm.c2     . bem como o seu muito curto alcance. .     As interacções gravitacional e electromagnética não permitem explicar a grande estabilidade verificada nos núcleos atómicos.. de número de massa A e número atómico Z. ao considerarmos as distâncias interplanetárias. partículas sem carga eléctrica. exercem-se entre todas as partículas elementares e estão associadas aos processos de desintegração.     A distâncias da ordem de grandeza do diâmetro atómico . A energia necessária para retirar todos os nucleões que constituem um núcleo atómico. permitem chegar à conclusão de que.mn. é equivalente a uma certa quantidade de energia. as interacções gravitacionais predominam sobre todas as outras interacções que se exercem entre os corpos celestes. forças fracas. que vão predominar sobre as forças electromagnéticas. designada por defeito de massa.mp. Quanto maior mais estável é o núcleo. forças nucleares. .    As interacções nucleares fracas. a interacção electromagnética predomina sobre a interacção fraca e sobre a interacção forte. por exemplo. Por analogia. é menor que a soma das massas dos Z protões e dos (A-Z) neutrões. a massa de um núcleo. descobertas pelo físico japonês Yukawa. As determinações mais exactas de massas atómicas mostram que os valores da massa dos átomos são inferiores à soma das massas dos protões.c2 . forças muito fortes.mN. devida a Einstein. de acordo com a relação entre massa e energia. forças atractivas. podemos determinar a energia de ligação dos núcleos através de:  Enuclear = Z.c2 + (A-Z). para libertar um nucleão (protão ou neutrão) da acção do núcleo. forças fortes. a atracção gravitacional entre dois protões é muito menos intensa que a repulsão eléctrica entre eles e.. é necessário fornecer uma quantidade de energia a esse núcleo atómico. actuam forças nucleares. Contudo. devido ao seu grande alcance. transformando-os assim em nucleões livres. Pela mesma razão. vão poder continuar a aproximar-se do núcleo até atingirem a zona de acção das forças nucleares onde é promovida a sua captura pelo núcleo. forças de Yukawa. neutrões e electrões que os constituem. Se partículas (iões de hélio 2+) se aproximarem de um núcleo atómico são repelidas com uma força de grande intensidade pelos protões desse núcleo. designa-se porenergia de ligação nuclear e o seu valor é uma medida da estabilidade do núcleo em causa.

. e oxigénio-16. as massas de um protão. O equivalente em energia de 1 u é 9.    sendo c o valor da velocidade de propagação da luz no vazio e mp.       Verifica-se. carbono-12. que nalguns núcleos leves. com 1 eV = 1.3 x 102 MeV. são. o que significa que apresentam grande estabilidade. a partir de um núcleo de hidrogénio e de um neutrão Verifica-se um defeito de massa igual a 2. A figura seguinte traduz o gráfico da variação da energia de ligação por nucleão em função do número de massa A. Formação de um deuterão. de um neutrão e do núcleo em causa. núcleo de deutério.6 x 10-19 J. a energia de ligação nuclear é muito elevada. Da evolução da curva do gráfico podemos ainda concluir que:  . respectivamente. mn e mN.25 MeV. como no hélio4. da análise do gráfico.4 x 10-3 u (unidade de massa atómica). em comparação com a de núcleos vizinhos. sendo 1 MeV = 106 eV. . Conclui-se que a formação de um deuterão (núcleo de um isótopo do hidrogénio com 1 protão e 1 neutrão) se dá com a libertação de energia igual a 2. As energias de ligação nuclear são muito mais elevadas do que as energias de ligação dos electrões no átomo porque a interacção nuclear forte é muito mais intensa do que a interacção electromagnética. portanto um processo exotérmico.

que resulta da descoberta por Hahn e Strassman. originando dois nuclidos: e krípton-92 ou e . carga eléctrica.7%. . Pode-se esquematizar duas das hipóteses de cisão do urânio-235 através das seguintes equações nucleares (podem existir mais para além das aqui referidas. A libertação de energia dá-se à conta da diminuição de massa do sistema. 92. libertando mais ou menos energia e mais ou menos neutrões): (reacção 1) Cálculos     (reacção 2) Cálculos Note-se a conservação do número de massa em cada lado da equação. . .se dois núcleos leves como os de deutério e de trítio . e do número atómico. se formassem dois núcleos de números de massa aproximadamente iguais. fusão nuclear. podendo levar a uma reacção em cadeia pois cada um dos neutrões resultantes pode provocar a cisão de outros tantos núcleos de urânio-235 e assim sucessivamente. pode ser calculada com o recurso a uma tabela de massas de isótopos. que resulta do bombardeamento do urânio por neutrões de baixa energia cinética. isótopos do hidrogénio. parte. mantendo-se constantes o número de massa (A) e o número atómico (Z) das espécies participantes na reacção. e a libertação de grande quantidade de energia por cisão de cada núcleo de urânio-235 faz deste processo um processo altamente exotérmico.a energia que se libertará durante a formação de um núcleo de urânio 235. sendo predominante no urânio235. o que implica que quando se der acisão nuclear do em libertar-se-à energia. produzindo uma reacção em cadeia. com emissão de vários neutrões.        O que acontece então quando um núcleo de urânio-235 captura um neutrão lento? O núcleo cinde. uma reacção nuclear.  Cisão Nuclear A cisão do urânio é um processo. em 1939. que podem provocar reacções de cisão adicionais. fazendo-o entrar em oscilação tal. a partir do mesmo número de nucleões. A variação de massa. . libertar-se-à também energia. havendo uma conversão de massa em energia. a partir dos seus nucleões. que se pode calcular através da relação . é menor do que a que se obteria se. aliás conhecem-se cerca de 50.  . que é suficientemente violenta para provocar o desdobramento do núcleo em outros dois. um isótopo do urânio natural na percentagem de 0. se reunirem para formar um núcleo mais pesado como um núcleo de hélio .     Explicação A absorção de um neutrão lento por um átomo do nuclido origina um átomo  do nuclido num estado excitado. vindo . 236. rubídeo-95 e césio-138 com a emissão de vários outros neutrões. isto é. um neutrão lento. como foi explicado por Einstein. bário-141 e .

por acção de neutrões rápidos. por captura de um neutrão. via sistema de refrigeração. o número de cisões continua a aumentar. por cada núcleo de urânio-238.expressa em u (unidade de massa atómica) e c2 é o quadrado do valor da velocidade da luz no vazio. o RPI. podendo neutrões emitidos pela cisão de núcleos de . Os resíduos radioactivos também devem ser bem guardados. estáveis e desintegram-se com emissão de radiação muito energética. Portugal possui um reactor nuclear. Reactor Português de Investigação. como o cádmio (Cd). em 99. principalmente por motivos políticos. A cisão simétrica. com conservação da energia cinética do conjunto das partículas que colidem. A fim de regular a velocidade da reacção em cadeia. Tem-se procurado obter material cindível a partir do urânio-238. não se pretende uma explosão nuclear. Os neutrões lentos provocam cisões posteriores e logo que o número de neutrões lentos ultrapasse o número de neutrões que se escapam. bobina de fio eléctrico envolvendo um íman. feitas de um material com um grande coeficiente de absorção de neutrões. dado que é difícil transformar o urânio natural em urânio-235.7%. usualmente através da utilização de água. que sofrem com átomos leves de uma substância designada por moderador (água ou grafite) na qual o urânio-235 está disperso. e deve evitar-se a todo o custo um acidente do tipo Chernobyl (1986). Este calor é removido. com elevada energia cinética. serem  capturados por núcleos de   E o que resulta da cisão nuclear. é menos provável do que a cisão assimétrica. qual é o outro? É o urânio-238. que podem ser introduzidas no núcleo do reactor em maior ou menor quantidade. sendo o vapor de água obtido passado por uma turbina solidária de um dínamo. ou seja. sito no INETI. Por estes motivos a utilização da energia nuclear é controversa. antes e depois da colisão. na qual se obtêm dois núcleos de massas diferentes. se desintegra num nuclido cindível de plutónio-239. produzindo a ebulição de uma massa desta. que é utilizado para fins de investigação e obtenção de isótopos radioactivos para fins médicos e industriais. geralmente. pois só se tornam inócuos passados milhares de anos. em Sacavém. por sua vez. na qual o núcleo de urânio-235 se divide em dois núcleos de igual massa. o que levante sérios problemas de segurança num reactor nuclear.         Se o urânio-235 é um isótopo do urânio natural em 0. os neutrões emitidos são neutrões que possuem velocidades elevadas. existem barras de controlo. A produção de energia eléctrica está posta de parte. . o que dá origem a um núcleo de neptúnio (Np) que. isto é.  Fusão Nuclear . transformando assim esta energia em energia eléctrica. Alguns escapam-se e outros tornam-se lentos devido às colisões elásticas.3%. libertando-se quantidades cada vez maiores de energia que é transformada em calor. o que lhe acontece? Os núcleos formados por cisão nuclear não são. Este facto é aproveitado por alguns reactores que funcionam com uma mistura de    e .     Explicação do que se passa dentro de um reactor nuclear Quando se dá a cisão. . induzindo o aparecimento de corrente eléctrica alterna no fio.

Como chegar ao valor da energia libertada? A temperaturas desta ordem de grandeza. muito intensas mas de muito curto alcance. Enquanto nas reacções químicas só participam os electrões de valência.                    Diferenças entre estas reacções e as reacções químicas A energia libertada no decurso destas reacções nucleares é incomparavelmente maior. que podem até ter massas maiores que 25 massas solares. se tornem efectivas e se produza a fusão dos núcleos. e usualmente de número de massa muito baixo. têm sido realizadas reacções deste tipo. Tudo aquilo que nos rodeia e de que somos feitos provém das estrelas. O valor desta temperatura é da ordem dos 10 8 K (não esquecer que a temperatura de 0 K é igual a 273. O Sol é constituído por cerca de 33% de hélio e 66% de hidrogénio e considera-se a reacção de fusão nuclear responsável pela energia produzida traduzida pela equação: Isto quer dizer que por cada núcleo de hélio que se forma consomem-se 4 núcleos de hidrogénio. até uma temperatura suficientemente alta. e que os núcleos dos elementos mais pesados (Z > 26) são sintetizados no decurso de explosões destas estrelas maciças. constituindo o chamado quarto estado da matéria. levando assim a choques aleatórios entre eles. é necessário que os núcleos em causa possuam uma elevada energia cinética (da ordem ou superior a 10 keV) com o fim de possibilitar a sua aproximação de forma que consigam vencer as forças eléctricas repulsivas. como no caso de estrelas com uma massa maior que 8 massas solares. nas reacções nucleares são postas em jogo as energias de ligação entre nucleões que excedem em muito as energias electrónicas. Sabemos que no interior das estrelas se podem produzir fusões de núcleos cada vez mais pesados até se atingir a síntese de núcleos de ferro (Z = 26). e electrões livres. tomando especial interesse a reacção nuclear de fusão de um núcleo    . Devido à repulsão eléctrica entre dois núcleos (não esquecer que ambos possuem carga positiva). e do nosso Sol. possibilitando assim que as forças nucleares. um gás compõe-se unicamente de iões positivos. como é o caso dos núcleos de hidrogénio e lítio. Em laboratórios. núcleos. isto é. Somos pois primos das estrelas! Semelhanças entre estas reacções e as reacções químicas Ambas são desencadeadas ou aceleradas por elevação de temperatura. mas mesmo assim energias muito baixas. libertando-se 2 positrões. um plasma. e consequentemente os núcleos. obviamente. Onde é que se produzem temperaturas assim tão elevadas ? No interior das estrelas. e de maior energia. os electrões mais exteriores dos átomos. oferece outra possibilidade de termos reacções com libertação de grande quantidade de energia. designadas porsupernovas. duas anti-partículas do electrão. a título experimental. por bombardeamento de núcleos de átomos leves com partículas altamente aceleradas.15 ºC). Como se consegue esta elevada energia cinética? Aquecendo os átomos. com a mesma massa mas carga eléctrica simétrica. Consegue-se reproduzir um processo de fusão em laboratório? Sim. conducente à formação de núcleos a partir de núcleos mais leves.  A fusão nuclear.

Declínios radioactivos O que é que entendemos por radioactividade? Como já sabemos. Z. o material de qualquer recipiente seria danificado e assim torna-se necessário manter as partículas de plasma (a esta temperatura o gás está ionizado. controladas. só existindo iões positivos e electrões livres) longe das paredes do recipiente.6 MeV. é óbvio. tório e actínio. Radioactividade consiste na emissão espontânea de partículas e/ou radiações por parte de nuclidos instáveis. A matéria prima é praticamente inesgotável e não existem resíduos radioactivos. N.de deutério com um núcleo de trítio. existem nuclidos instáveis que se formam em reacções nucleares. como é o caso da cisão nuclear. que representa a variação do número de neutrões. e apenas durante intervalos de tempo muito reduzidos. A maior parte dos nuclidos. como esquematiza a equação seguinte:      Porquê tanto interesse nesta reacção? Não esquecendo que o deutério e o trítio são isótopos do hidrogénio. Porquê? Porque a estas temperaturas. o elemento mais abundante no Universo. . contrariamente ao que acontece nas reacções nucleares de fissão. Para além destes existem também alguns na Natureza. para os nuclidos estáveis. esta reacção dá-se a uma temperatura relativamente baixa. espontaneamente radioactivos. resultando um núcleo de hélio e um neutrão. o que é conseguido através de um campo magnético que vai confinar a reacção a um dado espaço.. como é o caso do urânio. desintegram-se com relativa lentidão. Pode estabelecer-se uma previsão da ocorrência natural do declíneo radioactivo através da análise do gráfico seguinte. com a libertação de 17. e são de número de massa muito elevado. no entanto.. em função da carga nuclear. Seria uma fonte de energia limpa! Tem sido. O interesse nestas reacções. extremamente difícil controlar esta reacção num reactor. Mesmo assim um processo muito complicado!. da ordem dos 108 K. não muitos.

Os nuclidos que estão à direita da faixa de estabilidade são ricos em protões e para adquirirem estabilidade devem diminuir a sua carga nuclear por um dos dois processos seguintes: . a maior parte dos nuclidos estáveis possui igual número de protões e neutrões. Quais os tipos de declínios radioactivos? A) Os nuclidos que se situam fora da faixa de estabilidade. como existem cerca de 100 elementos diferentes ( na realidade já existem mais de 100 elementos ). Entre os elementos mais pesados. conclui-se que existem. mostrada no gráfico anterior. elementos leves. Para elementos com número atómico menor que 20. O maior número de neutrões parece assumir a função de exercer um contrabalanço à excessiva repulsão que ocorre entre os protões nos núcleos de carga elevada. em média. existem 264 nuclidos estáveis e. Porquê?! Bem. os nuclidos estáveis contêm mais neutrões do que protões. cerca de 2.5 isótopos por elemento. são radioactivos e desintegram-se formando um nuclido que se situe nessa faixa de estabilidade.Pode constatar-se que embora a relação entre o número de protões e o número de neutrões não seja constante. varia dentro de limites estreitos.

Este declínio. . para um declínio nuclido de flúor: . declínio que consiste na emissão. ou captura . seguida da transformação deste num neutrão. por um protão. Sendo assim. Este processo de desintegração toma a designação de declínio e consiste na transformação. que é devido à interacção fraca. com emissão de um electrão e de um antineutrino. com emissão de um neutrino: Estes dois tipos de declínio originam nuclidos com mais um neutrão e menos um protão. tal que: neutrão num protão. Este declínio origina nuclidos com um protão a mais e um neutrão a menos. . resulta da transformação de um protão nuclear. . Os declínios do tipo electrónica são conseguidos artificialmente em laboratório. neutrino: . num neutrão. de um positrão. como é o caso da transformação de um nuclido de carbono num nuclido de azoto: Estes tipos de declínio são acompanhados de libertação de energia e embora o número de massa do nuclido descendente não varie. temos a transformação de um nuclido de néon num Os nuclidos que estão à esquerda da faixa de estabilidade são ricos em neutrões e adquirem estabilidade através da emissão de electrões. com emissão de um positrão e de um  captura electrónica (captura K) que consiste na captura de um electrão atómico. de um . preferencialmente do nível de menor energia (nível 1). dentro do núcleo. por parte do núcleo. Na Natureza só ocorrem declínios do tipo .e um neutrino. a massa do núcleo descendente é menor do que a do núcleo original.

sendo dado a este electrão emitido por este processo o nome de electrão de conversão interna. muito maiores do que as diferenças de energia entre estados atómicos. à semelhança dos átomos. . Este processo de declínio designa-se de declínio . núcleos de átomos de hélio.B) Nem todos os nuclidos instáveis sofrem desintegração através dos processos atrás referidos. Este tipo de declínio ocorre. Existem nuclidos que sofrem declínio o qual consiste em o núcleo emitir. porque as diferenças de energia entre estados nucleares são. somente em nuclidos de número atómico superior a 83. Os núcleos. e que são muito estáveis. A conversão interna é acompanhada da emissão de radiação X como consequência dos reajustamentos das camadas electrónicas. . de elevada energia. em conjunto. . isto é. devido a isso. Um exemplo é a transformação de um nuclido de urânio num nuclido de tório: Verifica-se que o resultado desta transformação possui menor energia que o estado inicial. regra geral. espontaneamente. consequentemente. A desexcitação de um núcleo pode ainda obter-se através de um tipo de declínio designado por conversão interna. isto é. é expulso. excepto casos raros. que os nuclidos resultantes têm. transita para outro estado de menor energia. C) Acontece com frequência que um nuclido descendente de outro por declínio ou aparece num estado excitado. menor massa que o nuclido inicial. radiação . Os fotões emitidos durante estas transições são muito mais energéticos do que os fotões emitidos nas transições electrónicas entre níveis atómicos. só se podem encontrar em determinados estados de energia. ou seja. partículas . Um núcleo num estado excitado pode transferir directamente o excesso de energia para um electrão da nuvem electrónica e que. emitindo radiação electromagnética a que correspondem fotões de energia igual ao módulo da diferença de energia dos dois estados nucleares. se um núcleo se encontrar num estado excitado. estados discretos e. libertando então essa energia a mais sob a forma de radiação electromagnética de frequência muito elevada. e que é um processo competitivo da emissão na desexcitação dos estados nucleares.